About Bruna Rohrig

Sou agrônoma pela Universidade Federal da Fronteira Sul, mestra em fitossanidade pela Universidade Federal de Pelotas e doutoranda em fitotecnia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul na área de pós-colheita e sanidade vegetal. Tenho experiência em fitopatologia, controle de doenças de plantas e pós-colheita de grãos e sementes.

Fusariose no café: O que é e como controlar?

Fusariose no café: conheça os sintomas, as causas e as alternativas de controle desta doença que causa a morte das plantas.

O cultivo do café no Brasil tem valor histórico e cultural. No século XIX e início do século XX, foi o principal produto da economia do país, se beneficiando da mão de obra escrava existente na época.

Naquela época, o cultivo era concentrado em grandes latifúndios e a produção, voltada para exportação. 

Atualmente, embora outras espécies tenham grande importância no país, o Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo!

Porém, a variedade de climas do país expõe as plantas a condições climáticas e isso é favorável à ocorrência de doenças, dentre as quais a fusariose tem destaque. 

Como uma planta de café pode dar frutos por até 25 anos, é necessário ter conhecimento e controle constante do cultivo para prevenir doenças e garantir sua longevidade. 

Para que você seja capaz de controlar e evitar prejuízo nos cultivos de café, vamos falar tudo sobre uma de suas principais doenças, a fusariose.

O que é a fusariose?

A fusariose é uma doença que ataca as plantas de café e é causada por fungos do gênero Fusarium, de diferentes espécies. Esses fungos vivem no solo e, normalmente, entram na planta através de ferimentos.

Os produtores identificam a fusariose como “amarelão do cafeeiro”. No entanto, não é a única doença que causa o amarelecimento das plantas. Portanto, é importante conhecer os sintomas que caracterizam a fusariose:

  • Amarelecimento do topo da planta;
  • Desfolha de cima para baixo;
  • Murcha;
  • Paralisação do crescimento;
  • Morte do topo da planta;
  • Ramos secos;
  • Perda das folhas da planta até a seca prematura dos frutos;
  • Estrangulamento do ramo, que perde a casca e fica com cor escura; e
  • Podridão seca do caule, logo abaixo do colo.
Imagem de uma muda de café com sintoma de amarelecimento à esquerda, e à direita o caule de uma planta adulta com sintoma de escurecimento
(Fonte: José Roberto Vieira Junior, 2015)

Essas manchas escuras encontradas no caule cortado são características da fusariose. 

O escurecimento do caule ocorre pois o fungo “entope” os vasos de condução da planta, e a seiva, fundamental para o desenvolvimento e produtividade do cultivo, acaba sendo impedida de circular para a parte aérea, resultando no enfraquecimento, amarelecimento e morte da planta.

Como mencionado, é fácil confundir a fusariose com outras doenças de solo, como a Rhizoctoniose e a Roseliniose. No entanto, apenas a fusariose apresenta o sintoma de podridão seca do caule.

Além disso, a fusariose normalmente se manifesta em cafezais mais antigos, em plantas com idade superior a 10 anos.

Como vimos, a fusariose compromete a planta de café, podendo causar a sua morte! Vamos entender melhor quais são as causas da fusariose, assim poderemos usar estratégias para evitar o surgimento da doença nos cafezais!

Planilha de manejo integrado de pragas

Quais são as causas da fusariose?

Existem condições climáticas que são favoráveis para a ocorrência da fusariose. Solos encharcados e solos ácidos são preferidos pelos fungos que causam a doença. 

No entanto, existem três fatores que aparentam estar relacionados com a incidência da doença:

  1. Idades dos cafeeiros: é comum observar problemas com fusariose em cafezais mais velhos, pois os produtores realizam diversos tipos de poda, como recepa ou decote, a fim de renovar sua estrutura vegetativa;
  2. Podas frequentes: esta maior incidência pode ser explicada pois a poda causa um ferimento na planta, por onde o fungo tem a chance de entrar no seu interior, mas também pode ser devido ao uso de ferramentas de poda contaminadas, ou seja, se o produtor podar uma planta contaminada e não fizer a limpeza dessa ferramenta antes de continuar o manejo, estará levando para a próxima planta, espalhando a doença no cafezal;
  3. Colheita mecânica: esse fator também tem relação com a maior causa de ferimentos na planta, possibilitando a entrada do fungo que causa a doença.

Como percebemos, a fusariose se espalha com facilidade através de práticas de manejo comuns, como a poda. Portanto, é fundamental ficar atento para o surgimento dos sintomas desde o início, para evitar contaminação do cafezal.

Agora, no caso de identificarmos a doença no cafezal, precisamos saber como tratar ela. Vejamos no próximo tópico estratégias para prevenir e controlar a fusariose.

Como manejar a fusariose no cafezal

Atualmente, não existem fungicidas registrados para a fusariose no café. Portanto, uma série de estratégias de manejo preventivo e controle cultural devem ser realizadas.

Preventivamente, é recomendado a utilização de variedades resistentes, como o clone de café Conilon A1. Por ser uma doença pouco comum no Brasil, ainda não foram desenvolvidas muitas variedades resistentes.

Para o plantio de novas áreas, é importante a aquisição de mudas sadias, provenientes de fontes confiáveis. Além disso, deve-se evitar o plantio em locais onde há indícios de encharcamento ou onde houve mortalidade de plantas de café anteriormente.

Conforme verificamos, a maior incidência da fusariose se dá em função de algum ferimento causado às plantas. Portanto, as principais estratégias de prevenção devem se concentrar em impedir a entrada dos fungos. Vejamos a seguir alguns cuidados fundamentais:

  • Realizar o tratamento com fungicidas dos tocos ou locais de ferimento após a poda. Um fungicida que pode ser utilizado nesta prática é a pasta bordalesa;
  • Evitar a contaminação entre as plantas pelas ferramentas de poda contaminadas, realizando a desinfecção das ferramentas com álcool ou hipoclorito de sódio antes de utilizá-las na próxima planta;
  • Ao observar plantas com sintomas de fusariose, deve-se eliminar o quanto antes as plantas doentes, para que estas não sirvam de fonte de contaminação para as demais;
  • Realizar a queima dos restos de poda ou de plantas com sintomas antes de enterrá-los.

Uma prática que tem mostrado certa eficiência, ainda no estádio inicial, quando a doença atinge apenas a parte alta das plantas, é o corte do tronco (decote) um pouco abaixo da área mais atingida, eliminando o entupimento ali existente.

Conclusão

A fusariose é uma doença do café recente e que afeta, principalmente, os cafezais mais antigos. Ela é causada por um fungo de solo que penetra na planta através de ferimentos.

As plantas atacadas começam a apresentar a ponta amarelada, em seguida murcham, secam e morrem, podendo ocorrer em algumas hastes ou em toda a planta. Isso ocorre pois o fungo entope os vasos junto ao caule ou hastes, impedindo a circulação da seiva.

Não havendo fungicidas eficientes, é necessário utilizar medidas de controle preventivas, bem como ser cuidadoso nas práticas do dia-a-dia, realizando monitoramento do surgimento de plantas com sintomas, e eliminação dessas plantas.

No entanto, o principal cuidado está no tratamento das ferramentas e das plantas no momento da realização das podas, para que os ferimentos resultantes não permitam a entrada do fungo na planta.

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Brusone no trigo: o que é e como controlar

Brusone no trigo: entenda como o fungo se comporta e quais estratégias de manejo são recomendadas para evitar perdas, principalmente em anos de El Niño.

A brusone é uma doença que geralmente afeta cereais de inverno, como trigo, cevada, centeio e triticale, cultivados em regiões consideradas de temperaturas mais elevadas durante o inverno (quando comparadas ao Rio Grande do Sul, por exemplo).

Essa doença pode reduzir significativamente o peso da espiga. Dados apontam que a redução pode ser de até 74%, refletindo em baixa produtividade do trigo. 

Além disso, a brusone pode reduzir a qualidade do cereal colhido (grãos chochos, deformados e de baixo peso), impactando diretamente o preço de comercialização pago aos produtores (em função da redução do peso do hectolitro, conhecido como PH).

Sendo uma doença que causa maiores danos no período reprodutivo, e podendo ser facilmente confundida com a giberela, é fundamental que produtores e técnicos tenham pleno conhecimento sobre as especificidades de cada doença.

Um fator adicional é que, em anos com maior volume de chuvas, como aqueles com ocorrência do fenômeno El Niño, a ocorrência da doença é mais intensa, exigindo atenção redobrada.

