Agrotóxicos naturais mais recomendados para citros, soja e milho que você pode conhecer e testar na sua lavoura
A cada nova safra temos novos desafios. E nosso objetivo sempre é o de obter eficiência agronômica nos cultivos.
Ou seja, alcançar bons resultados na produção e também que o programa agronômico aplicado seja otimizado.
O uso de defensivos naturais como tecnologia a campo tem ganhado maturidade como prática cotidiana de uso nas lavouras.
Nesse artigo vou compartilhar um pouco sobre resultados positivos de seus usos em diferentes lavouras. Confira!
Índice do Conteúdo
- 1 Defensivos agrícolas convencionais x agrotóxicos naturais: Quais as diferenças?
- 2 Classificação toxicológicas dos defensivos agrícolas
- 3 Agrotóxicos naturais pesquisados pela Embrapa
- 4 Agrotóxicos naturais para citros
- 5 Agrotóxicos naturais para soja e milho
- 6 Inseticidas naturais para lagartas
- 7 Uso e perspectivas dos agrotóxicos naturais
- 8 Conclusão
Defensivos agrícolas convencionais x agrotóxicos naturais: Quais as diferenças?
Defensivos agrícolas são caracterizados como herbicidas, inseticidas e fungicidas, podendo ter atuação seletiva ou não.
Os defensivos convencionais são agentes de processos químicos ou sintéticos. Já os defensivos naturais são agentes de processos biológicos.
E, nesse sentido, os produtos biológicos têm recebido maior atenção, com experimentos em grandes culturas complementando a eficiência dos produtos químicos.
O diferencial dos defensivos biológicos é a segurança para o aplicador e a eficiência do controle dos alvos. Isso porque, em geral, são seguidas corretamente as recomendações dos fabricantes. Eles ainda possuem um nível residual que se mantém no sistema e é muito positivo para o equilíbrio biológico.
Embora o uso de agroquímicos seja indispensável para atender às crescentes demandas de
alimentos, existem oportunidades em diversas outras culturas, sempre como um componente do MIP.
O Manejo Integrado de Pragas faz toda a diferença em qualquer sistema produtivo e um defensivo natural se encaixa – e é mais eficiente – quando está neste contexto.
Mas 43% dos produtores brasileiros ainda não têm conhecimento sobre os defensivos biológicos, segundo a Abcbio.
É uma quantidade bem significativa que desconhece outras opções de controle disponíveis, não é mesmo?
Classificação toxicológicas dos defensivos agrícolas
A classificação toxicológica é umas das formas de mensurar o impacto dos defensivos agrícolas no ambiente.
Ela é feita a partir de resultados de estudos toxicológicos agudos, realizados com a formulação pretendida, tanto no ingrediente ativo como componentes.
Atualmente, a Anvisa padronizou a classificação com respectivos nomes das categorias e cores nas faixas do rótulo dos produtos em quatro classes:
- Classe I, produto extremamente tóxico, faixa vermelha
- Classe II, produto altamente tóxico, faixa amarela
- Classe III, produto moderadamente tóxico, faixa azul
- Classe IV, produto pouco tóxico, faixa verde

Classe toxicológica e suas respectivas cores de faixa
(Fonte: Anvisa)
E uma das grandes diferenças entre defensivos químicos e os biológicos é a classificação. Os biológicos são faixa verde, indicando que são pouco tóxicos em geral.
Agrotóxicos naturais pesquisados pela Embrapa
A Embrapa é protagonista em volume de pesquisas e resultados na área de controle biológico.
Uma prioridade da instituição é agilizar a transferência dos conhecimentos e tecnologias gerados nesta área para o setor produtivo. Isso permite ampliar a utilização de agentes de controle biológico, colaborando para a redução do uso de agrotóxicos sintéticos.
Nesse sentido, a Embrapa tem publicações como o livro “Defensivos agrícolas naturais: uso e perspectivas”.
Além disso, pesquisas de microrganismos endofíticos também são um caso antigo. A Embrapa foi protagonista na descoberta do Azospirillum spp.
Lembrando que o Brasil é líder no uso de bactérias fixadoras de nitrogênio. Tal condição representa uma economia de US$ 13 milhões que seriam gastos em fertilizantes químicos.
A Embrapa também têm realizado pesquisas sobre o controle de insetos sugadores de seiva, como o psilídeo asiático Diaphorina citri Kuwayama (Hemiptera: Liviidae) em citrus.
Outros estudos são com os bioherbicidas e com rizobactérias como Burkholderia pyrrocinia e Pseudomonas fluorescens.
Agrotóxicos naturais para citros
O Brasil é responsável por cerca de 85 % da produção mundial de citros. E, até mesmo por isso, vemos investimentos para o manejo da cultura, inclusive em termos de agrotóxicos naturais.
Um dos principais problemas dos pomares, a larva minadora, pode ser combatida com a vespa Ageniaspis citricola.
Os pulgões e vaquinhas também são grandes problemas da cultura, sendo que o controle é efetivo com o uso de parasitóides (como Aphidius sp) ou com óleo de Nim e caldo de fumo.
Pesquisas também apontam o uso de Metarhizium anisopliae no controle de Ceratitis capitata, até mesmo em associação muito positiva com defensivos naturais como o nim. Você pode ver sobre o estudo aqui.
Agrotóxicos naturais para soja e milho
Segundo a Anvisa, existem 2.053 defensivos registrados para o controle de problemas fitossanitários em soja. Há ainda 155 defensivos biológicos, classificados como pouco tóxicos.
Os principais para você conhecer e testar são:
- Trichoderma spp. para mofo branco;
- Bacillus subtilis para o controle de nematoide dos cistos (Heterodera glycines);
- Bacillus thuringiensis para controle de lagartas;
- Chromobacterium subtsugae para o controle de percevejo, mosca branca, pulgões e ácaros;
- Paecilomyces spp.: para controle de nematoide;
- Metarhizium anisopliae para controle de coró em milho e cigarrinha das pastagens;
- Beauveria spp. para o controle de pragas como a mosca branca.

