Como regular plantadeira de trigo e ser mais eficiente

Como regular plantadeira de trigo: Veja um passo a passo detalhado para a regulagem correta da semeadora-adubadora. 

Durante todo o cultivo do trigo existem vários entraves que vão surgindo, como ataques de pragas e doenças.

Mas no momento do plantio, você pode evitar alguns erros para garantir uma melhor produtividade. 

Um fator importante a ser considerado é a regulagem correta da semeadora-adubadora, que evita problemas como espaçamento incorreto e falta de germinação.

Vamos entender melhor cada processo de como regular plantadeira de trigo? Confira a seguir!

Semeadora-adubadora de trigo

como regular plantadeira de trigo

Semeadora-adubadora utilizada no plantio de trigo
(Fonte: Grupo Cultivar)

Você deve ter notado que o título desse artigo fala em plantadeira e, logo em seguida, em semeadora-adubadora. 

Isso porque as semeadoras são bastante conhecidas como plantadeiras pelos produtores, mas no caso do plantio do trigo, o mais correto é semeadora, pois o plantio será realizado com sementes e não com partes da planta. 

De forma geral, as semeadoras de trigo são usadas tanto para semeadura quanto para a adubação.  

Em sistemas de plantio direto, possibilitam qualidade na semeadura com sementes colocadas corretamente no solo, assim como o estabelecimento rápido e uniforme da população de plantas. 

As semeadoras devem ter uma atenção especial antes de iniciar todo o processo do plantio, pois a sua regulagem correta vai evitar a perda de produtividade. 

Aqui, mais especificamente, falaremos de como regular plantadeira de trigo – ou seja – as semeadoras-adubadoras de trigo. Vamos lá?

Passos importantes na semeadura

Alguns pontos no momento do plantio são deixados de lado por serem considerados muito simples. Mas você já parou para pensar que esses passos podem fazer toda a diferença na produtividade final da lavoura?

Conhecer bem a semeadora, velocidade em que precisa ser usada, quantidade de sementes e de adubo vai garantir uniformidade populacional e melhor rendimento dos grãos. 

Na cultura do trigo,  a semeadora-adubadora utilizada é de fluxo contínuo, o que quer dizer que a distribuição das sementes no solo e do adubo ocorre de forma contínua. 

E uma dúvida muito recorrente é sobre a regulagem da máquina para a adubação. 

É muito importante você seguir as recomendações técnicas sobre espaçamento, cálculo da quantidade de sementes e adubo.

custo operacional de máquinas

Como regular plantadeira de trigo: adubo

É necessário que você siga algumas instruções para que a regulagem seja apropriada para a cultura do trigo. Então, antes de trabalhar com a máquina é importante que você siga esses 6 passos:

1. Calcular o comprimento de sulco por hectare 

Metros/ha =   10 000 m²/ha           
                         espaçamento (m)

Para trigo, o espaçamento das linhas de plantio é de 17 cm. Sendo assim, o cálculo será:

Metros/ha =   10 000 m²/ha           
0,17 m
= 58.823,5 m sulco/ha

2. Calcular o peso de adubo desejado por metro de sulco

Se for recomendado 250 kg/ ha, dividi-se pelo comprimento de sulco por hectare:

250 000 g/58.823,5 m = 4,25 g/m

3. Coletar o adubo

Nesse passo, você precisa conhecer a quantidade de adubo que a máquina está calibrada ao dosar em um determinado espaço percorrido. 

Por isso, deve-se colocar a alavanca de regulagem em uma posição pré-determinada e um recipiente coletor sob as linhas a serem testadas. 

4. Deslocar uma distância conhecida 

Por exemplo, digamos que você decida percorrer uma distância de 20 m.

5. Pesar o adubo que cair no coletor

Após percorrer os 20 m, você deve coletar a quantidade de adubo que cair no coletor e pesar. 

Digamos que você pesou e viu que tem 60 g de adubo. Logo:

60 g/ 20 m = 3 g/ m

6. Verificar se os valores dos itens 3 e 5 estão batendo 

Como vimos no nosso exemplo hipotético, a quantidade que a máquina está aplicando é menor que a desejada para o plantio de trigo

Sendo assim, deve-se aumentar a abertura do mecanismo dosador e repetir o processo até que os valores se igualem. 

Mesmo que você tenha experiência na área, é válido fazer esse processo. 

Lembre-se que a adubação correta no momento do plantio de trigo vai garantir uma boa produtividade ao final da safra. 

Como regular sementes da semeadora?

Assim como para o adubo, a regulagem da semeadora é de acordo com o número de sementes.

É recomendado que você faça o cálculo da quantidade de sementes de trigo para que sejam distribuídas cerca de 300 a 330 sementes aptas por m². 

E quais os passos necessários para calibrar a máquina? Veja a seguir!

1. Calcular o comprimento de sulco por hectare

Essa etapa é a mesma para o cálculo de adubo, recapitulando:

Metros/ha =  10 000 m²/ha           
                  espaçamento (m)

Para trigo, o espaçamento da linha de plantio é de 17 cm. Sendo assim, o cálculo será:

                                          Metros/ha =  10 000m²/ha = 58 823,5 m sulco/ha
                        0,17 m

2. Calcular a quantidade de sementes a ser distribuída por hectare

Vamos considerar que serão 300 plantas/m², com poder germinativo de 90%. Sendo assim, deve-se calcular:

sementes/m² = 300 x 0,9 = 330 sementes/m² ou 3 330 000 sementes/ ha

Supondo que o peso de 1000 sementes seja de 40 g, deve-se calcular a quantidade de sementes em kg/ha:

kg/ha = 3 330 000 x 40 = 133,2 kg/ha

3. Calcular o peso de semente por metro de sulco

Se teremos 133,2 kg/ha, devemos calcular quanto será necessário para  58 823,5 metros de sulco. 

133 200 g / 58 823,5 m =  2,26 g/metro linear 

4. Coletar as sementes 

Assim como na regulagem para adubo, nesse passo você precisa conhecer a quantidade de sementes que a máquina está calibrada a dosar em um determinado espaço percorrido. 

Por isso, coloque a alavanca de regulagem em uma posição pré-determinada e um recipiente coletor sob as linhas a serem testadas. 

5. Deslocar uma distância conhecida 

Digamos que você decida percorrer novamente uma distância de 20 m. 

6. Pesar as sementes que caírem no coletor

Após percorrer os 20 m, colete a quantidade de sementes que caírem no coletor e pese. 

Digamos que você pesou e viu que tem 50 g de sementes. Logo:

50 g/ 20 m = 2,5 g/ metro linear

7. Verificar se os valores dos itens 3 e 6 estão batendo 

O valor determinado de peso de sementes está abaixo daquele que a máquina está dosando. 

Por isso, nesta situação recomendo que diminua a abertura do mecanismo dosador e repita o processo até que os valores se igualem. 

Todo o processo de regulagem tanto para adubo como para sementes é bastante simples, mas se você deixar esta etapa de lado, corre o risco de ter prejuízo. 

Conclusão

Como vimos até aqui, são passos simples, seis paro o adubo e sete para as sementes, que você precisa seguir para realizar a regulagem correta da semeadora-adubadora. 

E sabemos que isso está diretamente relacionado com a produção final da lavoura.

Então, vale a pena segui-los para evitar erros e ter uma melhor produtividade na sua lavoura de trigo.

>> Leia Mais:
Como fazer a regulagem de plantadeira de soja e garantir a lavoura
Plantadeira de milho: Quais são as melhores e outras dicas de uso
Como otimizar sua lavoura com pulverizador autopropelido

E você, tem alguma dica sobre como regular plantadeira de trigo? Restou alguma dúvida? Deixe o seu comentário abaixo!

Alternativas ao Paraquat de dessecar soja para colheita

Dessecar soja: Entenda por que o produto foi proibido, quais as normas para o processo de transição e as perspectivas do mercado para novos substitutos. 

Atualmente, o herbicida Paraquat vem sendo largamente utilizado no Brasil, sendo um dos oito fitossanitários mais comercializados no país. 

Esta intensa comercialização se deve à sua utilização em 11 culturas para manejo de plantas daninhas e dessecação de culturas, com objetivo de facilitar a colheita mecanizada.

No entanto, mesmo apresentando ótimos resultados na lavoura este produto causa um risco elevado para a saúde do aplicador.

Se você quer saber mais sobre a situação atual deste produto para dessecar soja e quais são as perspectivas caso ele realmente seja proibido, confira a seguir!

Para que serve o Paraquat?

