MIP (Manejo Integrado de Pragas): tudo o que você precisa saber sobre ele

Manejo Integrado de Pragas: o que é, como monitorar, níveis e principais tipos de controle, + planilha grátis!

O Manejo Integrado de Pragas (MIP) é o uso de táticas de controle de pragas, isoladamente ou associadas, numa estratégia baseada em análises de custo/benefício, que levam em conta o interesse e/ou o impacto sobre os produtores, sociedade e o ambiente.

É crescente a demanda dos consumidores por alimentos mais saudáveis, o que exige uma racionalização na utilização de defensivos. Por esse motivo, o MIP é um assunto que está constantemente em alta. 

E para o produtor, traz resultados benéficos no controle de pragas agrícolas e, principalmente, na economia na aplicação de defensivos.

Tem dúvidas sobre o MIP? Quer conhecer melhor? Acompanhe neste artigo!

O que é MIP (Manejo Integrado de Pragas)?

O MIP (Manejo Integrado de Pragas) é a otimização de controle de pragas agrícolas, como insetos, fungos, nematoides e plantas daninhas. Ele associa o ambiente e a dinâmica populacional das pragas.

É um sistema de manejo que considera o uso de todos os métodos de proteção de plantas disponíveis.

A função do MIP é buscar integrar diversas medidas de controle para manter o nível populacional das pragas abaixo do nível de dano econômico. Isso tudo de forma econômica, ambiental e ecologicamente viável. 


O que é o Manejo Integrado de Pragas e Doenças? 

O MIPD (Manejo Integrado de Pragas e Doenças)  é a associação de estratégias de controle tanto de pragas quanto de doenças. O MIPD pode ser utilizado para o manejo de insetos, doenças e plantas daninhas, seguindo os mesmos princípios do MIP. 

Mas, é claro, cada um tem suas particularidades e, por isso, o MIPD foi criado.

O Manejo Integrado de Pragas e Doenças busca diminuir as chances dos insetos ou doenças de se adaptarem a alguma prática defensiva em especial. 

Quando bem empregado, o MIPD limita os efeitos potenciais prejudiciais dos defensivos químicos utilizados para proteger os cultivos.

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3 etapas do Manejo Integrado de Pragas (MIP)

O MIP segue 3 etapas básicas:

  • Avaliação do agroecossistema;
  • Tomada de decisão;
  • Seleção dos métodos de controle a serem adotados.

As duas primeiras etapas podem ser consideradas o alicerce para a definição das estratégias de gestão integrada das pragas agrícolas na propriedade. A terceira irá garantir o sucesso do cultivo. Veja, a seguir, cada uma delas:

1. Avaliação do agroecossistema

A avaliação do agroecossistema consiste em, simplesmente, avaliar e conhecer a lavoura. Nessa etapa, você vai identificar as principais pragas agrícolas que podem causar danos à sua cultura. 

É importante entender em qual momento cada praga pode causar mais prejuízos, e quando é necessário ficar alerta para a tomada de medidas preventivas.

Identificar o estádio de desenvolvimento das plantas também é essencial. Essa prática garante que os métodos de controle, especialmente o químico, sejam feitos no momento certo, evitando danos à lavoura.

A identificação das pragas permite conhecer características específicas sobre seus hábitos e seus respectivos inimigos naturais. A presença dos inimigos naturais é vantajosa, pois colabora com a redução dos custos.

Você pode se fazer as seguintes perguntas para evitar erros no processo:

  • A lagarta ou outro inseto tende a ficar escondido embaixo das folhas durante o dia?
  • Esse é um inseto com hábito subterrâneo, que fica no solo?
  • Esse é um inseto de hábito noturno?

Dessa maneira, você conhecerá os hábitos da praga e entenderá quais são os melhores horários para instalar iscas ou até mesmo monitorar. Além disso, você saberá quais métodos de controle podem ser utilizados. 

Outro ponto importante: as condições climáticas são vitais para ter uma ideia da infestação. Temperaturas mais altas aceleram o ciclo de vida dos insetos, resultando em mais gerações em uma mesma safra.

