Diagnóstico rápido da estrutura do solo pode ser mais objetivo e econômico. Saiba como fazer a coleta e análise adequadas!
O perfil do solo impacta diretamente a produtividade de uma lavoura. Por isso, fazer a análise adequada é essencial para garantir uma boa produção agrícola!
Até agora, no Brasil, a estrutura das camadas superficiais do solo era avaliada por métodos quantitativos, com difícil aplicação e interpretação de campo.
Para tornar esse diagnóstico mais objetivo e econômico, a Embrapa, em parceria com outras instituições, criou um método inovador chamado DRES (Diagnóstico Rápido da Estrutura do Solo).
Quer entender melhor como funciona esse método e como utilizá-lo em sua propriedade? Confira a seguir!
Importância da análise da estrutura do solo
A estrutura do solo influencia seu comportamento físico, químico e biológico, dando sustentação à produtividade agrícola.
Assim, o monitoramento de sua qualidade estrutural é extremamente importante por influenciar a aeração, infiltração e disponibilidade de água e nutrientes, além da atividade biológica do solo. Isso tudo interfere, portanto, na produtividade das culturas.
Até agora, no Brasil, a estrutura das camadas superficiais do solo era avaliada por meio de métodos quantitativos, que não a caracterizavam precisamente. Além disso, eram de difícil aplicação e interpretação em condições de campo.
Pensando nisso, a Embrapa, em parceria com diversas instituições, desenvolveu o DRES (Diagnóstico Rápido da Estrutura do Solo).
Trata-se de um método inovador e de fácil aplicabilidade no diagnóstico de sinais de construção ou degradação do solo em determinadas situações de manejo. Assim sendo, o DRES permite analisar a qualidade estrutural do solo de forma rápida e econômica.
Esse diagnóstico rápido também pode ser utilizado como indicador de qualidade do solo, pois não demanda alto custo e identifica alterações provocadas pelo manejo do solo.
No entanto, é importante que seja avaliado em conjunto com os demais atributos (e não individualmente), por potencializar a detecção precoce de alterações na qualidade do solo.
Vou explicar melhor como o DRES funciona!
Como funciona e quando realizar o DRES?
O Diagnóstico Rápido da Estrutura do Solo caracteriza as camadas superficiais do solo a partir da avaliação visual de características que determinam a qualidade estrutural do solo como:
- tamanho e forma dos agregados do solo;
- presença ou não de compactação;
- evidências de atividade biológica;
- distribuição do sistema radicular, entre outras.
Essa avaliação deve ser realizada em uma época do ano preestabelecida, podendo ser antes da semeadura ou após a colheita das culturas.
Para o diagnóstico, é preciso realizar a abertura de uma minitrincheira com auxílio de uma pá reta e coletar um bloco de solo nos primeiros 25 cm.
Essas amostragens devem ser feitas em áreas homogêneas da propriedade, com o solo próximo à consistência friável. É preciso evitar períodos muito úmidos ou de estiagem para não influenciar nos resultados.
Além disso, deve ser retirada a cobertura vegetal da superfície do solo, sempre evitando linhas de tráfego, sulcos de erosões, pontos de acúmulo de matéria orgânica, entre outros.
A quantidade de blocos dependerá do tamanho da área que se deseja avaliar. No entanto, a recomendação é de que cada área homogênea não ultrapasse 100 hectares.
Etapas do Diagnóstico Rápido da Estrutura do Solo
Após a remoção, o bloco de solo deve ser colocado cuidadosamente em uma bandeja plástica.
Em seguida, é preciso fragmentar esse bloco do centro para as laterais da bandeja, aplicando força com as mãos para rompimento dos agregados.
Obtidos os agregados, é necessário analisar algumas características como:
- tamanho;
- forma;
- resistência à ruptura;
- orientação e rugosidade;
- distribuição de raízes; e
- evidências de atividade biológica.
Isso é importante para definir quantas camadas existem na amostra de solo para analisá-las separadamente. Uma amostra de solo pode ter de 1 a 3 camadas.
Na figura abaixo, você pode observar a presença de raízes tortas e achatadas. Há predomínio de agregados maiores que 7 cm, com pouca porosidade. Também existe presença de solo pulverizado e poucos indícios de atividade biológica, o que são indicativos de degradação do solo.

Feições de degradação
(Fonte: Embrapa)
Já na próxima figura que separei, você pode notar que as raízes cresceram sem restrição, explorando o interior dos agregados.
Há predomínio de agregados com tamanho entre 1 cm e 4 cm, com baixa coesão, arredondados, faces de ruptura rugosas, presença de agregados grumosos e indícios de alta atividade biológica. Tais características são indicativas de boa qualidade estrutural do solo.

Feições de conservação/recuperação
(Fonte: Embrapa)
Como atribuir as notas
Após a divisão e análise das camadas presentes na amostra de solo, é preciso atribuir notas de qualidade estrutural a cada camada.
Essas notas podem variar de 1 a 6, sendo 1 a pior e 6 a melhor condição de estrutura do solo.
Elas são utilizadas como base para calcular o IQES (Índice de Qualidade Estrutural do Solo). Veja na imagem abaixo:

(Fonte: Embrapa)
Com base nesse índice, você ou a equipe técnica da fazenda poderá saber exatamente qual a condição real da estrutura do solo e tomar as medidas necessárias para manejá-lo.
O material com os procedimentos completos para esta avaliação pode ser encontrado gratuitamente no site da Embrapa.
Como melhorar a estrutura do solo?
O modelo atual de produção na região Centro-Oeste do Brasil baseia-se na sucessão soja-milho safrinha.
Esta sucessão pode promover baixa cobertura do solo devido à pequena quantidade de restos culturais e adição insuficiente de matéria orgânica ao solo, favorecendo a degradação.
A qualidade do solo é determinada pela interação entre os atributos químicos, físicos e biológicos. Esses atributos são ferramentas importantes para demonstrar a influência de determinado manejo sobre o solo.
O equilíbrio entre os indicadores de qualidade influencia no potencial de uso do solo, na produtividade e na sustentabilidade da agricultura.
A avaliação desses parâmetros é fundamental para o emprego do manejo adequado do solo.
A adoção de práticas conservacionistas do solo permitem a manutenção/melhoria da estrutura do solo, determinantes para obtenção de altas produtividades. Algumas delas são:
- SPD (Sistema Plantio Direto);
- Integração Lavoura-Pecuária;
- Integração Lavoura-Pecuária-Floresta;
- terraceamento;
- rotação de culturas;
- adubação verde.
A avaliação da estrutura do solo pode ser simples, rápida e econômica, por meio da utilização do DRES.

Conclusão
O DRES é um método de campo que avalia visualmente a qualidade estrutural do solo nas camadas superficiais.
Essa avaliação permite que técnicos e produtores monitorem a estrutura do solo, detectando de forma rápida e econômica qualquer alteração estrutural, em função do sistema de manejo adotado.
Atente-se à qualidade estrutural do solo para garantir o máximo potencial produtivo da sua lavoura.
Agora que você tem essas informações, não deixe de avaliar a qualidade estrutural do solo da sua propriedade!
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Restou alguma dúvida sobre o DRES? Qual a maior dificuldade em analisar o solo da sua propriedade hoje? Adoraria ler seu comentário abaixo!