Veja como escolher o adjuvante agrícola e melhorar o seu manejo

Adjuvante agrícola: Diferentes classificações e como escolher o produto certo para ter aplicações melhores e mais efetivas.

Há diversos tipos de adjuvantes agrícolas e produtos disponíveis no mercado. Conhecer todos esses tipos e suas características é fundamental para garantir uma boa produtividade da cultura.

Afinal, há casos em que a adição de adjuvante agrícola permite reduzir a dose de herbicida usada na lavoura em mais de 50%.

Neste artigo, veja o que são adjuvantes, suas classificações, especificidades e detalhes de uso. Boa leitura!

O que são adjuvantes agrícolas?

Adjuvante agrícola é uma substância ou composto sem propriedades fitossanitárias. Ele é adicionado durante a preparação de caldas com defensivos, mudando suas propriedades e aumentando a eficácia no combate a daninhas, pragas e doenças. Ainda, ele facilita a aplicação de produtos e reduz perdas.

adjuvantes-agrícolas-perdas
(Fonte: Cotrisoja)

Os adjuvantes são necessários principalmente em de produtos de contato, e que por isso precisam de uma boa cobertura foliar para não comprometer a eficácia do produto. Também há outras situação em que podemos utilizá-los.

Para entender melhor sobre isso, é necessário compreender sobre cada tipo de adjuvante agrícola.

Como os adjuvantes agrícolas são classificados?

A classificação mais utilizada está relacionada a função desempenhada pelo adjuvante agrícola, e podem ser ativadores ou modificadores de calda. Dentro dessa classificação, há diversas subdivisões, cada uma com suas particularidades.

adjuvante agrícola
(Fonte: Arquivo pessoal)

1. Adjuvantes ativadores

Os adjuvantes ativadores elevam a atividade dos produtos quando adicionados ao tanque de pulverização. Nessa classe estão:

  • Surfactantes;
  • Óleos vegetais;
  • Óleos minerais;
  • Derivados de silicone;
  • Fertilizantes nitrogenados.

2. Modificadores de calda

Adjuvantes modificadores de calda alteram as propriedades físicas ou químicas da calda, sendo adicionados com a finalidade de melhorar a aplicação da formulação. Aqui estão classificados:

  • Molhantes;
  • Corantes;
  • Controladores de deriva;
  • Agentes espessantes;
  • Agentes adesivos;
  • Condicionadores de calda;
  • Agentes de compatibilidade;
  • Reguladores de pH;
  • Umectantes;
  • Antiespumantes;
  • Absorventes de UV.

Você pode ter notado que existem muitos adjuvantes e pode ficar difícil saber qual utilizar, não é mesmo?Veja um pouco sobre cada um deles e dar algumas dicas de quando você deve utilizar cada um a seguir:

Adjuvantes agrícolas ativadores

Surfactante

Os surfactantes têm a capacidade de reduzir a tensão superficial da gota pulverizada.

Assim a absorção do produto na planta é facilitado, já que ocorre alteração na estrutura e na viscosidade das ceras que estão na superfície das folhas e caules.

adjuvante agrícola surfactante
(Fonte: Crop Care)

A composição da molécula dos surfactantes são de duas partes distintas, uma com afinidade por óleos e outra com afinidade por água.

Os produtos do tipo adjuvante agrícola surfactante pode ser dividido ainda em quatro classes:

1.Aniônicos

Os surfactantes aniônicos se dissociam em água e a porção ativa da molécula é o ânion (carga negativa).

São utilizados em caldas com herbicidas ou em mistura com os surfactantes não iônicos.

2.Catiônicos

Em água se dissociam em um cátion e um ânion. O cátion é composto por nitrogênio, assim, também são conhecidos por sais de quaternários de amônio.

Entretanto, os surfactantes catiônicos são pouco utilizados pois, devido a alguns motivos já relatados:

  • Elevado custo;
  • Precipitam na presença de sais;
  • Possuem fraco poder detergente;
  • Podem causar fitotoxicidade nas culturas.