2. Monitoramento de pragas e nível de controle

A avaliação do agroecossistema é realizada por meio de amostragens e monitoramento. A  partir dela, é feita a tomada de decisão. 

O monitoramento requer vigilância constante para conhecer a densidade populacional ou nível de danos de uma praga na lavoura. Ele é feito por meio de amostragens

O número de pontos de amostragem vai depender do tamanho da área. Cada ponto corresponde ao exame de, no mínimo, 5 ou 6 plantas. O monitoramento ainda permite coletar as seguintes informações:

  • NE (Nível de Equilíbrio): densidade populacional média, durante um longo tempo, sem que ocorram mudanças permanentes;
  • NC (Nível de Controle): densidade populacional que requer medidas de controle para evitar prejuízos;
  • ND (Nível de Dano): menor densidade populacional do inseto capaz de causar perdas econômicas ao produtor. 

Após o monitoramento, é tomada a decisão sobre realizar ou não o controle de pragas na lavoura.

3. Tomada de decisão

Nesta etapa, são analisados todos os aspectos econômicos da cultura, além  da viabilidade para realizar o controle integrado de pragas.

Caso no monitoramento sejam constatados níveis de danos igual ou superior ao nível de controle, você deve iniciar o controle.

O NDE (Nível de Dano Econômico) é a densidade populacional da praga ou de danos que causa prejuízos à cultura iguais ao custo de adoção de medidas de controle.

Para simplificar, é a menor densidade populacional capaz de causar perdas econômicas, redução da produtividade ou qualidade da cultura. O NDE pode ser calculado através da fórmula:

NDE (%) = (Valor da produção da cultura/ Valor da aplicação) x 100. Para melhor compreensão, vamos a um exemplo:

  • Valor da produção da cultura = R$ 1.000;
  • Valor da aplicação = R$ 100

NDE (%) = (100/1000) x 100 = 10%

O controle se justifica somente quando a densidade populacional atingir nível suficiente para ocasionar perda de 10% na produção.

Vale ressaltar que o NDE não será o mesmo para as diferentes espécies de insetos na mesma cultura, nem mesmo para uma espécie em várias culturas.

No entanto, as medidas de controle são e devem ser adotadas antes que se atinja o NDE, pois há um certo tempo para que as medidas adotadas se tornem efetivas. O controle deve ser realizado em um nível abaixo do NDE, no chamado nível NC (nível de controle).

O nível de controle é o sinal para decidir quais as estratégias de MIP poderão ser aplicadas na lavoura. Muitos estudos também estão sendo realizados para encontrar o NC de cada espécie e cultura. 

Manejo Integrado de Pragas (MIP) em áreas de grãos e fibras

6 Métodos de controle de pragas

Os métodos de controle utilizados são considerados os pilares do MIP. São eles:

  • Controle cultural;
  • Controle biológico;
  • Controle comportamental;
  • Controle genético;
  • Controle varietal;
  • Controle químico.

O MIP permite o controle químico, mas também envolve outros tipos de controle. Isso resulta em diminuição no uso de defensivos agrícolas e da população dos organismos nocivos. Confira abaixo os principais métodos de controle adotados pelo MIP:

1. Controle cultural de pragas

É o uso de práticas agrícolas que diminuem a incidência das pragas e/ou que promovem uma lavoura sadia.  Algumas dessas práticas são: 

  • Época de plantio adequada;
  • Irrigação ou drenagem; 
  • Destruição de plantas hospedeiras alternativas;
  • Mobilização do solo ou revolvimento: pode ser utilizada para expor os organismos nocivos ao ambiente, especialmente à radiação solar e a altas temperaturas. Isso acaba por reduzir a sua população. 
  • Rotação de culturas: indispensável para quebrar o ciclo das pragas e doenças, inviabilizando seu desenvolvimento e reprodução. Afinal, a cultura hospedeira destas não estará presente.

