Guia para o controle eficiente da trapoeraba

Trapoeraba: Saiba qual é a época certa para controle, quais herbicidas utilizar e as principais dicas para evitar prejuízos na lavoura.

Quem nunca teve dificuldades no manejo da trapoeraba? Não é para menos, essa planta daninha tem sementes aéreas, sementes subterrâneas, se propaga por pedaços dos seus ramos e tem tolerância a alguns herbicidas.

Nem mesmo a boa e velha enxada é eficiente em resolver o problema!  

Como fazer, então, um bom manejo da trapoeraba? Qual o período ideal e os herbicidas mais indicados? Confira a seguir!  

Identificação das principais espécies de trapoeraba no Brasil

No Brasil as espécies mais comuns de trapoeraba são:

Commelina benghalensis

Está é a espécie mais frequente no Brasil, infestando lavouras anuais, perenes e hortas.

Prefere solo fértil, úmidos e sombreados.

Pode ser diferenciada das outras espécies pela pela presença de 3 pétalas nas flores, onde uma tem tamanho reduzido. E suas folhas são geralmente mais largas que as das demais espécies.

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Planta adulta de Commelina benghalensis; trapoeraba é uma planta anual que prefere solos argilosos
(Fonte: Popovkin, 2013)

Commelina diffusa

Espécie frequente em quase todo o país, infesta principalmente cultivos perenes.

Prefere solo fértil, com boa umidade e semi-sombreados. Folhas com lâminas que lembram uma gramínea. Rizomas ausentes.

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Planta adulta de Commelina diffusa
(Fonte: Meyer, 2012 – Flora Digital UFRGS)

Commelina erecta

Espécie menos frequente em nosso país, infesta cultivos perenes.

Prefere solo fértil, com boa umidade. É bastante suscetível a geadas e ao cultivo mecânico do solo.

Possui rizomas sem frutificação, flores com duas pétalas grandes azuis e uma pétala residual.

Possui como diferencial um florescimento vistoso, sendo por muitas vezes cultivada como planta ornamental.

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Planta adulta de Commelina erecta
(Fonte: Evangelista, 2017)

Interferência de trapoeraba em culturas

A infestação de trapoeraba em uma lavoura de milho pode interferir na sua fisiologia, diminuindo a fotossíntese e transpiração do cultivo.

Para a cultura da soja, pesquisas demonstram que a trapoeraba possui habilidade competitiva semelhante ao cultivo. A densidade de infestação é fator determinante na redução da produtividade.

Como exemplo disso, pesquisas demonstram que 58 plantas por m² reduzem a produtividade da soja em 15%, enquanto 230 plantas m² reduzem 49%.

Além da interferência direta, a trapoeraba dificulta a colheita mecânica e pode aumentar o teor de água nos grãos ou sementes colhidas.  

Mais que problemas de interferência direta, esta planta daninha pode ser hospedeira de pragas e doenças.

A trapoeraba pode ser hospedeira do percevejo marrom e nematoide das galhas.

Trapoeraba: principais pontos sobre essa daninha

É muito importante destacar que não foram registrados casos de resistência a herbicidas para as espécies de trapoeraba no Brasil!

Mundialmente, registrou-se apenas um caso nos Estados Unidos para a espécie Commelina diffusa resistente a 2,4 D.  

Deste modo, é muito importante entender a biologia desta planta daninha para realizar um manejo eficiente e não selecionar plantas resistentes.

Estima-se que uma planta da trapoeraba pode produzir 1.600 sementes!

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Sementes da espécie Commelina benghalensis
(Fonte: Scher, 2019)

O grande diferencial desta planta daninha é a capacidade de produzir 4 tipos de sementes, aéreas (2)  e subterrâneas (2), além da grande capacidade de pedaços de ramos formarem uma nova planta.

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Formação de sementes aéreas da espécie Commelina benghalensis
(Fonte: Pellegrini e Forzza)

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Formação de sementes subterrâneas da espécie Commelina benghalensis
(Fonte: Matos de Comer)

Como os ramos cortados em situação de boa umidade são extremamente eficientes em formar novas plantas, os métodos de capina tradicionais somente espalhariam estas plantas em uma área maior.

Entenda as particularidades que dificultam o manejo de trapoeraba

Sementes grandes e pequenas produzidas na parte aérea, auxiliam na dispersão da espécie para novas áreas.

Sementes grandes e pequenas produzidas na parte subterrânea, ou seja nos rizomas, auxiliam na perpetuação da espécie na área infestada.

Existe diferença no enterrio sobre a capacidade de emergência destas sementes. Enquanto sementes de parte aérea emergem de até 2 cm, as subterrâneas emergem de até 12 cm.

Assim, o cultivo do solo para impedir a emergência de sementes não é tão eficiente!

Além disso, a  germinação desta espécie é favorecida por temperaturas dentro da faixa de 18°C a 36°C. A luz favorece a germinação, porém não é essencial.

Outra questão importante é que as sementes de trapoeraba possuem dormência. Ou seja, mesmo com condições ideais, a germinação não ocorre devido a um impedimento natural.

E o que isso influencia no manejo?

Plantas daninhas com dormência apresentam vários fluxos de emergência, muitas vezes fora do período de aplicação de herbicidas, o que dificulta seu manejo.

Além disso, esta planta daninha possui características morfológicas que dificultam seu manejo quando estão em estágio de desenvolvimento avançado.

Quando adulta, suas folhas possuem maior acúmulo de tricomas (pelos) e ceras o que dificulta a absorção e transporte do herbicida na planta.

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Estruturas presentes na superfície foliar da espécie Commelina benghalensis
(Fonte: Monquero, 2005)

Por isso é importante que o controle seja feito com plantas pequenas de 2 a 4 folhas.

A seguir, mostrarei como fazer o manejo correto desta planta daninha na soja e no milho.

Manejo de trapoeraba na entressafra do sistema soja-milho

Herbicidas pós-emergentes

O principal ponto para manejo eficiente de trapoeraba em pós-emergência é a aplicação em plantas pequenas (até 4 folhas). Elas absorvem maior quantidade de herbicidas.

Outro ponto muito importante é a tecnologia de aplicação utilizada. Como são plantas que podem ter menor capacidade de absorção, é importante seguir os princípios básicos para uma aplicação eficiente.

Para controle de trapoeraba, você deve priorizar uma boa cobertura do alvo e evitar baixo volume de calda, não sendo recomendado menos que 100 L ha-1.

Glifosato

Quando em estádios iniciais (até 4 folhas),pode ser eficiente no controle desta planta daninha. Recomenda-se duas aplicações sequenciais: 1ª 2,0 L ha-1 e 2ª 1,5 L ha-1.

Carfentrazone

Oferece ótimo controle em pós-emergência desta planta daninha, principalmente em estádios iniciais (até 4 folhas), geralmente associado a outros herbicidas sistêmicos (ex: glifosato).

Recomendações de dose de 59 a 75 mL ha-1.

2,4 D

Quando em estádios iniciais (até 4 folhas), pode ser eficiente no controle desta planta daninha. Recomendações de dose de 1,0 a 1,5 L ha-1.

Chlorimuron

Utilizado na primeira aplicação do manejo sequencial sobre plantas pequenas (até 4 folhas). É geralmente associado a outros herbicidas sistêmicos (ex: glifosato) e fornece efeito residual, na dose de 60 a 80 g ha-1.

>>Leia mais: “Planta tiguera: Quais os manejos mais eficientes para sua lavoura

Herbicidas pré-emergentes

Flumioxazin

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes.

Utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato, 2,4 D) ou no sistema de aplique plante da soja. Recomendável dose de 50 g a 60 g ha-1.

Sulfentrazone

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes.

Utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glyphosate e 2,4 D). Recomenda-se dose de até 0,5 L ha-1, pois apresenta grande variação na seletividade de cultivares de soja.

Manejo na pós-emergência das culturas de soja e milho

Soja

Na pós-emergência da soja, pode ser utilizado chlorimuron. Se a soja for RR, pode-se realizar aplicações sequenciais de glifosato.

Milho

Atrazina

Quando em estádios iniciais (até 4 folhas), pode ser eficiente no controle desta planta daninha.

Recomendações de dose de 4 a 5 L ha-1, dependendo das características do solo.

Nicosulfuron

Deve ser aplicado na pós-emergência do milho, quando as plantas estiverem com 2 a 6 folhas.

Cuidado com a diferença de suscetibilidade dos híbridos. Recomendações de dose de 1,25 a 1,5 L ha-1  + óleo mineral.

>>Leia mais: “Guanxuma: 5 maneiras de livrar sua lavoura dessa planta daninha

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Conclusão

Neste artigo vimos a importância econômica que a trapoeraba possui em nosso país e como realizar um manejo eficiente em lavouras de grãos.

Entendemos a importância de conhecer a biologia da planta daninha antes de manejá-la.

Vimos que o estádio de aplicação e uso da correta tecnologia de aplicação são determinantes no controle desta daninha.

Espero que com as dicas passadas aqui você consiga realizar um manejo eficiente da trapoeraba!

>>Leia mais: “O guia do manejo eficiente da buva
>>Leia mais: “Como fazer o manejo eficiente do capim-amargoso

>> Leia mais: “Últimas notícias sobre ervas daninhas: Dicamba e Amaranthus palmeri

Você já teve problemas com infestação de trapoeraba em sua lavoura? Quais técnicas utilizar para manejá-la? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Guanxuma: 5 maneiras de livrar sua lavoura dessa planta daninha

Guanxuma: época certa para controle, quais herbicidas utilizar e  as principais dicas para evitar prejuízo na lavoura.

A guanxuma é um grande problema na lavoura.

Ela causa interferência direta na plantação, reduzindo o rendimento dos grãos na cultura da soja, por exemplo.

Além disso, sua presença pode indicar uma possível compactação do solo, demonstrando que o cultivo está suscetível à seca e ao tombamento.

Neste artigo, mostrarei como identificar, manejar e controlar a guanxuma na sua lavoura. Confira!

