O futuro de defensivos agrícolas: as novas tecnologias que veremos no campo

Conheça agora as soluções para o uso de defensivos agrícolas e fertilizantes: nova forma de pulverização, repelente para plantas e outras tecnologias que já estamos utilizando ou veremos em breve no campo.

Todos os dias temos notícias de novas tecnologias: celulares mais rápidos, carros mais potentes, computadores melhore, e por aí vai.

Com a agricultura não é diferente, novas e promissoras tecnologias vêm surgindo para melhorar a produção agrícola.

E não tem nada de modismo.

Assim como o celular entrou no nosso dia a dia, muitas dessas tecnologias farão parte do nosso cotidiano com o objetivo de facilitar as atividades.

Assim, separei aqui 4 novas tecnologias de uso de agrotóxicos, sendo que algumas já estão sendo implantadas com sucesso. Confira:

1.Uma nova solução para pulverização de defensivos agrícolas e fertilizantes

Ao aplicar os defensivos agrícolas e fertilizantes  na lavoura, o tamanho das gotas faz uma grande diferença.

Gotas maiores atingem seus alvos com maior precisão mas com menor cobertura. Já gotas pequenas dão maior cobertura, mas são mais propensas à deriva.

Pensando nisso, uma equipe de pesquisadores do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) encontrou uma maneira de equilibrar essas propriedades.

Ou seja, os pesquisadores acreditam ter encontrado uma maneira para que as pulverizações produzam gotas que não sofram tanto com deriva, mas que tenham boa cobertura do alvo.

Para isso, a equipe usou uma malha com pequenos furos entre o jato de defensivo e o alvo. Isso divide as gotas em um milésimo do seu tamanho.

Muitos tipos de materiais funcionam como essa barreira entre o jato e o alvo. O que importa é o tamanho das aberturas na malha e a espessura do material.

Para esse estudo em questão, os pesquisadores utilizaram uma malha de aço inoxidável comumente disponível.

As fotos abaixo ilustram como são produzidas as minúsculas gotas ao encontrar essa malha.

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As gotas menores na imagem à direita têm pouco efeito sobre a planta, enquanto as pequenas gotas à esquerda, produzidas ao encontrar a malha, atingem melhor as folhas

(Fonte: The Varanasi Research Group e MIT em Science Daily)

Essa malha ainda impede que as plantas sejam atingidas pelas gotas maiores de chuva, lavando os defensivos químicos das folhas.

Para a implantação da malha sobre a cultura é necessário que a mesma seja apoiada na planta ou em uma estrutura.

Assim, o produtor pode simplesmente usar um pulverizador convencional que produz gotas grandes e que, portanto, não sofrem deriva.

Então, as gotas são quebradas pela malha em gotículas finas, o que aumenta muito as chances de “grudar” em todo alvo.

É claro que na agricultura extensiva esse uso fica mais complicado. Porém, alguns agricultores já cobrem algumas pequenas culturas como forma de proteção contra pássaros e insetos.

> Como otimizar sua lavoura com pulverizador autopropelido

2. Defensivo agrícola que é repelente para plantas contra insetos

Pesquisadores da Universidade Técnica de Munique (TUM) desenvolveram um agente biodegradável que evita ataque de pragas à lavoura, mas sem envenená-las.

Você pode notar que o princípio é o mesmo do repelente de mosquitos que usamos comumente: apenas manter os insetos longe.

Os pesquisadores de Munique se inspiraram na planta de tabaco, que produz o cembratrienol (CBTol) em suas folhas para se proteger de pragas.

Assim, eles começaram a produzir biotecnologicamente essa substância.

Para isso, os cientistas isolaram as seções do genoma da planta do tabaco responsáveis ​​pela formação das moléculas de CBTol.

Depois, eles adicionaram essas seções no genoma da bactéria, fazendo com que elas produzam o ingrediente ativo CBTol.

Investigações iniciais indicam que o produto não é tóxico para todos os insetos, mas protege contra os pulgões.

Além disso, como ele é biodegradável, não se acumula no meio ambiente.

