Irrigação por gotejamento: conheça as vantagens e desvantagens

Irrigação por gotejamento: saiba o que considerar antes de escolher o sistema, como ele funciona, quais são as partes que o compõem e mais!

Há vários tipos de irrigação, cada um com suas técnicas. A irrigação por gotejamento é uma delas, com vasto uso no meio do agronegócio.

A irrigação fornece água às plantas em épocas em que a precipitação não é suficiente para manter o solo em condições ótimas para a cultura. Isso evita o estresse hídrico, que pode causar perdas de produtividade.

Cada método de irrigação apresenta vantagens e desvantagens. Elas são altamente relacionadas ao declive, tipo de solo, cultura agrícola, capacidade de investimento, dentre outros.

Nesse artigo, saiba tudo sobre como funciona o gotejamento na irrigação, bem como as técnicas de implantação e manejo. Boa leitura!

Como fazer irrigação por gotejamento?

A irrigação por gotejamento é um método de micro-irrigação que economiza água e nutrientes. Afinal, a água escorre de forma lenta para as raízes das plantas (seja acima ou abaixo da superfície do solo).

Essa entrega de água para a planta é feita através de um tubo com aberturas. Esses tubos ficam na superfície do solo ou abaixo dele, através do uso de tubos enterrados.

Esse método se baseia em baixa vazão e alta frequência. Ou seja, gotas aplicadas em intervalos pequenos. A vazão irá depender de características como número e dimensão de furos, além do diâmetro do tubo.

Ele permite uma aplicação mais próxima da raiz e evita o molhamento de outras partes da planta. A irrigação por gotejamento pode entregar uma eficiência entre 90% e 100%

Os sistemas de irrigação por aspersão possuem eficiência entre 80% a 85%. Por outro lado, sistemas de inundação possuem eficiência entre 60% a 70%.

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Como montar o sistema de irrigação por gotejamento

Os equipamentos necessários para o kit de irrigação de gotejamento é formado basicamente por:

  • tubo gotejador;
  • peças para conexão dos tubos entre eles;
  • sistema de fornecimento de água;
  • conectores de fim de linha.

O tubo gotejador pode ter furos em distâncias diferentes, permitindo a adequação do sistema a culturas diversas. O tipo de tubo pode depender do sistema ser de superfície ou irrigado, devido às características únicas de cada um.

Partes componentes de um kit para irrigação de gotejamento
(Fonte: Zanagro)

Qual o custo por área do sistema de gotejamento?

Um custo básico de implantação de sistema de gotejamento fica em torno de 20 mil reais por hectare. Além disso, deve-se considerar os custos com manutenção ao longo dos anos e o gasto operacional, além do preço da água de irrigação.

Os custos variam especificamente por cultura e em sistemas automatizados ou não. Estima-se que para pastagens, esse valor varie entre 6 mil e 10 mil por hectare.

Quantos litros de água o gotejamento na irrigação consome na lavoura?

O consumo de água de uma lavoura depende muito da cultura a ser usada e da capacidade evaporativa ao longo do seu ciclo. Além disso, varia de acordo com a população de plantas por área, definida pelo espaçamento entre plantas e linhas.

Por exemplo, para milho, o requerimento para o ciclo todo varia de 500 mm a 800 mm. Ou seja:

  • entre 500 L/m2 a 800 L/m2;
  • ou entre 5000 m3/ha a 8000 m3/ha

A quantidade de água a ser ministrada via gotejamento varia conforme com a quantidade requerida pela cultura e com a quantidade disponível naturalmente pela precipitação. 

É importante ressaltar que a necessidade de água das plantas não é constante. Ela varia com os estágios fenológicos. Assim, a quantidade de água através de gotejamento terá que ser calculada para cada caso específico, em curtos intervalos de tempo.

