About Evelise Martins da Silva

Sou Engenheira Agrônoma formada pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), pós-graduada em Biotecnologia e Bioprocessos pelas Universidade Estadual de Maringá (UEM) e apaixonada pelos desafios de uma agricultura sustentável.

Como a agricultura regenerativa pode te dar bons resultados a longo prazo

Agricultura regenerativa: o que é e quais são as práticas que você pode adequar em sua propriedade.

Não há como negar que algumas práticas agrícolas são insustentáveis, do ponto de vista ecológico e econômico.

O termo agricultura regenerativa tem sido cada vez mais falado ao longo do tempo. Você sabe o que é esse conceito? 

Sabe do impacto de se pensar práticas agrícolas sustentáveis?

Nesse artigo, você lerá sobre algumas dessas práticas da agricultura regenerativa, e que podem ser inseridas na sua propriedade. 

O que é agricultura regenerativa?

Agricultura regenerativa é um novo termo para um conjunto de práticas de um planejamento a longo prazo, que propõe recuperar o ecossistema.

Isso significa realizar a produção com uma visão a longo prazo da sustentação e todo o sistema agrícola. Ou seja, o objetivo é realizar práticas e manejos que retroalimentem o próprio sistema.

Otimizar os recursos, cuidar da saúde do solo e planejar a área a longo prazo também é investir no aumento da sua produção.

A linha que o Grupo de Agricultura Sustentável vem seguindo é interessante.  Essa é uma organização de produtores que busca soluções mais ecológicas para as suas propriedades.

Eles fortalecem uma rede de trocas de experiências e aprendizados. Adotam práticas como rochagem, controle biológico, produção de microrganismos on farm, homeopatia, dentre outras. 

A ideia é otimizar os recursos locais: buscar práticas que ajudem a evitar o efeito estufa, através da diminuição das emissões de carbono e outros gases danosos.

As práticas têm como consequência uma agricultura mais resiliente, melhor adaptada e sustentável.  

Como dizia o ecologista Lutzenberger, o regenerativo trabalha na recuperação do que tem sido perdido ou destruído

Principais práticas da agricultura regenerativa

Existem práticas fundamentais para a regeneração e manutenção de uma agricultura sustentável.

Conheça agora algumas delas:

Rotação de culturas

A prática de rotação de culturas  é vantajosa por auxiliar na redução de plantas daninhas, de pragas e doenças. 

A rotação ainda é capaz de manter a eficiência dos produtos utilizados nas culturas.

Saúde do solo

O solo é um ambiente vivo e dinâmico, que conta muito com as práticas de uso e manejo. 

É possível planejar melhor esses manejos com foco nas melhorias físicas do solo, tanto minerais quanto biológicas.

Plantio Direto

O Plantio Direto também é um aliado da agricultura regenerativa. 

Com a utilização de palhada sobre o solo, o mínimo revolvimento e a rotação de cultura, a qualidade do solo é garantida.

Redução do uso de insumos químicos

A busca por substituição e alternativas aos insumos químicos também é essencial.

É possível racionalizar o uso dos insumos químicos a partir de um bom planejamento de safra. A inserção de insumos alternativos, como os bioinsumos, é uma opção.

Outros controles alternativos, como Plantio Direto e o Manejo Integrado de Pragas também são bem vindos na busca pela redução do uso de químicos. 

Manejo Integrado de Pragas

O MIP (Manejo Integrado de Pragas)  associa a dinâmica populacional dos insetos com pragas ao ambiente. 

Com o monitoramento constante da lavoura e o entendimento da dinâmica populacional, fica fácil escolher um método de controle adequado.

Controle biológico de pragas e doenças

Através do controle biológico, com bioquímicos, semioquímicos, microbiológicos e microbiológicos, é possível controlar pragas e doenças na lavoura.

Assim, você promove uma melhoria da qualidade biológica do ambiente.

Biodiversidade

Realizar um levantamento da biodiversidade da propriedade é uma boa prática. 

Planejar talhão por talhão, o incremento de barreiras e a própria rotação de culturas são práticas que estimulam a diversidade.

Ana Primavesi tem uma analogia sobre a agricultura e o ser humano. Nós podemos estar superalimentados, mas mesmo assim mal nutridos

E com o solo acontece a mesma situação. É daí que vem a importância de garantir a biodiversidade da propriedade.

Agricultura de precisão 

A agricultura de precisão também é uma aliada para a agricultura regenerativa. 

Isso é possível porque ela integra muitas técnicas agrícolas que, juntas, conseguem verificar diferenças e desuniformidades dentro das mesmas áreas.

Métodos inovadores de amostragem de solo, de plantas e grãos são alguns exemplos dessas técnicas.

Resultados da agricultura regenerativa a longo prazo

São inúmeras as vantagens de pensar uma agricultura regenerativa em sua propriedade. Confira algumas delas:

  • recuperação de áreas degradadas;
  • melhoria da qualidade de solos empobrecidos;
  • otimização de recursos hídricos na propriedade;
  • melhoria do equilíbrio biológico;
  • produção de alimentos de maior qualidade;
  • redução dos custos de produção.

Conhecer as melhores práticas é o caminho para seu resultado produtivo e para o meio ambiente.

Por onde começar?

O básico precisa ser revisado: desde o conceito sobre o solo e suas questões químicas básicas, como a CTC do solo e a relação de nutrientes. 

Analisar corretamente as condições físicas e paisagísticas da sua localização é essencial. Além disso, vale iniciar um olhar atento para a parte biológica.

O principal desafio é cultural. Estamos acostumados aos “pacotes” de manejo da agricultura convencional. 

Na busca de uma agricultura mais sustentável, é preciso estudar, experimentar e modificar nossas práticas. Só então é possível melhorar a produtividade e reduzir custos

A motivação pode ser também a redução de custos. 

Mas além disso, é necessária a vontade de ser um produtor de excelência. É preciso conhecer as melhores práticas para o seu resultado produtivo e para o meio ambiente. 

Todo o mundo já se movimenta para os mercados de carbono, no qual a produção agrícola é monitorada e remunerada por fundos verdes

Isso também pode, em breve, se tornar uma realidade no Brasil.

diagnostico de gestao

Conclusão

A agricultura do futuro necessita ser bem planejada, otimizada, sustentável e produtiva

Aliar a preservação do meio ambiente com o desenvolvimento da agricultura é a melhor forma de perpetuar uma agricultura regenerativa

Fuja de pacotes inadequados às suas condições. Planeje e organize o seu conhecimento e sua safra. Monitore nos detalhes e experimente novas formas de fazer a agricultura.

Qual a sua experiência com a agricultura regenerativa?  Tem alguma outra dica ou história de sucesso com o uso dessas práticas? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Saiba como funcionam os bioativadores e quais são os tipos disponíveis no mercado

Bioativadores: o que são, como utilizar e qual a diferença entre eles, os bioestimulantes e os biorreguladores

O potencial genético é um fator determinante no desenvolvimento e na produtividade das culturas, mas sua expressão precisa de condições favoráveis.

Não é possível eliminar o estresse das plantas no campo. No entanto, o desenvolvimento de ferramentas como os bioativadores te auxiliam a mitigar essas condições e a aumentar a qualidade e vigor das plantas.

Nesse artigo, você terá as principais informações sobre essa ferramenta e seus benefícios. 

Fisiologia da planta

O segredo para o melhor desenvolvimento da cultura é o equilíbrio ambiental.

Os principais fatores para o desenvolvimento da planta são o potencial genético, o equilíbrio fisiológico funcional, além de condições de solo e ambientais adequadas. 

Por isso, ao implantar uma lavoura, é desejável que ela tenha todas as condições ideais para o alcance do seu potencial genético. 

Para se desenvolver, a planta baseia-se em seu metabolismo primário: fotossíntese, respiração e o acúmulo de carbono. 

O metabolismo secundário é promovido por condições ambientais, como respostas morfológicas via sistemas enzimáticos e não enzimáticos.

A planta se adapta e realiza esses metabolismos de acordo com estresse térmico e outros tipos de estresse. Além disso, durante o desenvolvimento da cultura, as concentrações de hormônios vegetais se modificam.

