Conceito de empresa rural: use em sua fazenda e melhore seu negócio

Conceito de empresa rural: Saiba como tratar sua fazenda desse modo te ajuda a entender o mercado e impulsionar seus negócios.

O mercado agrícola está cada vez mais competitivo. Isso significa que não há mais espaço para desorganização e amadorismo.

Sua propriedade deve ser encarada como uma empresa e, para isso, é necessário conhecer todos os fatores de produção e mercado. Em outras palavras: é preciso administração e gestão!

Entender o conceito de empresa rural ajuda a administrar melhor seu negócio e orienta sua produção para o mercado.

Isso garante maior lucratividade, eficiência e profissionalismo. Confira como a seguir:

O conceito de empresa dentro do ambiente agrícola

A produção agrícola está inserida em um ambiente de incertezas e muitos riscos.

Como em qualquer outra atividade econômica, há diversos fatores que nós não conseguimos controlar. São questões, por exemplo, de mercado interno e externo, alterações na legislação vigente e política econômica. Mas, no caso do setor rural, temos ainda um agravante: o clima!

De nada adianta o mercado e as políticas estarem favoráveis se o clima não colaborar. Isso não quer dizer que você pode ignorar os fatores que não controla – muito pelo contrário! É preciso estar atento e monitorá-los.

Dessa forma, você consegue entender melhor como o sistema produtivo funciona e passa a ser o protagonista em seu negócio! É nesse contexto que se encaixa o conceito de empresa rural. Vou te explicar melhor:

O conceito de empresa rural orienta sua produção para o mercado

De forma resumida, a empresa rural é definida como aquela que realiza atividades agrícolas com produção voltada ao mercado visando lucro. Atividades de subsistência não estão inclusas.

O empresário rural tem foco na administração e gestão do sistema e sempre busca melhorias para seus colaboradores e consumidores.

O objetivo de uma empresa rural não é apenas produzir. É obter o melhor custo-benefício dentro do mercado que se deseja explorar.

Portanto, é necessário conhecer o ambiente em que sua empresa está inserida, os detalhes da produção e comercialização do produto para obter os melhores resultados.

O conceito de empresa rural pode ajudar você a melhorar seu negócio, torná-lo mais organizado e lucrativo. Vou te dar algumas dicas!

Como aplicar o conceito de empresa rural na fazenda?

Aplicar o conceito de empresa rural em sua fazenda passa por uma mudança no modo como se encara a atividade.

Aquela imagem de uma fazenda desorganizada, onde não há planejamento e as decisões são tomadas sem embasamento precisa ser deixada de lado!

Em uma empresa rural tudo é feito de acordo com as exigências do mercado, com planejamento embasado nos conhecimentos técnicos, nos dados climáticos e com as finanças sempre controladas.

É fundamental, portanto, uma boa administração e uma boa gestão rural!

Ambas são ferramentas que auxiliam os empresários rurais na tomada de decisão, visando melhorias na empresa rural.

Enquanto a administração se refere ao conhecimento mais amplo da empresa, com foco nas finanças e no pessoal, a gestão é mais detalhada e foca principalmente nas operações da fazenda.

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Exemplo de controle das operações agrícolas pelo Aegro

Aqui nós explicamos melhor o que é administração rural e como usar em sua propriedade!

Existem quatro grandes áreas dentro de uma empresa rural que precisam ser administradas e geridas. São elas: produção, recursos humanos, finanças e comercialização.

Para isso, um bom planejamento é importante.

Conhecendo a empresa, as oportunidades de mercado e as finanças, é possível definir o objetivo de sua empresa e, a partir dele, realizar um planejamento eficiente.

Para te ajudar nesse planejamento agrícola e na aplicação do conceito de empresa rural temos 3 dicas imprescindíveis:

1 – Aplicando o conceito de empresa rural: Conheça sua fazenda

É preciso conhecer cada detalhe da sua empresa rural.

Desde o ambiente em que ela está inserida, passando pelas técnicas de produção, gestão de pessoas e vendas. Além do imóvel rural e também dos custos de insumos e produção.

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Painel de controle de uma fazenda pelo software agrícola Aegro

Com esses dados em mãos, identificam-se as fraquezas e pontos forte da empresa. Isso possibilita que ajustes sejam feitos para que se tenha maior eficiência e lucratividade.

Essas mudanças devem ser feitas buscando adequar a realidade da empresa ao mercado que se deseja explorar.

2 – Conheça o mercado para aplicar o conceito de empresa rural

A ideia é encurtar a distância entre produtor e mercado, fazendo com que se saiba exatamente como o mercado funciona, as oportunidades e quais produtos têm demanda.

Por meio de um estudo de mercado você será capaz de:

  1. Identificar oportunidades de mercado
  2. Entender e identificar os requisitos de mercados já existentes e potenciais

Assim, você reduz a incerteza e o risco de se aventurar por um novo mercado ou de expandir seu negócio. A produção passa a ser equilibrada com a demanda, sem excessos ou déficits.

Conhecendo o mercado, você sabe exatamente o que produzir, como produzir e quando produzir.

Produzir mais do mesmo não é o bastante. O mercado exige qualidade e estratégia. Uma tendência é a diferenciação do produto e o foco em mercados menores.

Outra estratégia é fazer o armazenamento de alguns produtos agrícolas, como grãos, para a venda em momentos melhores do mercado.

No caso de produtos com maior valor agregado, como os hortícolas, frutíferas, café e  produção animal, o caminho é mais amplo.

Você pode adotar práticas mais sustentáveis e visar qualidade final, vendendo inclusive pequenos lotes diferenciados, mas obtendo maior preço.

Lembre-se: qualquer produto preenche uma lacuna no mercado.

Se o mercado já está saturado, quem estiver disposto a correr mais riscos e ser criativo para oferecer um outro produto ou atender a um novo nicho, terá vantagem competitiva.

Cabe ressaltar que, ao explorar um novo mercado, a empresa rural deverá ser reformulada para atender aos novos requisitos.

Para isso é preciso ter domínio sobre a empresa e tomar a decisão alinhada como as suas finanças e avaliação da lucratividade do negócio.

3 – Cuide das finanças para aplicar o conceito de empresa rural

Na maioria dos casos, há pouco controle sobre as finanças de uma fazenda. E esse talvez seja o ponto mais complicado para mudanças.

Para pequenos produtores é difícil separar o que é dinheiro da casa do que é dinheiro do negócio.  Para os grandes, o volume de operações financeiras é o que dificulta o controle.

Para ambos, o fundamental é a organização!

Inicialmente um simples quadro com a data, descrição e valor recebido ou desembolsado já é suficiente. Com o tempo a gente vai pegando o jeito e as coisas ficam mais fáceis.

Aspectos que merecem ser monitorados:

  • Lucro e perdas da empresa como um todo (rentabilidade total)
  • Lucro e perdas de cada produto individualmente e de cada talhão (rentabilidade específica)
  • Flutuações de preços de insumos e vendas
  • Demanda do mercado
  • Necessidade de empréstimo
  • Concorrência
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Com o Aegro você consegue visualizar a sua rentabilidade total e por talhão de modo muito mais fácil e automatizado. Saiba mais sobre o software agrícola aqui.

Com um histórico de dados detalhado, você será capaz de montar um fluxo de caixa da empresa e aprender a manejar os custos e os riscos de seu negócio.

Você pode começar baixando gratuitamente uma planilha para fluxo de caixa: basta clicar na imagem abaixo!

Conclusão

Como você pôde conferir, o conceito de empresa rural pode ajudar a entender o funcionamento da sua empresa e como ela se insere no mercado.

Na prática, aplicação desse conceito requer uma mudança de mentalidade no modo como se vê o negócio, dedicação e organização por parte do empresário rural.

Com boa administração e gestão, você será capaz de realizar o planejamento de sua empresa, levando em conta aspectos financeiros, técnicos e pessoais.

Assim, você terá condições de tomar decisões conscientes e acertadas, tornando sua empresa mais eficiente e lucrativa!

>>Leia mais:

“Sucessão familiar da fazenda: Como fazer esse processo sem maiores problemas”

“5 passos para realizar o fechamento de safra de forma prática e rápida”

Você tem aplicado o conceito de empresa rural na administração da sua fazenda? Quais as suas dificuldades? Compartilhe suas experiências e dicas nos comentários!

8 dicas de como acabar com as lagartas da sua lavoura

Como acabar com as lagartas: saiba quais são as principais e veja as principais táticas de manejo

Visitar a lavoura e ver as folhas raspadas nunca é um bom sinal. Por isso, as lagartas estão entre as principais pragas agrícolas do Brasil e do mundo.

A ausência de medidas de manejo para o controle de lagartas pode aumentar os custos de produção em até R$ 500 na cultura da soja, por exemplo. Esse valor pode aumentar a depender do ano, da cultura e das altas dos insumos.

Saber como identificar as lagartas e os danos causados por elas é o primeiro passo para evitar perdas na produtividade.

Neste artigo, conheça as lagartas mais perigosas para as culturas agrícolas e saiba como livrar sua lavoura delas. Boa leitura!

O que são as lagartas e suas características gerais

As lagartas são insetos mastigadores da ordem Lepidoptera, que causam danos diretos nas folhas das culturas. Elas são consideradas pragas quando estão em populações capazes de causar danos econômicos maiores do que o custo do seu controle. 

Elas costumam atacar culturas diferentes cultivadas em sucessão em uma mesma área. Recentemente, algumas espécies eram consideradas pragas secundárias, como a lagarta-das-folhas. Ela passou a ser primária na soja, causando danos significativos.

Isso se deu por dois motivos principais: a aplicação desenfreada de inseticidas não seletivos aos inimigos naturais e a ausência ou manejo inadequado, especialmente em áreas com  cultivares resistentes. 

A ausência de área de refúgio e aplicações inadequadas de inseticidas agravam o problema. Produtores de diversas regiões, principalmente do Centro-Oeste, já relatam que as cultivares antes resistentes não têm suportado a pressão das lagartas. 

Principais tipos de lagartas de planta

Embora existam inúmeras espécies de lagartas, algumas são mais danosas às culturas. Afinal, são capazes de se alimentar e completar o ciclo de vida em diferentes espécies cultivadas em uma mesma área, em diferentes épocas do ano.

As principais espécies de lagartas que atacam as culturas agrícolas são as que você verá a seguir:

Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda

A lagarta-do-cartucho se alimenta de mais de 100 espécies de plantas e por isso, é de difícil controle. Ela tem hábito noturno, e durante o dia pode ser vista próxima ao solo.

Além de plantas adultas, a Spodoptera frugiperda ataca plântulas em estádio inicial de desenvolvimento. Isso provoca falhas no estande e redução da população final de plantas, o que também influencia na produtividade.

Ela se diferencia das demais lagartas por conter um Y invertido na parte frontal da cabeça. Possui coloração preta e verde, a depender do estádio de vida. Ao longo do ciclo da lagarta, a coloração é verde e quando chega na fase adulta, a coloração é escura.

Lagarta-preta-da-soja (Spodoptera cosmioides

A lagarta-preta-da-soja pode provocar a desfolha total da lavoura, atacando ainda as vagens. Isso reduz a produtividade e prejudica a qualidade da produção.

