Guia completo da plantação de canola + benefícios para o milho, trigo e soja

Plantação de canola: conheça o ambiente ideal de cultivo, adubação, manejo de pragas e doenças, cuidados na colheita e mais!

A canola é a terceira oleaginosa mais produzida no mundo. As oleaginosas são alimentos vegetais ricos em gorduras “boas”.

cultivo da canola é destinado para a produção de óleo para o consumo humano e de biodiesel. O farelo resultante é usado na fabricação de rações por ser rico em proteínas.

A canola é uma excelente alternativa econômica para o uso em  rotação de culturas com o trigo, a soja e o milho. Ela diminui problemas fitossanitários que afetam esses cultivos. 

Quer saber se essa é uma boa opção para a sua fazenda? Acompanhe o artigo!

Características da canola

A canola é uma espécie anual da mesma família que o repolho e a couve. No entanto, seu cultivo visa a produção de grãos

Ela é muito adaptável ao frio, e por isso tem grande potencial de cultivo em grande parte da América do Sul. Nas lavouras do Sul do Brasil, a oleaginosa tem feito sucesso. 

A área semeada com a cultura no país foi de 35,5 mil hectares em 2020. Desse número, 34,8 mil hectares concentraram-se no Rio Grande do Sul.

Nessa região, são utilizadas apenas cultivares de primavera. O cultivo se destaca na sucessão das culturas de verão, como soja e milho

A canola também é utilizada na rotação com as culturas de inverno como o trigo, centeio, cevada, aveia e triticale. 

Benefícios da plantação de canola 

O uso da canola na rotação de culturas reduz o uso de defensivos agrícolas. Consequentemente, também reduz custos e torna a produção mais sustentável

A cultura também se destaca como uma excelente alternativa econômica. Afinal, ela não exige aquisição de máquinas e equipamentos específicos para o seu manejo. 

Você pode utilizar a estrutura disponível na propriedade. Além disso, a canola possui grande produtividade (em média 1500 Kg ha-1).

A cultura da canola, quando utilizada em rotação de cultura, traz benefícios para os cultivos da soja, do trigo e do milho.

Benefícios da canola para o trigo

A rotação com canola diminui problemas de doenças na lavoura de trigo. Ela reduz as estruturas responsáveis pelas doenças causadas por fungos que sobrevivem em restos culturais.

A fusariose e septoriose estão entre as doenças manejadas pela rotação com canola. 

A canola também é importante no manejo do azevém, uma das principais plantas daninhas do trigo.  Afinal, a canola tem mais capacidade competitiva que o azevém.

Benefícios da canola para a soja

A cultura da soja não é hospedeira do nematoide do cisto. Isso quebra o ciclo de vida do nematoide e faz o manejo das áreas contaminadas.

Mas é necessário estar atento entre o período mínimo de 20 dias entre a colheita da canola e a implantação da soja. Isso por causa do efeito alelopático da canola sobre a soja, que interfere na germinação da cultura da soja.

Benefícios da canola para o milho

A canola reduz problemas causados por mancha de diplodia e cercosporiose.  Isso acontece quando o milho é cultivado em sucessão aos cultivos de inverno, na safra de verão.

Manejo da plantação de canola

Para ter sucesso e lucratividade no cultivo da canola, você precisa planejar a implantação no sistema de produção. Escolher a área mais adequada também é um passo fundamental.

A canola é sensível a uma série de herbicidas que deixam um efeito residual prejudicial à cultura.

Por isso, prefira cultivar a canola em áreas que tiveram soja resistente ao glifosato na safra anterior. Isso diminui os riscos do efeito prejudicial de herbicidas residuais no solo.

A cultura se desenvolve melhor em áreas livres de doenças como: canela-preta, sclerotinia (mofo-branco) e infestação por nabiça.

Tenha atenção com o cultivo da canola quando a soja vem em sucessão. A canola pode potencializar o aparecimento de mofo-branco nesse caso.

Ambiente de cultivo ideal para canola

A geada é muito prejudicial à canola no estádio de plântula e durante o florescimento. O período de cultivo vai de abril a novembro no Sul do Brasil.

No estádio de plântula, os danos podem resultar em morte das plantas. Isso principalmente quando a geada ocorre sem um período de pelo menos três dias de frio antes.

Esses dias de frio antes da geada tornam as plantas mais tolerantes.

A geada pode causar abortamento de flores. Isso causa queda da produção, além de  produzir o efeito chamado grão verde.

Os grãos verdes são causados pelo acúmulo de clorofila resultante da ocorrência de geadas durante o enchimento de grãos. Eles provocam o desligamento dos grãos da planta mãe, antes da maturidade. 

Além disso, a canola pode rebrotar após a geada. Dessa forma, a maturação da lavoura será desuniforme, com plantas na maturidade e plantas em estádios anteriores. 

Por isso, podem haver grãos verdes em maiores proporções.

Os prejuízos são maiores durante as fases mais avançadas. Afinal, as chances das plantas emitirem hastes laterais são menores. 

Por outro lado, a emissão de novas hastes resulta em maior desuniformidade de maturação. Como consequência, há maiores possibilidades de perdas na colheita.

