Pragas do milho: Saiba reconhecer os insetos que causam danos econômicos à lavoura e a melhor forma de controle.
Chegar na lavoura e ver muitos insetos sempre vai nos deixar preocupados.
Afinal, algumas pragas como a cigarrinha-do-milho podem causar perdas de até 90% na cultura do milho.
Mas você sabe quais as principais épocas de ataque de cada praga? E todas as opções de controle?
Aqui vamos mostrar as pragas que trazem mais riscos à lavoura de milho e as formas mais eficientes de manejo, sempre utilizando o Manejo Integrado de Pragas (MIP).
Confira a seguir!
Índice do Conteúdo
- 1 Reconheça as principais pragas do milho
- 2 Pragas iniciais subterrâneas
- 3 Como controlar as pragas iniciais subterrâneas
- 4 Pragas do milho: Pragas iniciais de superfície
- 5 Como controlar as pragas iniciais de superfície
- 6 Pragas do milho: Pragas da parte aérea
- 7 Controle das pragas da parte aérea
- 8 Pragas da espiga do milho
- 9 Como controlar as pragas da espiga
- 10 Conclusão
Reconheça as principais pragas do milho
As pragas do milho, tanto na primeira como na segunda safra (ou safrinha), podem ser identificadas de acordo com o estágio fenológico da cultura.
Vamos dividi-las em pragas iniciais subterrâneas, pragas iniciais de superfície, pragas da parte aérea e pragas da espiga.
Vou explicar melhor cada uma delas.
Pragas iniciais subterrâneas
Já aconteceu com você de, na sua plantação de milho, haver falhas na germinação nas linhas de plantio?
Acredito que, muito provavelmente, a causa tenha sido o ataque de pragas subterrâneas.
Elas atacam principalmente sementes e raízes, dando um enorme trabalho ao produtor!
Veja as principais delas:
Larva-arame (Conoderus scalaris)
Esta praga agrícola, também conhecida como vaga-lume, ataca sementes, o sistema radicular e os tubérculos.
Ela causa danos significativos a ponto da planta não conseguir se sustentar, perdendo a capacidade de absorver nutrientes necessários para manter seu vigor.
Fase jovem (à esquerda) e adulta de Conoderus scalaris
(Fonte: Manual de Pragas do Milho FMC)
Larva-alfinete (Diabrotica speciosa)
A larva-alfinete, vaquinha ou brasileirinho, ataca as raízes e, assim como a larva-arame, provoca na planta a falta de sustentação.
As raízes não absorvem bem água e nutrientes, provocando o sintoma “pescoço de ganso”.
Os adultos causam danos na parte aérea e se alimentam principalmente dos cabelos e folhas do milho.
Larva-alfinete na raiz (à esq.) e adulto de Diabrotica speciosa sobre a folha
(Fonte: Manual de Pragas do Milho – FMC)
Larva-angorá (Astylus variegatus)
Outra espécie de vaquinha, a larva-angorá tem hábitos muito semelhantes aos da larva-alfinete. Elas se assemelham até mesmo na aparência.
A fase jovem desta espécie é que danifica sementes e raízes, causando ataques em reboleiras.

Adulto de Astylus variegatus
(Foto: Ivan Cruz/Embrapa em Defesa Vegetal)
Corós
Existe um grande número de espécies de corós, mas os pertencentes à família Melolonthidae merecem maior atenção.
As larvas, que podem chegar a até 4 cm de comprimento, se alimentam das raízes e são capazes de levar a planta a morte.
Os corós também atacam a soja. Por isso, preste bastante atenção caso tenha plantado milho logo após a soja!
Coró
(Fonte: Embrapa)
Como controlar as pragas iniciais subterrâneas
Antes mesmo do plantio, é muito importante fazer o monitoramento do solo com amostragens em vários pontos da lavoura.
O controle cultural, com eliminação de restos culturais e hospedeiros alternativos, pode contribuir muito para redução das populações dessas pragas.
O preparo do solo adequadamente também vai fornecer um bom auxílio no controle das pragas subterrâneas.
O controle químico, com sementes tratadas e aplicações diretamente nos sulcos, serão eficientes caso realmente necessário. Não se esqueça do monitoramento!
