About Priscila Marchi

Priscila Marchi é engenheira agrônoma formada pela Universidade Federal de Santa Maria, Mestra em Ciências, área de concentração em Fruticultura, e Doutora em Ciências, área de concentração em Fitomelhoramento, ambos pela Universidade Federal de Pelotas. Tem experiência e interesse em temas relacionados ao melhoramento genético vegetal, pesquisa experimental, fruticultura, olericultura e ao manejo de grandes culturas. Atualmente é docente do curso de Agronomia, ministrando disciplinas relacionadas à fitotecnia e a experimentação agrícola.

Controle agrícola: como uma boa gestão pode aumentar a sua lucratividade?

Controle agrícola: entenda como o planejamento e uma gestão eficiente podem melhorar o faturamento do seu negócio rural.

A agricultura tem mudado muito, e vem transformando as técnicas e formas de cultivar a terra, modernizando e facilitando as práticas agrícolas e aumentando a produtividade de diversas culturas

Na agricultura moderna, devemos encarar todos os empreendimentos agrícolas, independente do tamanho — como uma empresa, que tem custos e visa a transformar a produção e gerar lucro.

Toda empresa rural precisa de uma boa gestão. Portanto, o sucesso do negócio fica muito mais garantido quando é feito um controle agrícola dos custos e dos processos.

Se você tem interesse em aprender o que é controle agrícola e como fazer uma gestão eficiente do seu negócio rural para obter altas lucratividades, acompanhe este artigo, pois vamos explicar tudo o que você precisa saber! Boa leitura!

Entenda o que é controle agrícola

O controle agrícola consiste em fazer uma gestão adequada de todos os processos envolvidos na cadeia produtiva

Alguns desses processos podem ser:

  • planejamento;
  • preparo;
  • cultivo;
  • colheita;
  • vendas.

O primeiro passo é conhecer cada um desses processos citados. Só assim será possível realizar um planejamento de aspectos que envolvem:

De forma geral, o controle agrícola permite que o produtor tenha uma organização mais apropriada da empresa, com uma visão completa de cada detalhe da produção.

Portanto, fazendo esse controle e planejamento, você evita ou diminui erros, otimiza os processos produtivos e consegue se preparar para contornar problemas eventuais.

Muitas vezes, acaba sendo difícil registrar e avaliar corretamente o trabalho feito na propriedade. Por isso, vamos explicar melhor alguns aspectos sobre o controle agrícola, e dar dicas importantes para te auxiliar!

Controle agrícola e gestão financeira no agronegócio
Como melhorar a gestão financeira no agronegócio

O controle agrícola e a gestão financeira

Qualquer atividade agrícola demanda recursos financeiros, seja para comprar insumos como sementes, animais, ração, fertilizantes, defensivos, entre outros, ou para adquirir ferramentas e meios de produção, como máquinas, terras, etc.

Além disso, tem todo o planejamento da mão-de-obra e construção e manutenção de galpões. Portanto, independente se for o começo da atividade ou uma atividade antiga, precisa de dinheiro para operar.

É comum que muitos produtores não tenham o controle dos custos e dos lucros que a empresa rural gera, ou seja, eles realizam  atividade mas não sabem se ela é lucrativa, ou se simplesmente se sustenta.

Ao realizar o controle agrícola, o produtor passa a conhecer as entradas e saídas de dinheiro. Isso envolve a gestão dos custos. A análise dos custos possibilita avaliar os componentes que envolvem a produção, os custos e os benefícios gerados por eles. 

Desse modo, agregando às informações de mercado, é possível identificar os riscos e as oportunidades que a atividade apresenta a longo prazo.

Não podemos esquecer que o controle dos custos e o aumento da produtividade são fatores que determinam a lucratividade da empresa rural.

Vamos ver alguns aspectos importantes a serem considerados no planejamento para o controle agrícola:

1. Estoque e armazenamento

Quando falamos em estoque, não estamos nos referindo ao armazenamento da colheita, mas às matérias primas destinadas ao processo produtivo, ou seja, os insumos como adubos, calcário e defensivos.

Um controle do estoque não inclui somente ter insumos disponíveis. Claro, é muito importante que não falte nada durante a safra, mas também não é interessante que se tenha exageros e desperdícios.

Por isso, o segredo aqui é fazer um planejamento antecipado da safra, definir os tipos de produtos e as quantidades suficientes para atender às necessidades.

Saber o preço de determinado insumo não significa ter controle dos custos. É preciso também analisar outros gastos, como transporte, entrega, pagamento de impostos e até treinamento de colaboradores para usar os recursos adequadamente, em alguns casos.

Uma forma de organizar essas informações é analisando de acordo com a cultura, as áreas em que serão aplicadas ou o uso por funcionário.

O ideal é ter um controle detalhado sobre as entradas e saídas dos itens armazenados no estoque. Muitas vezes, papel e caneta, ou uma planilha, podem ser suficientes para fazer um controle adequado; mas na maioria das vezes é mais fácil utilizar um software ou um aplicativo.