Vantagens e desvantagens do sistema

Como todo método, a irrigação por gotejamento apresenta vantagens e desvantagens quando comparado a outros métodos. Dentre as principais vantagens, temos:

  • Alta eficiência e precisão de entrega de água;
  • Irrigação localizada, com menor molhamento de plantas e risco de doenças;
  • Fácil instalação e pouca necessidade de manutenção;
  • Possibilidade de automatização do sistema;
  • Uniformidade na distribuição de água;
  • Evita formação de barro;
  • Possibilidade de uso de fertirrigação;
  • Adaptável a tipos de solo e relevo e a propriedades de diversas extensões;
  • Diminui a lixiviação de nutrientes no perfil do solo, por carreamento na água de irrigação;
  • Baixa evaporação da água de irrigação.

Como todo e qualquer método de irrigação, a irrigação por gotejamento também possui desvantagens que precisam ser consideradas.

  • Custo inicial de implantação considerável, quando comparado a outros métodos;
  • Possível necessidade de troca de mangueiras por ressecamento ou entupimento;
  • Limitação de uso de alguns produtos químicos para fertirrigação;
  • Necessidade de uso de água limpa para evitar entupimentos;
  • Dificuldade de verificação da situação da mangueira de irrigação por gotejamento enterradas, bem como da distribuição de água;
  • Possibilidade da diminuição de crescimento de raiz em profundidade por disponibilidade de água na superfície;
  • Necessidade de mão de obra especializada.

Como escolher o sistema de irrigação por gotejamento

Alguns fatores devem ser considerados na escolha do sistema de irrigação mais adequado para a realidade do produtor:

  • Capacidade de investimento: o sistema de gotejamento tem preço de instalação consideravelmente elevado. Entretanto, a sua alta eficiência traz retornos de produtividade que fazem com que o retorno sobre investimento seja alto e rápido;
  • Tipo de solo e relevo: o sistema de gotejamento se adapta bem a diversos tipos de solo e relevos. Ele consegue entregar água em pequenas quantidades e de maneira constante, evitando degradação de solos leves ou a inundação de solos pesados;
  • Culturas a serem implantadas: o gotejamento pode ser usado para uma gama de culturas. Afinal, pode ser adaptada a diferentes espaçamentos e populações de plantas, além de não ter limites com a altura de planta;
  • Tamanho da propriedade: o método de irrigação por gotejamento é bastante adaptável e pode ser implantado em propriedades de diversos tamanhos;
  • Mão de obra: a implantação, condução e manutenção requerem mão de obra. Assim, deve-se considerar o conhecimento dos funcionários sobre o sistema.
Planta de milho em estágios iniciais em campo com irrigação por gotejamento
(Fonte: Agro Galaxy)

Conclusão

A irrigação de gotejamento é um método com custo relativamente alto para instalação. Entretanto, ele traz um retorno grande na produtividade da lavoura. Por isso é usado em culturas de alto valor agregado.

O método tem alta eficiência no uso da água e possui muitas vantagens sobre outros métodos.

Sua aplicação se encaixa em diversos tipos de propriedade. Seja quanto à dimensão, capacidade tecnológica, monetária, condições edáficas e de relevo. Ou seja, a irrigação por gotejamento pode ser uma boa opção para sua fazenda.

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Restou alguma dúvida sobre a irrigação por gotejamento? Ainda não conseguiu avaliar se é uma boa opção para a sua propriedade? Deixe um comentário abaixo!

Níquel nas plantas: entenda a importância do nutriente

Níquel nas plantas: veja o que é, quais são as funções, como identificar sintomas de deficiência e toxidez e mais!

Os micronutrientes são elementos essenciais para as plantas. Entretanto, eles são exigidos em pequenas quantidades. 

O níquel é um exemplo de micronutriente que, quando não fornecido na dosagem necessária, compromete o crescimento e a produtividade das plantas. Além disso, esse elemento tem relação direta com o processo de fixação biológica do nitrogênio.

Por ser um elemento importante, você precisa estar por dentro dos sintomas de deficiência e de toxidez na sua cultura. Assim, você garante boa produtividade da sua lavoura e consegue acertar na adubação com níquel.

Neste artigo, saiba a importância do níquel nas plantas e no solo, além de entender mais sobre a função desse micronutriente. Boa leitura!

O que é o níquel nas plantas?

