Prad: entenda o que é o plano de recuperação de áreas degradadas

Prad: conheça os objetivos, documentação necessária, quem pode fazer, como elaborar, quais os tipos de recuperação e mais!

O Prad (Plano de Recuperação de Áreas Degradadas) é um estudo que serve como instrumento para a regularização ambiental da sua propriedade. 

Ele possibilita a recuperação de áreas degradadas. Se a sua fazenda sofre com degradação do solo, conhecer esse plano é fundamental, pois ele pode ser um grande aliado.

Neste artigo, você verá tudo o que precisa saber antes de elaborar o plano. Confira!

O que é o Prad e quais os objetivos?

O Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (sigla Prad) é um estudo, baseado em um conjunto de técnicas e medidas que são executadas a fim de recuperar áreas que sofreram degradação ambiental. Isso seja por ação humana ou natural.

São consideradas áreas degradadas aquelas que sofreram alterações em suas propriedades químicas, físicas e biológicas. Isso compromete a capacidade de retornarem ao seu estado natural e a fertilidade do solo.

O Prad assegura condições adequadas de uso do solo e a conservação dos recursos naturais. Seu objetivo é reunir informações, diagnósticos, levantamentos e estudos que possibilitem avaliar a degradação ocorrida

Depois disso, o Prad define as medidas adequadas para a recuperação da área degradada.

Esse plano é solicitado pelos órgãos ambientais como parte do processo de licenciamento ambiental. Ele também pode ser solicitado após a propriedade ser punida administrativamente por causar degradação ambiental.

Esse estudo deve ser elaborado e acompanhado por um profissional habilitado. Ele deve ter registro de ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) do conselho de classe.

É bom ressaltar que existe o Prad e o Prad simplificado. A diferença entre os dois está relacionada ao impacto ambiental. O Prad simplificado é específico para pequenas propriedades rurais ou posse rural familiar.

Nesses locais, o impacto ambiental é de baixa complexidade, o que facilita a elaboração e execução do plano.

Prad: foto de solo rachado
(Fonte: AgroRural)

Fundamentos legais do Prad

A instrução normativa IN n° 04/2011 do Ibama estabelece exigências mínimas e norteia a elaboração de projetos de recuperação de áreas degradadas. Além disso, ajuda na confecção de algumas leis e decretos que devem ser considerados, como:

  • Lei Federal 7.347/1985: permitiu a criação de instrumentos para viabilizar a recuperação de áreas degradadas;
  • Constituição Federal de 1988: remete às áreas degradas como situações que devem ser reparadas independente do causador da degradação ter sofrido ações penais e aplicações de multas;
  • Decreto 97.632/1989: primeiro marco regulatório que cita plano de recuperação degradados, e para essa legislação específica obriga atividades de mineração a elaborar o Prad e submeter à aprovação do órgão ambiental competente;
  • Lei Federal 9.605/1998: lei dos crimes ambientais, que exige ao infrator recompor o ambiente degradado;
  • Lei Federal n° 12.651/2012: novo Código Florestal atuando fortemente na recuperação de áreas de reserva legal e áreas de preservação permanente, além da obrigatoriedade de Cadastro Ambiental Rural dos imóveis rurais.

Como fazer o Plano de Recuperação de Áreas Degradadas?

O primeiro passo para elaborar o Prad é fazer a caracterização da área degradada e seu entorno. O agente causador da degradação deve ser informado, através de vistoria de campo.

Após, a delimitação da área a ser recuperada precisa ser feita. Você deverá escolher métodos e técnicas de recuperação de acordo com a área a ser recuperada e com a classificação do solo

Especifique também as técnicas e ações que serão adotadas no processo de recuperação.

O próximo passo é elaborar uma proposta de monitoramento. Faça também uma avaliação da efetividade da recuperação após a execução do plantio. Elabore um levantamento dos insumos, custos e cronograma de execução necessários para a recuperação.

Por fim, detalhe o cronograma, a proposta de monitoramento e a avaliação da recuperação da área. Após a aprovação do plano do Ibama, você terá 90 dias para dar início às atividades de recuperação previstas no cronograma do Prad.

Em resumo, os itens que são obrigatórios e que devem estar no seu plano são:

  • Dados do imóvel rural;
  • Dados do proprietário rural;
  • Dados do responsável técnico pela elaboração do plano;
  • Dados do responsável pela execução do plano;
  • Causas da degradação;
  • Objetivo da realização do projeto;
  • Detalhamentos sobre a implantação do plano;
  • Detalhamentos da manutenção do plano;
  • Informações sobre monitoramento da recuperação da área;
  • Cronograma (de atividades e financeiros), extremamente detalhado.

Documentação necessária

O Prad deve ser protocolizado no Ibama em 2 vias, uma impressa e outra digital. Essas vias devem ser acompanhadas dos seguintes documentos:

  • documentação do proprietário;
  • documentação da propriedade;
  • cadastro no ADA (ato declaratório ambiental);
  • certificado de registro do responsável técnico no Cadastro Técnico Federal do Ibama;
  • ART (anotação de responsabilidade técnica);
  • informações georreferenciadas de toda área a ser recuperada;
  • mapa ou croqui que possibilite o acesso ao imóvel rural.

Só podem elaborar o Prad profissionais habilitados. Considere contratar uma empresa de consultoria ambiental confiável e regularize sua propriedade. Assim, as chances de receber multas e sanções são menores. 

Recuperação de áreas degradadas

Áreas degradadas são aquelas que tiveram suas características naturais alteradas, tanto por motivos naturais quanto por ação humana, além do limite em que possam se recuperar sozinhas. Por esse motivo, precisam de intervenção humana para se recuperarem.

Não existe apenas uma forma de recuperar uma área degradada. As principais maneiras de se fazer isso são através do plantio de mudas, do plantio de sementes, do plantio de culturas como amendoim, da recuperação natural e do uso de espécies pioneiras. Veja mais a seguir: 

Plantio de mudas

O plantio de mudas é uma das técnicas de recuperação de áreas degradadas mais efetivas. Porém, apresenta alto custo. Em geral, o plantio de mudas nativas apresenta alto crescimento e portanto. Em até dois anos, a área poderá estar recuperada.

Prad: solo com plantio de mudas em linhas
(Fonte: Embrapa)

Plantio de sementes

O plantio de sementes também pode recuperar solos degradados. Ele deve ser feito com espécies florestais adaptadas à região. Para o sucesso desse tipo de recuperação, é necessário que ela seja realizada sob condições climáticas adequadas.

Recuperação natural

A recuperação natural de áreas degradadas é quando uma área se regenera naturalmente. É indicada para casos de recuperação de áreas de preservação permanente. Porém, algumas barreiras podem prejudicar a regeneração:

  • ausência de sementes para a recuperação do local;
  • menor desenvolvimento de mudas jovens; 
  • falta de polinizadores.

Recuperação com espécies pioneiras

O plantio de espécies pioneiras pode ser aplicado em áreas próximas a fragmentos florestais. Nesses locais, a natureza se encarrega de promover o enriquecimento natural da área. Esse método também é indicado quando a área está muito degradada.

Como funciona a manutenção e monitoramento do Prad?

O monitoramento e avaliação do Prad é de 3 anos após sua implantação. Ele pode ser prorrogado por 3 anos. Ao longo da execução do Prad, você deve apresentar relatórios de monitoramento, elaborados pelo responsável técnico.

Esses relatórios poderão ser solicitados pela área técnica do Ibama, caso a situação requeira, em intervalos de 3 meses. Pequenos proprietários rurais ou agricultores familiares não precisam apresentar relatórios.

Serão realizadas análises e vistorias pelo Ibama nas áreas em processo de recuperação. Eventuais alterações das atividades técnicas previstas no Prad deverão ser encaminhadas ao Ibama com antecedência mínima de 90 dias.

Ao final da execução do Prad, você precisa apresentar um Relatório de Avaliação com indicativos que permitam aferir o grau e a efetividade da recuperação da área.

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O que acontece se descumprir o Plano?

Caso os objetivos propostos no Prad não sejam alcançados, a área degradada não será considerada recuperada. Isso pode tornar necessária a reavaliação do projeto e ações técnicas pertinentes.

Desta forma, o proprietário estará sujeito a multas e sanções penais, conforme mencionado na Lei 9.605/1998. 

Ele também pode sofrer medidas restritivas de direitos, como a perda ou suspensão de participação em linhas de financiamento e crédito rural.

Conclusão

O Prad é um conjunto de medidas para recuperação de áreas degradadas. Ele assegura condições adequadas de uso do solo e a conservação dos recursos naturais.

Esse estudo reúne informações, diagnósticos, levantamentos e estudos para avaliar a degradação ocorrida e definir medidas adequadas de recuperação da área.

Esse plano é solicitado por órgãos ambientais como parte do processo de licenciamento ambiental ou após a propriedade ser punida administrativamente por causar degradação ambiental.

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Estação meteorológica na fazenda: Entenda como funciona 

Estação meteorológica: saiba quais equipamentos fazem parte, o que eles medem e como seus dados podem ser um diferencial na atividade da fazenda

As condições climáticas influenciam muito no crescimento, desenvolvimento e produtividade das culturas.

Quanto mais mapeadas forem as condições ambientais, melhor você entenderá os ciclos climáticos e sua interação com a cultura. Com uma estação meteorológica, é possível fazer isso na sua própria fazenda.

Neste artigo, veja quais são os impactos positivos das informações obtidas em estações meteorológicas, quais são os instrumentos necessários e muito mais. Boa leitura! 

O que é uma estação meteorológica?

Uma estação meteorológica é um conjunto de sensores e equipamentos que tem a capacidade de medir, gravar e recolher dados sobre o tempo. Eles medem parâmetros como temperatura, pressão atmosférica, radiação, chuva, pressão atmosférica, direção e velocidade do vento e muito mais.

A meteorologia é a ciência que estuda os fenômenos da atmosfera, a entende e prevê. Assim, a meteorologia estuda as condições passadas e atuais para prever o futuro próximo. 

Vale lembrar que o tempo é uma situação momentânea das condições meteorológicas. Já o clima é um conjunto de condições meteorológicas em um determinado intervalo, como por exemplo, um ano.

Dessa forma,  uma estação meteorológica ajuda a avaliar a situação atual do tempo. Com essa análise, é possível comparar e entender os fenômenos passados que formam o clima.

Equipamentos da estação meteorológica

Uma estação meteorológica é composta por instrumentos de medição como termômetros, higrômetros, barômetros, anemômetros, pluviômetros, radiômetros, tensiômetros, sensores e tanque. 