3.Não iônicos

Essa classe de surfactante não ioniza, nem dissocia em água. São os mais utilizados já que:

  • Não reagem com sais ou com as moléculas de defensivos que estão na água;
  • Não são influenciados pela “água dura”, não formando sais com cálcio, magnésio ou com íons de ferro;
  • Baixa toxicidade aos mamíferos;
  • Pouco tóxico às plantas.

Desse modo, eles possuem boa compatibilidade com os defensivos, aumentando sua absorção foliar, inclusive de fungicidas sistêmicos e inseticidas.

4.Anfotéricos

Surfactantes pertencentes a essa classe se dissociam em ânions e cátions, ou seja, eles podem apresentar parte da molécula com carga positiva e outra, negativa.

Por isso, tais produtos são especialmente dependentes do pH da calda, sendo muito pouco utilizado.

Óleos

Os adjuvantes a base de óleo possuem como objetivo aumentar a penetração dos herbicidas lipossolúveis (que possuem mais afinidade pelo óleo).

Geralmente são utilizados quando as condições ambientais são alta temperatura e baixa umidade, ou ainda quando a cutícula da folha é muito espessa.

Quando se utiliza um adjuvante a base de óleo, obrigatoriamente deve ser utilizado também um emulsionante tensoativo. Isso é para que as gotas de óleo de distribuem de maneira uniforme na mistura, já que estamos adicionando óleo em água.

1.Óleos minerais

Reduzem a tensão superficial, aumentam a molhagem e o espalhamento, aumentam a absorção e melhoram a resistência ao escorrimento.

Podem ser divididos em óleos parafínicos e óleos naftalênicos. Os óleos parafínicos aumentam a absorção de herbicidas, pois causam trincas nas cutículas das plantas. Eles são formulados com predominância de frações parafínicas de hidrocarbonetos.

2.Óleos vegetais

Reduzem a tensão superficial, mas não são tão eficazes como os outros já citados. Eles podem ser de 2 tipos:

  • Triglicerídeos: são aqueles conhecidos por “óleos de sementes”. No geral possuem apenas entre 5% e 7% de tensoativo emulsionante.
  • Metilados: possuem entre 10% e 20% de tensoativo emulsionante. No geral os óleos de sementes Metilados são melhores que os que possuem como base o petróleo, entretanto são mais caros.

O adjuvante agrícola do tipo óleo, em geral, degrada a cutina (que faz parte da cutícula da folha), possibilitando a entrada direta dos defensivos na planta.

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(Fonte: Armazém da Ciência)

O problema é que a planta continua com a cutícula prejudicada, até que possa refazê-la. Por isso, após a aplicação de defensivos com óleos a folha fica muito sensível aos fatores externos, como luz, doenças, e outros.

Assim, não é indicado a aplicação de fertilizantes foliares com óleos, já que ocorrerá absorção de nutrientes intensa e salinidade, resultando na necrose das folhas.

No caso de áreas de pousio, onde você fará a dessecação os óleos são altamente recomendados, prejudicando mais intensamente as plantas daninhas na área.

Fertilizantes nitrogenados

Os fertilizantes nitrogenados utilizados como adjuvantes são:

  • Nitrato de amônio;
  • Sulfato de amônio;
  • Ureia;
  • Polifosfato de amônio.

São adicionados à calda com objetivo de melhorar os efeitos de produtos, e também como adubo para a cultura. São classificados como adjuvantes ativadores, entretanto podem agir como modificadores de calda. Afinal, eles ajudam a evitar a formação de precipitados no tanque.

Possuem, assim como os outros, capacidade de reduzir a tensão superficial, além de aumentarem a difusão do defensivo na superfície da folha.

Adjuvantes agrícolas modificadores de calda

Molhantes

Os agentes molhantes são basicamente os surfactantes não-iônicos diluídos em água, álcool ou glicóis.

Eles também reduzem a tensão superficial da gota, mas alguns desses produtos apenas irão afetar as propriedades físicas das gotas. Ou seja, não irão afetar o comportamento da formulação quando entrar em contato com a planta.

