Soqueira da cana-de-açúcar: 5 dicas para garantir mais rentabilidade

Soqueira cana-de-açúcar: Saiba quais cuidados tomar desde a preparação do solo até a colheita e alcance uma melhor produtividade

Como você bem sabe, cana soca e ressoca costumam ter menor produtividade que a cana planta.

Então, como manter uma boa produção e rentabilidade a partir da soqueira cana-de-açúcar?

Neste artigo, apresentamos algumas dicas para que você alcance melhores resultados na produção e obtenha mais lucratividade. Saiba como!

1 – Plantio eficiente melhora soqueira cana-de-açúcar

Alcançar uma boa produtividade a partir da soqueira depende de alguns fatores ligados ao plantio, como a escolha da variedade da cana e a qualidade das mudas.

Para acertar na variedade, você precisa considerar o histórico regional, garantindo que ela esteja adaptada às condições edafoclimáticas (solo + clima) do local.

O que se espera é ter uma planta com produtividade maior e elevado teor de açúcar. Assim como uma boa capacidade de rebrota, não florescimento ou formação de flecha, fácil desfolha e resistência doenças e pragas agrícolas.

Atenção também à qualidade das mudas. Elas devem possuir ótima sanidade e serem provenientes de viveiros.

Além disso, o uso de tratamento térmico melhora a sanidade e proporciona brotações mais rápidas e vigorosas.

Não recomendo que as mudas sejam armazenadas entre o corte e o plantio.

O armazenamento neste período pode diminuir a umidade do tolete e prejudicar a brotação das gemas.

soqueira cana-de-açúcara) Parte do tolete, com destaque para gema e zona radicular; b) Broto e raízes em processo de crescimento inicial

(Fonte: Instituto Agronômico Campinas)

no plantio, a profundidade precisa ser adaptada ao tipo de solo e às previsões climáticas seguintes a essa fase.

Em solos arenosos, é preciso mais profundidade. Em solos argilosos, menos profundidade.

A cobertura dos toletes deve ser de até 10 cm de terra, pois excesso de solo pode prejudicar a brotação.

Lembre-se também de planejar o tráfego e dimensionamento das máquinas para evitar a compactação do solo no momento do plantio.

Terreno compactado afeta a brotação das mudas e, consequentemente, prejudica a soqueira cana-de-açúcar.

Mesmo com essas práticas para evitar problemas no plantio, é preciso sempre vistoriar o canavial e replantar falhas encontradas.

2 – Herbicidas na soqueira cana-de-açúcar: quando e quais usar?

Entre 30 e 90 dias depois que a cana é cortada, a presença de plantas daninhas pode afetar o crescimento da soqueira.

Por isso, é essencial empregar técnicas de manejo para prevenção e controle durante esse período após o corte.

O principal método de controle é o químico.

Os herbicidas podem ser aplicados em pré ou pós-emergência, sempre considerando as condições climáticas do momento e pós-aplicação.

Elas são determinantes na ação do produto e período residual no solo.  

2-soqueira-cana-de-açúcar
Principais plantas daninhas que interferem com a cultura da cana-de-açúcar
(Fonte: Victoria Filho e Christoffoleti em Esalq/USP)

Devido à logística das usinas, as aplicações na soqueira ocorrem em condições diversas. Veja:

  • Soca semi-seca – aplicação em solo úmido com perspectiva de seca
  • Soca seca – aplicação em período seco
  • Soca úmida – aplicação em solo seco com perspectiva de chuva

 Neste contexto, a recomendação de herbicidas pré-emergentes é mais complexa, pois objetiva o controle residual das daninhas, preferencialmente até o fechamento da cultura.   

Porém essa persistência do herbicida envolve características físico-químicas do solo, deposição de palhada e condições climáticas. Vejamos a seguir as principais recomendações:

Características dos herbicidas recomendados para soca semi-seca e seca 

  • Não ser volátil;
  • Não ser fotodegradado (luz do sol);
  • Rápida dessorção do herbicida com umidade;
  • Baixa retenção na argila e matéria orgânica;
  • Longo período residual (controlar fluxos de emergência após chuva).

Alguns exemplos são amicarbazone, hexazinona, imazapic, sulfentrazone, tebuthiurom e isoxaflutol.

Já  herbicidas com maior retenção no solo e baixa solubilidade são recomendados para épocas úmidas. Clomazone, diclosulam, oxyfluorfen, s-metalacloro e trifluralina são exemplos.

Além destes fatores, com a colheita mecanizada há deposição de palha no solo. Isso pode interferir na ação do herbicida, principalmente em período seco.

Em aplicações de pós-emergência é fundamental considerar a seletividade do herbicida para a cana, evitando fitotoxidade.

Por isso, antes de usar um novo herbicida, informe-se sobre seletividade ou teste em pequenas áreas.

Caso ocorram escapes, localize e faça a catação para evitar problemas na colheita!

3-soqueira-cana-de-açúcar

Canavial infestado por corda-de-viola
(Foto: Raffaella Rossetto em Embrapa)

3 – Adubação adequada da soqueira cana-de-açúcar

Os principais manejos utilizados na cana soca são calagem, gessagem e adubação (na tríplice operação).

Para que a soqueira cana-de-açúcar mantenha sua produtividade é importante que o solo esteja corrigido, via um bom manejo de calagem e gessagem.

Deste modo, o sistema radicular da soqueira terá melhor recuperação após cultivo.

Ele também atingirá um maior perfil do solo, o que proporciona menor sensibilidade ao déficit hídrico.

soqueira cana-de-açúcar latossolo-vermelho

A maior parte da cana-de-açúcar cultivada no estado de São Paulo é feita em Latossolo Vermelho, os quais podem apresentar teor considerável de alumínio e baixos níveis de fósforo
(Fonte: Embrapa)

A adubação correta da plantação de cana-de-açúcar (sem falta ou excesso de nutrientes) é muito importante para manter a produtividade da soqueira.

Além de melhorar o crescimento e desenvolvimento da planta, a torna menos suscetível a pragas, doenças e ação de herbicidas.

4-soqueira-cana-de-açúcar
Amostragem de solo e práticas corretivas para a cana-de-açúcar
(Fonte: Vitti em Atividade Rural)

Aqui no blog nós falamos mais sobre Tudo o que você precisa saber sobre cálculo de calagem (+ calcário líquido). Confira!

>> Leia mais: “Adubo para cana: Principais recomendações para alta produtividade

4 – Compactação na colheita: como evitar

O sistema de colheita mecanizada trouxe vários benefícios para o cultivo da cana-de-açúcar.

Mas ele também elevou o tráfego de máquinas agrícolas na lavoura (colhedoras e transbordos), o que tem aumentado a compactação do solo.

Para minimizar esse problema, evite o trânsito de carregadoras ou caminhões na linha da soqueira cana-de-açúcar. O caminhamento oblíquo (transversal) não deve ocorrer.

Estas práticas prejudicam as raízes que sobram na soqueira, atrasando sua recuperação, a emissão de novas raízes e, consequentemente, a brotação da soqueira.

Uma maneira de contornar este processo é fazer o correto planejamento e dimensionamento da frota.

Faça um planejamento rotativo do tráfego de máquinas entre safras.

Também recomenda-se planejar pontos de carregamento estratégicos na lavoura.

Implementar sistemas de rotação de culturas ou adubação verde também são úteis.  

5 – Faça rotação de culturas

O sistema de rotação de culturas auxilia na conservação do solo e no manejo integrado de pragas, doenças e manejo de plantas daninhas.

beneficiosdarotaçãodeculturas
(Fonte: Deep Green Permaculture)

Mas a implantação deste sistema deve ocorrer com muita antecedência para não interferir na logística e rentabilidade.

Além de evitar que práticas como uso de herbicidas residuais na cultura da cana-de-açúcar ocasione carryover na cultura seguinte.

planilha ponto otimo de renovacao canavial

Conclusão

Neste artigo, vimos os cuidados que você deve ter para garantir uma melhor produtividade da soqueira cana-de-açúcar.

Também abordamos os tipos de herbicida mais recomendados e quando fazer a aplicação para obter bons resultados.

Falamos ainda sobre a importância de evitar a compactação do solo e da rotação de culturas.

Agora, com essas estratégias, espero que você possa aumentar sua produtividade e rentabilidade!

>> Leia mais: “3 maneiras de lucrar mais com um software de gestão agrícola”

>> Leia mais: “Como fazer o melhor manejo da broca da cana-de-açúcar”

Você realiza todas estas práticas na soqueira cana-de-açúcar? Restou alguma dúvida? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Colheita de arroz: estratégias para otimizá-la e ganhar rentabilidade

Colheita de arroz: ponto ideal para colher, regulagem do maquinário, como contabilizar e perdas e outras orientações para seu arrozal

Colher o arroz na época certa e adequadamente é fundamental para se obter um produto de qualidade e uma operação com maior rendimento.

Isso se traduz em rentabilidade, a qual pode ser prejudicada se tudo não for feito corretamente.

Por exemplo, cerca de 70% das perdas da colheita de arroz se deve à plataforma de corte.  

Nesse artigo vamos mostrar estratégias para otimizar a colheita de arroz e alcançar uma melhor produtividade! Confira!

Como definir a melhor época e o ponto de colheita do arroz

Definir o ponto ideal da colheita é muito importante, pois impacta diretamente a produtividade da sua lavoura.

Colher cedo demais pode representar grãos imaturos, gessados e malformados.

Isso afeta significativamente a qualidade industrial do grão.

Ou seja, representa menos rendimento de grãos inteiros, grãos que se quebram facilmente durante o beneficiamento, descasque e polimento.

Para definir o ponto ideal de colheita no monitoramento da lavoura de arroz, considere:

  • O tempo de ciclo de desenvolvimento da plantação;
  • Mudança visual da casca do grão: quando dois terços da panícula estiverem maduros, já é o ideal;
  • Amostragem de tato: se o grão quebrar, está no ponto de colheita; se amassar, ainda precisa amadurecer mais um pouco;
  • O teor de umidade adequado para a colheita de arroz está entre 18% e 23%.

Qual é o período de colheita do arroz?

A época de colheita do arroz varia de acordo alguns fatores:

  • data de plantio;
  • ciclo do material genético (dias entre plantio e colheita);
  • condições climáticas;

Além disso, a colheita varia nas diferentes regiões do país, e mesmo especificamente em cada estado. 

No Sul, a maior região produtora do país, a colheita acontece normalmente entre Fevereiro e Maio. O mesmo acontece nas regiões Sudeste e Norte. 