Além desses itens básicos, também podem fazer parte da estação outros equipamentos. Data loggers, GPS, redes de comunicação para transferência de dados, dispositivos armazenadores de dados e repetidores de sinais são exemplos.

Equipamentos de estação meteorológica
(Fonte: AgSolve)

Conheça os instrumentos de medição de uma estação meteorológica e saiba como esses equipamentos funcionam.

Termômetros

Esse é um dos equipamentos mais conhecidos e mede a temperatura do ar. Existem diversos tipos de termômetro, em vários níveis de tecnologia.  A unidade de medida mais comum no Brasil é graus Celsius (°C).

Higrômetro

O higrômetro é o equipamento que mede a umidade do ar. Essa medida reflete a quantidade de água presente no ar, de acordo com a capacidade de retenção do mesmo. Sua unidade é refletida em porcentagem (%), e seus valores podem variar entre 0 e 100.

Anemômetro

Esse é o sensor responsável por detectar a velocidade e direção do vento. A unidade de velocidade normalmente é medida em metros por segundo (m/s) ou quilômetros por hora (km/h).

A direção do vento é dada de acordo com as coordenadas geográficas (norte, sul, leste, oeste e suas intermediárias).

Barômetro

O barômetro mede a pressão atmosférica. Apesar dessa característica ser bastante constante com a altitude, é importante ter um valor bem medido para estimativa de outros parâmetros. Isso, é claro, em combinação com outros instrumentos da estação. 

As unidades mais comuns de medida são BAR e Mega Pascal (MPa).

Pluviômetro

A quantidade de precipitação/chuva é medida por esse equipamento. Apesar de poder ser medida em outras unidades, normalmente o mais comum é o milímetro (mm) de água. O milímetro representa litros por metro quadrado (l/m2).

Radiômetro

O radiômetro (ou piranômetro) é um sensor que mede a quantidade de radiação solar que chega ao dossel ou ao solo em uma área específica e intervalo de tempo. 

A unidade de medida normalmente é dada em megaJoules por metro quadrado por hora (MJ/m2/h) ou em Watts por metro quadrado (W/m2). 

Existe também um medidor específico para a radiação fotossinteticamente ativa, que é a parte da radiação total absorvida pelas plantas. A unidade de medida é em micromols por metro quadrado por segundo (µmol/m2/s).

Termômetro e tensiômetro de solo

Existem sensores específicos para a medição de características do solo. Essas medições são normalmente feitas na parte superficial do solo, mas também podem atingir porções mais profundas, de acordo com a necessidade. 

As unidades são as mesmas de temperatura (°C) e umidade (%). A porcentagem também pode ser medida em metros cúbicos por metros cúbicos (m3/m3).

Sensores de molhamento e umidade foliar

Os sensores de molhamento e umidade são utilizados para medir características específicas, como o tempo de molhamento foliar e a umidade da folha.

Tanque classe A

Esse equipamento consiste em um tanque de volume e área conhecida que contém uma quantidade de água conhecida. 

Ele permite a medição da quantidade de água evaporada em um período de tempo e auxilia no cálculo da evapotranspiração. A unidade de medida normalmente é em milímetros por unidade de tempo (mm/h).

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Tipos de estação meteorológica

As estações meteorológicas podem ser automáticas, convencionais, de primeira classe, segunda classe ou terceira classe. Essa classificação acontece de acordo com o modo de captura e armazenamento de dados, e também de acordo com os dados coletados. 

As estações podem ter os dados medidos e armazenados automaticamente, por meio de dispositivos eletrônicos e redes de transmissão de dados (estações automáticas). 

Os principais sensores das estações meteorológicas automáticas são os anemômetros, piranômetros, sensores de temperatura e umidade, além dos pluviômetros.

A aquisição de dados também pode ser feita pelos instrumentos mecanicamente e verificadas e anotadas por um operador (convencional).

As estações são também classificadas de acordo com os tipos de sensores que apresentam e os dados gerados.

As estações de primeira classe coletam dados de diversos sensores, trazendo informações completas. 

As estações de segunda classe são mais simples e não apresentam informações sobre pressão atmosférica, vento e radiação.

As estações de terceira classe coletam apenas temperaturas máxima e mínima e chuva acumulada, e são ainda mais simples.

Estação meteorológica convencional e automática
Exemplo de estações meteorológicas convencional e automática
(Fontes: Ufla/Oficina de textos)

Quais são as principais estações meteorológicas do Brasil?

O Inmet  (Instituto Nacional de Meteorologia) é o órgão que organiza e controla as informações meteorológicas captadas pelas estações espalhadas pelo país. A rede do Inmet conta com cerca de 500 estações automáticas, além de quase 300 estações convencionais.

Abaixo, mostramos um mapa das estações cadastradas na rede do Inmet.

Mapa do Brasil com indicador de estação meteorológica por região
Mapa de estações meteorológicas do Brasil, pertencentes à rede Inmet
(Fontes: Inmet)

Além do Inmet, também há a rede de estações do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), além de algumas estações da Embrapa. Estações de instituições estaduais também são presentes no Brasil, como:

  • IAC (Instituito Agronômico de Campinas); 
  • Iapar (Instituto Agronômico do Paraná);
  • Climerh (Centro Integrado de Meteorologia e Recursos Hídricos de Santa Catarina);
  • Simepar (Sistema Meteorológico do Paraná). 

Importância e vantagens de levantar os dados climatológicos

O conhecimento das variáveis meteorológicas é muito importante nas tomadas de decisão em uma propriedade agrícola. Ele pode definir a produtividade das lavouras e o sucesso do empreendimento.

Apesar do elevado número de estações com dados disponíveis pela rede Inmet, ter uma estação própria na propriedade tem muitas vantagens:

  • Disponibilidade de dados facilitada;
  • Caracterização específica da propriedade;
  • Capacidade de verificações momentâneas das variáveis ambientais;
  • Maior assertividade nas previsões a curto prazo;
  • Tomada de decisões de manejo mais bem embasadas;
  • Diminuição de risco de perdas devido a condições extremas;
  • Redução de custos e de retrabalho;
  • Maior eficiência no uso de maquinários, mão-de-obra e recursos.

Muitas atividades podem ser beneficiadas pelo conhecimento vindo das estações meteorológicas particulares. Elas são:

  • Estimativa de geadas;
  • Controle preciso das atividades de irrigação, baseados em cálculos de umidade de solo e folha e evapotranspiração;
  • Eficiência nas atividades de pulverização de acordo com condições de vento, molhamento foliar e possibilidade de chuva;
  • Mapeamento da previsão de incidência de doenças devido a condições favoráveis de temperatura, vento e umidade;
  • Decisão facilitada da melhor época de plantio e maior eficiência de acordo com umidade do solo;
  • Menor compactação de solo devido ao controle de tráfego de acordo com a umidade do solo.

Qual o custo de uma estação meteorológica?

O custo de uma estação meteorológica é proporcional ao seu grau tecnológico. Elas costumam custar entre R$ 5 mil e R$ 30 mil. Outro fator que influencia no valor é o fato de a estação ser ou não usada.

Estações meteorológica automáticas, que contenham grande número de sensores e estejam conectadas a redes de compartilhamento de dados terão preços mais altos. As estações convencionais, mais simples, podem ser mais baratas.

É importante ressaltar que, apesar de o investimento em uma estação meteorológica poder ser alto, a economia que ela pode gerar também é alta. Como você viu, é possível evitar perdas, melhorar a produtividade e ter mais eficiência nas atividades da lavoura.

Requerimentos para ter uma estação meteorológica na fazenda

Apesar de todos os possíveis benefícios, a instalação de uma estação meteorológica na propriedade deve ser bem planejada por diversos fatores.

Alguns desses fatores estão relacionados aos requerimentos do terreno e local para a instalação e perfeito funcionamento da estação. A área deve ter as seguintes características:

  • Ser plana e ter cobertura vegetal rasteira, de preferência gramado;
  • Estar em área aberta e longe de obstáculos que possam interferir no vento, criar microclimas específicos ou bloquear a radiação solar;
  • Não ser próxima a cursos ou reservatórios de água, evitando impacto nas medições de umidade;
  • Evitar proximidade a redes de energia elétrica.

Conclusão

Há muitas vantagens de se ter informações de uma estação meteorológica. 

Isso destaca a importância de as fazendas possuírem um bom nível tecnológico para abrigar ferramentas que podem ser aliadas da produtividade. 

Analise bem os tipos de estação meteorológica e escolha o melhor modelo para sua fazenda com base em sua realidade, capacidade de investimento, nível tecnológico da propriedade e o conhecimento dos operadores. Na dúvida, consulte um especialista!

>> Leia mais: Saiba como fazer um projeto de fazenda sustentável

Restou alguma dúvida sobre ter ou não uma estação meteorológica em sua fazenda? Deixe seu comentário aqui embaixo!

Adubação: tipos de adubos e principais métodos de aplicação

Adubação: saiba o que é, como funciona, como fazer o planejamento ideal, todos os benefícios e muito mais.

A maioria dos solos brasileiros tem baixa fertilidade natural. Para resolver esse problema, há a adubação: a prática de reposição dos nutrientes exigidos pelas plantas. 

Ela é indispensável para atingir altas produtividades e garantir a qualidade do produto final. Existem diversos tipos de adubo e métodos de aplicação, e conhecer todos eles faz parte do planejamento de fertilização da sua lavoura.

Neste artigo, veja as diferenças entre os tipos de fertilizante e entenda qual a sua importância na manutenção da produtividade das lavouras. Boa leitura!

O que é adubação?

A adubação é a prática agrícola de repor os nutrientes do solo, e é fundamental para garantir a qualidade das plantas. 

Através dos fertilizantes ou adubos, as culturas são nutridas com as substâncias essenciais para terem um crescimento satisfatório, o que impacta diretamente na sua produção e nos seus lucros.

Essa prática ajusta a fertilidade do solo para atender as exigências nutricionais das plantas cultivadas. Conhecer os indicadores de fertilidade é fundamental para fornecer os adubos na dosagem adequada, evitando excessos ou faltas.

A análise de solo é a ferramenta utilizada para quantificar os nutrientes presentes no solo. Além disso, ela fornece informações que influenciam na disponibilidades dos nutrientes para as plantas, como o pH e a presença de alumínio.

É importante ressaltar que toda recomendação de adubação deve ser orientada pelo resultado da análise de solo

Classificação dos adubos 

Segundo a legislação brasileira, os fertilizantes podem podem ser classificados em três tipos.

O primeiro são os mais utilizados na agricultura de larga escala: os fertilizantes minerais ou sintéticos.

