Como se preparar para as principais pragas agrícolas

Principais pragas agrícolas: um compilado completo das pragas de soja, algodão e milho. Respondemos também as perguntas mais frequentes para o manejo eficiente.

Como se preparar para as principais pragas agrícolas

Antes mesmo de colocar as semeadoras em campo, devemos estar preparados para enfrentar as adversidades.

E uma das grandes preocupações é o ataque de pragas.

Até porque a presença de insetos-praga na lavoura se faz presente antes, durante e depois do plantio.

Pensando nisso, fizemos um compilado sobre as principais pragas agrícolas das culturas da soja, algodão e milho. Assim, você pode se preparar para enfrentar as pragas agrícolas da melhor maneira possível. Confira!

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Quando devo me preocupar com as principais pragas agrícolas? 

Em vista do sistema sucessivo de cultivo, com culturas sobrepondo culturas, as chamadas pontes verdes, observamos pragas a qualquer momento do ano.

Assim, para evitar frustrações após o plantio, um bom manejo de pragas para a safra deve ser iniciado ainda na entressafra.

Mas por que a entressafra é um período crítico e determinante para os cultivos?

Isso se deve ao fato de que a fase de estabelecimento da cultura é a mais suscetível/sensível ao ataque de pragas e doenças.

Sendo assim, a presença de inóculos iniciais e/ou altas densidades populacionais das principais pragas agrícolas pode comprometer todo o planejamento da safra.

Portanto, é na entressafra que devemos fazer o “dever de casa”, como o controle de plantas daninhas e tigueras.

Isso porque elas servem de abrigo e alimento para as pragas, permitindo a reprodução das mesmas na entressafra.

Aqui vão algumas dicas para esse controle de plantas daninhas e voluntárias:

Caso contrário, você pode ter alguns problemas e danos, conforme veremos a seguir:

Qual é o risco de não fazer o manejo da entressafra corretamente?

Ao deixar na área plantas daninhas ou tigueras – que são hospedeiros alternativos -, você permite o aumento da população da praga e o seu ataque em altas densidades populacionais no início de cultivo.

Isso pode reduzir o número de plantas por unidade de área e, em consequência, afetar diretamente a produtividade.

Além disso, os danos iniciais de um ataque intenso das principais pragas agrícolas afeta todo o desenvolvimento da planta, prejudicando a produção.

O que devo fazer para minimizar os riscos do ataque das principais pragas agrícolas?

Isso implica na adoção do Manejo Integrado de Pragas (MIP). Assim, devemos seguir alguns passos simples na entressafra:

  • proceder amostragem com identificação do inseto-praga;
  • verificar sua densidade populacional;
  • tomar a decisão da melhor ferramenta a ser utilizada, incluindo controle biológico, químico e cultural.

Abaixo disponibilizamos gratuitamente uma planilha para você fazer seu MIP. Clique na imagem para baixar agora!

planilha manejo integrado de pragas - mip Aegro

Entre as medidas a serem adotadas, podemos citar o uso correto da dose do produto à praga-alvo, rotacionar os mecanismos de ação e priorizar o uso inseticidas seletivos aos inimigos naturais de pragas agrícolas.

Tendo em vista a entressafra, também vale pensar no uso de culturas de cobertura ou adubos verdes não hospedeiros das principais pragas agrícolas da sua área. Tudo isso, além do controle de plantas daninhas, como já comentamos.

Principais pragas agrícolas de soja, milho e algodão

Percevejo barriga-verde (Dichelops spp.)

As duas espécies principais são Dichelops melacanthus e Dichelops furcatus.

Apesar de atacar a soja, na maioria das regiões produtoras, não tem sido essa a espécie mais preocupante.

No entanto, no milho, esse percevejo pode causar danos consideráveis, sendo uma das principais pragas agrícolas da cultura.

O percevejo barriga-verde pode atacar as plantas em seu período crítico, que vai desde a germinação até a emissão do quinto par de folhas (VE- V5).

Repare abaixo a migração do percevejo das safras anteriores para o milho, ressaltando a importância do monitoramento na entressafra:

Ele penetra seus estiletes na região do colo, injeta toxinas e perfura as folhas ainda em formação.  As plantas que sofrem o ataque dessa praga apresentam halos amarelados.

Além disso, a planta pode produzir perfilhos improdutivos, o que resulta em perda de produtividade.

A medida que a planta de milho vai se desenvolvendo, você pode observar pequenos orifícios nas folhas que ficam dispostos transversalmente. 

Também é possível notar o enrolamento anormal das folhas do cartucho do milho e, em casos mais severos, pode ocorrer a morte das folhas. 

Atualmente, o principal método de controle da praga tem sido o tratamento de sementes e a pulverização foliar com inseticidas sistêmicos.

No Agrofit, existem cerca de 50 produtos registrados para o manejo do percevejo-barriga-verde no milho para as duas espécies do gênero Dichelops

Helicoverpa spp.

A Helicoverpa zea e Helicoverpa armigera são algumas das principais pragas agrícolas nas culturas de importância econômica do Brasil.

Enquanto a H. zea é originária da região do México, a H. armigera é originária da Oceania.

Por isso, a H. zea possui maior adaptação ao milho e a H. armigera mais adaptada às culturas do algodão e da soja.

Veja detalhes dessas pragas no artigo “Você conhece o ciclo de vida da Helicoverpa armigera?

Bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis)

O bicudo-do-algodoeiro é considerado uma das principais pragas do algodão desde a sua detecção, em 1983.

Essa praga tem o hábito de se alimentar dos botões florais, flores e maçãs do algodoeiro.

foto de Bicudo-do-algodoeiro atacando maçã do algodoeiro - principais pragas agrícolas

Bicudo-do-algodoeiro atacando maçã do algodoeiro
(Fonte: Boas Práticas Agronômicas)

As fêmeas têm o hábito de fazer as posturas dos ovos nesses locais, especialmente nos botões florais. 

Portanto, é importante que você saiba a diferença entre os danos de alimentação e os danos de oviposição (ato de depositar os ovos).

Quando há o dano de oviposição podemos observar a presença de uma substância cerosa, parecido com um calo pequeno, no orifício criado quando a fêmea deposita seus ovos.

Já o dano de alimentação, o orifício não é coberto com essa secreção e observam-se somente as pontuações enegrecidas ou necrosadas.

Na prática, os dois tipos de danos podem trazer prejuízos, no entanto, o dano de oviposição é mais prejudicial.

Isso ocorre porque as larvas do bicudo se desenvolvem nessas estruturas reprodutivas e impossibilitam o desenvolvimento do capulho. 

Além disso, temos o aumento da população da praga, pois, com as larvas protegidas dentro do botão floral e maçã do algodoeiro, o inseticida não consegue penetrar.

Medidas de manejo para o bicudo-do-algodoeiro

  • O plantio-isca para atrair os bicudos e eliminá-los com inseticidas antes do plantio definitivo;
  • O uso de armadilhamento, no qual em um tubo de papelão biodegradável é colocado o feromônio sintético para atração do bicudo e também é pincelado óleo de algodão com inseticida de efeito de choque;  
  • A eliminação dos restos culturais após a colheita, pois nesse momento o bicudo se dispersa para refúgios e pode permanecer em diapausa durante a entressafra;
  • Pulverização de inseticidas em área total.

É importante ressaltar a importância do armadilhamento para essa praga que, assim como na mosca-das-frutas, vem trazendo bons resultados.

No portal Agrofit existem 112 produtos registrados para o manejo do bicudo.

Mosca-branca (Bemisia tabaci – biótipo B)

Assim como a lagarta do cartucho, a mosca-branca Bemisia tabaci é um tipo de praga cosmopolita e polífaga.

Já foi detectada se desenvolvendo em plantas de milho, cultura que anteriormente era uma alternativa para “quebrar” o seu ciclo biológico.

foto de Presença de Bemisia tabaci biótipo B em plantas de milho

Presença de Bemisia tabaci biótipo B em plantas de milho
(Quintela et al., 2016)

Ao longo de um ano, a mosca-branca pode produzir até 15 gerações e é uma das principais pragas agrícolas atualmente.

Nas culturas hospedeiras, se localiza preferencialmente na face inferior das folhas. Ali ovipositam, em média, de 150 a 300 ovos.

Uma característica dessa praga é que, após se alimentar nas folhas, é comum observar a presença de uma substância açucarada e pegajosa, conhecida como “honeydew”.

Os danos da mosca-branca podem ser agrupados em diretos e indiretos.

Danos diretos da mosca-branca

Na soja, o dano direto é causado tanto pelas ninfas como pelos adultos, que sugam a seiva, e as folhas infestadas podem apresentar manchas cloróticas. Além disso, podem ocorrer reduções na produtividade e antecipação do ciclo em até 15 dias.

Em períodos de veranico, os danos podem ser potencializados, pois a população da praga aumenta, a planta encontra-se fragilizada, e o dano pode ser potencializado.

Na cultura do algodão e da soja, é comum observarmos a formação da fumagina sobre as estruturas vegetativas e reprodutivas:

No algodão, o grande problema da formação da fumagina é a contaminação do línter, que prejudica diretamente a qualidade da fibra e, até mesmo, a colheita.

Danos indiretos da mosca-branca

Com relação ao dano indireto, este é caracterizado pela transmissão de vírus nas culturas hospedeiras.

No algodão, os vírus do grupo geminivírus são os mais comuns. Na cultura da soja, a mosca-branca é transmissora do vírus da “necrose-da-haste”, do grupo dos carlavírus.

Ainda na soja, é possível observar o enrolamento e clorose das folhas. Esse conjunto de fatores impacta diretamente na produtividade.

Atualmente no portal Agrofit existem mais de 55 produtos registrados para o manejo da mosca-branca na soja e 49 no algodão.

Lagarta-do-cartucho do milho (Spodoptera frugiperda)

Existe um complexo de lagartas do gênero Spodoptera e a espécie Spodoptera frugiperda, lagarta-do-cartucho, é a praga-chave da cultura do milho, além de ser um sério problema nas culturas da soja e do algodão.

É uma praga polífaga, ou seja, consegue se alimentar de diferentes espécies de plantas. Por isso, está associada à maioria das culturas anuais de importância econômica.

No milho, as lagartas preferem alimentar-se de folhas novas, mas também podem atacar as espigas.

Devido ao canibalismo dessa praga, é comum observar no cartucho do milho apenas uma lagarta. 

Sintomas típicos de seu ataque no milho são folhas raspadas e/ou desfolhadas no cartucho. Em casos severos, verificamos o cartucho destruído e espigas danificadas.

Tanto no milho quanto na soja e no algodão, as lagartas podem atacar a base/colo das plantas recém emergidas, semelhante o comportamento típico da lagarta-rosca (Agrotis ipsilon).

Além disso, na soja e no algodão essa lagarta também pode atacar suas estruturas reprodutivas: vagens, capulhos e maçãs. Ao danificá-las, comprometem diretamente a produtividade.

foto de Spodoptera frugiperda atacando maçãs do algodoeiro

Spodoptera frugiperda atacando maçãs do algodoeiro
(Fonte: Senar)

No portal Agrofit existem 213 produtos comerciais registrados para a cultura do milho, 34 para a essa praga na soja e 70 para o algodão.

Você pode ver mais sobre a Spodoptera frugiperda nestes artigos:

Passo a passo de como combater a lagarta-do-cartucho

“As tecnologias que você precisa saber para controlar “Spodoptera frugiperda”

Cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis)

Atualmente, a cigarrinha-do-milho Dalbulus maidis é considerada uma das principais pragas na cultura do milho.

Uma característica comportamental marcante dessa praga é sua agilidade em se movimentar.

Ela está entre as pragas mais importantes do milho e isso se deve pela capacidade em transmitir doenças.

Assim, plantas infectadas podem manifestar a doença do enfezamento pálido, vermelho e o raiado fino:

três fotos, uma ao lado da outra, mostram Cigarrinha-do-milho e as doenças enfezamento pálido e vermelho

Cigarrinha-do-milho e as doenças enfezamento pálido e vermelho
(Fonte: Pioneer)

As plantas doentes apresentam entrenós encurtados e ficam definhadas, com menor porte. Assim como a mosca-branca, a cigarrinha-do-milho também produz a substância açucarada “honeydew”.

A principal estratégia de manejo adotada para essa praga é o tratamento de sementes com inseticidas sistêmicos e a pulverização foliar com inseticidas com ação de choque e com efeito residual. 

No portal Agrofit existem 27 produtos registrados para seu manejo.

Percevejo-marrom (Euschistus heros)

Euschistus heros possui ciclo biológico – fase de ovo até a fase adulta – médio de 29 dias. Em geral, os adultos dessa praga possuem longevidade média de 116 dias.

Nas vagens ou folhas são observadas pequenas massas de ovos, na média de 5 a 8 ovos. Ali as ninfas permanecem ao redor dos ovos até atingirem o segundo ínstar.

A partir dessa fase é que podemos observar os danos. Ao penetrar seu aparelho bucal nas vagens para se alimentar, eles atingem as sementes.

Em consequência, o ataque desse percevejo danifica diretamente os tecidos da semente ou grão, que ficam praticamente todos chocos e enrugados.

Assim, há perda de massa do grão, de qualidade e sua inviabilização para ser comercializado como semente.

Além disso, é comum notarmos retenção foliar e vagens murchas devido à intensa sucção de seiva.

No Agrofit existem 58 produtos registrados para o manejo do percevejo marrom na cultura da soja e 3 produtos na cultura do algodão.

Ácaro-rajado (Tetranychus urticae)

Outra praga muito comum e polífaga é o ácaro-rajado. Embora tenha características muito semelhantes aos insetos, essa praga é uma aracnídeo (classe Arachnida).

A espécie Tetranychus urticae pode atacar muitas culturas. Dentre elas, algodão, soja e feijão são as que mais sofrem. 

Ela tem o hábito de formar teias nas folhas, o que cria um ambiente propício para seu desenvolvimento e ainda protege as ninfas e os adultos de possíveis ataques de predadores. 

Além disso, essa teias prejudicam o controle químico e a solução é aplicar jatos de água na lavoura para que sejam destruídas.