O Paraquat é um herbicida que atua no processo fotossintético das plantas, impedindo o transporte de elétrons e formando radicais livres que são extremamente tóxicos às plantas, o que causa necrose dos tecidos. 

Este herbicida possui ação não seletiva (atinge todas as plantas) e é utilizado para o controle de plantas daninhas em pós-emergência. 

Indicado para controle de folhas largas – até 4 folhas – e de gramíneas de até 3 perfilhos (provenientes de sementes) ou usado na última aplicação do manejo sequencial de plantas perenizadas.  

Além disso, é amplamente utilizado como dessecante na pré-colheita de algumas culturas, com o objetivo de remover ramos e folhas verdes e uniformizando a maturação. 

Essa dessecação é uma prática que facilita a colheita mecanizada. 

Assim, o Paraquat é um dessecante muito eficiente e com ação rápida (sintomas aparecem em até 30 min após aplicação) e por não se translocar pela planta, possui baixos riscos de contaminação dos grãos ou fitotoxidade em sementes. 

dessecar soja

Nos cloroplastos, o Paraquat atrapalha a fotossíntese
(Fonte: Paraquat Information Center)

Por que o Paraquat foi proibido no Brasil?

Por volta de 2008, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) iniciou o processo de reavaliação de 14 fitossanitários utilizados no país, dentre esses o Paraquat. 

Após uma série de estudos, em 2017 a Anvisa relatou que este produto pode causar danos à saúde do aplicador, pois aumenta o risco da doença de Parkinson e pode causar mutações em células, além de apresentar alta toxicidade aguda. 

Devido a isto, por meio da RDC Nº 177, de 21 de Setembro de 2017 foi decidido proibir a produção, importação, comercialização e utilização de produtos técnicos e formulados à base do ingrediente ativo Paraquat. 

Porém deixando um prazo de três anos com uso controlado da molécula, para que as empresas pudessem contrapor a decisão com novos estudos e o setor produtivo tivesse tempo de encontrar novas alternativas. 

Entretanto, durante esse período de transição foram proibidas algumas modalidade de uso:

  • Produção e importação de produtos formulados em embalagens de volume inferior a cinco litros;
  • Utilização nas culturas de abacate, abacaxi, aspargo, beterraba, cacau, coco, couve, pastagens, pêra, pêssego, seringueira, sorgo e uva; 
  • A modalidade de uso como dessecante; 
  • Aplicações costal, manual, aérea e por trator de cabine aberta. 

Medidas preventivas e período de pesquisas

Durante o período de transição as empresas ampliaram seu programas de treinamento e capacitação para diminuir o risco do produto. 

Assim, se uniram em uma Força Tarefa do Paraquat, visando implementar essas medidas preventivas e realizar mais estudos para contrapor a decisão da Anvisa. 

Veja mais neste vídeo do canal da AB AgroBrasil:

Outro ponto é que todo produtor que fosse utilizar o Paraquat, seria necessário assinar um termo de responsabilidade, reconhecendo e assumindo os riscos do uso do produto.  

Após o período de três anos, que se completa no dia 22 de setembro de 2020, caso as empresas não consigam apresentar novos estudos que contraponham à decisão da Anvisa, ficará realmente proibido o uso de Paraquat no Brasil. 

Assim, será responsabilidade das empresas recolher todos os estoques do herbicida em poder de revendas ou produtores para que o produto seja efetivamente retirado do mercado.

Isso deve acontecer no prazo máximo de 30 dias após a data de proibição

Logo após esse período, os órgãos de fiscalização do governo pretendem realizar fiscalizações nos estabelecimentos e fazendas e, caso encontre estoques do produto, poderá aplicar multas ao responsável.

Por que o Paraquat fará falta para dessecar soja?

No processo de maturação dos grãos, a planta envia nutrientes ao grão até que o mesmo atinja o ponto máximo de acúmulo de matéria seca, chegando ao ponto de maturidade fisiológica (cessando o transporte de nutrientes) no estádio R7 da cultura.  

A partir deste ponto, os grãos não vão mais se desenvolver nem crescer, mas não podem ser colhidos devido ao teor de umidade elevado (o que dificulta o armazenamento e o custo com secagem) e a presença de ramos e folhas verdes que atrapalham a colheita mecanizada.

Por isso, a aplicação de um herbicida que seque a planta rapidamente é fundamental para colher em condições melhores e não deixar o grão exposto a condições adversas. 

Este problema é agravado em regiões que têm histórico de excesso de chuvas na colheita, pois o produtor tem uma janela muito curta para não ter prejuízos com a elevada umidade nos grãos

dessecar soja

Dessecação pré-colheita da soja
(Fonte: Rehagro)

Herbicidas alternativos ao Paraquat para dessecar soja

Infelizmente, até o momento não temos produtos disponíveis no mercado com a mesma eficiência do Paraquat para realizar a dessecação da soja.

Por isso, muitas vezes será necessário associar mais de um produto (elevando os custos).

Outro ponto importante é que com a perda desta ferramenta o produtor terá que fazer um planejamento melhor do manejo de plantas daninhas, para que não ocorram escapes no momento da dessecação.

A incidência de plantas daninhas no momento da dessecação prejudica a cobertura das plantas e a ação do produto e, as plantas daninhas que não morrerem com essa aplicação, vão prejudicar o processo de colheita e aumentar a umidade dos grãos. 

Então, as principais alternativas disponíveis no mercado são:

  • Diquat na dose de 2 L/ha;
  • Saflufenacil na dose de 70 g/ha a 140 g/ha + adjuvante não iônico;
  • Glufosinato na dose de 2 L/ha + óleo;
  • Flumioxazin na dose de 50 g/ha.

Além dos herbicidas presentes no mercado, as empresas estão estudando novos herbicidas com características interessantes que talvez possam ter um melhor desempenho ao dessecar soja para colheita.  

Escapes de buva na soja dessecada

Escapes de buva na soja dessecada
(Fonte: Cooperalfa)

Conclusão

Vimos aqui a importância que o Paraquat tem no mercado brasileiro e por que os órgãos reguladores optaram por proibir sua utilização. 

Entendemos melhor como foi o processo de proibição e a nova regulamentação para o período de transição.  

Além disso, ressaltamos que se realmente ocorrer essa proibição, os produtores não poderão manter estoque do produto em sua fazenda. 

Quanto a outras alternativas, os herbicidas disponíveis no mercado possuem menor eficiência e menor custo, porém existem perspectivas de novos produtos a serem lançados. 

Você já testou alternativas para dessecar soja pré-colheita? Aproveite e baixe aqui a planilha gratuita para estimar sua produtividade de soja!

7 problemas e soluções para colheita de soja no Mato Grosso

Colheita de soja no Mato Grosso: respondemos as principais dúvidas para minimizar as perdas da lavoura durante esse processo. 

A soja é um dos principais carros-chefes da agricultura mato-grossense. Nesta safra 2019/20, bateu-se recordes de área, produção e produtividade. 

Segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), a produtividade e a área plantada de soja neste estado cresceram quase 10% nos últimos cinco anos

Já a produção total teve um aumento de quase 20% no mesmo período.

Mas com os altos custos de produção dessa safra de soja, cerca de 8% a mais que da safra anterior, minimizar as perdas é essencial.

Veja a seguir 7 problemas na colheita da soja no MT e como solucioná-los para maximizar os ganhos na propriedade!

Desafios da colheita de soja no Mato Grosso em 2020

Recentemente, o preço da saca esteve acima dos R$ 70 e aumentou as expectativas de renda. Ainda mais em um ano em que o custo médio de produção ficou perto dos R$ 4 mil por hectare.

colheita de trigo no mato grosso

Evolução do percentual de área colhida de soja em Mato Grosso
(Fonte: Canal Rural)

Sendo assim, o desafio enfrentado pelo produtor são as perdas na colheita, que variam entre 5% e 10% no Brasil e até 15% em casos extremos. 

Contudo, podem ser reduzidas a 1% tomando os cuidados necessários. 

Essas perdas na colheita de soja estão ligadas principalmente às regulagens na colhedora, chegando a representar até 80%.

Já as perdas pela formação e manejo da lavoura representam no mínimo 20% das perdas totais. O ideal recomendado é que não ultrapassem 60 kg ou uma saca por hectare.

No estado do Mato Grosso, a colheita da safra de soja é sempre uma atividade feita com uma janela curta de tempo, seja devido à segunda safra de algodão ou milho, ou ainda, pelas condições climáticas.

Listamos aqui os principais problemas na colheita de soja no Mato Grosso e como ficar atento para evitá-los ou solucioná-los. Confira!