Identificação das principais espécies de guanxuma no Brasil

No Brasil as espécies mais comuns são:

Sida glaziovii

Ocorre frequentemente em solos arenosos das regiões tropicais do Brasil. Infesta principalmente áreas de pastagens, beiras de estrada, carreadores pomares e culturas perenes em geral.

É uma das principais infestantes em áreas de novos canaviais no cerrado.

Pode ser reconhecida pela coloração prateada de suas folhas.

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Planta adulta de Sida glaziovii
(Fonte: Mercadante, 2015)

Sida spinosa

Planta medianamente frequente, infesta geralmente cultivos anuais ou perenes, pomares e pastagens, nas regiões centro e sul do País.

Muito comum em áreas de solo arenoso e tolera solos ácidos e pobres.

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Planta adulta de Sida spinosa
(Fonte: Weedimages)

Sida rhombifolia

Dentre as espécies de guanxuma, é a mais comum em áreas cultivadas do país. Infesta principalmente lavouras anuais e perenes, pomares e pastagens.

É mais frequente em cultivos de cereais em sistema de plantio direto.

É curiosamente conhecida como relógio, devido à pontualidade com que suas flores se abrem e se fecham diariamente.

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Planta adulta de Sida rhombifolia
(Fonte: Mercadante, 2013)

Interferência de guanxuma nas culturas

A guanxuma tem crescimento inicial lento, o que a torna um planta daninha pouco competitiva. Porém, em estádios mais avançados, possui maior competitividade com culturas e se torna de difícil controle.

Pesquisas demonstram que 10 plantas de guanxuma por m² podem reduzir em 6% o rendimento de grãos da cultura da soja.

Além dos problemas de interferência direta, essa planta daninha pode ser hospedeira de pragas e doenças.

A guanxuma pode ser hospedeira de nematoides das galhas e das lesões.

Sua presença na lavoura também pode ser indicadora de compactação do solo.  

Tome muito cuidado com sinais de compactação!

A compactação limita o crescimento e desenvolvimento das raízes à camada superficial de solo, deixando o cultivo muito suscetível à seca e tombamento.

Guanxuma: principais pontos sobre essa daninha

É muito importante salientar que não foram registrados casos de resistência a herbicidas para as espécies de guanxuma no Brasil!

Mundialmente, registrou-se apenas um caso nos Estados Unidos para a espécie Sida spinosa resistente a imazaquin.  

Desta forma, é muito importante entender a biologia destas espécies para traçar estratégias de manejo eficientes e não selecionar ervas daninhas resistentes.

Esta planta daninha produz em média 510 sementes por planta, podendo a chegar até 28 mil sementes m-2, que são indiferentes à luz. Ou seja, são capazes de germinar no claro e no escuro.

Sua germinação é favorecida com alternância de temperatura em 20°C a 30°C. Já a profundidade de enterrio não possui influência sobre a emergência desta planta daninha.

Mesmo com profundidade de 5 cm, as sementes possuem boa germinação!

Por outro lado, a deposição de matéria orgânica na superfície do solo (palhada) dificulta a emergência das sementes devido à baixa quantidade de reserva nas sementes.  

Nestas condições, a plântula gasta uma grande quantidade de reserva para atravessar essa barreira. Isso a torna mais suscetível ao efeito de herbicidas.  

O grande problema está nas sementes de guanxuma que possuírem dormência, ou seja, mesmo com condições ideais, a germinação não ocorre devido a um impedimento natural.

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Sementes da espécie Sida rhombifolia
(Fonte: Teo, 2014)

E o que essas características influenciam no manejo?

Plantas daninhas com dormência apresentam vários fluxos de emergência, muitas vezes fora do período de aplicação de herbicidas, o que dificulta o seu manejo.

Além disso, essa planta daninhas possui características morfológicas que dificultam seu manejo quando estão em estágio de desenvolvimento avançado.

Quando adulta, suas folhas possuem maior acúmulo de tricomas (pelos) e ceras, o que dificulta a absorção e transporte do herbicida na planta.

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Estruturas presentes na superfície foliar da espécie Sida rhombifolia  
(Fonte: Albert e Victoria Filho, 2002)

Por isso, é importante que o controle seja feito com plantas pequenas de até 4 folhas.

>>Leia mais: “Guia para o controle eficiente da trapoeraba

Manejo de guanxuma na entressafra do sistema soja-milho

Herbicidas pós-emergentes

O principal ponto no manejo eficiente de guanxuma em pós-emergência é a aplicação em plantas pequenas (até 4 folhas). Elas absorvem maior quantidade de herbicidas e possuem menor capacidade de rebrota.

Outro ponto muito importante é a tecnologia de aplicação utilizada. Como são plantas que podem ter menor capacidade de absorção, é importante seguir estas dicas:

  • Garantir uma boa cobertura do alvo;
  • Utilizar bons adjuvantes, de acordo com as necessidades dos herbicidas;
  • Aplicar em condições climáticas ideias;
  • Cuidar com incompatibilidade de calda, na mistura de tanque de produtos fitossanitários.

Os dois principais herbicidas pós-emergentes em áreas sem cultivos são:

Glifosato

Quando em estádios iniciais (até 4 folhas), é muito eficiente no controle desta planta daninha. Recomendações de dose de 2 L ha-1.

Fui uma importante solução para o controle de guanxuma em pós-emergência da soja (com tecnologia RR), fornecendo ótimo controle sem afetar o cultivo.

2, 4 D

Pode ser utilizado na entressafra para o controle de plantas pequenas (até 4 folhas). Recomendações de dose de 1 a 1,5 L ha-1.

Cuidado com antagonismo em mistura com outros herbicidas!

Herbicidas pré-emergentes

O uso de herbicidas pré-emergentes para o controle dessa planta daninha é essencial!

Como suas sementes possuem dormência, ou seja, com vários fluxos de emergência, estes herbicidas reduzem a necessidade de aplicações em pós-emergência. Eles ainda aumentam a possibilidade da cultura fechar no limpo!

Diclosulam

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes.

Utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glyphosate e 2,4 D). O solo deve estar úmido.

Recomendações de dose de 29,8 a 41,7 g ha-1.

Flumioxazin

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes.

Utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glyphosate, 2,4 D e imazetapir) ou no sistema de aplique plante da soja. Recomendação de dose de 50 a 120 g ha-1.

Sulfentrazone

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes.

Utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glyphosate e 2,4 D). Recomenda-se dose de até 0,5 L ha-1, pois apresenta grande variação na seletividade de cultivares de soja.

Recomendado principalmente para áreas onde também ocorre infestação de tiririca!

Manejo na pós-emergência das culturas de soja e milho

Soja

Cloransulam

Utilizado em pós-emergência da soja, na dose de 35,7 g ha-1.

Imazetapir

Utilizado em pós-emergência precoce da guanxuma e na soja com até 2 trifólios, na dose de 1,0 L ha-1.

Milho

Atrazina

Quando em estádios iniciais (até 4 folhas) é muito eficiente no controle dessa planta daninha.

Recomendações de dose de 4 a 5 L ha-1, dependendo das características do solo.

Mesotrione

Aplicar de 2 a 3 semanas após semeadura do milho, sobre plantas daninhas em pós-emergência precoce (2 folhas). Recomendações de dose de 0,4 L ha-1 + óleo mineral.

>> Leia mais: “O guia completo para o controle do capim-pé-de-galinha

Conclusão

Neste artigo vimos a importância econômica que a guanxuma possui e como realizar um manejo eficiente em lavouras de grãos.

E entendemos a importância de conhecer a biologia da planta daninha antes de manejá-la.

Vimos que o estádio de aplicação, uso de correta tecnologia de aplicação e inclusão de pré-emergentes são determinantes no controle dessa planta daninha.

Espero que com as dicas passadas aqui você consiga realizar um manejo eficiente da guanxuma!

>> Leia mais:

“Planta tiguera: Quais os manejos mais eficientes para sua lavoura”

“Guia do manejo eficiente da buva”

“Como fazer o manejo eficiente do capim-amargoso”

Você já teve problemas com infestação de guanxuma em sua lavoura? Quais técnicas utilizar para manejá-la? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Capim-amargoso: características e como fazer o manejo eficiente

Capim-amargoso: época certa para controle, quais herbicidas usar e as principais dicas para minimizar casos de resistência e evitar prejuízos na lavoura.

A presença de capim-amargoso na lavoura tira o sono de muitos produtores. E não é à toa, pois essa planta daninha tem grande capacidade de crescer e se desenvolver em lavouras de grãos, ocasionando grandes prejuízos à produtividade.  

O custo para controle em áreas com capim-amargoso resistente a glifosato já em estádio de desenvolvimento avançado pode aumentar em até 290%. E se houver infestação simultânea de capim-amargoso e buva, esse custo pode ser 403% maior.

Quer saber como fazer um manejo eficiente do capim-amargoso? A seguir, explicarei o período ideal para controle e os herbicidas mais indicados. Confira!

Capim-amargoso: características e principais pontos sobre essa planta daninha

O capim-amargoso (Digitaria insularis) é uma planta daninha de ciclo perene – seu ciclo de vida pode durar mais de 2 anos. Ela se reproduz através de sementes e produz estruturas de reserva subterrâneas (rizomas).

Essas estruturas de reserva ou rizomas são formadas a partir dos 45 dias após emergência. E isso confere ao capim-amargoso uma grande capacidade de recuperação da parte aérea após danos causados por corte mecânico ou ação de herbicidas.

O capim-amargoso é adaptado a quase todo o território nacional, infestando a maioria dos cultivos de grãos do Brasil. Estima-se que, atualmente, ela infeste uma área de 8,2 milhões de ha em nosso país.

Sua ampla dispersão está associada à capacidade de produzir uma grande quantidade de sementes (mais de 100 mil sementes por inflorescência). Essas sementes são facilmente disseminadas pelo vento durante todo o ano.

capim-amargoso
Sementes de capim-amargoso são disseminadas durante o ano inteiro
(Foto: Laura Wewerka em Plant Atlas)  

As sementes têm sua germinação indiferente à luz, ou seja, podem germinar no escuro ou no claro. Porém, têm maior porcentagem de germinação na presença da luz.