O ciclo desse ácaro varia de acordo com as condições ambientais, mas, em média, costuma ser de 7 a 20 dias. 

fotos de adultos de ácaro-rajado e teia que produzem na planta: principais pragas agrícolas

 Adultos de ácaro-rajado e teia que produzem na planta
(Fonte: University of Florida)

Os ataques são mais comuns em épocas com altas temperaturas e clima seco. Os danos são diretos com perfurações das células superficiais e redução da capacidade fotossintéticas das plantas. 

É importante fazer o manejo integrado desse ácaro, pois o manejo convencional tende a selecionar as populações resistentes. 

Os principais métodos são controle biológico com ácaros predadores e entomopatógenos; controle cultural, com destruição de restos culturais e manejo de plantas invasoras; além de controle químico com a rotação de diferentes modos de ação. 

No portal Agrofit existem 32 produtos registrados para o manejo de ácaro-rajado na cultura da soja, 72 produtos para a cultura do algodão, 12 para feijão e 1 para milho. 

Manejo Integrado de Pragas (MIP) 

É importante que você tenha em mente que o controle de todas essas pragas deve seguir preceitos do Manejo Integrado de Pragas (MIP).

O MIP não visa eliminar as pragas, mas mantê-las abaixo do nível de controle, de maneira equilibrada, após verificação com monitoramento. 

Dessa maneira você conseguirá evitar a resistência de pragas-chave a pesticidas, o uso irracional dos pesticidas, ressurgência de pragas em níveis muito mais altos, contaminação do ambiente e pesticidas incompatíveis com o controle biológico. 

Perguntas frequentes sobre as principais pragas agrícolas e o Manejo Integrado de Pragas (MIP)

Próximo ao plantio, posso usar inseticida na dessecação?

No momento da dessecação da área, poderá ser feita a aplicação de inseticidas junto ao herbicida.

Antes disso, é preciso fazer amostragens na área para verificar a densidade populacional.

Spodoptera frugiperda, Helicoverpa armigera e Dichelops melacanthus são as principais pragas-alvo nessa fase. Entre os inseticidas utilizados nesse momento estão os pertencentes aos grupos químicos metilcarbamato e organofosforado (grupo 1A e 1B do IRAC).

Quais outras medidas posso tomar?

Paralelo a isso, você também pode fazer o tratamento de sementes com inseticidas de contato e sistêmico.

O intuito é garantir o estande de plantas na área, prevenindo os danos de insetos de solo e parte aérea.

Os principais inseticidas utilizados são do grupo químico dos neonicotinoides (grupo 4A do IRAC), piretroides (grupo 3A do IRAC), metilcarbamatos (grupo 1A do IRAC) e pirazol (grupo 2B do IRAC).

Como manejar a resistência das principais pragas agrícolas?

Fase inicial de plantio

Se for necessário, aplique um inseticida foliar até 25 dias após a semeadura.

Os produtos devem ter mecanismos de ação diferente do inseticida utilizado no tratamento de sementes.

Portanto, inseticidas com o mesmo mecanismo de ação utilizado para tratar as sementes não deverão ser utilizados por pelo menos 30 dias.

Pós-fase inicial de plantio

Caso mais de uma aplicação de inseticida seja necessária durante o período de 30 dias após a semeadura, opte por inseticidas com mecanismo de ação diferente.

É importante saber que é possível fazer aplicações múltiplas do mesmo mecanismo de ação dentro de um período de 30 dias.

Veja o exemplo abaixo os usos de inseticidas divididos em três momentos:

Esquema demonstrando como fazer a rotação com diferentes mecanismos de ação por janela ou geração da praga (30 dias)

Esquema demonstrando como fazer a rotação com diferentes mecanismos de ação por janela ou geração da praga (30 dias)
(Fonte: IRAC)

Conclusão

As pragas listadas aqui são polífagas, altamente adaptadas ao sistema agrícola, de extrema importância econômica e quase sempre de difícil controle.

Para isso, é importante planejarmos e fazer o uso correto das ferramentas de MIP disponíveis.

Se as medidas preventivas, na entressafra, não forem realizadas adequadamente, sem a destruição de plantas daninhas e tiguera, essas pragas vão causar prejuízos econômicos.

Tendo isso em vista, faça seu planejamento agrícola, coloque em prática nossas dicas e boa safra!

“Inseticidas ecdisteroides: como agem nos insetos e por que são uma boa opção de manejo”

Quais as principais pragas agrícolas que te dão mais dor de cabeça? Tem mais dicas sobre essas pragas? Restou alguma dúvida? Deixe seu comentário!

Atualizado em 05 de novembro de 2020 por Thaís Fagundes Matioli
Agrônoma formada pela Universidade Federal de Lavras (UFLA), mestra em ciências/entomologia e doutoranda no Departamento de Entomologia da Esalq-USP.

Manual rápido de como fazer adubação de soja

Adubação de soja: saiba agora  (e de modo descomplicado), qual a recomendação para sua região quanto à adubação de nitrogênio, potássio, fósforo e até micronutrientes.

É importante nos atentarmos para fazer uma adubação adequada, sem desperdícios e que assegure a produção.

Além do mais, a cultura da soja tem algumas particularidades quanto à adubação, e isso pode gerar questionamentos.

Em vista disso, fizemos um manual rápido da adubação de soja. Aqui temos as principais recomendações e dicas para obter altas produtividades do grão! Confira:

Porque a adubação de soja não pode ser uma receita de bolo

Vamos começar com a dia mais importante de todas: não trate sua adubação como uma receita de bolo.

A fertilização de qualquer cultura deve ser pensada e inserida no planejamento agrícola de acordo com o histórico da área, cultura, preços e muitos outros fatores.

Por exemplo, o cultivo de soja após o milho safrinha é bastante comum e isso influencia na adubação de soja.

Isso porque, com as altas produtividades de milho, vem a grande remoção de nutrientes do solo.

Assim, a absorção de nutrientes pelas culturas é influenciada  pelos seguintes fatores:

  • Condições climáticas;
  • Diferenças genéticas entre as variedades;
  • Condições do solo: nutrientes, pH, CTC, etc.;
  • Manejo da área;

Agora vamos entender mais sobre os principais nutrientes para a cultura da soja:

O caso do nitrogênio na cultura da soja

A principal fonte de nitrogênio na soja é através da fixação simbiótica. Isto é, as bactérias dos nódulos das raízes  fixam o N do ar e disponibilizam à planta.

Embora seja um tema polêmico, em geral não precisamos adicionar fertilizantes nitrogenados à essa cultura.

Estudos mostram que a adubação de soja com nitrogênio mineral prejudica a fixação biológica de N. Entretanto, caso utilize, a dose não deve ser maior que 20 kg/ha.

Assim, temos que realizar a etapa de inoculação das bactérias fixadoras adequadamente.

Afinal, para uma produção de 3.000 kg/ha, são necessários 246 kg de N, resultando em grãos de soja com teor de nitrogênio de 40%.

adubação de soja

(Fonte: Embrapa)

Nesse sentido, veja o artigo: “Inoculante para soja de alta produtividade: como, quando e o porquê”.

Além de que, você também pode aumentar o fornecimento de nitrogênio para soja fazendo adubação verde. Saiba mais em:

>> Qual a melhor leguminosa para fazer sua adubação verde
>>Vantagens e desvantagens de fazer adubação verde em sua propriedade

Vamos então à algumas dicas sobre a inoculação:

Inoculação na cultura de soja

Primeiramente vamos definir o que é inoculação: é uma operação agrícola, que pode ser feita manual ou mecanicamente, realizada antes da semeadura.

Nesse processo coloca-se a bactéria fixadora de N, presente no inoculante, em contato com a semente de soja.

Alguns pontos que você deve ficar atento ao comprar um inoculante:

  • A embalagem deve conter o número de registro do produto no MAPA;
  • Prazo de validade;
  • Concentração de bactérias por mL ou por grama;
  • Identificação de uma ou duas das quatro estirpes de bactérias que são recomendadas para o Brasil;
  • Conservar o inoculante em local fresco e arejado;
  • A legislação do Brasil estabelece que os inoculantes devem conter uma concentração mínima de 1,0 x 109 células viáveis de rizóbios por grama ou mL do produto;

Você pode fazer a inoculação manualmente ou mecanicamente, podendo ser feita com betoneira ou máquina para tratamento e inoculação de sementes.

Passo a passo para fazer uma inoculação de boa qualidade

  • Realizar a operação de inoculação sempre a sombra;
  • Proteger as sementes inoculadas do sol e calor;
  • Não fazer a inoculação dentro das caixas da semeadora;
  • Inocular e semear em seguida;
  • Não utilizar menos de 100 mL de inoculante líquido por saca de 50 kg de sementes;
  • Ao usar inoculante turfoso, você pode utilizar uma solução açucarada a 10% para aumentar a aderência;
  • Usar 300 mL de inoculante turfoso por saca de 50 kg ou verificar com fabricante;
  • Se for fazer tratamento químico das sementes, o inoculante deve ser o último produto a ser aplicado.
  • Para a “inoculação de correção” usar de duas (2,4 x 106) a três (3,6 x 106) vezes a dose mínima recomendada (1,2 x 106 células por semente inoculada);
  • Na reinoculação ou inoculação de manutenção, usar a dose mínima  (1,2 x 106);
  • Caso você opte por fazer a inoculação no sulco de semeadura deve ser utilizado 7,2 x 106 células por semente inoculada (área nova) e 3,6 x 106 células por semente inoculada (reinoculação).

Saiba mais neste vídeo da Embrapa sobre como fazer a etapa de inoculação:

Adubação de soja para a região do Cerrado

Adubação fosfatada

A adubação de soja de P corretiva na região do Cerrado pode seguir dois caminhos:

  • Correção do solo total a lanço e incorporada, com posterior adubação de manutenção;
  • Correção gradual, que consiste em aplicar no sulco de semeadura uma quantidade de P superior à extração da cultura.

De qualquer forma, precisamos interpretar a análise de solo. Veja a tabela de interpretação e indicação de adubação fosfatada (fósforo extraído pelo método Mehlich I), para solos de Cerrado:

2-adubação-de-soja-fósforo

¹Ao atingir níveis de P extraível acima dos valores estabelecidos nesta classe, utilizar somente adubação de manutenção.
(Fonte: Sousa & Lobato (1996) em Embrapa)

Se o nível de P no solo estiver classificado como médio ou bom deve-se usar a adubação de manutenção.

Em geral, ela consiste em 20 kg de P2O5/ha para cada 1.000 kg de grãos produzidos.

Para a adubação de soja corretiva temos a indicação da Embrapa:

3-adubação-de-soja-fosfatada

¹Fósforo solúvel em citrato de amônio neutro mais água, para os fosfatos acidulados; solúvel em ácido cítrico 2% (relação 1:100); para termofosfatos, fosfatos naturais e escórias. ²Além da dose de correção total, usar adubação de manutenção. ³No sulco de semeadura, em substituição à adubação de manutenção. 4Classe de disponibilidade de P.
(Fonte: Sousa & Lobato (1996) em Embrapa)

Além disso, você pode ver detalhes da fosfatagem neste artigo aqui.

Adubação potássica

A adubação potássica na região do Cerrado deve ser feita a lanço em solos com teor de argila maior que 20%.

Em solos de textura arenosa, não deve ser feita a adubação de soja corretiva de K porque ocorre perdas por lixiviação.

Assim, na semeadura da soja é interessante aplicar 20 kg de K2O para cada 1.000 kg de grãos que se espera produzir.

Devemos fracionar a dose de K2O quando:

  • A dose for acima de 50 kg ha-1 ou
  • Teor de argila do solo for menor que 40%

Nesses casos, vamos  aplicar 1/3 na semeadura e 2/3 em cobertura (30 a 40 dias após a semeadura).

Temos ainda, a indicação da adubação corretiva de potássio para solos de Cerrados com teor de argila >20%:

4-adubação-de-soja-potássio

¹Aplicação parcelada de 1/3 na semeadura da soja e 2/3 em cobertura 30 a 40 dias após a semeadura. Estando o nível de K extraível acima do valor crítico (50 mg/dm³ ou 0,13 cmolc/dm³), indica-se a adubação de manutenção de 20 kg de K2O para cada tonelada de grão a ser produzida.
(Fonte: Sousa & Lobato (1996) em Embrapa)

Adubação de soja: fósforo e potássio para Minas Gerais

Agora vamos observar a recomendação de fósforo e potássio para Minas Gerais.

Observe que as classificações e recomendações mudam conforme a região, já que isso considera o solo, clima e outras condições da área.

Desse modo, veja abaixo as tabelas de interpretação e recomendações:

5-adubação-de-soja-P-e-K

(Fonte: Ribeiro et al.(1999) em Embrapa)

6-adubação-de-soja

(Fonte: Ribeiro et al.(1999) em Embrapa)

Adubação de soja: fósforo e potássio para São Paulo

Para o estado de São Paulo, as recomendações seguem de acordo com a produtividade esperada da soja.

No caso desta recomendação, observe que a extração do fósforo não é mais pelo método Mehlich, e sim pelo P resina:

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(Fonte:Mascarenhas e Takana em Embrapa)

Adubação de soja: fósforo e potássio para Paraná

A adubação de soja com potássio pode ser feita toda a lanço até 30 dias antes da semeadura ou no sulco, limitando a dose inferiores a 50 kg/ha de K2O no sulco.

Assim, confira as recomendações para adubação fosfatada potássica no Paraná:

9-adubação-de-soja

(Fonte: Embrapa)

Você pode relembrar mais sobre adubação em “Como fazer adubação potássica em soja”.

Adubação de soja no Rio Grande do Sul e Santa Catarina

Você pode conferir a seguir as tabelas de interpretação dos teores de P e K para Rio Grande do Sul e Santa Catarina segundo o Manual de adubação para esses estados.

adubação-de-soja-interpretação-teores-potássio
adubação-de-soja-interpretação-teores-fósforo
adubação-de-soja-recomendação-doses

(Fonte: Manual de adubação e de calagem para Santa Catarina e Rio Grande do Sul)

Além disso, já vimos aqui no blog como fazer a adubação potássica nos estados do sul do Brasil.

Outra fator importante para adubação nessa região é a rotação entre arroz e soja.

A técnica favorece o cultivo de arroz, mas para isso é que ambas as culturas estejam bem nutridas.

