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Adubo líquido para café: Veja como utilizá-lo corretamente, conseguir máxima eficiência e saber se essa prática irá valer a pena na sua fazenda.

A adubação pode representar 20% dos custos de produção de café. Como você faz a sua?

O uso de adubos líquidos na cafeicultura iniciou-se na década de 80 e se expandiu, ganhando espaço no mercado brasileiro.

Eles prometem maior eficiência na nutrição da planta, redução nos custos da fertilização e outros benefícios.

Mas é preciso atenção para que essa técnica realmente compense financeiramente.

Por isso, entenda mais sobre os adubos líquidos, sua utilização correta e como saber se eles vão valer a pena.

O que são adubos líquidos? Quais as diferenças para os adubos convencionais?

O adubo líquido para café é um fertilizante fluído, segundo a legislação brasileira.

Contudo, a maioria do produtores e técnicos envolvidos na produção de café os trata como adubos líquidos, o que facilita o entendimento.

Os adubos líquidos são basicamente adubos convencionais dissolvidos em água, embora possam diferir na fonte do nutriente utilizada para formulação.

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(Fonte: G1)

Eles podem ser fonte de um nutriente específico, mas geralmente fornecem desde os macronutrientes N, P e K, até micronutrientes. Alguns também contêm bioestimulantes como aminoácidos e ácidos orgânicos.

Vantagens e desvantagens dos adubos líquidos

Adubação básica de NPK pode ser reduzida em até 15% em produto, já que a eficiência de absorção é maior do adubo líquido em relação ao sólido.

Outra vantagem é a aplicação nos períodos exatos em que o café precisa, sem depender da água da chuva para que os nutrientes sejam aproveitados pelas plantas.

Os nutrientes dissolvidos em água estariam prontamente disponíveis ao cafeeiro, o que garantiria rápida absorção, reduzindo as perdas como volatilização e lixiviação, e daria maior eficiência ao adubos líquido para café.

A distribuição mais uniforme também é outro lado positivo dessa técnica.

Mas nem tudo são maravilhas. Muitos vendem adubos líquidos prometendo doses muito menores do que as indicadas, resultando em uma nutrição totalmente inadequada.

Além disso, é preciso prestar atenção no produto que você utiliza pois pode ocorrer a formação de borras no tanque, entupimentos e incompatibilidade entre alguns fertilizantes.

Por isso, sempre consulte um profissional e compre fertilizantes de confiança, sempre questionando quais produtos agrícolas podem ser misturados.

Como realizar a adubação do seu cafezal corretamente

A eficácia de qualquer adubação, seja ela líquida ou convencional, depende de fatores básicos: fonte do nutriente, dose, época e local de aplicação.

No caso dos adubos líquidos, a fonte do nutriente deve ser solúvel em água. Isso é um problema no caso do P, pois as fontes mais comuns têm baixa solubilidade.

Para se obter os melhores resultados, os nutrientes devem estar disponíveis para o cafeeiro na época de maior demanda, o que ocorre durante o período reprodutivo de floração.

Cada nutriente tem um comportamento específico no solo e na planta. Portanto, a escolha do local de aplicação, seja no solo próximo à planta ou via foliar pode mudar toda a eficiência da adubação.

Mas o fator mais importante é que a dose deve atender a exigência nutricional da lavoura de café.

Você vai saber qual é essa dose ao realizar a análise de solo, de folhas e no caso de cafezais em produção, também definir uma produtividade esperada.

Confira abaixo a interpretação de resultados de análise de solo para macro e micronutrientes para o cafezal em geral:

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(Fonte: IPNI)

Porém, as demandas nutricionais do cafeeiro variam se elas estão em formação ou produção.  A seguir você confere a demanda de nutrientes nesses dois casos.

Adubação para cafezal em formação

As exigências nutricionais do café em formação são menores que as do cafezal produtivo.

Por isso, até o 3º ano, o cafezal recebe os nutrientes em menores quantidades, suficientes para o crescimento vegetativo.

Vamos tomar como exemplo as recomendações de adubação para N, P e K da última atualização do Boletim 100 do Instituto Agronômico de Campinas (IAC).

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Recomendação de adubação para café em formação, segundo Quaggio et. al. 2018

Você pode encontrar a planilha com essas recomendações, e ainda o cálculo automatizado da recomendação da adubação nesta planilha gratuita.

Recomendação de adubação para cafezais em produção

Para o cafezal em produção as doses aumentam e temos que ter em mente o nível de produção que desejamos atingir.

Isso porque quanto maior for a produção de frutos grãos, maior será a demanda de nutrientes. Veja abaixo a tabela de recomendação:

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Recomendação de adubação para café em produção, segundo Quaggio et. al. 2018

Dessa forma, se considerarmos uma produtividade entre 30 a 40 sacas/ha, com teores adequados de N nas folhas e de P e K no solo, teremos a seguinte recomendação:

160 kg.ha-1 de N, 20 de P2O5 e 120 de K2O

Como você pode ver esses cálculos podem ficar complicados, especialmente se formos fazer por talhão.