Ela se diferencia das demais pela coloração marrom ou preta, acompanhada de listras amareladas ao longo do corpo que chegam até a cabeça.  Além disso, possui pontuações de cor preta ou branca e triângulos no dorso, ao longo das listras.

Lagarta falsa-medideira (Chrysodeixis includens)

A lagarta falsa-medideira ataca mais de 70 hospedeiros, sendo considerada uma das principais desfolhadoras da soja. Nas plantas, estão localizadas nas porções inferiores.

Diferentemente da lagarta-da-soja, a falsa-medideira consome o limbo foliar. Dessa forma, ela mantém as nervuras intactas. A falsa-medideira possui coloração verde-clara e listras brancas na lateral do corpo, além de pontos pretos distribuídos ao longo do corpo.

Lagarta Helicoverpa armigera 

A lagarta Helicoverpa armigera é capaz de se alimentar de mais de 170 gêneros de plantas. Ela apresenta rápida reprodução, capacidade elevada de dispersão e ótima adaptação a diferentes condições ambientais.

Anualmente, causa prejuízos de mais de 5 bilhões de dólares e é considerada uma das principais ameaças das lavouras na atualidade. Além disso, diversos casos de resistência a diferentes grupos químicos inseticidas já foram relatados.  

Ela se diferencia das demais lagartas pelas listras marrons na lateral do corpo.

planilha pulverização de defensivos agrícolas

Lagarta-das-folhas (Spodoptera eridania

Os adultos da lagarta-das-folhas possuem hábito noturno e provocam o aspecto de esqueletização das folhas a partir da alimentação. Além disso, elas consomem as plantas do estágio inicial até as vagens.

Distingue-se das demais pela presença de um Y invertido na parte superior da cabeça. Por outro lado, essa é uma característica que dificulta diferenciar essa lagarta da Spodoptera frugiperda.

Lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis

A lagarta-da-soja causa desfolhamento intenso, podendo resultar na destruição de todas as partes da planta. Como consequência, acaba causando danos irreversíveis à produção de soja, principalmente em folhas jovens.

Durante a alimentação, ela injeta toxinas na planta. Essa lagarta é um problema para diversas culturas, especialmente leguminosas, mas também em gramíneas como trigo e arroz. 

8 dicas para acabar com as lagartas na fazenda

Agora que você viu quais são as principais pragas que atacam as culturas, veja como acabar com a infestação de lagartas na sua lavoura.

1. Conheça o ciclo da lagarta presente na sua área

Conhecer o ciclo das lagartas ajuda a saber exatamente o momento correto de agir. Além disso, com conhecimento do ciclo, você consegue identificar essas pragas antes que elas alcancem a fase adulta, onde geralmente causam mais danos. 

Também vale lembrar que o ciclo das lagartas muda conforme a espécie, o que torna necessário que você saiba bem identificar as principais espécies.

2. Conheça sua área e sua cultura

Estude o histórico de ataque de pragas na área e as principais espécies que podem atacar sua cultura. Assim, você consegue planejar quais estratégias de controle usar em conjunto e sabe mais claramente como acabar com as lagartas. 

É importante entender quais cultivos próximos a sua lavoura são realizados. Afinal, a ausência de controle nesses cultivos pode influenciar na migração de pragas para a sua lavoura.

Assim, você visualiza quais as medidas ou estratégias de controle serão mais efetivas a serem utilizadas para conter o ataque das pragas.

É importante que nesse momento você contemple as espécies de pragas comuns ao sistema de cultivo. Por meio disso, trace estratégias de médio e longo prazo para reduzir a pressão populacional.

Entre as espécies comuns ao sistema agrícola brasileiro, podemos citar as lagartas Spodoptera frugiperda e Helicoverpa armigera. Ambas as espécies possuem potencial para atacar a maioria das plantas cultivadas.

3. Faça a semeadura na janela favorável

Semear em janela favorável permite a máxima expressão do potencial produtivo da cultivar utilizada e menor exposição às pragas. Ainda durante o planejamento, siga o zoneamento agrícola da sua região. 

Isso permitirá ao mesmo tempo a semeadura e colheita em épocas favoráveis. O zoneamento agrícola é publicado anualmente pelo Mapa. A semeadura no início da janela de plantio contribuirá para que a cultura não sofra com pressão populacional das pragas.

No caso do manejo de pragas da soja, há uma ressalva. Embora o plantio no início da janela te dê melhores condições climáticas na 2ª safra, em algumas regiões esse período poderá coincidir com períodos de estiagem.

Isso pode favorecer o ataque de algumas lagartas, como a lagarta-elasmo e a lagarta-do-cartucho na fase de estabelecimento da nova cultura. Por isso, é importante conhecer o histórico de pragas, das variáveis climáticas e o planejamento agrícola.

4. Não acabe com todas as lagartas da lavoura

Ao se deparar com lagartas em sua lavoura, esteja ciente que nem todas elas serão pragas do ponto de vista econômico. Para tomar boas decisões no controle das lagartas, monitore as pragas a nível de talhão para verificar sua densidade populacional.

É importante que você monitore semanalmente ou, pelo menos, de duas em duas semanas. Abaixo, veja um exemplo sobre o nível de controle (momento correto da ação) adotado para acabar com as lagartas Helicoverpa armigera, e S. frugiperda na cultura da soja.

níveis de ação para o controle de pragas
(Fonte: Embrapa )

Assim, registre seus monitoramentos da lavoura verificando o nível de ação para cada praga e cultura. Para facilitar esse processo, baixe a planilha grátis de monitoramento de pragas na lavoura. 

Com ela, seus dados ficam muito mais automáticos e fáceis de serem visualizados. Basta clicar na imagem abaixo para acessar o material:

5.  Invista em medidas preventivas de controle

Após verificar a necessidade de uma medida de ação, esteja preparado para isso. Nesse momento, as medidas adotadas são emergenciais com efeito curativo.

Existem outras estratégias preventivas que poderão contribuir para conter esse momento. Uma das mais efetivas é a rotação de culturas, mas não a confunda com a sucessão de culturas. Além da rotação de culturas, há outras medidas preventivas importantes, como:

  • a adubação equilibrada;
  • uso de cultivares de ciclo curto ou de ciclo precoce;
  • a semeadura de materiais genéticos resistentes naturalmente.

Uma estratégia que apresenta bons resultados é o plantio de variedades ricas em silício. Além disso, a aplicação de fertilizantes à base desse nutriente na planta também possui bons resultados.

O silício causa o desgaste mandibular das lagartas e ajuda na redução populacional das pragas e nas injúrias causadas na cultura.

6. Invista em medidas curativas de controle

Após o ataque de pragas, estratégias de controle eficientes devem ser utilizadas para evitar o prejuízo financeiro. A principal estratégia é o uso de inseticidas químicos e microbiológicos.

Na dessecação, você pode associar o inseticida ao herbicida. Também é interessante realizar o tratamento de sementes. Vale lembrar que isso deve ser feito a cada nova cultura implantada.

Se você possui lavoura geneticamente modificada, não é recomendável aplicar inseticidas à base de Bacillus thuringiensis para evitar a evolução da resistência.

Outro ponto importante é manter áreas de refúgio, com uso de sementes convencionais em 10% da área. No entanto, a aplicação de  inseticidas microbiológicos à base de vírus são permitidos e altamente recomendados. 

Além disso, existem diversos outros compostos que podem ser utilizados para acabar com as lagartas, como podemos ver na figura abaixo.

(Fonte: Irac-BR)

O controle biológico aplicado através da liberação de Trichogramma pretiosum é recomendável e já está consolidado. Ele ocorre especialmente em áreas de refúgio e nas regiões que se observam casos de falha de inseticidas.

7. Integre o maior número de estratégias de MIP

Para garantir que as lagartas não sejam um problema em sua lavoura, é importante agregar outras estratégias de Manejo Integrado de Pragas. Por exemplo, o controle comportamental com feromônios sexuais auxiliam no monitoramento populacional.

Junto a ele, as práticas culturais permitem a diversidade e sobrevivência de inimigos naturais na área, auxiliando na mortalidade natural. Para um MIP eficiente, você também deve integrar práticas mecânicas, genéticas, químicas e biológicas.

Não esqueça também de registrar o monitoramento de pragas em local seguro e que facilite a visualização das infestações.

8. Aposte em tecnologia para otimizar o controle e o manejo

Um planejamento estratégico te permite integrar todas essas medidas e a acabar com as lagartas mais facilmente. Por isso, anote o custo total de cada talhão e de cada manejo diferente. No final da safra, não esqueça de registrar a produtividade de cada talhão

Verificando os controles que deram mais certo, você saberá melhor o que fazer na próxima safra. Além disso, terá maior controle dos custos da safra e da rentabilidade da sua área de cultivo.

Monitoramento de pragas eficiente por aplicativo

Com o Aegro você tem seu monitoramento georreferenciado e ainda mais facilitado. Veja como aqui.

Através de softwares de gestão agrícola como o Aegro, você consegue registrar todas as atividades e monitorar a situação de cada talhão.  Ao fazer o MIP com o Aegro, você sabe onde há mais pressão populacional de lagartas, o que te ajuda a agir rapidamente. 

Afinal, você consegue:

  • Planejar as atividades de MIP;
  • Monitorar as pragas orientado por GPS agrícola;
  • Ter registro de amostragens pelo celular;
  • Visualizar mapas com níveis de infestação na lavoura;
  • Receber alertas quando houver alta incidência de lagartas;
  • Acessar o histórico completo dos seus talhões.

Conclusão

Como acabar com as lagartas não é tarefa fácil, especialmente no Brasil, é necessário ficar por dentro das melhores táticas de controle e manejo. 

No entanto, com um bom planejamento e o uso adequado das ferramentas do Manejo Integrado de Pragas, você garantirá sucesso na lavoura.

A integração do maior número de táticas de MIP é necessária, especialmente em um momento de carência de novas moléculas inseticidas no mercado. Aproveite as dicas deste artigo e tenha uma boa safra!

>> Leia mais:

“Pragas do milho: Principais manejos para se livrar delas”

“Tudo o que você precisa saber sobre controle da broca-das-axilas”

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Como fazer uma dessecação em pré-colheita de soja eficiente

Dessecação em pré-colheita de soja: Qual o melhor momento para fazê-la, os principais herbicidas e outras dicas para conseguir uma colheita ainda melhor.

Dessecar uma plantação de soja para colheita é uma unanimidade entre os sojicultores.

Mesmo assim, sempre divide opiniões entre pesquisadores e até mesmo os produtores brasileiros se o processo como um todo é viável.

Alguns dizem que a maturação “forçada” da soja pode comprometer no ganho de produtividade final.

Diante de tantas especulações, reuni neste texto o que deve ou não ser feito para que a dessecação apenas acrescente ao bolso do produtor. Confira!

Por que devo dessecar uma plantação de soja?

Levando ao pé da letra, dessecar é um processo que consiste na secagem rápida e extrema de uma planta. Com isso, tiramos toda sua umidade (água) de forma que ela fique completamente seca.