Substâncias como os bioativadores são capazes de atuar contra condições de estresse e promover o desenvolvimento genético potencial.

infográfico dos hormônios vegetais no ciclo de vida das plantas

(Fonte: Planeta Biologia)

Bioativadores

Bioativadores são substâncias orgânicas que atuam no equilíbrio fisiológico da planta, auxiliando em sua proteção. 

A aplicação em baixa concentração modifica, promove ou inibe os processos morfológicos e fisiológicos vegetais. O objetivo é favorecer a fotossíntese, promover maior resistência aos estresses e aumentar a produtividade.

A aplicação de aminoácidos promove uma menor necessidade energética da planta para a formação de proteínas. Assim, ela permite que a fotossíntese siga o fluxo natural de perpetuação da espécie.

Em resposta às condições de estresse hídrico e salinidade, é produzido o ABA (ácido abscísico), um hormônio natural. Ele promove o acúmulo de carbono e o fechamento dos estômatos da planta.

Os biorreguladores entram nesse momento para  manter o equilíbrio da planta. Não é possível falar de equilíbrio hormonal sem lembrar o papel que os nutrientes cumprem. Por isso, preparar e corrigir o solo é fundamental. 

A falta de nutrientes (Boro, Fósforo, Cálcio) e o solo compactado afetam diretamente o desenvolvimento, desde as raízes até a parte aérea.  Há muita interferência dos nutrientes no  equilíbrio hormonal.

Bioativadores, bioestimulantes e biorreguladores são a mesma coisa?

Os biorreguladores são os hormônios vegetais como: 

  • auxinas;
  • giberelinas;
  • citocininas;
  • retardadores;
  • inibidores;
  • etileno;
  • brassinosteróides;
  • ácido salicílico;
  • jasmonatos;
  • poliaminas.  

Os bioativadores são compostos de biorreguladores e de macro e micronutrientes. 

Os bioestimulantes são substâncias naturais ou microrganismos que melhoram a resposta a estresses abióticos e a eficiência nutricional. 

A diferença é que os bioestimulantes são constituídos de misturas de grupos hormonais no mesmo produto. São precursores hormonais ou hormônios em si. Entender melhor como funcionam e o posicionamento na cultura é muito importante.

O produto utilizado deve ser recomendado à cultura, pois nos estudos de liberação dos produtos todos os testes são realizados e ajustados às recomendações, são identificados seus efeitos e indicadas as dosagens corretas. 

Para os bioativadores e biorreguladores, existem legislações específicas para o registro no Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).

Quais os tipos de bioativadores?

O portfólio disponível no mercado é grande. Você deve ter as informações principais dos princípios ativos e a sua concentração no produto.

Assim, você saberá qual o melhor posicionamento para a  aplicação, que promova alterações em processos vitais e estruturais em busca de maior produção.

Veja quais são os tipos de bioativadores disponíveis no mercado!

Extrato de algas

Produtos à base de extrato de algas podem reduzir o estresse nas plantas e causar condições favoráveis ao seu desenvolvimento. Os principais gêneros encontrados no mercado são:

  • Phaeophyceae;
  • Ascophyllum nodosum;
  • Macrocystis pyrifera;
  • Durvillea potatorum;
  • Ecklomia maxima;
  • Lithothamnium calcareum. 

Aminoácidos

Eles são os reguladores de expressão e repressão genética, interferindo na susceptibilidade e tolerância às condições adversas. 

As plantas naturalmente produzem seus aminoácidos, mas a contribuição do uso em alguns momentos na cultura tem apresentado resultados surpreendentes na tolerância ao estresse.

Eles têm sido aplicados em tratamentos de sementes e na fase vegetativa de culturas como a soja. Apresentam resultados no desenvolvimento de raiz, acúmulo de matéria seca e redução de estresse. 

Seu uso na fase vegetativa para o controle do efeito fitotóxico tem apresentado resultados muito positivos em restituir e estimular o desenvolvimento da planta. 

Quando o triptofano (percursor do ácido indolacético) é aplicado na fase vegetativa, há desenvolvimento radicular e aumento da vida microbiana do solo.

Ácidos orgânicos

O uso de ácidos húmicos e fúlvicos, produtos da decomposição da matéria orgânica, promove melhoria da estrutura física e química do solo.

Isso contribui diretamente para o aumento da microbiologia do solo e consequentemente na melhoria do metabolismo da planta.

O seu uso causa aumento significativo da absorção de íons, potencializa a respiração e a velocidade das reações enzimáticas do ciclo de Krebs, além de aumentar a produção de ATP nas células radiculares e os níveis de clorofila

Pode ser empregado como um condicionador de solo e também tem efeitos positivos sobre a germinação

O uso de ácido húmico e fúlvico em ambientes salinos permite que o sódio fique mais diluído no solo. Ele pode ser perdido pela lixiviação (promovida pela presença de cálcio, magnésio e potássio em sua composição) que mantém os sítios de troca catiônica ativos. 

Modelo proposto do efeito da aplicação de substâncias húmicas (SH) em solos salinos - bioativadores

(Fonte: Biorreguladores e bioestimulantes agrícolas)

Posicionamento em algumas principais culturas

No que se refere às aplicações agrícolas dos biorreguladores, algumas plantas cultivadas no Brasil já atingiram estágios de evolução que exigem nível técnico avançado para alcançar a produtividade.

Na cultura da soja, o uso de bioestimulantes e biorreguladores tem apresentado ótimos resultados, atingindo mais de 30% de aumento de produtividade. Eles têm sido empregados no tratamento de sementes e em aplicação foliar na fase vegetativa.

E esses resultados são bem entendidos, se, por exemplo, uma cultivar precoce de ciclo de cerca de cem dias for exposta a estresse ambiental por pouco mais de uma semana.

Isso corresponde a 10% do ciclo do vegetal que não está funcionando adequadamente.

O uso de bioestimulantes e biorreguladores promove resultados muito positivos.  

Na cultura do algodoeiro, os resultados com o uso têm sido observados na resistência da cultura e até mesmo na qualidade da fibra produzida. O seu uso no tratamento de semente melhora o vigor das plantas.

Na cultura de cana-de-açúcar, bioestumulantes e biorreguladores também têm sido utilizados para favorecer o brotamento, além de promover a fixação biológica de nitrogênio.

O uso de bioativadores ainda é um campo amplo de pesquisa, visto que respostas vegetais nem sempre são atribuídas à aplicação de um único regulador, porque é preciso considerar que existam hormônios que contribuam para as respostas obtidas. 

checklist planejamento agrícola Aegro

Conclusão

Ao longo do artigo, você viu que há diferenças entre biorreguladores, bioativadores e bioestimulantes. 

Biorreguladores são hormônios vegetais, bioativadores são compostos de biorreguladores, macro e micronutrientes. Os bioestimulantes são substâncias naturais que melhoram a resposta a estresses e a nutrição das plantas.

Os resultados com bioativadores são muitos, mas é importante lembrar que utilizar somente um tratamento de semente ou um produto foliar é relativamente simples.

O posicionamento correto do produto dentro do seu planejamento agrícola e das condições da sua lavoura são a chave para você obter a produtividade final

Você já utilizou bioativadores e bioestimulantes na sua lavoura? Como foi a experiência e o seu retorno com o uso?  Compartilhe sua experiência comigo nos comentários!

As melhores práticas para o reúso da água na agricultura

Reúso da água na agricultura: saiba como algumas práticas simples podem preservar e otimizar esse recurso primordial para a produção agrícola.

Os recursos hídricos são muito valiosos para a produção agrícola. Planejar o seu uso e a sua preservação é muito importante para a atividade e, claro, para o meio ambiente em geral.

O campo demanda milhares e milhares de litros de água por dia e promover um uso mais consciente desse recurso dribla a escassez e ainda pode diminuir os custos em sua propriedade.

Neste artigo, separamos algumas das principais práticas que podem te ajudar a fazer o reúso da água na agricultura. Confira a seguir!

