Últimas notícias sobre ervas daninhas: Dicamba e Amaranthus palmeri

Ervas daninhas: Principais informações para que você possa fazer o melhor manejo da sua lavoura.

O manejo inadequado ou falta de controle das ervas daninhas pode causar sérios prejuízos em nossas lavouras.

E isso impacta a produtividade, qualidade, sem contar os problemas na hora da colheita.

Acompanhe neste artigo as últimas atualizações com relação ao Amaranthus palmeri e ao herbicida dicamba, que vem gerando várias dúvidas e preocupações sobre a correta aplicação. Confira:

Principais informações sobre o herbicida dicamba

O dicamba pertence ao mecanismo de ação das auxinas sintéticas, mesmo mecanismo do 2,4-D, picloram, triclopyr, fluroxypyr e quinclorac. 

Os herbicidas deste grupo são seletivos para gramíneas devido à baixa absorção pelas folhas e translocação limitada no floema.

Por isso, são importantes ferramentas no controle de plantas daninhas de folhas largas.

Entretanto, por não serem seletivos às culturas de folhas largas, como a soja, não podem ser utilizados

Por isso, novas tecnologias, como a soja tolerante ao dicamba, foram desenvolvidas, como a “Intacta 2 Xtend”.

ervas daninhas

(Fonte: Conselho de Informações sobre Biotecnologia)

O dicamba apresenta como principal vantagem o controle de ervas daninhas de folhas largas (dicotiledôneas), além de vir associado à tolerância ao glifosato.

Logo, poderá ser um importante aliado para o controle de ervas daninhas resistentes ao glifosato, como a buva e o caruru. 

Pode ainda ser eficiente para outras plantas daninhas de difícil controle como corda-de-viola, erva-quente e vassourinha-de-botão.

ervas daninhas

Ervas daninhas com relatos de resistência ao glifosato: Conyza sumatrensis (esquerda) e Amaranthus palmeri (direita)

(Fonte: Heap, 2019)

Controle de ervas daninhas: Preocupação com o dicamba 

A grande preocupação em relação ao uso deste herbicida está relacionada à deriva. A soja não tolerante ao dicamba, além de outras culturas, são muito sensíveis a este produto. 

A recomendação é de que o dicamba não seja aplicado em condições climáticas como:

  • Temperaturas superiores a 29°C; 
  • Umidade relativa do ar abaixo de 40%; 
  • Ventos acima de 16 km/h; 
  • Dias com inversão térmica. 

Mas sabemos que, durante a safra, essa condição de temperatura é rapidamente atingida no campo, por isso a preocupação.

ervas daninha

(Fonte: SC Cereais)

Com isso, entram em jogo as boas práticas agrícolas, que sempre devem ser utilizadas por nós. 

Especificamente para o dicamba, são essenciais as práticas voltadas ao combate da deriva, volatilidade e limpeza dos pulverizadores.

ervas daninhas

(Fonte: Canal Agrícola)

Outro ponto importante é a capacitação de produtores com relação à

  • Condições climáticas adequadas de aplicação;
  • Uso de pontas de pulverização de baixa formação de deriva;
  • Prática da limpeza de tanque para que não haja resíduo do produto após a tríplice lavagem;
  • Momento adequado de controle das ervas daninhas (estádios iniciais).

Principais características do dicamba 

Vamos ver agora alguma das principais características do herbicida dicamba, segundo o Guia de Herbicidas (2018).

  1. Mecanismo de ação: Mimetizador de Auxinas (Grupo O);
  2. Grupo químico: Ácidos benzóicos;
  3. Solubilidade em água: 4.500 mg/L (25°C);
  4. Pressão de vapor: 4,5 x 10-3 Pa (25°C);
  5. pKa: 1,87;
  6. Kow: 0,29;
  7. Koc: 2 mL/g (fracamente adsorvido no solo);
  8. Registrado para o controle de plantas daninhas de folhas largas em pré-plantio da soja e dessecação em pré-colheita;
  9. Absorção: folhas e raízes;
  10. Translocação: xilema e floema (sistêmico).

Outra erva daninha problemática e que traz grande preocupação é a Amaranthus palmeri. Sobre ela, falaremos a seguir:

Últimas notícias sobre ervas daninhas: Amaranthus palmeri

Amaranthus palmeri é uma planta daninha de crescimento rápido e muito agressiva.  É uma erva daninha anual, com emergência no verão.

Foi identificada no Brasil em 2015, no estado do Mato Grosso, e, até então, todos os esforços são para que ela não se disperse para outros lugares.

ervas daninhas

Planta de Amaranthus palmeri em soja

(Fonte: Travis Legleiter e Bill Johnson, 2013)

A principal questão sobre esta erva daninha é que, quando foi identificada, já apresentava resistência. Em 2016, estudos identificaram a resistência múltipla aos herbicidas Inibidores da ALS (chlorimuron, cloransulam e imazethapyr) e ao mecanismo de ação EPSPs (glifosato).

No mundo, existem 64 relatos de resistência desta erva daninha a herbicidas, englobando países como o Brasil, EUA, Israel, Argentina. A maioria dos casos está nos EUA (60).

No Brasil, pesquisadores relatam que o Amaranthus palmeri está relativamente controlado, mas requer ação contínua por meio de monitoramento, pois é uma planta de rápida disseminação devido à alta produção de sementes.

Preocupação com o Amaranthus palmeri

A grande preocupação com relação a essa erva daninha é impedir sua entrada pelas fronteiras da Argentina e Uruguai para a região sul do Brasil. 

Isso porque, em 2015, foi relatado um caso de resistência desta planta daninha ao herbicida glyphosate na Argentina. Este, é o primeiro caso de resistência ao glifosato em Amaranthus palmeri envolvendo exclusivamente mecanismos de NTSR (resistência ao local não-alvo).

Além disso, já foi relatado um caso dessa planta daninha resistente ao 2,4-D nos EUA, um importante herbicida utilizado para seu controle.

O que vemos aqui é que, antes de utilizarmos apenas o manejo químico desta planta daninha, temos que fazer a lição de casa:

  • Limpar máquinas e implementos agrícolas, evitando a disseminação de sementes; 
  • Fazer rotação de mecanismos de ação de herbicidas; 
  • Rotação de culturas; 
  • Diversificar as práticas de manejo;
  • Controle de plantas daninhas nos estágios iniciais: evite deixar que ela se reproduza no campo.
ervas daninhas

Plântula de Amaranthus palmeri 

(Fonte: Travis Legleiter e Bill Johnson, 2013).

Quer entender mais sobre o manejo dessa erva daninha? Recentemente publicamos no blog o “O guia completo do manejo do caruru Amaranthus palmeri. Confira!

Conclusão

O manejo correto das ervas daninhas e de herbicidas é essencial para o sucesso da lavoura. 

E no artigo de hoje vimos as principais notícias sobre o dicamba e o Amaranthus palmeri.

Com relação ao herbicida dicamba, a principal preocupação está ligada à deriva do produto. E as boas práticas agrícolas são essenciais para utilizar a nova tecnologia associado ao uso deste herbicida.

Em relação ao Amaranthus palmeri, a grande preocupação é evitar a entrada por países vizinhos. E o manejo integrado de ervas daninhas é essencial para vencermos a guerra contra essa era invasora!

>> Leia mais:

Como fazer o manejo eficiente do capim-amargoso

Guanxuma: 5 maneiras de livrar sua lavoura dessa planta daninha

“Como funciona o novo herbicida Luximo para controle de daninhas resistentes”

Restou alguma dúvida sobre o herbicida dicamba ou Amaranthus palmeri? Quer saber mais informações sobre outras ervas daninhas? Adoraria ver o seu comentário abaixo!

Herbicidas pré-emergentes para soja: Os melhores produtos e suas orientações

Herbicidas pré-emergentes para soja: Importância e quais as principais perguntas que você deve se fazer antes de usá-los!

O Brasil possui atualmente 50 casos registrados de plantas daninhas resistentes a herbicidas. 

Além disso, temos aquelas que são naturalmente de difícil controle. E ainda nos preocupamos com plantas resistentes em países vizinhos que podem ser dispersadas para cá. 

Agora, com certeza, você deve estar pensando em como lidar com todos esses problemas e evitar novos na sua lavoura de soja…

Uma das alternativas de sucesso no manejo da resistência de daninhas são os herbicidas aplicados em pré-emergência! E é sobre eles que vamos falar a seguir. Confira! 

Casos de resistência a herbicidas no Brasil 

Como mencionei acima, temos 50 casos registrados de resistência a herbicidas no país. Dentre eles, temos algumas grandes preocupações:

Temos ainda a questão da resistência em países vizinhos, como picão preto resistente a glifosato no Paraguai.

Neste contexto, os herbicidas pré-emergentes têm sido uma ótima alternativa para o sucesso no manejo da resistência.

Eles diminuem a necessidade do uso de herbicidas pós-emergentes e têm pouquíssimos casos de resistência registrados no Brasil no Mundo. 

Mas você sabe o que considerar antes de utilizar os herbicidas pré-emergentes para soja? Separei as principais recomendações.

6 pontos que você deve considerar antes de utilizar herbicidas pré-emergentes para soja 

1. Estou utilizando uma boa tecnologia de aplicação? 

Muitos produtores se acostumaram a utilizar herbicidas pós-emergentes, principalmente glifosato e, infelizmente, descuidaram um pouco da tecnologia de aplicação.

Uma pesquisa de inspeção de pulverizadores, por exemplo, constatou que 50% de todas as máquinas testadas possuíam problemas com adequação do manômetro; conservação de pontas de pulverização; e falhas na calibração do pulverizador. 

Ocorre que, na pós-emergência, geralmente pelo padrão de seletividade dos herbicidas, se a quantidade do produto que chega na planta daninha for menor, o controle fica prejudicado. Mas, se a quantidade for maior, provavelmente não ocorrem grandes problemas. 

E é devido a isso que o termo “chorinho do agricultor” foi consagrado! Essa prática, porém, aumenta a seleção de resistência.

herbicidas pré-emergentes soja

Dessecação de plantas daninhas na entressafra da soja

(Fonte: John Deere)

E, definitivamente, o chorinho do agricultor não funciona com pré-emergentes!

Quando se usa um pré-emergente, a dose deve ser respeitada. Qualquer quantidade a mais pode ocasionar grande problemas à cultura da soja ou à cultura de sucessão.

2. Qual o tipo de solo da área em que irei aplicar os herbicidas pré-emergentes para soja? 

A textura do solo é muito importante para a recomendação de herbicidas pré-emergentes para soja. 

Solos com maior quantidade de argila e matéria orgânica retêm mais herbicidas em seus colóides ou na própria matéria orgânica, deixando menos herbicida na solução dos solos (onde pode ser absorvido e fazer efeito)!