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Os pulgões evitam as plantas de trigo tratadas com  CBTol (direita) em relação com as plantas sem nenhum tipo de aplicação (esquerda)

(Fonte: Technical University of Munich (TUM) em Science Daily)

A substância ainda tem efeito antibacteriano nas bactérias gram-positivas. Isso significa que ela pode age especificamente contra alguns patógenos humanos, como Staphylococcus aureus, Streptococcus pneumoniae e Listeria monocytogenes.

A equipe ainda ressalta que essa nova abordagem abre as portas para uma mudança fundamental na proteção de cultivos.

Mas não foram só os pesquisadores de Munique que encontram uma solução mais sustentável para as pragas, como você pode ver a seguir:

> Veja como escolher o adjuvante agrícola e melhorar o seu manejo

> 6 dicas de compra de defensivos agrícolas para potencializar o manejo da sua lavoura

3. Abelhas que transportam defensivos agrícolas naturais

A empresa canadense Bee Vectoring Technology (BVT) desenvolveu um sistema em que as abelhas são quem transportam os defensivos agrícolas para as lavouras.

As abelhas criadas comercialmente entram em uma caixa, chamada de dispensador. Elas saem na outra ponta do dispensador prontas para levar o defensivo para campo.

Dentro da caixa elas passam por um material em pó especialmente formulado contendo material natural que adere às abelhas, permitindo o transporte de ingredientes ativos.

Assim, quando as abelhas pousam em flores para coletar néctar e pólen, elas deixam uma camada de defensivos para proteger a planta e/ou a futura fruta.

O grande “pulo do gato” nesse caso foi a produção desse pó que gruda nas abelhas e que, ao mesmo tempo, permite a mistura com ingredientes ativos.

soluções para o uso de defensivos agrícolas e fertilizantes

(Fonte: Bee Vectoring em New Scientist)

Segundo a empresa, o produto atende algumas culturas, como girassol, canola, tomate, pera, maçã e outras.

O pó pode conter uma variedade de substâncias, desde que não prejudiquem as abelhas. Por isso, a empresa trabalha especialmente com os defensivos naturais que você confere a seguir:

Beauveria bassiana

Usado para controlar uma variedade de insetos-praga, o Beauveria bassiana pode ajudar as plantas a combater cupins, tripes, moscas brancas, pulgões e diferentes besouros.

Estreptomicina

Utilizada para combater o crescimento de doenças bacterianas e fúngicas de certas frutas, vegetais e sementes. A estreptomicina é especialmente útil para o controle de doenças em algumas culturas.

Bacillus thuringiensis

As proteínas inseticidas cristalinas produzidas pelo Bacillus thuringiensis são usadas para controlar pragas de insetos em plantas.

4. Defensivos agrícolas: manejo e custos baseado em dados

Você nunca lembra ao certo quais foram as aplicações da última safra? Especialmente as doses e a mistura de produtos utilizada? E sobre a quantidade de uso de fertilizantes?

Ou sempre fica na dúvida se aquele produto mais caro realmente valeu a pena e qual foi seu custo por hectare.

Todas essas informações você pode ter em um caderno ou planilha atualizada e com todas as informações da safra de maneira organizada.

O problema é que a rotina pesada da lida da fazenda, juntamente com as inúmeras informações do campo tornam isso quase impossível.

>> 5 dicas infalíveis para uma aplicação de defensivos agrícolas mais eficaz

>> Como fazer controle de estoque de defensivos agrícolas em 5 passos

Com o software agrícola Aegro, você consegue ter todas essas informações de forma mais rápida e automatizada.

Sem falar nos gráficos e relatórios que te ajudam a visualizar como está tudo, tornando as tomadas de decisões muito mais seguras e assertivas.

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Você também tem seus custos, total e por hectare, baseado em todos os dados da lavoura, conhecendo seu custo real de produção.

Além disso, o Aegro ainda permite a importação automática da nota fiscal, o monitoramento de pragas georreferenciado e muitos outras atividades para colaborar com seu dia a dia.

Saiba mais sobre o Aegro falando com um de nossos consultores aqui.

Conclusão

Vimos aqui algumas soluções para o uso de defensivos agrícolas e fertilizantes.

