A influência da lua na agricultura: verdades e mitos

Influência da lua na agricultura: saiba se há relação entre as fases da lua e o plantio, e o que os conhecimentos popular e científico têm a dizer a respeito

Desde a antiguidade, os povos usavam as fases da lua para orientar a agricultura.

Até hoje, muitos agricultores seguem piamente o conhecimento desses povos, baseando o planejamento de safra nessas fases.

Mas afinal, qual é a verdadeira influência da lua na agricultura? O que vem da sabedoria popular e o que a ciência diz a respeito disso? Confira neste artigo!

A Terra, a lua e o sol

Existem importantes relações entre o sol, a lua e a Terra. O Sol está no centro do sistema solar e mantém os planetas e corpos celestes unidos.

Representação do sistema solar

Representação esquemática do sistema solar (sem escala)
(Fonte: Brasil Escola)

A Terra gira em torno de si mesma e ao redor do Sol. Esses movimentos chamam-se rotação e translação, respectivamente.

A lua também gira ao redor de si mesma e da Terra.

Apesar de ser bem menor que a Terra, a lua é o maior objeto visível no céu noturno devido à sua proximidade da Terra.

Diferente do sol, que é uma estrela e possui luz própria, a lua é o único satélite natural da Terra. É um corpo opaco que apenas reflete a luz solar

Juntos, os três ‘dançam’ pelo espaço.

Representação dos movimentos de rotação e translação da Terra e da lua

Representação esquemática (sem escala) dos movimentos de rotação e translação
(Fonte: Brasil Escola)

As estações do ano

Os movimentos de rotação e translação da Terra, aliados ao eixo de inclinação, fazem os dias e as estações do ano.

Há períodos no ano em que a posição da Terra em relação ao Sol varia nos diferentes hemisférios. Por isso as estações do ano são invertidas nos diferentes hemisférios.

Representação do movimento de translação da Terra e das estações do ano

Movimento de translação da Terra e as estações do ano 

(Fonte: Trogello et al 2015)

As fases da lua

A lua não possui luz própria, e a luz que vemos dela à noite é a reflexão dos raios solares. Com o passar dos dias, o formato dela muda no céu. Esses diferentes aspectos formam as fases.

Há 8 fases da lua, mas são 4 as principais:

  • nova;
  • crescente (ou quarto crescente);
  • cheia;
  • minguante (ou quarto minguante).

Vale ressaltar que, devido à curvatura da Terra, as fases da lua podem ter aspectos diferentes. Pessoas em diferentes regiões do planeta podem enxergá-la de formas diferentes.

Algumas das fases da lua no hemisfério Norte e Sul são invertidas, como no esquema a seguir:

Representação das fases da lua, vistas do hemisfério norte e sul

Visualização das diferentes fases da Lua vistas do hemisfério Norte e Sul

(Fonte: Adaptado de Go Science Girls)

A influência da lua na agricultura: sabedoria antiga x ciência

A crença da humanidade na ação dos astros sobre a Terra é antiga. No entanto, muito mudou desde então. O que a ciência tem a nos dizer sobre o tema? Confira!

A sabedoria popular

Existem inúmeros relatos, passados de geração em geração, a respeito da influência da lua na agricultura.

Segundo eles, a lua influencia principalmente no fluxo de seiva das plantas e no ciclo de vida dos animais.

Em seu livro “La Luna”, o autor Jairo Rivera relata grande parte desses conhecimentos. Segundo ele, o ciclo de seiva nas plantas muda de acordo com as fases da lua:

Lua nova

Nesta fase da lua, o fluxo de seiva é descendente, ou seja, vai para as raízes.

Haveria maior concentração de água no solo. Essa água pode fazer com que as sementes inchem, cresçam e rompam com facilidade. De acordo com as crenças, a fase da lua nova não é aconselhável para o plantio.

Lua crescente

Nessa fase, o fluxo de seiva começa a subir das raízes para os ramos. Acredita-se que essa é uma boa fase para o plantio de folhosas, e que causa bom crescimento foliar. O que cresce acima do solo seria beneficiado nesse período.

Lua cheia

Aqui, o fluxo de seiva concentra-se na parte aérea das plantas. Portanto, também não seria uma boa fase para semear, apenas para colher.

Lua minguante

Na lua minguante, a seiva começa a descer para as raízes. 

Nessa fase, a força da Terra provavelmente desce, favorecendo cultivos que crescem para baixo do solo.

As fases da lua  e sua influência na dinâmica da seiva das plantas

As fases da lua  e sua influência na dinâmica da seiva das plantas

(Fonte: Adaptado de Rivera, 2005)

Além do ciclo das plantas, o ciclo dos insetos e pragas também é influenciado.

A relação das fases da lua com o ciclo dos insetos

Relação das fases da lua com o ciclo dos insetos

(Fonte: Adaptado de Rivera, 2005)

Muitos outros pontos são influenciados pelas fases da lua. Conhecendo todos eles, é possível definir e adequar as atividades nas lavouras.

Com base nisso, há a chamada agricultura biodinâmica.

A sabedoria popular recomenda que aquilo que se colhe de cima da terra deve ser plantado na lua crescente e cheia. Aquilo que se colhe debaixo da terra deve ser plantado na lua minguante.

O que diz a ciência?

A ciência já confirmou que a lua exerce influência sobre as marés,devido à força de gravidade não só da lua, mas também do Sol.

Entretanto, muitos dos que afirmam a influência da lua sobre a Terra baseiam-se mais em recordações e memórias, e não em evidências.

O professor Salim Simão é um dentre vários pesquisadores ao redor do mundo que não observaram qualquer influência da lua sobre a agricultura.

Muitos ensaios científicos já foram realizados na tentativa de identificar e quantificar a influência da lua na agricultura, sem sucesso.

Muitas vezes, os resultados que atribuímos à lua podem estar relacionados a outros fatores. Isso nos leva a crenças errôneas de que a lua exerce alguma influência.

As fases da lua alternam todo mês, durante todas as estações do ano.

Não seriam então as estações do ano um fator de maior influência na agricultura, já que os regimes hídricos e térmicos são diferentes em cada uma delas?

Por isso é importante ter cuidado com o que acreditar e seguir. Porém, respeitar e nunca desdenhar das opiniões e crenças dos outros é necessário.

Não se esqueça de sempre pesquisar para melhor compreender o que acontece na sua lavoura.

checklist planejamento agrícola Aegro

Conclusão

A influência da lua sempre intrigou a humanidade e, com certeza, continuará intrigando por muito tempo.

Entretanto, a falta de evidências científicas reforça a não influência da lua na agricultura. Há outros fatores que podem influenciar muito mais os cultivos.

É sempre interessante buscar informações de qualidade. Assim, você garante que um dado errado ou algo sem fundamento não prejudique a produtividade da sua lavoura.

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E você, o que você sabe sobre a influência da lua na agricultura? Já observou facilidade ou dificuldade de plantio em alguma das fases? Deixe seu comentário abaixo!

Como a coinoculação em soja contribui para o aumento da produtividade

Coinoculação em soja: entenda o que é, quais são os benefícios, como realizar e os cuidados necessários nesse processo 

A inoculação da soja com bactérias fixadoras de nitrogênio é uma prática bem conhecida. Ela eleva a produtividade dos grãos a um baixo custo.

Além da inoculação com essas bactérias, tem se destacado o uso de outro microrganismo associado ao Bradyrhizobium

Essa técnica é conhecida por coinoculação ou inoculação conjunta/mista e pode trazer inúmeros benefícios para a sua lavoura.

Confira a seguir um pouco mais sobre a coinoculação em soja e como garantir a eficiência dessa prática. Boa leitura!

O que é a coinoculação e quais bactérias participam dela?

A coinoculação é uma prática que combina mais de um gênero de bactérias ao sistema de inoculação da soja

Nesse caso, são utilizadas bactérias do gênero Bradyrhizobium e Azospirillum.  As bactérias do gênero Bradyrhizobium têm grande importância econômica na agricultura. 

Elas são responsáveis por captar o nitrogênio atmosférico e transformá-lo em compostos orgânicos. Esses compostos serão utilizados pela planta de soja.

As espécies de bactérias utilizadas na inoculação da soja são Bradyrhizobium japonicum e Bradyrhizobium elkanii.

Já as bactérias do gênero Azospirillum são conhecidas por promover o crescimento das plantas, atuando em processos fisiológicos e metabólicos. Elas já são amplamente utilizadas na cultura do milho e do trigo.

A espécie Azospirillum brasilense atua na produção de fitormônios e no crescimento das raízes. 