Ademais, além dos macronutrientes primários (N, P e K) devemos nos atentar também aos outros nutrientes essenciais para as plantas.

Vamos ver um pouco sobre alguns deles agora!

Adubação de enxofre na cultura da soja

As análises de solo, subsolo e foliar  são recomendadas para verificar a deficiência de enxofre.

Por ser um elemento móvel no solo, é necessário que se faça a análise química do solo em duas profundidades: 0 a 20 cm e 20 a 40 cm.

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(Fonte: Yara Brasil)

Dessa forma, saiba quais são os níveis críticos de S:

  • 10 mg/dm³ (0 a 20 cm) e 35 mg/dm³ (20 a 40 cm) em solos argilosos (> 40% argila);
  • 3 mg/dm³  (0 a 20 cm) e 9 mg/dm³  (20 a 40 cm) em solos arenosos (≤ 40% argila).

A adubação de manutenção corresponde a 10 kg de S para cada 1.000 kg de produção de grãos esperada. Veja as demais recomendações na tabela abaixo:

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(Fonte: Embrapa)

Você pode suprir esse nutriente no solo com gesso agrícola (15% de S), superfosfato simples (12% de S) e enxofre elementar (98% de S), sendo que também existem fórmulas N-P-K que contém S.

Adubação de micronutrientes

Os micronutrientes são aqueles exigidos em menores quantidades pelas culturas.

Eles não devem ser aplicados quando estiverem acima do nível “alto”, pois podem causar toxicidade.

Você pode fazer a análise foliar para diagnosticar deficiências ou toxicidade de micronutrientes em soja.

Entretanto, você deve lembrar que as correções só serão feitas na próxima safra.

Isso porque, a amostragem de folhas deve ser feita no período da floração, e nessa fase já não é mais eficiente realizar correção de ordem nutricional.

Para suprir essa necessidade nutricional, é comum a realização dessa adubação de soja no sulco de plantio, aplicando 1/3 a lanço por um período de três anos sucessivos.

Além disso, você pode fazer a adubação foliar de micronutrientes.

Note abaixo a indicação da aplicação de doses de micronutrientes no solo, para a cultura da soja:

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(Fonte: Sfredo et al. (1999,2007) em Embrapa)

Limites para a interpretação dos teores de micronutrientes no solo, extraídos por dois métodos de análise, para a soja, nos solos do Paraná:

13-adubação-de-soja-micronutrientes

(Fonte: Embrapa)

Também veja os limites para a interpretação dos teores de micronutrientes no solo para culturas anuais no Cerrado:

14-adubação-de-soja-micro-cerrado

(Fonte: Embrapa)

Adubação foliar de macro e micronutrientes

Em soja a adubação foliar só é recomendada em caso da deficiência de manganês (Mn).

Devem ser aplicados de 350 g ha-1 de Mn (1,5 kg de MnSO4) diluído em 200 litros de água com 0,5% de uréia.

Veja mais sobre esse assunto em: “Porque adubação foliar em soja pode ser uma cilada”.

Banner de chamada para download da ferramenta: calculadora de custos por saca

Cálculo para achar a formulação NPK ideal

Vamos relembrar um pouco sobre como encontrar a formulação mais adequada de acordo com as recomendações e sua análise de solo.

Por exemplo, se a recomendação for de: N = 10 kg/ha; P2O5 = 60 kg/ha e K2O = 30 kg/ha.

Primeiro passo

Calcule a relação entre os nutrientes dividindo todos pela dose recomendada de nitrogênio:

N= 10/10 = 1

P2O5 = 60/10 = 6

K2O = 30/10 = 3

Assim, a relação é de 1:6:3

Segundo passo

Multiplique a relação por um múltiplo inteiro, como por exemplo 5.

Temos então a fórmula 05-30-15

Terceiro passo

Quanto deverá ser aplicado

Em 100 kg da fórmula 05-30-15……………….15 kg K2O

                                            X………………….30 kg K2O

                                            X = 200 kg/ha da fórmula 05-30-15

Lembrando que se você chegar à uma fórmula que não tem na sua região, você pode fazer a conta contrária, como por exemplo:

Só existe disponível a fórmula 5-10-10.

Assim, temos:

Se a cada 100 Kg temos 5 Kg de N, 10 Kg de K2O e 10 Kg de P2O5, com 300 Kg/ha temos as quantidades de 15, 30 e 30.

Fica claro que ainda falta 30 Kg/ha de P2O5 segundo a recomendação, a qual posso complementar com outro adubo fosfatado.

Conclusões

A adubação deve ser feita de acordo com a análise de solo, condições de manejo e outros fatores externos como preços.

Há algumas maneiras de realizar a adubação e aqui fizemos um rápido manual coletando as pesquisas científicas que demonstraram resultados efetivos.

Para realizar a adubação de soja adequadamente, sem desperdícios ou deficiências, é preciso planejar tudo isso anteriormente, criando o melhor programa de adubação para a sua propriedade.

Bibliografia Consultada:
Sediyama, T., Silva, F., & Borém, A. (2015). Soja: do plantio à colheita. Viçosa: UFV.
Sistemas de Produção: Tecnologias de Produção de Soja – Região Central do Brasil 2014. Embrapa Soja.
International Plant Nutrition Institute – IPNI Seja doutor da sua soja.

Gostou das dicas? Tem outras dicas a respeito de adubação de soja? Gostaria de ver seu comentário abaixo!

Como administrar uma propriedade rural com tecnologia

Como administrar uma propriedade rural com tecnologia: opções de internet no campo, soluções digitais e outras informações para administrar sua fazenda de uma maneira ainda melhor.

Nas últimas décadas, o Brasil superou países como Austrália e Canadá para se posicionar como o terceiro maior exportador agrícola do planeta.

Para isso se tornar realidade, os agricultores investem em tecnologia há décadas.

Piloto automático, aplicações de taxa variável, biotecnologia e outras inovações foram rapidamente adotadas por proprietários rurais de todos os tamanhos.

Mas no contexto da administração rural, essa tecnologia parece que demora a chegar.

Neste artigo desmistificamos o conceito de administração rural com tecnologia e mostramos como você pode começá-la hoje.

Ainda falamos sobre novas soluções que podem te ajudar com isso. Veja a seguir:

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A propriedade rural e as soluções digitais

Há alguns anos as ferramentas (soluções) digitais não podiam acrescentar tanto valor para fazendas, já que não tínhamos 4 fatores fundamentais para tanto:

  1. Smartphones, dispositivos móveis tão eficientes quanto computadores.;
  2. Redes de telefonia móvel, que permitem o acesso a softwares de qualquer lugar da fazenda;
  3. Internet de banda larga, que possibilita que qualquer computador no escritório acesse aplicativos em nuvem, sem precisar instalar nada;
  4. Máquinas conectadas, que permitem que dados sejam enviados e recebidos por colhedoras, tratores, pivôs de irrigação, etc.

Você pode reparar que foram exatamente esses 4 fatores que se tornaram mais presentes nas fazendas.

Dessa forma, este é um bom momento para estudar novos produtos.

Assim, reflita sobre como programas e aplicativos se encaixam na administração da propriedade rural.

A seguir, você confere os principais pontos para compreender e estudar melhor essas possibilidades:

Mas vale a pena investir em tecnologia no campo?

O agronegócio atualmente sustenta a economia do país, representando 44,1% das exportações brasileiras, somando U$96 bilhões de reais em 2017.

Podemos ver essa força do agro claramente no PIB brasileiro, já que em 2018 o agronegócio deva representar crescimento de cerca de 3%, frente a 1,5% do PIB nacional.

como administrar uma propriedade rural

(Fonte: IBGE, Ministério da Agricultura, Ministério do Trabalho e CNA)

Nesse cenário, conseguimos avaliar que o campo não é somente um ótimo lugar para se fazer investimentos, mas o melhor lugar.

Mas dentre esses investimentos, a tecnologia compensa?

A resposta dessa pergunta não é tão simples.

Lembre-se que a tecnologia já está no campo: sementes transgênicas, piloto automático e outros.

Ou seja, estamos sofrendo progressivamente uma profunda evolução de ferramentas e práticas para aumentar a qualidade e quantidade de sua produção agrícola.

No entanto, temos uma concorrência subsidiada quase desleal e mercados complexos. Isso, juntamente com falta de infraestrutura e de apoio, torna o ambiente cada vez mais complicado.

Cabe a você estudar sua propriedade e verificar qual tecnologia digital vale mais a pena para aumentar sua competitividade: irrigação de precisão, drones, sensores, etc.

Seja qual for a sua escolha, de todas as formas você deverá administrar seus custos, saber sua rentabilidade real, ter o controle de estoque e outros.

Por isso, pense melhor em como administrar uma propriedade rural e sobre ferramentas que podem te ajudar para tornar esse trabalho mais fácil e assertivo.

Sou pequeno ou médio produtor: como administrar uma propriedade rural com tecnologia?

Embora muitos acreditem no contrário, a adoção de tecnologias digitais está muito mais ligada à maturidade do negócio do que os números de hectares.

Há grandes negócios agrícolas de 30 hectares totalmente digitalizados e há fazendas de 13 mil hectares ainda sendo geridas em planilhas agrícolas.

Não é coincidência que há pequenas propriedades muito mais rentáveis do que fazendas gigantescas.

Para você tomar uma escolha mais consciente sobre essas tecnologias, conheça os cinco tipos principais de softwares para a propriedade rural:

1. Gestão

Suporta operações diárias, planejamento de safra e registro de atividades, monitoramento da equipe, otimiza a rentabilidade, gerencia os estoques e ajuda na administração rural. O software Aegro se encaixa nessa categoria.

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>> Veja este caso de sucesso com o uso do Aegro: “Administração de fazendas: Como fazer com um software de gestão agrícola”.

2. Agronomia

Os mais conhecidos são softwares de agricultura de precisão, os quais criam ou importam mapas de variabilidade, trazendo prescrições de fertilizantes e defensivos a taxa variável e outros.

3. Maquinário

Envia dados para as máquinas e monitora o desempenho do equipamento, controla a orientação geoespacial e o piloto automático. Exemplo disso é Climate Field View.

4. Contabilidade

Soluções que gerenciam e pagam contas, preparam demonstrações financeiras e pagamento de impostos.

5. Recursos Humanos

Facilita os pagamentos de funcionários, a contabilização de horas trabalhadas, questões trabalhistas e outros.

No meio rural podemos encontrar programas que lidam com todos essas questões ao mesmo tempo. O problema é que esse tipo de software acaba ficando complexo e difícil de utilizar.

Ao passo que, se torna inviável o investimento e a disciplina para utilizar uma série de programas diferentes de computador.

A solução, como sempre, está no equilíbrio: encontrar as soluções que neste momento se encaixam na sua fazenda e que consigam entregar exatamente o que você precisa.

Aqui no Lavoura10, por exemplo, temos diversos casos de grandes e pequenos produtores que estão obtendo sucesso com o Aegro.

O Vitor Fernando Von Markus Mühlen, por exemplo, é um produtor rural de Minas Gerais, que com a gestão de fazenda no Aegro conseguiu negociar “como produtor grande” e ainda ter total controle de seus 76 hectares.

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Fazenda  Lagoinha, 76 hectares em Minas Gerais, com cultivo de soja e gestão feita no Aegro
(Fonte: Arquivo pessoal Von Markus Mühlen)

Já João Carlos conseguiu, através do software agrícola, a segurança na venda da sua produção agrícola. Nas palavras dele:

“Tem gente que faz o contrato como segurança, mas com o Aegro eu vejo o custo de produção por talhão e consigo saber ao certo se estou ganhando ou perdendo ao fazer o contrato: eu sei se o contrato paga ou não o custo da saca.”

Como você pode ver, um sistema facilitado e muito mais automatizado te auxilia em como administrar uma propriedade rural. E isso traz resultados incríveis!

Mas ainda podem restar algumas dúvidas, especialmente sobre o uso dessas ferramentas e a internet no campo. É sobre isso que veremos a seguir:

Como administrar uma propriedade rural com tecnologia (agricultura digital) se não tenho internet?

Nas últimas décadas, a internet banda larga via satélite foi levada para muitas áreas do Brasil. Mas não em toda ela: dos 5,6 mil municípios brasileiros, 4 mil têm rede banda larga.

Desse modo, em regiões agrícolas não há cobertura de internet, deixando produtores sem muitas alternativas quanto a soluções para o campo.

Assim, você tem duas alternativas: procurar uma solução que se adeque às suas condições ou procurar outra forma de acesso à internet.

Você pode pensar que tem ainda uma terceira opção: a de continuar exatamente onde está.

Mas levando em consideração toda a competitividade da agricultura atual, custos e complexidade da atividade, essa já não é mais uma opção para quem deseja prosperar.

Então, vamos à primeira opção de buscar uma solução que se adeque às suas condições:

Tecnologia para agricultura que pode funcionar sem internet

Hoje existem alguns softwares para fazenda com várias soluções que podem funcionar sem internet.

O software de gestão agrícola Aegro, por exemplo, te ajuda a ter o controle total da fazenda, financeiro e agrícola, sem a necessidade de internet em tempo integral.

Você pode, por exemplo, planejar as operações agrícolas no escritório da fazenda onde há internet.

Depois, os operadores podem realizar essa operação no aplicativo de celular sem necessidade de internet.

O aplicativo de celular ainda permite registrar os abastecimentos, manutenções, verificar estoque, fazer monitoramento de pragas e gerenciar as finanças da fazenda.

Tudo isso é sincronizado com o programa no computador assim que o celular estiver em área com cobertura de rede, sem perda de dados e totalmente seguro.

O aplicativo Aegro é gratuito e você pode baixá-lo em seu smartphone Android ou IOS.

Além disso, você pode saber mais sobre o programa completo aqui.

Agora, vamos à segunda opção:

Encontre outras formas de acesso à internet para sua propriedade rural

  • Internet via rádio: É a forma mais popular de acesso nas regiões afastadas das grandes cidades. Seu custo-benefício é inegável, porém nem sempre alcança boas velocidades;
  • Link dedicado 4G: Possui boa estabilidade e velocidade,  mas seu custo é alto;
  • Banda larga ADSL: É uma solução simples e barata, que aproveita a fiação de telefone já instalada, mas normalmente a zona rural não possui esse tipo de infraestrutura.

