About Ana Lígia Giraldeli

Sou Engenheira Agrônoma formada na UFSCar. Mestra em Agricultura e Ambiente (UFSCar), Doutora em Fitotecnia (Esalq-USP) e especialista em Agronegócios. Atualmente sou professora da UNIFEOB.

Dicas e cuidados que você precisa seguir para o armazenamento do algodão

Armazenamento do algodão: como estocar o algodão em pluma, em caroço e sementes

O processo de armazenamento do algodão é fundamental para manter a qualidade da matéria-prima.

A presença de partículas inadequadas dificulta o beneficiamento da indústria têxtil, entre outros problemas. E isso, claro, se reflete no preço pago ao cotonicultor.

Seja em caroço, fibra, ou sementes, é preciso garantir que uma série de quesitos sejam seguidos para o armazenamento seguro. Confira as dicas a seguir!

Armazenamento do algodão em pluma e em caroço 

A pós-colheita do algodão é diferente para o armazenamento em pluma e caroços. A seguir, vou especificar cada um deles.

Armazenamento do algodão em caroço

Durante a colheita e o armazenamento do algodão em caroço, é importante tomar alguns cuidados para evitar o aparecimento de matérias estranhas.

A detecção de impurezas no algodão é indesejável para a indústria têxtil, pois é um fator que dificulta e onera o beneficiamento. Isso se reflete em redução no preço final do fardo, pois pode prejudicar o comprimento, a uniformidade e o índice de fibras curtas.

Contaminantes como pelos e penas de animais são difíceis de ser separados, só aparecendo no final da industrialização. Isso tem consequências graves como um tecido defeituoso, sem valor comercial.

Assim, atente-se para armazenar o algodão em caroço em local seco, limpo, arejado e protegido do acesso de animais e da umidade.

Para a armazenagem convencional do algodão em caroço, o percentual de umidade é de 12%.

Armazenamento do algodão em pluma

Para armazenar o algodão em pluma, antes você precisará pesar os fardos em balança com capacidade mínima de 200 quilos.

Alguns cuidados durante o armazenamento no galpão incluem:

  • armazenar em espaço isolado;
  • local arejado;
  • isento de umidade;
  • longe do alcance de animais.

As pilhas de fardos precisam ser todas de fácil acesso, por isso recomenda-se:

  • largura de 4,5 m para os corredores centrais;
  • largura de 1,5 m para os corredores de acesso;
  • a distância entre os fardos e as paredes do depósito deve ser de 1,3 m;
  • os lotes de algodão devem ter no máximo 4 fardos por altura, 5 por largura e 12 por comprimento;
  • distância entre o último fardo e o teto de 2 m;
  • fazer amarrações intermediárias para garantir a segurança das pessoas que transitam entre as pilhas; 
  • colocar os fardos sobre estrados de madeira;
  • depósito deve ter portas contra fogo em todas as vias de acesso;
  • não exceder 4 mil toneladas de pluma por armazém;
  • os lotes de algodão deverão ter no máximo 1.500 fardos de modo a permitir acesso fácil a todas as faces da pilha.

Não coloque os fardos em contato direto com o piso, pois isso poderá ocasionar o fenômeno conhecido por cavitomia (quando ocorre a fermentação do algodão devido à presença de água). Como a temperatura fica elevada, a fibra pode pegar fogo.

Os fardos de algodão podem ser armazenados por tempo indeterminado, desde seja mantido isento de agentes contaminantes e de umidade.

A umidade ideal de armazenamento do algodão em pluma é de 10%. A partir de 15% de umidade nos fardos, começa o processo de fermentação.

Prejuízos do armazenamento inadequado do algodão 

Para o armazenamento de fibra de algodão, tem-se verificado que o grau de amarelamento tende a aumentar e o grau de reflexão a diminuir devido ao tempo de armazenamento.

A fibra de algodão fica mais amarelada com o tempo de armazenamento, podendo reduzir o tipo do algodão depois de 9 meses.

Além disso, a umidade pode favorecer algumas espécies de fungos que atacam a pluma como:

  • Monilia sp. 
  • Aspergillus flavus
  • Aspergillus parasiticus 
  • Aspergillus niger
  • Rhizopus stolonifer
  • Colletotrichum gossypii

Para o algodão em pluma, o maior cuidado refere-se à umidade. Para isso, recomenda-se:

  • fazer a colheita do algodão com tempo seco;
  • após a colheita, o algodão deve ser secado;
  • em seguida fazer o descaroçamento, enfardamento em pluma e armazenamento.
fotos de beneficiamento e armazenagem: algodão e fardos de algodão.

Beneficiamento e armazenagem: algodão e fardos de algodão
(Fonte: SLC Agrícola)

Já, no caso de você ser um produtor de sementes de algodão, atente-se à umidade de armazenamento da semente e do ambiente.

As sementes de algodão são classificadas como “sementes ortodoxas”, isso quer dizer que o período de viabilidade é inversamente proporcional à temperatura e ao teor de umidade. 

Portanto, cuidado, pois sementes úmidas submetidas a temperaturas elevadas deterioram-se rapidamente.

Quais os cuidados na armazenagem em ambiente externo e interno?

Para as sementes de algodão, a umidade baixa (o ideal é 40%) do ambiente é o fator mais importante para a conservação. Isso porque a semente de algodão é classificada como oleaginosa.

Caso você queira armazenar sementes de algodão por mais de 2 anos, recomenda-se que a soma da umidade relativa do ar (em %) e da temperatura (graus centígrados) do ambiente de armazenamento seja, no máximo, igual a 55,5.

A umidade da semente deve ser reduzida para 3% a 5%, pois isso permitirá uma boa conservação.

Resumindo, para armazenar de forma segura as sementes de algodão por um período de 6 meses, recomenda-se:

  • ambiente com temperatura de 20°C e 50% de umidade relativa do ar;
  • teor de umidade da semente de 7,6%.

Lembrando que, durante o processo de secagem das sementes de algodão, não devemos utilizar temperatura superior a 40°C. 

Temperaturas acima de 40°C no processo de secagem reduzem o poder germinativo da semente.

Para armazenar algodão em pluma, você deve seguir algumas recomendações no depósito como:

  • não pode ter qualquer tipo de instalação elétrica;
  • nada de lâmpadas e tomadas;
  • não pode haver linha telefônica;
  • não fumar nem usar telefone celular em seu interior.
planilha de produtividade do algodão Aegro

Conclusão

Neste artigo mostramos mais sobre o armazenamento do algodão de forma adequada.

O algodão pode ser armazenado em caroço, em fibra, ou ainda as sementes, no caso de lavouras com essa finalidade.

Entre as principais maneiras de armazenar o algodão de forma segura estão garantir a umidade do ar e temperatura adequadas durante o processo de estocagem.

Você pôde ver as principais diferenças no armazenamento do algodão como fazer um estoque mais seguro.

Guia prático da adubação para algodão

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Tudo o que você precisa saber sobre qualidade da fibra do algodão

Qualidade da fibra do algodão: entenda quais são as características desejadas e quais as práticas de manejo podem influenciar.

Na cadeia produtiva do algodão, uma das exigências do mercado é a boa qualidade da fibra buscada pelas indústrias têxteis.

E o custo dessa fibra pode representar entre 40% e 60% do custo do fio. Por isso, entender mais sobre essas características e como elas estão ligadas à qualidade é essencial para você tomar algumas decisões importantes na sua lavoura.

Neste artigo, você vai entender quais fatores podem impactar na qualidade da fibra e os manejos mais recomendados para ter uma produção mais rentável na hora da venda. Confira!

Características intrínsecas e extrínsecas da fibra de algodão

A qualidade da fibra do algodão é determinada por um conjunto de características, divididas em intrínsecas e extrínsecas.

As características intrínsecas da fibra estão relacionadas a alguns parâmetros como:

  • comprimento (comprimento comercial, uniformidade e fibras curtas);
  • resistência;
  • índice micronaire (componentes de finura e maturidade);
  • cor (com brilho ou amarelo). 

Já as características extrínsecas da fibra fazem referências a:

  • regularidade da massa de fibra (preparação);
  • teor de neps (presença ou não de nós de fibra imatura e fragmentos de casca dos caroços);
  • presença ou não de contaminantes vegetais. 
tabela com as características intrínsecas e extrínsecas da fibra de algodão

(Fonte: Esalq/USP)

Qualidade exigida pelo mercado da fibra do algodão

No Brasil, as empresas de fiação demandam principalmente os tipos de fibras médios 5/6, 6/0 e 6/7. 

As principais características tecnológicas da fibra de algodão avaliadas para determinar a qualidade do produto e seu valor econômico no mercado são:

  • índice de fibras curtas;
  • comprimento;
  • uniformidade do comprimento;
  • resistência;
  • micronaire.

Para empresas que utilizam o fio de alta qualidade, o primeiro critério na hora da compra é a qualidade das características intrínsecas

Já para as empresas que utilizam o fio médio ou grosso, o principal critério é o preço. 

Para o mercado externo a busca é por:

  • abundante oferta de algodão;
  • tipos superiores;
  • características intrínsecas de alto nível.

Em relação a essas características desejáveis pelo mercado externo, o algodão brasileiro possui boas características intrínsecas.

