Guia de controle das principais plantas daninhas do café

Plantas daninhas do café: saiba quais são, conheça seus riscos para o cafezal e aprenda a identificá-las a tempo

As plantas daninhas competem por água, luz e nutrientes. Elas causam prejuízos ao crescimento e produtividade do cafeeiro.

É comum encontrar espécies invasoras na lavoura de café, e elas devem ser controladas.

Ficar de olho na ocorrência de plantas invasoras de difícil controle é fundamental. Assim, é possível utilizar métodos eficientes para contê-las.

Nesse artigo, veja quais os diferentes métodos de controle das principais plantas daninhas do café você pode utilizar. Confira!

As principais plantas daninhas do café

1. Picão-preto

O picão-preto é uma espécie de folha larga comum nas lavouras do Brasil.

Ele preocupa muito os cafeicultores devido à descoberta de daninhas resistentes ao glifosato.

É uma espécie que cresce rápido e se reproduz por sementes. Uma planta produz até 6 mil sementes/ciclo. Ela é encontrada o ano todo na lavoura.

As sementes são dispersas por animais, máquinas, implementos e pelo ser humano.

Imagem de parte de um tecido de roupa com vários pedaços da planta picão-preto agarrados nele.
Sementes de picão-preto sendo dispersas pelo ser humano
(Fonte: Oficina de Ervas)

Ficam em dormência até um período favorável à germinação, e permanecem no solo por até 5 anos.

Além de competir por recursos com o café, é hospedeiro de pragas e doenças.

É interessante controlar o picão-preto na cultura do café especialmente quando a lavoura estiver sendo implantada. O cafezal novo é mais sensível à competição.

As maiores perdas ocorrem de outubro a abril, época do florescimento. Vale controlar as plantas daninhas antes dessa época.

Foto da planta daninha picão-preto no estágio de florescimento. Há duas pequenas flores amarelas em botão no topo da planta.
Planta de Picão-preto florescendo
(Fonte: GoBotany)

Métodos de controle

O manejo biológico é um método de controle eficiente. Manter o solo coberto com plantas ou palhada também.

Além do controle das plantas daninhas do café, a prática disponibiliza nutrientes, regula a temperatura do solo e reduz as perdas de água.

Utilize os recursos internos da fazenda como:

  • restos vegetais da poda e da desbrota do café;
  • palha gerada no beneficiamento.

Utilize mucuna-preta ou mucuna-cinza como cobertura viva nas entrelinhas do café. Essas plantas inibem o crescimento do picão-preto.

Outro método de controle é o controle químico, com a utilização de herbicidas pré ou pós emergentes.

No cafezal jovem, faça a pulverização direcionada de herbicida de pré-emergência em solo limpo ou sob baixa cobertura de plantas daninhas. Veja algumas recomendações de produtos:

  • Goal BR (5 a 6 L p.c./ha);
  • Alaclor (5 a 7 L p.c./ha);
  • Ametrina 800 (1,5 a 2,5 kg p.c./ha);
  • Ametrina 250 + Simazina 250 (5 a 8 L p.c./ha);
  • Flumyzin 500 (150-180 ml p.c./ha).

Na aplicação de pós-emergente, evite a deriva e a fitototoxidade nos cafeeiros. Use herbicidas seletivos, como:

  • Goal BR (6 L p.c./ha);
  • Ametrina 800 (até duas folhas 1,5 kg p.c./ha; mais de 2 folhas 2,5 kg p.c./ha);
  • Ametrina 250 + Simazina 250 (5 a 8 L p.c./ha);
  • Flumyizin 500 (50 ml p.c./ha).

2. Capim-amargoso

O capim-amargoso é uma planta de folha estreita e ciclo perene. Ela forma touceiras, com altura de 50 cm a 100 cm.

Além da reprodução por sementes dispersas pelo vento, também se reproduz por rizomas, o que dificulta o controle.

Foto da planta capim-amargoso na frente de um cafezal.
Capim-amargoso na entrelinha do cafezal
(Fonte: Café Point)

Métodos de controle

Antes de tudo, faça o controle não químico (físico)das plantas daninhas.

Palha e cobertura verde sobre o solo desaceleram a germinação das invasoras. Elas também aumentam os teores de matéria orgânica, retendo mais água e auxiliando durante a seca.

O controle químico do capim-amargoso é realizado em pós-emergência da planta daninha.

Faça o manejo químico com herbicidas seletivos inibidores de ACCAse. O café é isento dessa enzima. Desse grupo, você pode usar:

  • Cletodim 240 (0,45 L p.c./ha);
  • Verdict Max 540 (0,2 a 0,4 L p.c./ha);
  • Kennox (0,5 a 0,7 L p.c./ha);
  • Poquer 240 (0,45 L p.c./ha).

Realize a aplicação com glifosato + óleo.

Na presença de plantas florescidas, entre com a capina (roçadeira) antes da pulverização. Aguarde haver área foliar suficiente para absorção do produto.

3. Capim-pé-de-galinha

O capim-pé-de-galinha é uma planta anual. Ela ocorre em épocas quentes e se adapta bem a solos compactados.

Os colmos podem ser eretos, com até 50 cm de altura. Também podem ser prostrados ao chão, ramificados e achatados. A planta se reproduz via semente (mais de 120 mil sementes por planta).

Foto do capim-pé-de-galinha. A planta tem hastes finas, com diversas pequenas sementes grudadas nas hastes.
Estruturas reprodutivas do capim-pé-de-galinha
(Fonte: Syngenta)

O vento transporta essas sementes até próximo da linha do café.

Se a população da invasora for alta, você terá prejuízos, principalmente em áreas de cafezal novo.

Além da competição por recursos, elas são hospedeiras de patógenos. Por isso, deixam a lavoura vulnerável às doenças. 

Apresentam resistência a herbicidas comuns no dia a dia. Já foram identificadas populações resistentes a 8 mecanismos de ação.

Métodos de controle

Utilize a tecnologia e o manejo integrado como aliados no controle da daninha. Faça o controle biológico, físico e químico, além de rotação de mecanismos de ação.

Não permita que as plantas floresçam e produzam sementes. Isso reduzirá drasticamente a população da invasora. 

Realize triação em plantas jovens na entressafra e controle químico no preparo da colheita.

Em pós-emergência, opte pela utilização de inibidores de ACCAse + glifosato. Assim, você irá proporcionar um bom controle.

Veja alguns produtos recomendados:

  • Inibidores de ACCAse:
    • AUG 126;
    • Fluazifop;
    • Haloxyfop.
  • Inibidores de Protox:
    • Galigan 240 (3 L p.c./ha);
    • Goal BR (2 L p.c./ha).

Pulverize em plantas com até 1 perfilho, pois as chances de sucesso são maiores!

4. Buva

A buva é uma planta anual que se reproduz por sementes. A alta produção de sementes (até 200.000 por planta por ciclo) faz dela uma grande vilã da produção agrícola.

A buva é resistente ao glifosato. Seu controle é dificultado, e deve ser feito quando ainda é nova.

Foto da planta daninha buva, em foco.
Planta de Buva no cafezal
(Fonte: CaféPoint)

Métodos de controle

Use o controle cultural como a cobertura do solo nas entrelinhas do cafeeiro com braquiária como primeira opção. Esta técnica é de grande importância no manejo integrado.

Assim você reduzirá a aplicação de herbicidas, visto que serão realizadas apenas triações químicas na linha.

Preste atenção ao detectar a buva na linha de plantio. Se possível, use o controle físico, arrancando as plantas que conseguir.

A aplicação de produtos químicos pode ser realizada por pulverização direcionada com inibidores de protox. A aplicação sequencial é uma opção dependendo do nível de infestação.

Veja alguns exemplos de ingredientes ativos recomendados:

  • Oxyfluorfen (Galigan 240EC, Goal BR 240EC)
  • Carfentrazona etílica (Aurora 400EC)
  • Saflufenacil (Heat 700WG)

Para que o controle seja mais eficiente, as plantas devem estar menores que 25 cm.

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5. Caruru

Diversas espécies de caruru podem aparecer no cafezal. Além disso, essa planta daninha ataca diferentes tipos de lavouras.

Além da competição por recursos com a planta de café, o caruru é hospedeiro do nematoide Meloidogyne e do vírus do mosaico do tabaco.

A planta tem ciclo anual, altura que varia de 20 cm a 2m, produz inflorescências verdes ou arroxeadas. Ela pode produzir mais de 100.000 sementes por ciclo.

Foto da planta daninha caruru. A planta  da imagem tem hastes felpudas e avermelhadas.
Espécie de Caruru
(Fonte: Mais Soja)

Métodos de controle

O caruru é uma planta de difícil controle por ser resistente a herbicidas. Há uma ampla lista de resistência simples e múltiplos produtos.

