Residual de herbicidas no solo pode trazer prejuízos à cultura em sucessão devido ao carryover. Planeje-se com a rotação de culturas!

No campo temos diversos desafios que exigem tomada de decisões que nem sempre são tão fáceis, não é mesmo?

Você já deve ter se perguntado ou passado por alguma situação na qual teve problemas com carryover, ou seja, com residual de herbicidas no solo.

Pensando nisso, trouxe para você algumas informações sobre este tema que podem te auxiliar em sua lavoura. Confira!

residual de herbicidas

Sintomas de injúrias em soja (cv. BMX Titan RR.) devido o residual de isoxaflutole no solo
(Fonte: Alonso et al. (2013))

Persistência de herbicidas no solo

Os herbicidas possuem diversas características e uma delas é a persistência no solo, ou seja, o período durante o qual a substância do produto permanece no meio ambiente.

Este tempo é medido por meio da meia-vida do herbicida, necessário para que um produto atinja a metade da concentração original após a aplicação.

Assim, a meia-vida pode ser curta (até 90 dias no solo), média (91 a 180 dias no solo) ou longa (acima de 180 dias no solo).

Sintomas de injúrias em soja e milho

Sintomas de injúrias em soja (cv. BMX Titan RR.) – foto da esquerda – e milho (cv. DKB 390 YG) – foto da direita – devido ao residual de metribuzin no solo
(Fonte: Alonso et al. (2013))

Como exemplo, podemos citar os herbicidas que pertencem ao grupo químico das imidazolinonas (pertencente ao inibidores da ALS), ou seja, o imazaquin, imazamox, imazapyr, imazethapyr e imazapic. 

Estes produtos apresentam persistência de moderada a longa no solo. 

Desta forma, herbicidas com maior persistência no solo podem resultar no fenômeno conhecido como carryover.

Carryover pode ser definido como: resíduos fitotóxicos que permanecem no solo e que venham a afetar culturas sensíveis em rotação, após àquelas culturas em que foi utilizado o herbicida.

residual de herbicidas

Sintomas de injúrias em milho (cv. DKB 390 YG) devido ao residual de chlorimuron – foto da esquerda – e diclosulam – foto da direita – no solo
(Fonte: Alonso et al. (2013))

Sintomas de injúrias em milho

Sintomas de injúrias em milho (cv. DKB 390 YG) devido o residual de imazethapyr – foto da esquerda – e imazaquin – foto da direita – no solo
(Fonte: Alonso et al. (2013))

No geral, quanto maior a sorção destes produtos ao solo, maior será a persistência.

A sorção dos produtos no solo também é influenciada pelas condições ambientais, aumentando quando decrescem a umidade do solo, o pH e a temperatura e, quando os teores de matéria orgânica no solo como óxidos de ferro e de alumínio aumentam. 

Isso acontece porque em condições de solo mais seco, mais herbicida é preso nos coloides do solo e menos produto fica disponível para biodegradação ou absorção pelas plantas e, consequentemente, pode haver uma maior persistência e carryover.

residual de herbicidas

Sintomas de injúrias em soja (cv. BMX Titan RR.) devido o residual de amicarbazone no solo
(Fonte: Alonso et al. (2013))

Como evitar o carryover – residual de herbicidas no solo

Algumas medidas que podem ser tomadas para evitar o efeito residual de herbicidas na próxima cultura são:

  • Redução das doses (pode não resolver o problema em alguns tipos de solos);
  • Aplicação em faixas ou dirigida ao invés da área total (reduz a quantidade total de herbicida aplicado).

Entretanto, o melhor mesmo, é conhecer o período residual do produto, saber quanto tempo ele pode permanecer no solo e sempre pensar na sua área como um sistema, planejando a cultura que você semeará posteriormente ali.