Porém, em relação ao tipo, ainda há limitações devido à presença de contaminação de matérias estranhas como folhas, fragmentos de cascas e fibras de madeira.

Portanto, é preciso aliar as práticas culturais e industriais, aprimorando os componentes que formam o tipo da fibra e preservando as qualidades intrínsecas. 

Por isso, vamos ver agora um pouco mais sobre essas características e manejos que podem ser realizados.

Comprimento da fibra (POL ou UHML)

O comprimento da fibra é umas das características que mais interferem na qualidade. O valor mínimo de comprimento de fibra exigido pela indústria é de 28 mm. 

Esse valor pode ser menor dependendo da cultivar e das condições adversas como a falta de água durante o período de 25 a 30 dias após a fecundação das flores, pois reduz o crescimento da fibra.

Índice micronaire (MIC)

Este índice mede o diâmetro da fibra e deve estar com valores entre 3,8 e 4,5.

Ele também serve como medição indireta da combinação da maturidade da fibra (espessura) e a finura (diâmetro externo). 

A variedade determina o diâmetro externo da fibra, sendo definido de 3 a 5 dias após a floração. 

Algumas condições adversas no final do ciclo do algodão podem influenciar negativamente o índice MIC, como ataque de doenças e pragas, temperaturas baixas e falta de água.

tabela com classificação da fibra do algodão

Classificação da fibra do algodão
(Fonte: Geagra)

Maturidade da fibra (MAT)

A maturidade da fibra é a porcentagem de desenvolvimento da parede secundária da fibra. O valor deste índice deve ser superior a 0,86.

Como é um índice que mede o desenvolvimento da parede secundária, qualquer fator que interfira na celulose afetará a espessura da fibra.

A ocorrência de pragas e doenças, além de temperaturas baixas, afeta o transporte de carboidratos para conversão à celulose e, portanto, reduz a espessura da fibra. 

Resistência da fibra (STR)

A resistência da fibra do algodão é a capacidade que a fibra tem de suportar uma carga até se romper.  É uma característica que depende, em parte, da resistência do fio. Este índice deve ser maior que 28 g/tex.

Alguns fatores influenciam neste índice como:

  • cultivar;
  • seca;
  • encharcamento;
  • baixas temperaturas;
  • falta de luminosidade;
  • época de semeadura;
  • nutrição mineral;
  • população de plantas.

Uniformidade de comprimento (UI)

A uniformidade de comprimento é a relação entre o comprimento médio das fibras totais, expresso em %. Este índice representa a homogeneidade do comprimento das fibras do fardo.

A UI é uma consequência da qualidade.

Índice de fibras curtas (SF)

O índice de fibras curtas expressa a porcentagem de fibras curtas, sendo que este valor deve ser inferior a 10%. 

tabela com Índice de fibras curtas (SF) por parâmetro, instrumento, unidade e título do fio

(Fonte: Esalq/USP)

Fatores que impactam na qualidade da fibra do algodão

As cultivares de algodão possuem uma qualidade de fibra que é específica da cultivar. 

Quando a colocamos no campo, as características da qualidade da fibra vão depender dos manejos adotados.

Dentre os fatores determinantes para a qualidade da fibra (pluma) estão:

Controle de plantas daninhas e a qualidade da fibra do algodão

Entre os exemplos acima citados, a presença de plantas daninhas no final do ciclo do algodão pode causar a depreciação da matéria-prima.

Isso porque, diretamente, as plantas daninhas competem com o algodão pelos recursos do meio como água, luz e nutrientes, o que, consequentemente, leva à redução na produtividade.

Já indiretamente, as plantas daninhas no final do ciclo do algodão causam a contaminação por impurezas, pois algumas sementes podem ficar aderidas à pluma, além de atrapalhar a colheita.

Planilha algodão Aegro

Assim, dentre alguns manejos adotados no algodão para reduzir o efeito negativo das plantas daninhas sobre a qualidade da fibra são as aplicações tardias de herbicidas feitas em pós-emergência dirigida às entrelinhas da cultura (jato dirigido).

Algumas plantas daninhas que são prejudiciais no final do ciclo do algodão porque são facilmente aderidas à pluma são:

Beneficiamento do algodão e a qualidade da fibra

Durante o beneficiamento, alguns parâmetros podem ser afetados pelo descaroçamento como: comprimento, resistência e contaminantes.

O objetivo do descaroçamento é a separação entre fibra e caroço do algodão, sendo a primeira etapa do processamento.

Portanto, é uma etapa que precisa ser adaptada de acordo com as características do algodão que será tratado, dos mercados, das características do lote (matéria estranha e umidade) e das condições ambientais.

Por exemplo, a umidade do algodão em caroço é o principal fator no armazenamento, e tem grande influência sobre a qualidade da fibra e do caroço.

Uma secagem muito elevada leva à perda de tenacidade, redução do comprimento e amarelamento da fibra. 

Como durante a colheita a umidade é baixa, a técnica de umedecer o algodão em caroço é importante para a preservação da fibra. Isso também acontece depois de uma secagem excessiva.

O umedecimento restitui a umidade da fibra, assim, ela consegue suportar melhor as agressões mecânicas do descaroçador e limpador. 

Quando o algodão chega no descaroçador, o intervalo de umidade na fibra deve ser entre 6,5% e 8%, pois isso ajudará a garantir a qualidade. 

Como a genética interfere na qualidade?

A interação entre a genética e o ambiente vai influenciar na produtividade e na qualidade do algodão.

Alguns manejos podem ser adotados com o foco em produtividade e qualidade de fibra, dentre eles estão:

  • escolha de cultivar adequada para a região;
  • época de plantio adequada;
  • manejo de fertilidade do solo;
  • uso de regulador de crescimento;
  • aplicar desfolhante antes do início da colheita (evita que restos culturais fiquem presos à fibra).

Como você pode ver, algumas decisões são muito importantes e vão influenciar na qualidade da fibra.

Conclusão

Neste texto você viu quais são os índices utilizados para medir a qualidade da fibra do algodão.

Também aprendeu que alguns manejos podem interferir nestas características e reduzir a qualidade da fibra, o que reduz o preço pago pelo produto.

Agora que você já entendeu melhor sobre este assunto, que tal colocar em prática na sua lavoura?

>> Leia mais:

“Entenda como a biotecnologia no algodão pode melhorar o controle de Spodoptera e Helicoverpa na sua lavoura

“Logística da pluma do algodão: o que impacta o escoamento da produção?”

Como ter um algodoeiro resistente a doenças e mais econômico com nova cultivar transgênica

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Veja 5 formas de fazer o controle não químico para plantas daninhas

Controle não químico para plantas daninhas: aprenda a manejar as invasoras na ausência dos herbicidas.

Você já esteve diante de uma situação em que não podia recomendar ou usar herbicidas para controlar as plantas daninhas?

O que você faria se não existisse o manejo químico das invasoras?

Um dos principais métodos para prevenir a resistência de daninhas aos herbicidas é o MIPD (Manejo Integrado de Plantas Daninhas). Além disso, em sistemas orgânicos de produção, o uso de herbicidas também não é permitido.

Por isso, é essencial conhecer e saber como utilizar os métodos de controle não químicos para plantas daninhas. Confira e tire suas dúvidas a seguir!

Formas de controle não químico para plantas daninhas

Hoje, temos seis métodos de controle para plantas daninhas:

  • preventivo;
  • cultural;
  • mecânico;
  • físico;
  • biológico;
  • químico.

O uso de outros métodos de controle que não apenas o químico ajuda a prevenir ou retardar a seleção de plantas daninhas resistentes a herbicidas.

Além disso, alguns métodos de controle não químicos são muito eficientes dependendo da planta daninha que queremos controlar. É o caso do uso da palha, que ajuda a controlar invasoras que precisam de luz para germinar.

A palha também ajuda no controle por meio da liberação de aleloquímicos, que podem atuar inibindo a germinação e o estabelecimento de plantas daninhas. Além disso, atua como uma barreira física, desfavorecendo as plantas daninhas de sementes pequenas.

A seguir, vou explicar melhor cada uma das formas de controle não químicas que você pode utilizar em sua lavoura.

1. Controle preventivo de plantas daninhas

O controle preventivo deve sempre estar presente no seu planejamento, pois ele tem como objetivo evitar a entrada de plantas daninhas na lavoura.

Alguns manejos preventivos são:

  • evitar o uso de esterco, palha ou compostos com propágulos de plantas daninhas;
  • limpeza completa de equipamentos agrícolas antes e após a entrada em talhões onde existam espécies-problemas;
  • inspeção de mudas e gramados (comprar sementes e mudas sem a presença de propágulos de plantas daninhas);
  • limpeza e manutenção de canais de irrigação;
  • limpeza de roupas e equipamentos agrícolas;
  • controlar as plantas daninhas durante a entressafra;
  • evitar o florescimento das plantas daninhas e dispersão das sementes;
  • colocar animais em quarentena em área isolada logo após serem adquiridos e/ou após transferência de localidades em sistema de integração lavoura-pecuária. Este processo facilita a limpeza de sementes aderidas em suas pelagens e a saída das sementes presentes no trato digestivo.

