Veja como regular sua fazenda na Operação Declara Grãos

Operação Declara Grãos: saiba o que é, quais as consequências para quem não se regularizar e regras por região

Manter sua empresa rural em dia é fundamental. Estar com o Imposto de Renda atualizado é uma das principais formas de fazer isso.

Se você deixou de apresentar as declarações de IR entre 2017 (ano-calendário 2016) e 2021, saiba que há uma forma de regularizar.

Isso, é claro, se sua receita das atividades rurais tiver sido superior a R$142.788,50 (no ano).

Neste artigo você descobrirá como se regularizar e quais os benefícios a operação traz para você e para seu negócio. Boa leitura!

O que é a Operação Declara Grãos

A operação Declara Grãos é uma ação da Receita Federal que regulariza produtores rurais com pendências na Declaração de Imposto de Renda — Pessoa Física. 

A operação possibilita que produtores rurais que não fizeram a declaração do IR nos últimos anos se regularizem.

Este trabalho acontece nos estados:

  • São Paulo;
  • Rio Grande do Sul; 
  • Minas Gerais;
  • Santa Catarina;
  • Paraná.

A ação começou com a análise de notas fiscais eletrônicas emitidas por empresas que compraram mercadorias de produtores rurais. 

Essas notas fiscais foram cruzadas com dados dos sistemas da Receita Federal. Com isso, auditores constataram um grande número de contribuintes que não apresentaram suas declarações.

No Rio Grande do Sul, mais de 12.000 contribuintes deixaram de apresentar declarações de ajuste anual do Imposto de Renda — pessoa física.

No estado de São Paulo, a omissão desses rendimentos chegou a aproximadamente R$9,7 bilhões entre os anos 2017 a 2021. Cerca de R$533 milhões em impostos provenientes do Imposto de Renda deixaram de ser recolhidos.

A operação também tem como alvo produtores que apresentaram a declaração, mas não informaram os devidos valores no anexo de atividade rural. 

Também são analisados a exploração de atividade rural em imóveis arrendados e as despesas utilizadas nas atividades rurais. São analisados principalmente os veículos classificados como utilitários e de carga.

Como fazer a regularização

A Receita Federal informa os contribuintes em débito por meio de correspondências, indicando a necessidade da regularização. 

No entanto, não há necessidade de aguardar o recebimento da carta ou ir a uma Unidade da Receita Federal para corrigir.

Caso você constate que deixou de apresentar a declaração nos anos anteriores, providencie as declarações dos exercícios faltantes. 

Se você apresentou a declaração, mas não preencheu o anexo de atividade rural, deve preenchê-lo devidamente.

A regularização das declarações é vantajosa para você. Assim, evita penalidades como o pagamento de multa e processo administrativo. A regularização muda conforme os Estados. Confira agora quais regras se enquadram na sua região.

Rio Grande do Sul — Operação Declara Grãos

No Rio Grande do Sul, a Operação Declara Grãos está na sua terceira fase. Ela começou em julho de 2021. Foram enviadas correspondências para mais de 3.100 contribuintes.

As correspondências também foram enviadas para a caixa postal dos contribuintes no (e-CAC) Centro de Atendimento Virtual da Receita Federal.

Aqueles que possuem os números de telefone ou e-mails cadastrados também receberam aviso da postagem dessas cartas. Na terceira fase, serão notificados:

  • contribuintes que tiveram receita  de atividade rural superior a R$142.788,50 (no ano) receberão notificação;
  • aqueles que exploram atividade rural em imóveis arrendados ou que arrendam seus imóveis para tal finalidade.
  • aqueles que adquiriram veículos e os classificam como despesas da atividade rural. Muitos desses veículos podem ter sido deduzidos de forma errada. Afinal, podem não ter sido utilizados exclusivamente na atividade rural.

Após o recebimento da notificação, o contribuinte tem 30 dias para enviar a Declaração do Imposto de Renda para os exercícios 2017 a 2021 (anos-calendário 2016 a 2020).

Se for o caso,  deve pagar o imposto à vista ou parcelado em até 60 vezes. Vale lembrar que a parcela mínima é de R$ 200,00. A regularização deve ser feita acessando as fichas de declaração no e-CAC e no site da Receita Federal.

São Paulo — Operação Declara Grãos

A operação no Estado é realizada em etapas. 

Os contribuintes começaram a ser notificados em setembro de 2021. Quem não entregou a declaração a partir de 2017 deve reunir toda a documentação e transmitir o documento.

Para regularizar a situação, o contribuinte deve entregar a Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Física com o Anexo da Atividade Rural. É obrigatório declarar as receitas da atividade. 

Caso já tenha entregue, deve apresentar a declaração retificadora para informar as receitas de sua atividade.

Se esse for seu caso, você deve baixar o PGD (Programa Gerador de Dados) da Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Física. Ele deve corresponder ao exercício e ano-calendário das receitas. 

Após isso, você deve preencher o documento. Em seguida, entregue o documento conforme as orientações contidas no próprio programa.  Para obter o Programa Gerador de Dados, acesse o site da Receita Federal.

Você pagará as diferenças através da emissão de um Darf, disponível no PGD

O programa calcula os valores para pagamento, no prazo de validade ou acrescido com juros. Os juros aparecerão caso você esteja fora do prazo de vencimento. O pagamento também pode ser parcelado. 

Este parcelamento deve ser solicitado diretamente no e-CAC, na opção “Pagamentos e Parcelamentos”. Em seguida, vá para a opção “Parcelamento — Solicitar e Acompanhar”.

O prazo para regularização é informado na correspondência enviada pela Receita Federal.

Minas Gerais — Operação Grão em Grão

Iniciada em junho de 2021, a Operação de Grão em Grão analisou as atividades de mais de 80 mil contribuintes.  Houve indícios de cerca de R$7 bilhões em receitas não declaradas, com estimativa de recuperação de R$250 milhões.

Todas as informações necessárias para a regularização podem ser acessadas no menu “Meu Imposto de Renda” no site da Receita. 

No site, você terá acesso ao download dos programas, orientações para pagamento e informações sobre atividade rural.

Santa Catarina e Paraná — Operação Declara Agro

A Operação Declara Agro nos estados de Santa Catarina e Paraná, teve início em maio de 2021.  Desde então, a Receita já identificou mais de 30.900 mil contribuintes rurais desregulados.

Nas próximas etapas da operação, serão apurados: 

  • a não emissão de notas fiscais eletrônicas de venda de produtos rurais;
  • aqueles produtores que levaram para suas declarações valores inferiores à soma das notas fiscais emitidas.

Devem declarar rendimentos os produtores rurais que:

  • tenham receita bruta acima de R$147.700,00;
  • tenham rendimentos tributáveis superiores a R$28.500;
  • possuam propriedade de bens ou direitos, inclusive terra nua, de valor superior a R$300.000. Esse valor é considerado independentemente do faturamento ou rendimentos auferidos no exercício.

Todas as informações relacionadas à regularização podem ser acessadas no site da Receita Federal, pelo menu “Meu Imposto de Renda”.

O que acontece se eu não regularizar o Imposto de Renda?

Após a notificação, se você não fizer a regularização no prazo estipulado, estará sujeito à multa.

O valor cobrado será de no mínimo 75% sobre o saldo de imposto apurado. Esse valor pode chegar até a 225%.

Além disso, você pode sofrer outras penalidades, como:

  • inscrição na dívida ativa;
  • cobrança judicial de crédito tributário;
  • correção monetária dos impostos e juros.

Ainda, seu CPF pode ser bloqueado. Assim, você não poderá obter certidões negativas para liberação de empréstimos e manutenção de contas bancárias.

planilha de controle de endividamento rural com rateio por participante

Conclusão

A regularização das pendências com a Receita Federal traz uma série de ganhos.

E ela só depende de você! Se esse for seu caso, faça a entrega da declaração quanto antes, e evite problemas futuros.