Perdas devidas ao manejo e formação da lavoura

1. Plantas baixas

Plantas com porte baixo (abaixo dos 60 cm) favorecem a formação de vagens e de hastes muito próximas ao solo. 

Isso aumenta as chances de perda por conta da altura de corte da plataforma e a quebra de ramos e de vagens.

Solução

Ficar atento à época de semeadura e à população de plantas. 

Semeaduras tardias tendem a diminuir o tempo de vegetação das plantas e o porte delas, assim como a baixa população de plantas favorece esse processo.

2. Acamamento

Plantas deitadas não são recolhidas pela máquina, causando uma das maiores perdas na colheita. 

O uso de cultivares e população de plantas não adequados à colheita mecanizada podem gerar e agravar esse problema.

Solução

Populações de plantas maiores que as recomendadas tendem a aumentar o porte da lavoura, levando ao acamamento. 

Dessa forma, a solução aqui é usar a população e as cultivares corretas para a sua região.

3. Preparo do solo

O preparo incorreto do solo bem como a abertura de novas áreas podem gerar um relevo acidentado. 

Acidentes de relevo geram problemas na plataforma de corte das colhedoras, principalmente nas que possuem plataforma fixa.

Solução

Os preparos físicos e químicos corretos do solo permitem o melhor desenvolvimento da planta e aumentam a performance da colhedora, diminuindo assim as perdas.

4. Plantas daninhas

Temos dois problemas neste tópico, um relacionado à competição com as daninhas no início do ciclo da soja, o que causa baixo porte de plantas e pode gerar várias dificuldades na colheita relacionadas à altura das plantas. 

Outro problema é referente à infestação tardia das daninhas na lavoura. 

Isso faz com que a umidade permaneça alta por mais tempo, prejudicando a velocidade da colheita, exigindo maior velocidade do cilindro trilhador e maior altura de corte da plataforma. 

Desta forma, aumenta-se o dano mecânico aos grãos e a incidência de fungos, além da perda de vagens colhidas com a maior altura da plataforma de corte.

Solução

A melhor solução para isto é a prevenção. 

Um estande bem formado de plantas, com palha no solo e um bom controle de daninhas diminuem e muito as chances de se ter problemas com o mato no final do ciclo. 

Mas em outro caso, uma última saída é o controle do mato com alguma aplicação adicional ou a dessecação da soja.

Colheita de Soja no Mato Grosso: Perdas durante o processo

5. Corte e alimentação da colhedora

Mau posicionamento do molinete e alta velocidade aumentam a debulha das vagens e acamamento das plantas, as que não são recolhidas. 

Assim, cortes realizados acima dos 12 cm aumentam as perdas totais em 9% a 12%.

Solução

O uso de molinete com garras diminui as perdas por impactos (debulha das vagens), assim como a velocidade correta de rotação. 

Quanto à plataforma de corte, o melhor ajuste em relação ao solo, com altura média de 9 cm a 12 cm, diminui a quantidade de grãos perdidos.

6. Colheita de soja no Mato Grosso: Trilha

Alta velocidade de colheita e do cilindro debulhador intensificam a quantidade de material no cilindro trilhador. 

Assim, consequentemente se aumenta o número de vagens não debulhadas. 

Já a baixa velocidade de colheita, sendo que a quantidade de material no cilindro é pequena, aumenta-se a chance de injúrias nos grãos.

Solução

A velocidade correta da colhedora diminui em grande parte as perdas na trilha, assim como a umidade correta dos grãos durante a colheita, já que diminui as chances de injúrias. 

colheita de soja no mato grosso

(Fonte: Mato Grosso Econômico)

7. Separação e Limpeza

Outro fator importante para a colheita de soja no Mato Grosso e em outros estados é que a velocidade excessiva do saca palhas, regulagem inadequada das peneiras e do ventilador também provocam perdas de grãos.

Solução

A velocidade correta do cilindro debulhador, que controla a palha que vai para o saca palhas, assim como a regulagem correta das peneiras e do ventilador reduzem as perdas na separação e limpeza dos grãos na colhedora.

Otimize a colheita de soja para evitar problemas

A performance da colheita da soja depende em grande parte do planejamento de todo o ciclo da lavoura. 

O momento da semeadura é de grande importância pois a população de plantas utilizada e a cultivar vão ditar o porte e a altura das vagens, o que influenciará diretamente nas perdas durante a colheita. 

Também devem ser levados em consideração a adubação correta e o manejo do solo, que influenciam diretamente nas perdas, como vimos acima. 

Com tudo isso em mente, sabe-se que o planejamento é o principal meio de diminuir as perdas na colheita.

Pensando nisso, com o uso de um software é possível acompanhar os históricos das áreas, planejar e criar alertar para aplicações e manutenção das máquinas. 

O software Aegro, por exemplo, possui todas as ferramentas para que os produtores possam planejar toda a safra, do plantio, caixa da fazenda, até a colheita!

Colheita Aegro

Planejamento e registro da atividade da colheita pelo aplicativo do software Aegro

planilha para estimativa de perdas na colheita Aegro

Conclusão

Neste texto, vimos onde acontecem as principais perdas na colheita de soja no Mato Grosso e em outras regiões. 

Mostramos também como o planejamento é fundamental para diminuir essas perdas que podem chegar em até 15% nas propriedades rurais.

A diminuição das perdas na colheita pode ser revertida sem o aumento dos gastos e isso impacta diretamente na lucratividade dentro da fazenda.

Dessa forma, o aumento dos lucros na propriedade eleva também a competitividade do setor frente ao mercado internacional, mostrando cada vez mais a grandeza do agro brasileiro.

Tem mais dúvidas quanto à colheita de soja no Mato Grosso? Quer compartilhar suas experiências com a gente? Deixe o seu comentário abaixo!

Qual a relação entre clima e agricultura?

Relação entre clima e agricultura: entenda a seguir sobre os principais fatores climáticos que influenciam nas nossas lavouras.

Não tem como falarmos de agricultura sem falar do clima. Quase tudo o que acontece no ambiente agrícola depende direta ou indiretamente dele.

É só analisar as práticas agrícolas de plantio e colheita, por exemplo. Só se realiza o plantio se houver condições climáticas ideais para aquela cultura se desenvolver. 

Já quando falamos de colheita de campos de produção de soja ou milho, o ideal é que no final do ciclo não haja oscilações na umidade do grão. Isso é mais garantido quando essa etapa coincide com épocas mais secas.

Veja neste artigo a relação entre clima e agricultura no plantio e na colheita, além dos impactos das mudanças climáticas e ferramentas para um planejamento agrícola de precisão.

Como o clima pode interferir na atividade agrícola?

O clima é fundamental para a agricultura, pois dele dependem a maioria das práticas agrícolas.

Um dos principais fatores que são influenciados pelo clima é o zoneamento agrícola. Todas as culturas possuem um para a sua produção.

Em um zoneamento agrícola são levados em consideração o clima, o solo e o ciclo das cultivares a fim de definir os riscos climáticos envolvidos na condução das lavouras que podem ocasionar perdas na produção agrícola. 

A temperatura e a umidade são os fatores que mais podem afetar a produtividade das lavouras. 

Isso porque cada cultura tem uma condição específica na qual se desenvolve melhor e, que não depende apenas da estação do ano mais adequada para aquele cultivo, mas sim da temperatura e precipitação mais favoráveis.

Assim, é muito importante saber relacionar os dados que temos em mãos, para tomar a melhor decisão sobre os tratos culturais como plantio, irrigação e a colheita.

Zarc Embrapa

Zoneamento agrícola da cultura de milho realizado pela ferramenta Zarc
(Fonte: Embrapa)

Relação entre clima e agricultura: Clima ideal para plantio

Como vimos, cada cultura tem uma condição ideal para que sua germinação, emergência e desenvolvimento ocorram da melhor forma possível.

Para o milho, por exemplo, a melhor temperatura para germinação está entre 32 e 35°C, já para a soja, esta temperatura é de 32°C

Lembre-se que temperatura e umidade são fundamentais para a germinação das sementes, pois quanto mais tempo demorar para a semente germinar, mais sujeita ela estará a condições adversas.

A soja se desenvolve melhor em regiões onde as temperaturas ficam entre 20 e 30ºC, com temperatura ideal para o desenvolvimento em torno de 30°C. 

Já, quando pensamos nas exigências hídricas das culturas, nos referimos à quantidade de água que a cultura precisa durante todo o seu ciclo.

Para soja, por exemplo, a demanda hídrica fica entre 450 e 850 mm, dependendo das variações do clima. Para a cultura do milho, este valor fica ao redor de 650 mm.

Vale lembrar que a quantidade de água é importante, porém, ela precisa acontecer nas épocas adequadas, de acordo com a exigência da cultura.