Desta forma, se o produto for recomendado para os dois tipos de solo, costuma-se utilizar maior dose em solo argiloso (conferir sempre indicações da bula). 

Porém, alguns herbicidas não são recomendados para alguns tipos de solo. Atente-se a isso!

Um herbicida muito móvel, por exemplo, pode ser aplicado em solo arenoso e ir diretamente para os lençóis freáticos, o que é prejuízo para o agricultor e para o meio ambiente.

3. A área possui palha ou cobertura verde? 

O herbicida pré-emergente só é efetivo se chegar ao solo. Então qualquer barreira entre o solo e ponta de pulverização pode prejudicar sua ação. 

A palha presente no solo e a maneira que está distribuída afetam diretamente a ação dos herbicidas pré-emergentes. 

Alguns herbicidas possuem pouquíssima capacidade de atravessar a palha e chegar ao solo, como a trifluralina, excelente no controle de gramíneas, mas que em condições de muita palha (> 25% de cobertura do solo) tem seu efeito muito prejudicado.

Além disso, outro fato pouco levado em consideração pelos agricultores é a infestação da área no momento da aplicação. 

Se houver muitas plantas daninhas, com grande cobertura do solo no momento da aplicação, estas podem absorver o produto antes de chegar ao solo, prejudicando seu efeito.

herbicidas pré-emergentes soja

Área de consórcio de milho com brachiaria após a colheita do milho

(Fonte: Soesp)

4. Qual o pH do solo? 

O pH do solo influencia principalmente em herbicidas considerados ácidos e bases fracos como inibidores da ALS e 2,4 D. 

Estes herbicidas, conforme o pH do solo, podem ter maior ou menor mobilidade no solo, o que confunde muito.  

A aplicação de imazetapir, por exemplo, após uma calagem pesada, pode ocasionar maior lixiviação do produto, diminui sua efetividade e pode contaminar o meio ambiente. 

5. Qual o período entre a aplicação do pré-emergente e o plantio da soja?

Você deve ficar muito atento à carência mínima entre o período residual dos produtos utilizados na cultura anterior ou na entressafra para o plantio de soja. 

Todos sabemos que a época de plantio da soja é muito importante para atingir grande produções. Iniciar o plantio cedo evita ataque de pragas no final de ciclo e, consequentemente, adianta o plantio do milho safrinha.

Porém, se o período residual mínimo não terminou, mesmo com ótimas condições para plantio não arrisque: a probabilidade de fitointoxicação é alta. 

Um herbicida comumente utilizado no trigo ou no início da entressafra de soja para controle de folhas largas é o Metsulfuron. Mas o período mínimo entre o plantio da soja e sua aplicação é de 60 dias.

Não respeitar este período, no mínimo, provoca menor crescimento e desenvolvimento das soja.

carryover de metsulfuron em soja

Carryover de metsulfuron em soja

(Fonte: AgroProfesional)

Além disso, herbicidas utilizados em pós-emergência das plantas daninhas, como 2,4 D, podem ter uma certa ação residual e necessitar de um período entre sua aplicação e o plantio da soja. Atente-se a isso! 

6. Qual o período residual do herbicida pré-emergente para soja? Qual cultura irei plantar em sucessão?  

Muitas vezes, nos preocupamos muito com os resíduos que podem prejudicar a soja e esquecemos que eles podem prejudicar a cultura de sucessão. 

Como a seletividade dos herbicidas para as culturas é diferente, às vezes um décimo da dose usada na soja pode prejudicar o milho. 

Desta forma, mesmo 90% do produto sendo degradado pelo tempo, os 10% restantes ainda podem afetar o milho. 

O herbicida imazaquin, por exemplo, pode ser usado na pré-emergência da soja (algumas variedade de soja pode ter maior suscetibilidade) para controle de plantas daninhas de difícil controle como trapoeraba e leiteiro


Porém, devemos esperar um intervalo de 300 dias entre a aplicação deste produto e o plantio de milho.

carryover de imazaquin em milho

Carryover de imazaquin em milho

(Fonte: Alonso)

Herbicidas pré-emergentes para soja: Controle de plantas daninhas de folha larga 

Diclosulam 

Quando aplicar: herbicida com ação residual para controle de banco de sementes, utilizado nas primeiras aplicações do manejo outonal.

Espectro de controle: ótimo controle de folhas largas (ex: buva) e algumas gramíneas (ex: capim-amargoso). 

Dosagem recomendada: 29,8 a 41,7 g ha-1.

Pode ser misturado com: associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato e 2,4 D).

Cuidados: o solo deve estar úmido. 

Flumioxazin 

Quando aplicar: herbicida com ação residual para controle de banco de sementes, utilizado nas primeiras aplicações do manejo outonal ou no sistema de aplique plante da soja

Espectro de controle: ótimo controle de folhas largas (ex: buva) e algumas gramíneas (ex: capim-amargoso). 

Dosagem recomendada: 40 a 120 g ha-1.

Pode ser misturado com: herbicidas sistêmicos (ex: glifosato; 2,4 D e imazetapir).

Sulfentrazone

Quando aplicar: herbicida com ação residual para controle de banco de sementes, utilizado na primeira aplicação do manejo outonal.

Espectro de controle: ótimo controle de plantas daninhas de folhas largas e bom controle de algumas gramíneas. 

Dosagem recomendada: 0,5L ha-1, pois apresenta grande variação na seletividade de cultivares de soja.

Pode ser misturado com: herbicidas sistêmicos (ex: glifosato; 2,4 D; chlorimuron e clomazone).

Recomendado principalmente para áreas onde também ocorre infestação de tiririca.

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Herbicidas pré-emergentes para soja: Controle de plantas daninhas de folha estreita

S-metolachlor 

Quando aplicar: herbicida com ação residual utilizado no sistema de aplique plante da soja.

Espectro de controle: gramíneas de semente pequena (ex: capim-amargoso, capim-pé-de-galinha).

Dosagem recomendada:1,5 a 2,0 L ha-1.

Pode ser misturado com: herbicidas sistêmicos (ex: glifosato).

Cuidados: não deve ser aplicado em solos arenosos. O solo deve estar úmido, com perspectivas de chuva. 

Trifluralina 

Quando aplicar: herbicida com ação residual, utilizado na primeira aplicação do manejo outonal.

Espectro de controle: gramíneas de semente pequena (ex: capim-amargoso e capim-pé-de-galinha).

Dosagem recomendada: 1,2 a 4,0L ha-1 dependendo da planta daninha a ser controlada e nível de cobertura do solo.

Pode ser misturado com: herbicidas sistêmicos (ex: glifosato e graminicidas).

Cuidados: deve ser aplicado em solo úmido e livre de torrões. Formulações antigas têm problemas com fotodegradação (necessidade de incorporação). Eficiência muito reduzida em solos com grande quantidade de palha ou durante grande período de seca.  

Clomazone

Quando aplicar: herbicida com ação residual, no sistema de plante aplique.

Espectro de controle: gramíneas de semente pequena (ex: capim-colchão, capim-pé-de-galinha) e algumas folhas largas de sementes pequena.

Dosagem recomendada: 1,6 a 2,0 L ha-1 dependendo da planta daninha a ser controlada e nível de cobertura do solo.

Pode ser misturado com: herbicidas sistêmicos (ex: glifosato) e sulfentrazone.

Cuidados: Cuidado com deriva em culturas suscetíveis vizinhas. 

É importante que a recomendação de produtos fitossanitários seja feita por um engenheiro agrônomo (a). Mas o produtor deve estar sempre atento a novas informações para auxiliar em sua recomendação. 

Conclusão

Neste artigo, vimos a importância do manejo de herbicidas pré-emergentes para soja. 

Quais são as principais perguntas que um produtor deve se fazer antes do uso de pré-emergentes.

Além disso, citamos os principais herbicidas aplicados em pré-emergência que podem ser utilizados para controle de plantas daninhas em soja.

Com essas informações, tenho certeza que você irá realizar um bom manejo de herbicidas pré-emergentes na sua lavoura de soja!

>> Leia mais:
Como fazer a dessecação de soja para colheita eficiente
“Herbicidas para soja: Manejo certeiro sem prejudicar a lavoura”
Alternativas ao Paraquat de dessecar soja para colheita

Quais herbicidas pré-emergentes para soja você utiliza hoje? Restou alguma dúvida? Adoraria ver seu comentário abaixo!


Principais e melhores manejos na dessecação para pré-plantio de milho

Dessecação para pré-plantio de milho: Saiba quais pontos considerar e quais produtos utilizar no manejo das principais plantas daninhas

A entressafra com certeza é o momento ideal para fazer um bom manejo de plantas daninhas na sua lavoura! Nesse período, é possível utilizar muitas técnicas de manejo como o controle cultural, mecânico e químico. 

No caso do manejo químico, utilizar uma quantidade maior de mecanismos de ação de herbicidas melhora o controle de plantas daninhas de difícil controle e previne a resistência. 

E como realizar um manejo eficiente de plantas daninhas antes do plantio de milho? Saiba mais a seguir:

Dessecação de plantas daninhas para pré-plantio de milho: Principais pontos 

A cultura do milho possui uma capacidade maior de competição com plantas daninhas, podendo conviver até 30 dias sem perdas na produtividade. 

Porém, o alto investimento justifica que seja feito um ótimo manejo de plantas daninhas na entressafra.

Saiba os principais pontos na dessecação de plantas daninhas para pré-plantio de milho:  

dessecação pré-plantio milho

Plântula de capim-amargoso

(Fonte: Lorenzi, 2014 )

  • Rotacionar técnicas de manejo para evitar a seleção de plantas daninhas resistentes a herbicidas;
  • Controlar plantas daninhas dentro do estádio recomendado de controle: 2 a 4 folhas para folhas largas; e 2 a 3 perfilhas para gramíneas;
dessecação pré-plantio milho

Plântula de leiteiro, no estádio ideal de controle

(Fonte: Lorenzi, 2014)

dessecação pré-plantio milho

Plântula de capim-branco, no estádio ideal de controle

(Fonte: Arquivo do autor)

  • Realizar manejo outonal ou antecipado, com uso de aplicações sequenciais;
dessecação pré-plantio milho

Inversão de flora após manejo de plantas daninhas perenizadas

(Fonte: Arquivo do autor)

  • Usar de herbicidas pré-emergentes;
  • Respeitar período residual de herbicidas para evitar Carry over (danos a culturas seguinte);
  • Seguir as boas práticas na tecnologia de aplicação.