Onde está localizada a água doce?

Antes de falar sobre o reúso da água na agricultura, vale lembrar como é a distribuição da água doce no mundo. 

Cerca de  12% de toda a água doce disponível para consumo no planeta está no Brasil.  Além do Rio Amazonas ser o maior em vazão no mundo, há também dois significativos aquíferos: o Guarani e o Alter do Chão. 

Nove países concentram cerca de 60% de todo o suprimento de água doce do mundo: Brasil, Rússia, China, Canadá, Indonésia, EUA, Índia, Colômbia e a República Democrática do Congo.  

Outros países buscam alternativas para suprir suas necessidades. É o caso de Israel, com cerca de 60% do território localizado no deserto. Atualmente, é líder em tecnologias de reúso de águas dessalinizadas e de esgoto doméstico e assim abastece a necessidade de sua agricultura.  

O processo produtivo da agricultura é o que mais consome água, segundo dados do Programa Mundial de Avaliação da Água da ONU (Organização das Nações Unidas).

Setenta por cento de toda a água é utilizada exclusivamente na agricultura. No Brasil, a distribuição ocorre da seguinte maneira: 72% destinada à agricultura, 11% à produção animal, 9% distribuída nas cidades e 1% distribuição para consumo em áreas rurais. 

A quantidade de água no planeta é sempre a mesma, mas seu ciclo é constante. Se está ocorrendo uma seca em algum local, a água está em outro lugar do planeta ou em outro momento de seu ciclo.

O que é considerado água de reúso? 

A água de reúso é aquela usada mais de uma vez antes de voltar para seu ciclo natural.

Nós temos o reúso potável e reúso não potável, de acordo com o fim da sua utilização, além do reúso direto ou indireto, potável planejado ou não planejado. 

O que as práticas de reúso fazem é promover a disponibilização de água de uma forma mais prática e localizada. Vamos entender um pouco melhor como essas práticas podem ajudar na agricultura.

Sistemas de captação da água da chuva para reúso na agricultura

O índice pluviométrico no Brasil, mesmo com suas variações ao longo do território, apresenta uma situação bem confortável de chuvas. Aqui você pode ver um mapa interativo da precipitação média anual no país. 

As águas de chuva são encaradas atualmente pela legislação brasileira como efluentes, pois usualmente vão dos telhados e dos pisos para os bueiros. Ali, como “solventes universais“, carregam todo tipo de impurezas.

Essa água pode ser encaminhada a algum córrego direcionado ao rio, que vai suprir uma captação para tratamento de água potável. 

No campo, os sistemas de captação de água da chuva (como as cisternas) são uma das formas de aproveitamento. 

As vantagens do uso desses sistemas de captação são redução de custo, operação simples e sustentabilidade

Confira os principais sistemas:

Cisternas Calçadão e de Enxurrada

A infraestrutura é um calçadão de cimento construído na parte mais baixa do terreno. Através de canos, a água da chuva que cai no calçadão escoa para a cisterna. 

A captação da água da chuva se dá por meio do leito de enxurradas, escorrendo para um decantador e, após uma filtragem, para a cisterna.

Barragem subterrânea 

A infraestrutura é uma vala forrada por uma lona de plástico e depois fechada novamente. A vala vai até a camada de rocha, parte impermeável do solo. Com isso, cria-se uma barreira que mantém a água da chuva escorrendo por baixo da terra. 

Tanques de pedra

São fendas largas, barrocas ou buracos naturais, normalmente de granito, construídas em áreas de serra ou lajedos. 

Podem ser construídas paredes de alvenaria na parte mais baixa ou ao redor do caldeirão natural, e servem como barreira para acumular mais água. 

Curvas de nível

Em locais com declividade superior a 45%, as curvas promovem um cordão em infiltração da água de chuva no solo de forma lenta, trazendo de volta o fornecimento de água em quantidade e qualidade.

Barreiros Trincheira

São tanques longos, estreitos e fundos escavados no solo, como as pequenas barragens (barraginhas) desenvolvidas pela Embrapa Milho e Sorgo

A captação de água de chuvas impede o aparecimento de erosões e recupera áreas degradadas.

foto de barraginha, tanque estreito e fundo escavado no solo - artigo sobre reúso de água na agricultura

Barraginha
(Fonte: Embrapa Milho e Sorgo)

Reúso de água de esgoto

A reciclagem, recuperação e reutilização de águas residuárias é uma alternativa que já é realidade em muitos países.

Também é uma realidade que, segundo o Relatório de Desenvolvimento Mundial da Água das Nações Unidas de 2015, 80% das águas residuais do mundo são despejadas no ambiente sem tratamento

O tratamento é indispensável para a reutilização por evitar exposição a patógenos e doenças, além da contaminação do ambiente devido a metais pesados no solo.

No uso com fins agricultáveis, as situações de maior exposição à contaminação são em água de irrigação de hortaliças e frutas. Nesse processo, o tempo do contato e manipulação da colheita interferem ou não no risco. 

Existem pequenas estações que possibilitam a instalação local de tratamento da água na propriedade. 

foto de estação de tratamento de esgoto no campo

Estação de tratamento de esgoto
(Fonte: Embrapa)

Outras práticas para o reúso de água na agricultura

A proteção da fonte é mais que necessária. O modelo de construção de um dique para locais declivosos, chamado Sistema Caxambu, tem como objetivo realizar o armazenamento da água. 

Assim, a água é protegida e canalizada direto da fonte para as residências ou para fins agricultáveis, além de ser uma medida fácil e eficiente.

Na mureta, são instaladas 3 saídas com cano PVC. A inferior realiza a limpeza da fonte; a segunda canaliza a água para o local de consumo; e a superior serve para drenar o excedente, para que o fluxo natural da água não seja totalmente interrompido.

As bitolas devem ser dimensionadas de acordo com a capacidade de vazão da fonte. A parte superior é revestida com lona 200 micras e coberta com terra (mínimo 20 cm). 

Esse sistema é importante para terrenos com granulometria arenosa ou areno-argilosa

Filtro utilizado em propriedades agropecuárias com o propósito de purificar a água oriunda de lagoas naturais com vegetação aquática e a água das chuvas

Filtro utilizado em propriedades agropecuárias com o propósito de purificar a água oriunda de lagoas naturais com vegetação aquática e a água das chuvas 
(Fonte: Epagri)

Outra prática para o manejo de água de uma parte mais baixa do terreno para uma alta é o carneiro hidráulico, uma ótima opção, de baixo custo e simples.

Exemplos e legislação para reaproveitamento de água

A indústria sucroalcooleira foi uma das primeiras a realizar as práticas de reutilização de água residuárias, através da reciclagem das águas originárias das destilarias de álcool para uso na irrigação dos canaviais. 

Para que se avance nas práticas de reúso da água com fins agricultáveis no Brasil é necessária a criação de um legislação federal mais específica para a prática, com parâmetros e normas claras. 

Somente algumas legislações estaduais e municipais são modelo, como o estado do Ceará e o município de Maringá (PR).

checklist planejamento agrícola Aegro, baixe agora

Conclusão

Os recursos hídricos são muito valiosos para a produção agrícola. Planejar o seu uso e a sua preservação é muito importante para a atividade. 

Pequenas ações podem promover a sustentabilidade da sua propriedade. 

Por exemplo, o  armazenamento de água pluvial fornece a demanda necessária e sana complicações, como as enfrentadas com as constantes crises no fornecimento e disponibilizando água para a sua produção. 

Espero que, com as informações adquiridas aqui, você possa pensar em mais práticas para reutilização da água em sua propriedade!

>> Leia mais:

“Agricultura irrigada e produtiva”

“Irrigação com drip protection: conheça as vantagens e cuidados necessários”

Restou alguma dúvida sobre reúso de água na agricultura? Você utiliza algum dos métodos citados aqui? Deixe um comentário!

Logística da pluma do algodão: o que impacta o escoamento da produção?

Logística da pluma do algodão: entenda os desafios que ainda temos de enfrentar e como manter a qualidade do produto no processo de escoamento da produção.