Por isso, este artigo sobre brusone do trigo vai abordar o que é essa doença, qual é o seu agente causal, a diferença entre brusone e giberela na cultura do trigo quanto aos sintomas e condições favoráveis, além de quais são as boas práticas de controle da doença. Boa leitura!

O que é brusone do trigo?

A brusone no trigo é uma doença causada pelo fungo Pyricularia oryzae, o qual também pode ser encontrado na literatura e no campo como Magnaporthe oryzae, quando em estádio perfeito, fruto da reprodução sexuada do patógeno.

O primeiro relato mundial da doença foi realizado no Brasil, na década de 1980, em campos de produção de trigo, localizados na região Norte do Estado do Paraná. A partir de então, foi se espalhando nas diferentes regiões produtoras do país e do mundo.

Atualmente, a doença já foi relatada em campos de produção de trigo nos Estados do Mato Grosso do Sul, São Paulo, Goiás, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e em países da América do Sul, próximos ao Brasil.

O que causa a brusone no trigo?

Como vimos, o que causa a brusone no trigo é um fungo, que pode ser encontrado sob duas formas, a depender de como a sua reprodução ocorreu. Vale ressaltar que a fase sexuada, ou perfeita é a que possui maior variabilidade genética (maior troca de material genético entre populações do fungo).

Embora a brusone seja uma doença que afeta diversas partes da planta, incluindo órgãos aéreos como folhas, colmos e espigas, ela é considerada uma doença de espiga, ou seja, os danos mais significativos ocorrem no estádio reprodutivo da cultura do trigo. 

É uma doença comum de regiões que cultivam cereais de inverno, no entanto, que não possuem a ocorrência de temperaturas tão amenas, como é o caso do norte do Paraná, São Paulo e regiões de cultivo localizadas no Centro-Oeste do Brasil.

Dessa forma, a ocorrência é mais comum em regiões com temperaturas acima de 20ºC, associada a alta umidade relativa do ar. Para o sucesso da infecção fúngica nas lavouras, é necessário pelo menos 10 horas de molhamento foliar.

Sintomas da brusone do trigo

Os sintomas podem ocorrer em todas as partes aéreas da planta e incluem:

  • descoloração das espigas, caracterizado pelo seu branqueamento em função da penetração do fungo. A descoloração ocorre a partir do ponto de infeção, dessa maneira, pode afetar toda a espigueta;
  • podem surgir lesões em plântulas, folhas, folhas bandeira e em espigas, geralmente entre cinco e sete dias após a inoculação do patógeno, de formato ovalado a elípticas, podendo apresentar bordas escurecidas e centro cinza;
  • pequenas lesões sem centro definido, de coloração marrom a marrom-escura também podem ser visualizadas, especialmente no início do desenvolvimento dos sintomas, ou a depender do nível de suscetibilidade da cultivar utilizada;

No entanto, é importante manter-se atento, uma vez que os sintomas observados podem ser confundidos com os provocados pelo fungo causador da giberela. 

A importância da distinção entre as duas doenças se dá pelo fato que o controle recomendado pode ser diferente, requerendo fungicidas específicos para cada uma das delas. 

Qual a diferença entre giberela e brusone?

Essa pergunta é frequente entre produtores de trigo e técnicos. A diferença principal entre as doenças está para além das condições climáticas necessárias. 

Os sintomas, embora possam parecer semelhantes, são diferentes.

Para a brusone, como vimos, a descoloração da espigueta ocorre a partir do ponto de infecção. Logo, poderemos visualizar o branqueamento parcial (de metade da espigueta), ou total, sem que haja pontos verdes entre as porções esbranquiçadas.

Já para a giberela, além dos sintomas iniciais caracterizados pelo desvio das aristas do sentido (artistas “descabeladas”), as lesões esbranquiçadas podem ser visualizadas em diferentes pontos da espigueta, podendo portanto, haver transição entre tecido descolorado e tecido verde.

O que é giberela do trigo?

A giberela do trigo é uma doença causada por outro fungo conhecido da cultura e considerado, de forma conjunta a brusone, como as principais doenças do cereal de inverno.

Também conhecida como fusariose, é causada pelo fungo denominado Gibberella zeae, que possui como fase anamorfa ou decorrente da reprodução assexuada como Fusarium graminearum.

Diferenças entre as condições climáticas favoráveis para a ocorrência da brusone e da giberela do trigo

Enquanto para a ocorrência da brusone, são necessárias temperatura e umidade elevada, sendo a faixa entre 24ºC e 27ºC altamente favorável para a ocorrência da doença. 

Para a giberela, as condições favoráveis incluem temperaturas que variam entre 20 e 25ºC, acompanhadas de molhamento foliar de pelo menos 48 horas. É importante salientar que o molhamento foliar pode ser causado pela deposição de gotas de orvalho, por exemplo.

Dessa maneira, mesmo que ocorra apenas um dia de chuva, a umidade relativa do ar se mantendo alta, há ainda a possibilidade da doença se manifestar.

Para ambas as doenças, os períodos de maior atenção aos produtores compreendem a fase em que a cultura dá início ao período reprodutivo. Estádio esse em que aplicações de fungicidas são altamente recomendadas.

Isso ocorre pois o estádio e local em que a doença ocorre, na espigueta, dificulta o seu controle, por isso, esse deve ser baseado no controle preventivo.

Em anos com condições climáticas favoráveis, como em anos de El Niño, a atenção acaba tendo de ser redobrada, em função do fenômeno resultar em maior volume de chuvas nas principais regiões produtoras, especialmente no sul do país, combinando ainda, temperaturas mais elevadas durante o inverno.

Como controlar a brusone?

O controle da brusone pode ser realizado de diferentes formas, no entanto, é importante lembrar que deve ser baseado em estratégias de manejo integrado de doenças (MID) , que incluem:

  • rotação de culturas não hospedeiras do fungo (como vimos os cereais de inverno, bem como gramíneas como o arroz, são hospedeiras do fungo);
  • semeadura mais tardia, evitando assim que o florescimento ocorra em períodos favoráveis à doença (sempre respeitando o Zoneamento de Risco Agroclimático – ZARC);
  • utilização de cultivares tolerantes, uma vez que cultivares resistentes ao fungo ainda não estão disponíveis no mercado;
  • utilização de fungicidas de forma preventiva, especialmente quando as previsões climáticas para as semanas seguintes à aplicação, forem favoráveis. Por isso, o controle deve se basear na prevenção à doença, com uso de fungicidas registrados e recomendados por um profissional.
    • as primeiras aplicações (controle preventivo) devem ocorrer ainda no período de emborrachamento, seguida de uma aplicação subsequente no florescimento e se necessária, uma terceira aplicação após 12 dias (o período pode ser menor, a depender das condições favoráveis e do fungicida utilizado, sendo imprescindível seguir as recomendações da bula do fungicida utilizado).

Assim, a importância do conhecimento das informações vistas neste artigo estão relacionadas ao fato da brusone, junto da giberela serem as duas doenças mais importantes do trigo. Sendo portanto, fundamental o conhecimento sobre o comportamento e distinção de ambas. 

Além disso, as condições favoráveis para a ocorrência são semelhantes, e dessa forma, é necessário que o manejo seja pensado estrategicamente, para que contemple o controle de ambas, caso seja possível, otimizando assim os recursos e a lucratividade do cultivo.

Conclusão

A brusone é uma doença com grande potencial de perdas nas lavouras tritícolas do Brasil e apresenta sintomas bastante característicos, os quais devem ser conhecidos por técnicos e produtores, para que não sejam confundidos com a giberela, por exemplo.

A giberela e a brusone, embora frequentemente confundidas, são doenças diferentes e portanto, podem exigir táticas distintas de controle. Enquanto para o controle da giberela indica-se como uma das estratégias a semeadura antecipada, para a brusone, a semeadura tardia é indicada.

Outro ponto de atenção é a performance das moléculas fungicidas. Por isso, é primordial que ambas sejam devidamente distinguidas.

Para um manejo assertivo é fundamental que produtores monitorem constantemente as condições climáticas previstas, para a tomada de decisão sobre a aplicação de fungicidas, que deve ser iniciada preventivamente quando chuvas e temperaturas favoráveis estão previstas.

É fundamental que em um manejo com controle químico, caracterizado pela aplicação de fungicidas, que os ingredientes ativos e consequentemente grupos químicos, sejam rotacionados (alternância de fungicidas), para um manejo antirresistência.