Para plantas resistentes a diversos princípios ativos, o manejo integrado se torna ainda mais importante.

Monitore o cafezal, e quando perceber o desenvolvimento de alguma dessas plantas utilize o controle físico. Não deixe o caruru produzir sementes.

Mantenha o solo das entrelinhas coberto com palha, restos do beneficiamento, ou cobertura verde (braquiária).

Quando necessário, entre com o controle químico com aplicação pós-emergente em plantas pequenas, com jato dirigido.

Você pode utilizar o ingrediente ativo Saflufenacil (Heat 700WG) em plantas pequenas (até 5 cm) ou em manejo sequencial para controle de rebrota de plantas maiores.

6. Tiririca

A tiririca é uma daninha perene, muito agressiva, com altura entre 10 a 60 cm e se reproduz por tubérculos. Um tubérculo pode originar várias plantas.

Por esse tipo de reprodução, é considerada uma das daninhas de mais difícil controle na agricultura.

Diversas espécies de tiririca podem ser encontradas na lavoura, com características peculiares.

Foto de diversas plantas tiririca em fileira, perto de um cafezal novo
Tiririca na linha de plantio de cafezal novo
(Fonte: Rehagro)

Métodos de controle

A prevenção é a melhor forma de evitar a tiririca. Não permita que ela se estabeleça em sua lavoura.

Tenha especial atenção com o cafezal jovem, pois a tiririca utiliza muita água e nutrientes. 

Além disso, é bastante tolerante a temperaturas altas, o que afetará muito o estabelecimento do café novo nas épocas mais quentes.

O manejo integrado continua sendo a melhor maneira de controlar, com monitoramento e utilização dos controles físico e mecânico.

Caso note infestação antes da implantação do cafezal, considere o preparo do solo. Ele expõe os tubérculos e induz a brotação. 

Integrado ao controle químico, é eficiente para reduzir a população da tiririca.

O controle químico pode ser realizado com pulverização sequencial, evitando assim possíveis plantas resistentes. Não se esqueça de fazer a rotação dos herbicidas!

Pulverize dirigidamente os herbicidas glifosato e Diurom (Diuron Nortox 800WP). 

Os grupos químicos halosulfuron, imazapic, imazapir e triclopir também são utilizados.

7. Corda-de-viola

A planta daninha corda-de-viola é uma planta do tipo trepadeira com flores muito vistosas.

A reprodução ocorre via sementes. A planta pode atingir até 3m de comprimento e se enrolar sobre as culturas.

Essa situação é grave, pois causa sombreamento do cafezal, além de atrapalhar a colheita e as pulverizações.

Foto da corda-de-viola no cafezal. A planta forma uma espécie de círculo sobre as plantas de café.
Corda-de-viola cobrindo cafezal
(Fonte: Café Point)

Métodos de controle

Utilize a estratégia de controle no início das águas, com as plantas ainda de tamanho pequeno.

Pulverize herbicidas adequados. Você pode fazer uma aplicação sequencial (3 semanas após a primeira) de glifosato ou herbicida com base em 2,4-D.

Os herbicidas carfentrazina (Aurora 400EC), metsulfurom (Ally 600WG) e dicarboxamida (Flumizyn 500SC) também vêm dando bons resultados.

Use o controle físico para as plantas que escapam do controle químico, arrancando manualmente antes de produzirem sementes.

Com ervas já cobrindo os cafeeiros, faça apenas arranquio. Não tire as plantas, pois pode haver queda de frutos do café.

Imagem da corda-de-viola morta sobre o cafezal. As plantas da invasora estão marrons e secas.
Corda-de-viola seca após arranquio manual sobre o café
(Fonte: Café Point)

8. Capim braquiária

O capim braquiária é uma gramínea comum nos cafezais.

A cobertura do solo com braquiária nas entrelinhas é comum para inibir o aparecimento de outras daninhas.

Entretanto, quando mal manejada e muito próxima das plantas de café, pode causar competição e interferência no crescimento.

Respeite sempre a distância mínima de 1 m de cada lado da linha do cafeeiro.

Foto de braquiária nas entrelinhas de um cafezal. A braquiária tem aspecto de capim, e está plantada com espaçamento das plantas de café.
Braquiária nas entrelinhas do cafeeiro
(Fonte: Café Point)

Métodos de controle

As plantas Mucuna, Crotalária e Lablab reduzem o crescimento da Braquiária. Portanto, são boas opções de controle quando a gramínea estiver sendo prejudicial.

Faça roçadas regularmente antes do seu florescimento, para que as sementes não germinem sob a “saia” do cafeeiro.

Os produtos recomendados para o capim-amargoso e para o capim-pé-de-galinha também controlam a braquiária.

9. Poaia-branca

A poaia-branca é uma daninha anual. Ela tem folha larga e se desenvolve via sementes.

Possui grande vigor vegetativo, e pode cobrir todo o solo com uma densa massa vegetal. 

Isso gera competição por nutrientes e água, principalmente quando a poaia se desenvolve na linha das plantas de café.

Em regiões quentes, você verá a planta durante o ano todo. Ela é hospedeira de pragas e doenças que afetam o cafeeiro.

Foto de poaia branca com três flores brancas sobre a planta.
Planta daninha Poaia-branca florescendo
(Fonte: WeedImages)

Métodos de controle

Os controles com cobertura viva ou morta são eficientes no controle desta daninha. Utilize o controle químico em consórcio quando necessário.

Para o manejo químico em cafezal novo, use os ingredientes ativos:

  • glufosinato de amônio (Off road 200SL, Patrol BR 200SL);
  • oxyfluorfen (Galigan 240EC, Goal BR 240EC);
  • glifosato.

No cafezal adulto, além dos citados acima, outros ingredientes ativos podem ser usados:

  • diuron (Cention 500SC);
  • metsulfurom (Nufuron 600WG);
  • carfentrazona+glifosato (Fera Ultra).
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Conclusão

Você certamente já teve de lidar com alguma dessas plantas daninhas do café.

É sempre bom dar preferência aos manejos cultural e mecânico. Também é importante manter linhas do café limpas e as entrelinhas cobertas e roçadas.

As condições de pulverização são importantes. Faça aplicação dirigida ao solo, evite o contato do produto químico com o café e evite a deriva.

Com planejamento correto, seu cafezal será muito mais rentável!

Já teve problema com essas plantas daninhas do café? Conhece mais espécies importantes na cultura? Deixe seu comentário!

Como o baculovírus pode controlar as pragas da sua lavoura

Baculovírus: saiba em quais culturas pode ser utilizado, vantagens, desvantagens e cuidados necessários no uso

A demanda por produtos produzidos de forma sustentável tem crescido. 

As opções disponíveis no mercado são muitas, com controle próximo e até mesmo superior ao controle químico.

Dentre os biopesticidas utilizados no controle de pragas há os baculovírus. Eles têm alta eficiência no controle de insetos, principalmente lagartas.

Neste artigo, você entenderá mais como ele funciona, vantagens e desvantagens e como produzi-lo na sua fazenda! 

O que é o baculovírus e como ele funciona

Os baculovírus são vírus com DNA de fita dupla. Eles pertencem à família Baculoviridae

Eles possuem uma ou mais partículas do vírus que se encontram fora da célula hospedeira, com envelope em formato de bastão. Isso caracteriza a forma das partículas dessa família de vírus.

Os baculovírus tem uma característica única dentre os vírus estudados. Eles têm duas formas observáveis distintas, a depender de estarem dentro ou fora da célula hospedeira:

  • Uma extracelular (fora da célula hospedeira) conhecido como BV (budded virus);
  • Outra envolvida na transmissão do vírus, quando ele já se encontra dentro de uma célula hospedeira, denominado vírus ocluso. Ele é responsável  pela transmissão do vírus entre os demais insetos.
Na imagem à esquerda, é possível observar o formato de uma partícula viral de baculovírus fora da célula hospedeira (extracelular ou BV). Na imagem à direita, observa-se a transmissão do corpo de oclusão

Ultraestrutura de um baculovírus por microscopia eletrônica de transmissão. Na imagem à esquerda, é possível observar o formato de uma partícula viral de baculovírus fora da célula hospedeira (extracelular ou BV). Na imagem à direita, observa-se a transmissão do corpo de oclusão

(Fonte: Gramkow, 2010)

Ciclo do baculovírus no organismo das lagartas

O ciclo começa com a ingestão dos vírus aplicados na superfície das folhas. Isso acontece durante a alimentação do inseto.

O processo de transmissão do vírus no interior do corpo do inseto começa. O inseto fica debilitado e torna-se incapaz de se alimentar.

Outra característica observada é a movimentação dos insetos, especialmente das lagartas, para a parte superior da planta hospedeira.

A morte da lagarta da soja ocorre entre cinco a oito dias após a infecção.

