Plantação de arroz: confira as principais orientações para ter sucesso com a lavoura, desde a semeadura até a colheita da safra
O arroz é um dos alimentos mais consumidos no mundo. Os estados do sul do Brasil, principalmente Rio Grande do Sul e Santa Catarina, são os maiores produtores do país. O sistema irrigado predomina nessas lavouras.
A plantação de arroz pode ser feita de formas diferentes, e cada uma exige um nível tecnológico específico. Por isso, conhecer todas as possibilidades é fundamental.
A escolha da cultivar por grupo de maturação, o manejo da água de irrigação e o controle de plantas daninhas, pragas e doenças, e o manejo correto na colheita irá determinar o insucesso ou sucesso de sua safra.
Pensando nisso, preparamos um artigo com tudo o que você precisa para o cultivo de arroz. Vem conferir!
Aspectos gerais da cultura do arroz
O arroz é o principal alimento da maioria da população mundial. Ele possui ótimo balanço nutricional e permite ser cultivado em diferentes ambientes.
O Brasil é o maior produtor e consumidor do grão fora do continente asiático. Aproximadamente 90% de todo arroz no mundo é cultivado e consumido na Ásia.
Segundo dados da Conab, a área de produção vem crescendo. Porém, não com tanta importância como a produtividade, que teve incremento de 3%.
O sistema de produção predominante no mundo é o irrigado. Nesse sistema, as plantas ficam em um terreno alagado durante quase todo o ciclo.
A região sul do Brasil é a principal produtora de arroz, com predominância do sistema irrigado. O arroz de sequeiro também está presente, e predomina nas demais regiões.
Graças à evolução da tecnologia e dos processos de produção, a plantação de arroz torna-se cada vez mais rentável.
Sistemas da plantação de arroz
O plantio de arroz pode ser feito em dois sistemas: sistema sequeiro ou “de terras altas” e sistema irrigado.
1. Arroz sequeiro
É o sistema menos utilizado no Brasil, mais comum no Cerrado. Foi bastante usado na abertura de novas áreas como cultura inicial, por suportar solos ácidos. Atualmente, é utilizado na rotação de culturas.
Você terá um menor custo de implantação nesse sistema. Ele não necessita de irrigação, não exige área plana nem um maquinário específico.
No entanto, a produtividade da lavoura será consideravelmente menor.
Com a evolução dos sistemas de manejo e desenvolvimento de cultivares, espera-se que a produtividade seja ampliada nesse sistema.
2. Arroz irrigado
Esse sistema de produção é o mais comum. No Brasil, representa aproximadamente 80% de toda área plantada com a cultura.
A produtividade do arroz nesse sistema é 3 vezes maior que no sequeiro, mas o custo de implantação é maior.
Quase 100% das lavouras da região sul, que representa a maior parte das lavouras do Brasil, são cultivadas dessa maneira.
A implantação da lavoura depende de um sistema de irrigação por inundação. Além disso, precisa de uma oferta abundante de água durante o desenvolvimento até próximo da colheita.
Para que a prática seja favorecida, o tipo de solo deve ser naturalmente mal drenado.
Para o plantio de arroz com o sistema irrigado, você deve dividir a área em quadras. Proceda a irrigação através de um canal central, que distribui a água para todas as quadras.
Plantação de arroz sequeiro ou irrigado: O que vale mais a pena?
No Brasil, o sistema irrigado predomina, representando 79,5% das lavouras de arroz. Já o arroz de sequeiro ocupa 20,5% da área plantada.
O arroz irrigado geralmente é produzido no sul do Brasil, principalmente no Rio Grande do Sul, onde o cultivo passa parte de seu ciclo com a presença de uma lâmina d’água.
O arroz de terras altas, ou arroz de sequeiro, é produzido no norte do Brasil. Inicialmente usado para abertura de áreas e recuperação de pastagens degradadas, hoje é cultivado em sistemas de rotação de culturas.
Embora tenha menor produtividade média (2,35 ton/ha contra 7,13 ton/ha do arroz irrigado), o arroz de sequeiro exige menor investimento inicial e tolera solos ácidos. Já o arroz irrigado, apesar de mais produtivo, depende de áreas planas, disponibilidade de água e maior aporte financeiro.
Para decidir entre os sistemas, inclua no planejamento agrícola todos os custos, previsão de produtividade e tempo necessário. Baseie-se em dados para fazer a escolha mais estratégica e assertiva.