Corantes

Os corantes têm o objetivo apenas de visualização de onde o defensivo foi aplicado. Dão coloração ao produto formulado, permitindo observar melhor de que como o produto foi aplicado e se a tecnologia de aplicação está correta.

Controladores de deriva

Como o próprio nome diz, são utilizados para reduzir a deriva de defensivos.

Para tanto, essa classe de adjuvantes vai alterar as propriedades da calda. O que ocorre é que teremos maiores tamanhos de gotas e menor número de gotículas pequenas, realizando uma pulverização mais espessa.

No entanto, lembre-se que em cada tipo de pulverização agrícola é requerido um tipo de gota, sendo gotas finas quando precisamos de maior cobertura (produtos de contato). Por isso, não adianta adicionar adjuvantes controladores de deriva quando a aplicação exige uma melhor cobertura.

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(Fonte: Jacto)

Agentes espessantes

Modificam a viscosidade das caldas de pulverização. São utilizados especialmente em aplicações aéreas com objetivo de reduzir as derivas.

Agentes adesivos

Auxiliam na redução das perdas de produtos através da evaporação ou do escorrimento. Os agentes adesivos mantém o produto em contato com a planta aumentando, evitando que sejam derrubados da superfície foliar ou lavados pela chuva.

São muito utilizados com as formulações de pó molhável seco e granulares.

Condicionadores

São utilizados quando a água usada na aplicação tem muitos sais presentes, e, por isso pode resultar em formação de precipitados.

Neste caso é muito importante sabermos a qualidade da água utilizada na hora de preparar a calda. A presença de muitos cátions (como em “água dura”), por exemplo, pode reduzir a absorção dos produtos pelas plantas.

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Classificação da água de acordo com a quantidade de carbonato de cálcio presente
(Fonte: Silva, et al. Manejo de Plantas Daninhas. Viçosa, 2010)

Agentes de compatibilidade

Os agentes de compatibilidade evitam essas interações físicas ou químicas entre os produtos, mantendo-os em suspensão. Lembre-se que a associação de alguns produtos causa efeitos antagônicos, reduzindo a eficácia dos produtos e até mesmo causando problemas de fitotoxicidade.

Reguladores de pH

Todos já sabemos que o pH da calda afeta diretamente a eficácia dos produtos no tanque de pulverização.

Os reguladores de pH têm a capacidade de ajustar o pH da calda o que consequentemente melhora a dispersão do herbicida, além de aumentar a compatibilidade da mistura. No geral, as caldas fitossanitárias apresentam uma maior estabilidade na faixa de pH entre 6,0 e 6,5.

Umectantes

Os umectantes, assim como os agentes adesivos, têm o objetivo de aumentar o tempo que o produto fica sobre a folha e consequentemente disponível para absorção.

São materiais solúveis em água que demoram mais tempo para evaporar depois que seca a água utilizada na pulverização, isso porque eles conseguem reter a umidade do ambiente. Também permitem rápida umectação do produto em contato com a água.

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(Fonte: Formulações de adjuvantes agrícolas)

Antiespumantes

A espuma é um problema na preparação da calda e durante a aplicação, evitando que o produto seja aplicado corretamente em campo.

Os antiespumantes têm a capacidade de reduzir a formação de espuma no tanque, favorecendo a tecnologia de aplicação adequada.


Absorventes de UV

Há poucos adjuvantes que podem proteger o produto da degradação devido à luz. Os que fazem isso têm que ter a capacidade de absorverem a luz ultravioleta ou de aumentar a taxa de captação do herbicida pela cutícula da folha.

Quando utilizar adjuvantes?

A bula do defensivo agrícola que você vai  utilizar sempre vai trazer a informação de quando se deve utilizar um adjuvante. Alguns produtos já vêm com adjuvantes na formulação, e por isso não precisam ser adicionados na hora da aplicação.

Também é importante conhecer a água que você tem disponível, observando se é ou não água dura e se é preciso usar algum adjuvante para adequar isso.