Além disso, a profundidade de enterrio pode influenciar a capacidade de emergência de sementes de capim-amargoso. Profundidades a partir a 4 cm podem diminuir sua emergência em mais de 90%.

Este fato pode ser justificado por se tratar de sementes pequenas com baixa quantidade de reservas, o que impossibilita atravessar esta barreira de solo para encontrar a luz e fazer fotossíntese.   

O problema da resistência do capim-amargoso no Brasil

O capim-amargoso começou a ter importância econômica a partir da década de 90, com a expansão do plantio direto.

Apesar das grandes melhorias trazidas com a implantação desse sistema de plantio, a prática favoreceu a infestação de algumas plantas daninhas.

Isso porque, no plantio convencional, o revolvimento do solo enterrava as sementes de capim-amargoso. Essa situação ajudava a destruir as estruturas de reservas utilizadas para o rebrote.

Com o aumento da infestação dessa planta daninha em áreas de grãos e o uso indiscriminado do glifosato, houve seleção de plantas resistentes no ano de 2008.

A dispersão dessas populações foi tão grande, que em 2016, 87% das populações coletadas à beira de rodovias nos estados do Paraná, Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Goiás apresentaram resistência ao glifosato.

Em 2016, foi relatado o primeiro caso de capim-amargoso resistente a graminicidas (fenoxaprop e haloxyfop). Por sorte, estas populações foram selecionadas em áreas de produção convencional de soja e não apresentavam resistência a glifosato.

Porém, devido à larga utilização destes herbicidas em nosso país, existem fortes indícios de que populações com resistência múltipla ao glifosato e graminicidas serão identificadas muito em breve.    

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Capim-amargoso resistente ao glyphosate foi notificado em 2008
(Foto: Germani Concenço em Embrapa)

Manejo do capim-amargoso na entressafra do sistema soja-milho

A entressafra com certeza é período ideal para realizar um bom manejo do capim-amargoso. Isso porque existe um número maior de opções a serem utilizadas.

O ideal é que a aplicação ocorra em plantas com até 2 perfilhos, pois as chances de sucesso são maiores.

Como o capim-amargoso produz estruturas de reserva – e os herbicidas geralmente não conseguem afetá-las -, o controle tardio demandará aplicações sequenciais para esgotar estas reservas e impedir a rebrota.  

Em geral, as aplicações sequenciais envolvem uma primeira aplicação com herbicidas sistêmicos (ex: glifosate e graminicidas) e aplicações sequenciais com herbicidas de contato (glufosinato de amônio e paraquat).

Porém, dependendo das condições edafoclimáticas (solo e clima), é comum que sejam necessárias até 3 aplicações para controlar plantas perenizadas.

E qual o intervalo ideal entre aplicações?

O intervalo é determinado através do tamanho da rebrota (comprimento entre o solo e inserção da primeira folha rebrotada) após a aplicação. O ideal é aplicar com uma rebrota entre 10 cm e 20 cm.

>> Leia mais: “Últimas notícias sobre ervas daninhas: Dicamba e Amaranthus palmeri

Herbicidas pós-emergentes:

Cletodim

Possui ótimo controle de plantas daninhas pequenas (até 2 perfilhos). Pode ser utilizado na primeira aplicação do manejo sequencial (geralmente associado a glifosato), na dose de 0,5 a 1,0 L ha-1. Adicionar óleo mineral 0,5 a 1,0 % v v-1.

Haloxyfop

Possui ótimo controle de plantas daninhas pequenas (até 2 perfilhos). Pode ser utilizado na primeira aplicação do manejo sequencial (geralmente associado a glifosato), na dose de 0,55 a 1,2 L ha-1. Adicionar óleo mineral 0,5 a 1,0 % v v-1.

Este são os exemplos mais comuns de graminicidas utilizados no mercado. Porém, existem outros produtos para controle químico com ótimo desempenho e que seguem a mesma lógica de manejo.

Novas formulações de graminicidas vêm sendo lançadas com maior concentração do ingrediente ativo (responsável pela morte da planta) e com adjuvante incluso. (Ex: Verdict max®, Targa max® e Select one pack®)

Glifosato

Mesmo não sendo efetivo para a maioria das populações, pode ser usado no manejo para controle de outras plantas daninhas. Ainda que o capim-amargoso seja resistente à associação de glifosato a graminicidas, melhora o controle.

Quando forem misturados 2,4D e graminicidas, deve-se aumentar a dose do graminicida em 20%, pois este herbicida reduz sua eficiência.

Paraquat

Pode ser utilizado em plantas pequenas (até 2 perfilhos) provenientes de sementes ou em manejo sequencial para controle da rebrota de plantas maiores. Recomendada dose de 1,5 a 2,0 L ha-1. Adicionar adjuvante não iônico 0,5 a 1,0% v.v.

Glufosinato de amônio

Pode ser utilizado em plantas pequenas (até 2 perfilhos) provenientes de sementes ou em manejo sequencial para controle de rebrota de plantas maiores. Indicada dose de 2,5 a 3,0 L ha-1. Adicionar óleo mineral 2,0% v.v.

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Sistema radicular de plantas de capim-amargoso aos 45 dias após a emergência. A – Visão geral; B – Detalhes dos rizomas formados
(Fonte: Machado et al.)

Herbicidas pré-emergentes:

Diclosulam

Herbicida com ação residual para controle de banco de sementes. Utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato e graminicidas), solo deve estar úmido. Recomendações de dose de 29,8 a 41,7 g ha-1.

Flumioxazin

Herbicida com ação residual. Utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato, graminicidas e imazetapir) ou no sistema de aplique plante da soja. Recomendações de dose de 70 a 120 g ha-1.

S-metolachlor

Herbicida com ação residual utilizado no sistema de aplique plante da soja. Recomendável dose de 1,5 a 2,0 L ha-1. Não deve ser aplicado em solos arenosos.

Trifluralina

Herbicida com ação residual utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato, graminicidas). Recomendável dose de 1,2 a 4,0 L ha-1, dependendo da planta daninha a ser controlada e nível de cobertura do solo. Deve ser aplicado em solo úmido e livre de torrões.

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Infestação de capim-amargoso em lavoura de soja: cuidados com daninhas na cultura começam no pré-plantio
(Fonte: Agronegócio em foco)

Manejo na pós-emergência das culturas de soja e milho

Para plantas pequenas ou rebrota de plantas perenizadas na soja, temos como opção eficiente somente o uso de graminicidas (clethodim, haloxyfop e outros).

Em caso de soja RR, podem ser associados ao glifosato.

Em áreas com grande infestação, devem ser utilizados herbicidas pré-emergentes no sistema de “aplique plante” para diminuir o banco de sementes e o número de aplicações em pós-emergência (diclosulam, flumioxazin e s-metolachlor).

A inclusão de pré-emergentes em diferentes etapas do manejo de plantas daninhas é fundamental, principalmente em áreas com grandes infestações.

Eles trazem ótimo custo-benefício ao produtor, pois diminuem a necessidade de aplicações em pós-emergência e previnem a seleção de plantas resistentes.

O controle de capim-amargoso no milho é mais complexo, pois o milho também é uma gramínea. Existem poucas opções que sejam seletivas ao milho e controlem o capim-amargoso.

Dentre elas temos:

  • herbicidas pré-emergentes aplicados em sistema de “aplique plante” – como trifluralina, s-metolachlor e isoxaflutole;
  • herbicidas utilizados em pós-emergência precoce – como nicosulfuron, tembotrione e mesotrione).

Porém, não há opções eficientes para controle de plantas mais desenvolvidas ou perenizadas.    

Lembre-se sempre de consultar um engenheiro agrônomo.

capim-amargoso
Lavoura de milho safrinha com alta infestação de capim-amargoso; controle é mais difícil no milho
(Fonte: Notícias Agrícolas)

Perspectivas futuras

Nos próximos anos, existem previsões da liberação comercial de um novo “trait” de resistência a herbicidas para a cultura da soja e do milho.

  • Soja e milho: Enlist (2,4D colina, glifosato e glufosinato de amônio).

Essa tecnologia trará a opção incluir o glufosinato de amônio no manejo de pós-emergência do cultivo, além de possibilitar o uso de haloxyfop em pós-emergência do milho. Isso trará grandes benefícios ao agricultor.  

Existem ainda previsões do lançamento de novos herbicidas pré-emergentes para controle de gramíneas (ex: pyroxasulfone).

Na próxima década, há previsão do lançamento de um novo mecanismo de ação que controla gramíneas em pós-emergência seletivo à soja e milho.

Conclusão

Neste artigo, mostramos a importância econômica que o capim-amargoso possui e como realizar um manejo eficiente em lavouras de grãos.

Entendemos a importância de conhecer a biologia da planta daninha antes de manejá-la. E vimos algumas novidades que serão lançadas no mercado.

Espero que, com essas dicas passadas aqui, você consiga realizar um manejo eficiente do capim-amargoso na condução da lavoura!

Como você controla a infestação de capim-amargoso na lavoura hoje? Já enfrentou casos de resistência? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Como fazer o manejo de herbicida para milho

Herbicida para milho: Quais produtos mais indicados, época de aplicação e outras orientações para o bom controle sem problemas de injúrias na lavoura.

Sem nenhum manejo de plantas daninhas um terço de toda produção agrícola seria perdida. No caso do milho não é diferente.

Por se tratar de uma cultura que dá muita resposta pelo manejo, é importante que seja realizado o controle eficiente das plantas daninhas.

Assim, evitam-se perdas de investimentos e mantêm-se as altas produtividades.

Quer saber como fazer um manejo de plantas daninhas eficiente, sem prejudicar a cultura do milho? Confira a seguir!