Além disso, foi lançado o satélite SGDC com a promessa de que isso dará acesso à internet banda larga para a região agrícola brasileira por um preço acessível.

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(Fonte: ESA-CNES-ARIANESPACE em FAPESP – todos os direitos reservados)

Em algumas regiões essa cobertura já chegou e os produtores estão conseguindo desenvolver melhor o seu negócio como você pode ver aqui.

Um futuro próximo: o amanhã de como administrar uma propriedade rural

O cenário de um futuro próximo já está desenhado: enquanto o aumento da população mundial aumentará a demanda por alimentos, a competitividade do setor será cada vez maior.

É claro que o Brasil está numa posição privilegiada. Porém, o aumento de produção acarreta em um aumento de custos e atividades, o que pode desorganizar o seu negócio.

Nesse sentido, como administrar uma propriedade rural, de forma clara e detalhada, fará toda a diferença.

O objetivo de usar um programa para gestão de sua fazenda é ser capaz de fazer mais com menos, tomando decisões melhores para a lucratividade da fazenda.

Por isso, a propriedade do futuro será aquela que irá utilizar os dados referentes à fazenda, tanto financeiros, quanto agrícolas.

Ao produtor rural caberá o que mais importa: a estratégia.

Isto é, ele irá interpretar os dados, fazer análises e outros, entendendo e obtendo o controle da fazenda de maneira ágil e descomplicada.

Dessa maneira, o futuro pedirá como administrar uma propriedade rural com todos esses dados e com um líder dentro da empresa rural.

Conclusões

Com a competitividade do setor crescendo, fica claro que essas ferramentas digitais disponíveis são cada dia mais essenciais para a produção agrícola.

Assim, é preciso estudar sua propriedade e escolher quais delas se adequa a sua realidade.

No final, alguns irão fazer agricultura de precisão, alguns irão fazer irrigação de precisão, alguns irão usar estações meteorológicas, drones, sensores, etc.

Todos, entretanto, terão que controlar o caixa, os estoque e as operações, e por isso um software de gestão agrícola é a chave para sustentar um negócios agrícola de sucesso a longo prazo.

>>Leia mais:

Como fazer fluxo de caixa sem complicação na sua fazenda
5 planilhas de Excel para administração rural grátis

Como administrar uma propriedade rural é para você? Você faz uso de alguma ferramenta digital hoje? Restou alguma dúvida? Deixe seu comentário abaixo!

Análise química do solo: o porquê da sua realização

Análise química do solo é a forma de conhecer a dinâmica de nutrientes do mesmo. Assim, aqui vamos discutir sobre os tipos de análises e recomendações para o melhor manejo de seu solo.

A safrinha se encerrando e você já começa a se programar para a safra. De cara algumas dúvidas aparecerem em sua mente:

“- Bom, todo ano eu adubo certinho, minha terra está bem e dessa vez não vou jogar tanto adubo porque gasto muito dinheiro com isso!”.

É comum também ouvir que de um ano para outro não muda nada a composição do solo, e que as análises valem por pelo menos 3 safras.

Mas a verdade é que não é bem assim. Essas análises frequentes fazem toda a diferença na produção final.

Por isso, confira comigo porque a análise química do solo é uma das práticas mais importantes e demais recomendações:

Fazer a análise química do solo é importante para a agricultura?

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A diferença visível entre milho com adubação adequada e inadequada de fósforo.
(Foto: Embrapa)

A maior parte dos solos brasileiros não apresentam condições químicas naturais adequadas para sustentar um bom desenvolvimento das culturas.

Além disso, mesmo se o solo possuir grande fertilidade, com o tempo as sucessivas culturas vão exauri-lo, ou seja, diminuir muito as quantidades de nutrientes.

Dessa forma, os produtores precisam melhorar o grau de fertilidade dos solos a fim de se obter sucesso em suas lavouras.

Para isso, é preciso conhecer as quantidades de nutrientes para reposição, além de melhorar as condições de solo com calagem, gessagem e fosfatagem quando necessário.

E é somente com as análises química e física do solo que você vai saber disso.

Então, vamos discutir mais sobre isso:

Uma análise física e química do solo influencia na adubação?

A ferramenta mais utilizada para definir como isto será feito (principalmente quais os produtos a serem utilizados e quanto aplicar) é a análise química de solo.

Sem uma análise completa e um adequado programa de calagem e adubação, o sucesso estará distante do lucro do agricultor.

É muito importante você fazer a avaliação e o monitoramento das condições de fertilidade da área a ser cultivada.

Portanto, o responsável pela propriedade rural deve estar preparado para resolver questões relacionadas à interpretação dos resultados das análises.

Para começarmos a entender melhor sobre essas análises vamos entender sobre cada uma delas:

Os 3 tipos de análises de solo mais usadas na agricultura:

1. Análise química de solo

A análise química do solo avalia a fertilidade, determinando a acidez e disponibilidade de nutrientes às plantas.

Sendo um importante instrumento na orientação da tomada de decisões, cada etapa de execução de uma análise de solos deverá ser seguida rigorosamente:

a) Amostragem do solo: Uma amostra de solo consiste em uma pequena porção de solo capaz de representar a gleba. Falaremos com detalhe mais adiante.

b) Determinações químicas: Esta etapa é realizada no laboratório, o qual você deve escolher um de confiança e credenciado (veja mais sobre isso aqui).

c) Interpretação dos resultados da análise química do solo, além da física, e recomendações de corretivos e quantidade de adubos.

d) Implantação das recomendações: com as recomendações técnicas baseadas na análise química do solo e manejo, cabe a você implantar as mesmas.

2. Análise granulométrica (física) do solo

Consiste em se realizar a determinação dos teores de areia, silte e argila.

Isso auxilia, por exemplo, na adequada interpretação dos teores de nutrientes no solo.

Além disso, é a análise que determina a textura do solo, muito melhor e mais assertiva que estimar pela botina ou na mão.

No caso da textura do solo temos que ter em mente que esse é um dos parâmetros para a caracterização do solo, sendo realizada apenas uma vez na área.

3. Análise Química de Tecido Vegetal (Planta)

Esse tipo de análise é menos utilizada que as primeiras análises descritas acima.

Mas é com ela que você verifica a interação  solo-planta-clima, verificando se o seu manejo está sendo efetivo.

Com a análise química do tecido vegetal, identifica-se possíveis deficiências, toxicidades e ainda distingue sintomas provocados por doenças dos problemas nutricionais.

Entre todos os órgãos da planta, normalmente a folha é que reflete melhor o estado nutricional de carência.

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(Fonte: Embrapa)

As análises foliares são realizadas durante o ciclo da cultura para verificação do estado nutricional e ajudar a diagnosticar algum problema na lavoura.

Assim, esse tipo de análise é complementar às análises de solo.

Enquanto a análise foliar é durante a safra, as análises de solo devem fazer parte do planejamento da instalação das culturas agrícolas.

Falando em planejamento, veremos agora como realizar a amostragem de solo para que você possa fazer seu planejamento de análises com segurança:

Passo a passo de uma amostragem de solo

Por mais importante que a análise de solo seja, ela não corrige os erros cometidos no momento da coleta das amostras.

Por isso, para se obter amostras de solo que sejam representativas da área a ser cultivada, deve-se adotar os seguintes passos:

1⁰ Passo: Defina os locais de amostragem

Os solos não são homogêneos, possuindo grande variabilidade devido às manchas de solo, diferentes tipos de manejo, culturas, declives, etc.

Por essa razão você deve dividir a área de amostragem conforme as diferenças no terreno. Para cada gleba devem ser coletadas amostras em separado, como na figura:

3-análise-quimica-do-solo-coleta-de-amostras

(Fonte: Phytus Club)

Nessa subdivisão, considere os seguintes aspectos:

  • Culturas diferentes;
  • Cor e tipo de solo;
  • Topografia e relevo;
  • Textura;
  • Vegetação;
  • Histórico do solo: emprego de corretivos e fertilizantes, culturas utilizadas anteriormente, etc.

Depois que vc separou em áreas uniformes, se necessário, faça uma subdivisão de cada uma, de forma que seu tamanho máximo não ultrapasse 10 a 20 hectares.

2⁰ Passo: Colete várias subamostras em diferentes pontos

A amostra representativa de uma gleba é aquela que melhor reflete as condições de fertilidade da área amostrada.

Para a coleta da amostra, o método zigue-zague é o mais utilizado para pequenos produtores e por produtores que não possuem recursos como aparelhos de GPS.

Porém, se você já é adepto da Agricultura de Precisão em sua propriedade, o método em grade é o mais recomendado.

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À esquerda, o sistema de coleta de amostra convencional. À direita, a amostragem em grade (grid)
(Foto: Nutrical)

O número de pontos de amostragem dependem muito do método que você vai utilizar. Logo, saiba como fazer análise de solo por esses diferentes métodos neste artigo.

A profundidade de amostragem deve ser definida de acordo com a cultura que está sendo ou será cultivada.

Assim, amostramos a camada de solo que será explorada pelo maior volume sistema radicular da cultura:

  • Culturas anuais e pastagens: amostragem na camada de 0-20 cm;
  • Pastagens já estabelecidas: amostragem em 0-10 cm;
  • Culturas perenes: a amostragem deve ser realizada em camadas, como em 0-20, de 20-40 e de 40-60 cm, constituindo amostras compostas por camada;
  • Áreas com suspeita de acidez em subsuperfície: amostre o perfil do solo até 60 cm de profundidade, seja para culturas anuais ou perenes.

Além disso, se atente ao local de amostragem conforme a cultura no campo:

5-análise-quimica-do-solo-locais-de-amostra-culturas

(Fonte: Phytus Club)

3⁰ Passo: Forme as amostras compostas

Para se conseguir uma amostra representativa, é necessário que você colete várias amostras em diversos pontos e misturá-las bem no balde.

Transfira cerca de 500 gramas dessa mistura para um saco plástico limpo e sem contaminantes.

Dessa forma, você obtém uma amostra composta, a qual vai representar aquela determinada gleba.

Além disso, não é recomendável você retirar amostras de locais próximos de:

  • Residências
  • Galpões
  • Estradas
  • Formigueiros e/ou cupinzeiros
  • Depósitos de adubos
  • Terreno encharcado (brejos)
  • Voçorocas (sulcos de erosão)
  • Árvores, etc.

4⁰ Passo: Envie para um laboratório credenciado

A escolha do laboratório de análises de solo deve ser levada em consideração na obtenção de resultados com qualidade.

Laboratórios idôneos e que investem em tecnologias são fundamentais para o sucesso do processo como um todo.

Desse modo, veja como escolher um laboratório de análise de solo da sua região aqui.

Época e frequência da análise química do solo

A análise  de solo deve ser repetida em intervalos de um a três anos, dependendo  da intensidade  da adubação, do número de culturas de ciclo curto consecutivas ou do estágio de desenvolvimento de culturas perenes.  

Assim, recomenda-se maior frequência em áreas com exploração com culturas anuais e solos arenosos e que recebem maiores aplicações de fertilizantes e corretivos.

Quanto à época de coleta das amostras de solo, elas podem ser realizadas em qualquer época do ano.

No entanto, para culturas anuais é interessante ter a análise química do solo antes do plantio e após a calagem.

Assim, os resultados permitem tomada de decisão mais assertivas para a futura lavoura.

Isso permite que a fertilidade do solo não seja um fator limitante à produtividade das culturas naquele e demais anos agrícolas.

análise química do solo

(Fonte: Zbynek Burival em Unsplash)

Aplicação das análises do solo no dia a dia da lavoura

É claro que a principal aplicação das análises envolve a quantidade de fertilizantes, corretivos e condicionadores do solo.

Mas vai além disso. Solos com texturas arenosas, por exemplo, não conseguem reter muitos nutrientes, sendo indicado maior parcelamento dos fertilizantes.

Ademais, o solo é um dos fatores mais importantes na escolha da dose do herbicida a ser usado.

A dose de herbicida a ser empregada por produtos residuais (aqueles absorvidos pelas raízes das plantas), depende, além da cultura e das plantas daninhas, da textura, da CTC efetiva e da matéria orgânica do solo.

Geralmente solos com textura leve e nível de matéria orgânica baixo requerem doses menores de herbicida do que solos pesados e com maior nível de matéria orgânica para proporcionar controle efetivo das plantas daninhas.

Assim,  os herbicidas pré-emergentes e alguns pós-emergentes que possuem ação residual, têm recomendação diferenciada para cada tipo de solo.

Normalmente, a menor dose é usada em solos arenosos, a dose intermediária em solos médios e a maior em solos argilosos.

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Bula do herbicida Sumisoya (flumioxazin) para pré-emergência da cultura e das plantas infestantes
(Fonte: Docplayer)

Conclusões

As análises de solo são ferramentas fundamentais que permitem a utilização de práticas confiáveis de manejo no processo de produção agrícola com sustentabilidade ambiental.


Especialmente com a análise química do solo, podemos fazer um planejamento agrícola adequado, sem perda de tempo nem desperdícios.

É dessa maneira que vamos oferecer as melhores condições de produção e de qualidade às culturas

>>Leia mais:

Por que o plantio direto contribui para a fertilidade do solo?

Como fazer adubação potássica em soja

“O que é e por que investir na análise microbiológica do solo”

Como você faz a análise química do solo hoje? Tem um planejamento agrícola que envolve a amostragem de solo e demais análises? Possui mais dicas que não citei aqui? Deixe seu comentário abaixo!

Como gerenciar seu maquinário agrícola

Maquinário agrícola: veja como otimizar seu rendimento operacional, dicas sobre manutenção do maquinário, abastecimento e muito mais!

Máquinas agrícolas necessitam de cuidados periódicos, assim como nós, que vamos ao médico para realização de exames de rotina.

A correta manutenção, além de manter o bom funcionamento dos equipamentos, aumenta sua vida útil e você evita gastos desnecessários.

Com o melhor gerenciamento, os danos prematuros também são evitados e o rendimento operacional aumenta.

Você quer saber algumas dicas e conceitos para melhor utilização e gerenciamento do maquinário agrícola?