Mas tenha precaução: utilizar adjuvantes quando não é necessário pode causar fitotoxicidade na cultura. A quantidade indicada na bula do produto também deve ser respeitada, pois o excesso pode prejudicar a cultura.

E mesmo que não ocorra intoxicação das plantas, você pode estar gastando dinheiro à toa. Não esqueça de adicionar o custo do adjuvante ao custo de sua aplicação. Se você usa um software de gestão agrícola como o Aegro, você pode verificar qual o custo por talhão de seu manejo, e se ele valeu mesmo a pena.

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No Aegro você pode ter em poucos cliques o custo e ganhos por área, resultando na sua rentabilidade detalhada e descomplicada

Dicas extra para a escolha do adjuvante

Não é preciso receita agronômica para produtos do tipo adjuvante agrícola desde novembro de 2017.

No entanto, ainda sim, é importante verificar com seu consultor engenheiro(a)-agrônomo(a) sobre o produto em questão, sendo essa uma das mais importantes dicas.

Outro ponto muito relevante é ter conhecimento do produto, de seu rótulo e verificar se são confiáveis.

Também é importante ter os custos desse adjuvante e seu ganho em termos de produtividade na ponta do lápis, ou em planilhas e em software agrícola. É assim que você saberá se o adjuvante agrícola realmente valeu a pena e se compensa comprá-lo nas próximas safras.

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Conclusão

Os inúmeros tipos de adjuvantes e diferentes situações de aplicação podem nos deixar confusos, mas depois de conhecer mais sobre cada um deles a escolha fica simples.

É claro que o adjuvante agrícola pode ajudar muito, fazendo com que tenhamos aplicações melhores e mais efetivas.

No entanto, se atente para quando realmente é preciso utilizá-los, sempre verificando se o custo vale a pena!

>> Leia mais:

Guia para iniciantes sobre Agricultura de Precisão (AP)

Software para Agricultura de Precisão: O guia definitivo para escolher um

Gostou dessas dicas? Tem outras dicas a respeito do uso de adjuvante agrícola? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Como fazer amostragem de solo com estes 3 métodos diferentes

Amostragem de solo: quais são os tipos, o objetivo, sua importância, o que esperar para o futuro dessa técnica e muito mais!

Na análise de solo, são utilizadas pequenas porções de terra para avaliação das características físico-químicas. Para isso, é preciso que as amostras retratem bem a variabilidade local, a fim de representar toda a área da sua fazenda

Somente assim, é possível fazer o uso racional de insumos como gesso agrícola, calcário e adubos. Na agricultura de precisão, a amostragem do solo é feita por diferentes métodos. 

Neste artigo, saiba mais sobre cada um deles, veja como será o futuro da amostragem de solo e entenda quais os equipamentos necessários para o processo. Boa leitura!

O que é a amostra composta de solos?

A amostragem é a primeira etapa da análise do solo. Ela consiste na coleta de uma porção de terra de diversos pontos da propriedade, que juntas formam a amostra composta. O objetivo da amostragem do solo é ter uma visão completa da situação do solo na lavoura.

Através dela, são feitas a análise química e física, a avaliação da fertilidade do solo e da textura. Se a amostragem for feita de maneira errada, ela não reflete a real condição do solo. Consequentemente, isso implica em erros na recomendação de calagem e adubação.

Isso quer dizer que erros envolvendo a amostragem do solo não podem ser corrigidos posteriormente. É fundamental que as amostras enviadas ao laboratório de análise de solo sejam representativas da área a ser cultivada. 

Como fazer amostragem georreferenciada na fazenda?

Na agricultura de precisão, existem dois métodos para amostragem de solo: a amostragem em grade (por ponto e por célula) e a amostragem direcionada. Em ambos, os pontos passam por georreferenciamento

Ou seja, os locais onde as amostras foram coletadas têm a sua posição no espaço conhecida pelas coordenadas geográficas. Isso possibilita o mapeamento preciso da área e dos atributos avaliados. A seguir, confira os diferentes tipos de amostragem de solo. 