>> Leia mais:

“8 doenças do trigo e como fazer o manejo ideal”

“Principais sintomas da brusone no arroz e como controlá-la na lavoura”

“Veja como escolher o melhor fungicida para trigo”

“Como o Manejo Integrado de Doenças pode reduzir custos e aplicações no seu cultivo”

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Gestão do estoque de insumos: como fazer de forma eficiente

Estoque de insumos: saiba como definir o local de armazenagem, como atualizar as informações, custos e ferramentas para gerenciamento

O trabalho no campo vai muito além das operações nas lavouras. O gerenciamento do negócio também precisa de eficiência no sistema de estoque de insumos, que inclui as ferramentas de manejo utilizadas, produtos colhidos e sementes.

A perda de qualquer um desses itens por conta de armazenagem incorreta aumenta o custo de produção ou causa perda de volume da matéria-prima produzida. Isso gera um problema financeiro que pode ser evitado com um estoque sob controle.

Há algumas práticas que você pode adotar para melhorar seu controle de estoque de insumos e proteger sua rentabilidade e seus investimentos. Continue a leitura e entenda como superar esse desafio.

O que é estoque de insumos?

O estoque de insumos faz parte de qualquer negócio. Quando se trata da atividade agrícola, o assunto é um tanto complexo, pois envolve o armazenamento correto de tudo aquilo que dá suporte à produção. Ainda, envolve o que foi colhido na lavoura e aguarda distribuição.

O estoque de uma fazenda, independente do porte e da capacidade produtiva, precisa ter capacidade e ser otimizado para manter a conservação de:

  • maquinários e implementos agrícolas;
  • equipamentos de proteção individual (EPIs);
  • fertilizantes;
  • defensivos químicos;
  • produtos biológicos;
  • sementes;
  • grãos.

O controle de insumos agrícolas necessita de um sistema eficiente. Ainda, precisa de um sistema que otimize o uso dos recursos disponíveis no cotidiano de trabalho e garanta que tudo se mantenha em perfeita qualidade. Isso, é claro, pelo tempo em que for preciso manter armazenado.

Controle de estoque de insumos agrícolas: o que é e como fazer?

Para que a fazenda mantenha sua produção em dia, é preciso ter todas as ferramentas em mãos no momento certo para as operações. A falta da administração de estoque não causa somente prejuízos financeiros, mas pode levar a atrasos na produção

Com a gestão, você alcança o equilíbrio que protege seus investimentos. Você pode obter insumos com antecedência para evitar escassez, e na quantidade correta para evitar excessos e desperdícios. Esse controle facilita o fluxo de caixa, relacionado à compra e venda de insumos e produtos agrícolas.

Essa é uma prática necessária em qualquer segmento do mercado. Assim, para ter as finanças, os investimentos e a margem de lucro sob controle, é imprescindível acertar no controle de estoque de insumos, a partir de quatro práticas indispensáveis:

Definição do local de armazenamento

Em primeiro lugar, é preciso infraestrutura. O espaço físico do estoque de insumos vai depender do que se precisa armazenar. As máquinas agrícolas e os implementos precisam estar sempre em fácil acesso, protegidos da chuva e do sol, para evitar desgastes. Invista em um local espaçoso e arejado.

Os defensivos agrícolas e outros produtos de manejo devem, obrigatoriamente, ser estocados em áreas isoladas da propriedade. Eles devem estar distantes de cursos de água, de área de preservação ambiental e de outras construções, por causa do risco de incêndio.

estoque-de-insumos

Galpão de estoque de insumos agrícolas 

(fonte: Topflexlog)

O armazenamento de sementes precisa de um espaço livre de umidade e calor, com um sistema de ventilação adequado para a manutenção de sua qualidade. Preferencialmente, opte por estoque alto, sem contato com o chão, e em ambiente diferente de onde ficam os defensivos.

Os produtos colhidos no fim da safra precisam de atenção especial quanto ao local de armazenamento. Afinal, é preciso considerar a facilidade logística para escoar os produtos. Além disso, os mantenha livres de patógenos, insetos e fatores ambientais que possam interferir na qualidade das sementes.

Planejamento e metas de estoque

Definidas as questões infraestruturais, o controle de estoque de insumos passa por um planejamento estratégico. Isso é necessário para entender:

  • quais produtos precisam ser comprados e em que quantidade;
  • simulação de datas das operações de plantio, aplicações, manejo integrado e colheita;
  • previsão de tudo que é pra uso imediato e daquilo que vai ficar estocado e por quanto tempo.

Esse momento da gestão de estoque depende da tomada de decisão sobre os processos operacionais que envolvem a cadeia de produção interna da fazenda. É importante um programa de manejo bem estruturado, que antecipe possíveis imprevistos.

Isso especialmente quanto ao clima, pressão de patógenos e janelas de plantio e colheita.

Atualização do estoque

Não é interessante manter excesso de insumos em estoque. Isso pode gerar perdas se demorar muito para serem usados, assim como não pode haver falta de nenhum item no momento de realizar as operações.

Por isso, é importante um controle de entrada e saída, por meio de planilhas ou softwares que contabilizam o que está disponível, o que já foi usado e o que precisa de reposição. No caso dos produtos colhidos, registre os volumes armazenados, as datas de vendas e de distribuição.

Custos e fornecimento

Faz parte da gestão de estoque de insumos a pesquisa de fornecedores e de preços do mercado, para conseguir sempre negociações pelos melhores preços. Isso te ajuda a melhorar a rentabilidade, tanto no que diz respeito à compra quanto à venda.

Nessa decisão, considere os custos como um todo, o preço do produto em si, o gasto com frete, formas de pagamento, gastos com a manutenção dos estoques e o valor estimado com as vendas do que a fazenda produz. É uma estratégia de fluxo de caixa, que também interfere no controle de estoque.

Ferramentas para gerenciamento de estoque de insumos

A administração de estoque não é tarefa simples, mas é o segredo para uma produção agrícola rentável, com o melhor retorno sobre o investimento, sem desperdícios de tempo ou dinheiro.

Felizmente, hoje você não precisa fazer todo o gerenciamento manualmente. Afinal, há tecnologias de gestão de estoque de insumos que auxiliam nos registros cotidianos e no controle das atividades.

Os softwares de gestão agrícola e outras ferramentas de alta tecnologia são grandes aliadas das atividades no campo, criando o conceito conhecido como agricultura de precisão. Nesse sentido, uma boa ferramenta de controle de estoque permite que a gestão: 

  • acompanhe entradas e saídas em tempo real;
  • verifique datas de validade e lotes com facilidade;
  • realize requisição de compras para reposição de insumos;
  • administre todos os seus estoques simultaneamente.

Por fim, um sistema digital integrado para a gestão da fazenda facilita as tarefas. Ele permite, por exemplo, que os dados de controle de estoque já sirvam para realizar o fluxo de caixa. Além disso, te ajuda a criar um histórico das operações financeiras que ajudam a otimizar as tomadas de decisão.

Banner de chamada para o download da planilha de cálculos de insumos

Otimize a gestão dos seus insumos

Administrar todos os insumos utilizados na lavoura pode ser um grande desafio, mas o Aegro te ajuda nessa missão.

Cadastre e acompanhe todos os insumos da fazenda, fique de olho na movimentação de estoque e faça o orçamento do custo dos insumos. Além disso, compare com o realizado para identificar oportunidades de economia e possíveis desperdícios. 

Receba alertas sobre manutenção dos veículos e máquinas, além de analisar relatórios de abastecimento e trabalho das máquinas evitando consumo desenfreado por mau funcionamento. Aproveite para identificar os insumos em falta, acompanhar a data de entrega e reposição.

Tela para acompanhamento do estoque no Aegro

Tela para acompanhamento do estoque no Aegro

Conclusão

A armazenagem também faz parte da gestão do estoque no que tange custos, planejamento e metas de entradas e saídas. O controle de estoque em si se relaciona diretamente a defensivos, fertilizantes e implementos agrícolas.

Pela complexidade da tarefa de garantir que não haja falta nem excesso de insumos para a safra, você pode recorrer à digitalização da administração do estoque.

Softwares e tecnologias como o Aegro automatizam processos relacionados ao estoque de insumos. Eles possibilitam um registro do histórico do negócio, algo muito caro para embasar as negociações e proteger a rentabilidade.

Como você faz a gestão do estoque de insumos na sua fazenda? Aproveite para compartilhar este artigo com a sua equipe de trabalho responsável por essa etapa.

Ácaro-branco na lavoura? Veja como manejar essa praga

Ácaro-branco: saiba como identificar a presença na lavoura, quais as condições ambientais favoráveis, como monitorar, qual acaricida usar e mais!

