About Luis Gustavo Mendes

Sou Engenheiro Agrônomo e Licenciado em Ciências Agrárias pela Esalq/USP em Piracicaba-SP. Mestre em Engenharia de Sistemas Agrícolas, tema "Agricultura de Precisão" na mesma Instituição. Atualmente sou professor e empreendedor.

Milho Safrinha: Tudo o que o produtor rural precisa saber

O milho é cultivado em praticamente todos os continentes, se destacando como uma commodity para alimentação humana, ração animal e matéria-prima para a indústria. 

De acordo com a FAO, a produção mundial de milho ultrapassa 1 bilhão de toneladas anuais, com os Estados Unidos liderando o ranking como maior produtor global.

No Brasil, o milho ocupa uma posição estratégica na agricultura, sendo cultivado em diferentes regiões e condições climáticas. Os principais estados produtores incluem Mato Grosso, Paraná, Goiás, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, que juntos respondem por mais de 70% da produção nacional. 

O território brasileiro é o terceiro maior produtor de milho do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e da China, se consolidando também como um dos principais exportadores globais.

O que é milho safrinha?

A safrinha do milho é o cultivo realizado após a colheita da safra principal, geralmente sem a dependência das chuvas mais regulares, características do período de verão. 

O termo “safrinha” significa literalmente “pequena safra”, mas, na prática, isso mudou. Hoje, em muitas regiões, ela representa produções expressivas, até mesmo superiores às da primeira safra.

A safrinha normalmente ocorre entre fevereiro e setembro, dependendo da região e do calendário da safra anterior, principalmente da soja, cultura comumente utilizada no sistema de rotação.

Qual a época de plantar milho safrinha?

A época ideal para plantar milho safrinha varia conforme a região e o calendário climático, mas costuma ser logo após a colheita da soja, entre janeiro e março.

O fator mais importante é a janela climática porque o milho safrinha depende da umidade residual do solo e pode sofrer com a falta de chuvas no final do ciclo.

Por conta disso, o grão é plantado em sistema de sequeiro, aproveitando a umidade residual do solo.

Calendário de plantio do milho safrinha:

  • Centro-Oeste: Plantio entre janeiro e fevereiro, colheita de junho a agosto;
  • Sudeste: Plantio de fevereiro a março, colheita de julho a setembro;
  • Sul: Plantio em março e abril, colheita entre agosto e outubro.

Atenção ao ZARC (Zoneamento Agrícola de Risco Climático) do governo, que define períodos de menor risco para cada município. O planejamento deve considerar o ciclo da cultivar escolhida e a previsão climática para evitar estiagens ou geadas tardias.

O milho safrinha pode ser cultivado em todo o Brasil?

Sem irrigação, ao contrário do que muitos pensam, o milho 2ª safra não pode ser cultivado em todo o Brasil.

Atualmente, com o avanço da importância da safrinha na economia brasileira, novos centros de pesquisas e empresas privadas estão investindo tempo e dinheiro para desenvolvimento de novas variedades.

Frente a isso, novas variedades estão aparecendo no mercado, o que facilita o plantio em certas regiões do Brasil que ainda não aparecem no mapa de zoneamento.

Banner de chamada para baixar o kit safrinha

Qual a diferença entre milho safrinha e milho primeira safra?

Antes de explorar as diferenças, é importante entender que o milho da safra principal e o milho safrinha são cultivados em contextos diferentes, o que impacta diretamente o manejo, a produtividade e o destino da produção. 

O milho da safra principal é cultivado durante o período chuvoso, enquanto o milho safrinha ocorre em uma época de menor disponibilidade hídrica, exigindo práticas de manejo mais específicas. Veja mais detalhes abaixo:

CaracterísticaMilho Safra PrincipalMilho Safrinha
Época de PlantioPrimavera/verão (outubro-dezembro)Verão/outono (janeiro-março)
Disponibilidade de ÁguaAlta (período chuvoso)Baixa (período seco)
ProdutividadePotencial elevadoVariável
FinalidadeAlimentação humana e sementesRação animal e indústria
Riscos ClimáticosMenores riscos de estresse hídricoRisco de seca e geadas

A tabela destaca que o milho safrinha, apesar de enfrentar desafios como menor disponibilidade de água e maior exposição a riscos climáticos, tem se consolidado como uma importante fonte de grãos para o mercado interno e externo. 

O uso de tecnologia e o manejo têm permitido que a produtividade da safrinha se aproxime da safra principal em algumas regiões.

O ciclo do milho safrinha difere da safra normal?

Em geral, não existe diferença entre a cultivar de milho da safra normal e da safrinha. Mas a época que o milho é cultivado faz com que o ciclo mude um pouco, por conta das temperaturas menores e as horas de sol também.

Assim, há o prolongamento do ciclo do milho safrinha até a colheita se compararmos com o milho na safra normal.

Esse prolongamento pode chegar até a um mês, especialmente na região sul e sudeste do país, devido à menor disponibilidade de calor. Por essa razão, apenas parte dos híbridos no mercado pode ser cultivado nas condições ambientais da safrinha (outono-inverno e sem irrigação).

Quanto mais as plantas de milho prolongam seu ciclo nessa época, maior a probabilidade de falta de água. Além disso, menor será a temperatura e a radiação solar, já que vamos nos aproximando do inverno.

O ciclo do milho safrinha pode variar bastante. Híbridos superprecoces de milho completam o ciclo entre 105 e 125 dias, enquanto o ciclo dos precoces varia de 115 a 130. Já o ciclo dos híbridos normais varia entre 125 e 140 dias.

As cultivares de milho tendem a prolongar seu ciclo quanto mais tarde é o semeio, mesmo levando em consideração sua precocidade.

Por isso, nos casos em que a safra de verão teve sua colheita atrasada, é interessante a utilização de milho 2ª safra mais precoce. Assim, a planta sairá do campo antes e sofrerá menos os déficit ambientais (água, luz e temperatura).

Como fazer o plantio de milho safrinha?

O milho safrinha representa cerca de 75% da produção total de milho do Brasil, sendo um dos principais produtos para abastecer o mercado interno e a exportação.

Por ser uma safra que acontece em um período do ano com maior risco de estiagens, temperaturas elevadas e ataques de pragas, o plantio requer atenção especial a alguns fatores:

1. Escolha da cultivar

Prefira híbridos de ciclo precoce ou superprecoce, tolerantes ao estresse hídrico e com resistência a pragas e doenças comuns no período seco.

Segundo informações da Embrapa, o uso de híbridos adaptados pode aumentar a produtividade em até 15%.

2. Correção do solo

Mantenha o solo bem nutrido, com atenção para nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K).

O milho safrinha geralmente é plantado após a soja, o que pode reduzir a disponibilidade de nitrogênio no solo.

A recomendação é aplicar de 80 a 150 kg/ha de N, dependendo do histórico da área e da expectativa de produtividade.

3. Preparo da área

O plantio direto é uma prática comum, que preserva a umidade do solo e melhora a estrutura física, reduzindo riscos de erosão.

Estudos apontam que essa técnica pode manter até 30% mais umidade no solo em comparação ao plantio convencional.

4. Densidade de semeadura

Ajuste conforme o potencial hídrico da região e o espaçamento entre linhas. Em áreas com maior risco de estiagem, é recomendado populações entre 50.000 e 65.000 plantas/ha.

Já nas regiões com maior disponibilidade hídrica, é possível trabalhar com até 80.000 plantas/ha para maximizar a produtividade.

5. Época de plantio

A janela ideal varia conforme a região, mas a semeadura deve ocorrer logo após a colheita da soja, geralmente entre janeiro e março, para evitar riscos climáticos como a estiagem e geadas tardias.

O atraso no plantio pode reduzir o potencial produtivo, já que a cultura entra em estágios críticos de desenvolvimento durante períodos de menor disponibilidade hídrica.

6. Manejo fitossanitário

A pressão de pragas como a cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) tem aumentado. O monitoramento e o controle integrado são essenciais para evitar perdas significativas, que podem chegar a até 70% em casos de infecção severa por enfezamento.

Qual híbrido escolher para minha safrinha?

A escolha do híbrido para a safrinha de milho deve considerar condições climáticas, tipo de solo e objetivos de produtividade, por envolver um ciclo de cultivo mais curto e maior exposição a condições climáticas instáveis.

A adaptação do híbrido às características regionais e ao perfil de solo também devem ser levadas em consideração para garantir uma boa produtividade e reduzir riscos. Aqui vão alguns pontos a serem analisados:

  1. Ciclo do híbrido;
  2. Tolerância ao estresse hídrico;
  3. Resistência a pragas e doenças;
  4. Potencial produtivo;
  5. Adaptação regional.

Exemplos de híbridos com características favoráveis para a safrinha:

  • Pioneer 30F53: Híbrido de ciclo curto e resistência a doenças e pragas, com boa adaptação para o milho safrinha.
  • Dekalb 30A20: Híbrido precoce, resistente ao estresse hídrico e com bom potencial produtivo para a safrinha.
  • BASF 2B710: Híbrido com boa tolerância a pragas e doenças, ideal para o clima da safrinha.
  • Syngenta 2B710: Híbrido precoce, com boa resistência ao estresse e ao acamamento.

Como é a adubação no milho safrinha?

Estudos mostram que o milho safrinha cultivado em solos corrigidos não responde significativamente à adubação de macro e micronutrientes, exceto ao nitrogênio (N).

Por isso, a recomendação é focar na reposições dos nutrientes conforme a exportação de nutrientes pelas plantas de milho.

Para definir a dose de adubação, é importante calcular com base na quantidade de nutrientes que a planta vai retirar do solo, conforme a tabela de exportação abaixo.

Em lavouras com soja como cultura anterior, a fixação biológica de nitrogênio pode deixar um residual de 35 a 45 kg de N por hectare no solo, o que deve ser descontado da dose de adubação nitrogenada.

Se optar por aplicação de nitrogênio em cobertura, é preciso fazer a aplicação no início do ciclo, entre as fases V2 ou V3, devido à menor quantidade de chuvas e à instabilidade climática nesse período.

Para solos corrigidos e na safrinha de milho, não há necessidade de se preocupar com a adubação de Cálcio (Ca), Magnésio (Mg) e Enxofre (S), pois esses nutrientes geralmente estão presentes em quantidade suficiente no solo.

calcule a adubação da cultura do milho

Quais as principais pragas da safrinha de milho?

O milho safrinha, apesar de ser rentável, passa por desafios fitossanitários significativos pelo plantio em uma época mais seca e quente.