O Brasil atualmente é o quarto maior produtor de algodão do mundo e o segundo maior exportador. Mas o escoamento da produção ainda tem grandes desafios para se tornar mais eficiente. 

Hoje, a maior parte do transporte do algodão depende do modal rodoviário e, no caso das exportações, também do porto de Santos.

Neste artigo, separamos alguns aspectos que envolvem a logística da pluma de algodão e como garantir que o produto saia do campo e chegue à indústria mantendo alta qualidade da fibra. Confira a seguir!

A produção e a qualidade da pluma do algodão

A alta qualidade do algodão é uma exigência do mercado e nela está a garantia do seu lucro. 

Por isso, os cuidados com o manejo da lavoura, como a escolha da tecnologia da semente, adubação, manejos fitossanitários e práticas sustentáveis como o MIP (Manejo Integrado de Pragas), são essenciais! 

Ter um planejamento agrícola detalhado também faz toda a diferença, visto o alto valor investido para produção da cultura. Segundo o Imea, o  custo de produção de algodão chega a R$ 7.252 por hectare atualmente. 

Para alcançar uma qualidade elevada na fibra, o monitoramento diário de pragas e doenças se faz necessário, além de uma série de cuidados na colheita, armazenamento e transporte, como veremos a seguir.

Colheita

A qualidade da fibra do algodão tem relação direta com a qualidade do manejo e a forma como é feita a colheita garante manter ou não essa qualidade.

Por isso, passos básicos devem ser considerados como:

  • realizar a colheita do algodão com tempo seco;
  • garantir uma secagem adequada;
  • realizar o processamento de descaroçamento, enfardamento em pluma e armazenamento em condições adequadas de temperatura e umidade.

E é preciso sempre estar atento a alguns erros comuns da colheita mecanizada, como:

  • velocidade inadequada da colhedora;
  • presença de daninhas;
  • altura das plantas (que deve estar entre 1 m e 1,3 m);
  • erro na utilização de desfolhantes e maturadores;
  • falta de sistema de contenção de incêndios.

Armazenamento

Com a colheita feita, é preciso garantir um armazenamento adequado e seguro do algodão. O produto exige uma qualidade de pureza para seu valor agregado.

No armazenamento, o local deve ser livre de contaminantes, da mesma forma como o controle da umidade é essencial. 

Lembrando sempre de não colocar os fardos diretamente em contato com o piso, evitando a fermentação do produto como a conhecida cavitomia.

Aqui no blog nós já falamos em detalhes tudo o que você precisa saber sobre o armazenamento do algodão. Confira!

Beneficiamento

Segundo a Abrapa, até a safra de 2019, existiam 247 algodoeiras que beneficiavam o algodão ainda em caroço proveniente das fazendas. 

Elas estão distribuídas pelos seguintes estados:

  • Bahia (49)
  • Goiás (17)
  • Maranhão (3)
  • Minas Gerais (16)
  • Mato Grosso do Sul (8)
  • Mato Grosso (139)
  • Piauí (3)
  • Rondônia (2)
  • Roraima (1)
  • São Paulo (2)
  • Tocantins (7)
galpão com beneficiamento do algodão

(Fonte: Abrapa)

Vamos entender um pouco melhor como a tecnologia tem contribuído para o setor e para a alta qualidade do produto brasileiro? 

A padronização e rastreabilidade da pluma

O Brasil tem crescido no mercado e muito se deve à tecnologia que vem adquirindo em relação à padronização e rastreabilidade do produto.

A boa classificação do nosso tipo de algodão, o pagamento de acordo com a qualidade e a centralização dessas informações de fácil acesso são alguns diferenciais.

Desde 2004, existe o Sistema Abrapa de Identificação, que centraliza as etiquetas de códigos de barras para padronização e identificação única dos fardos brasileiros de algodão.

O Programa Standard Brasil HVI – CBRA, promove uma padronização adequada do produto brasileiro medindo, com o equipamento HVI (High Volume Instrument), as características da fibra do algodão como:

  • resistência – capacidade de suportar carga até romper-se;
  • comprimento;
  • uniformidade do comprimento (%);
  • índice ou conteúdo de fibras curtas (%);
  • finura;
  • elasticidade;
  • resiliência – capacidade da fibra voltar ao seu estado original;
  • fiabilidade – capacidade da fibra se transformar em fio;
  • umidade;
  • cor, lustro e reflectância.

As vantagens da padronização são:

  • sistema único e confiável de identificação dos fardos;
  • obtenção de resultados laboratoriais ágeis de classificação;
  • venda ao mercado externo facilitada.

Tanta rastreabilidade e transparência são exigências e qualidades necessárias para o mercado de exportações. Atualmente, a China é o principal país de destino do algodão brasileiro, seguido do Vietnã e Indonésia.

dados e informações de padronização e rastreabilidade de logística da pluma do algodão

(Fonte: Abrapa)

O que impacta na logística da pluma do algodão?

Uma das atividades mais importantes e dispendiosas do processo produtivo é a logística, com influência direta das opções de modais. 

Estudo realizado por Rocha et. al (2016) mostrou que a logística do algodão em pluma chegou a representar 10,36% da receita bruta total da produção. Só o transporte rodoviário contribuiu com 7,6% do custo de produção.

Segundo a Associação Brasileira de Logística e Transporte de Carga (ABTC), as cargas em geral se distribuem entre 65% por modal rodoviário, 15% por modal ferroviário e 20% por modal aquaviário. 

No caso do escoamento da produção agrícola, especificamente, 45% depende do modal rodoviário.

Quando falamos do produto agrícola para exportação, o porto de Santos (SP) é um dos destinos principais. Segundo a Agência Nacional de Transportes Aquaviários, um em cada três produtos exportados passa por lá.

Rotas

A opção de rotas tem relação direta com a infraestrutura e os aspectos tributários. Os tributos mais expressivos e de maior impacto nas operações logísticas são: PIS, Cofins, IRPJ, CSLL e ICMS.

O principal estado produtor do Brasil, o Mato Grosso agora conta com o terminal logístico em Rondonópolis (MT), que já faz as alocações em contêineres e o escoamento via malha ferroviária para os portos.

Já a produção da Bahia ainda se desloca praticamente toda via modal até o porto de Santos para os carregamentos. 

A abertura de escoamento pelo Arco Norte via Santarém (PA) tem sido vista como opção de redução de custos. 

Assim como o porto de Salvador (BA) para a exportação da pluma baiana que ainda concentra a sua exportação via porto de Santos.

A possibilidade de melhoria de nossa infraestrutura de escoamento com redução de custo, contribuiria com um aumento da competitividade do Brasil no mercado de exportações. 

planilha de produtividade do algodão Aegro

Conclusão

O país tem crescido no mercado de exportações, a nossa tecnologia de rastreabilidade e avaliação de qualidade do produto já é muito boa.

Da porteira para dentro, somos muito bem abastecidos de tecnologias e eficientes na produção. 

Nosso maior desafio da porteira para fora ainda é a logística do escoamento da nossa produção.

As opções de modal são restritas e os custos são muito elevados. E para que uma mudança ocorra, é preciso haver melhoria da nossa infraestrutura de escoamento.

Restou alguma dúvida sobre os desafios da logística da pluma do algodão? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Entenda os principais fenômenos meteorológicos na agricultura e planeje melhor sua produção

Fenômenos meteorológicos na agricultura: tire suas dúvidas sobre El Niño, La Niña e microclima e o que fazer para preparar sua lavoura!

O bom desenvolvimento da atividade agrícola é dependente do clima. Além do solo, a umidade e a temperatura impactam diretamente na germinação ou não da semente e no andamento da lavoura. 

As mudanças climáticas alteram todo o desenvolvimento das culturas, com ventos, falta ou excesso de chuva e temperatura aumentando. 

Mas quais são os fenômenos meteorológicos na agricultura aos quais você deve atentar?

Neste artigo, separamos o que você deve conhecer sobre o “tempo” e qual é sua principal influência nas atividades agrícolas. Confira!