O ácaro-branco é uma praga agrícola que tem causado grandes danos em grandes culturas nas últimas safras. Essa é uma praga capaz de se alimentar de muitas espécies diferentes. Além disso, ela está presente em diversas regiões produtoras do mundo. 

Essa praga possui enorme potencial de dano, especialmente pela redução do porte das plantas. Ainda, pode ser confundida com outras pragas, doenças, fungos e vírus. Justamente por isso, é importante estar ciente das características dessa praga.

Neste artigo, entenda os sintomas causados pelo ácaro-branco e veja quais são as condições ambientais favoráveis. Aproveite a leitura!

O que é o ácaro-branco?

O ácaro-branco é uma espécie de ácaro encontrada nas mais importantes culturas agrícolas. Ele é muito semelhante ao ácaro-rajado, embora seja menor. Ainda, essa praga polífaga também pode ser reconhecido como:

  • Polyphagotarsonemus latus;    
  • Hemitarsonemus latus;
  • Neotarsonemus latus;
  • Tarsonemus latus;
  • Tarsonemus phaseoli.
acaro-rajado
Diferenças visuais entre o ácaro rajado à esquerda, e o ácaro-branco a direita 
(Fonte: Salvadori, 2007)

Embora possa parecer que o ácaro-branco seja uma das novas pragas da soja, a sua ocorrência já foi registrada em safras anteriores. Isso principalmente em função das condições ambientais favoráveis em algumas regiões do país.

No entanto, a novidade em relação à ocorrência da praga é a alta frequência e as grandes áreas em que tem sido registrada. Por isso, produtores têm estado em alerta.

Seu ciclo de vida é extremamente rápido: de ovo até a fase adulta, são entre 5 a 8 dias. A oviposição é realizada principalmente na face inferior das folhas e o ciclo de vida é composto por três fases principais: ovo, larva e adulto.

O ácaro-branco possui coloração pálida amarelada ou verde amarelada, dependendo da espécie em que é utilizada para alimentação. Ainda, o ácaro-rajado é muito pequeno. Já os ovos são alongados e transparentes, possuindo pontos brancos. 

planilha manejo integrado de pragas

Como diferenciá-lo dos outros tipos de ácaro e doenças?

Uma das características observadas no ataque do ácaro-branco, diferente das viroses, é a sua distribuição uniforme ao longo da lavoura. Ou seja, há diversas plantas próximas afetadas, distribuídas ainda em reboleiras pequenas ou grandes.

Em ataques mais severos, é possível ocorrer a queda de folíolos. Além disso, pode haver o bronzeamento das hastes, da face inferior das folhas (exceto as nervuras), dos pecíolos e das vagens. Outro diferencial do ácaro-branco é não formar teias nas folhas lesionadas.

É possível diferenciar danos causados por ácaro-branco de outras viroses ou doenças causadas por fungos cortando a haste da folha. Faça isso no sentido longitudinal e analise o aspecto visual interno. 

Quando o ataque está sendo causado pelo ácaro-branco, diferentemente das doenças, a coloração interna será normal. Já nas doenças que afetam a haste principal, pode ser observado o escurecimento interno dos tecidos.

Dada a preferência por tecidos jovens, a época de maior infestação do ácaro-branco é a época de crescimento intenso das culturas. Isso acontece principalmente na fase vegetativa.

Quais as condições ambientais favoráveis para a praga?

Para a maioria dos ácaros, as condições ambientais favoráveis para ocorrência são períodos secos. Por outro lado, para o ácaro-branco, as condições ambientais favoráveis são opostas.

Períodos de alta nebulosidade, com chuvas associadas a temperaturas elevadas favorecem a explosão da infestação em áreas de produção.

Para a cultura da soja, essas condições climáticas ocorreram especialmente em parte da Região Central do Brasil. O mesmo vale para os estados do Sul do Brasil. É importante ressaltar que o ácaro-branco pode causar problemas em estufas de produção.

Afinal, ele é sensível a baixas temperaturas, não resistindo ao frio.

Danos do ácaro-branco na soja, no café e no algodão

O ácaro-branco é uma praga de grande potencial de dano. Em outros países, por exemplo, já foi relatado causando redução de 50% da produção de feijão. Para a cultura do algodão, é considerada uma praga importante na África tropical e em regiões produtoras do Brasil.

Segundo dados da Cabi (Centro Internacional de Biociência Agrícola), o ácaro-branco está amplamente distribuído no mundo, e é capaz de afetar as seguintes culturas de interesse:

Esse ácaro na soja também reduz a distância entre os entrenós, diminuindo assim a estatura da leguminosa. Como consequência, as plantas próximas acabam por sombrear as plantas afetadas, reduzindo ainda mais o seu potencial produtivo

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Sintomas do ácaro-branco em infestação severa, com bronzeamento da haste principal e redução da estatura da planta
(Fonte: Roggia, 2023)

No algodão, o ácaro-branco é considerado uma praga importante em anos chuvosos e de altas temperaturas. O ataque ocorre principalmente após as adubações foliares ou nitrogenadas, desde que coincidam com as condições ambientais favoráveis. 

Os danos provocados pela alimentação do ácaro resultam em aspecto brilhante da face inferior das folhas e retorcimento das folhas para cima.

Em decorrência do desenvolvimento anormal das folhas, há redução do número de maçãs. Isso impacta negativamente a qualidade das fibras produzidas. 

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Aspecto das folhas de algodoeiro após o ataque do ácaro-branco
(Fonte: Tomquelski, 2020)

No ácaro-branco provoca a formação de rugosidades sobre a superfície da folha, além de distorção das folhas e brotos novos. As folhas também podem apresentar aspecto bronzeado, assim como os ramos.

Na imagem abaixo, você pode conferir o aspecto visual da presença dessa praga nas folhas de café.

acaro-branco
Danos causados pelo ácaro-branco em café
(Fonte: Nelson, 2023)

Como se livrar do ácaro em plantas?

O controle do ácaro-branco deve ser feito quando 20% das folhas apresentarem sintomas característicos da sua presença até o período em que a floração se inicia.  Por isso, um bom monitoramento da praga deve ser feito.

Para isso, você pode amostrar 10 plantas aleatórias em diferentes pontos da lavoura. Não se esqueça de investigar ainda aquelas plantas com crescimento anormal, principalmente presentes em reboleiras. Vale lembrar que a visualização do ácaro, mesmo com lupa, é difícil.

Existem poucos produtos registrados para controle do ácaro-branco. Entretanto, a praga ataca principalmente os pontos de crescimento da planta, o que pode ser um ponto a se considerar.

Quando a planta estiver em estádios de desenvolvimento mais avançados, o controle já não é mais tão necessário. Nesses estádios, as folhas estão expandidas e as estruturas reprodutivas já estão formadas. 

Nessa situação, com ausência de tecidos novos presentes na planta, a população da praga tende a reduzir significativamente de forma natural. No Agrofit, podem ser consultados diversos acaricidas para diferentes culturas

Além disso, fazer o MIP (Manejo Integrado de Pragas) é fundamental para garantir um bom controle na lavoura.

Consulte sempre um(a) agrônomo(a) para recomendação do melhor controle. Faça isso especialmente quando outras pragas estiverem ocorrendo, otimizando assim as aplicações. 

planilha pulverização de defensivos agrícolas

Conclusão

O ácaro-branco é uma praga de ampla distribuição mundial e potencial de danos.

Seu controle é realizado principalmente com acaricidas. No entanto, deve ser realizado assim que a praga foi identificada em porcentagem que justifique o seu controle

Ainda, observe em que estádio de desenvolvimento da cultura a praga está ocorrendo. Assim, você consegue acertar na tomada de decisão sobre quando aplicar o acaricida ideal.

Restou alguma dúvida sobre o ácaro-branco? Se você conhece outros produtores com essa praga na lavoura, não deixe de compartilhar esse artigo com eles. 

Como livrar a lavoura da mancha-púrpura na soja (crestamento foliar de cercospora)?

Mancha púrpura na soja: saiba como identificar a doença, entenda os danos causados, como prevenir a lavoura e como fazer o controle tardio

Anualmente os prejuízos causados pela mancha púrpura são consideráveis. Causada pelo fungo Cercospora kikuchii, é uma das principais doenças de final de ciclo da soja

Também conhecida como cercosporiose ou crestamento foliar de cercospora, essa doença deve ser controlada muito antes do final do ciclo. Para isso, é necessário saber como identificar os sintomas e como reduzir os fungos causadores.