Neste artigo, você verá como abastecer corretamente sua frota, como otimizar seu rendimento operacional e muito mais! Veja a seguir:

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Custo do maquinário agrícola e indicadores de eficiência

Fazer as máquinas trabalharem mais, gastando menos, pode parecer impossível, mas com o correto gerenciamento isso é viável.

As despesas com reparos e manutenção compõem um dos mais elevados custos operacionais das máquinas e implementos agrícolas usados.

Alguns fatores contribuem para acelerar os desgastes e aumentar os custos das máquinas agrícolas.

Dentre eles:

  • O uso intensivo das máquinas;
  • Falta de manutenção preventiva;
  • Qualidade das peças de reposição;
  • Treinamento inadequado dos operadores.

Com a manutenção adequada e o armazenamento correto das máquinas e implementos agrícolas, o tempo perdido com paradas para correção de eventuais problemas são minimizados.

O custo de acompanhamento da frota é bem menor do que quando existe a necessidade de parada do equipamento para manutenção corretiva (Alvarez, 1991).

Para checar a eficiência do maquinário agrícola, preste atenção aos seguintes fatores:

  • Nível de fluidos (cárter, transmissão, radiador etc.);
  • Pressão e estado de conservação dos pneus;
  • Filtros de ar;
  • Pontos de engraxe;
  • Sistemas elétricos (partida, luzes etc);
  • Lastreamento;
  • Treinamento dos operadores.

Quando algo não vai bem, isso reflete nos custos dos implementos e máquinas agrícolas.

No entanto, se você não tem um controle sobre esses custos, fica difícil perceber esses gastos e corrigir o problema.

Aegro é um aplicativo de gestão agrícola que te auxilia a calcular o custo operacional do maquinário, a capacidade efetiva de trabalho e o consumo de combustível por hectare.

Você consegue todos esses indicadores de modo muito mais automático, simples e seguro.

demonstrativo dos custos operacionais do maquinário no aplicativo Aegro

Com o Aegro, você pode controlar a quantidade de combustível utilizada nas operações e vincular estes valores ao custo realizado em cada talhão.

Para conhecer mais sobre como fazer isso no Aegro, acesse: Custos do maquinário e indicadores de eficiência das máquinas.

Um dos principais componentes desses custos do maquinário agrícola é o combustível. E é sobre isso que vamos falar a seguir:

Abastecimento da frota: qual o melhor jeito de fazer

O correto abastecimento da frota é outro fator muito importante para garantir melhor gerenciamento das nossas máquinas agrícolas.

Na medida em que as operações vão se realizando e o combustível vai sendo consumido, os vapores se acumulam dentro do tanque.

É recomendado o abastecimento no final da jornada de trabalho, com o trator ainda quente e preenchendo totalmente o tanque (Mialhe, 1980).

Dessa forma, abastecer no final do turno expulsa os vapores de água acumulados dentro do tanque das máquinas e impede a contaminação do combustível.

Se os operadores não abastecerem as máquinas no mesmo dia, o vapor dentro dos tanques irá condensar nas paredes.

Essa água irá se misturar ao óleo diesel do tanque, provocando possíveis contaminações.

Assim, o óleo diesel misturado com água poderá causar desgastes acelerados e possíveis corrosões nas peças dos motores e de todo conjunto de alimentação do maquinário.

Além de desgaste acelerado de peças, o combustível misturado com água se torna menos eficiente durante as operações, acarretando em maiores gastos de combustível dos equipamentos.

No entanto, como o trabalho se encerra no campo próximo ao horário de saída dos funcionários, muitos não o fazem.

Por isso, são necessárias algumas simples mudanças no planejamento das atividades nas fazendas por parte dos gestores das atividades.

banner planilha combustíveis

Para evitar o desgaste desnecessário de peças e outros problemas, inclusive com combustíveis, também é necessário entender melhor sobre o lastreamento da frota:

Lastreamento da frota e pressão dos pneus

O lastreamento é o peso do trator que deve ser adequado para as operações agrícolas, evitando acidentes e desgaste de peças.

Assim, o lastreamento dos tratores, bem como as calibrações dos pneus devem seguir o manual do fabricante para cada tipo de operação.

Pressões acima do recomendado auxiliam no aumento da patinagem. Já pressões muito baixas aceleram o desgaste dos pneus, podendo danificá-los.

O peso excessivo ou abaixo do recomendado resulta em prejuízos nas máquinas agrícolas, como mostra a figura abaixo:

tabela que mostra o que ocorre com o trator com peso de trabalho incorreto, excesso ou insuficiência - maquinário agrícola

(Fonte: Alisson Henrique em Revista RPA News)

Outro fator importante para manter todo o maquinário em ordem são as manutenções. Vou explicar melhor:

Manutenção das máquinas agrícolas

As máquinas agrícolas mais recentes possuem inúmeras funcionalidades que auxiliam os operadores no correto manuseio e uso dos equipamentos.

Os painéis possuem uma infinidade de alarmes e luzes que indicam funcionamento ideal ou não dos componentes envolvidos.

Alguns dos itens mais comuns que podem ser visualizados no painel de instrumentos são:

  • Temperatura além do intervalo;
  • Rotação do motor;
  • Indicador de restrição de passagem de ar;
  • Falta de lubrificação;
  • Nível de combustível.

Nesse sentido, aquele sinal de luz  apontando restrição da passagem de ar pelo filtro é indicativo de baixa eficiência do elemento filtrante.

Como consequência direta desse fator, o motor pode perder potência, provocar aumento do consumo de combustível, bem como danos de superaquecimento.

Aliás, hoje já é possível gerenciar as manutenções de nossas máquinas em softwares agrícolas, que nos avisam quando é hora de trocar ou óleo ou realizar uma checagem geral.

No Aegro, por exemplo, você programa o recebimento alertas via e-mail para garantir que não se esqueça de realizar a manutenção preventiva das suas máquinas.

Como já citamos brevemente, para que tudo corra bem com as máquinas agrícolas é primordial o planejamento agrícola. E é exatamente sobre isso que vamos nos aprofundar no próximo tópico!

Planejamento do maquinário

O planejamento do maquinário agrícola é fundamental para o correto dimensionamento da frota a ser adquirida pela propriedade.

Máquinas paradas ou quebradas custam muito caro a todos produtores.

As máquinas agrícolas deveriam trabalhar na maior parte do tempo e apenas parar para reabastecimento ou manutenções preventivas.

Um bom gestor sabe a importância da realização de um bom planejamento agrícola.

Assim, ele conhece a necessidade de máquinas para cada cultura e operações a serem realizadas nas fazendas.

Se somente para uma propriedade o planejamento já era necessário, imagine agora com o surgimento das cooperativas que compartilham o uso do maquinário agrícola.

Dessa forma, é evidente que esses produtores têm ciência da necessidade de um planejamento da utilização compartilhada dessas máquinas.

Além disso, o conhecimento prévio dos serviços prestados por terceiros pode ajudar os produtores na escolha frente às operações agrícolas.

Cabe a você dimensionar a sua frota e calcular qual é a saída mais vantajosa.

E é claro que, com um planejamento agrícola considerando todos os custos, fica muito mais fácil de visualizar qual a melhor estratégia.

demonstrativo de custos realizados no aplicativo Aegro

Com o Aegro, você faz o planejamento orçamentário da sua safra e obtém uma análise de custos detalhada para cada item do seu maquinário

Afinal, como fazer para aumentar o rendimento do maquinário agrícola?

Hoje em dia existem diversas maneiras de aumentar o rendimento operacional das máquinas agrícolas.

Como comentamos, uma boa manutenção preventiva e regulagens asseguram que grande parte das peças não quebrem no meio da operação.

Além disso, já existem sistemas que possibilitam o acompanhamento em tempo real ou quase instantâneo dos componentes das nossas máquinas.

É possível saber e gravar informações de qualidade das operações realizadas pelas máquinas nas nossas lavouras.

Também existem sistemas eletrônicos que gravam as rotações de trabalho utilizadas durante a operação e outras informações.

Temperatura e pressão do óleo, velocidade de deslocamento das máquinas são exemplos dessas informações.

Com esse banco de dados em mãos, é possível que os gestores ou produtores analisem os dados e gráficos e realizem melhores ajustes no maquinário.

Ademais, sempre trabalhe em faixas ideais de rotação para cada operação, o que é vital para a economia de combustível nas máquinas agrícolas.

Dessa forma, para aumento do rendimento das máquinas, é necessário o correto dimensionamento de tratores e tipos de implementos agrícolas que irão realizar cada operação é essencial.

Um trator agrícola mais potente às vezes é mais econômico do que um trator de menor potência que trabalha no limiar de sua força de tração.

O trator trabalhando em altas rotações do motor consome mais combustível do que outro que trabalha em uma faixa mais econômica.

Conclusão

Neste artigo você aprendeu como realizar as manutenções corretas no seu maquinário agrícola para melhor desempenho.

Conversamos também sobre a correta maneira de abastecer sua frota sem causar contaminações do combustível nos tanques das máquinas.

Vimos que muitas máquinas possuem sistemas que auxiliam na hora da realização de alguma checagem ou manutenção e discutimos sobre como aumentar o rendimento do maquinário.

Ainda mostramos que existem empresas e softwares que facilitam os cálculo dos custos operacionais e nas análises dos dados da safra.

Assim, percebemos que o planejamento das operações e máquinas agrícolas juntamente com a análise dos dados posteriores, é essencial para o bom gerenciamento das máquinas agrícolas.

>> Leia mais:

Depreciação de máquinas: Todos os cálculos de forma prática

Como escolher a colheitadeira ideal para sua lavoura

Máquinas para culturas de inverno: Diferentes tipos e particularidades

Agora você já sabe como gerenciar melhor suas máquinas agrícolas! Restou alguma dúvida? Quer saber mais sobre manutenções do maquinário agrícola? Deixe seu comentário abaixo.

12 principais pragas da soja que podem acabar com sua lavoura

As pragas da soja podem acabar com a produtividade da sua lavoura, mas você pode se preparar conhecendo melhor cada uma delas. Veja aqui as 12 principais pragas da soja e como fazer seu manejo.

As pragas agrícolas podem prejudicar muito a produtividade da sua lavoura, podendo até inviabilizar o trabalho de um ano inteiro.

No Brasil, o clima tropical quente e úmido, juntamente com o cultivo de duas ou mais safras no ano, favorece a reprodução das pragas.

Aliado a isso, as pragas têm adquirido a capacidade cada vez maior de atacar um grande número de espécies, podendo, com isso, permanecer presentes nas áreas de cultivo durante todo o ano.

Por isso, o combate às pragas deve se iniciar muito antes da safra, com monitoramento. E, para isso, é indispensável que você conheça quem são elas. Conheça a seguir!

Principais pragas da soja: importância e dicas para combatê-las

Conhecer as pragas da soja, bem como suas principais características e métodos de controle, é fundamental para se ter altas produtividades. 

Dessa maneira  conseguimos realizar adequadamente o Manejo Integrado de Pragas (MIP), pelo qual temos melhor controle e equilíbrio do ambiente.

Por meio de monitoramento periódico (uma das bases do MIP), realizamos as pulverizações somente quando necessário, para não haver desperdício.

Confira as principais pragas da soja, que vamos abordar em detalhes a seguir, e veja no gráfico as principais épocas em que elas ocorrem, para orientar seu monitoramento:

  1. Lagarta da soja (Anticarsia gemmatalis)
  2. Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda)
  3. Lagarta-elasmo (Elasmopalpus lignosellus)
  4. Lagarta-falsa-medideira (Chrysodeixis includens)
  5. Lagarta-falsa-medideira (Rachiplusia nu)
  6. Lagartas broqueadoras de vagens e grãos
  7. Mosca-branca (Bemisia spp.)
  8. Percevejo-castanho (Scaptocoris spp.)
  9. Outros percevejos
  10. Tamanduá-da-soja (Sternechus subsignatus)
  11. Ácaros
  12. Corós da soja
pragas da soja

Para facilitar e otimizar o seu trabalho, o monitoramento da lavoura pode ser realizado com o software agrícola Aegro

Assim, além de todos os seus pontos georreferenciados, você pode consultar o histórico da sua lavoura nas diferentes culturas plantadas, épocas do ano e pressão por espécie de praga. 

Com o Aegro, seus dados ficam seguros e muito mais fáceis de ser visualizados. Os produtores de soja também podem acompanhar as pragas pelo aplicativo e manual de pragas da Embrapa Soja. 

Ambos, manual e aplicativo, foram desenvolvidos por pesquisadores da Embrapa e podem auxiliar  muito na tomada de decisão e na identificação das pragas que ocorrem na sua lavoura.

Além disso, disponibilizamos gratuitamente uma planilha para você fazer seu MIP. Baixe clicando aqui!

Agora que sabemos toda a importância que o conhecimento das pragas representa, vamos entender mais sobre cada uma delas:

1. Lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis)

A lagarta-da-soja é uma potente desfolhadora da cultura. Inicia o seu ataque no topo da parte aérea das plantas de soja, podendo persistir até a fase de enchimento dos grãos. 

Pode apresentar até quatro gerações durante a safra. Seu ciclo biológico dura cerca de 30 dias.

Pode se alimentar de folhas, flores ou até mesmo de vagens. Quando o ataque é muito intenso, as lagartas assumem coloração preta com listras brancas. Essa modificação fisiológica do inseto é causada pela competição por alimento.

2- pragas-da-soja
Característica visual da lagarta-da-soja em diferentes fases de desenvolvimento. Pode adquirir coloração escura devido à competição por alimento, em alta pressão da praga na lavoura (Fonte: Elaine Nascimento, 2016)

Controle da lagarta-da-soja

Seguindo o Manejo Integrado de Pragas na cultura da soja, o controle deve ser realizado conforme estas três situações:

  • quando forem encontradas, em média, 20 lagartas grandes (igual ou maior que 1,5 cm) por metro de fileira;
  • quando a desfolha atingir 30% antes da floração;
  • quando a desfolha atingir 15% tão logo apareçam as primeiras flores.
3-pragas da soja

Defensivos naturais também podem ser utilizados, como a ação do Baculovírus para essa lagarta, vide a imagem acima (Fonte: SOSA-GOMEZ, 1983)

Após ou durante o fechamento das entrelinhas da cultura da soja, os inseticidas reguladores de crescimento constituem uma ótima opção para o controle dessa praga.