Impacto dos fenômenos meteorológicos na agricultura

Acompanhar as previsões climáticas ao longo de toda a safra pode fazer a diferença para acertar nos manejos da propriedade.

Monitorar o clima diariamente até já é rotina para grande parte dos produtores, mas existem processos climáticos mais amplos que são muito importantes de serem considerados quando se planeja uma safra.

Um dos fenômenos meteorológicos na agricultura que causa variabilidade climática na América do Sul é o chamado fenômeno Enos (El Niño e La Niña), que afeta diretamente o regime de chuvas de várias regiões. 

Vou explicar melhor esses e outros eventos climáticos a seguir.

checklist planejamento agrícola Aegro

Chuvas

As chuvas são um dos fenômenos meteorológicos na agricultura mais possíveis de se prever. Elas são fundamentais para a lavoura, principalmente quando bem distribuídas.   

As chuvas são divididas em:

  • orográficas: geradas quando há um impedimento da massa de ar úmida por uma montanha.
  • convectivas: são as chuvas decorrentes de altas temperaturas.
  • frontais: ocorre pelo choque de uma massa de ar fria com uma massa de ar quente.

Em cada região do Brasil, as chuvas também são influenciadas por zonas diferentes como ZCAS (Zona de Convergência do Atlântico Sul) e ZCIT (Zona de Convergência Intertropical). 

Nesse caso, as regiões Sudeste e Centro-Oeste são influenciadas pela ZCAS e as regiões Nordeste e Norte pela ZCIT. 

A expectativa, segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), para o verão de 2021 são chuvas frequentes em praticamente todo o país. 

São exceções o extremo sul do Rio Grande do Sul, leste da região Nordeste e a faixa nordeste de Roraima, onde geralmente o total de chuva é inferior a 400 mm. 

Volumes mais altos de precipitação devem ser observados sobre as regiões Norte e Centro-Oeste, com totais na faixa entre 700 mm e 1.100 mm. 

E falando em chuvas, um fenômeno meteorológico que ocorre no Brasil e influencia o clima do país é o chamado rios voadores, que são cursos de água atmosféricos. 

Segundo o pesquisador da Fapesp, Antônio Donato Nobre, este é um fenômeno que ocorre na Amazônia e influencia outras regiões do Brasil em seu regime de chuvas, como o Centro-Oeste, o Sudeste e o Sul. 

Vale muito conferir essa entrevista do professor sobre o assunto no vídeo a seguir!

https://www.youtube.com/watch?v=uxgRHmeGHMs

Fenômenos Enos

Esse fenômeno é o aquecimento ou resfriamento das águas do oceano Pacífico Equatorial, promovidos pelas duas famosas variações: El Niño (águas mais quentes) ou La Niña (águas mais frias). 

Ele impacta o regime de chuvas, embora o regime térmico também possa ser afetado. 

Sua influência ocorre em cerca de 20 regiões no mundo. No Brasil, as regiões mais afetadas são a parte nordeste e leste da Amazônia (na faixa tropical) e a região Sul (na faixa extratropical).

Vale a pena dar uma conferida nesse vídeo que explica claramente como funciona essa dinâmica na zona tropical do oceano:

Entenda o que é El Niño

El Niño

Os efeitos do El Niño vão do aumento de chuvas ao aumento de temperaturas. Em cada região do país, os efeitos são sentidos de forma diferente.  

No Sul e Sudeste, ocorre um aumento da temperatura média. No sul, as precipitações também ficam mais abundantes. 

Já no Nordeste e Norte, há aumento das secas. 

No Centro-Oeste, a tendência é de aumento de temperatura, mas sem efeitos pronunciados nas chuvas.

La Niña

De modo geral, o La Niña tem efeito contrário ao El niño. Em 2021, o Instituto Americano de Meteorologia e Oceanografia manteve o cenário de La Niña para o verão, chegando ao fim no decorrer do outono.

O La Niña tende a favorecer as culturas de inverno (trigo, cevada, aveia, canola, etc) e prejudicar as culturas de verão (soja, milho, feijão, pastagem). Já o El Niño tem efeito inverso.

Microclima

O microclima é o agrupamento de fenômenos meteorológicos na agricultura que acontecem na camada de ar junto à cultura ou ao solo, influenciado diretamente pela localização da lavoura, o tipo de solo e altura da cobertura do solo.

O que promove algumas condições melhores para evitar muito calor ou escassez de água, por exemplo, são práticas como: 

Assim como o fenômeno dos rios voadores, a vegetação próxima às suas lavouras e a cobertura do solo fazem toda a diferença tanto na proteção das áreas quanto a adversidades como ondas de frio e calor, secas e geadas.

Sobre esse assunto, vale a pena conferir também o artigo “Como prevenir a perda de grão por geada”

Outros pontos a serem considerados

Para minimizar os impactos das condições climáticas, alguns pilares podem ser trabalhados:

  • aumento do perfil do solo
  • maior exploração do sistema radicular
  • escolha de genética adequada, genética mais produtiva; 
  • posicionamento.

Por isso, a construção de um bom solo é necessária, com boa capacidade de armazenamento de água. 

As mudanças climáticas trazem tendências como o aumento da temperatura, o que consequentemente altera a taxa de sobrevivência de pragas, parasitas, patógenos de plantas e micróbios do solo, além de estações de cultivo mais longas. 

Nesse cenário, é preciso planejar melhor a produção, utilizar soluções inteligentes como a agricultura digital e manejos mais sustentáveis do solo.

Além disso, não deixe de analisar o zoneamento climático agrícola: ele é fundamental!

Dicas para planejar melhor a sua produção

No planejamento da safra, é preciso manter o hábito de verificar os boletins de previsão de tempo, como os do Inmet.

Além disso, vale acompanhar diariamente e realizar o ajuste do manejo da lavoura de produção de grãos, aguardando as melhores condições para plantio, manejos de aplicações, irrigação e a colheita.

Planilha de Planejamento da Safra de Milho

Conclusão

Vamos precisar nos adaptar e inovar nos próximos anos para melhor manejar nossas lavouras de acordo com os fenômenos meteorológicos na agricultura. 

Quase todos reconhecem que os padrões climáticos estão mudando e a agricultura sente de maneira profunda essa mudança. Talvez seja um dos maiores desafios da nossa atualidade. 

Acompanhar as previsões no planejamento da safra é básico. E saber o impacto dos fenômenos meteorológicos na agricultura é fundamental.

Espero que, com as informações passadas aqui, você consiga ter um melhor entendimento e ações em sua lavoura!

>> Leia mais:

“As melhores práticas para o reúso da água na agricultura

“A influência da lua na agricultura: verdades e mitos”

Gostou deste artigo sobre os fenômenos meteorológicos na agricultura? Assine nossa newsletter para receber nossos artigos direto em seu e-mail!

7 fatores que influenciam o aumento da produtividade agrícola e como melhorá-los

Aumento da produtividade agrícola: o que você precisa saber para impulsionar os resultados da fazenda sem precisar de mais área cultivável

A produção agrícola é sempre um desafio. São muitos os aspectos e fenômenos incontroláveis, desde o clima que afeta diretamente a lavoura ao preço que o mercado oferece.

Aumentar a produtividade é fazer crescer a produção. Mas, por si só, ter uma produtividade elevada também não é sinônimo de eficiência.

Neste artigo, elenco 7 fatores que influenciam a produtividade agrícola e o que você pode fazer para melhorá-los em sua fazenda. Confira!

O que impacta o aumento da produtividade agrícola?

Pensar em produtividade é impossível sem falar em uma boa administração dos mais variados fatores que compõem o resultado da sua empresa rural

É preciso considerar não só a produtividade em si, mas o potencial de evolução da sua propriedade. 

Alguns pontos vão impactar bastante a produtividade a longo prazo como: solo, insumos, escolhas técnicas de manejo de plantas daninhas, escolha tecnológica, mão de obra e investimentos financeiros.

E na produção de commodities, na qual o mercado dita “o jogo”, você se torna um tomador de preço. Por isso, para ter lucratividade, é importante investir de forma assertiva e racionalizar os custos.