Dessecação para pré-plantio de milho: Principais herbicidas utilizados no manejo de entressafra 

Quando houver plantas daninhas de folhas largas (buva, por exemplo) e folha estreita (ex: capim-amargoso) de difícil controle na área, deve-se priorizar o manejo de plantas de folhas estreita na entressafra, devido à seletividade do milho. 

Herbicidas pós-emergentes: 

Paraquat

Quando aplicar: pode ser utilizado em plantas pequenas provenientes de sementes (< 10 cm) ou em manejo sequencial para controle da rebrota de plantas maiores,

Espectro de controle: não seletivo. 

Dosagem recomendada:  1,5 a 2,0 L ha-1.

Pode ser misturado com: apresenta muitos problemas com incompatibilidade de calda. 

Cuidados: Necessidade de bom molhamento das folhas. Está sendo retirado do mercado por problemas de toxicidade. 

2,4 D 

Quando aplicar: utilizado nas primeiras aplicações de manejo sequencial. 

Espectro de controle: plantas daninhas de folhas largas (ex: buva).

Dosagem recomendada: 1,2 a 2 L ha-1.

Pode ser misturado com: herbicidas sistêmicos (ex: glifosato) e/ou pré-emergentes. Cuidado com problemas de incompatibilidade no tanque (principalmente graminicidas). 

Cuidados: Cuidar com período entre a aplicação de 2,4D e o plantio de milho, nas doses recomendadas, esperar um período mínimo de 8 dias. 

Glifosato

Quando aplicar: possui ótimo controle de plantas pequenas (até 2 perfilhos) ou pode ser utilizado na primeira aplicação do manejo sequencial.

Espectro de controle: não seletivo.

Dosagem recomendada: 2,0 a 4,0 L ha-1.

Pode ser misturado com: herbicidas sistêmicos (ex: 2,4 D, graminicidas), pré-emergentes (ex: sulfentrazone) ou de contato (ex: saflufenacil). 

Produtos à base de dois sais ou em formulação granulada possuem maiores problemas de incompatibilidade de calda! 

Cuidados: muitos casos de resistência. Há perdas de eficiência quando associado a produtos que aumentam o pH da calda. 

Glufosinato de amônio

Quando aplicar: pode ser utilizado em plantas pequenas provenientes de sementes (< 10 cm) ou em manejo sequencial para controle de rebrota de plantas maiores. 

Espectro de controle: não seletivo, porém mais efetivo em folhas largas. 

Dosagem recomendada: 2,5 a 3,0 L ha-1.

Pode ser misturado com: herbicidas sistêmicos (ex: glifosato e graminicidas). 

Saflufenacil 

Quando aplicar: pode ser utilizado em plantas pequenas (< 10 cm) ou em manejo sequencial para controle de rebrota de plantas maiores. 

Espectro de controle: plantas daninhas de folhas larga (ex: buva).

Dosagem recomendada: 70 a 100 g ha-1.

Pode ser misturado com: herbicidas sistêmicos (ex: glifosato). 

Cletodim

Quando aplicar: possui ótimo controle de plantas pequenas (até 2 perfilhos) ou pode ser utilizado na primeira aplicação do manejo sequencial.

Espectro de controle: controle de gramíneas. 

Dosagem recomendada: 0,5 a 1,0 L ha-1.

Pode ser misturado com: geralmente associado ao glifosato. Quando misturado com 2,4 D, aumentar 20% da dose de clethodim. 

Haloxyfop

Quando aplicar: possui ótimo controle de plantas pequenas (até 2 perfilhos) ou pode ser utilizado na primeira aplicação do manejo sequencial.

Espectro de controle: controle de gramíneas. 

Dosagem recomendada: 0,55 a 1,2 L ha-1.

Pode ser misturado com: geralmente associado ao glifosato. Quando misturado com 2,4 D, aumentar 20% da dose de haloxyfop.

O uso de adjuvantes deve seguir a recomendação de bula!

Herbicidas pré-emergentes:

Atrazine 

Atualmente o herbicida mais utilizado para a cultura do milho!

Quando aplicar: Pode ser aplicado na pré-emergência da cultura imediatamente antes da semeadura, simultaneamente ou logo após a semeadura. Em aplicações em pós-emergência da cultura e plantas daninhas, deve-se acrescentar óleo vegetal. 

O produto fornece bom controle quando aplicado na pré-emergência ou pós-emergência precoce das plantas daninhas. 

Espectro de controle: controla plantas daninhas de folha larga como picão-preto, guanxuma, caruru, corda-de-viola, nabo, leiteira, poaia, carrapicho-rasteiro e papuã. 

Também é muito utilizada para controle de soja tiguera no milho, em aplicação isolada ou associada aos herbicidas mesotrione ou nicosulfuron! 

Lembre-se, é muito importante que haja um manejo eficiente da soja tiguera para se respeitar o vazio sanitário. 

Dosagem recomendada: 3 a 5 L ha-1, dependendo das características do solo e plantas daninhas presentes. 

Pode ser misturado com: glifosato (se misturado em pós-emergência – milho RR), mesotrione, nicosulfuron, S-metolachlor e simazine. 

Cuidados: Recomenda-se aplicação em solo úmido. Aplicação em solo seco, período de seca após aplicação de até 6 dias ou presença de palha cobrindo o solo (plantio direto) podem diminuir a eficiência do produto.

S-metolachlor

Herbicida com grande potencial de ser inserido no manejo de plantas daninhas na cultura do milho. Pode ser utilizado para ampliar o espectro de controle de herbicidas para folha larga. 

Quando aplicar: na pré-emergência da cultura e das plantas infestantes. 

Espectro de controle: Ótimo controle de gramíneas de semente pequena (ex: capim-amargoso, capim-pé-de-galinha e papuã), e bom controle de algumas folhas largas de sementes pequenas (ex: caruru, erva-quente e beldroega)

Dosagem recomendada: 1,5 a 1,75 L ha-1, dependendo da planta daninha a ser controlada. 

Pode ser misturado com: atrazine e glifosato.

Cuidados: Deve ser aplicado em solo úmido. 

Isoxaflutole

Herbicida técnico que exige alguns conhecimentos prévios quanto a características do solo (teor de argila e matéria orgânica) e cuidados com as condições climáticas no momento e após a aplicação.

É muito importante consultar e seguir as recomendações da empresa para evitar toxicidade no cultivo.  

Quando aplicar: deve ser aplicado na pré-emergência do milho e das plantas daninhas. 

Espectro de controle: exerce bom controle em gramíneas anuais e algumas folhas largas como caruru e guanxuma. 

O grande diferencial deste herbicida é que, em condições de seca, ele pode permanecer no solo por um período razoáv 80 dias), até que nas primeiras chuvas é ativado, o que irá coinc (opens in a new tab)”>el (> 80 dias), até que nas primeiras chuvas é ativado, o que irá coincidir com a emergência de várias plantas daninhas.  

Dosagem recomendada: 100 a 200 mL ha-1, dependendo das características do solo e plantas daninhas presentes (somente para solos com textura média e pesada). 

Pode ser misturado com: atrazine. 

Cuidados: Não é recomendado para solo arenoso e com baixo teor de matéria orgânica. 

Trifluralina

Herbicida muito utilizado no passado que pode voltar a ser inserido no manejo de plantas daninhas do milho, principalmente devido ao lançamento de novas formulações que não necessitam ser incorporadas (menor problema com fotodegradação).  

Quando aplicar: no sistema de plante-aplique ou até 2 dias após da semeadura do milho. 

Espectro de controle: bom controle de gramíneas de semente pequena 

Dosagem recomendada: 1,2 a 4,0 L ha-1, dependendo da planta daninhas a ser controlada e nível de cobertura do solo. 

Pode ser misturado com: atrazine e glifosato.

Cuidados: Deve ser aplicado em solo úmido e livre de torrões. Solo coberto com resíduos vegetais (palha) ou com alta infestação de plantas daninhas diminuem a eficiência do produto. 

>> Leia mais: “Plantação de milho: 5 passos para maior produção e lucro

Conclusão

Neste artigo vimos a importância do manejo eficiente de dessecação para pré-plantio de milho. 

Discutimos a quais principais pontos o produtor deve se atentar para realizar o planejamento do manejo de plantas daninhas na entressafra. 

Falamos sobre as principais ferramentas de controle químico que podem ser utilizadas no período de entressafra. Discutimos ainda como realizar seu posicionamento correto para não ocasionar danos à cultura do milho.  

Com essas informações, tenho certeza que você irá realizar um bom manejo de herbicidas!

>> Leia mais:

Como funciona o herbicida tembotrione para controle de plantas daninhas

Quais herbicidas você utiliza na dessecação para pré-plantio de milho? Aproveite e baixe gratuitamente aqui o Guia para Manejo de Plantas Daninhas e saiba como controlá-las melhor em sua lavoura!

Tudo o que você precisa saber sobre dessecação para plantio de soja

Dessecação para plantio de soja: Seletividade para culturas, carry over, além de todos os manejos e opções de produtos para utilizar no controle de plantas daninhas.

O manejo de plantas daninhas na entressafra é considerado o mais importante no sistema de produção de grãos. 

Isso porque neste período existe um número maior de ferramentas que podem ser utilizadas, como herbicidas de diversos mecanismos de ação, além de técnicas de controle mecânico e cultural. 

Quando se trata da soja, é de extrema importância que o cultivo comece no limpo, pois a cultura tolera convívio com daninhas por um curto período de tempo.

E como realizar um manejo eficiente de plantas daninhas para plantar soja no limpo? Confira a seguir!

Pontos importantes sobre a dessecação de plantas daninhas para o plantio de soja 

Como citado anteriormente, a cultura da soja tolera o convívio com plantas daninhas por um período muito curto: em torno de 18 dias após a emergência. Em condições adversas, essa tolerância pode ser de 7 dias após a emergência ou até menos. 

Vamos então abordar pontos importantes sobre a dessecação para plantio de soja no limpo:

Identificação de plantas daninhas 

A identificação correta de quais plantas daninhas existem em sua área e sua distribuição são essenciais para que as estratégias de manejo funcionem sem um gasto excessivo de dinheiro.  

Você precisa identificar as plantas daninhas ainda quando pequenas, pois são mais fáceis de controlar.

Além disso, saiba quais daninhas podem estar presentes no banco de sementes da área (através do histórico da sua área). Assim você está mais preparado quando elas emergirem.

Quando houver plantas daninhas de folhas larga (buva, por exemplo) e folhas estreitas (Ex: capim-amargoso) de difícil controle na área, deve-se priorizar o manejo de plantas de folhas largas na entressafra, devido à seletividade da soja. 

Baixe gratuitamente aqui o Guia para Manejo de Plantas Daninhas e saiba como controlá-las melhor em sua lavoura!