Quando materiais (cultivares) de soja com tecnologia Bt forem implantados na área de cultivo, torna-se necessária a implementação de áreas de refúgio em pelo menos 20% da área cultivada com a soja transgênica.

O refúgio é fundamental para o manejo antirresistência, e para prolongar a vida útil e eficiência dos inseticidas no controle da praga.

>> Leia mais: “Lagartas na soja: como identificar e controlar

2. Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda)

A lagarta-do-cartucho pode ocorrer tanto nos estádios iniciais de desenvolvimento da cultura da soja quanto nos estádios mais avançados, como o reprodutivo.

Ela se alimenta de espécies de mais de 23 famílias de plantas. Apresenta preferência por gramíneas (como milho e arroz), mas pode se alimentar de outras plantas, como soja e algodão, dentre inúmeras outras de interesse agrícola.

4-pragas-da-soja

Assim, é comum a lagarta estar presente em culturas comumente utilizadas como cobertura, como milheto, aveia, trigo, as quais serão dessecadas para a posterior semeadura  da soja.

Controle da lagarta-do-cartucho

O manejo dessa praga da soja começa com a boa dessecação da cultura de cobertura para a produção de palha no Sistema Plantio Direto (SPD).

Além disso, para o controle de Spodoptera frugiperda, não é recomendado aplicar inseticidas na fase de dessecação, mesmo que haja lagartas.

Isso porque a semeadura é realizada cerca de 25 dias após a dessecação, e, na ausência de alimento, as lagartas viram pupas ou morrem.

Assim, se o plantio for realizado logo após a dessecação e for constatada a presença de lagartas, a aplicação de inseticidas se faz necessária. 

Isso porque a lagarta-do-cartucho pode afetar o estande inicial da lavoura, “cortando” literalmente as plântulas recém emergidas. 

Os inseticidas registrados e recomendados podem ser consultados no Agrofit. Mas é necessário ainda que se conheça a eficiência das moléculas, uma vez que a praga já apresenta resistência a alguns grupos químicos.

3. Lagarta-elasmo (Elasmopalpus lignosellus)

Também conhecida como broca-do-colo, a lagarta-elasmo se alimenta de diversas espécies de plantas. É tida como uma das pragas iniciais da soja.

Uma mesma lagarta pode atacar até três plantas de soja durante a sua fase larval. Os danos são maiores em condições de alta temperatura e déficit hídrico no solo. Assim, sua presença é menor no Sistema Plantio Direto, devido à conservação de umidade do solo.

Sua época de ocorrência é entre o período da emergência da soja, até 30 a 40 dias do desenvolvimento (estádio V2-V3). Ocorre com maior intensidade na região do Cerrado, em áreas com predominância de solos arenosos.

Controle da lagarta-elasmo

Naturalmente ocorre quando há chuvas bem distribuídas, durante os primeiros 30 dias de desenvolvimento da soja.

O controle químico é menos eficaz, principalmente, por causa da posição em que a praga fica alojada na planta.

É possível fazer o tratamento de sementes com inseticidas sistêmicos em áreas com histórico de ocorrência da praga.

4. Lagarta-falsa-medideira (Chrysodeixis includens)

A falsa-medideira é fácil de ser reconhecida, já que ela tem o hábito de se deslocar dobrando o corpo como se estivesse medindo palmos.

5-pragas da soja
(Fonte: Defesa Vegetal)

Pode causar intensa desfolha na soja, principalmente na fase reprodutiva da cultura. Ocorre na cultura da soja desde as primeiras folhas, podendo persistir até o enchimento dos grãos, sendo favorecidas por períodos de seca.

Embora a falsa-medideira seja facilmente reconhecida, em função do seu comportamento de deslocamento, a diferenciação entre ela e outras lagartas também denominadas falsas-medideiras (como Rachiplusia nu) não é tão fácil assim.

Muitas vezes, a diferenciação pode ser realizada apenas por análise laboratorial; por isso, ficar atento à ocorrência delas na lavoura é fundamental.

Controle da falsa-medideira

É necessário realizar o controle da praga nestas três situações:

  • ao se verificar 20 lagartas grandes (igual ou maior que 1,5 cm) por metro de fileira;
  • quando a desfolha atingir 30% antes da floração;
  • quando a desfolha atingir 15% tão logo apareçam as primeiras flores.

É possível utilizar inseticidas reguladores de crescimento durante a fase de fechamento das fileiras, além do uso de soja transgênica Bt.

>> Leia mais: “Reduza drasticamente suas aplicações utilizando o Manejo Integrado de Pragas”.

5. Lagarta falsa-medideira (Rachiplusia nu)

A lagarta falsa-medideira (R. nu) é assim conhecida porque, além de possuir a mesma cor da falsa-medideira (C. includens), também se movimenta como se estivesse “medindo palmos”. 

Essa espécie de lagarta tem ocorrido com maior frequência nas últimas safras, preocupando produtores de norte a sul do país. Possui hábito polífago — ou seja, é capaz de se alimentar de inúmeras espécies de plantas.

Os ovos de R. nu são ovipositados de forma isolada, podendo ser encontrados principalmente na face inferior das folhas, sendo de coloração branco-amarelada. 

A fase de lagarta tem duração média de 18 a 21 dias, a depender da temperatura. É nessa fase que os maiores danos ocorrem, principalmente ao passar do desenvolvimento das lagartas. Temperaturas amenas favorecem essa espécie.

As lagartas possuem coloração verde intensa e podem atingir comprimento de 2,7 cm. A fase de pupa desta espécie dura em média 12,7 dias.

Os danos causados pela Rachiplusia nu incluem:

  • desfolha;
  • aspecto rendilhado dos folíolos, mantendo apenas as nervuras intactas;
  • cada lagarta pode consumir um total de 1074 mg, chegando até 100 cm² de folhas.
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Fase larval de R. nu, e danos causados, com preservação das nervuras (Fonte: Marsaro Júnior, 2016)

Controle da lagarta falsa-medideira da soja R. nu

O controle deve ser baseado no monitoramento da lavoura e na escolha dos inseticidas para combater a praga. 

Essa lagarta deve ser controlada quando atingir o nível de ação, que, para lagartas, de forma geral, deve ser realizada quando a desfolha for igual ou superior a 30% durante o estádio vegetativo da soja e quando atingir 15% durante o período reprodutivo da soja.

É importante que os inseticidas para controle sejam utilizados no momento correto, quando houver real necessidade, assim evitando a eliminação de insetos benéficos à lavoura.

Áreas de refúgio devem ser utilizadas obrigatoriamente para o manejo antirresistência, a fim de se evitar problemas de resistência aos inseticidas e à tecnologia Bt.

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Mariposa da falsa-medideira R. nu (Fonte: Specht, 2020)

6. Lagartas broqueadoras de vagens e grãos

Estão são as lagartas consideradas broqueadoras de vagens e grãos:

  • Complexo de lagartas do gênero Spodoptera: 
    • S. eridania: são mais ativas no período noturno, e encontradas com maior frequência no terço inferior das plantas;
    • S. cosmioides: ataca grande número de hospedeiros;
      Ambas as espécies causam desfolha ou destroem as vagens em formação, possuindo importância crescente na região do Cerrado
  • Lagarta-da-maçã-do-algodoeiro (Heliothis virescens):
    Alimentam-se de vagens da soja e, às vezes, das folhas;
  • Broca-pequena-das-vagens (Maruca vitrata):
    Essas pragas broqueiam — ou seja, causam danos às vagens, hastes e pecíolos da soja, com maior ocorrência em períodos de seca associados a altas temperaturas;
  • Helicoverpa armigera:
    Essa lagarta se alimenta principalmente de folhas e hastes da soja, mas tem preferência pelas estruturas reprodutivas (botões florais, vagens e grãos).

Controle das lagartas broqueadoras de vagens e grãos

Para o controle, é recomendável utilizar inseticidas seletivos para o complexo de inimigos naturais das pragas agrícolas. Além disso, o uso de inseticidas deve ser realizado de acordo com os níveis de controle; por isso, a amostragem e o histórico da área são informações muito importantes.

Informações sobre inseticidas recomendados para o controle de cada uma das espécies de lagartas podem ser encontrados no Agrofit, a partir da pesquisa por nome comum da praga ou nome científico. 

Consulte sempre um agrônomo para melhor recomendação do produto, de acordo com as necessidades da sua lavoura.

Para o controle de lagartas, ainda de modo geral, é necessário implementar um programa de manejo integrado de pragas (MIP), com a junção de diferentes métodos de controle, principalmente para o manejo antirresistência.
As recomendações para o manejo das principais espécies com relatos de resistência podem ser conferidas diretamente nos materiais disponibilizados pelo Comitê de Ação à Resistência a Inseticidas (IRAC).

7. Mosca-branca (Bemisia sp.)

A mosca-branca é um inseto sugador que pode transmitir vírus em plantas leguminosas como a soja.

Além disso, durante a alimentação, esse inseto-praga da soja libera parte da seiva sugada – substâncias açucaradas sobre os tecidos da planta, que favorecem o desenvolvimento de um fungo de coloração escura conhecido como fumagina.

A fumagina por si só não afeta a cultura da soja. Porém, devido ao recobrimento da superfície foliar, pode reduzir a área fotossinteticamente ativa, prejudicando a cultura.

Os danos em soja são causados tanto pelos adultos quanto pelas ninfas, na fase vegetativa ou reprodutiva da cultura.

No entanto, o ataque é predominante na fase de enchimento de grãos, sendo favorecido por períodos de estiagem prolongada associados à ocorrência de altas temperaturas.

8-pragas-da-soja-mosca-branca
Aparência visual de adulto, ninfas e ovos da mosca-branca

Controle da mosca-branca

O controle pode ser feito pela escolha da melhor época de semeadura, eliminação de plantas hospedeiras, rotação de culturas e seleção de inseticidas efetivos.

Ademais, o período de vazio sanitário, utilizado para o controle da ferrugem-asiática, é também uma importante ferramenta de controle para essa praga da soja.

Para a aplicação de inseticidas, é importante entender que moléculas têm apresentado eficiência na região de cultivo, bem como em que fases da mosca-branca elas possuem ação.

O tratamento de sementes com inseticidas também ajuda a reduzir ou retardar o estabelecimento da praga.

8. Percevejo-castanho (Scaptocoris spp.)

O percevejo-castanho é um inseto polífago e de hábito subterrâneo, sendo uma praga que ataca um grande número de plantas hospedeiras. 

Sua presença é facilmente reconhecida, devido ao forte cheiro que exala quando o solo é movimentado.

No Brasil, as principais espécies de percevejos-castanhos associadas à cultura da soja incluem são:

  • Scaptocoris castanea;
  • S. carvalhoi;
  • S. buckupi.

O inseto suga a seiva das raízes da soja e pode ser encontrado predominante em solos arenosos

Desse modo, os sintomas provocados podem ser confundidos com uma deficiência nutricional ou doença, já que destroem as raízes da soja e os nódulos de fixação biológica de nitrogênio, afetando negativamente o estabelecimento do estande, o vigor e o desenvolvimento das plantas. 

Os danos têm sido mais frequentes nos estados do Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul.

Controle do percevejo-castanho

O controle do percevejo-castanho é preventivo. Por isso, é necessário fazer o monitoramento dessas pragas por meio de amostragens, antes da instalação da lavoura.

Além disso, a alteração da época de semeadura e a aplicação de inseticidas no sulco de semeadura auxiliam o manejo.

Quanto ao controle biológico, estudos estão sendo realizados para controlar a praga usando fungos entomopatogênicos, como o Metarhizium anisopliae.

9. Outros percevejos

Além do percevejo-castanho, há outros percevejos que podem danificar as vagens ou os grãos da soja em formação. São eles:

  • Percevejo-marrom-da-soja (Euschistus heros);
  • Percevejo-verde-pequeno (Piezodorus guildinii);
  • Percevejo-verde (Nezara viridula).
9-pragas-da-soja
Percevejo-marrom: (a), ovos (b), ninfas de primeiro (c) e quinto ínstar (d) (Fonte: Panizzi, 2012)
10-pragas da soja
Percevejo-verde-pequeno: adulto (a), ovos (b), ninfa de primeiro (c) e quinto ínstar (d) (Fonte: Panizzi; Bueno; Silva, 2012)

A época de ocorrência é o período de florescimento e, após a colheita da soja precoce, migram para talhões de soja mais tardia.

Os sintomas são grãos menores, enrugados, chochos e com a cor mais escura que o normal.

Quando o ataque ocorre nos estádios R3 a R4, podem favorecer o abortamento de vagens.

Se o ataque é durante o enchimento da vagem (R5), podem afetar o rendimento da cultura e a qualidade dos grãos ou sementes produzidas.

Além disso, um ataque severo de percevejos na soja pode causar distúrbio fisiológico na planta, causando retenção foliar.

Regiões de ocorrência dos percevejos:

  • Percevejo-marrom, percevejo-verde-pequeno e o percevejo-verde: região Centro-Sul do Brasil;
  • Percevejo-verde: Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul;
  • Percevejo-marrom e o verde-pequeno: Cerrado.

Controle de percevejos

Deve ser iniciado no estádio R3, quando houver dois percevejos por metro para lavouras de grãos e um percevejo por metro para lavouras destinadas a sementes.

O controle biológico pode ser feito das seguintes formas:

  • Parasitóides de ovos: Trissolcus basalis;
  • Parasitóide de adultos: Hexacladia smithii.

No entanto, os parasitóides são muito sensíveis a inseticidas de amplo espectro de ação. Por isso, tenha atenção quanto aos defensivos escolhidos.

10. Tamanduá-da-soja (Sternechus subsignatus)

As plantas jovens são as mais suscetíveis ao ataque dessa praga, conhecida como bicudo, cascudo ou tamanduá-da-soja.

Controle do Tamanduá-da-soja

Devem ser realizadas amostragens nos talhões em que, na safra anterior e na entressafra, tenham sido observados ataques severos da praga.

A rotação de cultura (por exemplo, com milheto, Crotalaria juncea ou mucuna-preta) é uma boa opção de controle.

Ademais, ao emergir, os adultos podem ser controlados com inseticidas, também sendo possível o tratamento de sementes com fipronil, tiametoxam.