2-colheita-de-arroz
Calendário agrícola de plantio (cor verde) e colheita do arroz (em laranja)
(Fonte: Conab)

Como é o ciclo da cultura do arroz?

O ciclo de desenvolvimento da cultura do arroz é bastante parecido com outras gramíneas. Ele é divido em fases, como semeadura, fase vegetativa e fase reprodutiva.

Dentro dessas fases os estágios são definidos de acordo com características específicas de partes da planta. Esses estágios são os mesmos em arroz de sequeiro ou irrigado, mas a duração de cada fase pode variar.

O ciclo total do arroz irrigado varia entre 100 a 140 dias e o de sequeiro entre 110 e 155 dias.

São fases características do ciclo do arroz: emergência, perfilhamento, crescimento vegetativo (medido em número de folhas), diferenciação floral, florescimento, enchimento de grãos e maturação.

Fenologia do arroz
Fenologia do arroz (Fonte: Embrapa)

Como deve ser a regulagem do maquinário para colheita de arroz?

Definido o perfeito momento de colheita, entramos na parte operacional.

Ter um dimensionamento da necessidade de mão de obra e tempo de passagem de colheita entre os talhões é fundamental.

Assim, evita-se que alguma área se perca devido a uma colheita prematura ou tardia. E isso será reflexo do planejamento da lavoura desde o plantio.

Na colheitadeira, precisamos da regulagem correta para obter máxima eficiência na trilha, com mínimo dano e perda de grão.

Por isso é necessário adequar a abertura entre o côncavo e o cilindro batedor de plantas.

Além disto, a velocidade do molinete precisa ser ligeiramente superior à velocidade de avanço da máquina, de forma a puxar as plantas ceifadas para dentro da máquina.

Para o arroz irrigado as seguintes recomendações são importantes:

  • Equipar a colhedora com rodado de esteira para operar terrenos de baixa sustentação
  • Controlar a velocidade do molinete para não ultrapassar de avanço da máquina
  • Usar cilindro batedor de dentes com rotação entre 500 rpm e 700 rpm
  • Regular adequadamente a abertura entre o côncavo e o cilindro batedor para obter máxima eficiência na trilha e mínimo dano e perda de grãos
  • Evitar velocidades de operação excessivas, já que isso aumenta substancialmente as perdas

Evite perdas na colheita de arroz

Quando se fala em perdas, podemos classificar de duas formas: pela condição do grão em si e pela qualidade do processo de colheita.

No processo de colheita, o impacto das plantas com a plataforma provoca perdas, dependendo da facilidade de degrana da cultivar, da umidade do grãos e da presença de plantas daninhas.

Regulagem inadequada causa trilha deficiente, fazendo com que boa parte dos grãos fique presa às panículas.

Isso dificulta a operação de separação nas peneiras ou provoca trinca dos grãos, reduzindo a porcentagem de grãos inteiros no beneficiamento.

banner ebook produção eficiente de arroz

Determinação das perdas de grãos

A prática já é padrão, mas é bom reforçar a importância de realizar a amostragem da perda de grãos após a colheita de arroz.

Seja fazendo a coleta naquele 1 m², contando grãos ou através do peso, que é a forma mais prática.

Além disso, é válido considerar em que local a máquina pode estar registrando o maior desperdício.

Essa perda pode ser proveniente de três locais diferentes da colheitadeira: plataforma de corte, saca palha ou peneiras da colhedora.

4-colheita-de-arroz

Pontos de coletas de grãos perdidos por uma colhedora
(Fonte: Embrapa)

4 dicas para otimizar a colheita de arroz

Como engenheira agrônoma, entendo que, para além da prática, a gestão das informações faz muita diferença na execução de uma produção.

As informações te ajudam a ter um melhor planejamento da safra!

A tecnologia dos maquinários trazem muitos dados que, várias vezes, são subutilizados.

Para te auxiliar na colheita e na utilização desses recursos tecnológicos disponíveis, vou te dar 4 dicas:

1 – Criar roteiros para otimizar os dados da colheita

Aqui entra o planejamento de cada área das lavouras. Esse roteiro é muito importante para comparações.

Comece padronizando a nomenclatura das áreas, para todos os manejos, para que não ocorra sobreposição ou troca de informações entre elas.

Depois, faça o cronograma com a ordem de semeadura das áreas, informações do solo e outras questões fitossanitárias que vão ser levadas em consideração.

Mantenha esse planejamento em local seguro e de fácil visualização para sua equipe de campo.

começo-atividades-aegro

2 – Precisão de dados na hora da colheita

É fundamental conferir a calibragem de suas máquinas agrícolas, inclusive durante a operação de colheita.

Realizar a contagem das perdas e a distribuição da palhada também fazem a diferença.

Caso seja cultivo de arroz irrigado, é importante verificar a drenagem correta para que as máquinas não atolem.

Isso tudo garante que os dados entre os talhões sejam precisos, ou seja, sem influência de diferenças do processo de colheita.

5-colheita-de-arroz
(Fonte: Planeta Arroz)

3 – Limpar e padronizar arquivos

Quando você baixa os dados das máquinas para seu computador, como costuma salvá-los?

É importante que você padronize os nomes dos arquivos e confira se as nomenclaturas estão corretas.

Essa padronização é importante para todos os manejos da sua propriedade, para que eles sejam identificados por numeração de talhão ou outro nome.

Tudo isso facilita o acesso posterior a informações que são muito úteis. Parece simples, mas é algo que falha muito nas propriedades.

4 – Analise os dados pós-colheita e entenda melhor seus resultados

Após a limpeza dos dados, é momento de analisar, tirar conclusões e tomar decisões.

E, como sugestão, foque em:

  • produtividade
  • considere fatores como condições climáticas, solo da área, manejo nutricional e fitossanitário utilizados
  • considere outras práticas que você experimentou, como um manejo diferenciado que você utilizou

A produtividade é um grande indicador, é claro! Mas compreender como você atingiu esse resultado é o diferencial para manter e melhorar essa produtividade.

Quais foram as práticas que te ajudaram a chegar no resultado esperado?

Cheque com sua equipe, abra manejos realizados, resgate informações e mapeie os erros e acertos no programa planejado.

Ajuste para melhorias e planeje com informações vinculadas ao que quer para o futuro.

Assim também fica muito mais fácil colocar em números o programa de controle utilizado. Planilhas e software de gestão agrícola vão te ajudar!

Quais as principais etapas de pós-colheita para o arroz?

Após a colheita do arroz, é necessário o processo de pós-colheita para comercialização do produto que chega às nossas mesas. As principais são:

  • Transporte: retirada do produto trilhado até a unidade armazenadora. Esse passo deve ser feito o mais rápido possível, de acordo com a infraestrutura do produtor, pois o produto pode estar em umidade não ideal para armazenamento, o que pode aumentar a chance de deteriorar os grãos;
  • Recebimento: o arroz é recebido e pesado na unidade de recebimento e amostras são recolhidas para verificação de impurezas e da umidade da amostra;
  • Pré-limpezas: por meio de jogos de peneiras e fluxo de ar são retiradas impurezas e objetos estranhos presentes na massa de grãos após a colheita;
  • Secagem: a secagem pode ser natural ou forçada, sendo que existem várias técnicas de secagem forçada. A temperatura não deve atingir mais de 40 graus e não se deve baixar mais de 2% de umidade por hora na massa de grãos. A umidade ideal para armazenamento é de cerca de 13%;
  • Armazenamento: o arroz deve ser preferencialmente armazenado antes de ser beneficiado e comercializado, pois isso auxilia em suas características culinárias. O armazenamento pode ser feito à granel ou em sacaria e deve-se atentar para temperatura, umidade e presença de pragas;
  • Beneficiamento: essa etapa transforma o arroz bruto (com casca) em um produto comercializável. Inicialmente faz-se a limpeza e retirada da casca, resultando no arroz integral. Posteriormente, para o arroz comum, faz-se a brunição e homogeneização para retirada do farelo de arroz. Finalmente o arroz é classificado de acordo com a porcentagem de grãos inteiros e quebrados.

Conclusão

O momento mais esperado da produção é a colheita. E planejar bem essa operação é essencial.

Neste texto, falamos sobre o momento ideal para colheita, regulagem de máquina e como analisar melhor alguns dados da lavoura.

Espero que essas informações e dicas estratégicas te ajudem no próximo planejamento de safra e na gestão de sua propriedade. Tenha uma boa colheita de arroz!

>> Leia mais:
“Pragas do arroz: como identificar e combatê-las na cultura”

Gostou das dicas para a colheita de arroz? Assine nossa newsletter para receber mais textos assim diretamente em seu e-mail.

Atualizado em 31 de julho de 2023 por João Paulo Pennacchi.

João Paulo é engenheiro eletricista formado pela Unifei e engenheiro-agrônomo formado pela UFLA. Ele é mestre e doutor em agronomia/fisiologia vegetal pela UFLA e PhD em ciências do ambiente pela Lancaster University.

Secagem e armazenamento de grãos: diferentes tipos e custos

Secagem e armazenamento de grãos: veja as diferenças entre secadores, os cálculos dos custos dessas operações e verifique o que realmente compensa.

O processo de secagem e armazenamento de grãos é essencial para evitar perdas após a colheita.

Estima-se que 10% de toda a produção nacional de grãos se perca justamente por problemas nessa etapa.

Compreender qual prática é mais viável para sua lavoura, portanto, reflete ganhos na produção.

Neste artigo apresentamos os secadores mais utilizados e como calcular os custos desse processo para que você tome a melhor decisão!

Secagem e armazenamento de grãos: Por que fazer essa prática conjunta?

O processo correto de secagem e armazenamento de grãos é fundamental para manter a boa qualidade alcançada na colheita.

Isso minimiza riscos na venda do produto enquanto condições impróprias podem comprometer os ganhos da safra inteira.

A secagem adequada evita alterações nos grãos durante o período de armazenagem.

Mas para que essa qualidade seja garantida é fundamental manter unidades armazenadoras de qualidade e alguns cuidados básicos que vamos mostrar para você.

Antes da chegada dos grãos, por exemplo, é preciso limpar a unidade armazenadora para eliminar qualquer possível praga ou doença presentes no ambiente.

Vou explicar melhor esse processo.

secagem e armazenamento de graos
(Fonte: Revista Científica Produção Online)
Processo de armazenagem utilizando sistema de secagem convencional

Armazenamento de grãos

O custo para a desinfecção das unidades é relativamente baixo, comparado aos benefícios que isso pode trazer.

Além disso, verifique sempre qual a umidade dos grãos antes da entrada na unidade armazenadora, pois uma alta umidade pode trazer problemas futuros.

