Percevejo no milho: entenda a dinâmica populacional dos percevejos-praga na cultura do milho e as melhores formas de controlá-los.

Ao longo dos anos, o ataque de percevejos tem se tornado mais frequente na cultura do milho, o que pode comprometer muito a produção final. 

Alguns fatores fazem com que essas pragas estejam presentes tanto na safra como no milho safrinha.

Muitas vezes, os danos causados só são percebidos depois de um tempo – e aí pode ser tarde e te levar a refazer todo o plantio. 

Então, o que deve ser feito para mudar isso? Quais os danos dessas pragas e quais as formas de controle? 

Percevejos no milho

Os percevejos que atacam a cultura do milho são, em sua maioria, da família Pentatomidae. 

Diversas espécies podem ser encontradas nas lavouras, como:

Porém, os percevejos barriga-verde são os que mais têm causado problemas ao produtor nos últimos anos. Principalmente, no milho safrinha que é implementado após soja ou feijão

Existem duas espécies dessa praga que podem deixar o início da lavoura comprometida, que são Dichelops melacanthus e Dichelops furcatus

foto de adultos de Dichelops melacanthus e Dichelops furcatus

Adultos de Dichelops melacanthus e Dichelops furcatus
(Fonte: Eco Registros)

A questão é que, as pragas desfolhadoras, como as lagartas, causam maior alarde na cultura do que os percevejos e, por isso, só são vistos quando os danos começam a aparecer, que pode ser tarde. 

Com a implementação das variedades transgênicas com toxina Bt (Bacillus thuringiensis) , tanto para soja como para milho, houve aumento dos ataques de percevejos, devido à falta de manejo para essas pragas. 

Tanto na safra do milho como na safrinha, esses percevejos atacam a cultura em seu período inicial, o que compromete o desenvolvimento da cultura. 

No milho safrinha, existe uma preocupação maior porque esses insetos vêm das culturas anteriores e a atenção deve começar antes mesmo de implementar a cultura no campo. E é nesse e em outros pontos que você deve ficar de olho!

Características principais

As espécies Dichelops melacanthus e Dichelops furcatus têm características muito semelhantes de forma geral

No entanto, Dichelops furcatus é maior e seus espinhos, que estão localizados no pronoto (parte semelhante aos ombros), são escuros. 

Dichelops melacanthus é uma espécie menor e as extremidades dos espinhos são mais escuras do que o restante do pronoto. 

Além disso, Dichelops furcatus é mais frequente em regiões de temperaturas mais amenas e Dichelops melacanthus em regiões mais quentes. 

O período de incubação dos ovos de ambas espécies é de aproximadamente seis dias. As ninfas passam por cinco instares até que se tornem adultas. 

Possuem três glândulas odoríferas no dorso do abdome, de coloração marrom-escura e formato alongado. 

Têm hábito alimentar polífago, ou seja, se alimentam de diversas espécies de plantas, inclusive de plantas daninhas, o que contribui para que esses insetos permaneçam na área. 

Tanto as ninfas como os adultos perfuram o colo das plântulas e sugam o conteúdo da seiva. Ao mesmo tempo, injetam substâncias de ação tóxica nas plantas.

O ciclo biológico se completa em torno de 45 dias. 

ilustração com diferentes estágios do percevejo-barriga-verde

Diferentes estágios do percevejo-barriga-verde
(Fonte: Embrapa)

Ataques e danos do percevejo no milho

Os percevejos aproveitam a “ponte verde” para migrarem das culturas anteriores para o milho safrinha e, assim que as plantas começam a emergir, começam os ataques.

A fase mais crítica de ataque do percevejo-barriga-verde é a inicial (até V5), logo nos primeiros dias. E, se não forem controlados, pode ocorrer dano econômico já no começo. 

percevejo no milho - ilustração que mostra parte do ciclo do milho com destaque para a fase crítica de ataque do percevejo-barriga-verde (VE a V5)

Parte do ciclo do milho com destaque para a fase crítica de ataque do percevejo-barriga-verde
(Fonte: adaptado de Pioneer Sementes)

Quando atacadas, as plantas desenvolvem perfilhos anormais e as folhas ficam bastante deformadas, com perfurações perpendiculares às nervuras, com lesões muito simétricas. 

Em consequência, as plantas com esses sintomas ficam com crescimento mais lento, são sombreadas pelas plantas vizinhas e a produtividade cai. 

Quando esses sintomas surgem, as plantas já sofreram os danos e não há como reverter. 

À medida que as folhas desenvolvem, as lesões vão aumentando e formam áreas necrosadas no sentido transversal, o que muitas vezes provoca um dobramento. 

Duas fotos com sintomas de ataque de percevejo-barriga-verde em milho

Sintomas de ataque de percevejo-barriga-verde em milho 
(Fonte: Embrapa e Instituto Agro)

Controle do percevejo no milho

O controle das espécies do gênero Dichelops na cultura do milho safrinha e também milho safra, deve ser realizado antes mesmo da implementação da lavoura, com preceitos do Manejo Integrado de Pragas (MIP)

Por isso, o controle de percevejos na lavoura de soja, por exemplo, vai evitar a migração para as lavouras de milho. 

Outra forma seria o revolvimento do solo e eliminação de plantas daninhas e hospedeiras para evitar que os insetos permaneçam na área. 

O tratamento de sementes de milho com inseticidas sistêmicos vai garantir que, mesmo se houver percevejo na área, os danos sejam mais baixos. 

Fazer o tratamento de sementes industrial (TSI) pode ser uma ótima forma de manter as plantas homogêneas, uma vez que o tratamento na propriedade pode ficar com falhas. 

Entretanto, para que o controle seja realmente efetivo, é ideal realizar monitoramento constante. É importante que você saiba que fazer aplicações de inseticidas preventivos ou esperar que os sintomas apareçam não é viável

O monitoramento vai ser a melhor maneira de fazer a tomada de decisão antes mesmo do 

início da semeadura. Se houver 0,58 percevejo por m² é ideal entrar com controle. Quando a amostragem mostrar necessidade de controle, entra-se com os métodos. 

banner planilha manejo integrado de pragas

Ao decidir pelo método químico, com pulverizações com inseticidas, é importante utilizar uma boa tecnologia de aplicação para conseguir atingir os percevejos de maneira eficaz. 

Rotacionar os diferentes ingredientes ativos dos inseticidas vai fazer uma grande diferença para que não ocorra perda de tecnologia devido à pressão de seleção. 

É importante evitar as aplicações em períodos em que a praga está abrigada, como durante a noite, em dias chuvosos ou com temperaturas amenas. 

Conclusão

Tanto no milho safra como safrinha existe a ocorrência de percevejos-praga que podem comprometer a sanidade da cultura de forma geral. 

Os pentatomídeos são os que mais causam danos à cultura, principalmente as espécies do gênero Dichelops

O problema do milho safrinha é a “ponte verde” que ocorre por meio das culturas anteriores, como soja e feijão. 

Os sintomas só aparecem após já ter ocorrido danos, que não podem ser revertidos. 

O controle dessas pragas deve ser sempre atrelado ao monitoramento desde antes mesmo do plantio até o estabelecimento da cultura. 

Quais tipos de percevejo do milho são um problema em sua lavoura? Como você tem feito o controle? Conte nos comentários!