Para saber se a morte do inseto foi causada pelo baculovírus, você deve prestar atenção em alguns detalhes.

A coloração do inseto fica amarela-esbranquiçada. No caso das lagartas, também há um aspecto leitoso.

Após alguns dias, as lagartas ficam pretas e se rompem. Depois disso, liberam partículas virais na superfície das folhas.

Esquema do ciclo do baculovírus, que vai desde a infecção primária das células até a morte do inseto-alvo

Infecção de um inseto hospedeiro de baculovírus

(Fonte: adaptado de Szewczyc e colaboradores, 2006. Em: Valicente; Tuelher, 2009)

Como funciona o controle de lagartas nas culturas do milho e soja

O modo de ação do baculovírus  é a partir da ingestão de partículas infectivas

A partir disso, elas são capazes de se multiplicar nas células do inseto hospedeiro e serem transmitidas para outros insetos.

Não há ação sobre as fases de ovo, pupa ou adulto, somente nas fases de lagarta.

As formulações disponíveis podem ser consultadas através do Agrofit (Sistema de Agrotóxicos Fitossanitários). 

Elas possuem diferenças, principalmente em relação à proporção de ingredientes que tem a função de diluir e facilitar a dispersão do vírus.

Além disso, existem diferentes espécies de baculovírus. Elas são usadas no controle de outros insetos, além das lagartas da soja e da lagarta-do-cartucho do milho.

Por isso, é sempre necessário consultar qual espécie está sendo utilizada e qual é a praga alvo.

Caso da Soja

Os principais danos observados na cultura pela lagarta-da-soja ocorrem principalmente na fase larva. Elas podem causar até 100% de perdas.

Cada lagarta tem potencial de consumir até 90 cm² de folhas, até se tornarem pupas. Para o controle biológico da lagarta-da-soja, utiliza-se o Baculovirus anticarsia.

Caso do Milho

Para a cultura do milho, a principal praga é a lagarta-do-cartucho. Ela consegue reduzir a produção em até 52%.

Embora ela cause danos severos na fase reprodutiva da cultura, têm sido relatada causando danos com frequência nas fases iniciais. A lagarta-do-cartucho afeta o estande e a população final de plantas por área.

Para o controle da lagarta, utiliza-se principalmente o Baculovírus spodoptera.

Alguns outros baculovírus também são utilizados, como:

  • Baculovirus erinnyis, desenvolvido para o controle do mandarová da mandioca;
  • Baculovirus condylorrhiza, utilizado no controle da lagarta do álamo;
  • Variações de formulações do Baculovirus anticarsia e Baculovirus spodoptera.

Vantagens, desvantagens e cuidados no uso de baculovírus na agricultura

Os biopesticidas têm vantagens, desvantagens e cuidados durante a aplicação. Confira a seguir cada um deles.

Vantagens do uso de baculovírus

  • Os baculovírus afetam especificamente seu hospedeiro (principalmente lagartas, a depender do tipo de baculovírus). Os inimigos naturais de pragas e doenças presentes no local de cultivo não são afetados;
  • São inofensivos à saúde humana e animal;
  • O uso é muito fácil;
  • Fácil formulação e aplicação. Como consequência, há economia e segurança em relação aos inseticidas químicos;
  • O controle é efetivo. No milho, quando manejado adequadamente, diminui o número de aplicação de inseticidas de 3 a apenas 1.

Desvantagens 

  • Os baculovírus atuam apenas em um pequeno grupo ou único organismo alvo. Assim, para o controle das demais pragas, é necessário usar outros inseticidas;
  • A aplicação requer cuidado no horário em que será realizada. O controle só é eficiente quando há ingestão do produto pelas lagartas

As lagartas da soja se alimentam de noite. Por isso, as pulverizações com produtos a base de baculovírus devem ser realizadas após às 16 horas.

Assim, você também evita a exposição prolongada aos raios ultravioleta, que inativam o vírus. 

Cuidados na aplicação de baculovírus

O monitoramento da lavoura com uso de armadilhas deve estar associado ao manejo das pragas nas culturas

Quando a infestação for muito alta, acima do nível de controle recomendado, há redução da eficiência do produto.

A aplicação de baculovírus na cultura da soja não é recomendada quando o percentual de desfolha for superior a 30% até o período final da floração

Também é contraindicada se a desfolha for maior que 15% após o início do desenvolvimento das vagens (para a cultura da soja por exemplo).

Além disso, as condições climáticas também devem ser observadas. 

Quando houver níveis altos de infestação no início do desenvolvimento da cultura, coincidindo com períodos de estresse hídrico, o produto não deve ser aplicado.

O inseticida à base de baculovírus pode ser fabricado na fazenda?

O bioinseticida formulado a partir do baculovírus pode ser fabricado na própria fazenda.

No entanto, você deve seguir cuidados rigorosos. Além disso, você deve aplicar um produto formulado sobre a cultura antes. Assim, as lagartas utilizadas na sua fabricação terão o vírus.

Passo a passo para fabricação de dose, correspondente para aplicação em 1 hectare:

  • Entre 7 a 10 dias após a aplicação de baculovírus na área de cultivo, colete 50 a 70 lagartas mortas (correspondente a 20 gramas do inseticida) pelo microrganismo;
  • Congele as lagartas e as mantenha assim até a sua utilização;
  • Macere as lagartas congeladas (em quantidades maiores de produto, utilize o liquidificador, quando disponível) e filtre a solução resultante;
  • A solução resultante pode ser congelada imediatamente após a trituração, mas a calda elaborada com adição da solução e da água não pode ser reaproveitada;
  • A quantidade de solução filtrada deve ser diluída em 200 litros de água, correspondente ao volume de água recomendado para aplicação;

Para a aplicação, podem ser utilizados pulverizadores de barra, canhão e avião, desde que o volume da calda não seja inferior a 100 litros. 

Afinal, volumes menores causam o entupimento dos bicos. O formulado aplicado leva em torno de 7 a 9 dias para matar as lagartas.

Planilha de custos dos insumos da lavoura

Conclusão

O controle biológico de pragas é uma alternativa eficiente.

Ele pode ser realizado em diferentes culturas, e é indispensável que você saiba quais espécies controlam a praga alvo.

Embora existam diferentes espécies de baculovírus, a lagarta da soja só é controlada com o Baculovirus anticarsia.

Além disso, não esqueça de observar as condições ambientais e momento certo de desenvolvimento da cultura. Eles são importantes para a eficiência máxima do produto na área de cultivo. 

>> Leia mais: “Guia completo para o manejo da lagarta-preta (Spodoptera cosmioides)

Você já utilizou baculovírus para controlar as pragas na sua fazenda? Compartilhe sua experiência nos comentários!

Conheça os 9 indicadores de fertilidade do solo e saiba usá-los ao favor da sua lavoura

Indicadores de fertilidade do solo: quais são, para que servem, sua importância para o solo e como avaliá-los

Altas produtividades são alcançadas com a junção de vários fatores

Além dos manejos culturais, é importante cuidar do solo e garantir qualidades químicas, físicas e biológicas. 

Cada um destes três fatores apresenta indicadores que dão qualidade ao solo. Conhecê-los pode garantir a saúde da sua lavoura e maior precisão na adubação.

Neste texto, você saberá mais sobre os indicadores de fertilidade importantes para uma boa produção. Confira!

A importância da fertilidade do solo na agricultura 

A fertilidade do solo é um indicador químico, principalmente quando se trata de produtividade. Ela é relacionada aos nutrientes, pH, matéria orgânica e outros aspectos.

Uma planta bem nutrida consegue aproveitar melhor a energia. Assim, ela se desenvolve adequadamente e tolera mais o ataque de doenças e pragas.

Entretanto, nem todos os nutrientes estão presentes no solo no momento e quantidade ideais para as plantas. Por isso é necessário fazer a adubação correta.

Você deve saber como está a saúde do seu solo para manter o equilíbrio. Ficar sempre de olho nos indicadores de fertilidade é a principal medida a ser tomada.

Dessa forma, é possível fornecer para sua cultura a quantidade ideal de todos os elementos essenciais para sua produção. 

9 principais indicadores de fertilidade do solo

A análise do solo é como o exame de sangue que você eventualmente faz. Os indicadores correspondem aos principais aspectos em relação à fertilidade.

Para saber como seu solo está, é importante saber ao que cada indicador corresponde e como isso interfere no manejo. Veja a seguir os principais indicadores.

1. pH

Este indicativo de fertilidade mede a acidez do solo. O manejo do solo, adubação e cultivos alteram o valor do pH ao longo do tempo. 

A mudança de valor altera a disponibilidade dos macronutrientes, micronutrientes e do alumínio ali presentes.

Gráfico mostra a disponibilidade de nutrientes e alumínio em função do pH do solo. A disponibilidade de molibdênio e cloro é maior.