Essa espécie também tem a capacidade de solubilizar o fosfato mineral. Isso eleva a concentração de fósforo disponível na solução do solo.

A associação desses dois gêneros de bactérias tem o objetivo de:

  • suprir o fornecimento de nitrogênio para as plantas; 
  • contribuir para o desenvolvimento da soja;
  • melhorar o estado nutricional da lavoura;
  • aumentar a produtividade
Imagem mostra a ilustração de duas plantas de soja e suas respectivas raízes. A primeira, após ter passado por inoculação; a segunda, após coinoculação. A coinoculação se mostrou evidente em condições com ampla variação de solo.

Principais efeitos da coinoculação de Azospirillum brasilense e Bradyrhizobium spp. na soja, com base em 51 publicações com experimentos de campo realizados no Brasil

(Fonte: Physiotek Crop Science; Adaptado de Barbosa et al., 2021)

Benefícios da coinoculação

A coinoculação em soja com Bradyrhizobium + Azospirillum promove maior desenvolvimento do sistema radicular das plantas. Como consequência, temos:

● nodulação precoce e mais abundante;

● aumento da fixação biológica de nitrogênio, em razão da maior nodulação; 

● maior absorção e aproveitamento da água e de fertilizantes;

● maior tolerância a estresses ambientais, como a seca;

● contribui para o vigor das plantas;

● aumento da produtividade.

Além disso, a coinoculação é uma tecnologia ambientalmente sustentável e segura.

Aspectos das raízes de soja inoculada com Bradyrhizobium, sem inoculação e coinoculada com Bradyrhizobium + Azospirillum

Aspecto das raízes de soja inoculada com Bradyrhizobium, sem inoculação e coinoculada com Bradyrhizobium + Azospirillum

(Fonte: Embrapa – Circular Técnica 143)

Inoculantes líquidos x inoculantes sólidos 

Os inoculantes disponíveis no mercado são encontrados na forma líquida e sólida, em turfas. 

Os produtos sólidos são utilizados nas sementes. Os inoculantes líquidos podem ser aplicados tanto no sulco de plantio quanto misturados às sementes

Já é possível encontrar fórmulas que combinam Bradyrhizobium + Azospirillum no mesmo produto. Isso garante maior eficiência e rapidez no processo de coinoculação.

Como fazer a coinoculação

Os produtos contendo as bactérias (inoculantes) podem ser aplicados no sulco de plantio ou misturados às sementes de soja.  

No caso da aplicação nas sementes, é importante que o processo seja realizado à sombra. O produto pode ser misturado às sementes em betoneira, em tambor rotativo ou em máquinas específicas. 

Após esse processo, as sementes devem secar à sombra por 30 minutos.  

Elas precisam estar protegidas do sol e de altas temperaturas. Essas condições podem prejudicar a eficiência da inoculação.

Para melhorar a aderência dos inoculantes sólidos às sementes é possível utilizar, de forma combinada, produtos adesivos recomendados pelo fabricante

Também é possível usar uma solução açucarada a 10%. Existem  produtos com função de proteção das bactérias que podem ser utilizados no processo de inoculação. 

Após a coinoculação das sementes, é importante que toda a superfície esteja recoberta pelo inoculante

Caso haja a necessidade do tratamento das sementes com agroquímicos, a inoculação deve ser realizada após esse processo.

Quando aplicado no sulco de plantio, a inoculação é feita com maiores doses do inoculante misturado à água.

Em relação à dosagem do inoculante, é fundamental seguir as orientações técnicas do fabricante.

Cuidados na coinoculação

Por envolver microrganismos vivos, o processo de coinoculação deve ser realizado com cuidado. Além disso, atenção especial deve ser dada ao transporte e à armazenagem dos produtos. 

Abaixo, você pode conferir algumas medidas para garantir a eficiência da coinoculação:

● utilizar produtos registrados pelo Mapa (Ministério da Agricultura);

● transportar e armazenar os produtos de acordo com as orientações do fabricante;

● seguir as recomendações da bula do inoculante quanto à dosagem e manipulação;

● conferir o prazo de validade dos produtos;

● evitar que os inoculantes e as sementes tenham contato direto com o sol e à altas temperaturas;

● realizar a coinoculação somente após o tratamento químico das sementes;

realizar a semeadura no mesmo dia da coinoculação;

● não realizar a coinoculação dentro da caixa de semeadura;

● não realizar a semeadura em condições de solo com baixa umidade (não plantar no pó).

Vantagens da coinoculação em soja

Dentre as vantagens da coinoculação em soja com Bradyrhizobium + Azospirillum, podemos citar:

● técnica de baixo custo e alto retorno;

● técnica ambientalmente segura e sustentável;

● diminui custos com insumos, principalmente em razão da economia com adubos nitrogenados;

● lavouras bem desenvolvidas;

● aumento na produtividade.

É importante ressaltar que essa tecnologia não apresenta desvantagens. No entanto, somente a coinoculação não é garantia de sucesso. 

Fatores que influenciam o resultado

Vários fatores podem interferir no resultado da coinoculação. 

Por exemplo, é preciso traçar um bom plano de manejo do solo, adubação equilibrada, controle de plantas invasoras e doenças. 

Esteja também de olho na época de semeadura, na qualidade da semente de soja, nas condições climáticas e na cultivar plantada.

Chamada  para baixar a planilha de planejamento de safra da soja, com cálculos automatizados.

Conclusão

A coinoculação é uma técnica em que são utilizadas bactérias dos gêneros Bradyrhizobium e Azospirillum na soja.

Essa prática garante o fornecimento de nitrogênio para as plantas, contribui para o desenvolvimento das plantas e aumenta a produtividade. 

Para a melhor eficiência do processo de coinoculação em soja, não deixe de seguir as recomendações do fabricante dos inoculantes. Em casos de maiores dúvidas, procure um engenheiro-agrônomo.

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Seguro soja: por que você deve fazer

“Inoculante para milho silagem: como escolher o melhor”

“Inoculante para feijão caupi: como utilizar na sua lavoura”

Você conhecia os benefícios que a coinoculação proporciona? Já realizou essa prática em sua propriedade? Conte sua experiência nos comentários.

Armazenamento de combustível: quais as melhores práticas para o agronegócio

Armazenamento de combustível: saiba como realizá-lo de maneira eficiente, além de economizar tempo e custos na fazenda.

Como é realizado o armazenamento de combustível?

O armazenamento de combustível é feito por meio de tanques ou recipientes que devem atender às normas técnicas e ambientais vigentes. 

Os tanques ou recipientes podem ser instalados acima ou abaixo do solo, dependendo das características e necessidades do negócio. 

O armazenamento de combustível requer cuidados especiais para evitar vazamentos, contaminações, incêndios e explosões, que podem causar danos à saúde, ao meio ambiente e ao patrimônio. 

Nas propriedades rurais, as regras de segurança também devem ser seguidas. Listamos alguns tópicos para você tomar todas as medidas necessárias nessa etapa tão importante para o agronegócio.

  • Escolher o local adequado para a instalação dos tanques ou recipientes, levando em conta a distância de fontes de ignição, de cursos d’água, de áreas habitadas e de outras instalações;
  • Utilizar materiais resistentes e compatíveis com o tipo de combustível armazenado, evitando a corrosão, a oxidação e a deterioração dos tanques ou recipientes;
  • Realizar a limpeza, a inspeção e a manutenção periódica dos tanques ou recipientes, verificando possíveis vazamentos, fissuras, deformações, desgastes ou defeitos;
  • Instalar sistemas de medição, de controle e de segurança nos tanques ou recipientes, como indicadores de nível, válvulas de alívio, dispositivos de bloqueio, extintores de incêndio, bacias de contenção e alarmes;
  • Seguir as normas de segurança e de prevenção de acidentes no manuseio, no transporte e no abastecimento dos tanques;
  • Treinar e capacitar os funcionários responsáveis pelo armazenamento de combustível;

Esses tópicos são de grande importância para que seu negócio rural se mantenha dentro dos conformes da legislação.

Armazenamento de produtos inflamáveis

O setor agrícola é um dos principais consumidores de produtos inflamáveis, especialmente de diesel, que é usado para abastecer tratores, colheitadeiras, irrigadores e outros equipamentos. 

O armazenamento de combustível como diesel no campo é uma necessidade para garantir a continuidade e a eficiência da produção agrícola. Você sabe como armazenar esses produtos corretamente? 

Como vimos anteriormente, eles devem ser armazenados em locais adequados, seguindo as normas técnicas e ambientais vigentes.