Cigarrinha morta pela ação do fungo-verde Metarhizium anisopliae
(Fonte: GBio)
Inseticidas naturais para lagartas
O clássico baculovírus tem sua eficiência comprovada a campo e novas opções no mercado.
O Trichogramma pretiosum também tem sua eficiência comprovada, parasitando ovos de diversas mariposas.
E outros estudos têm avançado em avaliar a aplicação dos mesmos em conjunto com a aplicação de herbicidas no controle de Spodoptera frugiperda, o que facilita a sua utilização. Veja aqui sobre o estudo.

Apresentação Curso do Controle Biológico Embrapa Clima Temperado
(Fonte: Promip)
Uso e perspectivas dos agrotóxicos naturais
Atualmente, os agrotóxicos naturais cobrem apenas 2% dos fitossanitários usados
globalmente. No entanto, sua taxa de crescimento mostra uma tendência crescente nas duas últimas décadas.
No Brasil, o mercado dos agrotóxicos naturais ainda é de 1% dos defensivos agrícolas. E a perspectiva de crescimento aumentou em torno de 20% ao ano a partir da safra de 2012/2013, quando houve introdução de Helicoverpa armigera. Em 2014, houve a detecção de populações de Spodoptera frugiperda resistentes a toxinas de Bacillus thuringiensis em cultivos transgênicos.
Nessa tendência mundial, não estamos ficando para trás. O foco tem sido em pesquisa e inovação na melhoria de formulações de biopesticidas bacterianos, virais e fúngicos.
Há ainda tecnologias eficientes de aplicação, como os drones, que já falamos algumas vezes aqui no blog, e que estão potencializando muito a eficiência do uso de parasitoides a campo.
Entre produtos com princípio ativos como feromônios, agentes macrobiológicos (parasitas, parasitoides e predadores) e agentes microbiológicos (bactérias, fungos e vírus), já existem 128 produtos registrados.
A produção global de biopesticidas ou agrotóxicos naturais foi estimada em mais de 3 mil toneladas por ano, o que está aumentando rapidamente. Globalmente, o uso desses produtos está aumentando 10% a cada ano.
O aumento da demanda de produtos agrícolas livres de resíduos, o cultivo de alimentos orgânicos e o registro mais fácil em relação aos agrotóxicos convencionais são alguns dos impulsionadores desse mercado.
A ciência dos agrotóxicos naturais ainda é considerada nova e está apenas evoluindo. É necessária uma pesquisa aprofundada em muitas áreas, especialmente na produção, formulação, entrega e comercialização dos produtos.
Conclusão
Os agrotóxicos naturais vêm despertando interesse por suas vantagens associadas à segurança ambiental, especificidade para o alvo, eficácia, biodegradabilidade e adequação no Manejo Integrado de Pragas.
Neste artigo, falamos sobre as principais diferenças entre os agrotóxicos naturais e convencionais. Também mostramos os biopesticidas mais recomendados para culturas como citros, soja e milho.
Você viu ainda os defensivos naturais utilizados para controle de pragas como as lagartas.
Embora a aplicação potencial de biopesticidas em segurança ambiental seja bem conhecida, a procura tem aumentado com a crescente demanda por alimentos orgânicos.
Novos caminhos são possíveis para desenvolvermos uma agricultura mais precisa e sustentável do ponto de vista do meio ambiente e também dos negócios.
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Tem alguma experiência com o uso de agrotóxicos naturais em suas lavouras? Restou alguma dúvida? Deixe seus comentários!
Só não sei por que chama de “agrotoxico” natural…