Como é feita a colheita de soja? Veja passo a passo!

Como é feita a colheita de soja: saiba qual é o ponto ideal e as principais orientações para garantir boa produtividade e rentabilidade.

A colheita da soja é um momento de extrema importância e que exige muito planejamento do produtor.

Quando feita fora do momento adequado, pode refletir em menor produtividade. Por isso, é fundamental que as operações de colheita sejam planejadas, evitando que os grãos fiquem expostos às condições climáticas.

É preciso fazer desde a revisão e planejamento logístico dos maquinários até o acompanhamento do clima e fenologia da soja, para garantir a colheita no ponto ideal. 

Por isso, vale a pena se preparar e saber mais sobre como é a feita a colheita de soja de maneira eficiente e melhor. Confira a seguir!

Quando realizar a colheita de soja

A colheita de soja ocorre conforme o ciclo de cada cultivar, sendo normalmente feita entre janeiro e abril nas regiões do Centro-Oeste e Nordeste. A colheita de soja precoce em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul durante janeiro e fevereiro possibilita a semeadura da segunda safra, como o milho safrinha.

Na prática, é recomendável que a colheita da soja seja realizada logo após a maturidade fisiológica do grão, ou seja, quando o transporte de nutrientes para o grão cessa e ela chega ao acúmulo máximo de matéria seca, com as melhores condições fisiológicas. 

Porém, nesse período, a soja se encontra com alta umidade e presença de ramos e folhas verdes, o que impossibilita a colheita mecanizada. Dessa forma, realiza-se o manejo de dessecação, quando necessário, para diminuir o período em que os grãos ficam no campo expostos a condições climáticas adversas, pragas e doenças. 

Assim, o produtor deve realizar a aplicação do dessecante no estádio R7 da cultura, logo após o ponto de maturidade fisiológica, quando pelo menos uma vagem está com coloração madura na haste principal.

Para você identificar no campo a melhor época de aplicação, é simples. Observe o momento em que a soja possuir em torno de 70% de suas vagens com coloração amarronzada ou bronzeada, no estádio R7.

fenologia da soja. Fonte: Coopertradição

Ciclo da cultura da soja
(Fonte: Coopertradição)

Veja mais sobre como fazer um manejo eficiente de herbicidas para soja, mesmo em casos difíceis, e evite problemas em sua área plantada, no artigo: “Herbicidas para soja: manejo certeiro sem prejudicar a lavoura”.

Qual o tempo entre o plantio e a colheita da soja?

O tempo entre o plantio e a colheita pode variar de acordo com a região e a cultivar utilizada, indo de 100 a 160 dias – sendo que os ciclos das cultivares mais plantadas vão de 60 a 120 dias.

De acordo com as características da região, você pode selecionar uma variedade mais tardia ou precoce para ter as melhores condições climáticas em seu ciclo. Além da escolha da cultivar, é importante consultar o zoneamento agrícola da soja e plantar na época certa para que ocorram chuvas nos momentos ideais da cultura (como florescimento e início do enchimento de grãos). 

Após o ponto de maturidade fisiológica dos grãos, considera-se que os mesmos já estão sendo armazenados no campo. Desta forma, se ocorrerem muitas chuvas após esse período, os grãos podem mofar ou brotar dentro das vagens – o que diminui consideravelmente seu preço de mercado.  

Então, um dos primeiros passos para ter uma boa colheita de soja é plantar no tempo certo.

Para te auxiliar nisso, confira o Zarc, aplicativo da Embrapa desenvolvido para que o produtor acesse de forma rápida o Zoneamento Agrícola de Risco Climático. 

como é feita a colheita de soja

(Fonte: Dinheiro Rural)

Umidade e ponto ideal de colheita da soja

A colheita de soja deve ser realizada assim que possível, após os grãos atingirem a maturação fisiológica.

Na prática, a colheita deve ocorrer quando os grãos de soja atingirem teor de água que possibilite a colheita mecânica.

Quando a colheita é realizada fora da faixa do teor de umidade ideal, pode ocorrer perdas na rentabilidade do produtor, devido aos danos mecânicos.

Por isso, o planejamento dessa etapa é fundamental!

Estudos realizados por pesquisadores da Embrapa Soja, indicam que a colheita realizada antecipadamente, com 18% de umidade, proporciona maiores danos nos grãos.

Atualmente, a umidade recomendada para colheita pode variar entre 13% a 15%.