Um clima desse tipo favorece o ataque de pragas que podem causar prejuízos à produtividade, reduzindo o potencial produtivo e comprometendo a qualidade dos grãos.

O manejo eficiente dessas pragas depende de estratégias como monitoramento frequente, controle químico e biológico, rotação de culturas e o uso de cultivares resistentes, especialmente híbridos Bt (Bacillus thuringiensis), que apresentam resistência a lagartas.

A melhor estratégia para as pragas do milho do milho safrinha, é conhecer quais são as principais e os melhores métodos para acabar com elas. Confira:

1. Cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis)

  • Dano: Transmite os enfezamentos pálido e vermelho e vírus da risca, que reduz a produtividade em até 70%;
  • Sintomas: Folhas amareladas ou vermelhas, crescimento atrofiado e redução do número de grãos por espiga. O enfezamento pode causar o murchamento e quebra precoce das plantas;
  • Controle: Uso de híbridos tolerantes, tratamento de sementes com inseticidas sistêmicos e manejo com inseticidas foliares.

Confira mais informações sobre a Cigarrinha-do-milho.

2. Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda)

  • Dano: Ataca as folhas, reduzindo a área fotossintética e prejudicando o desenvolvimento das plantas. Pode perfurar a espiga, afetando a qualidade do grão;
  • Sintomas: As folhas ficam com buracos irregulares e furo nas espigas, levando à desfolha prematura. Em ataques severos, a planta pode perder até 50% da área foliar;
  • Controle: Uso de cultivares Bt, rotação de inseticidas e monitoramento regular.

Confira mais informações sobre a Lagarta-do-cartucho.

3. Percevejo-barriga-verde (Dichelops spp.)

  • Dano: Ataca as plântulas logo após a emergência, causando deformações e até a morte das plantas;
  • Sintomas: As plantas ficam com pontos necróticos nas folhas jovens, distorção e murchamento das folhas. Em ataques mais intensos, as plantas podem morrer ainda na fase inicial;
  • Controle: Tratamento de sementes e aplicação de inseticidas no início do desenvolvimento da lavoura.

Confira mais informações sobre Percevejo no Milho.

4. Pulgão-do-milho (Rhopalosiphum maidis)

  • Dano: Sugam a seiva da planta, enfraquecendo e transmitindo viroses.
  • Sintomas: Amarelecimento das folhas e enrolamento das pontas. Quando há infecção viral, pode ter distorções nas folhas e redução do vigor das plantas.
  • Controle: Monitoramento, controle biológico com inimigos naturais e, se necessário, aplicação de inseticidas seletivos.

5. Lagarta-rosca (Agrotis ipsilon)

  • Dano: Corta as plântulas na base do caule, causando falhas no estande.
  • Sintomas: Quebra das plantas na base, deixando tombadas, ou buracos nas raízes. O ataque pode levar à morte das plantas ainda na fase inicial em casos mais severos.
  • Controle: Tratamento de sementes e aplicação de iscas tóxicas.

Confira mais informações sobre Lagarta-rosca.

6. Helicoverpa (Helicoverpa zea)

  • Dano: Ataca principalmente as espigas, reduzindo a qualidade dos grãos e favorecendo infecções por fungos;
  • Sintomas: Buracos nas espigas, grãos danificados e presença de fezes nas espigas, o que favorece a contaminação por fungos, como a Fusarium;
  • Controle: Manejo integrado com uso de cultivares Bt, controle biológico e monitoramento com armadilhas.

Confira mais informações sobre Helicoverpa.

O controle dessas pragas exige monitoramento constante e estratégias integradas, como o uso de híbridos resistentes, rotação de culturas e controle químico quando necessário. Para não ter erro, opte pelo Monitoramento Integrado de Pragas.

Banner planilha- manejo integrado de pragas

Colheita do milho safrinha

A colheita do milho safrinha acontece quando o grão atinge a umidade ideal, entre 13% e 15%. A colheita precoce pode gerar custos adicionais de secagem e risco de perda de qualidade, além de prejudicar o rendimento, já que os grãos podem não ter atingido o peso ideal.

Por outro lado, a colheita tardia pode aumentar o risco de perdas por acamamento, deterioração dos grãos e maior exposição a pragas, como broca-do-milho e fungos que comprometem a qualidade dos grãos e a sanidade da lavoura.

É importante observar que o milho atinge a maturação fisiológica quando o grão atinge a firmeza e a casca se torna dura.

Esse é o melhor momento para a colheita, garantindo maior eficiência no processo e qualidade do produto final.

Uma boa prática é monitorar a umidade de cada talhão da lavoura com medidores de umidade e observar a coloração das espigas, para evitar perdas e a otimizar os custos com secagem.

E se o clima estiver muito úmido, pode considerar a colheita antecipada para evitar o risco de grãos brotados ou a proliferação de fungos durante o armazenamento.

Dicas para uma colheita segura

  1. Realize calibrações periódicas das máquinas;
  2. Monitore a umidade dos grãos durante a colheita;
  3. Evite colheitas em dias de alta umidade relativa do ar;
  4. Verifique e ajuste a velocidade da colhedora conforme as condições da lavoura;
  5. Mantenha as lâminas e facas da colhedora afiadas;
  6. Faça inspeções regulares para evitar perdas por vazamentos;
  7. Utilize peneiras adequadas para diferentes condições de grãos;
  8. Evite o acúmulo excessivo de material na plataforma da colhedora;
  9. Planeje a logística de transporte para evitar o acúmulo de grãos colhidos no campo;
  10. Realize treinamentos periódicos para operadores de máquinas.

Como fica o custo de produção do milho safrinha?

O custo de produção do milho safrinha pode ser mais vantajoso em comparação com o milho da safra principal, principalmente devido a algumas características específicas dessa modalidade de cultivo, como:

1. Preços mais baixos de insumos

    Como o milho safrinha é cultivado fora da safra convencional, os preços dos insumos tendem a ser mais baixos.

    Isso ocorre devido à oferta e demanda fora da janela de pico, com menor demanda para fertilizantes e outros insumos, o que reduz os custos.

    2. Aproveitamento de insumos da safra anterior

    Na safrinha, é possível aproveitar muitos dos insumos utilizados na soja ou outras culturas anteriores, o que diminui a necessidade de novos aportes. Isso reduz o custo de fertilizantes e corretivos para o solo.

    3. Preços de venda durante a entressafra

    Embora os preços de venda do milho possam ser menores em alguns períodos, a colheita do milho safrinha ocorre na entressafra, quando a oferta de grãos no mercado é menor. Isso pode resultar em preços mais vantajosos, pois a oferta do produto é reduzida no mercado.

    4. Maior produtividade para compensar preços baixos

    Mesmo que os preços de venda estejam ruins, a maior produtividade do milho safrinha, devido ao seu ciclo mais curto, pode compensar a queda nos preços.

    A chave está em aumentar a produção, com o auxílio de boas práticas agrícolas e escolha de híbridos eficientes.

    Saiba estimar a produtividade de milho em 3 minutos!

    Nota fiscal eletrônica: Tudo o que os produtores rurais devem saber

    Emissão de Nota Fiscal Eletrônica: O que muda para o produtor rural, prazos e orientações práticas

    A obrigatoriedade da emitir nota fiscal produtor rural está avançando em todo o país, trazendo mudanças importantes no processo de emissão.

    Mas o que isso significa na prática? Quando será obrigatório para todos os produtores? E, principalmente, como emitir a NF-e de forma segura e simplificada?

    Tudo isso você entender neste conteúdo, feito em parceria com a Safeweb Continue acompanhando! 

    O que é nota fiscal eletrônica?

    A nota fiscal eletrônica (NF-e) é um documento digital que substitui as notas fiscais impressas, que é emitida e armazenada online, sendo autorizada pela Secretaria da Fazenda (Sefaz) do estado.

    A NF-e serve para registrar, de forma segura e legal, a circulação de mercadorias. Desde 2006, esse formato vem substituindo os modelos impressos 1 e 1A, facilitando o processo para empresas e produtores rurais.

    Para produtores rurais, a emissão da Nota Fiscal Eletrônica de Produtor (NFP-e, modelo 55) começou em 2018. 

    Esse modelo substitui a Nota Fiscal Avulsa Eletrônica (NFA-e), permitindo que produtores com CPF e Inscrição Estadual (IE) emitam suas notas diretamente, sem depender da prefeitura ou do site da Sefaz.

    Além disso, o novo formato permite operações interestaduais, exportações e vendas para órgãos públicos. Para isso, é necessário um Certificado Digital do Produto, do tipo e-CPF, que garante a segurança da assinatura.

    O formato da nota fiscal eletrônica também foi adaptado para atender produtores sem CNPJ. Agora, o campo “série” identifica a nota emitida por pessoa física, utilizando apenas CPF e IE, permitindo um processo mais prático. 

    Nota fiscal eletrônica é segura?

    A nota fiscal eletrônica (NF-e) é totalmente segura, utilizando o Certificado Digital como uma assinatura eletrônica, assegurando que apenas você, ou alguém autorizado, possa emitir e validar a nota.

    Além disso, a NF-e é enviada diretamente para a Secretaria da Fazenda (Sefaz), onde é registrada e armazenada. Isso reduz riscos de fraudes e garante que todos os dados estejam protegidos em ambiente digital.

    Com a NF-e, você tem mais segurança e praticidade para documentar suas vendas, sem a preocupação com erros ou extravios de papéis.

    Dentro do Aegro você consegue fazer toda a emissão gratuitamente, com integração com o Sefaz, permitindo acesso facilitado para você e a equipe da fazenda. Saiba mais como funciona! 

    Modelos 1 e 1A de notas fiscais: O que são?

    Os Modelos 1 e 1A eram tipos de notas fiscais impressas utilizadas no Brasil antes da implementação da Nota Fiscal Eletrônica (NF-e).

    O Modelo 1 era usado para registrar a circulação de mercadorias em operações estaduais e interestaduais. Era preenchido manualmente ou por sistemas locais e continha informações básicas da transação, como descrição dos produtos, valores e impostos.

    Já o 1A era uma versão mais detalhada do Modelo 1, com campos adicionais para especificar operações relacionadas a indústrias ou setores mais complexos, como o agrícola e o comercial.

    Com a chegada da Nota Fiscal Eletrônica (NF-e) em 2006, os modelos foram deixando de ser usados, dando lugar a um sistema digital mais seguro e integrado com a Secretaria da Fazenda.

    Você também pode ter interesse:

    O que é certificado digital? Por que é importante para a emissão de NF-e?