Afinal, a saúde financeira do seu agronegócio também depende de você estar em dia com o Fisco.

E você, ainda tem alguma dúvida sobre a Operação Declara Grãos? Adoraria ler seu comentário abaixo!

Potencialize a adubação do cafezal com palha de café (+ planilha grátis)

Palha de café: veja como obter, quais os nutrientes presentes, como utilizar na adubação e todos os benefícios

O Brasil é o maior produtor e exportador de café no mundo.

A produção dos grãos gera, na mesma proporção, a palha do café.

Este subproduto pode ser um grande aliado na produção de café para os produtores. Afinal, ele é rico em nutrientes que podem ser devolvidos para a lavoura.

Neste artigo, entenda mais sobre como a palha pode te ajudar a economizar e trazer benefícios para seu solo. Confira!

O que fazer com a palha de café? 

A palha do café é a casca dos grãos. Ela é retirada durante o beneficiamento do café.

Após a colheita, os grãos são levados para os terreiros. Ali eles permanecem até estarem secos e prontos para serem beneficiados.

Em alguns lugares, o beneficiamento é feito na própria fazenda, com máquinas móveis que descascam e ensacam os grãos. 

Isso também pode ser realizado em beneficiadoras. Mas, para isso, é necessário levar o café em casca até o local.

Fotos do momento de beneficiamento do café. Na primeira foto, há uma grande máquina amarela e muitas sacas brancas de café no chão. Há alguns trabalhadores presentes na foto. Na seguida, apenas uma máquina amarela dentro de um silo.
Beneficiamento de café (A) móvel e (B) fixo
(Fonte: Civarc e Rolnews)

Após obter a casca, seu uso pode ser imediato ou utilizado após um tempo. Pra isso, é importante armazená-la. Afinal, a chuva pode causar a lixiviação dos nutrientes.

Se a palha estiver em local aberto, como terreirões, basta cobrir com lona. O importante é evitar a entrada de água.

Outro modo de utilizar a casca do café é fazer compostagem com esterco de gado ou de galinha, por exemplo.

Quais nutrientes são encontrados na casca de café?

Geralmente, o teor médio dos macronutrientes na casca é:

  • de 1,5% a 2,5% de nitrogênio;
  • de 0,08% a 0,09% de fósforo;
  • de 2,7% a 2,75% de potássio.

A composição mineral dos grãos e da casca muda em função dos tratos culturais realizados na lavoura. Adubação química, matéria orgânica do solo e outros fatores influenciam.

Em toda atividade agrícola, como a produção de grãos, ocorre a exportação de nutrientes.

Esta exportação é a quantidade de nutrientes retirados da área através dos grãos produzidos. 

No caso do café, a exportação é a combinação dos nutrientes contidos nos grãos e na casca

Usar a casca do café é importante justamente para devolver alguns nutrientes necessários para as plantas.

Faça a análise da palha do café, ao menos uma vez, para saber quais nutrientes estão presentes e a quantidade de cada. Assim será possível balancear corretamente a adubação no cafezal.

Uso da palha como adubação orgânica

Com a composição mineral definida, a aplicação da palha é uma boa opção complementar de adubação do café. Afinal, ela é um adubo orgânico rico em nutrientes.

O custo da sua utilização é extremamente baixo, se comparado com a adubação química.

Seu uso não anula a aplicação de adubo químico nas plantas. 

É interessante fazer uma análise de nutrientes da palha do café antes de adubar. Assim, você pode tentar diminuir o uso do adubo químico.

Também é sempre válido controlar de perto a adubação que você faz no seu cafezal. Por isso, separamos uma planilha grátis para te ajudar nesse processo.

Clique na imagem abaixo para baixar!

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Como adubar o café com a palha

A recomendação de adubação com a palha varia entre 5 a 10 t ha-1.

Faça uma cobertura dos dois lados da saia do café, com faixa de 50 cm a 80 cm. É importante fazer uma camada fina de 2 cm.

A aplicação é recomendada em cobertura, com distância de 10 cm do tronco

Afinal, a concentração alta de potássio e a liberação de calor podem causar a queima do tronco e a  morte da muda.

Na utilização da casca de café, fique de olho na quantidade de potássio a ser aplicada.

Como a palha tem elevada concentração do nutriente, o excesso pode prejudicar as raízes das plantas novas. Ele também pode desequilibrar a quantidade de outros nutrientes.

Vale lembrar que casca do café é um adubo orgânico com decomposição lenta

A associação com adubo químico é uma forma de acelerar o processo de decomposição e liberação dos nutrientes.

Estudos conduzidos por Fernandes e colaboradores, em 2013, verificaram esta associação de palha com adubação química reduzida. 

Eles mostraram que a produção foi maior com a combinação destes dois tipos de adubos.

Tabela que mostra resultados de diferentes tratamentos de café.
Produção de 3 safras em sacas 60 kg ha-1 de café beneficiado em função dos diferentes tratamentos utilizados
(Fonte: Fernandes e colaboradores)

Benefícios do uso da casca de café na lavoura 

Além da economia, o uso da casca do café apresenta uma série de outros benefícios. Por exemplo:

  • Proteção do solo;
  • Retenção da umidade do solo;
  • Diminuição da temperatura do solo;
  • Liberação lenta dos nutrientes;
  • Controle de plantas invasoras, seja pela barreira física ou pelo efeito alelopático.
  • Melhor desenvolvimento dos microrganismos do solo, que trazem vários benefícios estruturais do solo e consequentemente para as plantas.
  • Efeito alelopático: liberação de substâncias que interferem na germinação e/ou desenvolvimento de outras plantas daninhas do café, como picão-preto e mata-pasto.
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Conclusão

A palha de café é um adubo orgânico, rico em nutriente.

A associação da adubação química com a casca de café traz benefícios. Maior produção e economia são apenas alguns exemplos.

Fique de olho na quantidade de casca que deve ser aplicada por hectare. Assim, você evita o desequilíbrio de nutrientes no solo.

Você utiliza a palha de café na sua lavoura? Já pensou em todos os benefícios que esse subproduto pode te fornecer? Deixe seu comentário abaixo!

Entenda como interpretar as informações do Zarc (Zoneamento Agrícola de Risco Climático)

Zoneamento Agrícola: aprenda o que é, qual o objetivo, como funciona, onde e como consultar todos os dados

O Zarc (Zoneamento Agrícola de Risco Climático) é essencial para o planejamento e execução das atividades agrícolas.

Ele identifica os municípios com condições favoráveis para o cultivo de determinada espécie vegetal. Os períodos de semeadura com menor risco climático também são identificados. 

Neste artigo, você verá um pouco mais sobre como consultar o Zarc e sua importância.

O que é o Zarc (Zoneamento Agrícola de Risco Climático)?

O Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) é uma ferramenta de gestão implementada no Brasil desde 1996. 

Os resultados do Zarc consideram diversos aspectos, como solo, ciclo da cultura e semeadura. 

Conhecer essas variáveis é essencial para realizar a consulta com precisão. Veja um pouco mais sobre os aspectos analisados pela ferramenta:

1. Textura do solo

No Zarc, os solos são agrupados em três categorias:

  • Tipo 1: textura arenosa, com teor de argila maior que 10% e menor ou igual a 15%;
  • Tipo 2: textura média, com teor de argila entre 15% e 35%, e menos de 70% de areia;
  • Tipo 3: textura argilosa, com teor de argila maior que 35%.

2. Ciclo fenológico

As cultivares são classificadas em diferentes grupos. Essa classificação depende da duração média do ciclo e das fases fenológicas.

Para culturas como milho, feijão e soja, o ciclo fenológico é dividido em 4 fases:

  • Fase 1 — Germinação/emergência;
  • Fase 2 — Crescimento/desenvolvimento;
  • Fase 3 — Florescimento/enchimento de grãos;
  • Fase 4 — Maturação fisiológica.

