Veja como calcular a margem de lucro da sua fazenda

Margem de lucro da fazenda: como calcular margem bruta e líquida, como garanti-las, dicas e muito mais!

A manutenção de um caixa saudável da atividade agrícola é o primeiro passo para uma boa gestão. 

É necessário entender, exatamente, para onde está indo o dinheiro, o trabalho e a rentabilidade da sua produção. 

A consequência disso é saber se há uma boa margem de lucro no seu negócio rural. Com essa informação, você pode tomar decisões muito mais assertivas.

Neste artigo, veja como obter a margem de lucro do seu negócio e como a tecnologia pode te ajudar nesta gestão. Boa leitura!

O que é margem de lucro?

Margem de lucro é um indicador financeiro muito utilizado para avaliar a saúde financeira das empresas. 

O lucro bruto ou líquido são a diferença entre o faturamento obtido com as vendas dos produtos e os custos da sua fazenda.

A margem de lucro, por sua vez, é o percentual obtido da relação entre o lucro bruto ou líquido com a receita total do seu negócio.

Ou seja, ela é a porcentagem do preço de um produto que corresponde ao lucro do negócio.

Ter conhecimento sobre a margem de lucro é imprescindível para o sucesso da empresa rural. Afinal, ela auxilia na formação do preço de vendas dos seus produtos, garantindo a saúde financeira da fazenda.

Como calcular a margem de lucro da fazenda?

Para garantir a margem de lucro da empresa rural, saber apenas o preço de venda do produto final não é suficiente. É preciso ir além.

É necessário conhecer profundamente os custos de produção. Isso é tão importante quanto conhecer os preços de venda do seu produto.

A margem de lucro é afetada pelos custos de produção. Assim, conhecer seu orçamento é fundamental para definir o preço de venda. A partir dessa informação, você saberá qual será o seu lucro. 

Nesse momento, contar com a tecnologia é fundamental para fazer contas precisas. Por isso, separamos um kit gratuito com duas planilhas para você.

Com uma, você irá calcular os seus custos de produção. Com a outra, vai comparar seus custos com as fazendas de todo o Brasil. Clique na imagem abaixo para baixar:

Banner para baixar o kit comparativo de custos de safra

O que é o lucro?

O lucro é a diferença entre a receita bruta e o custo total. Ele pode ser líquido ou bruto.

O custo total é composto pelo custo operacional total e o custo de oportunidade sobre todo o capital investido na fazenda.

O período considerado na análise é de um ano. Portanto, é fundamental conhecer a receita bruta e o custo total no mesmo período.

Como calcular o lucro da fazenda

Para calcular o lucro da fazenda, você deve subtrair a receita bruta do custo total de produção:

Lucro = Receita Bruta — Custo Total

Para que a atividade rural seja sustentável no longo prazo, o lucro deve ser positivo

Este lucro deve ser reinvestido para o crescimento da empresa, garantindo o sucesso econômico da empresa rural no longo prazo.

Cálculo do lucro bruto da fazenda

Agora que você já sabe calcular o lucro da sua fazenda, precisa saber também calcular o lucro bruto. Você vai precisar desse número para calcular a margem bruta da sua propriedade.

Para descobrir seu lucro bruto, você deve calcular:

Lucro bruto = receitas totais — custos operacionais

Cálculo do lucro líquido da fazenda

Você também precisará saber o lucro líquido da sua fazenda. Afinal, irá precisar desse número para encontrar a margem líquida.

Para descobrir, você precisa calcular:

Lucro líquido = receitas totais — custos totais

Margem Bruta

Se você considera o resultado da conta receita — despesa como lucro, pode estar afastando seu negócio do sucesso.

Nessa conta, são consideradas apenas as despesas diretas ou operacionais. Mão de obra, fertilizantes, água e combustível fazem parte dessas despesas. 

A margem bruta é um importante indicador gerencial que pode ser extraído da demonstração do resultado do exercício

O custo operacional efetivo são as despesas diretas ou custos variáveis. Eles são os que geraram um desembolso direto por você.

A margem bruta representa a eficiência comercial da atividade. Ou seja, indica se a sua empresa rural está comprando bem os insumos e matéria prima. Também indica se está comercializando bem a produção.

Nela, são consideradas apenas as despesas de apenas um ciclo de produção

As atividades de pecuária e agricultura têm uma alta representatividade dos custos variáveis na receita. Eles podem afetar a margem de lucro. 

Uma parte destes custos pode estar atrelada a insumos que crescem proporcionalmente ao volume de produção.

Outra parte destes custos apresenta alta volatilidade, relacionada a fatores externos à fazenda, como: câmbio, oferta, demanda e clima.

Existem outros tipos de indicadores derivados da margem bruta. 

Um exemplo é a margem bruta por hectare. Ela é utilizada para avaliar a viabilidade econômica da produção por cada hectare utilizado. 

Como calcular a margem bruta da fazenda

A margem bruta é calculada como a diferença entre a receita bruta e o custo operacional efetivo:

Margem Bruta = (lucro bruto / receita líquida) x 100 

Se a margem bruta for negativa, isto significa que a atividade é economicamente inviável a curto, médio e longo prazo.  Nesse caso, você estaria pagando para produzir.

Se a margem bruta for igual a zero é preciso ficar em alerta

Este resultado mostra que a margem paga os custos operacionais. Porém, ela não paga os demais custos com depreciação, custo de oportunidade, entre outros.  

Neste caso, a atividade pode ser inviável no médio prazo.

Margem líquida

A margem líquida é a diferença entre a receita bruta e o custo operacional total

Nela, são consideradas as despesas que não geram desembolso imediato. Depreciação de máquinas e equipamentos, custo de oportunidade do capital e mão de obra familiar são alguns exemplos.

A margem líquida é uma análise de médio prazo. Ela considera todos os custos operacionais e relacionados aos bens de produção da fazenda. O período considerado na análise é de um ano.

A análise da viabilidade econômica no médio prazo permite avaliar se a receita bruta paga o custo operacional efetivo. Também avalia se ela é suficiente para pagar os custos de depreciação e mão de obra familiar.

Como calcular a margem líquida da fazenda

Para calcular a margem líquida, você deve fazer a seguinte conta:

Margem Líquida = (lucro líquido / receita líquida) x 100

Se a margem bruta for negativa, a margem líquida também será negativa.

Se a margem líquida for positiva, a atividade está pagando as contas de custeio, custos com depreciação e mão de obra familiar no médio prazo. 

5 passos para alcançar uma boa margem de lucro da fazenda

1. Levante seus custos

O primeiro passo para entender e garantir uma margem de lucro é o levantamento de todos os custos.

Junte todos os custos relacionados ao processo de produção, dos mais complexos aos mais simples.

Este levantamento de todos os custos envolvidos deve ser realizado de forma precisa e criteriosa.  A forma com que esse levantamento é realizado depende muito das características de cada processo de produção

2. Faça a apropriação dos custos levantados

O segundo passo é a apropriação dos custos levantados em cada setor da fazenda. 

Isto é, saiba precisamente onde foi gasto cada insumo e cada hora trabalhada. Esses detalhes são  fundamentais para o entendimento dos custos.

3. Analise seus custos

O terceiro passo consiste em analisar estes custos e estudar melhorias na utilização dos insumos. A partir dessa avaliação, serão tomadas ações e decisões no processo de otimização e diminuição dos custos.

4. Faça uma boa gestão de estoque

Faça uma gestão eficaz e eficiente do estoque

Estoques mal geridos podem representar um grande obstáculo para o alcance de boas margens dentro de uma empresa rural.

Compras estratégicas podem reduzir significativamente o custo de produção da sua fazenda. Isso contribui para o sucesso na obtenção de margens de lucro satisfatórias.

5. Conte com um software de gestão

Para calcular e garantir uma boa margem de lucro na sua fazenda, muitas contas são necessárias.

Você pode facilitar esse processo através de um software de gestão agrícola como o Aegro. Com ele, controlar todos os seus custos e receitas é muito mais simples e intuitivo.

Foto de tela do aplicativo Aegro, na aba de custos. Há um gráfico redondo colorido.

Analisar os custos da sua fazenda é mais fácil com o Aegro

Afinal, todos os dados da sua fazenda, desde os da lavoura até o financeiro, ficam concentrados em um só lugar.

Outra facilidade é conseguir monitorar a rentabilidade do seu negócio. Nesses momentos, contar com a tecnologia pode te dar uma grande ajuda.

