Pragas no plantio da soja: Como controlar corós, percevejo-castanho-da-raiz, lagarta-rosca, lagarta elasmo e evitar prejuízos na lavoura

Vários fatores são ideais para o estabelecimento de uma cultura no campo..

Na lavoura de soja, algumas pragas ocorrem logo no plantio. E, se você não conhecê-las muito bem, pode ser pego de surpresa.

As quatro principais que atacam logo após a germinação são os corós, percevejo-castanho-da-raiz, lagarta-elasmo e lagarta-rosca. 

Por isso, conheça melhor esses e outros insetos e saiba quais seriam as melhores formas de combatê-los!

Principais pragas no plantio da soja 

Antes mesmo do plantio da soja, é importante que você reveja o histórico da sua área para entrar com o manejo adequado de controle de insetos e evitar danos de pragas que já estejam na área.

O ideal é fazer o Manejo Integrado de Pragas (MIP) durante todo o ciclo da cultura, inclusive no pré-plantio. 

Conhecendo o histórico da área, você saberá quais possíveis pragas poderá encontrar. E aí entra com o monitoramento da lavoura, que é muito importante no MIP. 

Você pode se questionar: não seria melhor já entrar com aplicações preventivas? Se o nível de controle da praga não for atingido, você utilizará produtos químicos sem necessidade e que podem te causar prejuízos.

Veja a seguir as quatro principais pragas que atacam a soja logo no plantio.

Corós 

Os corós são pragas de solo que causam danos no sistema radicular, desde a germinação da semente, ainda mais se for cultivo sob plantio direto. 

São besouros da família Melolonthidae,  da ordem Coleoptera. Existem diversas espécies diferentes que ocorrem em distintas regiões do Brasil.

As principais delas são dos gêneros Phyllophaga spp., Cyclocephala spp., Diloboderus spp. e Liogenys spp.

pragas no plantio da soja

Larva de coró-da-soja

(Fonte: Embrapa)

Os prejuízos são causados pelas larvas, que têm o corpo recurvado e esbranquiçado, e três pares de pernas torácicas. Podem chegar a até 4 cm de comprimento.

Elas têm o hábito de atacar o sistema radicular em reboleira e ficam sob o solo, em uma profundidade de cerca de 20 cm a 30 cm. 

Além disso, a fase larval pode chegar a 250 dias, comprometendo todo o ciclo da cultura da soja.

pragas no plantio da soja

Danos em soja causados por corós em reboleira 

(Fonte: Embrapa)

Controle de corós

As espécies de corós apresentam uma geração por ano e a fase larval ocorre no início da estação chuvosa, que coincide com o plantio da soja. 

Por isso, há a necessidade de fazer o monitoramento no pré-plantio para encontrar possíveis focos dessa praga da soja.

Caso encontre focos, o tratamento de sementes ou a aplicação de inseticidas no sulco de semeadura vai evitar que as larvas ataquem o sistema radicular na germinação. 

Para sistema de plantio convencional, o controle cultural com o uso de implementos para revolvimento do solo vai fazer com que as larvas fiquem expostas a inimigos naturais, além de temperatura e umidade desfavoráveis. 

Também é importante evitar semeaduras tardias, pois há maiores possibilidades de encontrar larvas em estágios mais avançados.

O manejo correto do solo vai aumentar a capacidade das plantas de suportar o ataque de corós. 

Pragas no plantio da soja: Percevejo-castanho-da-raiz

Como os corós, o percevejo-castanho-da-raiz é um inseto de hábito subterrâneo e pode causar danos iniciais no ciclo da soja. 

É uma praga da família Cydnidae, da ordem Hemiptera e a espécie mais comum na soja é a Scaptocoris castanea, embora Atarsocoris brachiariae também ocorra.

O adulto é marrom-claro, medindo cerca de 7 mm de comprimento. Já as ninfas são branco-amareladas e menores que os adultos. 

percevejo-castanho-da-raiz

Adultos de percevejo-castanho-da-raiz

(Fonte: Embrapa)

Tanto os adultos como as ninfas, ao se alimentarem, inserem o aparelho bucal sugador labial no tecido das raízes, injetam toxinas e sugam a seiva, o que reduz o crescimento das plantas, causa murcha e amarelecimento. 

Os danos também são observados em reboleira e são facilmente detectáveis pelo odor característico devido à emissão de feromônio, substância de comunicação da espécie.

Em períodos chuvosos e que a umidade está alta, os insetos ficam na camada mais superficial do solo. Em períodos mais secos, esses insetos ficam alocados em profundidades de 50 cm a 2 m. 

Controle de percevejo-castanho-da-raiz

Como essa é uma praga que tem hábito de se aprofundar no solo, seu monitoramento deve ser feito logo após o início das chuvas

O ideal é, antes de começar o plantio, realizar amostragens na área e observar se há a presença dos insetos. 