A propriedade rural hoje é vista como uma empresa produtora completa de proteína vegetal e animal.

Logo, se faz necessário que adotemos técnicas, como a dessecação, e meios que permitam agilizar todo o processo de produção de soja para que uma nova safra se inicie.

plantação de soja      Os dois maiores produtores de soja mundiais, Brasil e Estados Unidos, reduziram a estimativa de produção total em relação ao esperado no começo da safra devido a fatores climáticos. Realizar uma boa dessecação pode ajudar a na redução de perdas na colheita e, consequentemente, produtividade.
(Fonte: Foto de Tarso Veloso/ARC em Globo Rural)

Além disso, houve a entrada de cultivares de soja cada vez mais precoces e produtivas para que os produtores pudessem antecipar ao máximo o plantio do milho safrinha.

Toda essa pressa tem nome: janela de plantio.

A janela de plantio é o intervalo respeitado pelos produtores rurais que define qual o período adequado de semeadura conforme a região, devido especialmente a radiação solar, temperaturas e incidência de chuvas.

Fora desse intervalo a plantação de soja não encontrará as melhores condições, portanto, pode afetar diretamente na produtividade de soja.

Objetivos da dessecação da plantação de soja

A dessecação de soja para colheita é usada de forma frequente nos últimos anos. Essa prática possui três benefícios fundamentais para os produtores:

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(Fonte: Syngenta)

1. Antecipação da colheita

Realizar a semeadura nos primeiros dias da janela de plantio é uma das formas de reduzir os riscos climáticos que são típicos de cada região, sejam eles geadas ou veranicos.

Além disso, a dessecação permite antecipar a colheita da soja, sendo essencial em regiões com possibilidade de realizar a segunda safra, principalmente com a cultura do milho.

Ocorre aqui uma relação que é diretamente proporcional: Se eu respeito minha janela de plantio, eu desseco minha área, antecipo minha colheita e inicio o plantio da safrinha.

A antecipação da colheita pode variar de 3 a 7 dias, dependendo de:

a) Momento da dessecação (umidade do grão);
b) Produto utilizado;
c) Condições climáticas após a dessecação.

2. Uniformidade da plantação de soja

A uniformidade da maturação dos grãos é um fator muito importante, pois permite maior rendimento operacional da colhedora.

Isso reduz os problemas de plantas com haste verde e retenção foliar, o que faz com que a máquina embuche menos, diminuindo de forma expressiva a perda de grãos e menor índice de impurezas.

3. Controle de infestação de plantas daninhas

Com a dessecação é realizado o controle de invasoras que não foram manejadas corretamente no início do cultivo, facilitando assim a colheita.

Qual o momento certo de dessecar a soja?

O momento exato para a dessecação é considerado o ponto mais crítico dessa prática.

Quando a soja completa a sua maturação fisiológica se dá o maior acúmulo de matéria seca, e a partir daí a cultura só perde água.

Isto ocorre a partir do estádio R6.5, onde já não se tem perdas no rendimento.

O mais recomendável é que se faça a dessecação entre os estádios R6.5 e R7.

Utiliza-se normalmente o estádio R7, por ser de mais fácil visualização a campo (folhas mais amareladas).

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(Fonte: Baseado Pedersen (2007), criado por Erin W. Hodgson (2010) publicado em Hodgson (2012))

VE: Cotilédones emergidos
VC: Folhas unifolioladas expandidas (bordas são se tocam)
V1: 1° folha trifoliolada expandida
R1: 1ª Flor aberta em qualquer nó
R2: Flor aberta no primeiro ou segundo nó do ramo principal
R3: Vagens com 5 mm nos 4 primeiros nós
R4: Vagens com 2 cm nos 4 primeiros nós
R5: Grãos com 3 mm em um dos 4 primeiros nós
R6: Grão verde que preenche a capacidade da vagem em um dos 4 primeiros nós
R7: Uma vagem do ramo principal atingiu a cor de vagem madura
R8: 95% das vagens atingiram a cor de vagem madura

O método usado para conhecer o momento ideal para fazer a dessecação numa área de soja com certeza é uma das principais preocupações do produtor rural.

Por isso, listei algumas dicas que você deve levar em consideração para fazer uma dessecação segura e eficaz:

Dica 1

Os grãos de soja precisam estar com no máximo 58% de umidade. Recolha uma amostra dos grãos que retirou das vagens e faça um teste simples de umidade.

Dica 2

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Folhas e vagens devem estar mudando da coloração verde intenso para verde claro a amarelo.
(Fonte: DuPont Pioneer)

Dica 3

Grãos passando de aspecto esbranquiçado para aspecto brilhoso (Lado A).

Dica 4

Quando, ao abrir a vagem, os grãos estiverem desligados um do outro (não presos por fibras, “desmamados”) (Lado B).

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(Foto: Adaptado pela autora de Edson e Paulo em Informações agronômicas)

Dica 5

Pelo menos uma vagem sadia sobre a haste principal que tenha atingido a cor de vagem madura, normalmente amarronzada ou bronzeada.

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(Foto: Edson e Paulo em Informações agronômicas)

Na agricultura essa secagem é feita com a ajuda de produtos dessecantes, facilmente encontrados em estabelecimentos credenciados para esse tipo de venda.

Nesse momento é necessário muita atenção em que dessecante usar, veja só:

Principais herbicidas para uma dessecação eficiente na pré-colheita

A dessecação pré-colheita da soja é feita com uso de herbicida que quando aplicado na soja causa o mesmo efeito em plantas daninhas: ele seca rapidamente a planta.

Automaticamente as folhas caem e com pouca água em seu interior está feito o trabalho.

O ganho com a dessecação na antecipação da colheita pode variar de 3 a 7 dias, isto depende muito de vários fatores, entre eles:

  • A umidade que o grão apresenta no momento da dessecação;
  • A qualidade do produto utilizado;
  • Condições climáticas após a dessecação.

Para obter os resultados esperados, o agricultor deve sempre respeitar o período de carência dos dessecantes.

Aqui está um complicado nos herbicidas mais usuais na dessecação de soja hoje:

Gramoxone + Agral

  • Dose: 1,0 a 1,5 l/ha + 0,1% v.v.
  • Volume de calda: 150 a 200 l/ha
  • Utilização: dessecação para antecipação de colheita ou lavoura com infestação mista predominante de gramíneas
  • Carência: pelo menos 7 dias.

Reglone + Agral

  • Dose: 1,0 a 2,0 l/ha + 0,1% v.v.
  • Volume de calda: 150 a 200 l/ha
  • Utilização: dessecação para antecipação de colheita ou lavoura com infestação mista predominante de folhas largas
  • Carência: pelo menos 7 dias

Gramoxone + Reglone (+ Agral)

  • Dose: 0,75 a 1,0 l/ha de cada produto (+ 0,1% v.v.)
  • Volume de calda: 150 a 200 l/ha
  •  Utilização: dessecação para antecipação de colheita ou lavoura com infestação mista de gramíneas e folhas largas
  • Carência: pelo menos 7 dias

Ação desses produtos é aquela de contato, ou seja, não translocam (caminham) pela planta.

Por isso, a absorção deles são em 30 minutos, fazendo com que chuvas após a aplicação não interferem na sua ação, além de que não possuem efeito residual.

Se atente para o uso desses defensivos agrícolas que deve ser orientado por um engenheiro(a) agrônomo(a).

Outros benefícios da dessecação bem feita na plantação de soja

Nós já falamos aqui sobre os principais objetivos da dessecação, mas além da uniformidade, antecipação da colheita e eliminação de plantas daninhas temos outros benefícios com essa prática:

  • Venda antecipada, obtendo melhor preço;
  • Capital de giro para aquisição de adubos, sementes e outros insumos;
  • Plantio da cultura subseqüente no limpo;
  • Aproveitamento da maior umidade do solo para a safra seguinte;
  • Melhor resultado na safrinha;
  • Transporte de grãos de soja sem impurezas;
  • Redução de perdas na colheita, como impurezas, proporcionando grãos mais limpos;
  • Melhor qualidade dos grãos colhidos.

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(Fonte: Foto Anderson Viegas em G1 e Ponta Porã Informa)

Desafios com a dessecação

Pode-se perceber as diversas vantagens de utilizar a dessecação na cultura da soja, no entanto, o produtor precisa ficar atento ao momento correto de se realizar a aplicação do herbicida.

Caso a colheita, após a dessecação demore, o produtor pode ter surpresas desagradáveis como:

  • Perdas com abertura de vagens;
  • Maior incidência de grãos “ardidos”;
  • Germinação da soja na própria planta, dentro da vagem, caso ocorra excesso de umidade na lavoura por período prolongado;
  • Perda de qualidade das sementes de soja.

Além disso, se ocorrerem dias chuvosos após a dessecação, pode não haver grande antecipação da colheita.

Entretanto, após a chuva cessar, a perda de umidade é mais rápida na área dessecada.

A velocidade de secagem das plantas de soja vai depender do produto que você usar, da dosagem e, principalmente, das condições climáticas.

A sua colheita ainda pode ser feita sem a dessecação da plantação de soja


A colheita também pode ser feita sem dessecação, mas o produtor deve levar em conta os benefícios da prática, aliado às informações de previsão de tempo.

Assim é necessário que você avalie os riscos envolvidos antes da tomada de decisões.

Por isso, sempre é interessante ter um bom planejamento agrícola, prevendo todas essas condições antes mesmo do plantio da soja.

Respeite o momento certo de aplicação do dessecante, que é fundamental, pois evita perdas no rendimento da cultura, caso seja feito antes do tempo correto, que é a maturação fisiológica das plantas.

Se você fizer a dessecação antes desse ponto, a soja perde massa dos grãos.

A partir desse ponto recomendado, a planta já finalizou o transporte de nutrientes para os grãos e já atingiu o pico de matéria seca e está apenas perdendo água.

É importante também que os produtores de soja que adotam a dessecação da soja sigam as orientações agronômicas de um profissional.

Conclusão

Conhecida por antecipar a colheita, a dessecação em soja sem dúvidas é uma prática que se usada corretamente proporciona somente ganhos ao produtor.

Além disso, a colheita cedo se traduz em melhor plantio de safrinha, uniformiza sua lavoura e pode proporcionar uma colheita mais eficiente.

Aqui vimos as principais orientações para que essa dessecação seja a melhor possível, mas lembre-se que existe a opção sem dessecação para safras chuvosas no período de colheita e a depender de sua estratégia de venda.

Considere todos os benefícios e riscos, tome sua decisão consciente e boa colheita!

>> Leia mais:

“Como fazer o melhor uso de inseticida na dessecação da lavoura”

A dessecação da plantação de soja é comum na sua região? Como costuma fazer? Restou alguma dúvida? Deixe seu comentário abaixo!

Nematoides na cana-de-açúcar: como reconhecer e manejar de forma eficiente

Nematoides na cana-de-açúcar: veja como identificá-los em seu canavial e quais as formas de controle mais eficazes.

Plantas de tamanhos desiguais, nanismo, perfilhamento menor… Já se deparou com alguns destes problemas no canavial?