Conclusão

O conhecimento sobre os custos de produção e o cálculo correto da margem de lucro pode contribuir para o sucesso da sua atividade rural.

A correta separação e análise entre margem bruta, líquida e lucro pode auxiliar na correta avaliação dos indicadores econômicos. Isso irá embasar as tomadas de decisão na fazenda. 

Com esses conceitos bem definidos, é possível refinar a gestão da fazenda e ter melhores parâmetros para a tomada de decisão.

Como você calcula a margem de lucro da fazenda? Usa algum software ou planilha para te ajudar? Deixe seu comentário!

5 passos para calcular o custo de produção do feijão por hectare

Custo de produção do feijão: entenda como calcular o custo com insumos, operações, transporte, armazenagem e mais!

Além de grande consumidor, o Brasil é um grande produtor do feijão. Ele está entre os cinco maiores do mundo.

Esse grão precisa de diversos cuidados e manejo que geram custos para quem produz. É necessário um bom planejamento e controle cuidadoso desses custos de produção. Assim, as despesas não vão superar a receita.

Neste artigo, veja o passo a passo para calcular o custo de produção e garantir uma lavoura mais rentável. Boa leitura!

Como calcular o custo de produção do feijão

O valor dos produtos e serviços necessários para produzir têm aumentado constantemente. É muito importante saber seus gastos por hectare. Assim, no final do ciclo da cultura, você não sairá no prejuízo.

Você deve somar todas as despesas, fixas e variáveis, de preferência com ajuda de planilhas e tecnologias. Essas ferramentas facilitarão o seu controle.

Veja agora todas as etapas para fazer esse cálculo.

1. Custo com insumos

Contabilize todos os insumos utilizados para a implantação e condução da cultura do feijão. Faça isso independente da tecnologia que você usa.

Os valores de muitos insumos são reajustados pela variação da cotação do dólar. Analisar esses custos é fundamental na hora de decidir o quanto, onde e quando plantar. Para você produzir uma lavoura de feijão, vai precisar de muitos insumos. 

Como essa é uma cultura sensível à competição, a lavoura necessita de controle eficiente de plantas daninhas. Inicialmente, você também precisa adquirir sementes, sejam elas tecnológicas ou convencionais.

É comum produtores pequenos salvarem a sua própria semente, mas isso tem um custo que não pode ser ignorado. Fique sempre de olho nas normas para sementes salvas no Ministério da Agricultura. Para a condução de uma lavoura de feijão, os seguintes insumos são essenciais:

  • Sementes;
  • Produtos para tratamento de semente;
  • Herbicidas;
  • Fungicidas;
  • Inseticidas;
  • Óleos e adjuvantes;
  • Corretivos e fertilizantes (orgânicos ou minerais);
  • Inoculante;

Cálculo de sementes de feijão por hectare

  1. Através da densidade de plantio, você sabe a quantidade de sementes que deve ser utilizada em um hectare;
  2. Use o preço por kg ou saca de sementes e transforme isso para um hectare;
  3. Multiplique o preço pela quantidade de sementes por hectare (em kg ou sc).

Cálculo de fertilizantes de feijão por hectare

Para os fertilizantes, use a mesma lógica do cálculo de sementes. 

  1. Multiplique o preço do produto (por kg) pela quantidade (em kg) utilizada por hectare.
  2. Multiplique o valor da tonelada de corretivo pela quantidade usada por hectare (em tonelada). Se for o caso, divida pela quantidade de safras até a próxima correção.

Para correção do solo, você pode fazer o rateio entre as safras em que a correção se mantém.

Cálculo de agroquímicos no feijão por hectare

  1. Saiba a quantidade de cada produto utilizada por hectare no decorrer da safra;
  2. Multiplique pelo valor do produto.

Como exemplo, se você utilizou 0,5L de abamectina em um hectare, o valor do produto é de 30 reais por litro. 

Multiplique 30 (valor por litro) por 0,5 (quantidade usada por hectare). Seu custo por hectare com esse produto foi de 15 reais. Agora, basta organizar e calcular todos esses custos. Em vez de fazer esses cálculos em um caderno, você pode contar com a tecnologia.

Foto de uma tabela de computador, com opções de descrever os insumos, unidade, quantidade e preço

Modelo de planilha para cálculo do custo de insumos por hectare

Com tecnologia, você não precisa perder muito tempo. Além disso, pode garantir que os cálculos estão todos corretos. Separamos para você uma planilha grátis de cálculo de custo com insumos por hectare! Você pode baixar clicando na imagem abaixo:

Planilha de custos dos insumos da lavoura

2. Custo com operações

Esse é basicamente o custo que você tem para aplicar os insumos na lavoura.

Nessa conta, entram os custos de:

Organizada a lista de todas as operações necessárias, você calculará o custo delas. Caso as operações sejam terceirizadas, esse cálculo é mais simples. Se você utilizar maquinário próprio, deve considerar diversos fatores:

  • Combustível (valor combustível x consumo por hora x horas por hectare);
  • Manutenção (valor médio por safra / hectares cultivados);
  • Depreciação ou desvalorização.

Para calcular a depreciação das suas máquinas, você pode usar a seguinte fórmula:

  • Depreciação anual = (valor de compra — valor residual ao final da vida útil) / anos de vida útil

O cálculo de depreciação de máquinas pode ser mais simples com a ajuda da nossa planilha gratuita! Clique na imagem abaixo para baixar:

Cada hora trabalhada tem um custo, saiba organizar suas despesas.

Use os custos de manutenção, a depreciação da máquina e custo com combustível. Divida isso pelos hectares cultivados. Esses custos são bastante variáveis. Você deve adaptar tudo de acordo com as condições da sua região.

3. Mão de obra

A mão de obra representa um custo na sua fazenda. Ela deve ser contabilizada, seja ela contratada ou familiar.  Se a mão de obra for contratada, inclua na planilha de custos os salários pagos por safra e todos os impostos inclusos.

Caso somente a família trabalhe na lavoura, você pode calcular da seguinte maneira:

  • Estipule um salário por hora trabalhada para cada membro da família ou funcionário;
  • Multiplique as horas totais trabalhadas pelo valor estimado.

Neste campo de custos, você também pode colocar o gasto com assistência técnica, caso haja.

4. Custos financeiros

O cálculo de custos financeiros por hectare deve ser feito quando você tem:

  • juros a pagar referente ao custeio da safra;
  • juros de financiamentos de máquinas e implementos;
  • custo de oportunidade (o lucro que você deixa de ganhar caso use a área com outra atividade).

5. Transporte/Armazenagem

O ideal é que os custos da pós-colheita sejam lançados separadamente dos demais. Esses custos incluem desde o transporte do grão até as despesas com secagem e armazenamento. A pós-colheita do feijão é bastante crítica. Afinal, a maior parte da produção é destinada ao consumo “in natura”.

Se o transporte do campo ao armazém for fretado, faça a seguinte conta:

  • Verifique a quantidade de horas das operações e o preço pago por hora;
  • Divida tudo pelo número de hectares.

O armazém pode ser próprio ou alugado. Se for próprio, você deve saber qual o custo do armazém, e dividir isso pelos hectares cultivados. A locação de espaço em armazém facilita o cálculo. Se esse for seu caso, apenas divida o valor cobrado pelos hectares cultivados.

É importante que a armazenagem dos grãos de feijão seja feita de forma eficaz. O local deve ter secador eficiente e um silo adaptado a esses grãos. 

Isso pode gerar um custo diferente dos grãos mais comuns (milho e soja). Esteja sempre de olho em todos os detalhes para garantir seus lucros.

Como calcular o custo de produção do feijão com software?

Muitas vezes, quem produz esquece o caderno de anotações no escritório e deixa de anotar alguns gastos. A desvantagem disso é nunca conseguir definir e entender bem os custos de produção, o que pode tornar o planejamento financeiro incerto.

Ferramentas de gestão como o software agrícola Aegro te ajudam muito nesse momento, já que cálculos ficam mais automatizados. Com essas ferramentas, você pode inserir os gastos pelo celular.

Além disso, o próprio sistema gera automaticamente gráficos e tabelas que facilitam seu entendimento e visualização:

gif que mostra a tela de custo realizado do software de gestão rural Aegro

Agora que você já sabe qual o seu custo de produção e tem tudo contabilizado, fica mais fácil definir qual será sua margem de lucro. Assim, você pode definir qual a produtividade e preço por saca de feijão necessários para chegar na sua meta.

Custo de produção agrícola: Controle tudo pelo Aegro!

Conclusão

É muito importante ter a noção do seu custo para produzir um hectare de feijão.