O indicado é que você monitore a umidade de seus grãos nos dias que antecedem a data prevista para colheita, pois as condições climáticas influenciam diretamente nisso.

Monitorando a umidade dos grãos durante a colheita, você também evitará perdas na colheita.

Se logo após a colheita você deseja armazenar sua soja, fique atento aos processos de secagem e condições de armazenamento.

E não se esqueça de verificar qual a umidade dos grãos antes da entrada na unidade armazenadora.

A alta umidade pode lhe trazer problemas futuros, por isso tenha atenção!

Passo a passo para uma colheita de soja eficiente

1º Passo: Planejamento

Planeje seu plantio, para colher no momento certo. Planejando o plantio e a colheita, você evita que as plantas fiquem no campo por um longo período.

2º Passo: Manejo Fitossanitário

Faça uma bom preparo do solo e manejo fitossanitário de pragas, doenças e plantas daninhas.

3º Passo: Maturação

Acompanhe o processo de maturação da sua soja.

4º Passo: Manejo de Dessecação

Faça um bom manejo de dessecação no estádio ideal, utilizando boa tecnologia de aplicação. 

Estima-se que a realização da dessecação para colheita de soja fora do estádio recomendado pode ocasionar perdas de até 12 sacas ha-1.

5º Passo: Revisão

Revise as máquinas que serão utilizadas na colheita como colhedoras, bazucas, tratores e caminhões. Evite surpresas no meio da processo!

6º Passo: Velocidade

Mantenha uma velocidade de colheita constante. Altas velocidades resultam em prejuízo.

7º Passo: Umidade

Acompanhe a umidade dos grãos e a previsão do tempo para iniciar e terminar sua colheita com as melhores condições possíveis. 

8º Passo: Transporte e Armazenamento

Planeje como será feito o escoamento e armazenamento de seus grãos. Acompanhar as tendências de mercado pode ajudar neste processo.

Estima-se que em apenas uma safra o Brasil perde aproximadamente 1,076 milhão de toneladas de soja devido a falhas no transporte. Por isso, o transporte e armazenamento dos grãos devem ser planejados e feitos com muito cuidado. 

como é feita a colheita de soja

(Fonte: Dinheiro Rural)

9º Passo: Relatório 

Anote todos os problemas que ocorreram durante a colheita para evitá-los no próximo ano. 

Além disso, tenha em mãos todas as informações sobre a safra atual e as passadas, com ajuda de um software como o Aegro, isso facilitará qualquer tomada de decisão.

reprodução de uma tela de colheita de soja acompanhada pelo Aegro

Exemplo da gestão da colheita pelo Aegro: dados seguros e acompanhamento da operação em alguns cliques

10º Passo: Resultados

Colha os seus grãos! Faça os cálculos de lucratividade e planeje o futuro do sua empresa rural.

Veja mais neste artigo:Planejamento rural eficiente: maximize sua produtividade e aumente seu lucro”.

planilha controle de custos por safra

Conclusão

Realizar o planejamento da colheita é necessário e fundamental para a qualidade do grão.

Por isso, neste artigo vimos o que devemos saber para colher a soja no momento ideal, assim como realizar um bom manejo de dessecação.

Também vimos a importância de colher com a umidade ideal e de evitar chuvas nesse período. 

Além disso, citamos 10 passos de como se planejar para não ter surpresas desagradáveis e fazer uma colheita eficiente. 

>> Leia mais:

“5 perdas na colheita que você pode estar sofrendo e o que fazer para resolver”

Como é feita a colheita de soja em sua lavoura? Já teve algum problema? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Como fazer o controle de frota da fazenda

Controle de frota: veja dicas de como fazer, de como planejar a gestão operacional e tecnologias que podem auxiliar nessa questão. 

O controle de frotas na fazenda pode auxiliar em maiores ganhos financeiros dentro das propriedades.

Mas o gerenciamento da frota não é tão simples de ser realizado!

Você sabia que pode trabalhar com menos máquinas e otimizar os rendimentos operacionais?

Acompanhe neste artigo quais são os pontos principais que você deve avaliar para facilitar sua tomada de decisões quanto ao controle de frota. Confira!

Como fazer controle de frota?

Em qualquer atividade, o controle sobre a frota não é algo tão simples de ser realizado e nas propriedades agrícolas não é diferente. 

Isso porque é uma tarefa que deve envolver cada veículo, seus operadores, vida útil do maquinário, entre diversos outros fatores.