A situação é frequente no país: segundo estudos, 70% das áreas de cultivo de cana possuem nematoides.

Eles chegam a reduzir a safra pela metade, provocando perdas significativas.

Mas existem manejos que contribuem  muito para o controle de populações. Confira aqui cada um deles e saiba como reconhecer os sintomas de nematoides na cana:

Nematoides na cana-de-açúcar: diferentes tipos

Os nematoides podem afetar diversas culturas, mas existem alguns tipos que podem reduzir a produtividade especificamente da cana-de-açúcar.

nematoides na cana-de-açúcar

Diferença de área saudável (à esquerda) e com nematoides (à direita)
(Fonte: Spaull et al., 2017)

Cada espécie de nematoide apresenta diferentes graus de severidade no canavial, sendo aquelas dos gêneros  Meloidogyne e Pratylenchus os mais impactantes para cana.

Nesse sentido, em estudo da pesquisadora Leila Dinardo Miranda (IAC), 97% das amostras de solo de canaviais tinham presença do nematoide Pratylenchus zeae; 35% tinham Meloidogyne javanica e 20% continham Meloidogyne incognita.

Falamos recentemente aqui no blog sobre como controlar nematoide das galhas de uma vez por todas.

Para que você identifique o aparecimento de nematoides na cana-de-açúcar separei abaixo as características das principais espécies que atacam a cultura:

Ciclo dos nematoides na cana-de-açúcar

Meloidogyne spp.

O ciclo completo de vida do nematoide das galhas é de 37 dias.

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(Fonte: Desenho de Patrícia Milano em Torres et al. (2008))

Os jovens penetram nos ápices radiculares e iniciam o desenvolvimento de células gigantes nos tecidos da raiz (as galhas), prejudicando o transporte de água e nutrientes.

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Sintoma de Meloidogyne javanica  em cana-de-açúcar
(Fonte: Macedo et al. (2011))

Os sintomas são manchas em reboleiras, com plantas pequenas e amarelas. As folhas das plantas apresentam manchas claras ou necrose entre as nervuras.

O Meloidogyne incognita é o que possui infestação e ataque mais severo, com a formação de galhas no sistema radicular.

Pratylenchus zeae

O ciclo também é curto (cerca de 40 dias) e ocorrem várias gerações em uma mesma safra.

Como sintoma, as raízes sofrem engrossamento e apresentam-se parcial ou totalmente escurecidas.  Há diminuição da absorção de água e nutrientes da solução do solo, podendo apresentar também pequenas galhas.

O principal sintoma são as áreas necrosadas no sistema radicular da cultura. A infestação pode ser vista em reboleiras onde as plantas ficam menores, mas continuam verdes.

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Sintoma de Pratylenchus zeae em cana-de-açúcar
(Fonte: Foto de L.L. Dinardo-Miranda)

Fatores importantes na dinâmica dos nematoides

É importante lembrar nematoides são micro-organismos naturais dos solos. Algumas espécies e sua altas populações, porém, são causadoras de ataques severos às culturas.

Características do solo como temperatura, umidade, granulometria, teor de matéria orgânica e composição da população de microrganismos são fatores fundamentais para a dinâmica dos nematoides.

O solo arenoso é forte facilitador para a disseminação dos nematoides na cana-de-açúcar, pois favorece a movimentação desses microrganismos.

Alta umidade também os favorece, além de que a composição natural de um solo pode conter mais ou menos desses microrganismos.

Danos dos nematoides na cana-de-açúcar

Quando o ataque de nematoides é na cana de açúcar podemos observar algumas características como:

  • Tamanho desigual das plantas;
  • Nanismo;
  • Menor perfilhamento;
  • Tombamento de plantas (dependendo da infestação e severidade);
  • No primeiro corte de uma variedade suscetível, a redução da produtividade pode chegar a 30% (também dependendo dos diferentes graus de infestação);
  • Conforme a severidade dos danos, nas socas subsequentes pode haver  diminuição drástica da longevidade da soqueira.
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Reboleira com sintomas de nematoides na cana-de-açúcar
(Fonte: Embrapa)

Medidas de controle: o que fazer?

Alguns manejos contribuem muito para o controle dos nematoides na cana-de-açúcar.

Dentre eles, destaco a limpeza das máquinas e implementos agrícolas, já que é comum a movimentação de maquinário entre propriedades.

Abaixo você confere em detalhes outros tipos de manejo que são eficientes para nematoides:

Adubação verde

Os adubos verdes incrementam matéria orgânica no solo e seus resultados  na cultura da cana-de-açúcar para o controle de nematoides também têm sido significativos.

Em estudos, foram observadas reduções do uso de adubação nitrogenada devido à fixação biológica de nitrogênio.

Isso ocorre quando utilizamos leguminosas na adubação verde, já que há  grande fixação de nitrogênio (200 a 300 kg/ha), podendo aumentar a produtividade de aproximadamente 15 a 20 toneladas de colmos por hectare.

Em especial, tem sido verificada a eficiência da Crotalaria spectabilis no controle de nematoide das galhas e das lesões radiculares.

Ela  contribui na produção de biomassa de 20 t/ha a 30 t/ha e na fixação de nitrogênio de 40 kg/ha a 50 kg/ha.

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Cana-de-açúcar com Crotalaria spectabilis
(Fonte: Revide)

Além dela, as principais culturas utilizadas como adubos verdes nas entrelinhas da cana-de- açúcar são:

  • Crotalaria juncea;
  • Crotalaria ochroleuca;
  • Crotalaria spectabilis;
  • Coquetel de Crotalaria ochroleuca e milheto;
  • Nabo forrageiro.

Químico

O uso de nematicidas é realizado na semeadura no sulco de plantio ou em pulverização na cana soca, aplicando o produto dirigido à base da soqueira da cana-de-açúcar.

O período ideal para a utilização é entre setembro e abril, pois são os meses mais chuvosos.

São recomendados produtos como o aldicarb (Temik 150G), carbofuran (Furadan 50G ou 100G ou 350SC) e terbufós (Counter 150G).

Biológico

Na natureza, os nematoides possuem diversos inimigos naturais.

Na cultura da cana-de-açúcar, tem sido comprovado o uso de microrganismos como a Pochonia chlamydosporia, Paecilomyces lilanus, Bacillus subtillis. Veja os detalhes sobre cada um deles abaixo:

Pochonia chlamydosporia

Esse fungo coloniza, parasitando e matando ovos e fêmeas de nematoides.

Além disso, sobrevive na matéria orgânica no solo e na ausência de populações de nematoides.

Paecilomyces lilacinus

É um fungo que afeta a capacidade reprodutiva dos nematoides. Através do parasitismo dos ovos, ele penetra e destrói o embrião ou ataca as fêmeas sedentárias, que são colonizadas e mortas.

Pode promover redução de 60% na penetração do nematoide na fase de estabelecimento da cultura.

Bacillus amiloliquefaciens

Essa bactéria age de duas maneiras principais sobre os nematoides.

Quando aplicada no solo, promove colonização do sistema radicular, alimentando-se dos exsudatos radiculares.

Com isso, os nematoides não conseguem reconhecer os exsudatos radiculares, o que inibe sua  penetração nas raízes.

Já o mecanismo de produção natural de antibióticos e toxinas promove a morte do embrião de nematoide dos ovos próximos ao sistema radicular.

Análise nematológica de solos

A análise de solo de áreas com suspeita de nematoides é fundamental. Com ela em mãos, você conseguirá definir de forma mais acertada o manejo.

Para isso, é importante realizar a correta amostragem de solo, seguindo os seguintes passos:

  • A coleta da amostra de solo e raízes deve ocorrer no início da observação de sinais visíveis como reboleiras
  • O ideal é que o solo esteja com umidade natural (evite coletar após chuva ou calor extremo).
  • As amostras podem seguir padrão de 0 cm a 25/30 cm;
  • Na amostragem das raízes, não faça o arranque das mesmas, pois assim elas perdem as radicelas, também importantes nos diagnósticos.
  • Para esse tipo de análise, recomenda-se a coleta de 10 subamostras a cada 30 hectares.

Aqui você pode conferir o Manual – Procedimento para coleta de amostra de solo e raiz para análise nematológicas.

planilha ponto otimo de renovacao canavial

Conclusão

O desenvolvimento de seu canavial livre de nematoides é possível!

Percebemos aqui a importância de realizar a correta identificação dos sintomas de nematoides na cana-de-açúcar e de realizar análise de solo para classificarmos os responsáveis pelo ataque.

Por isso, comece hoje mesmo a monitorar mais o seu canavial e a testar novos manejos de controle do solo que vimos neste texto!

>> Leia mais:

5 maneiras de controlar os nematoides na soja

Lavoura saudável: Como combater as doenças da soja (+nematoides)”

Como fazer o melhor manejo da broca da cana-de-açúcar

Você tem tido problemas com nematoides na cana-de-açúcar? Como você faz o controle em sua propriedade? Deixe suas dúvidas e comentários abaixo!

Armazenagem de grãos: o que você precisa saber sobre silos

Armazenagem de grãos: saiba como escolher entre silos bolsa, silo próprio de pequeno, médio porte ou silos de uso conjunto e dicas para evitar perdas

Investir em armazenagem de grãos é a certeza de que o planejamento estratégico da fazenda está na sua mão. E esse pode ser um grande diferencial na sua rentabilidade, além de ser fundamental para a comercialização agrícola

Para quem produz, saber bem em qual tipo de armazenagem investir é essencial. Ainda, essa etapa envolve muito planejamento e conhecimento das estruturas do seu próprio negócio.

Neste artigo, discutimos sobre os principais tipos de silos para grãos, inclusive suas vantagens e desvantagens para que você faça a melhor escolha! Boa leitura!

O que são as unidades armazenadoras de grãos?

Uma unidade armazenadora de grãos é uma estrutura que tem como finalidades o recebimento de grãos, sua conservação e distribuição. As unidades armazenadoras mais comuns são os silos e armazéns.

É muito importante que o armazenamento de grãos seja feito de forma correta e cuidadosa. Afinal, ele influencia nas características do produto a ser entregue ao mercado. Grãos armazenados em condições não ideais podem sofrer diversos danos, como: 

  • perda de qualidade sensorial;
  • diminuição nos teores de massa seca ou compostos específicos de qualidade;
  • ataques de patógenos e insetos que impactam no seu valor de venda.

É importante ressaltar que a qualidade dos grãos não pode ser melhorada, apenas preservada durante um bom armazenamento. Por isso é necessário entender onde armazenar seus grãos para que eles não se deteriorem e percam valor.

Quais são as regras para armazenar grãos?

Se você pensa em aproveitar seus silos e prestar o serviço de armazenagem de grãos, é necessário ficar de olho na Lei nº 9.973. Essa Lei regula essa atividade, e também deve ser considerada caso você queira conseguir um financiamento público para a construção.

Nela e na Instrução Normativa Nº 29 de 8 de Junho de 2011 há diretrizes para a instalação e manutenção de estruturas de armazenagem na propriedade. Isso garante a qualidade dos grãos armazenados, a segurança do ambiente e das pessoas.

Para a armazenagem de grãos, há uma lista de requisitos técnicos necessários para a obtenção da certificação de armazenamento.