Para controlar esses custos, lembre-se de separar as atividades por tipo de gasto. Insumos, máquinas, operações, transporte e armazenamento devem ser calculados separadamente.

O planejamento é essencial para manter a saúde financeira da propriedade. E não se esqueça de que você sempre pode contar com a tecnologia e com planilhas nesses momentos.

>> Leia mais: Previsão para o preço do feijão: saiba quais são as expectativas

Você sabe qual é o custo de produção do feijão por hectare na sua propriedade? Deixe um comentário contando como você se organiza!

Guia completo da plantação de canola + benefícios para o milho, trigo e soja

Plantação de canola: conheça o ambiente ideal de cultivo, adubação, manejo de pragas e doenças, cuidados na colheita e mais!

A canola é a terceira oleaginosa mais produzida no mundo. As oleaginosas são alimentos vegetais ricos em gorduras “boas”.

cultivo da canola é destinado para a produção de óleo para o consumo humano e de biodiesel. O farelo resultante é usado na fabricação de rações por ser rico em proteínas.

A canola é uma excelente alternativa econômica para o uso em  rotação de culturas com o trigo, a soja e o milho. Ela diminui problemas fitossanitários que afetam esses cultivos. 

Quer saber se essa é uma boa opção para a sua fazenda? Acompanhe o artigo!

Características da canola

A canola é uma espécie anual da mesma família que o repolho e a couve. No entanto, seu cultivo visa a produção de grãos

Ela é muito adaptável ao frio, e por isso tem grande potencial de cultivo em grande parte da América do Sul. Nas lavouras do Sul do Brasil, a oleaginosa tem feito sucesso. 

A área semeada com a cultura no país foi de 35,5 mil hectares em 2020. Desse número, 34,8 mil hectares concentraram-se no Rio Grande do Sul.

Nessa região, são utilizadas apenas cultivares de primavera. O cultivo se destaca na sucessão das culturas de verão, como soja e milho

A canola também é utilizada na rotação com as culturas de inverno como o trigo, centeio, cevada, aveia e triticale. 

Benefícios da plantação de canola 

O uso da canola na rotação de culturas reduz o uso de defensivos agrícolas. Consequentemente, também reduz custos e torna a produção mais sustentável

A cultura também se destaca como uma excelente alternativa econômica. Afinal, ela não exige aquisição de máquinas e equipamentos específicos para o seu manejo. 

Você pode utilizar a estrutura disponível na propriedade. Além disso, a canola possui grande produtividade (em média 1500 Kg ha-1).

A cultura da canola, quando utilizada em rotação de cultura, traz benefícios para os cultivos da soja, do trigo e do milho.

Benefícios da canola para o trigo

A rotação com canola diminui problemas de doenças na lavoura de trigo. Ela reduz as estruturas responsáveis pelas doenças causadas por fungos que sobrevivem em restos culturais.

A fusariose e septoriose estão entre as doenças manejadas pela rotação com canola. 

A canola também é importante no manejo do azevém, uma das principais plantas daninhas do trigo.  Afinal, a canola tem mais capacidade competitiva que o azevém.

Benefícios da canola para a soja

A cultura da soja não é hospedeira do nematoide do cisto. Isso quebra o ciclo de vida do nematoide e faz o manejo das áreas contaminadas.

Mas é necessário estar atento entre o período mínimo de 20 dias entre a colheita da canola e a implantação da soja. Isso por causa do efeito alelopático da canola sobre a soja, que interfere na germinação da cultura da soja.

Benefícios da canola para o milho

A canola reduz problemas causados por mancha de diplodia e cercosporiose.  Isso acontece quando o milho é cultivado em sucessão aos cultivos de inverno, na safra de verão.

Manejo da plantação de canola

Para ter sucesso e lucratividade no cultivo da canola, você precisa planejar a implantação no sistema de produção. Escolher a área mais adequada também é um passo fundamental.

A canola é sensível a uma série de herbicidas que deixam um efeito residual prejudicial à cultura.

Por isso, prefira cultivar a canola em áreas que tiveram soja resistente ao glifosato na safra anterior. Isso diminui os riscos do efeito prejudicial de herbicidas residuais no solo.

A cultura se desenvolve melhor em áreas livres de doenças como: canela-preta, sclerotinia (mofo-branco) e infestação por nabiça.

Tenha atenção com o cultivo da canola quando a soja vem em sucessão. A canola pode potencializar o aparecimento de mofo-branco nesse caso.

Ambiente de cultivo ideal para canola

A geada é muito prejudicial à canola no estádio de plântula e durante o florescimento. O período de cultivo vai de abril a novembro no Sul do Brasil.

No estádio de plântula, os danos podem resultar em morte das plantas. Isso principalmente quando a geada ocorre sem um período de pelo menos três dias de frio antes.

Esses dias de frio antes da geada tornam as plantas mais tolerantes.

A geada pode causar abortamento de flores. Isso causa queda da produção, além de  produzir o efeito chamado grão verde.

Os grãos verdes são causados pelo acúmulo de clorofila resultante da ocorrência de geadas durante o enchimento de grãos. Eles provocam o desligamento dos grãos da planta mãe, antes da maturidade. 

Além disso, a canola pode rebrotar após a geada. Dessa forma, a maturação da lavoura será desuniforme, com plantas na maturidade e plantas em estádios anteriores. 

Por isso, podem haver grãos verdes em maiores proporções.

Os prejuízos são maiores durante as fases mais avançadas. Afinal, as chances das plantas emitirem hastes laterais são menores. 

Por outro lado, a emissão de novas hastes resulta em maior desuniformidade de maturação. Como consequência, há maiores possibilidades de perdas na colheita.

Para reduzir danos causados por geadas, evite a semeadura em áreas de baixada e nas proximidades de matas fechadas.

Foto de folha de canola coberta de gelo

Geada em plantas de canola. 

(Fonte: Embrapa)

Sementes e preparo do solo para semeadura

A semeadura da canola deve ser feita apenas com sementes de híbridos registrados. Eles proporcionam benefícios como:

  • evitar a introdução de doenças na lavoura através de sementes contaminadas;
  • evitar a necessidade de ressemeadura e atraso no próximo cultivo;
  • garantir a emergência vigorosa e uniforme do cultivo, reduzindo as perdas causadas pela desuniformidade na maturação.

Você deve semear evitando a ocorrência de geadas no início do cultivo. A profundidade de semeadura ideal para a canola é de 2 cm.

Os melhores solos para canola são os mesmos aptos para o cultivo de cereais de inverno, incluindo alguns solos arenosos.  Vale destacar que solos com grande probabilidade de encharcamento devem ser evitados. 

A canola pode ser cultivada em áreas com o mesmo preparo e manejo realizados para as demais culturas de grãos.

Adubação da plantação de canola

A canola demanda uma boa adubação nitrogenada. A deficiência desse nutriente reduz a produtividade.  Doses excessivas alongam a fase vegetativa. Assim, há possibilidades de ocorrências de doenças e redução da qualidade da planta.

A canola também exige muito enxofre, devido ao alto teor de óleo e proteína nos grãos.  Portanto, esse nutriente pode aumentar a produção e o teor de óleo das sementes.

A canola tem uma eficiente utilização de fósforo e potássio. Além disso, incrementos na produção podem ser obtidos pela aplicação de boro, zinco e cobre.

Não deixe de fazer análise de solo antes de cultivar canola. Assim, a adubação e correção do solo serão baseados na interpretação dos resultados.

Manejo de pragas 

As principais pragas que incidem no cultivo da canola são:

A traça-das crucíferas é a praga que mais causa danos na canola. Eles são causados pelas lagartas, que se alimentam de hastes e sílicas da planta. Desfolhamentos também podem acontecer. 

Os danos são maiores se ocorrer um surto antes da floração.

Para um controle eficiente, faça controle químico com inseticidas reguladores de crescimento. Isso deve ser feito quando houver infestação em toda a lavoura, e cerca de 10% de desfolha.

Para algumas pragas, não existem relatos sobre o controle químico

Portanto, evite a semeadura em áreas infestadas com mais de 5 corós por metro quadrado, com grilo marrom e outras pragas de solo. 

O monitoramento da lavoura para vistoriar pragas é fundamental. Por isso, separamos uma planilha grátis para você realizar o Manejo Integrado de Pragas sem complicações. Clique na imagem abaixo para baixar:

planilha manejo integrado de pragas MIP Aegro, baixe agora

Manejo de doenças

Com relação às doenças, a canela-preta pode causar grandes prejuízos. 