>> Leia mais: “Como ocorre e quais os efeitos do estresse hídrico nas plantas”

Relação entre clima e agricultura: Clima ideal para colheita

A colheita de grãos como a soja e o milho deve ocorrer na época adequada.

O principal fator que leva a perdas nestas culturas é a umidade do grão. Em soja, os grãos devem ser colhidos com umidade entre 13% a 15%.

Entendemos esse fator como o ponto de colheita ideal, pois a partir deste momento os grãos estarão sujeitos a perdas. 

Caso seu objetivo seja a produção de sementes de soja, este fator é ainda mais importante, pois a partir do momento que se atinge a maturidade fisiológica e que o ponto de colheita é alcançado, as sementes ficam sujeitas às adversidades do clima, o que pode reduzir viabilidade e vigor.

Assim, em torno de 15 dias antes da colheita, comece a monitorar a umidade da semente e quando atingir 15% você já pode iniciar.

Para a colheita, dê preferência ao período da manhã, pois é quando se tem temperaturas mais amenas e a umidade do ar mais elevada, ajudando a reduzir as perdas.

Como a seca interfere na agricultura

A falta ou excesso de água prejudicam todas as culturas. Porque assim como vimos, cada etapa da cultura necessita de uma quantidade de água ideal.

A água é um fator fundamental em todas as etapas, desde a germinação até a maturação das sementes.

A falta do recurso natural no início do plantio pode afetar a germinação das sementes, pois a quantidade deve ser suficiente para todo o processo de embebição, ativação da respiração, indução do crescimento e protrusão da raiz primária. 

Por outro lado, a falta de água durante o desenvolvimento da planta reduz a área foliar, a taxa fotossintética, que por consequência leva a um menor acúmulo de fotoassimilados e ao menor desenvolvimento das sementes. 

Como resultado, a ocorrência de seca durante o florescimento das culturas leva à redução do número de sementes.

Impacto das mudanças climáticas na agricultura

Alguns estudos já foram e outros estão sendo realizados para analisar os impactos econômicos das mudanças climáticas na agricultura.

Esses estudos mostram a redução de produtividade das principais culturas afetadas pelo aumento da temperatura ou alteração no ciclo da água.

No caso do milho, o principal fator é o menor período para o enchimento dos grãos. Já no caso da soja, as perdas são relacionadas ao menor ciclo de cultivo, reduzindo também o período de enchimento de grãos.

Veja nas tabelas abaixo o impacto das mudanças climáticas nas atuais áreas de “baixo risco” adequadas ao cultivo.

relação entre clima e agricultura

RECE – Relatório Especial sobre os Cenários de Emissões
(Fonte: Margulis et al., 2010)

relação entre clima e agricultura

(Fonte: Banco Mundial)

Planejamento climático de precisão

Depois de tudo que vimos neste artigo, sabemos como é importante fazer o planejamento da lavoura levando em consideração as condições climáticas.

Para isso, deve-se alinhar cada vez mais o clima com a agricultura, contando com ferramentas que auxiliem na tomada de decisão.

Hoje, já é possível ter acesso a diversas informações sobre o clima de sua propriedade. Você pode usar diversos aplicativos para isso, como por exemplo, o Aegro que é integrado com o Climatempo. 

No software de gestão rural, além de ter o controle das operações da fazenda, é possível ter acesso aos seguintes dados meteorológicos:

  • Previsões de 24h (temperatura, velocidade e direção do vento);
  • Previsões de 15 dias (janela de pulverização, temperatura, probabilidade e precipitação de chuva, umidade e evapotranspiração, vento e rajada);
  • Históricos de 1 mês (pluviométrico, precipitação e precipitação acumulada).
Integração Climatempo Aegro

Com essa integração do Aegro, é possível gerar uma série de relatórios

checklist planejamento agrícola Aegro

Conclusão

Durante o texto, você pode acompanhar as principais relações entre o clima e a agricultura.

Vimos que as condições climáticas afetam as práticas culturais e como mudanças climáticas poderão causar prejuízos dependendo da cultura. 

Cada vez mais o planejamento da lavoura é essencial, passamos da fase de estações ideais para o plantio e agora a análise de cada dado coletado é fundamental para as tomadas de decisão. 

>> Leia mais:

Como prevenir a perda de grãos por geada

“A influência da lua na agricultura: verdades e mitos”

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Trigo: o que você precisa saber sobre a produção da cultura

Atualizado em 06 de junho de 2022.

Trigo: entenda os pontos principais da produção, sua origem, características, ciclo, classificações, diferentes tipos e mais!

O trigo (Triticum aestivum L, Triticale sp, Triticum durum) é uma gramínea pertencente à família Poaceae, sendo cultivado em todo o mundo. É a segunda maior cultura de cereais, ficando atrás do milho e à frente do arroz.

Seu grão é utilizado amplamente na alimentação humana, desde a farinha de trigo para o pão até como ingrediente na fabricação de cervejas. Além disso, também compõe a alimentação animal.

Hoje, a cultura do trigo ocupa 20% da área cultivada mundial e a produção gira em torno de 500 milhões de toneladas por ano. 

Neste artigo, entenda as classificações e tipos, além de aspectos importantes da produção desse cereal. Acompanhe!

Origem do trigo

O trigo é uma cultura de grande importância econômica e alimentícia, fazendo parte da dieta de grande parte da população mundial. Além de ser uma fonte de energia (carboidrato), é rica em vitaminas e minerais essenciais como do complexo B, potássio, magnésio e fósforo.

É uma gramínea originada e domesticada no Médio Oriente, mais especificamente no “Crescente Fértil”, zona geográfica que abarca o trecho africano e asiático do local (antiga Mesopotâmia).

Essa cultura é

Inicialmente, era consumido em grãos, em uma espécie de papa, junto a peixe e frutas. Por volta de 4.000 a.C., o processo de fermentação do trigo foi descoberto, dando origem aos primeiros pães.

Da Mesopotâmia, espalhou-se pelo mundo, com relatos de que, por volta de 2.000 a.C, os chineses já utilizam o trigo para produção de farinha, pães, macarrão. De lá chegou à Europa e depois à América.

O trigo no Brasil chegou provavelmente em 1534, com Martim Afonso de Souza, que o introduziu em uma região que hoje é parte de São Paulo.

Produção de trigo no Brasil

Para a safra 2021/2022, a produção de trigo no Brasil está estimada em 8,1 milhões de toneladas, um aumento de 5,9% em relação à safra passada, segundo dados da Conab. Já a importação de trigo deve chegar a 6,5 milhões de toneladas.

No Brasil, as principais áreas de cultivo de trigo são o Rio Grande do Sul e o Paraná, tanto em área quanto em volume de produção. O tamanho da área plantada no país todo deve crescer em torno de 3%, com 2,8 milhões de hectares produtivos, ainda conforme a Conab. 

A produção do trigo brasileiro começou em São Paulo, mas aos poucos foi migrando para a região Sul. Atualmente, São Paulo é o terceiro maior produtor do Brasil.

Regiões produtoras de trigo no Brasil

(Fonte: Conab)

Nos últimos anos, o Cerrado vem crescendo na produção do trigo. Isso tem acontecido devido a pesquisas desenvolvidas pela Embrapa, tanto para cultivo irrigado quanto em sequeiro.

A cotação de preço do trigo, com base no Paraná e Rio Grande do Sul, pode ser acompanhada diretamente pelo site do Cepea e pela tabela abaixo:

Importação: de onde vem o trigo consumido no Brasil

A maior parte do trigo importado para o Brasil vem da Argentina, principalmente devido à melhor qualidade dos grãos produzidos. Eles são mais adequados para a fabricação de pães.

Isso acontece porque o Brasil, com toda sua extensão agrícola, não consegue produzir trigo para suprir a demanda interna. Essa incapacidade é devida a dois principais fatores: produção nacional e qualidade industrial para panificação.

A produção nacional atende apenas parte da demanda interna, cerca de 8 milhões de toneladas. Porém, o consumo nacional está acima de 12 milhões de toneladas. Por isso, o Brasil ainda importa cerca de 6,5 milhões de toneladas.

Porcentagem de trigo nacional e importado

(Fonte: Abitrigo)

A produção nacional caminha para produzir a quantidade consumida internamente. Aliada a isso, está a melhora na qualidade do trigo produzido.

Através de estudos e investimentos, a Embrapa vem desenvolvendo novas cultivares de trigo para a região do Cerrado brasileiro. Estas cultivares apresentam bom desempenho em campo.