Mas atenção: o método de rotação de culturas não é eficiente para todas as pragas e doenças de plantas. Diversas delas são polífagas, e se alimentam de diferentes famílias botânicas.

  • Destruição de restos culturais: consiste em destruir os restos da cultura anterior. Isso pode ser feito antes do próximo cultivo ou durante o próprio cultivo (no caso de cultivos perenes, como café);
  • Adubação correta: o equilíbrio da nutrição é importante, pois alguns nutrientes favorecem a tolerância das culturas às pragas. Alguns também podem deixá-la suscetível, como é o caso do Nitrogênio em excesso.

Por isso, análises de solo da sua área são importantes. A avaliação de macro e micronutrientes presentes também. A partir destes resultados, você terá maior assertividade na quantidade e fórmula de fertilizante necessário para a cultura;

2. Controle biológico

O controle biológico é a ação de inimigos naturais sobre as pragas, contribuindo na redução do nível populacional. Ele pode ser natural, clássico ou aplicado.

O natural visa à conservação dos inimigos naturais presentes na área agrícola. Para isso, é importante o uso de inseticidas seletivos, como alguns inseticidas naturais

O clássico tem a finalidade de controlar pragas exóticas. Por isso, são utilizados inimigos naturais importados de diferentes regiões. O aplicado é quando são feitas liberações de inimigos naturais advindas de criações massais em biofábricas.  

Quanto maior a diversidade do agroecossistema, maiores as chances dos inimigos naturais permanecerem na cultura e contribuírem no controle das pragas.

3. Controle de pragas comportamental (armadilhas)

Este método de controle é baseado no uso de armadilhas que são capazes de atrair algumas pragas, como pulgões, moscas-brancas, tripes e minadoras. Esses insetos são atraídos pelas cores amarelo e azul.

As armadilhas são painéis adesivos azuis ou amarelos, instalados na área agrícola para capturar insetos em deslocamento. Os amarelos são recomendados para detecção e monitoramento de cigarrinhas, mosca-minadora, mariposas e pequenos besouros. 

Os azuis, por sua vez, são indicados para tripes. A utilização de plantas iscas ou plantas repelentes também é uma alternativa interessante para o controle de lepidópteros e besouros em alguns cultivos.

As armadilhas luminosas são dispositivos para atração e captura de insetos com asas, que possuem atividade noturna. Eles são atraídos pela luz entre as 19h e 5h da manhã.

A armadilha luminosa tem a função de monitoramento ou controle da população de insetos. Esse método funciona para besouros, mariposas, percevejos, cigarrinha-do-milho, cigarras, gafanhotos, grilos, moscas e mosquitos.

As armadilhas devem ser colocadas entre as fileiras de plantio e, principalmente, na bordadura da lavoura, se for o caso de início da safra. Para o monitoramento, são recomendadas de 100 a 200 armadilhas por hectare.

4. Controle de pragas varietal

O controle varietal se baseia no uso de plantas resistentes. Ele tem sido cada vez mais comum.  As próprias plantas utilizam recursos para controlar determinada praga através da resistência genética

Por isso, é importante que você conheça as cultivares disponíveis, para poder optar pelas resistentes. Uma outra forma de uso de plantas resistentes seria com o uso das plantas transgênicas. Nelas, um gene de alguma outra espécie é transferido para a planta.

É o caso da tecnologia Bt, utilizada em cultivares de milho, soja, algodão e cana-de-açúcar. 

5. Controle mecânico de pragas (ou controle físico)

O controle físico é baseado no uso de medidas específicas para impedir danos das pragas de forma bastante direta.  Algumas boas práticas seriam:

  • Esmagamento de ovos;
  • Catação manual de lagartas;
  • Modificação da temperatura e/ou luminosidade;
  • Inundação de áreas;
  • Formação de barreiras físicas. 

Na fruticultura, por exemplo, é muito utilizado o uso de barreiras físicas com o ensacamento dos frutos ainda na planta.