Pelos exemplos, você pode notar que fazemos o manejo preventivo sem perceber, mas é sempre bom lembrarmos quais são estes métodos e como utilizá-los a nosso favor!

duas fotos de sementes de carrapicho-de-carneiro e picão-preto na palma de uma mão

Sementes de carrapicho-de-carneiro e picão-preto são facilmente aderidas a pelagens dos animais
(Fonte: arquivo pessoal da autora)

2. Controle mecânico 

O controle mecânico de plantas daninhas é o procedimento que envolve o uso de ferramentas específicas e pessoas para controlar as invasoras.

Os métodos utilizados no manejo mecânico são:

  • arranquio manual;
  • roçadeira;
  • enxada;
  • rolo de facas;
  • cultivador rotativo;
  • cultivador de dentes;
  • revolvimento do solo;
  • roçadeira articulada.
foto de um homem com chapéu de palha capinando com enxada uma lavoura. Controle não químico para plantas daninhas

Capina com enxada
(Fonte: arquivo pessoal da autora)

3. Controle cultural de plantas daninhas

O controle cultural tem objetivo de fazer com que a lavoura manifeste seu máximo potencial produtivo.

Todos os manejos que favoreçam a cultura em detrimento das plantas daninhas pode ser considerado um controle cultural.

Neste método de controle, vamos proporcionar à cultura todas as vantagens para uma rápida germinação, emergência e desenvolvimento, para que ela consiga sombrear as entrelinhas o mais rápido possível.

Para isso, algumas táticas culturais utilizadas são:

  • rotação de culturas;
  • consórcio de culturas;
  • culturas em faixas;
  • plantio na época adequada, de acordo com o zoneamento agrícola;
  • espaçamento e densidade de plantio adequados;
  • controle de plantas daninhas na entressafra;
  • cobertura do solo com palha;
  • plantio no limpo, ou seja, sem a presença de plantas daninhas;
  • preparo físico e químico do solo;
  • cultivares adaptadas para a região de plantio.

A manutenção da cobertura do solo com palha pode reduzir a emergência de plantas daninhas de sementes pequenas e que precisam de luz para germinar.

Plantar a cultura na época correta, na densidade e espaçamento corretos, ajuda a cultura a germinar e se estabelecer de forma mais rápida. Isso reduz a competição com as plantas daninhas no início do desenvolvimento.

A rotação de culturas faz com que outros manejos sejam adotados de acordo com o cultivo estabelecido. São outros manejos de pragas, doenças e plantas daninhas – e isso também auxilia na redução do banco de sementes.

Para aqueles que não adotam o plantio direto, o revolvimento do solo que é feito no plantio convencional estimula a quebra de dormência das sementes ou ainda expõe as sementes à superfície.

O preparo químico mantém o equilíbrio do solo, algumas plantas daninhas são favorecidas por solos ácidos e de baixa fertilidade.

Espécies como assa-peixe, capim-barba-de-bode, capim-favorito e guanxuma são favorecidas por solos ácidos.

4. Controle físico de plantas daninhas

O controle físico não é tão conhecido como os outros métodos de manejo, porém é muito importante. 

Dentre os controles físicos de plantas daninhas podemos incluir:

  • cobertura morta;
  • solarização;
  • inundação;
  • drenagem;
  • eletricidade.

Vou explicar melhor cada um deles!

Cobertura morta ou alelopatia

Os restos culturais que ficam sobre o solo podem servir como uma barreira física. Essa barreira impede a emergência de sementes pequenas de daninhas, pois elas possuem poucas reservas, que são insuficientes para que a plântula ultrapasse a cobertura morta. 

A cobertura morta também favorece sementes fotoblásticas negativas e desfavorece as fotoblásticas positivas, ou seja, as que são favorecidas pela luz no processo de germinação.

A decomposição da cobertura morta também pode liberar compostos que são conhecidos por aleloquímicos, que podem interferir negativamente na germinação e emergência de plantas daninhas. É a chamada alelopatia.

Solarização

O processo de solarização consiste na utilização de coberturas plásticas com o objetivo de aumentar a temperatura do solo e causar a morte das plantas daninhas pelo excesso de calor. 

Para a solarização ocorrer da forma adequada, é necessário um clima quente, úmido e de intensa radiação solar, com dias longos para aumentar a temperatura do solo. 

É preciso a presença de umidade no solo para aumentar a condução de calor e estimular a germinação do banco de sementes. 

Inundação

A inundação impede que as raízes das plantas sensíveis obtenham oxigênio para sobreviver.  

É um método utilizado em culturas inundadas, como o arroz. 

A inundação controla plantas daninhas como: tiririca (Cyperus rotundus), grama-seda (Cynodon dactylon) e capim-kikuio (Pennisetum clandestinum). 

Drenagem

A drenagem pode ser utilizada no controle de plantas daninhas aquáticas.

Capim-arroz e arroz-vermelho são plantas daninhas favorecidas pela inundação. Ao se fazer a drenagem de água do ambiente, as espécies hidrófitas não conseguem se desenvolver.

Eletricidade

O controle de plantas daninhas com corrente elétrica é denominado de eletrocussão

Consiste na capina por meio de descarga elétrica.

Neste sistema ocorre o contato direto dos eletrodos aplicadores com a invasora.

A eletricidade, ao atingir as plantas daninhas, provoca alteração na fisiologia das plantas de forma irreversível. Assim, elas murcham e morrem em pouco tempo.

5. Controle biológico de plantas daninhas

De todos os métodos de controle, o biológico é o menos utilizado

Sua principal vantagem é também sua principal desvantagem: a especificidade do hospedeiro.

A especificidade é uma vantagem por sabermos qual planta o organismo vivo irá controlar.

Mas, no caso das daninhas, temos uma comunidade composta por várias espécies. Dificilmente vamos ter de controlar apenas uma planta invasora.

Entretanto, este método é bem empregado com o uso de peixes que conseguem controlar a população de plantas daninhas aquáticas, por exemplo.

Conclusão

No texto de hoje você aprendeu sobre os manejos não químicos de plantas daninhas.

Vimos que temos os controles preventivos, culturais, biológicos, mecânicos, físico e químicos.

Quanto mais métodos você empregar na sua lavoura, melhor será o controle das plantas daninhas.

Lembre-se sempre de pensar em sistemas de produção e não apenas em uma safra. Com isso, você conseguirá manejar adequadamente as plantas daninhas na sua área.

Quais métodos de controle não químico para plantas daninhas você utiliza em sua lavoura? Restou alguma dúvida? Aproveite e baixe gratuitamente aqui o Guia para Manejo de Plantas Daninhas na sua lavoura.

Como identificar e fazer o controle de tiririca na lavoura

Controle de tiririca: diferentes espécies, herbicidas recomendados e casos de resistência 

Tiririca, junquinho, junça, tiririca-de-três-quinas… As plantas daninhas do gênero Cyperus são conhecidas por muitos nomes e têm alta frequência nas lavouras.

Seu controle é difícil e com tantos casos registrados de resistência a herbicidas, fazer um manejo efetivo é ainda mais desafiador! Ainda, essa planta daninha pode ser hospedeira de pragas importantes, como a cochonilha.

Para te ajudar na identificação correta e a garantir o melhor controle de tiririca na lavoura, preparei este artigo. Confira!

Controle de tiririca: diferentes espécies

A tiririca é uma planta daninha bastante nociva, com alta capacidade de reprodução e difícil controle, principalmente as espécies com reprodução por bulbos, tubérculos e/ou rizomas, além das sementes.

As espécies de tiririca do gênero Cyperus pertencem à família Cyperaceae e são facilmente encontradas nas lavouras.

A seguir, vou falar sobre as características que vão permitir identificar as principais espécies.

Cyperus difformis

Essa espécie é conhecida pelo nome de junça, junquinho, tiririca-do-brejo ou três-quinas. 

É uma planta anual, herbácea, ereta e cespitosa, que se desenvolve principalmente na região Sul do país.

Prefere ambientes úmidos ou alagados, como várzeas cultivadas. Tem um ciclo curto, o que facilita sua propagação, que é feita por meio de sementes. 

Apresenta caule aéreo (escapo), verde, sem pelos, trígono, sem ramificação. As folhas da base da planta são verdes e menores que o eixo da inflorescência.

No ápice do caule você verá 3 brácteas verdes. Uma delas é muito longa, a outra é mediana e a terceira muito curta, não ultrapassando a altura da inflorescência. A base das brácteas possui uma pigmentação avermelhada. 

A inflorescência tem cor amarelo-pálea, mas, na maturação, você verá uma coloração castanho-escuro. 

foto da planta daninha Cyperus difformis

Cyperus difformis
(Fonte: Moreira e Bragança, 2010)

Cyperus distans

Conhecida por junça, junquinho, tiririca, tiririca-de-três-quinas, é uma espécie herbácea, perene e que se desenvolve em todo o país.

Possui caule rizomatoso curto. As folhas da base da planta saem de alturas diferentes.

duas fotos, uma ao lado da outra, da espécie de tiririca Cyperus distans

Cyperus distans
(Fonte: arquivo pessoal da autora)

O eixo principal da inflorescência (escapo) é verde e triangular. No ápice, você verá 2 séries com até 10 brácteas, sendo 3 a 4 delas muito desenvolvidas.