  1. Minerais ou sintéticos: Concentrados e de rápida assimilação pelas plantas, usados principalmente na agricultura em larga escala.
  2. Orgânicos: De origem animal ou vegetal, com menor concentração de nutrientes e ação mais lenta, focados em alimentar o solo e aumentar a matéria orgânica.
  3. Organominerais: Mistura de orgânicos e minerais, geralmente com maior proporção de orgânicos.

Além disso, os fertilizantes podem ser simples (fornecem um ou mais nutrientes) ou misturados (combinam dois ou mais fertilizantes simples), podendo ser simples (nutrientes separados) ou complexos (nutrientes no mesmo grão) e classificados por estado físico:

  • : Moído em pó.
  • Farelado: Grânulos desuniformes.
  • Granulado: Grânulos uniformes.
  • Líquido: Forma líquida.

Principais Tipos de adubo

Os adubos ou fertilizantes são os insumos utilizados na nutrição das plantas. Eles podem ser orgânicos, minerais ou organominerais. Veja as diferenças entre eles:

1. Adubo orgânico

O adubo orgânico têm como matéria-prima os resíduos de origem vegetal e/ou animal. Eles atuam como condicionadores do solo, melhorando as suas propriedades físico-químicas. Podem ser adubos o esterco animal, folhas secas, grama, vinhaça, torta de filtro ou mamona, etc.

Eles aumentam o teor de matéria orgânica e, consequentemente, aumentam a CTC do solo. O fertilizante orgânico também melhora a agregação do solo e a capacidade de retenção de água. 

Eles também contribuem para a redução da oscilação térmica do solo, porque a matéria orgânica é má condutora de temperatura. Isso garante que as plantas não sofram estresse térmico nas horas mais quentes do dia. 

Esses fertilizantes também reduzem o impacto ambiental pelo aproveitamento dos resíduos. A adubação verde é um bom exemplo disso.

Apesar disso, as fontes orgânicas apresentam variação em sua composição e podem não suprir todas as exigências nutricionais das plantas. Em alguns casos, a aplicação complementar de adubos minerais pode ser necessária.

A adubação orgânica tem custo elevado, principalmente no que se refere ao transporte. Em algumas regiões, não são encontrados com facilidade. 

Apesar de orgânicos, eles não devem ser utilizados de forma indiscriminada. É fundamental conhecer a composição química dos fertilizantes para estabelecer a melhor dosagem, considerando a espécie cultivada e o tipo de solo.

Adubação: Trabalhadores rurais inserindo adubo orgânico em lavoura
Fabricação de composto orgânico a partir de resíduos vegetais
(Fonte: Resende, Alexander Silva)

2. Adubo mineral

O  adubo inorgânico ou adubo mineral é o mais utilizado na produção agrícola em larga escala. Eles têm as rochas como matérias-primas, e são obtidos a partir de processos físicos, químicos e físico-químicos

Alguns exemplos são a ureia, nitrogênio, potássio e fosfatados.

Os fertilizantes minerais são concentrados. Quando entram em contato com a solução do solo, liberam rapidamente os nutrientes para as plantas. Por se tratar de um produto concentrado, eles devem ser utilizados com moderação

Alguns fertilizantes minerais apresentam liberação controlada dos nutrientes, como o basacote e o osmocote. Nesse caso, os nutrientes são encapsulados por polímeros e liberados lentamente, ao decorrer do ciclo de desenvolvimento das plantas. 

A utilização do fertilizante inorgânico melhora a eficiência da adubação, pela disponibilidade contínua de nutrientes para as plantas. Quando comparado aos adubos convencionais, os adubos de lenta liberação apresentam maior valor agregado

Apesar disso, sua utilização reduz os custos com mão de obra para a aplicação parcelada de outros fertilizantes.

Ao utilizar adubos de liberação controlada, é preciso estar atento ao tempo de liberação dos nutrientes para as plantas. O tempo de liberação do fertilizante mineral varia de acordo com o produto e pode variar entre 3 a 12 meses.

3. Adubo organomineral

Os adubos organominerais são produzidos a partir da combinação de fertilizantes minerais e orgânicos. Isso quer dizer que eles são um adubo orgânico enriquecido com fontes minerais.

Além de fornecer nutrientes para as plantas, esse tipo de adubo contribui para a redução dos impactos ambientais. Afinal, eles são produzidos a partir de resíduos animais e vegetais.

Os fertilizantes organominerais favorecem a microbiota do solo e o desenvolvimento das plantas

Principais métodos de aplicação dos fertilizantes

Os fertilizantes podem ser aplicados na lavoura de diferentes formas: via solo, via foliar ou via fertirrigação. Cada um desses métodos possui particularidades que você deve conhecer.

1. Via solo 

Nesse método, os fertilizantes são aplicados diretamente no solo. Eles podem ser incorporados ou não com o auxílio de um arado ou grade.

A adubação a lanço também pode ser feita, de forma manual ou com máquinas distribuidoras. Nesse caso, ela é realizada antes da implantação da lavoura.

Quando a cultura está sendo implantada, pode ser feita a adubação de semeadura. Ela ocorre pela deposição dos fertilizantes na linha de plantio. Nesse caso, os adubos são depositados abaixo e nas laterais das sementes

Para a adubação no momento do plantio, os fertilizantes químicos ou granulados são os mais recomendados.

Em culturas com grande espaçamento entre plantas e entre linhas, a adubação pneumática pode ser feita. Ela acontece através das semeadoras pneumáticas. 

Outra possibilidade via solo é a adubação de base. Ela é a fertilização do solo em cobertura, com aplicações feitas apenas após a emergência da cultura. 

2. Adubação foliar

Na adubação foliar, os fertilizantes são dissolvidos em água e pulverizados sobre as folhas das plantas. Os nutrientes são absorvidos pela parte aérea das plantas, e não pelas raízes.Trata-se de uma prática complementar na nutrição vegetal.

É uma estratégia bastante comum na aplicação de micronutrientes, e acontece através de pulverizações. Na aplicação foliar, as condições climáticas têm grande influência na eficiência da adubação. 

Além disso, os adubos aplicados nas folhas são assimilados mais rapidamente, em comparação aos aplicados no solo. Porém, a desvantagem é que o aproveitamento desses nutrientes é curto.

3. Via fertirrigação

A fertirrigação é uma prática agrícola em que é utilizado o sistema de irrigação para aplicação dos adubos. Ela pode ser feita através da micro-irrigação, da aspersão, da microaspersão e do gotejamento, por exemplo.

Trata-se de um método eficiente e econômico na nutrição das plantas, que economiza o uso dos adubos na lavoura. 

Como a fertirrigação acontece junto da irrigação, a absorção dos nutrientes pelas plantas é melhor. Para esse tipo de adubação, opte pelos adubos líquidos.

Qual a Importância da adubação?

A deficiência ou a superdosagem de um nutriente interfere na absorção dos outros nutrientes. Isso prejudica o desenvolvimento das plantas e diminui a produtividade da lavoura. 

Além disso, a superdosagem de fertilizantes também desequilibra o pH do solo. Dependendo da quantidade aplicada, pode causar a morte das plantas.

A adubação é um dos fatores indispensáveis para a produção agrícola. É fundamental que seja realizada tendo como referência os resultados da análise de solo. Somente assim é possível disponibilizar os nutrientes na quantidade e no momento certo.

A correta adubação garante o crescimento das plantas, contribui para o incremento da produtividade e para a qualidade do produto. Ela também melhora a capacidade de resposta das plantas a pragas e doenças.

Melhor adubo para plantas: mineral ou orgânico?

Os fertilizantes minerais e sintéticos, como o nitrogênio, têm composição química e fornecem nutrientes rapidamente às plantas, mas não afetam o solo a longo prazo.

Sua alta concentração facilita a logística e aplicação, especialmente em grandes áreas de cultivo, como feijão, arroz, soja, milho, algodão e trigo.

Já os adubos orgânicos, com menor concentração de nutrientes, exigem grandes volumes, dificultando a logística em áreas extensas.

No entanto, eles melhoram a fertilidade do solo a longo prazo, aumentando a matéria orgânica e a capacidade de retenção de nutrientes.

Porém, as perdas de nitrogênio nos adubos orgânicos são mais elevadas, devido à volatilização e lixiviação. Para minimizar isso, é recomendado misturar pequenas doses de fósforo, que ajudam a fixar o nitrogênio e reduzir as perdas.

Adubo líquido: É um boa opção?

Os fertilizantes líquidos, especialmente os foliares, têm ganhado popularidade devido à logística facilitada e ao uso em duas formas principais: foliar e fertirrigação. Contudo, apresentam limitações.

Apesar da alta concentração, devem ser aplicados em baixas concentrações (1-2%) para evitar danos às folhas, o que limita a aplicação de nutrientes como nitrogênio, fósforo e potássio.

Por isso, para atender a grandes necessidades nutricionais, os fertilizantes sólidos são mais viáveis.

Adubos líquidos são eficazes para micronutrientes, como zinco, manganês, boro e ferro. São comuns também em associação com defensivos, desde que não prejudiquem sua eficácia.

Na fertirrigação, é ideal aplicar os fertilizantes após o início da irrigação, finalizando antes de seu término, evitando perdas por lixiviação ou danos por salinidade.

Planejamento da adubação

No planejamento da adubação, escolher um bom laboratório para análise do solo é fundamental. Afinal, todo o processo será baseado nesse resultado. Considerar as exigências nutricionais da cultura também é uma etapa importante.

Além disso, antes de começar a adubação, considere também:

  • a produtividade esperada;
  • o sistema de manejo;
  • o histórico da área onde será implantada a lavoura (espécies cultivadas anteriormente, produtividades alcançadas nas safras passadas, calagem e adubações já realizadas);
  • as condições climáticas;
  • o maquinário disponível;
  • os seus recursos financeiros.
Banner de planilha de adubação de milho e soja

Conclusão

A adubação é uma prática agrícola que tem o objetivo de repor os nutrientes e ajustar a fertilidade do solo. Isso vai atender as exigências nutricionais das espécies cultivadas.

Somente o manejo da adubação não é garantia de altas produtividades. Fatores como tipo de solo, clima, incidência de pragas e doenças têm influência direta nesse parâmetro.

No que se refere a adubação, não existe receita. Cada cenário deve ser avaliado individualmente, considerando fatores agronômicos, ambientais e econômicos. Na dúvida, consulte um(a) engenheiro(a) agrônomo(a).

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Como você faz a adubação da sua lavoura? Já teve problemas com o excesso ou a falta dela? Deixe seu comentário.

Proagro: o que é e quais as regras do programa de garantia da atividade agropecuária

Proagro: compreenda sua importância, identificar as diversas coberturas disponíveis e entender o que não é contemplado são elementos fundamentais.

