About Marcelo Santoro

Sou Engenheiro Agrônomo e mestre pela ESALQ/USP. Atualmente sou aluno de doutorado do Programa de Fitotecnia da mesma instituição.

Como melhorar a plantabilidade e corrigir linhas falhas e duplas na lavoura

Plantabilidade: entenda o que é, como afeta a sua lavoura, como obter o melhor resultado em campo e muito mais!

Os grãos são o carro chefe do agronegócio brasileiro. Os dados da Conab evidenciam isso. Os manejos bem feitos reduzem perdas e otimizam processos.

Mas além deles, a plantabilidade é um dos fatores mais importantes relacionados à produtividade dos grãos, principalmente da soja.

Com certeza você já ouviu falar dela, mas você sabe como ela pode influenciar na produtividade da sua lavoura? Confira a seguir!

O que é plantabilidade

Plantabilidade é a deposição das sementes feita de forma correta pela semeadora.

Para o estabelecimento de um bom estande produtivo, é necessário ter boa qualidade das sementes.

Além disso, o posicionamento das sementes no solo (profundidade) deve ser correto. 

O fechamento do sulco, o contato das sementes com o solo e a plantabilidade também são pontos cruciais.

Nesse caso, o foco é nas linhas de plantio. Colocar a quantidade e distância correta de sementes nas linhas é fundamental.

Uma boa plantabilidade garante o espaçamento correto entre as plantas na linha e a correta formação do estande.

Foto de lavoura de milho com boa plantabilidade. As plantas estão posicionadas em uma distância padronizada, sinalizada por três setas vermelhas.

Boa plantabilidade na cultura do milho levando ao estande correto

(Fonte: Pioneer Sementes)

Estudos a respeito dos efeitos da plantabilidade na cultura do milho já existem há mais tempo. Para a cultura da soja, eles são mais recentes.

Como a plantabilidade influencia a produtividade?

A má distribuição longitudinal das sementes causa perdas diretas de produtividade. Afinal, a eficiência no aproveitamento dos recursos disponíveis (como água, luz e nutrientes) é reduzida.

Vale lembrar que os efeitos da má plantabilidade variam conforme as culturas. Mas independente da cultura, os prejuízos são causados pelas linhas duplas e falhas.

Linhas duplas e linhas falhas

Para ser considerada dupla, a distância entre as sementes tem que ser menor que a metade do espaçamento esperado entre plantas (na linha). Assim, elas ficam mais próximas umas das outras.

Representação de distância ideal de semeadura. A imagem é dividida em três quadros: no primeiro, há quatro sementes de milho separadas por distâncias iguais. No segundo, há duas sementes de milho muito juntas, ao lado de duas sementes de milho mais separadas. No terceiro, há duas sementes de milho muito separadas.

Classificações de espaçamento

(Fonte: Dias, 2013)

Imagine fazer o plantio com uma densidade de semeadura de 12 sementes por metro.

Nesse caso, quando você dividir 1 metro  pelas 12 sementes, o espaçamento adequado esperado entre plantas é de 8,3 cm

Distâncias entre plantas inferiores a 4,15 cm (menos de 50% da distância esperada) há uma linha dupla.

As falhas são o oposto, e ocorrem quando a distância entre as plantas no campo é superior a 50% da distância adequada esperada.

Estande de soja recém plantada com falhas. Na foto, há uma fileira de plântulas separadas por distâncias iguais, e outras fileiras com falhas nessas distâncias.

Exemplo de falhas de plantio de soja

(Fonte: SeedNews)

Quando a distância entre plantas é superior a 12,45 cm (8,3 + 4,15), há uma falha. Para esse número, considere ainda o exemplo anterior.

Principais prejuízos das linhas duplas e falhas

Nas linhas duplas

As plantas estão mais próximas umas das outras. Por isso, há maior competição entre elas, seja por água, luz ou nutrientes.

A competição, principalmente por radiação solar, faz com que as plantas cresçam mais  que o normal. Ao crescer mais, elas ramificam menos.

A produção acaba sendo menor dessa forma.

Na cultura da soja, ao lado da maior competição, o vigor da semente pode causar outro problema.

Uma semente mais vigorosa poderá germinar e emergir mais rápido. Dessa forma, a planta que se sobressai domina a planta vizinha. 

Quando há muitas plantas dominantes e dominadas no estande, a sua tendência pode ser  modificar a arquitetura do dossel.

