O solo é um dos recursos mais importantes para a agricultura, não apenas sustenta as plantas, mas também influencia diretamente a qualidade e a produtividade das lavouras.
Quando negligenciado, pode se tornar um ambiente propício para o surgimento de doenças de solo que afetam severamente a produção agrícola.
Estas doenças podem comprometer as raízes, caules e até os frutos prejudicando tanto a qualidade quanto a quantidade colhida
A grande maioria das doenças de solo são causadas por agentes patogênicos como fungos, bactérias, nematóides e vírus que sobrevivem e se multiplicam no solo.
Essas pragas atacam diretamente as plantas comprometendo seu desenvolvimento e em muitos casos levando à morte.
A presença desses organismos no solo é um dos principais fatores que comprometem a longevidade das lavouras e a saúde do ecossistema agrícola.
Índice do Conteúdo
- 1 O que são doenças de solo?
- 2 Quais as principais doenças do solo?
- 2.1 1. Tamanduá-da-Soja (Sternechus subsignatus)
- 2.2 2. Broca-do-Café (Hypothenemus hampei)
- 2.3 3. Antracnose (Colletotrichum spp.)
- 2.4 4. Tombamento (Fusarium spp., Rhizoctonia solani, Phytophthora spp.)
- 2.5 5. Nematóides (Meloidogyne spp., Pratylenchus spp., Heterodera glycines)
- 2.6 6. Lagarta-Elasmo (Elasmopalpus lignosellus)
- 2.7 7. Coró-da-Soja (Phyllophaga spp.)
- 3 Como evitar doenças de solo?
- 4 Doenças do solo: Um desafio constante
O que são doenças de solo?
As doenças de solo são originadas por agentes patogênicos como fungos, bactérias, nematoides e vírus, que possuem a capacidade de sobreviver e se multiplicar no ambiente do solo, criando condições desfavoráveis ao desenvolvimento das plantas.
Esses organismos podem permanecer inativos no solo por longos períodos, esperando condições adequadas para se retirarem e atacarem as culturas agrícolas.
É comum agirem diretamente nas raízes e, em alguns casos, nas partes aéreas das plantas, interferindo na absorção de água e nutrientes, enfraquecendo o sistema radicular e limitando o crescimento das culturas.
Além disso, podem causar sintomas como lesões, podridões, murchas e até a morte das plantas, comprometendo seriamente a produtividade e a viabilidade econômica da lavoura.
Um aspecto preocupante é que esses agentes patogênicos se adaptam facilmente às condições do ambiente e podem ser disseminados por meio de água, vento, resíduos de culturas anteriores, ferramentas agrícolas contaminadas ou pelo trânsito de máquinas e implementos entre talhões.
Isso torna o manejo das doenças de solo um grande desafio para os produtores. Entre os exemplos mais comuns estão fungos como Fusarium spp. e Rhizoctonia solani, que causam doenças como tombamento de plântulas e podridão de raízes, além de nematoides como Meloidogyne spp., responsáveis por formar galhas nas raízes.
Saiba mais!
- Fungos de solo: Principais causas e como evitá-los
- Saúde do solo: por que é tão importante cuidar disso?
- Biofungicidas: quando vale a pena usar?
Quais as principais doenças do solo?
As principais doenças do solo vão variar conforme a cultura e o patógeno. Algumas delas são mais comuns na lavoura de soja, como a antracnose, mas podem aparecer em outras plantações.
De qualquer forma, existem pelo menos 7 doenças de solo que você deve se preocupar. Acompanhe quais são elas e como tratar.
1. Tamanduá-da-Soja (Sternechus subsignatus)
- Sintomas: Corte na base das hastes da soja, murcha das plantas e redução do porte e menor número de vagens.
- Principais culturas afetadas: Soja e algumas leguminosas.
- Impactos: Perda total da planta afetada e redução na produtividade devido à queda de vagens.
- Manejo: Rotação de culturas para evitar a perpetuação do ciclo da praga, controle químico com inseticidas direcionados à fase adulta e Destruição dos restos culturais para eliminar os refúgios da praga.
Confira mais informações no conteúdo 12 principais pragas da soja que podem acabar com sua lavoura.
2. Broca-do-Café (Hypothenemus hampei)
- Sintomas: Perfuração nos frutos do café e grãos ocos ou com perda de qualidade devido à alimentação da larva.
- Impactos: Redução da qualidade dos grãos e perdas na produtividade que podem chegar a 30% em infestações severas.
- Manejo: Monitoramento com armadilhas de captura, uso de inseticidas específicos em momentos de maior vulnerabilidade e controle biológico com fungos entomopatogênicos, como Beauveria bassiana.
Para mais informações sobre o patógeno siga a leitura: Broca-do-café: Alternativas de controle.
3. Antracnose (Colletotrichum spp.)
- Sintomas: Lesões escuras em vagens, folhas, hastes e sementes, apodrecimento e queda de folhas em estágios avançados.
- Principais culturas afetadas: Soja, feijão, milho, tomate e algodão.
- Impactos: Perda de produtividade devido ao apodrecimento de vagens e frutos, e redução na qualidade das sementes.
- Manejo: Uso de sementes sadias e certificadas, tratamento de sementes com fungicidas, rotação de culturas e manejo de restos culturais.
Saiba mais informações sobre a Antracnose e detalhes de como realizar o controle para diferentes culturas.
4. Tombamento (Fusarium spp., Rhizoctonia solani, Phytophthora spp.)
- Sintomas: Morte de plântulas logo após a emergência, lesões marrons ou negras no coleto e reboleiras de falhas no estande.
- Principais culturas afetadas: Soja, feijão, milho, algodão e hortaliças.