O Proagro, Programa de Garantia da Atividade Agropecuária, visa garantir o pagamento das parcelas do crédito de custeio da produção. 

É aplicável a produtores que enfrentam perda de receita devido a eventos climáticos, pragas ou doenças na lavoura. Essencialmente, o Proagro funciona como um programa para sanar possíveis dívidas de custeio. 

Este artigo apresenta as exigências e todas as coberturas disponíveis. Aproveite a leitura!

Proagro: o que é?

O Programa de Garantia da Atividade Agropecuária, conhecido como Proagro, é um programa governamental com regras próprias que funciona como uma espécie de seguro. Ele serve para garantir o pagamento de financiamentos rurais de custeio agrícola, em casos de lavouras prejudicadas por situações climáticas, pragas ou doenças graves.

Ele foi criado pela Lei 5.969/1973 (já revogada) e é regido pela Lei 8.171/1991, tendo sido regulamentado pelo Decreto 175/1991 e pela Lei 12.058/2009.

O programa é custeado com recursos da União. Esses recursos vêm de contribuições do produtor rural (adicional/prêmio do Proagro) e de receitas da aplicação do adicional colhido. As normas do Proagro constam no MCR (Manual de Crédito Rural).

O foco do Proagro são os pequenos e médios produtores rurais. Porém, pode atender a todos que se enquadram nos limites de coberturas estabelecidos no Manual de Crédito Rural. 

A diferença entre o Proagro e o Seguro Agrícola está na origem do dinheiro utilizado para fazer as indenizações e pagamentos de apólices. O Proagro é um programa governamental. Portanto, o recurso que pode ser pago a um agricultor tem origem nos cofres públicos.

Já os seguros agrícolas fazem parte das modalidades de Seguro Rural, que é operado por instituições privadas voltadas para este fim. Essas instituições são autorizadas pelo Mapa.

Proagro Mais

O Proagro Mais é voltado para beneficiários do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), cujas regras também estão no MCR.

O Proagro Mais abrange o financiamento de investimento rural, permitindo ao beneficiário incluir a parcela do crédito destinada a investimentos. O beneficiário pode apresentar à instituição financeira uma declaração identificando a operação de investimento rural a ser respaldada pelo contrato.

Esse beneficiário pode ainda apresentar o valor da prestação e a data de vencimento.

O Proagro Mais funciona também como uma garantia de renda mínima. Isso é feito por meio do enquadramento de um valor que será vinculado ao orçamento de custeio da lavoura.

O objetivo é garantir a subsistência do pequeno agricultor em caso de perdas de receitas por conta de fenômenos naturais, pragas ou doenças.

Como funciona o Proagro

O Proagro é oficialmente gerenciado pelo Banco Central do Brasil e operado por instituições financeiras autorizadas a fornecer crédito rural. Essas entidades realizam contratos de operações de custeio e são responsáveis por formalizar a participação do agricultor no programa.

Se o pedido de cobertura do Proagro for negado pelo agente financeiro, o produtor rural pode recorrer à Comissão Especial de Recursos. Essa é uma instância administrativa do Proagro.

Em lavouras temporárias, como de soja e trigo, a cobertura começa quando é feito o transplantio ou emergência da planta na lavoura. Ela  termina com a colheita ou o fim do período recomendado para a colheita.

Já nas lavouras permanentes, como a de café, a cobertura começa com o débito do adicional na conta da operação ou recolhimento no adicional ao Banco Central. Ela também termina com o fim da colheita.

Manter em dia o pagamento das parcelas do custeio agrícola não é uma tarefa fácil. Isso se agrava em tempos de aumento dos efeitos das mudanças climáticas.

Além de alterar o regime de chuvas e intensificar secas e geadas, as mudanças climáticas tornaram as pragas e doenças mais destrutivas para a agricultura. 

Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), 40% da produção agrícola é perdida para pragas. Elas “roubam a economia global”  mais de US$ 220 bilhões anualmente.

Por isso, se você obtiver crédito de custeio da produção, é de grande importância aderir ao seguro do Proagro ou ao Proagro Mais.

Coberturas do Proagro

O Proagro cobre perdas decorrentes dos seguintes eventos, desde que a lavoura já tenha emergido na área enquadrada no programa:

  • Ventos fortes ou frios;
  • Chuva excessiva, geada, granizo;
  • Seca (áreas não irrigadas);
  • Variação excessiva de temperatura;
  • Doença ou praga sem método conhecido e viável de prevenção ou controle.

Para lavouras irrigadas, as coberturas são as:

  • decorrentes de suspensão de uso de água pelo Poder Público, sendo que o plantio precisa ter sido feito conforme o Zarc (Zoneamento Agrícola de Risco Climático);
  • causadas pela seca, em locais onde houve o esgotamento natural dos mananciais utilizados para a irrigação – o beneficiário deve optar por essa cobertura na contratação.

O que o Proagro não cobre

A lista do que o Proagro não cobre é grande. Por isso, fique de olho antes de acionar o programa.

  • evento fora da vigência do amparo do Proagro ou do Proagro Mais;
  • incêndio na lavoura;
  • erosão do solo;
  • plantio em desconformidade com o Zarc;
  • práticas inadequadas de controle de pragas e doenças;
  • deficiência nutricional por adubação errada;
  • uso de tecnologia inadequada;
  • exploração de lavoura há mais de 3 anos na mesma área, sem conservação e fertilização do solo;
  • cancro da haste e nematoide de cisto na lavoura de soja implantada com variedades consideradas suscetíveis a essas doenças;
  • doenças conhecidas por “gripe aviária” e “mal da vaca louca”;
  • em lavouras irrigadas: seca, estiagem ou chuva na fase da colheita ou geada; quando considerados eventos comuns e conhecidos para a época e a região;
  • quando há seguro contratado para a lavoura ou para itens do empreendimento;
  • o contrato de crédito não possui cláusula de enquadramento no Proagro ou no Proagro mais;
  • quando o beneficiário apresenta documento referente ao empreendimento falso ou adulterado;
  • ocorrido o sinistro, o cálculo da produção final tenha sido realizado com base em faixas restantes da lavoura já colhida;
  • as coordenadas geodésicas da cultura são distintas da daquelas informadas ao agente do Proagro.

Como é calculada a indenização do Proagro

Segundo as diretrizes do Banco Central do Brasil, a compensação no Proagro é calculada com base nas perdas verificadas e respaldadas pelo perito. 

O beneficiário é elegível à compensação se a perda for coberta pelo Proagro ou Proagro Mais e se puder comprovar a aquisição dos insumos. Além disso, é necessário apresentar comprovantes de despesas válidos. 

Em situações de redução da área enquadrada, a compensação será proporcional à área de emergência das plantas, e se houver produção, as receitas serão deduzidas. 

No Proagro Mais, não há compensação se a receita gerada for igual ou superior a 70% da receita bruta esperada, a menos que haja uma parcela de investimento.

Como recorrer do cálculo, em caso de discordância

O prazo para análise e julgamento do pedido de cobertura é de 45 dias úteis, após recebimento do relatório final. São 5 dias úteis para fazer a comunicação ao beneficiário, após a decisão.  

Os motivos do indeferimento parcial ou total devem ser informados. Em caso de negativa da cobertura, o produtor tem 30 dias úteis para recorrer, por meio de pedido de revisão que deve ser apresentado ao agente do Proagro.

O recurso pode ser encaminhado à CER (Comissão Especial de Recursos), ligada ao Mapa.

A solicitação de recurso deve seguir o formato padrão, incluindo documentação e a assinatura do produtor ou representante legal. O produtor rural tem o direito de acessar os documentos do processo mantidos pelo agente do Proagro. Em casos de pendências administrativas, o agente deve resolver a situação no prazo de 180 dias.

Como acionar o pagamento

O seguro Proagro e o Proagro Mais podem ser acionados por meio das instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central do Brasil a operar com crédito rural. Você pode acionar de duas formas:

  1. diretamente no contrato de financiamento de custeio agrícola, em uma cláusula específica do contrato;
  2. através do Termo de Adesão para atividades que não são financiadas.

No contrato, são descritas as principais condições de enquadramento no Proagro ou no Proagro Mais:

  • a lavoura e a área;
  • produção e produtividade esperada;
  • valor enquadrado;
  • alíquota, a base de incidência e a época da exigibilidade do adicional;
  • o período de vigência do amparo do Proagro ou do Proagro Mais.

Regras do Proagro

Para contratar o seguro, são feitas as seguintes exigências, válidas para o Proagro e o Proagro Mais:

  • coordenadas geográficas da lavoura;
  • orçamento análitico das despesas previstas para a lavoura, com discriminação dos tipos de insumos e rerspectivos valores.

Para ter direito ao Proagro ou ao Proagro Mais, você paga uma porcentagem no valor total a ser coberto. O valor é similar ao prêmio pago na contratação do seguro.

Ele precisa estar previsto no contrato de crédito. Afinal, é debitado pela instituição financeira na conta onde é controlado o histórico de financiamento.

O valor do adicional varia de acordo com a modalidade do programa, cultura e sistema de produção. Conforme passam-se os anos, o valor do adicional é aumentado para o produtor.

Taxas atuais do programa

Para lavouras irrigadas, as taxas de juros do Proagro e do Proagro Mais são de 2%. Para soja em sequeiro, a taxa é de 5% do Proagro e 3,8% do Proagro Mais. As demais culturas zoneadas (em sequeiro) possuem 4% de taxa no Proagro, e 3% no Proagro mais.

Agora, confira as taxas para milho, trigo, feijão, cereais de inverno e outros:

  • Milho (sequeiro) na 1ª safra e 2ª safra: 5% no Proagro e 3,8% no Proagro Mais; 
  • Milho (sequeiro) na região Sul: 8,5% no Proagro e 7,5% no Proagro Mais;
  • Milho (sequeiro) nas demais regiões: 7% no Proagro e 5% no Proagro Mais;
  • Trigo (sequeiro): 8,5% no Proagro e 7% no Proagro mais;
  • Cereais de inverno (aveia, cevada e canola) no Sul e no Sudeste: 8,55% no Proagro e 7% no Proagro Mais;
  • Cereais de inverno (aveia, cevada e canola) nas demais regiões: 7% nos dos programas;
  • Feijão (1ª safra): 4% no Proagro e 3,5% no Proagro Mais;
  • Feijão (2ª e 3ª safra): 6,5% no Proagro e 5% no Proagro Mais.
  • Sorgo (sequeiro): não há taxa no Proagro, e 3% no Proagro Mais;
  • Lavouras não zoneadas: não são permitidas no Proagro, e 3% no Proagro Mais;
  • Empreendimentos não financiados: 6% nos dois programas;
  • Empreendimentos em áreas agroecológicas: 2% nos dois programas.
Banner do Guia de Crédito Rural. à esquerda a descrição do ebook e à direita uma foto com moedas e uma planta.