Fatores como a temperatura e a aeração durante o tempo de armazenagem de grãos são fundamentais para o armazenamento correto dos produtos.

Se a unidade de armazenamento está localizada em uma região tropical, a aeração deve ser realizada cuidadosamente e com maiores fluxos de ar.

A combinação de umidade e temperatura elevada intensifica a deterioração dos grãos armazenados.

E como saber qual a umidade e temperatura ideal para o armazenamento?

Isso varia de acordo com a cultura que você vai armazenar e principalmente em qual região a unidade está localizada.

Uma regra básica que você deve seguir é:
UMIDADE RELATIVA DO AR (%) + TEMPERATURA (Co) < 55,5 = ARMAZENAMENTO SEGURO

Diversos estudos indicam que são desejáveis umidade relativa do ar e baixa temperatura para o armazenamento de grãos.

Se você pretende construir uma unidade de armazenamento, vale a pena dar uma olhada na Instrução Normativa Nº 24 do MAPA.

Um bom planejamento é essencial desde a instalação da estrutura até a escolha dos grãos que serão armazenados.

Um ambiente ideal para armazenamento pode ter custo elevado de instalação e manutenção dependendo da região.

Mas esse investimento reflete diretamente na manutenção da produtividade.

Assim, as perdas durante o período de armazenamento acabam sendo mínimas.

YouTube video player

Secagem dos grãos

A colheita dos grãos, em geral, é realizada após o ponto de maturidade fisiológica, quando a umidade ainda é alta.

A secagem é a técnica indicada para o período de pós-colheita, pois reduz o teor de umidade dos grãos a um nível adequado para o armazenamento.

Mas, se realizada de forma incorreta, pode ser prejudicial para a qualidade do grão.

Vou explicar como é ocorre o processo de secagem e como melhorar sua produtividade através dele.

Secagem dos grãos: Como melhorar sua produtividade

A secagem é representada pelo deslocamento de água que ocorre devido às diferenças de potencial hídrico existentes.

Para que aconteçam essas trocas, é necessário que haja diferença de pressão de vapor, em que o movimento da água se dá do sistema de maior para o de menor pressão.

Na prática:
Pressão de vapor do grão > Pressão de vapor do ar = Secagem
Pressão de vapor do grão < Pressão de vapor do ar = Umedecimento
Pressão de vapor do grão = Pressão de vapor do ar = Equilíbrio Higroscópico

3-secagem-e-armazenagem-de-graos

Movimentação de água durante o processo de secagem
(Fonte: Silva et al. em Secretaria da Agricultura RS)

planilha de produtividade da soja

Velocidade e tempo de secagem

A velocidade e o tempo de secagem dependem de alguns fatores como: tamanho dos grãos, umidade relativa, sistema de secagem, teor de água inicial e teor de água pretendido.

Por isso, não é possível dizer exatamente qual o tempo de secagem para cada cultura.

Para você ter uma ideia, vamos exemplificar a diferença entre milho e trigo. O trigo, por apresentar grãos menores, seca mais rapidamente que o milho.

Mas isso pode mudar dependendo do sistema de secagem utilizado!

4-secagem-e-armazenamento-de-graos
Velocidades relativas de secagem para milho e trigo
(Fonte: Silva et al. em  Secretaria da Agricultura RS)

Sistemas de secagem: natural e artificial

A secagem natural é aquela realizada no próprio campo, utilizando-se da radiação solar e temperatura do ar ambiente para redução do teor de água dos grãos.

Esse técnica ainda é bastante utilizada em nosso país, principalmente por pequenos e médios produtores de café, milho e feijão.

A principal vantagem é o baixo custo.

Mas é um método bastante demorado e que depende diretamente das condições climáticas.

Também pode favorecer a ocorrência de pragas agrícolas e microrganismos devido à exposição dos grãos.

Já a secagem artificial consiste no emprego de técnicas que aumentam a velocidade do processo, com uso de secadores.

No mercado encontramos secadores de vários tipos, com diferentes sistemas de trabalho, movidos a gás ou a lenha.

As principais vantagens dos secadores artificiais são a praticidade, melhor qualidade do produto final e maior capacidade de secagem.

Porém, há um custo mais elevado de construção e maior risco de incêndio devido às altas temperaturas.

Independente da técnica escolhida para a secagem, é importante ter planejamento inicial e saber como estimar o custo desse processo.

Abaixo, vou explicar melhor como realizar esse cálculo. Mas, antes, vamos falar mais sobre os métodos e tipos de secagem.

5-secagem-e-armazenamento-de-graos
(Fonte: Embrapa)

Secagem e armazenamento de grãos: secadores contínuos e intermitentes

Os secadores possibilitam estabelecer combinações de movimentação ausente ou presente, da massa de grãos, com a frequência de seu contato com o ar aquecido.

Temos no mercado secadores do tipo contínuos e/ou intermitentes.

Vou explicar melhor como funcionam.

Na secagem do tipo fluxo contínuo, os grãos passam apenas uma vez pelo secador.

Nesse tipo de secador a umidade relativa dos grãos no momento da entrada não deve ultrapassar 18%.

Já na secagem do tipo intermitente os grãos passam diversas vezes pelo secador, pois a umidade relativa deles é elevada, ou seja, acima de 18%.

Antes de utilizar os secadores, é fundamental efetuar a pré-limpeza dos grãos e saber qual o teor de água deles.

>> Leia mais: “Entenda como a umidade do grão de café pode impactar a qualidade do produto final

Secadores cascatas e fluxos cruzados

Os tipos de secadores mais utilizados no mercado são os de cascatas e os de fluxos cruzados.

Os secadores cascata possuem um corpo composto por calhas com extremidades fechadas e abertas forçando a passagem de ar pelos grãos.

Na prática, eles descem entre as calhas e o ar aquecido passa entre as camadas de grãos, diminuindo a umidade de maneira uniforme.

Já nos secadores de fluxos cruzados, os grãos ficam em movimento entre a estrutura composta por metal perfurado.

A circulação de ar desse tipo de secador ocorre de maneira desuniforme. Os grãos posicionados próximos às chapas tendem a secar mais rápido, prejudicando a conservação.

Se você optar por esse tipo de secador, fique atento às altas temperaturas durante todo o processo de secagem.

O desempenho de cada tipo de secador pode variar de acordo com o grão utilizado e propriedades físicas e químicas do grão.

O teor de água, as condições ambientais e tipo de fonte de energia utilizadas também interferem.

Realize o planejamento estratégico e escolha com antecedência qual a melhor opção para sua propriedade.

armazenagem-secagem-grãos
(Fonte: Silva e De Grand, 1998)

Como calcular o custo da secagem e armazenamento de grãos?

Entender todos os custos envolvidos na sua produção é essencial para uma boa gestão agrícola.

Assim você pode analisar e comparar os custos e benefícios gerados por esses itens!

Para descobrir qual o custo desse manejo em seus grãos, utilize esse cálculo:

CT: Ccs+ Cv+ Cf

Entenda a equação:
CT: Custo total
Ccs: Custo do combustível (R$.m3/produto)
Cv: Custo do ventilador (R$.m3/produto)
Cf: Custo Fixo (R$.m3/produto)

Após chegar ao valor, verifique o quanto gastaria com aluguel ou manutenção dos silos para armazenagem.

Coloque esses valores em uma planilha e analise qual a participação da secagem e armazenamento de grãos dentro do seu custo total de produção.

Conclusão

Como você pôde conferir, a secagem e armazenamento de grãos, quando realizadas de maneira correta, podem garantir sua produtividade.

Aqui vimos a importância da utilização dessas duas técnicas em conjunto e como realizá-las!

Também discutimos as principais vantagens e desvantagens da secagem artificial e natural e quais as condições ideais para o armazenamento de grãos.

Ainda pôde conferir como calcular os custos da utilização dessas técnicas. Aproveite esses conhecimentos e confira o que realmente compensa na sua realidade!

>> Leia Mais:

7 pragas de armazenamento de grãos para você combater
Como negociar preços mesmo sendo pequeno produtor através da gestão agrícola
Software rural no sucesso da Lavoura: a história de um produtor de Mato Grosso
Qual o teor de umidade de armazenamento da soja?

Você realiza a secagem e armazenamento de grãos na sua propriedade? Utiliza a secagem natural ou artificial? Deixe seu comentário abaixo!

Doenças de final de ciclo soja: principais manejos para não perder a produção

Doenças de final de ciclo soja: como identificar as mais recorrentes e os 5 principais manejos para reduzir o risco de prejuízos na lavoura.

Alcançar uma boa produtividade na cultura da soja é desafiador.

Além das questões climáticas e pragas ao longo do cultivo, doenças de final de ciclo soja podem colocar em risco quase toda a produção.

As perdas podem variar de 10% a 90% da produção, como no caso da ferrugem asiática, por exemplo.

A seguir, falaremos sobre os principais manejos para não perder a produtividade da sua lavoura e as doenças de final de ciclo mais recorrentes. Confira!

Principais manejos para doenças de final de ciclo soja

Uma doença pode ser controlada por mais de um método de manejo, então tente integrá-los e pense no custo-benefício.

Vou listar aqui os principais manejos para as doenças mais recorrentes no final do ciclo da cultura da soja:

1- Cultivares resistentes

Se a doença é problema na sua região e se há cultivares que são resistentes para esta doença  na plantação de soja, utilize cultivares resistentes para o manejo.

Indicado para:

  • Mancha olho de rã
  • Oídio
  • Mancha-alvo

2 – Sementes sadias e tratadas (tratamento de sementes)

É muito importante utilizar sementes certificadas, principalmente porque muitos patógenos são transmitidos pelas sementes contaminadas.

Além das sementes sadias, o tratamento de sementes também é indicado para várias doenças.

Ele pode ser realizado com controle químico e biológico.

No Agrofit você pode verificar os produtos biológicos e químicos registrados para tratamento das sementes

Indicado para:

  • Crestamento foliar
  • Mancha olho de rã
  • Mancha-alvo
  • Antracnose (fungicida sistêmico e de contato)

doenças de final de ciclo soja
(Fonte: Cotrisoja)

3 – Rotação de culturas

Realize rotação de culturas com espécies que não sejam hospedeiras dos patógenos das doenças indicadas para esta medida de manejo. 

Indicado para:

  • Mancha-parda
  • Mancha-alvo
  • Antracnose

4 – Controle químico da parte aérea das plantas

Você pode identificar quais produtos são registrados para a cultura da soja e para o patógeno no Agrofit.  Nele você também encontra qual a dose recomendada.

Não esqueça que para cada doença são realizados procedimentos diferentes.