Disponibilidade de nutrientes e alumínio em função do pH do solo 

(Fonte: Incaper)

2. Macronutrientes e micronutrientes 

Tanto os macro quanto os micronutrientes são fundamentais para a produção. 

Os macronutrientes são exigidos em maiores quantidades, e são:

  • nitrogênio;
  • fósforo;
  • potássio;
  • cálcio;
  • enxofre;
  • magnésio.

Os micronutrientes são exigidos em menores quantidades, e são:

  • boro;
  • cobre;
  • ferro;
  • manganês;
  • zinco.

Além de conhecer os macro e micronutrientes, há dois pontos que você deve considerar.

Se o teor de sódio for elevado, ocorre salinização do solo. Como consequência, há problemas na produção agrícola.

Outro ponto de atenção é o método de extração utilizado para avaliar a quantidade dos nutrientes, principalmente o fósforo.

O sistema IAC (mede o teor fósforo pela resina trocadora de íons) e o sistema Embrapa, que utiliza o método de Mehlich-1, são os mais utilizados.

É importante observar qual extrator foi utilizado, pois os valores representados são diferentes. 

Para calcular corretamente a quantidade de fósforo do solo, você precisa usar a tabela de recomendação do sistema utilizado.

3. Soma de bases

É a soma de potássio, sódio, cálcio e magnésio presentes na análise de solo. 

Sua função é auxiliar no cálculo de outros indicadores, como capacidade de troca e saturação por bases.

Pode ser que a soma de bases não venha na análise de solo. Caso isso aconteça, fique de olho nas unidades para realizar o cálculo. Elas precisam estar em cmolc/dm3.

Geralmente, o cálcio e o magnésio já estão na unidade necessária. Para os demais nutrientes, veja um exemplo de conversão:

Cálculo com fórmulas para analisar o teor dos nutrientes no solo

4. Alumínio trocável

Ela é a quantidade de alumínio presente na solução do solo.

Quanto maior o valor, mais danos ocorrem nas raízes das plantas. O  seu valor é reduzido pelo aumento de pH.

Imagem mostra dois conjuntos de plantas de milho ainda pequenas e suas respectivas raízes. O primeiro conjunto apresenta raízes mais longas e as plantas estão maiores, e não houve contato com alumínio, de acordo com o indicador colado no conjunto. O segundo conjunto apresenta plantas e raizes pequenas, e o indicador colado no conjunto indica que houve contato com alumínio.

Influência negativa do alumínio no crescimento de plantas de milho 

(Fonte: Biocom)

5. Acidez potencial

O indicador de acidez potencial ou acidez total é representado na análise do solo por hidrogênio + alumínio.

É a soma da acidez trocável com a acidez não trocável, sendo a acidez neutralizada representada pelo hidrogênio.

6. CTC

CTC do solo é a capacidade de troca de cátions.

É utilizado para cálculo de calagem e gessagem do solo. Isso porque a CTC indica a quantidade de cargas negativas que determinado solo pode ter em pH 7,0.

O cálculo pode ser realizado pela seguinte fórmula:

imagem com a fórmula: CTC = SB + (H + Al)

Com a CTC elevada, nutrientes como potássio, cálcio e magnésio são retidos no solo e disponibilizados às plantas.

Valores baixos indicam que esses nutrientes ficam mais suscetíveis a perdas por lixiviação.

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7. Saturação por bases

A saturação por bases é representada pelo V% nas análises de solo. Ele é um indicador usado para a necessidade de calagem e gessagem.

As culturas apresentam um V% ideal, geralmente entre 60% a 70%. Sabendo quanto seu solo tem de V%, você saberá se é necessário realizar calagem para elevar esse valor.

Com a calagem, há um aumento da saturação por bases e redução da acidez potencial. 

Isso aumenta a porcentagem de cargas negativas do solo ocupadas por potássio, cálcio e magnésio.

fórmula:  V% = SB sobre CTC

8. Índice de saturação de sódio

Este indicador é importante em solos de locais áridos, semiáridos, próximo de litorais ou com elevado teor de sais.

Nesses locais, o teor de sódio no solo é elevado, influenciando o desenvolvimento das plantas. Por isso, é necessário calcular o índice de saturação de sódio.

Somente assim você saberá a proporção de sódio em relação ao potássio, cálcio e magnésio.

fórmula: ISNa = Na em cmolc/dm3 sobre CTC vezes 100

Valores acima de 15% do índice de saturação de sódio indicam problemas.

Portanto, em caso de valores até 10%, você precisa adotar medidas para reduzir o teor do nutriente no solo.

9. Matéria orgânica 

A matéria orgânica é formada por diversos elementos, com destaque para o carbono. Eles vêm principalmente da decomposição de plantas e microrganismos.

Solo com muita matéria orgânica tem mais capacidade de fornecer nutrientes, além de apresentar valores maiores de CTC.

Por isso, a matéria orgânica é um importante indicativo do potencial produtivo de um solo.

Os indicadores de fertilidade do solo são utilizados para determinar os nutrientes em falta. Assim, você poderá suprir todas as necessidades de maneira certeira.

Importância do equilíbrio nutricional do solo

Conhecendo os indicadores de fertilidade e as necessidades nutricionais da cultura, a adubação se torna mais assertiva.

O planejamento do ano safra é importante para que as quantidades de nutrientes fornecidas se mantenham adequadas.

Um bom balanceamento também interfere na qualidade física e biológica do solo.

Como avaliar os indicadores de fertilidade do solo? 

Os indicadores de fertilidade sofrem constantes mudanças com o uso dos solos. Isso acontece principalmente com a ausência de algum nutriente.

A falta de determinado nutriente é observada nas plantas em pouco tempo. Para que o solo seja equilibrado nutricionalmente, é necessário adotar práticas por um longo tempo.

Assim, é necessário realizar a manutenção dos nutrientes no solo, e sempre realizar a sua análise para verificar como estão os indicadores químicos. 

Afinal, tanto a falta como o excesso são prejudiciais às plantas.

É importante realizar uma amostragem de solo representativa da sua área produtiva. É dessa forma que os valores dos indicadores de fertilidade serão mais precisos.

Conclusão

Os indicadores de fertilidade do solo são avaliados na análise de solo.

Cada indicador mede alguma propriedade química do solo. Eles são utilizados para recomendações de adubação, calagem e gessagem.

Avaliar os indicadores de fertilidade é algo que deve estar presente em toda a sua safra.

 Afinal, assim você estará sempre por dentro da saúde da sua lavoura, além de poder fazer adubações mais assertivas.

Você conhecia todos os  indicadores de fertilidade do solo? Faz a adubação com base nesses dados? Ficou alguma dúvida? Deixe seu comentário abaixo!

Avalie o sucesso da safra com ajuda dos indicadores de produção no Aegro

Indicadores de produção no Aegro: saiba por que e como analisar o desempenho da fazenda com auxílio de uma ferramenta digital!

Você sabe dizer se sua fazenda tem bons resultados? 

Houve um tempo em que essa pergunta seria respondida com base na experiência ou nas informações que produtores guardam na mente.

Hoje sabemos que vários aspectos impactam o desempenho agrícola. Muitos deles são impossíveis de se lembrar de cabeça. 

Para ajudar em uma análise mais clara, temos os indicadores financeiros e de produção. Eles nada mais são que o histórico de manejo, de gestão e do financeiro da fazenda.

Neste artigo, você verá os benefícios de acompanhar os indicadores e como fazer esse diagnóstico com maior precisão, seguindo os indicadores de produção no Aegro. Confira a seguir! 

Importância dos indicadores de produção

Os indicadores de produção têm como propósito responder questionamentos e apontar o caminho certo.

Quando você não consegue medir algo, não sabe se aquilo gera o resultado que espera. Também não é possível saber como melhorar.

Sem o conhecimento dos indicadores, você fica no escuro. Isso te leva a diversos prejuízos, como:

  • estratégias ineficazes;
  • gastos invisíveis;
  • imprevistos operacionais de maquinário;
  • falta de estoque.

Quem considera essas informações tem propriedade para tomar decisões certeiras. Essas decisões impactam positivamente o crescimento da produção de forma econômica. Elas podem ser:

  • localizar falhas e problemas de produção;
  • reduzir custos desnecessários;
  • tomar decisões assertivas;
  • lidar com contratempos;
  • introduzir melhorias contínuas;
  • criar metas. 

Tudo isso é essencial para alcançar um negócio rural saudável e competitivo, com uma gestão que inova em benefício do negócio.

Como introduzir os indicadores de produção em sua fazenda

Por muito tempo, o registro em cadernos foi a principal fonte de informação do produtor.

Contudo, o uso do papel é bastante limitado. Ele dificulta a comparação de dados, e suas informações podem se perder ou se acumular em grande quantia.

