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Dessecação de soja para colheita: saiba qual é o ponto ideal e as principais orientações para garantir boa produtividade e rentabilidade da colheita.

A dessecação em pré-colheita da soja é uma prática estratégica para os agricultores brasileiros.

Ela permite controlar plantas daninhas, uniformizar a maturação e antecipar a colheita do grão. Isso também beneficia os plantios seguintes, como o do milho safrinha.

Porém, a perda de produtividade por dessecação inadequada pode chegar a 12 sacas/ha. Você sabe como fazer a dessecação de soja para colheita mais eficiente e sem perdas?

Veja neste artigo o que você precisa considerar e qual o momento ideal para dessecar a lavoura.

Principais motivos da dessecação de soja para colheita

A dessecação pré-colheita consiste em aplicar um herbicida, geralmente de contato, quando a semente atinge o ponto de maturação fisiológica.

A aplicação mata a planta e seca suas folhas, uniformizando a maturação, o que permite antecipar a safra.

A dessecação é utilizada em alguns casos, como quando condições climáticas adversas (oscilação de umidade e alta temperatura) na pré-colheita podem ocasionar maior percentual de sementes verdes na colheita.

Quanto mais tempo a semente fica no campo após seu ponto de maturidade fisiológica, maior a taxa de deterioração. Isso diminui a qualidade das sementes.

Quanto menos tempo a semente ficar no campo, menor a exposição a patógenos, assegurando a sanidade do lote. Por isso, para a produção de grãos, o uso do dessecante é bastante importante.

Ele diminui o nível de impurezas no momento da colheita, pois elimina folhas e pecíolos das plantas.

Eliminar as partes verdes da planta também pode impedir a inoculação de doenças da soja e ataque de pragas.

Outra vantagem da dessecação é o controle de escapes de plantas daninhas que podem dificultar a colheita e prejudicar a próxima cultura.

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Uniformidade de maturação e antecipação da colheita são alguns dos principais benefícios buscados com a dessecação
(Fonte: A Voz do Campo)

Em regiões de milho safrinha, a dessecação permite antecipar o plantio do milho. E com isso, há menor chance de ocorrência de geadas no cultivo.

Em regiões que semeiam algodão após a soja, a prática auxilia o plantio do algodão em época mais favorável.

Ou seja: a dessecação de soja permite o planejamento e a antecipação da colheita.

Agora que te mostrei os principais motivos da prática, vou te explicar quando esse manejo é recomendado!

Ponto ideal da dessecação de soja para colheita

A partir do momento em que a semente atinge o ponto de maturidade fisiológica a planta cessa o transporte de nutrientes para a semente. Com isso, ela chega ao máximo acúmulo de matéria seca.

Neste ponto a semente encontra-se com as melhores características fisiológicas.

Porém devido à alta umidade e presença de ramos e folhas verdes, a colheita mecânica não é possível.

Para conseguir colher a semente com melhor qualidade, realiza-se a dessecação da soja logo após o ponto de maturidade fisiológica que ocorre no estádio fenológico R7.

Este estádio inicia-se pelo aparecimento de uma vagem com coloração de madura na haste principal.

Depois é dividido em 3 classes que vão de acordo com o nível de amarelecimento das folhas e vagens.  

A melhor época de aplicação do herbicida é quando a soja possui em torno de 70% de suas vagens com coloração amarronzada ou bronzeada, no estádio R7. 2.

Em regiões ou anos atípicos, em que o clima durante os estádios R6 e R7 tem escassez de chuva e altas temperaturas, o manejo de dessecação não é necessário.

Nessa situação, a técnica só é utilizada se houver necessidade de controle de plantas daninhas.

fenologia da soja. Fonte: Coopertradição

(Fonte: Coopertradição)

Posso dessecar em R6 e antecipar ainda mais minha colheita?

Nesse estádio, as sementes de soja atingem sua máxima expansão. Porém, fisiologicamente, essa semente não está pronta!

Em lavouras comerciais produtoras de grãos, essa prática pode ocasionar uma diminuição de até 27% da produção.

Além disso, a dessecação em R6 diminui o teor de extrato etéreo na soja, que é essencial na alimentação animal, principal finalidade dos grãos.