Interferência das plantas daninhas na cultura do milho

Diversas infestações de plantas daninhas podem ocorrer na cultura do milho. As principais são:

Folhas largas

  • Buva (Conyza spp.)
  • Caruru (Amaranthus spp.)
  • Picão-preto (Bidens spp.)
  • Leiteira (Euphorbia heterophylla)
  • Corda-de-viola (Ipomoea spp.)
  • Nabo (Raphanus spp.)
  • Guanxuma (Sida spp.)

Folhas estreitas

  • Capim-amargoso (Digitaria insularis)
  • Capim-pé-de-galinha (Eleusine indica)
  • Papuã (Brachiaria plantaginea)
  • Capim-arroz (Echinochloa spp.)
  • Azevém (Lolium spp.)

A interferência de plantas daninhas na lavoura de milho pode ocasionar perdas de 10% a 85% na produtividade do cultivo.

Por isso, é preciso conhecer as ferramentas de controle químico mais eficazes e como fazer o posicionamento correto delas.

A seguir, vou esclarecer alguns pontos sobre a utilização de herbicida para milho convencional e transgênico, cuidados e doses recomendáveis.

herbicida para milho


(Fonte: Bayer)

Herbicida para milho convencional ou resistente

Dentre as plantas daninhas que eu mencionei, há maior dificuldade de controlar as de folhas estreitas (gramíneas), pois o milho também é uma gramínea.

Atualmente, há no mercado poucas opções de herbicidas que controlem folhas estreitas e sejam seletivos para o milho.

Assim, é recomendável que o manejo de folhas estreitas, principalmente de difícil controle ou resistentes a herbicidas, seja preconizado no período de entressafra ou no cultivo anterior ao milho.

É importante que mesmo no milho resistente (RR) você não use somente glifosato, já que isso seleciona as invasoras resistentes.

herbicida para milho


(Fonte: Syngenta)

A seguir, listo os principais herbicidas e como usá-los na cultura do milho para que você aproveite o melhor de cada produto:

Herbicida para milho: aplicação em pré-emergência

Atrazine

É o herbicida mais utilizado para a cultura do milho atualmente!

Quando aplicar

Pode ser aplicado na pré-emergência da cultura, imediatamente antes da semeadura, simultaneamente ou logo após a semeadura. Em aplicações em pós-emergência da cultura e plantas daninhas, deve-se acrescentar óleo vegetal.

O produto fornece bom controle quando aplicado na pré-emergência ou pós-emergência precoce das plantas daninhas.

Espectro de controle

Controla plantas daninhas de folha larga como picão-preto, guanxuma, caruru, corda-de-viola, nabo, leiteira, poaia, carrapicho-rasteiro e papuã.

Também é muito utilizado para controle de soja tiguera no milho, em aplicação isolada ou associada aos herbicidas mesotrione ou nicosulfuron.

Lembre-se, é muito importante que haja um manejo eficiente da soja tiguera para se respeitar o vazio sanitário.

Dosagem recomendada

De 3 a 5 L ha-1 dependendo das características do solo e plantas daninhas presentes.

Pode ser misturado com glifosato (se misturado em pós-emergência – milho RR), mesotrione, nicosulfuron, S-metolachlor.

Cuidados

Recomenda-se aplicação em solo úmido. A aplicação em solo seco, período de seca após aplicação de até 6 dias ou presença de palha cobrindo o solo podem diminuir a eficiência do produto.

herbicida para milho


Lavoura de milho com sinal de fitotoxidade
(Fonte: Juparanã)

S-metolachlor

Herbicida com grande potencial de ser inserido no manejo de plantas daninhas na cultura do milho. Pode ser utilizado para ampliar o espectro de controle de herbicidas para folha larga.

Quando aplicar

Aplicar na pré-emergência da cultura e das plantas infestantes.

Espectro de controle

Ótimo controle de gramíneas de semente pequena (ex: capim-amargoso, capim-pé-de-galinha e papuã). Bom controle de algumas folhas largas de sementes pequenas (Ex: caruru, erva-quente e beldroega)

Dosagem recomendada

De 1,5 a 1,75 L ha-1, dependendo da planta daninha a ser controlada.

Pode ser misturado com atrazine e glifosato.

Cuidados

Deve ser aplicado em solo úmido.

Isoxaflutole

Herbicida técnico. Exige alguns conhecimentos prévios quanto a características do solo (teor de argila e matéria orgânica). Necessita cuidados com as condições climáticas no momento e após a aplicação.

É muito importante consultar e seguir as recomendações da empresa para evitar toxicidade no cultivo.  

Quando aplicar

A aplicação do herbicida deve ocorrer na pré-emergência das plantas, tanto do milho quanto das daninhas.

Espectro de controle

Exerce bom controle em gramíneas anuais e algumas folhas largas como caruru e guanxuma.

O grande diferencial deste herbicida é que, em condições de seca, pode permanecer no solo por um período razoável (> 80 dias), até que nas primeiras chuvas é ativado, o que irá coincidir com a emergência de várias plantas daninhas.  

Dosagem recomendada

De 100 a 200 mL ha-1 dependendo das características do solo e plantas daninhas presentes (somente para solos com textura média e pesada).

Pode ser misturado com: atrazine.

Cuidados

Não é recomendado para solo arenoso e com baixo teor de matéria orgânica.

Trifluralina

Herbicida muito utilizado no passado na cultura, podendo voltar a ser inserido no manejo de plantas daninhas do milho. Isso se deve ao lançamento de novas formulações que não necessitam ser incorporadas (menor problema com fotodegradação).  

Quando aplicar

É aplicado no sistema de plante-aplique ou até 2 dias após da semeadura do milho.

Espectro de controle

Bom controle de gramíneas de semente pequena (ex: capim-amargoso, capim-pé-de-galinha e papuã).

Dosagem recomendada

De 1,2 a 4,0 L ha-1 dependendo da planta daninha a ser controlada e nível de cobertura do solo.

Pode ser misturado com: atrazine e glifosato.

Cuidados

Deve ser aplicado em solo úmido e livre de torrões. Solo coberto com resíduos vegetais (palha) ou com alta infestação de plantas daninhas diminuem a eficiência do produto.

Herbicida para milho: pós-emergência

Nicosulfuron

É um herbicida que já foi muito utilizado no manejo de plantas daninhas no milho, porém, o produtor deve possuir alguns conhecimentos prévios para não prejudicar o cultivo.

Quando aplicar

Deve ser aplicado na pós-emergência do milho, quando as plantas estiverem com 2 a 6 folhas.

Espectro de controle

Controle eficiente de gramíneas e algumas folhas largas (Ex: amendoim-bravo, caruru, corda-de-viola, picão-preto e trapoeraba).

Dosagem recomendada

De 1,25 a 1,5 L ha-1 + óleo mineral.

Pode ser misturado com atrazine e glifosato (Milho RR).

Cuidados

Os híbridos de milho apresentam diferentes padrões de sensibilidade ao nicosulfuron. Assim, é necessário pesquisar sobre a suscetibilidade do híbrido escolhido antes de aplicá-lo.

Além disso, este herbicida não deve ser misturado com inseticidas organo fosforados ou ao 2,4 D. Caso ocorra aplicação destes produtos na área ou adubação nitrogenada em cobertura, deve-se respeitar um período mínimo de 7 dias para  aplicar o nicosulfuron.

herbicida para milho


(Fonte: Christoffoleti et al., 2015)

Mesotrione

Alternativa para controle de folhas largas no milho.

Quando aplicar

Aplicar de 2 a 3 semanas após semeadura do milho, sobre plantas daninhas em pós-emergência precoce (2 a 4 folhas).

Espectro de controle

Controla plantas daninhas de folha larga como leiteira, apaga-fogo, caruru, corda-de-viola, guanxuma e picão preto.

Dosagem recomendada

De 0,25 a 0,4 L ha-1 + óleo mineral.

Pode ser misturado com atrazine.

Cuidados

Se misturado com nicosulfuron, pode diminuir sua eficiência no controle de gramíneas.

Tembotrione

Herbicida alternativo ao controle de folhas largas e gramíneas no milho. Seguidas as recomendações técnicas, exerce um bom controle.

Quando aplicar

Aplicar na pós-emergência do cultivo.  As plantas daninhas devem estar em estádio inicial de 2 a 4 folhas (folhas largas) e até 2 perfilhos (gramíneas).

Espectro de controle

Controla plantas daninhas de folhas estreitas como papuã, capim-colchão, capim-carrapicho. Controla folhas largas como leiteira, apaga-fogo, corda-de-viola, guanxuma e nabo.

Qual a dosagem recomendada

De 180 a 240 mL ha-1 + adjuvante à base de éster metílico.

Pode ser misturado com atrazine.

Cuidados

O herbicida não deve ser aplicado sobre a cultura ou plantas daninhas com sintoma de estresse hídrico ou ainda com presença de orvalho. É preciso respeitar prazo de 30 dias para cultivo de girassol, algodão e feijão após a aplicação do produto.

Herbicida para milho transgênico

Como já comentamos, além dos herbicidas que podem ser utilizados no milho convencional, existem no Brasil híbridos resistentes aos seguintes herbicidas:

  • Glifosato (milho RR) e glufosinato de amônia (milho LL)

Nos próximos anos será lançada no mercado a tecnologia enlist, que permitirá o uso dos herbicidas:

  • 2,4 D (doses maiores que o milho convencional e com janela de aplicação maior);
  • Glufosinato de amônio (herbicida de contato não seletivo, para controle de plantas daninhas em estádios iniciais (provenientes de sementes) ou utilizado no manejo sequencial);
  • Glifosato (herbicida de ação sistêmica não seletivo, proporciona controle de plantas daninhas mesmo fora de estádio, porém com muitos casos de resistência);
  • Haloxyfop (herbicida para controle de gramíneas, proporciona controle de plantas mesmo em estádios mais avançados. Possui poucos casos de resistência).

Mas como já ressaltamos, utilize outros herbicidas além daqueles que sua cultura é resistente para obter um bom manejo de plantas daninhas a longo prazo.