6. Controle de pragas genético

As ferramentas da engenharia genética têm sido estudadas para contribuir para uma agricultura mais sustentável. Elas contribuem com organismos geneticamente modificados

Atualmente, existe um grande número de plantas modificadas geneticamente para controle de insetos. Além das plantas, os insetos também podem ser manipulados para controle da espécie que está causando danos. 

Um exemplo da nossa atualidade é a esterilização híbrida, como no caso do mosquito transmissor da dengue (Aedes aegypti). 

7. Controle químico de pragas

O controle químico acontece, basicamente, com o uso de defensivos agrícolas. Para o uso desse tipo de controle, é necessário muito cuidado, sobretudo na aplicação dos defensivos

Consultar um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a) é essencial para evitar super ou subdosagem, além de evitar riscos de tornar os insetos resistentes à substância.

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Vantagens do controle de insetos com MIP

O Manejo Integrado de Pragas mantém o agroecossistema o mais próximo possível do nível de equilíbrio. Isso quer dizer que tudo pode funcionar melhor, já que tudo na agricultura está integrado.

A lavoura sadia e sem os prejuízos das pragas com certeza resultará em maiores produtividades. E, melhor ainda, melhores rentabilidades, já que com o MIP é possível diminuir o uso de inseticidas.

Além disso, quem nunca esteve em dúvida entre fazer ou não uma aplicação? Por meio do monitoramento do MIP, você sabe com certeza quando o controle é realmente necessário. É você no comando de sua fazenda.

Atualizado em 18 de julho de 2022 por Bruna Rohrig.

Bruna é agrônoma pela Universidade Federal da Fronteira Sul, mestra em fitossanidade pela Universidade Federal de Pelotas e doutoranda em fitotecnia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul na área de pós-colheita e sanidade vegetal.

26 thoughts on “MIP (Manejo Integrado de Pragas): tudo o que você precisa saber sobre ele

  1. Oi Dna Maiara, primeiramente gostaria de te parabenizar pelo seu belo trabalho. Espero que continue desenvolvendo outros trabalhos como esse, dispersando informações muito importantes para aqueles produtores que precisam desse tipo de informação e para o público em geral.
    Me chamo Giovani, estou cursando agronomia e acabei de ser promovido para o setor de hentomologia na empresa que trabalho.
    Obrigado por esclarecer minhas dúvidas..

    • Oi Giovani! Poxa vida fico muito feliz mesmo que o artigo tenha te ajudado, e com certeza a disseminação de informações é essencial para todos nós. Parabéns pela promoção, boa sorte nesse novo desafio e continue conosco para ver mais materiais desse tipo! Abraço!

  2. Augusto Gonçalves Filho

    Adorei todas informações em relação ao MIP, são importantes tanto do ponto de vista técnico, econômico e ambiental.

    abraço!

  3. Excelente material de leitura. Estou querendo aplicar em lavouras de milho. Posso ter encontrado um erro: a fórmula do NDE (nível de dano econômico) se mostra de um jeito e é aplicado ao contrário.

    • Olá, Luís Gustavo! Que bom que gostou. Espero que tenha bons resultados nas suas lavouras de milho. Muito obrigada pela correção, realmente os números foram trocados.

  4. gostei da informação mas gostaria de ter manuais e brochuras que falam sobre o maneio integrado de pragas doenças e infestantes
    como formador do curso agropecuário gostava de ter mais subsídios sobre a matéria

  5. Parabéns!!!
    Um dos melhores trabalhos sobre MIP disponíveis na NET.
    Simples.
    Claro.
    Objetivo.
    Inteligível
    Bem elaborado / fácil entendimento.

  6. Gostei do trabalho, ajudou-me bastante visto que estou a fazer mestrado em Solos e agricultura sustentável na Universidade Católica de Moçambique. Usei as informações para enriquecer o meu artigo científico do módulo de MIP.
    Gostaria de colher mais experiências consigo.

  7. Ótimo conteúdo so nao ficou muito claro para mim sobre, a quantidade populacional de pragas suficiente causar danos a lavoura.

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