Para minimizar esses danos, mantenha a área livre do cultivo de canola por dois anos. Esse fungo permanece nos restos culturais.

Escolha áreas localizadas a mais de mil metros de distância de lavouras onde havia canola infectada com canela-preta.

Para o controle do mofo-branco e da podridão negra das crucíferas, faça o manejo integrado, pois não há método de controle completamente efetivo.

No MID (Manejo Integrado de Doenças), você deve fazer:

  • Rotação de cultura com espécies não suscetíveis;
  • Usar sementes sadias;
  • Evitar áreas com ocorrência das doenças;
  • Realizar semeadura direta;
  • Controlar plantas daninhas suscetíveis.

Cuidados na colheita

O atraso na colheita resulta em grandes perdas. Portanto, a cor dos grãos serve de base para determinar o ponto de colheita ideal.

Quando 40% a 60% dos grãos no topo do caule principal mudam da cor verde para a cor marrom, as plantas estão prontas para ser colhidas.

A partir desse ponto, você pode cortar e enleirar as plantas. Isso é feito com equipamento autopropelido ou acoplado a um trator. 

Quando as plantas enleiradas tiverem cerca de 10% de umidade do grão, pode ser feita a colheita. Isso geralmente acontece alguns dias depois do corte.

A dessecação não é indicada para a cultura. A colheita direta pode ser feita quando o teor de umidade dos grãos estiver no máximo em 18%.

Você também deve regular a colheitadeira devidamente. Os pontos principais são vedar locais por onde podem vazar grãos e reduzir a velocidade de deslocamento.

Conclusão

A canola melhora o sistema produtivo da soja, milho e trigo. Ela diminui problemas com pragas e doenças nessas culturas.

A oleaginosa contribui para a redução dos custos com defensivos nas lavouras. Além disso, você não precisa fazer investimentos em máquinas e equipamentos para o manejo e a colheita. 

A canola é uma excelente alternativa para rotação de culturas, com um retorno econômico satisfatório. Considere esses e outros benefícios da planta para implantá-la na sua lavoura!

Veja mais>>

“Estoque sob controle: como sojicultor melhorou seus indicadores”

“Deficiência de fósforo no milho: como identificar e resolver?”

Restou alguma dúvida sobre a plantação de canola? Já pensou em utilizar essa planta na rotação de culturas? Deixe seu comentário abaixo!

Por que o crambe pode ser uma opção vantajosa para safrinha

Crambe: conheça as características da planta e do óleo e saiba quais são as vantagens e desvantagens do cultivo dessa oleaginosa.

O crambe é uma planta ainda pouco conhecida do Brasil. 

Popularmente, também é conhecido por couve etíope, couve abissínica e mostarda abissínica. Essa oleaginosa é uma cultura de inverno, e é uma alternativa para a rotação de culturas. 

Essa planta vem sendo cultivada com sucesso em vários estados do Brasil, e pode ser uma ótima opção para você!

Quer saber mais sobre o crambe e como cultivá-lo? Confira a seguir.

Características do crambe

O crambe é uma oleaginosa anual. Ele é da mesma família do repolho, do brócolis, da mostarda, da colza e da canola.

Sua altura varia entre 60 cm e 1 m. O sistema radicular é pivotante, as folhas têm a superfície lisa e formato ovalado. 

Fotos do cambre em vários estágios de desenvolvimento. Nas três primeiras fotos o crambe está em forma de folha, na segunda e na terceira ainda em estado de germinação e crescimento.

Crambe abyssinica – (A) e (B): Plantas em desenvolvimento; (C): Sementes germinando; (D): Detalhes da folha; (E): Florescimento

Fonte: (Colodetti et al., 2012)

O florescimento ocorre próximo ao 35º dia após a semeadura. A inflorescência é  composta por pequenas flores brancas.

Inicialmente, o fruto do crambre é verde. Com o amadurecimento, ele adquire cor amarelada. Cada fruto produz uma única semente, com diâmetro que varia de 0,8 mm a 2,5 mm.

O teor médio de óleo da semente de crambe é de 38%. Além disso, o ciclo da cultura é curto, e varia de 85 a 100 dias.

Foto de bacia branca com várias sementes de crambe, na cor amarelada. Sobre as sementes, há uma moeda, demonstrando que as sementes são muito pequenas;

Sementes de crambe (Crambe abyssinica)

Fonte: (Ministério da Agricultura, Alimentação e Assuntos Rurais de Ontário)

Óleo de crambe

O óleo de crambe é extraído das sementes da planta. Esse óleo tem aplicação em diferentes segmentos da indústria. 

O óleo não é recomendado para o consumo humano. Isso acontece devido ao elevado teor de ácido erúcico em sua composição. A quantidade de ácido erúcico no óleo varia de 50% a 60%.

Ele é utilizado como lubrificante industrial e anticorrosivo, na fabricação de nylon e plásticos, e na produção de borracha sintética. O óleo também é usado pelas indústrias farmacêutica e de cosméticos.

Por ser fonte de proteína, os coprodutos da extração do óleo podem ser utilizados na alimentação de animais ruminantes. O consumo por animais não ruminantes não é recomendado.

Afinal, o óleo contém glucosinolatos, substância tóxica para esses animais.

O óleo de crambe é uma alternativa para a cadeia produtiva do biodiesel. Várias pesquisas científicas já comprovaram que o óleo tem alta qualidade para a produção desse combustível.

Como cultivar crambe na fazenda

Cultivar ideal de crambe

Atualmente, apenas uma cultivar de crambe está listada no RNC (Registro Nacional de Cultivares) do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento). 

Essa cultivar é chamada FMS Brilhante (Crambe abyssinica). 

A FMS é a responsável pelo desenvolvimento da cultivar. Ela também detém os direitos de comercialização das sementes. 

Essa cultivar tem produtividade de 1.000 kg/ha  a 1.500 kg/ha. O grão tem teor de óleo que varia de 36% a 38%. O teor de óleo pode variar em função das condições de cultivo e ambientais.

Solo ideal

Para o cultivo do crambe, os solos mais indicados apresentam textura média e pH entre 6,0 a 7,5. Uma boa fertilidade do solo também é fundamental.

A ocorrência de alumínio em concentrações tóxicas prejudica o desenvolvimento da lavoura. Ela pode inviabilizar a produção dessa cultura.

O crambe é uma planta que não tolera solos muito argilosos ou umidade em excesso. Por isso, solos com boa drenagem  e profundos são recomendados para o cultivo.

Clima

O crambe é uma cultura de inverno que apresenta tolerância à seca e a geadas leves. Isso acontece desde que a ocorrência não seja nas fases de plântula e florescimento

Durante a fase vegetativa, a faixa de temperatura em que o crambe melhor se desenvolve é de 15°C a 25°C.  Temperaturas inferiores a – 4°C e superiores a 25°C podem prejudicar a floração da oleaginosa. 

Máquinas e implementos adequados

O cultivo do crambe é totalmente mecanizado e não exige equipamentos específicos. 

É possível utilizar a mesma estrutura de produção (máquinas e implementos) empregada em lavouras de soja e milho.

>> Leia mais: “Máquinas para culturas de inverno: Diferentes tipos e particularidades

Plantio e espaçamento

A recomendação para o plantio do crambe é de 12 kg a 15 kg de sementes por hectare. 

A semeadura deve ser realizada num espaçamento de 17 cm a 45 cm nas entrelinhas. 

Manejo de plantas daninhas

Até o momento, não há registros de produtos no Mapa com efeito herbicida para uso na cultura do crambe.

No entanto, estudos científicos já apontam que o alachlor, o pendimethalin e o 2,4-D são prejudiciais à lavoura de crambe.

Além disso, as associações entre trifluralin, alachlor e pendimethalin também não são indicadas.

É importante ficar de olho no efeito residual dos herbicidas utilizados na safra de verão. Isso é essencial para que o desenvolvimento do crambe não seja prejudicado. 

Uma alternativa para o manejo das plantas daninhas consiste em reduzir o espaçamento de plantio

A redução do espaçamento contribui para o maior sombreamento das espécies invasoras, por antecipar o fechamento do dossel da cultura. 

Manejo de pragas e doenças

O crambe não é alvo do ataque de muitas pragas, em razão da presença de glucosinolato nas folhas e hastes da planta. 