Conclusão

Os seguros Proagro e Proagro Mais desempenham um papel crucial para aqueles que buscam financiamento para custear a produção agrícola. 

Em tempos passados, durante sua criação, sua importância já era notável, mas hoje é ainda mais significativa diante da crescente influência das mudanças climáticas.

É fundamental compreender as regras desses programas para evitar surpresas ao solicitar uma possível indenização. 

Ter o suporte de um especialista na área é essencial. Já adquiriu o Proagro? Surgiram dúvidas sobre as normas do programa? Compartilhe seus questionamentos nos comentários abaixo!

Você já contratou o Proagro? Restou alguma dúvida sobre as regras do programa? Deixe seu comentário abaixo!

Colheita de café: quando realizar e como evitar perda de qualidade

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Veja como fazer a colheita do café e a reconhecer qual é a época correta, diferentes métodos, custo e muito mais!

A época de colheita do café é um dos fatores que mais interferem no sabor da bebida. Saber o momento correto de realizá-la é primordial.

Os tipos de colheita de café também precisam ser analisadas de acordo com a realidade da sua propriedade. Essa é outra forma de evitar perdas de qualidade dos grãos.

Neste artigo, separamos informações valiosas sobre a colheita de café, tipos e dicas que podem te ajudar. Boa leitura!

Época de colheita do café

A colheita de café deve ser feita com os frutos em maturação fisiológica, parecidos com cerejas. Esse estado ocorre entre março e abril até setembro, no período da seca. Nesse momento, a cor da casca do café fica entre o vermelho e o amarelo, e os grãos precisam ter entre 55% e 70% de umidade.

O tempo de colheita após a floração do café é de aproximadamente 7 meses. Há mais de uma floração por ano. Por isso, a colheita se estende por vários meses. No Brasil, o pico de colheita acontece entre junho e agosto.

Em países próximos à linha do Equador, pode ocorrer florada todos os meses, devido aos fatores climáticos serem favoráveis. Nesses locais, a colheita é feita durante o ano todo.

Diversos fatores interferem na qualidade dos grãos colhidos. Por exemplo, o manejo da lavoura, clima, momento de colheita, beneficiamento, secagem e armazenamento.

Colher o café no momento ideal é fundamental porque os grãos influenciam diretamente na qualidade da bebida.

Se a colheita ocorrer antes do tempo, a maioria dos frutos estão verdes e há alta concentração de fenóis, como taninos e ligninas. Essas substâncias interferem negativamente no sabor do café.

Quando são colhidos muitos secos, também sofrem alterações de sabor. Isso acontece devido a fermentação negativa, reduzindo sua qualidade.

Como a floração não ocorre somente uma vez, existem grãos em todos os estádios de maturação na mesma planta.

Assim, se a colheita do café não for manual, de grão a grão, o ideal é realizar quando estiver com maior uniformidade de maturação. Isso representa de 80%  a 90% dos frutos já maduros, com menos de 20% dos frutos verdes.

Para a  produção de cafés especiais, são utilizados grãos do tipo cereja. Isso tem gerado maior valor agregado para os produtores que buscam produzir este tipo de café.

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Classificação dos grãos de café

A coloração é um importante sinal da maturidade fisiológica dos frutos. A cor cereja dos grãos indica esse ponto. 

Os grãos começam com coloração verde. Com o avanço do processo de maturação,  eles vão adquirindo a cor do cultivar, que pode ser vermelho ou amarelo

Com o avanço do processo, os grãos vão adquirindo uma coloração escura. Eles perdem teor de água até estarem secos, no estádio conhecido como coco.

Os grãos podem ser classificados conforme seu ponto de maturidade:

  • Café verde, ou grãos verdes (teor de água de 60 a 70 %): é quando ocorre a granação dos frutos, ou seja, o endosperma fica duro, e os frutos estão com coloração verde; 
  • Grãos verde cana (teor de água de 55 a 60 %): os grãos vão mudando a coloração, se tornando mais maduros, passando a assumir a coloração do cultivar;
  • Grãos cereja (teor de água de 45 a 55 %): quando os frutos já estão totalmente com a coloração do cultivar, este é o momento ideal de colheita;
  • Grãos passa (teor de água de 30 a 45 %): quando os grãos já passaram do momento correto de colheita. O tegumento dos grãos, ou casca, começa a adquirir uma coloração escura.
  • Grãos secos/coco (menor que 25%): os frutos de café neste ponto já estão secos, com umidade baixa.
  • Grãos bóia: são grãos que flutuam na água devido ao menor peso, que pode ocorrer devido a má formação do grãos, por estar imaturo ou com ataque de pragas como da broca do café.
Estagios do café, desde gema dormente até seco
Escala para determinação de estádios fenológicos do café arábica 
(Fonte: Ciiagro)

Como é feita a colheita de café

Existem três tipos de colheita de café: manual (com trabalhadores que fazem a poda e retiram os frutos), semimecanizada (com trabalhadores e uso de máquinas em alguns processos) e mecanizada (totalmente feita através de máquinas). 

Veja mais sobre eles a seguir:

Colheita de café manual

A colheita manual ainda é bastante utilizada em áreas declivosas, em que a entrada de colhedoras é inviável. Pequenas propriedades também costumam adotar esse método.

Esse tipo de colheita consiste em retirar manualmente os grãos dos ramos. Ele exige muita mão de obra e é mais demorada.

Primeiro é feita a arruação, que consiste em limpar embaixo das plantas e nas entrelinhas. Essa operação é feita para facilitar a varrição depois da colheita e evitar mistura dos grãos com restos vegetais.

Para realizar a colheita manual de café são estendidas lonas ou panos na saia do cafezal, ou o colhedor carrega uma peneira. A colheita por este método pode ser feita de dois modos.

Os colhedores fazem a derriça total dos grãos nos panos ou peneiras, que são coletados e abanados. Isso os separa dos restos vegetais, como folhas e ramos. Em seguida, são levados para secagem.

Para este modo de colheita manual, é preciso que a lavoura esteja com a maior quantidade dos grãos cereja possível. Afinal, a colheita só ocorre uma vez por ano.

Em locais onde a colheita é feita o ano todo, ou para fabricação de cafés especiais, os colhedores retiram da planta de café somente os grãos cereja. Eles deixam os verdes para a próxima colheita.

Neste caso, os grãos apresentam maior qualidade, apesar do maior gasto com mão de obra.

Trabalhadores rurais colhendo café no campo. Todos usam boné verde e estão com braços erguidos na frente do cafezal.
Derriça manual sobre o pano 
(Fonte: Helton)

Após a colheita, é feita a varrição. Nela, os grãos que caíram no chão devem ser coletados para não servirem de local viável para broca-do-café. Essa praga pode prejudicar a próxima safra.

São utilizados rastelo e peneira para catar estes grãos e separá-los dos restos vegetais. Posteriormente, eles são comercializados por um preço menor em relação ao café colhido. 

Colheita de café semimecanizada

Na colheita semimecanizada, parte das operações são feitas manualmente e a outra parte de forma mecanizada.

Devido a falta de mão de obra para colheita do café, este método tem sido adotado por muitos produtores. Ele reduz a quantidade de mão de obra, otimiza o tempo e gera maior rendimento na operação.

Todas estas etapas podem ser feitas de modo manual ou mecanizado, gerando várias combinações de máquinas e mão de obra são possíveis como:

  • Derriça: manual ou com uso de derriçadeiras elétricas.
  • Recolhimento: no pano ou com uso de máquina que recolhe a lona.
  • Abanação: feita em peneiras ou abanador mecânico.
Trabalhadores em cafezal, realizando a colheita do café com um grande arado. Todos usam equipamentos de proteção cinza e laranja.
Derriça mecânica sobre o pano 
(Fonte: Stihl)

Na colheita semimecanizada, um ou mais processos destes citados são feitos com uso de máquinas, o que agiliza o trabalho.

Para o café conilon ou robusta, o uso de máquina que recolhe e trilha os grãos já é uma opção de uso dos produtores.

Colheita de café mecanizada

A colheita mecanizada do café vem sendo empregada em diversas regiões, principalmente nas que apresentam topografia adequada para este método. Ela pode ser realizada em grandes, médias e pequenas propriedades.

Todas as etapas de colheita citadas acima são realizadas por uma máquina, seja automotriz ou de arrasto.

Com o uso de mecanização, há aumento do rendimento operacional e redução do custo de mão de obra.

Se você vai instalar sua lavoura de café e pretende colher mecanicamente, é recomendável ajustar o espaçamento do cafezal entre linhas de 3-4 metros. Isso vai facilitar a locomoção da máquina.

Outro ponto importante neste método é a regulagem da colheitadeira, para evitar perdas de grãos ou danos nas plantas.

Máquina agrícola em cafezal, realizando a colheita.
Exemplo de colhedora de café
(Fonte: Jacto)

Pós-colheita de café

Com a colheita realizada, outro ponto que afeta a qualidade da bebida é a pós-colheita do café, feita em várias etapas. Após a retirada dos grãos do campo, o teor de água é elevado nos grãos. O próximo passo é a secagem.

Ela pode ser feita em terreirões ou em terreiros suspensos, utilizados principalmente para fabricação de cafés especiais.

O café precisa estar entre 10,5% a 11,5% de umidade para ser beneficiado. O cuidado com a temperatura é importante, por isso é preciso de tempo em tempo revolver o café durante a secagem.

Após a secagem, o próximo passo é o beneficiamento. A máquina que realiza esse processo pode ser móvel ou fixa.

Máquina amarela em campo, realizando o beneficiamento após a colheita de café
Exemplo de máquina de beneficiamento de café móvel
(Fonte: Campo e Negócio)

No beneficiamento, ocorre a separação de impurezas como pedras, restos vegetais, entre outros, e a separação dos grãos da casca seca.

Depois de beneficiados, os grãos são colocados em sacarias ou big-bags. Eles devem ser armazenados em local arejado, piso impermeável, limpo e sem iluminação solar direta.

Os sacos ou big-bags devem ser colocados sobre paletes para evitar contato direto com o chão ou paredes.

planilha para estimativa de perdas na colheita Aegro

Quanto vale uma colheita de café

Em maio, o preço do café arábica tem apresentado forte oscilação, pressionados por movimentos técnicos, incertezas relacionadas às demandas globais e pelo início da colheita 2022/23, principalmente. No dia 17, o Indicador Cepea/Esalq do arábica tipo 6, no posto da capital paulista, chegou a atingir R$ 1.308,24/sc, o maior patamar nominal desde 9 de março.