Neste artigo, saiba mais sobre como a mancha-púrpura reduz a qualidade dos grãos e das sementes e como fazer o manejo efetivo. Boa leitura!

O que é mancha-púrpura em soja (Cercospora Kikuchii)?

A mancha-púrpura, também conhecida como crestamento-foliar de cercospora, é uma doença de final de ciclo (ou DFC) da soja. Causada pelo fungo Cercospora kikuchii, ela reduz a produtividade e qualidade dos grãos, além de também poder afetar a germinação da soja. 

Apesar de ser uma doença conhecida por ser de final de ciclo, ela pode iniciar ainda no período vegetativo. Nessa fase, ela causa danos pouco significativos por causa da capacidade de compensação da cultura e não interfere de imediato no potencial produtivo.

Entretanto, é importante frisar que quando a doença inicia ainda no período vegetativo. Sem um controle eficiente, tende a atingir maior severidade no período reprodutivo. Além disso, sementes e grãos em contato com a doença possuem menor potencial de armazenamento.

Danos causados na cultura e no armazenamento da soja

A redução da produtividade da soja devido ao ataque da mancha-púrpura pode ser de até 50%. Isso, é claro, em condições favoráveis à doença e em cultivares suscetíveis. O fungo é causador de três problemas principais na cultura da soja:

  • Crestamento foliar, que se manifesta por meio de sintomas na parte aérea da planta;
  • Morte de plântulas durante a emergência da cultura, o que pode interferir no potencial produtivo da área em função da redução do estande inicial da cultura;
  • Danos causados em grãos e sementes, visíveis pela presença de manchas arroxeadas em sementes e grãos. Como consequência, há prejuízos na germinação e vigor da soja.

Os danos causados pelo fungo estão relacionados à fase de desenvolvimento da cultura em que a doença ocorre. No início do enchimento dos grãos de soja, os danos são mais severos. Ao final do deste período, os danos são menos acentuados e por vezes mínimos.

Foto do agente causador da mancha púrpura, também conhecida como crestamento-foliar de cercospora
Foto do agente causador da mancha púrpura, também conhecida como crestamento-foliar de cercospora
(Fonte: Chanda, 2012)

O controle deve priorizar as fases antes do período de enchimento de grãos, principalmente após o fechamento de entrelinhas, o que evita o estabelecimento do patógeno. O controle no baixeiro é mais difícil devido à dificuldade de alcance das aplicações de fungicidas.

A soja é armazenada no máximo até a próxima safra, e possui rápida deterioração quando armazenada em teor de água inadequado. A presença de fungos pode interferir na capacidade de armazenamento do produto colhido.

Durante o armazenamento, a infecção pelo fungo serve ainda como porta de entrada para outros patógenos e pode favorecer a infestação por insetos.

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Como identificar o crestamento foliar de cercospora na soja?

Os sintomas da mancha púrpura podem ser observados desde o período vegetativo. Afinal, o fungo pode sobreviver em restos culturais da soja ou no solo até o próximo cultivo. 

Os sintomas da doença ocorrem em todas as partes da planta e em qualquer estádio de desenvolvimento da soja, exceto nas raízes. Confira os principais sinais que te ajudam a identificar a doença na lavoura:

  • aspecto arroxeado nas folhas, que lembra um couro;
  • severa desfolha, principalmente no estádio reprodutivo;
  • coloração arroxeada com variações mais claras e escuras;
  • rachadura do tegumento das sementes e grãos;
  • surgimento inicial dos sintomas na haste, com escurecimento e necrose do tecido;
  • pontuações escuras castanho-avermelhadas nas folhas;
  • na haste, podem ser visualizadas lesões vermelhas-arroxeadas.

Você pode identificar a doença apenas observando os sintomas. Apesar disso, se você fez aplicações anteriores na lavoura, saiba que os sintomas da mancha-púrpura podem ser confundidos com fitotoxidez. 

A diferença entre ambos encontra-se no fato de no caso em excesso de uso de adjuvante, as características iniciais da folha de superfície lisa são mantidas. No crestamento, além da mancha de cor arroxeada, as folhas ficam enrugadas na direção das bordas para o interior.

Bronzeamento de folhas de soja em função da aplicação de adjuvantes à base de óleo. Na direita, sintomas de crestamento-foliar.
(Fonte: Forcelini, 2014)

Como controlar a mancha na soja e outras doenças de final de ciclo da soja?

Antes de tudo, é necessário ficar de olho nas condições favoráveis à doença. Temperaturas entre 23°C e 27°C associadas à alta umidade favorecem o fungo causador. Estudos já comprovaram que menores precipitações (menor molhamento foliar) também são favoráveis.  

Assim como para as demais doenças de plantas, o MID (Manejo Integrado de Doenças) deve ser priorizado. Ele consiste no uso de diferentes métodos de controle, o que reduz a população do patógeno da área de cultivo.

Isso também diminui as possibilidades de seleção de populações resistentes. Além disso, confira as mais eficientes formas de controlar a mancha-púrpura:

  • Uso de sementes certificadas: além de prevenir a mancha-púrpura, evite usar sementes piratas para afastar outras doenças disseminadas por sementes;
  • Tratamento de sementes: isso protege as plântulas do ataque inicial do patógeno que sobrevive nos restos culturais;
  • Uso de variedades resistentes ou tolerantes: opte por variedades precoces, que permanecem expostas aos patógenos por menor  tempo;
  • Rotação de culturas com milho: quando possível, essa técnica também reduz o inóculo do patógeno na área de cultivo;
  • Densidade adequada: se possível, opte por maior espaçamento entre linhas;
  • Adubação equilibrada: faça uma boa adubação principalmente potássica e de cálcio, nutrientes que tornam a planta mais rígida e resistente;
  • Aplicações de fungicidas na parte aérea da cultura: essas aplicações devem iniciar ainda no período vegetativo, estendendo-se até o enchimento dos grãos;
  • Controle químico: ele deve ser utilizado como ferramenta adicional e não de forma isolada. O uso de misturas duplas (dois mecanismos de ação) ou triplas, são recomendadas, combinadas com fungicidas multissítios.  

Além disso, vale lembrar que o controle do crestamento-foliar ou mancha-púrpura não exige controle separado das demais doenças. Afinal, as moléculas usadas para o controle da ferrugem, por exemplo, são efetivas para o controle das outras doenças de fim de ciclo.

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Quando fazer aplicações tardias para controlar manchas foliares na soja?

A aplicação tardia para controlar a mancha-púrpura é interessante para prolongar o período de enchimento de grãos em até duas semanas. O  mesmo vale para as demais manchas foliares na soja.Isso, é claro, diante das seguintes condições:

  • possuir vasta área foliar;
  • estiver em contato com baixa temperatura noturna;
  • boa incidência de sol;
  • umidade do solo elevada. 

Quando a cultura está em fase de senescência, com folhas amareladas e em fase de queda da planta, as aplicações já não são mais necessárias.

Conclusão

A mancha-púrpura da soja não provoca danos diretos aos tecidos foliares, e também aos grãos e sementes. Isso influencia o seu armazenamento e reduz a qualidade dos grãos destinados à indústria.

Além disso, é importante lembrar que o controle da doença deve ser sempre planejado em conjunto com demais patógenos presentes na área.

Conheça o histórico de doenças que ocorrem na área de cultivo, bem como épocas e condições ambientais que as favorecem. Assim, você poderá fazer um manejo mais assertivo e economicamente viável, reduzindo custos e aumentando as receitas.

Leia mais >>

“Cercosporiose no milho: saiba como manejar a doença”

Gostou de saber mais sobre a mancha-púrpura? Se você conhece outras pessoas que produzem e enfrentam essa doença na lavoura, compartilhe este artigo com elas.

Como controlar pragas com ajuda da Beauveria bassiana?

Beauveria bassiana: saiba o que é, como fazer as aplicações, custos, vantagens do uso, onde encontrar e muito mais!

O fungo Beauveria bassiana pode ser encontrado nos solos de todo mundo.

É classificado como fungo entomopatogênico, porque causa doenças em insetos. Para a produção agrícola, especialmente no caso das pragas, é um grande benefício. 

Depois da sua descoberta como um aliado no controle de pragas, ele passou a ser multiplicado em massa. Posteriormente, foi liberado nas lavouras das mais diversas culturas.

Para ter o maior benefício possível no uso desse fungo, é importante entender como fazer uma aplicação mais eficiente. Neste artigo, saiba esses e outros detalhes importantes sobre o Beauveria bassiana. Boa leitura!