Qual a diferença entre plantio convencional, plantio direto e cultivo mínimo para arroz?
O plantio convencional do solo é o mais tradicional no Brasil. Ele demanda um preparo de solo que incorpora a camada superficial, destrói restos culturais e plantas daninhas.
No plantio direto, o solo não é mecanicamente preparado, sendo revolvido apenas no sulco para distribuir sementes e adubos. O sistema se baseia na rotação de culturas e na manutenção da palhada.
Se a rotação de culturas for mal feita (ou não for feita), problemas com compactação, doenças e pragas podem ser mais graves que no sistema convencional.
Já no cultivo mínimo, é feito apenas um preparo leve do solo (revolvimento de camadas muito superficiais) com intuito de proporcionar a emergência de plantas daninhas, facilitando o manejo em pré-plantio.
Em ambos, o arroz é semeado em solo seco. Outros sistemas de plantação de arroz irrigado são o sistema pré-germinado, mix e transplante de mudas.
Qual o local e época de semeadura do arroz?
Escolha uma área plana para facilitar as operações de manejo. Se optar pelo sistema irrigado, a área deve seguir alguns padrões que permitam a irrigação.
Faça a correção de pH e a adubação recomendada para a cultura. Não se esqueça de controlar plantas daninhas e pragas iniciais para obter altas produtividades.
Escolha bem a época de semeadura para a plantação de arroz. A época determina as condições climáticas a que a planta será exposta em seu desenvolvimento.
Além disso, você deve se preparar para condições adversas na semeadura, como muitas chuvas. Para isso, mantenha o sistema de drenagem da área sempre em bom estado.
Para o estado do Rio Grande do Sul, a época de plantio do arroz varia de 21 de setembro a 10 de dezembro.
Em Santa Catarina, o período ideal é entre 11 de agosto a 10 de janeiro. Planeje o plantio de acordo com o zoneamento da sua região e ciclo da cultivar.
Quando é feita a colheita do arroz?
Embora os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Tocantins detenham cerca de 80% da produção de arroz no Brasil, os cultivos se espalham por todo o país.
Por conta da enorme extensão territorial e diferentes condições climáticas dessas regiões, as épocas de plantio e colheita variam.
Por conta dessa variação em todo o Brasil, o ponto de colheita do arroz é melhor definido pelo teor de umidade de seus grãos, que devem estar entre 18% e 23%.
Além disso, as mudanças de cor na casca do grão indicam maturidade e podem ajudar na tomada de decisão.
Quando ao menos 2/3 dos grãos da panícula apresentarem essa característica, pode-se proceder com a colheita.
Plantação de arroz: Escolha de cultivares
O potencial genético da cultivar é responsável por 50% do rendimento final da lavoura. Escolha a cultivar adequada para o seu sistema de plantio, região e solo. Essa decisão pode determinar o sucesso ou fracasso da sua plantação de arroz, além de evitar quebra de safra.
Tenha no seu planejamento informações que te ajudem a decidir por uma ou outra cultivar:
- adaptação da cultivar à região;
- produtividade e estabilidade;
- ciclo da cultivar;
- resistência/tolerância a doenças;
- assistência técnica;
- empresas produtoras;
- experiências regionais;
- experiência em safras passadas.
Você encontra na internet a listagem das cultivares registradas no Mapa, recomendadas para tipo de sistema, safra e local.
Qual sistema de semeadura optar a plantação de arroz?
Você pode optar por utilizar transplantio, semente seca ou pré-germinada em plantio direto, cultivo mínimo ou plantio convencional.
A implantação de uma lavoura de arroz por transplantio é pouco difundida no Brasil, e é recomendada para a produção de sementes de alta qualidade.
Isso porque permite ter alta pureza varietal e facilita o controle de plantas daninhas.
No plantio direto, faça a semeadura com semente seca ou pré-germinada sem revolvimento. Dê preferência a esse sistema quando utilizar a mesma área com outras culturas na entressafra do arroz.
O custo de implantação de lavoura com plantio direto pode ser 2 vezes mais barato que o convencional. Escolha uma densidade de semeadura maior nesse sistema. Inicie a irrigação com banhos e posteriormente à inundação do solo.
Faça o preparo leve do solo, revolvendo a camada superficial quando tiver problemas com plantas daninhas. Esse sistema chama-se cultivo mínimo.