Resistência a herbicidas 

Após identificar as plantas daninhas presentes na área, é muito importante saber quais destas possuem histórico de resistência na área ou no país, pois importantes ferramentas de manejo podem não funcionar. 

Além disso, é importante que o manejo seja planejado para evitar a seleção de resistência, utilizando práticas como: 

  • Rotação de mecanismo de ação de herbicidas;
  • Rotação de culturas;
  • Adubação verde;
  • Consórcio entre culturas (por exemplo: milho/brachiaria). 

Consórcio milho com brachiaria

(Fonte: FundaçãoMS)

Estádio das plantas daninhas na área

O estádio em que a planta daninha está é determinante para a eficiência dos herbicidas. De modo geral, quanto menor a planta daninha, mais facilmente será controlada. 

Para daninhas de folhas largas, recomenda-se que o controle seja feito com 2 a 4 folhas. Para folhas estreitas, com 2 a 3 perfilhos. 

Cuidado! Para algumas plantas daninhas, como capim-pé-de-galinha e o caruru-palmeri, este período é muito curto. 

dessecação para plantio de soja

Dessecação para plantio de soja: capim-pé-de-galinhas dentro do estádio ideal de controle – 2 perfilhos

Caruru-palmeri dentro do estádio ideal de controle: 4 folhas

(Fonte: On Vegetables)

Quando as plantas crescem e se desenvolvem, a quantidade de ceras e estruturas na superfície das folhas pode aumentar, dificultando a entrada e transporte dos herbicidas (caso da trapoeraba).

Além disso, podem desenvolver estruturas de reserva que facilitam o rebrote após o manejo (como o capim-amargoso). 

Manejo outonal (manejo antecipado ou sequencial)

O manejo de plantas daninhas deve ser feito logo após sua emergência para facilitar o manejo das plantas daninhas devido ao menor estádio de desenvolvimento. 

Além disso, se houver plantas perenizadas na área, provenientes de escapes do cultivo anterior, o manejo deve começar o mais rápido possível, caso sejam necessárias aplicações sequenciais de herbicidas. 

>> Leia Mais: “Como fazer o manejo de plantas daninhas em plantio direto

Uso de herbicidas pré-emergentes 

Atualmente os pré-emergentes são grandes aliados do combate à resistência, pois:

  • Controlam as plantas daninhas logo em sua emergência;
  • Para as principais plantas daninhas, existem poucos ou nenhum caso de resistência registrados no país;
  • Diminuem a necessidade de aplicações em pós-emergência.

O problema do uso dos pré-emergentes é que existem mais pontos a serem considerados para sua correta recomendação. Devemos considerar o teor de argila, pH do solo, quantidade de palha no solo, clima, infestação e período residual. 

Veja neste vídeo que eu separei:

É importante saber qual o objetivo do pré-emergente, pois precisa ser aplicado antes da emergência das sementes. 

A buva, por exemplo, possui maior emergência durante período de junho a setembro (Variando um pouco conforma a região), com clima ameno e maior umidade (tendo menor emergência durante o ciclo do cultivo). 

Já o capim-amargoso emerge o ano interior (conforme a disponibilidade hídrica). 

dessecação para plantio de soja

Emergência de plântulas de buva

(Fonte: Arquivo do autor)

 Além disso, o alvo é o solo. Desta forma, se houver muita palha, o pré-emergente deve ser capaz de ultrapassar essa barreira. 

Se houver uma massa verde grande na área (plantas daninhas com grande cobertura do solo), não se recomenda a aplicação destes produtos, pois ficam retidos nessa massa. 

Seletividade da cultura e Carry over

Quando são utilizados herbicidas com período residual seja ele longo (Ex: metsulfuron 60 dias) ou curto (Ex: 2,4 D ⋍ 14 dias), é importante que as culturas que sejam plantadas dentro deste período sejam seletivas ao produto.

Caso a cultura não seja seletiva, a carência mínima deve ser respeitada, para que não ocorra o Carry over (Fitointoxicação da cultura por resíduo de herbicidas). 

dessecação para plantio de soja

Carryover de metsulfuron em soja

(Fonte: AgroProfesional)

Tecnologia de aplicação e condições climáticas adversas

Para a eficiência da aplicação de herbicidas, as boas práticas de tecnologia de aplicação devem ser respeitadas.  

Após um período de seca prolongado na entressafra (o que aconteceu este ano em diversas regiões do país), deve-se esperar que as plantas se restabeleçam e consigam absorver o produto.

Após alguns dias de uma chuva representativa, deve-se aplicar os herbicidas dentro das condições climáticas recomendadas, com uso de bons adjuvantes. Deve-se evitar uso de baixa vazão (nestas condições, o mínimo recomendo são 100 L ha-1 de volume de calda).

Caso ocorram plantas daninhas perenizadas de difícil controle na área, recomenda-se que seja feita a roçagem destas plantas (um pouco antes da chuva). Quando iniciarem o rebrote, provavelmente com o início das chuvas, aplicar nas folhas novas. 

dessecação para plantio de soja

Dessecação de plantas daninhas (capim-amargoso) fora do estádio recomendado

(Fonte: Copacol)

Principais herbicidas utilizados no manejo de entressafra da soja

Herbicidas pós-emergentes: 

Paraquat

Quando aplicar: pode ser utilizado em plantas pequenas provenientes de sementes (< 10 cm ou 3 perfilhos) ou em manejo sequencial para controle da rebrota de plantas maiores.

Espectro de controle: não seletivo. 

Dosagem recomendada:  1,5 a 2,0 L ha-1.

Pode ser misturado com: apresenta muitos problemas com incompatibilidade de calda. 

Cuidados: Necessidade de bom molhamento das folhas. Está sendo retirado do mercado por problemas de toxicidade. 

Chlorimuron 

Quando aplicar: utilizado na primeira aplicação do manejo sequencial e fornece efeito residual.

Espectro de controle: plantas daninhas de folhas largas (ex: buva).

Dosagem recomendada: 60 a 80 g ha-1.

Pode ser misturado com: geralmente associado a outros herbicidas sistêmicos (ex: glifosato).

Cuidados: Muitas áreas com buva resistente. 

2,4 D 

Quando aplicar: utilizado nas primeiras aplicações de manejo sequencial. 

Espectro de controle: plantas daninhas de folhas largas (ex: buva).

Dosagem recomendada: 1,2 a 2 L ha-1.

Pode ser misturado com: herbicidas sistêmicos (ex: glifosato) e/ou pré-emergentes.

Cuidado com problemas de incompatibilidade no tanque (principalmente graminicidas). 

Cuidados: quando utilizar 2,4 D próximo à semeadura de soja, deve-se deixar um intervalo entre a aplicação e a semeadura de 1 dia para cada 100 g i.a. ha-1 de produto utilizado.

Glifosato

Quando aplicar: possui ótimo controle de plantas pequenas (até 4 folhas ou 2 perfilhos) ou pode ser utilizado na primeira aplicação do manejo sequencial.

Espectro de controle: não seletivo.

Dosagem recomendada: 2,0 a 4,0 L ha-1.

Pode ser misturado com: herbicidas sistêmicos (Ex: 2,4 D, graminicidas), pré-emergentes (ex: sulfentrazone) ou de contato (ex: saflufenacil). 

Produtos à base de dois sais ou em formulação granulada possuem maiores problemas de incompatibilidade de calda! 

Cuidados: muitos casos de resistência. Perdas de eficiência quando associado a produtos que aumentam o pH da calda. 

Glufosinato de amônio

Quando aplicar: pode ser utilizado em plantas pequenas provenientes de sementes (< 10 cm ou 3 perfilhos) ou em manejo sequencial para controle de rebrota de plantas maiores. 

Espectro de controle: não seletivo, porém mais efetivo em folhas largas. 

Qual a dosagem recomendada: 2,5 a 3,0 L ha-1.

Pode ser misturado com: herbicidas sistêmicos (ex: glifosato e graminicidas). 

Saflufenacil 

Quando aplicar: pode ser utilizado em plantas pequenas (< 10 cm) ou em manejo sequencial para controle de rebrota de plantas maiores. 

Espectro de controle: plantas daninhas de folhas larga (ex: buva).

Dosagem recomendada: 35 a 100 g ha-1.

Pode ser misturado com: herbicidas sistêmicos (ex: glifosato). 

Cletodim 

Quando aplicar: possui ótimo controle de plantas pequenas (até 2 perfilhos) ou pode ser utilizado na primeira aplicação do manejo sequencial.

Espectro de controle: controle de gramíneas. 

Dosagem recomendada: 0,5 a 1,0 L ha-1.

Pode ser misturado com: geralmente associado ao glifosato. Quando misturado com 2,4 D, aumentar 20% da dose de clethodim. 

Haloxyfop

Quando aplicar: possui ótimo controle de plantas pequenas (até 2 perfilhos) ou pode ser utilizado na primeira aplicação do manejo sequencial.

Espectro de controle: controle de gramíneas. 

Dosagem recomendada: 0,55 a 1,2 L ha-1.

Pode ser misturado com: geralmente associado ao glifosato. Quando misturado com 2,4 D aumentar 20% da dose de haloxyfop.

O uso de adjuvantes deve seguir a recomendação de bula!


dessecação para plantio de soja

Infestação de buva na soja devido à falha de manejo na entressafra

(Fonte: Arquivo do autor)

Herbicidas pré-emergentes:

Diclosulam 

Quando aplicar: herbicida com ação residual para controle de banco de sementes, utilizado na primeira aplicação do manejo outonal.

Espectro de controle: ótimo controle de folhas largas (ex: buva) e algumas gramíneas (ex: capim-amargoso). 

Dosagem recomendada: 29,8 a 41,7 g ha-1.

Pode ser misturado com: associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato e 2,4 D).

Cuidados: solo deve estar úmido. 

Flumioxazin 

Quando aplicar: herbicida com ação residual para controle de banco de sementes, utilizado na primeira aplicação do manejo outonal ou no sistema de aplique plante da soja

Espectro de controle: ótimo controle de folhas largas (ex: Buva) e algumas gramíneas (ex: capim-amargoso). 

Dosagem recomendada: 40 a  120 g ha-1.

Pode ser misturado com: herbicidas sistêmicos (ex: glifosato, 2,4 D e imazetapir).

S-metolachlor 

Quando aplicar: herbicida com ação residual utilizado no sistema de aplique plante da soja.

Espectro de controle: gramíneas de semente pequena (ex: capim-amargoso, capim-pé-de-galinha).

Dosagem recomendada:1,5 a 2,0 L ha-1.

Pode ser misturado com: herbicidas sistêmicos (ex: glifosato).