A tecnologia tem entrado nas porteiras da lavoura. Com elas, surgiram soluções digitais mais práticas, confiáveis e completas para fazer essa análise.

As ferramentas ou os sistemas de gestão rural, voltados ao registro de atividades operacionais e financeiras, podem ser seus aliados. O Aegro é um exemplo.

Nele, todas as atividades registradas alimentam indicadores e relatórios automáticos. 

Eles demonstram o desempenho da fazenda, da safra e até de cada talhão, cultivar ou maquinário. Tudo isso é feito com total segurança dos dados da sua propriedade rural.

Veja como é possível ter os resultados da colheita em tempo real com o Aegro:

Resultados da colheita em tempo real com o Aegro

A visualização dos indicadores de produção no Aegro é interativa. Isso permite que você personalize e cruze os dados com diferentes parâmetros de análise. 

Já os relatórios contêm o histórico detalhado de todas as ações feitas no sistema. Esses relatórios podem ser exportados sempre que você achar necessário.  

Foto da tela do Aegro, na aba dedicada para indicadores e relatórios. Os indicadores na foto são: cultivares, evolução da safra, produtividade, produção, insumos, contas, parcelas e movimentações de estoque.

Indicadores de produção no Aegro: o sistema tem uma aba dedicada somente para os indicadores e relatórios

Quais são os principais indicadores de produção no Aegro

Os principais indicadores de produção de uma fazenda são evolução da safra, produção e produtividade, rentabilidade e eventos no mapa.

Em meio a tantos dados, fica difícil saber quais considerar para medir com exatidão os resultados de produção de uma fazenda.

Se você olhar apenas para um ponto, como a produtividade, perde outros fatores que são tão importantes quanto para determinar o sucesso de uma safra. 

Por exemplo, uma lavoura pode ser produtiva, mas também não gerar lucros. Isso significa que sua produção é tão cara que os gastos ultrapassam os ganhos. 

O indicado é buscar números de produção que permitam que você monitore o desempenho de cada área, ação e meta da fazenda. 

Afinal, o setor agropecuário possui muitas particularidades e cada fazenda tem realidades e metas diferentes.

Tudo isso deve ser considerado na hora de realizar uma avaliação. Mesmo assim, existem informações de maior relevância, e você saberá mais sobre elas em seguida.

Evolução da Safra

Ao longo do ciclo produtivo, um indicador fundamental é o avanço das atividades de cada etapa, desde o preparo do solo até a colheita. 

Isso envolve o tempo de execução e a certificação de que tudo está sendo realizado conforme o planejado

O Aegro pode ajudar nesse aspecto, pois tem um indicador voltado para você selecionar e acompanhar especificamente uma etapa e/ou operação. 

A partir disso, o aplicativo apresenta um gráfico com o crescimento da porcentagem realizada dentro de um intervalo de tempo e a área total. 

Gif com gráfico gerado pelo Aegro, mostrando como aconteceu o avanço do plantio em diferentes safras.
Indicadores de produção no Aegro: com este indicador, é possível ver o avanço do plantio ou comparar as aplicações de diferentes safras

Produção e produtividade

Ao final da colheita, é o momento de avaliar a performance da sua produção pela quantidade de unidades produzidas. 

O nível de produtividade da lavoura é um resultado do exame de quanto foi produzido por hectare ou outra medida de espaço.

Com sistemas como o Aegro, onde são registrados todos os detalhes da safra, também é possível verificar esses indicadores por cultura, cultivar, área ou período.

Para entender melhor as estratégias que deram resultado, compare esses dados com seu histórico de produção ou com a média de produção do seu estado.

Gif da tela do Aegro, mostando como é possível visualizar em gráfico de barras a produção e a produtividade por cultivo, safra e talhão.
Indicadores de produção no Aegro: veja com a produção e produtividade de cada cultivo, safra e talhão

Rentabilidade

Outro passo relevante é verificar se os custos de produção e investimentos financeiros tiveram retorno em lucratividade.

Para calcular a rentabilidade da safra, primeiro, reúna todas as despesas que você teve.

Isso inclui desde os grandes gastos, como compra de defensivos e combustível, até despesas menos frequentes, como serviços terceirizados e manutenção.

Depois, deve ser feita a comparação desse total com as receitas de venda da safra ou de preço projetado. 

Veja como é bem simples visualizar todos esses dados no Aegro:

Descubra a rentabilidade da sua safra com o Aegro

Eventos no mapa 

A análise de mapas por recursos georreferenciados também oferece indicadores importantes para acompanhar a lavoura e o manejo de perto. 

No Aegro, é possível visualizar de forma centralizada imagens de NDVI, de Monitoramento Integrado de Pragas

Além disso, é possível ver as operações de maquinários transferidos da plataforma da John Deere e da Climate FieldView.

Gif da tela do Aegro, mostrando os principais momentos da safra em apenas uma tela. A imagem mostra delimitação de terra e NDVI no mapa de uma área rural.
Indicadores de produção no Aegro: visualize os principais momentos da safra em uma só tela

Assim, você tem mais controle sobre vários aspectos do manejo, como o histórico de pragas e doenças. Como consequência, poderá resolver problemas com mais agilidade e menor custo com defensivos.

Nenhuma ação é feita apenas por se fazer. Você tem motivações, conhecimento e maior controle. Como consequência, sua fazenda avança cada vez mais. 

Para tal, conte com a ajuda do Aegro, o software de gestão que simplifica o registro e avaliação de indicadores de produção a qualquer hora e lugar.   

Conclusão

Com essas informações em mãos, fica bem mais prático enfrentar os muitos problemas que você precisa enfrentar diariamente.

Isso porque elas dão uma base firme de segurança na hora de avaliar a melhor solução e agir com rapidez.

Assim, você terá um incentivo concreto para evoluir sua produção e motivar os profissionais da fazenda

>> Leia mais: 

Saiba como gerenciar o ciclo de produção agrícola com o Aegro

6 recursos do Aegro que vão fazer a diferença no seu plantio

Redução de Custos da Safra: Produtor de soja economiza 5% com gestão

Já pensou em explorar os indicadores de produção no Aegro? Faça o teste grátis e confira todas as funcionalidades do software em tempo real! 

5 passos para fazer o cultivo do consórcio cana e milho

Consórcio cana e milho: saiba quais são as vantagens, desvantagens e o que você deve considerar antes de optar por ele

A Embrapa lançou em outubro de 2021 uma tecnologia de consorciação de cana com milho.

O consórcio alia rentabilidade e sustentabilidade. Além disso, pode te ajudar no plantio da cana para um período de menor demanda.

A união da cana com o milho pode proporcionar um melhor aproveitamento da área e reduzir perdas de solo por erosão.

Neste artigo, você vai conhecer melhor essa tecnologia de consorciação que gera tantos benefícios. Confira a seguir!

5 passos para cultivar o consórcio cana e milho

1. Faça a análise química do solo

A análise química do solo é importante para a correção e adubação adequadas da área.

As doses de macro e micronutrientes recomendadas para cada cultura devem ser somadas e consideradas para a adubação de todo sistema.

somadas e consideradas para a adubação de todo sistema.

2. Prepare o solo

O plantio deve ser nivelado, sem realizar a operação de quebra-lombo.

Na fase de plantio, recomenda-se a utilização de piloto automático com correção RTK (Real Time Kinematic).

Se a área ficar desuniforme depois do plantio, com torrões ou camalhões, será necessário passar um rolo destorroador ou uma grade niveladora. Assim, você irá melhorar a qualidade de semeadura do milho.

3. Escolha as variedades de cana e milho

É recomendado o uso de variedades de cana com germinação mais lenta. Para o milho, escolha o de ciclo precoce, com alta inserção de espigas.

Foto de uma lavoura com consórcio de cana de açúcar e milho. Na imagem, é possível ver as duas culturas no mesmo estande.

Alta inserção de espiga do milho consorciado para não danificar a cana durante a colheita

(Foto: Fabiano Bastos, 2020) 

4. Plantio das culturas

Faça o tratamento dos toletes de cana com inseticidas e fungicidas. Eles devem ser distribuídos entre 15 a 20 gemas viáveis por metro linear, com espaçamento entre linhas de 1,5 m.

Após o plantio da cana, faça a semeadura do milho o mais rápido possível. Dessa forma você diminuirá a necessidade de supressão da cana com herbicida.

Foto de lavoura em fase inicial do estabelecimento do consórcio de cana e milho. Na foto, as plantas ainda estão pequenas, dispostas entre linhas

Fase inicial de estabelecimento do consórcio

(Foto: Fabiano Saggin, 2020)

As sementes de milho devem ser tratadas com fungicida e inseticida para garantir um bom estande de plantas.