3. Período de semeadura

No Zarc, o calendário é apresentado em intervalos de 10 dias. O período 1 representa os 10 primeiros dias do ano, de 1 a 10 de janeiro. 

O período 2 representa o intervalo entre os dias 11 e 20 de janeiro, e assim em seguida. Contando dessa forma, um ano tem 36 períodos de 10 dias.

Para entender melhor, confira a tabela abaixo.

Tabela com os períodos, datas e meses de semeadura. A tabela é dividia em decênios.

Tabela de período de semeadura

(Fonte: Portaria nº 128, de 18 de maio de 2021)

Como o Zarc funciona?

Através de pesquisas, as exigências fisiológicas das culturas são descobertas. Com informações sobre solo e clima, é possível dizer a quem produz os períodos de plantio mais indicados.

No fim das pesquisas e de cruzamentos de dados de 30 anos passados com essas exigências das culturas, um calendário é definido.

Esse calendário é específico para cada município, tipo de solo e cultivar. Confira agora onde o calendário fica disponível.

Onde consultar o Zarc?

As informações do Zarc podem ser acessadas através de três portais:

  • Painel de Indicação de Riscos;
  • Aplicativo Zarc — Plantio Certo;
  • Portarias de Zarc por Estado.

Agora, veja um passo a passo de como consultar o zoneamento em cada um desses sites.

1. Painel de Indicação de Riscos

A consulta do Zarc pelo Painel de Indicação de Riscos é feita seguindo as etapas a seguir:

  1. Acessar a plataforma Painel de Indicação de Riscos;
  2. Selecionar a aba “Tábua de Risco — 20% 30% 40%”;
  3. Selecionar a safra;
  4. Selecionar a cultura;
  5. Selecionar a sua UF (unidade federativa);
  6. Selecionar o grupo da cultivar;
  7. Selecionar o tipo de solo;
  8. Selecionar o município.

É possível selecionar mais de um município do mesmo estado.

Após selecionar os filtros, um mapa da região é gerado e o período de semeadura é fornecido. Como referência, há três níveis de risco climático: 20%, 30% e 40%.

O calendário é dividido em intervalos de 10 dias

A partir da legenda nos níveis de risco, é possível interpretar as informações e determinar o melhor período para realizar o plantio.

Veja o exemplo a seguir!

Foto do aplicativo Painel de Indicação de Riscos, mostrando através de quadrados a época correta de semeadura. Há quadrados vermelhos, azuis, amarelos e verdes.

Tábua de risco por decêndio para o cultivo de soja no estado da Bahia

(Fonte: Painel de Indicação de Riscos)

2. Aplicativo Zarc — Plantio Certo

Na consulta pelo aplicativo Zarc — Plantio Certo, é necessário indicar o município e depois a cultura de interesse.

A recomendação do período de semeadura é apresentada em períodos de 10 dias. 

Além disso, ela é fornecida em função do tipo de solo, da cultivar e do nível de risco (20%, 30% e 40%).

O aplicativo também fornece informações como:

  • precipitação acumulada;
  • balanço hídrico;
  • temperaturas mínima e máxima de cada decêndio. 

Observe no exemplo abaixo como as informações são apresentadas no aplicativo.

Foto do aplicativo Plantio Certo, mostrando safra, data de semeadura, riscos e grupos de cultivares.

Período de semeadura indicado para a cultura do feijão (2º safra) no município de Jataí (GO), safra 2021/2022 

(Fonte: App Zarc — Plantio Certo)

Portarias de Zarc por Estado

As Portarias de Zarc são divulgadas anualmente no Diário Oficial da União. Elas podem ser acessadas no site do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).

Para acessar os dados do Zarc é preciso indicar o Estado e a cultura.

Nas Portarias, são publicadas informações técnicas sobre:

  • cultura;
  • ciclo fenológico da espécie;
  • grupo das cultivares;
  • relação dos municípios com condições favoráveis para o cultivo;
  • calendário de plantio;
  • cultivares adaptadas à região.

Os dados são apresentados considerando três níveis de risco de perda (20%, 30% e 40%). Também são considerados os três tipos de solo e o grupo da cultivar.

Veja o exemplo abaixo:

Tabela com períodos de semeaduras para cultivares no município de Água Boa.

Relação de alguns municípios do Mato Grosso aptos ao cultivo de algodão e períodos de semeadura indicados

(Fonte: Portaria nº 128, de 18 de maio de 2021)

No município Água Boa (MT):

  • há solo de textura média (2);
  • foram consideradas as cultivares do grupo II;
  • há um risco de perda de 20%.

Assim, o período recomendado para o cultivo do algodão se estende do 34.º decêndio até o 3.º decêndio (dezembro e janeiro).

Proibições do Zarc

De acordo com as orientações técnicas do Zarc é proibido o plantio de qualquer cultura nas seguintes condições: 

  • áreas de preservação permanente;
  • solos com profundidade inferior a 50 cm;
  • solos com teor de argila inferior a 10% nos primeiros 50 cm de profundidade;
  • solos que se encontram em áreas com declividade superior a 45%;
  • solos muito pedregosos (calhaus e matacões — diâmetro superior a 2 mm — não devem ocupar mais de 15% da superfície do terreno).

Crédito e seguro agrícola

Algumas instituições financeiras exigem o cumprimento das recomendações do Zarc para enquadramento no:

  • Proagro (Programa de Garantia da Atividade Agropecuária);
  • PSR (Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural).

Os dois programas citados são políticas de seguro agrícola do governo federal.

Além disso, muitas vezes o acesso ao crédito de custeio está vinculado à adoção das recomendações do Zarc.  Portanto, fique de olho: se você for recorrer ao crédito rural, deve estar com as recomendações do Zarc em dia.

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Conclusão

O Zoneamento Agrícola de Risco Climático é um importante instrumento de consulta que te orienta quanto à melhor época de plantio. 

A adoção das orientações do Zarc está relacionada à concessão de crédito e seguro agrícola

As informações do zoneamento podem ser acessadas através de três plataformas diferentes, todas com informações completas. 

Adote as recomendações do zoneamento para a redução dos riscos e o sucesso da atividade agrícola.

>> Leia mais: “Zoneamento agrícola para sorgo forrageiro: tudo o que você precisa saber

Você sabia como consultar o Zarc? Já se informou qual a melhor época para realizar o plantio no seu município? Adoraria ler seu comentário.

Capim-rabo-de-burro na lavoura? Veja como se livrar dessa planta daninha

Capim-rabo-de-burro: entenda como identificar, quais os danos ele causa e os melhores métodos de controle para eliminar a daninha

A presença de plantas daninhas reduz a produtividade das culturas. Afinal, elas competem por recursos e podem ser hospedeiras de doenças e pragas.

O capim-rabo-de-burro é conhecido por diversos nomes. Em todos os casos, causa sérios danos às culturas se não for manejado corretamente! Ainda, essa planta daninha pode ser hospedeira de pragas importantes, como a cochonilha.

Quer ver como eliminar o capim-rabo-de-burro da sua lavoura? Então, não deixe de ler este artigo. Confira!

Capim-rabo-de-burro: principais características

O capim-rabo-de-burro é conhecido de diversas formas: capim-vassoura, capim-de-bezerra, capim-peba, etc.

A planta tem uma estrutura que lembra plumas. Essas plumas e a estrutura da planta continuam retas mesmo depois do secamento, mas em uma coloração mais próxima do marrom palha.

Ela é muito rústica e adaptável. Essas características facilitam que ela sobreviva e se espalhe pela lavoura.

Normalmente, as duas diferentes espécies do capim-rabo-de-burro surgem juntas nas lavouras. 

Em áreas sem interferência humana (beira de estradas e de açudes), predomina a Andropogon bicornis.

Essa daninha tem porte alto e reto, e atinge até dois metros de altura. 

Capim-rabo-de-burro desenvolvida, com plumas grandes e eretas.

