Colheita do milho: descubra possíveis perdas e como calculá-las

Cálculo de perdas na colheita de milho: Neste artigo iremos mostrar como você pode fazer o cálculo e evitar prejuízos desnecessários na sua lavoura. Confira!

Você já parou para pensar quais são as perdas na colheita de milho que podem acontecer?

Segundo estudos, podemos perder de 7 a 8% da colheita.

Você escolhe uma semente de boa qualidade, realiza adubação, monitora a lavoura, faz aplicação de defensivos e… pode perder quase 10% ou mais de todo esse trabalho.

Neste artigo mostramos quais os tipos de perdas mais comuns e como evitá-las.

Aqui você ainda fica sabendo como fazer o cálculo de perdas na colheita de milho. Confira:

Perdas que podem acontecer na colheita da lavoura de milho

Algumas pesquisas relatam que os níveis toleráveis de perdas é de 1,5 saco/ha para milho.

Agora vamos conhecer algumas perdas que ocorrem antes, durante e depois da colheita, mas que estão diretamente relacionadas com a colheita.

Perdas na colheita de milho por regulagem da máquina

Considera-se que uma máquina bem regulada pode evitar cerca de 50% de perdas na colheita.

Hoje temos as colhedoras acopladas e as automotrizes.

Chamam-se colhedoras acopladas por ter os equipamentos de colheita acoplados em tratores.

Já as automotrizes são as mais utilizadas atualmente e são constituídas de cinco partes:

  • Rolo espigador e chapas: corte e alimentação;
  • Cilindro e côncavo: debulha;
  • Peneiras e ventilador: separação e limpeza do grão;
  • Elevador de grãos e tanque graneleiro: condução dos grãos e depósito;
  • Descarga: transferência dos grãos do tanque graneleiro para a carreta.

Nesse sentido, tenho algumas dicas principais na hora de regular a colhedora:

As 5 principais dicas na regulagem da colhedora

1.Atenção na velocidade da máquina

A velocidade de trabalho recomendada para uma colhedora é determinada em função da produtividade da cultura do milho.

Isso porque devemos ter em mente que a colhedora tem uma capacidade máxima para processar toda a massa que é colhida junto com o grão.

Assim, quanto maior a velocidade, mais massa ela terá que processar.

Por isso, a velocidade de trabalho recomendada, por várias pesquisas, para a colheita de milho varia de 4 a 6 km/hora.

2. Cilindro debulhador

Os grãos de milho podem ser colhidos a partir do ponto que atinge a maturidade fisiológica.

Quanto menor a umidade, mais fácil será a debulha, mas os grãos se tornam também mais quebradiços.

Por isso, atenção para o cilindro debulhador, pois ele é regulado conforme o teor de umidade dos grãos

3. Rolo espigador, peneiras e ventilador

Merece nossa atenção, pois as perdas de grãos soltos são ocasionadas pelo rolo espigador e de separação.

4.Tanque graneleiro, elevador da retrilha e saída da máquina

Faça a regulagem adequada para verificar a qualidade do grão colhido.

5.Operador da colhedora

Claro que não podemos esquecer que o operador da colhedora é de extrema importância para a atividade da colheita.

Por isso, eles devem ter treinamentos para conhecer a máquina e os processos agrícolas.

Meu colega Luis Gustavo falou neste texto sobre a regulagem e manutenção de máquinas e equipamento.

Além disso, você pode ver abaixo os principais problemas na colheita de milho envolvendo regulagem da máquina, suas possíveis causas e como solucionar o problema:

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(Fonte: Adaptado de Embrapa)

Agora que sabemos as principais perdas na regulagem da colhedora, vamos ver como quantificar essa perda:

Como fazer o cálculo de perdas na colheita de milho

Este método é realizado no campo logo após a colheita. Confira esse simples passo a passo de como fazer o cálculo de perdas na colheita de milho:

1° Faça uma armação

Utilize uma armação (de madeira ou mesmo arame) com a largura da plataforma da colhedora e o comprimento que desejar.

Multiplicando a largura pelo comprimento da armação, você terá a área dessa armação.

Exemplo: largura da minha armação = 4 metros (ou seja, minha plataforma tem largura de 4 metros)

Comprimento da minha armação = 0,5 metros

área = 4 x 0,5 =  2 m²

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(Fonte: Embrapa)

2° Vá a campo

Após a colheita, posicione a armação em um local em que a colhedora passou e que seja representativa do talhão.