Pragas do milho: Pragas iniciais de superfície
As pragas iniciais de superfície atacam o milho desde a germinação até a fase de plântula (cerca de 30 dias após a germinação).
Veja as principais a seguir:
Lagarta-elasmo (Elasmopalpus lignosellus)
As lagartas atacam folhas e caule de plântulas recém-emergidas.
Podem causar enfraquecimento das plântulas e, em piores casos, levá-las à morte.
Em épocas de estiagem, os ataques costumam ser mais frequentes. Fique atento!
Lagarta (à esq.) e adultos de Elasmopalpus lignosellus
(Fonte: Embrapa)
Lagarta-rosca (Agrotis ipsilon)
Existem outras espécies de lagarta-rosca, porém, é mais comum encontrar Agrotis ipsilon nas lavouras de milho.
Pode atacar sementes e folhas, mas é mais frequente nas hastes.
Os danos desta praga são irreparáveis, na maioria das vezes, pois cortam as plântulas rentes ao solo.
Lagarta-rosca
(Fonte: Manual de Pragas do Milho – FMC)
Cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis)
É uma espécie sugadora e, embora tenha tamanho diminuto, causa enfraquecimento das plântulas.
Pelo fato de sugar, ela excreta um líquido conhecido como “honeydew”, que provoca a fumagina e reduz a capacidade fotossintética da planta.
Mas dê bastante atenção a um outro fato: ela é vetor de doenças como enfezamento pálido e vermelho.
A incidência das doenças ocorre, principalmente, se a semeadura for realizada tardiamente.
Cigarrinha-do-milho se alimentando de folhas
(Fonte: Embrapa)
Percevejo-barriga-verde (Dichelops spp.)
O percevejo-barriga-verde tem sido uma grande preocupação, principalmente no milho safrinha em sucessão à cultura da soja.
Ele se torna um problema porque ataca as plântulas e pode gerar um enorme prejuízo ao final da safra.
As principais espécies são Dichelops furcatus e Dichelops melacanthus.

Adulto de percevejo-barriga-verde
(Fonte: Roundup Ready)
Como controlar as pragas iniciais de superfície
Aqui é muito importante que você se previna do ataque dessas pragas fazendo o tratamento das sementes.
E é imprescindível que, alguns dias após o plantio, seja realizado o monitoramento na área para detecção.
O controle cultural também vai surtir grande efeito e contribui para redução destas pragas: retirar restos culturais, palhada e plantas daninhas.
Para evitar que a cigarrinha-do-milho transmita molicutes e outros patógenos, você pode utilizar variedades de milho menos suscetíveis às doenças. E evite realizar semeaduras tardias.
O controle do percevejo-barriga-verde deve ser, primeiramente, por meio da análise do histórico da área. Se plantou soja, há uma grande chance dele permanecer na sua área.
Aqui no blog nós já falamos sobre “As principais orientações para se livrar do percevejo barriga-verde”. Confira!
Pragas do milho: Pragas da parte aérea
As pragas da parte aérea são bem agressivas.
Imagine que, nesta etapa, as plantas já estão mais lignificadas ou “mais fortes”.
Então, essas pragas têm uma voracidade alta por conseguirem reduzir a produtividade da sua lavoura nesta fase.
A seguir, veja as que você deve ficar mais atento:
Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda)
Esta lagarta é considerada praga-chave da cultura. Sua principal característica é o ataque do cartucho do milho.
Mas sabemos que ela não para por aí, certo?
Ela pode atacar o cartucho, folhas e até a espiga. Sendo assim, essa praga tem a capacidade de permanecer na cultura do início ao fim do ciclo.
Sua voracidade pode levar à queda de mais de 50% na produção.
Lagarta-do-cartucho do milho (Spodoptera frugiperda)
(Fonte: EPPO)
Broca-da-cana (Diatraea saccharalis)
A broca-da-cana ou lagarta-do-colmo, se alimenta do colmo, onde forma galerias tanto transversais como longitudinais.
A formação dessas galerias é a causa de tombamento e acamamento da lavoura em estágios vegetativos mais avançados da cultura.