Cuidados: não deve ser aplicado em solos arenosos. O solo deve estar úmido, com perspectivas de chuva. 

Trifluralina 

Quando aplicar: herbicida com ação residual, utilizado na primeira aplicação do manejo outonal.

Espectro de controle: gramíneas de semente pequena (Ex: capim-amargoso, capim-pé-de-galinha).

Dosagem recomendada: 1,2 a 4,0 L ha-1 dependendo da planta daninha a ser controlada e nível de cobertura do solo.

Pode ser misturado com: herbicidas sistêmicos (ex: glifosato e graminicidas).

Cuidados: deve ser aplicado em solo úmido e livre de torrões. Formulações antigas tem problemas com fotodegradação (necessidade de incorporação). Eficiência muito reduzida em solo com grande quantidade de palha ou durante período seco.  

Sulfentrazone

Quando aplicar: herbicida com ação residual para controle de banco de sementes, utilizado na primeira aplicação do manejo outonal.

Espectro de controle: ótimo controle de plantas daninhas de folhas largas e bom controle de alguns gramíneas. 

Dosagem recomendada: 0,5 L ha-1, pois apresenta grande variação na seletividade de cultivares de soja.

Pode ser misturado com: herbicidas sistêmicos (ex: glifosato, 2,4 D, chlorimuron e clomazone).

Recomendado principalmente para áreas onde também ocorre infestação de tiririca!

É importante que a recomendação de produtos fitossanitários seja feita por um agrônomo. Mas o produtor deve estar sempre atento a novas informações para auxiliar em sua recomendação. 

Conclusão

Neste artigo, vimos a importância do manejo eficiente de dessecação para plantio de soja. 

Mostramos as principais ferramentas de controle químico que podem ser utilizadas no período de entressafra e como realizar seu posicionamento correto para não ocasionar danos à cultura da soja.  

Além disso, citamos técnicas importantes que devem ser utilizadas no manejo integrado de plantas daninhas.  

Com essas informações, tenho certeza que você irá realizar um bom manejo de herbicidas na sua dessecagem pré-plantio de soja!

Quais herbicidas você utiliza na entressafra? Restou alguma dúvida sobre a dessecação para plantio de soja? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Como fazer o manejo eficiente do capim-colchão

Capim-colchão: Época certa para controle, quais herbicidas usar e confira as principais dicas para evitar o prejuízo da lavoura. 

A planta daninha capim-colchão tem grande distribuição em nosso país e infesta lavouras de grãos e grandes áreas de cana. 

Para os produtores de cana-açúcar, houve relatos de populações com menor suscetibilidade a alguns herbicidas comumente utilizados na cultura. 

Deste modo, é muito importante que ocorra um bom manejo para que não haja seleção de novas populações com menor suscetibilidade a herbicidas ou resistência.  

Quer saber como fazer um manejo eficiente do capim-colchão? Qual é o período ideal e os herbicidas mais indicados? Confira a seguir.

Capim-colchão: Principais pontos sobre esta daninha

No Brasil existem três espécies de gramíneas que são comumente conhecidas como capim-colchão (Digitaria horizontalis, Digitaria ciliaris e Digitaria sanguinalis), família Poaceae.

A espécie D. horizontalis é a mais frequente no país, infestando principalmente lavouras anuais e perenes. Ocorre, geralmente, em populações mistas com D. ciliaris

Já a espécie D. sanguinalis é bem menos frequente, ocorrendo em maior intensidade no sul do país. 

capim-colchão

Plantas adultas de capim-colchão (Digitaria horizontalis

(Fonte: FCAV Unesp)

capim-colchão

Plantas adultas de capim-colchão (Digitaria ciliaris

(Fonte: Wiktrop)

Plantas adultas de capim-colchão (Digitaria sanguinalis

(Fonte: Wiktrop)

Essas três espécies são muito parecidas e difíceis de serem diferenciadas no campo, necessitando de uma lupa para distinguir as características morfológicas. 

A principal diferença das espécies está nas espigueta. 

capim-colchão

Inflorescência de capim-colchão (Digitaria sanguinalis

(Fonte: Luirig)

As espécies de capim-colchão são plantas daninhas de ciclo anual. Podem se alastrar pelo enraizamento de nós dos colmos em contato com o solo úmido.

Estas plantas daninhas apreciam solos férteis – são pouco agressivas em solos pobres.  

Sementes e dispersão do capim-colchão

Estas espécies produzem em média 150 mil sementes por planta, o que está associado à sua dispersão em nosso país. As sementes são facilmente disseminadas pelo vento. 

capim-colchão

Sementes de capim-colchão (Digitaria sanguinalis

(Fonte: Oardc)

A necessidade de luz para germinar varia nestas espécies, sendo que D. horizontalis D. sanguinalis necessitam de luz para germinar. Já a D. ciliaris é indiferente à luz, germinando no escuro também.

A temperatura ideal para germinação destas espécies é a alternância de 25℃ a 35℃

Além da capacidade de interferir nas culturas, diminuindo sua produtividade, estas espécies podem ser hospedeiras de pragas e doenças

As espécies D. horizontalis e D. sanguinalis podem ser hospedeiras de nematoides

Além disso, a espécie  D. horizontalis pode ser hospedeira para o patógeno que ocasiona a mancha branca do milho.

Dentre estas espécies, somente a D. ciliaris possui registro de biótipos resistentes à herbicida no Brasil. 

Sendo registrada em 2002 como resistente a herbicidas inibidores da enzima ACCase ou comumente chamados de graminicidas (haloxyfop e fluazifop).

Manejo de capim-colchão na entressafra do sistema soja-milho

A entressafra, com certeza, é período ideal para realizar um bom manejo do capim-colchão, pois existe um número maior de opções a serem utilizadas!

O ideal é que a aplicação ocorra em plantas com até 2 perfilhos, pois as chances de sucesso são maiores!

Herbicidas pós-emergentes: 

Cletodim 

Possui ótimo controle de plantas pequenas (até 2 perfilhos) ou pode ser utilizado na primeira aplicação do manejo sequencial (geralmente associado a glifosato). Recomendável dose de 0,5 a 1,0 L ha-1. Adicionar óleo mineral 0,5 a 1,0 % v v-1.

Haloxyfop 

Possui ótimo controle de plantas pequenas (até 2 perfilhos) ou pode ser utilizado na primeira aplicação do manejo sequencial (geralmente associado a glifosato). Recomendável dose de 0,55 a 1,2 L ha-1. Adicionar óleo mineral 0,5 a 1,0 % v v-1.

Este são os exemplos mais comuns de graminicidas utilizados no mercado. No entanto, existem outros produtos com ótimo desempenho e que seguem a mesma lógica de manejo. 

Novas formulações de graminicidas vem sendo lançadas com maior concentração do ingrediente ativo (responsável pela morte da planta) e com adjuvante incluso. (Ex: Verdict max®, Targa max® e Select one pack®)

Quando forem misturados 2,4D e graminicidas deve-se aumentar a dose do graminicida em 20%, pois este herbicida reduz sua eficiência. 

Glifosato

Possui ótimo controle de plantas pequenas (até 2 perfilhos) ou pode ser utilizado na primeira aplicação do manejo sequencial. Indicado na dose de 2,0 a 4,0 L ha-1

Paraquat 

Pode ser utilizado em plantas pequenas (até 2 perfilhos) provenientes de sementes ou em manejo sequencial para controle da rebrota de plantas maiores. Recomendável na dose de 1,5 a 2,0 L ha-1. Adicionar adjuvante não iônico 0,5 a 1,0% v.v. 

Glufosinato de amônio 

Pode ser utilizado em plantas pequenas (até 2 perfilhos) provenientes de sementes ou em manejo sequencial para controle de rebrota de plantas maiores. Recomendável dose de 2,5 a 3,0 L ha-1. Adicionar óleo mineral 2,0% v.v. 

Herbicidas pré-emergentes:

Diclosulam 

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes. Utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato e graminicidas). O solo deve estar úmido. Recomendações de dose de 29,8 a 41,7 g ha-1

Flumioxazin

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes. Utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato, graminicidas e imazetapir) ou no sistema de aplique plante da soja. Recomendável na dose de 70 a 120 g ha-1.

S-metolachlor

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes. Utilizado no sistema de aplique plante da soja, na dose de 1,5 a 2,0 L ha-1. Não deve ser aplicado em solos arenosos. 

Trifluralina 

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes. Utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato, graminicidas). Recomendável na dose de 1,2 a 4,0 L ha-1, dependendo da planta daninha a ser controlada e nível de cobertura do solo. Deve ser aplicado em solo úmido e livre de torrões. 

Baixe grátis o Guia para Manejo de Plantas Daninhas

Manejo do capim-colchão na pós-emergência das culturas de soja e milho

Para plantas pequenas ou rebrota de plantas perenizadas na soja, temos como opção eficiente somente o uso de graminicidas (clethodim, haloxyfop e outros). 

Em caso de soja RR podem ser associados ao glifosato. 

Em áreas com grande infestação devem ser utilizados herbicidas pré-emergentes no sistema de “aplique plante” para diminuir o banco de sementes e o número de aplicações em pós-emergência (diclosulam, flumioxazin e s-metolachlor).

A inclusão de pré-emergentes em diferentes etapas do manejo é fundamental, principalmente em áreas com grandes infestações. Como diminuem a necessidade de aplicações em pós-emergência e previnem a seleção de plantas resistentes, trazem ótimo custo-benefício ao produtor. 

O controle de capim-colchão no milho é mais complexo, pois o milho também é uma gramínea. Assim, existem poucas opções que são seletivas ao milho e controlam capim-colchão. 

Dentre elas temos herbicidas pré-emergentes aplicados em sistema de “aplique plante” (ex:trifluralina, s-metolachlor e isoxaflutole) ou herbicidas utilizados em pós-emergência precoce (ex: nicosulfuron, tembotrione e mesotrione). Porém, não há opções eficientes para controle de plantas mais desenvolvidas ou perenizadas.    

Conclusão

Neste artigo vimos a importância econômica que o capim-colchão possui em nosso país e como realizar um manejo eficiente em lavouras de grãos. 

E vimos quais herbicidas são mais utilizados para o controle na pré e pós-emergência das culturas.

Espero que com essas dicas passadas aqui você consiga realizar um manejo eficiente do capim-colchão!

>> Leia mais:

Como fazer o manejo eficiente do capim-amargoso

O guia completo para controle de capim-pé-de-galinha

Como identificar e fazer o controle de tiririca na lavoura

Como você controla a infestação de capim-colchão na lavoura hoje? Já enfrentou casos de resistência? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Como fazer o manejo eficiente do capim-colonião

Capim-colonião: Época certa para controle, quais herbicidas utilizar e as principais dicas para evitar o prejuízo da lavoura

O capim-colonião é uma forrageira muito utilizada para alimentação animal, por sua adaptação ao clima do país e grande capacidade de crescer e se desenvolver. 