3° Colete os grãos

Colete todos os grãos que estiverem dentro da área delimitada pela armação e pese esses grãos.

4° Faça as contas

Com o peso da perda dos grãos na área conhecida da armação, estipule essa perda para 1 hectare.

Exemplo: o peso dos grãos dentro da armação foi de 13 g

13 g – 2 m²

x – 10 000 m²

x = 65 000 g = 65 Kg por hectare a estimativa de perdas da colheita

5° Determine se a perda que ocorreu está dentro dos limites aceitáveis

O limite aceitável de perda é de 1,5 saco/ha. Ou seja, acima disso temos que investigar o que está acontecendo e onde estamos errando.

Voltando ao nosso exemplo, 65 Kg/ha é o equivalente a 1,08 sacas por hectare, sendo uma perda totalmente aceitável, natural pelo processo de colheita.

Temos ainda outro método de medir essa perda:

Método de quantificação das perdas pelo copo medidor da Embrapa

A Embrapa desenvolveu um copo de plástico tamanho específico que correlaciona volume com massa.

Isso permite a determinação direta dos valores de perdas de grãos e produtividade da lavoura, em sacas/ha.

Os primeiros passos são parecidos com o método anterior, com uma armação de área conhecida.

Assim, após a passagem da colhedora, coloque a armação no campo, sendo as áreas das mesmas preferencialmente de 1,0 m2 (para arroz) e 2,0 m2 (para soja e milho).

Depois, coletamos os grãos e , ao invés de pesar como no método anterior, colocamos os grãos em um copo especial desenvolvido pela Embrapa.

Nesse copo há uma escala que indica diretamente a perda e/ou o desperdício de grãos que está ocorrendo naquele momento.

As perdas aceitáveis para grãos são: 1,5 sacas/ha para milho e arroz e 1,0 saca/ha para soja.

Para soja esse método já tem sido bastante utilizado.

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Copo medidor ajuda no processo de cálculo de perdas na colheita de milho
(Fonte: Foto de Carina Venzo Cavalheiro – Emater-RS)

Outra forma mais fácil é utilizar essa planilha desenvolvida para automatizar o cálculo. Baixe gratuitamente clicando na figura abaixo!

planilha para estimativa de perdas na colheita Aegro

Perdas na colheita devido ao cultivar

A escolha do cultivar de milho deve ser bem planejada, pois isto reflete desde a semeadura até a colheita.

Neste planejamento deve se conhecer as características do cultivar de milho: se sofre muito acamamento, se apresenta muitas quebras na planta….

Assim, a cultivar tem que ter adaptabilidade com a colhedora, por isso, muitas vezes você precisa regular a colhedora.

Precisamos nos atentar para que a altura da inserção da espiga seja a mesma para todas as plantas e qual é essa altura, se há plantas acamadas, etc.

>> Você sabe onde está o gargalo do seu planejamento agrícola?

Perdas por atraso na colheita

Você já deve ter ouvido falar ou já passou por isso em sua lavoura: Perdi um pouco da produção por atrasar a colheita.

Então fica a pergunta: Quando devo colher a lavoura de milho?

Para isso, vamos entender um pouco do ciclo da cultura.

A imagem abaixo apresenta as fases do ciclo da cultura de milho, sendo divididos em fases vegetativas (V) e fases reprodutivas (R).

calculo-perda-colheita-milho.

(Fonte: adaptado de Fancelli (1986) em Fast Agro)

O milho está pronto para ser colhido a partir da maturação fisiológica do grão (R6), o que acontece no momento em que 50% dos grãos na espiga apresentam uma pequena camada preta no ponto de inserção dos grãos com o sabugo.

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Camada preta no ponto de inserção dos grãos com o sabugo.
(Fonte: José Madalóz em Pioneer Sementes)

Para redução de perdas e danos mecânicos, sugiro a colheita a partir do momento em que os grãos apresentarem 25% de umidade.

Mas é comum o atraso na colheita por falta de máquinas, condições climáticas e outros.

Esse atraso pode resultar em maior ataque de pragas e doenças, especialmente se ocorrerem chuvas nesse meio tempo.

Para que isso não aconteça, é preciso dimensionar corretamente o número de máquinas necessárias e ter em mente em quantos dias essa colheita será feita na sua área.

Assim, é possível planejar adequadamente a cultura, desde o início da mesma com a data de plantio.

