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Tatiza Barcellos - 23 de junho de 2022
Atualizado em 13 de janeiro de 2025
Adubação: saiba o que é, como funciona, como fazer o planejamento ideal, todos os benefícios e muito mais.
A maioria dos solos brasileiros tem baixa fertilidade natural. Para resolver esse problema, há a adubação: a prática de reposição dos nutrientes exigidos pelas plantas.
Ela é indispensável para atingir altas produtividades e garantir a qualidade do produto final. Existem diversos tipos de adubo e métodos de aplicação, e conhecer todos eles faz parte do planejamento de fertilização da sua lavoura.
Neste artigo, veja as diferenças entre os tipos de fertilizante e entenda qual a sua importância na manutenção da produtividade das lavouras. Boa leitura!
Índice do Conteúdo
A adubação é a prática agrícola de repor os nutrientes do solo, e é fundamental para garantir a qualidade das plantas.
Através dos fertilizantes ou adubos, as culturas são nutridas com as substâncias essenciais para terem um crescimento satisfatório, o que impacta diretamente na sua produção e nos seus lucros.
Essa prática ajusta a fertilidade do solo para atender as exigências nutricionais das plantas cultivadas. Conhecer os indicadores de fertilidade é fundamental para fornecer os adubos na dosagem adequada, evitando excessos ou faltas.
A análise de solo é a ferramenta utilizada para quantificar os nutrientes presentes no solo. Além disso, ela fornece informações que influenciam na disponibilidades dos nutrientes para as plantas, como o pH e a presença de alumínio.
É importante ressaltar que toda recomendação de adubação deve ser orientada pelo resultado da análise de solo.
Segundo a legislação brasileira, os fertilizantes podem podem ser classificados em três tipos.
O primeiro são os mais utilizados na agricultura de larga escala: os fertilizantes minerais ou sintéticos.
Além disso, os fertilizantes podem ser simples (fornecem um ou mais nutrientes) ou misturados (combinam dois ou mais fertilizantes simples), podendo ser simples (nutrientes separados) ou complexos (nutrientes no mesmo grão) e classificados por estado físico:
Os adubos ou fertilizantes são os insumos utilizados na nutrição das plantas. Eles podem ser orgânicos, minerais ou organominerais. Veja as diferenças entre eles:
O adubo orgânico têm como matéria-prima os resíduos de origem vegetal e/ou animal. Eles atuam como condicionadores do solo, melhorando as suas propriedades físico-químicas. Podem ser adubos o esterco animal, folhas secas, grama, vinhaça, torta de filtro ou mamona, etc.
Eles aumentam o teor de matéria orgânica e, consequentemente, aumentam a CTC do solo. O fertilizante orgânico também melhora a agregação do solo e a capacidade de retenção de água.
Eles também contribuem para a redução da oscilação térmica do solo, porque a matéria orgânica é má condutora de temperatura. Isso garante que as plantas não sofram estresse térmico nas horas mais quentes do dia.
Esses fertilizantes também reduzem o impacto ambiental pelo aproveitamento dos resíduos. A adubação verde é um bom exemplo disso.
Apesar disso, as fontes orgânicas apresentam variação em sua composição e podem não suprir todas as exigências nutricionais das plantas. Em alguns casos, a aplicação complementar de adubos minerais pode ser necessária.
A adubação orgânica tem custo elevado, principalmente no que se refere ao transporte. Em algumas regiões, não são encontrados com facilidade.
Apesar de orgânicos, eles não devem ser utilizados de forma indiscriminada. É fundamental conhecer a composição química dos fertilizantes para estabelecer a melhor dosagem, considerando a espécie cultivada e o tipo de solo.
O adubo inorgânico ou adubo mineral é o mais utilizado na produção agrícola em larga escala. Eles têm as rochas como matérias-primas, e são obtidos a partir de processos físicos, químicos e físico-químicos.
Alguns exemplos são a ureia, nitrogênio, potássio e fosfatados.
Os fertilizantes minerais são concentrados. Quando entram em contato com a solução do solo, liberam rapidamente os nutrientes para as plantas. Por se tratar de um produto concentrado, eles devem ser utilizados com moderação.
Alguns fertilizantes minerais apresentam liberação controlada dos nutrientes, como o basacote e o osmocote. Nesse caso, os nutrientes são encapsulados por polímeros e liberados lentamente, ao decorrer do ciclo de desenvolvimento das plantas.
A utilização do fertilizante inorgânico melhora a eficiência da adubação, pela disponibilidade contínua de nutrientes para as plantas. Quando comparado aos adubos convencionais, os adubos de lenta liberação apresentam maior valor agregado.
Apesar disso, sua utilização reduz os custos com mão de obra para a aplicação parcelada de outros fertilizantes.
Ao utilizar adubos de liberação controlada, é preciso estar atento ao tempo de liberação dos nutrientes para as plantas. O tempo de liberação do fertilizante mineral varia de acordo com o produto e pode variar entre 3 a 12 meses.
Os adubos organominerais são produzidos a partir da combinação de fertilizantes minerais e orgânicos. Isso quer dizer que eles são um adubo orgânico enriquecido com fontes minerais.
Além de fornecer nutrientes para as plantas, esse tipo de adubo contribui para a redução dos impactos ambientais. Afinal, eles são produzidos a partir de resíduos animais e vegetais.
Os fertilizantes organominerais favorecem a microbiota do solo e o desenvolvimento das plantas.