2. Cuidados com manutenção

A manutenção está relacionada, sobretudo, à prevenção de problemas. Neste ponto, estamos falando em cuidados contínuos para evitar situações problemáticas que possam ocorrer.

Um exemplo são os cuidados com o solo, que incluem manter ele com boa cobertura, realizar análise de solo anualmente, fazer a correção da acidez e da fertilidade quando necessário. Isso evita prejuízos decorrentes do descuido e aumenta a produtividade.

Outro exemplo é realizar com frequência a revisão e manutenção do maquinário, para estar tudo certo e não ter imprevistos no momento de realizar as atividades, principalmente a colheita.

3. Venda dos produtos

Por fim, para garantir que a produção obtida na lavoura retorne ao produtor de forma monetária, ou seja, que ela seja lucrativa, é importante fazer a gestão da venda dos produtos adequadamente.

Isso envolve cuidados como:

  • Providenciar o transporte adequado até os compradores;
  • Armazenamento adequado dos produtos que não serão entregues no momento.

Identifique a receita que o produto agrícola está gerando

Para saber se cada atividade agrícola está gerando lucros é simples, basta utilizar as informações do controle agrícola para calcular a margem de contribuição de cada item.

O valor da receita será obtido diminuindo o valor dos custos e despesas do preço de venda. Desta forma, o controle agrícola se torna eficiente e adaptável às oscilações que podem ocorrer na produção, como variações de produtividade ou imprevisto no cultivo.

Ele será seu aliado para descobrir onde os custos estão mais altos e impactando de forma mais agressiva a margem de contribuição. Assim, você poderá traçar estratégias de gestão para controlar tal gasto.

Centralização da gestão

Embora o produtor possa fazer o controle da cadeia produtiva da forma que melhor se adaptar, o mais indicado é centralizar todos os controles, seja de estoque, manutenção e vendas, em uma única ferramenta.

Um sistema centralizado de gestão permite a visualização clara e instantânea da situação, por isso ele é mais vantajoso e prático do que ter as informações distribuídas de diferentes formas ou em diferentes meios.

Divulgação do kit de 5 planilhas para controle da gestão da fazenda

Conclusão

O controle agrícola tornou-se uma alternativa para a identificação dos principais gargalos nos sistemas de produção, permitindo levantar informações capazes de criar intervenções, a fim de aumentar a sua eficiência.

Para tanto, é necessário um planejamento que utilize as informações de mercado e as do processo produtivo, com o objetivo de contribuir na tomada de decisão da propriedade.

De forma geral, o controle agrícola garante recursos para todas as etapas envolvidas na cadeia produtiva, e viabilidade na resolução de falhas, o que reflete no aumento da produtividade.

Não deixe de seguir as nossas dicas e tenha sempre o controle dos investimentos e lucratividade do seu negócio.

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Cascudinho-da-soja: Como identificar e controlar?

O cascudinho-da-soja pode reduzir a produtividade e trazer sérios prejuízos à lavoura. Saiba como identificar e controlar essa praga que ataca a cultura.

O controle das pragas agrícolas é fundamental para garantir o sucesso da safra de soja. Todos os anos, os produtores fazem investimentos altos no solo e em sementes para ter altas produtividades.

As pragas, caso não controladas, podem comprometer ou até inviabilizar a lavoura. Dentre as principais pragas agrícolas que atacam as lavouras de soja, uma que vem se destacando nos últimos anos é o cascudinho-da-soja.

O cascudinho-da-soja é um coleóptero que ataca as plantas principalmente no início do ciclo da cultura, causando danos tanto como larva como quando adulto.

A praga merece bastante atenção, pois pode causar grandes prejuízos e sua incidência tem crescido em áreas do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Por isso, o monitoramento deve iniciar o quanto antes.

Para evitar problemas com o cascudinho, vamos conhecer essa praga e aprender como combatê-la. Confira!

Como identificar o cascudinho-da-soja

O Myochrous armatus (cascudinho-da-soja) pertence à ordem Coleoptera, família Chrysomelidae. Isso significa que ele é um tipo de besouro bem pequeno, que mede em torno de 5 milímetros de comprimento. 

O inseto adulto tem o corpo em formato oval de coloração preta fosca, variando também entre cinza-escura ou marrom, sempre com manchas mais escuras ou claras. Além disso, é recoberto por escamas curtas e robustas.

Os  adultos têm pouca habilidade para voar e, quando perturbados, têm o hábito de se fingir de mortos e permanecem imóveis, ou se jogam no chão.

As larvas do cascudinho são amarelas e vivem no solo, onde se alimentam de matéria orgânica e raízes de plantas de diversas espécies. Elas podem causar danos às raízes da soja ao se alimentarem, porém, nessa fase estes danos não são significativos.