Em grade por ponto

Na amostragem em grade por ponto, o terreno é dividido em áreas menores, com formato quadrado ou retangular. Dentro de cada área é determinado um ponto georreferenciado. Esse ponto pode estar posicionado no centro da célula ou de forma aleatória. 

Amostragem em grade por ponto
Amostragem em grade por ponto
(Fonte: Revista Cultivar)

Nesse método, as subamostras de solo são coletadas ao redor do ponto georreferenciado. É indicado coletar de 8 a 12 subamostras por ponto num raio de 3 metros  a 5 metros. Depois da coleta, as subamostras são misturadas para formar a amostra composta.

Quanto maior o número de subamostras, mais confiáveis serão os resultados. Em contrapartida, maior será o custo e o  tempo demandado para coleta.

Uma vez que esses pontos de amostragem são georreferenciados, eles podem ser processados e interpolados. Dessa maneira, é possível criar mapas em função das variáveis que estão sendo analisadas. 

Abaixo, você pode conferir um mapa de fertilidade gerado a partir da interpolação dos dados obtidos na amostragem em grade por ponto. O processo de interpolação serve para estimar valores em locais não amostrados, completando o preenchimento do mapa.

Geração do mapa de fertilidade por meio da interpolação de dados obtidos por amostragem em grade
Geração do mapa de fertilidade por meio da interpolação de dados obtidos por amostragem em grade
(Fonte: Agricultura de Precisão – Boletim Técnico 02)

Em grade por célula

Na amostragem em grade por célula, os talhões são divididos em áreas menores, chamadas células. Essas células não precisam ter tamanho regular. Nesse caso, dentro da área de cada célula, são coletadas subamostras de solo, normalmente em zigue-zague.

Essas subamostras são posteriormente misturadas de maneira homogênea, dando origem a amostra composta que será enviada ao laboratório. Assim, o resultado obtido a partir da análise da amostra composta representa toda a área da célula.

Quando comparada à amostragem por ponto, a amostragem por célula exige menor investimento, uma vez que o número de pontos amostrais é menor.

Mapa de fertilidade obtido por amostragem em grade por célula
Mapa de fertilidade obtido por amostragem em grade por célula
(Fonte: Agricultura de Precisão – Boletim Técnico 02)

Amostragem direcionada

O indicado é que a amostragem direcionada seja utilizada por produtores já familiarizados com a agricultura de precisão. Afinal, nesse tipo de amostragem, você precisará de informações como o tipo de solo, relevo e produtividade em mapas das safras passadas

Ou seja, ter uma base de dados e conhecer o histórico da área é fundamental. É preciso ter em mãos alguns dados como NDVI (índices de vegetação), mapas de produtividade, mapas topográficos e mapas de tipos de solo para realizar a amostragem.

O objetivo da amostragem de solo direcionada não é gerar novos mapas, e sim tentar explicar as causas da variabilidade dentro da lavoura. Nesse caso, os pontos amostrais são definidos a partir de dados já coletados, como mapas e imagens de satélite. 

Isso quer dizer que esses pontos não são distribuídos na área de maneira uniforme.

Amostragem direcionada com base em mapa de produtividade
Amostragem direcionada com base em mapa de produtividade
(Fonte: Agricultura de Precisão – Boletim Técnico 02)

Agora, veja quais são os equipamentos utilizados nesse processo.

Equipamentos necessários para amostragem de solos

Atualmente, já estão disponíveis no mercado os amostradores de solo com motores a combustão interna, além dos elétricos, hidráulicos ou pneumáticos. Os elétricos são mais leves e práticos

Entretanto, vale lembrar que os amostradores elétricos são menos potentes e servem apenas para solos menos argilosos. Ainda, a coleta da amostra de solo pode ser feita com o auxílio de diferentes equipamentos, como:

  • trado (rosca, calador, caneca, holandês, fatiador);
  • cavadeira;
  • enxadão;
  • pá reta (pá vanga).
Amostrador de solo elétrico alimentado à bateria automotiva
Amostrador de solo elétrico alimentado à bateria automotiva
(Fonte: Saci Soluções)

Solos compactados e pesados exigem um amostrador hidráulico ou a combustão. No entanto, esses equipamentos são mais pesados e difíceis de operar manualmente.