Segundo a legislação para armazenamento de produtos inflamáveis, os produtos devem ser mantidos em recipientes apropriados e bem fechados, alocados separados de outros artigos que colaborem para a inflamabilidade, protegidos de fontes de calor e luz solar, mantidos em temperatura adequada no galpão, com ventilação suficiente e sinalização indicando a presença de produtos inflamáveis.

Tanque de armazenamento de combustível em uma fazenda. Há dois galões de diesel em um suporte de concreto, com um grande campo no fundo.
Armazenamento de combustível
Fonte: Aegro (2023)

Além disso, os funcionários responsáveis pelo armazenamento devem usar equipamentos de proteção individual e coletiva, e receber treinamento sobre os riscos e as medidas de emergência.

Existem dois tipos principais de armazenamento de produtos inflamáveis: o armazenamento acima do solo e o armazenamento subterrâneo. 

O primeiro consiste em tanques ou recipientes instalados sobre a superfície do solo, que podem ser fixos ou móveis, metálicos ou não metálicos, aéreos ou apoiados. 

O segundo consiste em tanques ou recipientes instalados sob a superfície do solo, que devem ser impermeáveis e resistentes à corrosão. O tipo de armazenamento a ser utilizado depende do tipo de negócio e de seus objetivos.

O armazenamento de produtos inflamáveis deve seguir as recomendações da Norma Regulamentadora NR-20, que fixa as condições exigíveis para projetos de instalações de armazenagem de líquidos inflamáveis e combustíveis contidos em tanques estacionários com capacidade superior a 250 L, à pressão manométrica igual ou inferior a 103,4 kPa (15 psig), medida no topo do tanque. A frente, iremos detalhar as normas de armazenamento. 

A norma aborda aspectos como tanques de armazenamento, arranjo dos tanques na bacia de contenção, dispositivo de alívio de pressão e vácuo, dispositivo de alívio de emergência para exposição a incêndio, distância de segurança, tubulação e sistema de proteção e combate a incêndio.

O armazenamento de produtos inflamáveis é uma atividade que demanda planejamento, controle e prevenção, visando garantir a segurança e a qualidade dos produtos e das pessoas envolvidas.

Quanto tempo pode armazenar gasolina no galão?

O armazenamento de gasolina em galão é uma prática que deve ser feita com cuidado e atenção, pois o combustível é um produto inflamável e volátil, que pode sofrer alterações de qualidade e causar riscos de acidentes. Antes de armazenar esse produto, consulte sempre um profissional da área, para que não ocorram acidentes.

Porém, o tempo máximo que a gasolina pode ficar armazenada em galão é de três a quatro meses, dependendo das condições de armazenamento.

A gasolina é um produto que se degrada com o tempo, pois sofre oxidação e evaporação, perdendo suas propriedades e características originais. 

A oxidação ocorre quando a gasolina entra em contato com o oxigênio do ar, formando gomas e vernizes que podem entupir os bicos injetores e prejudicar o desempenho do motor. 

A evaporação ocorre quando a gasolina é exposta ao calor e à luz solar, reduzindo o volume e a octanagem do combustível.

Lembre-se sempre de não utilizar garrafas pet, latas, baldes ou outros recipientes impróprios para o armazenamento de gasolina, pois eles podem se romper, vazar, pegar fogo ou explodir.

O armazenamento de gasolina ou qualquer outro combustível inflamável em galão é uma prática que deve ser feita com responsabilidade e consciência, seguindo as normas técnicas e ambientais vigentes. 

Normas de Armazenamento de combustível?

As principais normas e regras da ABNT NBR que se aplicam ao armazenamento de combustível na fazenda são:

ABNT NBR 15461: Estabelece requisitos para a construção de tanques estacionários de aço-carbono, atmosféricos, de até 190 mil litros, destinados ao armazenamento aéreo de líquidos cuja densidade relativa não exceda em 110% a da água.

ABNT NBR 7821: Estabelece exigências mínimas para materiais, projeto, fabricação, montagem e testes de tanques de aço-carbono, soldados, cilíndricos ou verticais, não enterrados, com teto fixo ou flutuante, destinados ao armazenamento de petróleo e seus derivados líquidos.

ABNT NBR 15456: Dita regras para construção e ensaios de unidades de abastecimento que possuam um gabinete hidráulico, a serem instaladas em bases fixas, destinadas a abastecer combustíveis líquidos nos tanques de veículos ou em recipientes portáteis a vazões de até 400 L/min, à utilização e armazenagem a temperaturas ambientes entre − 20 °C e + 40 °C.

ABNT NBR 13787:2013: Sobre procedimentos de controle de estoque e movimentação de combustíveis do Sasc (sistema de armazenamento subterrâneo de combustíveis), fornecendo subsídios para avaliação de variação de volumes.

ABNT NBR 14606:2013: Sobre procedimentos de segurança para a entrada em espaço confinado, em quaisquer tipos de tanques de armazenamento de combustíveis líquidos em locais de abastecimento.

ABNT NBR 7505-1 e 7505-4: Fixa condições para projetos de instalações de armazenagem de combustíveis em tanques estacionários com capacidade superior a 250 L, à pressão manométrica igual ou inferior a 103,4 kPa (15 psig), medida no topo do tanque.

Além dessas normas, é importante que o produtor rural utilize equipamentos e dispositivos adequados para o armazenamento de combustível na fazenda, tais como:

Medidores volumétricos e bombas de abastecimento, para controlar a quantidade e a qualidade do combustível armazenado e fornecido.

Filtros e sistema de verificação de vazamento, para evitar a contaminação e a perda do combustível armazenado.

Tubulações metálicas e não metálicas conforme normas da ABNT, para conduzir o combustível dos tanques até os pontos de consumo, sem riscos de vazamento ou ruptura.

Como armazenar combustível na fazenda?

A primeira regra básica que você deve seguir para ter o armazenamento de combustível na fazenda é ter uma estrutura de acordo com a sua necessidade e que respeite as Normas Técnicas que mostramos acima. 

Mas, independentemente disso, ter uma estrutura de um posto para armazenamento de combustível tem diversas vantagens:

  • Melhora a segurança contra roubos e furtos;
  • Preserva a qualidade do produto e minimiza perdas;
  • Economia de tempo;
  • Redução de custos.

Com vimos, para saber qual tipo de tanque você irá usar na sua fazenda é uma parte importante. Cada modelo vai gerar um custo específico. 

Panorama sobre o mercado de Commodities agrícolas

O mercado de Commodities agrícolas é um segmento que envolve a produção, o comércio e o consumo de produtos agrícolas padronizados, como grãos, oleaginosas, fibras, açúcar, café, carne e outros. 

Esse mercado é influenciado por diversos fatores, como a oferta e a demanda globais, os estoques, os custos de produção, as políticas comerciais, as condições climáticas, as oscilações cambiais e outros. 

O mercado de Commodities agrícolas é dinâmico e competitivo, exigindo dos produtores e dos comerciantes uma constante atualização e adaptação às mudanças.

Um dos aspectos mais importantes do mercado de Commodities agrícolas é a originação dos grãos, que como vimos anteriormente, é o processo de compra e aquisição dos grãos junto aos produtores rurais, fazendo a ponte entre a fazenda e a indústria. 

A originação dos grãos tem um papel estratégico no agronegócio, pois ela permite que os produtores rurais tenham acesso a mercados mais amplos e diversificados, podendo vender seus produtos para indústrias nacionais ou internacionais. 

Além disso, a originação dos grãos permite que os comerciantes tenham acesso a produtos de qualidade e quantidade adequada para atender às demandas dos clientes. 

A originação dos grãos também contribui para a gestão de riscos e a sustentabilidade do setor, pois ela incentiva o uso de boas práticas agrícolas e ambientais.

Porém, o relatório Perspectivas dos Mercados de Commodities, publicado pelo Banco Mundial em outubro de 2023, analisa os impactos da instabilidade geopolítica no Oriente Médio e na Ucrânia nos preços globais das Commodities, especialmente dos produtos energéticos e alimentícios. 

O relatório indica que o conflito no Oriente Médio pode provocar um “duplo choque” nos mercados de energia e alimentos, elevando os custos de produção e consumo e comprometendo a segurança alimentar e a estabilidade econômica de muitos países em desenvolvimento. Ou seja, vivemos um momento de instabilidade até mesmo para o mercado de originação de grãos.  

Kit de gestão do maquinário da fazenda

Conclusão

A originação de grãos tem um papel estratégico no agronegócio, pois ela permite que os produtores rurais tenham acesso a mercados mais amplos e diversificados, podendo vender seus produtos para indústrias nacionais ou internacionais. 

Além disso, a originação de grãos permite que os comerciantes tenham acesso a produtos de qualidade e quantidade adequada para atender às demandas dos clientes. 