A inflorescência tem cor castanha e está no ápice dos eixos secundários.

A propagação é feita por meio de sementes e rizoma.

Foto de Cyperus distans em lavoura

Cyperus distans
(Fonte: Moreira e Bragança, 2010)

Cyperus esculentus

Essa espécie é conhecida como junça, junquinho, tiririca, tiririca-amarela, tiririca mansa ou tiriricão.  É uma planta herbácea, ereta e perene, que se desenvolve em todo o país.

É uma das tiriricas mais indesejáveis devido à dificuldade de controle, pois apresenta caules subterrâneos: bulbo, rizoma e tubérculos. 

O caule é triangular e sem pelos. As folhas da base da planta são rosuladas, em número de 3, e quase do tamanho do eixo principal da inflorescência.

O eixo da inflorescência contém no seu ápice até 6 brácteas, sendo 2 muito longas, 1 mediana e as outras curtas.

A propagação é por meio de sementes e pelas estruturas caulinares subterrâneas.

foto de Cyperus esculentus - controle de tiririca

Cyperus esculentus
(Fonte: Moreira e Bragança, 2010)

Cyperus flavus

Conhecida por junça, junquinho, tiririca ou tiririca-de-três-quinas. É uma planta herbácea, perene, que se desenvolve em todo o país.

Apresenta caule rizomatoso curto e de crescimento radial. 

foto de uma muda Cyperus flavus segurada por uma mão

Cyperus flavus
(Fonte: arquivo pessoal da autora)

As folhas da base da planta são rosuladas em número de até 10 e mais curtas que o eixo da inflorescência.

A inflorescência contém no ápice até 10 brácteas (3 a 4 muito longas e 4 a 6 curtas). É do tipo espiga cilíndrica, de cor verde-amarelada a castanha.

A propagação é por meio de sementes e pelo crescimento do rizoma.

foto de Cyperus flavus

Cyperus flavus
(Fonte: Moreira e Bragança, 2010)

Cyperus iria

Também conhecida por junça, junquinho, tiririca, tiririca-de-três-quinas ou tiririca-do-brejo. É uma espécie herbácea, ereta, anual, medianamente entouceirada e que se desenvolve em todo o país.

Não tem rizomas, mas possui estruturas capazes de originar perfilhos. 

foto de uma muda de Cyperus iria segurada por uma mão

Cyperus iria
(Fonte: arquivo pessoal da autora)

Na base da planta você verá 2 a 3 folhas verdes e mais curtas do que o eixo da inflorescência. 

O caule é triangular, liso, e no ápice você irá ver 7 a 8 brácteas. A inflorescência tem cor amarelo-ferrugínea e a propagação é através de sementes.

foto de Cyperus iria no campo

Cyperus iria
(Fonte: Moreira e Bragança, 2010)

Cyperus odoratus

Conhecida também por capim-de-cheiro, chufa, junça, junça-de-ouriço, pelo-de-sapo, tiriricão ou três-quinas. 

É uma planta herbácea, anual ou perene, entouceirada, e que se desenvolve nas regiões Sudeste e Sul do Brasil, principalmente em locais muito úmidos.

Apresenta caule subterrâneo do tipo rizoma, curto e grosso, que exala odor agradável. As folhas da base têm tamanhos variáveis, algumas ultrapassam a altura do escapo. O caule é triangular, sem pelos, verde, com 5 a 9 brácteas no ápice de vários tamanhos.

A propagação é através de sementes e fragmentação do rizoma.

foto de Cyperus odoratus - controle de tiririca

Cyperus odoratus
(Fonte: Moreira e Bragança, 2010)

Cyperus rotundus

Conhecida por capim-dandá, junça, tiririca, tiririca vermelha ou tiririca-de-três-quinas. É uma planta herbácea, perene, ereta, tuberosa, rizomatosa e que se desenvolve em todo o país.

De todas as tiriricas, essa espécie é a mais agressiva, pois apresenta caules do tipo bulbo e rizoma.

As folhas da base da planta são um pouco menores que o eixo da inflorescência. O caule é triangular, liso, sem ramificação, com 3 brácteas no ápice, com uma delas se destacando pelo seu comprimento. 

A inflorescência é do tipo espiga de coloração vermelho-ferrugínea. A propagação é através de sementes, bulbos, tubérculos e rizomas. 

foto de Cyperus rotundus

Cyperus rotundus
(Fonte: Moreira e Bragança 2010)

Herbicidas mais recomendados para controle de tiririca

As espécies de tiriricas podem estar presentes em diversas culturas. Na tabela abaixo, separei os principais herbicidas utilizados para controle químico de diferentes tiriricas:

tabela com os principais herbicidas utilizado no controle de tiririca para cada espécie

(Fonte: adaptado de Guia de Herbicidas, 2018; Agrofit, 2020)

Abaixo também separei algumas informações sobre alguns produtos registrados para controle de tiririca.

Bentazon

O bentazon é um herbicida seletivo para soja, arroz, feijão, milho e trigo. Não tem ação sistêmica e pertencente ao mecanismo de ação dos Inibidores do Fotossistema 2.

Em lavoura de arroz irrigado, o bentazon é utilizado para o controle de tiririca Cyperus iria, C. ferax, C. difformis, C. esculentus e C. lanceolatus. As plantas daninhas devem estar com no máximo 12 cm de altura. 

Nesse caso, deve-se retirar a água antes do tratamento para expor as folhas das plantas daninhas e voltar a irrigar após 48 horas.

A dose utilizada é de 1,6 L p.c. ha-1 de Basagran® 600 ou de 2,0 L p.c. ha-1 de Basagran® 480. Lembrando que o intervalo de segurança para arroz é de 60 dias. 

Carfentrazone

O carfentrazone é um herbicida pós-emergente, seletivo condicional de ação não sistêmica, pertencente aos Inibidores da PROTOX.

Em arroz irrigado, é indicado para o controle de tiririca Cyperus difformis na dose de 100 a 125 mL/ha de Aurora® 400 EC.

Ethoxysulfuron

O ethoxysulfuron é um herbicida seletivo, pré e pós-emergente utilizado para o controle de tiririca no arroz. 

A dose recomendada em arroz irrigado é de 100 g/ha para o controle de tiririca Cyperus iria, Cyperus ferax e Cyperus esculentus com 2 a 4 folhas.

Sulfentrazone

O sulfentrazone é um herbicida pré-emergente, seletivo condicional de ação sistêmica, pertencente aos Inibidores da PROTOX.

Em cana-de-açúcar, é indicado para o controle em pré-emergência de Cyperus rotundus, na dose de 1,6 L/ha de Boral 500 SC.

Em soja, é utilizado em pré-emergência das plantas daninhas e da cultura, na dose máxima de 1,2 L/ha (solos argilosos), o que já ajuda no controle da tiririca.

Diclosulam

O diclosulam é um herbicida seletivo, aplicado ao solo, recomendado para o controle de tiririca e de algumas plantas daninhas de folhas largas e estreitas em cana-de-açúcar, podendo ser utilizado em cana-planta e na soqueira úmida.

Em cana-de-açúcar, é indicado para o controle em pré-emergência de Cyperus rotundus, na dose de 126 a 231 g/ha de Coact.

foto de Sintomas de glifosato em Cyperus flavus

Sintomas de glifosato em Cyperus flavus
(Fonte: arquivo pessoal da autora)

Como vimos, o manejo das espécies de tiririca não é tão simples, principalmente quando estamos falando das culturas de soja e milho.

Em soja, o uso de sulfentrazone pode auxiliar no manejo em pré-emergência. 

Em pós-emergência da soja e do milho tolerantes ao glifosato, o uso deste herbicida pode ajudar no controle de tiririca.

Casos de resistência de tiririca no Brasil e no mundo

No mundo são 18 casos de resistência de plantas daninhas do gênero Cyperus resistentes a herbicidas. Desses relatos, 2 são no Brasil.

Separei para vocês na tabela abaixo os casos no mundo:

tabela com casos de resistência a herbicidas - controle de tiriricas

(Fonte: adaptado de Heap, 2020)

Banner de chamada para o download da planilha de cálculos de insumos

Conclusão

Nesse artigo, abordamos as principais espécies de tiririca e como fazer a identificação correta das mais frequentes nas lavouras.

Também mostramos quais os herbicidas registrados para o controle, recomendações para algumas culturas e os casos de resistência no Brasil e no mundo.

Com essas informações, espero que você possa fazer o controle de tiririca com sucesso e livrar sua lavoura dessa daninha!

Referências

Lorenzi, H. Manual de identificação e controle de plantas daninhas: plantio direto e convencional. 7 ed. Nova Odessa, SP. Instituto Plantarum, 2014.

Moreira, H.J.C. Bragança, H.B.N. Manual de identificação de plantas infestantes cultivos de verão. Campinas, SP, 2010.

Rodrigues, B.N.; Almeida, F.S. Guia de Herbicidas. 7 ed. Londrina, PR. Edição dos Autores, 2018.