11. Ácaros

Podemos citar quatro ácaros que podem causar danos à cultura de soja:

  • Ácaro-rajado (Tetranychus urticae);
  • Ácaro-branco (Polyphagotarsonemus latus);
  • Ácaro vermelho (Tetranychus ludeni ou Tetranychus desertorum);
  • Ácaro-verde (Mononychellus planki)
11-pragas-da-soja-acaros
(Fonte: Unipac)

Os ácaros ficam na parte inferior das folhas e, possivelmente, é necessária uma lupa para vê-los.

No entanto, você pode observar seus sintomas — que, normalmente, são pontuações claras (células mortas) na folha que podem evoluir para manchas. Os sintomas são desuniformes nas plantas e ao longo da lavoura.

No caso do ácaro branco, os sintomas são folhas encarquilhadas, podendo até ser confundido por viroses. Isso ocorre porque esse ácaro ataca as folhas novas, prejudicando o processo de expansão da folha.

Além do mais, o ataque dos ácaros decorre condições climáticas ou algum desequilíbrio.

O desequilíbrio pode ser causado pela aplicação de inseticidas pouco seletivos, que matam também os inimigos naturais dos ácaros.

São exemplos desses inseticidas os piretróides, usados em soja para lagartas e percevejos. Já os neonicotinoides favorecem os ataques por estimular a reprodução dos ácaros.

Quantos às condições climáticas, as estiagens favorecem todos os ácaros citados, exceto o ácaro-branco, que prefere períodos chuvosos.

Além disso, no geral, as infestações ocorrem nos estádios iniciais de desenvolvimento da cultura e, especialmente, após o florescimento das plantas.

O importante aqui é saber identificar o problema e anotar a presença dos ácaros na lavoura, para que isso fique registrado no histórico da área.

Controle de ácaros

Não existe um método adequado para realizar a amostragem dessas pragas da soja, já que há dificuldade em visualizá-los, o que dificulta o manejo.

Muitas vezes, as próprias condições climáticas desfavoráveis já controlam essa praga da soja.

12. Corós

Podemos citar três espécies de corós dessas pragas da soja e suas regiões de ocorrência:

  • Coró-da-soja (Liogenys fusca): Goiás e Mato Grosso;
  • Coró-da-soja-do-cerrado (Phyllophaga capillata): Distrito Federal, Mato Grosso e Goiás;
  • Coró-pequeno-da-soja: Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás;

Os corós se alimentam de raízes da soja e até mesmo nódulos de fixação biológica de nitrogênio.

Por isso, os sintomas são de desenvolvimento lento, amarelecimento, murcha e morte.

Com isso, causam redução na capacidade das plantas de absorver água e nutrientes, podendo ocorrer até 100% de perda da lavoura.

Semeaduras tardias tendem a sofrer maiores danos, uma vez que há predomínio de larvas maiores, que são mais vorazes.

Controle dos corós da soja

É importante fazer amostragens no solo, para identificar as espécies presentes dessas pragas da soja, seu nível populacional e o estádio de desenvolvimento.

Além disso, o monitoramento dessas pragas deve ser feito antes do plantio, já que é recomendado o controle preventivo.

Outro controle preventivo é a alteração da época de semeadura e o preparo do solo com implementos agrícolas adequados. O uso de armadilhas luminosas permite capturar adultos do inseto durante a noite e, assim, também contribuir para reduzir infestações.

Como controle químico, temos a aplicação de inseticidas nas sementes ou no sulco de semeadura da soja.

Conclusão

Aqui vimos as principais pragas da soja, sabendo mais sobre suas características e métodos de controle.

Conseguimos compreender também a época de ocorrência dessas pragas e as condições favoráveis a cada uma delas para que o monitoramento da lavoura seja realizado constantemente.

Agora é possível começar o MIP efetivamente, seja por planilhas ou um software agrícola como o Aegro, que possibilitam um controle mais eficaz e econômico.

>>Leia mais:

Como controlar a lagarta enroladeira das folhas na sua lavoura

Guia completo para o manejo da lagarta-preta

Como proteger sua lavoura da lagarta-rosca

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redatora Bruna Rohrig

Atualizado em 07 de junho de 2023 por Bruna Rhorig.

Bruna é agrônoma pela Universidade Federal da Fronteira Sul, mestra em fitossanidade pela Universidade Federal de Pelotas e doutoranda em fitotecnia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul na área de pós-colheita e sanidade vegetal.

Fatores que tornam seu solo mais fértil

O que torna o solo fértil? O que o torna infértil? Como conseguir melhor a fertilidade e assim melhorar a produção agrícola? Veja essas e outras informações no artigo a seguir:

Segundo relatório da FAO, 33% dos solos do mundo estão degradados, com perda de fertilidade e, consequentemente, produtividade.

No caso dos solos brasileiros, os principais problemas são a erosão, perda de carbono orgânico, e o desequilíbrio de nutrientes.

Apesar dos dados alarmantes, todos nós podemos tomar medidas para evitar essa degradação e tornar o solo mais fértil.

Aqui neste texto reunimos as principais dicas e informações sobre a fertilidade do solo para que você mantenha seu solo fértil e também produtivo! Confira:

O que torna o solo fértil e a importância disso na agricultura

Como sabemos, o solo é imprescindível para as atividades agrícolas, fornecendo nutrientes e água para as plantas.

Por isso, é muito importante você conhecer o solo da sua fazenda.

Um solo fértil é aquele que tem nutrientes para suprir as necessidades das plantas.

Assim, um solo infértil pode trazer muitos prejuízos, como disse José Graziano da Silva, diretor-geral da FAO:

A perda de solos produtivos prejudica gravemente a produção de alimentos e a segurança alimentar, amplifica a volatilidade dos preços dos alimentos e, potencialmente, mergulha milhões de pessoas à fome e à pobreza

o que torna o solo fértil

(Fonte: FAO)

A importância disso para o Brasil é ainda maior, já que o agronegócio em 2016 representou em torno de 23% do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil.

O que torna o solo fértil é primeiro determinado na formação do mesmo, como vamos discutir a seguir:

A formação dos solos influencia na fertilidade

A formação do solo inicia-se com o intemperismo do material de origem dos solos, ou seja, são fenômenos físicos, químicos e biológicos que agem sobre o material de origem.

Assim, o material de origem do solo, normalmente as rochas, sofrem ação do clima e dos organismos em um período de tempo para dar origem ao solo.

E é isso a causa dos diferentes tipos de solo. Veja os principais aspectos que afetam esse processo:

  • Material de origem: rochas ou resíduos vegetais;
  • Clima da região: precipitação e temperatura;
  • Relevo;
  • Organismos;
  • Tempo.

Dependendo desses fatores, e do grau de intemperismo, o solo formado será mais ou menos fértil.

A maioria dos solos brasileiros, por exemplo, não conseguem suprir por si só as necessidades nutricionais das plantas, sendo pouco férteis em geral.

Isso porque os solos já sofreram muito intemperismo, se constituindo em solos ácidos e com poucos nutrientes.

Por isso a calagem, gessagem e adubação são fundamentais para a nossa produção agrícola.

>>Leia mais: “Rochagem: Como essa prática pode beneficiar sua lavoura

A relação entre a classificação do solo e o que torna o  solo fértil

A classificação de um solo é obtida a partir da avaliação dos dados morfológicos, físicos, químicos e mineralógicos do perfil que o representam.

Veja algumas características e propriedades dos solos que são utilizadas para sua classificação:

  • Cor: relação com a formação dos solos;
  • Hidromorfismo: refere-se à superficialidade do lençol freático, indicando que o solo está permanentemente ou sazonalmente saturado por água;
  • pH: indica a acidez do solo;
  • Textura: proporção dos particulados do solo determinados de acordo com suas dimensões (granulometria): areia (mais grosseira), silte (intermediário) e argila (mais fina);
  • CTC (Capacidade de Troca de Cátions);
  • Matéria orgânica e material mineral.

Para classificar os solos brasileiros, a Embrapa desenvolveu um livro: Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (SiBCS).

2-o-que-torna-solo-fértil

(Fonte: Embrapa)

Nesse sentido, pela classificação do solo já podemos ter uma ideia de sua fertilidade.

Isso porque muitos desses fatores de classificação são o que torna o solo fértil ou não.

Como por exemplo, um solo arenoso terá menor CTC, com menor capacidade de reter nutrientes.

No entanto, a definição da qualidade do solo não é simples. Há complexidade de fatores envolvidos, além de que o solo não é consumido diretamente pelo homem e animais.

Assim, temos alguns indicadores da qualidade do solo que classificam o mesmo:

 Indicadores da qualidade do solo 

  • Indicadores Físicos: densidade, porosidade, textura, compactação, etc.
  • Químicos: pH, capacidade da troca de cátions (CTC), salinidade, etc.
  • Biológicos: matéria orgânica, diversidade de microrganismos, atividade microbiológica, etc.
  • Visuais: observação do solo, de fotografias aéreas, resposta da planta no solo e outros.

Desse modo, que quanto maior a qualidade do solo, maior será a capacidade de nutrir as plantas e, consequentemente, maior a fertilidade.

Você se recorda o que é CTC?

CTC é a Capacidade de Troca Catiônica, ou seja, é uma medida da capacidade de troca de cátions que um solo possui.

Para te explicar melhor sobre CTC, lembre-se que as partículas do solo na sua superfície possuem carga negativa e essas cargas negativas atraem carga positiva (cátions), como exemplo, Ca²+, Mg²+ e K+.

Veja mais sobre este tema: Entenda porque você precisa saber sobre a CTC do seu solo.

Agora que conhecemos mais sobre os horizontes e propriedades do solo, vamos falar de fertilidade e infertilidade do solo.

Fertilidade x Produtividade do solo

Você já escutou que um solo pode ser fértil e não ser produtivo?

O que torna o solo fértil é o fato do mesmo possuir os nutrientes essenciais em quantidades adequadas e balanceadas para as plantas.

Já um solo produtivo é caracterizado por um solo fértil e que também apresenta outros fatores. A ausência de elementos tóxicos e estar em um local com clima favorável ao desenvolvimento da planta são exemplo desses fatores.

Assim, nem sempre um solo fértil é também produtivo.

Além disso, como já comentamos, muitos solos podem não ser naturalmente férteis.

A baixa fertilidade por causas naturais está relacionado especialmente à gênese (formação) do solo e o intemperismo.

Chuvas e precipitações elevadas favorecem o processo de formação do solo, assim, ficam muito intemperizados, ficando com baixa fertilidade.

Desse modo, regiões tropicais, como o Brasil, é favorecida pelo intemperismo, tendo condições de alta temperatura e precipitações.

Em alguns casos um solo fértil pode perder a fertilidade por manejo inadequado, resultando em erosão, desequilíbrio de nutrientes e outros.

Pode também ocorrer exaustão de nutrientes do solo provocada pelas retiradas pelas culturas, especialmente devido a intensificação da produção.

Afinal, há cada vez mais pessoas no planeta, pressionando a maior produção de alimentos.

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(Fonte: FAO)

Mas podemos produzir mais sem degradar os solo. Veja a seguir as razões para a infertilidade do solo e logo depois como contorná-las:

Causas da infertilidade do solo

  • Falta de planejamento agrícola e financeiro;
  • Uso excessivo de adubos químico e não realizar análise prévia do solo;
  • Manejo ou rotação errôneas das culturas;
  • Doses desequilibradas de adubos;
  • Erosão do solo, lixiviação e/ou volatilização de nutrientes;
  • Salinização (uso inadequado de produtos);
  • Redução da atividade microbiana;
  • Acidez;
  • Compactação do solo.

A compactação do solo é uma importante causa da infertilidade do solo que é comum nas áreas.

Isso compromete a produtividade da sua cultura, como mostrado na imagem abaixo.

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(Fonte: Rural Pecuária)

No entanto, podemos realizar algumas técnicas para tornar o solo fértil ou não deixar que ele se torna infértil. Para isso, confira as dicas a seguir:

O que torna o solo fértil? Veja 8 dicas para isso

1ª Dica: Planejamento agrícola

Em todas as atividades na sua propriedade, você precisa de planejamento.

Uma propriedade bem planejada pode trazer mais lucro e também tornar a administração mais fácil.

Assim, esse é o primeiro, e uma das principais dicas sobre o que torna o solo fértil.

Você pode ver como começar um planejamento simples e rápido neste artigo.

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Lembre-se, que sua fazenda é o seu negócio, por isso, você precisa de uma gestão rural eficiente.

2ª Dica: Análise do solo

Esta dica, também considero muito importante e também deve ser realizada em toda propriedade rural.

Como já citei no início do texto, você deve conhecer o solo da sua propriedade agrícola.

Para isso, é necessário realizar a análise do solo.

Assim, entre os primeiros passos do planejamento da sua lavoura é a realização da análise do solo.

É com ela que veremos as quantidades dos nutrientes disponíveis no solo. Além do mais, ela permite avaliar as propriedades químicas, físicas e biológicas do solo que são importantes para a fertilidade de solo e nutrição das plantas.

Dessa forma, você determina o que precisa colocar no seu solo para determinada cultura, sem desperdícios e gerando ganhos na produtividade.

Para te auxiliar na análise do solo, não se esqueça de procurar um(a) engenheiro(a) agrônomo(a).

Para saber mais sobre análise de solo você pode ler este texto: Qual melhor momento para fazer a análise de solo.

3ª Dica: Calagem

Outra dica que você pode realizar na sua propriedade é a calagem, que é uma prática agrícola de aplicação de calcário.

A calagem é extremamente relevante em solos ácidos, como os de regiões tropicais.

Veja alguns benefícios da calagem:

  • Elimina a acidez do solo;
  • Fornece cálcio e magnésio;
  • Estimula o crescimento radicular (Ca);
  • Aumenta a disponibilidade de fósforo;
  • Reduz disponibilidade de alumínio e manganês;
  • Aumenta a mineralização da matéria orgânica;
  • Aumenta a agregação do solo, podendo reduzir a compactação

Se você ficou com dúvidas de como realizar essa prática veja este artigo sobre o cálculo da calagem.

4ª Dica: Adubação

Para repor os nutrientes que foram retirados pela cultura do solo, você deve realizar a adubação.