Associadas a um ambiente de cultivo favorável, as cultivares produzem grãos com ótima qualidade industrial. Além disso, possuem grão melhorador, elevada força de glúten e estabilidade na produção. Esses são fatores importantes para a  indústria de panificação.

Acredita-se que a produtividade média de alguns materiais possa ser em média 70 sacas por hectare.

Características do trigo

As plantas de trigo têm folhas finas, planas e compridas. Elas são ligeiramente ásperas, com bainha invaginante, e sua quantidade pode variar entre 6 e 9. O fruto (ou grão) é oval, entumecido e tenro.

As raízes da planta são fasciculadas, e podem atingir até 1,5 m. Os colmos são eretos e cilíndricos, com 5 a 7 nós. Além disso, há a presença de perfilhos que nascem paralelos à base principal da planta.

A inflorescência é uma espiga composta, formada por 15 a 20 espiguetas alternadas, cada uma com 2 ou 3 grãos. Essas espiguetas são formadas por um conjunto de 3 a 5 flores. Vale lembrar que não são todas as flores que se tornam frutos.

Estrutura da planta  em ilustração.

Exemplo de uma planta de trigo

(Fonte: Adaptado de UFSM)

Benefícios do trigo

O trigo é um carboidrato altamente energético para o corpo. Proteínas, gordura, fibra e minerais também estão presentes na composição do trigo. Há minerais presentes nos grãos, como o fósforo, cálcio, ferro e vitaminas como B1 e B2.

Beneficios nutricionais do trigo (grão, germe e farinha)

(Fonte: adaptação da autora)

Existe uma série de benefícios nutricionais do trigo, e esses benefícios variam conforme a forma do cereal. Veja mais detalhes:

  • Grãos: são ricos em uma substância denominada lignana, que auxiliam no fortalecimento do sistema imunológico;
  • Gérmen: apresenta minerais como zinco, cálcio e vitaminas como ácido fólico e vitamina E, que ajudam a combater os radicais livres e na metabolizar glicose, além de auxiliar no sistema circulatório;
  • Farelo: rico em fibras que ajudam no funcionamento do intestino;
  • Farinha integral: com a presença de fibra e proteína, seu consumo auxilia na digestão e no ganho de massa muscular;
  • Farinha branca: por retirar a casca e o gérmen, é um alimento pobre em vitaminas e fibras, mas fornece energia para o corpo de forma rápida.

Tipos de trigo

O trigo pode ser classificado de acordo com 4 aspectos: espécie, época de plantio, dureza dos grãos e tipo de farinha.

Quanto à época de plantio, podemos classificar em cultivares de inverno (que necessitam de mais horas de frio) e cultivares de primavera.

Quanto à dureza, classifica-se em trigo duro (com grãos de amido que não quebram na moagem) e mole (com grãos de amido que quebram durante a moagem).

Também temos classes de trigo e farinha, que variam em sua utilização e valor nutricional. 

No Brasil, a farinha industrial é a mais vendida, principalmente para padarias e supermercados.

A qualidade do trigo e das farinhas é regulamentada pela instrução normativa nº 38 de 2010. Dentre os parâmetros avaliados estão: glúten, cor, dureza, número de queda, absorção, peso hectolítrico e tipo.

Dessa forma, o trigo é dividido em tipos para comercialização, como mostra a figura abaixo. 

Ilustração que mostra os diferentes tipos de trigo, divididos em tipos de comercialização.

Tipos de trigos – Anexo IV – IN 38

(Fonte: Adaptado da cartilha “O triticultor e o mercado”)

Existem três tipos principais de trigo: Triticum aestivum L, Triticum turgidum L e Triticum monococcum L. O nome da planta de trigo é Triticum spp. Por meio da evolução e domesticação foram surgindo outras espécies.

A hibridização e a seleção pelas pessoas originou a espécie de trigo mais utilizada hoje: Triticum aestivum L. ou trigo comum. Veja um pouco mais sobre essas espécies:

Trigo comum – Triticum aestivum L 

É a espécie mais cultivada no mundo, representando 80% da produção mundial. No Brasil não é diferente.  É utilizada, principalmente, para a fabricação de pães. 

Outra espécie bem semelhante à espécie comum é o T. compactum – ou trigo clube – bastante usado na fabricação de bolos e bolachas não crocante, pois possui menos glúten.

Para produzir o trigo mais consumido, é feito um processo de moagem. Na moagem, o endorsperma do grão é retirado, e dele é originada a farinha branca. Esse endosperma representa 75% do trigo.

Trigo Durum – Triticum turgidum L

A espécie tem alto conteúdo de glúten e por isso confere maior firmeza após o cozimento.  

É ele que dá origem à semolina (resultado da moagem incompleta de cereais).  Esse tipo é indicado para massas, triguilho e cuscuz, além de alguns pães.

Trigo Einkorn – Triticum monococcum L 

Considerado como uma espécie ancestral, pode ter dado origem às espécies cultivadas. 

Embora ainda seja cultivado em regiões específicas do mundo, essa espécie tem despertado interesse por produzir um glúten menos alergênico e seria uma alternativa para os celíacos. 

Plantio de trigo

Para a região Sul, principal produtora, o plantio deve ocorrer entre abril e agosto, dependendo do estado. Na região Sudeste, a janela é mais restrita: entre março e maio.

O plantio deve seguir as recomendações do zoneamento agroclimático para a cultura. Este zoneamento considera alguns aspectos importantes para o melhor desempenho da cultura, entre eles as condições climáticas.

As plantas de trigo, por via de regra, se desenvolvem melhor entre 15 ℃ a 20 ℃ . A umidade também é um fator importante, com disponibilidade hídrica que pode variar de 120 mm no início do desenvolvimento até 40 mm nos meses de perfilhamento e espigamento.

Vale ressaltar que as condições climáticas e tipo de solo são fatores que interferem diretamente no desenvolvimento das plantas. Por isso ocorre variação de época de plantio e de colheita.

Calendário de plantio de trigo por região do Brasil

Calendário de plantio e colheita do trigo

(Fonte: Adaptado de Conab)

Quando tempo dura o ciclo do trigo 

O ciclo de produção do trigo pode durar, em média, de 100 a 170 dias. Essa variação é devida a cultivar empregada e as condições edafoclimáticas (clima e solo).

Cada fase do desenvolvimento tem uma faixa ideal de temperatura. A variação pode definir a rapidez do ciclo, por exemplo, bem como a passagem de um estádio para outro

Além disso, durante o ciclo, a adubação é essencial. A ureia agrícola é um dos principais fertilizantes utilizados no trigo. Afinal, a ureia é um dos adubos nitrogenados disponível com menor custo.

Ilustração das fases do desenvolvimento do cereal

Estádios de desenvolvimento de cereais conforme a escala de Feekes (1940)

(Fonte: Livro “Trigo: do plantio à colheita”)

De modo geral, o ciclo de produção do trigo acontece em cinco fases:

  • Germinação e crescimento da plântula: nesta fase, a quantidade de água no solo tem que ser adequada para que a semente consiga iniciar os processos metabólicos. Esses processos darão origem à radícula, parte aérea das plantas, e primeiras folhas;
  • Afilhamento: após a abertura das folhas, começa o processo de perfilhamento. Os perfilhos/afilhos nascem em quantidade variável dentre as cultivares;
  • Alongamento: os nós dos colmos se tornam visíveis nesta fase, as plantas crescem e adquirem mais folhas (formação da folha bandeira, a última da planta). Com o final desta fase, termina o período vegetativo com o “emborrachamento”;
  • Espigamento: esta fase inicia no surgimento total da espiga até o enchimento dos grãos, passando pela floração e frutificação;
  • Maturação: a fase final se dá pela maturação dos grãos, que inicialmente estão no estado de grão leitoso, depois de grão em massa e por último grão maduro, pronto para colheita.

Colheita 

A colheita do trigo ocorre entre agosto e dezembro e pode ser feita com colheitadeiras que colhem e já descascam o grão em simultâneo, deixando-os prontos para o transporte e armazenamento. Ela acontece cerca de 110 a 120 dias após o plantio.

Para que a colheita possa acontecer, o teor de umidade dos grãos deve estar entre 15% e 13%. Além disso, a espiga deve estar dobrando, os grãos devem estar duros e as plantas, amareladas.

Conclusão

Embora não seja produzido em todo país, o trigo é consumido por quase todo território nacional, portanto, a demanda interna não é suprida pela produção. Assim, importamos boa parte do que é consumido por aqui.

Neste artigo, você entendeu melhor as especificidades da cultura e alguns cuidados relacionados à plantação de trigo.