É comum o cascudinho-da-soja ser confundido com outro besouro, conhecido como torrãozinho (Aracanthus mourei). Nesse ponto, vale destacar que é muito importante a identificação correta do inseto para que o seu controle seja eficiente!

Conforme podemos observar nas imagens, os dois insetos apresentam diferenças na sua morfologia, como nas antenas e na cabeça. O torrãozinho é “parente” do bicudo-do-algodoeiro, e por isso tem a cabeça prolongada. 

A confusão entre os dois insetos afeta diretamente o manejo de pragas da lavoura, e por levar ao uso incorreto de medidas de controle, impacta direta e negativamente a produtividade e a lucratividade da área.

Danos causados pelo cascudinho da soja

Os adultos são polífagos, ou seja, atacam várias espécies, como braquiária, fedegoso, amendoim bravo, feijão e milho. Na soja, o ataque geralmente ocorre na fase inicial da cultura, e os danos têm maior intensidade quanto mais jovem for a planta.

Poucos dias após a emergência, a praga fica localizada na base do caule e causa o tombamento e a morte da plântula. Se durante essa fase houver falta de chuva, o desenvolvimento das plantas fica comprometido, e os danos ficam ainda mais severos.

Por isso, o principal impacto dessa praga na lavoura é a redução do estande de plantas, o que afeta diretamente a produtividade da área total. 

Além disso, as plantas podem apresentar um desenvolvimento inicial reduzido, seguido por amarelecimento, murcha e morte. Estes sintomas podem ocorrer em grandes reboleiras de forma aleatória na lavoura.

O cascudinho consegue permanecer no solo na forma de pupa por até sete meses durante períodos de seca, sendo que o adulto emerge somente quando houver condições adequadas.

Embora os danos mais significativos ocorram na fase de plântula, o cascudinho também pode prejudicar a planta em estágios mais avançados, atacando os pecíolos e as hastes mais finas, que murcham e secam.

Como controlar o cascudinho da soja

Já sabemos que o cascudinho é uma praga que afeta a lavoura de soja nos primeiros dias após a semeadura. Por isso, é fundamental a identificação desta praga logo no início.

Alguns indicativos de que o cascudinho está presente na lavoura são:

  • Plântulas sem o ponteiro;
  • Plântulas com a haste principal decepada;
  • Folíolos pendentes na planta ou folhas inteiras caídas no solo (servem de abrigo para os adultos);
  • Constatação de insetos adultos em plantas em estágio de florescimento.

Monitoramento

O monitoramento é a primeira ferramenta de manejo que deve ser adotada para combater essa praga, e deve ser realizado com base no Manejo Integrado de Pragas (MIP). Para isso, o pano de batida é uma maneira simples e eficiente para realizar o monitoramento.

O nível de controle para o cascudinho-da-soja ainda está sendo estudado. Porém, a realização do pano de batida continua sendo essencial para o monitoramento.

Controle químico e biológico

O controle desta praga ainda é um desafio. O inseto adulto se abriga na palhada durante as horas mais quentes do dia. Isso complica um pouco seu controle, pois o cascudinho fica protegido, dificultando que o produto entre em contato com ele. 

Uma das ferramentas mais indicadas e eficientes para o controle do cascudinho é o tratamento de sementes. Essa prática é indispensável, pois protege a cultura na fase mais crítica ao ataque da praga, que são os primeiros dias após a emergência.

Somado a isso, é importante realizar o manejo químico, em associação ou não com produtos biológicos, na fase inicial da cultura, quando a planta ainda estiver com o primeiro par de folhas.

Para aumentar a eficiência das pulverizações, é recomendado realizar as aplicações nos horários mais frescos do dia ou à noite, quando a praga está mais exposta.

Atualmente não há evidências de inseticidas eficazes no controle do cascudinho, sendo necessário adaptar doses e misturas. Alguns dos princípios ativos que vêm sendo usados com bons resultados são o fipronil, clorpirifós e thiametoxan e imidacloprid.

Estudos indicam que produtos biológicos à base de bactérias e fungos entompatogênicos em associação com inseticidas químicos têm demonstrado grande potencial no combate do cascudinho.

É muito importante sempre rotacionar os princípios ativos dos inseticidas. Além disso, o controle de plantas daninhas e plantas tigueras de milho na área auxiliam para evitar que o inseto permaneça abrigado e se alimente destas plantas.

Planilha de manejo integrado de pragas

Conclusão

O cascudinho-da-soja é uma praga que ameaça a produtividade das plantas. O seu controle ainda é um desafio, mas algumas medidas como o tratamento de sementes e o manejo de invasoras e tigueras de milho, auxiliam no combate ao inseto.

Não deixe de realizar o monitoramento da lavoura, pois os danos causados pelo cascudinho acontecem na fase inicial do desenvolvimento da cultura. 

Dessa forma, o melhor caminho a ser seguido para combater o cascudinho é realizar a identificação correta, fazer as aplicações nos horários indicados e adotar técnicas preconizadas pelo manejo integrado de pragas.

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