Quanto aos custos de produção do café, a mão de obra na colheita é um dos principais – e também um dos entraves da produção. Muitos produtores realizam a colheita fora do momento ideal devido à falta de trabalhadores.

Mesmo em áreas declivosas, onde a colheita não pode ser totalmente mecanizada, fazer parte da operação com uma máquina já gera economia. 

No custo de produção, tanto do café arábica quanto do café conilon, a mão de obra utilizada na colheita fica em média 20% do valor total da produção.

Pela informação fornecida pela Embrapa, a colheita manual necessita de aproximadamente 20 trabalhadores. Eles demoram mais tempo para colher em comparação com a semimecanizada.

Na colheita semimecanizada, somente 4 ou 5 trabalhadores são necessários. Na colheita mecanizada do café, esse número cai para 1 ou 2.

Isto geraria uma grande redução no custo de produção do café por mão de obra, além de colher os grãos próximos do momento ideal. Isso melhora a qualidade do produto final, resultando em maior lucro.

Mesmo havendo gasto com aluguel ou aquisição de maquinário, o investimento é pago ao longo das safras. Muitos produtores estão investindo em maquinários para colheita e prestando serviços para outros produtores, gerando mais renda.

Conclusão

A colheita de café é um fator que interfere na qualidade da bebida.

Saber o momento ideal de colher é fundamental para obtenção de grãos desejados e evitar perdas de produção.

Além disso, a colheita pode ser realizada de três métodos: manual, semimecanizada e mecanizada. Escolha o método ideal de acordo com as necessidades e a realidade da sua fazenda. Boa colheita!

Está se preparando para a colheita de café? As dicas desse artigo te ajudaram? Deixe seu comentário abaixo!

Colheitadeira: diferentes tipos, evolução e como escolher a melhor para a fazenda

Colheitadeira: entenda como funciona, quais são as funções, quanto custa, capacidade, detalhes sobre regulagem e mais!

A colheitadeira é uma máquina agrícola destinada à colheita das culturas. Ela pode colher plantas inteiras (forragem), partes de plantas (cana-de-açúcar), frutos (café) ou grãos (como milho e soja).

Nesse artigo, entenda a evolução das colheitadeiras e veja como escolher a ideal para a sua lavoura. Boa leitura!

Evolução das colheitadeiras

As colheitadeiras, também chamadas de colhedoras, colhedeiras, ceifeiras ou ceifadeiras, são equipamentos agrícolas destinado à colheita das culturas como soja, cana-de-açúcar, algodão, etc., que surgiram na esteira da modernização das lavouras. 

Antes das primeiras colheitadeiras chegarem ao Brasil, na década de 60, as colheitas eram manuais. O trabalho manual deu lugar para máquinas de tração animal, que foram sendo constantemente modernizadas.

Inicialmente as máquinas apenas cortavam as plantas. Ainda era necessária a separação dos grãos e frutos, por exemplo. Após isso, debulhadores e separadores de grãos e palhada foram desenvolvidos, bem como funções para limpeza e classificação de grãos.

Hoje, as máquinas possuem muito mais tecnologia e capacidade de colheita. Por exemplo, uma colheitadeira de soja colhe, em média, 3 hectares por hora. Já uma colheitadeira de milho silagem pode colher até 2 hectares por hora

As colheitadeiras modernas exercem funções além de colher. Elas podem oferecer a você detalhes que te ajudam a controlar as atividades sem necessariamente ir a campo. Isso é possível graças à agricultura de precisão

 Outra grande vantagem é a economia de custos que essas máquinas oferecem. 

Montagem com varias colheitadeiras diferentes, em evoluções diferentes

Evolução de colheitadeiras
(Fonte: editada pelo autor de múltiplas fontes)

Como funciona uma colheitadeira?

As colheitadeiras agrícolas são compostas de diversos sistemas que exercem atividades diferentes como corte, alimentação, trilha, separação, limpeza e transporte. Todas as funções juntas resultam em um processo completo. 

Essas atividades variam de acordo com a especificidade da máquina e da cultura a ser colhida. Veja detalhes de cada uma dessas funções de uma colheitadeira de grãos:

Corte ou despiga

Essa é a etapa inicial das colheitadeiras. Ela consiste na retirada das plantas ou das suas partes de interesse do campo. O corte depende da cultura que está no campo.

Em trigo, por exemplo, colhe-se a planta toda. No milho, faz-se apenas o arranquio das espigas. Já em milho silagem, toda a planta também é colhida.

Alimentação

Após o corte, o material vegetal é conduzido através do sistema de alimentação para a trilha. Esse sistema é composto por esteiras ou correntes transportadoras, caracóis de condução, elevadores, dentre outros.

Trilha

A etapa de trilha é principalmente feita nas colheitadeiras de grãos. Nessa etapa os grãos são retirados dos órgãos onde se prendem, como espigas, panículas, espiguetas, vagem, etc. Esse sistema se baseia em movimento, atrito e impacto

Os movimentos são coordenados, retirando os grãos sem causar danos ou impactos a eles.

Separação

Essa etapa consiste na separação de grãos e outras partes da planta como colmos, folhas, restos de espigas, normalmente conhecidos como palhada. 

Essa atividade pode acontecer em combinação com a trilha ou após ela. Normalmente, o grão segue para um compartimento e a palhada é ejetada para fora da máquina, se acumulando no campo.

Limpeza

Essa etapa atua na limpeza dos grãos e retirada de partículas como pedras, restos vegetais grandes ou pequenos, chamados de palhiço.  O sistema é normalmente composto pela bandeja de entrada que transporta a massa de grãos. 

Esses grãos são conduzidos a um sistema de peneiras de diferentes tamanhos e ventiladores. As peneiras de crivo maior permitem a passagem dos grãos e retém partículas maiores. O sistema de ventilação retira partículas mais leves que os grãos. 

Transporte e armazenamento

Os grãos limpos são conduzidos através de um escorregador para o fundo da máquina e elevados através de um elevador para o tanque graneleiro. Esse tanque será descarregado na carreta graneleira que acompanha a colheitadeira.

Banner do kit de gestão do maquinário

Principais tipos de colheitadeiras

As máquinas colheitadeiras podem ser classificadas quanto ao funcionamento (automotrizes, montadas ou de arrasto), quanto ao tipo de cultura e quanto ao sistema de trilha (radial ou axial).

Funcionamento

As máquinas podem se deslocar e executar as atividades por conta própria (automotrizes), necessitar de um motor externo (de arrasto) ou estar acoplada a um trator agrícola para movimento e tração (montadas);

Tipo de cultura

Existem colheitadeiras específicas para frutos como café, ou para plantas inteiras como forragem ou cana-de-açúcar, para algodão e para grãos/cereais. Elas são classificadas de acordo com o tipo da planta e o tamanho do grão. Porém, existem formas de adaptação entre as colheitadeiras de grãos para que se consiga utilizá-las para múltiplas culturas.

Sistema de trilha 

Existem dois tipos básicos de trilha. No sistema de tipo radial, a planta passa apenas uma vez entre um sitema fixo (côncavo) e um móvel (rotor). No sistema axial, o material vegetal passa por diversas voltas entre o sistema de rotor e cilindro separador.

Montagem com fotos de quatro colheitadeiras: de grãos, de silagem, de café e colheitadeira de cana

Tipos de colheitadeira

(Fonte: adaptação do autor)

Cuidados na colheita

No momento da colheita, esteja de olho em fatores como planejamento, logística, maquinário, mão de obra, tempo de colheita e cultura a ser colhida. As condições ambientais também devem ser consideradas para garantir a eficiência da operação e a qualidade dos grãos.

  • Planejamento e logística: estime a quantidade de horas necessárias para colheita de todas as áreas. Considere a máquina, a cultura a ser colhida, o tipo de solo, o ambiente, etc. 
  • Maquinário e mão de obra: é importante saber quais recursos são necessários para efetuar a colheita das áreas na época correta e sem desperdício de tempo. Organize o número e tipos de máquinas, suas manutenções e pré-preparo, a disponibilidade e experiência de operadores e a capacidade de armazenamento dos produto colhido;
  • Material vegetal e tempo de colheita: conhecer e monitorar a cultura no campo te ajuda a tomar a decisão do melhor momento de colheita. Fatores como o estágio de desenvolvimento da planta, teor de água da matéria verde e maturação do fruto/grão são os indicadores da colheita. Uma colheita precoce pode trazer embuchamento da máquina e danos aos grãos. Uma colheita tardia pode causar perda de grãos por abertura de vagens ou derrubada de frutos, por exemplo;
  • Condições ambientais: fatores como chuva, vento, insolação e temperatura podem causar problemas na colheita. Dias consecutivos secos e com alta temperatura podem desidratar rapidamente o material vegetal, enquanto que dias de chuva podem aumentar a umidade da planta e postergar a data de colheita. Esses fatores podem alterar não só as condições da planta, mas também do solo, podendo limitar a entrada de maquinários mais pesados. 

Regulagem da colheitadeira para evitar perdas na colheita

As regulagens da colheitadeira devem ser feitas de acordo com cada sistema. 

Para garantir eficiência da colheita, cuidar do corte, da trilha, da separação, limpeza e sensores das colheitadeiras é essencial. Todos esses aspectos trabalham em conjunto e  precisam estar bem ajustados para diminuir as perdas na colheita

Regulagens do sistema de corte e alimentação

Essa etapa representa a maior porcentagem de perdas na colheita (até 80%) por derrubada de plantas e grãos para fora da máquina. As principais regulagens são: 

  • averiguar a velocidade de deslocamento da máquina;
  • checar a altura da plataforma de corte;
  • checar a afiação do sistema de corte ou despiga da barra;
  • verificar rotação;
  • conferir posicionamento e ângulo de corte do molinete;
  • velocidade, altura e ajuste do caracol;
  • checar a esteira de transporte.

As perdas internas da máquina dependem do volume que chega aos sistemas através do sistema de alimentação. Quanto maior o volume de alimentação, maiores serão as perdas por separação.

Regulagens do sistema de trilha

Essa etapa pode causar perdas na qualidade dos grãos por excesso de atrito ou movimento abrupto na retirada do grãos. A principal regulagem é integrar os sistemas móveis e fixos, como:

  • cilindro, côncavo e batedor (radial);
  • rotor, côncavo e batedor (axial). 

As colheitadeiras axiais são mais eficientes e diminuem as perdas e danos aos grãos, quando comparadas com as de sistema radial.

Regulagens do sistema de separação, limpeza e sensores

Se mal regulado, o sistema de separação e limpeza pode gerar perdas por descarte de grãos junto com impurezas. As principais regulagens são:

  • checar o movimento da máquina;
  • escolher corretamente a malha de peneiras;
  • checar a velocidade e fluxo de ar e da combinação dos dois.