Para facilitar, colocamos as recomendações e o cálculo automático das doses em uma planilha gratuita que você pode baixar aqui!

planilha adubação de café

Como utilizar um adubo líquido para café corretamente?

A adubação foliar é uma maneira comum de se empregar os adubos líquidos, mas os mesmos também podem ser associados à fertirrigação na adubação de cobertura ou aplicados juntamente herbicidas e defensivos agrícolas.  

Contudo, uma busca rápida pela internet pode revelar alguns equívocos.

Isso porque há recomendações de adubação líquida de poucos litros/ha que não supririam a demanda de macronutrientes de uma única saca de café!

Não existe milagre. A adubação deve ser bem feita e atender as demandas nutricionais do café. Qualquer recomendação que fuja disso não funcionará.

Mas não é para desacreditar de todo adubo líquido para café. Eles podem ser efetivos se utilizados de maneira correta.

A seguir trago alguns exemplos de como a adubação por via fluída pode contribuir para a produtividade do seu cafezal.

Fertirrigação

Algo interessante é associar a adubação com a irrigação do cafezal. Como os adubos são dissolvidos na água, a fertirrigação é uma forma de adubação líquida.

A vantagem da fertirrigação é a possibilidade de parcelar mais vezes a adubação. Dessa forma você proporciona nutrientes nas épocas mais exatas de exigências.

Com isso, a eficiência da sua adubação aumenta, com consequência positivas na produtividade.

A irrigação por gotejamento em conjunto com a adubação é a técnica de fertirrigação mais utilizada, já que é a mais indicada.

Ela dá maior uniformidade na fertilização, mantendo o teor de água adequado para a planta absorver os nutrientes.

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(Fonte: Hidro Sistemas)

Quanto à época de aplicação, é a mesma da adubação sólida: durante o período reprodutivo, normalmente de outubro a março.

A frequência recomendada é quinzenal para solos com textura média, sendo que em regiões mais quentes pode ser incrementada.

Boro via aplicação de herbicidas

O Boro (B) é necessário para a reprodução das plantas e transporte dos açúcares. Plantas de café com bom suprimento deste nutriente têm maior tolerância às pragas e doenças.

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Planta de café saudável à esquerda e com deficiência de boro à direita
(Fonte: Emater)

O boro deve ser aplicado no solo. Somente em alguns casos de deficiências pontuais ele pode ser fornecido via foliar para amenizar o problema.

Na forma líquida, a maneira mais prática de se fornecer B é na forma de ácido bórico junto da calda de herbicidas, especialmente o glifosato. Recomenda-se 2 a 3 aplicações de 1 kg.ha-1 de B dessa maneira.

Zinco foliar

O zinco é essencial para o crescimento da parte aérea da planta de café. Devido ao seu comportamento no solo, recomenda-se o fornecimento via foliar para melhor aproveitamento.

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Planta de café com sintomas de deficiência de zinco: ramos curtos, folha menor e mais alongada
(Fonte: Grupo Cultivar)

As doses variam de acordo com a cultivar e as análises foliares, mas ficam entre 1 e 4 kg.ha-1 de Zn fornecidos entre outubro e março, geralmente na forma de sulfato de Zn.

>> Leia mais: “Guia rápido da adubação de boro e zinco no café”

O uso de adubo líquido para café vale a pena?

Essa pergunta só pode ser respondida individualmente para cada fazenda.

E outras questões devem ser respondidas antes disso:

  • Como está a situação do seu cafezal? Se ele sofreu com seca nos anos anteriores, pode ser uma boa saída;
  • Qual seu custo real da fertilização convencional atual?;
  • Qual sua margem de lucro com o manejo atual?;
  • Quanto seria gasto a mais se fosse implementar o adubo líquido? Lembre-se que se for fertirrigação terá o custo da implantação da irrigação, tenha em mente a dose real necessária do adubo líquido para café, o custo de mão-de-obra, combustível, etc.

Anote todas essas informações e faça as contas. Você pode até mesmo pegar uma área pequena do seu cafezal e fazer um teste, verificando os ganhos na margem de lucro com o adubo líquido.

O que não vale é não medir os seus ganhos e custos e ficar “às cegas” quanto ao que vale ou não a pena fazer.

Conclusões

Como pudemos conferir, a adubação do café deve atender às demandas da planta, sempre se baseando em análises de solo, de folha e na expectativa de produção agrícola.

Partindo desse princípio, o adubo líquido para café pode ser uma alternativa interessante, especialmente quando associados a fertirrigação.

No entanto, todos esses custos devem ser bem avaliados dentro da sua gestão da fazenda, colocando tudo em dados para verificar o que compensa mais.

Agora que você conhece os benefícios, e as doses corretas para a adubação do café, pode começar essa avaliação!

>> Leia mais:

Todas as recomendações para o melhor plantio do café

“Colheita do café: Evite perdas e mantenha a qualidade co estas 7 dicas”

Pós-colheita do café: Tendências e perspectivas para cafés de qualidade (+ cuidados com a lavoura)

Como você faz a adubação do seu cafezal? Utiliza adubo líquido para café? Deseja saber mais sobre café? Deixe seu comentário abaixo!