Vaquinha da soja: aprenda a identificá-la, saiba em quais estádios ela causa mais problemas e a melhor forma de controle.
A vaquinha da soja é uma praga agrícola que causa grandes danos à cultura tanto na fase de larva quanto adulta.
É considerada bastante problemáticas na lavoura, pois ocasiona grande desfolha, prejudica a área fotossintética e influencia no crescimento e desenvolvimento da soja e também do milho.
Isso, claro, se reflete em perda de produtividade e de lucratividade.
Mas como fazer o manejo eficiente da vaquinha da soja? A seguir, trago as principais recomendações para que você tenha sucesso no controle dessa praga agrícola.
Índice do Conteúdo
Características da vaquinha da soja
Existe um complexo de besouros Crisomelídeos que tem por nome comum “vaquinha”. Dentre as várias espécies existentes, a Diabrotica speciosa é a de maior ocorrência no Brasil, sendo popularmente conhecida também como vaquinha-verde ou patriota.
Essa praga provoca grandes problemas tanto na fase de larva quanto adulta, principalmente na cultura do milho, soja e feijoeiro.
Para reconhecê-la no campo, é preciso atenção a alguns detalhes. A vaquinha possui três instares larvais: ovo, larva e pré-pupa e pupa. Os ovos da espécie são de coloração amarela e medem cerca de 0,5 mm de diâmetro.
A oviposição é realizada pelo adulto normalmente em solos mais úmidos e escuros e ao redor das plantas.
A larva possui 10 mm de comprimento, com coloração branca e partes (como cabeça, pernas e tórax) na cor preta.
Fique atento, pois cerca de 90% das larvas costumam ficar ao redor das plantas!
A pré-pupa e pupa apresentam coloração branca e tamanho de aproximadamente 5 mm.
Já o adulto é de fácil identificação, pois possui cor verde com três manchas amarelas em cada élitro, tíbias e tarsos negros e cabeça marrom, lembrando as cores do Brasil. Possuem cerca de 6 cm de comprimento.
O ciclo biológico dessa praga varia de 24 a 40 dias, dependendo das condições climáticas da região.
Os períodos de cada fase de desenvolvimento variam de acordo com a temperatura. Geralmente, o período de incubação é de cerca de 7 dias. Passado esse período, temos a larva, de 14 a 26 dias e, em seguida, a pupa, com 6 dias em média.

Ciclo biológico de Diabrotica speciosa
(Fonte: Embrapa)
Danos causados às lavouras
Os ataques da vaquinha ocorrem em diferentes fases da cultura da soja e do milho.
Na fase larval, essa praga ataca raízes e sementes. Além disso, é possível observar perfurações nas folhas cotiledonares.
Na prática, as raízes não absorvem bem água e nutrientes, o que deixa a planta debilitada.
Na cultura do milho, por exemplo, o ataque da larva danifica consideravelmente as raízes, ocasionando sintomas que são confundidos com deficiência nutricional.
Podem ainda ocasionar sintomas na planta conhecidos como “pescoço de ganso”, em que a planta desenvolve o colmo em forma curvada.
Estudos realizados pela Embrapa Milho e Sorgo verificaram que a incidência de larvas da vaquinha por planta de milho podem reduzir consideravelmente o peso de grãos.

Danos larval da Diabrotica speciosa em raízes de milho
(Fonte: Embrapa)
Em soja, apesar dessa praga ser considerada secundária, também vem gerando muitos problemas, em especial em áreas de soja precedida por milho safrinha.
Ela reduzir o estande na área e consequentemente o potencial produtivo. Por isso, o monitoramento é fundamental!
Na fase adulta, a vaquinha é considerada uma das mais problemáticas, pois ocasiona grande desfolha, prejudica a área fotossintética e influencia no crescimento e desenvolvimento de milho e soja.
Essa praga se alimenta de folhas, brotos, frutos e pólen de plantas, o que pode ocasionar inclusive falhas na formação de grãos.
Para evitar a presença dessas e outras pragas em sua lavoura, utilize sementes de qualidade! E não deixe de lado o Manejo Integrado de Pragas (MIP).
Como fazer o manejo da vaquinha no milho e na soja
O primeiro passo para o manejo de vaquinha é analisar o histórico de pragas em sua fazenda para, assim, iniciar o planejamento de manejo.
Realize o monitoramento de sua lavoura constantemente. Esse é o ponto decisivo para saber quando é necessário entrar com medidas de controle.
Para isso, você pode contar com um auxílio de um software agrícola como o Aegro.
Sabendo que há possibilidade de se deparar com a vaquinha, você pode se preparar com alguns métodos como:
Controle cultural
A presença da vaquinha na safra anterior, é motivo de alerta, principalmente se você utilizar o sistema soja-milho.
Para evitar problemas com essa praga, realize um bom preparo do solo e elimine possíveis plantas hospedeiras.
Controle químico
O controle químico é o principal método de controle da vaquinha. No momento da escolha do inseticida, opte por ingredientes ativos com alta persistência (6 a 10 semanas), para que a planta esteja protegida no estabelecimento do estande.
A pulverização no sulco de plantio e o uso de granulados são alternativas bastante eficientes para o controle da larva.
O registro dos inseticidas para controle da Diabrotica speciosa deve ser consultado no site do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o Agrofit.
Para a cultura do milho, por exemplo, você pode utilizar: fipronil (pirazol) ou bifentrina (piretroide).
Já para soja, você pode utilizar: fipronil (pirazol) ou lambda-cialotrina (piretroide) + tiametoxam (neonicotinoide).
Contudo, é essencial que você consulte um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) para melhores detalhamentos de acordo com a sua realidade.
Controle biológico
O uso de controle biológico pode ser uma alternativa para minimizar os custos com inseticidas e evitar seleção de resistência.
Na literatura, encontramos vários estudos indicando um possível controle biológico com:
Celatoria bosqi (Dip., Tachinidae), Centistes gasseni (Hym., Braconidae), os fungos Beauveria bassiana, Metarhizium anisopliae e Paecilomyces lilacinus.
Contudo, estudos ainda estão sendo realizados para melhor evidenciar a eficiência do controle biológico.
Conclusão
Após todo o esforço com sua lavoura, você não pode perder produtividade por conta da presença de pragas na cultura.
A vaquinha tem causado danos nos últimos anos, principalmente no milho, soja e feijão.
Neste artigo, você pôde conferir como identificar a vaquinha no campo, seu principais danos e como realizar o manejo dessa praga agrícola.
Espero que com essas dicas você consiga proteger sua lavoura e alcançar uma excelente produção!
Você tem problemas com vaquinha da soja na sua lavoura? Quais medidas de prevenção realiza? Adoraria ver seu comentário abaixo!
Rayssa boa tarde! Me ajudou muito suas informações da vaquinha, diabrotica. Agora posso tomar minha decisão técnica de controle. Obrigado.
Bom
Belos esclarecimentos. Conhecer as pragas é algo muito importante para combatê-las.
E na cultura do feijão? Qual a forma (ou inseticida) mais eficaz deve-se utilizar?
Grato
Oi, Edson
Sou da comunicação da Aegro.
Temos um artigo específico sobre pragas na cultura do feijão, acesse aqui: https://blog.aegro.com.br/pragas-do-feijao/
Agradecemos por nos acompanhar,
Abraço! 🙂
Preciso de informações pois tô com problemas na lavoura