Semeie o milho com piloto automático com correção RTK. O  espaçamento do milho deve ser de 0,5 m entre linhas e a 0,25 m das linhas de cana.

A semeadora do milho deve ser compatível com o espaçamento da cana.

Em uma lavoura de cana com espaçamento de 1,5 m, podem ser utilizadas semeadoras com três, seis ou doze linhas espaçadas em 0,5 m.

A semeadora deverá ser tracionada por trator com bitola entre 1,5 m e 2,4 m de largura, para trafegar nas entrelinhas da cana e não sobre o sulco de plantio.

5. Colha o milho

Acompanhe a maturação dos grãos de milho e o crescimento da cana. Caso o crescimento da cana acelere, a colheita do milho deverá ser iniciada o mais rápido possível.

A colhedora de milho não pode ter rodado duplo, para evitar o tráfego sobre o sulco de plantio da cana.

A plataforma de colheita deve ter no mínimo 9 linhas, com espaçamento de 0,5 m.

Na colheita, não é necessário o uso de piloto automático com correção RTK.

Após a colheita do milho, o manejo fitossanitário da cana consorciada é o mesmo da cana solteira.

O que considerar antes de optar pelo consórcio Canamilho

Antes de analisar as vantagens e desvantagens do consórcio, você deve considerar dois pontos:

  • você precisa ter condições de adquirir piloto automático com correção RTK;
  • você precisa ter semeadora de milho compatível com o espaçamento da cana.

Benefícios do consórcio cana e milho

A tecnologia Canamilho antecipa o plantio da cana para o início do período chuvoso (novembro). Nessa fase de implantação, seu crescimento é lento por causa da competição por luz.

O crescimento da cana só retorna no fim do período chuvoso, quando o milho é colhido.

Isso amplia a janela de plantio e desafoga a implantação do canavial. Afinal, a maior demanda ocorre em março.

A cana consorciada é cultivada como cana de ano. No entanto, apresenta rendimentos semelhantes à cana de ano-meio.

O uso do consórcio Canamilho tem vantagens em relação ao cultivo solteiro.

Tabela com informações sobre renda de lavoura de cana solteira e de cana com milho. A cana solteira rendeu 1.693 reais por hectare. A cana consorciada com milho rendeu 6.898 reais por hectare.

A tecnologia Canamilho não afeta a produtividade das culturas consorciadas

(Fonte: Embrapa, 2021)

Desta forma, a renovação do canavial através do consórcio é promissora e economicamente viável.

Veja alguns benefícios do consórcio Canamilho:

  • pode aumentar a produtividade da cana-de-açúcar no Cerrado;
  • antecipa o plantio da cana para um período de menor demanda;
  • permite ampliar a janela de semeadura do milho;
  • otimiza a produção por área;
  • evita a abertura de novas áreas de cultivo;
  • maior potencial de geração de etanol por área;
  • mesmo plantada em novembro, a cana apresenta comportamento e rendimento semelhantes a cana de ano-meio.
  • reduz perdas de solo por erosão e melhora o aproveitamento do solo;
  • potencializa a produção de etanol de cana e milho em usinas flex;
  • favorece a emissão de créditos de descarbonização, como prevê a política RenovaBio.

Desvantagens 

  • no sistema Canamilho, a adubação nitrogenada pode ser maior;
  • aumento no uso de pesticidas para o controle de pragas comuns entre as culturas;
  • solos arenosos e de baixa fertilidade apresentam pouca aptidão para o milho e necessitam de correções do solo.

Dicas de manejo de plantas daninhas 

Devem ser utilizadas estratégias para evitar a fitointoxicação ou perda de produtividade das culturas. Ela pode ser causada por herbicidas ou pela interferência das plantas daninhas.

É importante fazer um manejo que permita que o milho seja colhido sem plantas daninhas. Essa é uma forma de facilitar o manejo na cana-de-açúcar.

O herbicida a ser utilizado deve ser seletivo para as duas culturas, dentro de doses que elas tolerem.

Tenha precisão na escolha desses produtos para não haver nenhum tipo de dano no milho e na cana.

Veja algumas opções no mercado que atendem a esses critérios:

  • Pré-emergente: atrazina (seletivo e boa performance de controle);
  • Pós-emergente: atrazina + mesotrione (excelente controle e não acarreta danos para as culturas).

Caso o desenvolvimento da cana interfira no do milho, é necessário aplicar algum produto químico que trave o crescimento da cana.

Se o híbrido de milho utilizado for resistente ao herbicida glifosato, ele pode ser utilizado em dose baixa (menor que 180 g de equivalente ácido por hectare)

Dessa forma, ele inibirá apenas o desenvolvimento da cana.

Se for um híbrido de milho convencional, você pode aplicar nicosulfuron, na dose de 6 g por hectare.

Para o manejo adequado é preciso monitorar a pressão de pragas e doenças na cana e no milho.

Faça a  aplicação de inseticidas e fungicidas conforme recomendação técnica.

Planilha de Planejamento da Safra de Milho

Conclusão

O consórcio cana e milho pode aumentar a produtividade da cana-de-açúcar e potencializar a produção de etanol de cana e milho em usinas flex.

Proporciona a antecipação do plantio da cana para um período de menor demanda. Além disso, melhora o aproveitamento do solo e reduz as perdas por erosão.

Agora que você tem essas informações, avalie se o consórcio Canamilho é interessante para a realidade da sua fazenda.

>> Leia mais: “Como fazer a implantação e o manejo do consórcio milho-braquiária”

Restou alguma dúvida sobre o tema? Já pensou em utilizar o consórcio cana e milho em sua fazenda? Adoraria ler seu comentário!

Como melhorar a plantabilidade e corrigir linhas falhas e duplas na lavoura

Plantabilidade: entenda o que é, como afeta a sua lavoura, como obter o melhor resultado em campo e muito mais!

Os grãos são o carro chefe do agronegócio brasileiro. Os dados da Conab evidenciam isso. Os manejos bem feitos reduzem perdas e otimizam processos.

Mas além deles, a plantabilidade é um dos fatores mais importantes relacionados à produtividade dos grãos, principalmente da soja.

Com certeza você já ouviu falar dela, mas você sabe como ela pode influenciar na produtividade da sua lavoura? Confira a seguir!

O que é plantabilidade

Plantabilidade é a deposição das sementes feita de forma correta pela semeadora.

Para o estabelecimento de um bom estande produtivo, é necessário ter boa qualidade das sementes.

Além disso, o posicionamento das sementes no solo (profundidade) deve ser correto. 

O fechamento do sulco, o contato das sementes com o solo e a plantabilidade também são pontos cruciais.

Nesse caso, o foco é nas linhas de plantio. Colocar a quantidade e distância correta de sementes nas linhas é fundamental.

Uma boa plantabilidade garante o espaçamento correto entre as plantas na linha e a correta formação do estande.

Foto de lavoura de milho com boa plantabilidade. As plantas estão posicionadas em uma distância padronizada, sinalizada por três setas vermelhas.

Boa plantabilidade na cultura do milho levando ao estande correto

(Fonte: Pioneer Sementes)

Estudos a respeito dos efeitos da plantabilidade na cultura do milho já existem há mais tempo. Para a cultura da soja, eles são mais recentes.

Como a plantabilidade influencia a produtividade?

A má distribuição longitudinal das sementes causa perdas diretas de produtividade. Afinal, a eficiência no aproveitamento dos recursos disponíveis (como água, luz e nutrientes) é reduzida.

Vale lembrar que os efeitos da má plantabilidade variam conforme as culturas. Mas independente da cultura, os prejuízos são causados pelas linhas duplas e falhas.

Linhas duplas e linhas falhas

Para ser considerada dupla, a distância entre as sementes tem que ser menor que a metade do espaçamento esperado entre plantas (na linha). Assim, elas ficam mais próximas umas das outras.

Representação de distância ideal de semeadura. A imagem é dividida em três quadros: no primeiro, há quatro sementes de milho separadas por distâncias iguais. No segundo, há duas sementes de milho muito juntas, ao lado de duas sementes de milho mais separadas. No terceiro, há duas sementes de milho muito separadas.

Classificações de espaçamento

(Fonte: Dias, 2013)

Imagine fazer o plantio com uma densidade de semeadura de 12 sementes por metro.

Nesse caso, quando você dividir 1 metro  pelas 12 sementes, o espaçamento adequado esperado entre plantas é de 8,3 cm

Distâncias entre plantas inferiores a 4,15 cm (menos de 50% da distância esperada) há uma linha dupla.

As falhas são o oposto, e ocorrem quando a distância entre as plantas no campo é superior a 50% da distância adequada esperada.

Estande de soja recém plantada com falhas. Na foto, há uma fileira de plântulas separadas por distâncias iguais, e outras fileiras com falhas nessas distâncias.