É preciso promover o máximo potencial da sua propriedade, tornando-a inteligente e o seu trabalho mais eficaz. 

A seguir, veja alguns fatores que impactam sua produtividade e o que fazer para que ela se torne maior em sua fazenda.

YouTube video player

1 – Manejo do solo

O objetivo com o manejo do solo é evitar que ele tenha compactação ou erosão e garantir que haja quantidades adequadas de matéria orgânica. 

Por isso, diagnosticá-lo faz toda a diferença! Fazer análises de solos periodicamente é essencial.

Com a análise em mãos, é possível identificar as correções necessárias de pH e fazer a melhor adubação de acordo com a cultura que será implantada e suas exigências. 

A prática de zonas de manejo, onde uma amostragem estratificada é tirada para diagnóstico das camadas do solo (0-10, 10-20 e 20-40 cm) é super importante também. Assim, você tem a possibilidade de analisar melhor o balanço nutricional da sua área.

As práticas conservacionistas são o melhor caminho para a qualidade do seu solo a longo prazo. O Sistema de Plantio Direto (SPD) é um investimento para que as melhores  características de um solo sejam mantidas. 

A compactação é um grande desafio nas lavouras. Utilizar arado ou subsoladores ajuda a resolver parte do problema, pois remove a compactação, mas também desfaz os agregados do solo. 

O melhor é investir em plantas de cobertura com sistema radicular mais agressivo, pois com isso você ainda adiciona matéria orgânica ao solo, favorecendo as ciclagens de nutrientes. 

Sem falar que estamos avançando muito nas análises biológicas do solo, como o exame de bioanálise desenvolvido pela Embrapa. 

Aqui também temos uma tabela para cálculo de calagem que pode te ajudar. Aproveite para baixar clicando na imagem abaixo!

2 – Qualidade da semente

O objetivo ao implantar uma lavoura é que, após o plantio, a germinação seja sempre bem estabelecida e uniforme, na qual possamos confiar no potencial produtivo. 

Uma semente de qualidade vai determinar seu potencial de desempenho a campo.

E o que é uma semente de qualidade? Uma das primeiras coisas que recomendo para avaliar a semente é considerar seus atributos físicos como danos mecânicos, de insetos e o tamanho da semente padrão para facilitar o plantio. 

Os atributos sanitários também são muito importantes, pois as sementes são um dos principais meios de disseminação de doenças, principalmente em novas áreas. 

É fundamental utilizar sementes certificadas, por isso, sempre confira o boletim da semente. 

Você pode salvar a sua própria semente para uso exclusivo na sua propriedade – mas também é super importante testá-la. 

Para ter uma ideia de como será o desempenho da semente a campo, sempre utilize canteiro de teste. Se possível, teste até o tratamento de semente que irá utilizar com essas sementes do canteiro.

Lembrando que somente com condições adequadas de solo, nutrição, bom tratamento da semente e sem competição com plantas daninhas, ela poderá expressar seu máximo potencial produtivo.

3 – MIP e controle biológico 

Falar de MIP (Manejo Integrado de Pragas) é falar de monitoramento constante das área, porque muitas populações de insetos só são percebidas no momento em que causam perdas. 

Fazer um bom levantamento da área e depois utilizar várias técnicas para manter as populações abaixo do nível de dano econômico é o objetivo do MIP. 

Dentre as diferentes práticas, o controle biológico pode ajudar muito no resultado produtivo da sua propriedade.

Alguns exemplos são o uso de insetos predadores vivos, nematoides entomopatogênicos, patógenos microbianos, controle comportamentais com o uso de substâncias hormonais ou armadilhas atraentes para suprimir populações de diferentes insetos-praga. Experimente alguma em sua propriedade!

Primeiro porque você vai notar diferença na forma como o sistema reage e, se bem feito, verá que ele contribui para o nível de equilíbrio (NE) da lavoura. 

Segundo porque começará a ver outras possibilidades de manejo, rotacionando e posicionando os produtos químicos de forma diferente na lavoura e, consequentemente, diminuindo seu uso.

4 – Manejo de plantas daninhas

As plantas daninhas são super adaptáveis às condições edafoclimáticas e têm muita facilidade na sobrevivência e dispersão. O segredo delas é que, dentro de uma mesma população, possuem variações genéticas. 

O objetivo é prevenir e controlar as plantas daninhas nas lavouras. Por isso, é preciso identificar quais as principais invasoras da área e conhecer suas características mínimas. 

E o mapeamento das plantas daninhas é uma ótima opção a ser realizada neste caso. Falamos aqui no blog sobre o assunto no artigo “Tudo o que você precisa saber sobre mapeamento de plantas daninhas”.

Mas o básico de monitoramento convencional já faz toda a diferença. Para ajudar neste trabalho, você pode contar com alguns aplicativos para identificação de invasoras, inclusive.

Para manejo, a melhor opção é fazê-lo de forma integrada. Rotacione herbicidas em conjunto com rotação de culturas, utilize sementes certificadas e efetue a limpeza dos equipamentos também. 

Outra opção recomendada é fazer o controle não químico das plantas daninhas.

5 – Mecanização da propriedade e Agricultura de Precisão 

A mecanização agrícola traz grandes contribuições para aumento da produtividade agrícola. Além disso, é uma importante aliada na eficiência de aplicação e economia de produtos, além da possibilidade de manejar áreas maiores. 

Uma das coisas que mais aprendi na fazenda é que tratores, implementos, colheitadeiras e semeadoras bem reguladas e limpas são um investimento de tempo super necessário e importante.

Se possível, padronize as marcas dos seus implementos também. Em médio e longo prazos, isso pode facilitar muito suas manutenções. 

Quanto à Agricultura de Precisão, ela é uma das ferramentas mais avançadas para ajudar a potencializar a sua produtividade. 

Se você ainda não tem um projeto implantado, comece a usar seu próprio GPS para marcar onde fez as coletas do solo, onde tirou uma amostra da lavoura, onde identificou plantas daninhas e população de insetos. Seu próprio celular te ajuda nisso.

Não tenho dúvidas de que, quanto mais informações coletar das áreas, maiores serão as implicações diretas no diagnóstico e desempenho da produção.

E já que estamos falando em mecanização da propriedade, separei aqui uma ferramenta que vai te ajudar a calcular o custo operacional da frota da sua fazenda. Clique na imagem abaixo para acessar!

6 – Gestão agrícola para aumento da produtividade

A produção elevada, por si só, não indica boa produtividade de uma fazenda. É preciso ter uma visão sistêmica e global da propriedade – o que é possível com gestão agrícola.

Um dos primeiros e fundamentais passos para isso é ter uma boa organização dos dados da fazenda. E isso se torna mais fácil e prático com ajuda de um software de gestão agrícola como o Aegro, por exemplo. 

Com a organização das informações, você consegue ter mais controle da sua produção, saber quais talhões foram mais produtivos e quais áreas trouxeram mais rentabilidade.

Isso te ajuda a tomar decisões certeiras, sabendo onde investir ou reorganizar seu planejamento financeiro e operacional.

Invista mais seu tempo em analisar informação e entender as causas do que acontece na fazenda, em vez de somente reagir aos problemas. E a entressafra é um bom momento para começar a fazer isso!

O importante é realizar de forma qualificada a coleta dos dados, para poder confiar nas informações e no que está planejando fazer. 

Não dá para fazer gestão da propriedade somente olhando o saldo na conta bancária. Você precisa entender se está tendo retorno do investimento. Organizar o gerenciamento das informações aumenta a precisão da suas decisões!

7 – Equipe e conhecimento

Não tem como falar em aumento da produtividade agrícola sem pensar na gestão das pessoas envolvidas nisso – seja você e sua família ou uma equipe de funcionários.

Serviço é algo que nunca falta em uma propriedade: sempre tem o que se fazer! Nesses últimos dois anos, tenho trabalhado com gestão de granjas e posso dizer, sem dúvidas, que garantir um tempo para investir na sua equipe faz toda diferença!