>> Leia mais:

Como fazer o controle não químico para plantas daninhas”

9 fatos primordiais para o manejo de ervas daninhas resistentes ao glifosato

Como fazer o manejo eficiente do capim-carrapicho

Qual é sua maior dificuldade no controle de tiririca em sua propriedade? Ficou com alguma dúvida? Baixe gratuitamente aqui o Guia para Manejo de Plantas Daninhas!

Como identificar e controlar o capim-arroz na sua lavoura

Capim-arroz: saiba quais as espécies, como identificá-las e os herbicidas recomendados para o controle.

As plantas daninhas estão entre os principais desafios diários enfrentados no campo. 

O capim-arroz é uma das plantas invasoras que mais interferem na produção de arroz, podendo representar perdas de até 90% na produtividade. 

Além disso, também afeta outras culturas, sendo prejudicial à produção de grãos, por exemplo.

Confira neste artigo as três principais espécies de capim-arroz, os casos de resistência no Brasil e no mundo e os herbicidas que controlam esta daninha!

Importância do capim-arroz

As plantas daninhas conhecidas por capim-arroz pertencem ao complexo de espécies do gênero Echinochloa, dentre elas:

  • Echinochloa colona;
  • Echinochloa crus-galli;
  • Echinochloa crus-pavonis.

O principal problema com estas daninhas é a semelhança com o arroz cultivado. Por este motivo, o controle de capim-arroz com herbicidas seletivos na cultura do arroz é mais difícil.

Vou explicar as características das três principais espécies e como fazer o controle a seguir:

Foto da autora de Echinochloa colona (capim-arroz)

Echinochloa colona (capim-arroz)
(Fonte: arquivo pessoal da autora)

Echinochloa colona 

Esta espécie também é conhecida por angolinho-branco, capim-arroz, capim-colônia, capim-da-colônia, capim-coloninho, capim-jaú ou capituva. 

Echinochloa colona (capim-arroz)

Echinochloa colona (capim-arroz)
(Fonte: Moreira e Bragança, 2010)

É uma gramínea anual pertencente à família Poaceae.

Planta ereta, entouceirada e que se desenvolve em todo o país, ocupando áreas de baixadas, onde os solos são saturados ou com pouca umidade. 

Sendo assim, uma planta daninha comum em lavouras de arroz irrigado. 

Indiretamente, interfere sobre as plantas cultivadas pois hospeda nematoides e vírus causadores de doenças.

O colmo da planta é adaptado para áreas encharcadas e possui algumas características como:

  • presença de aerênquima;
  • chega a 80 cm de altura;
  • cilíndrico;
  • delgado;
  • muito ramificado;
  • tem capacidade de emitir raízes nos nós basais. 

As folhas possuem pequena fenda lateral, não possuem ligula, sendo substituída por um colar branco ou levemente rosado. 

A lâmina é lanceolada, glabra (sem pelos) nas duas faces e com a base arredondada, além do ápice agudo, as margens são serrilhadas. 

A inflorescência é do tipo panícula com longo eixo onde cada ramificação do colmo termina em uma unidade de inflorescência. 

A espécie pode ser identificada em campo por meio da panícula, que comporta uma associação de espigas inseridas de forma alternada, opostas e verticiladas num mesmo eixo. 

duas fotos representativas do Echinochloa colona (capim-arroz)

Echinochloa colona (capim-arroz)
(Fonte: UFSCar/CCA)

Casos de resistência no Brasil e no mundo

São 26 casos de Echinochloa colona resistente a herbicidas no mundo, mas nenhum caso registrado no Brasil.

Echinochloa crus-galli

Esta espécie também é conhecida pelos nomes de barbudinho, capim-arroz, capim-capivara, capim-da-colônia, capim-jaú, capim-pé-de-galinha, canevão, capituva, inço-de-arroz ou gervão. 

Echinochloa crus-galli (capim-arroz)

Echinochloa crus-galli (capim-arroz)
(Fonte: Moreira e Bragança, 2010)

É uma gramínea anual pertencente à família Poaceae.

Sendo, assim, ereta quando vegeta em área com lâmina d’água ou decumbente com enraizamento nos nós basais quando está em solos secos.

Forma touceiras e se desenvolve em todo o país, ocupando áreas úmidas, cultivadas ou passíveis de cultivo. 

Está entre as principais plantas daninhas em lavouras de arroz irrigado e arroz de várzea.

A planta possui colmo cilíndrico ou achatado e com ramificações basais. As folhas têm a bainha aberta, em longa fenda lateral e, lígula ausente. 

A lâmina é linear-lanceolada, glabra e com as margens inteiras ou discreta e levemente onduladas. 

Inflorescência terminal do tipo panícula, onde cada ramificação termina por uma unidade de inflorescência. Panícula piramidal constituída por numerosas espigas mais afastadas na base e menores e mais compressas no ápice ou terminando numa espiga. 

Espiguetas ovaladas sem aristas, de coloração verde ou pigmentadas de arroxeado. 

Pode ser determinada em campo por meio da morfologia da inflorescência e das espiguetas. 

Casos de resistência no Brasil e no mundo 

No mundo, são 46 casos de Echinochloa crus-galli resistente a herbicidas.

Destes, 3 casos são no Brasil, todos em lavouras de arroz:

Tabela dividida por ano e herbicida, sendo: 1999 quinclorac, 2009 bispyribac, imazethapyr, penoxsulam e quinclorac e 2015 cyhalofop, penoxsulam e quinclorac.

(Fonte: Heap, 2020)

Duas fotos representativas da Echinochloa crus-galli (capim-arroz)

Echinochloa crus-galli (capim-arroz)
(Fonte: Universidade Federal de São Carlos/CCA)

Echinochloa crus-pavonis

É também conhecida por camarão, capim-arroz, capim-canevão, barbudinho capim-canevão-do-banhado, capim-da-colônia, capim-jaú, capim-pavão, capim-pé-de-galinha, capituva, gervão, inço-de-arroz. 

Echinochloa crus-pavonis (capim-arroz)

Echinochloa crus-pavonis (capim-arroz)
(Fonte: Moreira e Bragança, 2010)

É uma gramínea anual pertencente à família Poaceae.

Também é ereta quando vegeta em área com lâmina d’água ou decumbente com enraizamento nos nós basais quando instalada em solos secos.

Forma touceiras e que se desenvolve em todo o país, ocupando frequentemente áreas úmidas ou passíveis de cultivo. 

Está entre as principais espécies de plantas daninhas invasoras na cultura do arroz irrigado.

Seu colmo é cilíndrico ou achatado e com ramificações basais. As folhas têm bainha aberta em longa fenda lateral e lígula ausente. 

A lâmina é linear-lanceolada, glabra e com as margens inteiras ou discreta e levemente onduladas. A inflorescência é terminal do tipo panícula.

Casos de resistência no Brasil e no mundo

Só há um caso no mundo de capim-arroz Echinochloa crus-pavonis resistente a herbicidas, sendo ele no Brasil, em lavouras de arroz, no ano de 1999, ao herbicida quinclorac.

Duas fotos representativas da Echinochloa crus-pavonis (capim-arroz)

Echinochloa crus-pavonis (capim-arroz)
(Fonte: UFSCar/CCA)

Como fazer o controle do capim-arroz na lavoura

Na tabela abaixo, você pode conferir os herbicidas recomendados para o controle das principais espécies de capim-arroz.

Lembrando que o uso de herbicidas deve ser associado com outras práticas de manejo de plantas daninhas como: controle preventivo, cultural, mecânico, físico ou biológico.

Assim, o uso de cada um destes herbicidas depende da cultura que você semeará.

Tabela com plantas daninhas (Echinochloa colona, Echinochloa crus-falli e Echinochloa crus-pavonis) e herbicidas correspondentes.

Na próxima tabela, veja os herbicidas registrados para o controle de capim-arroz em lavouras de arroz, soja, milho, feijão, algodão e cana-de-açúcar.

Lembrando que a seletividade do herbicida depende de vários fatores como:

  • dose;
  • época de aplicação;
  • modo de aplicação;
  • estádio de desenvolvimento da cultura.

Por isso, verifique a bula do herbicida para saber as recomendações de uso de cada um dos produtos listados.

Tabela com culturas e herbicidas correspondentes.

Conclusão

O capim-arroz é uma planta daninha muito prejudicial a diversas culturas, principalmente em lavouras de arroz, devido à dificuldade de controle com herbicidas seletivos.

Neste texto, você aprendeu como identificar três espécies de capim-arroz e os casos de resistência a herbicidas registrados.

Também viu os principais produtos usados para controle desta planta daninha em outras culturas como grãos, algodão e cana-de-açúcar.

Espero que, com essas informações, você faça um controle eficiente do capim-arroz na sua lavoura!

>> Leia mais:

“Como identificar e fazer o controle da tiririca na lavoura”

Gostou do texto? Tem mais dicas sobre controle do capim-arroz? Baixe aqui o Guia para Manejo de Plantas Daninhas e controle outras invasoras da sua lavoura!

Como e por que usar Azospirillum no milho

Azospirillum no milho: Conheça os benefícios dessa bactéria para a cultura e as dicas de como utilizá-la em sua lavoura.