Planta daninha capim-rabo-de-burro

(Fonte: Wikipedia)

A daninha pode se propagar por sementes ou rizoma. Isso dificulta seu controle nas lavouras. 

Além disso, ela pode se reproduzir durante o ano todo.

Ocorrência em lavouras

O capim-rabo-de-burro pode causar grande interferência na sua lavoura se não for manejado corretamente.

A planta produz muitas sementes que se dispersam com facilidade. Além disso, ela se reproduz por touceiras.

Como as demais plantas daninhas, compete por água, luz e nutrientes com sua lavoura. Sua grande massa e porte alto causam uma grande sombra na cultura.

Como ocorre em todas as regiões e épocas, é uma daninha de todas as culturas. Fique de olho e não deixe essa planta se propagar na sua área.

Foto da planta daninha capim-rabo-de-burro na lavoura de soja. É possível ver as plumas marrons/amareladas da planta se sobressaírem na lavoura.

Capim-rabo-de-burro em lavoura de soja

(Fonte: Up.Herb)

Quando as áreas já estão infestadas por ela, as causas podem ser o manejo inadequado do solo e da própria área

Se você detectar muito tarde, os danos são ainda maiores. Afinal, o poder de infestação dessa planta é muito grande.

A disseminação é fácil na colheita, através da colheitadeira. Preste muita atenção para evitar a espécie nessa época.

As áreas periféricas da lavoura, como barrancos e beira de estradas também merecem atenção. Normalmente, nessas áreas está o início da infestação do capim-rabo-de-burro.

Danos causados pelo capim-rabo-de-burro

Essa planta pode ser hospedeira de doenças e pragas, principalmente de percevejos.

Dentre os percevejos, as principais espécies que sobrevivem nessa planta daninha são:

Monitore essas plantas durante o MIP (Manejo Integrado de Pragas). Assim, você reduz a pressão de pragas no início do desenvolvimento da sua cultura.

Aqui no blog temos uma planilha que te ajuda no controle do MIP em sua lavoura. Clique na imagem a seguir para baixar gratuitamente:

planilha manejo integrado de pragas

Como controlar o capim-rabo-de-burro

Independente do tamanho de sua lavoura, você precisa eliminar as plantas daninhas para que elas não tragam prejuízos.

O manejo pode ser preventivo, manual ou químico.

Controle preventivo

A primeira forma de eliminar plantas daninhas é o controle não químico. Ele consiste na limpeza das áreas ao redor de sua lavoura.

Monitore:

  • as divisas;
  • os barrancos;
  • as bordas dos capões de mato;
  • as beiras de estradas

Se você perceber a planta daninha em alguma dessas áreas, é preciso arrancar as plantas.

Controle manual

Ao detectar o capim na lavoura, inicie a sua eliminação imediatamente.

Arranque-as com touceira e raiz. Caso a infestação seja muito alta, o trabalho manual será inviável. Assim, uma aração poderá ser cogitada.

Veja no vídeo a seguir como o controle manual é efetivo na eliminação do capim rabo de burro:

Capim RABO de BURRO | enxadão a melhor solução |

Evite deixar a lavoura em pousio. Mantenha sempre alguma cultura ou cobertura para dificultar o desenvolvimento da daninha. 

O custo para o controle no futuro pode superar o custo de implantação da cobertura.

Controle químico

Quando a invasora estiver pequena, os herbicidas sistêmicos e de contato têm bom controle. O mesmo efeito não acontecerá quando a daninha estiver grande.

Para o controle da planta, existem indicações de uso de glifosato em dose maior de 1,8 kg por hectare

Mesmo assim, o controle será próximo de 80% nos estádios iniciais de desenvolvimento.

Em lavouras, mesmo com essa dose, o controle de espécies adultas não é eficiente.

Época de aplicação

Aplique os agroquímicos quando as plantas estiverem no estágio inicial de desenvolvimento.

Foto da planta capim-rabo-de-burro no começo do desenvolvimento. A planta tem aspecto de capim comum.

Capim rabo de burro em estádio inicial de desenvolvimento

(Fonte: Cotriel)

Há a cultura da aplicação do glifosato na primavera, na pré-safra da cultura de verão. 

No entanto, esse é um momento em que as plantas estão perenizadas inativas por causa do inverno.

Aplique os herbicidas após a colheita da cultura de verão. Nesse período, a planta daninha estará mais vulnerável.

Siga as instruções para proceder com esse manejo:

  • Espere a planta rebrotar após o corte com a colheitadeira;
  • Pulverize antes das geadas (se estiver em áreas propícias);
  • Associe glifosato com graminicidas;
  • Se necessário, faça aplicação sequencial com Paraquate;
  • Use a dose superior indicada para cada herbicida.
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Conclusão

O capim-rabo-de-burro é uma daninha que ocorre durante o ano todo.

Arrancar as plantas é uma forma muito eficiente de controlar essa daninha. O controle químico com glifosato + graminicida deve ser realizado no pós-colheita.

Lembre-se de usar a dose máxima recomendada para o herbicida. Se necessário, faça aplicação sequencial com outro ingrediente ativo.

Agora, você já pode realizar o planejamento de sua safra com as melhores técnicas para o controle do capim-rabo-de-burro.

Você já teve sua lavoura infestada com capim-rabo-de-burro? Como está o seu manejo de plantas daninhas? Deixe seu comentário!

Como a morfolina pode te ajudar no manejo de doenças da soja

Morfolina: entenda como o fungicida funciona, as recomendações de uso, cuidados que você deve seguir e muito mais!

Os relatos de resistência de fungos são cada vez mais frequentes. 

Por isso, é necessário usar alternativas de manejo nas culturas. Isso principalmente com grupos químicos diferentes.

As morfolinas são um bom exemplo de alternativa. No entanto, para funcionarem bem, alguns cuidados devem ser tomados.

Neste artigo, você irá conhecer o modo de ação das morfolinas nas plantas, indicações de uso e cuidados necessários para uma aplicação eficiente e segura!

O que é morfolina?

A morfolina é um fungicida que pode ser utilizado em todos os momentos do ciclo da soja.

O efeito da morfolina acontece somente depois da germinação dos esporos do fungo na planta. Ela impede a infecção e a colonização dos fungos.

Se utilizada da forma correta, a morfolina tem médio a baixo risco de resistência. 

A ação causa a morte dos fungos. Por isso os fungos devem estar presentes na planta para haver efeito.

Como a morfolina funciona

A morfolina pode ser absorvida e transportada para outras partes da planta. 

Ilustração de plantas sob o efeito de fungicidas. A planta que está sob efeito de um fungicida sistêmico está com coloração diferente, indicando que o produto atinge toda a planta, independente do local de aplicação.

Modo de ação dos fungicidas conforme a sua capacidade de translocação. O fungicida sistêmico, pode ser aplicado na parte aérea, por exemplo, e ser translocado (transportado para o sistema radicular, raízes).

(Fonte: adaptado pela autora de Dorrance e colaboradores., 2007)

Por isso, a aplicação desse fungicida sistêmico pode ser via foliar, na parte aérea. 

Assim, outras partes da planta também entrarão em contato com o fungicida pela capacidade de translocação.

Recomendações de uso de morfolina na soja

Alguns cuidados devem ser tomados na aplicação e na recomendação. 

Esses cuidados são relacionados à eficiência e a possíveis efeitos fitotóxicos causados nas plantas após a aplicação.

Pontos importantes no uso de morfolinas: 

  • As morfolinas não têm efeito sobre manchas foliares ou fungos que sobrevivem em restos de cultura.
  • Para se ter eficiência no uso, a doença causada pelo fungo deve estar presente na área
  • Para que o fungicida seja efetivo, a aplicação deve ser feita no tempo correto. O tempo ideal é quando a doença está na fase inicial. Aplicações anteriores ao início da doença não tem efeito.
  • Limitação em uso de misturas. Triazóis e triazolintiones não são recomendados.
  • Morfolinas devem ser sempre aplicadas em misturas com outros princípios ativos. Assim, você evita que populações resistentes do fungo sejam selecionadas no campo.

