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Henrique Fabrício Placido - 27 de março de 2019
Atualizado em 17 de dezembro de 2024
Atualizado em 03 de novembro de 2022.
Buva: principais características, época de controle, como realizar o manejo e quais herbicidas utilizar para evitar prejuízos na lavoura
A presença da buva na lavoura é um sinal de alerta. Essa planta invasora se alastra muito rapidamente e interfere no desenvolvimento das espécies cultivadas.
A soja, por exemplo, é uma cultura bastante sensível à presença da buva, pois ela afeta diretamente a produtividade. Entretanto, controlar essa planta daninha não é uma tarefa simples.
Alguns casos de resistência fazem com que muitos herbicidas não sejam eficientes no manejo da buva. Por isso, conhecer a planta e as melhores táticas para controlá-la antes de sofrer grandes danos na lavoura é fundamental.
Neste artigo, saiba qual é o período ideal para controlar a buva e quais os herbicidas mais indicados. Confira a seguir!
Índice do Conteúdo
A buva (nome científico Conyza spp.) é uma planta daninha de difícil controle e que está presente nas principais áreas agrícolas do Brasil. Ela é popularmente conhecida por rabo-de-foguete, arranha-gato e voadeira. Há três espécies dessa invasora:
O ciclo da Conyza canadensis pode ser anual ou bienal. Já as espécies Conyza bonariensis e Conyza sumatrensis têm ciclo anual.
A propagação dessas espécies de buva ocorre por sementes. Uma única planta tem a capacidade de produzir 200 mil sementes. Elas são facilmente transportadas pela água e pelo vento a longas distâncias.
As sementes da buva são fotoblásticas positivas. Isso quer dizer que elas germinam na presença de luz, quando estão próximas à superfície do solo. Temperaturas próximas a 20°C favorecem a germinação das sementes.
A emergência das sementes de buva pode ocorrer durante todo o ano. Durante o outono e inverno, entre os meses de junho a setembro, a incidência é maior. A época de germinação coincide com o período da entressafra.
O manejo das plantas daninhas nesse período é de extrema importância. Nesse caso, a buva pode funcionar como “ponte verde”. Ou seja, ela pode ser hospedeira de patógenos e pragas no período da entressafra. Dentre as principais pragas hospedadas pela buva, há:
Durante muito tempo, o herbicida glifosato foi a principal molécula utilizada na dessecação de plantas para formação de palhada no sistema de plantio direto. Ainda, a introdução comercial da soja transgênica tolerante a esse princípio ativo aumentou seu uso.
O glifosato era usado como única ferramenta para o controle das plantas invasoras em lavouras de soja RR. Por isso, acabou selecionando populações de buva resistentes a ele.
No Brasil, a primeira ocorrência de plantas de buva resistentes ao glifosato foi registrada em 2005. Hoje, a buva apresenta resistência a diferentes moléculas herbicidas. Abaixo, veja como ocorreu a evolução da resistência da buva aos herbicidas no Brasil:
Vale lembrar que não é recomendada a utilização de produtos isolados com resistência comprovada. Como você pode observar, atualmente algumas populações de buva possuem resistência a 6 moléculas herbicidas:
O manejo de plantas daninhas como a buva é um grande desafio na agricultura.
Nesse caso, é importante adotar práticas de manejo integrado. Essas práticas pretendem eliminar as espécies invasoras, mas também podem prevenir o surgimento de novos casos de resistência aos herbicidas.
Veja a seguir algumas técnicas que podem ser adotadas no manejo da buva.
Algumas medidas com o objetivo de evitar que sementes de buva sejam introduzidas e disseminadas na lavoura podem ser adotadas. Confira algumas abaixo:
No manejo mecânico da buva, os seguintes métodos podem ser aplicados:
O manejo cultural da buva pode ser realizado pela adoção das seguintes estratégias:
No manejo químico da buva, é preciso destacar a importância da rotação dos mecanismos herbicidas. Isso evita que novas populações de plantas daninhas apresentem resistência aos produtos disponíveis no mercado.
Depois da aplicação dos herbicidas, é fundamental estar atento às plantas com suspeita de resistência. As plantas de buva sobreviventes devem ser eliminadas (através de capina, arranquio, roçada) para evitar a produção e a disseminação das sementes na lavoura.
Ainda, o emprego do controle químico requer alguns cuidados. É essencial fazer uso dos herbicidas de forma correta, respeitando as orientações quanto à:
O manejo da buva deve ser realizado tanto na safra quanto no período de entressafra.
No caso da buva, atenção especial deve ser dada ao período da entressafra. Como foi dito anteriormente, nessa época a taxa de germinação das sementes é maior.
Diante desse cenário, a entressafra é o período ideal para realizar o manejo da buva. Isso porque existem mais opções de produtos químicos a serem utilizados.
O momento da aplicação dos herbicidas é outro fator muito relevante nesse tipo de manejo. Em geral, plantas jovens são controladas com mais facilidade que plantas mais velhas.
A aplicação de herbicidas nos estádios iniciais de desenvolvimento da buva resulta em menor rebrote das plantas. Isso garante maior sucesso no controle. Fique de olho nos produtos que você for utilizar. Você verá alguns exemplos a seguir.
Confira a seguir alguns princípios ativos utilizados no manejo químico da buva:
Preste atenção ao efeito residual dos herbicidas para que não ocorra fitotoxidez nas plantas cultivadas. Para saber mais sobre os produtos disponíveis com registro no Mapa, consulte o Agrofit.
A buva (Conyza spp.) é uma planta daninha de difícil controle e que já apresentou resistência a seis moléculas herbicidas. Ela apresenta elevada produção de sementes, facilidade de dispersão e crescimento vigoroso.
O manejo dessa invasora é complexo e deve ser realizado pela adoção de técnicas integradas. O uso racional dos herbicidas é uma importante ferramenta para o controle satisfatório da buva.
Isso também te ajuda a evitar a seleção de plantas resistentes aos produtos químicos. Com essas informações, tenho certeza que você irá realizar o manejo eficiente da buva na sua lavoura!
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“Guanxuma: 5 maneiras de livrar sua lavoura dessa planta daninha“
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Como você controla a infestação de buva na lavoura hoje? Já enfrentou casos de resistência? Adoraria ver seu comentário abaixo!
Atualizado em 03 de novembro de 2022 por Tatiza Barcellos.
Tatiza é engenheira-agrônoma e mestra em agronomia, com ênfase em produção vegetal, pela Universidade Federal de Goiás.