  • Cadastramento;
  • Localização;
  • Infraestrutura;
  • Isolamento/acesso;
  • Ambiente de atendimento ao público;
  • Escritório;
  • Sistemas de pesagem;
  • Sistemas de amostragem;
  • Determinação da qualidade do produto;
  • Sistema de limpeza;
  • Sistema de secagem;
  • Sistema de movimentação do produto;
  • Sistema de armazenagem;
  • Sistema de segurança. 
planilha de controle de estoque

Quais são as etapas de armazenagem de grãos?

Desde a colheita, até o transporte e outras atividades de pré-armazenamento, há uma série de etapas a serem cumpridas para que a armazenagem de grãos seja eficiente. As principais etapas anteriores ao armazenamento são:

  • Recepção;
  • Amostragem;
  • Pré-limpeza;
  • Secagem;
  • Classificação;
  • Limpeza de sementes e grãos;
  • Armazenamento.

Essas etapas visam homogeneizar a amostra em termos de umidade e outras características do grão. Além disso, a etapa ajuda a classificá-los e retirar impurezas que podem causar problemas, além de diminuir a qualidade do lote.

Tipos de armazenamento de grãos

Existem estruturas para armazenagem de grãos com diferentes funções. Normalmente essas funções se referem às estruturas que são destinadas à armazenagem de longo prazo, com grãos secos.

Porém, existem outros tipos de silos de armazenagem com funções específicas:

  • Silos de espera: são os silos que recebem grãos ainda úmidos por um curto espaço de tempo, para posterior transporte e transferência a silos secadores;
  • Silos secadores: são silos que visam homogeneizar a umidade dos grãos a um nível pré-estabelecido. Esses silos podem apresentam ventilação forçada e sistema de aquecimento para agilizar o processo de secagem;
  • Silos de expedição: são silos elevados que recebem a massa de grãos dos silos armazenadores, facilitando a carga dos veículos transportadores. 

Para escolher o tipo de armazenagem ideal, é necessário ficar de olho em alguns detalhes. Afinal, alguns fatores podem influenciar a decisão da melhor solução para armazenamento na propriedade. Por exemplo:

  • Tipo do produto e suas características;
  • Tempo de armazenagem previsto;
  • Quantidade de produto a ser armazenado;
  • Maquinário disponível e mão-de-obra;
  • Incidência de pragas e patógenos na região;
  • Microclima do local do armazenamento;
  • Dimensão, relevo e face de exposição da propriedade.

Silos de bolsa

Os silos de bolsa, também conhecidos como “bags”, são alternativas àqueles construídos em estrutura metálica.

Nesse caso, é preciso que os grãos estejam secos para que não estraguem. Assim, avalie se o baixo custo desse tipo de armazenagem de grãos compensa os custos com secagem de grãos ou o risco de esperar o grão secar em campo.

Também considere que esse tipo de silo pode sofrer mais facilmente com ataques de animais, além de pragas agrícolas de armazenamento. Tudo isso pode danificar uma grande quantidade de grãos.

armazenagem de grãos
(Fonte: Dinheiro Rural)

Silos fixos ou permanentes

Os silos permanentes são unidades de armazenamento que podem ser construídas de diversos materiais. Mais comumente, encontram-se silos metálicos, de alvenaria, de concreto ou mesmo de madeira.

A escolha da dimensão e do material deve ser feita considerando as características da propriedade, do tipo de produto e da capacidade de produção.

Armazéns para sacarias

Nos métodos acima, os grãos são armazenados à granel. Porém, há também a opção de se alocar os grãos em sacos e armazená-los em um armazém. O armazenamento em sacaria possui diversas vantagens, como: 

  • maior controle de lotes;
  • maior facilidade em detecção e separação de grãos estragados;
  • menor custo de implantação;
  • possibilidade de armazenagem de produtos diferentes.

Por outro lado, esse tipo de armazenamento também possui desvantagens, como: 

  • menor capacidade de controle de condições microclimáticas;
  • facilidade na entrada de doenças e pragas;
  • maior custo com sacaria;
  • maior dimensão para a mesma carga em toneladas se comparado ao silo.

Unidades armazenadora nível fazenda para pequeno e médio produtor

Quando pensamos em silos de grande capacidade para armazenamento de grãos, principalmente de soja e milho, imaginamos a realidade de um grande produtor.

Porém, existem opções de unidades armazenadoras para pequenos e médios produtores que podem fortalecer suas capacidades de negócio. É importante que o planejamento seja bem feito, incluindo projeto técnico, custos operacionais, depreciação, maquinários etc.

As principais vantagens em possuir sua unidade armazenadora própria seria:

  • Venda de sua produção em períodos adequados;
  • Redução das perdas que ocorrem no campo;
  • Economia em transporte. Afinal, na safra os custos se elevam em relação à grande logística para transportar os grãos;
  • Maior rendimento na colheita (evita espera dos caminhões nas filas das unidades coletoras, na grande maioria em cooperativas de recebimento;
  • Melhor independência da estratégia de venda de seus grãos.

Silos de armazenamento em conjunto com outros produtores

Outra opção de armazenagem dos grãos são as estruturas conjuntas, sobretudo para produtores que não possuem muito espaço próprio. As cooperativas agrícolas utilizam bastante esse tipo de armazenagem de grãos. 

Dependendo da sua localização e dos acordos firmados entre os produtores, o armazenamento nesse tipo de unidade pode valer a pena. Para isso, coloque na ponta do lápis todo o custo de construção e manutenção de um silo próprio.

Após isso, considere esse custo de construção com o custo do armazenamento em unidades coletoras. Lembre-se de considerar também as vantagens e desvantagens em relação à estratégia de venda em cada uma dessas situações.

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(Fonte: Globo Rural)

O armazenador de grãos em silo próprio compensa?

Exemplo simples, apenas para refletirmos, seria uma unidade de armazenagem de sementes ou grãos de 50 mil sacas. Se o produtor consegue vender com R$ 2 a mais por saca no momento que achar melhor, isso daria R$ 100 mil a mais de rentabilidade.

Este valor poderia ser usado para quitar a parcela do investimento feito com aquisição da unidade armazenadora em agências financiadoras. Com uma média nacional de produção de grãos, em 5 anos esta unidade armazenadora se paga com investimento feito.

É claro que nem sempre encontramos oportunidades de mercado sempre acima com o armazenamento. Mas fica claro que o poder de barganha e a sua independência de estratégia é muito maior, podendo resultar em rentabilidades muito maiores.

Como fazer controle de custo dos silos com tecnologia?

Os silos são estruturas mais ou menos custosas, a depender do tipo que você escolher. Caso você decida implementar um silo na sua fazenda, é necessário ter na ponta do lápis o controle desses custos.

Nesses casos, contar com a tecnologia é fundamental para não dar margem para o erro.

Com o software de gestão rural Aegro você tem um controle detalhado desses gastos e da quantia exata armazenada, isso porque o sistema integra e simplifica o gerenciamento do campo ao escritório.

Veja mais sobre esses recursos em um vídeo rápido de demonstração que preparamos!

Como evitar perdas no armazenamento de soja, milho e outros grãos?

Alguns cuidados são cruciais para a boa manutenção das características dos grãos durante o armazenamento, evitando deterioração do produto e perdas financeiras.

  • Limpeza da unidade de armazenamento: realize a desinfecção das unidades: baixo custo e alta eficiência;
  • Verifique a umidade dos grãos: a umidade da massa de grãos deve ser medida no momento da entrada dos grãos na unidade de armazenamento e, periodicamente, durante o armazenamento. A umidade aliada à temperatura intensifica a perda de qualidade dos grãos.
  • Monitoramento de temperatura e aeração: esses dois fatores são essenciais para a manutenção da qualidade dos grãos. Tanto a temperatura quanto a aeração podem variar de acordo com a região em que seus grãos estão armazenados. 
  • Monitoramento de pragas e roedores: o monitoramento constante da unidade armazenadora é fundamental, pois permite a verificação de infestações por insetos; pragas; roedores; e até mesmo pássaros, no momento inicial, impedindo grandes perdas.
  • Tratamento da unidade: realizar o tratamento preventivo com a aplicação de inseticidas e até mesmo eliminação de pragas presentes nos grãos e muitas vezes invisíveis a olho nu. Opte por inseticidas residuais de contato ou pelo expurgo.
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Conclusão

Antes da armazenagem de grãos, é importante que você identifique todos os custos (financeiros e de mercado) e vantagens dentro de sua realidade. 

Softwares de gestão ou de planejamento de gastos são ferramentas tecnológicas que podem te auxiliar muito na escolha da melhor solução para o armazenamento da sua produção agrícola.

Assim, com todas essas informações e apoio de profissionais e empresas capacitadas, tenho certeza que tomará uma decisão mais consciente e a melhor para sua empresa rural!

>>Leia Mais:

7 pragas de armazenamento de grãos para você combater

“Entenda os diferentes métodos de amostragem de grãos e como eles podem impactar a comercialização da sua safra”

Como você faz a armazenagem de grãos hoje? Não deixe de se inscrever na nossa newsletter se não quer perder mais conteúdos como esse.

10 dicas para melhorar a gestão de sua lavoura de café

Lavoura de café: planejamento, adubação, podas e outras orientações para melhorar sua gestão e conseguir rendimentos ainda maiores!

Produzir café no Brasil é desafiador, o clima nem sempre colabora e o mercado consumidor exige mais qualidade e sustentabilidade para produzi-lo.

Cada detalhe pode fazer a diferença no resultado final!

Desde antes do plantio até a venda do café é importante que se tenha tudo bem organizado para alcançar seus objetivos.

Para isso é necessário uma boa gestão de sua lavoura.

A seguir, listo 10 dicas para melhorar sua gestão que podem fazer toda a diferença na sua lavoura de café.

1) Tenha um bom plano.

Um planejamento agrícola bem feito pode garantir o sucesso de sua lavoura, da implantação até a venda do café.

É necessário que você conheça detalhadamente a sua área (dados de condições climáticas, análise de solo, produtividade, disponibilidade de irrigação, condição do meio ambiente da região, etc) e saiba qual mercado pretende explorar (commodity, orgânico e cafés especiais).

Com esses dados em mãos e auxílio de um engenheiro(a) agrônomo(a) você poderá montar e seguir um cronograma de suas atividades, aumentando a eficiência e alcançando melhores resultados.

É lógico, dificuldades podem surgir pelo caminho. Mas com um bom plano você será capaz de encontrar as melhores soluções e superar qualquer problema.

Se atente para o fato de que o planejamento contempla a parte agrícola e financeira. Para te ajudar na gestão financeira você pode baixar gratuitamente a planilha de fluxo de caixa aqui.

2) Atenção para a implantação da lavoura do café

A implantação deve ser feita corretamente! Alguns erros nessa etapa só poderão ser corrigidos na renovação do cafezal.