O que é o fungo Beauveria bassiana?

Beauveria bassiana é um fungo entomopatogênico capaz de parasitar insetos, causando uma doença fatal em vários deles. Ele está presente naturalmente em solos do mundo inteiro, e por isso diversos estudos foram feitos para compreender seu potencial no controle de insetos

Atualmente, já são conhecidas mais de 200 espécies de insetos que são afetadas pelo fungo. A Beauveria bassiana atua da seguinte maneira em contato com as pragas e com as plantas:

  • capacidade de causar doenças;
  • produção de substâncias tóxicas às pragas;
  • estimula sinais químicos na planta antes do ataque dos insetos, ativando suas defesas.

O fungo afeta os insetos de forma contínua, como resultado cumulativo da produção de toxinas. Ele entope importantes canais de absorção de água e nutrientes das pragas. Como consequência desse e de outros efeitos, as pragas morrem.

O fungo também pode permanecer sob raízes, solo e água, criando oportunidade para disseminação rápida. Este fato requer atenção de quem produz, porque o fungo pode causar danos aos inimigos naturais de pragas presentes na lavoura.

Quais pragas o  inseticida biológico Beauveria bassiana controla?

As pragas controladas pelo Beauveria bassiana dependem do produto em questão. Entretanto, as principais pragas controladas pelo produto são:

Vale ressaltar novamente que a indicação de controle para determinada praga deve ser conferida na bula do produto, pois há variação entre fabricantes. Essa variação depende do isolado utilizado na formulação.

Sintomas e sinais da infecção por Beauveria bassiana
Sintomas e sinais da infecção por Beauveria bassiana em lagarta (A), fungo cultivado em meio de cultura (B e C), conídios do fungo em detalhes (D, E e F)
(Fonte: Castro)

Como aplicar Beauveria bassiana (dose, custo e bula)

Se você pretende usar o Beauveria bassiana na sua lavoura, é necessário tomar alguns cuidados na aplicação. Por exemplo:

  • Prepare a calda e aplique nas horas mais frescas do dia, com alta umidade do ar;
  • Fins de tarde e dias nublados são ideais para aplicação do fungo Beauveria bassiana;
  • Evite misturas ou resíduos de outros produtos no tanque de pulverização, assim como nas demais estruturas do equipamento. Assim, você evita contaminação e redução da eficiência do produto;
  • Dissolva o produto em um primeiro momento em menor quantidade de água (20 litros). Em seguida, dissolva o conteúdo no pulverizador contendo 2/3 da água necessária para a calda.
  • As recomendações de aplicação variam conforme a bula, então sempre leia antes de começar o preparo da calda.

Também é importante ficar por dentro do custo de aplicação desse fungo na lavoura. O custo depende da praga alvo a ser controlada e da cultura, o que determinará a melhor tecnologia de aplicação e tipo de formulação. No entanto, em geral, o custo é baixo.

Se você pretende usar o fungo na sua lavoura, é preciso ficar de olho no preço da Beauveria bassiana. Embalagens com cerca de 1kg do produto costumam custar cerca de R$ 160, valor que pode variar bastante conforme o fabricante.

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Limitações do uso desse fungo no controle de pragas

Esse fungo pode causar danos em inimigos naturais presentes na lavoura, que ajudam no controle de pragas agrícolas.

Ainda, no caso de inseticidas sintéticos e outros defensivos, há uma forma específica de preparo das caldas. Além disso, é necessário fazer um monitoramento constante das condições ambientais para sua aplicação.

Para isso, indica-se o preparo da calda no máximo uma hora antes da aplicação. Você também deve manter os equipamentos sem a presença de outros produtos, especialmente em função da incompatibilidade

Além disso, a adição de adjuvantes agrícolas pode reduzir a população de fungos viáveis. Ou seja, fique de olho também nesse aspecto.

Outra limitação do uso da Beauveria bassiana é a lentidão do seu funcionamento. Enquanto inseticidas sintéticos matam as pragas em até algumas horas, esse fungo pode levar entre 6 a 14 dias. 

O fungo também depende de condições ambientais favoráveis para a germinação dos esporos no hospedeiro. São ideais as temperaturas entre 23°C a 28°C, além de alta umidade relativa do ar.

Por fim, a fabricação desse fungo na fazenda não é indicada. Por isso, é necessário adquiri-lo através de fabricantes do mercado, devidamente regulamentados.

Vantagens no uso do fungo na lavoura

Uma grande vantagem é que esse fungo pode ser usado independentemente da cultura. Para os produtos sintéticos, isso não ocorre. Geralmente, no caso dos sintéticos, há indicações para algumas culturas específicas.

Ainda, ele pode ser usado na produção orgânica por possuir autorização para esse fim.

Outra vantagem é que a Beauveria bassiana pode continuar a se reproduzir na praga que foi controlada, disseminando outros esporos na área. Mas atenção, essa característica não anula a necessidade de outras aplicações.

O fungo pode também ser utilizado no manejo integrado de pragas, especialmente no manejo anti-resistência. Afinal, muitos insetos são resistentes aos inseticidas químicos disponíveis no mercado, caso de diversos insetos alvo do fungo, como a mosca-branca

Como conseguir Beauveria bassiana?

Alguns produtores relatam dificuldades em conseguir Beauveria bassiana para aplicação em suas lavouras. Ainda, muito se pergunta sobre como produzir o Beauveria bassiana ou como multiplicar o Beauveria bassiana.

Entretanto, vale ressaltar que produtos formulados a partir do fungo entomopatogênico podem ser adquiridos diretamente em revendas ou em empresas de controle biológico. A produção desse fungo na fazenda não é recomendada.

No Agrofit, podem ser encontradas 93 diferentes formulações registradas. No entanto, é importante conferir atentamente a bula do produto. Afinal, para diferentes fabricantes, há indicações específicas quanto às pragas controladas e modos de aplicação.

O fungo pode ainda ser formulado em mistura com outros fungos utilizados no controle de pragas, como Metarhizium anisopliae e Isaria javanicaDesta forma, as recomendações variam de acordo com a formulação do produto e do fabricante.

planilha manejo integrado de pragas

Conclusão

É gigante o potencial da Beauveria bassiana no controle de importantes pragas nas lavouras. Além disso, vimos aqui inúmeras vantagens do uso desse fungo.

A possibilidade de aplicação sem restrição de culturas e custo baixo de aplicação são as principais delas. 

Para máxima eficiência das formulações de Beauveria bassiana é indispensável que as recomendações da bula sejam seguidas. Tome cuidado quanto às doses do produto e, na dúvida, consulte um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a)

Você já conhecia o fungo Beauveria bassiana? Está pensando em utilizá-lo na sua lavoura? Inscreva-se na nossa newsletter para não perder mais conteúdos como esse.

Saiba o que é e para que serve o superfosfato simples

Superfosfato simples: conheça os principais fertilizantes do mercado, como utilizar, custo-benefício e muito mais.

O superfosfato simples é uma fonte de fósforo para as plantas. Ele é obtido através do tratamento de rochas fosfatos naturais, como a fosforita e a apatita. As reservas de fósforo disponíveis no mundo para exploração econômica são suficientes apenas até 2050.

Justamente por isso, compreender quais fontes deste elemento são melhor aproveitadas pelas plantas é fundamental. Ainda, possibilitar as melhores condições do solo para aumentar a absorção do nutriente também é uma prática importante. 

Neste artigo, saiba mais sobre o superfosfato simples e entenda como escolher a mais adequada da fonte de fósforo para a lavoura. Saiba também sobre a diferença entre superfosfato triplo e simples. Boa leitura!

Qual é a composição do superfosfato simples?

O super simples, também conhecido como superfosfato simples ou SSP, é um fertilizante obtido através da adição de ácidos em rochas. Como resultado deste processo, a composição do superfosfato simples é próxima de 18% de fósforo, 16% de cálcio e 10% de enxofre

A fórmula do superfosfato simples é Ca(H2PO4)2 + CaSO4 2H2O. Ainda, além de disponibilizar fósforo quando aplicado, também é fonte de outros nutrientes importantes. O enxofre, por exemplo, é importante para as plantas por participar de processos importantes.

O nutriente ajuda na síntese de proteínas e aminoácidos essenciais. Ainda, é indispensável para o desenvolvimento das raízes e para a fotossíntese. Além disso, na maioria das áreas de produção, o enxofre é encontrado em quantidades abaixo das necessárias para as plantas.