Outros métodos de controle para plantas daninhas

Neste artigo, abordamos principalmente ferramentas de controle químico, pois é o manejo mais utilizado.

Mas é importante que você utilize também algumas técnicas para controle eficiente de plantas daninhas como:

  • Rotação de mecanismos de ação de herbicidas, com maior utilização de pré-emergentes
  • Rotação de culturas
  • Consórcio com forrageiras
  • Adubação verde


Plantio de milho consorciado com feijão guandu anão; adubação verde é uma das técnicas para proteger lavoura das daninhas
(Fonte: Fapesp)

Atenção! As sugestões de herbicida para milho passadas aqui são para híbridos voltados à produção de grãos.

Outras cultivares como milho pipoca, milho doce ou milho em consórcio com forrageiras possuem outras indicações de manejo.

É importante que a recomendação e orientação técnica de produtos fitossanitários seja feita por um agrônomo. Mas você deve estar sempre atento a novas informações para auxiliar em sua recomendação.

Banner de chamada para o download da planilha de controle de custos de safra

Conclusão

Neste artigo, vimos as plantas daninhas mais recorrentes na cultura do milho e as principais ferramentas de controle químico que podem ser utilizadas.

Falamos sobre o posicionamento correto do herbicida para milho, de modo que não haja danos ao cultivo.

Além disso, citamos técnicas importantes que devem ser utilizadas no manejo integrado de plantas daninhas.  

Com essas informações, tenho certeza que você irá realizar um bom manejo de herbicidas na sua lavoura de milho!

>> Leia mais:

Calcule seu custo de produção de milho por hectare”

Principais e melhores manejos na dessecação para pré-plantio de milho

“Como calcular o custo de milho para silagem”

Qual herbicida para milho você tem utilizado hoje? Já teve problemas de fitotoxidade? Adoraria ver seu comentário abaixo!

O guia do manejo eficiente da buva (Conyza spp.)

Atualizado em 03 de novembro de 2022.

Buva: principais características, época de controle, como realizar o manejo e quais herbicidas utilizar para evitar prejuízos na lavoura

A presença da buva na lavoura é um sinal de alerta. Essa planta invasora se alastra muito rapidamente e interfere no desenvolvimento das espécies cultivadas. 

A soja, por exemplo, é uma cultura bastante sensível à presença da buva, pois ela afeta diretamente a produtividade. Entretanto, controlar essa planta daninha não é uma tarefa simples. 

Alguns casos de resistência fazem com que muitos herbicidas não sejam eficientes no manejo da buva. Por isso, conhecer a planta e as melhores táticas para controlá-la antes de sofrer grandes danos na lavoura é fundamental.

Neste artigo, saiba qual é o período ideal para controlar a buva e quais os herbicidas mais indicados. Confira a seguir!

O que é buva?

A buva (nome científico Conyza spp.) é uma planta daninha de difícil controle e que está presente nas principais áreas agrícolas do Brasil. Ela é popularmente conhecida por rabo-de-foguete, arranha-gato e voadeira. Há três espécies dessa invasora:

  • Conyza canadensis;
  • Conyza bonariensis;
  • Conyza sumatrensis.

O ciclo da Conyza canadensis pode ser anual ou bienal. Já as espécies Conyza bonariensis e Conyza sumatrensis têm ciclo anual.

tabela com diferenças entre espécies de buva
Principais diferenças morfológicas entre as plantas do gênero Conyza
(Fonte: Comitê de Ação a Resistência aos Herbicidas)

A propagação dessas espécies de buva ocorre por sementes. Uma única planta tem a capacidade de produzir 200 mil sementes. Elas são facilmente transportadas pela água e pelo vento a longas distâncias.

As sementes da buva são fotoblásticas positivas. Isso quer dizer que elas germinam na presença de luz, quando estão próximas à superfície do solo. Temperaturas próximas a 20°C favorecem a germinação das sementes. 

A emergência das sementes de buva pode ocorrer durante todo o ano. Durante o outono e inverno, entre os meses de junho a setembro, a incidência é maior. A época de germinação coincide com o período da entressafra

Fotos de buva em lavoura
Fotos de buva em lavoura
(Fonte: Blog da Aegro)

O manejo das plantas daninhas nesse período é de extrema importância.  Nesse caso, a buva pode funcionar como “ponte verde”. Ou seja, ela pode ser hospedeira de patógenos e pragas no período da entressafra. Dentre as principais pragas hospedadas pela buva, há:

Resistência da planta buva (Conyza spp.) aos herbicidas

Durante muito tempo, o herbicida glifosato foi a principal molécula utilizada na dessecação de plantas para formação de palhada no sistema de plantio direto. Ainda, a introdução comercial da soja transgênica tolerante a esse princípio ativo aumentou seu uso.

O glifosato era usado como única ferramenta para o controle das plantas invasoras em lavouras de soja RR. Por isso, acabou selecionando populações de buva resistentes a ele.

No Brasil, a primeira ocorrência de plantas de buva resistentes ao glifosato foi registrada em 2005. Hoje, a buva apresenta resistência a diferentes moléculas herbicidas. Abaixo, veja como ocorreu a evolução da resistência da buva aos herbicidas no Brasil:

  • Em 2005, a Conyza bonariensis e a Conyza canadensis foram identificadas como resistente ao glifosato;
  • Em 2010, a Conyza sumatrensis foi identificada como resistente ao glifosato. No ano seguinte, foi identificada como resistente ao clorimurom;
  • Em 2016, a Conyza sumatrensis foi identificada como resiste ao paraquate e ao saflufenacil;
  • Em 2017, a Conyza sumatrensis foi identificada como resistente ao diuron e ao herbicida 2,4-D.

Vale lembrar que não é recomendada a utilização de produtos isolados com resistência comprovada. Como você pode observar, atualmente algumas populações de buva possuem resistência a 6 moléculas herbicidas:

  • Diuron;
  • Clorimurom;
  • Glifosato;
  • Paraquate;
  • Saflufenacil;
  • 2,4-D. 

Como controlar a buva?

O manejo de plantas daninhas como a buva é um grande desafio na agricultura. 

Nesse caso, é importante adotar práticas de manejo integrado. Essas práticas pretendem eliminar as espécies invasoras, mas também podem prevenir o surgimento de novos casos de resistência aos herbicidas.

Veja a seguir algumas técnicas que podem ser adotadas no manejo da buva.

Manejo preventivo

Algumas medidas com o objetivo de evitar que sementes de buva sejam introduzidas e disseminadas na lavoura podem ser adotadas. Confira algumas abaixo:

  • Utilizar sementes certificadas;
  • Controlar as espécies invasoras presentes nas estradas, carreadores e bordaduras das lavouras. O vento pode transportar as sementes para dentro da área cultivada;
  • Realizar a limpeza de máquinas e implementos agrícolas. Isso evita que restos vegetais e torrões de terra contaminados com sementes de plantas daninhas sejam transportados de uma área para outra.

Manejo mecânico

No manejo mecânico da buva, os seguintes métodos podem ser aplicados:

  • Capina;
  • Roçagem;
  • Arranquio;
  • Preparo de solo (aração e gradagem). Essa operação promove a incorporação dos restos vegetais e sementes de ervas invasoras;
  • Cobertura morta. Atua como barreira física, evitando a passagem de luz o que atrapalha a germinação das sementes de buva.

Manejo cultural 

O manejo cultural da buva pode ser realizado pela adoção das seguintes estratégias:

  • Plantio de cultivares de rápido crescimento e adaptadas às condições da região;
  • Realizar o plantio na época, no espaçamento e na densidade recomendadas;
  • Adubação equilibrada;
  • Rotação de culturas;
  • Culturas de inverno como o trigo, o centeio e a aveia reduzem a população de plantas de buva.

Manejo químico

No manejo químico da buva, é preciso destacar a importância da rotação dos mecanismos herbicidas. Isso evita que novas populações de plantas daninhas apresentem resistência aos produtos disponíveis no mercado.

Depois da aplicação dos herbicidas, é fundamental estar atento às plantas com suspeita de resistência. As plantas de buva sobreviventes devem ser eliminadas (através de capina, arranquio, roçada) para evitar a produção e a disseminação das sementes na lavoura. 

Ainda, o emprego do controle químico requer alguns cuidados. É essencial fazer uso dos herbicidas de forma correta, respeitando as orientações quanto à:

  • dosagem;
  • estádio de desenvolvimento das plantas;
  • intervalo de aplicação;
  • época;
  • modo de aplicação dos produtos.

O manejo da buva deve ser realizado tanto na safra quanto no período de entressafra.  

Manejo da buva na entressafra do sistema soja-milho

No caso da buva, atenção especial deve ser dada ao período da entressafra. Como foi dito anteriormente, nessa época a taxa de germinação das sementes é maior.

Diante desse cenário, a entressafra é o período ideal para realizar o manejo da buva. Isso porque existem mais opções de produtos químicos a serem utilizados.

O momento da aplicação dos herbicidas é outro fator muito relevante nesse tipo de manejo.  Em geral, plantas jovens são controladas com mais facilidade que plantas mais velhas.

A aplicação de herbicidas nos estádios iniciais de desenvolvimento da buva resulta em menor rebrote das plantas. Isso garante maior sucesso no controle. Fique de olho nos produtos que você for utilizar. Você verá alguns exemplos a seguir.

Herbicidas para matar a buva na entressafra

Confira a seguir alguns princípios ativos utilizados no manejo químico da buva: 

  • Atrazina + Mesotriona: herbicida seletivo de ação sistêmica para aplicação em pós-emergência;
  • Cloransulam-meptílico: herbicida seletivo de ação sistêmica para aplicação em pós-emergência;
  • Diclosulan: herbicida seletivo aplicado no solo para o controle em pré-emergência;
  • Fluroxipir-metílico: herbicida seletivo de ação sistêmica para aplicação em pós-emergência;
  • Glufosinato – sal de amônia: herbicida não seletivo de ação não sistêmica para aplicação em pós-emergência;
  • Imazapir: herbicida de ação sistêmica para aplicação em pós-emergência;
  • Sulfentrazona: herbicida seletivo de ação sistêmica para aplicação em pré-emergência; 
  • Flumioxazina: herbicida seletivo de ação não sistêmica para aplicação em pré e pós-emergência;
  • Picloran + 2,4 – D: herbicida seletivo de ação sistêmica para aplicação em pós-emergência.