Controle de ferrugem asiática da soja com morfolina

Na cultura da soja, a morfolina (especialmente fenpropimorfe) é recomendada para o controle da ferrugem asiática. Isso principalmente se você quer fazer manejo da resistência. 

Gráfico que mostra que a produtividade  da soja com ferrugem asiática sob uso de morfolina é muito maior  em relação ao uso de outros fungicidas.

Produtividade da cultura da soja no controle da ferrugem asiática com diferentes associações de fungicidas. O tratamento 6 representado no gráfico foi realizado com associação de [trifloxistrobina + Proticonazol + Bixafem] + [Fenpropimorfe (morfolina)] e apresentou a maior produtividade, devido ao controle efetivo da doença.

(Fonte: Baldo, 2020)

O estádio de desenvolvimento da doença determinará a eficiência da aplicação. 

Por isso, aplique no início dos sintomas (quando localizados no terço inferior ou “baixeiro”). Não deixe de misturar a morfolina com outros princípios ativos.

Misturas podem ser realizadas com fungicidas multissítios, ou com triazóis + estrobilurinas

O triazol escolhido deve ser de menor agressividade (ciproconazole + estrobilurinas + morfolina, por exemplo). Assim, você evita o efeito fitotóxico.

Diferentes doses são recomendadas de acordo com os sintomas. Sempre confira a bula dos produtos, e siga as recomendações do fabricante.

É recomendado realizar o monitoramento e aplicações após o início do florescimento.

Se os sintomas aparecerem antes deste estádio, a aplicação pode ser feita imediatamente. 

Lembre-se de não ultrapassar 2 aplicações por ciclo da cultura. Faça no máximo 14 dias de intervalo. 

Em doses maiores (conforme orientação do produto), realize uma única aplicação. Isso porque o risco de fitotoxicidade é alto. 

Doses maiores são recomendadas exclusivamente em situações de alta pressão de fungos na área.

Foto de três folhas de soja com parte ampliada. A primeira apresenta alguns pontos marrons, a segunda muitos pontos e a terceira, possui coloração completamente marrom.

Sintomas e sinais observados de ferrugem asiática. A cultura deve ser monitorada constantemente, e aplicações com morfolina em misturas, só devem ser realizadas com a presença inicial da doença (terço inferior ou “baixeiro”)

(Fonte: Bayer, 2021)

Controle de oídio na soja com morfolina

A morfolina pode ser utilizada ainda para o controle de oídio. Use misturas de morfolina + estrobilurina + carboxamida, por exemplo.

Foto de folha de soja com sinais de oídio. As folhas apresentam coloração esbranquiçada e alguns furos.

Sintomas e sinais de oídio. Os sintomas se apresentam como um pó “esbranquiçado” em ambas as faces da folha (inferior e superior), podendo cobrir toda a planta, afetando hastes e vagens. 

(Fonte: Godoy e colaboradores, 2021)

Para o controle do oídio, deve haver cerca de 20% de severidade no terço inferior da planta.

Após o estádio R5.5 da soja, aplicações já não devem ser feitas.

Faça o número de aplicações máximas conforme o que indica a bula do produto. Normalmente, o ideal é fazer uma aplicação por ciclo da cultura, a depender da evolução da doença na área. 

Em caso de necessidade de mais uma aplicação, outros fungicidas recomendados para o oídio na soja devem ser utilizados.

Não se esqueça de monitorar a área, e de consultar um engenheiro agrônomo.

Recomendações de morfolina para outras culturas

Segundo o Agrofit, para outras culturas, o uso de morfolina é recomendado para as seguintes doenças:

  • Algodão: indicado para ramulária;
  • Cevada: indicado para mancha-reticular e ferrugem-da-folha;
  • Trigo: indicado para oídio, ferrugem-da-folha e ferrugem-do-colmo.

É importante observar que a morfolina pode causar queimaduras em cultivares suscetíveis de trigo. Isso também depende das condições climáticas no momento da aplicação.

Não aplique em períodos de baixa umidade relativa do ar (inferiores a 60%) e temperaturas superiores a 30 °C. 

Em temperaturas muito baixas ou em períodos de previsão de geadas próximas, a aplicação no trigo também não é indicada.

Fique de olho nas previsões climáticas para os dias após a pulverização. Chuvas quatro dias após a aplicação podem influenciar negativamente no desempenho do fungicida. 

O orvalho também afeta a eficiência do produto.

Banner de chamada para o download da planilha de cálculos de insumos

Conclusão

O uso das morfolinas para o controle de doenças de culturas como a soja, cevada, trigo e algodão é importante no manejo de resistência.

As aplicações devem ser realizadas em misturas com outros princípios ativos. Aplique somente quando a doença já estiver na área, porque o efeito do fungicida é curativo.

Não deixe de seguir as recomendações da bula do produto. Procurar a orientação de um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a) também é fundamental!

>> Leia mais: “Seguro soja: por que você deve fazer

Restou alguma dúvida sobre o uso das morfolinas? Adoraria ler seu comentário!

Baixa performance no negócio rural? Saiba analisar os indicadores financeiros da fazenda

Indicadores financeiros da fazenda: conheça todos os indicadores de performance e sua importância no agronegócio

Os indicadores de desempenho são ferramentas usadas pela gestão para medir o desempenho da sua fazenda.  Esses indicadores também são conhecidos como KPI (Key Performance Indicator).

Eles são fundamentais para acompanhar e entender os resultados do seu negócio, bem como para fazer uma boa gestão de custos.  A partir dessa análise, é possível identificar os pontos de melhoria e fazer um bom planejamento financeiro da sua fazenda.

Neste artigo, você vai saber tudo sobre os indicadores e qual a importância de cada um no desempenho do seu negócio. Boa leitura!

Importância dos indicadores da fazenda

Os indicadores podem auxiliar o seu empreendimento rural de diferentes maneiras e etapas. Ele pode ser usado não só por grandes produtores, mas também por pequenos e médios.

Os indicadores podem avaliar desde o plantio até o controle de qualidade da colheita. Diante de tantos dados e informações, é preciso saber selecionar quais são importantes. 

Esse processo deve ser feito com frequência para que a produtividade e os resultados da propriedade sejam mantidos.  Dessa forma,  você deve eleger os indicadores agrícolas mais adequados e acompanhá-los com frequência.

Os indicadores financeiros ajudam no aumento da produtividade e do lucro da fazenda. Além disso, tornam as tomadas de decisão mais conscientes.  Assim, as chances de sucesso são muito maiores. 

Indicadores financeiros da fazenda

Os indicadores financeiros te ajudam a avaliar a rentabilidade da fazenda e a reduzir os custos que afetam a produtividade.  Existem dois indicadores principais: rentabilidade e lucro operacional.

Porém, o valor da sua propriedade, seu lucro por hectare e os resultados dos investimentos também são bons indicadores. Você deve usá-los conforme a sua realidade.

A análise desses dados possibilita fazer o planejamento de cortes de custos, reajustes e investimentos para a expansão do negócio. O lucro operacional informa o quanto de receita está sendo gerada na fazenda. 

Ele pode ser expresso por hectare, calculado pela divisão da receita pela cultura que está sendo produzida.  Se o valor do lucro operacional obtido na divisão for baixo, é um sinal de que é preciso reavaliar a sua produção.

Talvez seja possível obter lucros maiores com a produção de um grão mais barato. Se o resultado encontrado for negativo, a fazenda não está gerando lucro e está apresentando prejuízo com suas atividades. 

Outros dois indicadores financeiros são o monitoramento do fluxo de caixa e a comparação entre custos fixos e variáveis. 