Você pode ver em mais detalhes sobre planejamento agrícola aqui.

Perdas na colheita por doenças

Há algumas doenças causadas por fungos que atacam as espigas de milho ainda no campo próximo ao momento da colheita, por isso, foram descritas neste texto.

Lembre-se que essas doenças ocorrem ainda no campo, causando perdas durante a colheita e no armazenamento.

Períodos chuvosos favorecem acúmulo de umidade nas espigas de milho, e isto, pode favorecer o desenvolvimento de fungos.

Vamos conhecer algumas das doenças nas espigas de milho:

1.Podridão da espiga causada por Diplodia ou podridão branca

Esta podridão é a mais frequente das doenças causadas na espiga do milho, sendo mais severa em regiões de alta umidade.

É causada pelos fungos Diplodia maydis e D. macrospora.

A doença começa na base da espiga e também se desenvolve entre os grãos da espiga.

Pode provocar apodrecimento dos grãos se infectar espigas com alta umidade.

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(Fonte: Raphael Gregolin em Pioneer sementes)

2.Podridão da espiga causada por Gibberella moniliformis ou podridão rosada da espiga

Os grãos infectados na parte superior apresentam estrias brancas e depois há mudança de cor para róseo a marrom-escuro.

Com o desenvolvimento do patógeno nos grãos, há um crescimento cotonoso de coloração clara a avermelhada, isso corresponde ao micélio do fungo.

calculo-perda-colheita-milho-podridão-rosada

(Fonte: Matheus Dalsente Krau em Pioneer sementes)

3.Podridão da espiga causada por Gibberella zeae ou podridão vermelha da ponta da espiga

Esta doença é favorecida em regiões frias e úmidas. A doença começa na ponta da espiga e progride para a base.

Além disso, a coloração do fungo entre e sobre os grãos varia de avermelhada a marrom.

4.Podridão da espiga causada por Penicillium oxalicum

As espigas infectadas por este fungo apresentam coloração verde-azulada.

Penicillium oxalicum além de causar danos em condições de campo, também é importante como patógeno de grãos armazenados.

Agora que já vimos as principais podridões das espigas que causam perdas na colheitas, vamos conhecer um pouco mais sobre grãos ardidos:

>> O Combate às ferrugens: Controle essas doenças nas culturas do milho e soja

O que são grãos ardidos e micotoxinas?

As doenças citadas acima podem produzir grãos ardidos e micotoxinas.

Grãos ardidos são grãos produzidos em espigas que sofreram um processo de podridão.

Micotoxinas são metabólitos secundários tóxicos produzidos por fungos, tanto na fase de pré-colheita (ainda no campo), quanto na fase de armazenamento dos grãos.

As micotoxinas podem causar doenças pela ingestão de alimentos contendo micotoxinas, esses alimentos são provenientes de grãos contendo micotoxinas.

Quais as medidas de controle para as podridões da espiga?

Controle das podridões nas espigas causadas por fungos

Escolha de cultivares resistentes e práticas culturais como: lavoura livre de plantas daninhas, densidade de plantio correta, colheita na época correta e rotação de culturas.

E você conhece as principais doenças do milho que atacam durante todo o ciclo de cultivo?

Veja este texto que escrevi para conhecer mais: Se prepare na pré-safra: Como combater as principais doenças de milho, feijão e sorgo.

Importância de conhecer suas perdas na colheita de milho

É muito importante você conhecer as fontes de perdas relacionadas com a colheita que ocorrem na sua lavoura para:

  • Determinar a produção na sua lavoura;
  • Identificar em quais fases e processos deve agir para reduzir perdas;
  • Determinar qual o seu custo de produção;
  • Planejar sua lavoura (desde o preparo do solo ao transporte e armazenamento do grão);
  • Fazer o cálculo de perdas na colheita de milho;
  • Quantificar o lucro ou prejuízo real de sua lavoura.

Ademais, a produtividade líquida é o que você realmente colheu na sua lavoura, descontando assim, as perdas que ocorreram no sistema de produção.

Assim, é na colheita que você terá o retorno do seu capital investido durante toda a lavoura.

Por isso, esta atividade merece muita atenção!

Conhecer a produtividade da sua lavoura é primordial para você planejar seus custos e a sua próxima cultura.

Pode parecer complicado e um pouco confuso conseguir contabilizar as perdas, ganhos e custos, mas a tecnologia pode te ajudar nisso.