- Impactos: Perda de plantas na fase inicial e dificuldade em atingir o estande ideal.
- Manejo: Tratamento de sementes com fungicidas específicos, uso de variedades resistentes, adequação do espaçamento e drenagem para evitar excesso de umidade.
Saiba todas as informações sobre tombamento da soja e como fazer o melhor manejo na sua lavoura.
5. Nematóides (Meloidogyne spp., Pratylenchus spp., Heterodera glycines)
- Sintomas: Raízes com galhas ou lesões necróticas, murcha, clorose e plantas de menor porte e reboleiras com falhas no estande.
- Principais culturas afetadas: Soja, milho, feijão, algodão, cana-de-açúcar e hortaliças.
- Impactos: Redução na capacidade de absorção de água e nutrientes, e queda significativa na produtividade.
- Manejo: Uso de cultivares resistentes ou tolerantes, rotação de culturas com plantas não hospedeiras, controle biológico com agentes como Bacillus spp. ou Pasteuria spp e uso de nematicidas em casos severos.
6. Lagarta-Elasmo (Elasmopalpus lignosellus)
- Sintomas: Ataque ao coletor (base do caule), causando murcha e morte das plantas, e plântulas mortas em reboleiras.
- Principais culturas afetadas: Milho, soja, sorgo, algodão e feijão.
- Impactos: Perda de plantas na fase inicial, comprometendo o estande.
- Manejo: Tratamento de sementes com inseticidas, manejo da palhada para reduzir populações iniciais, monitoramento e controle químico em áreas de alta infestação.
7. Coró-da-Soja (Phyllophaga spp.)
- Sintomas: Corte das raízes e morte das plantas em reboleiras e murcha causada pela perda de capacidade de absorção de água e nutrientes.
- Principais culturas afetadas: Soja, milho, pastagens e trigo.
- Impactos: Redução do estande e produtividade, plantas enfraquecidas e maior suscetibilidade a estresses.
- Manejo: Rotação de culturas com espécies menos suscetíveis, tratamento de sementes com inseticidas sistêmicos e manejo integrado, incluindo controle biológico com nematóides entomopatogênicos.

Como evitar doenças de solo?
A melhor forma de evitar doenças de solo é a implementação de práticas agronômicas que protejam as plantas e promovam a saúde do solo, reduzindo a presença e a atividade de agentes patogênicos.
As medidas a seguir são essenciais para minimizar os impactos e, ao mesmo tempo, garantir uma lavoura mais resiliente e produtiva. Confira:
1. Rotação de culturas
Alterar as culturas no mesmo talhão ao longo das safras é uma técnica eficaz para reduzir a pressão de patógenos.
Ao introduzir plantas que não são hospedeiras, como crotalária antes da soja ou milho, é possível interromper o ciclo de vida de fungos, nematoides e outras pragas.
Além disso, essa a rotação de culturas a diversificar os sistemas de cultivo, promovendo um equilíbrio biológico no solo.
2. Cobertura do solo
As plantas de cobertura, como crotalária, braquiária e milheto, desempenham um papel importante no manejo de doenças.
Sua função é criar uma barreira física que dificulta a proliferação de pragas e patógenos, além de melhorar a estrutura do solo e contribuir para a retenção de umidade e nutrientes.
A cobertura também reduz a erosão e previne o aparecimento de plantas daninhas que podem servir como hospedeiras de doenças.
3. Higienização de equipamentos
A movimentação de máquinas e implementos agrícolas entre talhões pode disseminar patógenos, como fungos e nematoides.
Por isso, é essencial realizar a limpeza e a desinfecção regular dos equipamentos.
O uso de desinfetantes específicos e a eliminação de resíduos de solo e vegetais aderidos às máquinas ajudam a evitar a contaminação cruzada entre áreas.
4. Adubação equilibrada
Fornecer nutrientes em quantidades adequadas é uma medida excelente para fortalecer as plantas e tornar a lavoura menos vulnerável a doenças.
Solos bem nutridos e com balanço adequado de macro e micronutrientes proporcionam um ambiente mais favorável ao desenvolvimento das culturas e menos propício à proliferação de patógenos.
A aplicação de matéria orgânica e compostos orgânicos também pode melhorar a atividade microbiológica do solo, inibindo a ação de organismos prejudiciais.
5. Análise periódica do solo
Realizar análises regulares do solo permite identificar a presença de patógenos e avaliar as condições gerais da área.
Com base nos resultados, é possível implementar práticas corretivas, como o ajuste do pH ou a aplicação de produtos biológicos que favorecem a saúde do solo.
6. Uso de produtos biológicos
O uso de bioinsumos, como microrganismos antagonistas, são ferramentas importantes no manejo de doenças de solo.
A aplicação em fungos como Trichoderma spp. e bactérias como Bacillus spp. podem ser aplicados para combater diretamente os patógenos e melhorar o equilíbrio biológico do solo.
Doenças do solo: Um desafio constante
As doenças de solo são desafios constante que exigem atenção contínua e práticas bem planejadas.
Conhecer os patógenos, entender as particularidades do solo e adotar medidas de manejo adequadas são ações indispensáveis para garantir a saúde das culturas e a sustentabilidade da produção agrícola.
Ao aplicar soluções como rotação de culturas, uso de sementes certificadas e controle biológico, o é possível minimizar muito os impactos dessas doenças e preservar sua lavoura ao longo dos ciclos.
Outro ponto que também ajuda é o monitoramento regular da lavoura. No Software Aegro é possível ter esse tipo de cuidado por NDVI, além de fazer manejo integrado de pragas e registrar cada evolução no próprio sistema.