Preste atenção ao efeito residual dos herbicidas para que não ocorra fitotoxidez nas plantas cultivadas. Para saber mais sobre os produtos disponíveis com registro no Mapa, consulte o Agrofit.

Conclusão

A buva (Conyza spp.) é uma planta daninha de difícil controle e que já apresentou resistência a seis moléculas herbicidas. Ela apresenta elevada produção de sementes, facilidade de dispersão e crescimento vigoroso.

O manejo dessa invasora é complexo e deve ser realizado pela adoção de técnicas integradas.  O uso racional dos herbicidas é uma importante ferramenta para o controle satisfatório da buva.

Isso também te ajuda a evitar a seleção de plantas resistentes aos produtos químicos.  Com essas informações, tenho certeza que você irá realizar o manejo eficiente da buva na sua lavoura!

>>Leia mais:

“Como fazer um controle eficiente do capim-amargoso”

Guanxuma: 5 maneiras de livrar sua lavoura dessa planta daninha

Guia para o controle eficiente da trapoeraba

Como você controla a infestação de buva na lavoura hoje? Já enfrentou casos de resistência? Adoraria ver seu comentário abaixo!

foto da redatora Tatiza. Ela está com blusa preta, casaco jeans azul, e está sorrindo na frente de uma paisagem cheia de plantas

Atualizado em 03 de novembro de 2022 por Tatiza Barcellos.

Tatiza é engenheira-agrônoma e mestra em agronomia, com ênfase em produção vegetal, pela Universidade Federal de Goiás.

Planta tiguera: quais os manejos mais eficientes para sua lavoura

Planta tiguera: As principais recomendações para acabar de uma vez por todas com essas invasoras que atrapalham a produção.

Plantas de uma cultura anterior que persistem na nova lavoura são conhecidas como plantas tigueras, guaxas ou voluntárias.

Nada mais é do que a presença de plantas de milho em uma lavoura de soja, por exemplo.

Longe de ser inofensiva, essa situação pode causar muitos prejuízos.

A alta densidade de plantas de milho em meio à soja, originárias de espiga, podem diminuir em 70% a produtividade da lavoura de soja.

Neste artigo, vamos entender melhor a ocorrência de plantas tiguera e como fazer seu manejo eficiente. Confira a seguir!

Planta tiguera: O problema das plantas transgênicas

Antes do surgimento de plantas tolerantes aos herbicidas, o manejo de plantas tigueras era realizado principalmente pelo uso de glifosato.

Porém, logo após o surgimento de cultivos resistentes a glifosato, os problemas com essas plantas aumentaram, já que tal manejo não pôde ser mais utilizado.

Como você sabe, atualmente os cultivos de soja, milho e algodão possuem eventos de resistência a herbicidas:

  • Soja: Roundup ready (glifosato) e Cultivance (imazapique e imazapir)
  • Milho: Roundup ready (glifosato) e Libert link (glufosinato de amônio)
  • Algodão: Roundup ready (glifosato), Libert link (glufosinato de amônio) e Glytol (glifosato e glufosinato de amônio)

Além das cultivares transgênicas, existem no mercado cultivares tolerantes a herbicidas, obtidas por melhoramento convencional, como:

  • Soja: STS (Chlorimuron)
  • Arroz: (Imidazolinonas ex: imazapir e imazapique)

Para os próximos anos, também existem previsões de lançamento de novas tecnologias na área de resistência a herbicidas. Veja:  

  • Soja: Enlist (2,4D colina, glyphosate e glufosinato de amônio) e Xtend (Dicamba, glyphosate)
  • Milho: Enlist (2,4D colina, glyphosate, glufosinato de amônio e haloxyfop)

Além das plantas voluntárias destes cultivos transgênicos, nosso país já possui 28 espécies de plantas daninhas resistentes a herbicidas.

Com isso, vão diminuindo as opções de herbicidas que podemos utilizar para controlar as tigueras.

Este somatório exigirá do agricultor um ótimo planejamento para manter sua lavoura no limpo e atingir alta produtividade!  

planta tiguera
(Fonte: Embrapa)

Como controlar a planta tiguera de milho safrinha na soja

Devido às características climáticas, o Brasil é um dos poucos países onde é possível produzir mais de uma cultura no mesmo ano agrícola.

Um dos sistemas mais difundidos é o cultivo em sucessão da soja primeira safra seguida pelo milho safrinha.

Desta forma, pode haver interferência de soja tiguera nos cultivos de milho e do milho tiguera na lavoura de soja.

Cada planta de milho por metro quadrado na lavoura de soja pode causar 17% de redução na produtividade da cultura.

Mas você pode se perguntar: como as plantas de milho podem interferir na soja mesmo após o manejo outonal (manejo de entressafra)?

Após a colheita, a máquina eventualmente espalha as sementes de milho, segmentos de espiga e espigas inteiras (com e sem palha) na área. 

Assim, podem ocorrer vários fluxos de emergência de milho na área, o que dificulta posicionamento de herbicidas para seu controle.

planta tiguera
Indicação de manejo de milho tiguera na cultura da soja
(Fonte: Monsanto)

Se o controle não for efetivo na entressafra, a soja pode emergir competindo com milho grande, podendo aumentar perdas por interferência.

Caso o milho seja tolerante a glifosato e glufosinato, os herbicidas mais eficientes para controle em pós-emergência são os graminicidas (herbicidas inibidores da ACCase).

Para milho em estádio inicial até V2-V3, pode-se utilizar clethodim (0,40 L ha-1), sethoxydim (1,25 L ha-1), fluazifop (0,60 L ha-1) e haloxyfop (0,40 L ha-1).

Lembre-se de adicionar adjuvantes conforme recomendação de bula.

Já em plantas de milho com estádio mais avançado (V6-V8) os herbicidas fluazifop e haloxyfop são mais eficientes.

No manejo outonal é comum que o produtor aplique a mistura de 2,4D com graminicidas, porém, essa mistura tem caráter antagônico.

Assim, para garantir a eficiência do graminicida, é necessário um aumento de 20% da dose normalmente utilizada.

Como controlar planta tiguera de soja no milho safrinha

No caso da soja tiguera no meio da lavoura de milho, 8 plantas por m2 podem reduzir 14% da produção da cultura.

O grande problema é que a semeadura de milho é feita simultânea à colheita de soja.

Deste modo, o manejo da soja tiguera deve ser feito antes que ela comece a competir com o milho.  

planta tiguera
Controle da soja RR voluntária na safrinha do milho
(Foto: Fernando Storniolo Adegas em USP/Esalq)

Outra questão importante é que as plantas tiguera podem servir de hospedeiras de insetos-pragas e doenças.

No caso do milho safrinha, as plantas de soja tiguera obrigatoriamente devem ser controladas para prevenção da ferrugem asiática da soja, respeitando o período de vazio sanitário.

O controle de soja tiguera é mais eficiente em plantas com até 2 trifólios.

Para manejo dentro da cultura do milho, recomenda-se o uso de Atrazina (3,0 L ha-1), Mesotrione (0,25 L ha-1)+Atrazina (3,0 L ha-1) ou Nicosulfuron (0,40 L ha-1)+Atrazina (3,0 L ha-1).

Lembre-se de adicionar adjuvantes conforme recomendação de bula.

planta tiguera
Período de vazio sanitário da soja
(Fonte: Embrapa)

Como manejar plantas tiguera de soja no algodão

Uma das principais culturas em sucessão da soja é o algodão.

Pesquisas apontam que uma planta de soja tiguera por metro quadrado pode reduzir a produtividade do algodoeiro em até 14%, pois a planta de algodão possui lento crescimento inicial.

Geralmente, as sementes de soja que encontram-se um pouco enterradas no solo tem apenas um fluxo de emergência, o que facilita seu controle.

No caso da soja RR, pesquisas demonstram um bom manejo com glufosinato de amônio (0,67 L ha-1) isolado ou associado a pyrithiobac-sodium (0,06 L ha-1).

Caso o algodão não seja resistente ao glufosinato de amônio, o controle pode ser feito via jato dirigido com herbicidas não seletivos como paraquat, paraquat+diuron e MSMA.  

>> Leia mais: “Últimas notícias sobre ervas daninhas: Dicamba e Amaranthus palmeri

>> Leia mais: “O guia completo para o controle do capim-pé-de-galinha

Manejo de algodoeiro voluntário na cultura da soja

O algodão pode interferir na cultura subsequente por rebrota da soqueira ou por sementes perdidas no momento da colheita.

Por isso, deve-se realizar um bom manejo de destruição de soqueira  

Para controle de planta tiguera de algodão proveniente de semente na cultura da soja recomenda-se o uso dos herbicidas imazethapyr, cloransulam, chlorimuron ou fomesafen.

planta tiguera
Planta de algodoeiro pela rebrota na lavoura da soja próximo ao período de colheita
(Foto: Alexandre Ferreira em Embrapa)

Perspectivas para os próximos anos

Mesmo com um número maior de eventos de resistência a herbicidas nos cultivos brasileiros, novas ferramentas ajudarão no controle de planta tiguera!

Princípios ativos usados nos Estados Unidos serão registrados no Brasil (ex: halauxifen e florpyrauxifen)

Algumas moléculas utilizadas no país serão relançadas com novas formulações, visando assim aumentar sua eficiência!

Além disso, o que vem gerando expectativas no mercado de herbicidas é divulgação de produtos que serão lançados na próxima década com novo mecanismo de ação!