61% dos agricultores afirmam que a tecnologia tornou a agricultura mais fácil na última década.

O Aegro é um software de gestão agrícola para sua fazenda que pode te ajudar neste planejamento e visão completa da fazenda.

https://www.youtube.com/watch?v=891oHrLaSNo&t=1s

Nele, você consegue planejar sua propriedade por talhão de modo fácil e simples, e determinar o custo de produção por talhão ou área total da propriedade.

Neste texto que escrevi “Como usar software para agricultura para melhorar seu custo de produção” comento sobre custo de produção agrícola e como obter utilizando um software. Não deixe de conferir!

O que você pode fazer para reduzir as perdas na colheita da sua lavoura

Há várias questões que devem ser atendidas para que a colheita ocorra da melhor maneira possível.

Uma das principais, é a mão de obra capacitada para o trabalho.

O operador deve conhecer a cultura de milho, a máquina e suas regulagens para reduzir as perdas. Caso necessário deve-se realizar treinamentos para a capacitação.

Como já vimos aqui, a regulagem adequada das máquinas também é essencial, bem como o monitoramento das condições climáticas.

Se atente também para o controle de plantas daninhas durante o ciclo da cultura para que não atrapalhe na colheita.

Ademais, escolha de variedades de milho resistentes ao tombamento e realize planejamento das atividades da sua lavoura!

Nesse sentido, preparei algumas perguntas que devem ser respondidas para o bom andamento da colheita:

  • Qual a minha área plantada?
  • Quando minha lavoura atinge o ponto de maturidade fisiológica?
  • Em quanto tempo seria interessante finalizar a colheita em toda minha área?
  • Quantas horas de colheita/dia?
  • Quantas colhedoras (próprias ou de terceiros) terão que ser utilizadas neste processo?
  • Há alguma previsão de condição climática que impeça a colheita na época planejada?
  • Tenho mão de obra para realizar essa operação?
  • Vou estocar o milho? Onde?
  • Qual transporte vou utilizar?

Não deixe de responder essas perguntas para você planejar sua colheita e reduzir as perdas neste processo.

Saiba também como você pode estimar sua produtividade de milho e ainda ganhe planilha grátis para isso neste artigo: “Antes mesmo da colheita: Saiba estimar a produtividade de milho por hectare”

Conclusão

Neste texto, você aprendeu sobre as principais perdas que podem acontecer na sua lavoura de milho.

E como fazer o cálculo de perdas na colheita de milho.

Além disso, há algumas dicas de como você pode reduzir suas perdas e como medir àquelas causadas pelo maquinário na colheita.

Assim, a colheita é de extrema importância para sua lavoura de milho, ela deve ser planejada e monitorada para reduzir perdas, e com isso, aumentar seu lucro.

Depois de todas essas informações, só posso te desejar bom planejamento agrícola e boa colheita!

Veja mais também:

>> Tudo o que você precisa saber na pré-safra sobre as principais pragas de milho e sorgo
>> Tudo o que você precisa saber sobre Manejo Integrado de Pragas [Infográfico]
>> Não cometa erros no manejo: 5 métodos de controle da lagarta-do-cartucho
>> 5 tecnologias para controlar a “Helicoverpa armigera” eficientemente

Restou alguma dúvida sobre o cálculo de perdas na colheita de milho? Qual método você utiliza? Adoraria ver seu comentário abaixo.

Como fazer o controle da buva resistente a glifosato

Controle da buva resistente a glifosato é essencial para um bom desenvolvimento da sua lavoura. Neste artigo listamos as melhores práticas e como fazer o controle efetivo desta erva daninha.

Anos atrás, a buva não assustava ninguém. Hoje, a história mudou.

Se você tem essa planta invasora na sua fazenda, sabe bem do que estou falando.

E o principal motivo desse jogo virar foi o desenvolvimento da resistência a glifosato.

Sem conseguir controlar a buva pela aplicação do herbicida, a planta se espalha rápido na lavoura.

Três plantas de buva por m² podem resultar em perdas de 4 sacas de soja por hectare.

Mas como fazer o controle da buva resistente a glifosato? E como verificar se o custo compensa?

buva-danos

(Fonte: Jornal Coamo)

Aqui eu te conto como fazer isso e muitas outras dicas e curiosidades, veja:

Como está a “grama do vizinho”: Cenário de buva resistente a glifosato e outros herbicidas no Brasil

Se você tem ervas daninhas resistentes a herbicidas na sua área, não se preocupe.