Também é bom lembrar que os efeitos do superfosfato simples sobre o pH do solo são praticamente nulos. Esse parâmetro é fundamental para que os nutrientes sejam disponibilizados para as plantas. O oposto acontece no uso de outros fertilizantes, como:

  • termofosfato;
  • fosforita de olinda.

Importância do fósforo para as plantas

Dentre os macronutrientes essenciais (nitrogênio, fósforo e potássio), o fósforo exerce papel fundamental para as plantas. Isso sobretudo nos processos de armazenamento e utilização da energia captada pela luz solar, pelo processo de fotossíntese. Ainda, o fósforo:

  • é exigido em grandes quantidades pelas plantas;
  • participa do crescimento das raízes, da formação de grãos, frutos e fibras;
  • está diretamente envolvido na maturação dos grãos e frutos.

O fósforo é o elemento que possui maior dificuldade de absorção pelas plantas. Afinal, ele é considerado imóvel no solo. Além disso, a depender das características físicas e do tipo de solo, pode estar presente em quantidades adequadas, mas  indisponível para absorção. 

Mobilidade de diferentes nutrientes no solo. Da parte superior esquerda para para direita: água, nitrato, amônio, fósforo, potássio, cálcio, enxofre e cloro. 
(Fonte: Manual de Fertirrigação Yara)

Essa indisponibilidade está ligada ao pH do solo. Em solos ácidos, o fósforo pode estar presente no solo, mas indisponível para plantas. Além da fonte de fósforo adequada, condições do cultivo e características do solo são importantes para seu melhor aproveitamento.

Uma das alternativas disponíveis e mais utilizadas como fonte de fósforo no mercado são os fertilizantes fosfatados.

Quais as vantagens do uso do fertilizante super simples?

O superfosfato é altamente solúvel no solo. Isso acontece em função do método de fabricação do fertilizante fonte de fósforo, como a adição de ácidos para a sua solubilização. Ainda, a purificação e concentração da rocha fosfática também auxilia nesse processo.

Desta forma, os superfosfatos possuem alta eficiência devido à liberação rápida e de forma prontamente disponível. Após a aplicação no solo, o superfosfato simples libera fósforo rapidamente no solo, o que contribui para a absorção das plantas.  

Qual a desvantagem do superfosfato simples?

Como desvantagem principal do superfosfato simples, podemos destacar o fato deste fertilizante ser importado. Desta forma, ele fica suscetível a alterações abruptas de preços e também da disponibilidade.

Isso acontece especialmente em cenários conturbados, como os conflitos vivenciados no Oriente Médio. Por esse motivo, é necessário um enorme planejamento para compra de insumos para evitar ficar sem estoques de fósforo na lavoura.

Outra desvantagem é que a alta solubilidade pode causar perdas por lixiviação na sua cultura agrícola, especialmente em solos de pH ácido. Isso também acontece em épocas de alta incidência de chuvas, que podem levar o nutriente para camadas mais profundas do solo.

Diferença entre o adubo superfosfato simples e triplo? 

A principal diferença entre superfosfato simples e superfosfato triplo é a disponibilidade para as plantas. No caso dos superfosfatos, como o superfosfato triplo, o efeito da sua adição à lavoura pode ser observado tanto no primeiro ano, como em anos posteriores.

Entretanto, é necessário se manter atento, pois uma única aplicação não é garantia de que as plantas poderão absorver o nutriente. Além disso, após a extração pelos cultivos, é necessário que adubações de manutenção e correção sejam realizadas.

Outra diferença encontra-se nas quantidades de fósforo disponíveis. No caso do superfosfato triplo, segundo as garantias mínimas legais impostas pelo Mapa, a quantidade mínima de fósforo solúvel em água deve ser de 41%

Ainda, o superfosfato triplo possui 10% de cálcio, além da ausência de enxofre em sua composição. Por conter maiores quantidades de fósforo e exigir menor quantidade para aplicação na lavoura, pode ser encontrado com preços mais atrativos.

Quanto a qual dessas opções é a melhor para se utilizar na área de cultivo, depende da disponibilidade de enxofre. Se a área apresentar baixa disponibilidade de enxofre, a opção mais acertada pode ser o superfosfato simples

Cabe salientar que existem fontes mais baratas para reposição deste nutriente, como o enxofre elementar. Além disso, é importante observar as características da área, pois o superfosfato simples é mais suscetível à lixiviação.

Principais fertilizantes fosfatados do mercado

Existem diversas opções de fertilizantes fosfatados do mercado, obtidos a partir de diferentes métodos. Dentre os principais, estão:

  • os fosfatos acidulados, como superfosfato simples e superfosfato triplo; 
  • os fosfatos de amônio, como o monoamônio fosfato e o diamônio fosfato;
  • os termofosfatos, como os termofosfatos magnesianos;
  • os fosfatos naturais, como os importados de Arad, Gafsa, Carolina do Norte, e os nacionais, como os Fosfatos de Araxá e Patos de Minas.

Os fosfatos acidulados são obtidos através do uso de ácidos. Os fosfatos de amônio se formam na reação de amoníaco com ácido fosfórico. 

Os termofosfatos, em contrapartida, são obtidos através do tratamento térmico de rochas fosfatadas. Podem ainda ser obtidos por meio da adição de outros materiais, como o silicato de magnésio.

Cada uma das fontes apresenta particularidades quanto ao benefício ao sistema. Dentre todas as fontes listadas, os superfosfatos acidulados solúveis em água são os mais utilizados na agricultura mundial.

Como usar o superfosfato simples? 

A forma mais eficiente para que o fósforo seja adicionado ao solo é por meio da aplicação a lanço e posterior incorporação. Desta forma, são fornecidas as melhores condições para que as plantas possam absorver não somente o fósforo, mas também a água e outros nutrientes.

Por isso, a análise do sistema de cultivo de forma geral é fundamental para o melhor aproveitamento deste macronutriente de difícil absorção pelas plantas. 

Dadas as diferentes fontes de fósforo disponíveis no mercado, é comum a dúvida de qual a melhor opção para aplicação na lavoura. Esta resposta depende de diversos fatores, e a tomada de decisão sobre qual fonte utilizar dependerá:

  • da espécie a ser cultivada;
  • do sistema de preparo do solo;
  • do clima da região de cultivo;
  • da forma como o fósforo é adicionado no solo (a lanço, na superfície, com ou sem incorporação ao solo);
  • e das características do solo. 

Ou seja, esta resposta não é tão simples. Mas não se preocupe, pois agora você verá mais detalhes sobre as características de cada uma das fontes disponíveis.

planilha calculo fertilizante milho e soja

Tipos de fontes de fósforo para o solo

Como você viu, existem diversas fontes desse nutriente no mercado. Conhecer os detalhes de cada uma delas é fundamental, visto que elas possuem características diferentes e que podem impactar na sua propriedade. 

Confira algumas considerações importantes sobre as diferentes fontes de fósforo antes de considerar o super simples como adubo na sua lavoura.

Fosfatos acidulados

Devido a boa solubilidade em água, os superfosfatos acidulados são ótimas fontes de fósforo em solos com baixa disponibilidade deste nutriente. Eles são a fonte de fósforo mais utilizada no mundo. 

No entanto, os fosfatos acidulados podem apresentar limitação no uso devido ao seu custo ser mais elevado. Isso, é claro, quando comparados aos fosfatos naturais (menos eficientes).

O principal benefício dos fosfatos acidulados é a facilidade de aplicação localizada, por serem produtos granulados. No entanto, a mesma característica que configura um benefício, em solos muito intemperizados e ácidos, pode configurar uma desvantagem. 

A alta solubilidade dos superfosfatos em água pode torná-los indisponíveis neste tipo de solo. Desta forma, ao se ligarem a outros compostos, parte do fósforo adicionado ao solo não pode ser utilizado pelas plantas. 

Considerando esses detalhes, a adição de fósforo ao sistema do solo precisa estar em harmonia com a correção de outras características, como a acidez.

Fosfatos de amônio

Os fosfatos de amônio possuem alta concentração de nitrogênio e pentóxido de difósforo. Entretanto, eles não possuem cálcio e enxofre na sua composição. Por isso, caso você precise também desses micronutrientes, reconsidere o uso do fosfato de amônio.

Termofosfato

Os termofosfatos podem promover aumentos expressivos no pH, reduzindo a acidez potencial do solo. Esse fenômeno acontece quando aplicados antes do cultivo da cultura principal.

O termofosfato pode ainda proporcionar aumentos nos teores de cálcio e magnésio no solo. Esses nutrientes são importantes para o crescimento e desenvolvimento das plantas.