A originação de grãos também contribui para a gestão de riscos e a sustentabilidade do setor, pois ela incentiva o uso de boas práticas agrícolas e ambientais.

>> Leia mais:

“Custo operacional de máquinas agrícolas: como calcular a hora trabalhada”
“Implementos agrícolas: Saiba tudo sobre regulagem e manutenção”
“Patrimônio rural: gerenciando nas fazendas agrícolas”

Como você faz o armazenamento de combustível na fazenda? Para saber mais sobre este tema e muitos outros, assine a nossa newsletter!

Redator Alasse Oliveira



Atualizado em 16 de novembro por Alasse Oliveira

Alasse é Engenheiro-Agrônomo (UFRA/Pará), Técnico em Agronegócio (Senar/Pará), especialista em Agronomia (Produção Vegetal) e mestre em Fitotecnia pela (Esalq/USP).

O que é o Plano ABC e como ele impacta na sua produção agrícola

Plano ABC: entenda a importância dessa política pública para o agronegócio e saiba como se beneficiar do programa e sua nova versão, o ABC+

O Plano ABC (Agricultura de Baixa Emissão de Carbono), lançado em 2012, é uma das principais políticas públicas voltadas para o agronegócio no Brasil.

Ele possui uma linha de crédito, o Programa ABC. Através dela, você consegue financiamento para a adoção de tecnologias sustentáveis na fazenda.

Até o final de 2021, o Plano ABC será atualizado com o ABC+. A atualização trará novas tecnologias e orientações para o avanço da agricultura de baixa emissão de carbono no país.

Saiba neste artigo o que é o Plano ABC, como ele impacta na sua produção agrícola e o que fazer para ter acesso ao crédito do programa. Boa leitura!

O que é o Plano ABC e qual sua importância para o agronegócio

No Brasil, a principal política pública voltada ao agronegócio para reduzir as emissões de gás carbônico é o Plano ABC. 

Ele foi criado em 2009, após o país assumir o compromisso de reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

O relatório mais recente sobre o tema (de 2019) aponta que o Brasil lança na atmosfera 2,17 bilhões de toneladas de dióxido de carbono. Deste total, 72% dessas toneladas vêm de atividades agrícolas.

Somente entre julho e dezembro de 2020, o programa financiou R$ 1,958 bilhão. Isso elevou para mais de 750 mil hectares as áreas rurais do país com tecnologias sustentáveis.

É grande a pressão internacional sobre o Brasil para a redução de emissão de carbono. O Plano ABC é o principal aliado do agro neste sentido.

O Plano ABC já fez com que mais de 50 milhões de hectares em todo o país adotassem as tecnologias propostas por ele.

Em comparação com o mesmo período de 2019, o aumento é de 47%

Destaque no Plano Safra 2021/2022

Os financiamentos se dão por meio do Programa ABC, linha de crédito do Plano ABC aprovada pela Resolução Bacen nº 3.896 de 17/08/10.

O programa teve aumento de 101% no volume de recursos do Plano Safra 2021/2022, em relação ao Plano Safra anterior.

São R$ 5,05 bilhões em recursos, com taxa de juros de 5,5% e 7% ao ano. A carência é de até 8 anos e o prazo máximo de pagamento é de 12 anos.

Além do Programa ABC, o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) fortaleceu o Proirriga (projetos de irrigação) e o Inovagro (de inovação e tecnologia).

Infográfico que mostra que dados demonstram que governo deu prioridade ao programa ABC no Plano Safra.

Dados mostram que governo deu prioridade ao Programa ABC no Plano Safra
(Fonte: Mapa)

>> Leia mais: “Saiba como será o Plano Safra 2022/23”

Como se beneficiar do Programa ABC

O Programa ABC está disponível para produtores rurais (pessoa física e jurídica) e cooperativas. No total, são nove projetos dentro do Programa ABC: 

  1. ABC Recuperação (recuperação de pastagens degradadas);
  2. ABC Orgânico (para sistemas orgânicos de produção agropecuária);
  3. ABC Plantio Direto (de sistemas de plantio direto na palha);
  4. ABC Integração (sobre sistemas de integração lavoura-pecuária, lavoura-floresta, pecuária-floresta ou lavoura-pecuária-floresta e de sistemas agroflorestais);
  5. ABC Florestas (implantação, manutenção e melhoramento do manejo de florestas comerciais);
  6. ABC Ambiental (adequação ou regularização das propriedades rurais frente à legislação ambiental);
  7. ABC Tratamento de dejetos (implantação, melhoramento e manutenção de sistemas de tratamento de dejetos e resíduos da produção animal, para geração de energia e compostagem);
  8. ABC Dendê (implantação, melhoramento e manutenção de áreas de dendezais degradadas);
  9. e ABC Fixação (para fixação biológica do nitrogênio).

Segundo o Mapa, a quantidade de recursos para financiar a agricultura sustentável no país é de mais de R$ 20,8 bilhões.

Parte desses recursos possibilitaram que 26,8 milhões de hectares de pastagens degradadas fossem recuperadas.

Integração lavoura-pecuária-floresta, um dos programas do Plano ABC. Imagem mostra seis bois no meio do pasto, com uma floresta atrás.

Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF), um dos programas do Plano ABC 
(Fonte: Embrapa/Divulgação)

Financiamentos e prazos

Pelas regras do Banco Central, o Programa ABC financia até R$ 5 milhões por pessoa, por ano agrícola. Também financia R$ 150 milhões de forma coletiva, observando o limite individual. 

O limite individual também é considerado no caso de financiamentos a cooperativas que farão repasse aos cooperados.

O limite poderá ser excedido somente quando a atividade em questão necessitar. Além disso, deve ficar comprovada a capacidade de pagamento da pessoa que acessou o crédito.

Prazos

Os prazos do Programa ABC variam de acordo com o projeto. São 8 anos de carência e até 12 anos para concluir o pagamento dos seguintes projetos:

  • Implantação e manutenção de florestas comerciais e para produção de carvão vegetal;
  • Implantação e manutenção de florestas de dendezeiro, açaí, cacau, oliveiras e nogueiras;
  • Recomposição e manutenção de áreas de preservação permanente ou de reserva legal.

Os demais projetos têm carência de até 5 anos e prazo máximo de pagamento de 10 anos.

O seguro é obrigatório para bens oferecidos em garantia da operação.

ABC+: renovação para reduzir a emissão de carbono

Até o final de 2021, o Mapa pretende lançar o ABC+. O objetivo é fortalecer a política de redução de carbono.

O ABC+ deve ser executado até 2030. Também até o final do ano, o Mapa deve lançar o Plano Operativo do ABC+. 

O plano contém informações detalhadas e complementares, relacionadas às ações e metas quantitativas necessárias à operacionalização do ABC+.

No novo ciclo (2020-2030), o Mapa pretende fortalecer a governança institucional com monitoramento e avaliação da gestão integrada de dados e acesso às ações adotadas. Isso  favorece a transparência.

“Ao promover conjuntamente ações miradas à adaptação e mitigação no setor, o ABC+ mantém-se como uma das mais importantes políticas públicas para o enfrentamento da mudança do clima, dentro do contexto de desenvolvimento sustentável”, afirma o Mapa.

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Conclusão

O Plano ABC deve servir como instrumento de ações integradas dos governos federal, estadual e municipal, setor produtivo e sociedade civil.

Só assim, será possível promover a redução das emissões dos gases de efeito estufa provenientes das atividades agropecuárias.

Ao mesmo tempo, ele é uma ótima oportunidade para, por meio do Programa ABC, você modernizar sua fazenda e torná-la mais tecnológica, sustentável e lucrativa.

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Como tornar o cultivo em terras baixas mais eficiente e lucrativo

Cultivo em terras baixas: entenda a importância da adoção dessa estratégia e como torná-la mais produtiva

Existem grandes áreas de várzeas disponíveis para o cultivo de culturas de sequeiro, em rotação com o arroz irrigado.

Conhecer e investir em técnicas de cultivo nessas áreas é essencial para o sucesso das lavouras. Esse é um dos grandes desafios dos produtores. Através da técnica de sulcos-camalhões, grandes produtividades em terras baixas têm sido alcançadas.

Entenda como funciona essa técnica em culturas de sequeiro e como melhorar a produtividade. Confira a seguir!

O que são terras baixas

As terras baixas são áreas de várzea, com relevo plano e altitude próxima ao nível do mar. 

Essas áreas apresentam algumas características limitantes para o cultivo de culturas de sequeiro. Isso porque apresentam drenagem deficiente do solo. A drenagem do solo é uma premissa básica para iniciar o cultivo de culturas de sequeiro nessas áreas.