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Planta da soja em estádio R6
(Fonte: Embrapa)

Dessecação de soja para colheita: Como aumentar a eficiência do manejo

Mesmo utilizando herbicidas como paraquate, que tem efeito rápido sobre a planta (não perde a eficiência com chuvas após 30 min), não é bom que haja chuvas após a dessecação da lavoura de soja.

Por isso fique sempre atento às condições climáticas no momento e após aplicação do herbicida.

Caso ocorram chuvas após a aplicação do dessecante, pode não haver grande antecipação da colheita, como esperado. Mas, quando a chuva cessar, a área dessecada perderá umidade mais facilmente.  

É muito importante utilizar a tecnologia de aplicação adequada para a dessecação.

Em geral, produtos de contato somente serão eficientes se tiverem boa cobertura da planta.

A eficiência da dessecação e potencial de fitotoxidade podem variar de acordo com a cultivar.

Por isso, tente se informar sobre a resposta dos seus cultivares de soja para o manejo que pretende utilizar.

É fundamental que os herbicidas utilizados possuam recomendação para cultura da soja e a carência mínima para colheita seja respeitada. Fique atento!  

Principais herbicidas na dessecação de soja para colheita

O herbicida mais utilizado para o manejo de dessecação da soja para colheita é o paraquate.

Isso se deve à sua ação rápida e por não deixar resíduos no grão ou prejudicar os atributos fisiológicos da semente.

Porém, com a Resolução 177 da Anvisa, sua utilização será proibida a partir de 2020, devido às suas características toxicológicas.

Por isso recomenda-se que o produtor já comece a testar novas ferramentas que possam substituir este herbicida.

Planejamento e se antecipar a problemas futuros sempre foram a chave da lucratividade.

Mesmo que a proibição seja revogada, já existem áreas com buvas resistentes a paraquate. A dessecação com este produto já não controla os escapes, nesses casos.

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(Fonte: Peluzio et al., 2008 em Geagra)

>> Leia mais: “Herbicidas pré-emergentes para soja: Os melhores produtos e suas orientações

Opções para plantas daninhas resistentes na pré-colheita

Outras opções que podem ser utilizadas como alternativa ao paraquate são os herbicidas diquat, flumioxazin, glifosato, glufosinato e saflufenacil.

Nas áreas com buva resistente a paraquate, os mais indicados seriam os herbicidas Saflufenacil na dose de 70 g/ha a 140 g/ha + adjuvante não iônico  ou glufosinato na dose de 2 L/ha + óleo mineral.

Além destes herbicidas para dessecação de áreas da plantação de soja pode se utilizar diquat 2 L/ha e flumioxazin 50 g/ha.

Após aplicação do herbicida flumioxazin deve-se esperar no mínimo 14 dias para o plantio do milho, evitando efeito residual na cultura.

O ideal é sempre que o manejo de buva ou amargoso, plantas daninhas resistentes a herbicidas, seja feito no período de entressafra.

Assim, existe maior disponibilidade de ferramentas e menor efeito guarda-chuva na aplicação.

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Buva é resistente ao Paraquate, por isso o manejo deve ser feito na entressafra
(Foto: Fernando Adegas/Embrapa)

O herbicida glifosato também pode ser utilizado para dessecação de soja para colheita convencional, mas não é efetivo no controle de buva e amargoso.

Em áreas produtoras de semente, devido ao mecanismo de ação sistêmico do glifosato, a qualidade da semente pode ser prejudicada.

É importante que a recomendação de produtos fitossanitários seja feita por um agrônomo. Mas o produtor deve estar sempre atento a novas informações para auxiliar em sua recomendação.

planilha para estimativa de perdas na colheita Aegro

Conclusão

Vimos aqui diversas vantagens na prática da dessecação de soja para colheita, porém, esta deve ser aplicada de maneira técnica.

Cuidado com o momento da aplicação do herbicida, pois deve ser logo após o ponto de maturação fisiológica.

Antes desse momento podem ocorrer perdas de produtividade de grãos ou menor qualidade da semente.

Além disso, cuidado com chuvas após a aplicação do dessecante.

Não esqueça de se atentar a alguns detalhes na escolha do herbicida como a variedade utilizada e a infestação de plantas daninhas na colheita. Boa safra!

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