Insira no planejamento um tempo para alinhamento e formação do seu pessoal. Organize a “casa” de forma que as informações possam chegar às pessoas certas no momento certo para atuarem. Faça divisão do time, reuniões de alinhamento. 

Na fazenda onde trabalhei, a reunião no café da manhã com a equipe que entraria no turno fazia toda a diferença. Quando ela não ocorria por algum motivo, usávamos o rádio o dia todo para colocar as coisas no lugar. 

Você pode pensar: “nossa, como vou conseguir incentivar minha equipe se tenho tanta coisa para resolver na propriedade?”… Mas, aí é o ponto! Você pode e deve investir também em si mesmo para se desenvolver como líder e ajudar a equipe. 

Além disso, é preciso investir em conhecimento da agronomia em si. Conheça e garanta que sua equipe tenha entendimento da cultura que está sendo implantada, de plantas daninhas, realização de manejos, etc.

Coloque tudo isso dentro de um cronograma e orçamento. Recomendo filtrar e escolher iniciar com algumas ferramentas digitais que podem fazer toda diferença na sua rotina na propriedade.

Já falamos aqui no blog sobre a como a agricultura 4.0 pode ajudar na rotina da sua propriedade. Confira: é simples e, ao mesmo tempo, fantástico!

Conclusão

Aumentar a produtividade de forma eficiente é possível. 

Certifique-se de acertar o básico como ter uma boa gestão agrícola, fazer a análise de solo, utilizar semente de qualidade, fazer o manejo integrado e ter um time entusiasmado!

A tecnologia também pode contribuir muito com tudo isso e, futuramente, haverá ainda mais oportunidades de melhorias na produção, com manejos mais inteligentes, sustentáveis e eficazes.

Espero que, considerando bem esses pontos apresentados aqui, você consiga ter uma ótima safra. 

O que você tem feito para alcançar o aumento da produtividade agrícola? Restou alguma dúvida sobre os pontos tratados no artigo? Deixe seu comentário abaixo!

Irrigação de feijão: quando vale a pena investir?

Irrigação de feijão: como avaliar melhor esse investimento, vantagens, desvantagens e o resultado na produtividade da lavoura.

O feijão é uma cultura de ciclo curto, por isso pode ser muito afetada pela deficiência hídrica. 

A primeira safra de 2020, por exemplo, sofreu com a estiagem e teve impactos na sua produtividade.

A irrigação é uma tecnologia que pode ajudar muito, pois permite planejar melhor a lavoura e não contar somente com a “sorte” da chuva na hora certa.

Mas o que considerar antes de optar pela irrigação de feijão? Neste artigo vou mostrar as principais vantagens e desvantagens para que você faça a melhor escolha. Confira a seguir!

O ciclo do feijão e suas exigências hídricas

O feijão possui três safras por ano, o que proporciona sazonalidade das condições ambientais em cada safra. Mas as exigências da cultura durante o ciclo são sempre as mesmas, claro que de acordo com a cultivar utilizada. 

A exigência hídrica do feijão começa na germinação, a qual requer uma lâmina mínima de água de 1,3 mm. 

Mas é em V4 que a necessidade da cultura é maior. Neste momento em que existe mais área foliar, são necessários 56 mm ao todo.

Em R5, com o surgimento dos primeiro botões florais, também ocorre uma demanda hídrica grande. Em R7, na formação das vagens, ocorre outro pico de exigência hídrica.

Já falamos isso em detalhes no Blog do Aegro. Confira os “Manejos essenciais em cada um dos estádio fenológicos do feijão”.

O plantio de outono/inverno é o que enfrenta maior escassez de chuvas e, por isso, é uma das que mais requer o uso da irrigação para a produção. Mas quando vale a pena fazer a irrigação e quais são suas vantagens e desvantagens? Vou mostrar a seguir:

Vantagens e desvantagens da irrigação de feijão

Alguns pontos devem ser bem considerados para avaliar se vale a pena ou não o uso da irrigação para o feijão.

Antes de instalar a irrigação, considere:

  1. distribuição das chuvas da sua região;
  2. necessidade de água na cultura;
  3. efeito da irrigação na produtividade;
  4. fonte de água.

Vantagens 

Com o uso da irrigação, há todo suprimento hídrico necessário à cultura. 

Isso garante produtividade, eficiência de aplicação com a regulação correta do bicos irrigadores, proteção contra geadas e a possibilidade de uso para fertirrigação. 

E, se tudo for bem planejado, não há qualquer desperdício de água na propriedade. 

Desvantagens 

Para a implantação da irrigação, as condições locais vão fazer toda a diferença. Por isso, a declividade do terreno e as condições meteorológicas, como o vento, devem ser bem avaliadas.

Há também a necessidade do investimento inicial na estrutura para a irrigação e as despesas recorrentes com manutenção e energia elétrica que devem entrar no planejamento agrícola

Além disto, você necessita de autorização para captação de água: a outorga.

Tipos de irrigação para feijão

São três os principais tipos de irrigação: a localizada, a superficial e a de aspersão. Vou explicar melhor cada uma deles a seguir.

Localizada

Esse tipo de irrigação é realizada próximo às raízes das plantas, promovendo o umedecimento do solo. As técnicas utilizadas podem ser o gotejamento ou a microaspersão

foto com foco na irrigação localizada, mostrando a técnica de gotejamento em solo. irrigação de feijão

(Fonte: Érico Andrade/G1)

Superficial

Essa é a irrigação realizada por meio de sulcos na lavoura ou pela realização de inundações. A água é conduzida pela superfície do solo até o ponto de infiltração. 

Aspersão

Esse é o tipo de irrigação que simula uma chuva. 

Os sistemas mais utilizados nesses casos são o autopropelido, convencional ou pivô central. Vou falar um pouco mais sobre eles. 

Autopropelido

Nesse sistema existe o deslocamento pela área de cultivo de um carrinho com plataforma onde ficam as mangueiras e aspersores, podendo utilizar barras ou canhão de irrigação.

A vantagem desse sistema é ser utilizado em diversos tipos de áreas (com relevos e delimitações diferentes) e ter baixa exigência de trabalho manual

As desvantagens são o custo de investimento no equipamento e uma inadequada proteção contra geadas e gotas muito grandes quando mal regulado. 

foto de carrinho com plataforma autopropelido em um campo para irrigação de feijão

(Fonte: Embrapa)

Pivô Central

Como o próprio nome já diz, esse sistema é baseado em um pivô fixado ao centro de uma área circular, no qual as barras de irrigação atingem para a aspersão da água.

A vantagem desse sistema é a baixa exigência de mão de obra, a uniformidade da aplicação da irrigação, possibilidade de aplicação frequente em pequenas quantidades de água, protegendo de geadas e adaptação à fertirrigação. 

Por outro lado, o custo inicial da implantação é alto e a área irrigada pelo pivô é delimitada.

Aspersão Convencional 

Nesse sistema, a aspersão é fixada em um local que realiza a aspersão da água por canhão. 

As vantagens são o custo menor de implantação, facilidade de operação, além de poder ser utilizada em diversos tipos de área.

As desvantagens são a exigência de mão de obra para movimentação dos canhões na lavoura para irrigar outras regiões e dificuldade em possibilitar outros manejos fitossanitários da lavoura.

Ferramentas para intervalo de irrigações 

Para que não haja desperdícios, é necessário que se tenha um gerenciamento correto dos turnos de regas (ou o intervalo de irrigações). Por isso, vamos entender algumas ferramentas de controle: 

Tensiômetro 

Essa aparelho é colocado no solo para medir a tensão da água em duas profundidades diferentes: a 15 cm e a 30 cm. 

É a leitura dos dados dos tensiômetros que baseiam o processo de irrigação, que segue o método de turno de rega (TR). O cálculo do intervalo entre regas considera fatores como:

  • capacidade de campo;
  • ponto de murcha permanente;
  • densidade do solo;
  • profundidade efetiva das raízes da planta;
  • fator de disponibilidade de água;
  • evapotranspiração;

Ao longo do ciclo de feijoeiro, esses fatores variam. 

Em pivô central, os tensiômetros são instalados em distâncias de 4/10, 7/10 e 9/10 do raio do pivô.