Para algumas doenças você deve realizar aplicações de fungicidas da cultura da soja de modo protetor. Em outras, somente deve realizar as aplicações no início do desenvolvimento da doença.

Indicado para:

  • Crestamento foliar
  • Mancha-parda (na fase de formação e enchimento das vagens)
  • Oídio
  • Mancha-alvo

Em caso de dúvida no controle das doenças, procure sempre um(a) engenheiro(a) agrônomo(a).

5 – Gestão agrícola

Planejamento é essencial em qualquer atividade na lavoura, inclusive para o manejo de doenças. Com um planejamento agrícola bem feito, você organiza situações como compra de fungicida, aplicação de defensivos, tratamento de sementes, insumos e outros.

Também é essencial registrar essas atividades, seja com uso de planilhas ou de software para fazenda.

Isso ajuda a gestão agrícola, a tomada de decisões e, consequentemente, o manejo de doenças de final de ciclo soja.

Por isso, esteja atento à sua gestão para o controle eficiente das doenças de final de ciclo soja.

Para lhe ajudar a começar a gestão no final de ciclo da soja, disponibilizamos aqui, gratuitamente, uma planilha de estimativa de produtividade de soja. Com ela, você irá conseguir estimar sua produção e planejar melhor a colheita e venda.

planilha-produtividade-soja

Uma das principais doenças é, na verdade, um complexo delas

Algumas doenças da soja podem ocorrer juntas, ou seja, em um complexo que pode causar perdas de até 30% no rendimento da lavoura.

Abaixo você verá as doenças de final de ciclo soja que podem formar esse complexo (crestamento foliar e mancha-parda) e suas principais características, permitindo sua correta identificação e manejo:

Crestamento foliar de Cercospora e Mancha púrpura da semente

Uma das principais doenças de final de ciclo soja é  causada pelo fungo Cercospora kikuchii. O crestamento foliar é favorecido por clima quente e chuvoso.

Este fungo pode atacar todas as partes da planta.

Os sintomas nas folhas são pontuações escuras, com coloração castanho-avermelhado, que se desenvolvem e formam grandes manchas.

Também pode ocorrer a queda prematura das folhas. Isso pode ser confundido pela senescência prematura da cultura,  que pode reduzir a produtividade da lavoura.

Nas vagens, aparecem pontuações vermelhas que evoluem para manchas castanho-avermelhadas.

Através da vagem, o fungo atinge a semente, causando a mancha-púrpura na semente ou grão.

Na haste podem ocorrer lesões avermelhadas e levemente deprimidas.

3-doenças-de-final-de-ciclo-soja
Mancha-púrpura no grão ou semente de soja
(Fonte: Paulo Edimar Saran)

Mancha-parda ou septoriose

A mancha-parda é uma doença causada pelo fungo Septoria glycines e pode ocorrer desde o início do desenvolvimento da cultura da soja. O fungo necessita de um período mínimo de molhamento foliar de 6 horas e temperatura entre 15℃ a 30℃ para o desenvolvimento dos sintomas.

No final do ciclo da cultura, a doença causa pontuações pardas nas folhas, que evoluem para manchas castanhas com centro angular com halo amarelo. A doença também causa desfolha precoce nas plantas de soja.

4-doenças-de-final-de-ciclo-soja
(Fonte: Paulo Edimar Saran)

Um conhecimento importante sobre as doenças é como o fungo sobrevive após a colheita da cultura.

Esse conhecimento muitas vezes ajuda no desenvolvimento das estratégias eficientes de controle da doença.

As formas de sobrevivência dos fungos que causam a mancha-parda e o crestamento foliar são através de sementes infectadas e restos culturais.

Doenças de final de ciclo soja que ocorrem também no desenvolvimento  da cultura

Algumas publicações também relatam outras doenças como sendo de final de ciclo na cultura da soja.

Porém, doenças como antracnose, oídio, mancha olho de rã, entre outras, podem ocorrer desde estádios de desenvolvimento mais iniciais até o final do ciclo.

Veja na figura abaixo as principais doenças da cultura da soja e os momentos em que elas ocorrem:

5-doenças-de-final-de-ciclo-soja
(Fonte: Paulo Edimar Saran)

Antracnose

Essa doença é causada pelo fungo Colletotrichum truncatum e é favorecida em regiões de clima quente e úmido.

A Antracnose foi considerada a segunda doença mais importante da cultura em safras passadas.

Pode ocorrer na cultura da soja desde o início do desenvolvimento e ocasionar morte das plântulas.

Ao longo do desenvolvimento da cultura, o fungo tende a causar manchas na haste, folhas e nas vagens.

A partir da floração pode ocorrer sintomas nas vagens, que ficam com coloração castanha-escura.

As sementes ou grãos, se atacadas pelo fungo, apresentam manchas castanhas deprimidas. O fungo pode sobreviver em restos culturais e sementes.

6-doenças-de-final-de-ciclo-soja

(Fonte: Fundação Rio verde)

Mancha olho de rã

As perdas com está doença podem chegar até 60%. Ela é causada pelo fungo Cercospora sojina.

Esta doença também é favorecida por presença de água nas folhas e temperaturas altas, sendo mais comum na fase de floração da planta.

Nas folhas, inicialmente, ocorrem pequenos pontos escuros que evoluem para lesões marrons, com margem mais escura.

Com o desenvolvimento da doença, na face superior ocorrem manchas castanho-claras no centro, com bordos castanho-avermelhados. Na face inferior, a região central apresenta coloração cinza.

Nas vagens podem ocorrer lesões avermelhadas circulares a alongadas.

O fungo que causa esta doença também pode atacar as sementes, que ficam com coloração acinzentada a marrom.

Este fungo sobrevive em restos de culturas e pode ser disseminado por sementes.

7-doenças-de-final-de-ciclo-soja

(Fonte: Paulo Edimar Saran)

Mancha-alvo

A mancha alvo é causada por Corynespora cassiicola, que é favorecida por temperaturas amenas e alta umidade.

A doença pode apresentar perdas de até 35% na produtividade.

Podem ocorrer sintomas nas folhas, haste, vagens e sementes ou grãos.

Nas folhas, os sintomas da doença se iniciam por pontuações pardas, com halo amarelado, evoluindo para manchas circulares de coloração castanha.

Normalmente, essas manchas apresentam pontuação no centro e anéis concêntricos de coloração mais escura (semelhantes a um alvo).

Nas vagens, podem ocorrer lesões de formato circular, levemente deprimidas.

O fungo pode penetrar da vagem para a semente de soja, formando lesões de coloração castanha.

Este fungo também pode sobreviver em restos culturais e ser disseminado por sementes contaminadas.

8-doenças-de-final-de-ciclo-soja

(Fonte: Dirceu Gassen em Agrolink)

Oídio

Doença causada pelo fungo Microsphaera difusa, que é favorecido por temperaturas amenas e baixa umidade.

Oídio pode ocorrer em folhas, vagens e hastes, apresentando inicialmente coloração branca e, com o passar do tempo, coloração castanha-acinzentada.

Esta doença também pode favorecer a queda precoce das folhas.

9-doenças-de-final-de-ciclo-soja

(Fonte: Cláudia V. Godoy em Embrapa)

Ferrugem asiática

Phakopsora pachyrhizi é o fungo que causa a ferrugem asiática, podendo causar perdas de 10% a 90% nas lavouras.

Essa doença pode ser observada em qualquer estádio de desenvolvimento da planta, mas preferencialmente a partir do fechamento do dossel.

Esta doença é de difícil identificação nos estádios iniciais, por não ter os esporos alaranjados como em outras ferrugens.

Os esporos desta ferrugem são mais claros. Assim, deve-se olhar na parte de baixo das folhas com auxílio de uma lupa e procurar saliências que são as pústulas.

-Caso você dificuldade para o diagnostico, procure uma clínica fitopatológica para a correta identificação.

Com o progresso da doença, essas estruturas ficam com coloração castanha, se abrem e liberam esporos.

Se você observar folhas amarelas na lavoura, provavelmente a ferrugem já está presente há mais de 30 dias na lavoura, ficando difícil o controle.

10-doenças-de-final-de-ciclo-soja

Lavoura de soja durante o período reprodutivo intensamente atacada por ferrugem asiática (A), e a mesma lavoura, uma semana após, apresentando severa desfolha (B)
(Fonte: Pioneer sementes)

Recentemente no blog nós demos 6 dicas para combater de vez a ferrugem asiática da sojaTambém falamos sobre combate às ferrugens: controle essas doenças nas culturas do milho e soja.

planilha - monitore e planeje a safra de soja de forma automática

Conclusão

Neste texto apresentamos a classificação das doenças de final de ciclo soja, os sintomas e condições favoráveis para cada uma delas.

Você também conferiu dicas que podem te ajudar no manejo das doenças e evitar perdas de produtividade na cultura da soja.

Com essas informações, aperfeiçoe seu planejamento agrícola e faça um bom manejo das doenças de final de ciclo.

Afinal, sua lavoura é parte da sua empresa agrícola e você precisa obter lucro com ela!

>> Leia mais:

“Mancha-púrpura na soja: como livrar sua lavoura dela”

“Como identificar e manejar o crestamento bacteriano na soja”

Quais doenças de final de ciclo soja têm sido mais recorrentes em sua lavoura? Quais métodos de controle você tem utilizado? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Imposto de renda para produtor rural: leis e normas em que você deve ter atenção

Featured

Imposto de renda para produtor rural: saiba as principais leis, normas, prazos e multas para ficar atento e não sair prejudicado!

Todo ano o governo cobra o imposto de renda daqueles que ganham acima de uma certa quantia anual. Isto não é diferente para o produtor rural, que deve declarar o imposto se auferir rendimentos no ano passado.

Sempre surgem dúvidas sobre qual categoria o produtor ou a propriedade se encaixam, como declarar o imposto e muitas outras. Este ano, a declaração do imposto deve ser feita entre os dias 15 de março e 31 de maio

Neste artigo, veja as principais informações para ficar de acordo com a lei e não sair no prejuízo. Boa leitura!

Produtor rural precisa declarar imposto de renda?

Sim, produtor rural precisa declarar o IR. Toda atividade de plantio, colheita, criação de gado, extração e exploração vegetal e animal é considerada atividade rural. A transformação de produtos dessa atividade também é considerada atividade rural. 