Com certeza você já escutou falar sobre a fixação biológica de nitrogênio. E, provavelmente, a primeira associação que veio à sua cabeça foi a da soja com a bactéria do gênero Rhizobium

Mas não é só na cultura da soja que isso pode acontecer! Você sabia que o milho também se beneficia da associação com bactérias?

Neste artigo vamos falar sobre a associação de bactérias do gênero Azospirillum no milho, quais os benefícios e como utilizá-la. Confira a seguir!

Qual o papel da Azospirillum brasilense na cultura do milho?

A bactéria do gênero Azospirillum faz parte das bactérias promotoras de crescimento de plantas (BPCP).

As BPCP são microrganismos benéficos às plantas, pois colonizam a superfície das raízes, rizosfera, filosfera e tecidos internos das plantas.

Assim, as BPCPs são capazes de estimular o crescimento das plantas devido a alguns fatores como:

  • fixação biológica de nitrogênio;
  • aumento na atividade da redutase do nitrato;
  • produção de hormônios;
  • solubilização de fosfato e;
  • por atuarem como agente de controle biológico de patógenos.
Efeito da inoculação de milho com as estirpes Ab-V5 e Ab-V6 de Azospirillum brasilense no crescimento radicular

Efeito da inoculação de milho com as estirpes Ab-V5 e Ab-V6 de Azospirillum brasilense no crescimento radicular, coloração verde e altura das plantas em ensaios conduzidos a campo 
(Fonte: Hungria et al. (2011))

Essas bactérias, que são capazes de fixar nitrogênio, associam-se com várias plantas e possuem a capacidade de quebrar a ligação tripla entre os dois átomos de nitrogênio por meio de uma enzima chamada de dinitrogenase.

Deste modo, conseguem reduzir o nitrato para amônia e, assim, as plantas conseguem utilizá-lo. 

Entretanto, bactérias do gênero Azospirillum são consideradas associativas e excretam apenas uma parte do nitrogênio fixado diretamente para a planta associada. Portanto, suprirá parcialmente as necessidades das plantas em nitrogênio.

Aspecto da parcela com milho inoculado

Aspecto da parcela com milho inoculado com Azospirillum e recebendo apenas 24 kg N/ha na semeadura, em ensaio conduzido na safra 2009/10 na Embrapa Soja, Londrina, PR. 
(Fonte: Hungria et al. (2011))

O uso de inoculantes com Azospirillum no milho, portanto, visa reduzir a necessidade de adubação nitrogenada e melhorar a produtividade de grãos. 

Mas isso também vai depender do híbrido utilizado, de condições edafoclimáticas e do manejo adequado, como vou explicar melhor a seguir.

Quais os benefícios da bactéria no milho?

A associação das bactérias com as raízes de gramíneas incluem vários benefícios e vantagens.

Estes benefícios ocorrem devido ao maior desenvolvimento das raízes, que acabam aumentando a absorção da água e minerais.

Através da produção de hormônios vegetais ocorre um estímulo ao desenvolvimento do sistema radicular. 

Assim, com maior volume, comprimento, massa e superfície de raízes, as plantas conseguem explorar melhor o solo, absorvendo mais nutrientes.

Dentre os principais benefícios podemos citar:

  • aumento relativo de massa seca;
  • acúmulo de nutrientes;
  • aumento de produtividade;
  • estímulo do crescimento da planta;
  • síntese de hormônios (ácido indol-acético (AIA), giberelinas e citocininas);
  • melhoria do fornecimento de nitrogênio para a cultura do milho;
  • maior tolerância a estresses (salinidade e seca);
  • maior tolerância a agentes patogênicos de plantas.

Além dos benefícios citados acima, há relatos na literatura de melhora nos parâmetros fotossintéticos das folhas como:

  • maior teor de clorofila;
  • maior condutância estomática;
  • teor maior de prolina na parte aérea e raízes;
  • melhoria no potencial hídrico;
  • incremento no teor de água do apoplasto;
  • maior elasticidade da parede celular;
  • produção maior de biomassa;
  • maior altura de plantas;
  • incremento em pigmentos fotossintéticos (clorofila a, b, e pigmentos fotoprotetores auxiliares, como violaxantina, zeaxantina, ateroxantina, luteína, neoxantina e beta-caroteno);

Além, é claro, da maior produção de raízes, maior altura de plantas e coloração mais verde pelo maior teor de clorofila.

Fatores que afetam a atividade de Azospirillum brasilense no solo

Alguns fatores podem afetar a atividade das bactérias no solo, entre eles podemos citar:

  • pH;
  • umidade;
  • temperatura;
  • disponibilidade de fontes de carbono.

Como vemos, para que as bactérias consigam ter um bom desempenho é preciso que façamos um correto manejo da fertilidade do solo.

Assim, é fundamental fazer a correção de acidez com calcário para elevar o pH e neutralizar alumínio, realizar a rotação de culturas e adotar o sistema de plantio direto.

A palha do sistema de plantio direto, por exemplo, aumenta a retenção de umidade no solo, reduz a amplitude térmica e aumenta o carbono orgânico.

Azospirillum no milho: como fica a produtividade

Vamos ver agora alguns trabalhos que mostram as vantagens no uso de Azospirillum brasilense para produtividade de milho.

Na tabela abaixo você pode ver o efeito da inoculação com estirpes de Azospirillum brasilense e Azospirillum lipoferum no rendimento (kg de grãos ha-1) de milho.

tabela com efeito da inoculação com estirpes de Azospirillum brasilense e Azospirillum lipoferum

(Fonte: Hungria et al. (2011))

A figura abaixo mostra os teores de nitrogênio nas folhas e nos grãos de milho.

teores de nitrogênio nas folhas e nos grãos de milho

(Fonte: Hungria et al. (2011))

No trabalho acima, os autores mostraram que a inoculação com a aplicação de 24 kg/ha de nitrogênio na semeadura do milho resultou em rendimentos de 3.400 kg/ha. 

Já com o adicional de 30 kg/ha no florescimento do milho, foi possível atingir rendimentos de 7.000 kg/ha com a inoculação.

Baixe aqui a planilha gratuita para estimar sua produtividade de milho!

Cuidados com a compra do inoculante contendo Azospirillum

Quando compramos um inoculante deste tipo precisamos ter alguns cuidados diferenciados. Aqui você pode ver alguns deles:

  • Verifique se o produto apresenta o número de registro no Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento);
  • Verifique o prazo de validade do inoculante;
  • Certifique-se que o produto esteve conservado em condições adequadas de umidade e temperatura (máximo 30℃);
  • Conserve o inoculante em local protegido do sol e arejado até a utilização;
  • De acordo com a legislação, inoculantes à base de Azospirillum devem ter concentração mínima de 108 células/g ou mL de inoculante.

Como deve ser feita a inoculação das sementes com Azospirillum

A inoculação das sementes requer alguns cuidados. Separei abaixo alguns itens que você deve se atentar:

  • A distribuição do inoculante líquido nas sementes deve ser uniforme;
  • Sempre verifique a temperatura na hora da semeadura, checando também a temperatura no depósito de sementes da máquina;
  • Evite deixar as sementes expostas ao sol;
  • A inoculação diretamente na caixa semeadora dificulta a cobertura uniforme das sementes;
  • Caso o depósito de sementes na máquina esteja com temperatura superior a 35℃, você precisará parar para resfriar a caixa;
  • Após a inoculação, você deverá semear imediatamente ou, no máximo, dentro de 24 horas;
  • No caso de sementes tratadas com fungicida, inseticidas e/ou micronutrientes, o inoculante deve ser colocado por último.

Você pode usar o Azospirillum brasilense de diversas formas, entre elas estão:

  • inoculação de sementes;
  • sulco de semeadura;
  • pulverizações.

É muito importante aproximar a semente do milho à bactéria, por isso o uso no sulco de semeadura é uma boa opção.

Conclusão

Neste artigo vimos a importância das bactérias do gênero Azospirillum no milho.

Mostramos quais os benefícios e dicas de como utilizar na sua lavoura para auxiliar na fixação biológica de nitrogênio. 

Além disso, citamos técnicas importantes que precisam ser seguidas se você deseja utilizar essa tecnologia.

>>Leia mais:

Plantio de milho: como garantir a alta produção

O que caracteriza sementes piratas e como fugir disso

Como fazer o armazenamento de sementes de soja e assegurar germinação

Você usa Azospirillum no milho? Quais foram seus resultados? Adoraria ler seu comentário abaixo!

Entenda como fazer o manejo de Amaranthus hybridus (Caruru)

Manejo de Amaranthus hybridus: Como usar os herbicidas em soja e milho para controlar essa planta daninha.

As espécies de carurus estão presentes em diversas culturas, causando prejuízos quantitativos e qualitativos.

Sempre escutamos que o ideal é realizar o manejo integrado de plantas daninhas e, principalmente, rotacionar os mecanismos de ação dos herbicidas.

Mas essa tarefa nem sempre é das mais fáceis, não é mesmo?

Por isso, no texto de hoje vou mostrar as opções de herbicidas que temos para o manejo de umas das principais espécies de carurus: o Amaranthus hybridus.