Para começar com o pé direito a sua lavoura cafeeira as dicas são:

I. Realizar as correções necessárias com base na análise de solo da área;

II. Preparar o solo e ter bem definido o tipo de colheita, se mecânica ou manual, pois isso irá determinar o espaçamento da lavoura. Atenção quanto ao espaçamento, já que você deve ter em mente se irá optar pela lavoura convencional ou adensada (se em uma área comporta 3 mil mudas, na adensada esse número pode ser até 5 vezes maior);

III. Orientar o plantio de acordo com o relevo e a exposição ao sol;

IV. Realizar corretamente a adubação para café no sulco/cova. É o momento de adicionar nutrientes em profundidade para o café;

V. Escolher cultivares de café resistentes à ferrugem, o que evitará gastos com o controle dessa doença neste ano e nos anos futuros;

VI. Outro fator importante, é ter atenção e treinamentos adequados quanto à sua mão de obra.

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(Fonte: Cambucitros)

3) Conheça sua lavoura de café

A ideia aqui é mostrar a importância de se monitorar a lavoura, coletando o maior número de informações possível.

Dados climáticos, análises de solo e folha, incidência de pragas e doenças, produtividade, tempo até a colheita…e por aí vai.

É ideal monitorar cada talhão individualmente no dia a dia da lavoura.

Com o passar do tempo teremos um histórico detalhado do cafezal que definirá ações de manejo como adubação, aplicação de defensivos, podas e renovação.

Isso se traduz em maior eficiência de uso de recursos e dos tratos culturais.

4) Atenda a demanda do seu café

A época de maior demanda por energia e nutrientes é durante a fase reprodutiva do café.

Ao mesmo tempo em que está frutificando, o cafeeiro também está produzindo folhas, ramos e raízes que serão responsáveis por nutrir os frutos da safra seguinte.

A dose aplicada deve atender a demanda do cafeeiro e ser embasada na análise de solo, foliar, além  da expectativa de produção agrícola.

Os nutrientes devem estar disponíveis em quantidades adequadas no início da fase reprodutiva. Sendo assim, a adubação deve ser antecipada a esse período.

Para saber mais sobre esse tema você pode conferir este artigo e baixar esta planilha de recomendação de adubação para café gratuitamente.

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5) Fique de olho na incidência de daninhas, pragas e doenças

As condições ambientais e a época em que cada praga/doença é favorecida e causa maiores danos já são bem conhecidas. O mesmo vale para as daninhas.

O produtor precisa monitorar antecipadamente para na infestação crítica tome as devidas ações de manejo.

No caso das plantas daninhas, embora não elimine o uso de outros métodos de controle, recomenda-se o uso de plantas de cobertura na entrelinha. Além de reduzirem a incidência do mato, controlam a erosão e reduzem a temperatura do solo.

Com monitoramento e seguindo o cronograma corretamente obtém-se melhor controle, reduz-se gastos desnecessários, tornando o sistema mais lucrativo, sustentável e produtivo.

6) Capriche na colheita! E varra toda a sujeira…

A dica é monitorar cada talhão, mantendo um histórico de produtividade da área, do tempo até o ponto de colheita e, se possível, da qualidade.

Assim, você será capaz de planejar melhor a colheita, evitando problemas de logística e colhendo no ponto certo.

Outra questão importante é a eficiência do processo de colheita.

Todos os frutos devem ser retirados do pé, fazendo repasse quando necessário e varrição dos frutos caídos no solo.

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(Fonte: BBMNet)

Colheita e varrição bem feitas reduzem as perdas e diminuem de infestação de broca na safra seguinte, sendo uma medida importante no controle dessa praga.

Como vimos, a colheita pode maximizar o potencial de qualidade do café ainda no campo e tornar a próxima safra menos problemática.

Mas o trabalho não acaba aí. Agora temos que tratar corretamente de todo esse café colhido…

7) Tome uma decisão consciente sobre o grão colhido

Temos um leque de opções para decidir o que fazer com café recém colhido.

Não existe uma única receita certa!

Para o objetivo de cada produtor, para cada lavoura ou lote, a melhor opção a se seguir pode ser diferente. Afinal, mesmo lote de café pode gerar bebidas diferentes se processado de maneira distinta.

Por isso é tão importante o planejamento!

Com base no histórico de cada área, na infraestrutura da propriedade e sabendo-se o mercado que se deseja explorar, você poderá decidir por uma ou outra técnica de processamento do café, escolhendo aquela que melhor atende os seus objetivos.

8) Conheça suas ferramentas: o manejo de podas da lavoura de café

Após a colheita e decisão de processamento, a poda é a atividade da lavoura de café que devemos prestar atenção.

A poda é uma importante ferramenta para auxiliar os produtores de café. Como qualquer ferramenta, ela deve ser usada do modo correto para que se obtenha os melhores resultados.

Cada tipo de poda tem uma finalidade distinta. Eles também diferem entre café arábica e café conilon.

Confira a poda do café arábica passo a passo no vídeo abaixo:

(Fonte: Incaper – Todos os direitos reservados)

Você pode ver como realizar a poda programada de ciclo para café Conilon aqui.

Devemos avaliar cada talhão e agir somente quando necessário, pois dependendo do tipo de poda, a lavoura só voltará a produzir café no segundo ano após sua realização.

A época de realização também é importante. A pesquisa mostra que quanto mais próximo após fim da colheita forem realizadas as podas, melhor será a recuperação da lavoura de café.

9) Devo renovar a lavoura de café?

Essa pergunta deve ser respondida avaliando o histórico individual do talhão, especialmente para cafezais mais velhos.

Vale a pena manter cafezais com bons índices de produtividade, do contrário a renovação se faz necessária.

Lembre-se que a área renovada só voltará a produzir após o terceiro ano aproximadamente e por isso a decisão deve ser bem fundamentada.

Por isso, tenha em mente a sua gestão de custos e todas as informações das últimas produções de café, além do orçamento de quanto ficará a renovação da lavoura de café.

Comparando essas informações você saberá se compensa ou não a renovação.

10) Gestão de risco: a venda do café

O levantamento mais recente feito pela CNA indicou que mais de 60% dos cafeicultores optam por vender o café no momento da colheita, ou optam pelo armazenamamento do café para vender no mercado físico.

Nesse caso, corre-se o risco excessivo de perder dinheiro caso o preço pago pelo café na época da colheita estiver em baixa .

Uma forma de minimizar o risco é fazer a venda no mercado futuro.

Como o preço é fixado antecipadamente, o produtor já sabe exatamente quanto vai receber independentemente do mercado.

A dica é fazer a venda futura para a maior parte da sua produção de café, mas guardar uma parcela para vender no mercado físico, para o caso de o mercado estar em alta.

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Conclusão

Como você pôde conferir, uma gestão bem feita aumenta as chances de sucesso da lavoura de café permitindo alcançar melhores resultados desde o campo até a xícara.

Na agricultura sempre podemos interferir para melhorar o sistema. Até mesmo quanto ao clima, melhor do que “combinar com São Pedro” é ter um planejamento e uma boa gestão, os quais permitem alguns atrasos e modificações, garantindo a sua lavoura.

Isso permite que as ações de manejo sejam as mais adequadas para cada situação, aumentando a eficiência de uso dos insumos e fazendo com que seu tempo e esforço produzam os melhores resultados.

>> Leia mais:

O que é Safs: entenda tudo sobre sistemas agroflorestais

Pós-colheita do café: tendências e perspectivas para cafés de qualidade (+ cuidados com a lavoura)

“Como grupo cafeeiro realiza o monitoramento de pragas em 5 fazendas com apoio da tecnologia”

Saiba as vantagens da Cafeicultura de Precisão e como aplicá-la

E você, como faz a gestão da sua lavoura de café? As dicas lhe foram úteis? Tem mais alguma orientação que não comentei aqui? Conte pra gente nos comentários abaixo!

Custo de produção de soja por hectare: entenda por quanto vender sua saca

Custo de produção de soja: saiba o seu custo real por saca, as principais dicas e como saber se sua lavoura está te dando lucro

Não deixe a colheita da soja começar antes de saber por quanto vender a saca para cobrir os custos. Para isso, tenha em mente o custo de produção de soja, o mais exato possível. 

Com tantos insumos, contratempos e atividades, é fácil se perder nos números ao calcular o preço da média de sacas de soja por hectare

Custo de produção agrícola | O que você precisa saber em 3 MINUTOS!

Na safra 2022/23, houve aumento de 26,6% nos custos em relação à safra de 2021/22. Segundo dados da Aprosoja, os custos serão de aproximadamente R$ 6.860 por hectare

Neste artigo, separamos as principais informações para que você conheça o custo de produção de soja e saiba se está obtendo lucro. Boa leitura!

Como calcular o custo de produção de soja por hectare?

Entender o custo de produção de soja é fundamental na sua gestão agrícola. Com ele, você pode analisar os custos e os benefícios gerados por esses gastos por hectare na sua propriedade.

Comparando esse custo com o preço de mercado, você consegue identificar os riscos e as oportunidades que estão à sua disposição. Isso faz com que suas decisões de mercado sejam tomadas de forma mais consciente e eficaz.

Com a pandemia de coronavírus, os preços sofreram grandes mudanças. Seu custo certamente subiu nesta última safra, correto? Segundo dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), o custo de produção por hectare de soja aumentou.

Na figura abaixo, você pode observar que em todas as regiões do país houve aumento do valor gasto por hectare.

Custo de produção de soja por hectare de regiões brasileiras
Custo de produção de soja por hectare de regiões brasileiras
(Fonte: Adaptado de Conab)

O custo de produção na maioria das regiões mais que dobrou. Vale lembrar que o custo de produção por hectare calculado pela Conab é uma média da região, considerando o preço dos produtos durante o ciclo de produção agrícola.

Observar essas mudanças no custo te auxilia na tomada de decisão antes e após a produção. Decidir quando plantar, que tecnologia utilizar, o que e quando aplicar são dúvidas que sempre surgem.

Com isso, você pode decidir qual cultura irá semear, verificando qual será sua lucratividade. Tenha sempre em mente que os preços pagos aos produtores pela saca de soja estão oscilando.

Mesmo com aumento do custo de produção, o preço pago na saca de 60 kg de soja teve uma alta, mas este preço tende a buscar estabilidade.  

Preço pago em reais por 60 kg de soja em Paranaguá
Preço pago em reais por 60 kg de soja em Paranaguá
(Fonte: Cepea)

Principais fatores do custo de plantio de soja

Dentre as variáveis que compõem os custos, o gasto com fertilizantes tem sido o destaque nos custos da lavoura de soja. O aumento do dólar fez o preço dos adubos aumentarem, com destaque para os macronutrientes. 

Isso fez elevar o custo de produção de soja na safra atual.

Custo do fertilizante de base na cultura de soja em duas safras
Custo do fertilizante de base na cultura de soja em duas safras
(Fonte: Adaptado de Conab)

Não foi apenas o fertilizante que apresentou aumento na última safra. O preço de sementes e defensivos agrícolas também aumentaram. Em menor proporção no custo de produção da soja, as operações com máquinas, financeiro e administrativo fecham o custo. 

Essas operações consideram a depreciação de máquinas e implementos agrícolas. Veja abaixo os principais produtos utilizados para produção da soja hectare e como calculá-los.