Além disso, com o avanço do uso de técnicas de precisão, é importante a calibração dos sistemas de sensores da máquina. Sobretudo os que medem fluxos, velocidades, umidade e outras características físicas da máquina e da cultura devem receber atenção.

Qual a melhor colheitadeira pra comprar?

Escolher a colheitadeira ideal vai depender da sua realidade e da cultura que você produz. Existem algumas marcas e modelos mais comprados no país. 

Para grãos, a colheitadeira mais vendida no país é a New Holland TC. A Case IH Axial-Flow 9250 é conhecida como a melhor do mundo. 

Para café, as mais utilizadas são as da marca Jacto, com destaque para os modelos KTR350 e K3 Millennium.

Além disso, considere aspectos financeiros, técnicos e da propriedade:

  • Aspectos financeiros: preço do produto, capacidade de investimento, tempo para pagar a máquina, depreciação do bem, custo da hora de trabalho;
  • Aspectos técnicos: culturas que podem ser colhidas, adaptação para múltiplas culturas, capacidade de colheita, horas de manutenção;
  • Aspectos da propriedade: tamanho da propriedade, características como declividade, facilidade de acesso, estruturas de armazenamento e manutenção de máquinas, especialidade de mão-de-obra.

No Brasil, existem várias marcas de colheitadeiras internacionais disponíveis, o que te dá muitas opções de compra. As principais são: Massey Ferguson, New Holland, Case-IH, John Deere, Valtra, Jacto e AGCO Power

A colheitadeira New Holland – TX 5.90, por exemplo, foi eleita a melhor colhedora de grãos pelo prêmio Machine of the Year Brasil 2022/23.

Qual o valor de uma colheitadeira?

Existem máquinas mais modernas que podem chegar a custar entre R$ 2 milhões a 3 milhões, como por exemplo a Fendt – IDEAL 9. Máquinas com alguns anos de uso custam em média  R$ 100 mil, e as novas, a partir de R$ 800 mil.

O valor de uma colheitadeira varia muito conforme tipo e capacidade da máquina. Além disso, máquinas novas e usadas tendem a ter preços bem diferentes. 

Vale destacar que, atualmente, os preços de maquinários agrícolas têm sofrido variações constantes. Isso acontece principalmente devido às alterações nas cotações do dólar.

Quanto custa em média a hora de uma colheitadeira?

O valor é composto pelos custos da máquina, da mão de obra e do combustível. Para uma colheitadeira de grãos, o valor estimado é de R$ 600 por hora. 

Porém, esse preço pode variar muito em função das oscilações de custo de combustível e também do tipo de máquina. É ideal que você calcule o custo operacional da máquina agrícola considerando todas essas variáveis.

Para te ajudar nesse cálculo, disponibilizamos uma ferramenta que torna esse processo automático. A ferramenta é gratuita, e irá calcular os custos operacionais da sua máquina de acordo com os dados que você fornecer.

Basta clicar na imagem abaixo para acessar.

Conclusão

Para uma execução eficiente da colheita,  é necessário planejamento e o uso de máquinas específicas.

As colheitadeiras são máquinas bastante caras e, por isso, avaliar bem antes da compra é essencial. Aproveite que a colheita é planejada bem antes do plantio e analise com calma antes de escolher.

Considere aspectos como a cultura, a terra, a propriedade e o financeiro. E, na dúvida, consulte um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a) para te ajudar na decisão.

>> Leia mais: “Moderfrota: veja o que é preciso para conseguir recursos

Qual tipo de colheitadeira você usa na sua fazenda? Quer compartilhar sua experiência com essa máquina? Deixe um comentário abaixo!

Por que a mucuna-preta pode ser uma opção vantajosa para adubação verde

Mucuna-preta: conheça as características, como cultivar, formas de utilização e também os benefícios da rotação de culturas com essa espécie.

A mucuna-preta é uma leguminosa de primavera/verão com hábito de crescimento trepador. Ela controla a presença de nematoides e de plantas daninhas, além de ser vantajosa para solos degradados.

Trata-se de uma planta rústica e adaptada às condições de clima e de solo brasileiros.

Neste artigo, confira um pouco mais sobre a mucuna-preta e os benefícios do seu cultivo para adubação verde e rotação de culturas. Boa leitura!

Mucuna-preta: para que serve?

A mucuna-preta é uma planta com diferentes finalidades: adubação verde, fixação biológica do nitrogênio, rotação de culturas, recuperação de áreas degradadas e no combate à erosão do solo. 

Em razão da grande produção de biomassa, garante cobertura vegetal bastante eficiente na conservação do solo.

Além disso, a mucuna-preta tem potencial na alimentação humana e animal. Os grãos têm alto teor de proteína e a planta pode ser destinada à produção de silagem e feno, e também ser utilizada sob pastejo direto.

A mucuna-preta também é uma alternativa para o controle de plantas daninhas e de nematoide-das-galhas (Meloidogyne incognita e Meloidogyne javanica). 

Características da mucuna-preta 

A mucuna-preta (Mucuna pruriens ou Mucuna aterrima) é uma espécie herbácea da família Fabaceae, das leguminosas. Ela é adaptável ao clima tropical e subtropical, e seu ciclo pode ser anual ou bianual.

O período do plantio ao pleno florescimento é de 140 a 180 dias. Além disso, os caules da mucuna são grandes, finos e flexíveis. Ela tem hábito de crescimento rasteiro e trepador. Seu porte é baixo, podendo medir até 90 cm de altura. 

As flores são grandes e de coloração violeta ou branca. As vagens têm de 3 a 6 sementes

Mucuna-preta em lavoura, na fase de inflorescência

Inflorescência da mucuna-preta

(Fonte: TV TEM)

As sementes são grandes, pretas e com hilo de cor clara. Além disso, a dormência das sementes da mucuna-preta é comum. Isso ocorre em função da impermeabilidade do tegumento à água. 

Para a quebra da dormência, a Embrapa recomenda que antes do plantio as sementes sejam colocadas em água quente. A temperatura deve ser de aproximadamente 80 °C e as sementes devem permanecer na água durante um minuto.

Vagem de mucuna-preta com alguns grãos

Vagem com sementes de mucuna-preta

(Fonte: Adaptado de Santos, 2016)

A mucuna-preta é bastante rústica e apresenta boa adaptação às condições de solos ácidos. Ela também tolera bem elevadas temperaturas e déficit hídrico.

Essa leguminosa se desenvolve tanto em solos argilosos quanto nos solos arenosos. Além disso, não é exigente quanto à fertilidade. 

Ela é tolerante à toxidez por alumínio, ao sombreamento e ao encharcamento temporário do solo.

Plantio da mucuna-preta

Geralmente, a semeadura da mucuna-preta é realizada em linhas. A recomendação é de 6 a 9 sementes por metro linear, com espaçamento entre linhas de 50 cm.

O plantio também pode ser feito em covas. No plantio em covas, a recomendação é de 2 a 3 sementes por cova, espaçadas em 40 cm.

Fique de olho também na quantidade de sementes: geralmente, usa-se 60 kg de sementes de mucuna-preta por hectare. Se a semeadura for feita a lanço, é recomendado usar 100 kg por hectare.

A melhor época para plantio da mucuna-preta é entre outubro e novembro. Logo em seguida da floração, cerca de 150 dias depois do plantio, é feito o corte/colheita da mucuna.

Inoculação 

No intuito de maximizar a fixação de nitrogênio, é recomendado fazer a inoculação das sementes de mucuna-preta antes do plantio. A estirpe de rizóbio indicada é a SEMIA 6158 (BR 2811), da Embrapa Cerrados.

Isso é necessário porque a fixação biológica do nitrogênio ocorre pela simbiose estabelecida entre as raízes das leguminosas e bactérias específicas (rizóbios). 

Em solos com baixa fertilidade, a nodulação da mucuna-preta pode ficar abaixo do esperado.  Isso ocorre pela baixa eficiência das bactérias nativas presente no solo.  A ausência desses microrganismos também é um problema.  

Quais os benefícios da mucuna na rotação de culturas? 

A rotação com mucuna-preta pode trazer inúmeros benefícios à lavoura, como descompactação do solo e melhora das condições de aeração e infiltração de água. Além disso, reduz os custos com adubação, manejo de plantas daninhas e nematoides. 

A mucuna-preta é excelente para adubação verde e fixação biológica de nitrogênio. Ela também oferece maior sustentabilidade da atividade agrícola e maior produtividade da cultura principal.

A rotação de mucuna-preta com soja, milho e feijão é uma prática agrícola muito comum. O cultivo de espécies como a mucuna ocorre na entressafra da cultura anual, e serve como fonte de nutrientes para a próxima safra, principalmente nitrogênio.

Vale ressaltar que os dois principais e mais relevantes benefícios são o controle de plantas daninhas e de nematoides. Veja mais sobre eles em seguida.

Controle de plantas daninhas

A mucuna-preta suprime plantas invasoras da lavoura. Seu rápido crescimento forma uma barreira física que prejudica o desenvolvimento de espécies espontâneas. 

Além da barreira física, ela também apresenta efeitos alelopáticos que contribuem para o manejo de daninhas. Isso quer dizer que ela produz compostos que inibem o desenvolvimento dessas plantas.

O picão-preto (Bidens pilosa) e a tiririca (Cyperus rotundus) são exemplos de invasoras afetadas pela mucuna-preta.

Controle de nematoides

Em áreas infestadas por nematoide-das-galhas (Meloidogyne incognita e Meloidogyne javanica), a mucuna-preta apresenta eficiente controle da população dos parasitas.

Apesar disso, é importante lembrar que o cultivo dessa planta de forma sucessiva em uma mesma área deve ser evitado. Afinal, a mucuna-preta é hospedeira de outro gênero de nematóide, o Pratylenchus, também conhecido por nematóide-das-lesões.

Dessa forma, o plantio sequenciado da mucuna-preta pode reduzir a população de nematóides do gênero Meloidogyne. Entretanto, pode favorecer os nematóides do gênero Pratylenchus.

Outra planta que tem efeito direto no controle de nematóides é a crotalária. Assim como a mucuna-preta, ela melhora a qualidade do solo e aumenta a população de microrganismos inimigos dos fitonematóides. 

planilha controle de custos por safra

Conclusão

A mucuna-preta é utilizada como adubo verde, na recuperação de áreas degradadas, no combate à erosão e na rotação de culturas.

Ela incrementa a matéria orgânica do solo e favorece a manutenção do equilíbrio dos nutrientes. Além disso, diminui os custos de produção pela menor dependência dos adubos nitrogenados.