Quando essas limitações em terras baixas são solucionadas, a rotação de culturas de sequeiro com arroz irrigado pode proporcionar benefícios como:

Diversas culturas de sequeiro podem ser utilizadas em rotação com o arroz irrigado:

A soja é a principal cultura de sequeiro utilizada em rotação com arroz em terras baixas.

Como tornar eficiente o cultivo em terras baixas

O cultivo em terras baixas é eficiente após a correção das suas limitações. Após a correção, as culturas de sequeiro são produtivas e rentáveis nas áreas de várzea. Veja quais são os principais fatores limitantes:

  • a deficiente drenagem natural do solo;
  • a ocorrência frequente de períodos de estiagem;
  • a alternância entre o excesso e o déficit de umidade no solo;
  • a compactação do solo.

O solo precisa ter um ambiente radicular favorável e sem limitações físicas para o crescimento das plantas. Essas características tornam o cultivo em terras baixas eficiente e lucrativo.  Nesse ambiente, a planta expressa o seu máximo potencial produtivo.

gráfico de relação tridimensional entre rendimento de grãos, parâmetros físicos do solo e nodulação na soja em terras baixas

Relação tridimensional entre rendimento de grãos, parâmetros físicos do solo e nodulação na soja em terras baixas
(Fonte: Adaptado de Sartori)

Como contornar as dificuldades do cultivo em terras baixas

É importante se atentar a essas limitações. Assim, você poderá realizar uma implantação e manejo da lavoura adequados.  Nessas áreas, são necessárias técnicas de manejo que proporcionem um ambiente melhor drenado

Uma alternativa eficiente para investir em áreas de várzea é o sistema de sulco-camalhão. Conheça melhor essa técnica!

Técnica de sulco-camalhão

O sistema de sulco-camalhão é uma técnica de irrigação e drenagem. Ela é indicada para áreas de relevo pouco declivoso e com solo de baixa permeabilidade.

A técnica é baseada na construção de um “canteiro”. Na parte alta, ou camalhão, são cultivadas as culturas de sequeiro. Entre os camalhões, são formados os sulcos laterais. Eles servem para o escoamento da água de drenagem e irrigação.

Entre eles, transitam os rodados das máquinas agrícolas.

Esquema de como a cultura de sequeiro é implantada no sistema sulco-camalhão

Esquema de como a cultura de sequeiro é implantada no sistema sulco-camalhão
(Fonte: Bredemeier, 2020)

A utilização da técnica melhora a drenagem superficial do solo e, ao mesmo tempo, permite irrigação suplementar pelos sulcos. Ou seja, o mesmo sulco que irriga também drena o solo.

O principal objetivo da técnica é atingir níveis altos e estáveis de produtividade, com rentabilidade. Ela já gerou bons resultados na produtividade da soja sequeiro.

Como aplicar a técnica de sulco-camalhão?

Para construir os sulcos-camalhões, você precisa realizar a:

Para a construção, você pode utilizar os equipamentos disponíveis na propriedade. Os sulcos-camalhões podem ser adotados por pequenos, médios e grandes produtores.

Em propriedades pequenas, é possível utilizar o arado de aiveca para construção dos camalhões, no sentido da declividade da área.

Já para médias e grandes propriedades, existem no mercado implementos específicos para a construção dos camalhões.

Na figura abaixo, você pode verificar como eles são construídos.

Esquema da confecção dos camalhões

Esquema da confecção dos camalhões
(Fonte: Beauchamp, 1952; Silva et al. 2006)

Após a construção dos camalhões, são semeadas duas linhas da cultura de sequeiro na parte mais alta. Faça isso com auxílio da semeadora disponível na propriedade, com o espaçamento recomendado para a cultura.

Resultados do cultivo de soja em terras baixas e outras vantagens

Em culturas de sequeiro em áreas de terras baixas, têm surgido resultados positivos do emprego da técnica de sulco-camalhão.

Veja algumas vantagens:

  • Evita problemas relacionados ao excesso ou deficiência hídrica;
  • Os sulcos fazem drenagem e irrigação;
  • Os camalhões podem ser construídos antes ou no momento da semeadura;
  • O uso do sistema é essencial para a obtenção de renda e estabilidade produtiva da soja em terras baixas.

A safra 2019/2020 foi extremamente seca, com perdas de produtividade nas áreas não irrigadas. 

Nas áreas irrigadas por meio dessa técnica, os ganhos de produtividade chegaram a 20 sacas/ha em comparação às não irrigadas.

gráfico da produtividade da soja na safra 2019/2020 em áreas irrigadas por sulco-camalhão em comparação às não irrigadas

Produtividade da soja na safra 2019/2020 em áreas irrigadas por sulco-camalhão em comparação às não irrigadas
(Fonte: Pipe Brasil, 2021)

A safra 2020/2021 apresentou chuvas adequadas. Apesar disso, as áreas irrigadas com sulco-camalhão produziram, em média, 26 sacas/ha a mais que as áreas não irrigadas.

gráfico da produtividade da soja na safra 2020/2021 em áreas irrigadas por sulco-camalhão e áreas referências não irrigadas

Produtividade da soja na safra 2020/2021 em áreas irrigadas por sulco-camalhão e áreas referências não irrigadas
(Fonte: Pipe Brasil, 2021)

Os custos adicionais para a implantação e execução do sistema sulco-camalhão na safra 2019/2020 foram de 3,5 sacas/ha.

Na safra 2020/2021, os custos foram um pouco maiores, atingindo 4,0 sacas/ha. A técnica proporciona ótimo retorno econômico.

gráfico dos custos de produção da soja na safra 2019/2020 e 2020/2021 em áreas irrigadas por sistema sulco-camalhão

Custos de produção da soja na safra 2019/2020 e 2020/2021 em áreas irrigadas por sistema sulco-camalhão
(Fonte: Pipe Brasil, 2021)

Na soja cultivada em áreas de várzea e em rotação com o arroz irrigado, a técnica soluciona problemas de drenagem nos períodos de encharcamento.

Esses períodos são comuns no ciclo vegetativo da soja.

gráfico de comparativo de produtividade de soja cultivada em área convencional, escarificada e de camalhões de base larga

A soja cultivada em camalhões de base larga apresentou maior produtividade de grãos (kg ha-1), comparada aos sistemas de cultivo convencional, com e sem escarificação
(Fonte: Silva et al. 2020)

Desvantagens do cultivo em terras baixas

Essa técnica também apresenta algumas desvantagens, como: 

  • baixo rendimento operacional;
  • maior consumo de combustível;
  • dificuldade de uso em áreas de relevo irregular;
  • necessário o preparo do solo para implantação da cultura seguinte (arroz irrigado).
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Conclusão

A drenagem do solo é a premissa básica para o cultivo de culturas de sequeiro em terras baixas. A soja é a principal cultura de sequeiro utilizada em rotação com arroz irrigado nessas terras.

A técnica de sulco-camalhão é uma alternativa para solucionar o problema de drenagem nessas áreas. A técnica é capaz de, ao mesmo tempo, drenar e irrigar o solo.

Invista nesse sistema em terras baixas para garantir o máximo potencial produtivo da sua lavoura. 

Você tem investido ou pensa em investir em técnicas de cultivo em terras baixas? Adoraria ler seu comentário abaixo! 

Como a agricultura preditiva e autônoma pode impulsionar sua lucratividade

Agricultura preditiva e autônoma: como ela pode auxiliar na detecção de pragas e doenças, na aplicação de insumos, e quais tecnologias fazem parte deste novo cenário do agro

Você já deve ter ouvido falar em agricultura 4.0, não é mesmo?! 

Os avanços e conectividade entre todas as etapas do processo produtivo e a geração de grande volume de dados fazem parte dela.

Até 2022, estima-se que estaremos na agricultura 5.0.

As novas tecnologias permitem que você e o consumidor final acompanhem todas as etapas de produção em tempo real. Isso é possível com a ajuda da inteligência artificial e de máquinas agrícolas.

Esses e muitos outros avanços tecnológicos fazem parte de uma agricultura preditiva e autônoma.

Neste artigo, você verá como ela funciona e quais tecnologias podem ser utilizadas para reduzir custos e otimizar a aplicação de insumos na sua propriedade! Boa leitura!

Mudanças nos mercados agrícolas e perspectivas futuras

São notáveis os grandes avanços do agro. 

Nos últimos dois anos, houve facilitação da conexão com os consumidores finais. 

Além disso, os modelos de mercados digitais e a aplicação de insumos na produção agrícola também vêm sendo otimizados.