Sementes

A qualidade das sementes faz toda a diferença na produtividade da lavoura. Com isso, se torna um dos insumos mais importantes do custo de produção, já que a viabilidade econômica da cultura da soja depende desse fator.

O gasto com sementes é elevado. Se o custo de produção de uma safra aumentar, o valor da semente também aumentará. Afinal, o gasto da manutenção da cultura é agregado no valor da semente colhida e que será vendida na próxima safra.

Para isso, é necessário calcular a quantidade de sementes de soja por hectare da maneira correta. Por exemplo, 1 hectare utiliza cerca de 68,75 kg de sementes. Considerando que 1 kg de soja custe R$ 12, o valor de semente por hectare seria R$ 825.

Fertilizantes, defensivos e corretivos

Na safra 2022/23, os fertilizantes foram os mais caros no custo de produção por hectare. O principal fator que ocasionou este aumento foi a elevação do preço do dólar e a menor oferta destes produtos pelos países produtores na época da compra.

Preços dos últimos anos dos fertilizantes e corretivos no custo de produção da soja por hectare
Preços dos últimos anos dos fertilizantes e corretivos no custo de produção da soja por hectare
(Fonte: Imea)

O preço dos fertilizantes foi aumentando até o fechamento de safra do ano 2022/2023, mas vem em ritmo de queda ultimamente. O preço dos micronutrientes e corretivos não tiveram um aumento tão brusco. Porém, continuam a subir.

Para calcular o preço de adubo por hectare, basta multiplicar a quantidade em kg utilizada por hectare pelo valor pago do fertilizante em kg.

Por sua vez, os defensivos acompanharam o aumento do preço pago pela saca de soja, assim como o aumento do dólar. Estes dois fatores elevaram os preços dos herbicidas, inseticidas e fungicidas.

Esses dois elementos, por sua vez, são necessários para manter a lavoura saudável e obter alta produtividade. A mesma regra vale para calcular o custo de produção de defensivos por hectare: multiplique a quantidade em kg usada para cada hectare.

Operação com máquinas

Com o aumento do preço do diesel, as operações mecanizadas se tornaram mais elevadas ao bolso do produtor. Por exemplo, veja os preços médios das safras 2022 e 2023 com essas operações:

Preços médios das últimas 2 safras de maquinário no custo de produção da soja por hectare
Preços médios das últimas 2 safras de maquinário no custo de produção da soja por hectare
(Fonte: Adaptado de Conab)

Para calcular o custo com as operações com as máquinas é necessário considerar alguns gastos: os custos e os variáveis.

Os custos fixos são aqueles gastos mesmo sem ter utilizado as máquinas e equipamentos, que devem ser anotados e divididos durante os meses do ano. Estes custos são: depreciação de máquinas, juros, alojamento, seguro e mão de obra.

Já os custos variáveis são aqueles gastos durante o uso da máquina, que são: combustíveis, lubrificantes, reparos e manutenção.

Os gastos fixos são computados para a soja em relação ao valor mensal. Ou seja, em exemplo hipotético, se uma depreciação de uma semeadora é R$ 3 mil por mês, divide-se esse valor pela quantidade de hectares.

Se o total da área é 500 hectares, faça o cálculo 3.000,00/500= R$ 6 reais por hectare por mês. Supondo que a soja fique em campo por 4 meses, considere: R$ 6 x 4= R$ 24 reais de depreciação desta máquina no custo de produção da soja.

O mesmo cálculo é feito para juros, alojamento, seguro de máquina e mão de obra. Valores de custo variável das máquinas e implementos devem ser anotados durante a condução da lavoura e divididos pela quantidade de hectares.

Para automatizar esses cálculos, você pode utilizar ferramentas como a nossa calculadora de custo operacional de máquinas agrícolas. Assim, é possível automatizar e simplificar essas contas.

Demais operações e itens

Como é possível observar na figura acima, houve aumento em todos os itens. Entretanto, o valor foi baixo, se comparado com os insumos e operações citadas nos tópicos anteriores. Observar como o mercado se comporta é fundamental para estimar seu custo de produção. 

Assim é possível saber para onde estão indo os maiores gastos no seu custo. No site da Conab, você pode pesquisar os custos com insumos agropecuários. A partir deles, avalie se os seus custos estão de acordo com a média da região.

Ainda, outro fator de grande aumento foi o de arrendamento das terras. Isso é reflexo dos preços pagos na saca de soja. Com o aumento do valor pago por 60 kg de soja, a procura por compra e arrendo de terras foi maior, com isso o valor pago de arrendamento subiu.

Se você está arrendando ou vai arrendar terras, considere esses custos nas suas contas.

Como atribuir os custos de produção de soja

Antes de tudo, você precisa saber que nem todos os custos da fazenda devem ser apropriados integralmente para a safra. Por isso, os custos de produção de soja podem ser diretos ou indiretos.

Custos diretos

Os custos diretos são aqueles custos diretamente ligados à produção agrícola, como os insumos (sementes, fertilizantes, defensivos agrícolas, dentre outros). Você pode colocá-los como parte direta do custo da cultura da soja por hectare.

Custos indiretos

Esses custos são mais difíceis de atribuir à produção. Para os custos administrativos da produção, por exemplo, devem ser utilizados diversos métodos de rateio de custos.  

O Rateio acontece quando você faz 2 safras no ano e decide dividir o custo da administração entre essas duas safras. O mesmo ocorre com depreciação de máquinas e edifícios da fazenda, veículos da propriedade e outros.

planilha - monitore e planeje a safra de soja de forma automática

Qual o custo para plantar 1 hectare de soja?

Para plantar 1 hectare de soja, você precisa fazer cálculos precisos e registrar bem os detalhes das operações na lavoura. 

Registre os insumos utilizados, inclusive horas trabalhadas pelo pessoal e máquinas. Anote também todos os custos de cada insumo em cadernos, softwares de gestão ou planilhas no Excel. Com essas informações você já consegue calcular o custo de produção.

Faça esses registros e cálculos durante a safra. Essa é uma forma de não esquecer nada, e no final da safra, você não tem que se preocupar em juntar essas informações. Sabendo a produção de sacas/talhão, você terá o custo de produção de soja por hectare e por talhão.

Por exemplo (dados meramente ilustrativos), considere o custo de produção de soja por hectare a R$ 8.119,41. Ainda, suponha uma produtividade de 67 sacas por hectare de R$ 8.119,41/67

Ou seja, R$ 121,19 por saca. Portanto, para cobrir seus custos, a venda deve ser de, no mínimo, R$ 121,19 por saca. Para ter lucros, você precisa vender a sua saca por valores acima desse. 

Para te ajudar a registrar esses custos, disponibilizamos gratuitamente duas planilhas agrícolas:

Como controlar custos de produção de soja por hectare com software?

Com a correria do dia a dia em campo, muitas vezes esquecemos o caderno de anotações e assim, não anotamos alguns gastos.

Para te ajudar nestes momentos, ferramentas de gestão foram criadas como o software agrícola Aegro, esses registros e cálculos ficam mais automatizados. Com essas ferramentas, você pode inserir os gastos pelo celular.
Além disso, o próprio sistema gera automaticamente gráficos e tabelas que facilitam seu entendimento e visualização:

gif que mostra a tela de custo realizado do software de gestão rural Aegro

Saiba mais sobre o software Aegro aqui!

Agora que você já sabe qual o seu custo de produção e tem tudo contabilizado, fica mais fácil definir qual será sua margem de lucro. Assim, você pode definir qual a produtividade e preço necessários para chegar na sua meta.

Como comparar seus custos da saca de soja com outras lavouras?

Sem dúvida, um custo de produção alto impacta a rentabilidade da sua lavoura. Você pode acabar lucrando menos em função de gastos excessivos durante a safra. Por isso, é importante saber como estão as suas despesas em relação a outras fazendas. 

Será que você está gastando mais ou menos que os seus vizinhos? Existe uma forma fácil de responder essa pergunta. O Kit Comparativo de Custos de Safra conta com duas planilhas gratuitas para levantar o custo da lavoura de soja. 

Na primeira, você irá calcular os custos de produção da sua cultura por hectare e ter os seus dados sob controle. E na segunda planilha, você irá comparar os seus resultados com fazendas de todo o Brasil com base nos dados da Conab.

Ou seja, ela te oferece uma comparação geral de custos. Com seus números, você poderá fazer uma análise comparativa, segmentada por cultura, região e ano. Assim, pode entender se os seus custos de produção estão dentro da média. 

Essas estimativas vão te ajudar a descobrir gargalos no seu processo produtivo e oportunidades de melhoria. Como consequência, você será capaz de tomar melhores decisões de mercado. Clique na imagem abaixo para baixar:

planilha - calcule seus custos

Qual o preço mínimo de venda da soja?

A renda (ou lucro) é definida utilizando o preço, a produtividade da soja obtida e os custos de produção. Ou seja: a renda é igual ao preço multiplicado pela produtividade menos os custos. 

A renda igual a zero significa que o preço de venda é o mínimo para que cubra os custos. Assim, conhecendo o custo de produção de soja real, você consegue saber qual é esse preço mínimo de venda.

Destas três variáveis, o preço é a única que não conseguimos exercer influência, exceto quando fazemos um contrato futuro. O preço é influenciado por alguns fatores como:

  • cotação da soja em Chicago (já que a soja é uma commodity negociada na Bolsa de Chicago, que oferece um número na equação de formação do preço da soja para a exportação);
  • custos portuários;
  • oferta e demanda;
  • clima;
  • prêmio no porto;
  • custo com frete;
  • estoques no mundo;
  • dólar.

Devido às incertezas do mercado, houve grande instabilidade dos preços pagos ao produtor. Por isso, é importante ficar por dentro das informações e da sua planilha de gastos. Dessa forma, você obtém os melhores preços de venda.

De acordo com os dados de 2007 a 2017 do indicador Cepea/Esalq, os melhores meses para vender a soja no país são agosto e setembro, seguido de dezembro. Com a pandemia do Covid-19, esta curva de venda de preços se inverteu. 

Segundo especialistas, os melhores meses para comercialização da soja de 2020/21 foram de janeiro a julho. Para a comercialização da safra 2022/23, este período já voltou à normalidade, com melhores preços pagos em agosto e setembro.

A tendência é a curva voltar ao normal, sendo os melhores meses de venda no segundo semestre do ano. Especialistas apontam para a importância de se vender a soja aos poucos, aproveitando os períodos de elevação no preço ao longo do ano.

Defina uma boa estratégia de comercialização

Para definir uma boa estratégia, você precisa seguir alguns passos para garantir assertividade no processo. Confira quais são:

  1. Tenha em mãos os custos de produção da safra ou o orçamentamento;
  2. Leve em conta os custos operacionais, depreciação e custos econômicos;
  3. Defina as estratégias de venda;
  4. Considere também as formas de pagamento (crédito bancário, barter ou capital próprio);
  5. Determine a margem esperada. Se for o caso, procure ajuda nessa etapa. Assim, juntos vocês podem discutir sobre cenários de preços possíveis;
  6. Quando o mercado estiver com preço elevado, aproveite para vender o que estiver definido para aquele período;
  7. Não deixe de vender, mesmo que o preço esteja abaixo do esperado, pois o preço pode continuar caindo. Mas obviamente, não se deve vender se isso for gerar prejuízos.
gif com dados de colheita de milho no software de gestão agrícola Aegro

Com o Aegro, você obtém uma gestão da sua produção muito mais precisa e simples de ser visualizada!