O níquel é um metal pesado e também um micronutriente das plantas. Até pouco tempo, ele não era considerado um nutriente essencial. Ele foi o último a integrar o grupo dos micronutrientes, junto do cloro, manganês, boro, zinco, ferro, cobre e molibdênio. 

Em leguminosas, ele é fundamental para o processo de fixação biológica de nitrogênio. O níquel atende aos critérios direto e indireto da essencialidade dos nutrientes. No critério direto, ele é constituinte estrutural de algumas enzimas, dentre elas a urease e a hidrogenase.

No critério indireto, por sua vez, ele não pode ser substituído por nenhum outro nutriente.  Na ausência do níquel, as plantas não completam o ciclo de vida

O níquel é absorvido pelas raízes via difusão passiva e transporte ativo. Nas plantas, este elemento apresenta alta mobilidade. Durante a fase de senescência de plantas de soja, até 70% do níquel presente nas folhas pode se deslocar para os grãos. 

A concentração desse micronutriente varia ao longo do ciclo da planta e de acordo com o tecido vegetal. O níquel pode ser encontrado em todos os tecidos vegetais. Apesar disso, o acúmulo desse elemento é maior nos grãos, nas folhas e nas partes jovens

Confira a seguir quais são os sintomas de deficiência e toxidez causados pelo níquel na soja e nas demais culturas agrícolas.

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Sintomas de deficiência de níquel na soja e em outras culturas

Em campo, os sintomas envolvendo a deficiência de níquel não são comuns. Um dos sintomas é conhecido como “orelha de rato”, já que a ponta das folhas apresenta manchas escuras e formato arredondado, semelhante à orelha do animal.

Essa expressão foi utilizada pela primeira vez para descrever sintomas severos de deficiência de níquel em folhas jovens de nogueira-pecã. Os principais sintomas visuais da deficiência de níquel na soja e nas demais plantas são:

  • clorose;
  • redução do tamanho das folhas;
  • alteração no formato das folhas;
  • região verde-escura na ponta das folhas;
  • necrose na região apical das folhas;
  • curvatura e enrugamento das folhas;
  • crescimento anormal das plantas.

É importante deixar claro que a clorose foliar não é uma característica confiável para avaliar a deficiência de níquel na soja e em demais culturas. A carência de outros nutrientes também causa clorose.

Em plantas de soja, a carência de níquel causa sintomas de queima e necrose na ponta das folhas. Como esse elemento é constituinte da enzima urease, a deficiência de níquel impede a ação dessa enzima. Isso causa o acúmulo em concentrações tóxicas de uréia nas folhas

Sintomas de toxidez do nutriente nas plantas

As plantas toleram níveis diferentes de níquel no solo. Ou seja, a toxicidade varia de acordo com a espécie vegetal. Existem plantas sensíveis, moderadamente tolerantes e hiperacumuladoras desse micronutriente.

É comum que os sintomas de toxidez por níquel sejam confundidos com a deficiência de manganês ou ferro. Os principais sintomas de toxidez por níquel são clorose nas folhas e redução do crescimento das raízes e da parte aérea. 

A clorose ocorre em função da menor absorção de ferro pela planta. O excesso de níquel na soja e em outras culturas também pode provocar a deficiência de zinco. Em casos severos, pode ocorrer a deformação de várias partes da planta e manchas foliares.

Sintomas de toxidez de níquel na soja cultivada em solo muito argiloso, submetido à aplicação de 5,0 mg dm-3 de níquel
(Fonte: Rodak, 2014)

Função desse micronutriente no solo

O níquel é um elemento encontrado naturalmente nos solos. No entanto, a concentração depende da composição do material de origem e da intensidade da atividade agrícola. Solos formados a partir de rochas ígneas apresentam elevada concentração total de níquel.

Isso acontece principalmente em rochas máficas e ultramáficas ricas em minerais do grupo serpentina. Contudo, nem todo níquel presente no solo encontra-se disponível para as plantas. A disponibilidade desse nutriente depende das características de cada solo

Dentre as características que influenciam na disponibilidade do níquel para as plantas, há:

  • pH (potencial hidrogeniônico);
  • CTC do solo (capacidade de troca catiônica); 
  • teor de matéria orgânica;
  • classe textural;
  • composição das argilas;
  • teores de óxidos de ferro e manganês;
  • competição pelos sítios de adsorção;
  • atividade microbiana. 