Essa otimização busca aumentar a produtividade das áreas. Além disso, busca uma aplicação mais sustentável, com menores danos ao meio ambiente e maior retorno econômico.

O Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) indica que a produção brasileira de grãos deve ultrapassar os 300 milhões de toneladas nas safras 2028/2029.

Através das novas tecnologias, você pode obter maiores produtividades e retorno econômico sem haver maior disponibilidade de áreas agricultáveis.

Com as restrições impostas pelo novo coronavírus, as mudanças que já estavam sendo implementadas a ritmo lento aceleraram.

O mercado precisou se aproximar dos consumidores, que mudaram suas percepções sobre a alimentação. Com consumidores internos e externos mais exigentes, o agro precisou avançar.

A rastreabilidade das culturas e a otimização dos processos produtivos são alguns desses avanços. Eles visam à aplicação mais eficiente de insumos e redução de danos ambientais.

Com essas mudanças, a agricultura preditiva e autônoma também sofreu avanços importantes.

O que é a agricultura preditiva e autônoma?

A agricultura preditiva e autônoma é uma técnica de análise de dados, através de algoritmos e inteligência artificial. Esses dados auxiliam no entendimento e previsão do comportamento de variáveis importantes durante o cultivo.

Essas variáveis incluem:

  • o comportamento do clima, como temperatura e precipitações;
  • ocorrência de doenças nas diferentes culturas (incluindo o comportamento destas  quando realizada a rotação de culturas);
  • fertilidade;
  • desempenho de máquinas.

O acompanhamento em tempo real dos dados gerados pelas máquinas, por exemplo, permite observar e prever problemas.

Assim, é possível realizar a manutenção prévia e evitar que problemas ocorram em épocas de maior demanda, como em semeaduras e/ou colheitas.

Além disso, é possível prever estágios vegetativos e reprodutivos da cultura (fases) e as variáveis climáticas. Dessa forma, pode-se planejar que a fase mais crítica não coincida com períodos em que estresses na cultura possam ocorrer.

A agricultura preditiva e autônoma coleta dados de máquinas e equipamentos e através da inteligência artificial e big data toma decisões.

Em condições de chuvas e temperaturas desfavoráveis, tratores autônomos podem suspender suas atividades.

Também existem os pulverizadores inteligentes

Com a junção de tecnologias baseadas em imagens e inteligência artificial, eles podem aplicar herbicidas apenas em plantas daninhas.

Quando as daninhas não são detectadas, os bicos de pulverização são desativados.  Essa é uma forma de economizar grandes quantidades de produtos e recursos. 

Além disso, também é possível controlar: 

Exemplo do funcionamento de um pulverizador com sensor de infravermelho. A máquina se desloca, detecta a planta através do infravermelho (que permite inclusive a aplicação noturna), aciona os bicos correspondentes apenas onde há presença de plantas daninhas e posteriormente desaciona o bico, economizando produtos

Exemplo do funcionamento de um pulverizador com sensor de infravermelho. A máquina se desloca, detecta a planta através do infravermelho (que permite inclusive a aplicação noturna), aciona os bicos correspondentes apenas onde há presença de plantas daninhas e posteriormente desaciona o bico, economizando produtos
(Fonte: Smartsensing Brasil)

Recursos da agricultura preditiva

Para entender melhor como a agricultura preditiva funciona na prática, alguns conceitos precisam ficar claros. Entenda a seguir a definição de cada um.

Inteligência artificial

A inteligência artificial usa um conjunto de dados para que as máquinas operem tomando decisões.

Desta forma, dados são inseridos no sistema da máquina, que é treinada. Ela aprende a executar tarefas de forma inteligente, próximo ao que a mente humana é capaz de realizar.

As máquinas também são capazes de analisar grande volume de informações.

Internet das coisas 

A Internet das Coisas é a conexão entre dois pontos. Pode ser, por exemplo, entre uma máquina agrícola e o usuário da internet. Os dados gerados na máquina são encaminhados a uma base.

Esta conexão é possível através de GPS, bluetooth e softwares. Os dados podem ser encaminhados à base sem que haja uma conexão com a internet no momento da transmissão. 

Eles ficam armazenados em uma “nuvem digital”.

Machine learning

Em tradução literal, machine learning significa aprendizado de máquinas.

Os algoritmos analisam grandes volumes de dados e identificam soluções ou padrões de comportamento. A machine learning está associada à inteligência artificial.

Algoritmos

Algoritmos são uma sequência de ações executáveis, previamente delineadas. Incluem uma série de raciocínios e instruções que resolvem um problema.

Big data

Big data é um conjunto amplo e complexo de dados. Eles só podem ser interpretados e analisados a partir do seu processamento.

Tecnologias que fazem parte da agricultura preditiva e autônoma

Transborno, logística e transporte em colheitas

Nestas operações, a agricultura preditiva e autônoma auxilia no descarregamento de caminhões e no envio para novas descargas.

O tempo entre os processos pode ser otimizado, sem que haja atrasos em operações de colheita, carga e descarga.

Sensores

Os sensores na agricultura são utilizados de forma independente, e incluem:

  • detecção do nível da água;
  • temperatura do solo;
  • teor de nutrientes e previsão do tempo.

Em função dessas variáveis, alguns acionamentos através de microcontroladores são realizados. Por exemplo, no caso da irrigação por gotejamento.

Sensores imageadores, como a tecnologia de câmeras RGB; multiespectrais (incluindo o infravermelho próximo) e hiperespectrais são utilizados.

Os sensores imageadores detectam mudanças na vegetação, e as imagens são geradas através de:

Essas imagens são posteriormente processadas por softwares computacionais. As mudanças na vegetação podem indicar e monitorar:

  • o surgimento de doenças;
  • ocorrência de pragas;
  • presença de plantas daninhas;
  • estresses nutricionais e hídricos;
  • falhas de semeadura.

Monitorando a lavoura em tempo real, as ações de correções e de tratamentos podem ser localizadas. O efeito disso é a redução de custos e dos impactos negativos ao meio ambiente.

As correções podem ser feitas no caso de pragas e doenças, e até mesmo controle de plantas daninhas.

Distribuição espacial de características de crescimento e fatores ambientais para identificação de áreas anormais no monitoramento de habitat, para avaliar as distribuições de doenças de culturas com base em imagens de satélite e processamento digital de imagens.

Distribuição espacial de características de crescimento e fatores ambientais para identificação de áreas anormais no monitoramento de habitat, para avaliar as distribuições de doenças de culturas com base em imagens de satélite e processamento digital de imagens.
(Fonte: Yuan et al., 2017)

A junção de informações de imagens com variáveis ambientais estima os locais favoráveis para ocorrência de doenças. Veja o mapa a seguir:

Mapa de habitat adequado para ocorrência de doenças, baseado em variáveis climáticas e imagens de satélites. Em verde, áreas inadequadas para ocorrência, em vermelho, áreas adequadas para ocorrência.

Mapa de habitat adequado para ocorrência de doenças, baseado em variáveis climáticas e imagens de satélites. Em verde, áreas inadequadas para ocorrência, em vermelho, áreas adequadas para ocorrência.
(Fonte: Yuan et al., 2017)

Robótica e automação

No campo da robótica e automação, há diversos exemplos de aplicação.

Com a capina a laser, uma luz infravermelha desorganiza as células das plantas daninhas. Os feixes de luz são controlados por computador;

Com sistemas de irrigação automatizados, sensores que geram dados de evapotranspiração de água no solo são acionados conforme necessidade da cultura.

Eles consideram inclusive os estádios de desenvolvimento. Em estádios reprodutivos, por exemplo, a demanda hídrica da grande maioria das culturas é maior.

Também é possível realizar o monitoramento de fazendas.

Esquema ilustrativo de como a Inteligência Artificial é utilizada em conjunto com a internet das coisas em sistemas de controle de irrigação e predição de ocorrência de pragas e doenças.

Esquema ilustrativo de como a Inteligência Artificial é utilizada em conjunto com a internet das coisas em sistemas de controle de irrigação e predição de ocorrência de pragas e doenças.
(Fonte:. Debauche et al., 2020)

Vantagens e desvantagens da agricultura preditiva e autônoma

Assim como toda tecnologia, a agricultura preditiva e autônoma possui vantagens e desvantagens.

Vantagens

Uma agricultura preditiva e autônoma possibilita prever comportamentos e eventos futuros. Assim, resoluções podem ser antecipadas. 

A possibilidade de aplicações localizadas também é vantajosa. Com o uso da agricultura de precisão, os custos e impactos ao meio ambiente são reduzidos.

Desvantagens

Essa tecnologia ainda é de difícil acesso. 