Herbicidas registrados para o manejo de Amaranthus hybridus

Temos vários produtos registrados para controlar o A. hybridus. Na tabela abaixo eu os separei para você de acordo com o mecanismo de ação. Veja:

Herbicidas registrados para o manejo de Amaranthus hybridus

Como você pôde observar pela tabela, temos várias opções para manejo do Amaranthus hybridus, com 9 diferentes tipos de mecanismos de ação.

A escolha do herbicida vai depender, primeiramente, de qual cultura você vai semear.

Assim, vamos ver o posicionamento dos herbicidas de acordo com as culturas da soja e do milho.

manejo de Amaranthus hybridus

Caruru (Amaranthus hybridus var. patulus) e caruru-roxo (Amaranthus hybridus var. paniculatus)
(Fonte: Arquivo da autora)

Manejo de Amaranthus hybridus em soja

Para a soja, os herbicidas registrados são: 

  • 2,4-D
  • clomazone
  • clorimurom
  • dicamba
  • fomesafen
  • glifosato
  • lactofen
  • fomesafen
  • trifluralina
  • sulfentrazone
  • s-metolachlor
  • metribuzin
  • imazamox
  • glufosinato
  • imazetapir

Alguns herbicidas não são seletivos para a soja, por isso, são muito utilizados na dessecação pré-plantio e no manejo das plantas daninhas durante a entressafra

Antes do plantio, os herbicidas utilizados na dessecação incluem o glifosato, o 2,4-D e o glufosinato. 

Fazendo a dessecação e plantando no “limpo”, você já estará dando vantagem competitiva para a soja e desfavorecendo as plantas daninhas.

Vamos entender agora como posicionar alguns herbicidas em pré-emergência.

caruru-roxo

Caruru-roxo (Amaranthus hybridus var. paniculatus)
(Fonte: Arquivo da autora)

Herbicidas pré-emergentes para manejo de Amaranthus hybridus em soja

Sulfentrazone

Quando aplicar: em soja, o sulfentrazone é aplicado em pós-plantio (antes da emergência da soja), em pré-emergência das plantas daninhas. 

Dose: para solos médios e leves a recomendação é de 0,8 L/ha para o controle de A. hybridus.

S-metolachlor 

Quando aplicar: pré-emergência das plantas daninhas, podendo ser aplicado até o estádio de palito de fósforo (com cotilédones fechados).

Dose: 1,5 a 2,0 L/ha.

Trifluralina 

Quando aplicar: pré-emergência ou pré-plantio incorporado.

Dose: em pré-emergência usar de 3,0 a 4,0 L/ha em solo médio e pesado. A maior dose é utilizada em solos com teor de matéria orgânica acima de 5% (Premerlin 600 CE).

Em pré-plantio incorporado, quando a incorporação for normal (10 a 12 cm), usar de 0,9 a 1,2 L/ha em solo leve; 1,2 a 1,5 L/ha em solo médio e 1,5 a 1,8 L/ha em solo pesado  (Premerlin 600 CE).

Já em incorporação superficial (2,0 cm), usar 1,5 a 2,0 L/ha em solo médio e pesado  (Premerlin 600 CE).

Clomazone

Quando aplicar: pode ser usado no sistema plante-aplique. 

Dose: 1,6 L/ha para o manejo de A. hybridus (Gamit).

Lembrando que não é recomendado aplicar clomazone a menos de 800 metros de lavouras de milho, girassol, hortas, pomares, viveiros, casa de vegetação, videiras, jardins e arvoredos.

manejo de Amaranthus hybridus

Caruru-roxo (Amaranthus hybridus var. paniculatus)

Manejo de Amaranthus hybridus em milho

Para o milho, os herbicidas registrados são: 

  • 2,4-D
  • atrazina
  • mesotrione
  • nicosulfuron
  • glifosato
  • glufosinato
  • s-metolachlor
  • trifluralina

Controle de Amaranthus hybridus em milho com herbicidas em pré-emergência

Atrazina

Quando aplicar: pré-emergência ou pós-emergência precoce. 

Dose: em pós-semeadura usar 3,0 L/ha em solo leve, 5,0 L/ha em solo médio e 6,5 L/ha em solo pesado (Atrazina Nortox 500 SC).

Temos vários produtos registrados, consulte a bula para ver a dose recomendada.

Em geral, pode ser aplicado no sistema 3 em 1, no qual em uma operação se aduba, planta e aplica o herbicida.

S-metolachlor

Quando aplicar: aplicar em pré-emergência da cultura e das plantas daninhas. 

Dose: 1,5 a 1,75 L/ha. 

Pode ser aplicado até na fase de charuto do milho, mas sempre em pré-emergência das plantas daninhas.

Trifluralina

Quando aplicar: pré-emergência.

Dose: para os Estados do Rio Grande do Sul, São Paulo e Paraná, usar 3 L/ha em solo leve, 3,5 a 4,0 L/ha em solo médio e 4 L/ha em solo pesado. Semear o milho na profundidade mínima de 5 cm e aplicar em pós-plantio (Premerlin 600 CE).

lavoura de milho com pulverizador

(Fonte: Christoffoleti et al., 2015)

Controle de Amaranthus hybridus em milho com herbicidas em pós-emergência

Nicosulfuron

Já foi muito utilizado no manejo de plantas daninhas no milho, mas o produtor deve possuir alguns conhecimentos prévios para não prejudicar o cultivo.

Quando aplicar: deve ser aplicado na pós-emergência do milho, quando as plantas estiverem com 2 a 6 folhas.

Dose: 1,25 a 1,5 L/ha. A menor dose para plantas daninhas com 2 a 4 folhas e a maior dose para plantas daninhas com 4 a 6 folhas.

No momento da aplicação o milho deverá estar com 2 a 6 folhas (10 cm a 25 cm de altura).

Os híbridos de milho apresentam diferentes padrões de sensibilidade ao nicosulfuron. Assim, é necessário pesquisar sobre a suscetibilidade do híbrido escolhido antes de aplicá-lo.

Além disso, este herbicida não deve ser misturado com inseticidas organo fosforados ou ao 2,4-D. 

Caso ocorra aplicação destes produtos na área ou adubação nitrogenada em cobertura, deve-se respeitar um período mínimo de 7 dias para aplicar o nicosulfuron.

Mesotrione

Alternativa para controle de folhas largas no milho.

Quando aplicar: aplicar de 2 a 3 semanas após semeadura do milho, sobre plantas daninhas em pós-emergência precoce (2 a 4 folhas).

Dose: 0,3 a 0,4 L/ha para o controle de A. hybridus com 2 a 4 folhas.

Lembrando que herbicidas utilizados em pós-emergência geralmente necessitam a adição de adjuvante. Por isso sempre leia a bula com cuidado para verificar qual adjuvante e dose são necessários.

Casos de resistência no Brasil e no mundo

Hoje no Brasil temos casos de Amaranthus hybridus, Amaranthus palmeri, Amaranthus retroflexus e Amaranthus viridis resistentes a herbicidas.

No caso do A. hybridus, o caso de resistência foi relatado no ano de 2018 aos herbicidas chlorimuron e glifosato.

É um caso de resistência múltipla, pois o biótipo de planta daninha é resistente a dois herbicidas de diferentes mecanismos de ação.

No mundo, são 32 relatos de biótipos A. hybridus resistente a herbicidas. 

Entre os países com casos relatados estão: Argentina, Bolívia, Brasil, EUA, Canadá, França, Israel, Itália, Espanha, África do Sul e Suíça.

Na Argentina, por exemplo, são 5 casos relatados de biótipos de A. hybridus resistentes a herbicidas, dos quais temos:

  • chlorimuron e imazethapyr (1996);
  • glifosato (2013);
  • glifosato e imazethapyr (2014);
  • 2,4-D, dicamba e glifosato (2016);
  • 2,4-D e dicamba (2016).

Conclusão

Temos muitas opções para fazer o manejo de Amaranthus hybridus, seja em pré ou pós-emergência.

Neste texto, você pôde ver o posicionamento de alguns herbicidas para manejar essa planta daninha na cultura da soja e do milho. 

Lembrando que o uso de herbicida é uma ferramenta complementar aos outros manejos que devemos praticar em nossas lavouras.

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Entendendo o herbicida sistêmico e dicas para a eficiência máxima na lavoura

Os 5 melhores aplicativos de identificação de plantas daninhas

Ainda tem dúvidas sobre o manejo de Amaranthus hybridus? Tem outras plantas daninhas causando problemas em sua lavoura? Baixe gratuitamente aqui o Guia para Manejo de Plantas Daninhas!

Plantas daninhas em feijão: principais espécies, manejo e combate

Plantas daninhas em feijão: saiba como posicionar os principais herbicidas para garantir o controle na lavoura.

Plantas daninhas na lavoura podem dar muita dor de cabeça, não é mesmo? Além de reduzir a produtividade da cultura, elas podem hospedar pragas, doenças, nematoides e prejudicar a colheita.

E o controle nem sempre é fácil. O ideal é sempre monitorar a lavoura para entender quais espécies predominam e dar prioridade na hora do controle.

Neste artigo, vou mostrar as principais plantas daninhas em feijão e também as opções para se livrar delas! Confira a seguir!