Porém, a fase de plântula é a mais sensível ao ataque de pragas. Dentre as pragas que atacam o crambe nessa fase, há:

A ocorrência de doenças dessa cultura de inverno é maior em períodos chuvosos, quando há maior umidade. As principais doenças já relatadas da cultura do crambe são:

  • mosaico do nabo (Turnip mosaic virus – TuMV);
  • podridão negra (Xanthomonas campestris pv. campestris);
  • damping off (Fusarium sp. e Rhizoctonia solani);
  • mancha de alternária (Alternaria brassicicola).

Até o momento, não há produtos registrados no Mapa para o controle de pragas e doenças na cultura do crambe. Por isso, a recomendação é evitar o plantio em áreas com histórico de doenças e alta incidência de pragas.

Vantagens de cultivar o crambe

O crambe tem custo de produção muito baixo, se comparado a outras culturas de inverno. Ele é uma ótima opção para a safrinha.

Além disso, o cultivo é mecanizado e simples. Você não precisa de máquinas e implementos específicos para a cultura, por exemplo. 

O crambe também tem um grande potencial produtivo.

Desvantagens

Apesar do grande potencial produtivo, ainda faltam informações técnicas a respeito do manejo da cultura.

Não há muitos estudos sobre:

  • adubação;
  • armazenamento;
  • seletividade de produtos químicos;
  • técnicas de controle de pragas, doenças e plantas daninhas.

Por isso, evite o cultivo da oleaginosa se houver históricos intensos de pragas, doenças e daninhas na sua lavoura.

e-book culturas de inverno Aegro

Conclusão

O crambe é uma planta ainda pouco conhecida no Brasil, mas que tem grande potencial para ser utilizada na produção de biodiesel e na rotação de culturas

É uma ótima opção para o plantio na safrinha, e quando comparada com outras culturas apresenta menor custo de produção. Além disso, o cultivo é todo mecanizado.

Se você já começou a planejar seu plantio de inverno, pode considerar utilizar o crambe!

>> Leia mais: 

Cobertura de solo no inverno: Por que realizá-la

Cevada como cultura de inverno: aprenda a cultivar e garanta mais lucros

Você já conhecia o crambe? Já usou a planta em rotação de cultura na sua lavoura? Deixe seu comentário!

Veja como fazer a classificação do solo da sua lavoura

Classificação do solo: entenda o que é o Sibics, os tipos de solo mais comuns no Brasil e a importância de conhecer bem o da sua lavoura

A classificação do solo é muito importante para quem produz. Afinal, cada tipo de solo irá exigir cuidados específicos. 

Essa classificação é feita por meio do Sibics (Sistema Brasileiro de Classificação de Solos). Que tal entender como classificar o solo da sua fazenda? Neste artigo, veja como os solos são classificados e as principais classes de solo do Brasil. Confira a seguir!

O que é o Sibics (Sistema Brasileiro de Classificação de Solos)?

O Sibics é um sistema utilizado para classificar todos os solos existentes no Brasil.

Nele, os solos são classificados com base em propriedades que resultam dos processos de formação do solo. Ele é dividido em 6 níveis categóricos de classificação: Ordem, Subordem, Grande Grupo, Subgrupo, Família e Série.

Atualmente, a classificação é feita somente até o 4° nível categórico (Subgrupo). Os níveis 5 e 6 ainda estão em discussão.

O Sibics é a principal referência utilizada para a classificação dos solos brasileiros. A sua 5ª edição está disponível gratuitamente para acesso.  

Foto da capa do e-book de classificação do solo. Na capa marrom e laranja, há o desenho do mapa do Brasil em cores diferentes.

Sibics Sistema Brasileiro de Classificação de Solos

Fonte: (Santos e colaboradores, 2018)

O que considerar na classificação do solo da fazenda

Para classificar o solo da sua propriedade, o Sibics deve ser consultado. O primeiro passo para a classificação é a descrição morfológica do perfil do solo. Após, a coleta do material do campo é feita.

A classificação de um solo é obtida a partir da avaliação de aspectos da amostra. Esses aspectos são:

  • morfológicos (estrutura);
  • físicos (textura);
  • químicos (teor de alumínio);
  • mineralógicos (percentagem de quartzo na porção areia).

Aspectos ambientais do local do perfil também devem ser considerados, como:

  • clima;
  • vegetação;
  • relevo;
  • material de origem;
  • condições climáticas;
  • relações solo-paisagem.

Esses aspectos morfológicos e ambientais devem ser observados com bastante cuidado, paciência e critério. Só assim uma descrição correta do perfil do solo será feita. O Sibics ajuda na organização dessas informações e no entendimento das ordens de solo.

Passo a passo para classificar o solo da sua propriedade

Tenha em mãos alguns materiais necessários para a descrição morfológica do perfil do solo:

  • martelo;
  • trado;
  • pá reta e pá quadrada;
  • faca;
  • enxadão.

1° passo: observe os aspectos ambientais do local do perfil

Anote as características do clima, vegetação, relevo, material de origem em que o perfil do solo ocupa.

2° passo: abra uma trincheira e observe as suas feições morfológicas

Examine o perfil de cima para baixo. Observe e anote a espessura e arranjamento dos horizontes, cor, textura, estrutura, agregação, cerosidade e consistência do solo.

Depois, demarque a transição entre os horizontes com a ponta de uma faca.

3° passo: envie amostras de solo coletadas no perfil para análise laboratorial

Para confirmar a classificação do campo, a análise laboratorial do solo é necessária.

Nessas análises laboratoriais, é recomendado que se determine as características químicas e texturais do solo, como:

  • pH;
  • teor de alumínio tóxico;
  • porcentagem de areia, silte e argila;
  • saturação por bases;
  • capacidade de troca catiônica;
  • soma de bases, entre outras.

Seguindo esses passos, será possível:

  • conhecer os aspectos morfológicos do perfil do solo e associá-los aos resultados das análises laboratoriais;
  •  identificar as transições entre os horizontes do solo;
  •  identificar os principais atributos diagnósticos.

Com todas essas informações em mãos, você poderá associar as características observadas no perfil do solo e determinar a classificação do solo da sua fazenda.

Importância de saber a classificação do solo da propriedade

Conhecer a classificação do solo da sua propriedade é muito importante. Isso pode trazer vários benefícios, como:

  • conhecer as limitações e qualidades do solo da sua propriedade;
  • possibilitar a troca de informações técnicas com produtores com propriedades com a mesma classificação de solo;
  • predizer o comportamento dos solos;
  • identificar áreas com maior chances de erosão;
  • permitir o planejamento do tráfego de máquinas agrícolas, principalmente em solos muito argilosos;
  • permitir o mapeamento de áreas com manchas de solo raso, que inviabiliza o cultivo de algumas culturas agrícolas;
  • identificar o uso mais adequado dos solos, entre outros.

Principais classes de solo no Brasil

O Brasil possui uma grande diversidade de solos. As classes que possuem maior ocorrência são:

  • Latossolos e Argissolos;
  • Neossolos;
  • Plintossolos;
  • Cambissolos;
  • Gleissolos.

Algumas classes de solos possuem menor ocorrência, porém não significa que não sejam importantes. Esse é o caso dos:

  • Luvissolos;
  • Espodossolos;
  • Planossolos;
  • Nitossolos;
  • Chernossolos;
  • Vertissolos;
  • Organossolos.
Mapa do brasil colorido de acordo com a classificação do solo de cada região.

Mapa de solos do Brasil

Fonte: (Embrapa, 2014)

Os Luvissolos são muito comuns na região semiárida brasileira. Os Nitossolos são comuns nas áreas de solos formados de basaltos no Centro-Sul do Brasil.

Os Planossolos são abundantes no Pantanal, em áreas do semiárido e nas regiões produtoras de arroz irrigado do Rio Grande do Sul.

 Já os Organossolos são ricos em matéria orgânica e raros no Brasil. Isso acontece devido ao clima tropical, que não favorece a acumulação matéria orgânica. A seguir, você pode observar as diferentes classes de solo no Brasil e suas distribuições no território.

diagnostico de gestao

Conclusão

O SiBCS é o sistema taxonômico oficial utilizado para classificação de solos no Brasil. Existem 13 classes de solos conhecidas no país.

As classes de solos predominantes são os Latossolos, Argissolos e Neossolos. Conhecer o tipo de solo da sua propriedade pode melhorar muito as suas práticas de manejo e a produtividade.

Não deixe de consultar um especialista em caso de dúvidas!

>> Leia mais: “Prad: entenda o que é o plano de recuperação de áreas degradadas”

Você já classificou ou pensa em fazer a classificação do solo da sua fazenda? Adoraria ler seu comentário abaixo! 