Isso, é claro, desde que as características do produto in natura não sejam alteradas. Para facilitar, veja quais são as atividades consideradas em atividade rural:

  • o beneficiamento de grãos e produtos agrícolas, como: descasque de arroz, debulha de milho e conservas de frutas; 
  • transformação de produtos agrícolas, como: moagem de trigo, milho e cana para produção de açúcar mascavo, melado e rapadura, grãos em farinha ou farelo; 
  • transformação de produtos zootécnicos, como: produção de mel, laticínio, produção de sucos de frutas, produção de adubos orgânicos;
  • transformação de produtos florestais, como: produção de carvão vegetal, lenha com árvores da propriedade e venda de pinheiros e madeira de árvores plantadas na propriedade;
  • produção de embriões de rebanho em geral, alevinos e girinos.

Além disso, existem duas categorias de enquadramento na declaração de imposto de renda: o IRPF (declaração para pessoas físicas) e o IRPJ (declaração para pessoas com CNPJ rural).

Essa é  uma declaração anual e não inclui todas as pessoas. Por isso, é normal ter dúvidas na hora do preenchimento da declaração do imposto de renda. Veja quais são as regras para quem é pessoa física a seguir.

Como funciona o IRPF produtor rural?

A declaração do imposto de renda é obrigatória para quem se enquadra nos requisitos definidos pela Receita Federal. No caso de pessoas físicas, os requisitos são todos os brasileiros que se enquadrem em qualquer um dos perfis citados abaixo:

  • Pessoa física portadora de CPF residente no Brasil, com rendimento tributável superior a R$ 28.559,70 no ano base;
  • Contribuinte com ganho de capital, direitos e bens alienados sujeito a incidência de imposto, que realizou operações de mercadorias, bolsa de valores ou de mercados futuros;
  • Contribuintes com rendimentos isentos, tributáveis ou não tributáveis na fonte, cujo total seja superior a R$ 40 mil;
  • Contribuinte com receita bruta superior a R$ 142.798,50, vinda de atividade rural;
  • Propriedade ou posse de bens e direitos, incluindo terreno ou valor superior a R$ 300 mil reais;
  • Passou à condição de residente no Brasil, em qualquer mês do último ano.

Podem declarar como pessoa física aqueles que atuam com agricultura, pecuária, extração e exploração vegetal e animal. Se você optar por declarar como pessoa física, deverá ser apurado pelo Livro Caixa Digital de Produtor Rural e pelas receitas.

Como compensar prejuízos no IR?

Mesmo que você não se encaixe nos perfis anteriores, deve declarar caso queira compensar prejuízos de anos anteriores. Por exemplo, se você teve um faturamento de R$120 mil em 2022, não é obrigado a entregar o IR. 

Entretanto, se em 2022 houve algum prejuízo por conta de uma seca, estiagem, pandemia ou por qualquer outro fator, você deve fazer a declaração se que abater esse valor no IRPF devido.

Outra forma de calcular o imposto de renda na modalidade pessoa física é a forma simplificada, que você verá no tópico a seguir.

Forma simples de declaração para pessoa física

Neste caso, não há a necessidade da escrituração do livro caixa. Será necessário apenas aplicar o percentual de 20% sobre a receita bruta da atividade rural. Com esse resultado, você chegará à base de cálculo do imposto.

Mas fique de olho: se você não possui renda de R$142.798,50 pode ser que ainda sim precise declarar. Isso acontecerá se você se encaixar nas outras características, como propriedade avaliada em mais de R$300 mil.

Também é preciso cadastrar a ficha de atividade rural, independente do valor apurado como produtor.

Despesas do IR para quem produz

Todas as despesas da atividade rural devem ser declaradas ao preencher o imposto de renda. Você deve inserir as receitas anuais da atividade agrícola, salários dos funcionários, aluguéis pagos a terceiros, aposentadoria e afins.

O resultado da atividade rural, quando positivo, irá integrar a base de cálculo do valor a ser pago no imposto. Quando negativo, constitui prejuízo compensável, desde que escrituradas em Livro Caixa.

Passo a passo para declarar renda de produtor rural

Atualmente, a declaração do imposto de renda pode ser realizada de duas formas. Os contribuintes podem realizar o preenchimento via aplicativo de celular (Android ou IOS) ou por meio de um computador.

Para baixar e instalar o programa de computador, basta entrar neste site da Receita Federal, e selecionar “IRPF”. O arquivo deve ser baixado e instalado em seu computador, e é gratuito.

Para declarar o imposto de renda pelo celular, os contribuintes devem baixar na Google Play (para dispositivos Android) ou na AppleStore (para dispositivos IOS) o aplicativo “Meu imposto de renda”. Certifique-se de baixar o aplicativo da Receita Federal do Brasil.

(Fonte: Meu Imposto de Renda)

Após preencher os dados solicitados, inicie a declaração para pessoa física do IRPF 2023. Para o preenchimento correto dos dados, alguns documentos serão essenciais. São eles:

  • Salários e vencimentos;
  • Benefícios, aposentadorias e pensões;
  • Documentos de bens e direitos, dívidas e ônus;
  • Recibos de pagamentos e doações efetuadas;
  • CPF, RG, dados da conta bancária e outros dados pessoais.
Banner- baixar kit de controle de caixa e finanças da fazenda

Como funciona a declaração de IRPJ

Todas as regras que você viu até agora valem para pessoas físicas. No caso de pessoas jurídicas, as regras são bem diferentes: impostos recolhidos podem ser declarados a cada três meses ou ano.

As pessoas jurídicas obrigadas a declarar o IRPJ, se não o fizerem, podem sofrer consequências. Alguns exemplos são:

  • ficam impossibilitadas de tirar passaporte;
  • não podem abrir contas em bancos;
  • não conseguem tirar outros documentos oficiais;
  • podem sofrer multas.

Declaração de MEI — Simples Nacional

Os empresários MEI  (microempreendedores individuais) não precisam declarar IRPJ. Essa categoria é isenta pela Receita Federal. Nessa modalidade, é preciso analisar o regime da sua empresa rural. Verifique se ela é uma microempresa ou empresa de pequeno porte

  • Receita bruta igual ou inferior a R$360 mil —  microempresa. 
  • Receita superior a R$360 mil e inferior a R$4,8 milhões — empresa de pequeno porte.

Nesses casos, a tributação é feita pelo Simples Nacional, conforme critérios da Lei Complementar 123/2006.

Essas empresas podem optar pela contabilidade rural simplificada para fazer os registros das operações realizadas. Caso haja atividade rural, devem ter o Livro Caixa e o Livro de Registro de Inventário.

IRPJ com base em Lucro Real, Presumido ou Arbitrado

As empresas rurais podem apurar trimestralmente o IRPJ com base no lucro real, presumido ou lucro arbitrado. No caso do Lucro Real, o cálculo do IRPJ é o resultado líquido apurado na escrituração contábil completa.  

No livro de apuração, devem ser demonstrados separadamente o lucro ou prejuízo contábil e o lucro ou prejuízo fiscal dessas atividades. Os Lucros Presumido e Arbitrado se tratam de uma forma simplificada e voltada às pessoas jurídicas.

Eles se aplicam quando a pessoa jurídica cuja receita bruta for:

  • igual ou inferior a R$78 milhões;
  • até R$6,5 milhões ao mês de atividade do ano-calendário anterior, quando inferior a doze meses.

Pessoas Jurídicas Inativas e Ativas

As categorias de Pessoas Jurídicas Inativas e Ativas também precisam declarar o imposto de renda. Pessoas Jurídicas Inativas são os casos de empresas que não tiveram operação efetiva financeira ou patrimonial. 

Pessoas Jurídicas Ativas são aquelas que efetuaram transações com outras empresas.

Propriedade agrícola como pessoa jurídica

A mudança da propriedade agrícola de Pessoa Física para Pessoa Jurídica tem a vantagem de menor tributação. Em algumas situações, você poderá ser enquadrado no Simples Nacional. 

Esse é um regime compartilhado de arrecadação, cobrança e fiscalização dos tributos. Para tornar a propriedade uma pessoa jurídica, você irá fazer o CNPJ Rural. Ele é o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica, realizado por pessoa física na Junta Comercial do Estado. 

Isso acontece de acordo com a classificação em empresa rural. Somente no estado de São Paulo quem produz é obrigado a retirar o CNPJ Rural. Nos outros Estados, esse registro é optativo.

O CNPJ Rural é emitido pela Receita Federal e pode ser obtido online. Para obtenção do CNPJ Rural, são necessários os seguintes documentos:

  • Ficha cadastral de pessoa jurídica;
  • Documento básico de entrada no CNPJ;
  • Estatuto Social da empresa registrado na Junta Comercial;
  • Cópia autenticada da Carteira de Identidade e do Cadastro de Pessoa Física do dono do negócio;
  • Documento de posse da propriedade (a regularização fundiária), além do ITR (o Imposto Territorial Rural), CCIR (Cadastro de Certificado de Imóvel Rural), comprovante de endereço e matrícula do imóvel atualizada;
  • Caso seja arrendatário, é necessário ter o contrato com todos os dados do arrendamento rural.

Quanto e o que pode ser deduzido no imposto de renda para produtores rurais 2023

As deduções podem reduzir o valor a ser pago no recolhimento do imposto ou aumentar o valor da restituição. Podemos citar como exemplos:

  • Dependentes: o valor máximo é de R$2.275,08 por dependente (filhos, cônjuges, enteados e pais);
  • Educação: gastos com ensino infantil, fundamental, médio, técnico e superior R$3.561,50 por dependente;
  • Despesas médicas: não há limite, podendo ser incluídos exames, consultas, procedimentos cirúrgicos, serviços médicos.

No programa da declaração, o cidadão pode verificar se terá direito à restituição do IRPF 2023. Se sim, o valor será creditado na conta que foi informada durante o envio do documento.

Tabela para produtores rurais

Por envolver muitos números, os valores do imposto de renda para quem produz pode gerar muita dúvida. Confira as alíquotas na tabela de imposto de renda do ano de 2023, divulgadas pela Receita Federal.

  • Renda anual até R$22.847,76: essas pessoas são isentas de alíquotas;
  • Renda anual até R$33.919,80: alíquota de 7,5%, com dedução de R$1.713,58;
  • Renda anual até  R$45.012,60: alíquota de 15%, com dedução de R$4.257,57;
  • Renda anual até R$55.976,16: alíquota de 22,5%, com dedução de R$7.633,51;
  • Renda anual acima de R$55.976,16: alíquota de 27,5%, com dedução de R$10.432,32

Vantagens de antecipar a declaração

O prazo de entrega do imposto de renda é um importante fator a ser considerado. Uma vez que você deixar o imposto de renda atrasado, a multa é de 1% ao mês sobre o valor do imposto de renda devido, calculado na declaração. 