Quanto à questão agrícola, a escolha das cultivares adequadas e um bom manejo contribuem para uma boa produção e um produto de qualidade. 

Escolha bem e faça um bom planejamento agrícola antes de iniciar esse cultivo!

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O que você precisa saber para fazer a melhor aplicação de 2,4 D em trigo

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Tudo que você precisa saber sobre as plantas daninhas do trigo

Restou alguma dúvida sobre o trigo? Deixe nos comentários abaixo que responderemos para você. Grande abraço!

Foto da redatora Carina, no meio de uma plantação

Atualizado em 06 de junho de 2022, por Carina Oliveira.

Carina é engenheira-agrônoma formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), mestre em Sistemas de Produção (Unesp), e doutora em Fitotecnia pela Esalq-USP.

Soja convencional: Uma opção para aumentar sua rentabilidade

Soja convencional: veja características, vantagens, diferenças de outras cultivares, mercado e resultado produtivo para sua lavoura. 

A estimativa do Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária) indica que 8% do total de soja produzida no Mato Grosso é convencional, do total de 33 milhões de toneladas produzidos no estado.

Isso porque utilizar cultivares convencionais contribui na rotação de produtos para o controle de plantas daninhas, além de ter um custo de produção mais baixo.

E sobre o portfólio de cultivares, as convencionais apresentam bons resultados produtivos e um mercado cada vez mais em ascensão para bonificações diferenciadas.

Neste artigo vou compartilhar as vantagens da soja convencional e os diferenciais dessas cultivares disponíveis no mercado. Confira a seguir!

Características da soja convencional

Uma das decisões mais importantes no planejamento da safra com certeza é a cultivar. 

E para essa escolha, a proporção continental do Brasil interfere bastante nessa decisão. Sendo que as regiões com condições climáticas tão distintas do país necessitam de cultivares diferentes, que possam apresentar bons resultados produtivos. 

São dois os tipos principais de cultivares disponíveis, as convencionais e as transgênicas

A soja convencional conta com uma tecnologia intrínseca, ou seja, sem modificação por melhoramento genético, possui tecnologia natural como ferramenta de manejo de alta resistência a doenças e alto potencial produtivo, além de também ter produtividade competitiva.

Já a soja transgênica possui alto potencial produtivo e as principais são a RR, resistente ao glifosato, e a IPRO que também possui tolerância ao glifosato e a alguns insetos como as lagartas. 

Entre os benefícios, as cultivares convencionais contribuem na manutenção da biodiversidade e, se em conjunto com a aplicação de manejo integrado, para uma maior conservação do meio ambiente. 

Além disso, atua na rotação de cultivares evitando o desenvolvimento de resistências a doenças e plantas daninhas.

Mas para isso, a qualidade da semente é importante. 

Então, lembre-se: uma semente certificada é sua melhor garantia de qualidade em atributos fisiológicos, físicos, sanitários e genéticos. 

Saiba um pouco mais no artigo Semente de soja: Principais cuidados e novas tecnologias para fazer a melhor escolha

soja convencional

(Fonte: Página Rural)

Vantagens da Soja Convencional

A cultivar deve atuar como uma ferramenta que auxilia no manejo da lavoura e, no caso das cultivares convencionais, você pode rotacionar os produtos fitossanitários de controle de plantas daninhas e pragas agrícolas. 

Além da vantagem de diminuir os custos da lavoura com o pagamento de royalties, existe a possibilidade de bonificação para esse tipo de produto, que vamos falar mais adiante. 

Mesmo não passando por um processo de melhoramento biotecnológico, como uma transgenia, os resultados de desempenho agronômico das cultivares convencionais também são competitivos.

Como exemplo, trabalhei com o teste de 13 cultivares e muitos pontos importantes foram considerados e revelados no resultado produtivo da cultivar. 

Os principais que são válidos considerar em características agronômicas:

  • Projeção de produtividade e estabilidade;
  • Grupo de maturação; 
  • Tolerância e resistência a doenças;
  • População;
  • Época de semeadura;
  • População recomendada. 

Para comparar essas cultivares e verificar as vantagens e desvantagens, foram utilizadas parcelas com o objetivo de avaliar o desempenho de cada uma, lado a lado.

Assim, foi possível verificar os dados dos vendedores de características agronômicas, descrição da semente, pacote sanitário, populações e data de semeadura de cada variedade. 

A partir daí, selecionamos as cultivares com alta adaptabilidade, média adaptabilidade e não recomendadas.

Entre os principais critérios foram considerados produtividade e estabilidade, tolerância a doenças, grupo de maturação, composição e altura do grão – que são as principais características varietais que devem ser ponderadas, engalhamento, acamamento, ciclo e nós viáveis. 

Com os resultados de desempenho agronômico deste teste foi decidido qual das cultivares seria colocada no próximo ano em uma parcela de hectares e, caso os resultados na próxima safra fossem mantidos, seria plantada em um grande talhão. 

Esse procedimento garantiu confiabilidade da adaptação e do desempenho da cultivar em nossas condições.

Diferenças entre soja convencional, Intacta e soja RR

Somente a partir de 2005 que a produção de soja transgênica foi liberada no Brasil. 

Nas cultivares transgênicas como RR ou IPRO (soja Intacta) são utilizados produtos do grupo dos glifosatos no manejo fitossanitário. 

Agora nas cultivares convencionais, você terá que utilizar produtos para folhas largas e produtos para folhas estreitas, sendo que isso pode ser uma grande vantagem.

Se considerarmos que 25% das perdas nas lavouras são por conta das plantas daninhas que estão apresentando mais resistência, a utilização de outros tipos de produtos fitossanitários vão auxiliar no manejo integrado. 

A mudança do manejo fitossanitário pode contribuir e muito com os resultados da sua área.

Como essas cultivares interferem nos resultados

Os resultados produtivos são iguais aos das cultivares transgênicas no quesito produtividade. As cultivares convencionais também são resistentes a nematoides como os cistos – que são mais comuns em áreas arenosas.

Veja esta lista de cultivares disponíveis no mercado que você pode verificar as recomendações agronômicas para a sua região:

  • BRS 7980 da Embrapa;
  • Cultivar BRS 8381 da Embrapa;
  • BRS 8581 da Embrapa;
  • BR 284 da Embrapa;
  • Brs 6680 da Embrapa;
  • 4182 da Amaggi/TMG;
  • ANsc83 022 da Agronorte; 
  • BRS pintado da Amaggi;
  • TMG 4185 da TMG;
  • W870 (Bayer) do Agrobom;
  • Msoy 8757 da Monsoy;
  • M 8866 da Monsoy;
  • FTS 4188 CV da FT.

Você também pode verificar as opções de cultivares de soja convencional no site da Embrapa, de acordo com sua localização. 

soja convencional

Cultivares por Região Edafoclimática (REC)
(Fonte: Embrapa Soja) 

Mercado da soja convencional

O mercado tem aumentado a demanda por soja convencional. Existem tendências que os animais na União Européia sejam alimentados exclusivamente com grãos não geneticamente modificados, segundo o relatório do Global Protein Ingredients.

Também há iniciativas como o Programa Soja Livre, uma parceria da Aprosoja Mato Grosso e da Embrapa para o fortalecimento e o desenvolvimento do mercado para a soja. O objetivo é que os produtores tenham poder de escolha por meio de conteúdos e dias de campo para repassar informações sobre as tecnologias das cultivares convencionais. 

Assim como o Centro de Difusão e Aprendizagem (CAD) – Parecis que tem promovido mostras dos campos experimentais com as sojas convencionais.  

A venda como soja convencional e sua bonificação é condicionada a todo o cuidado realizado durante o manejo, pois não é permitido a contaminação por soja transgênica.

Por isso, as práticas de limpeza do maquinário desde a plantadeira, colheitadeira e caminhões é muito importante.  

Vale lembrar que boas práticas tecnológicas como a inoculação e o manejo integrado de pragas fazem toda a diferença nos seus resultados produtivos.

planilha de produtividade da soja

Conclusão

As cultivares convencionais podem proporcionar um maior valor agregado ao produto e também contribuir em um manejo mais integrado da sua lavoura pela rotação de produtos.

Os custos de produção são altos e, por isso, vimos que realizar a escolha de uma cultivar que tenha alta produção e estabilidade é fundamental. 

O grande diferencial sempre é a compatibilidade de diferentes táticas para o sucesso da lavoura. 

E você, qual cultivar de soja convencional utiliza na sua lavoura? Ficou com dúvidas? Deixe o seu comentário abaixo. 

Software para produtor rural: entenda por que você precisa de um

Software para produtor rural: veja quais desafios podem ser solucionados com a tecnologia, as vantagens e dicas de como escolher o ideal.