>> Leia mais: “Guanxuma: 5 maneiras de livrar sua lavoura dessa planta daninha”
>> Leia mais: “Guia para o controle eficiente da trapoeraba

Conclusão

Neste artigo, vimos como planta tiguera pode prejudicar a produção dos cultivos e porque ganharam tanta importância nos últimos anos.

Também abordamos os tipos de herbicidas mais recomendados para manejo de tiguera em diferentes sistemas de produção do Brasil.

Novas ferramentas para manejo de tiguera surgirão no mercado!

Mas lembre-se: uma colheita eficiente, com menor percentual de perdas de grãos (perdas na colheita em geral) é o primeiro passo para reduzir a ocorrência de planta tigueira.

Assim, mantenha atenção à regulagem da colhedora e faça a operação no momento certo.

Espero que com as recomendações passadas aqui você consiga evitar a ocorrência de tiguera na sua lavoura!

>> Leia mais: “Os 5 melhores aplicativos de identificação de plantas daninhas
>>Leia mais: “O guia do manejo eficiente da buva”
>>Leia mais: “Como fazer o manejo eficiente do capim-amargoso”

Você já conhecia o impacto da planta tiguera na produtividade da lavoura? Restou alguma dúvida? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Aplicativos e guias de identificação de plantas daninhas que vão lhe ajudar no campo

Atualização em 13 de novembro de 2020.
Identificação de plantas daninhas: aplicativos para você reconhecer rapidamente as plantas na sua área e ter um manejo correto e bem-sucedido.

Vira e mexe aparece uma planta daninha que não conseguimos controlar na nossa área e não sabemos bem qual o seu nome.

E sem conhecer essas plantas, o manejo adequado simplesmente não acontece.

Há plantas com tolerância natural a alguns herbicidas, outras que preferem temperaturas altas ou que germinam apenas na luz.

Antes, para essa identificação, eram necessários alguns dias e algumas pessoas envolvidas, como um consultor ou mesmo o vizinho.

Agora, conseguimos fazer isso em alguns minutos com auxílio do celular. Separei aqui alguns dos melhores aplicativos, além de alguns manuais e livros para isso. Confira!

Por que fazer a identificação de plantas daninhas por aplicativos?

A identificação de plantas daninhas é muito importante no campo, pois é necessário conhecer as espécies mais frequentes na sua área. É através da identificação que você poderá selecionar os melhores manejos para sua área.

Se você usa herbicidas, terá de saber reconhecer as espécies presentes para selecionar o melhor produto para aquela situação, além da dose correta, época de aplicação e estágio da planta daninha.

Além disso, tem espécies de plantas daninhas que são favorecidas ou desfavorecidas em função da presença ou ausência de palha sobre o solo.

Já as espécies que possuem propagação através de bulbos, tubérculos e/ou rizomas podem ser favorecidas caso haja revolvimento do solo.

Como você pode ver, o manejo adequado dependerá da correta identificação da espécie.

Com os aplicativos, a identificação de plantas daninhas, que às vezes demorava dias e envolvia algumas pessoas, pode ser feita em alguns minutos por você mesmo.

Existem vários aplicativos para essa identificação, sendo que aqui listei os quatro melhores que conheço!

Alguns são mais restritos à identificação e manejo de plantas daninhas, enquanto outros trazem também conteúdos na parte de pragas e doenças.

Por isso, veja quais suas diferenças e qual se encaixa melhor na sua rotina do dia a dia:

1 – Adama Alvo

O Adama Alvo é um aplicativo que contém informações sobre pragas, doenças e plantas daninhas em lavouras de soja, milho, trigo, algodão, cana e café.

Para isso, o aplicativo conta com um completo banco de imagens. Nele você vai encontrar informações sobre ciclo de vida, tratamento indicado, importância econômica e descrição de cada problema das lavouras brasileiras.

O diferencial desse aplicativo é que caso não encontre o que está procurando, você pode tirar uma foto e enviar para receber ajuda.

Também é muito interessante a ferramenta “Mapa de Alvos”, em que os usuários podem reportar escapes de controle de plantas daninhas nas culturas.

Além disso, ele conta com acesso à previsão do tempo da sua região. Você pode ainda acessar as informações da sua estação Adama Clima.

É possível baixar apenas o banco de dados para a cultura que você tem interesse. Nesse sentido, a desvantagem aqui é a necessidade de baixar o banco de dados do aplicativo para utilizá-lo.

No entanto, essa também é uma das suas vantagens, porque com isso você pode usar o aplicativo normalmente mesmo sem internet. Disponível para iOS e Android.

2 – IZAgro

O IZAgro possibilita a consulta e compartilhamento de informações na área agrícola, com informações sobre mais de 10 culturas.

Nele você pode consultar informações dos produtos registrados para o controle de pragas, doenças e plantas daninhas, inclusive pedindo orçamentos.

Também dá para avaliar o produto utilizado e receber dicas do Engenheiro Agrônomo. Sua principal vantagem é poder fazer a consulta offline no campo, sem internet. Disponível para iOS e Android.

3 – Weed ID

O Weed ID é baseado na Encyclopaedia of Arable Weeds e é desenvolvido em associação com a ADAS.

Esse aplicativo fornece um guia de referência para as principais plantas daninhas e gramíneas. Ele é composto de 140 espécies e mais de 1.000 imagens. 

Outra vantagem é que ele traz a descrição completa de cada espécie de planta daninha.

Também traz a opção para fotografar a planta daninha e usar para comparar diretamente com imagens na biblioteca de aplicativos. Disponível para iOS e Android.

4 – Basf Agro

No aplicativo Basf Agro você poderá ter informações sobre os manejos de plantas daninhas, insetos e doenças.

O manejo de plantas daninhas com herbicidas está disponível para as culturas do algodão, arroz, cana-de-açúcar, milho, soja, tomate, amendoim, batata, café, citros, feijão, maçã, trigo e uva.

Ao clicar sobre a cultura de interesse, você poderá selecionar as informações referentes a sementes, doenças, plantas daninhas, pragas ou tratamento de sementes, dependendo da cultura. 

Ao clicar em plantas daninhas, você verá muitas espécies com o nome comum e científico. Cada uma das espécies vem com uma descrição sobre a planta e sugestões de herbicidas. Disponível para iOS e Android.

Dica extra: Fitoherb

O Fitoherb não é especificamente para identificação de plantas daninhas, mas ele irá lhe ajudar com a identificação de sintomas de injúrias de herbicidas na cultura da soja.

Nele, é possível ver os mecanismos de ação dos herbicidas e os sintomas que podem acontecer na lavoura de soja.

Ao entrar no aplicativo você irá selecionar mecanismo de ação ou sintomas. Veja o que encontrei ao clicar em sintomas.

Nervuras roxas em soja. Sintomas de herbicidas inibidores da ALS em pré-emergência - identificação de plantas daninhas

Nervuras roxas em soja. Sintomas de herbicidas inibidores da ALS em pré-emergência
(Fonte: Fitoherb)

Você também encontrará no aplicativo, uma descrição mais detalhada de cada mecanismo de ação e fotos dos sintomas na cultura da soja. Disponível para Android.

Livros de identificação de plantas daninhas

Os livros também vão te auxiliar na hora de identificar as plantas daninhas, sendo utilizados por agricultores e profissionais.

Eles são bem fáceis de manusear e alguns têm até o tamanho ideal para serem levados no bolso.

Estes manuais trazem plantas daninhas bem específicas. No manual de plantas daninhas do arroz, por exemplo, você verá muitas plantas que não são encontradas em lavouras de verão.

Muitas espécies da família Cyperaceae estão descritas neste manual de plantas infestantes no arroz, pois são frequentes nessa cultura.

Outro material importante é o Manual de Identificação de Plantas Daninhas da Cultura da Soja, disponibilizado pela Embrapa Soja.

Ele traz ilustrações das plantas daninhas encontradas em lavouras do grão, além de uma descrição da espécie, com seu nome científico e comum.

Manual de identificação de daninhas em plantio direto e convencional

O Manual de Identificação e controle de plantas daninhas: plantio direto e convencional está entre as principais referências na hora de identificar plantas daninhas.

O livro tem ilustrações da planta no início do desenvolvimento, da planta adulta e das sementes.

As plantas daninhas são separadas por família e trazem a descrição da espécie, nome científico, nomes comuns e controle químico de acordo com a classificação em:

  • A: altamente suscetível (mais de 95% de controle);
  • S: suscetível (de 85% a 95% de controle);
  • M: medianamente suscetível (de 50% a 85% de controle);
  • P: pouco suscetível (menos de 50% de controle);
  • T: tolerante (0% de controle).

E também possuem os melhores posicionamentos do produto para cada espécie em:

  • pré-emergência;
  • pré-plantio incorporado;
  • pós-emergência inicial;
  • pós-emergência tardia;
  • planta adulta.
manual de identificação de plantas daninhas

(Fonte: Instituto Plantarum)

A vantagem deste manual é que ele traz as principais espécies encontradas nas lavouras anuais. Além disso, vem com a foto da plântula, o que é essencial na hora da correta identificação das plantas daninhas.

guia para manejo de plantas daninhas Aegro, baixe grátis

Lembre-se que o manejo deve ser feito com as plantas daninhas ainda pequenas, por isso é muito importante você saber identificar as espécies quando ainda são plântulas.

Caso o seu alvo seja o banco de sementes no solo, será essencial a identificação das plantas daninhas para manter atualizado o histórico de infestação da área. Assim, você pode selecionar o manejo em pré-emergência de acordo com o histórico da área!

Conclusões

A correta identificação de plantas daninhas no campo é essencial na hora de escolher o manejo mais adequado.

Antes era mais comum utilizar livros ou pedir alguma consultoria. Essas duas opções continuam sendo muito importantes.

Mas agora temos aplicativos que facilitam muito a vida, trazendo respostas mais rápidas para que possamos tomar as melhores decisões.

Aqui vimos os principais deles para a correta identificação de plantas daninhas, inclusive suas vantagens e desvantagens.