Se um dos custos estiver muito elevado em relação ao outro, ou se os valores variam muito entre meses, é preciso investigar e avaliar o que está causando isso. 

planilha de fluxo de caixa

Como medir os indicadores financeiros na fazenda

Por muito tempo, produtores contaram com o registro em cadernos e planilhas para avaliar o desempenho financeiro.  Com a tecnologia, surgiram soluções digitais mais práticas. Elas são seguras e completas para fazer essa análise.

Um exemplo disso são os sistemas de gestão como o Aegro, que reúnem o controle de informações operacionais e financeiras. Ao invés de gastar tempo cruzando dados, você recebe indicadores de produção e relatórios automáticos com base nas informações registradas no aplicativo. 

Eles demonstram a rentabilidade da safra, produtividade por talhão ou cultivar, os custos por maquinário, o fluxo de caixa e muito mais. Veja como é bem simples acessar todos esses dados no Aegro:

YouTube video player

Simplifique a gestão do seu negócio com a importação financeira de contas a pagar e receber

A importação de histórico financeiro é o jeito mais simples e prático de começar a utilizar o Aegro. 

Importe os dados de contas a pagar e receber de suas planilhas ou de outras ferramentas e ganhe agilidade no uso do sistema. Assim, você mantém o controle do seu histórico e garante a eficiência do seu time, reduzindo o tempo gasto com a digitação dos dados para outras atividades.

Seus dados são importados de uma vez, permitindo que o Aegro utilize as informações para gerar as análises necessárias para o controle do negócio.

Tela que mostra importação de histórico financeiro com Aegro

Quer saber como o Aegro pode agilizar ainda mais as atividades do seu negócio? Clique aqui e assista a uma demonstração gratuita!

5 principais indicadores agrícolas da sua fazenda

A escolha dos indicadores de desempenho do seu agronegócio deve ser feita com cuidado. Eles devem ser escolhidos conforme os dados que você quer analisar. 

Quando os indicadores não conseguem te ajudar a caminhar na direção do seu objetivo, eles não devem ser utilizados

O primeiro passo para escolher os indicadores agrícolas deve ser definir os objetivos do negócio. Só assim será possível mensurar o progresso e os resultados obtidos.

1. Indicadores de produtividade

Não existe apenas um indicador de produtividade. Também existe a lucratividade por campo, a taxa de aumento da produção e a eficiência da utilização de mão de obra.  Eles são utilizados para monitorar e medir o sucesso de cada etapa do processo produtivo. 

2. Indicador de lucratividade por campo

Este é um dos principais indicadores de produtividade. A lucratividade por campo avalia detalhadamente o desempenho de cada parte da área de plantio.

Esse indicador permite identificar as áreas com pior desempenho que necessitam de atenção. Dessa forma, você conseguirá tomar decisões mais precisas para expandir os negócios.

3. Indicador da taxa de aumento da produção

O indicador da taxa de aumento da produção ajuda a avaliar a expansão exata da produtividade da fazenda.  Para chegar ao resultado, basta subtrair o valor atual da produção pela produção obtida no ano anterior.

Por exemplo, suponha que sua safra de soja no ano de 2020 foi de 100 toneladas. Em 2021, a produção foi de 135 toneladas

Como a produção em 2021 foi maior que em 2020, teremos uma taxa de crescimento da produção de soja. Se o resultado fosse menor, teríamos a taxa de contração da produção.  Fazendo os cálculos, temos:

Diferença de produção = safra atual — safra anterior

Diferença de produção = 135 – 100

Diferença de produção = 35 toneladas

Taxa de crescimento = diferença de produção / safra anterior

Taxa de crescimento = 35 / 100

Taxa de crescimento = 0,35

Taxa de crescimento = 35%

Assim, a taxa de aumento da produção de soja entre 2020 e 2021 foi de 35%.

4. Indicador da eficiência de utilização de mão de obra

O indicador da eficiência de utilização de mão de obra permite calcular a taxa de produtividade dos colaboradores da sua fazenda. 

Neste caso, você deve considerar as unidades produzidas, a quantidade de pessoas trabalhando e as horas trabalhadas. Você pode calcular o indicador da seguinte forma:

Produtividade da mão de obra = Quantidade produzida / (quantidade de funcionários x horas de trabalho)

Assim, quanto maior for a maior quantidade produzida em relação ao número de horas trabalhadas pelos funcionários, maior a produtividade da mão de obra.  Ou seja, o aumento da produtividade acontece quando a produção aumenta e um menor período.

5. Indicadores de Administração

Os indicadores de administração são aqueles capazes de medir o desempenho da administração da propriedade rural.  Isto é, esses indicadores trazem informações importantes sobre a lavoura, a estocagem e a gestão de pessoas

Um dos principais indicadores de administração é a idade da plantação. Ele é importante para avaliar o potencial de produtividade da plantação. Existem outros indicadores, como:

  • Quantidade de plantas por hectare;
  • Número total de plantas;
  • Capacidade de estoque;
  • Capacidade de armazenamento.

Conclusão

No artigo, você viu que existem diversos indicadores para avaliar o desempenho das atividades da sua fazenda.  Esses indicadores são ferramentas utilizadas pelos gestores para auxiliar no diagnóstico do desempenho dos negócios.

Aliado aos objetivos definidos por você, produtor, os indicadores são as melhores ferramentas para acompanhar e entender os resultados obtidos na sua fazenda. 

>> Leia mais:

BPO financeiro: como ele pode ser vantajoso para o produtor rural

Contabilidade rural: 7 dicas para começar agora e efetivamente!

E você? Já avalia os indicadores financeiros na fazenda? Quais você utiliza na sua propriedade? Adoraria ler seu comentário.

Calendário agrícola: organize a lavoura de forma estratégica

Calendário agrícola: o que é, qual a sua importância e como usá-lo para organizar as atividades da empresa rural

O planejamento agrícola é uma etapa indispensável para a exploração racional dos recursos. Ele minimiza os riscos e melhora a gestão das atividades.

Uma das fases do planejamento consiste na elaboração do calendário agrícola

O calendário agrícola pode te ajudar muito nas tomadas de decisão. Além disso, ele  contribui para o monitoramento da safra.

Mas afinal, como elaborar um calendário agrícola? Confira a seguir um pouco mais sobre o assunto. Boa leitura! 

O que é e como funciona o calendário agrícola

Calendário agrícola é uma ferramenta de consulta que te mostra a melhor época para a semeadura, manejo e colheita da sua cultura. O principal objetivo é definir quais atividades serão realizadas e em qual período.

Além disso, ele também ajuda a definir qual o melhor momento de disponibilizar o produto no mercado. A adoção das recomendações do calendário agrícola é muito importante. 

O cultivo na época indicada garante maior sucesso da atividade. Afinal, isso reduz os riscos de queda de produção em decorrência de adversidades climáticas. 

Em alguns casos, também é possível antecipar a solução de problemas. Por exemplo, o aparecimento de doenças nos períodos de maior umidade.

Como elaborar um calendário agrícola

A elaboração do calendário agrícola deve considerar o cenário em que a atividade está inserida. 

Por isso, é essencial conhecer as condições ambientais, sociais e econômicas da empresa rural.

Primeiramente, analise a viabilidade técnica e econômica da atividade. Feito isso, é hora de elaborar o calendário. 

Para elaborar um calendário agrícola preciso, você deve reunir as seguintes informações:

  • análise físico-química do solo;
  • tamanho da área;
  • cultivares/variedades indicadas para a região;
  • ciclo fenológico da cultura;
  • zoneamento agrícola;
  • condições meteorológicas (regime pluviométrico, temperatura, umidade,       velocidade do vento);
  • insumos (sementes, adubos, inoculantes, defensivos agrícolas);
  • mão de obra;
  • máquinas e implementos.

Após levantar essas informações, você pode organizar as atividades agrícolas e estabelecer a melhor data em que serão realizadas. Assim, é possível disponibilizar os recursos no período determinado.

Quanto maior o número de informações e quanto mais precisa elas forem, mais estratégico será o seu calendário agrícola.