Novas tecnologias envolvendo os defensivos agrícolas podem até parecer distantes da nossa realidade.

No entanto, cada vez mais vamos ver essas tecnologias em campo com o intuito de facilitar e automatizar as atividades.

Com tudo isso nós poderemos ficar menos tempo em trabalhos mecânicos, e focar no que mais importa, como em manejos e estratégias mais eficientes de produção.

Assim, cabe a você se atentar e avaliar quais são as tecnologias que mais podem te ajudar hoje, colocando seu foco e tempo no que mais interessa!

Leia mais:

>> Armazenagem de defensivos agrícolas: como fazer e o que é preciso saber

>> 8 perguntas para fazer ao seu consultor sobre defensivos agrícolas

>> [Infográfico] Defensivos agrícolas genéricos ou de marca: a batalha definitiva do que usar na sua propriedade

>> Tudo o que você precisa saber sobre resistências a defensivos agrícolas

Gostou do texto? Conhece outras tecnologias inovadoras de defensivos agrícolas? Restou alguma dúvida? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Fertilidade do solo: um caminho para alcançar altas produtividades

Fertilidade do solo: veja como traçar um plano para alcançar altas produtividades e entenda todos os aspectos que tornam um solo fértil

A fertilidade do solo é essencial à produção agrícola. Isso especialmente em um cenário em que as estimativas apontam para recordes recorrentes de safra, consolidando o Brasil como principal produtor do mundo.

Por outro lado, dados da ONU apontam que cerca de 40% dos solos no mundo todo já se encontram em algum grau de degradação. Por isso, potencializar os resultados produtivos, melhorar a fertilidade do solo e manejar sua conservação são ações indispensáveis. 

Neste artigo, você verá como o planejamento e manejo simples e eficazes podem melhorar a fertilidade do seu solo. Confira! 

Fertilidade do solo é sinônimo de produtividade?

Muitas vezes, a fertilidade do solo é considerada sinônimo de produtividade. Ainda, considera-se que a produtividade seria o meio mais adequado para medir a fertilidade.

Essa relação nem de longe pode ser considerada verdadeira. Além de serem conceitos diferentes, a produtividade não é a única medida para avaliar a fertilidade do solo.

Por exemplo, considere duas safras de milho, onde o comportamento da primeira e segunda safra são diferentes. Tudo isso em uma mesma área de produção. 

É comum que na 1ª safra a produção da cultura seja superior que na 2ª safra. Esse fato não tem relação com produtividade, mas envolve diversos outros fatores como distribuição de chuvas, temperaturas, disponibilidade de radiação solar e outros.

Até aqui fica claro que diversos fatores influenciam na produtividade das culturas, que vão muito além da fertilidade. Mas é preciso lembrar que isso não quer dizer, em hipótese alguma, que a fertilidade do solo não seja um atributo importante

Pelo contrário: embora um solo com alta fertilidade nem sempre seja altamente produtivo, uma área de altas produtividades necessariamente terá um solo fértil. A fertilidade é um dos fatores mais importantes para uma cultura expressar o seu máximo potencial produtivo.

O que é fertilidade do solo?

A fertilidade é a capacidade do solo de fornecer elementos essenciais às plantas (macro e micronutrientes principalmente). Para que as culturas expressem seu potencial produtivo, essa condição deve ser mantida durante o ciclo de desenvolvimento da cultura.

Os macronutrientes considerados essenciais e principais para as plantas, requeridos em maior quantidade, incluem: 

Já os micronutrientes importantes em funções do metabolismo das plantas (requeridos em menores quantidades) incluem:

  • boro;
  • zinco;
  • cobre; 
  • ferro;
  • molibdênio;
  • cloro;
  • manganês.

Existem ainda aqueles considerados benéficos às plantas, embora não essenciais ao desenvolvimento delas. São exemplos o selênio, silício, cobalto, sódio, alumínio, vanádio e níquel. 

Esses elementos podem atuar estimulando o crescimento das culturas. Eles também podem as prejudicar, a depender do teor presente no solo. Esse é o caso do alumínio, que em excesso é tóxico às plantas.