Essa espécie também colabora com o manejo de nematóides e plantas invasoras. Todos esses motivos são mais que suficientes para considerar o plantio de mucuna-preta na lavoura!

Você já cultivou mucuna-preta na sua propriedade? Teve uma boa experiência com a cultura? Adoraria ler seu comentário.

Lagarta-das-folhas (Spodoptera eridania): entenda como identificar e controlar esta praga na sua lavoura!

Lagarta-das-folhas (Spodoptera eridania): entenda como ela se comporta nas diferentes culturas, como identificar e fazer o manejo efetivo. 

A lagarta-das-folhas (Spodoptera eridania), também conhecida como lagarta-das-vagens, é um inseto-praga de espécie polífaga. Ela ataca culturas como soja (Glycine max), arroz (Oryza sativa), milho (Zea mays) e diversas outras. 

Essa lagarta era considerada praga secundária até pouco tempo. No entanto, nas últimas safras na região Centro-Oeste e Sul do Brasil, vem se tornando um problema. 

Isto porque além de consumir as folhas e caules das culturas, a lagarta-das-folhas causa redução da qualidade dos produtos colhidos.

Neste artigo, veja como identificar a lagarta-das-folhas na sua lavoura, em quais hospedeiros ela sobrevive na entressafra e quais os métodos de controle podem ser utilizados! Boa leitura!

Como identificar Spodoptera eridania

Algumas mariposas da lagarta-das-folhas (Spodoptera eridania) possuem pontos arredondados nas asas ou uma faixa preta larga. Já adultos de Spodoptera eridania medem entre 3,3 cm e 3,8 cm e possuem asas de cor cinza e marrom, com marcas pretas e marrons com formas irregulares.

Porém, tão importante quanto identificar a mariposa, é necessário identificar a lagarta-das-folhas em todos os estágios de desenvolvimento.

No caso dos ovos da lagarta-das-folhas, eles são redondos, com cor que varia entre amarelo e verde. Além disso, têm escamas do corpo da mariposa.

Cada fêmea é capaz de ovipositar até 800 ovos durante o seu ciclo de vida, que tem duração de até 40 dias, a depender da temperatura e do hospedeiro.

Ovos de lagarta-das-folhas

Ovos de Spodoptera eridania em laboratório. Na figura A é possível observar as escamas depositadas pela lagarta, para proteção dos ovos. 

(Fonte: Efrom, 2013)

Já o período larval da Spodoptera eridania dura entre 15 e 19 dias. Após o término do período larval, a pupa permanece no solo em profundidades de 5 cm a 10 cm.

A duração do período pupal (onde a lagarta se transforma em pupa, antes de adquirir forma de mariposa) dura entre 9 a 11 dias.

Na figura abaixo, é possível observar as diferenças entre as mariposas do gênero Spodoptera para correta identificação e manejo. Afinal, hospedeiros alternativos podem ser semelhantes ou distintos, a depender da espécie de lagarta.

Diferentes tipos de lagarta-das-folhas

Dois principais clados (grupos de espécies gerados a partir de um único ancestral comum) de Spodoptera

(Fonte: Kergoar e colaboradores,  2021)

Para identificar a lagarta-das-folhas, as plantas devem ser inspecionadas principalmente no baixeiro. Essas lagartas preferem a parte inferior das folhas para se protegerem do sol.

A atividade maior da lagarta-das-folhas pode ser observada principalmente no período da noite. Nesse horário, elas são mais mais ativas.

Como diferenciar as Spodopteras spp.

Diferenciar as Spodopteras pode ser difícil, mas algumas espécies possuem características próprias que as distinguem das demais. 

A Spodopera frugiperda possui um “Y” invertido na cabeça. Além disso, seu corpo é composto por 4 pontuações que formam um quadrado, localizadas na região posterior.

Foto da spodoptera frugiperda em todos os estágios: ovos, pupa, mariposas e lagartas.

Detalhes morfológicos que permitem a identificação da lagarta S. frugiperda a campo: (a) mariposas macho e fêmea, (b) ovos, (c) lagartas recém eclodidas, (d) (e) e (f) lagarta de último estádio, e (g) pupa.

(Fonte: Hickel, 2020)

A Spodoptera eridania possui diversos triângulos negros ao longo do comprimento de seu corpo, que podem ser facilmente observados. Além disso, seu corpo possui uma listra branca ou amarela no primeiro segmento abdominal. Essa listra não chega até a cabeça.

Foto de spodoptera eridania sobre folha de soja

Triângulos dispostos ao longo do corpo da lagarta S. eridania que permitem a sua identificação a campo.

(Fonte: Tomquelski e colaboradores, 2020)

Por fim, a lagarta Spodoptera cosmioides possui 3 listras alaranjadas ao longo do corpo, que chegam até a cabeça. Alguns pontos brancos acompanham as listras alaranjadas.

Foto de spodopera cosmioides, seguida de imagem da cabeça da lagarta em foco

Listras alaranjadas de S. cosmioides, com presença de pontuações brancas ao longo destas.

(Fonte: Phytus Group In: Agrobayer)

Danos causados pela lagarta-das-folhas

A Spodoptera eridania causa severa desfolha, além de deixar aparência de esqueletização das folhas. Ao longo do desenvolvimento, podem afetar órgãos reprodutivos das culturas, bem como frutos (como vagens da soja e cápsulas de algodão). 

A consequência disso é a redução da qualidade dos produtos colhidos. Quando estão  sob estresses, essas lagartas consomem partes de crescimento das plantas, como ramos. 

Podem causar perfurações em ramos, caules, e órgãos próximos à superfície do solo.

Lagarta-das-folhas sobre folha com danos intensos.

Danos causados pela lagarta-das-folhas (S. eridania) na cultura da soja, com aspecto de esqueletização das folhas atacadas.

(Fonte: Teodoro e colaboradores, 2013)

Desde a safra 2007, a lagarta-das-folhas tem surgido anualmente nas áreas de produção, em populações cada vez maiores, causando danos significativos.

Sua alta densidade (população de lagartas)  também é preocupante.

A alta densidade tem sido atribuída ao uso desregulado principalmente de inseticidas piretroides. Eles não são seletivos a predadores e parasitoides, e acabam eliminando inimigos naturais da lagarta-das-folhas.

Além disso, medidas de manejo inadequado também estão relacionadas. A falta de monitoramento da lagarta, rotação de princípios ativos de inseticidas e controle em populações muito altas também são perigosos.

Culturas afetadas pela Spodoptera eridania

As lagartas das folhas podem afetar uma infinidade de culturas, como soja, arroz, algodão, milho, feijão e café. Além disso, ela afeta plantas frutíferas, ornamentais e até mesmo plantas daninhas.

Outras espécies de interesse agrícola afetadas são girassol, colza, mandioca e azevém.

O conhecimento sobre quais espécies são hospedeiras da praga é fundamental para o monitoramento e controle da população. Se a sua cultura é hospedeira da lagarta, você pode fazer rotação de culturas com espécies não hospedeiras. 

Por exemplo, o milheto é uma cultura caracterizada por ser desfavorável à lagarta-das-folhas. Na presença dessa cultura, as lagartas não são capazes de se alimentar de forma adequada e se reproduzir.

Por outro lado, espécies como feijão-de-porco, nabo-forrageiro e crotalária são hospedeiras favoráveis e por isso devem ser evitadas. Outras daninhas hospedeiras incluem:

  • Lingua-de-vaca (Rumex obtusifolius);
  • Caruru (Amaranto retroflexo);
  • Crista de galo (Celosia cristata);
  • Buva (Conyza canadensis);
  • Corda-de-viola (Ipomea grandifolia, Ipomea purpurea e Ipomea tiliacea);
  • Mamona (Ricinus communis);
  • Capim-elefante (Pennisetum purpureum), dentre outras.

Como controlar a lagarta-das-folhas

Para controlar a lagarta-das-folhas na lavoura é indicado que você faça uma amostragem de pelo menos 10 plantas aleatórias. Se a quantidade de lagartas nessa amostragem foi de 30% na fase vegetativa e 15% na fase reprodutiva, é hora de começar o MIP (Manejo Integrado de Pragas).

O MIP consiste no uso de diferentes métodos de controle de forma conjunta. Por exemplo, controle cultural pela rotação de culturas, biológico, genético, químico, dentre outros.

Os controles biológico e químico têm sido utilizados de forma associada. Porém, para serem efetivos, é necessário que a compatibilidade entre os produtos biológicos e químicos seja consultada.

Para te ajudar, você pode usar nossa planilha de manejo integrado de pragas. Clique na imagem a seguir para baixar sem qualquer custo:

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Controle biológico

Para o controle biológico, podem ser utilizados fungos entomopatogênicos como Beauveria bassiana, Metharizium anisopliae e Nomuraea sp.

A adição de produtos com grandes populações desses agentes não só auxilia no controle, como o torna mais eficaz.

É importante ressaltar que a eficiência do controle biológico também está associada a outros fatores. Boas condições ambientais no momento e após a aplicação, como alta umidade relativa do ar, são essenciais.

Espécies de baculovírus também podem ser utilizadas, mas é necessário que o Baculovírus específico para Spodoptera eridania seja utilizado. Para cada espécie de lagarta, há uma espécie de baculovírus que exerce controle.

Controle químico

Para o controle químico, use produtos recomendados pelo Mapa. Estas informações devem ser consultadas no Agrofit e recomendadas por um Engenheiro Agrônomo. Isso tudo é feito de acordo com as condições específicas da sua lavoura.

As principais moléculas recomendadas fazem parte dos grupos:

  • espinosinas;
  • diamidas;
  • organofosforados (que potencializam o controle, mas devem ser utilizados com cuidado, para não reduzir a população de inimigos naturais);
  • reguladores de crescimento de insetos;
  • produtos de controle biológico, como bactérias do gênero Bacillus (Bacillus thuringiensis).

No Agrofit, existem 28 produtos disponíveis com recomendação para uso em todas as culturas.

Conclusão

A lagarta-das-folhas (Spodoptera eridania) tem grande número de hospedeiros alternativos. Por isso, o monitoramento e controle são indispensáveis.

Saiba identificar a lagarta em qualquer fase de desenvolvimento. Assim, você garante conseguir controlar no momento certo e evita danos na lavoura.

E, antes de aplicar algum produto para o controle, consultar um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a) é fundamental. Isso garante uma aplicação de qualidade e eficaz. 

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“Tudo o que você precisa saber para controlar a larva arame”

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Você já identificou a lagarta-das-folhas (Spodoptera eridania) na sua fazenda? Compartilhe sua experiência com a gente, vamos adorar receber o seu comentário!