Os fertilizantes podem ser aplicados na lavoura de diferentes formas: via solo, via foliar ou via fertirrigação. Cada um desses métodos possui particularidades que você deve conhecer.
Nesse método, os fertilizantes são aplicados diretamente no solo. Eles podem ser incorporados ou não com o auxílio de um arado ou grade.
A adubação a lanço também pode ser feita, de forma manual ou com máquinas distribuidoras. Nesse caso, ela é realizada antes da implantação da lavoura.
Quando a cultura está sendo implantada, pode ser feita a adubação de semeadura. Ela ocorre pela deposição dos fertilizantes na linha de plantio. Nesse caso, os adubos são depositados abaixo e nas laterais das sementes.
Para a adubação no momento do plantio, os fertilizantes químicos ou granulados são os mais recomendados.
Em culturas com grande espaçamento entre plantas e entre linhas, a adubação pneumática pode ser feita. Ela acontece através das semeadoras pneumáticas.
Outra possibilidade via solo é a adubação de base. Ela é a fertilização do solo em cobertura, com aplicações feitas apenas após a emergência da cultura.
Na adubação foliar, os fertilizantes são dissolvidos em água e pulverizados sobre as folhas das plantas. Os nutrientes são absorvidos pela parte aérea das plantas, e não pelas raízes.Trata-se de uma prática complementar na nutrição vegetal.
É uma estratégia bastante comum na aplicação de micronutrientes, e acontece através de pulverizações. Na aplicação foliar, as condições climáticas têm grande influência na eficiência da adubação.
Além disso, os adubos aplicados nas folhas são assimilados mais rapidamente, em comparação aos aplicados no solo. Porém, a desvantagem é que o aproveitamento desses nutrientes é curto.
A fertirrigação é uma prática agrícola em que é utilizado o sistema de irrigação para aplicação dos adubos. Ela pode ser feita através da micro-irrigação, da aspersão, da microaspersão e do gotejamento, por exemplo.
Trata-se de um método eficiente e econômico na nutrição das plantas, que economiza o uso dos adubos na lavoura.
Como a fertirrigação acontece junto da irrigação, a absorção dos nutrientes pelas plantas é melhor. Para esse tipo de adubação, opte pelos adubos líquidos.
A deficiência ou a superdosagem de um nutriente interfere na absorção dos outros nutrientes. Isso prejudica o desenvolvimento das plantas e diminui a produtividade da lavoura.
Além disso, a superdosagem de fertilizantes também desequilibra o pH do solo. Dependendo da quantidade aplicada, pode causar a morte das plantas.
A adubação é um dos fatores indispensáveis para a produção agrícola. É fundamental que seja realizada tendo como referência os resultados da análise de solo. Somente assim é possível disponibilizar os nutrientes na quantidade e no momento certo.
A correta adubação garante o crescimento das plantas, contribui para o incremento da produtividade e para a qualidade do produto. Ela também melhora a capacidade de resposta das plantas a pragas e doenças.
Os fertilizantes minerais e sintéticos, como o nitrogênio, têm composição química e fornecem nutrientes rapidamente às plantas, mas não afetam o solo a longo prazo.
Sua alta concentração facilita a logística e aplicação, especialmente em grandes áreas de cultivo, como feijão, arroz, soja, milho, algodão e trigo.
Já os adubos orgânicos, com menor concentração de nutrientes, exigem grandes volumes, dificultando a logística em áreas extensas.
No entanto, eles melhoram a fertilidade do solo a longo prazo, aumentando a matéria orgânica e a capacidade de retenção de nutrientes.
Porém, as perdas de nitrogênio nos adubos orgânicos são mais elevadas, devido à volatilização e lixiviação. Para minimizar isso, é recomendado misturar pequenas doses de fósforo, que ajudam a fixar o nitrogênio e reduzir as perdas.
Os fertilizantes líquidos, especialmente os foliares, têm ganhado popularidade devido à logística facilitada e ao uso em duas formas principais: foliar e fertirrigação. Contudo, apresentam limitações.
Apesar da alta concentração, devem ser aplicados em baixas concentrações (1-2%) para evitar danos às folhas, o que limita a aplicação de nutrientes como nitrogênio, fósforo e potássio.
Por isso, para atender a grandes necessidades nutricionais, os fertilizantes sólidos são mais viáveis.
Adubos líquidos são eficazes para micronutrientes, como zinco, manganês, boro e ferro. São comuns também em associação com defensivos, desde que não prejudiquem sua eficácia.
Na fertirrigação, é ideal aplicar os fertilizantes após o início da irrigação, finalizando antes de seu término, evitando perdas por lixiviação ou danos por salinidade.
No planejamento da adubação, escolher um bom laboratório para análise do solo é fundamental. Afinal, todo o processo será baseado nesse resultado. Considerar as exigências nutricionais da cultura também é uma etapa importante.
Além disso, antes de começar a adubação, considere também:
A adubação é uma prática agrícola que tem o objetivo de repor os nutrientes e ajustar a fertilidade do solo. Isso vai atender as exigências nutricionais das espécies cultivadas.
Somente o manejo da adubação não é garantia de altas produtividades. Fatores como tipo de solo, clima, incidência de pragas e doenças têm influência direta nesse parâmetro.
No que se refere a adubação, não existe receita. Cada cenário deve ser avaliado individualmente, considerando fatores agronômicos, ambientais e econômicos. Na dúvida, consulte um(a) engenheiro(a) agrônomo(a).
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