A grama do vizinho não está mais verde: infelizmente essa é uma situação comum de ser encontrada no país.

No Brasil existem 50 relatos de plantas daninhas resistentes a herbicidas.

Destes, 15 são plantas resistentes a glifosato (herbicidas inibidores da EPSPs) e 8 são de plantas de buva.

Controle da buva resistente a glifosato

Infestação de buva resistente a glifosato no Brasil

(Fonte: Prof. Michelangelo Trezzi)

No Brasil, o primeiro caso de buva resistente a glifosato foi registrado em 2005.

O mais recente deles, em 2017, que podemos considerar como um cenário preocupante é o da buva resistente a três mecanismos de ação diferentes.

Aqui você pode conferir todos os casos de resistência de buva no Brasil (Fonte: Heap, 2018):

Ano de 2005

  • Conyza bonariensis  a glifosato;
  • Conyza canadensis a glifosato.

Ano de 2010

  • Conyza sumatrensis a glifosato

Ano de 2011

  • Conyza sumatrensis a chlorimuron;
  • Conyza sumatrensis a glifosato e chlorimuron.

Ano de 2016

  • Conyza sumatrensis a paraquat;
  • Conyza sumatrensis a saflufenacil;
  • Conyza sumatrensis a glifosato, chlorimuron e paraquat.

O primeiro passo de um controle eficiente de plantas daninhas, resistentes ou não, é a sua correta identificação.

Por isso, acompanhe abaixo algumas das características mais importantes da buva.

Identificando essa planta daninha: características principais da buva

  • As plantas de buva pertencem à família Asteraceae, são anuais ou bianuais, eretas, chegando até 2,5 m de altura;
  • Possuem fácil disseminação através do vento;
  • Toleram bem condições de seca;
  • Uma planta é capaz de produzir de 100 mil a 200 mil sementes;
  • As sementes não possuem dormência;
  • Ótima germinação entre 20°C a 25°C.

As espécies de buva são difíceis de serem diferenciadas, veja na figura abaixo algumas dicas!

identificação-buva-especies

(Fonte: Michelangelo Trezzi)

Para saber mais sobre a identificação das espécies de buva consulte a publicação do HRAC: “Aspectos Botânicos, Ecofisiologicos e Diferenciação de Espécies do Gênero Conyza”.

Controle da buva resistente a glifosato: Herbicidas

Muitos herbicidas podem ser recomendados para manejar a buva e ajudar na prevenção à resistência.

Para a cultura de soja, veja o quadro abaixo:

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(Fonte: Embrapa)

Verifique também os herbicidas com mecanismos de ação alternativos indicados para controle da buva resistente a glifosato:

Inibidores da ALS

Clorimuron, cloransulam, diclosulam e iodosulfuron.

Mimetizador de auxinas

2,4 D e dicamba.

Inibidores da glutamina sintetase

Glufosinato de amônio.

Inibidores da PROTOX

Flumioxazin, saflufenacil e sulfentrazone

Inibidores do fotossistema I

Paraquat

Mas não é só com herbicidas alternativos que controlamos eficientemente essa planta daninhas.

O controle cultura é igualmente importante.

Controle cultural da buva

O controle cultural é uma excelente ferramenta para reduzir a infestação. Assim, temos alguns exemplos a seguir.

Lamego et al. (2013) observaram que a infestação de buva é reduzida quando se tem coberturas vegetal (palhada) sob o solo.

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(Fonte: Lamego et al., 2013)

Os autores também viram que aliando o manejo cultural ao controle químico (por herbicidas) é possível elevar a produtividade da soja pelo controle da buva.

Eles notaram que, em alguns casos, a cobertura sozinha já foi suficiente para garantir a produtividade da soja.

No trabalho realizado por Rizzardi e Silva (2014), o manejo cultura com coberturas de inverno proporcionou a redução no número e na altura de plantas de buva.

redução-buva-cobertura

(Fonte: Rizzardi e Silva (2014))

Ou seja, quanto maior for a cobertura do solo, menor vai ser a germinação das plantas de buva. Isso porque essas plantas necessitam de luz para germinar (são fotoblásticas positivas).

Assim, com a cobertura do solo, dificultamos a germinação dessa planta daninha, evitando que ela se reproduza e que deixe mais sementes no solo.