Importância da contabilidade rural + 7 passos para começar na sua fazenda

Importância da contabilidade rural: saiba tudo sobre inventário rural, registro de perdas, registros contábeis e as características dessa área!

A contabilidade rural é um instrumento capaz de ajudar quem produz a melhorar a gestão da fazenda. Como consequência, a lucratividade também melhora.

Toda a informação que essa área fornece sobre a fazenda pode ajudar na tomada de decisões estratégicas, especialmente com um softwares de contabilidade, que capacitam empresas rurais para serem mais competitivas.

O cumprimento das exigências fiscais também depende da contabilidade, que evita pendências e o recebimento de multas.

O que é contabilidade rural?

A contabilidade rural é responsável pela gestão financeira, econômica e patrimonial de atividades relacionadas ao agronegócio e à produção rural.

O objetivo da atividade é organizar, registrar, controlar e interpretar as operações econômicas realizadas nas propriedades rurais de todos os tamanhos.

É por conta disso que a importância da contabilidade rural é tão grande, e por especialidade considera características como:

  • Receitas;
  • Despesas;
  • Terra;
  • Equipamentos;
  • Insumos;
  • Empréstimos;
  • Patrimônio líquido da empresa rural.

A atividade rural apresenta particularidades que a diferenciam de outros setores da economia, o que torna importante contar com um profissional de contabilidade especializado em agronegócio.

Além disso, ao seguir a legislação brasileira e as normas do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), as empresas do setor rural podem ter uma avaliação mais precisa de sua performance financeira e operacional.

Manter os registros contábeis atualizados e realizados com frequência traz diversos benefícios, como o acesso a melhores condições de crédito e financiamento.

Qual a importância da contabilidade rural?

A importância da contabilidade rural é garantir uma gestão saudável e estratégica dentro da sua propriedade rural, permitindo identificar os pontos que demandam maior atenção e as atividades mais rentáveis.

Além disso, a sua importância está em fornecer informações precisas e confiáveis para decisões assertivas e para o planejamento do negócio. Confira abaixo mais alguns motivos que fazem da contabilidade rural tão importante:

1. Controle financeiro e patrimonial

A contabilidade rural organiza e registra as movimentações financeiras e patrimoniais, como terras, maquinário, rebanhos, estoques e colheitas.

Isso permite que você saiba exatamente quais são seus ativos, passivos e o capital disponível para investimentos.

2. Tomada de decisões estratégicas

Com informações financeiras precisas, é possível realizar um planejamento de safra ainda melhor, com previsão de custos e receitas. Além disso, é fica mais fácil decidir sobre a aquisição de insumos, investir em tecnologia ou expandir a área de cultivo.

3. Gestão de custos e lucratividade

A importância da contabilidade rural também está na identificação de custos de produção por hectare, por unidade de produto ou por ciclo produtivo, permitindo calcular a rentabilidade das atividades. Isso é essencial para saber quais operações são mais viáveis economicamente.

4. Planejamento tributário

O setor rural tem particularidades tributárias, como o ITR, Funrural e regimes específicos de tributação. A contabilidade rural garante todo os cumprimento das obrigações fiscais, evitando multas e otimizando o pagamento de impostos por meio de um planejamento tributário adequado.

5. Prevenção de riscos e perdas

Ao monitorar receitas e despesas, e projetar cenários financeiros para identificar possíveis riscos e implementar estratégias de mitigação.

Entre essas estratégias está a criação de reservas financeiras para enfrentar períodos de baixa produtividade ou adversidades climáticas, garantindo maior estabilidade ao negócio.

6. Facilidade na obtenção de crédito

Os bancos e instituições financeiras exigem relatórios contábeis detalhados como parte do processo para concessão de empréstimos e financiamentos.

Com uma contabilidade bem-feita, é possível comprovar a capacidade de pagamento, apresentar histórico de resultados e justificar a viabilidade do investimento solicitado, o que pode facilitar o acesso a condições de crédito mais vantajosas.

Planilha de controle de endividamento rural

Como fazer a contabilidade rural na fazenda?

A contabilidade rural abrange as diferentes características da atividade do campo. Isso te dá uma visão para explorar os recursos de maneira muito mais eficaz.

Antes de estruturar a contabilidade, é essencial que produtores e contadores responsáveis pela área saibam dos pontos de atenção do negócio

Assim, você pode contar com informações mais precisas para precificar seus produtos e fazer um planejamento financeiro para as safras seguintes. 

Definir a reserva de caixa necessária para a produção, o orçamento de cada safra e acompanhar a evolução dos custos são algumas ações importantes.

Então, para se aprofundar no assunto, é indispensável conhecer as particularidades do negócio. Veja quais são elas:

1. Inventário rural

A contabilidade rural deve registrar o valor patrimonial da fazenda. É pelo levantamento patrimonial que você conseguirá analisar quais são os seus ativos e quais são seus passivos. Sempre registre:

  • Montante de capital em conta; 
  • Máquinas e equipamentos; 
  • Construções como galpões; 
  • Contas a pagar e receber; 
  • Estoque de produção.

Durante o processo de inventário, é fundamental não confundir as despesas pessoais com as despesas da atividade rural.

Também é necessário definir valores monetários para ativos (como árvores frutíferas), mas esse processo pode ser bem difícil.

Então, para determinar esse valor, existem técnicas específicas. Por exemplo, existem softwares que mapeiam itens e determinam seus valores.

2. Registro de perdas

O setor rural, muitas vezes, sofre perdas relacionadas a:

  • Infestação de pragas;
  • Incêndios;
  • Enchentes;
  • Inundações;
  • Tempestades com ventos fortes e granizo.

Qualquer um dos eventos deve ser registrado como despesa não operacional, já que se trata de uma variável cuja ocorrência foge do controle da gestão do negócio.

3. Culturas temporárias e permanentes

O tipo de cultura também tem interferência nos registros contábeis. As culturas temporárias, por exemplo, tem ciclos de curta ou média duração, que após a colheita precisam ser replantadas para continuar produzindo.

Nessa situação, os produtos são classificados como ativos circulantes, pois geram retornos em curto prazo. É fundamental registrar todos os custos associados, como mão de obra, insumos e combustível, garantindo uma gestão financeira precisa e eficient

Já a cultura permanente é de ciclo vegetativo longo, que permite colheitas sucessivas. Não há necessidade de novo plantio.

Nesse tipo de cultura, que o ciclo é maior que um ano, os produtos devem ser categorizados como ativos não circulantes. Ativos não circulantes dão retorno a longo prazo.

4. Ciclos operacionais

Conhecer o ciclo operacional da fazenda é outro ponto importante para o profissional da contabilidade., afinal, o tempo do ciclo de produção varia de acordo com o tipo de cultivo e rebanho.

Os ciclos operacionais, muitas vezes, não correspondem a um ano fiscal. Ou seja, eles podem ser maiores que 12 meses entre o plantio e a venda para o consumidor final.

Para que os registros contábeis sejam feitos corretamente, é fundamental entender o ciclo operacional da empresa.

5. Registros contábeis

O contador da empresa rural será o responsável pelo registro contábil.  Os registros devem englobar as contas de receita, custos e despesas. Portanto, o contador deve ser o responsável pelo cálculo dos encargos financeiros e trabalhistas, aplicações financeiras e imposto de renda da empresa.

Além disso, é recomendado que algumas informações específicas sejam observadas, como:

Atividades de criação de animais

Nessas atividades, o ideal é que os componentes patrimoniais sejam analisados da seguinte forma:

  • Estoque de animais: devem ser avaliados de acordo com a idade e com a qualidade;
  • Nascimento de animais: são calculados a partir da divisão dos custos acumulados pela quantidade de animais nascidos;
  • Custos de animais: encontram-se atrelados ao valor original, uma vez que são recorrentes e variam de acordo com a fase de desenvolvimento do animal.

Outras práticas rurais

Em outras atividade rurais, que não envolvem animais, os registros contábeis devem considerar informações como:

  • Avaliação dos bens: rendimentos vindos das culturas devem ser vinculados a cada produto pelo seu valor original, incluindo todos os custos relacionados ao ciclo operacional;
  • Custos indiretos: em casos de culturas temporárias e permanentes, eles devem ser vinculados a cada produto, individualmente;
  • Estoque de produtos agrícolas: os custos específicos de uma colheita são contabilizados, bem como seu respectivo beneficiamento, seu acondicionamento e sua armazenagem;
  • Despesas pré-operacionais: devem ser amortizadas já na primeira colheita;
  • Imobilizados: podem ser incluídos os custos que aumentam a vida útil de uma cultura permanente;
  • Despesa operacional: ganhos relacionados à avaliação dos estoques dos produtos pelo valor de mercado;
  • Ativos da empresa rural: devem incluir custos necessários para a produção, de acordo com a expectativa de concretização;
  • Ativo circulante: contém informações sobre as despesas com estoque de produtos agrícolas e todos os custos necessários para concretizar a safra no próximo exercício;
  • Ativo permanente imobilizado: trata-se de custos que trarão benefícios a longo prazo, ou seja, em mais de um exercício.