Importância das plantas daninhas em feijão

As plantas daninhas causam redução na produtividade da cultura por meio da competição das plantas com o feijão por recursos como água, nutrientes e luz. 

Além disso, podem interferir indiretamente, hospedando pragas, doenças e nematoides, dificultar a colheita e reduzir a qualidade do produto. 

O ideal é sempre monitorar a lavoura para entender melhor quais espécies predominam, pois assim damos prioridade a elas na hora do controle.

Temos à disposição cinco métodos de manejo: preventivo, controle cultural, mecânico, físico, biológico e químico.

Quanto mais métodos utilizar, melhores os resultados. Entretanto, sabemos que alguns métodos, como o biológico, não trazem muitas alternativas. 

Mas podemos e devemos sempre nos atentar aos métodos preventivos e culturais que, aliados ao químico, geram ótimos resultados. 

Veja a seguir as principais espécies que interferem na lavoura de feijão:

Principais plantas daninhas em feijão

Entre as gramíneas, temos:

Foto de planta daninha em plantação de feijão
Capim-colonião (Panicum maximum)
(Fonte: Arquivo da autora)

Já entre as espécies de folhas largas temos: 

  • leiteiro (Euphorbia heterophylla);
  • quebra-pedra (Phyllanthus niruri);
  • erva-de-santa-luzia (Chamaesyce hirta);
  • guanxuma (Sida spp.);
  • cordas-de-viola (Ipomoea spp.);
  • picão-preto (Bidens pilosa e B. subalternans);
  • carrapicho-rasteiro (Acanthospermum australe);
  • mentrasto (Ageratum conyzoides);
  • poaia-branca (Richardia brasiliensis);
  • fedegoso (Senna spp.);
  • buva (Conyza spp.);
  • apaga-fogo (Alternanthera tenella);
  • caruru-de-espinho (Amaranthus spinosus).
Foto de capim (leiteiro) em feijão
Leiteiro (Euphorbia heterophylla)
(Fonte: Arquivo da autora)

Também temos espécies um pouco mais difíceis de serem controladas, como a trapoeraba (Commelina benghalensis) e a tiririca (Cyperus spp.).

Controle químico de plantas daninhas em feijão

Muitos herbicidas são registrados para o manejo de plantas daninhas na cultura do feijão. 

Na tabela abaixo estão todos os herbicidas registrados.

Note que temos herbicidas seletivos e não-seletivos. A seletividade depende do modo de aplicação, dentre outros fatores.

Por isso, alguns herbicidas são recomendados apenas para a dessecação antes do plantio, como os herbicidas não-seletivos e de amplo espectro de ação (como glifosato, glufosinato, diquat e saflufenacil).

Tabela que mostra principais plantas daninhas em feijão

Pela tabela, você pode observar que temos várias opções de graminicidas (inibidores da ACCase) na cultura do feijão. 

Além dos graminicidas, alguns produtos também controlam gramíneas em pré-emergência.

Foto de lavoura de feijão com algumas plantas daninhas
Escape de gramíneas após o manejo apenas com glifosato
(Fonte: Arquivo da autora)

Vamos ver agora alguns herbicidas registrados na cultura do feijão para o controle de folhas estreitas e largas:

Herbicidas para controle de plantas daninhas em feijão

S-metolacloro

Quando aplicar: logo após o plantio, ou no máximo 1 dia depois, na pré-emergência do feijão e das plantas daninhas.

Espectro de controle: Digitaria horizontalis; Eleusine indica; Urochloa plantaginea; Echinochloa crusgalli; Amaranthus viridis; A. hybridus; e Commelina benghalensis.

Dose recomendada: em solo médio a pesado aplicar 1,25 L/ha 

Cuidados: não aplicar em solos arenosos. Não recomendado para controle de E. indica, E. crusgalli e C. benghalensis em Sistema de Plantio Direto.

Variedades de feijão na qual é recomendado o Dual Gold: Carioquinha, IAPAR 44, IAPAR-14, Minuano e Itaporé.

Foto de planta daninha trapoeraba, uma das principais invasoras da espécie
Trapoeraba (Commelina benghalensis)
(Fonte: Arquivo da autora)

Pendimetalina

Quando aplicar: aplicar em pré-plantio incorporado (PPI). A incorporação ao solo pode ser feita após a aplicação ou em até 5 dias. 

Espectro de controle: gramíneas anuais e algumas folhas largas.

Dose recomendada: em solo arenoso, usar 2 a 2,5 L/ha para o controle de Eleusine indica; Digitaria horizontalis; e Amaranthus hybridus.

Em solo médio, usar 2,5 a 3 L/ha, para o controle de Galinsoga parviflora; Eleusine indica; e Alternanthera tenella.

Em solo argiloso, usar 3 a 4 L/ha, para o controle de Sida rhombifolia; Urochloa plantaginea; e Sonchus oleraceus

Cuidados: realizar apenas uma aplicação por ciclo. Aplicar em solo bem preparado, livre de torrões, restos de culturas e detritos. 

Incorporar a uma profundidade de 3 cm a 7 cm. A incorporação pode ser feita de forma mecânica com implementos ou pode ser dispensada caso ocorra uma chuva de 10 mm após a aplicação.

Foto de amaranthus hybridos, planta daninha rasteira e com algumas flores
Amaranthus hybridus
(Fonte: Arquivo da autora)

Trifluralina

Quando aplicar: pré-emergência, pré-plantio incorporado e plantio direto.

Espectro de controle: Alternanthera tenella; Amaranthus hybridus; A. retroflexus; A. viridis; Urochloa decumbens; Echinochloa colona; E. crus galli; Digitaria ciliaris; Cenchrus echinatus; U. plantaginea; Richardia brasiliensis; Portulaca oleracea; Spergula arvensis; Silene gallica; Sorghum halepense; Setaria geniculata; Pennisetum setosum; Panicum maximum; Lolium multiflorum; Eleusine indica; D. insularis; D. sanguinalis.

Foto da planta daninha apaga-fogo
Apaga-fogo (Alternanthera tenella)
(Fonte: Arquivo da autora)

Dose recomendada: 

Pré-emergência no plantio convencional: usar 1,2 L/ha em solos arenosos (leves), 1,8 L/ha em solos areno-argilosos (médios) e 2,4 L/ha em solos argilosos (pesados) (Trifluralina Nortox Gold).

Em plantio direto: usar 3 L/ha em solos arenosos (leves), 4 L/ha em solos areno-argilosos (médios) e 5 L/ha em solos argilosos (pesados) (Trifluralina Nortox Gold).

Pré-emergência em solo médio e pesado: usar 3 – 4 L/ha (Premerlin 600 CE). A maior dose deve ser utilizada para solos com teores de matéria orgânica acima de 5%. 

Pré-plantio incorporado (Premerlin 600 CE):

  • Incorporação normal (10 – 12 cm): 0,9 a 1,2 L/ha em solo leve; 1,2 a 1,5 L/ha em solo médio; 1,5 a 1,8 L/ha em solo pesado.
  • Incorporação superficial (2 cm): 1,5 a 2,0 L/ha em solo médio e pesado.

Cuidados: para Alternanthera tenella; Amaranthus retroflexus; Cenchrus echinatus; Richardia brasiliensis; Setaria geniculata; Lolium multiflorum; Digitaria insularis. Fazer o controle apenas em pré-emergência em solo leve e pesado.

Imazetapir

Quando aplicar: pós-emergência.

Dose recomendada: produto Vezir e Vezir 100, aplicar em pós-emergência, na dose de 0,3 a 0,4 L/ha, para controle de Euphorbia heterophylla; Portulaca oleracea; Acanthospermum hispidum; A. australe; Amaranthus hybridus; Emilia fosbergii; Raphanus raphanistrum; e Commelina benghalensis.

Cuidados: aplicar em pós-emergência sobre o feijão no estádio do segundo para o terceiro trifólio, em uma única aplicação. As plantas daninhas devem estar com até 4 folhas. Nas variedades precoces (ciclo de no máximo 80 dias) usar 0,3 L/ha. Em variedades tardias (ciclo maior de 90 dias), usar 0,3 a 0,4 L/ha.

No caso de utilizar Vezir WG use 40 g/ha para para variedades precoces e 40 a 50 g/ha para as tardias. 

Imazamox

Quando aplicar: pós-emergência.

Espectro de ação: folhas largas.

Dose recomendada: produto Raptor 70 DG e Sweeper: 40 – 60 g/ha, aplicar do 1º até o 3º trifólio. 

Cuidados: as plantas daninhas devem estar com 2 a 4 folhas. Utiliza-se surfactante não iônico na proporção de 0,25 – 0,5% v/v de calda. 

Conclusão

As plantas daninhas em feijão podem trazer grandes prejuízos em produtividade e qualidade.

Neste artigo, vimos algumas das principais espécies que prejudicam a cultura do feijoeiro.

Você pôde aprender quais herbicidas são recomendados na cultura do feijão e como posicionar s-metolachlor, imazamox, imazetapir, trifluralina e pendimetalina. 

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Conheça as melhores práticas de adubo para feijão

Gostou do texto? Tem mais dicas sobre como controlar as principais plantas daninhas em feijão? Baixe gratuitamente o Guia para Manejo de Plantas Daninhas aqui!