Grandes usinas, como a São Martinho, investem dezenas de milhões de reais para assegurar praticidades e eficiências maiores durante as operações.

O controle de frotas é essencial para que os gestores e donos das propriedades consigam identificar gargalos que prejudicam as eficiências dessa atividade.

Além disso, ter o maquinário disponível no momento da colheita, transporte e armazenamento dos produtos é fundamental para garantir o cumprimento dos prazos e assegurar o lucro das fazendas. 

Para fazer o controle da frota de sua fazenda, o primeiro passo é mapear em uma planilha ou até mesmo no papel todas as operações que sua frota realiza, dentro e fora da propriedade.

Algumas propriedades já possuem tais mapeamentos e devem levantar estes dados com o gestor de frotas, se possível do último ano ou dos últimos seis meses de operações.

controle de frota

Como fazer uma boa gestão de frota?

Para quem deseja iniciar uma boa gestão de frota, do zero, montamos um passo a passo a seguir para orientar no levantamento de informações.

Vale ressaltar que o ideal é que cada propriedade faça suas alterações e modificações para o seu cenário produtivo, buscando um modelo que otimize e traga soluções simples, mas eficazes para sua fazenda.
 

gerenciando o maquinário agrícola

1. Levantamento de informações da frota

O primeiro passo é saber a quantidade de veículos da empresa que estão envolvidos nas operações, sejam tratores, colhedoras, caminhões, carros, motos, etc.

Após a contabilização dos veículos, é necessário anotar os gastos com combustível por equipamento, bem como os custos com manutenções, capacidades operacionais de cada equipamento, rotas e disponibilidade de cada veículo ao longo do ano.

É ideal que se tenha um custo por km rodado de cada equipamento, para fins de comparação e otimização dos processos. 

Também recomenda-se um mapa da necessidade de equipamentos dentro da fazenda, mês a mês, e a partir dessa análise será possível entender a dinâmica de maquinário em cada época.

Outro fator essencial é o dimensionamento da frota para que os custos estejam dentro do ideal para a propriedade.

Frotas subdimensionadas podem acarretar em sobrecargas nos equipamentos, aumentando custos com reparos e manutenções.

Por outro lado, frotas superdimensionadas acarretam em ociosidade operacional e elevação dos custos.

O dimensionamento correto deve potencializar o uso de cada equipamento.

Tenha uma coisa em mente: Um trator grande e mais potente também trará maiores gastos com combustível e manutenções;  já um bem dimensionado realizará a mesma operação e com custos menores.

2. Análise das informações da frota

Uma análise profunda deve ser realizada após o levantamento dos dados – de gastos com combustível, custos com reparo e manutenção.

Para verificar o uso inadequado do equipamento, pode-se utilizar um software de telemetria seguido de treinamento dos condutores para correção.

A manutenção e reposição de peças são fortes agregadores de custos nas operações dentro das fazendas.

Por isso, o ideal é que sejam realizadas manutenções preventivas e não corretivas.

Você pode saber mais neste artigo: “Máquinas agrícolas: Como gerenciá-las”.

Um cronograma de manutenção preventiva também pode ser criado no papel ou com o auxílio de softwares digitais, contendo revisões a cada número de horas, trocas de óleo, filtros e outras peças que demandem reposição, evitando quebras durante a operação. 

O Aegro, por exemplo, pode auxiliar a calcular o custo operacional do maquinário, capacidade efetiva de trabalho e consumo de combustível por hectare.

Você consegue todos esses indicadores de modo mais automático, simples e seguro.

controle de frota aegro

Com esse software, pode-se controlar a quantidade de combustível utilizada e vincular estes valores ao custo realizado em cada talhão.

Para conhecer mais sobre como fazer isso no Aegro, acesse: Custos do maquinário e indicadores de eficiência das máquinas.

Existem usinas que conseguem atingir os mesmos índices produtivos, com redução da frota e otimização dos processos.

Como isso é possível? É simples! Os dados mostram qual marca de trator quebra mais e possui maiores custos com reparo e manutenção.

O segredo está na escolha da marca que trabalha mais e possui custos operacionais menores.

Assim, com o passar do tempo a usina pode vender os equipamentos da marca mais custosa e começar a adquirir os que possuem números melhores.