Todos sabem que as fazendas, atualmente, são verdadeiras empresas. E assim como as empresas, as fazendas também necessitam de gestão.

Com o avanço da tecnologia, os softwares estão cada dia mais completos e, com a integração de diversos sistemas, eles podem ajudar e muito na parte organizacional da propriedade rural.

Diferente de uma planilha de Excel, o software para produtor rural permite gerar relatórios das atividades e com isso tomar decisões mais assertivas. Também é possível acessar e acompanhar as informações de qualquer lugar do planeta, agilizando diversos processos.

Então, veja neste artigo como os softwares auxiliam no dia a dia do campo e o que já é possível de ser realizado nesses programas. Confira!

Quais os desafios da gestão de uma fazenda?

Quem está à frente das atividades de uma fazenda agrícola, conhece muito bem os centenas de afazeres que são realizados todos os dias.

As fazendas são verdadeiros negócios e os processos operacionais não são diferentes daqueles que encontramos em outras empresas.

Veja algumas das diversas atividades que os gestores se deparam dentro das propriedades rurais:

  • Margem de lucro apertada: as despesas e receitas, assim como o fluxo de caixa devem ser avaliados a todo minuto e frente às baixas margens, pensando sempre em otimizar custos, uma vez que os produtos agrícolas são commodities e as variações comerciais regidas pelo mercado mundial;
  • Controle de estoque: reposição de centenas de produtos e controle de entradas e saídas, em quantidades grandes, o que torna difícil o controle efetivo de cada item;
  • Planejamento de safra: planejamento agrícola, escolha da melhor variedade, época de semeadura, escolha dos talhões a semear primeiro, maquinário a ser utilizado, pessoal envolvido, etc;
  • Gestão da frota: saber os custos realizados de centenas de máquinas, veículos, tratores, colhedoras, transbordo, tempo de reparos, manutenção, substituição de peças, entre outros fatores; 
  • Falta de tempo: o tempo é o fator mais crítico e acaba sendo um dos maiores desafios quando se tem outras atividades na fazenda a serem planejadas, como exemplo: negociação da safra, gestão de funcionários, gestão da frota, chuvas na colheita e no plantio, entre outras atividades presentes no campo.

Frente a estes e mais outros inúmeros desafios presentes no campo, a organização de todo o material da propriedade é essencial para o sucesso da empresa agrícola.

Assim, se não temos os dados tabulados e analisados, as decisões tomadas com pouco embasamento pode levar a fazenda ao fracasso. 

Lembre-se: Enquanto se insiste em trabalhar com base no “achismo” e na subjetividade, a otimização dos processos se torna inatingível.

software para produtor rural

Como um software para produtor rural pode ajudar?

Com o avanço da conectividade e facilidade de integração dos dados, um software de gestão pode ajudar o produtor a ter informações na palma da mão e em tempo real sobre a propriedade rural.

Muitos produtores ficam em dúvida se migram para softwares ou se continuam usando planilhas eletrônicas como o excel.

Um dos pontos que acho importante citar, é que o sistema diminui o tempo que o produtor gasta preenchendo planilhas, visto que esses aplicativos são pensados e programados para serem intuitivos e fáceis de usar.

Além disso, as chances de acontecerem erros no preenchimento dentro do software são pequenas, pois o programa integra diferentes tipos de controles, como por exemplo: uso de insumos com a administração de estoque.

O registro das atividades, bem como dos produtos, variedades e insumos aplicados em cada talhão, podem auxiliar em decisões futuras como a repetição dos procedimentos operacionais nos mesmos locais ou para analisar melhores cenários.

Além da facilidade no uso e organização de todas as informações em um único local, um software pode ajudar profissionais a tomarem decisões mais assertivas.

Isso porque um software agrícola realiza os registros operacionais, financeiros e agronômicos da fazenda, facilitando a visualização desses dados por qualquer pessoa com acesso, além de auxiliar na administração rural da fazenda.

Essa otimização de processos, de acordo com as atividades realizadas, mão de obra empregada, custos de produção agrícola de cada talhão, gestão de estoque, agendamento de manutenções de máquinas, entre outros, facilita a tomada de decisão.

Desta forma, a organização da fazenda em um software rural permite que seja mais simples a sucessão de processos e relatórios a funcionários novos.

Confira como o produtor de soja Fernando economizou pelo menos 5% em custos da safra com gestão tecnológica da fazenda, acesse aqui.

Como escolher o melhor software para produtor rural?

Evidentemente não existe um software que atenderá todas as necessidades dos produtores rurais.

Porém, os sistemas presentes no mercado podem ser personalizados para cada usuário, de acordo com as principais necessidades.

O ideal é que na escolha do seu software rural ele seja baseado em nuvem, ou seja, seus dados estejam armazenados na rede e não apenas no notebook ou no celular, assim pode ser acessado de qualquer dispositivo.

gestão agrícola com Aegro

Sempre que esses dados forem armazenados em nuvem, tem-se a segurança de que não perderá os arquivos com o furto de equipamentos ou quebra do computador/tablet.

Outro ponto a se atentar: é vital que o software seja simples e intuitivo, uma vez que deverá ser usado por diferentes pessoas (gestores, funcionários, diretores e todo o pessoal da fazenda).

Alguns softwares oferecidos pelas revendas são baseados no uso de seus próprios produtos e costumam ser mais travados em questão de integração com outras plataformas.

Estes possuem, geralmente, recursos limitados a apenas algumas áreas da gestão e costumam ter maiores focos agronômicos com pouca possibilidade de geração de relatórios mais completos.

Por isso, é preciso ter cuidado na utilização de softwares específicos e focados em cada atividade da fazenda, para que não seja preciso dezenas de programas para a criação de relatórios individualizados para cada operação.

Assim, o sistema a ser escolhido deve ser passível de integração com outros sistemas que são utilizados na fazenda.

Além de que o software para produtor rural ideal deve permitir consulta do histórico de informações cadastradas e geração de relatórios completos, sendo que uma análise criteriosa pode ser a diferença entre sucessos e fracassos futuros.

Software Aegro para gestão das fazendas

Uma boa opção é o software Aegro, desenvolvido e pensado justamente para uma gestão mais simples e eficaz das propriedades agrícolas.

O Aegro é baseado em nuvem, com acesso offline e capacidade de integração com outros sistemas da propriedade, além de ser intuitivo e capaz de gerar relatórios que servirão para otimização dos processos dentro das fazendas.

Alguns pontos que podem auxiliar no controle rural são:

Gestão de Patrimônio e Máquinas

  • Controle de combustível e peças
  • Indicadores de desempenho
  • Manutenções preventivas
  • Histórico de atividades
Gestão de maquinário no Aegro

Operações Agrícolas

  • Mapeamento dos talhões
  • Planejamento da safra
  • Planejamento e realização de atividades
  • Controle dos custos da safra e dos talhões
  • Resultados da safra e dos talhões

Gestão financeira e comercialização

  • Fluxo de caixa e extrato
  • Controle de múltiplas contas bancárias
  • Conciliação de extrato bancário por arquivo OFX
  • Contas a pagar e contas a receber
  • Apropriação de custos
  • Gestão de estoque
  • Gestão da produção e armazenamento
  • Controle de vendas
  • Emissão de Nota Fiscal Eletrônica de venda e remessa de produção
  • Integração para cotação de seguros agrícolas 
  • Solução para obrigatoriedade do LCDPR

Monitoramento Integrado de Pragas

  • Monitoramento de pragas
  • Mapa de incidência de pragas e nível de controle
  • Catálogo de pragas e nível de controle
  • Operação de monitoramento via aplicativo agrícola de celular
  • Especial para a cultura do algodão: Armadilhamento para o bicudo-do-algodão, inclusive nas bordaduras

É possível testar o sistema de gestão agrícola Aegro de forma gratuita, por meio de:

Conclusão

Os softwares agrícolas auxiliam na agilidade das tarefas do campo e diferente de uma planilha eletrônica, possibilita a geração de relatórios padronizados que servirão como norteadores de otimização dos processos.

Desta forma, o armazenamento das informações em nuvem facilita o acesso dos dados a todo o pessoal da fazenda, em tempo real, e ainda garante a segurança dos dados ao longo do tempo.

Assim, é evidente que os softwares trazem inúmeros benefícios aos gestores rurais, porém, cabe a cada um escolher aquele que mais se enquadra em seu modelo operacional.

Com a utilização de um software agrícola, as transações de gestores e funcionários ficam facilitadas, uma vez que os campos para preenchimento são pré-definidos e não dependem de planilhas formatadas por cada gestor que venha trabalhar na propriedade. 