Irrigâmetro

Esse aparelho contém um evaporímetro e o objetivo é estimar a evapotranspiração da cultura. Ele é constituído de um recipiente de seção cônica, de cor verde, que mantém uma superfície de água exposta à atmosfera e foi desenvolvido pela Universidade Federal de Viçosa.

Sensores

Através do uso de sensores é possível acompanhar diversas variáveis ambientais que influenciam diretamente na necessidade de rega.

Esses sensores podem ser distribuídos em várias partes da lavoura e coletando, a todo o momento, informações sobre a disponibilidade hídrica. 

planilha custos de pivô Aegro

Conclusão

O importante é você começar pelo simples: conheça bem a sua região, o clima, relevo, solo e o ciclo da cultura do feijão. 

Depois, faça bem feito o seu planejamento agrícola e conheça outras experiências de agricultura irrigada. Com isso, você saberá avaliar bem se a prática se encaixa no seu planejamento. 

Uma coisa é certa: se planejar bem o uso da irrigação da sua lavoura o resultado vem, pois o feijão é uma cultura com o mercado aquecido. 

>> Leia mais:

Melhore seu plantio de feijão (Phaseolus vulgaris L.)

Gostou do texto? A irrigação de feijão é uma opção para a sua propriedade? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Como fazer o manejo e a correção do solo alcalino

Solo alcalino: como identificar e as opções mais efetivas para corrigir o pH em sua propriedade

O pH de um solo tem relação direta com a disponibilidade dos nutrientes. E a nutrição correta das suas plantas é um dos principais fatores para o sucesso da produção.

A correção dos solos pode até parecer um detalhe do manejo, mas a realidade é que ela é uma das principais práticas a ser realizada para a fertilidade do solo.

Em solos ácidos, as práticas são mais conhecidas, pois a maior parte dos solos tropicais é acidificada. Mas a presença de solos alcalinos também é uma realidade brasileira e é necessário ajustar o pH para as plantas. 

Qual corretivo utilizar? Qual o manejo realizar? Confira essa e outras respostas a seguir!

Ph do solo 

O pH é o potencial ou teor de hidrogênio do solo, do H⁺ presente na solução do solo e um dos principais indicadores da sua fertilidade.

A variação do pH se encontra entre 1 e 14, sendo 7 o valor para um solo neutro. 

É considerado um solo ácido aquele com pH abaixo de 5,5, o qual estaria saturado de H⁺ e com maior presença de Al³. Os solos com pH acima de 7 são solos alcalinos. 

A faixa ideal de pH para as plantas gira em torno de 6 a 7, pois nessa faixa os nutrientes se encontram mais disponíveis. 

A relação direta com a fertilidade é no equilíbrio químico de trocas que acontecem e disponibilizam ou complexam os nutrientes no solo. A capacidade de troca de cátions, a CTC do solo, também é pH dependente. 

gráfico com disponibilidade crescente e pH do CTC do solo
(Fonte: Adaptado de Malavolta, 1979. Apresentação Prof. Dr. Gustavo Brunetto)

Como solos alcalinos possuem baixa quantidade de íons de H e Al, os pontos de troca de cargas encontram-se ocupados por bases trocáveis. 

Solos alcalinos

O clima e a morfologia têm interferência direta no tipo de solo. O solo alcalino é característico das regiões com climas mais seco ou semi-árido (ou ainda com processos inundativos), como alguns solos do nordeste e Pantanal. 

A alcalinidade também pode ocorrer devido à calagem feita de forma equivocada, por exemplo. 

Os solos alcalinos possuem um poder tampão forte, ou seja, apresentam resistência à mudança do seu pH.

A presença de carbonatos de cálcio e magnésio no solo promovem a neutralização de adubações acidificantes. 

O acúmulo de sais de cálcio, magnésio, potássio e carbonato de sódio saturam as cargas negativas do solo e diminuem a disponibilidade de micronutrientes como Manganês, Zinco, Ferro, Cobre e do macro P (potássio).

banner da planilha de calagem com uma tela de computador e texto explicativo

Como identificar um solo alcalino? 

A análise de solo é a principal ferramenta para identificar todas as condições do solo. Já falamos aqui no blog sobre o assunto, confira: Análise química do solo: o porquê da sua realização.

Um indicador visível na lavoura de que o solo está alcalino pode ser a clorose promovida pela deficiência de ferro. Isso ocorre pois, no processo da fotossíntese, o ferro é um elemento importante. A clorose se inicia nas folhas jovens com o amarelecimento do limbo foliar. 

quatro fotos da clorose férrica induzida pelo calcário, do dia 01 ao dia 30.
Clorose férrica induzida pelo calcário
(Fonte: Revista Ceres)

Como corrigir o pH do solo alcalino?

Assim como na correção de solos ácidos utilizamos fontes minerais, em solos alcalinos elas também são uma das opções. 

É possível utilizar materiais como enxofre e adubos nitrogenados, mas também a utilização de adição de material orgânico e manejos com leguminosas. 

O planejamento agrícola aqui é fundamental, pois alguns processos de correção são lentos e têm interferência direta com a umidade, temperatura e bactérias presentes no solo.

Enxofre elementar

O enxofre elementar (So) contribui para a regulação do pH do solo e é uma das opções com ótimo custo benefício. 

Alguns fatores são importantes e devem ser considerados no seu uso, como a granulometria do produto, que interfere na reação do mesmo, e o solo possuir umidade para solubilização. 

A liberação do S no solo é um processo de oxidação biológica e, por isso, a presença de bactérias sulfurosas para realizar a transformação do S em sulfato (SO4)² é fundamental.

Ureia revestida com enxofre

O enxofre é uma barreira física, semipermeável que permite que a ureia seja solubilizada de forma gradual.

A sua atuação na diminuição do pH do solo é percebida em cerca de duas a três semanas após a aplicação, por sua reação no solo. 

É um bom fertilizante, pois, com o revestimento, a lixiviação e volatilização diminuem em cerca de 50%. É promovida uma proteção gradual às ureases presentes nos solo e resíduos, auxiliando a lenta disponibilização para o solo. 

Adubações nitrogenadas

O sulfato de amônio é comumente utilizado para a adubação de cobertura. Como esse fertilizante conta com a presença de N e S, seu processo no solo promove a acidificação do mesmo. 

Matéria orgânica

O ciclo natural de decomposição da matéria orgânica promove a geração de ácidos orgânicos. 

Por isso, uma das formas de promover a acidificação do solo é a  adição de matéria orgânica como compostos ou turfa na camada arável do solo, de 0 cm a 20 cm.

O ideal é fazer aplicações graduais, podendo ser seguidas de aplicação de microrganismos benéficos como EM, Bacilus subilits ou biofertilizantes que possam contribuir com a microbiota do solo. Isso favorece a decomposição da matéria orgânica adicionada. 

Adubação verde

Como um dos principais papéis das leguminosas no solo é a adição de nitrogênio, esse passa naturalmente pelo processo de nitrificação e, consequentemente, lixiviação do nitrato, promovendo a acidificação do solo pela liberação maior de íons H+. 

Além disso, o processo de decomposição da massa verde também gera ácidos orgânicos no solo, ou seja, contribuindo para a acidificação do solo. 

solo alcalino - ilustração de Plantas de cobertura no sistema soja-milho-algodão no cerrado
Plantas de cobertura no sistema soja-milho-algodão no cerrado
(Fonte: IPNI)

Conclusão

Sem dúvidas, a correção dos solos alcalinos é fundamental para a produtividade da sua lavoura. 

Neste artigo, você viu diversas possibilidades de corrigir um solo alcalino, como adubação verde, adubação nitrogenada, utilização de enxofre e ureia, por exemplo.

A escolha da melhor prática do ponto de vista técnico e econômico será a chave do seu retorno econômico.

Realize o planejamento agrícola adequado, sem perda de tempo nem desperdícios, e obtenha maior rentabilidade em sua fazenda!

Você tem solo alcalino em sua propriedade? Como tem feito o manejo? Deixe seu comentário abaixo!