Para isso, como já discutimos, é essencial a análise de solo.

Uma observação é muito importante: deve-se realizar um recomendação equilibrada, qualitativa e quantitativa: Lei do mínimo de Liebig (imagem abaixo).

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(Fonte: IB USP adaptado de Lepch, 1976)

Então, não adianta você somente colocar um nutriente no solo e faltar outros. O importante é o equilíbrio.

Por isso, avalie bem seu solo, cultura e condições climáticas. Você pode ver mais sobre adubação de potássica em soja aqui e adubação foliar neste outro artigo.

Veja também: “Tipos de adubos químicos na cultura da soja“.

5ª Dica: Verifique a necessidade de gessagem

Muitas vezes, é preciso melhorar as camadas subsuperficiais do solo. Para melhorar essas camadas, você pode aplicar gesso agrícola (gessagem).

O gesso (CaSO4 – sulfato de cálcio) é fonte de cálcio (20%) e enxofre (15-18%) para o solo.

Para melhorar as camadas subsuperficiais do solo, o sulfato reage com o alumínio. Isso diminui a toxidez de alumínio para as plantas e possibilita o aumento do sistema radicular das plantas.

Alguns benefícios da gessagem:

  • Aumenta o sistema radicular em profundidade;
  • Fornecimento de cálcio em profundidade;
  • Redução da saturação de alumínio em subsuperfície;
  • Maior absorção de nutrientes e água.

Assim, fica claro que a gessagem é uma dica importante sobre o que torna o solo fértil.

Fiz um texto sobre gessagem, que fala sobre cálculo e como realizar a gessagem: Gessagem: Tudo o que você precisa saber sobre esta prática agrícola.

6ª Dica: Sistema de Plantio Direto (SPD)

Um manejo que você pode utilizar na sua propriedade e melhorar as condições do solo é o Sistema de Plantio Direto (SPD).

O SPD é manejado com o revolvimento mínimo do solo, mantendo o solo coberto por meio de palhada ou plantas vivas, com a diversificação das culturas.

Este sistema é importante para a fertilidade do solo por favorecer a microbiota do solo, matéria orgânica, melhor estruturação do solo (agregados), redução do processo erosivo e outros.

O SPD é um sistema bastante importante nos solos do Cerrado.

Quer saber mais sobre plantio direto e fertilidade do solo, veja este texto.

7ª Dica: Adubação verde ou cultura de cobertura

Outras práticas agrícolas que você pode realizar na sua propriedade é a adubação verde ou cultura de cobertura.

A adubação verde é uma prática agrícola que algumas espécies de plantas são plantadas e depois em um determinado estágio de desenvolvimento são incorporadas no solo.

Já as plantas de cobertura ficam no solo para formar uma camada protetora, que levará mais tempo para se decompor e disponibilizar os nutrientes no solo.

Veja algumas vantagens da adubação verde que estão relacionados com à fertilidade do solo:

  • Aumento da capacidade de armazenamento de água no solo;
  • Descompactação do solo;
  • Melhora o impacto causado pela água da chuva;
  • Aumento da atividade biológica do solo;
  • Reciclagem de nutrientes;
  • Aumento do incremento de nitrogênio;
  • Aumento do teor de fitomassa.
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(Fonte: Agroecologia)

Ficou com dúvidas sobre qual leguminosa escolher para a adubação verde? Veja este texto: Qual a melhor leguminosa para fazer sua adubação verde.

8ª Dica: Agricultura de Precisão

A Agricultura de Precisão pode te ajudar com as atividades agrícolas de amostragem do solo, aplicação de calcário, gesso agrícola ou na adubação do solo.

Por isso, ela é a minha oitava dica sobre o que torna o solo fértil.

A Agricultura de Precisão (AP) é um manejo diferenciado da sua lavoura, pensando que as áreas não são uniformes.

Então, AP busca otimizar e aproveitar melhor cada porção da sua propriedade, assim, considera que cada porção da sua fazenda é diferente.

Assim, você melhora a sua amostragem de solo, além disso, otimiza as operações como calagem, gessagem e adubação da sua lavoura.

Conclusão

Neste texto foram discutidas sobre de o que torna o solo fértil na agricultura e sobre a formação dos solos.

Além disso, foi abordado como um solo pode se tornar infértil e algumas causas para isto.

Também foi discutido algumas dicas para melhorar a fertilidade do solo da sua propriedade agrícola.

Lembre-se especialmente das duas primeiras dicas para melhorar a fertilidade do solo que considero essenciais: planejamento e análise do solo.

Desse modo, trabalhar a fertilidade do seu solo é um ótimo começo do seu planejamento e pode resultar em ótimas produtividades.

>> Leia mais:
Saiba as consequências das queimadas no solo e os impactos para a agricultura

Você já conhecia o que torna o solo fértil? Você sabe se o seu solo está fértil? Utiliza análise de solo na sua propriedade? Restou alguma dúvida? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Como reduzir o custo da safra com um fluxo de caixa efetivo

O planejamento da empresa rural contando com um fluxo de caixa efetivo é essencial para manter os custos da safra sob controle!

Tenho certeza que você tem ideia dos custos de sua safra estimados por orçamentos e algum planejamento, seja por meio de agendas, planilhas ou um software de gestão de fazenda.

Mas você saberia me dizer o custo de cada um de seus talhões? Quais deles tiveram um aumento expressivo de uma safra para outra? Se você tivesse a oportunidade de comparar o planejado versus o realizado, ajudaria a entender os motivos dessas despesas de uma forma mais clara.

Especialmente com um fluxo de caixa em ordem, é possível verificar exatamente os seus gastos e como estão as finanças da fazenda para a próxima safra. Assim, é possível se programar para reservar um fundo para os imprevistos.

Como começar esse controle e ter um fluxo de caixa rápido de ser feito? Veja a seguir:

Planejamento da empresa rural: o papel do fluxo de caixa

Nos dias de hoje, o produtor deve tratar sua fazenda como uma empresa rural, detalhando todas as receitas e despesas de forma clara e organizada.

Desta forma, podemos tomar algumas decisões antecipadas que podem otimizar os recursos ou mesmo definir um planejamento da empresa rural que seja estratégico para a safra.

Planejando sua safra e organizando seu fluxo de caixa, é possível também identificar as opções para reduzir os custos e, assim, elevar o lucro.

Desta forma você pode notar que o fluxo de caixa é fundamental para o planejamento, indicando onde gastamos e onde iremos gastar nosso recurso financeiro.

Todo esse planejamento e organização fazem parte do desafio de ser um líder em uma empresa rural.

E como é definido o fluxo de caixa no planejamento da empresa rural?

“Fluxo de caixa é um tipo de controle da movimentação financeira em um determinado período de tempo, considerando entradas e saídas de dinheiro a partir de registros detalhados”.

(Márcio Roberto Andrade, controller na Conta Azul)

Temos 4 itens principais no fluxo de caixa:

  1. Saldo inicial: quantia disponível no início do período
  2. Receitas: entrada de dinheiro em caixa
  3. Despesas: saída de dinheiro
  4. Saldo  acumulado: dinheiro disponível no fim do período. Diferença entre saldo inicial e todas as entradas e saídas do período.

Assim, com o fluxo de caixa, podemos ver o mínimo de dinheiro que devemos manter na empresa rural. Já com o excedente, podemos realizar uma aplicação ou investimento na própria fazenda.

Ele também permitirá monitorar a saúde financeira da sua empresa. Por isso, é importante criar o hábito e se disciplinar a realizar a gestão.

Dessa forma, criar categorias ajudam nos registros e, consequentemente, a organizar e entender onde foi destinado o seu dinheiro.

Nós preparamos uma modelo de fluxo de caixa em Excel que você pode baixar gratuitamente!

planilha de fluxo de caixa

Utilizando essa planilha, vamos agora falar das principais categorias, o que colocar em cada uma delas e sua importância.

Os insumos agrícolas como despesas do fluxo de caixa

Nesta categoria vamos inserir todos os recursos físicos que fazem parte do processo produtivo e que consideramos no planejamento da empresa rural.

Ou seja, é aqui que você vai colocar os custos com suas sementes, defensivos agrícolas, adubos, calcário, gesso agrícola e outros.

Como você pode notar, essa é uma parte importante do fluxo de caixa, já que gera muitos custos.

Assim, é interessante você anotar todos esses gastos conforme eles ocorrerem, facilitando a lembrança e o preço correto de cada insumo.

Investimentos

Nessa categoria vamos contabilizar os gastos com a compra de novas máquinas, a construção de novos prédios ou silos na fazenda e outros investimentos.

Um ponto importante é inserir as parcelas dos financiamentos realizados, possibilitando verificar a disponibilidade de dinheiro em caixa ao longo dos meses e assim planejar os pagamentos das parcelas na data correta.

É também importante se programar para os pagamentos, já que isso previne custos adicionais com juros.

Insumos para maquinários

Para que a compreensão dos gastos fique mais clara, vamos separar os gastos dos maquinários em mais categorias.

Sei que não é uma tarefa fácil, mas ter a visão dos seus maquinários é importante.

Assim você pode entender se eles ainda estão em condições de uso ou se já chegou o momento de realizar a troca.

Dessa forma, começamos com os insumos para maquinários, que inclui os gastos com peças, óleo, grafite e outros.

Manutenção de máquinas

É aqui que colocaremos o preço da mão de obra do serviço de manutenção das máquinas e implementos agrícolas.

Desse modo, podemos saber exatamente os custos de manutenção e repensar a compra de outra máquina se esses gastos forem altos.

Foi exatamente isso que aconteceu em uma propriedade rural do interior de São Paulo. Com o Aegro, eles descobriram que seria mais rentável trocar a máquina pelos custos altos de manutenção.

Você pode conferir a história completa neste artigo:

“Como Elivelton reduziu 40% do seu custo de manutenção de máquinas com aplicativo para agricultura”

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Nova máquina que foi possível comprar com segurança na tomada dessa decisão com o uso do Aegro

Combustível

É nesta categoria que você irá inserir todos os custos com abastecimento de máquinas,  desde os maquinários agrícolas até os veículos das propriedades rurais.

Sim, eles devem ser contabilizados, principalmente aqueles utilizados para correr com as coisas da lavoura. No final do mês ou do período você verá que é um dos custos mais significativos.

Terceirização

Vamos inserir aqui os custos dos serviços terceirizados durante a safra, como a colheita, que pode ter tanto o operador quanto as máquinas terceirizadas.

Fretes

Vamos criar uma categoria para o frete, assim conseguimos visualizar os custos de uma safra para outra, possibilitando ter a visão desta atividade.

Desse modo, ter o controle e contabilizar o frete rural é essencial, pois ele eleva os custos da produção.

Em entrevista ao G1 o ex-ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi  disse que um frete que antes da greve custava R$ 5 mil passou a custar de R$ 13 mil a R$ 14 mil após a alteração da tabela.

Veja aqui a tabela com preços mínimos de frete divulgada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Administração

Um custo que se enquadra nesta categoria é o escritório contábil, o contador de sua fazenda ou até mesmo um custo da licença de um software.

Lembre-se dos outros custos, eles devem ser contabilizados

Além das despesas de custeio da lavoura, devemos lembrar que também temos outros custos variáveis, como seguro agrícola, armazenagens, entre outros.

Devemos levar em consideração ainda os financiamentos, manutenções e benfeitorias e, em alguns casos, o arrendamento da terra.

Com todas essas despesas contabilizadas, você consegue saber seu custo de produção.

Além disso, orçando essas despesas no planejamento da empresa rural, você já sabe com maior exatidão os custos futuros.

Nesse sentido, segundo o Imea, os custos da produção de soja da safra 18/19 em julho para culturas transgênicas no estado do Mato Grosso fica em torno de R$ 3.830,00/ha e para cultura convencional R$ 3.975,00/ha.

Vimos como colocar as despesas nas principais categorias, mas o planejamento dessas despesas é tão importante quanto os seus registros.

Por que realizar um orçamento de safra?

Com o planejamento da empresa rural, baseado na sua safra, você pode ver antecipadamente qual será o seu custo.

Realizar um orçamento e ter a visão do custo antes do início é de extrema importante.

É neste momento que você pode tomar ações para mudar o seu planejamento, de forma que no futuro não ocorra um desequilíbrio no fluxo de caixa, devido a situações prevista.

Note que o planejamento agrícola e seu orçamento é essencial para o controle de seus custos e da fazenda. 

Histórico dos custos podem ajudar com o seu fluxo de caixa

Ao iniciar o planejamento da empresa rural, você pode consultar históricos passados. Eles ajudam a verificar as sazonalidades das entradas e saídas de dinheiro por mês.

Veja na safra anterior, por exemplo, ao orçar os custos da nova safra, eles ficaram mais elevados? O que pode ter ocorrido?

É nesse momento que devemos analisar o histórico de custos desta determinada categoria, entendendo o que ocorreu.

Pode ter sido um aumento no preço dos produtos ou uma nova adversidade no campo que demandou um gasto fora do planejado.

Melhor ainda quando essa análise do custo realizado é feita detalhadamente por talhão. O que pode ser difícil de visualizar em planilhas, mas fica fácil e rápido por um software agrícola:

Com o Aegro, você pode analisar as despesas e receitas de cada talhão de forma prática

Conclusão

Vimos ao longo do artigo alguns pontos importantes sobre planejar a safra e o fluxo de caixa e que ambos devem ser trabalhados juntos.

O orçamento da safra também é uma ferramenta de gestão. Ele permite estabelecer metas e avaliar o desempenho da sua safra ou das empresa rurais como um todo.

Após finalizado seu orçamento e com os custos da nova safra em mãos, verifique onde é possível cortar gastos e realizar investimentos.

Não se esqueça também de deixar o fluxo de caixa atualizado!

Com todas essas informações e a disponibilização da planilha de fluxo de caixa, você pode começar agora seu planejamento da empresa rural!

>>Leia mais:

“Administração rural: 5 definições que talvez você tenha dúvida”

“Como fazer administração rural com essas 3 ferramentas mesmo não sabendo nada de tecnologia”

“O que é administração rural e como usar em sua propriedade”

Como você faz seu fluxo de caixa hoje? Tem mais dicas sobre essa ferramenta? Ficou com alguma dúvida? Deixe seu comentário abaixo!