Você utiliza algum sistema de gestão em sua propriedade rural? Conhece outros benefícios de software para produtor rural não citados? Restou alguma dúvida? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Como fazer o preparo do solo para plantio de trigo

Preparo do solo para plantio de trigo: escolha da cultivar, melhor época de semeadura, preparo do solo e rotação de culturas.

O trigo é um importante cereal cultivado em todo o mundo, com produção de 735 milhões de toneladas em 2018 (segundo a FAO). 

Já no Brasil, em 2019 a produção alcançou 5,2 milhões de toneladas (dados do IBGE).

Assim, para ter uma alta produção nessa cultura tudo começa com um bom preparo do solo para o plantio.

Por isso, preparamos este texto para te auxiliar com esta prática agrícola e com o seu planejamento na cultura do trigo. Confira!

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Qual cultivar de trigo plantar e a melhor época de plantio?

No Brasil, a produção de trigo está concentrada na região Sul, mas o Cerrado também está produzindo trigo na Bahia, Minas Gerais, Distrito Federal e Goiás.

Assim, a produção de trigo nos estados brasileiros na safra de 2019, segundo o IBGE, foi de 4,5 milhões de toneladas no Sul do país, 505 mil toneladas no Sudeste, 30 mil no Nordeste e 138 mil no Centro-Oeste. 

Falando em cultivares de trigo, estão sendo desenvolvidas novas adaptadas ao clima de cada região. E para realizar a melhor escolha se atente em:

  • Indicação de produção;
  • Alto desempenho no campo e produtividade;
  • Resistência à doença
  • Indicação da cultivar de acordo com o sistema de produção; 
  • Fertilidade do solo
  • Época de semeadura;
  • Entre outros fatores.
preparo do solo para plantio de trigo

(Fonte: Agro Advisor)

Além da escolha da cultivar, um ponto importante é saber a melhor época para o plantio de trigo – que deve ser realizado de acordo com o período indicado para cada município. 

Para te auxiliar nessa escolha, você pode seguir as recomendações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), que apresenta uma lista de cultivares indicadas para cada região e a relação de municípios com os respectivos calendários de plantio.

Para conseguir as informações, acesse, escolha o estado e selecione a cultura do trigo.

Dessa forma, aparecerá os dados para o estado escolhido, a relação das cidades indicadas, além dos períodos de plantio (início e fim) para cada município, por tipo de solo e por grupo de cultivar. 

Esses dados podem te ajudar a reduzir riscos na cultura do trigo como geada no espigamento, doenças na fase inicial de enchimento de grãos, perda da qualidade dos grãos e baixo desenvolvimento da cultura.

Após determinar a melhor época de semeadura e cultivar, se atente no preparo do solo para plantio de trigo.

Fazendo o preparo do solo para plantio de trigo

Em qualquer cultura, é necessário planejamento e histórico da área para o preparo do solo. Por isso, deve-se determinar qual o tipo de sistema de cultivo será ou é utilizado na área, sendo convencional ou plantio Direto, e realizar as práticas de acordo com ele.

Para alguns agricultores do Rio Grande do Sul, o plantio direto garantiu o dobro de produtividade de trigo. Esse sistema também pode ter outros benefícios como diminuição da erosão do solo, redução de operações no preparo do solo, aumento da matéria orgânica, entre outros.

Mas lembre-se que cada propriedade tem suas particularidades, por isso, realize o melhor sistema de plantio para a sua fazenda.

Outros fatores importantes para o estabelecimento da lavoura de trigo são: 

  • Semear no limpo; 
  • Fazer um bom manejo de cobertura do solo até a semeadura;
  • Análise de solo (adubação equilibrada);
  • Semeadura de qualidade; 
  • Cuidados com velocidade de semeadura e profundidade (2 a 5 cm); 
  • Escolha da semente de qualidade;
  • População de planta adequada.

Para o preparo do solo, deve-se também saber qual a quantidade de fertilizantes e corretivos a serem aplicados no solo, sendo um fator importante quando se pensa no custo com a cultura.

Isso porque os fertilizantes têm maior participação nos custos de produção do trigo, representando aproximadamente 25% do investimento na lavoura. Por isso, é importante realizar a análise de solo

Análise do solo

Para determinar se o solo precisa de correção ou de fertilizantes é necessário realizar a análise do solo, mas lembre-se que as amostras devem ser representativas da área. 

Para plantio direto, é recomendado a amostragem de 0-10 cm e ocasionalmente de 0-20 cm de profundidade, já para o convencional normalmente é de 0-20 cm.

A interpretação da análise de solo é realizada de acordo com o nível de cada elemento e, para determinar a necessidade de calagem e adubação para a área amostrada, devem ser utilizados manuais ou indicações técnicas para cada região do país. 

Ou seja, isso depende da região produtora de trigo, como vamos ver em exemplos mais adiante.

Correção com calcário

Para determinar se a área precisa de calagem e qual quantidade utilizar, deve-ser ter a interpretação da análise de solo com as recomendações para cada região de cultivo do trigo.

Preparo do solo para plantio de trigo: Adubação

Geralmente, a adubação com nitrogênio, fósforo e potássio (NPK) e com micronutrientes para a cultura do trigo, é realizada no sulco de semeadura e o suprimento de N é complementado em duas aplicações de cobertura.

Para te auxiliar no manejo de fertilizantes, veja a figura abaixo:

preparo do solo para plantio de trigo

Manejo nutricional e fenologia da cultura do trigo
(Fonte: Modificada de Pires et al. (2011) em IPNI)

O nitrogênio é o elemento mais demandado pela planta de trigo. Sua dose recomendada varia em função do teor de matéria orgânica do solo, cultura precedente, região climática e da expectativa de rendimento de grãos.

Para os estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, a quantidade de fertilizante nitrogenado varia em função do nível de matéria orgânica do solo, da cultura precedente e da expectativa de rendimento de grãos da cultura.

Assim, a dose de nitrogênio a ser aplicada na semeadura varia entre 15 kg/ha a 20 kg/ha, sendo que o restante deve ser aplicado em cobertura entre as fases de perfilhamento e alongamento do colmo da cultura.

Indicação de adubação nitrogenada

Indicação de adubação nitrogenada (kg/ha) para as culturas de trigo e triticale nos estados do RS e SC
(Fonte: Embrapa)

Já para o estado do Paraná, essa adubação nitrogenada é realizada com base na cultura anterior.

Indicação de adubação nitrogenada PR

Indicação de adubação nitrogenada (kg/ha) para as culturas de trigo e triticale no estado do PR
(Fonte: Embrapa)

Com os exemplos acima, verificamos que para cada estado existe uma indicação de nitrogênio, que é baseada em variáveis do solo, do clima ou da cultura anterior. 

Para os outros estados, você pode consultar nos estudos da Embrapa e verificar ali as recomendações para os demais macros e micronutrientes.

Em caso de dúvidas, consulte um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) para auxiliar nas recomendações.

Benefícios da rotação de culturas com o trigo

A rotação de culturas é a alternância de diferentes culturas na mesma área de cultivo e na mesma época ao longo dos anos.

preparo do solo para plantio de trigo

Com inúmeros benefícios, o trigo é a melhor opção de cultura para o inverno
(Fonte: Correio do Povo do Paraná)

O trigo é uma cultura de inverno e pode ser utilizado no sistema de rotação de culturas trazendo diversas vantagens como:

  • Retorno econômico;
  • Redução de plantas daninhas, pragas e doenças;
  • Controle da erosão;
  • Melhora das características físicas, químicas e biológicas do solo;
  • Aumento dos teores de matéria orgânica no solo;
  • Importante para o plantio direto;
  • Entre outros.

Para realizar a rotação de culturas é importante ter um bom planejamento, para determinar quais as culturas serão utilizadas na área e se no inverno será utilizado trigo ou outra cultura.

Para auxiliar na composição dos programas de recomendações de culturas no sistema de plantio direto, veja a figura abaixo.

culturas plantio direto

(Fonte: Fancelli, 2008)

e-book culturas de inverno Aegro

Conclusão

A cultura do trigo é um importante cereal que pode ser utilizado na rotação de culturas como cultura de inverno.

Também abordamos neste texto sobre como realizar um bom preparo do solo, com a escolha da cultivar e da melhor época do ano, além de como fazer a adubação e a calagem para a cultura do trigo.

Agora que você tem todas essas informações, realize um bom preparo do solo para a cultura de trigo na sua fazenda e alcance altas produtividades.

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Como você realiza o preparo do solo para a cultura de trigo? Adoraria ver seu comentário abaixo!