Por isso, esse manejo cultural é importante para áreas com ou sem buva resistente a glifosato ou outros herbicidas.

Mas ainda tenho algumas indicações sobre o manejo em caso de resistência em sua área.

Baixe grátis o Guia para Manejo de Plantas Daninhas

Dicas indispensáveis para o controle da buva resistente a glifosato e outros herbicidas

Aqui estão as principais dicas para prevenir e manejar a resistência de plantas daninhas, incluindo a buva:

  • Arranque e destrua plantas suspeitas de resistência;
  • Faça rotação de herbicidas com diferentes mecanismos de ação;
  • Realize aplicações sequenciais de herbicidas com diferentes mecanismos de ação;
  • Não use mais do que duas vezes consecutivas herbicidas com o mesmo mecanismo de ação em uma área;
  • Faça rotação de culturas;
  • Inspecione o início do aparecimento da resistência, ou seja, faça monitoramentos constantes na sua área;
  • Use práticas para esgotar o banco de sementes, como estimular a germinação e evitar a produção de sementes das plantas daninhas;
  • Evite que plantas resistentes ou suspeitas produzam sementes, ou seja, controle essas plantas antes de seu florescimento;
  • Especialmente no caso da buva, faça o controle quando a planta apresentar 15 até 30 cm, facilitando seu manejo.

Sobre a última dica, tenho algumas considerações a fazer.

Um dos principais desafios do controle químico da buva é o tamanho da planta, porque quanto maior a altura, das plantas mais difícil é o controle.

Por isso é importante saber identificar as espécies de plantas daninhas quando pequenas para, assim, poder controlá-las quando jovens.

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Influência do tamanho da buva na eficácia do controle químico aos 28 dias após aplicação, ou 13 dias após a segunda aplicação no caso de 2 aplicações.
(Fonte: Blainski,2009)

Aqui fica nítido que quanto maior a altura das plantas de buva no momento da aplicação dos herbicidas, menor é a eficácia de controle.

Para entender mais sobre o controle da buva este vídeo da Embrapa mostra a associação de métodos culturais e químicos:

>> Leia mais: “Entendendo o herbicida sistêmico e dicas para a eficiência máxima na lavoura

O custo da buva resistente a glifosato e outros herbicidas

Quando você tem uma erva daninha resistente a glifosato em sua fazenda, seu custo para controlá-la vai aumentar, especialmente se você estiver habituado a fazer somente o controle por glifosato, que é um herbicida barato.

Nesse sentido, estudos mostraram que o custo com o manejo de plantas daninhas aumentou em 82% para produtores que possuem problemas com controle da buva resistente a glifosato e outros herbicidas.

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(Fonte: Qualittas)

Esse problema fica ainda maior quando se tem além de buva resistente, outras plantas daninhas como azevém e capim-amargoso.

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Impacto econômico da resistência de plantas daninhas a herbicidas no Brasil
(Fonte: Adegas)

No seu caso, dentro de sua fazenda, você consegue verificar qual o custo com herbicidas ou com manejo de cobertura?

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Essa observação é extremamente importante para identificar quais os melhores manejos para controle da buva resistente a glifosato e outros herbicidas e garantem rentabilidade.

Recomendo fortemente que você faça seu orçamento da safra com um planejamento agrícola bem feito.

Juntamente com o monitoramento constante da área, você saberá o que e como fazer para melhorar manejar as plantas daninhas e ainda ser economicamente viável.

Conclusão

A buva resistente a glifosato e a outros herbicidas é um grande problema na lavoura, mas o seu manejo efetivo é possível.

Para prevenção dessa resistência, é importante o manejo com outros herbicidas de diferentes mecanismos de ação, além de métodos culturais.

Aqui vimos quais os produtos e outros métodos de controle da buva resistente a glifosato são melhores.

E é no planejamento agrícola que você vai decidir, com segurança, qual a melhor combinação de medidas de controle.

Isso vai garantir o manejo efetivo dessa e de outras plantas daninhas e ainda rentabilidade na sua safra!

>> Leia mais: “Guanxuma: 5 maneiras de livrar sua lavoura dessa planta daninha
>> Leia mais: “Guia para controle eficiente da trapoeraba
>> Leia mais: “O guia completo para o controle de capim-pé-de-galinha

Gostou do texto? Tem problemas para controle da buva resistente a glifosato ou a outros herbicidas na sua área? Sabe de alguma dica importante que não citei aqui? Comente abaixo!