Também é comum o acoplamento desses equipamentos em caminhonetes, quadriciclos, tratores ou veículos utilitários. Ainda, há empresas específicas que fornecem o conjunto de veículo e amostrador prontos para uso, separação e identificação das amostras.

Amostrador de solo com comando automático
Amostrador de solo com comando automático
(Fonte: Saci Soluções)

Futuro do mercado de amostra de solo

Atualmente, estão surgindo no mercado equipamentos para realizar a medição dos atributos do solo em campo e em tempo real. Existem aparelhos de raio-X, lasers e scanners que quantificam os nutrientes das amostras de maneira mais rápida.

No Brasil, temos a SpecSolo, que realiza análises de solos por infravermelho próximo. Os resultados são gerados mais rapidamente e com mais segurança, através de um gigantesco banco de dados.

Como facilitar o acompanhamento da amostragem no Aegro

Ao realizar a amostragem, é muito importante que você tenha estes dados armazenados e seguros para acompanhar.

Com o Aegro, você pode visualizar no mapa a sua propriedade, dividindo o terreno em diferentes áreas e safras. Depois, inicie no sistema o planejamento de atividades, no qual você pode planejar pontos específicos no mapa e utilizar a função de monitoramento.

Tela para planejar os pontos no aplicativo pelo celular

Tela para planejar os pontos no aplicativo pelo celular

Para registrar o ponto de monitoramento é necessário que o localizador (GPS) do celular esteja ativado.  Os pontos serão georreferenciados, identificando onde você está e onde os pontos se encontram dentro do talhão. Ao chegar no ponto da amostra escolhido, a função realizar amostragem vai neste processo.

Basta selecionar o talhão e adicionar as pragas verificadas e suas respectivas quantidades. Você também poderá informar o número de plantas por m², o estágio de desenvolvimento e qualquer observação adicional.

Tela de monitoramento no Aegro

Tela de monitoramento no Aegro

Depois, acompanhe na tela da atividade um resumo desse monitoramento, com a quantidade de pontos avaliados e as pragas acima e abaixo do nível de controle. Também é possível acessar o status da atividade, mostrando o planejamento e as realizações já realizadas.

Conclusão

A amostragem de solo é fundamental para o correto manejo dos insumos, o que evita desperdícios.

Ela é o primeiro passo no processo de análise de solo. Erros relacionados à amostragem podem causar erros na recomendação de calagem e adubação e comprometer a produtividade final da lavoura. 

O futuro promete novas formas de realizar a análise de solo e também novas metodologias, a fim de garantir melhores resultados. 

>> Leia mais:

“Como analisar o DNA do solo pode prevenir problemas e garantir um manejo mais efetivo“

“O que é e por que investir na análise microbiológica do solo”

Para te ajudar no controle dos custos com insumos, baixe grátis a Planilha de Custos dos Insumos da Lavoura.

Laboratório de análise de solo: saiba por que esta escolha deve ser correta

Laboratórios de análise de solo: importância de fazer análises, quais podem ser realizadas, como escolher o laboratório, como fazer coleta de solo e mais.

A adubação é um dos maiores custos da lavoura. Porém, é possível obter o retorno desse investimento com uma análise de solo bem feita.

Fundamental para a produtividade da fazenda, a adubação deve se basear na análise de solo.

Portanto, para ter um retorno do seu investimento em adubação, você precisa acertar na seleção do laboratório de análise de solo.

Neste artigo, vou mostrar como escolher laboratórios confiáveis para realizar essa etapa tão importante para a sua lavoura. Confira:

Qual é a importância da análise do solo?

As plantas são produtos do solo, já dizia Ana Primavesi.

Por isso é tão importante identificarmos a fertilidade do solo — é ele o fator principal para a qualidade e produtividade da lavoura.