    O certificado digital para produtor rural é como uma identidade online para pessoas físicas ou jurídicas, que garante a segurança e validade jurídica das operações feitas pela internet.

    Para ter o certificado, você deve escolher uma Autoridade Certificadora (AC), que funciona como um cartório digital. Essa AC vai informar o preço, os documentos necessários e onde retirar o certificado.

    Todas as AC seguem as regras da ICP-Brasil, órgão que regula e monitora a emissão dos certificados no país. Para saber quais AC estão disponíveis, visite o site do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação.

    A emissão da nota fiscal eletrônica ainda oferece dois tipos de certificados: o A1 e o A3.

    Certificado A1 

    O certificado digital A1 é armazenado no computador ou dispositivo móvel, como tablets ou smartphones, e tem validade de 1 ano.

    Esse modelo costuma ser o mais indicado, uma vez que é possível armazenar e utilizar em mais de um computador ao mesmo tempo, por não precisar de token ou cartão.

    É muito utilizado em empresas com matriz e filial, por o custo de emissão é para apenas um único CNPJ e sem custos adicionais. Além disso, o certificado A1 pode ser segmentado em: 

    • A1 e-CNPJ: só pode ser usado por empresários (dono ou sócio da empresa) que estão contidos no contrato social.
    • A1 e-NF: pode ser adquirido pelos representantes legais autorizados com procuração. Porém, seus custos geralmente são 60% mais altos que o A1 e-CNPJ.

    Certificado A3

    O certificado digital A3 é emitido e armazenado na mídia criptográfica, que geralmente é um cartão ou token, com validade de 1 a 3 anos, podendo conter diversos CNPJs em apenas 1 único aparelho.

    O uso é restrito com a presença do cartão ou token. Então, se for o caso da necessidade de emissão de uma nota fiscal, será necessário estar portando o aparelho.

    A sua maior vantagem é a possibilidade de instalado em qualquer computador e também é seguro, já que apenas o computador que está conectado com o aparelho pode fazer as transações;

    Porém, o seu custo pode ser um pouco maior em comparação ao A1. De qualquer maneira, escolha o certificado que melhor se encaixa com a realidade da sua propriedade rural e conte com a Aegro para realizar emissões gratuitas!

    O que é GTA na nota fiscal?

    O GTA (Guia de Trânsito Animal) é um documento utilizado para controlar o transporte de animais no Brasil, exigido pelas autoridades sanitárias e veterinárias para garantir a rastreabilidade e a saúde dos animais, evitando a propagação de doenças.

    Quando um produtor emite uma nota fiscal de venda de animais, é obrigatória a emissão da GTA para garantir que o transporte desses animais para outro local esteja de acordo com as normas sanitárias.

    Isso inclui, por exemplo, o transporte para abate, comercialização ou movimentação entre propriedades. Além disso, a GTA contém informações detalhadas sobre os animais, como:

    • Número de identificação
    • Espécie e quantidade
    • Origem e destino dos animais
    • Exames sanitários realizados (se houver)

    A GTA também ajuda a manter a saúde pública e a evitar surtos de doenças nos rebanhos, como a febre aftosa, a brucelose e a tuberculose.

    O documento é gerido pelo serviço veterinário estadual e, em alguns casos, pode ser exigido também para movimentação de produtos de origem animal.

    Quando a emissão de nota fiscal eletrônica será obrigatória?

    A obrigatoriedade da emissão de Nota Fiscal Eletrônica (NF-e) para produtores rurais está programada para entrar em vigor em 2 de janeiro de 2025. 

    A partir dessa data, as tradicionais notas fiscais em papel não serão mais aceitas, e todos os produtores rurais deverão utilizar a NF-e para documentar suas operações. 

    Para se adequar a essa exigência, é necessário estar  cadastrado na Receita Estadual e possuir os recursos necessários para a emissão da NF-e, como acesso à internet e um certificado digital válido. 

    No Mato Grosso, a emissão de nota fiscal eletrônica para produtor rural será obrigatória a partir de 1º de julho de 2024, conforme o Decreto n°1709, publicado no Diário Oficial do dia 29/11/2018.

    Outros estados ainda não definiram ou não divulgaram os prazos. Portanto, fique atento, pois emitir NF-e pode ser obrigatório no seu Estado ainda neste ano.

    Quais são os benefícios para os produtores que emitem a NFP-e?

    O primeiro benefício é a eliminação da prestação de contas na prefeitura. Os produtores que emitem a nota fiscal eletrônica não precisam mais despender tempo na prefeitura, prestando conta das operações realizadas de circulação de mercadorias. 

    Como a emissão pode ser realizada eletronicamente, em qualquer local que possua acesso a internet, não é mais necessário retirar as notas na prefeitura.

    Outro importante benefício é a redução de erros de escrituração, e com isso, redução no tempo despendido com essa operação de correção de eventuais erros que viriam a ocorrer

    Fique por dentro!

    Como emitir nota fiscal eletrônica?

    A emissão de nota fiscal eletrônica é como o preenchimento de um documento comum, mas com a exigência de informações sobre tipo de produto ou serviço, valores e etc. Confira o passo a passo a seguir e veja o quanto é simples: 

    Passo 1: Adquira um certificado digital

    O certificado digital assegura validade jurídica das notas emitidas e será utilizado para realizar a assinatura digital. Não é necessário um certificado digital para cada propriedade. 

    Passo 2: Escolha o software emissor de NFP-e

    Após criar seu certificado digital, é necessário escolher o programa para emissão das NFP-e, como o Aegro, que é responsável pela transmissão das notas emitidas ao servidor da Sefaz. 

    Quando a NFP-e é autorizada, um arquivo XML é gerado com a sua assinatura digital. Essa nota deve ser guardada por 5 anos, conforme estabelecido na legislação tributária.

    Passo 3: Credenciamento na Sefaz

    Posteriormente, é necessário receber a autorização da Sefaz (Secretaria da Fazenda) para emissão de nota fiscal eletrônica.

    Cada Estado possui um procedimento que deverá ser realizado no site da Administração Fazendária. Geralmente esse processo é rápido e demora apenas algumas horas.

    Passo 4: Geração de NFP-e

    Uma vez que o certificado digital já foi criado, o software emissor foi selecionado e o credenciamento já foi realizado na Sefaz, você já está apto a começar a emitir as notas fiscais eletrônicas.

    emissão de nota fiscal eletrônica pelo Aegro

    Exemplo de emissão de nota fiscal pelo Aegro: simples e seguro

    Como emitir a contra nota? 

    A contra nota é uma nota fiscal de ENTRADA de mercadoria/produtos agrícolas. Essa contra nota é uma confirmação de recebimento desses materiais, lembrando que ela deve ser emitida pelo comprador.

    O produtor rural emite uma nota física, com a descrição dos produtos agrícolas, peso e valor aproximado, esta nota vai para o comprador (cooperativa, outro produtor, sindicatos…).

    Ao comprador é destinado a aferição do peso e valor do produto, e o comprador que deve realizar a emissão da contra nota para o produtor.

    A 1ª e a 3ª vias da Nota Fiscal de Entrada devem ser enviadas pelo comprador ao produtor rural, no prazo de até 15 (quinze) dias, contados da data do recebimento da mercadoria.

    O que é GTA e como emitir?

    A Guia de Trânsito Animal (GTA) é um documento que precisa ser emitido sempre que ocorre a comercialização ou o transporte de um animal.

    Para o fornecimento da GTA, a propriedade deve estar cadastrada junto ao escritório do seu município, executar e comprovar as vacinações obrigatórias exigidas pela legislação vigente. Cada espécie possui informações específicas.

    Qual o melhor software para emitir nota fiscal produtor rural? 

    O melhor software para emitir nota fiscal produtor rural é aquele que vai ser fácil para você usar e que vai suprir as suas necessidades diárias. 

    O Aegro é um sistema que disponibiliza emissão de notas fiscais grátis, de forma rápida e simplificada. O processo é integrado com o Sefaz, permitindo que você faça todo o monitoramento e reajuste caso precise. 

    Não há limite de emissões de nota, sendo acessível para propriedades rurais pequenas, médias e grandes. Disponível para celular ou computador, o preenchimento é automático e pode ser compartilhado com o seu contato. 

    Faça um teste grátis do Aegro e experimente o emissor de notas clicando no banner a seguir!

    Como acertar o cálculo de semeadura do algodão

    Cálculo de semeadura do algodão: população ideal, regulagem de plantadeira e outras dicas para melhorar sua produtividade!

    O planejamento da semeadura é essencial para alcançar o estande ideal de plantas e obter uma boa produtividade na cultura do algodão.

    Além disso, as sementes representam uma fatia significativa dos custos de produção da lavoura, hoje estimados entre R$ 6 mil e R$ 8 mil por hectare, segundo o Imea. Portanto, minimizar os erros nesta etapa é fundamental para reduzir custos da fazenda.

    Para que você acerte de uma vez por todas nos cálculos da semeadura do algodão, preparei este artigo com as principais recomendações. Você também verá algumas dicas de regulagem do maquinário e 12 pontos de atenção com a semeadora. Confira!

    Cálculo de semeadura do algodão: comece pelo levantamento das áreas

    O primeiro passo para acertar na semeadura do algodão é realizar o levantamento da área a ser semeada.

    Um mapa com o desenho dos talhões e suas quantificações em hectares pode auxiliar na economia de milhares de reais.

    Segundo os levantamentos do Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária), os custos de produção do algodão podem variar de R$ 6 mil a R$ 8 mil/hectare, dependendo das cotações do dólar e do estado brasileiro.

    Tabela do Imea de custo de produção do algodão no Mato Grosso

    (Fonte: Imea)

    Sem o mapa das áreas, o erro de apenas 5 hectares pode acarretar um prejuízo de R$ 3.555,80 somente na compra de sementes, segundo os valores levantados pelo Imea para o estado do MT na safra 2020/21.

    Com os mapas da área semeada e a correta regulagem das máquinas, a economia na semeadura pode ser superior a R$ 711 por hectare, ainda segundo o Imea.

    Vale ressaltar a importância também de sempre usar sementes com boa procedência genética e qualidade fisiológica, uma vez que o sucesso no plantio é essencial para ganhos produtivos.

    Vamos agora aos cálculos para atingir o estande ideal? Confira!

    Quantidade de sementes de algodão por hectare

    Para calcular a dose de sementes por hectares, você tem que considerar o poder germinativo das sementes e inserção de 5% ou 10% a mais do estande desejado.

