Cigarra-do-cafeeiro: características da praga e as formas de manejo mais efetivas para sua lavoura.
Se a cantoria das cigarras incomoda a maioria das pessoas, para os produtores de café é sinal de alerta.
A cigarra-do-cafeeiro é uma praga que causa sérios danos à cultura e seu manejo deve ser feito de forma eficiente.
Quer entender melhor sobre essa praga e suas principais características? Confira a seguir!
Índice do Conteúdo
Cigarra-do-cafeeiro
As espécies popularmente conhecidas como cigarras-do-cafeeiro são Quesada gigas, Fidicinoides sp. e Carineta sp. Elas pertencem à ordem Hemiptera e família Cicadidae.
Entretanto, a espécie Q. gigas é a que causa maior dano na cultura, pois suas ninfas são maiores e sugam a seiva das raízes ininterruptamente e por um longo tempo.

Adulto da espécie Quesada gigas
(Fonte: UOV)
E essa espécie, por ser mais severa, deve ser muito bem manejada. Vamos à algumas características dela.
Características da cigarra-do-cafeeiro – (Quesada gigas)
Uma característica marcante dessa espécie é seu ‘canto’, que, na verdade, é uma maneira do macho atrair a fêmea para cópula. E o som emitido vem de órgãos estridulatórios que ficam no abdome dos machos.
Segundo o pesquisador da Epamig, Júlio César de Souza, existe um período específico do ano em que os adultos se dispersam para o acasalamento – normalmente entre agosto e outubro.
Diferente do que o senso comum diz, as cigarras não cantam até estourar. Aquelas ‘cascas’ que ficam nos troncos das árvores são as exúvias do último ínstar ninfal. Isso quer dizer que os adultos emergem e as exúvias ficam nos troncos.
Os adultos têm o corpo robusto, coloração amarronzada, grandes olhos compostos com três ocelos entre eles e os machos são maiores que as fêmeas.
Mas como as ninfas chegam no tronco?
Após o acasalamento, as fêmeas colocam os ovos sob ramos das árvores do cafeeiro de forma endofítica. Os ovos são de coloração esbranquiçada e tem forma alongada.
Quando as ninfas eclodem, elas produzem um filamento para descer até o solo em busca das raízes da planta.
Essas ninfas se alimentam da seiva elaborada (do floema) das plantas inserindo o aparelho bucal sugador nas raízes. E é aí que está o problema. Essa fase pode ficar de um a dois anos consumindo o conteúdo, o que causa severos danos.

Ninfas móveis de Quesada gigas
(Fonte: Embrapa)
As que se fixam nas raízes são ninfas móveis e após esse tempo se alimentando da seiva, saem do solo, deixando um orifício individual, e vão, novamente, para o tronco das árvores onde ficam imóveis até a emergência dos adultos e se inicia um novo ciclo da praga.
Por isso, a fase que causa danos no cafeeiro é de ninfas móveis.
Sintomas e danos
Os primeiros sintomas são fraqueza na parte aérea, que se acentua em épocas de déficit hídrico, por acarretar a morte das raízes.
Em seguida, começam a aparecer sintomas na parte aérea como clorose, queda precoce de folhas, complicações na granação de frutos e diminuição da vida útil das lavouras.
Já houve relatos de, em uma única planta, haver de 200 a 400 ninfas móveis causando severos danos. É praticamente impossível ter uma boa produção com um ataque nesse nível.
Pode-se observar indícios de que existe população de cigarras pela presença das exúvias ou ‘cascas’ nos troncos das plantas de café ou em plantas próximas ao cafezal.
Por ser um arbusto, o cafeeiro vai definhando conforme a população da praga vai aumentando. Se não houver controle efetivo, as lavouras passam a não responder aos tratos culturais que normalmente são feitos, deixando que as floradas fiquem bastantes escassas.

Exúvia de cigarra
(Fonte: Pixabay)
>>Leia mais: “Broca-do-café: veja as principais alternativas de controle”
Manejo da cigarra-do-cafeeiro
Quando os sinais da presença das cigarras forem aparecendo, é o momento de começar a fazer o monitoramento das ninfas móveis, que ficam se alimentando das raízes.
Para o monitoramento, a primeira coisa a ser feita é dividir a lavoura em talhões.
Em cada talhão deverão ser feitas amostragens após observação dos orifícios de saída das ninfas móveis no solo próximas às copas do cafeeiro e das exúvias nos troncos.
Ao encontrar esses indícios, devem ser feitas trincheiras em algumas covas para contagem de ninfas. O ideal é entrincheirar 10 covas por talhão.
A trincheira deve ser aberta de um dos lados da planta até atingir a raiz principal, que é o local de maior concentração dos insetos para succionar a seiva.
Como a trincheira é feita apenas de um lado da planta, ao final da contagem, deve-se multiplicá-la por dois para se ter um valor aproximado do total de indivíduos naquela planta.
O nível de controle para a cigarra-do-cafeeiro Q. gigas é de 35 ninfas móveis por cova. Porém, hoje em dia já é recomendado que se faça o controle antes mesmo de atingir esse nível.
Atualmente, o único controle realmente eficiente é o químico, aplicado no solo, que deve ser feito no início do período chuvoso, momento em que se iniciam os enfolhamentos no cafeeiro.
Os inseticidas utilizados devem ser sistêmicos para que atinjam o sistema vascular da planta, chegado na seiva elaborada, onde as ninfas móveis se alimentam.
Dentre esses inseticidas, os mais indicados são os do grupo químico dos neonicotinoides, podendo ser em formulações de granulado dispersível (WG), granulado (GR), suspensão concentrada (SC) ou técnico concentrado (TK).
Existem 10 produtos registrados no Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) para controle da cigarra-do-cafeeiro.
Conclusão
Quando as cigarras começam a ‘cantar’, o produtor de café deve estar muito atento, pois esse é o período em que a praga vai se reproduzir.
Existem três espécies de cigarras que atacam o cafeeiro, mas a Quesada gigas é a que causa maiores danos se não for controlada.
As ninfas se alojam sob o solo para sugar a seiva elaborada e causam danos ao cafezal, podendo deixá-lo improdutivo.
O manejo deve ser feito com o monitoramento e, em seguida, com aplicação de inseticidas no solo, quando constatado o nível de controle.
>> Leia mais:
“Poda do cafezal: como fazer para aumentar sua produção”
“10 dicas para melhorar a gestão de sua lavoura de café”
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