Forma uma grande quantidade de massa verde, podendo chegar a 3 m de altura. 

Porém, essa grande capacidade de crescer e se desenvolver rapidamente é muito prejudicial quando infesta algum cultivo, diminuindo muito a produtividade

Quer saber como fazer um manejo eficiente de capim-colonião? A seguir, explicarei o período ideal para controle e os herbicidas mais indicados. Confira!

Capim-colonião: Principais pontos sobre essa planta daninha

O capim-colonião (Panicum maximum Jacq.) é uma planta daninha de ciclo perene, que tem reprodução por sementes e de forma vegetativa (rizomas). 

Seu florescimento ocorre durante um longo período. É comum encontrar plantas florescendo e frutificando durante todo o ano. 

A produção de rizomas subterrâneos possibilita a fácil recuperação de danos mecânicos na parte aérea, como roçadas. 

capim colonião

Plantas adultas de capim-colonião (Panicum maximum
(Fonte: Tropical forages)

Essa planta daninha tolera ambientes secos por um curto período, não tolerando também  solos encharcados por longo período. 

Além disso, é bastante suscetível a geadas.  

O capim-colonião pode ser encontrado em quase todas as regiões do país, infestando principalmente a cultura da cana-de-açúcar, citros e grãos. 

Não tolera temperaturas mais frias, por isso não é muito encontrada em todas as regiões do país. 

Como esta espécie é utilizada como forrageira, o tipo de variedade encontrada na região geralmente depende muito do que os agricultores costumam produzir.

E, devido ao manejo incorreto, acabaram produzindo sementes que infestam outras áreas. 

Sua ampla dispersão está associada à capacidade de produzir uma grande quantidade de sementes (mais de 120 mil sementes por planta), que são facilmente disseminadas pelo vento durante todo o ano.

capim colonião

(Fonte: USDA Plants)

Suas sementes possuem maior capacidade de germinação em temperaturas entre 20ºC e 30ºC. Por isso, a alta germinação pode ocorrer o ano todo, dependendo da região do país.

Alguns pesquisadores afirmam que daninhas são plantas cuja utilização ainda não foi descoberta. Porém, no caso do capim-colonião, sua utilização já foi descoberta!

Por isso falaremos dos benefícios de utilizar esta espécie como forrageira e dos malefícios de tê-la como invasora. 

Benefícios do capim-colonião

É uma ótima forrageira para regiões quentes e com boa distribuição de chuvas, pois produz um grande quantidade de massa verde, com boa palatabilidade para o gado. 

Além disso, pode ser usada na fitorremediação de solos que contêm metais pesados

As plantas novas chegam a conter 13% de proteína!

Malefícios do capim-colonião

Essa planta é problema principalmente na cultura da cana-de-açúcar, pois, no início de seu desenvolvimento, se assemelha à cultura, dificultando o controle.  

Lembrando que, quando utilizada como forrageira, essa planta não chega a florescer!

Além disso, pode ocorrer acúmulo de glicosídeos cianogênicos em sua inflorescência, o que intoxica rapidamente os animais que a consomem.

capim colonião

Inflorescência de capim-colonião (Panicum maximum
(Fonte: Conabio)

Dessa forma, pode ser muito prejudicial quando infesta uma área de pastagem ou de integração lavoura-pecuária. 

Além disso, pode ser hospedeira de nematoides

capim colonião

(Fonte: USDA Plants)

Baixe grátis o Guia para Manejo de Plantas Daninhas

Manejo de capim-colonião na entressafra do sistema soja-milho

Herbicidas aplicados em  pós-emergência: 

Cletodim

Possui ótimo controle de plantas pequenas (20 cm a 40 cm) ou pode ser utilizado na primeira aplicação do manejo sequencial (geralmente associado a glifosato). Recomendada dose de 0,40 a 0,45 L ha-1. Adicionar óleo mineral 0,5 a 1,0 % v v-1.

Haloxyfop

Possui ótimo controle de plantas pequenas (20 cm a 40 cm) ou pode ser utilizado na primeira aplicação do manejo sequencial (geralmente associado a glifosato). Recomendável na dose de 0,5 a 1,2 L ha-1. Adicionar óleo mineral 0,5 a 1,0 % v v-1.

Este são os exemplos mais comuns de graminicidas utilizados no mercado. Porém, existem outros produtos com ótimo desempenho, que seguem a mesma lógica de manejo. 

Quando forem misturados 2,4D e graminicidas, deve-se aumentar a dose do graminicida em 20%, pois este herbicida reduz sua eficiência. 

Glifosato

Possui ótimo controle (20 cm a 40 cm) ou pode ser utilizado na primeira aplicação do manejo sequencial (associado a pré-emergentes), na dose de 5,0 a 6,0 L ha-1

cultivares de panicum maximum

(Fonte: Disponível em Bueno e Pereira

Herbicidas aplicados em pré-emergência:

Flumioxazin 

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes. Utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato, graminicidas e imazetapir); ou no sistema de aplique plante da soja, na dose de 90 a 120 g ha-1.

S-metolachlor 

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes. Utilizado no sistema de aplique plante da soja, na dose de 2,5 L ha-1. Não deve ser aplicado em solos arenosos. 

Trifluralina 

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes. Utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato, graminicidas).

Recomendada dose de 0,9 a 4,0 L ha-1, dependendo da planta daninha a ser controlada e nível de cobertura do solo. Deve ser aplicado em solo úmido e livre de torrões. 

Sulfentrazone

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes. Utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato). Recomenda-se dose de até 0,5 L ha-1, pois apresenta grande variação na seletividade de cultivares de soja

>> Leia mais: “Últimas notícias sobre ervas daninhas: Dicamba e Amaranthus palmeri

Manejo na pós-emergência das culturas de soja e milho

Para plantas pequenas ou rebrota de plantas maiores na soja, temos como opção eficiente somente o uso de graminicidas (clethodim, haloxyfop e outros). 

Em caso de soja RR, podem ser associados ao glifosato

Em áreas com grande infestação devem ser utilizados herbicidas pré-emergentes (flumioxazin e s-metolachlor) no sistema de “aplique plante” para diminuir o banco de sementes e o número de aplicações em pós-emergência.

O inclusão de pré-emergentes em diferentes etapas do manejo é fundamental, principalmente em áreas com grandes infestações. Assim pode-se controlar os diferentes fluxos de emergência ocasionados pela dormência das sementes. 

O controle de capim-colonião no milho é mais complexo, pois o milho também é uma gramínea e existem poucas opções que são seletivas ao milho e controlem capim-colonião. 

Para controle do banco de sementes, podemos aplicar herbicidas pré-emergentes em sistema de “aplique plante” (ex:trifluralina, s-metolachlor e isoxaflutole). 

Para controle de plântulas em estádio inicial (20 cm a 30 cm) temos as seguintes opções: 

  • Nicosulfuron
  • Atrazina+mesotrione
  • Atrazina+mesotrione.   

Em caso de milho RR ou LL, podem ser utilizados glifosato ou amônio-glufosinato, respectivamente, para controle desta planta daninha em pós-emergência. 

Conclusão

Neste artigo vimos a importância econômica que o capim-colonião possui em nosso país e como realizar um manejo eficiente em lavouras de grãos. 

Entendemos a importância de conhecer a biologia da planta daninha antes de manejá-la. 

E vimos algumas estratégias de manejo para controle eficiente, evitando seleção de resistência. 

Com essas dicas, espero que você consiga realizar um manejo eficiente do capim-colonião!

>> Leia mais:

Como fazer o manejo eficiente do capim-amargoso

O guia completo para controle do capim-pé-de-galinha

Como fazer o manejo eficiente do capim-colchão

Como você controla a infestação de capim-colonião na lavoura hoje? Adoraria ver seu comentário abaixo!

O guia completo do manejo do caruru Amaranthus palmeri

Caruru Amaranthus palmeri: Época certa para controle, quais herbicidas usar e as principais dicas para minimizar casos de resistência e evitar o prejuízo da lavoura. 

O caruru-palmeri (Amaranthus palmeri) é uma planta daninha exótica que teve seu primeiro relato no Brasil em 2015, no Mato Grosso. 

O que mais preocupa é o histórico de infestação e agressividade que esta planta apresenta nos Estados Unidos e Argentina, associados a uma grande capacidade de selecionar resistência a herbicidas

Nesses países, a presença de Caruru-palmeri é critério de desvalorização das terras atualmente. Isso porque ela eleva os custos de manejo e possui grande potencial para reduzir a produtividade dos principais cultivos. 

Quer saber como identificar corretamente e realizar um manejo eficiente do caruru Amaranthus palmeri? A seguir, explicarei o período ideal para controle e os herbicidas mais indicados. Confira!

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Caruru Amaranthus palmeri: Principais pontos sobre essa daninha

A principal característica que torna o caruru Amaranthus palmeri um planta daninha de grande importância econômica é sua agressividade competitiva. Ainda, essa planta daninha pode ser hospedeira de pragas importantes, como a cochonilha.

Principalmente devido ao ótimo arranjo espacial de suas folhas, que possuem excelente captação de luz e, consequentemente, produção de energia.

caruru amaranthus palmeri
Distribuição simétrica das folhas de caruru Amaranthus palmeri em torno de seu caule
(Fonte: Purdue Extension

No Brasil existem relatos de que esta planta tenha taxa de crescimento de 4 cm a 6 cm por dia, podendo atingir mais de 2 m de altura. 

Desta forma, não existe cultura que consiga competir com esta planta daninha, podendo ser prejudicial em diversas fases do  ciclo do cultivo. 

Foram registradas perdas rendimento de até 90% na soja e 79% no milho

Além disso, sua capacidade de dispersão é muito alta. As plantas fêmeas podem produzir de 200 mil a 1 milhão de sementes por planta, dependendo das condições do ambiente.

Um detalhe importante é que as plantas fêmea podem produzir sementes viáveis, mesmo não sendo polinizadas pelas plantas macho.  

As sementes de caruru Amaranthus palmeri possuem tamanho muito pequeno. Assim, podem ser facilmente dispersadas pelo vento, por animais e por implementos agrícolas que trabalham em áreas contaminadas. 

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Sementes de caruru Amaranthus palmeri
(Fonte: Idtools) 

Um dos pontos mais cruciais é que os produtores possam realizar a correta identificação desta planta daninha em suas lavouras e, rapidamente, comuniquem o Mapa, para que os grupos de contenção desta praga o auxiliem. 