O pH do solo é o fator que mais interfere no comportamento do níquel. Quanto maior o pH, menor é a disponibilidade do níquel para as plantas.  Em solos com pH menor que 5,5 e pouca matéria orgânica, a disponibilidade de níquel é maior. 

A distribuição do níquel no solo também está relacionada à textura, ou seja, ao tamanho das partículas. As partículas de solo mais finas têm maiores cargas negativas e também maior superfície específica. Por isso, essas partículas têm maiores concentrações de níquel.

Função desse micronutriente nas plantas

O níquel é um micronutriente que tem importante papel no metabolismo das plantas. Em resumo, sua função nas culturas dizem respeito à:

  • produção de etileno;
  • germinação das sementes;
  • resistência à doenças;
  • metabolismo de aminoácidos e ácidos orgânicos;
  • componente estrutural de enzimas;
  • conservação pós-colheita de frutos.

Várias enzimas são dependentes desse elemento, dentre elas a urease. A urease é responsável por transformar a uréia em amônia e gás carbônico, sendo essencial para o metabolismo do nitrogênio. 

Na cultura da soja e em outras leguminosas, o níquel está envolvido na fixação biológica do nitrogênio. Ele é constituinte da enzima hidrogenase que atua nesse processo. 

Desse modo, a deficiência de níquel limita a atividade dessa enzima e interfere na fixação simbiótica do nitrogênio. Isso quer dizer que o fornecimento adequado de níquel favorece a nodulação em espécies leguminosas e a produção de grãos.

O níquel também tem efeito no controle de doenças. Esse micronutriente atua na síntese de fitoalexinas, que são compostos produzidos pelas plantas em resposta a algum tipo de estresse. Isso contribui para o aumento da resistência das plantas ao ataque de patógenos. 

Como fazer adubação com níquel?

Apesar da grande importância do níquel na soja e nas demais plantas, ainda não há recomendações oficiais para a utilização desse elemento em programas de fertilização.

Além disso, são escassas as informações quanto à melhor forma de aplicação desse micronutriente. A exigência de níquel pelas plantas é a mesma que a de molibdênio e cobalto, cerca de 0,05 mg/kg de massa seca. 

Confira abaixo as principais fontes utilizadas para aplicação de níquel nas lavouras:

  • cloreto de níquel;
  • nitrato de níquel;
  • sulfato de níquel;
  • carbonato de níquel;
  • quelatos de níquel;
  • silicato de níquel.

O lodo de esgoto é um resíduo urbano utilizado na agricultura. Ele apresenta elevada quantidade de níquel. Além disso, o calcário e os adubos fosfatados também são insumos que podem conter níquel.

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Conclusão

O níquel é um importante micronutriente para as plantas. O suprimento inadequado desse  elemento impacta diretamente no desenvolvimento das culturas. Diversos fatores interferem na disponibilidade do níquel, como pH do solo e CTC.

Em leguminosas, o níquel favorece a fixação biológica do nitrogênio. Além disso, o níquel promove mudanças na fisiologia das plantas que aumentam a resistência à doenças.

Apesar da grande relevância desse elemento para as diferentes culturas, ainda são escassas as informações quanto às recomendações de adubação com níquel. Por isso, consulte um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a) se tiver dúvidas.

Você sabia da importância do níquel nas plantas? Tem alguma dúvida sobre isso? Adoraria ler seu comentário abaixo.

Tudo o que você precisa saber sobre o amendoim-bravo (Euphorbia heterophylla)

Amendoim-bravo: conheça as características dessa planta daninha, como ocorre a propagação, quais são os danos causados na cultura da soja e muito mais.

O amendoim-bravo, também conhecido como leiteiro, é uma espécie invasora de grande importância. Essa planta cresce rapidamente, possui ciclo curto e elevada produção de sementes. 

É considerada uma das principais plantas daninhas em lavouras de soja transgênica. Ela está presente em todo território brasiliero e afeta culturas anuais e perenes. 