Essa dificuldade é devido à falta de recursos financeiros, de conhecimento e profissionais qualificados que possam auxiliar na implantação de ferramentas.

A utilização de uma agricultura preditiva e autônoma não é reduzida apenas ao uso de máquinas e implementos de última geração. 

Ela pode ser praticada a partir de ferramentas acessíveis. Sensores, imagens de sensoriamento remoto e dados climáticos são algumas delas.

Porém, essas ferramentas exigem que o profissional seja capaz de analisar e extrair dados relevantes. 

guia - a gestão da fazenda cabe nos papéis

Conclusão

Neste artigo, você viu o que é a agricultura preditiva e autônoma, e quais ferramentas estão associadas a ela. As tecnologias podem prever as safras e monitorar em tempo real o desenvolvimento do seu cultivo.

Essas ferramentas também fazem parte da agricultura de precisão. Sensores são utilizados na aplicação de insumos em taxas variadas e na aplicação de tratamentos fitossanitários.

A junção dessas ferramentas tecnológicas pretendem reduzir custos e impactos ambientais, aumentando em contrapartida os resultados produtivos.

É importante lembrar que a geração de grande volume de dados e ferramentas tecnológicas ainda precisarão da inteligência humana. Isso tanto no desenvolvimento e avanços, quanto na interpretação de resultados.

Restou alguma dúvida sobre a agricultura preditiva e autônoma e sua aplicação na agricultura? Você já tem adotado alguma dessas ferramentas nos seus cultivos? Deixe seu comentário.

O que são bioinsumos e como eles podem ajudar a reduzir custos

Bioinsumos: o que são, vantagens e desvantagens, cuidados que devem ser tomados e como consultar produtos registrados.

Não é de hoje que os bioinsumos são utilizados na agricultura. 

Nas lavouras, atuam no controle de pragas e doenças. Também agem na fertilidade do solo, como promotores de crescimento e na fixação biológica de nitrogênio.

Eles são utilizados nos diferentes setores do agro e podem reduzir muito os seus custos de produção.

Neste artigo, você verá como os insumos biológicos podem ser seus aliados, e como consultá-los com ajuda de uma ferramenta. Confira!

O que são os bioinsumos?

Os bioinsumos são uma classe de produtos de origem biológica: animal, vegetal ou microbiana.

Dentre os produtos biológicos, há: 

●   biofertilizantes;

●   bioacaricidas;

●   bioinseticidas;

●   biofungicidas;

●   produtos fitoterápicos;

●   inoculantes.

Os produtos biológicos são eficientes. Eles contribuem para que o sistema de produção se aproxime do modelo sustentável.

Esses produtos podem ser utilizados:

  • na produção;
  • no armazenamento;
  • no beneficiamento de produtos agropecuários;
  • nos sistemas de produção aquáticos;
  • nas florestas plantadas.

Quando comparados aos defensivos e fertilizantes químicos, a disponibilidade de produtos biológicos no mercado ainda é pequena.

Em 2020, o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) lançou o Programa Nacional de Bioinsumos.

O programa tem o intuito de fortalecer o setor e consolidar o uso de defensivos biológicos no país.

Onde os insumos biológicos são utilizados?

É possível usar os bioinsumos na produção vegetal e animal, na pós-colheita e no processamento. 

Confira a seguir como esses insumos são aplicados em cada setor.

Produção vegetal

Na produção vegetal, os bioinsumos são usados no controle de pragas e doenças. Alguns exemplos são os feromônios de insetos, os bioacaricidas e os biofungicidas.

Os bioinsumos também são empregados na manutenção e no incremento da fertilidade do solo e nutrição das plantas

Dentre os produtos usados para essa finalidade, há os biofertilizantes e os inoculantes para soja, milho e feijão.

No Brasil, pesquisas com inoculantes são desenvolvidas há mais de 100 anos. Hoje, o país é reconhecido internacionalmente por liderar as pesquisas com esses bioinsumos.   

Modelo de armadilha de feromônio com mariposas capturadas

Modelo de armadilha de feromônio com mariposas capturadas
(Fonte: Embrapa)

Produção animal

Na produção animal, os bioinsumos são utilizados na forma de vacinas, medicamentos, antissépticos e produtos fitoterápicos.

Na alimentação animal, são fornecidos como rações, suplementos e probióticos. Na produção aquícola, são empregados na alimentação e no tratamento de doenças.

Pós-colheita e processamento

Os bioinsumos atuam na conservação e acondicionamento dos alimentos:

  • na pós-colheita de produtos de origem vegetal;
  • no processamento de produtos de origem animal e vegetal.

Revestimentos e filmes comestíveis, aplicados sobre a superfície de frutas e hortaliças, são alguns exemplos.

O objetivo é aumentar a vida útil do produto e diminuir as perdas pós-colheita, garantindo qualidade e segurança alimentar. Além disso, contribui para a redução de impactos ambientais.

Filme comestível desenvolvido a partir da polpa de manga

Filme comestível desenvolvido a partir da polpa de manga
(Fonte: Embrapa)

Vantagens dos bioinsumos

As vantagens do uso de produtos de origem biológica são:

● redução no uso de produtos químicos, como os inseticidas e os adubos nitrogenados;

menor impacto ambiental;

● maior segurança operacional, em função da baixa toxicidade dos produtos;

● redução dos custos de produção. Um exemplo é a inoculação da soja com bactérias fixadoras de nitrogênio. Nesse caso, os inoculantes substituem a adubação nitrogenada a um custo até 95% menor quando comparado à adubação convencional;

● redução da dependência do setor pela importação de insumos químicos.

Desvantagens

Os bioinsumos possuem menor prazo de validade quando comparados aos produtos químicos. Além disso, exigem maiores cuidados no transporte e armazenamento

Por exemplo, no caso dos inoculantes, a exposição ao sol e a altas temperaturas pode provocar a morte dos microrganismos.

Cuidados no uso de produtos biológicos

Apesar de garantir maior sustentabilidade da atividade, a utilização dos produtos biológicos deve ser feita com cuidado.

Ao utilizar esses produtos, lembre-se de:

●  utilizar produtos com registro no Mapa;

●  verificar o prazo de validade dos produtos;

●  aplicar, manipular, transportar e armazenar os produtos de acordo com as            recomendações do fabricante;

●  seguir as instruções da bula do produto quanto às dosagens;

●  no caso da pulverização em lavouras, respeitar as condições climáticas para aplicação dos produtos;

●  no caso do uso de inoculantes, fazer a semeadura no mesmo dia da inoculação.

Aplicativo Bioinsumos

O acesso à lista de produtos biológicos registrados pelo Mapa pode ser feito de forma rápida.

No aplicativo Bioinsumos, os produtos são divididos em duas classes: controle de pragas e inoculantes

Estão cadastrados 265 produtos para controle biológico de pragas e doenças e 321 produtos inoculantes.

Os produtos biológicos são registrados por alvo e os agroquímicos são registrados por cultura. Dessa forma, os bioinsumos podem ser utilizados em qualquer cultura em que ocorra a praga ou doença. 

Pelo aplicativo, é possível acessar informações sobre a praga ou doença. Além disso, você tem acesso a dados sobre a empresa responsável pelo bioinsumo, o número do registro no Mapa e a bula do produto. 

Ao utilizar os produtos biológicos registrados pelo Mapa, você tem a garantia de estar utilizando um produto com procedência conhecida, seguro e legal.

captura de tela do aplicativo Bioinsumos: consulta aos produtos biológicos registrados para o controle de pragas e doenças que podem ser utilizados em qualquer cultura

Aplicativo Bioinsumos: consulta aos produtos biológicos registrados para o controle de pragas e doenças que podem ser utilizados em qualquer cultura
(Fonte: aplicativo Bioinsumos)

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Conclusão

Os bioinsumos contribuem para o desenvolvimento das plantas, controlam pragas e doenças, favorecem a fertilidade do solo e a nutrição de plantas.

Para garantir a eficiência dos bioinsumos, não se esqueça de utilizar produtos com registro no Mapa e verificar se o produto se encontra dentro do prazo de validade. 

Seguir as recomendações do fabricante quanto à dosagem, modo de aplicação, manuseio, transporte e armazenamento dos produtos também é fundamental. 

Preste atenção em todos os detalhes para garantir um bom resultado. 

>> Leia mais:

“Como o inoculante BiomaPhos contribui para o aumento da produtividade

Você já conhecia os bioinsumos? Quais produtos têm sido utilizados na sua propriedade? Conte sua experiência nos comentários.