Conclusão

É importante contabilizar cada detalhe do processo produtivo, para que se possa estabelecer boas estratégias de venda. Acompanhar os preços, definir estratégias e metas é essencial para não haver surpresas no final. 

Afinal, cada ano é diferente, e o que aconteceu em uma safra pode acabar não se repetindo na próxima. Neste artigo, você entendeu um pouco mais onde estão os maiores custos de produção da soja e a importância de gerenciá-los. 

Assim, você poderá atingir a meta de produtividade de soja e margem de lucro. 

Como você calcula o custo de produção da soja por hectare? Se você conhece outros sojicultores, não deixe de compartilhar esse artigo com eles.

Acerte no adubo líquido para café e não jogue dinheiro fora

Adubo líquido para café: Veja como utilizá-lo corretamente, conseguir máxima eficiência e saber se essa prática irá valer a pena na sua fazenda.

A adubação pode representar 20% dos custos de produção de café. Como você faz a sua?

O uso de adubos líquidos na cafeicultura iniciou-se na década de 80 e se expandiu, ganhando espaço no mercado brasileiro.

Eles prometem maior eficiência na nutrição da planta, redução nos custos da fertilização e outros benefícios.

Mas é preciso atenção para que essa técnica realmente compense financeiramente.

Por isso, entenda mais sobre os adubos líquidos, sua utilização correta e como saber se eles vão valer a pena.

O que são adubos líquidos? Quais as diferenças para os adubos convencionais?

O adubo líquido para café é um fertilizante fluído, segundo a legislação brasileira.

Contudo, a maioria do produtores e técnicos envolvidos na produção de café os trata como adubos líquidos, o que facilita o entendimento.

Os adubos líquidos são basicamente adubos convencionais dissolvidos em água, embora possam diferir na fonte do nutriente utilizada para formulação.

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(Fonte: G1)

Eles podem ser fonte de um nutriente específico, mas geralmente fornecem desde os macronutrientes N, P e K, até micronutrientes. Alguns também contêm bioestimulantes como aminoácidos e ácidos orgânicos.

Vantagens e desvantagens dos adubos líquidos

Adubação básica de NPK pode ser reduzida em até 15% em produto, já que a eficiência de absorção é maior do adubo líquido em relação ao sólido.

Outra vantagem é a aplicação nos períodos exatos em que o café precisa, sem depender da água da chuva para que os nutrientes sejam aproveitados pelas plantas.

Os nutrientes dissolvidos em água estariam prontamente disponíveis ao cafeeiro, o que garantiria rápida absorção, reduzindo as perdas como volatilização e lixiviação, e daria maior eficiência ao adubos líquido para café.

A distribuição mais uniforme também é outro lado positivo dessa técnica.

Mas nem tudo são maravilhas. Muitos vendem adubos líquidos prometendo doses muito menores do que as indicadas, resultando em uma nutrição totalmente inadequada.

Além disso, é preciso prestar atenção no produto que você utiliza pois pode ocorrer a formação de borras no tanque, entupimentos e incompatibilidade entre alguns fertilizantes.

Por isso, sempre consulte um profissional e compre fertilizantes de confiança, sempre questionando quais produtos agrícolas podem ser misturados.

Como realizar a adubação do seu cafezal corretamente

A eficácia de qualquer adubação, seja ela líquida ou convencional, depende de fatores básicos: fonte do nutriente, dose, época e local de aplicação.

No caso dos adubos líquidos, a fonte do nutriente deve ser solúvel em água. Isso é um problema no caso do P, pois as fontes mais comuns têm baixa solubilidade.

Para se obter os melhores resultados, os nutrientes devem estar disponíveis para o cafeeiro na época de maior demanda, o que ocorre durante o período reprodutivo de floração.

Cada nutriente tem um comportamento específico no solo e na planta. Portanto, a escolha do local de aplicação, seja no solo próximo à planta ou via foliar pode mudar toda a eficiência da adubação.

Mas o fator mais importante é que a dose deve atender a exigência nutricional da lavoura de café.

Você vai saber qual é essa dose ao realizar a análise de solo, de folhas e no caso de cafezais em produção, também definir uma produtividade esperada.

Confira abaixo a interpretação de resultados de análise de solo para macro e micronutrientes para o cafezal em geral:

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3-adubo-líquido-para-café-interpretação-micronutrientes
(Fonte: IPNI)

Porém, as demandas nutricionais do cafeeiro variam se elas estão em formação ou produção.  A seguir você confere a demanda de nutrientes nesses dois casos.

Adubação para cafezal em formação

As exigências nutricionais do café em formação são menores que as do cafezal produtivo.

Por isso, até o 3º ano, o cafezal recebe os nutrientes em menores quantidades, suficientes para o crescimento vegetativo.

Vamos tomar como exemplo as recomendações de adubação para N, P e K da última atualização do Boletim 100 do Instituto Agronômico de Campinas (IAC).

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Recomendação de adubação para café em formação, segundo Quaggio et. al. 2018

Você pode encontrar a planilha com essas recomendações, e ainda o cálculo automatizado da recomendação da adubação nesta planilha gratuita.

Recomendação de adubação para cafezais em produção

Para o cafezal em produção as doses aumentam e temos que ter em mente o nível de produção que desejamos atingir.

Isso porque quanto maior for a produção de frutos grãos, maior será a demanda de nutrientes. Veja abaixo a tabela de recomendação:

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Recomendação de adubação para café em produção, segundo Quaggio et. al. 2018

Dessa forma, se considerarmos uma produtividade entre 30 a 40 sacas/ha, com teores adequados de N nas folhas e de P e K no solo, teremos a seguinte recomendação:

160 kg.ha-1 de N, 20 de P2O5 e 120 de K2O

Como você pode ver esses cálculos podem ficar complicados, especialmente se formos fazer por talhão.

Para facilitar, colocamos as recomendações e o cálculo automático das doses em uma planilha gratuita que você pode baixar aqui!

planilha adubação de café

Como utilizar um adubo líquido para café corretamente?

A adubação foliar é uma maneira comum de se empregar os adubos líquidos, mas os mesmos também podem ser associados à fertirrigação na adubação de cobertura ou aplicados juntamente herbicidas e defensivos agrícolas.  

Contudo, uma busca rápida pela internet pode revelar alguns equívocos.

Isso porque há recomendações de adubação líquida de poucos litros/ha que não supririam a demanda de macronutrientes de uma única saca de café!

Não existe milagre. A adubação deve ser bem feita e atender as demandas nutricionais do café. Qualquer recomendação que fuja disso não funcionará.

Mas não é para desacreditar de todo adubo líquido para café. Eles podem ser efetivos se utilizados de maneira correta.

A seguir trago alguns exemplos de como a adubação por via fluída pode contribuir para a produtividade do seu cafezal.

Fertirrigação

Algo interessante é associar a adubação com a irrigação do cafezal. Como os adubos são dissolvidos na água, a fertirrigação é uma forma de adubação líquida.

A vantagem da fertirrigação é a possibilidade de parcelar mais vezes a adubação. Dessa forma você proporciona nutrientes nas épocas mais exatas de exigências.

Com isso, a eficiência da sua adubação aumenta, com consequência positivas na produtividade.

A irrigação por gotejamento em conjunto com a adubação é a técnica de fertirrigação mais utilizada, já que é a mais indicada.

Ela dá maior uniformidade na fertilização, mantendo o teor de água adequado para a planta absorver os nutrientes.

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(Fonte: Hidro Sistemas)

Quanto à época de aplicação, é a mesma da adubação sólida: durante o período reprodutivo, normalmente de outubro a março.

A frequência recomendada é quinzenal para solos com textura média, sendo que em regiões mais quentes pode ser incrementada.

Boro via aplicação de herbicidas

O Boro (B) é necessário para a reprodução das plantas e transporte dos açúcares. Plantas de café com bom suprimento deste nutriente têm maior tolerância às pragas e doenças.

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Planta de café saudável à esquerda e com deficiência de boro à direita
(Fonte: Emater)

O boro deve ser aplicado no solo. Somente em alguns casos de deficiências pontuais ele pode ser fornecido via foliar para amenizar o problema.

Na forma líquida, a maneira mais prática de se fornecer B é na forma de ácido bórico junto da calda de herbicidas, especialmente o glifosato. Recomenda-se 2 a 3 aplicações de 1 kg.ha-1 de B dessa maneira.

Zinco foliar

O zinco é essencial para o crescimento da parte aérea da planta de café. Devido ao seu comportamento no solo, recomenda-se o fornecimento via foliar para melhor aproveitamento.

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Planta de café com sintomas de deficiência de zinco: ramos curtos, folha menor e mais alongada
(Fonte: Grupo Cultivar)

As doses variam de acordo com a cultivar e as análises foliares, mas ficam entre 1 e 4 kg.ha-1 de Zn fornecidos entre outubro e março, geralmente na forma de sulfato de Zn.

>> Leia mais: “Guia rápido da adubação de boro e zinco no café”

O uso de adubo líquido para café vale a pena?

Essa pergunta só pode ser respondida individualmente para cada fazenda.

E outras questões devem ser respondidas antes disso:

  • Como está a situação do seu cafezal? Se ele sofreu com seca nos anos anteriores, pode ser uma boa saída;
  • Qual seu custo real da fertilização convencional atual?;
  • Qual sua margem de lucro com o manejo atual?;
  • Quanto seria gasto a mais se fosse implementar o adubo líquido? Lembre-se que se for fertirrigação terá o custo da implantação da irrigação, tenha em mente a dose real necessária do adubo líquido para café, o custo de mão-de-obra, combustível, etc.

Anote todas essas informações e faça as contas. Você pode até mesmo pegar uma área pequena do seu cafezal e fazer um teste, verificando os ganhos na margem de lucro com o adubo líquido.

O que não vale é não medir os seus ganhos e custos e ficar “às cegas” quanto ao que vale ou não a pena fazer.

Conclusões

Como pudemos conferir, a adubação do café deve atender às demandas da planta, sempre se baseando em análises de solo, de folha e na expectativa de produção agrícola.

Partindo desse princípio, o adubo líquido para café pode ser uma alternativa interessante, especialmente quando associados a fertirrigação.

No entanto, todos esses custos devem ser bem avaliados dentro da sua gestão da fazenda, colocando tudo em dados para verificar o que compensa mais.

Agora que você conhece os benefícios, e as doses corretas para a adubação do café, pode começar essa avaliação!

>> Leia mais:

Todas as recomendações para o melhor plantio do café

“Colheita do café: Evite perdas e mantenha a qualidade co estas 7 dicas”

Pós-colheita do café: Tendências e perspectivas para cafés de qualidade (+ cuidados com a lavoura)

Como você faz a adubação do seu cafezal? Utiliza adubo líquido para café? Deseja saber mais sobre café? Deixe seu comentário abaixo!