Conhecer suas características e as melhores táticas de manejo de plantas daninhas é fundamental para evitar danos na cultura.

Neste artigo, saiba como identificar o leiteiro e conheça táticas culturais, mecânicas, preventivas e químicas para livrar sua lavoura dele. Boa leitura!

Características do amendoim-bravo ou leiteiro (Euphorbia heterophylla)

O amendoim-bravo ou leiteiro (planta cujo nome científico é Euphorbia heterophylla) é uma planta daninha herbácea e que tem ciclo de vida anual. Popularmente, ela também é conhecida como leiteira, flor-de-poeta e café-do-diabo.

Essa planta libera uma substância leitosa ao sofrer algum tipo de injúria, o que justifica seu nome. A secreção de látex é uma característica das espécies da família Euphorbiaceae

Amendoim-bravo ou leiteiro (Euphorbia heterophylla)
(Fonte: Embrapa)

O caule é ereto e cilíndrico, podendo ser simples ou ramificado. A cor da base varia do verde ao vermelho. O amendoim-bravo pode atingir até 80 cm de altura. A inflorescência é do tipo ciátio. Várias flores masculinas estão dispostas ao redor de uma única flor feminina. 

As folhas dessa planta daninha são simples e possuem formatos bastante variáveis. Essa característica é conhecida por heterofilia. Numa mesma planta há folhas com diferentes formas. Elas podem ser ovaladas, lanceoladas, elípticas, obovadas ou com formato de violino.

(Fonte: Embrapa)

Propagação do leiteiro (planta daninha)

A propagação do amendoim-bravo ou leiteiro ocorre por sementes. Quando o fruto atinge a maturação, as sementes são lançadas para longe da planta-mãe. As sementes são liberadas no ambiente pelo rompimento explosivo do fruto, o que facilita a sua disseminação.

Essa planta invasora tem a capacidade de produzir elevado número de sementes. Uma única planta produz aproximadamente 490 sementes. Essa característica aumenta o seu potencial de competição com outras espécies vegetais.

As sementes do amendoim-bravo têm formato ovalado irregular e coloração castanha. O tamanho varia de 2 mm a 3 mm de comprimento, por 2 mm a 2,5 mm de largura. 

As sementes podem preservar o poder germinativo por longos períodos. Além disso, elas apresentam alto potencial de germinação mesmo em maiores profundidades de solo. Temperaturas entre 25 °C e 35 °C favorecem a germinação do leiteiro.

Sementes de amendoim-bravo ou leiteiro (Euphorbia heterophylla)
(Fonte: Manual de Identificação e Controle de Plantas Daninhas)

Danos causados pela Euphorbia heterophylla cultura da soja

O leiteiro é uma planta bastante agressiva e que apresenta rápido crescimento inicial.  À medida que se desenvolve, ele forma uma densa cobertura sobre as plantas de soja. Como a soja tem o desenvolvimento mais lento, ela é sombreada pelo amendoim-bravo

O intenso sombreamento interfere negativamente no desenvolvimento das plantas de soja e na produtividade. A Euphorbia heterophylla compete com a cultura da soja por água, nutrientes, luz e espaço. Ela afeta a quantidade e a qualidade do produto colhido. 

Em culturas anuais, o amendoim-bravo reduz em até 60% a produção de grãos. A presença de plantas daninhas na colheita da soja pode dificultar fisicamente o processo. A alta infestação de invasoras compromete o funcionamento da colhedora e interfere na eficiência da atividade.

A presença do amendoim-bravo durante a colheita também eleva o teor de umidade dos grãos. Consequentemente, há maiores gastos com o beneficiamento da soja. Como o amendoim-bravo produz látex, isso contribui para que impurezas se fixem no material colhido. 

Ainda, o amendoim-bravo ainda pode ser hospedeiro das principais pragas da soja, como o percevejo-marrom (Euschistus heros) e a mosca-branca (Bemisia tabaci).

Essa planta daninha pode ser infectada pelo vírus do mosaico-anão (Euphorbia mosaic virus – EMV). A partir da planta infectada, o vírus é transmitido pela mosca-branca às plantas de soja. 