Exemplo de falhas de plantio de soja

(Fonte: SeedNews)

Quando a distância entre plantas é superior a 12,45 cm (8,3 + 4,15), há uma falha. Para esse número, considere ainda o exemplo anterior.

Principais prejuízos das linhas duplas e falhas

Nas linhas duplas

As plantas estão mais próximas umas das outras. Por isso, há maior competição entre elas, seja por água, luz ou nutrientes.

A competição, principalmente por radiação solar, faz com que as plantas cresçam mais  que o normal. Ao crescer mais, elas ramificam menos.

A produção acaba sendo menor dessa forma.

Na cultura da soja, ao lado da maior competição, o vigor da semente pode causar outro problema.

Uma semente mais vigorosa poderá germinar e emergir mais rápido. Dessa forma, a planta que se sobressai domina a planta vizinha. 

Quando há muitas plantas dominantes e dominadas no estande, a sua tendência pode ser  modificar a arquitetura do dossel.

Essa modificação pode causar problemas de interceptação da radiação solar. Além disso, pode gerar falhas de deposição dos produtos fitossanitários.

Nas linhas falhas

Nesse caso, faltam plantas, e por isso a produção e a produtividade serão menores.

Algo muito comentado para a cultura da soja é a questão da plasticidade e capacidade de compensação das plantas.

É verdade que as plantas da soja podem compensar algumas falhas. No entanto, essa compensação nunca é de 100%.

Para evitar grandes prejuízos na cultura da soja, é importante manter os níveis de plantabilidade acima de 70%.

A ocorrência de linhas duplas e falhas juntas não deve ultrapassar 30%.

Principais fatores que afetam a plantabilidade

A plantabilidade pode afetar a produção e a produtividade. Para evitá-la, você precisa conhecer os principais fatores que a evitam:

  • tratamento de sementes e o uso de grafite;
  • a uniformidade das sementes e escolha dos discos de plantio;
  • o equipamento dosador e a regulagem;
  • a velocidade da operação;
  • solo e sistema de plantio;
  • sementes de boa qualidade e procedência;
  • máquinas bem reguladas;
  • manutenção das máquinas em dia.

O tratamento de sementes é essencial, mas pode alterar as características superficiais da semente. Isso faz aumentar o atrito.

Usar grafite como um lubrificante seco favorece o escoamento das sementes e melhora a plantabilidade.

Gráfico que demonstra que o uso de grafite como lubrificante seco nas sementes melhora a plantabilidade. Os resultados são muito positivos.

Efeitos do uso de grafite sobre a porcentagem de falhas e duplas em soja

(Fonte: Pioneer Sementes)

Também há diferença entre semeadoras mecânicas e pneumáticas


As pneumáticas normalmente apresentam maior precisão. Entretanto, as mecânicas também são bastante adequadas para a realização dos plantios de boa plantabilidade.

A velocidade excessiva na hora do plantio pode ser um problema, fazendo com que as sementes sejam mal posicionadas no solo.

Imagem dividida em três. A primeira mostra os efeitos de plantadeira com a 18 km/h e 12 km/h, ambas deixando falhas na lavoura. A terceira imagem mostra os efeitos de plantadeira a 6km/h

Diferentes velocidades de plantio e efeitos na plantabilidade

(Fonte: Sistema Ocepar)

Todos os fatores estão intimamente relacionados e atrelados às condições do campo, como o tipo de solo e sistema de produção (com ou sem palhada).

Não existe uma única fonte de problemas, mas diversas que vão se acumulando caso não sejam bem manejadas.

Avalie a plantabilidade com um software de gestão

Felizmente, é possível identificar problemas de plantabilidade a tempo de replantar a área. 

Uma forma eficiente de fazer isso é com a visualização de mapas NDVI. Eles apontam, a partir de imagens de satélite, falhas na linha de semeadura, como no exemplo da imagem abaixo.

Imagem de mapa NDVI, com linhas vermelhas que indicam problemas de plantabilidade em dois cantos da lavoura

A linha em cor vermelha no mapa NDVI indica possível problema de plantabilidade

Com o Aegro, sistema de gestão rural, você tem acesso a esse recurso e ainda pode solicitar uma avaliação ao seu monitor ou planejar uma nova tarefa de plantio, tudo em poucos cliques.

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banner-gerenciando o maquinário agrícola

Conclusão

Os grãos, com destaque para a soja e o milho, têm potencial de crescimento conforme os manejos e tecnologias avançam.

Além de um bom manejo, você deve ficar sempre de olho na plantabilidade. Afinal, ela tem grande importância nos sistemas de plantio e pode garantir uma safra mais produtiva.

Conheça bem os principais pontos que interferem na plantabilidade. Os mantenha sob controle e bem alinhados, e na dúvida, consulte um engenheiro-agrônomo!

E você, já enfrentou algum problema de plantabilidade na sua lavoura? Deixe seu comentário e conte sua experiência!

Saiba como o estilosante pode ser uma boa opção para a cobertura do solo

Estilosante: saiba como utilizar a leguminosa, suas vantagens, desvantagens e impactos na produção de grãos em sucessão

Se você precisa realizar cobertura do solo e adubação verde na sua lavoura, o estilosante pode ser uma ótima opção. A leguminosa pode ser utilizada de diversas formas. Ela fixa nitrogênio atmosférico e o incorpora ao solo. 

Por isso, é uma excelente alternativa para anteceder culturas como soja, milho, algodão e feijão.

Neste artigo, veja alguns motivos pelos quais você deve investir na utilização dos estilosantes e como e quando utilizá-los. Confira a seguir!

Quando e como o estilosante pode ser cultivado

O estilosante é uma leguminosa de clima tropical. Ela tem ciclo bienal e hábito de crescimento semi-prostrado. A planta pode chegar a cerca de 70 cm a 80 cm de altura.

Ela pode ser cultivada em solos arenosos e de baixa fertilidade, solteiro ou consorciado com gramíneas forrageiras. Seu sistema radicular é profundo, e pode atingir até 1,5 m de profundidade.

Seu cultivo é recomendado para regiões com pluviosidade mínima de 700 mm e máxima de 1800 mm. Não é recomendado para regiões com ocorrência de geadas.

A semeadura pode ser realizada a lanço ou em linhas. Você pode semear após  o preparo total do solo ou sobre a pastagem já formada.

A profundidade de semeadura não deve ultrapassar 2 centímetros.

Produz de 8 a 14 toneladas de matéria seca por hectare ao ano. Aos 40 dias após a emergência, devem estar estabelecidas em torno de 10 a 20 plantas/m2.

Quando consorciado com gramíneas, deve ser utilizado de 2 kg a 2,5 kg por hectare de sementes puras viáveis. A população da gramínea deve ser reduzida em 30%.

Os estilosantes demoram para se estabelecer. Assim que a gramínea começar a sombrear a leguminosa, a pressão de pastejo deve ser aumentada para favorecer o crescimento.

Consórcio de estilosantes com gramíneas

As gramíneas forrageiras mais recomendadas para o consórcio, são:

  • Brachiaria decumbens cv. Basilisk;
  • B. brizantha cvs. Marandu, Xaraés e Piatã;
  • B. humidicola cv. Humidicola e Andropogon, para solos arenosos de baixa fertilidade.

O estilosante é ótimo para anteceder o cultivo de grandes culturas como milho, soja, feijão e algodão.

A consorciação é importante por causa da decomposição mais lenta das gramíneas. O estilosante contribui para maior aporte de nitrogênio e rápida decomposição dos seus resíduos. Essa associação aumenta a proteção do solo, já que produz mais resíduos vegetais.

Utilização 

 É possível utilizar os estilosantes de diversas formas. Veja algumas delas:

  • Pastoreio;
  • Fenação;
  • Cobertura do solo;
  • Adubação verde;
  • Pode ser inserida na sucessão, consorciação e rotação de culturas.

Como o estilosante impacta a produção de grãos em sucessão

O estilosante é uma excelente planta de cobertura e beneficia as culturas em sucessão. Afinal, reduz a utilização de adubos nitrogenados.

Além disso, é uma ótima opção para o Sistema Plantio Direto e rotação de culturas. Seus nutrientes permanecem na palhada e favorecem a fertilidade da cultura seguinte.

Em consórcio com gramíneas forrageiras, reduz consideravelmente as perdas do solo.

Na tabela, informações sobre redução de perdas de solo com consórcio de Brachiaria brizantha com estilosantes.  Com brachiaria decumbens, as perdas são de 891 kh/ha/ano. Com brachiaria brizantha, as pernas são de 96 kg/ha/ano. Com brachiaria brizantha mais estilosantes, as perdas são de 10 kg/ha/ano.