    Esse valor deve ser calculado sabendo que parte destas sementes inseridas no campo podem ser atacadas por pragas e doenças.

    Dessa forma, iniciamos os cálculos com a seguinte fórmula:

    fórmula cálculo de semeadura do algodão, Nº de plantas/ha =( estande desejado x 100 dividido pela porcentagem de germinação) x 1.1

    Supondo um estande desejado de 120.000 plantas e uma % de germinação de 90:

    fórmula Nº de plantas/ha =( 120.000 x 100 dividido por 90) x 1.1

    O valor a ser semeado seria de 146.667 plantas por hectare para atingir o estande desejado de 120.000 plantas/ha, considerando 10% de inserção a mais devido a perdas por pragas e doenças.

    O próximo passo é o cálculo de plantas por metro linear:

    fórmula cálculo de semeadura do algodão, Nº de sementes/m = população de plantas/ ha  x espaçamento (m) dividido por 10.000

    Para um espaçamento de 0,76 m entre linhas de plantio:

    fórmula Nº de sementes/m = 146.667  x 0,76 dividido por 10.000

    O número de sementes/m seria de 11,15.

    Com o espaçamento de 0,76 m e uma população de plantas final de 120.000 plantas por hectare, a semeadora deverá ser regulada para distribuir 11 sementes por metro linear de sulco.

    O próximo passo envolve o cálculo da necessidade em quilogramas para semear em 1 hectare e, posteriormente, a área total.

    Cálculo de kg de sementes de algodão por hectare

    Nessa etapa você tem que saber qual o peso de 1.000 sementes de algodão que irá utilizar.

    Existem variações nos pesos de 1.000 sementes, de acordo com cada cultivar.

    Esses números, geralmente, ficam por volta de 100 g a 200 g a cada 1.000 grãos de algodão.

    Para calcular a quantia em kg que serão utilizados por hectare, podemos utilizar uma simples regra de 3. Supondo que o peso de 1.000 sementes seja igual a 125 g, temos:

    cálculo de semeadura do algodão por hectare, sendo que mil sementes é igual a 125 gramas e 146 mil e 667 sementes é igual a x gramas.

    Serão necessárias 18.333 g ou 18,34 kg de sementes de algodão por hectare

    Vale ressaltar a importância de respeitar o arranjo espacial na semeadura do algodão, pois a cultura é suscetível à competição entre plantas, podendo apresentar menor produtividade.

    Densidade por sistemas de cultivo

    Atualmente, o algodão é semeado em dois sistemas de cultivo. O primeiro deles é o convencional, com espaçamento entre linhas igual ou superior a 0,76 m.

    Nesse sistema, a semeadura é realizada como “safra principal”, ou primeira safra. São utilizadas de 6 a 12 sementes por metro linear, com população de plantas entre 70.000 e 120.000 plantas por hectare.

    A colheita nesse sistema é feita por colhedora de fusos, propiciando um algodão de maior qualidade e menor contaminação das fibras.

    foto de colhedora de algodão de fusos operando durante a noite  - cálculo de semeadura do algodão

    (Fonte: John Deere)

    O segundo sistema é o de semeadura adensada, trabalhando com espaçamentos menores que 0,76 m, geralmente, de 0,50 m e 0,45 m na entrelinha das plantas.

    Esse sistema costuma ser adotado em sistemas produtivos de algodão de segunda safra, ou “safrinha”, semeados mais tardiamente (a partir de fevereiro).

    Após a colheita da soja ou da cultura principal, o algodão selecionado para semeadura deve ser de ciclo curto ou médio, com o porte e os internódios reduzidos.

    Devido ao pequeno porte das plantas, a população usada pode chegar a 200.000 plantas por hectare.

    Nesse tipo de disposição de plantas, a colheita pode ser realizada com colhedora de fusos adaptadas ou colhedoras de pente, que são mais baratas. Porém, vale lembrar que a contaminação com colhedoras de pente é maior.

    Com maior contaminação e perdas na qualidade da fibra, a lavoura conduzida em espaçamentos adensados deve estar sem a presença de plantas daninhas, com poucas maçãs imaturas e sem problemas de desfolha.

    Devido a essa dificuldade na colheita, muitos produtores semeiam o algodão safrinha com espaçamento de 0,76 m entre fileiras, com populações entre 120.000 e 160.000 plantas por hectare.

    Profundidade de semeadura e regulagem da plantadeira

    A profundidade de semeadura das plantas do algodoeiro podem variar de 3 cm a 5 cm.

    Para o caso dos solos mais argilosos e que armazenam mais água, o algodão pode ser semeado a uma profundidade de 3 cm.

    Em solos arenosos e com baixa capacidade de armazenamento de água, a semeadura deve ocorrer a uma profundidade de 5 cm.

    A semeadora deve estar regulada para depositar a taxa calculada de sementes por metro. Os discos devem ser selecionados de acordo com o tamanho das sementes dos híbridos utilizados.

    Aqui no blog da Aegro nós já falamos sobre a regulagem correta das relações das engrenagens da semeadora. Saiba mais neste artigo: “Cálculo de semeadura da soja: 5 passos para a população de plantas ideal no seu sistema”.

    Muitos fabricantes fornecem manuais de regulagem de acordo com o tipo de semeadora e equipamento utilizado no plantio.

    12 pontos que você deve ter atenção na regulagem da semeadora de algodão

    1. Escolha correta dos discos e anéis de vedação;
    2. Escolha das engrenagens (em máquinas que apresentam esse sistema);
    3. Regulagem do fluxo de ar (semeadoras pneumáticas);
    4. Checagem de mangueiras de ar e óleo;
    5. Regulagem dos discos de profundidade de semeadura (carrinhos e pressão da mola);
    6. Regulagem do sistema de deposição de adubo (deve estar abaixo e ao lado da semente);
    7. Checagem dos discos de corte ou botinhas;
    8. Checar oxidações em partes de depósitos de adubo.
    9. Verificar o estado dos rotores denteados e roscas sem fim para deposição de adubo;
    10. Checar velocidade da semeadora (entre 4 km/h a 6 km/h, algumas até 10 km/h, dependendo do depositor de sementes);
    11. Calibragem dos pneus;
    12. Lubrificação da máquina e graxeiras.
    planilha de produtividade do algodão Aegro

    Conclusão

    A semeadura correta do algodão permite que a lavoura tenha uma população ideal de plantas e melhor manejo da cultura. Isso possibilita maior produtividade e ganho com a safra.

    Neste artigo, você conferiu como fazer o cálculo de semeadura do algodão para atingir o estande desejado. Também obteve recomendações de profundidade adequadas para solo arenoso ou argiloso.

    Por fim, conferiu algumas dicas para a regulagem da semeadora, um passo fundamental para que o plantio seja o melhor possível!

    >> Leia mais:

    “Quais fatores impactam o preço do algodão para 2021?

    Evite a rebrota da planta de algodão com esses 2 tipos de manejo

    Você possui os mapas das suas áreas para semear o algodão? Gostou das dicas? Restou alguma dúvida? Adoraria ver seu comentário abaixo.

    5 formas de aproveitar a Internet das Coisas na agricultura e tornar sua fazenda mais rentável

    Internet das Coisas na agricultura: como ela pode te ajudar a otimizar a produção e, consequentemente, alcançar mais lucro com a lavoura

    A internet trouxe grandes avanços em termos de facilidade e agilidade para nossas vidas – e na agricultura não é diferente.

    Máquinas conectadas com sensores e computadores já conseguem prever quebras de peças, locais que demandam de mais insumos e regiões com problemas de pragas e doenças.

    A Internet das Coisas (IoT) permite uma comunicação direta entre os equipamentos por meio de sensores e conexões sem fio. 

    Por meio dela, você pode ganhar agilidade nas tomadas de decisão, aumentando a eficiência operacional e produtiva do sistema de produção.

    Quer saber mais sobre as aplicações da Internet das Coisas e como ela beneficia sua fazenda? Confira a seguir!

    O que é e para que serve a Internet das Coisas?

    Internet das Coisas ou apenas IoT (abreviação do termo em inglês Internet of Things) refere-se à tecnologia de conectar equipamentos, objetos ou itens usados no dia a dia a uma rede mundial de computadores.

    E essa transformação do mundo físico em digital está cada vez mais presente no campo.

    As máquinas, que antigamente eram apenas pedaços de ferro pesados, frios e sujos, estão se transformando em verdadeiros computadores, cada vez mais tecnológicos e eficientes. 

    A palavra Internet das Coisas tem sido muito utilizada para objetos que estão conectados à internet e são também chamados de inteligentes.

    Para que um equipamento possa ser considerado inteligente ele deve:

    1. ter um nome ou endereço na internet;
    2. ter a capacidade de enviar ou receber informações de outros dispositivos;
    3. ser capaz de interagir e responder, de alguma forma, às informações recebidas;
    4. possuir alguma capacidade de processar os dados;
    5. possuir algum sensor (físicos, químicos, como velocidade, luz, umidade, temperatura etc.). 

    Como aplicar a Internet das coisas na agricultura

    A Internet das Coisas pode ser aplicada de diversas formas na agricultura, desde sistemas de telemetria, softwares computacionais, levantamento de dados e controle de automação de maneira eficiente. 

    A IoT é, certamente, uma grande tendência no agronegócio, possibilitando que dados sejam gerados e analisados com intuito de melhorias nas atividades realizadas na fazenda.

    As máquinas e os sistemas empregados no campo geram muitos dados detalhados e de forma contínua. Estes dados podem ser armazenados e combinados com outras fontes de informações para otimizar as aplicações e operações nas fazendas.

    1 – Irrigação Inteligente

    No Brasil, a cada dia que passa, temos um apelo maior pela sustentabilidade e uso racional da água no campo.

    Tecnologias de IoT já possibilitam a irrigação inteligente nas fazendas.

    Sensores podem ser instalados para medir a umidade dos solos, podendo estar acoplados a sistemas que indicam a textura daquele solo. Assim, de maneira automática, conseguem controlar a irrigação em taxas variadas em cada seção ou bico do pivô central.

    sistema de gerenciamento de pivô por meio de internet das coisas na agricultura

    (Fonte: Precision Farmer Dealer)

    Além do uso mais eficiente da água, é possível selecionar a melhor hora do dia para realizar a irrigação. E, dependendo do horário do dia, o custo da energia pode até ser mais barato, já que ele pode variar ao longo do dia.