O revolvimento da camada mais superficial do solo expõe as daninhas, o que facilita o manejo pré-plantio.
Esse preparo também auxilia na formação de lama, nivelamento e alisamento do solo.
Realize o cultivo mínimo com o solo alagado. Após o preparo, faça a semeadura com sementes secas ou pré-germinadas.
Sistema pré-germinado
Faça o preparo do solo para eliminar plantas daninhas e pragas, bem como incorporar a palha restante do cultivo anterior. Esse preparo não deve ser próximo a semeadura.
Antes da semeadura, proceda com a adubação da lavoura e inundação para formar lama e nivelar o solo.
Para a semeadura, mantenha uma lâmina de água de 5 cm e plante a semente pré-germinada a lanço.
Se houver incidência de arroz vermelho, mantenha a lâmina de água após a semeadura. Caso contrário, drene de 2 a 4 dias após a semeadura, mantendo por até 4 dias.
Manejo integrado de pragas e doenças
O MIP (Manejo Integrado de Pragas) é o alicerce para a lucratividade em qualquer cultivo. Nesse sistema, a utilização de métodos de controle consorciados otimizam o controle das pragas e doenças. Além disso, o MIP protege ainda mais a lavoura e reduz custos com controle.
Faça monitoramento e utilize controle cultural e biológico como preventivos. Caso a população de alguma praga atinja o nível de dano econômico, faça uso de agroquímicos recomendados.
Tenha o controle dos dados obtidos durante o ciclo da cultura, planeje suas ações antes de colocar em prática.
Controle de plantas daninhas no cultivo de arroz
O arroz é uma cultura muito prejudicada pela competição com plantas daninhas, como o capim-arroz e o arroz-vermelho, além de algumas plantas aquáticas como grama boiadeira e aguapés.
Escolha sementes de procedência e qualidade, livre de mistura varietal e contaminação. O manejo na entressafra é vital para o controle de daninhas e sucesso da safra. Faça roçadas e dessecação com herbicida.
Revolva o solo para expor as sementes de invasoras para estimular a germinação e facilitar o controle. Junto disso, use a rotação de culturas com soja e milho, que são culturas populares e eficientes para a prática. .
Proceda com a inundação da área 20 a 30 dias antes da semeadura no sistema pré-germinado. Mantenha a lâmina d’água durante o ciclo em áreas infestadas de arroz vermelho.
Atenção à qualidade da água: água limpa reduz a incidência de plantas aquáticas invasoras. Planeje estrategicamente o uso de herbicidas ao longo do ciclo da cultura para otimizar os custos.
A aplicação dos herbicidas deve seguir o tipo de cultivar e o produto escolhido:
- Para cultivares de ciclo curto: 15 a 20 dias após emergência;
- Para cultivares de ciclo longo: 25 a 30 dias após emergência.

Colheita do arroz
Planeje bem a sua safra para que a época de colheita não coincida com época de chuvas.
Tenha a colhedeira preparada para que, numa situação dessa, a colheita seja feita no menor tempo possível.
Na lavoura irrigada, interrompa o fornecimento de água 10 dias após a floração de 50% das panículas. Retire toda a água da lavoura para colher o arroz.
O tempo que a plantação de arroz demora do plantio à colheita depende da época e local de semeadura, além do ciclo da cultivar. Veja os grupos de maturação:
- super-precoce (menos de 100 dias no RS);
- precoce (110-120 dias no RS; até 120 dias em SC);
- médio (120 a 130 dias no RS; 120 a 135 dias em SC);
- semi-tardio (mais de 130 dias no RS; 135 a 150 dias em SC);
- tardio (mais de 150 dias em SC).
Cultivares de ciclo super-precoce permitem colher mais cedo com melhores preços. Também é possível uma segunda colheita com a soca na mesma safra.
A utilização de cultivares precoces facilita o planejamento da safra, escalonando semeadura, tratos culturais e colheita.
Cultivares com menor tempo de ciclo são recomendadas onde há possibilidade de clima adverso nas principais fases de desenvolvimento. A produtividade será maior em cultivares de ciclo mais longo.
Inicie a colheita quando os grãos estiverem com 20% de umidade. O atraso pode reduzir o rendimento de grãos inteiros, depreciar o produto.
Após a colheita os grãos devem ser secados até atingir 13% de umidade, o que habilita o seu armazenamento.
Armazene em local adequado: procure um local arejado e seco, com controle de insetos e roedores.