 Redução de perdas de solo com a consorciação de Brachiaria brizantha com estilosantes

Fonte: (Adaptado de Dedecek et al. 2006)

Essa cobertura proporciona melhorias na fertilidade do solo e ajuda na supressão de plantas daninhas.

Com a rápida decomposição dos seus resíduos vegetais, deixam o solo descoberto e sujeito a erosão.

Por outro lado, essa rápida decomposição é benéfica para as culturas sucessoras, devido à rápida liberação dos nutrientes no solo.

Vantagens e desvantagens dos estilosantes

Veja alguns benefícios da leguminosa:

  • boa adaptação a solos arenosos e de baixa fertilidade;
  • alta tolerância ao alumínio;
  • tolerância a seca;
  • resistência à antracnose;
  • alta produção de sementes, favorecendo a ressemeadura natural em campo;
  • boa palatabilidade, digestibilidade e alto valor nutritivo para os animais;
  • excelente alternativa para recuperação de áreas degradadas;
  • redução de plantas daninhas na área;
  • adubação verde;
  • maior disponibilidade de nutrientes;
  • proteção do solo e diminuição dos riscos de erosão;
  • reduz os danos causados pelo uso intensivo do solo;
  • pode ser inserida na sucessão, consorciação e rotação de culturas;
  • baixo custo de implantação;
  • suas raízes auxiliam reduzem a compactação do solo.

Agora, veja algumas desvantagens da leguminosa:

  • baixa tolerância ao frio;
  • baixa tolerância a solos encharcados;
  • o consumo excessivo (mais de 40% da dieta animal) pode causar obstrução intestinal por fitobezoar em bovinos;
  •  estabelecimento lento.
diagnostico de gestao

Conclusão

O estilosante é uma leguminosa que pode ser utilizada  de diversas formas. Ela aumenta o aporte de nitrogênio pela fixação biológica e reciclagem de nutrientes.

Vale avaliar as vantagens e desvantagens da semeadura dos estilosantes, sempre considerando a cultura sucessora e as condições da lavoura.

Na dúvida, consulte um engenheiro-agrônomo e faça um bom planejamento!

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Títulos de crédito do agronegócio: saiba quais são, a quais necessidades atendem e em quais situações utilizá-los

O uso de títulos de crédito do agronegócio é uma importante alternativa de financiamento para a agroindústria no Brasil, em relação ao crédito rural.

Ele pode ser utilizado para o desenvolvimento da fazenda e para beneficiamento da produção, como fábricas e indústrias rurais.  Conhecer todos os títulos de crédito e suas finalidades pode te ajudar muito na tomada de decisão.

Neste artigo, você saberá quais são os tipos de título, a diferença entre eles e como você pode se beneficiar. Boa leitura! 

O que são títulos de crédito do agronegócio?

São títulos que te possibilitam conseguir recursos financeiros no âmbito privado. Por exemplo, você pode consegui-los nas AgFintechs, as agtechs do agronegócio que trabalham com crédito rural.

Os títulos são de vários tipos, e podem ser utilizados em situações diversas:

  • custeio da produção e comercialização;
  • investimentos em tecnologia e inovação;
  • geração de energia limpa e outras práticas sustentáveis;
  • construção e ampliação de armazéns, dentre outros.
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Quais são os títulos de crédito do agronegócio?

Os títulos de crédito do agronegócio são seis, ao todo: CPR, CDA/WA, CDCA, LCA E CRA. Eles foram instituídos por meio das Leis nº 8.929, de 22 de agosto de 1994, e nº 11.076, de 30 de dezembro de 2004.   

Cada um atende a determinadas necessidades. Veja mais detalhes sobre eles abaixo.

1. CPR (Cédula de Produtor Rural)

A Cédula de Produtor Rural é um título de crédito com garantia real. Ele é uma penhora rural ou mercantil, emitida para facilitar a comercialização de produtos.

Criada pela Lei n.º 8.829/1994 (alterada pela Lei 10.200, de 14 de fevereiro de 2001), ela é um marco do desenvolvimento do sistema de financiamento privado do agronegócio.

Ela pode ser utilizada para recebimento antecipado da comercialização das mercadorias.

No mercado primário, a CPR pode ser negociada caso você precise adiantar recursos para a produção de mercadorias. No mercado secundário, a CPR é vendida a um terceiro.

É importante registrar a CPR em alguma entidade autorizada pelo Banco Central do Brasil. Assim, você pode assegurar que as informações sobre o título são verdadeiras e evitar desconfianças.  Além do produtor rural, podem emitir a CPR as associações e as cooperativas.

Entre as vantagens da CPR, está a isenção do investidor no Imposto de Renda e no IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).    Esse título de crédito pode ser utilizado para registo e emissão de outros títulos, como a LCA (Letra de Crédito do Agronegócio).

A CPR tem as modalidades física e financeira. Na física, ocorre a promessa da entrega de produtos. A CPR financeira não prevê entrega física do produto rural, mas a liquidação financeira da CPR.  Neste caso, o valor para pagamento é verificado através da multiplicação da quantidade pelo preço.

2. CDA (Certificado de Depósito Agropecuário) 

O CDA (Certificado de Depósito Agropecuário) entrega um produto agropecuário depositado em armazéns certificados pelo governo. 

Outra opção é o produto atender aos requisitos mínimos do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).

3. WA (Warrant Agropecuário)

A WA (ou Warrant Agropecuário) é o pagamento em dinheiro que dá direito de penhor sobre o CDA e sobre o produto nele descrito.   Por isso, o CDA e o WA são emitidos sempre em conjunto, após a solicitação do depositante. 

CDA e WA podem ser comercializados ou usados em empréstimos pelos produtores e constituem executivos extrajudiciais. Os executivos extrajudiciais são documentos ou atos a que a lei confere força executiva. Eles equivalem a uma comprovação sem erros da comprovação do crédito.

Imagem de moedas empilhadas sobre solo de plantio, com alguns brotos sobre as pilhas

(Fonte: Feed&Food)

4. CDCA

É um título de crédito nominativo e de livre negociação. Promete pagamento em dinheiro, além de constituir título executivo extrajudicial.  Ele garante os direitos creditórios originários de negócios realizados entre produtores rurais, entidades de classe rural ou terceiros. 

Esses direitos devem ser relacionados à produção, beneficiamento ou industrialização de insumos, máquinas e implementos. Este título de crédito é vinculado aos direitos creditórios do agronegócio, presentes no sistema de registro e liquidação financeira de ativos.

Deve também estar custodiado por alguma instituição financeira autorizada pela CVM (Comissão de Valores Imobiliários). Assim que a  CDCA é emitida, ocorre a determinação de penhor sobre direitos creditórios do agronegócio vinculados a ela.

A CDCA é um elo significativo na cadeia produtiva do agronegócio. Afinal, é uma porta de entrada do segmento de mercado de capitais, o que viabiliza queda de juros praticados com o produtor rural.

5. LCA (Letra de Crédito do Agronegócio)

Assim como a CDCA, a LCA é um título de livre negociação. Ela promete pagamento em dinheiro. Pode ser emitida somente por instituições financeiras públicas e privadas, em forma escritural. Ainda, deve ser emitida em CDR, duplicatas e notas promissórias rurais.

O valor da LCA deve ser sempre igual ou inferior ao valor dos direitos creditórios vinculados a ela.

Ela dá direito de penhor sobre os direitos creditórios vinculados. Isso acontece independente de outra convenção sobre garantias adicionais, reais ou pessoais, livremente negociadas.

6. CRA (Certificados de Recebíveis do Agronegócio)

Também é nominativo e de livre negociação. Promete pagamento em dinheiro e constitui título executivo extrajudicial.

A emissão de CRA é exclusiva para companhias de seguro rural. Elas realizam operações que transformam ativos com baixa liquidez em valores mobiliários líquidos e aptos à negociação no mercado.

Conforme a Lei n.º 11.076/2004, os CRAs devem ser vinculados a direitos creditórios de negócios realizados entre produtores rurais. A regra também vale para cooperativas e terceiros.

Tais negócios incluem também financiamentos ou empréstimos relacionados à:

  • produção;
  • comercialização;
  • beneficiamento ou industrialização de produtos/insumos agropecuários;
  • beneficiamento de máquinas;
  • beneficiamento de implementos utilizados na produção agropecuária.
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Conclusão

Com a crescente tendência de crescimento do setor agropecuário brasileiro, há mais variedades de oferta de crédito rural. 

As regras de algumas instituições, como as startups, podem ser mais flexíveis que as dos bancos comuns.

Por isso, é importante que você se informe bem sobre o assunto e busque se beneficiar dessas novidades. Procure sempre a melhor opção para a sua realidade, e conte com ajuda de especialistas.

Tenha sempre em mente que essa é mais uma ferramenta para aprimorar a gestão da sua fazenda. Assim, você poderá se desenvolver mais no setor agropecuário.  

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