    Saber exatamente a necessidade de água em cada metro quadrado da lavoura, bem como a hora mais barata para a irrigação, auxiliam na redução de custos na fazenda e ganhos em eficiência.

    2 – Controle de pragas e doenças

    Sensores portáteis ou acoplados a drones e satélites conseguem levantar mapas diversos das lavouras. 

    Tais mapas podem estar integrados a sistemas ou plataformas computacionais que auxiliam na identificação de pragas e doenças nas lavouras. 

    Após sua identificação, os mapas de biomassa como NDVI, NDRE, RGB ou outros índices levantados podem ser enviados às máquinas para atuação apenas nos locais selecionados.

    O manejo localizado garante otimização dos insumos aplicados, pois não há aplicação em área total se não houver necessidade. Isso gera economia e aumenta a lucratividade das fazendas.

    Sensores acoplados às máquinas conectadas também podem levantar informações e tomar decisões de maneira automática, em tempo real, da dosagem e da necessidade de aplicação dos produtos nas lavouras.

    Sistemas de IoT estarão cada vez mais presentes no campo para identificação de pragas e doenças nas lavouras. E, se identificados e combatidos em tempo ideal, tais fatores podem ser a diferença entre o sucesso ou o fracasso das lavouras.

    >> Leia mais:

    Sensores no manejo integrado de pragas: por que você deve começar a usar

    3 – Telemetria

    A telemetria possibilita que os dados dos equipamentos que estão realizando as atividades em campo sejam coletados e compartilhados de forma remota.

    Muito utilizada na Fórmula 1, a telemetria chegou ao campo agregando muito valor às tomadas de decisões.

    Os equipamentos conectados à central podem ser visualizados em tempo real, desde que estejam com sinal de internet, e as operações podem ser corrigidas, se necessário.

    sistema de telemetria John Deere conectado no maquinário no campo - internet das coisas na agricultura

    (Fonte: John Deere)

    Por meio da telemetria é possível checar se as máquinas estão trabalhando na rotação e velocidade ideais, com temperaturas e pressões corretas, a fim de gerar economias de combustível e realização corretas das operações.

    Os relatórios gerados podem ser analisados para otimizar as máquinas e as operações em campo, reduzindo custos na propriedade.

    4 – Robótica

    Os avanços em robótica, impressoras 3D e automações no campo estão facilitando a criação e implantação de tecnologias, como por exemplo, estufas inteligentes.

    Dotada de sensores e luzes artificiais, já existem estufas automatizadas produzindo alimentos, baseando seus manejos no conceito de agricultura vertical.

    As estufas protegidas e os cultivos inteligentes possuem melhores controles sobre pragas e doenças, melhor utilização da água, energia elétrica e insumos aplicados.

    Tratores e máquinas autônomas já estão presentes. Futuramente, é possível que haja redução e substituição da mão de obra no campo com a inserção deste tipo de tecnologia.

    robô de precisão digital desenvolvido pela ecoRobotix que identifica plantas daninha e aplica o herbicida correspondente

    (Fonte: Dinheiro Rural)

    5 – Rastreabilidade e monitoramento

    Mais comuns nas fazendas agropecuárias, as ferramentas e tecnologias de IoT como chips RFID e QRcode têm auxiliado o produtor rural com os dados coletados de localização, peso, consumo de ração e bem-estar dos animais.

    As informações coletadas são enviadas a uma central que consegue monitorar animais doentes, animais em período fértil para inseminação, entre outros, auxiliando no manejo do gado e reduzindo custos com mão de obra.

    As origens e rastreabilidade dos alimentos devem ser cada vez mais presentes no nosso dia a dia – e cobradas pelo consumidor final. Oferecer essa rastreabilidade desde já pode agregar valor ao preço dos produtos da fazenda.

    >> Leia mais: “Blockchain na agricultura: conheça as 3 principais funções e seus benefícios”

    guia - a gestão da fazenda cabe nos papéis

    Conclusão

    Com o avanço da conectividade no campo, no futuro teremos muitas máquinas conectadas e enviando dados pela internet a todo momento.

    Por meio da internet das coisas na agricultura será possível avançar com as análises de big data e ser ainda mais eficiente na fazenda.

    Como você conferiu, a internet das coisas possibilita que otimizações sejam executadas em tempo real no dia a dia das operações agrícolas. Isso, é claro, impacta e pode trazer o aumento da produtividade agrícola e redução dos custos no campo.

    >> Leia mais:

    5 tecnologias que vão deixar sua fazenda mais inteligente e rentável

    Big data no agronegócio: a revolução dos dados

    “Primeira antena 5G em área rural: entenda como essa tecnologia vai beneficiar sua fazenda”

    Quais os avanços da Internet das Coisas na agricultura são mais impactantes para você? Restou alguma dúvida? Deixe seu comentário!

    7 erros mais comuns na gestão do agronegócio e como evitá-los na fazenda

    Gestão do agronegócio: entenda o quanto ela impacta na sua propriedade e como melhorar seus resultados com um bom gerenciamento.

    Ter sob controle todos os processos operacionais e administrativos da fazenda é desafiador, não é verdade?

    Com as margens de lucro cada vez mais apertadas e o tempo escasso para dar conta de tanta coisa, é preciso ter cada vez mais eficiência.

    Para isso, é fundamental melhorar sua gestão! Assim, é possível ver onde fazer melhorias que certamente vão impactar os resultados da empresa rural.

    Neste artigo, separei os 7 erros mais comuns cometidos na gestão do agronegócio e como você pode resolvê-los a partir de agora!

    O que é gestão do agronegócio? 

    A gestão do agronegócio envolve destinar corretamente os recursos da fazenda, sejam eles financeiros ou operacionais, para obter resultados melhores e de maneira mais eficaz.

    Uma boa gestão compreende o desenvolvimento de estratégias e soluções inovadoras e tecnológicas para otimizar todas as etapas de produção e comercialização da produção.

    Um gestor deve estar apto a realizar desde o planejamento da safra até a etapa final da venda, bem como buscar sempre melhorias nos processos de toda a cadeia produtiva.

    Mas claro que isso não é tarefa fácil. Então, a seguir listei alguns pontos importantes que merecem destaque na gestão do agronegócio. 

    7 erros mais comuns na gestão do agronegócio

    1 – Não fazer a gestão financeira adequada

    A gestão financeira é fundamental em toda a cadeia produtiva. Muitas fazendas ainda realizam a gestão das finanças da propriedade pelo saldo na conta bancária dos proprietários, sem separar gastos pessoais dos gastos da empresa rural.

    Esse modelo de gestão acarreta confusões financeiras. Às vezes, impostos pagos pelas fazendas que possuem apenas pessoas físicas podem ser maiores quando comparados às pessoas jurídicas. 

    O controle do fluxo de caixa é essencial para que os gestores e produtores conheçam a saúde financeira dos negócios, sabendo corretamente o balanço entre entradas e saídas de dinheiro.

    A propriedade rural deve ser vista com um negócio, exigindo dos gestores a prática administrativa e financeira com o auxílio de softwares e ferramentas mais elaboradas.

    Conforme os gastos da fazenda vão sendo realizados ao longo da safra, o fluxo de caixa auxilia nos planejamentos futuros com possíveis novos investimentos e aquisições.

    2 – Falta de controle nos custos do maquinário

    A gestão do maquinário é outro ponto que merece muita atenção. Custos com reparos e manutenções devem ser contabilizados sempre que forem realizados.

    Muitas fazendas ainda não possuem softwares ou planilhas dedicadas a esse controle e, devido a isso, otimizações e escolhas de equipamentos mais eficientes são realizadas com base em achismos e experiências passadas.

    Anotações de custos horários de cada trator, colhedora ou equipamento da propriedade podem ajudar a avaliar possíveis reduções de custo. São capazes ainda de mostrar que a terceirização de parte do maquinário pode compensar mais do que a aquisição de máquinas novas.

    A gestão do maquinário deve contabilizar o uso em campo, monitorando seu histórico de atividade, controlando abastecimentos, manutenções e até alertas periódicos de revisões.

    Tem dificuldade em fazer esse controle? Clique na imagem abaixo e faça automaticamente os cálculos do custo operacional de suas máquinas gratuitamente!

    ferramenta de custo operacional de máquinas agrícolas Aegro

    3 – Relegar a gestão operacional

    A gestão das frotas em campo, calendários de pulverizações, dias úteis para semeadura e colheita, regulagem das semeadoras e colhedoras é outro ponto de destaque dentro do agronegócio.

    Bons gestores se atentam a monitorar atividades em campo, listar tarefas que devem ser realizadas no dia a dia e, o mais importante, se elas são cumpridas no prazo e com a maior eficiência possível

    Controles e registros em cadernetas de campo em papel, ou na cabeça dos operadores, podem apresentar erros. E, na maioria das vezes, isso não permite que os dados sejam analisados no futuro para busca por melhorias.

    O pessoal de campo pode não conseguir checar todos os talhões e supor que tudo está dentro dos padrões, porém, pode haver talhões com presença de pragas e plantas daninhas que não foram vistos. 

    Os mapas de altimetria, biomassa da vegetação ou do simples caminhamento do time de campo já auxiliam os gestores a realizar melhores manejos operacionais.

    Dessa forma, melhorias na gestão operacional impactam diretamente em otimizações dos processos nas fazendas agrícolas.

    4 – Deixar de lado a gestão de pessoas 

    A gestão de pessoas é outro ponto fundamental para o sucesso das atividades no campo.

    É necessário que os gestores saibam como o time de campo está realizando as atividades e cobrem resultados e comprometimento de todos envolvidos na atividade.

    Os dados devem ser coletados e analisados para evitar o retrabalho das atividades como, por exemplo, em monitoramentos ou pulverizações repetidas.

    Os funcionários devem prestar contas de seu trabalho diário a fim dos gestores terem condições de avaliar e supervisionar o que já foi realizado.

    Atualmente, com softwares e telemetria, tais dados são mais simples de serem coletados e organizados quando comparados a apontamentos em papéis feitos em campo.

    É importante que todo o time consiga avaliar e analisar o que está sendo feito. Uma vez que os próprios funcionários ou o time de gestão tenham os dados em mãos, eles podem buscar melhorar em futuras atividades.

    5 – Monitoramentos sem eficiência

    Não basta saber se você tem pragas ou perdas em produtividade nas lavouras: é preciso quantificar o quanto você está perdendo e como combater essas perdas.

    A Agricultura de Precisão e as ferramentas digitais podem ser aplicadas no campo para levantar dados e informações do que acontece em cada metro quadrado da lavoura.