O problema é que o Brasil possui várias espécies nativas que possuem características semelhantes ao caruru-palmeri.  

Mas, fique tranquilo, pois vamos te passar algumas dicas que ajudarão no momento da identificação!

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Identificação do caruru Amaranthus palmeri

As folhas do caruru Amaranthus palmeri possuem lâminas foliares de formato variado, entre o formato de ovado a rômboico-ovada. 

Não possui pilosidade (presença de pelos) em qualquer superfície da planta.

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Plântula de Caruru-palmeri
(Fonte: Purdue Extension

O comprimento dos pecíolos das folhas costuma ser maior ou igual ao comprimento do limbo foliar, principalmente em folhas mais velhas. 

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Comprimento do pecíolo em relação a folha de caruru-palmeri
(Fonte: Purdue Extension)

O principal ponto de identificação da espécie está na inflorescência. O caruru-palmeri possui flores femininas e masculinas em plantas separadas, diferente das espécies nativas do Brasil, que possuem os dois sexos na mesma planta. 

As plantas fêmeas possuem brácteas rudimentares, que envolvem a inflorescência.

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Inflorescência masculina (esquerda) e inflorescência feminina (direita) de caruru Amaranthus palmeri
(Fonte: IMAmt) 

Além disso, podem (mas não obrigatoriamente) ocorrer marcas d’água em formato de “V” no limbo foliar e presença de um pequeno pelo no término do limbo foliar. 

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Marca d’água em formato de “V” invertido nas folhas de caruru Amaranthus palmeri
(Fonte: Purdue Extension

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Presença de pelo no término do limbo foliar de caruru-palmeri
(Fonte: Daniel Tuesca

A espécie mais facilmente confundida com o caruru-palmeri é o caruru-de-espinhos (Amaranthus spinosus). 

Mesmo algumas espécies possuindo algumas das características citadas acima, você deve analisar o conjunto para a correta identificação. 

Para facilitar o processo de identificação, veja o compilado dessas informações: 

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P: presença da característica na espécie; PV: presença variável da característica na espécie; – -: Ausência da característica na espécie. Caruru-palmeri (Amaranthus palmeri); Caruru-de-espinhos (Amaranthus spinosus); Caruru-rasteiro (Amaranthus deflexus); Caruru-roxo (Amaranthus hybridus); Caruru-gigante (Amaranthus retroflexus); Caruru-da-mancha (Amaranthus viridis). (Fonte: Embrapa)

O problema da resistência do Caruru Amaranthus palmeri no Brasil

Acredita-se que o caruru-palmeri tenha sido introduzido no país por meio de colhedoras trazidas da Argentina, que não passaram pela devida limpeza. Assim, essas sementes infestaram lavouras do Mato Grosso. 

Após a confirmação da espécie, o MAPA, em parceria com outras instituições, iniciou ações para conter a dispersão e tentar a erradicação nessas áreas. 

Após testes, foi identificado que estas populações já possuem resistência ao glifosato devido à seleção ocorrida no país de origem. 

No ano seguinte, 2016, foram identificadas populações com resistência múltipla a inibidores da EPSPs (ex: glifosato); e inibidores da ALS (ex: chlorimuron, cloransulam e imazethapyr).

O grande problema é que esta espécie possui um grande histórico de infestação e resistência a herbicidas em vários outros países. 

Além dos casos relatados no Brasil, foram relatados 62 casos de resistência em outros 3 países. 

Casos de resistência simples de caruru Amaranthus palmeri a herbicidas:

  • Inibidor da EPSPs (ex: Glifosato)
  • Inibidor da tubulina (ex: Trifluralina)
  • Inibidor do Fotossistema II (ex: Atrazina)
  • Inibidores de ácidos graxos de cadeia longa (ex: S-metolachlor)
  • Auxinas sintéticas (ex: 2,4 D)
  • Inibidor da ALS (ex: Chlorimuron)
  • Inibidor da HPPD (ex: Mesotrione)

Casos de resistência múltipla de caruru Amaranthus palmeri a herbicidas:

  • Inibidor da EPSPs (ex: Glifosato) + Inibidor da ALS (ex: Chlorimuron)
  • Inibidor da ALS (ex: Chlorimuron) + Inibidor da Protox (ex: fomesafen)
  • Fotossistema II (ex: Atrazina) + Inibidor da HPPD (ex: Mesotrione)
  • Inibidor da ALS (ex: Chlorimuron) + Inibidor da HPPD (ex: Mesotrione)
  • Inibidor da EPSPs (ex: Glifosato) + Inibidor da Protox (ex: fomesafen)
  • Inibidor da EPSPs (ex: Glifosato) + Fotossistema II (ex: Atrazina) 
  • Inibidor da ALS (ex: Chlorimuron) + Inibidor do Fotossistema II (ex: Atrazina) + Inibidor da HPPD (ex: Mesotrione)
  • Inibidor da EPSPs (ex: Glifosato) + Inibidor da ALS (ex: Chlorimuron) + Inibidor do Fotossistema II (ex: Atrazina)
  • Inibidor da EPSPs (ex: Glifosato) + Inibidor da ALS (ex: Chlorimuron) + Inibidor da Protox (ex: fomesafen) + Inibidores de ácidos graxos de cadeia longa (ex: S-metolachlor)
  • Inibidor da EPSPs (ex: Glifosato) + Inibidor da ALS (ex: Chlorimuron) + Fotossistema II (ex: Atrazina) + Inibidor da HPPD (ex: Mesotrione) + Auxinas sintéticas (ex: 2,4 D)

Manejo de caruru Amaranthus palmeri na entressafra do sistema soja-milho

O ponto primordial no manejo do caruru-palmeri é o estádio de desenvolvimento. Por se tratar de uma planta daninha de difícil controle, é recomendado que aplicação ocorra até, no máximo, 5 cm. 

Plantas com mais de 8 cm apresentam menor suscetibilidade a herbicidas. E, devido à sua taxa de crescimento altíssima, isso ocorre em poucos dias após a emergência. 

Após perenizadas, deve-se realizar um manejo com aplicações sequenciais espaçadas em 15 dias. 

Devido a estas características, o uso de herbicidas aplicados em pré-emergência é primordial para realizar um bom controle. 

Ainda não existem herbicidas registrados para controle de caruru Amaranthus palmeri disponíveis no mercado no Brasil. Por isso, é muito importante que ao suspeitar/identificar esta planta daninha em sua lavoura, comunique ao MAPA. 

Atualmente no Brasil, os órgãos de defesa agropecuária tem recomendado “tolerância zero” em áreas com infestação do caruru-palmeri. 

Todas as plantas devem ser controladas antes do florescimento, associando diversas técnicas de manejo para que isso seja realizado. 

Vamos descrever algumas alternativas de manejo que vêm sendo utilizadas em outros países que esta planta infesta e de resultados preliminares de pesquisas no Brasil.

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Infestação de caruru Amaranthus palmeri em lavoura de soja
(Fonte: IMAmt) 

Herbicidas pós-emergentes: 

Glufosinato de amônio

Pode ser utilizado em plantas pequenas (até 5 cm) ou em manejo sequencial para controle de rebrota de plantas maiores. Recomendável dose de 2,5 a 3,0 L ha-1.

Paraquat

Pode ser utilizado em plantas pequenas (até 5 cm) ou em manejo sequencial para controle da rebrota de plantas maiores, na dose de 1,5 a 2,0 L ha-1.

2,4 D 

Utilizado em primeiras aplicações de manejo sequencial, geralmente associado a outros herbicidas sistêmicos (ex: glifosato) ou pré-emergentes. Recomendável dose de 1,2 a 2 L ha-1

Cuidado com problemas de incompatibilidade no tanque (principalmente graminicidas). 

Quando utilizar 2,4 D próximo à semeadura de soja, deve-se deixar um intervalo entre a aplicação e a semeadura de 1 dia para cada 100 g i.a. ha-1 de produto utilizado.

Saflufenacil 

Pode ser utilizado em plantas pequenas (até 5 cm) ou em manejo sequencial para controle de rebrota de plantas maiores. Indicada dose de 35 a 100 g ha-1.

Dicamba

Utilizado em primeiras aplicações de manejo sequencial, geralmente associado a outros herbicidas sistêmicos (ex: glifosato) ou pré-emergentes, na dose de 1,0 a 1,5 L ha-1

Deve-se ocorrer um intervalo mínimo de 30 dias entre a aplicação do produto e a semeadura da soja, para que não ocasione danos ao cultivo. 

Glifosato

Mesmo não sendo efetivo para as populações presentes no país, pode ser usado no manejo para controle de outras plantas daninhas.

Herbicidas pré-emergentes:

Flumioxazin 

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes.

Utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato e 2,4 D) ou no sistema de aplique plante da soja. Recomendada dose de 120 g ha-1.

Sulfentrazone 

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes. 

Utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato e 2,4 D). Recomenda-se dose de até 0,5 L ha-1, pois apresenta grande variação na seletividade de cultivares de soja

S-metolachlor 

Herbicida com ação residual  para controle de banco de sementes.

Utilizado no sistema de aplique plante da soja e milho, na dose de 1,5 a 2,0 L ha-1. Não deve ser aplicado em solos arenosos. 

Manejo na pós-emergência da soja 

Fomesafen

Realizar uma aplicação de 20 a 30 dias após emergência da cultura, na dose de 0,9 a 1,0 L ha-1.

Lactofen

Realizar uma aplicação no estádio inicial de desenvolvimento da cultura, na dose de 0,62 a 0,75 L ha-1.

Este herbicida provoca muitos sintomas de fitointoxicação nas folhas cultura. Após um período de algumas semanas, porém, estes sintomas desaparecem e as perdas no crescimento costumam ser compensadas por maior engalhamento da cultura!

Manejo na pós-emergência do milho

Atrazine

Pode ser aplicado na pré-emergência da cultura imediatamente antes da semeadura, simultaneamente ou logo após a semeadura. Em aplicações em pós-emergência da cultura e plantas daninhas deve-se acrescentar óleo vegetal. 

Recomendações de dose de  3 a 5 L ha-1, dependendo das características do solo e plantas daninhas presentes. Pode ser misturado com: glifosato (se misturado em pós-emergência – milho RR), mesotrione, nicosulfuron, S-metolachlor. 

Glufosinato de amônio

No caso de milho Liberty Link! Pode ser utilizado em plantas pequenas (até 5 cm) ou em manejo sequencial para controle de rebrota de plantas maiores, na dose de 2,5 a 3,0 L ha-1.

Perspectivas para controle do caruru-palmeri

Nos próximos anos, existem previsões da liberação comercial de novos “traits” de resistência a herbicidas para as culturas de soja e milho.