Por isso, o vírus do mosaico-anão em soja está associado à presença do leiteiro. Em lavouras onde há grande população de mosca-branca, a incidência dessa virose é maior.

Além disso, o leiteiro é considerado hospedeiro de nematoides (Meloidogyne incognita e Pratylenchus coffeae) e do fungo Diaporthe phaseolorum, causador do cancro da haste da soja.

Como fazer o controle do leiteiro (amendoim-bravo)

O amendoim-bravo é uma planta de difícil controle, que já apresentou resistência a herbicidas. Nesse sentido, é importante que o manejo dessa planta daninha integre diferentes métodos de controle: preventivo, cultural, mecânico e químico.

Métodos preventivos

O manejo preventivo tem o objetivo de evitar que sementes de leiteiro e de outras daninhas sejam introduzidas na área cultivada.  Para isso, algumas medidas podem ser adotadas:

  • plantio da lavoura com sementes certificadas;
  • limpeza de máquinas e implementos agrícolas para evitar que torrões de terra contaminados com sementes de plantas daninhas sejam transportados de uma área infestada para outra;
  • controle das espécies invasoras não apenas na área cultivada, mas também nas estradas, carreadores e nas bordaduras das lavouras;
  • controle das daninhas no período da entressafra.

Métodos culturais

Dentre as práticas culturais que podem ser empregadas no manejo do leiteiro, temos:

  • rotação de culturas;
  • adubação equilibrada;
  • cobertura verde;
  • época de semeadura;
  • bom preparo de solo;
  • plantio de variedade/cultivar adaptada à região; 
  • variação no espaçamento e na densidade de plantas.

Métodos mecânicos

No manejo mecânico, as plantas daninhas podem ser eliminadas pelos seguintes métodos:

  • cultivo mecanizado; 
  • arranquio;
  • capina;
  • roçagem (manual ou mecânica).

Em lavouras cultivadas sob o sistema de plantio direto, a palhada tem impacto sobre a passagem de luz, temperatura e umidade do solo. Esse efeito físico exercido pela cobertura morta também contribui para o manejo das espécies invasoras

Método químico

O amendoim-bravo já apresentou resistência múltipla aos herbicidas inibidores da enzima acetolactato sintase, que são:

  • clorimuron-etil;
  • cloransulam-metil;
  • imazamox;
  • imazaquim;
  • imazethapyr.

Essa daninha também já manifestou resistência aos herbicidas inibidores da enzima protoporfirinogênio oxidase (Protox), que são:

  • acifluorfen;
  • diclosulam;
  • flumetsulam;
  • flumiclorac-pentyl;
  • fomesafen;
  • lactofen;
  • metsulfuron-methyl;
  • nicosulfuron;
  • saflufenacil.

Além disso, mais recentemente foram constatados biótipos dessa planta invasora resistente ao glifosato. No manejo do amendoim-bravo, é muito importante que o uso de herbicidas seja integrado a outros métodos de controle.

No controle químico, alguns cuidados devem ser adotados, como a rotação de produtos com mecanismos de ação diferentes. Também é importante seguir as orientações da bula dos produtos quanto à dosagem, modo e época de aplicação.

O sucesso da aplicação dos herbicidas ainda está relacionada ao estádio de desenvolvimento das plantas daninhas. Plantas jovens são mais fáceis de serem controladas do que plantas adultas.

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Conclusão

O amendoim-bravo ou leiteiro é uma planta daninha de difícil controle, ciclo curto. Ele já apresentou resistência a algumas moléculas herbicidas, dentre elas o glifosato. Uma planta de leiteiro é capaz de produzir cerca de 490 sementes

Na cultura da soja, essa planta daninha compete por recursos, promove o sombreamento, dificulta o processo de colheita e eleva os custos de produção. Além disso, ela pode ser hospedeira de pragas e doenças.

O manejo do amendoim-bravo deve ser realizado pela adoção de diferentes métodos de controle: preventivo, cultural, mecânico e químico. Na dúvida, sempre consulte um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a).

Você já teve problemas com o amendoim-bravo na sua lavoura? Me conte sua experiência.