    É possível ter monitoramentos e mapas de:

    • produtividade
    • índices de biomassa (NDVI, NDRE, SAVI…)
    • altimetria
    • trajetos
    • pragas e doenças
    • condutividade elétrica
    • fertilidade dos solos, etc.

    Monitoramento de pragas e doenças já são realidade utilizando imagens de biomassa da vegetação e até aplicativos de celular para georreferenciar as manchas nas lavouras.

    Relatórios de incidência de pragas e doenças podem ser criados com o auxílio do Aegro, sendo possível descobrir melhores momentos para pulverizar e reduzir os custos com defensivos agrícolas.

    O monitoramento do clima também é essencial para o sucesso das atividades em campo.

    Aplicativos como o Climatempo, entre outros, dão acesso à previsão do tempo e dados meteorológicos como: velocidade do vento, umidade, chuvas, entre outros dados essenciais para programar pulverizações e operações em campo.

    Estações meteorológicas instaladas na fazenda também são excelentes fontes de dados para tomada de decisão. São dados ainda mais exatos e você já encontra muitas delas com custos acessíveis no mercado.

    6 – Não fazer a automação de processos

    Mobilidade e segurança dos dados são fundamentais para que os gestores e proprietários consigam ter acesso remoto às informações 24h por dia.

    Informações espalhadas em vários sistemas e de maneira desorganizada dificultam a tomada de decisão.

    Automação de rotinas e processos no campo é fundamental para posteriores análises visando otimizações.

    Anotações em papéis devem ser evitadas, uma vez que ao passar a limpo, tais informações podem ser perdidas ou não acontecerem em tempo hábil para atuação de uma possível pulverização em campo.

    Softwares de gestão como o Aegro permitem a coleta de dados de maneira offline, em campo, facilitando o dia a dia das atividades.

    7 – Deixar a análise dos resultados em segundo plano

    Existem disponíveis no mercado algumas ferramentas tecnológicas que possibilitam que todos os dados sejam coletados e organizados em uma mesma central.

    Relatórios financeiros possibilitam que os gestores avaliem se irão realizar novos investimentos no ano seguinte ou não. Ajudam ainda a planejar de maneira mais assertiva as atividades futuras.

    Relatórios de máquinas e custos operacionais possibilitam reduções de custo e escolha por equipamentos mais eficientes para cada operação na fazenda.

    Os mapas de produtividade, fertilidade dos solos, pragas e doenças indicam como manejar de forma diferenciada os insumos em cada talhão das fazendas.

    A análise dos resultados é tão importante quanto a coleta correta dessas informações, uma vez que é a partir dela que se poderá ter sucesso ou não nas tomadas de decisões futuras.

    Conclusão

    Fazer uma boa gestão do agronegócio é fundamental no andamento do processo produtivo das fazendas.

    Para que os gestores realizem seu trabalho da melhor maneira possível, é importante que os processos estejam documentados e organizados. Isso favorece a posterior análise e tomada de decisão.

    Neste artigo, você viu como evitar alguns dos principais erros nessa gestão com a definição de processos claros e com o auxílio da tecnologia.

    Lembre-se sempre que, com uma coleta correta dos dados, as tomadas de decisões tendem a ser mais eficientes!

    Este artigo de gestão do agronegócio foi útil para você? Assine nossa newsletter e receba mais conteúdos direto em seu e-mail!

    Como ter mais eficiência operacional na colheita mecanizada do arroz

    Colheita mecanizada do arroz: veja os pontos que merecem atenção na regulagem e manutenção das máquinas para evitar perdas de grãos

    A colheita é uma etapa fundamental para garantir a rentabilidade da lavoura de arroz.

    Colheitas bem realizadas podem manter a integridade e qualidade dos grãos, agregando maior valor final recebido nessa cultura.

    Existe uma infinidade de máquinas e tipos de colheita utilizados para a rizicultura. Neste artigo, falarei sobre as colheitas mecanizadas e semimecanizadas de arroz, regulagens e pontos de atenção que você deve ter antes de iniciar esse processo na lavoura. Acompanhe!

    Métodos de colheita do arroz

    Os métodos de colheita podem ser segmentados em manuais, semi mecanizados e mecanizados. Vou explicar melhor cada uma delas:

    Manuais

    As etapas de corte, recolhimento e trilha são realizados manualmente e, dependendo do números de funcionários envolvidos na colheita, o rendimento operacional pode ser baixo.

    Em pequenas lavouras, o rendimento da colheita manual chega a 10 dias para colheita de 1 hectare por funcionário.

    O corte é quase sempre realizado com cutelos e os feixes amontoados transversalmente para facilitar o recolhimento. 

    Após coletar os feixes, são diferidos golpes nas panículas para que ocorra o desprendimento dos grãos.

    Semimecanizados

    As etapas de corte e recolhimento são geralmente realizados manualmente e a operação de trilha é realizada com o auxílio de máquinas.

    O rendimento operacional é geralmente maior, uma vez que se utilizam trilhadoras estacionárias.

    Mecanizados

    Todas as etapas de corte, recolhimento e trilha são realizadas com o auxílio de uma colhedora.

    No mercado existem máquinas denominadas ceifadoras, trilhadoras e as colhedoras. Sobre elas, vou falar a seguir.

    Quais máquinas utilizar na colheita mecanizada de arroz

    Ceifadoras

    As ceifadoras são mais utilizadas em pequenas lavouras de arroz. São máquinas montadas sobre duas rodas, com a presença de um motor, barra de corte e molinete. 

    Algumas ceifadoras presentes no mercado possuem depósitos para plantas colhidas, que são descarregadas em leira ou de maneira intermitente em campo.  

    Trilhadoras

    As trilhadoras são máquinas responsáveis por separar os grãos das panículas de arroz. 

    Os modelos de trilhadoras no mercado podem apresentar: cilindro trilhador de dentes de impacto, barras de fricção ou de fluxo axial.

    Essas máquinas podem ser acionadas pela TDP do trator ou por motores estacionários. Podem ser abastecidas de maneira contínua ou intermitente com fluxo de arroz colhido e, em casos mais simples, serem acionadas por pedal.

    foto de agricultor em trilhadora de arroz

    (Fonte: Ruraltins)

    As trilhadoras são excelentes opções para fazendas menores. Se operadas corretamente, podem propiciar bons rendimentos operacionais e boa qualidade do produto final.

    Os rendimentos operacionais variam de acordo com cada máquina e modelo de equipamento. 

    Atualmente existem trilhadoras com rendimentos de mais de 2.400 kg/h de arroz em casca.

    Colhedoras

    As colhedoras possuem em uma mesma máquina os sistemas de corte, recolhimento, trilha, separação, limpeza e armazenamento.

    Essas máquinas podem apresentar pneus arrozeiros, esteiras ou pneus duplados para facilitar o tráfego e reduzir a compactação em terrenos alagados, por exemplo.

    As colhedoras podem ser automotrizes ou montadas e acionadas com o auxílio de um trator.

    Partes constituintes de uma colhedora de arroz:

    • plataforma de corte
    • molinete
    • condutor helicoidal ou caracol
    • cilindro degranador
    • côncavo
    • batedores
    • saca palhas ou rotor
    • peneiras: superior e inferior
    • ventilador
    • condutores helicoidais
    • tanque graneleiro
    foto de colheitadeira CR 7.90 arrozeira - colheita mecanizada do arroz

    Colheitadeira CR 7.90 arrozeira
    (Fonte: Cultivar)

    As colhedoras realizam todas as operações na mesma máquina, iniciando no corte das plantas de arroz, mecanismos de trilha, cilindro degranador, côncavo e batedores, até chegar ao saca palhas, peneiras e ventilador, para retirar o resto de impurezas, e condutores para levar os grãos até o tanque graneleiro.

    Perdas na cultura do arroz

    As perdas na cultura do arroz podem acontecer antes e durante a colheita.

    As perdas antes da colheita devem ser evitadas com o manejo adequado da cultura e são:

    • degrana natural
    • acamamento
    • ataques de pássaros
    • excesso de umidade
    • excesso de ventos
    • doenças e pragas

    As perdas durante a colheita são:

    • impacto da plataforma nas panículas
    • velocidade inadequada do molinete
    • calibrações inadequadas no cilindro trilhador
    • erros de calibração do saca palhas
    • peneiras com espaçamentos inadequados
    • presença de plantas daninhas

    O impacto da plataforma de corte e a velocidade inadequada do molinete provoca degrana da cultivar no momento da colheita e desprendimento prematuro dos grãos.

    Calibrações inadequadas no espaçamento do cilindro e do côncavo também resultam em trilhas ineficientes, comprometendo a qualidade final dos grãos, com danos mecânicos ou grãos presos nas panículas.

    Como evitar as perdas na colheita 

    A colheita no tempo ideal é fundamental para assegurar maior produtividade.

    Colheita com grãos muito úmidos pode acarretar grãos imaturos, gessados e mal formados, que irão se quebrar no beneficiamento, descasque e polimento do arroz.

    Colheita com grãos muito secos também não é ideal, pois pode ocorrer maior perda natural por degrana e quebra dos grãos no beneficiamento, perdendo qualidade do produto.

    É ideal evitar a colheita do arroz pela manhã ou com os grãos umedecidos pelo orvalho. Se ocorrer uma chuva, o ideal é esperar que o arroz seque para iniciar a colheita.

    Na maioria das cultivares, a umidade ideal deve estar entre 18% e 23% para colheita.

    Na falta de aparelhos para mensurar os teores de umidade, você pode olhar a cor da casca e considerar ideal quando dois terços dos grãos ainda estiverem maduros.

    Outra opção é apertar os grãos: se amassar, ainda está imaturo. Se quebrar, já estão aptos para a colheita.

    Como aumentar a eficiência operacional na colheita mecanizada do arroz

    Para aumentar a eficiência operacional e evitar perdas, a regulagem da colhedora é um fator crucial no manejo em campo.

    O arroz é uma cultura que apresenta grandes perdas quando comparado à soja, feijão ou milho. Parte destas perdas ocorrem na colheita, armazenamento e outras também no processamento.

    A regulagem deve ser realizada principalmente nas partes internas e externas das máquinas, dando maior atenção às plataformas de corte das máquinas, velocidade do molinete, regulagem do cilindro batedor, saca palhas e peneiras.