Sabendo qual será a cultura utilizada em rotação, você pode definir quais produtos podem ou não serem utilizados na cultura atual e que não afetarão a próxima em sucessão.

residual de herbicidas

Residual de herbicida aplicado na soja causando intoxicação na cultura do milho em sucessão
(Fonte: Juparanã Cultivar)

Qual o efeito do residual de herbicidas no solo?

O residual de herbicidas no solo tem um papel fundamental no campo, sendo que o principal é fazer com que a cultura fique livre das plantas daninhas até terminar o período no qual elas interferem na produtividade da cultura.

Porém, residuais muito longos têm dois problemas: o primeiro é que ele aumenta a pressão de seleção de biotipos de plantas daninhas resistentes e, o segundo, é que se este residual for muito longo pode ocorrer problemas com carryover na próxima cultura.

sintomas de injúrias em soja e milho

À esquerda, sintomas de injúrias em soja (cv. BMX Titan RR.) e à direita, milho (cv. DKB 390 YG) devido ao residual de metsulfuron no solo 
(Fonte: Alonso et al. (2013))

Residual de herbicidas e rotação de culturas

O trifloxysulfuron, por exemplo, é utilizado em mistura com o ametryn na cana-de-açúcar ou sozinho no algodão em pós-emergência inicial. 

Mas este defensivo agrícola pode apresentar problemas de carryover na cultura do feijão cultivado em sucessão, tendo que esperar em torno de 8 meses após a aplicação para a semeadura da próxima cultura. 

Outro exemplo que posso citar é o tebuthiuron

Recomendado em pré-emergência da cana-de-açúcar, também apresenta longo período residual causando intoxicação em amendoim, feijão e soja, quando cultivadas em até 2 anos após a aplicação. 

Já herbicidas, como picloram e imazapyr, apresentam efeito residual no solo e podem chegar em até 3 anos o intervalo para plantio de culturas sensíveis como algodão, tomate, batata e soja.

residual de herbicidas

Algodão com sintomas de intoxicação devido ao residual de sulfentrazone

O herbicida imazaquin, em anos secos, pode afetar a cultura do milho na safra seguinte (mais de 300 dias após a aplicação).

Em áreas onde foram utilizadas o herbicida imazamox (Raptor 70 DG), somente as seguintes culturas de inverno ou de verão podem ser semeadas em sucessão ou rotação com trigo: 

  • Culturas de inverno (sucessão): trigo, ervilha, azevém, cevada, aveia, milho, feijão, amendoim e arroz;
  • Culturas de verão (rotação): milho, algodão, soja, feijão, amendoim, arroz e sorgo.

Logo em áreas onde foram utilizadas o herbicida imazamox (Sweeper), somente essas culturas de inverno ou verão podem ser semeadas em sucessão ou rotação com soja

  • Culturas de inverno (sucessão): trigo, ervilha, azevém, cevada, aveia, milho safrinha, feijão e amendoim;
  • Culturas de verão (rotação): milho, algodão, soja, feijão, amendoim, arroz e sorgo.

Outro herbicida deste grupo que pode ocasionar carryover é o imazapic. Recomendado na cultura da cana-de-açúcar e amendoim, entretanto, para as demais culturas é necessário respeitar intervalo de 300 dias de plantio.

A atividade residual de imazaquin pode causar intoxicação em culturas de sucessão como o melão, pepino, girassol e mostarda, se não respeitado o intervalo entre aplicação e plantio de até 112 dias. 

A tabela abaixo mostra os intervalos entre a aplicação de herbicidas e a semeadura das culturas de soja, milho, trigo e feijão.

intervalos entre aplicação de herbicidas e semeadura

Intervalos entre aplicação de herbicidas e semeadura de culturas

Conclusão

Neste texto vimos sobre os conceitos de carryover, ou seja, o efeito residual de herbicidas no solo.

Observamos que o potencial de carryover depende do herbicida utilizado, da cultura em sucessão e das condições ambientais após a aplicação. 

Vimos também que muitos produtos persistem no solo por dias, meses ou anos, o que torna essencial o planejamento da sucessão de culturas para evitar problemas com intoxicação.

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