O valor mínimo é de R$165,74, podendo chegar a até 20% do valor do imposto de renda. Além de maior tempo para possíveis retificações no documento, a restituição do imposto segue a ordem de entrega.

Assim, se você entregou seu imposto de renda primeiro, será restituído antes dos demais. Você pode utilizar o dinheiro da restituição para pagamento de contas, quitação de dívidas, dentre outras finalidades. A data limite para o envio da declaração à Receita Federal será no  dia 31 de maio

Como a gestão agrícola pode te ajudar no IR

Os constantes avanços da  tecnologia permitiram aos órgãos fiscalizadores cruzar as diversas informações geradas por nós. Assim, a cada ano o Estado está mais exigente na correta declaração de rendimentos.

Além disso, a Receita Federal tem por direito o prazo de 5 anos para fiscalização das declarações dos contribuintes. O prazo é o mesmo para busca por eventuais irregularidades no caso de pessoa física.

Com a quantidade de atividades envolvidas no processo de produção agrícola, não é nada fácil juntar todos os dados e informações. Por isso, a gestão agrícola bem realizada facilita a declaração do imposto de renda dos produtores.

Com uma boa gestão, você terá tudo o que foi gasto e recebido nas últimas safras.  Essas informações darão o custo de produção, investimentos e demais valores que integram a atividade agrícola e sua gestão.

O software de gestão agrícola Aegro mantém seus dados seguros e fáceis de serem visualizados.

Visualização de dados da fazenda no aplicativo Aegro

Assim, fica fácil encontrar os comprovantes fiscais de todas as movimentações financeiras para declarar o imposto de renda. Além disso, um planejamento tributário bem realizado pode ajudar na redução dos impostos sobre a renda.

Também é importante estruturar a empresa conforme regras e normas da legislação. Para isso, consulte um profissional competente da contabilidade rural. Essa pessoa irá assessorar a constituição da empresa e te ajudará a justificar suas operações no IR.

banner de chamada para gestão fiscal

Conclusão

Você deve sempre lembrar das normas, leis e prazos do imposto de renda para não sair no prejuízo. Aqui, você viu todos os detalhes de cada situação para te ajudar a reunir documentos e informações.

Faça uma boa gestão para facilitar a visualização desses dados, além dos inúmeros benefícios do controle da propriedade.

Em casos específicos, busque auxílio de pessoas especializadas. Contadores e advogados podem ser fundamentais para a correta formulação e estruturação da empresa rural. Além disso, é claro, conte sempre com o apoio da tecnologia nesse momento.

>> Leia mais:

“Entenda os impactos da reforma tributária no agronegócio e nas contas da sua fazenda”

Coloque a casa (e a fazenda) em ordem com a chamada ‘governança corporativa’

“DME declaração: veja quem precisa fazer e saiba como funciona“

Você já conhecia todas as regras e normas para preencher a declaração de imposto de renda para produtor rural? Não deixe de conferir nossa página de materiais gratuitos para acessar planilhas que facilitam a apuração do IR.

Como ter sucesso no cultivo de arroz em rotação com soja

Cultivo de arroz em rotação com soja: Vantagens e desvantagens, principais pontos para se atentar e 3 dicas essenciais para transformar essa prática em rentabilidade.

São 300 mil hectares plantados de rotação com soja, no Rio Grande do Sul.

A contribuição dessa rotação são muitas: redução de plantas daninhas, fertilidade do solo e, claro, maior rentabilidade.

Mas fazer essa rotação de culturas dar certo pode não ser tão fácil, já que estamos trabalhando com culturas muito diferentes.

Neste artigo mostramos em detalhes os benefícios e desvantagens dessa prática, além de 3 dicas fundamentais para a rotação dar resultados. Confira:

Por que fazer o cultivo de arroz em rotação com soja?

O cultivo de arroz (Oryza sativa) com outras culturas, especialmente soja, começou em meados dos anos 90, mas ganhou forças na última década.

Isso foi devido principalmente aos ganhos de produção no arroz, e a maior rentabilidade pela venda de soja.

É também uma decisão estratégica, segundo o sojicultor Felipe Reichsteiner:

“Como a soja vira dinheiro na hora da colheita, a gente ganha tempo para vender o arroz por melhor preço mais tarde”.

Assim, surgindo como uma opção aos orizicultores, a rotação de arroz com soja tem sido cada vez mais rentável.

cultivo de arroz
(Fonte: Foto de Paulo Rossi, Cachoeira do Sul (RS), em Globo Rural)

A rentabilidade acontece também devido ao melhor uso do espaço. Estima-se que apenas um terço da área de arroz em várzea é efetivamente utilizada.

As áreas costumam ficar em pousio por até dois anos, sendo, às vezes, subutilizada pela pecuária.

No entanto, com exigências de condições tão diferentes, da várzea ao sequeiro, o manejo só é possível com um bom planejamento, conhecimento dos custos de produção, e técnica.

Vantagens do cultivo de arroz em rotação com soja

Em termos gerais, a cultura da soja em rotação com o arroz  favorece o solo. Ela promove a estruturação do mesmo e a maior fertilidade.

Além de um complemento financeiro na renda, essa rotação contribui ainda em outros aspectos no ambiente, como:

  • Ciclagem de nutrientes, pela rotação de cultura e preparo de solo
  • Controle de ervas daninhas, como o arroz vermelho
  • Diminuição da degradação do solo
  • Rotação de produtos, como o sistema Clearfield (rodízio de mecanismos de ação) com o uso de sementes geneticamente modificadas, lançado em 2003
  • Diminuição de pragas e inóculos de patógenos
  • Aumento de produtividade de 4 para 8 mil kg de arroz por hectare

Desvantagens do cultivo de arroz em rotação com soja

É claro que os desafios são muitos para manejar dois ciclos de culturas com exigências de ambientes distintos.

O arroz é uma planta comumente cultivada em solos inundados. Então, especialmente nesses casos, a condição física da área é o principal desafio.

2-cultivo-de-arroz


Ecossistema da produção de arroz na América Latina: Pontos azuis são lavouras irrigadas e os pontos laranjas são cultivos de sequeiro
(Fonte: Zeigler)

É necessário considerar a drenagem natural, o que tem contribuição direta da topografia, a qual, se plana, terá drenagem dificultada.

Outro fator é o adensamento do horizonte superficial, ou seja, alta relação dos micro e macroporosidade (relação da água e ar no solo), que pode prejudicar a nutrição da soja.

Abaixo discutimos melhor as soluções para esses desafios em cada sistema de cultivo de arroz:

Entenda os sistemas de cultivo de arroz e melhore sua rotação

Produção de sequeiro (ou terras altas)

Esse sistema de produção de arroz de terras altas é cultivado predominantemente como cultura de abertura e, justamente, em rotação de culturas.

Além disso, em áreas de pastagens degradadas é comum utilizar essa cultura porque a planta de arroz pode tolerar bem solos ácidos, recuperando assim os solos.

Variedades lançadas pela Embrapa , inclusive algumas em parceria com IRGA, foram desenvolvidas pensando na rotação com o feijão, milho, algodão e a soja.

No entanto, é preciso lembrar que essas variedades, especialmente de soja, são tolerantes, mas isso não significa que a produção ficará a mesma em um solo muito úmido.

Nesse caso, provavelmente, a cultura poderá apresentar menor produção, mas não vai morrer, enquanto que se a umidade foi intensa há risco de se perder a cultura.

Arroz em terras baixas (ou cultivo de arroz irrigado)

3-cultivo-de-arroz
(Fonte: Técnico do Agronegócio)

No sistema de plantio em rotação com arroz em terras baixas, a rotação pode ser tanto na primeira ou na segunda safra, no lugar do milho safrinha. Também é muito rotacionado com pastagens.

O cultivo de arroz irrigado por inundação e depois o cultivo da soja exige alguns cuidados, como já citamos.

O principal deles é sobre o manejo cultural. É importante realizar até duas adubações verdes entre a cultura do arroz e a cultura da soja.

Essa prática deve ser feita com diversidade de espécies de adubo verde, que vão estruturar o solo com suas raízes, possibilitando adequada aeração para soja, especialmente para possibilitar sua apropriada nodulação.

banner ebook produção eficiente de arroz

3 Cuidados para obter sucesso no cultivo de arroz em rotação com a soja

Como já falamos, a necessidade de dois ambientes tão distintos para a rotação exige certo manejo para criar as condições ideais.

1. pH do solo

No cultivo de arroz com inundação do solo ocorre a correção da acidez naturalmente.

Com o solo alagado, ocorre um processo químico de redução do solo, resultando o fenômeno conhecido como “autocalagem”.

4-cultivo-de-arroz
Processo de redução do solo, o qual corrige a acidez
(Fonte: Aula de solos alagados, UFSM.)

No entanto, nos cultivos em sequeiro (após o arroz), esse processo de redução não ocorre mais.

A agrônoma Claudia Lange, do Irga, relata que cerca de 75% das terras baixas do Estado do Rio Grande do Sul têm pH abaixo de 6, se traduzindo em deficiência nutricional para a soja.

Por isso, é importante se atentar ao pH do solo sem estar alagado, para que ele seja corrigido pela calagem adequadamente.

É recomendado fazer a calagem para um pH de 6,0, pela maior exigência dessas culturas anuais, como a soja.

O pH nesse valor também minimiza os efeitos da toxidez por Ferro, proveniente do arroz irrigado.

2. Drenagem do solo

Os solos de várzea pela alta densidade e baixa porosidade possuem velocidade baixa de infiltração.

Nesse sentido a construção de drenos externos a lavoura que facilitem a rápida drenagem são muito importantes.

Sendo que a prática de nivelamento da superfície do terreno e entaipamento são fundamentais.

Sistema sulco/camalhão

Esse sistema de sulco/camalhão é feito em terras baixas do delta do Mississipi/USA.

5-cultivo-de-arroz
(Fonte: Smdema e Rycroft (1983), Beauchamp (1952) em Silva et al.)

Também chamado de microcamalhão, o mais utilizado são aqueles com 15 centímetros, levando duas linhas de soja.

Esse sistema tem sido eficiente para a drenagem da água em solos alagados.

São dois os parâmetros que devemos considerar em relação a remoção e drenagem da água, que são, os macro e microdrenagem do sistema.

Macrodrenagem

São os drenos escavados para coletar os excedentes de águas de chuvas e da irrigação.

De acordo com a microbacia no qual as lavouras estão inseridas, devem ser adequadamente dimensionados.

Os drenos coletores destinados a receber as águas de outros drenos e conduzi-las ao ponto de descarga da microbacia.