A escrituração contábil das atividades rurais é obrigatória e orientada por um plano de contas. Este plano serve de parâmetro para a elaboração das demonstrações contábeis. 

O plano de contas e a escrituração contábil devem conter os dados sobre ativos, passivos, receitas, custos e despesas

6. Elabore o fluxo de caixa

A partir da elaboração do fluxo de caixa é possível identificar as entradas e saídas financeiras de dinheiro no seu negócio. 

Além disso, o fluxo de caixa fornece informações sobre o saldo disponível e o capital de giro. Basicamente, você deve registrar todos os custos e recebimentos.

Os recebimentos consistem em toda entrada de dinheiro no caixa. Você deve considerar como recebimentos as vendas à vista e a prazo, cartões e rendimentos de aplicações.

Por outro lado, os custos representam todas as saídas de dinheiro do seu caixa.  É preciso registrar todos os pagamentos de fornecedores, custos e despesas financeiras, salários e encargos, impostos e empréstimos.

Para te ajudar nessa etapa, separamos uma planilha completa para você fazer o fluxo de caixa da sua fazenda. Clique na imagem abaixo para baixar:

planilha de fluxo de caixa

7. Conte com um software de gestão agrícola

Para ter acesso e controle de todos os dados da fazenda, é fundamental contar com a ajuda de um software de gestão agrícola

A estrutura contábil e financeira de uma fazenda é muito complexa. Fica complicado ter a percepção correta da situação financeira da empresa com dados nos papéis ou em diversas planilhas.

Muitas vezes, na correria do dia a dia, esquecemos de anotar algumas informações importantes que podem fazer diferença no fim do mês.

Com o software de gestão agrícola, como o Aegro, todas suas informações ficam concentradas em um único lugar. 

contabilidade-rural-fluxo-de-caixa-parcelas

No Aegro você tem todos os seus dados em um só lugar. É muito mais fácil visualizar sua empresa rural com todas as contas organizadas.

Otimize seu maquinário com piloto automático agrícola

Piloto automático agrícola: entenda como funciona o sistema de máquinas automáticas e a possibilidade de uso em sua propriedade

A atividade agrícola deve ser executada da maneira mais profissional possível

Isso inclui o uso eficiente de recursos, máquinas, combustível, tempo e mão de obra. Os avanços tecnológicos fizeram com que muitas dessas atividades fossem automatizadas na agricultura. 

A automação agrícola envolve desde as práticas técnicas de campo até a gestão de pessoas. O piloto automático agrícola é um bom exemplo.

Neste artigo, confira os tipos de sistemas de piloto automático, quais operações podem ser realizadas com eles e muito mais! Boa leitura.

O que é o piloto automático agrícola?

O piloto automático das máquinas agrícolas funciona como um carro de controle remoto.  Isso quer dizer que o controle da máquina é remoto. Ou seja, não há contato direto do operador.

Porém, há uma diferença: um carro por controle remoto conta com um operador.

Na máquina em piloto automático, a operação acontece praticamente sem intervenção humana. Isso acontece através de uma série de processos.

A direção de deslocamento, velocidade, tempo de movimento e as paradas são coordenados com parâmetros pré-estabelecidos. A atividade a ser executada também é considerada.

Essa tecnologia também é chamada maquinário autônomo.

A evolução dos sistemas de piloto automático

Os sistemas de piloto automático começaram a se tornar possíveis a partir da década de 1990. O surgimento do GPS foi o motivo. 

A partir daí, as máquinas foram sendo adaptadas para executar de maneira automática algumas atividades. Por exemplo, andar em linha reta e seguir um trajeto pré-definido.

O papel do operador era diminuído, mas ainda necessário para atividades como: 

  • alinhamento da máquina no início do circuito;
  • controle de acionamento e levantamento do implemento acoplado;
  • manobra de retorno;
  • realinhamento à nova rota.

Alguns sistemas ainda são utilizados, baseando-se em sinais luminosos no campo ou na própria máquina. O objetivo é guiar o deslocamento do trator.

Porém, outros avanços nos últimos anos permitem que o piloto automático seja cada vez menos dependente da operação humana.

Como funciona o sistema de piloto automático?

A tecnologia de piloto automático se baseia em um sistema de georreferenciamento, como o GPS. 

A interação entre esse sistema e o sistema de controle da máquina e do implemento também são importantes.

Para isso, o sistema apresenta uma quantidade mínima de componentes:

Ilustração de máquina em preto e branco, com lupas em peças específicas

Componentes do sistema de piloto automático de um trator 

Fonte: (USP)

  • Antena (a): a antena recebe o sinal de georreferenciamento através do GNSS (Sistema de navegação global por satélites);
  • Computador (b): o computador de bordo contém o software. Através dele, é possível ajustar a rota, controlar o sistema de operação da máquina e do implemento de acordo com o sinal da antena;
  • Sensor de inércia (c): notifica oscilações e também faz a compensação da inclinação vertical;
  • Atuador da direção (d): adéqua e equaliza as rotas do trator e do implemento;
  • Sensor de esterçamento (e): acoplado às rodas do trator, permite controle automático do esterçamento da máquina.

Tipos de sistema de piloto automático

Existem dois tipos básicos de sistemas e estes são definidos de acordo com a interação entre a máquina e o implemento agrícola:

1. Sistemas passivos

Nesses sistemas, a rota é traçada baseada no deslocamento e posicionamento do implemento agrícola. 

A roda do trator é adequada para que o implemento avance de maneira correta.

Nos sistemas passivos, o trator e o implemento seguem rotas diferentes. Por isso, podem ocorrer danos em partes do cultivo pelo trator, principalmente em operações de tratos culturais.

2. Sistemas ativos

Nesses sistemas, o controle de posicionamento é feito com o trator e o implemento seguindo a mesma rota. Assim, há um maior controle sobre o deslocamento.

Nos sistemas ativos, há a necessidade de atuadores na máquina ou no implemento, ajustando suas rotas. 

Esses atuadores são normalmente mecânicos, elétricos ou hidráulicos.

Quais operações podem ser feitas com essa tecnologia?

A maior parte das atividades que envolvam tratores ou implementos agrícolas podem ser adaptadas para o uso de piloto automático

A possibilidade de ter uma máquina autônoma depende da capacidade de adequá-la para a tarefa.

O uso de máquinas com piloto automático pode ser feito para as seguintes tarefas:

  • Preparo do solo: essas máquinas podem ser usadas em conjunto com mapas de inclinação e fertilidade da área. Atuam tanto no preparo quanto na correção nutricional do solo;
  • Plantio: o piloto automático evita a sobreposição de plantio ou áreas vazias. Além disso, há melhor controle no número de sementes por área, melhorando o estande inicial;
  • Aplicação de produtos fitossanitários: o uso de piloto automático pode gerar uso mais eficiente de insumos e evitar toxicidade. Ele não permite a sobreposição de áreas. Além disso, permite que os produtos sejam aplicados em horários alternativos, com condições climáticas ideais.
  • Colheita: na colheita, o uso de máquinas autônomas pode evitar o amassamento de plantas e danos ao cultivo. Além disso, a velocidade é mais uniforme e evita perdas.
Foto de painel de bordo de máquina com piloto automático: é possível ver uma ilustração da lavoura com uma linha reta e uma seta vermelha, que indica o trajeto a ser feito pela máquina

Exemplo de tela de computador de bordo de máquina com piloto automático 

Fonte: (Hexagon)

Vantagens de utilizar o piloto automático

Existem diversas razões para investir e utilizar a tecnologia de piloto automático e máquinas autônomas. 

A maioria está relacionada ao aumento da eficiência e qualidade do serviço. A redução de custos ao longo prazo também é uma forte vantagem.