Para otimizar esse processo, conte com um software de gestão rural que integre diferentes informações e soluções agrícolas, como o Aegro.

Com ele, você consegue visualizar seu histórico de pragas e doenças, fazer o inventário de estoque e patrimônio e até acessar previsões meteorológicas completas, para então planejar as fases e atividades da safra.

Veja aqui um vídeo com todos esses recursos e como eles podem facilitar a elaboração e execução do seu calendário agrícola.   

planilha de planejamento da safra de milho

Calendário de plantio e colheita

Uma informação importante do calendário agrícola é o período de plantio e colheita.

O calendário de semeadura e colheita brasileiro é norteado, principalmente, pelas recomendações do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento). 

Ele é disponibilizado pela Conab e pode ser acessado no site da instituição.

Esse calendário engloba as principais culturas. Ele é elaborado a partir de dados meteorológicos, técnicos e científicos de diferentes instituições oficiais.

Zoneamento agrícola

Outra importante ferramenta que pode te orientar no planejamento do calendário é o Zarc (Zoneamento Agrícola de Risco Climático). 

O Zarc relaciona os municípios e os períodos do ano com condições de cultivo mais favoráveis. Ele considera o tipo do solo e o ciclo fenológico da cultura.

As recomendações do Zarc também são utilizadas por algumas instituições financeiras. Essas instituições exigem essas informações para a concessão de crédito rural e seguro agrícola.

Os dados do Zarc podem ser acessados em várias plataformas:

Informações meteorológicas

Os dados meteorológicos podem ser coletados nos seguintes sites:

  • Agritempo (Sistema de Monitoramento Agrometeorológico/Embrapa);
  • Cptec (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos/INPE); 
  • Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia).

Qual a melhor data para plantar? Veja o calendário agrícola das principais culturas

No Brasil, o calendário de plantio e colheita não é unificado. Isso acontece porque cada região apresenta características ambientais específicas

Cada região do país tem seu próprio intervalo de meses para realizar o plantio e a colheita das culturas.

Agora, confira o calendário de plantio e colheita das principais culturas nas regiões Centro-Oeste e Sudeste. Todos os calendários foram retirados da Conab.

Calendário agrícola do algodão

Quem produz algodão deve se atentar à época do vazio sanitário estipulado para cada região. 

O vazio sanitário é uma medida obrigatória. Ela busca o controle de doenças e insetos-pragas, especialmente o bicudo-do-algodoeiro.

Calendário de plantio e colheita de algodão nas regiões Centro-Oeste e Sudeste

Calendário agrícola do feijão

Calendário de plantio e colheita de feijão 2a safra nas regiões Centro-Oeste e Sudeste

Calendário agrícola do milho

Calendário de plantio e colheita de milho 2a safra nas regiões Centro-Oeste e Sudeste

Calendário agrícola da soja

Calendário de plantio e colheita de soja nas regiões Centro-Oeste e Sudeste

Assim como o algodão, os produtores de soja devem respeitar o período de vazio sanitário determinado para a cultura da soja

Esse período é determinado anualmente pela SDA (Secretaria de Defesa Agropecuária).

O vazio sanitário da soja visa controlar o fungo causador da ferrugem asiática

Calendário de semeadura da soja

No caso da cultura da soja, o calendário de semeadura atende o PNCFS  (Programa Nacional de Controle da Ferrugem Asiática da Soja).

A ferrugem asiática é uma das principais doenças fúngicas da soja. O PNCFS reúne estratégias de manejo para a prevenção e controle da doença. 

Por isso, o calendário de plantio da soja racionaliza o número de aplicações de fungicidas. 

Essa ação reduz os riscos de desenvolvimento de resistência do fungo aos produtos químicos utilizados.

O calendário de semeadura da soja é de responsabilidade da SDA  e do Mapa.

A adoção do calendário de semeadura da soja é obrigatória em 20 estados brasileiros. A seguir, confira a janela de plantio para cada um desses estados para a safra 2021/22.

Calendário de semeadura da cultura da soja

(Fonte: Mapa)

Para saber quais municípios se enquadram nas diferentes regiões do Maranhão, Pará, Piauí e Rondônia, consulte a Portaria nº 394.

Esse calendário de semeadura da soja considera apenas aspectos fitossanitários

Enquanto isso, a janela de plantio recomendada pelo Zarc considera outros parâmetros como a região, os tipos de solo e a cultura.

O calendário de semeadura do Zarc é apresentado por município de cada estado. As recomendações de plantio da SDA são divulgadas por estado.

É importante ressaltar que as duas recomendações devem ser seguidas, tanto a da SDA quanto do Zarc. 

Caso haja divergência nas datas de plantio ou colheita, você deve considerar o período de início ou término mais restrito.

Conclusão

O calendário agrícola possibilita que você organize e execute as atividades no momento certo

É fundamental se orientar por fontes oficiais na elaboração do calendário agrícola.

Isso contribui para o manejo fitossanitário, além de reduzir as chances de adversidades climáticas coincidirem com as fases mais sensíveis da cultura.

Ao seguir as recomendações do calendário agrícola, você garante maior segurança e uma melhor gestão de toda a safra. 

A partir dessa ferramenta, é possível ter maior clareza das atividades que já foram realizadas e das que ainda estão por serem executadas.

Saiba mais >>

“ASG na agricultura: como se beneficiar dessas práticas”

Você sabia como elaborar o calendário agrícola? Adoraria ler sua experiência nos comentários.

Conheça os diferentes tipos de crédito rural e saiba como eles funcionam

Tipos de crédito rural: veja como acessar, as principais modalidades e os valores de todos os programas!

Institucionalizado em novembro de 1965, o crédito rural desempenha um papel fundamental no desenvolvimento do setor agrícola brasileiro, fornecendo recursos financeiros essenciais para impulsionar as atividades dos produtores rurais. 

Para facilitar o acesso a essa linha de financiamento, as instituições financeiras disponibilizam diferentes tipos de crédito rural, cada um com condições de pagamento, juros e carência específicas.

Entender os diferentes tipos de crédito rural disponíveis e como eles funcionam é crucial para os pequenos e médios produtores que buscam financiamento para investimentos, custeio e comercialização para suas fazendas.

Neste artigo, exploramos as diferentes modalidades de crédito rural existentes, fornecendo informações detalhadas sobre suas características, requisitos e tudo o que você precisa saber para solicitar. Boa leitura!

O que é crédito rural?

Crédito rural é uma modalidade de financiamento voltada exclusivamente para o setor agropecuário com o objetivo de contribuir com a produção rural no país.

Trata-se de um empréstimo concedido por instituições financeiras (tanto públicas, quanto privadas) a produtores rurais, cooperativas e associações de produtores rurais para financiar suas atividades e promover o desenvolvimento do setor. 

Os tomadores podem utilizar os recursos concedidos nesta linha de crédito para diferentes finalidades, como:

  • custear matéria prima para o cultivo;
  • expansão da produção;
  • investir em novos equipamentos;
  • comercialização da produção;
  • distribuição da produção.

As linhas de financiamento do crédito rural possuem condições especiais, como prazos estendidos, carências e juros mais baixos.

Como funciona o crédito para produtor rural?

O crédito rural faz parte do Plano Safra, anunciado anualmente pelo Governo Federal.

Desde 1965, as normas do crédito rural são aprovadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). 

O Banco Central, que faz parte do CMN, é o responsável por fiscalizar, junto às instituições financeiras, se a liberação do dinheiro e o seu uso estão de acordo com as normas estabelecidas. 

As principais fontes de recursos para o crédito rural são os bancos públicos, como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), além de agentes privados que atuam nesse mercado. Ao todo são cinco fontes principais:

  • Fontes fiscais: BNDES e outros Fundos Constitucionais;
  • Depósitos à vista
  • Depósitos de poupança rural
  • Emissão de Letras de Crédito do Agronegócio (LCA)
  • Recursos próprios das Instituições Financeiras

Quais são os tipos de crédito rural?