>> Leia mais: “Apaga-fogo (Alternanthera tenella): como manejar essa planta daninha

Tem mais dicas sobre aplicativos para identificação de plantas daninhas? Compartilhe esse artigo e deixe seu comentário abaixo!

Soja RR: tire suas dúvidas e consiga melhores resultados

Soja RR: saiba sua história, como é feita, como funciona e as principais dicas para tirar o máximo proveito de sua lavoura de soja.

Das lavouras de soja brasileiras, 96,5% é transgênica, sendo a maior parte com resistência a herbicidas.

Dentre elas, a tecnologia Roundup Ready (RR) é a mais adotada, conferindo resistência ao glifosato.

Apesar de tão empregadas, é normal ter algumas dúvidas sobre essas tecnologias.

Aqui vamos discutir suas principais informações, como surgiu, como funciona e as melhores maneiras de aproveitar essa tecnologia em campo.

História da soja RR (Roundup Ready)

A história do melhoramento de plantas começou com a domesticação das mesmas há mais de 10 000 anos.

Esse melhoramento era feito pela simples seleção das melhores plantas da área para a alimentação humana ou animal.

Com o desenvolvimento e evolução da tecnologia o melhoramento das plantas começou a ser feito também pela transformação genética.

Dessa forma hoje nós conseguimos ter uma planta resistente a insetos e herbicidas, como a soja RR ou Bt. Conseguimos também aumentar a produtividade de soja, obter culturas mais tolerantes à seca, e outros.

Assim, há 20 anos os transgênicos foram aprovados no Brasil.

A primeira soja transgênica foi desenvolvida nos Estados Unidos em 1995, era justamente a semente de soja tolerante ao glifosato (Roundup Ready ou RR).

Dois anos depois, em 1997, a soja RR foi aprovada na Argentina e em 1998 foi aprovada no Brasil.

Porém, enquanto Estados Unidos e países vizinhos já possuíam a legalização da soja RR há alguns anos, no Brasil ela só foi legalmente cultivada em 2005.

Desde então, o manejo de ervas daninhas na cultura ficou mais fácil e barato pelo uso da soja RR, resultando em intensa adoção dessa tecnologia.

Em trabalho realizado por Duarte (2009), foi pesquisado os principais motivos pelos quais os produtores adotaram o uso dos transgênicos.

planilha de produtividade da soja

Entenda o que são transgênicos

Transgênicos são organismos geneticamente modificados (OGM), que através do uso da biotecnologia recebem um gene de outro organismo.

Dentre todas as culturas com eventos transgênicos, a cultura de soja é a mais conhecida e plantada.

Mas muitas outras culturas, como algodão, milho, feijão, eucalipto e cana-de-açúcar possuem eventos transgênicos aprovados no Brasil.

E não é só na agricultura que os transgênicos estão presentes.

No Brasil existem 144 aprovações de eventos transgênicos, o que inclui plantas, vacinas, insetos, microrganismos e medicamentos.

No entanto agricultura corresponde a uma grande e importante parte dos transgênicos no país, já que O Brasil é o segundo país com maior área de cultivo desses organismos, com 50,2 mil hectares.

Desse total de área cultivada com transgênicos, 67% são de soja, 31% de milho e 2% com algodão.

Embora tenha discussões sobre os transgênicos, temos que admitir que essa tecnologia na agricultura proporciona inúmeros benefícios:

Como funciona a soja Roundup Ready (RR)?

Conforme vimos acima, podemos definir a soja geneticamente modificada como aquela  que teve seu código alterado pela inserção de um gene de um outro organismo.

Essa modificação genética tem como objetivo introduzir características que a soja convencional não tem.

Mas eu não conseguiria introduzir essas características sem a ajuda da transgenia?

A resposta é sim, entretanto o melhoramento genético pode levar anos para selecionar e conseguir transferir essa característica.

A soja RR possui um evento transgênico que confere tolerância ao herbicida glifosato, tecnologia a qual foi desenvolvida pela Monsanto.

O glifosato é um herbicida pós-emergente, não seletivo, de amplo espectro de controle de plantas daninhas, com ação sistêmica.

Esse produto é absorvido pelas folhas e translocado pelo floema, impedindo a formação dos  aminoácidos: fenilalanina, tirosina e triptofano.

No caso da soja RR, o gene que confere a tolerância ao herbicida glifosato é conhecido por cp4-epsps;

Esse gene foi isolado de uma bactéria chamada Agrobacterium spp. Assim, segmentos do DNA dessa bactéria são introduzidas nas plantas de soja, dando origem à soja RR.

Adoção da soja RR e suas consequências

O produtor brasileiro adotou muito rápido e extensivamente a soja RR, o que se deve especialmente pela facilidade do manejo que ela proporciona.

Como o glifosato é um herbicida com boa eficiência de controle e barato, é normal “se acomodar” a esse sistema.

No entanto, isso essas aplicações repetidas do mesmo produto vão selecionando as plantas que não morrem. Com isso, ao longo dos anos você terá uma área cheia de plantas daninhas que desenvolveram resistência ao glifosato, além de prejudicar o meio ambiente.

Você pode ver mais sobre a resistência a herbicidas aqui: “9 Fatos primordiais para o manejo de plantas daninhas resistentes ao glifosato”.

Eventos transgênicos aprovados para soja no Brasil

Abaixo você pode conferir todos os tipos de transgênicos aprovados para a cultura da soja no Brasil:

  • Tolerante ao herbicida glifosato;
  • Tolerante aos herbicidas do grupo químico das imidazolinonas;
  • Tolerante ao herbicida glufosinato;
  • Resistente aos insetos da ordem Lepidóptera (lagartas) e tolerante ao herbicida glifosato;
  • Tolerante aos herbicidas à base de ácido diclorofenoxiacético (2,4-D) e ao glufosinato de amônio;
  • Tolerante aos herbicidas glifosato e de isoxaflutole;
  • Tolerante aos herbicidas glifosato, glufosinato e isoxaflutole;
  • Resistente a insetos da ordem Lepidóptera e tolerante ao herbicida glufosinato;
  • Resistente a insetos da ordem Lepidóptera (lagartas) e tolerante ao herbicida glufosinato;
  • Tolerante ao herbicida dicamba;
  • Tolerante aos herbicidas dicamba e glifosato;
  • Resistente a insetos da ordem Lepidóptera (lagartas);
  • Resistente a insetos e tolerante aos herbicidas 2,4-D, glifosato e glufosinato;
  • Resistente a Insetos e tolerante aos herbicidas glifosato e dicamba;
  • Soja com perfil de ácidos graxos modificado e tolerante a glifosato;
  • Soja com perfil de ácidos graxos modificado;
  • Resistente a insetos e tolerante aos herbicidas 2,4-D, glifosato e glufosinato.

Além disso, em 2017 foram aprovados vários eventos transgênicos de diversas culturas, veja abaixo:

9-Soja-RR

As empresas têm um grande portfólio de cultivares de soja, com diversas transgenias. Veja o da Embrapa Soja aqui.

Para conferir quais variedades estão sendo comercializadas e entender se são recomendadas para sua área, veja este artigo: “Como escolher as melhores cultivares de soja para sua lavoura”

Soja Bt

A soja resistente a insetos é conhecida por Bt. Isso porque o gene que confere esta característica vem da bactéria Bacillus thuringiensis;

A  soja Bt é eficaz contra alguns dos insetos-praga que atacam as lavouras como:

  • Lagartas desfolhadoras: lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis) e a falsa-medideira (Chrysodeixis includens);
  • Lagartas das vagens: lagarta-das-maçãs (Heliothis virescens) e as lagartas do gênero Helicoverpa;
  • Broca-das-axilas ou dos-ponteiros (Epinotia aporema);
  • Lagarta-elasmo (Elasmopalpus lignosellus).

No entanto, há relatos de perda da tecnologia Bt por resistências dos insetos. Isso se deve ao uso indevido desse tipo de transgênico.

10-Soja-RR

10 Dicas para usar soja RR e outros transgênicos envolvendo herbicidas

1. O manejo integrado de plantas daninhas sempre deve ser priorizado;

2. Manejo adequado ajudam a preservar a eficácia e o valor da semente de soja tolerante, além de auxiliar na prevenção de plantas daninhas resistentes;

3. Limite o número de aplicações de um único defensivo agrícola, herbicidas da mesma família ou modo de ação dentro de uma única safra;

4. Nesse sentido, mesmo utilizando a soja resistente  ao glifosato, você pode e deve utilizar herbicidas de outros ingredientes ativos e mecanismos de ação;

5. Leia a bula, aplique apenas produtos registrados para a cultura, na dose correta recomendada e no estágio adequado, seja de desenvolvimento da planta daninha como da cultura;

6. Observe na bula fatores importantes para tecnologia da aplicação: pressão, vazão adequada, condições ambientais no momento da aplicação (temperatura do ar, umidade relativa do ar e vento), volume de calda, tipos de pontas;

7. Além de herbicidas você deve fazer a rotação de culturas;

8. Pratique o manejo preventivo através da limpeza de máquinas e implementos agrícolas;

9. Monitore a lavoura para detectar escapes de plantas daninhas ou novas germinações;

10. Faça o manejo da entressafra, não deixando sua área muito tempo em pousio, com uso de adubação verde ou culturas de cobertura.

Conclusão

Os transgênicos foram amplamente adotados no Brasil. A soja está entre as principais culturas com transgênicos, com a maior parte dos eventos voltados para a tolerância aos herbicidas e insetos.

Aqui vimos as principais informações sobre os transgênicos, especialmente sobre a soja RR.

Apesar de seus inúmeros benefícios, precisamos de alguns cuidados ao utilizar os transgênicos, sendo que aqui vimos as principais dicas nesse sentido.

Dessa forma, sabendo de tudo isso, tire o máximo proveito das plantas de soja, sendo elas transgênicas ou não.

Gostou do texto? Tem mais informações, opiniões ou sugestões sobre soja RR ou outra transgênica? Adoraria ver seu comentário abaixo!