Tudo o que você precisa saber sobre dormência em sementes

Dormência em sementes:  o que é, quando ocorre, tipos, causas e as interferências na agricultura

Na maioria das espécies, as sementes são responsáveis pela propagação das plantas.

Para poderem germinar, emergir e produzir, são necessários estímulos do ambiente. Sem eles, a produção fica comprometida.

Entretanto, algumas sementes apresentam bloqueios internos e/ou externos que impedem a germinação. Esse problema é conhecido como dormência.

Quer saber mais sobre a dormência em sementes e como ela interfere na produção agrícola? Confira a seguir!

O que é dormência em sementes?

Após a maturação, se as condições de água, temperatura, oxigênio e luz forem favoráveis, as sementes iniciam o processo de germinação.

Entretanto, há espécies que mesmo em locais com condições favoráveis não germinam. São exemplos:

  • alguns cereais (aveia, cevada);
  • frutíferas;
  • arbóreas;
  • hortaliças;
  • forrageiras;
  • ornamentais, entre outras. 

Isso ocorre por causa de mecanismos de resistência que as sementes adquirem na maturação ou após ela. Esses mecanismos são induzidos por ações do ambiente.

Tipos de dormência

Há dois tipos de dormência em sementes:

  • dormência primária: se os mecanismos de bloqueio da germinação forem adquiridos durante o processo de maturidade das sementes;
  • dormência secundária: caso a dormência seja imposta após a dispersão das sementes, devido a condições ambientais desfavoráveis.

Sementes dormentes após a dispersão irão germinar ao longo do tempo. Elas apresentarão maior longevidade e resistência a condições desfavoráveis do ambiente. 

infográfico da dormência e longevidade da semente

Dormência e longevidade da semente
(Fonte: Revistaneoo)

A dormência é uma proteção.  

A semente só irá germinar quando os mecanismos de bloqueio forem removidos ou desativados naturalmente, e as condições ambientais forem ideais para aquela espécie.

Interferência da dormência na produção agrícola 

A dormência é favorável por evitar germinação da semente quando ainda está ligada à planta-mãe. Além disso, as sementes se conservam por longos períodos. Bancos de sementes e armazenagem são ideais.

Entretanto, como desvantagem, a superação natural da dormência pode ser longa. Pode levar meses ou anos, o que dificulta a avaliação da qualidade das sementes colhidas.

Muitas plantas daninhas apresentam esses mecanismos para que haja perpetuação da espécie. Como consequência, seu controle é dificultado.

A germinação de sementes dormentes é desuniforme e lenta. Isso reduz a germinação em campo, e é necessário realizar tratamento para a quebra da dormência.

Germinação desuniforme de Brachiaria devido a dormência

Germinação desuniforme de Brachiaria devido a dormência
(Fonte: Conceito Agronômico)

Como ocorre a dormência nas sementes?

A dormência pode ser primária ou secundária. As causas desses dois tipos de dormência podem ser endógenas e exógenas

Endógena

As causas endógenas da dormência também são denominadas embrionárias, pois são associadas ao embrião das sementes.

A dormência endógena pode ser subdivida em fisiológica, morfológica ou morfofisiológica.

Fisiológica 

Ocorre devido à presença de substâncias inibidoras da germinação ou falta de substâncias promotoras presentes no embrião ou endosperma. Há aí um desbalanço hormonal.

Também pode ocorrer devido à restrição no desenvolvimento do embrião, causada pelos tecidos que o envolvem.

Morfológica 

Ocorre quando as sementes são dispersas da planta-mãe, mas o embrião não está totalmente desenvolvido.

Essa dormência é perdida com o tempo. Por isso, as sementes colhidas precisam de um período para que o embrião fique pronto para ocorrer a germinação.

Morfofisiológica 

Essa é a combinação da causa fisiológica e morfológica.

Exógena 

As causas exógenas são ligadas ao impedimento físico da germinação, que começa com a protrusão da raiz primária.

Esses impedimentos são causados pelo pericarpo e tegumento das sementes. Eles são subdivididos em dormência química, física e mecânica.

Dormência química 

Ocorre pela presença de inibidores químicos presentes no pericarpo das sementes. Esses compostos impedem a germinação. Essa causa é adquirida quando as sementes ainda estão ligadas à planta-mãe.

Dormência física 

O pericarpo ou o tegumento das sementes impedem a passagem de água e gases para seu interior. Essa obstrução pode ser adquirida na dormência primária ou secundária.

Mecânica  

Ocorre quando as sementes ainda estão ligadas à planta-mãe. A consistência do mesocarpo ou endocarpo impedem o crescimento do embrião.

Principais causas da dormência por espécies

A dormência nas sementes muitas vezes é uma associação das causas apresentadas acima. Algumas causas são mais encontradas com maior frequência nas espécies de importância agrícola.

A impermeabilidade a trocas gasosas pelo tegumento impede a entrada de oxigênio no interior das sementes. Sem a entrada de oxigênio e saída de gás carbônico, as sementes não conseguem germinar. São afetados:

  • alface;
  • trigo;
  • maçã;
  • beterraba;
  • abóbora;
  • cevada;
  • e arroz.

Na dormência do embrião, as sementes são formadas de modo desuniforme. 

Algumas sementes, após se desprenderem da planta-mãe, apresentam o embrião em desenvolvimento, necessitando de um período para poderem germinar. São afetados:

A resistência mecânica da cobertura é ligada à causa de dormência mecânica. Alguns componentes da semente, como pericarpo, tegumento e endosperma, são barreiras que impedem o crescimento do embrião. Pode ocorrer em:

  • pepino;
  • pimenta;
  • tabaco;
  • tomate.

As sementes que não conseguem absorver água são conhecidas como sementes duras. Impermeabilidade do tegumento a água é uma das causas mais comuns em espécies cultivadas, como:

Substâncias inibidoras, como o ácido abscísico, podem estar presentes nos componentes internos ou externos das sementes. A semente só irá germinar quando houver um balanço hormonal adequado entre os inibidores e promotores da germinação.

São afetados:

O que fazer para superar a dormência em sementes?

Para evitar falhas de estande pela ocorrência de germinação desuniforme, é necessário realizar, em alguns casos, a superação da dormência.

Cada causa tem um ou mais tratamentos para remover os mecanismos que provocam dormência. Veja abaixo os principais tratamentos:

infográfico com tratamentos para superação das diferentes causa de dormência sendo choque de temperatura, embebição em água, exposição a ácidos, desgaste em local áspero, utilização de hormônios vegetais e imersão em água quente

Tratamentos para superação das diferentes causa de dormência
(Fonte: G1)

Armazenamento

Para sementes que apresentam dormência devido ao embrião imaturo ou alta concentração de inibidores da germinação, o armazenamento é o método para superar este bloqueio.

Com alguns meses de armazenamento, o embrião completa seu desenvolvimento. A  concentração de inibidores da germinação pode diminuir, aumentando a presença dos hormônios promotores da germinação.

O uso de giberelinas em algumas sementes têm demonstrado aumento da germinação, causado pela superação da dormência.  

Escarificação química

A escarificação química com uso de ácidos é utilizada nas sementes em que a dormência é causada pela impermeabilidade à água, gases ou inibidores químicos. Esses ácidos permitem que as sementes realizem as trocas.

Sementes de Brachiaria antes e depois da escarificação química

Sementes de Brachiaria antes e depois da escarificação química
(Fonte: Matsuda)

Uso de água quente

O uso de calor pode ser eficiente para superar a dormência, principalmente as causadas por ação de inibidores. O uso de água quente é uma boa opção.

Escarificação mecânica

Em sementes que apresentam impedimento na entrada de água, é necessário realizar a escarificação mecânica.

Esse tratamento consiste em remover parte do tegumento para que a água possa entrar. Assim, a semente ativa o metabolismo e germina.

foto de escarificação mecânica com uso de lixa

Escarificação mecânica com uso de lixa
(Fonte: Horta em casa)

Na Regra para Análise de Sementes, você encontra as espécies botânicas e os principais tratamentos recomendados para superar a dormência.

Conclusão

A dormência nas sementes é algo complexo. É muito influenciada pelo clima, durante a maturação.

O bloqueio da germinação pode ocorrer devido a uma ou mais causas de dormência. Essas causas impedem a germinação adequada das sementes.

A dormência é algo natural. O melhoramento genético retirou esse mecanismo de proteção de algumas espécies de importância econômica.

Além disso, existem diversos tratamentos para superação de dormência. Para realizá-los corretamente, é necessário saber qual dormência sua semente apresenta.

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Restou alguma dúvida sobre a dormência em sementes? Você já teve de realizar algum tratamento para superá-la? Adoraria ler seu comentário abaixo!