Este é apenas um exemplo de como o controle de frotas pode otimizar os ganhos dentro da propriedade.

custo operacional de máquinas

3. Planejamento de otimizações na frota

Após uma análise da necessidade de equipamentos, consumo de combustível e rotas que cada máquina percorre na propriedade, é ideal que se tenha em mente algumas metas.

Pense em metas possíveis de serem atingidas, como exemplo, redução de 10% do consumo de combustível e redução de ociosidade da frota.

Até mesmo a contratação de terceiros para realização de atividades dentro da fazenda deve ser considerada como uma possível atuação.

Com dados consistentes em mãos, fica mais simples checar qual equipamento consome mais combustível em operações semelhantes e qual fica mais tempo parado devido à quebra de peças.

Uma vez que se sabe qual equipamento funciona melhor para cada fazenda, decisões de compras futuras são facilitadas.

É fundamental que se tenha assistência e peças de reposição no pós-venda e perto da fazenda, sendo que este pode ser outro fator importante no momento da aquisição dos equipamentos.

Desta forma, as metas devem ser checadas a cada bimestre ou semestre e, caso algo não esteja funcionando conforme o desejado, devem ser feitos ajustes que proporcionem o cumprimento das metas propostas.

4. Gestão de pessoas

Por fim, não teria como esquecer o capital humano envolvido no processo de um controle de frota eficiente da fazenda.

Na maioria das vezes, os operadores desconhecem as faixas de rotações ideais para o menor consumo de combustível e melhor qualidade nas operações.

Alguns softwares de telemetria possuem sistemas de alertas que informam quando os operadores estão trabalhando fora da faixa ideal de rotação, de acordo com cada operação.

Portanto, todos os envolvidos devem ser submetidos a treinamentos que propiciem alcançar melhores rendimentos operacionais no dia a dia.

A análise dos dados por meio de um software pode auxiliar no levantamento dos erros mais frequentes dos operadores, facilitando pontos-chave a serem corrigidos em treinamentos futuros.

Tecnologias para auxiliar no controle de frota

Comentei um pouco dos softwares de telemetria que podem ser colocados nas máquinas e vou explicar como eles funcionam.

Atualmente, já existe tecnologia que pode auxiliar na gestão das frotas da fazenda e, com o auxílio da internet, é possível usar telemetria e rastreabilidade em boas práticas dentro das operações.

A telemetria é um sistema que possibilita identificar como a máquina está sendo operada em campo, bem como acompanhar sua localização em tempo real e acompanhar relatórios de diversos sistemas da máquina.

Por meio de sensores instalados ou levantamento de informações das máquinas, é possível configurar faixas de rotação ideais para cada operação, assim como velocidade de deslocamento e marcha ideal.

Também é possível indicar as causas que acarretaram na parada dos maquinários, como por exemplo, se foi uma quebra de peça, falta de combustível, falta de sementes ou fertilizantes.

Uma análise desses dados pode auxiliar em melhores planejamentos de acordo com cada operação.

Com estes fatores preestabelecidos, é possível realizar as operações com maior qualidade e ainda reduzir custos com combustível, manutenção e uso inadequado dos equipamentos.

Estes softwares facilitam, também, na interpretação de uma série de fatores:

  • Identificação de ociosidade da máquina;
  • Consumo excessivo de combustível;
  • Trabalho fora do padrão preestabelecido;
  • Correção em tempo real de erros operacionais;
  • Identificação de melhores rotas;
  • Identificação de melhores equipamentos;
  • Entre outros. 

Para quem se interessa em adquirir tais equipamentos, muitas empresas estão presentes neste mercado.

As próprias fabricantes possuem seus sistemas próprios de telemetria como a Auteq, atuante nas máquinas da John Deere, e ainda empresas privadas como a Solinftec e a Climate FieldView.

Gerenciamento de Informações Autotec Telemática

Gerenciamento de Informações Autotec Telemática
(Fonte: John Deere)

Conclusão

Falamos um pouco da importância da gestão de frota da fazenda e benefícios econômicos provenientes dessas análises.

Hoje, já estão disponíveis ferramentas tecnológicas que realizam a telemetria das máquinas em campo e em tempo real, facilitando a correção de erros pontuais ou da falta de padronização dentro das operações.

Seja no papel ou em um software de telemetria, cabe a cada produtor escolher o melhor modelo de gestão de frotas que vai trazer benefícios para sua propriedade.

Você já realiza o controle de frota da sua propriedade agrícola? Possui outro sistema de gestão que não mencionei? Adoraria ver seu comentário abaixo.