    Veja os pontos que merecem atenção na regulagem e manutenção das colhedoras:

    • navalhas quebradas da barra de corte
    • peças e rotação do molinete
    • velocidade do cilindro batedor
    • espaço do cilindro degranador
    • peneiras superior e inferior
    • velocidade e fluxo de ar
    • tubos e condutores helicoidais

    Regulagem da velocidade

    A velocidade do molinete deve ser ajustada de acordo com o porte da cultura a ser colhida, devendo ser suficiente para puxar as plantas para o interior da máquina, podendo ser até 25% superior à velocidade de deslocamento da máquina.

    A relação da velocidade do molinete e de deslocamento da máquina não deve ser superior a 1,25, uma vez que cerca de 70% das perdas na cultura o arroz ocorrem devido à má regulagem na plataforma de corte e velocidade do molinete.

    Operações realizadas com velocidades excessivas podem provocar desgaste prematuro de peças da colhedora e maior perda na colheita.

    Quanto à velocidade do cilindro batedor, ela pode variar conforme a umidade dos grãos, mas deve ser entre 20 a 25 m/s e a velocidade rotacional de cerca de 500 a 700 rotações por minuto, com intuito de separar 90% dos grãos da palhada segundo a Embrapa.

    Em lavouras acamadas, a velocidade de operação da colhedora deve ser reduzida. O molinete precisa ser regulado com menor altura e mais avançado em relação à barra de corte para melhor recolhimento das plantas em campo.

    A colheita, nesses casos, deve seguir o sentido do acamamento. Mesmo que haja redução no rendimento operacional, será mais eficiente.

    No mecanismo de trilha, o cilindro trilhador deve operar com velocidades entre 16 ms-1 e 25 ms-1. A abertura entre o cilindro e o côncavo deve ser ajustada com intuito de minimizar o descascamento dos grãos.

    A regulagem correta nos sistemas de separação e limpeza é muito importante para garantir a qualidade do produto final e reduzir perdas na colheita e processamento.

    Acompanhamento das atividades em campo

    Atualmente existem softwares de gestão que permitem analisar os dados de campo e gerar relatórios personalizados para otimizar o manejo.

    Com o Aegro, por exemplo, você planeja o uso das máquinas nas atividades agrícolas e tem um controle detalhado de eficiência operacional. Veja com clareza o total de horas trabalhadas pela máquina, a área percorrida durante a operação e o seu consumo. 

    Você ainda pode definir alertas periódicos de manutenção para a regulagem ou troca de peças, a fim de garantir o máximo desempenho dos equipamentos na lavoura.

    Na época da colheita, você registra a produtividade dos talhões pelo celular, mesmo sem internet. Também é possível registrar as cargas de colheita, direcionando os romaneios para as unidades de armazenamento.

    A partir deste controle, o Aegro te entrega indicadores precisos sobre a rentabilidade da safra. Avalie quais áreas da plantação custaram mais e quais apresentaram os melhores resultados.

    Assim, fica mais fácil de entender quais métodos e máquinas foram mais efetivos na sua colheita do arroz. 

    O que acha de gerenciar a sua colheita com ajuda do Aegro? Peça aqui uma demonstração gratuita do software!

    planilha para estimativa de perdas na colheita Aegro

    Conclusão

    As colhedoras de arroz auxiliam os produtores a obter maior rendimento operacional.

    Fazendas de menor porte podem optar por ceifadoras e trilhadoras estacionárias, que possuem ótimos custos-benefícios.

    O acompanhamento dos dados das máquinas e das operações possibilita melhorias no manejo e otimização das atividades em campo.

    A regulagem correta das colhedoras é fundamental para assegurar maior qualidade do grão e pode ser a diferença entre o sucesso ou fracasso da sua lavoura de arroz.

    5 dicas de regulagem da semeadora para melhorar seu desempenho

    Regulagem da semeadora de forma correta pode trazer benefícios à sua lavoura

    O conjunto trator-semeadora pode ser comparado a um automóvel que, se estiver desregulado, comprometerá os custos e eficiência durante a operação.

    Se uma semeadora de 10 linhas estiver com 1 linha entupida e falhar, as perdas na produtividade de soja poderão chegar a centenas de reais por hectare.

    A regulagem correta da semeadora promove melhores resultados na produtividade das lavouras, além de economizar combustível e assegurar um plantio mais uniforme.

    A seguir, separei 5 dicas para melhorar o desempenho da semeadora na lavoura. Confira!

    Por que realizar a regulagem da semeadora?

    A correta semeadura é um dos principais fatores que assegura boas produtividades nas lavouras. E isso vale para diversas culturas. 

    A distribuição correta das sementes propicia uniformidade na emergência das plantas e estande ideal, fatores que são fundamentais para o sucesso das lavouras.

    Dessa forma, é importante checar e regular todos os sistemas da semeadora. Dentre eles, os principais são:

    • discos corta-palha;
    • sistemas para abertura dos sulcos;
    • sistemas de deposição de sementes;
    • sistemas de deposição de adubo (quando presentes);
    • sistemas de fechamento do sulco (mecanismo compactador).

    Como regular corretamente sua semeadora

    As principais manutenções de máquinas necessárias antes e durante o plantio são:

    • velocidade de semeadura (normalmente entre 4 km/h a 6 km/h);
    • calibragem dos pneus;
    • limpeza e lubrificação das engrenagens do conjunto;
    • lubrificação das correntes;
    • checagem dos tubos condutores de sementes e adubos;
    • verificação de pinos e contrapinos;
    • lubrificação geral da máquina e graxeiras;
    • checagem das regulagens dos carrinhos;
    • análise da população de estande final desejada;
    • análise da germinação do lote de sementes utilizado;
    • cálculo do número de sementes/hectare;
    • regulagem do espaçamento entre linhas.

    É fato que existe uma grande variedade de modelos de semeadoras presentes no mercado, sejam elas de sementes graúdas ou miúdas, e que para cada modelo existe uma regulagem ideal.

    Mas alguns pontos são importantes de serem checados e se aplicam a uma boa parte das máquinas existentes no mercado.

    As regulagens e limpezas são rotineiras e também devem ser realizadas nas semeadoras.

    Limpezas de filtros e lavagem da máquina para evitar possíveis contaminações de daninhas e sementes de safras passadas também são simples de serem feitas e essenciais quando pensamos em boas práticas agrícolas.

    Manutenções

    Manutenções preventivas são sempre mais recomendadas que as corretivas, pois as janelas de plantio são curtas na maioria das regiões brasileiras e a máquina não pode parar durante a operação para troca de peças que já deveriam ter sido substituídas.

    A quebra da semeadora durante o plantio pode causar atrasos operacionais e perdas em produtividade devido a semeaduras realizadas fora do período ótimo.

    A manutenção de um estoque de peças de reposição pode ser ideal para fazendas que estão mais distantes das concessionárias e podem perder muito tempo esperando uma peça. 

    Para isso, uma gestão correta da fazenda e dos maquinários te ajuda a levantar quais são as peças de reposição mais utilizadas.

    A utilização de um software agrícola como o Aegro colabora para que você tenha em mãos esse controle. Você pode registrar a realização das manutenções pelo seu celular e ter um histórico detalhado das peças que foram trocadas na máquina.

    Além disso, você pode programar alertas periódicos de manutenção para ser lembrado de revisar o maquinário.

    Adequação do conjunto trator-semeadora-adubadora

    A escolha do conjunto trator-semeadora corretos é fundamental para melhor rendimento operacional, economia de combustível, vida útil e redução de custos no campo.

    Alguns pontos que você deve considerar na aquisição do conjunto trator-semeadora são:

    1. potência requerida do trator para operar a semeadora a ser utilizada;
    2. potência disponível do trator a ser utilizado na operação;
    3. analise se o conjunto está bem dimensionado.

    A potência necessária para tracionar uma semeadora irá depender da quantidade de carrinhos que a semeadora possui, do espaçamento, hastes sulcadoras, peso da máquina carregada e profundidade de semeadura.

    foto de uma semeadora em uma lavoura

    (Fonte: John Deere)

    O conjunto bem dimensionado pode ser visualizado quando a diferença entre a potência disponível no motor do trator e a exigida pela semeadora não for maior que 15%. Esses valores são utilizados como nível de segurança.

    Regulagens dos sistemas da semeadora

    Para início da regulagem da semeadora você deve escolher corretamente os discos e anéis que serão utilizados para a semeadura das sementes graúdas.

    Alguns fabricantes fornecem anéis e discos com nomenclatura específica para cada tipo de sementes.

    Após a escolha dos anéis, é recomendada a realização de um teste prático, onde será necessário inserir as sementes desejadas e avaliar seu comportamento de deposição.

    Para checagem de possíveis falhas no plantio, faça o seguinte teste:

    1. Escolha o anel com friso para sementes redondas ou os anéis lisos para sementes chatas.
    2. Separe 2 sementes menores e veja se elas cabem no mesmo furo. Se sim, provavelmente esse anel acarretará plantas duplas na semeadura e deve ser trocado.
    3. Separe 2 sementes maiores e veja se elas passam com alguma folga pelos furos. Se não passarem, esse anel provocará falhas na semeadura e deve ser substituído.

    Para saber mais sobre como fazer a escolha dos anéis e discos, leia este artigo do Blog do Aegro: “Como fazer a regulagem de plantadeira de soja e garantir a lavoura”.

    Depois da escolha dos anéis da semeadora, a regulagem deve ser realizada nas engrenagens das máquinas que possuem esses sistemas de distribuição.

    A combinação das engrenagens garante o número correto de sementes desejadas por metro linear.

    As semeadoras possuem tabelas de regulagens que entregam os números de sementes por metro desejado de acordo com cada máquina e modelo.

    A seleção deve ser realizada conforme a cultura a ser semeada e o estande desejado no plantio.

    Uma primeira regulagem pode ser realizada com a semeadora ainda no galpão.

    Vale ressaltar que pisos duros de concreto podem afetar a correta regulagem das máquinas. Por isso, a checagem e regulagem no campo é a mais correta.

    6 pontos da semeadora que você deve checar em campo:

    1. quantidade de sementes que está sendo depositada por metro;
    2. distribuição e uniformidade de sementes no solo;
    3. profundidade de semeadura;
    4. profundidade e deposição do adubo;
    5. regulagens dos carrinhos e checagem da posição;
    6. regulagem e checagem dos discos de corte.

    A semeadura e as regulagens podem ser alteradas dependendo do tipo de solo que será semeado. 

    É importante realizar as aferições em campo e ir alterando as regulagens até mesmo durante o plantio se os parâmetros não estiverem dentro dos estabelecidos.

