Triticale: saiba quando e como cultivar, como é feito o controle de pragas e doenças, recomendações de colheita e muito mais!
O triticale é um cereal de inverno gerado a partir do cruzamento do trigo com o centeio. Ele herdou o potencial de rendimento de grãos do trigo e a rusticidade do centeio.
Uma das dificuldades que você pode enfrentar no cultivo do triticale está no manejo da cultura. Afinal, esse cereal possui muitas especificidades.
Neste artigo, você verá detalhes sobre a semeadura e a colheita do triticale, assim como manejo de pragas e doenças. Aproveite a leitura!
Índice do Conteúdo
- 1 O que é o triticale?
- 2 Quando o triticale pode ser cultivado?
- 3 Plantio do triticale
- 4 Quantidade de triticale por hectare
- 5 Controle de doenças do triticale
- 6 Controle de pragas do triticale
- 7 Recomendações de colheita para o triticale
- 8 Zoneamento Agrícola para o triticale
- 9 Benefícios do triticale na sucessão de culturas
- 10 Conclusão
O que é o triticale?
O triticale é um cereal híbrido de inverno. Ele é resultado da hibridação do trigo com o centeio, e possui alta tolerância às geadas. O cereal contribui com a manutenção de palhada em solos arenosos e fracos, além de colaborar com o plantio direto.
Consequentemente, o triticale tem baixa resistência à seca e ao calor excessivo.
Esse cereal se adapta a diferentes condições de solo e clima. Além disso, tem alta capacidade de produção e resistência a doenças fúngicas.
Ele é utilizado principalmente no Sul do Brasil. Afinal, é uma ótima opção para anteceder o cultivo de grandes culturas como milho, soja e feijão.
Quando o triticale pode ser cultivado?
A semeadura do triticale ocorre entre os meses de fevereiro e maio.
No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, é semeado na mesma época que a cultura de trigo. Nessa época, há maior possibilidade de a cultura ter um bom rendimento.
Plantio do triticale
A semeadura deve ser feita em linhas, com espaçamento de 17 cm, e a densidade indicada é de 400 sementes por metro (ou 300 sementes por metro, em locais com risco de acamamento). A profundidade ideal de semeadura deve ficar entre 2 cm e 5 cm.
Outros espaçamentos podem ser utilizados, mas não ultrapasse 20 cm.
É recomendado que você eleve a saturação de bases do solo para 70%. Conforme os teores de nutrientes do solo, faça a adubação corretiva.
Devido a sua rusticidade, o cereal possui tolerância a solos ácidos e a altos teores de alumínio tóxico. Apesar dessa tolerância, a correção da acidez por meio da aplicação de calcário é fundamental.
Ela proporciona incrementos significativos na sua produtividade. Além disso, o triticale também responde significativamente à adubação nitrogenada.
Antes de semear, avalie as condições e faça a adubação e as correções conforme os resultados da análise de solo.

Grãos de triticale após serem colhidos
(Fonte: Kaufmann seeds)
Quantidade de triticale por hectare
A quantidade de triticale por hectare deve ser de 350 a 400 sementes viáveis/m².
Em áreas onde existe o risco de acamamento, a densidade de semeadura pode ser reduzida para 300 sementes viáveis/m².
Esse cereal é rústico e tolera bem solos ácidos e a toxidez de alumínio. Por isso, pode ser cultivado em regiões classificadas como marginais à cultura do trigo.
Controle de doenças do triticale
O primeiro passo para o controle de pragas e doenças está no tratamento de sementes com fungicidas e inseticidas. O tratamento de sementes apresenta diversas vantagens, como:
- reduz o inóculo inicial de doenças;
- controla de pragas iniciais;
- proporciona maior porcentagem de germinação de sementes;
- garante plântulas mais vigorosas;
- garante estande adequado de plantas;
- fornece maior rendimento de grãos.
Durante o desenvolvimento da cultura, a giberela e a brusone merecem atenção especial. Essas doenças atacam as espigas do triticale. Consequentemente, causam danos significativos ao rendimento da cultura.
Portanto, faça o controle fitossanitário dessas doenças no início da floração plena.
Controle de pragas do triticale
As pragas de maior ocorrência no triticale são lagartas, pulgões, corós e percevejos.