A fertilidade de um solo está muito além da disponibilidade de alguns desses nutrientes. Ela está relacionada ao equilíbrio entre eles, para não ocorrerem interferências na absorção de um ou de outro, prejudicando consequentemente a produtividade das culturas.

Como traçar um plano para melhorar a fertilidade do solo e alcançar altas produtividades?

A produtividade é baseada em uma relação entre fatores relacionados à planta, ao clima vigente, ao manejo do solo dado antes, durante e após o cultivo. Ela também é baseada nas próprias características do solo.

Na figura a seguir, por exemplo, é possível visualizar as lacunas de produtividade limitadas por diferentes fatores. Isso sejam eles relacionados à precipitação, como o estresse hídrico até a limitação por fertilidade, pragas, doenças e plantas daninhas.

Figura que ilustra o potencial produtivo das culturas, e as possíveis interferências que podem limitar que a cultura atinja esse potencial, denominadas lacunas de produtividade 
(Fonte: Richter, 2021)

Porém, é importante ficar claro que o manejo da fertilidade do solo pode fortalecer a cultura reduzindo o impacto de fatores de estresse, sendo portanto, indispensável. Existem três componentes principais da fertilidade do solo:

  • físicos: textura, densidade, resistência a penetração, estrutura, profundidade de enraizamento, capacidade de armazenamento de água, dentre outros; 
  • químicos: pH, teor de nutrientes, matéria orgânica, carbono, CTC do solo, soma de bases, entre outros;
  • biológicos: como relação carbono e nitrogênio da comunidade microbiana, taxa de respiração, entre outros.

O nível de fertilidade resulta das características naturais do solo e das interações que ocorrem entre esses três componentes. A maioria das características que contribuem para a fertilidade do solo dependem das partículas do solo.

O que ocorre na área agrícola interfere nas características do solo e alteram sua fertilidade. Por exemplo, sabemos que os solos brasileiros são ácidos, mas podemos modificar e resolver essa limitação pela calagem

No entanto, algumas modificações no solo podem levar à degradação. Veja como isso acontece a seguir.

Manejo inadequado da área pode levar à degradação dos solos

O uso contínuo de fertilizantes, inseticidas, fungicidas, herbicidas e um manejo de solo inadequado pode perturbar o equilíbrio do solo. Consequentemente, afetam sua produtividade e fertilidade. 

Estudos revelam que um manejo conservacionista com cobertura de solo mantém a umidade e ciclagem de nutrientes. Isso aumenta a fertilidade.

Desse modo, conhecendo o seu sistema de produção você pode tomar algumas medidas para melhorar a fertilidade do solo e, possivelmente, sua produtividade. É por isso que a fertilidade deve fazer parte do seu planejamento para alcançar altas produtividades.

Como começar esse planejamento? É isso que veremos a seguir:

Elabore seu planejamento de fertilidade do solo para altas produtividades em 5 passos

Como já vimos aqui, um solo fértil conterá todos os nutrientes principais para nutrição básica das plantas. No entanto, muitos solos, especialmente os brasileiros, não possuem níveis adequados de todos os nutrientes ou condições de matéria orgânica.

Uma gestão integrada da fertilidade do solo maximiza a eficiência do uso agronômico de nutrientes e melhora a produtividade das culturas. O planejamento resulta em diversos benefícios, pois geralmente é realizado baseado na análise de:

  • histórico da área;
  • das aplicações de fertilizantes;
  • tipo de solo;
  • relevo predominantes;
  • características dos talhões.

Com um planejamento é possível, inclusive, reduzir os custos. Afinal, a tendência é que os insumos, especialmente fertilizantes, sejam utilizados de forma estratégica no sistema, sem prejudicar as culturas, e tão pouco o sistema produtivo.  

(Fonte: Traduzido e adaptado de G-Source)

1.  Planejamento da necessidade de fertilizantes

Essa parte está diretamente relacionada à sua cultura, já que cada uma tem uma necessidade diferente de nutrientes para o desenvolvimento. Por isso, o planejamento é fundamental para bons resultados produtivos. 