Além disso, essas galerias são porta de entrada para outras pragas e microrganismos que causam doenças e podridões.
Broca-da-cana danificando o colmo
(Fonte: Manual de Pragas do Milho – FMC)
Controle das pragas da parte aérea
O monitoramento dessas pragas deve ser realizado com o uso de armadilhas de feromônio para detecção dos adultos.
Neste artigo do Blog do Aegro, você pode tirar suas dúvidas sobre a “Lagarta-do-cartucho do milho: Controle eficiente com as táticas do MIP”.
No caso da broca-da-cana, as lagartas permanecem a maior parte do tempo dentro do colmo. Assim, o controle deverá ser feito por meio da liberação de parasitoides de ovos e de lagartas na lavoura, como Trichogramma galloi e Cotesia flavipes.
Pragas da espiga do milho
Nesta etapa, sua lavoura está produzindo espigas como você queria, mas daí vêm as pragas da espiga!
Por atacarem diretamente o produto final, são um sério problema.
É muito provável que você já as conheça, mas não custa relembrar. Vamos lá:
Lagarta-da-espiga (Helicoverpa zea)
O início do ataque dessa praga ocorre nos cabelos novos e, em seguida, as lagartas se alimentam dos grãos formados.
Essas lagartas, quando bem desenvolvidas, chegam a medir até 5 cm de comprimento.
Além do ataque aos grãos, elas facilitam a entrada de microrganismos.
Lagarta-da-espiga sobre os grãos
(Fonte: Eurekalert)
Mosca-da-espiga (Euxesta spp.)
Esse pequeno inseto da ordem dos dípteras pode causar danos expressivos nas espigas.
E sabe como elas conseguem penetrar a espiga? Pelos danos deixados pela lagarta-da-espiga que eu mencionei acima!
As regiões atacadas ficam apodrecidas e impedem o consumo in natura do milho.
Adulto e larva da mosca-da-espiga
(Fonte: Ivan Cruz/Embrapa em Panorama)
Percevejo-do-milho (Leptoglossus zonatus)
Viu um percevejo diferente próximo às espigas? Esteja atento!
Tanto ninfas quanto adultos causam danos, como murcha e podridão, com a sucção dos grãos.
Uma característica importante é que eles têm uma dilatação nas pernas em formato de folha. Veja na imagem abaixo.
Adulto (acima) e ovos do percevejo-do-milho
(Foto: Ivan Cruz/Embrapa em Panorama)
Como controlar as pragas da espiga
Como sempre, o monitoramento é ideal para iniciar qualquer tipo de controle.
Mas convenhamos, dá um certo medo quando há o ataque na espiga, não é mesmo?
Para o controle da lagarta-da-espiga, muitos produtores têm feito liberações do parasitoide Trichogramma pretiosum. Atente-se que não é a mesma espécie para controle da broca-da-cana!
Para as demais pragas, o controle cultural, com eliminação de possíveis plantas hospedeiras e implementação de armadilhas, contribui para reduzir as populações. O uso de defensivos para milho também é bem frequente, além do uso de híbridos resistentes.
Já sobre o controle por meio de inseticidas você pode ver detalhes nesta matéria.

Conclusão
É muito importante que você conheça as principais pragas do milho e saiba quando é preciso controlá-las.
Controlar sem necessidade pode causar gastos desnecessários e um desequilíbrio no seu agroecossistema.
Tenha sempre em mente a importância de se preparar na pré-safra e saber, durante o ciclo da cultura, quais pragas devem ter maior grau de relevância.
É claro que existem pragas secundárias que podem causar danos significativos, mas tudo dependerá do nível populacional e do monitoramento que você realizar.
Como você controla as pragas do milho na sua lavoura? Restou alguma dúvida? Deixe seu comentário!
Tá espetacular essa matéria! Parabéns!!!
Oi, Márcio! Fico feliz que tenha gostado. Continue acompanhando o blog!
Pq não tem as formigas no artigo?
Olá, Osman
Sou da comunicação da Aegro. A redatora do artigo separou apenas algumas das principais pragas do milho para destacar sua identificação e manejo.
Agradecemos por nos acompanhar,
Abraço! 🙂