Mas existem outras:

  • Diminuição de falha humana;
  • Menor fadiga do operador;
  • Possibilidade de atuação sob baixa visibilidade devido à escuridão ou neblina;
  • Eficiência de aplicação e diminuição da sobreposição de áreas;
  • Maior homogeneidade da lavoura;
  • Diminuição do tempo de atividade e do gasto de combustíveis;
  • Redução na ociosidade do maquinário;
  • Menor possibilidade de dano à cultura ou ao maquinário;
  • Possibilidade de integração com outras técnicas de agricultura de precisão.

 Desvantagens do piloto automático agrícola

Apesar de todas as vantagens, o sistema de piloto automático exige um alto investimento.

Você também precisa de treinamento específico para uma boa utilização e aproveitamento de todas essas vantagens.

Há várias opções de marcas e modelos, com diferentes preços. Você deve verificar a viabilidade e o melhor sistema para seu maquinário.

Além disso, é importante incluir investimentos em maquinário e formação de pessoal antes de implementar o sistema.

Ao se decidir pela aquisição e uso dessa tecnologia, informe-se com o vendedor sobre as necessidades de instalação e calibragem do sistema em seu maquinário. 

Além disso, informe-se sobre custos dessas tarefas, caso não estejam incluídos.

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Conclusão

O uso de tecnologias de automação são prioridades em tarefas relativas ao cultivo e à gestão da propriedade.

As máquinas autônomas já são uma realidade no Brasil, e você também pode ter essa tecnologia na sua lavoura.

Isso poderá trazer grandes vantagens, como a redução de custos e maior facilidade no trabalho. Vale a pena considerar esse investimento na lavoura.

Leia mais >>>

“Fazendas digitais: saiba mais sobre a nova maneira de produzir”

E você, já usa piloto automático agrícola na sua fazenda? Notou facilidade no seu trabalho no campo? Adoraria ler seu comentário!

Incentivos fiscais para quem produz: entenda se você tem direito

Incentivos fiscais: veja o que são, as modalidades mais comuns, as diferenças entre os benefícios e muito mais!

A carga tributária no Brasil pode se tornar um peso para muitas empresas. Os governos das diversas esferas criam medidas legais para reduzir a carga tributária dos contribuintes.

Essas medidas são chamadas benefícios fiscais

O planejamento tributário dos negócios é impactado por eles, que podem reduzir ou até mesmo eliminar os gastos com contribuições.

Neste artigo, você saberá quais são os tipos de incentivos e quais são os impostos impactados. Boa leitura!

O que são incentivos fiscais

Incentivos fiscais, também conhecidos como benefícios fiscais são um regime especial de tributação que envolve uma vantagem ou redução na tributação de produtor rural

Esse benefício pode vir em forma de:  

  • isenção;
  • redução da base de cálculo;
  • crédito presumido;
  • redução de taxas;
  • deduções;
  • amortizações, entre outros.

A alta carga tributária é um dos grandes problemas para o crescimento da economia no Brasil.  Portanto, a União, os Estados e Municípios utilizam os benefícios fiscais. 

A redução de impostos e incentivos fiscais na promoção de políticas públicas são exemplos de benefícios.

Os incentivos fiscais são aplicados com duas finalidades:

  • Promover o desenvolvimento e a instalação de empresas nos locais onde eles são concedidos. Isso gera aumento da renda e mais empregos;
  • Reduzir as desigualdades sociais com a desoneração de produtos considerados essenciais para a população. 

Qual a diferença entre benefício fiscal e incentivo fiscal?

Não existe uma diferença significativa entre benefícios e incentivos fiscais. 

O benefício fiscal é mais amplo que o incentivo. Entretanto, eles estão diretamente relacionados à eliminação ou redução de tributos.

O incentivo é uma espécie de benefício fiscal. Portanto, nem todo benefício é um incentivo, mas todo incentivo é um benefício fiscal.

Benefícios fiscais: Esquema que mostra que benefício tributário é um benefício fiscal, e incentivo fiscal é um tipo de benefício tributário. Consequentemente, também é um benefício fiscal

Incentivo fiscal é um tipo de benefício fiscal

Fonte: (ReseachGate)

4 modalidades mais comuns de benefícios fiscais

Não existe apenas um tipo de benefício fiscal. É possível listar várias, mas as principais são:

1. Anistia ou redução de débitos

A anistia ou redução dos débitos é o benefício aplicado para os contribuintes com débitos tributários em aberto. 

Ou seja, se você tem tributos em aberto, o governo pode oferecer possibilidades de pagamento com multas ou juros menores.

2. Isenção

A isenção ocorre quando o crédito tributário é excluído

As regras para isenção estão descritas nos artigos 175 a 179 do CTN (Código Tributário Nacional). Nestes casos, o imposto não incide sobre as operações ou prestações especificadas.

3. Redução da base de cálculo

A redução da base de cálculo tem como objetivo a redução da tributação sobre determinadas mercadorias e operações. 

Neste caso, a alíquota de tributação não se altera. O que ocorre é uma redução na base que serve de cálculo do imposto.

4. Crédito presumido

O crédito presumido é uma hipótese de crédito com o objetivo de reduzir o imposto cobrado sobre as operações praticadas. 

É possível ter esse crédito sobre o ICMS de produtor rural. Isso unifica a cobrança do imposto em vez de o contribuinte ter que pagar um valor para cada etapa da circulação da mercadoria.

Relação dos incentivos fiscais com os impostos

Os benefícios fiscais estão relacionados com os tributos, impostos ou contribuições. 

Eles podem ser concedidos de forma geral ou sobre determinado tributo, como ICMS, PIS e Cofins.

Para que o benefício fiscal ocorra, existe sempre uma renúncia total ou um deslocamento da receita pelo Estado. Para reduzir um tributo, existem diversas estratégias:

  • dar isenção total, reduzir a alíquota a zero ou reduzir o percentual da alíquota;
  • reduzir a base de cálculo sobre a qual ele incide;
  • conceder crédito após a apuração do tributo a ser pago;
  • dar anistia ao contribuinte sobre débitos tributários.

Na esfera federal, a concessão dos incentivos considera o regime de tributação escolhido pela empresa. Neste caso, somente pessoas jurídicas optantes pelo lucro real é que podem usar os benefícios fiscais. 

Se seu agronegócio recolhe imposto pelo lucro presumido ou utiliza o Simples Nacional, não poderá aproveitar os incentivos federais.

Nas esferas municipais e estaduais, o tipo de tributação é irrelevante. 

Afinal, os impostos como ICMS, ISS (Imposto Sobre Serviços) ou IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) não são impactados pelo regime de tributação.

Em 2021, foi aprovado o Projeto de Lei Complementar n.º5 de 2021 (PLP 5/2021). 

Ele prorroga para 15 anos (prazo final 2032) os incentivos e benefícios fiscais vinculados às operações relativas ao ICMS.

Essa Lei expandiu as disposições da Lei Complementar 160/2017  dos benefícios vinculados sobre o ICMS. 

Isso desde que destinados à manutenção ou ao incremento das atividades comerciais e prestações interestaduais com produtos agropecuários e extrativos vegetais in natura. 

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Programa Mais Leite Saudável

No âmbito federal, foi criado um programa especial para os produtores e cooperativas de leite com CNPJ. 

O Programa Mais Leite Saudável é um benefício fiscal. Os contribuintes poderão descontar os créditos presumidos da contribuição do PIS/Pasep e Cofins. 

Isso desde que relativos às operações de aquisição de leite in natura, que são insumos para produção de produtos alimentícios.

O crédito presumido pode ser utilizado para o desconto no valor das contribuições devidas em cada período de apuração. 

Mesmo que esse crédito não seja aproveitado no mês, ele poderá ser utilizado nos meses seguintes.  

Os contribuintes podem solicitar o ressarcimento do dinheiro, desde que estejam habilitados no programa.

Conclusão

Os benefícios fiscais podem contribuir para o desenvolvimento da sua fazenda. Assim, a gestão financeira do seu negócio estará alinhada com o seu planejamento estratégico.

Além disso, os incentivos fiscais podem ajudar a reduzir os impostos, de acordo com as leis do país. 

Portanto, é importante que você pesquise e conheça todos os incentivos concedidos pelos Estados e Municípios ao seu setor. 

Se tiver dúvidas, procure um profissional da área. Essa pessoa estará apta a orientar sobre os benefícios do setor e se houve alguma mudança na lei.

>> Leia mais:

“Entenda os impactos da reforma tributário no agronegócio e nas contas da sua fazenda”

Imposto de renda para produtor rural: leis e normas para ficar de olho”

Você já conhecia os incentivos fiscais? Já utilizou algum deles no seu negócio rural? Adoraria ler seu comentário abaixo!