Nele, o ideal é que você realize uma análise de solo da sua área, que pode ser baseada em diferentes estratégias. Contar com o auxílio de um profissional é importante, pois ele poderá realizar todas as interpretações e recomendar as doses necessárias.

O Aegro é seu parceiro para ajudar no planejamento e garantir o controle dos fertilizantes utilizados. Utilize a função planejamento para organizar suas atividades e insira as atividades realizadas.

Assim, você consegue acompanhar o progresso das atividades e visualizar o que já foi gasto.

Utilize o Aegro para planejar e registrar suas atividades 

Registre todos os passos e gastos realizados para identificar qual foi seu melhor manejo, analisar custos e identificar oportunidades de economia para melhorar a eficiência da sua operação, reduzindo custos e aumentando a atividade.

Com o Aegro você consegue ver de modo muito mais fácil e ágil todos os custos orçados e realizados

2. Conheça qual o tipo de solo da sua lavoura

Diferentes tipos de solo necessitam manejo distintos. Por isso, entender quais os tipos de solo da sua lavoura é uma etapa tão fundamental quanto o planejamento. Por exemplo, solos arenosos são mais passíveis de lavagem de nutrientes pelas chuvas. 

Desse modo, uma estratégia para otimizar as adubações é o parcelamento das aplicações de fertilizantes. Para saber seu tipo de solo, além da observação em campo, é interessante coletar amostras do solo e fazer uma análise física. 

3. Faça análise química de solo 

Para entender quais os nutrientes que são necessários na sua lavoura para a produção satisfatória é indispensável que a análise química do solo seja realizada. Também é fundamental procurar bem o melhor laboratório para análise de solo.

Se utilizar adubos orgânicos, realize a análise dos mesmos. Só dessa maneira você saberá o quanto de nutrientes aplicou e o que precisa ser complementado por fertilizantes naturais.

4. Proteja o seu solo

A prova de que proteger o solo é fundamental para a fertilidade do mesmo é o Cerrado brasileiro. Se antes os solos dessa região eram considerados de baixa produtividade, hoje são os mais produtivos do mundo, graças às tecnologias desenvolvidas.

O manejo conservacionista do solo, especialmente o plantio direto e a calagem, foram um dos fatores responsáveis para que isso se tornasse realidade.

(Fonte: adaptado de Embrapa e Resck et al.)

O que deixa o solo fértil?

Como vimos, diversos fatores podem interferir na fertilidade do solo. Dentre eles, os principais são a disponibilidade de água, os nutrientes essenciais, o equilíbrio do pH, a taxa de erosão e a calagem. A seguir, entenda cada um deles:

Nutrientes essenciais 

Os nutrientes requeridos são calculados baseados nas necessidades da área de cultivo. 

Doses acima ou abaixo do recomendado  causam desequilíbrio entre os elementos disponíveis no solo. Isso pode causar dificuldade da planta em absorver algum nutriente, e até mesmo a sua incapacidade. 

Na figura abaixo é possível observar a interação entre diferentes nutrientes. As setas apontadas para baixo sinalizam que o nutriente à esquerda reduz a absorção do nutriente na parte superior da tabela.

(Fonte: Malavolta, 1987)

Equilíbrio do PH

Em faixas abaixo ou acima do pH considerado ideal para as culturas, há interferências significativas na absorção de macro e micronutrientes essenciais. Em faixas de pH próximas de 5 e abaixo disso, o pH é considerado ácido. 

Assim, ocorrem reduções significativas na disponibilidade de potássio, cálcio, magnésio e fósforo. Isso aumenta, por outro lado, a disponibilidade de alumínio (elemento tóxico às plantas quando em excesso). 

Em pH neutro, por outro lado, também ocorrem interferências negativas na disponibilidade de nutrientes. Por isso, a calagem deve ser aplicada na dose recomendada baseada em uma análise de solo.

Disponibilidade de nutrientes em relação ao pH do solo
(Fonte: Bini, 2016)

Calagem

Especialmente nos solos brasileiros, que são naturalmente ácidos naturalmente, é essencial a prática de calagem. Mas para que essa prática seja eficiente e sem desperdícios, você precisa ter em mãos sua análise de solo e fazer os cálculos de calagem corretamente.