A análise química do solo traz informações valiosas, como capacidade de troca de cátions (CTC), matéria orgânica, pH e outros.

Esses fatores são a base para recomendarmos a correção e adubação necessária.

Da mesma forma que um médico pede exames para fazer o melhor diagnóstico, nós precisamos das análises de solo para avaliar sua saúde química, biológica e física.

Com o diagnóstico em mãos, o produtor consegue realizar as operações e correções necessárias para que as plantas possam atingir altas produtividades.

Quais são os tipos de análises de solo?

A ideia central desta análise é que você tenha conhecimento das atribuições químicas, físicas e biológicas do seu solo — e que são essenciais para você fazer uma correção mais precisa.

No geral, existem três tipos de análise do solo, a química, física e biológica, e dentro de cada uma destas análises podem ser avaliados diferentes parâmetros que fornecem informações para saber como está o solo.

  • Análise química: são quantificados os macronutrientes e micronutrientes presentes no solo, como também do Al (elemento tóxico às plantas) e do pH do solo.
  • Análise física: é possível determinar a granulometria do solo, densidade do solo e de partículas, porosidade (macro, micro e total) condutividade hidráulica, retenção de umidade e estabilidade de agregados. Um dos principais resultados determinados são as porcentagens de argila, silte e areia das amostras, importante para o manejo correto do solo.
  • Análise biológica: são realizadas análises de alguns parâmetros que são relacionados aos microrganismos do solo, que são importantes na decomposição da matéria orgânica do solo.

Realizar todas estas análises e com todos os parâmetros nem sempre é necessário ou possível.

Realizar anualmente análises químicas completas e em profundidade pode ser oneroso. Por exemplo, você pode realizar apenas uma vez a análise física do solo, para avaliar sua quantidade de silte, argila e areia. 

Entretanto, é recomendado fazer ao menos a análise química de 0-10 e 10-20 contendo as informações de CTC, soma de bases, saturação por bases, teores dos macronutrientes, pH, teor de alumínio e teor de matéria orgânica.

Outra análise importante a ser feita é a de caracterização do solo, onde por meio dela é definido qual o tipo de solo de seus talhões.

Desse modo, é possível fazer recomendações mais corretas de fertilizantes, corretivos e outros manejos, que visam melhorar a qualidade do solo e favorecer a produção.

Como escolher bons laboratórios para análise de solo

Para se ter uma idéia, são mais de 400 laboratórios de solo existentes no Brasil.

Existem muitos bons laboratórios, e isso vem se consolidando ainda mais com as ações de instituições públicas, que asseguram a confiabilidade das análises realizadas.

O IAC implementa o Programa Anual Ensaio de Proficiência — e você pode conferir aqui os laboratórios participantes por região.

A Embrapa Solos, por sua vez, possui o Programa de Análise de Qualidade de Laboratórios de Fertilidade (PAQLF). Confira os laboratórios credenciados.

A entrada de um laboratório nesses programas aumenta a confiabilidade das suas análises.

Todos os laboratórios idôneos têm um técnico agrícola ou engenheiro agrônomo responsável pelo laboratório e pelas análises realizadas.

Busque outras informações relevantes sobre o laboratório:

  • Preço das análises;
  • Prazo de entrega do resultado;
  • Orientações de amostragem;
  • Procedimento para o envio das amostras, como embalagem, acondicionamento, identificação das amostras e outros;
  • Disponibilidade dos resultados online.

Como foi abordado anteriormente, há três tipos de análises de solo realizáveis pelos laboratórios, e, dentro de cada tipo, pode haver diferentes variáveis — o que determina o preço de cada análise.

Para entender melhor o custo das análises, veja a figura abaixo:

Química para fins de avaliação da fertilidade do solo
Química para fins de avaliação da fertilidade do solo
(Fonte: Laboratório de Análises de Solo da Esalq/USP)

Pela tabela, é possível observar que o valor da amostra vai aumentando conforme a análise se torna mais completa, pois avalia mais parâmetros.

