Mapeamento de plantas daninhas: veja o que é, a importância, os principais sistemas disponíveis no mercado, vantagens e desvantagens. 

O manejo de plantas daninhas resistentes vem provocando aumento representativo no custo de produção. Isso se deve principalmente às pulverizações realizadas na lavoura inteira e não especificamente onde estão as plantas daninhas.

Isso resulta em aumento dos gastos com defensivos, desperdício de produtos e contaminação ambiental sem necessidade.

Ferramentas de agricultura de precisão vêm se mostrando aliadas importantes na eficiência da aplicação e na economia de produtos. 

Confira neste artigo como fazer o mapeamento de plantas daninhas e como ele pode ajudar a resolver muitos problemas na sua lavoura!

O que é o mapeamento de plantas daninhas?

O mapeamento de plantas daninhas é uma técnica que visa identificar as plantas invasoras presentes na lavoura.

Inicialmente, o levantamento de plantas daninhas de uma área era realizado por meio de amostragem. Para isso, uma equipe treinada se deslocava até pontos amostrais pré-determinados, realizava a identificação e estimava a distribuição de plantas daninhas na área. 

Mas esse método tradicional necessita de grande disponibilidade de mão de obra e a realização de uma quantidade de amostras que represente fielmente a área, o que é inviável. 

Desta forma, a agricultura de precisão vem se tornando forte aliada na solução desse problema.

Os sensores facilitam o levantamento de plantas daninhas, diminuindo custos e possibilitando maior estimativa da distribuição de plantas invasoras.

Na prática, eles podem ser facilmente acoplados a implementos agrícola ou serem transportados por drones, cobrindo com maior facilidade a área em sua totalidade. 

imagem representando o voo do drone da Horus realizando o mapeamento de plantas daninhas na lavoura

Ilustração do mapeamento de plantas daninhas realizado com drones
(Fonte: Horus Aeronaves)

Qual o melhor sistema para mapear plantas daninhas na lavoura?

A escolha dos diferentes sistemas de mapeamento dependerá do objetivo de uso das informações que serão obtidas.

Se o mapeamento for utilizado para identificar em quais talhões as plantas daninhas começaram a emergir primeiro ou localizar grandes reboleiras, a precisão do sensor não necessita ser tão grande. Assim, você pode utilizar sensores orbitais com até 5 m de precisão. 

Já para identificação de pequenas reboleiras ou da distribuição de plantas daninhas na área, é mais interessante utilizar sensores com precisão maior, próximo a 5 cm, como os acoplados em aeronaves. 

Além disso, é possível utilizar sensores acoplados diretamente no equipamento de pulverização, gerando informações em tempo real. 

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E qual ferramenta escolher para aproveitar esses mapas? Vou explicar melhor a seguir:

Mapeamento de plantas daninhas para aplicação de herbicidas em pré-emergência

A aplicação de herbicidas em pré-emergência é uma importante aliada no controle de plantas daninhas resistentes. 

Entretanto, você só conseguirá um controle eficiente sem prejudicar o cultivo se utilizar a dose correta para cada porção de sua área. 

Os herbicidas aplicados em pré-emergência interagem diretamente com o solo e, dependendo de características (como teor de argila, teor de matéria orgânica e pH), o ajuste de dose deve ser feito.

Uma ferramenta que ajuda na aplicação de herbicidas em taxa variável conforme as características de solo é a tecnologia HTV®, desenvolvida pela APagri em parceria com a Esalq/USP. 

Primeiramente são coletados dados das principais características do solo, o que pode ser feito junto com o mapeamento da fertilidade do solo. Depois, é realizada a recomendação de produtos de acordo com essas informações e com o histórico de infestação da área. 

Definindo quais herbicidas serão utilizados, são gerados os mapas com doses específicas para aplicação localizada!

Esses mapas deverão utilizados por um pulverizador que contenha um sistema de aplicação em taxa variável. Isso irá garantir a dose ideal de herbicida em cada ponto mapeado.

Mapeamento de uma área para aplicação de pré-emergente com o sistema HTV®

Mapeamento de uma área para aplicação de pré-emergente com o sistema HTV®
(Fonte: APagri)

Mapeamento de plantas daninhas para aplicação de herbicidas pós-emergente 

Para o controle de plantas daninhas em pós-emergência, o mapeamento pode ser realizado anteriormente, desde que o tempo de processamento das imagens seja rápido.

Outra opção é fazer esse mapeamento em tempo real por meio de sensores acoplados ao pulverizador, que podem controlar o acionamento e vazão dos bicos. 

No mapeamento prévio, as imagens podem ser geradas por satélite ou sensores acoplados a drones. Elas são utilizadas principalmente para catação de plantas na entressafra ou na pós-emergência dos cultivos (desde que no processamento da imagens seja possível diferenciar plantas daninhas e cultura). 

Já no sistema de mapeamento em tempo real, os sensores captam informações de presença de plantas daninhas alguns segundos antes da chegada do bico no alvo e comandam uma válvula de acionamento muito rápida para aplicação do produto e/ou ajuste de dose (ex: Pulse Width Modulation). 

Um sistema que já vem sendo utilizado no Brasil com mapeamento em tempo real para pulverização agrícola é o WEED – It. Confira no vídeo que eu separei:

Vantagens e desvantagens do mapeamento

Separei algumas vantagens e desvantagens do mapeamento de plantas daninhas utilizando tecnologia:

Vantagens

  • otimização da aplicação;
  • menor dano ambiental em longo prazo;
  • facilidade na tomada de decisão de qual herbicida utilizar;
  • menor gasto com herbicidas;
  • possibilidade do mapeamento durante a realização dos tratos culturais;
  • determinação prévia da quantidade de herbicidas a ser utilizado;
  • traçar estratégias de manejo antecipadamente.

Desvantagens

  • alto custo de implementação de sistemas;
  • dinamismo na população de plantas daninhas, podendo mudar suas características em pouco tempo;
  • mapeamento necessita de programas específicos;
  • equipe treinada;
  • erros na aplicação podem ocorrer devido a problemas na geração de imagens ou na elaboração do mapa de recomendação.

Conclusão

Neste artigo, vimos como a tecnologia pode auxiliar no mapeamento de plantas daninhas.

Entendemos o que é um mapeamento e como escolher o melhor método para sua lavoura.

Vimos também as possibilidades da utilização dessa técnica pensando na pré e pós-emergência das daninhas, além das principais vantagens e desvantagens.

Espero que com essas informações você consiga realizar um bom monitoramento de plantas daninhas em sua lavoura.

>> Leia mais:

Índice de vegetação: o que ele pode dizer sobre sua lavoura

Mapas de produtividade na agricultura de precisão: como otimizar seus insumos

Você realiza o mapeamento de plantas daninhas em sua lavoura? Já enfrentou problemas? Adoraria ver seu comentário abaixo!