Taxa de erosão

O método utilizado para o preparo do solo é um fator importante, porque ele afeta o manejo das culturas, a fertilidade do solo e a nutrição das plantas. O preparo convencional do solo acelera a decomposição da matéria orgânica e a falta de cobertura de solo facilita a erosão.

Ao adicionar culturas de cobertura de solo, você minimiza as perdas da lavoura e maximiza os benefícios a longo prazo, especialmente a sua saúde. O cultivo de culturas diferentes daquelas utilizadas como principais (como soja e milho), é uma prática benéfica. 

Além de auxiliar na saúde do solo, ela também quebra o ciclo de pragas e doenças que limitam a produtividade. Esse cultivo também cria macro e microporos. Isso ajuda na aeração, retenção de água e maior exploração das raízes no solo.

A cobertura, com os restos vegetais dessa cultura, protege o solo da erosão, da perda de água e de temperaturas extremas. Além disso, há aumento da atividade animal no solo, resultando em solo mais saudável, aumentando a sua fertilidade.

Essas práticas podem resultar em ganhos de produtividade consideráveis.

Adubação verde

A fertilidade do solo pode ser ainda melhorada pela incorporação de culturas ao solo, a chamada adubação verde. Essa prática adiciona matéria vegetal ao solo, levando a ciclagem de nutrientes e aumento dos níveis dos mesmos.

Em geral, os benefícios da adubação verde são similares aos das culturas de cobertura. A diferença é que aqui o foco é na ciclagem de nutrientes, e não há cobertura do solo.

Assim, a adubação verde promove um solo saudável e fértil. Ela repõe e minimiza as perdas que ocorrem através da absorção de plantas e outros processos.

Disponibilidade de água

O cultivo de outras espécies no seu sistema de produção produz espaços entre as partículas de solo, que possibilitam a infiltração de água. Além disso, como os microrganismos do solo digerem o material vegetal, especialmente leguminosas. 

Alguns deles, como os polissacarídeos, funcionam como uma cola entre as partículas do solo. Assim, esses açúcares complexos cimentam pequenas partículas de solo em aglomerados ou agregados, melhorando a estrutura do solo.

No entanto, esses açúcares se decompõem em questão de meses, mas o efeito de agregação pode se renovar toda vez que faz cultura de cobertura. As espécies de grama também promovem boa agregação, mas por um mecanismo diferente.

Essas raízes fibrosas das gramíneas podem liberar compostos que ajudam a agregar o solo entre as raízes. Essa maior estrutura do solo permite melhor aeração, retenção de água e exploração do solo pelas raízes. Consequentemente, há maior fertilidade do solo.

Matéria orgânica do solo

Leguminosas são ricas em proteínas e açúcares, liberando assim nutrientes rapidamente. No entanto, resultam em pouca matéria orgânica a longo prazo. Por outro lado, as gramíneas são mais fibrosas e liberam nutrientes muito mais lentamente. 

Por isso, elas promovem matéria orgânica mais estável a longo prazo, aumentando a capacidade de retenção de nutrientes e maior CTC do solo. Alternar culturas que possuem diferentes características para incremento da matéria orgânica é outra boa estratégia.

É importante  ressaltar que a matéria orgânica se acumula muito lentamente no solo. Por isso, o manejo deve ser constante. Um solo com 3% de matéria orgânica só pode aumentar para 4% após uma década ou mais de construção de solo.

Os benefícios do aumento da matéria orgânica provavelmente serão aparentes antes do aumento das quantidades serem detectáveis.

Banner da planilha de calagem

Conclusão

A fertilidade do solo nem sempre é sinônimo de alta produtividade, mas deve fazer parte de um plano para atingi-la.

Algumas medidas devem ser tomadas, como realização periódica de análises de solo, cálculos de recomendação, utilização de plantas de cobertura, adubação verde e outros.

Lembre-se que tudo isso deve ser muito bem planejado e orçado para não haver custos em excesso. Para isso, conte com a ajuda de especialistas da agronomia e de gestão.

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