Fosfatos naturais

Os fosfatos naturais possuem boa reatividade em solos tropicais. No entanto, a sua aplicação exige maiores quantidades, em função da menor disponibilidade de fósforo

Dentre as opções, embora não seja a mais eficiente, é a que geralmente possui preço mais baixo. Isso também em comparação às demais fontes de fósforo.

Conclusão

Muitas fontes de fósforo podem ser utilizadas na agricultura. Por isso, a escolha da mais apropriada envolve uma série de análises. A primeira delas é a análise de solo, para entender quais são as quantidades de nutrientes disponíveis e possíveis deficiências.

Após isso, o direcionamento de custos, da espécie que está sendo cultivada e das condições ambientais vigentes da safra  poderão ajudar na escolha. Assim, é possível ter mais assertividade, tanto financeira quanto na produtividade da cultura.

Ficou com alguma dúvida sobre o superfosfato simples? Já utilizou esse adubo na sua lavoura? Adoraria ler seu comentário sobre o assunto. 

Murcha-de-Fusarium em feijão: saiba como identificar e manejar

Murcha-de-Fusarium em feijão: entenda os sintomas, condições favoráveis para a ocorrência, fases mais suscetíveis e como evitá-la

A murcha-de-Fusarium é uma das principais doenças do feijão. Ela ocorre com maior frequência em feijão-comum e feijão-caupi.

Ela pode se manifestar em todas as fases de cultivo, e sua evolução ocorre ao passar dos anos. Isso acontece especialmente porque o patógeno é um habitante de solo, o que dificulta ainda o seu controle.

Neste artigo, veja como combater a murcha-de-Fusarium em feijão, como identificar no campo, sintomas e principais medidas de controle para reduzir e evitar danos na sua lavoura! Boa leitura!

O que é a murcha-de-Fusarium em feijão?

Espécies do fungo Fusarium são os principais patógenos causadores de doenças em plantas. A murcha-de-Fusarium, também conhecida como fusariose, é causada pelo fungo Fusarium oxysporum f. sp. phaseoli.

Eles conseguem utilizar inúmeras culturas distintas como hospedeiras. Além disso, são amplamente distribuídas pelas regiões produtoras de alimentos no mundo. O gênero Fusarium possui como plantas hospedeiras principalmente o feijão-comum e o feijão-caupi.

Murcha-de-Fusarium: sintomas

Os sintomas típicos da doença são reflexos do que acontece nas raízes. Nas raízes e nos caules, há escurecimento dos vasos e é possível ver estruturas rosadas do fungo. Ainda, as folhas amarelam e secam, sintomas que aparecem muito em reboleiras, prejudicando o enchimento das vagens.

Entretanto, é a parte aérea da planta que demonstra mais problemas. Os principais em que você deve prestar atenção são:

  • Amarelecimento das folhas com murcha parcial ou total das plantas, especialmente em horários mais quentes do dia, podendo levar inclusive a morte;
  • Escurecimento do sistema vascular que pode ser observado a partir do corte e visualização interna do caule das plantas. Nem sempre este sintoma ocorre, e por isso, a ausência de escurecimento interno não é sinônimo de que o problema não esteja ocorrendo;
  • Perda de rigidez dos tecidos durante dias ou períodos mais secos;
  • Em períodos de alta umidade no solo e sintomas severos, podem ser observadas estruturas de coloração cinza a rosada;
  • Em áreas infestadas com nematoides, como o nematoide-das-galhas e das lesões, a doença pode ser mais severa. Afinal, ambos os patógenos favorecem a entrada do fungo no interior das raízes;
  • Quando a doença ocorre ainda no período vegetativo, as plantas apresentam crescimento anormal, tornando-se raquíticas e de tamanho menor;
  • Nas vagens, podem ser visualizadas lesões de aspecto aquoso, podendo inclusive contaminar as sementes. Isso agrava o problema, especialmente quando as sementes são usadas em novas semeaduras. Afinal, isso acaba contaminando outros pontos da lavoura ou introduzindo a doença em locais onde ela era ausente.

Inicialmente, é comum que os sintomas sejam observados em reboleiras. Além disso, a murcha das plantas pode ser confundida com outras doenças e com estresse hídrico.

Por isso, ao sinal de irregularidades na lavoura, é importante que a inspeção seja feita para investigar as possíveis causas.

A doença afeta o sistema responsável pela passagem e translocação de água e nutrientes pela planta). Por isso, causa problemas principalmente em raízes, prejudicando a absorção de elementos importantes para o desenvolvimento das plantas. 

murcha-de-fusarium
Sinais de murcha-de-Fusarium nas raízes de feijão
Fonte: (Esalq-USP)

Condições favoráveis para o fungo Fusarium sp. no feijão

Embora a doença possa se manifestar no período vegetativo, é a partir do florescimento que os danos são mais severos. Afinal, nesse período a planta demanda maior fluxo de água e nutrientes necessários para o enchimento dos grãos. 

As temperaturas amenas (entre 24°C a 28°C), quando combinadas com alta umidade do solo, favorecem o fungo causador da doença. Os solos compactados, arenosos, ácidos e com baixo teor de matéria orgânica também são favoráveis.

Por isso, o manejo dos solos é fundamental para a saúde das plantas. Vale lembrar que outros tipos de solo podem ser tão impactados pela doença quanto os arenosos e ácidos. Ou seja, é importante que a doença não seja negligenciada

Os danos e prejuízos da doença dependem da sua severidade. A severidade, por sua vez,  depende da cultivar implantada na área. Em cultivares favoráveis para a doença, os danos podem ultrapassar os 50% e causar perda total do cultivo.

murcha-de-fusarium
Sinais de murcha-de-fusarium em folhas de feijão
Fonte: (TopCropManager)

Como fazer o controle de Fusarium no feijão?

O controle de Fusarium no feijão a partir de fungicidas não é uma medida eficiente. Afinal, o patógeno é um habitante de solo e que pode permanecer viável, sobrevivendo por longos períodos. Justamente por isso, o controle genético é a principal ferramenta de controle.

Outra medida que deve ser priorizada em áreas com histórico da doença é a rotação de culturas (controle cultural). Esta prática evita que o fungo continue o seu ciclo e produza novas populações, se caracterizando como uma medida preventiva de controle.

Como o patógeno tem espécies de feijão-comum e feijão-caupi como hospedeiras, estas não devem ser cultivadas na área por determinado período. É necessário inserir espécies não hospedeiras para quebrar o ciclo da doença e reduzir a sua população na área de cultivo.

Qual o melhor fungicida para Fusarium?

Como o fungo é um patógeno de solo, o tratamento de sementes com combinação de fungicidas de contato são medidas importantes.

Atualmente, no Agrofit, podem ser encontrados cinco produtos para controle da doença na cultura do feijão. Os principais grupos químicos incluem a combinação de estrobilurina + benzimidazóis.

Opções de fungicida para Fusarium de fenilpirrol + acilalaninato + benzimidazol + neonicotinóide também podem ser usadas no controle. 

Entretanto, lembre-se que a escolha do melhor fungicida para Fusarium deve ser baseada na realidade da lavoura e na ajuda de profissionais da agronomia.

Como combater a murcha-de-Fusarium antes dela chegar na lavoura?

Neste caso, as boas práticas agrícolas como manejo de solo são cruciais para evitar os danos da doença. Além disso, o uso de sementes certificadas é indispensável. Elas são produzidas sob rigor, fiscalização e inspeções frequentes.

Em lavouras com suspeita de problemas, mesmo que não identificados devidamente, é importante que o manejo com máquinas seja feito com cuidado. Faça primeiro o manejo em  áreas com ausência de problemas, e depois, em áreas com suspeita.

Isto evita que possíveis patógenos sejam disseminados ao longo das áreas de produção através de solo contaminado aderido às máquinas. Um manejo de solo que evite a compactação da área ou que auxilie na redução do problema também pode ser útil. 

planilha pulverização de defensivos agrícolas

Conclusão

A murcha-de-Fusarium ou amarelecimento-de-Fusarium é uma doença que pode reduzir significativamente a produtividade do feijão-comum e do feijão-caupi.

Como os sintomas são semelhantes a diversas outras doenças e estresses, é fundamental que a doença seja devidamente diagnosticada. Isso especialmente para que as medidas de controle mais adequadas sejam implantadas na área.

O controle genético e o tratamento de sementes, aliados a medidas que recuperem a saúde do solo, são as mais eficientes para o controle da doença.