  • Soja: Enlist (2,4D colina, glifosato e glufosinato de amônio) e Xtend (Dicamba, glifosato).
  • Milho: Enlist (2,4D colina, glifosato, glufosinato de amônio e haloxyfop).

Isso aumentará as opções de manejo para caruru-palmeri em pós-emergência das culturas!

Conclusão

Neste artigo, vimos a importância econômica que o caruru Amaranthus palmeri possui em outros países e o potencial de dano, se não contido, no Brasil. 

Entendemos quais são as principais características que devem ser examinadas para correta identificação desta daninha.

Vimos algumas recomendações que têm sido eficientes em outros países e o resultado de teste preliminares no Brasil.   

 Espero que com essas dicas passadas aqui você consiga realizar a correta identificação do caruru-palmeri e saiba como iniciar o planejamento do manejo caso esta daninha infeste sua lavoura!

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Capim-pé-de-galinha: Época certa para controle, quais herbicidas utilizar e as principais dicas para minimizar casos de resistência e evitar prejuízos.

A Eleusine indica, conhecida no Brasil como capim-pé-de-galinha, é uma das 5 plantas daninhas mais problemáticas do mundo.

E o que mais preocupa os agricultores brasileiros é o número de casos de resistência que esta espécie apresenta ao redor do mundo.

Já há populações dessa daninha resistentes a 8 mecanismos de ação de herbicidas, que afetam 10 países.

Quer saber como fazer um manejo eficiente de capim-pé-de-galinha? A seguir, explicarei o período ideal para controle e os herbicidas mais indicados. Confira!

Capim-pé-de-galinha: principais pontos sobre essa planta daninha

O capim-pé-de-galinha (Eleusine indica) é uma espécie de planta daninha de ciclo anual que pode infestar lavouras anuais e perenes, se desenvolvendo bem em qualquer tipo de solo. Pode ser encontrado em quase todas as regiões do país, afetando a maioria dos cultivos de grãos.

Seu ciclo de vida pode durar de 120 a 180 dias, dependendo da região. Sua reprodução ocorre via sementes.

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Plantas adultas de capim-pé-de-galinha, daninha que é uma planta de ciclo anual
(Fonte: Roundup Ready)

Sua ampla dispersão está associada à capacidade de produzir uma grande quantidade de sementes (mais de 120 mil sementes por planta), que são facilmente disseminadas pelo vento durante todo o ano.

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Sementes de capim-pé-de-galinha
(Fonte: Weedimages)

Suas sementes possuem maior capacidade de germinação em temperaturas entre 35°C a 20°C.  Por isso, a alta germinação pode ocorrer o ano todo, dependendo da região do país.

É muito importante realizar o correto controle de capim-pé-de-galinha, pois essa planta daninha pode ser “ponte verde” para  doenças que afetam plantas cultivadas.

O  capim-pé-de-galinha pode ser hospedeiro de agentes patogênicos que atacam cultivares de importância econômica. Pode ser hospedeiro, por exemplo, do vírus do mosaico listrado do milho, de alguns fungos e do nematóide das galhas.  

O problema da resistência do capim-pé-de-galinha no Brasil

O primeiro caso de resistência de capim-pé-de-galinha a herbicida no Brasil foi registrado em 2003. Na ocasião, houve seleção de uma população resistente dessa planta a alguns herbicidas Inibidores da ACCase (graminicidas), no Rio Grande do Sul.

Porém, este caso não foi tão alarmante, pois estas plantas eram resistentes a alguns graminicidas específicos. Mas, continuavam sendo controladas pelos dois graminicidas mais usados no país: clethodim e haloxyfop.

Além disso, poucos anos depois houve grande expansão dos cultivos RR e o capim-pé-de-galinha era facilmente controlado com glifosato.

Treze anos, depois devido ao uso indiscriminado do glifosato, ocorreu a seleção de populações de capim-pé-de-galinha resistentes no centro-oeste do Paraná.

Nesse momento, os produtores brasileiros começaram a ter maior preocupação com essa espécie. Isso porque não existem muitas opções no mercado para controle eficiente de graminicidas perenizadas.

No ano seguinte, ocorreu o que os produtores mais temiam. Houve registro de uma população com resistência múltipla a inibidores da ACCase (graminicidas) e ao glifosato.

Essa população tem resistência aos herbicidas glifosato, fenoxaprop e haloxyfop.

O grande problema é que essa espécie possui grande histórico de infestação e resistência a herbicidas em vários países.

Além do casos registrados no Brasil, foram relatados 30 casos de resistência em outros dez países.

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Lavoura de algodão infestada com capim-pé-de-galinha com resistência a herbicidas inibidores da ACCase
(Foto: Edson Andrade Junior em Circular Técnica ImaMT)

Veja casos de resistência simples de capim-pé-de-galinha a herbicidas:

  • Inibidor da EPSPs (ex: glifosato)
  • Inibidor do Fotossistema I (ex: paraquat)
  • Inibidor da ACCase (ex: cletodim)
  • Inibidor da ALS (ex: imazapyr)
  • Inibidor da formação de microtúbulos (ex: trifluralina)
  • Inibidor do Fotossistema II (ex: metribuzin)
  • Inibidor da Protox (ex: oxadiazon).

Casos de resistência múltipla de capim-pé-de-galinha a herbicidas:

  • Inibidor da EPSPs + Inibidor da ACCase
  • Inibidor da EPSPs + Inibidor do Fotossistema I
  • Inibidor da GS + Inibidor do Fotossistema I
  • Inibidor da EPSPs + Inibidor da ACCase + Inibidor da GS (ex: glufosinato) + Inibidor do Fotossistema I

Manejo de capim-pé-de-galinha na entressafra do sistema soja-milho

A entressafra com certeza é o momento ideal para realizar um manejo eficiente do capim-pé-de-galinha, pois existe um número maior de opções a serem utilizadas!

O ideal é que a aplicação ocorra em plantas com até 1 perfilho, pois as chances de sucesso são maiores!

Herbicidas aplicados em pós-emergência:

Os casos de resistência a inibidores da ACCase e glifosato ainda não estão extensamente disseminados no Brasil. Desse modo, a recomendação desses herbicidas dependerá do histórico da área.

Cletodim

Possui ótimo controle de plantas pequenas (até 1 perfilho) ou pode ser utilizado na primeira aplicação do manejo sequencial (geralmente associado a glifosato). Recomendável dose de 0,5 a 1,0 L ha-1. Adicionar óleo mineral 0,5 a 1,0 % v v-1.

Haloxyfop

Possui ótimo controle de plantas pequenas (até 1 perfilho) ou pode ser utilizado na primeira aplicação do manejo sequencial (geralmente associado a glifosato). Recomendável dose de 0,55 a 1,2 L ha-1. Adicionar óleo mineral 0,5 a 1,0 % v v-1.

Este são os exemplos mais comuns de graminicidas utilizados no mercado. Porém, existem outros produtos com ótimo desempenho que seguem a mesma lógica de manejo.

Quando forem misturados 2,4D e graminicidas, deve-se aumentar a dose do graminicida em 20%, pois esse herbicida reduz sua eficiência.

Glifosato

Possui ótimo controle de plantas pequenas (até 1 perfilho). Pode ser utilizado na primeira aplicação do manejo sequencial (associado a pré-emergentes). Recomendável dose de 2,0 a 3,0 L ha-1.

Paraquat

Pode ser utilizado em plantas pequenas (até 1 perfilho) provenientes de sementes ou em manejo sequencial para controle da rebrota de plantas maiores. Recomendável dose de 1,5 a 2,0 L ha-1. Adicionar adjuvante não iônico 0,5 a 1,0% v.v.

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Capim-pé-de-galinha é relativamente resistente à seca e também às altas umidades
(Fonte: Weeds)

Herbicidas aplicados em pré-emergência:

Diclosulam

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes. Utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato e graminicidas). O solo deve estar úmido. Recomendações de dose de 29,8 a 41,7 g ha-1.

Flumioxazin

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes. Utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato, graminicidas e imazetapir) ou no sistema de aplique plante da soja. Recomendável dose de 70 a 120 g ha-1.

S-metolachlor

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes.

Utilizado no sistema de aplique plante da soja, na dose de 1,5 a 2,0 L ha-1. Não deve ser aplicado em solos arenosos.

Trifluralina

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes.

Utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato, graminicidas). Recomendável dose 1,2 a 4,0 L ha-1 dependendo da planta daninha a ser controlada e nível de cobertura do solo. Deve ser aplicado em solo úmido e livre de torrões.

Sulfentrazone

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes.

Utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato). Recomenda-se dose de até 0,5 L ha-1, pois apresenta grande variação na seletividade de cultivares de soja.

Manejo na pós-emergência das culturas de soja e milho

Para plantas pequenas ou rebrota de plantas maiores na soja, temos como opção eficiente somente o uso de graminicidas (clethodim, haloxyfop e outros).

Em caso de soja RR, podem ser associados ao glifosato.

Em áreas com grande infestação, devem ser utilizados herbicidas pré-emergentes (diclosulam, flumioxazin e s-metolachlor) no sistema de “aplique plante”. Assim, diminui-se o banco de sementes e o número de aplicações em pós-emergência.

A inclusão de pré-emergentes em diferentes etapas do manejo é fundamental, principalmente em áreas com grandes infestações.

O controle de capim-pé-de-galinha no milho é mais complexo, pois o milho também é uma gramínea. Existem poucas opções que são seletivas ao milho e controlam capim-pé-de-galinha.

Para controle do banco de sementes podemos aplicar herbicidas pré-emergentes em sistema de “aplique plante” (ex:trifluralina, s-metolachlor e isoxaflutole).

Para controle de plântulas em estádio inicial (até 1 perfilho) temos as seguintes opções:

Porém, não há opções eficientes para controle de plantas mais desenvolvidas ou perenizadas.   

>> Leia mais:  “Como fazer o manejo eficiente do capim-colonião”

Conclusão

Neste artigo vimos a importância econômica que o capim-pé-de-galinha possui em nosso país e como realizar um manejo eficiente em lavouras de grãos.

Entendemos a importância de conhecer a biologia da planta daninha antes de manejá-la.

Vimos ainda algumas estratégias de manejo para controle eficiente, evitando seleção de resistência.

Espero que com essas dicas passadas aqui você consiga realizar um manejo eficiente do capim-pé-de-galinha!

>> Leia mais: “Guia para controle eficiente da trapoeraba
>> Leia mais: “Guanxuma: 5 maneiras de livrar sua lavoura dessa planta daninha
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Como você controla a infestação de capim-pé-de-linha na lavoura hoje? Já enfrentou casos de resistência? Adoraria ver seu comentário abaixo!