Há quatro tipos de crédito rural: custeio, investimento, comercialização e industrialização.

Agora, você saberá detalhes sobre cada um deles:

1. Crédito custeio

O crédito custeio é voltado para custear diversas atividades rurais. Ele pode ser agrícola e pecuário.  O crédito é acessado de maneira individual ou coletiva, por meio das cooperativas.

A finalidade pode ser: 

  • o pagamento de serviços realizados por tratores;
  • compra de adubos e fertilizantes
  • tratos culturais diversos; 
  • processos de beneficiamento da produção;
  • armazenamento e industrialização, dentre outros.

Até novembro de 2021, já foram contratados R$ 66,2 milhões em crédito custeio.

2. Crédito investimento

O crédito investimento financia investimentos fixos ou semifixos em bens e serviços. Esses investimentos são voltados para o crescimento da produção e da competitividade.

Tais investimentos incluem: 

  • reformas;
  • construções;
  • benfeitorias e instalações;
  • compra de maquinários e equipamentos;
  • obras de irrigação e drenagem;
  • construção de açudes.

A contratação desse tipo de crédito chegou a R$ 39,1 milhões. Isso apenas entre os meses de julho e outubro de 2021.

3. Crédito comercialização   

O crédito comercialização auxilia em uma das principais necessidades de quem trabalha no campo: a venda dos produtos no mercado.

O crédito comercialização compreende a pré-comercialização, o desconto de duplicata rural e de nota promissória rural.

Uma das vantagens para cooperativas é que ele pode ser utilizado para adiantar valores aos cooperados. Esses valores são referentes aos produtos entregues para venda.

Esse tipo de crédito pode ser utilizado para: 

  • financiar a estocagem;
  • financiar a proteção de preços e prêmios de risco
  • a equalização de preços;
  • a garantia de preços ao produtor.

4. Crédito Industrialização

O crédito industrialização é voltado para  industrialização de produtos agropecuários. Isso desde que ao menos 50% da produção a ser beneficiada seja da própria fazenda.

Essa regra vale tanto para produtores individuais quanto para cooperativas.

Assim, podem ser financiadas:

  • ações de limpeza;
  • secagem;
  • pasteurização;
  • refrigeração;
  • descascamento e padronização;
  • compra de insumos;
  • despesas com mão de obra;
  • manutenção de equipamentos, etc.
Banner do Guia de Crédito Rural. à esquerda a descrição do ebook e à direita uma foto com moedas e uma planta.

O que é preciso para pegar crédito rural?

Para acessar o crédito rural, você precisa atender a alguns requisitos. Eles variam conforme a modalidade de crédito que você deseja obter.

Primeiro, você precisa saber que tipo de produtor rural você é: pessoa física ou jurídica?

Há três classificações de produtor rural. Elas seguem a RBA (Receita Bruta Agropecuária Anual):

  • Pequeno produtor: R$ 500 mil;
  • Médio produtor: de R$ 500 mil até R$ 2,4 milhões;
  • Grande produtor: acima de R$ 2,4 milhões.

Após entender a sua classificação, busque no banco (público ou privado) as linhas de crédito disponíveis conforme a classificação. 

A classificação é realizada pela instituição financeira durante o preenchimento da ficha cadastral.

Você precisará apresentar ao banco os documentos da pessoa física ou jurídica. Além disso, precisará elaborar o seu projeto de crédito rural. Esse processo fica mais fácil para quem conta com um software de gestão rural como o Aegro.

Com ele, você tem sempre em mãos o histórico agrícola e os indicadores financeiros atualizados e organizados, aproximando seu negócio do melhor crédito rural.

Em poucos minutos, é possível puxar demonstrativos financeiros das safras passadas e apresentar uma projeção de gastos para os próximos meses.

Foto de uma tela inicial do Aegro em um computador e em um celular

Centralize no Aegro todas as informações necessárias para pegar um empréstimo

Principais modalidades de crédito rural 

Há diversos programas voltados para aquisição de crédito rural. Veja:

  • Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar). O Pronaf se subdivide em: Pronaf Indústria; Pronaf Mulher; Pronaf Agroecologia; Pronaf Bioeconomia; Pronaf Mais Alimentos; Pronaf Jovem; Pronaf Microcrédito; e Pronaf Cotas-partes;
  • Pronamp (Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural);
  • Moderfrota (Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados a Colhedeiras);
  • Inovagro (sobre inovações tecnológicas);
  • PCA (Programa de Construção e Ampliação de Armazéns)

Cada programa possui um valor específico. Esse valor é disponibilizado anualmente pelo Governo Federal, por meio do Plano Safra.

Fique de olho nas mudanças no Manual de Crédito Rural

Em 2021, o Banco Central simplificou as regras do MCR (Manual de Crédito Rural). As 1.692 normas anteriores foram reduzidas à 779. 

Você deve conhecer essas mudanças para se atualizar. Elas estão divididas em:

  • Microtema 1: princípios, conceitos básicos e operações aplicáveis ao crédito rural;
  • Microtema 2: financiamentos do Pronaf, Pronamp, Funcafé e programas com recursos dos BNDES;
  • Microtema 3: voltado para finalidades específicas;
  • Microtema 4: versa sobre taxas de juros e limites do crédito rural, dentre outros temas, e é dividido em duas resoluções, a de nº 4.899 e a de nº 4.901;
  • Microtema 5: versa sobre as regras do Proagro.

É recomendável que você esteja na companhia de um especialista. Esse profissional irá verificar corretamente essas mudanças.

O crédito rural pode ser acessado de diversas formas: através de bancos públicos e privados, além de cooperativas de crédito e agfintechs. 

Essas instituições também podem auxiliar nisso.  

Valores dos programas de crédito rural

Os valores financiados anualmente por meio do Plano Safra variam conforme o programa. Veja os valores disponibilizados em 2023/2024.

Pronaf

Para a safra de 2023/2024, foram disponibilizados R$ 71,6 bilhões ao crédito rural para agricultura familiar, o Pronaf. O valor é 34% maior que o disponibilizado no ciclo passado e o maior da série histórica.

A taxa de juros para quem produz alimentos é de 4% ao ano. 

Os agricultores familiares que optarem pela produção sustentável terão taxas ainda menores: 3% ao ano no custeio e 4% ao ano no investimento.

Pronamp

Para investimento, o Pronamp teve disponibilizados R$ 9,27 bilhões, com limite de R$ 600 mil por beneficiário. 
A carência é de 3 anos e o prazo de pagamento de 8 anos, com juros de 8% ao ano.

Inovagro

Esse programa tem disponibilizado R$3,80 milhões (entre R$ 1,3 milhão e R$ 3,9 milhões por beneficiário).

Os juros são de 10,5% ao ano, com carência de 2 anos e 10 anos para pagar.

Moderfrota

A Moderfrota tem recursos de R$ 9,49 bilhões, com prazo de pagamento de 7 anos e carência de 14 meses.

A taxa de juros é de 12,5% ao ano.

PCA

Com R$ 3,80 bilhões (limite de R$ 25 milhões a R$ 50 milhões por beneficiário), o PCA tem carência de 2 anos e prazo de 12 anos para pagar. 

Os juros são de 8,5% ao ano.

Conclusão

Entender os tipos de crédito rural é essencial para o planejamento do que você quer fazer em sua fazenda. Isso também colabora para uma boa gestão.

Busque ajuda de um especialista para dar orientações. Assim, você evita que o processo de obtenção do crédito seja demorado.

Quanto maior for sua segurança do que quer para sua fazenda, maior a possibilidade de avançar com o pedido do crédito rural.

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Redatora Isabel Rocha

Atualizado em 24 de julho de 2023 por Isabel Rocha.

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, com passagens por veículos como Band News TV e EXAME e experiência nas editorias de negócios, empreendedorismo, ESG e economia.