No entanto, vale alertar que o controle dessas pragas deve ser realizado somente quando a população das pragas atingirem o nível de dano econômico utilizando inseticidas.
Para calcular o nível de dano econômico, contar com ferramentas é essencial. Por isso, separamos para você uma planilha de Manejo Integrado de Pragas que te permite fazer esse cálculo.
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Recomendações de colheita para o triticale
A colheita do triticale deve ser feita com a máquina em baixa velocidade. A umidade das espigas e dos grãos também precisa estar baixa, e o uso de batedores em barras é o mais recomendado.
Além disso, a colheita dependerá da forma de utilização da cultura.
Quando usadas para produção de feno ou silagem pré-secada, as plantas devem ser colhidas até o estádio do emborrachamento.
Quando utilizado como silagem da planta inteira, a colheita deve acontecer quando os grãos atingirem o estádio leitoso a pastoso.
A colheita pode ser feita de forma manual ou mecânica. Na colheita manual, o grão deve ser colhido com menos de 25% de umidade. Em seguida, esses grãos devem ser secos até 14% de umidade para realizar a sua trilha.
Já na colheita mecanizada, o grão deve apresentar entre 14% e 25% de umidade. É importante que a máquina esteja bem regulada e ajustada para colher cereais de inverno de grãos pequenos.
Colha o mais cedo possível. Assim você evita prejuízos na germinação, vigor qualidade dos grãos.
A colheita com menos de 20% de umidade é aconselhável. Isso pode evitar perdas econômicas quando há ameaça de chuva, além da facilidade de secagem.
Pela maior quantidade de palha em relação ao trigo, a colheita deve ser realizada com menor velocidade.

Triticale em fase adulta, prestes a ser colhido
(Fonte: FMApa)
Cuidados na pós-colheita
Após a colheita, é importante observar se há a presença de grãos giberelados.
A retirada desses grãos permite que os grãos sadios sejam usados sem problemas na alimentação dos animais. Esse processo pode ser feito com uma máquina de ar e peneira ou outra prática de seleção, como a manual.
Isso é importante porque tanto o triticale como outros cereais de inverno giberelados podem causar problemas de toxidez em animais. Portanto, tenha atenção na pós-colheita e garanta a seleção dos melhores grãos.
Zoneamento Agrícola para o triticale
Recentemente, o triticale entrou para a base de dados do Zarc (Zoneamento Agrícola de Risco Climático). Ele pode ser acessado gratuitamente pela internet.
Ele permite a indicação da melhor época de semeadura nas regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste do Brasil. Isso tanto em sistema de sequeiro quanto irrigado.
A criação do zoneamento para a cultura foi impulsionado pelo aumento da demanda desse cereal na alimentação animal. Essa expansão permitirá o aumento do cultivo do cereal no país.
Benefícios do triticale na sucessão de culturas
Com a inserção do triticale como cultura de inverno, o cultivo de culturas sucessoras pode ser muito mais vantajoso. Afinal, o cereal minimiza danos do solo e suprime plantas daninhas da lavoura.
Além dessas, existem outras vantagens:
- o triticale tem qualidades panificáveis;
- é uma ótima opção para cobertura do solo na entressafra, protegendo-o da erosão e da lixiviação de nutrientes/
- é uma excelente alternativa para adubação verde, garantindo muitos nutrientes para a lavoura;
- possui alta resistência ao frio;
- seus grãos têm alta qualidade nutricional;
- também pode ser utilizado na consorciação e rotação de culturas.
Conclusão
O triticale pode ser utilizado na rotação e/ou sucessão de culturas como cobertura do solo, produção de grãos e alimentação animal.
A giberela e a brusone são as principais doenças que atacam as espigas do triticale, e merecem atenção especial. Com sua inserção como cultura de inverno, o cultivo de culturas sucessoras pode ser muito mais vantajoso.
Agora que você tem essas informações, que tal considerar o triticale como cultura de inverno em sua propriedade?
Restou alguma dúvida sobre o tema? Quais espécies de triticale você utiliza no cultivo de inverno em sua propriedade? Adoraria ler seu comentário abaixo!
Muito boa sua matéria
Conheço esse sereal do RS mas hoje moro no Amapá gostaria de experimentar essa cultura aqui aguardo,,,,