Para reduzir danos causados por geadas, evite a semeadura em áreas de baixada e nas proximidades de matas fechadas.

Foto de folha de canola coberta de gelo

Geada em plantas de canola. 

(Fonte: Embrapa)

Sementes e preparo do solo para semeadura

A semeadura da canola deve ser feita apenas com sementes de híbridos registrados. Eles proporcionam benefícios como:

  • evitar a introdução de doenças na lavoura através de sementes contaminadas;
  • evitar a necessidade de ressemeadura e atraso no próximo cultivo;
  • garantir a emergência vigorosa e uniforme do cultivo, reduzindo as perdas causadas pela desuniformidade na maturação.

Você deve semear evitando a ocorrência de geadas no início do cultivo. A profundidade de semeadura ideal para a canola é de 2 cm.

Os melhores solos para canola são os mesmos aptos para o cultivo de cereais de inverno, incluindo alguns solos arenosos.  Vale destacar que solos com grande probabilidade de encharcamento devem ser evitados. 

A canola pode ser cultivada em áreas com o mesmo preparo e manejo realizados para as demais culturas de grãos.

Adubação da plantação de canola

A canola demanda uma boa adubação nitrogenada. A deficiência desse nutriente reduz a produtividade.  Doses excessivas alongam a fase vegetativa. Assim, há possibilidades de ocorrências de doenças e redução da qualidade da planta.

A canola também exige muito enxofre, devido ao alto teor de óleo e proteína nos grãos.  Portanto, esse nutriente pode aumentar a produção e o teor de óleo das sementes.

A canola tem uma eficiente utilização de fósforo e potássio. Além disso, incrementos na produção podem ser obtidos pela aplicação de boro, zinco e cobre.

Não deixe de fazer análise de solo antes de cultivar canola. Assim, a adubação e correção do solo serão baseados na interpretação dos resultados.

Manejo de pragas 

As principais pragas que incidem no cultivo da canola são:

A traça-das crucíferas é a praga que mais causa danos na canola. Eles são causados pelas lagartas, que se alimentam de hastes e sílicas da planta. Desfolhamentos também podem acontecer. 

Os danos são maiores se ocorrer um surto antes da floração.

Para um controle eficiente, faça controle químico com inseticidas reguladores de crescimento. Isso deve ser feito quando houver infestação em toda a lavoura, e cerca de 10% de desfolha.

Para algumas pragas, não existem relatos sobre o controle químico

Portanto, evite a semeadura em áreas infestadas com mais de 5 corós por metro quadrado, com grilo marrom e outras pragas de solo. 

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Manejo de doenças

Com relação às doenças, a canela-preta pode causar grandes prejuízos. 

Para minimizar esses danos, mantenha a área livre do cultivo de canola por dois anos. Esse fungo permanece nos restos culturais.

Escolha áreas localizadas a mais de mil metros de distância de lavouras onde havia canola infectada com canela-preta.

Para o controle do mofo-branco e da podridão negra das crucíferas, faça o manejo integrado, pois não há método de controle completamente efetivo.

No MID (Manejo Integrado de Doenças), você deve fazer:

  • Rotação de cultura com espécies não suscetíveis;
  • Usar sementes sadias;
  • Evitar áreas com ocorrência das doenças;
  • Realizar semeadura direta;
  • Controlar plantas daninhas suscetíveis.

Cuidados na colheita

O atraso na colheita resulta em grandes perdas. Portanto, a cor dos grãos serve de base para determinar o ponto de colheita ideal.

Quando 40% a 60% dos grãos no topo do caule principal mudam da cor verde para a cor marrom, as plantas estão prontas para ser colhidas.

A partir desse ponto, você pode cortar e enleirar as plantas. Isso é feito com equipamento autopropelido ou acoplado a um trator. 

Quando as plantas enleiradas tiverem cerca de 10% de umidade do grão, pode ser feita a colheita. Isso geralmente acontece alguns dias depois do corte.

A dessecação não é indicada para a cultura. A colheita direta pode ser feita quando o teor de umidade dos grãos estiver no máximo em 18%.

Você também deve regular a colheitadeira devidamente. Os pontos principais são vedar locais por onde podem vazar grãos e reduzir a velocidade de deslocamento.

Conclusão

A canola melhora o sistema produtivo da soja, milho e trigo. Ela diminui problemas com pragas e doenças nessas culturas.

A oleaginosa contribui para a redução dos custos com defensivos nas lavouras. Além disso, você não precisa fazer investimentos em máquinas e equipamentos para o manejo e a colheita. 

A canola é uma excelente alternativa para rotação de culturas, com um retorno econômico satisfatório. Considere esses e outros benefícios da planta para implantá-la na sua lavoura!

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About Bruna Rohrig

Sou agrônoma pela Universidade Federal da Fronteira Sul, mestra em fitossanidade pela Universidade Federal de Pelotas e doutoranda em fitotecnia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul na área de pós-colheita e sanidade vegetal. Tenho experiência em fitopatologia, controle de doenças de plantas e pós-colheita de grãos e sementes.

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