O valor das análises, além de ser variável conforme o solicitado, também é diferente entre os laboratórios. Por isso, pesquise na sua região quais laboratórios são confiáveis e faça uma consulta de preços.

Importância da amostragem para avaliação do solo

Ao entender a importância de analisar o solo, é preciso saber que nenhum laboratório elimina o erro de uma amostragem mal feita!

Por isso, após escolher um laboratório de solo, busque as informações citadas acima, a respeito da amostragem.

As amostras devem ser coletadas de modo correto, e precisam ser representativas do talhão amostrado. 

Muitos produtores podem achar caro as análises, e com isso deixam de fazer ou realizam poucas amostras por área, o que gera resultados pouco precisos do solo.

No nosso texto “Análise química do solo: o porquê da sua realização”, está descrito o passo a passo de como dividir sua área e retirar amostras de solo representativas para serem enviadas ao laboratório.

Entretanto, atualmente muitos laboratórios ao serem contactados, já apresentam uma equipe treinada, com equipamentos adequados para a retirada das amostras. Assim, o laboratório faz a divisão da área, a coleta das amostras e já encaminha para análise.

O ideal é coletar as amostras na entressafra de culturas anuais, e após a colheita em áreas com culturas perenes, sendo recomendado fazer isto anualmente para verificar as diferenças que ocorreram no solo.

Isso porque a fertilidade do seu solo é consequência direta do material de origem, mas também do seu histórico de práticas e manejo.

Interpretando os resultados das análises do solo 

Feito corretamente todos os procedimentos descritos acima, os resultados apresentados pelo laboratório serão representativos da sua área, agora é preciso outro ponto de atenção: a interpretação!

Em uma análise de solo, interpretar as informações obtidas demanda atenção e conhecimento, e para ajudar os responsáveis das fazendas com estas interpretações de análises a Embrapa lançou o Guia Prático para a Interpretação de Resultados de Análise de Solo.

Neste guia são apresentados os conceitos que orientam a interpretação dos resultados de análise de solo para fins de recomendação de fertilizantes, mostrando os valores de referência utilizados pela rede Embrapa de Laboratórios, como pode ser visto abaixo:

Interpretação de solo Embrapa
Valores utilizados para interpretar resultados de análise de solo utilizando-se os métodos da rede Embrapa de Laboratórios
(Fonte: Embrapa)

Entender a análise é o primeiro passo da interpretação, o próximo é a recomendação de adubação, calagem e gessagem.

Para recomendação, principalmente de adubação, cada estado tem seu manual ou boletim que auxiliam os produtores, isto porque cada recomendação é baseada em estudos e pesquisas desenvolvidas para a região, levando em consideração o solo, clima e manejos da região.

Além disso, cada manual ou boletim recomenda a adubação específica para as principais culturas semeadas no estado.

Por isso, após receber sua análise de solo, tenha em mãos o boletim ou manual do seu estado, e busque auxílio com seu engenheiro agrônomo.

Adubação mineral de plantio
Exemplo de recomendação de adubação para a cana-de-açúcar segundo boletim 100 (estado de São Paulo)
(Fonte: Edisciplinas)
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Conclusão

Neste texto, vimos que os laboratórios de análise de solo devem ser escolhidos corretamente para evitar perdas, por falta ou excesso, na aplicação dos fertilizantes.

Você também viu que os laboratórios de solos realizam diferentes tipos de análises, e que essas avaliações variam conforme as informações desejadas pelo produtor.

Este artigo também mostrou que uma amostragem de solo correta é o primeiro passo para um resultado confiável. O segundo é realizar as análises em um laboratório confiável.

Por fim, vimos que interpretar e recomendar uma adubação, calagem e gessagem adequadas é fundamental para que sua análise de solo resulte em aumento da produtividade.

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O manual rápido do manejo de boro nas plantas

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Gessagem: tudo o que você precisa saber sobre esta prática agrícola

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Atualizado em 16 de agosto de 2023 por Carina Oliveira

Sou engenheira-agrônoma formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), mestre em Sistemas de Produção (Unesp), e doutora em Fitotecnia pela Esalq-USP.