Além de bem dimensionados, devem ser limpos, ter reformas e/ou desobstrução, para que sejam eficientes e cumpram sua função.

Microdrenagem

São os drenos internos da lavoura.  Eles são compostos por drenos secundários e de outras adequações.

O dimensionamento desses se dá de acordo com vários fatores, antecipados pelo aplainamento do solo, tão importante para as plantações de arroz.

Além disto, a cultura da soja apresenta uma evapotranspiração máxima total no ciclo de aproximadamente 830 mm, sensível ao encharcamento

3. Planejamento agrícola e gestão de custos

O planejamento agrícola é essencial para uma boa rotação entre soja e arroz. Por meio dele, as outras atividades vão acontecer no período certo e de modo adequado.

Nesse sentido, programe a época de semeadura adequada e ajustada às previsões climáticas.

Semear a soja em dezembro e janeiro, promove uma vantagem em relação a ferrugem asiática, por exemplo.

Manter a gestão dos custos sob controle também é fundamental para conhecer o custo dessas mudanças de manejo e verificar o que compensa mais fazer.

Veja como começar sua gestão neste artigo:

Conclusão

A rotação de arroz com soja exige um preparo maior do sistema para receber culturas com necessidades de ambientes tão distintos.

Apesar disso, os retornos econômicos e ambientais são muito compensatórios. Além de que a soja possui maior liquidez (dinheiro mais rápido) que o arroz.

E com isso, você pode se especializar mais, otimizar seu sistema produtivo e ganha a vantagem de ter uma garantia a mais para a sua renda.

Para isso, mantenha um bom planejamento das culturas e uma boa gestão financeira para administrar esses manejos distintos.

Com isso e nossas dicas, com certeza a rotação do cultivo de arroz e soja será um ótimo negócio!

>>Leia mais: 

Tudo que você precisa saber sobre armazenagem do arroz

Como você faz o cultivo de arroz em rotação com soja hoje? Tem mais alguma dica que não citamos aqui? Alguma dúvida? Deixe seu comentário abaixo!

Como fazer a dessecação de soja para uma colheita eficiente

Dessecação de soja para colheita: saiba qual é o ponto ideal e as principais orientações para garantir boa produtividade e rentabilidade da colheita.

A dessecação em pré-colheita da soja é uma prática estratégica para os agricultores brasileiros.

Ela permite controlar plantas daninhas, uniformizar a maturação e antecipar a colheita do grão. Isso também beneficia os plantios seguintes, como o do milho safrinha.

Porém, a perda de produtividade por dessecação inadequada pode chegar a 12 sacas/ha. Você sabe como fazer a dessecação de soja para colheita mais eficiente e sem perdas?

Veja neste artigo o que você precisa considerar e qual o momento ideal para dessecar a lavoura.

O que é dessecação e por que fazer?

A dessecação pré-colheita da soja consiste em aplicar um herbicida, geralmente de contato, quando a semente atinge o ponto de maturação fisiológica. A aplicação mata a planta e seca suas folhas, uniformizando a maturação, o que permite antecipar a safra.

A dessecação é utilizada em alguns casos, como quando condições climáticas adversas (oscilação de umidade e alta temperatura) na pré-colheita podem ocasionar maior percentual de sementes verdes na colheita.

Quanto mais tempo a semente fica no campo após seu ponto de maturidade fisiológica, maior a taxa de deterioração. Isso diminui a qualidade das sementes.

Quanto menos tempo a semente ficar no campo, menor a exposição a patógenos, assegurando a sanidade do lote. Por isso, para a produção de grãos, o uso do dessecante é bastante importante.

Ele diminui o nível de impurezas no momento da colheita, pois elimina folhas e pecíolos das plantas.

Eliminar as partes verdes da planta também pode impedir a inoculação de doenças da soja e ataque de pragas.

Outra vantagem da dessecação é o controle de escapes de plantas daninhas que podem dificultar a colheita e prejudicar a próxima cultura.

2-dessecação-de-soja-para-colheita
Uniformidade de maturação e antecipação da colheita são alguns dos principais benefícios buscados com a dessecação
(Fonte: A Voz do Campo)

Em regiões de milho safrinha, a dessecação permite antecipar o plantio do milho. E com isso, há menor chance de ocorrência de geadas no cultivo.

Em regiões que semeiam algodão após a soja, a prática auxilia o plantio do algodão em época mais favorável.

Ou seja: a dessecação de soja permite o planejamento e a antecipação da colheita.

Agora que te mostrei os principais motivos da prática, vou te explicar quando esse manejo é recomendado!

planilha controle de custos por safra

Ponto ideal da dessecação de soja para colheita

A partir do momento em que a semente atinge o ponto de maturidade fisiológica a planta cessa o transporte de nutrientes para a semente. Com isso, ela chega ao máximo acúmulo de matéria seca.

Neste ponto a semente encontra-se com as melhores características fisiológicas.

Porém devido à alta umidade e presença de ramos e folhas verdes, a colheita mecânica não é possível.

Para conseguir colher a semente com melhor qualidade, realiza-se a dessecação da soja logo após o ponto de maturidade fisiológica que ocorre no estádio fenológico R7.

Este estádio inicia-se pelo aparecimento de uma vagem com coloração de madura na haste principal.

Depois é dividido em 3 classes que vão de acordo com o nível de amarelecimento das folhas e vagens.  

A melhor época de aplicação do herbicida é quando a soja possui em torno de 70% de suas vagens com coloração amarronzada ou bronzeada, no estádio R7. 2.

Em regiões ou anos atípicos, em que o clima durante os estádios R6 e R7 tem escassez de chuva e altas temperaturas, o manejo de dessecação não é necessário.

Nessa situação, a técnica só é utilizada se houver necessidade de controle de plantas daninhas.

fenologia da soja. Fonte: Coopertradição

(Fonte: Coopertradição)

Posso dessecar em R6 e antecipar ainda mais minha colheita?

Nesse estádio, as sementes de soja atingem sua máxima expansão. Porém, fisiologicamente, essa semente não está pronta!

Em lavouras comerciais produtoras de grãos, essa prática pode ocasionar uma diminuição de até 27% da produção.

Além disso, a dessecação em R6 diminui o teor de extrato etéreo na soja, que é essencial na alimentação animal, principal finalidade dos grãos.

4-dessecação-de-soja-para-colheita-soja r6

Planta da soja em estádio R6
(Fonte: Embrapa)

Como aumentar a eficiência do manejo

Mesmo utilizando herbicidas como paraquate, que tem efeito rápido sobre a planta (não perde a eficiência com chuvas após 30 min), não é bom que haja chuvas após a dessecação da lavoura de soja.

Por isso fique sempre atento às condições climáticas no momento e após aplicação do herbicida.

Caso ocorram chuvas após a aplicação do dessecante, pode não haver grande antecipação da colheita, como esperado. Mas, quando a chuva cessar, a área dessecada perderá umidade mais facilmente.  

É muito importante utilizar a tecnologia de aplicação adequada para a dessecação.

Em geral, produtos de contato somente serão eficientes se tiverem boa cobertura da planta.

A eficiência da dessecação e potencial de fitotoxidade podem variar de acordo com a cultivar.

Por isso, tente se informar sobre a resposta dos seus cultivares de soja para o manejo que pretende utilizar.

É fundamental que os herbicidas utilizados possuam recomendação para cultura da soja e a carência mínima para colheita seja respeitada. Fique atento!  

Principais herbicidas na dessecação de soja para colheita

O herbicida mais utilizado para o manejo de dessecação da soja para colheita é o paraquate.

Isso se deve à sua ação rápida e por não deixar resíduos no grão ou prejudicar os atributos fisiológicos da semente.

Porém, com a Resolução 177 da Anvisa, sua utilização será proibida a partir de 2020, devido às suas características toxicológicas.

Por isso recomenda-se que o produtor já comece a testar novas ferramentas que possam substituir este herbicida.

Planejamento e se antecipar a problemas futuros sempre foram a chave da lucratividade.

Mesmo que a proibição seja revogada, já existem áreas com buvas resistentes a paraquate. A dessecação com este produto já não controla os escapes, nesses casos.

5-dessecação-de-soja-para-colheita-paraquat
(Fonte: Peluzio et al., 2008 em Geagra)

>> Leia mais: “Herbicidas pré-emergentes para soja: Os melhores produtos e suas orientações

Opções para plantas daninhas resistentes na pré-colheita

Outras opções que podem ser utilizadas como alternativa ao paraquate são os herbicidas diquat, flumioxazin, glifosato, glufosinato e saflufenacil.

Nas áreas com buva resistente a paraquate, os mais indicados seriam os herbicidas Saflufenacil na dose de 70 g/ha a 140 g/ha + adjuvante não iônico  ou glufosinato na dose de 2 L/ha + óleo mineral.

Além destes herbicidas para dessecação de áreas da plantação de soja pode se utilizar diquat 2 L/ha e flumioxazin 50 g/ha.

Após aplicação do herbicida flumioxazin deve-se esperar no mínimo 14 dias para o plantio do milho, evitando efeito residual na cultura.

O ideal é sempre que o manejo de buva ou amargoso, plantas daninhas resistentes a herbicidas, seja feito no período de entressafra.

Assim, existe maior disponibilidade de ferramentas e menor efeito guarda-chuva na aplicação.

6-dessecação-de-soja-para-colheita-paraquat

Buva é resistente ao Paraquate, por isso o manejo deve ser feito na entressafra
(Foto: Fernando Adegas/Embrapa)

O herbicida glifosato também pode ser utilizado para dessecação de soja para colheita convencional, mas não é efetivo no controle de buva e amargoso.

Em áreas produtoras de semente, devido ao mecanismo de ação sistêmico do glifosato, a qualidade da semente pode ser prejudicada.

É importante que a recomendação de produtos fitossanitários seja feita por um agrônomo. Mas o produtor deve estar sempre atento a novas informações para auxiliar em sua recomendação.

planilha para estimativa de perdas na colheita Aegro

Conclusão

Vimos aqui diversas vantagens na prática da dessecação de soja para colheita, porém, esta deve ser aplicada de maneira técnica.

Cuidado com o momento da aplicação do herbicida, pois deve ser logo após o ponto de maturação fisiológica.

Antes desse momento podem ocorrer perdas de produtividade de grãos ou menor qualidade da semente.

Além disso, cuidado com chuvas após a aplicação do dessecante.

Não esqueça de se atentar a alguns detalhes na escolha do herbicida como a variedade utilizada e a infestação de plantas daninhas na colheita. Boa safra!