Se forem observados, pode-se entrar com controle cultural com aração (do tipo aiveca) para expor as larvas a condições adversas e revolver o solo. 

Também pode-se antecipar a época de semeadura, fazer tratamento de sementes e controle químico e biológico no sulco de semeadura. 

O controle biológico pode ser feito com o fungo entomopatogênico Metarhizium anisopliae, de maneira inundativa. 

Lagarta-rosca 

Essa praga tem esse nome comum porque, quando perturbada, se enrola ao redor de si mesma.

A espécie mais comum é Agrotis ipsilon, da família Noctuidae, que pertence à ordem Lepidoptera

Os adultos são mariposas de coloração parda ou marrom com envergadura das asas anteriores de cerca de 5 cm. Possuem hábito noturno e depositam seus ovos sobre a planta ou no solo próximo às plantas.

pragas no plantio da soja

Lagarta-rosca

(Fonte: TD Monsanto

As lagartas têm coloração variável, sendo a mais comum a pardo-acinzentada e podem chegar a 4,5 cm de comprimento. Também têm hábitos noturnos e durante o dia ficam abrigadas no solo. 

A lagarta-rosca causa danos iniciais, pois se alimenta das sementes recém-germinadas e da haste das plantas rente ao solo. 

Solo mais úmidos e maiores concentrações de matéria orgânica são bastante associados com infestações desta praga. 

Controle de lagarta-rosca

Assim como as pragas de solo, é ideal que se faça o monitoramento no pré-plantio.

Por ter hábito e preferência por ambientes com alta umidade e maiores concentrações de matéria orgânica, uma das primeiras formas de controle preventivo é a dessecação antecipada da cultura remanescente e plantas daninhas hospedeiras. 

O tratamento de sementes com inseticidas sistêmicos pode contribuir bastante para controlar as lagartas, principalmente por ter hábito noturno. 

Também é possível utilizar o controle químico com pulverizações nos sulcos de semeadura com os inseticidas sistêmicos. 

Pragas no plantio da soja: Lagarta-elasmo

A lagarta-elasmo ou broca-do-colo é outra praga que causa sérios danos no plantio da soja se não controlada.

A espécie é Elasmopalpus lignosellus da família Pyralidae, ordem Lepidoptera. 

Essa praga também é uma mariposa de hábito noturno, um pouco menor que a lagarta-rosca, com 2 a 3 cm de envergadura das asas anteriores. 

lagarta-elasmo

(Fonte: Bayer)

Ela prefere solos mais arenosos e necessita de um período de seca prolongado para se estabelecer na lavoura. 

Logo após a germinação da soja, as lagartas iniciam seu ataque, podendo causar tombamento e morte das plântulas em um curto espaço de tempo, pois têm alta mobilidade

As lagartas têm coloração inicial esverdeada, mas tornam-se mais amarronzadas conforme vão aumentando de tamanho (que pode chegar a 2 cm). 

Controle da lagarta-elasmo

Para o controle da lagarta-elasmo é muito aconselhado fazer o monitoramento e entrar com controle preventivo. O tratamento de sementes vai contribuir bastante.

O controle cultural também é importante, com o aumento da densidade de sementes e controle da umidade do solo.

E, por fim, o uso de biotecnologia, com o uso da soja transgênica com tecnologia Bt (Bacillus thuringiensis).

Além da lagarta-elasmo, a tecnologia ainda vai controlar outras pragas da fase vegetativa como lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis),  falsa-medideira (Chrysodeixis includens) e lagarta-das-maçãs (Chloridea virescens).

Conclusão 

Vimos neste artigo as quatro principais pragas que podem causar danos no momento do plantio da soja: corós, percevejos-castanhos-da-raiz, lagarta-rosca e lagarta-elasmo.

Para todas elas é muito importante fazer o Manejo Integrado de Pragas (MIP).

Fazer o monitoramento vai evitar gastos desnecessários com insumos.

Cada praga tem sua peculiaridade, mas, caso necessário, o tratamento de sementes vai contribuir muito para seus controles. 

Espero que, com esses cuidados, você tenha um bom plantio de soja! 

>> Leia mais: “Como acabar com as lagartas da lavoura com estas 5 dicas

>> Leia mais: “Lagartas na soja: Como identificar e controlar

>> Leia mais: “Como fazer o MIP da soja?

Referências 

Oliveira et. al em Visão Agrícola

Monsoy 

Gallo, Domingos, Octávio Nakano, Sinval Silveira Neto, Ricardo PL Carvalho, Gilberto Casadei de Baptista, Evoneo Berti Filho, José Roberto Postali Parra et al. “Entomologia agrícola.” (2002).

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