    Regulagens dos sistemas de adubos

    Assim como o sistema dosador de sementes, os sistemas dosadores de adubos, quando presentes, também podem possuir regulagens por meio de engrenagens ou sistemas pneumáticos.

    A quantidade de adubo a ser depositada por hectare normalmente é expressa em quilogramas por hectare.

    A deposição e profundidade do adubo precisam ser corretas para evitar efeitos de salinização e possíveis problemas iniciais de estande.

    O adubo deve ser depositado ao lado e abaixo das sementes.

    Cheque na tabela da semeadora as relações de engrenagens necessárias a dose a ser depositada de adubos.

    Da mesma forma que nas sementes, os testes em campo devem ser avaliados para verificação da deposição da dose correta e nos locais desejados do adubo em campo. Se necessário, novas regulagens devem ser realizadas no sistema.

    banner planilha combustíveis

    Conclusão

    A regulagem correta das semeadoras pode garantir melhor produtividade e maior ganho nas lavouras.

    Máquinas bem dimensionadas e reguladas da maneira correta economizam combustível, possuem melhor rendimento operacional e asseguram um plantio mais uniforme.

    Se você ainda não realiza manutenções e substituições de peças preventivamente em suas semeadoras, pode estar perdendo dinheiro no manejo de seu maquinário.

    As avaliações e checagens dos parâmetros de semeadura são tão importantes quanto a condução correta das lavouras.

    Se você iniciar o plantio da maneira errada, sua lavoura poderá estar comprometida desde o início.

    >> Leia mais:

    Cálculo de semeadura da soja: 5 passos para a população ideal de plantas no seu sistema

    Você realiza a regulagem da semeadora e acompanha em campo o plantio das lavouras? Realiza alguma outra regulagem que não mencionei? Adoraria ver seu comentário abaixo!

    Telemetria na agricultura: como ela melhora a gestão das máquinas na sua fazenda

    Telemetria na agricultura: entenda o que é como aproveitar essa tecnologia para reduzir custos na sua propriedade.

    A tecnologia tem deixado as fazendas cada vez mais inteligentes. Hoje é possível acompanhar as operações do maquinário sem precisar estar 100% no campo.

    Com o auxílio de sensores acoplados nas máquinas, é possível ter redução de custos operacionais e otimizar as atividades da fazenda analisando os dados de telemetria.

    Quer entender melhor como a telemetria ajuda na gestão da frota e de que forma ela pode ser aproveitada na sua propriedade? Acompanhe a seguir!

    O que é telemetria?

    A telemetria é uma tecnologia que permite a coleta e o compartilhamento de informações sobre equipamentos, veículos e máquinas de forma remota. O termo tem origem na palavra grega tele, que significa remoto, e metron que significa medida.

    Explicando melhor: a telemetria é um sistema de monitoramento de dados e transferência por meio de sinais de rádio para uma central, que não necessariamente precisa estar dentro da propriedade. 

    Em muitos casos, temos a utilização de um datalog para gravação dos dados coletados e posterior envio à central de controle, que geralmente armazena as informações na nuvem.

    Na Agricultura de Precisão (AP), por meio dessa tecnologia, é possível coletar os dados utilizando sensores acoplados nas máquinas e também georreferenciar de acordo com o interesse de cada propriedade agrícola. 

    Muito conhecida das corridas de Fórmula 1, a telemetria foi adaptada para o agronegócio e está cada dia mais presente nas fazendas.

    Como utilizar a telemetria na agricultura

    A telemetria pode ser amplamente aplicada no agronegócio, desde atividades relacionadas à coleta de dados de condições de solo e condições climáticas por meio de estações meteorológicas a dados provenientes de sensores embarcados nas máquinas. 

    Os sensores nas máquinas podem ser de vários tipos: óticos, elétricos, capacitivos, acústicos, entre outros, e podem fornecer dados como:

    • pressão do óleo do motor;
    • pressão do corte de base;
    • rotações por minuto do equipamento;
    • consumo de combustível;
    • temperatura do motor;
    • horímetro;
    • posicionamento do maquinário;
    • velocidade instantânea;
    • horas do equipamento ligado;
    • motor ocioso;
    • locais de parada;
    • eficiência durante a operação;
    • área trabalhada;
    • horas produtivas;
    • e muito mais!
    ilustração de como funciona um sistema de telemetria na fazenda: Por meio de um modem com software específico de telemetria instalado nas máquinas, o agricultor pode acompanhar e fazer correções em tempo real nas atividades do campo.

    (Fonte: Globo Rural)

    Como reduzir os custos com essa tecnologia

    A telemetria ajuda na coleta de dados para análises posteriores. Inúmeras plataformas de telemetria já fornecem relatórios personalizados de acordo com os objetivos de cada cliente.

    Os relatórios ajudam a identificar otimizações dentro das atividades agrícolas e reduções de custo.

    Com metas e objetivos, a análise dos dados propicia que as otimizações sejam conseguidas em curto e médio prazos.

    Como as máquinas e equipamentos são monitorados a todo momento, é possível tomar decisões e atuar em tempo real, ainda com as operações sendo realizadas em campo.

    As análises e relatórios podem indicar que a máquina está operando fora dos padrões pré-estabelecidos, por exemplo. Tal informação auxilia na redução de custo durante a operação e possíveis reduções de custos como manutenção dos equipamentos.

    Semeadura, aração, gradagem, colheita e outras operações realizadas fora dos padrões pré-estabelecidos podem acarretar falhas no plantio, consumo excessivo de combustível e maiores perdas durante a colheita.

    A telemetria permite que estas informações sejam checadas e corrigidas sempre que possível.

    Como otimizar a gestão de frotas com a telemetria

    São muitos os benefícios da aplicação da telemetria nas fazendas agrícolas:

    • consumo de combustível;
    • temperatura e rotação do motor;
    • trajeto realizado pelo equipamento;
    • parada da máquina por quebra de peças;
    • parada do equipamento por falta de insumos;
    • tempos gastos para reabastecimento, entre outros.

    Esses indicadores são muito úteis para reduções de custos e otimizações.

    Caso seja analisado um consumo de combustível fora dos padrões já observados no histórico da fazenda, o equipamento pode ser destinado a manutenções ou substituições de peças.

    Operadores que utilizam rotações mais altas do que as necessárias podem provocar maior consumo de combustível e o sistema de telemetria pode emitir alertas sonoros ou visuais para auxiliar na correta condução do equipamento.

    Com relatórios das máquinas provenientes da telemetria sendo analisados, é possível saber quais são os equipamentos com melhor consumo de combustível e menos paradas por quebra de peças. Isso beneficia o rendimento operacional. 

    Por meio da telemetria, é possível otimizar a frota da propriedade, assim como fez a Usina São Manoel.

    A instalação de computadores de bordo em toda a frota utilizada nas operações agrícolas aumentou a moagem em 30% nos últimos cinco anos da usina. Isso sem a necessidade de ampliação da frota.

    Sistemas de telemetria modernos conseguem auxiliar na gestão de centenas de equipamentos ao mesmo tempo, centralizando todas as informações em um único local. Assim, o gestor pode analisar os relatórios para tomar a melhor decisão.

    A centralização desses dados em uma única plataforma propicia que, mesmo com equipes pequenas, a gestão possa ser feita de maneira eficiente.

    As anotações em papéis ou planilhas impressas são substituídas pelas coletas e transmissões automáticas das informações, quando se utiliza telemetria, assegurando dados mais confiáveis.

    Desafios para começar a usar a telemetria

    Para implementar sistemas de telemetria na fazenda e equipamentos, alguns desafios devem ser considerados.

    O primeiro é a escolha da melhor plataforma de telemetria presente no mercado, seleção da compra e implantação dos sensores de coleta e transmissão de dados nos equipamentos.

    O segundo desafio são as máquinas mais antigas, que não possuem sistemas Isobus/CAN para coleta dos dados. Assim, é um pouco mais complicado para realizar a telemetria.

    As máquinas (tratores e colhedoras) mais novas possuem um protocolo de comunicação de dados conhecida como Isobus/CAN, descrito pela norma ISO 11783, sendo mais simples a coleta e transmissão dos dados desses equipamentos para central.

    O terceiro desafio está relacionado às falhas de conectividade no campo. Com isso, algumas máquinas poderão ficar de 24h a 48 horas ou mais, sem enviar dados à central. Assim, a correção da operação em tempo real é ineficiente.

    Além desses desafios, é importante que as fazendas tenham pessoas e gestores capacitados a interpretar e analisar os dados gerados na central, com intuito de traçar novos planos e metas para otimizar as atividades agrícolas.

    Como implementar a telemetria na fazenda

    Existem diversas maneiras de se implantar a telemetria nas máquinas da fazenda.

    Os métodos mais simples envolvem a aquisição de iPads, chips com sinal gprs e sensores acoplados diretamente na rede CAN das máquinas que coletam e enviam os dados a central.

    Outra maneira é por meio da aquisição de plataformas e adaptações realizadas nas máquinas com hardwares e softwares como a JD Link, Solinftec, Climate Fieldview, Otmis Maps, entre outros.

    imagem de um notebook aberto mostrando o sistema de telemetria na agricultura JDLink, da John Deere.

    (Fonte: John Deere)

    Os hardwares e softwares precisam ser instalados nas máquinas e possuir integração com a plataforma que irá receber os dados e gerar os relatórios. 

    As plataformas arquivam os dados históricos dos equipamentos para que possam ser utilizados para futuros planejamentos e análises.

    E, além das análises de relatórios gerados, as máquinas podem ser acompanhadas em tempo real, sempre que estiverem conectadas com sinal de rádio para transmitir os dados. Assim, é possível fazer correções no momento em que as operações estão sendo executadas.

    Conclusão

    A telemetria já vem sendo muito utilizada em diversos setores da economia. No agronegócio, se mostra uma ferramenta muito valiosa no gerenciamento da frota em campo e no auxílio às tomadas de decisões gerenciais.

    As máquinas conectadas mostra aos operadores quais áreas já foram manejadas, reduzindo aplicações desnecessárias e otimizando os custos.

    Ferramentas de telemetria otimizam as atividades no campo, trazendo novas tecnologia e inovação no setor que mais cresce no país.

    >> Leia mais: 

    Máquinas agrícolas: como gerenciá-las

    “Como a irrigação de precisão pode otimizar o uso da água e gerar economia na fazenda”

    “Como a agricultura preditiva e autônoma pode impulsionar sua lucratividade”

    O que você acha sobre a telemetria na agricultura? Você utiliza essa tecnologia na sua fazenda?Adoraria ver seu comentário abaixo.