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Tatiza Barcellos - 2 de março de 2021
Atualizado em 18 de maio de 2023
Plantas daninhas do algodão: confira as espécies mais problemáticas para a cultura e o que fazer para ter um manejo adequado!
O controle das plantas daninhas é de extrema importância, principalmente quando se trata de uma cultura tão sensível à competição quanto o algodoeiro.
Além dos problemas durante a safra e a colheita, as invasoras também podem prejudicar a qualidade da fibra do algodão, contribuindo para o aumento da umidade nos fardos. E isso pode prejudicar significativamente seu lucro com a lavoura, não é verdade?
Quer saber mais sobre as principais plantas daninhas do algodão e como fazer um controle mais efetivo dessas espécies em sua lavoura? Confira essas e outras informações a seguir!
Índice do Conteúdo
Muito agressiva e amplamente disseminada por todo o Brasil, a buva (Conyza spp.) também é conhecida por voadeira, rabo-de-foguete e margaridinha-do-campo.
Produz quantidades elevadas de sementes que se dispersam com facilidade na área, o que justifica sua presença em grande parte do país.
A buva é uma das plantas daninhas que já apresentaram resistência ao glifosato, o que a torna de difícil controle.
Buva (Conyza bonariensis)
(Fonte: Manual de Identificação e Controle de Plantas Daninhas, 2006)
Também conhecida por corriola, campainha e jetirana, a corda-de-viola (Ipomoea sp.) é uma planta daninha de grande importância econômica na agricultura.
De hábito trepador, ela se enrola no algodoeiro, podendo causar estrangulamento e acamamento da planta.
Durante a colheita do algodão, a corda-de-viola também compromete o funcionamento dos componentes móveis da colhedora, causando mau funcionamento da máquina.
Corda-de-viola (Ipomoea hederifolia)
(Fonte: Herbário Vale do São Francisco)
O capim-amargoso (Digitaria insularis) é uma gramínea que causa danos a diversas culturas de interesse econômico. Dependendo da região, pode ser conhecido como capim-flecha e capim-milhã.
Trata-se de uma planta com metabolismo fotossintético C4, que tem a capacidade de se desenvolver durante todo o ano.
Essa planta daninha forma volumosas touceiras a partir de rizomas e, assim como a buva, é de difícil controle por já ter apresentado resistência ao glifosato.
Capim-amargoso (Digitaria insularis)
(Fonte: Manual de Identificação e Controle de Plantas Daninhas, 2006)
O caruru (Amaranthus spp.), também conhecido por bredo e crista-de-galo, é outra planta daninha com ampla janela de adaptação, ou seja, se desenvolve mesmo em situações adversas.
Essa planta tem rápido crescimento e elevada produção de sementes, o que garante sua disseminação por todo o território. É também uma planta de difícil controle devido à resistência ao glifosato.
Caruru (Amaranthus hybridus var. paniculatus e Amaranthus hybridus var. patulus)
(Fonte: Adaptado de Manual de Identificação e Controle de Plantas Daninhas, 2006)
Também conhecido por amendoim-bravo e café-do-diabo, o leiteiro (Euphorbia heterophylla) tem trazido grandes prejuízos às lavouras. Sua presença causa diminuição da produção e da qualidade do produto colhido.
O leiteiro apresenta deiscência explosiva (bolocoria). Isso quer dizer que seus frutos têm a capacidade de lançar as sementes longe da planta-mãe, o que facilita sua disseminação.
Também é uma planta daninha que, ao longo dos anos, adquiriu resistência ao glifosato.
Leiteiro (Euphorbia heterophylla)
(Fonte: Embrapa)
Algumas espécies de plantas daninhas também interferem diretamente na qualidade da fibra do algodão, como é o caso do picão-preto (Bidens pilosa), capim-carrapicho (Cenchrus echinatus), carrapicho-de-carneiro (Acanthospermum hispidum) e capim-colchão (Digitaria horizontalis).
As sementes dessas plantas apresentam estruturas que aderem à fibra, reduzindo a qualidade do produto e, consequentemente, seu valor de mercado.
Além disso, a presença de impurezas aumenta os custos de beneficiamento do algodão.
Da direita para a esquerda: sementes de picão-preto (Bidens pilosa), capim-carrapicho (Cenchrus echinatus), carrapicho-de-carneiro (Acanthospermum hispidiu.) e capim-colchão (Digitaria horizontalis
(Fonte: Adaptado de Manual de Identificação e Controle de Plantas Daninhas, 2006)
É fundamental conhecer o histórico da área em que será implantada a lavoura. O conhecimento prévio da comunidade infestante permite estabelecer um plano de ação eficiente, que deve ser iniciado antes da semeadura e se estender até o momento da colheita.
Tendo em vista que o algodoeiro é muito sensível à competição, qualquer interferência externa pode comprometer a produtividade. Assim, o cultivo e a colheita devem ser feitos com a área sem plantas invasoras, ou seja, “no limpo”.
O controle preventivo tem intuito de evitar que novas sementes procedentes de outros locais sejam introduzidas na área cultivada.
Para isso, é preciso:
No mercado, é possível encontrar diversos produtos para o controle de espécies daninhas na cultura do algodão. No entanto, a escolha do herbicida deve ser pautada em alguns fatores, como:
Também é importante evitar o uso de produtos isolados com resistência comprovada.
Dentre as moléculas disponíveis para o controle de plantas daninhas na cultura do algodão temos:
Mas, o processo de escolha de herbicidas é complexo, o que remete à necessidade de acompanhamento por um engenheiro agrônomo.
A rotação de herbicidas com diferentes mecanismos de ação é uma das técnicas que deve ser adotada pelo cotonicultor.
Essa medida amplia o número de espécies controladas, diminui o banco de sementes do solo e dificulta a seleção de biótipos resistentes.
Outra técnica é a rotação de culturas, que traz inúmeros benefícios como a diversificação da produção, melhoria das qualidades físico-química e biológica do solo e controle de plantas infestantes.
Cada cultura requer um manejo específico e os efeitos dos diferentes sistemas de produção contribuem para a diminuição do banco de sementes.
Na entressafra, deve ser dada atenção especial ao manejo das plantas daninhas. As medidas adotadas nesse período refletirão diretamente na próxima safra tanto no que se refere ao tamanho da população invasora quanto ao número de aplicações de herbicidas.
Buva, corda-de-viola, capim-amargoso, caruru, leiteiro, picão-preto, capim-carrapicho, carrapicho-de-carneiro e capim-colchão são algumas das plantas daninhas que causam sérios prejuízos à cultura do algodão.
Como você viu neste artigo, o controle eficiente das plantas daninhas está pautado na adoção de práticas de manejo integradas. Utilize controle preventivo e químico, faça um bom manejo na entressafra, aposte na rotação de culturas e de produtos com mecanismos de ação diferentes.
Vale lembrar que cada área produtora deve ser avaliada isoladamente, considerando fatores técnicos, ambientais e econômicos. Dessa forma, você garante maior produtividade e reduz os custos de produção do algodão!
>>Leia mais:
Capim-rabo-de-raposa (Setaria Parviflora): guia de manejo
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Referências
Lorenzi, H. Manual de identificação e controle de plantas daninhas: plantio direto e convencional. 6ª Edição. Nova Odessa, São Paulo. Instituto Plantarum, 2006.