>> Leia mais:

Custo de produção de soja: Entenda por quanto vender sua saca”
Doenças de final de ciclo soja: Principais manejos para não perder a produção

Você já pensou em fazer a dessecação de soja para colheita? Ficou alguma dúvida? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Evite a rebrota da planta de algodão com esses 2 tipos de manejos

Planta de algodão: saiba como fazer o manejo químico e mecânico da soqueira e reduza a incidência de pragas e doenças na lavoura.  

A destruição da soqueira é uma prática essencial na cultura do algodão para interromper o ciclo de pragas e doenças.

Mas, você sabe como são os manejos mais adequados para evitar a rebrota?

Neste artigo, separamos os detalhes de tratamentos que trazem bons resultados. Confira a seguir!

Por que é necessário destruir a planta de algodão após a colheita

A planta de algodão é usada, pelo menos, desde 4.500 anos a.C.. Atualmente a produção mundial tende a aumentar para 121,97 milhões de fardos na safra 2018/19.

Nesse sentido, o Brasil também vem elevando sua produção e, junto com ela, a preocupação com seu manejo.

Depois que colhemos o algodão em pluma, é preciso se preocupar com a destruição dos restos culturais. Isso porque o algodão é uma planta que após sua colheita pode rebrotar e continuar ocupando a área.

Esta prática é feita para reduzir doenças e a população de pragas do algodão (Gossypium hirsutum L.)

As principais pragas do algodão alvos dessa prática são:

  • Bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis);
  • Lagarta-rosada (Pectinophora gossypiella);
  • Broca-da-raiz (Eutinobothrus brasiliensis);
  • Ramulose (Colletotrichum gossypii var. cephalosporioides);
  • Mancha-angular (Xanthomonas axonopodis pv. malvacearum);
  • Doença-azul (Cotton leafroll dwarf virus).

Outras pragas controladas com a destruição das soqueiras são algumas espécies de lagartas como as do gênero Helicoverpa spp.

planta de algodão

Bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis) é a principal praga da planta de algodão que vem preocupando todo o mundo
(Fonte: Sebastião Araújo/Embrapa – Informativo Técnico Nortox)

O controle de insetos-praga do algodoeiro nos Estados Unidos, por exemplo, é um dos fatores que mais onera os custos de produção.  

E estudos científicos mostraram que a destruição de soqueiras possibilita redução de mais de 70% da população dos insetos que sobrevivem ao período de entressafra.

Para isso, são necessários pelo menos 60 dias sem planta de algodão no campo.

Assim, todo ano, o vazio sanitário ocorre entre o prazo final legal para destruição de soqueiras e início do calendário de semeadura da nova safra.

planilha de produtividade do algodão Aegro

Quais métodos podem ser adotados para o manejo?

Existem dois manejos principais que podem ser feitos para evitar a rebrota da planta de algodão. São eles o manejo químico e o mecânico.

O manejo químico da soqueira do algodão é realizado com herbicidas, o qual é responsável por eliminar restos culturais sem revolvimento do solo.

Já o manejo mecânico é realizado através do arranquio da soqueira.

Ambos podem ser feitos nas mais diversas variedades de algodão(espécies nativas, cultivo de algodão colorido, etc.). Vou falar mais especificamente sobre os dois:

Como fazer o manejo químico

Os dois herbicidas mais utilizados na destruição química das soqueiras são o glifosato e o 2,4-D.

Esses produtos possuem ação sistêmica dentro da planta e são transportados pelos vasos condutores até as raízes. Para a destruição química você deve atentar-se a qual tecnologia está no campo.

Para algodão convencional ou com melhoramento genético (LL®), os herbicidas mais utilizados são glifosato e 2,4-D.

Já para RF® e Glytol® (resistentes ao glifosato), a opção seria o uso de 2,4-D.

Outra boa opção é fazer a roçada das plantas com posterior aplicação de herbicida.

Observe abaixo o trabalho realizado por Andrade Junior et al. (2015).

Os autores testaram 15 tratamentos, incluindo os herbicidas 2,4-D, glifosato, glufosinato, carfentrazone, saflufenacil e flumiclorac.

A conclusão do trabalho é que a aplicação de 2,4-D logo após a roçada é fundamental e que é necessário realizar uma segunda aplicação sobre as rebrotas (ramos com cor verde).

Os melhores resultados foram obtidos com 2,4-D + Radiant, 2,4-D + Aurora, 2,4-D + Finale e 2,4-D + Heat.

2-planta-de-algodao
3-planta-de-algodão

(Fonte: Andrade Junior et al. (2015))

Em outro trabalho, Sofiatti et al. (2015) estudaram a destruição de soqueiras na cultivar IMA 5675B2RF, resistente ao herbicida glifosato.

Os autores observaram que os melhores tratamentos foram aqueles em que se empregou o manejo mecânico.

4-planta-de-algodão
5-planta-de-algodão
6-planta-de-algodão

(Fonte: Sofiatti et al., 2015)

Observe o gráfico abaixo e entenda melhor os resultados alcançados pelos autores:

7-planta-de-algodão

(Fonte: Miranda e Rodrigues Adaptado de Sofiatti et al. (2015))

Já em trabalho realizado por Ferreira et al. (2015), os autores observaram que os melhores tratamentos foram para aplicações sequenciais:

8-planta-de-algodão
(Fonte: Miranda e Rodrigues (2015))

Como fazer a destruição mecânica da planta de algodão

Este tipo de manejo é muito utilizado em toda área onde é cultivado algodão, mas é especialmente importante naquelas mais voltadas à preocupação ao meio ambiente, como o cultivo orgânico.

Existem hoje vários implementos agrícolas que você pode optar para realizar a destruição mecânica.

Sua escolha deverá ser baseada nos manejos adotados na sua lavoura, principalmente se você adota práticas conservacionistas do solo. Vou te mostrar algumas opções:

1 – Arrancador de discos em “V”

9-planta-de-algodão

(Fonte: Valdinei Sofiatti, Pesquisador da Embrapa Algodão)

2 – Arrancador de discos

  • É acoplado ao hidráulico do trator;
  • Seus órgãos ativos são discos lisos côncavos;
  • Profundidade de 8 cm a 15 cm;
  • Alta eficiência no arranquio das plantas previamente roçadas;
  • Há formação de sulcos e camaleões.

3 – Cortador de plantas

  • Acoplado à barra de tração do trator;
  • Para cada linha de algodoeiro previamente roçada, possui dois discos que atuam aos pares;
  • Os discos apresentam certa angulação para favorecer sua penetração no solo;
  • Profundidade de trabalho de 3 cm a 5 cm;
  • As plantas são cortadas na região do colo;
  • Excelente eficiência na destruição da soqueira;
  • Baixo revolvimento do solo.

4 – Matabrotos-algodão

  • As plantas precisam estar roçadas;
  • Possui hastes com lâminas horizontais, que vão trabalhar no perfil do solo;
  • Trabalha a uma profundidade entre 20 cm e 35 cm;
  • Corta a raiz pivotante do algodoeiro e desestabiliza as secundárias.
12-planta-de-algodao

(Fonte: Saul Carvalho)

5 – Destroyer (destruidor de touceira)

  • É um combinação de um subsolador com um rotor picador de palha;
  • Também conhecido por triton ou trincha;
  • O rotor picador destrói a parte aérea da planta;
  • As hastes com lâminas horizontais (que ficam na parte de trás) vão atuar no perfil do solo;
  • Profundidade entre 20 cm e 30 cm;
  • Em uma única passada, faz todas as operações necessárias à destruição das plantas.

6 – Roçadeira ou triton + grade aradora

  • Corta e estraçalha a parte aérea da planta de algodão;
  • Facilita a incorporação dos restos culturais ao solo;
  • Na próxima operação utiliza a grade aradora;
  • Mobiliza e revolve o solo até a profundidade de 10 cm a 12 cm;
  • Pode precisar de até três passadas com a grade aradora, e outra, com a niveladora;
  • Pode favorecer a formação de camadas compactadas;
  • Os discos pulverizam em excesso o solo.

7 – Cotton Mil

  • Atrelado à barra de tração do trator;
  • É um disco côncavo e liso que atua sobre a linha do algodão;
  • Pequenas profundidades (a partir de 1 cm);
  • O implemento arranca ou corta as plantas previamente roçadas, ocasionando pequenos sulcos;
  • Pequena mobilização do solo;
  • Na parte frontal possui discos lisos e planos para cortar os resíduos.

8 – Arrancador-triturador de soqueira

  • Na parte frontal possui um rotor picador de palha;
  • Na parte traseira possui uma barra porta-ferramentas acoplada a um disco liso côncavo;
  • As plantas são arrancadas e deslocadas para as laterais do disco;
  • Profundidade de trabalho entre 6 cm e 10 cm;
  • Deixa a superfície do solo com desníveis;
  • Realiza em uma única passada todas as operações necessárias à destruição das plantas.

9 – Destruidor de plantas

  • Acoplado à barra de tração do trator;
  • Sistema hidráulico próprio (não usa o sistema hidráulico do trator);
  • Corta as plantas na região do colo;
  • Profundidade de trabalho entre 3 cm a 5 cm;
  • O solo é pouco mobilizado pelos discos;
  • Excelente eficiência na destruição das plantas.

10 – Destruidor de plantas Cotton 100

  • Acoplado à barra de tração do trator;
  • Cada unidade destruidora possui um disco de corte vertical (corta o sistema radicular das plantas);
  • Esteira arrancadora: as plantas são retiradas do solo e conduzidas a uma faca;
  • A faca separa a raiz do restante da planta;
  • As partículas são padronizadas e lançadas ao solo.

Observe a tabela abaixo e verifique a comparação entre os implementos para destruição de soqueiras:

14-planta-de-algodão
(Fonte: Silva (2006))

Conclusão

A área plantada e produção de algodão (de fibras curtas e médias principalmente) aumentou no país nos últimos anos. Mas a rebrota da soqueira pode reduzir a produção algodoeira.

Neste texto foram discutidos os principais tipos de manejo para evitar essa situação.

Você pôde conferir também quais herbicidas são mais eficazes para a destruição química e os implementos indicados para destruição mecânica dos restos culturais.

A destruição da soqueira reduz pragas agrícolas e doenças para tornar sua lavoura mais rentável.

Então, agora que você já sabe as recomendações de uso, pode fazer a escolha mais adequada à sua propriedade!

>>Leia mais:

Como evitar e combater a mela do algodoeiro em sua lavoura

Você tem dicas sobre o manejo da soqueira da planta de algodão? Restou alguma dúvida? Baixe aqui uma planilha gratuita e estime a produtividade da sua próxima safra de algodão!