Essa modificação pode causar problemas de interceptação da radiação solar. Além disso, pode gerar falhas de deposição dos produtos fitossanitários.

Nas linhas falhas

Nesse caso, faltam plantas, e por isso a produção e a produtividade serão menores.

Algo muito comentado para a cultura da soja é a questão da plasticidade e capacidade de compensação das plantas.

É verdade que as plantas da soja podem compensar algumas falhas. No entanto, essa compensação nunca é de 100%.

Para evitar grandes prejuízos na cultura da soja, é importante manter os níveis de plantabilidade acima de 70%.

A ocorrência de linhas duplas e falhas juntas não deve ultrapassar 30%.

Principais fatores que afetam a plantabilidade

A plantabilidade pode afetar a produção e a produtividade. Para evitá-la, você precisa conhecer os principais fatores que a evitam:

  • tratamento de sementes e o uso de grafite;
  • a uniformidade das sementes e escolha dos discos de plantio;
  • o equipamento dosador e a regulagem;
  • a velocidade da operação;
  • solo e sistema de plantio;
  • sementes de boa qualidade e procedência;
  • máquinas bem reguladas;
  • manutenção das máquinas em dia.

O tratamento de sementes é essencial, mas pode alterar as características superficiais da semente. Isso faz aumentar o atrito.

Usar grafite como um lubrificante seco favorece o escoamento das sementes e melhora a plantabilidade.

Gráfico que demonstra que o uso de grafite como lubrificante seco nas sementes melhora a plantabilidade. Os resultados são muito positivos.

Efeitos do uso de grafite sobre a porcentagem de falhas e duplas em soja

(Fonte: Pioneer Sementes)

Também há diferença entre semeadoras mecânicas e pneumáticas


As pneumáticas normalmente apresentam maior precisão. Entretanto, as mecânicas também são bastante adequadas para a realização dos plantios de boa plantabilidade.

A velocidade excessiva na hora do plantio pode ser um problema, fazendo com que as sementes sejam mal posicionadas no solo.

Imagem dividida em três. A primeira mostra os efeitos de plantadeira com a 18 km/h e 12 km/h, ambas deixando falhas na lavoura. A terceira imagem mostra os efeitos de plantadeira a 6km/h

Diferentes velocidades de plantio e efeitos na plantabilidade

(Fonte: Sistema Ocepar)

Todos os fatores estão intimamente relacionados e atrelados às condições do campo, como o tipo de solo e sistema de produção (com ou sem palhada).

Não existe uma única fonte de problemas, mas diversas que vão se acumulando caso não sejam bem manejadas.

Avalie a plantabilidade com um software de gestão

Felizmente, é possível identificar problemas de plantabilidade a tempo de replantar a área. 

Uma forma eficiente de fazer isso é com a visualização de mapas NDVI. Eles apontam, a partir de imagens de satélite, falhas na linha de semeadura, como no exemplo da imagem abaixo.

Imagem de mapa NDVI, com linhas vermelhas que indicam problemas de plantabilidade em dois cantos da lavoura

A linha em cor vermelha no mapa NDVI indica possível problema de plantabilidade

Com o Aegro, sistema de gestão rural, você tem acesso a esse recurso e ainda pode solicitar uma avaliação ao seu monitor ou planejar uma nova tarefa de plantio, tudo em poucos cliques.

Monitore sua lavoura com tecnologia de ponta e garanta a saúde da plantação. Clique aqui para solicitar uma demonstração gratuita das nossas soluções

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Conclusão

Os grãos, com destaque para a soja e o milho, têm potencial de crescimento conforme os manejos e tecnologias avançam.

Além de um bom manejo, você deve ficar sempre de olho na plantabilidade. Afinal, ela tem grande importância nos sistemas de plantio e pode garantir uma safra mais produtiva.

Conheça bem os principais pontos que interferem na plantabilidade. Os mantenha sob controle e bem alinhados, e na dúvida, consulte um engenheiro-agrônomo!

E você, já enfrentou algum problema de plantabilidade na sua lavoura? Deixe seu comentário e conte sua experiência!

Saiba quais são e como se preparar para os efeitos do La Niña na agricultura

Efeitos do La Niña: saiba quais as chances de o fenômeno afetar a agricultura, como se preparar e as previsões para a safra 2021/2022

Com certeza você já ouviu alguém falar “esse ano é ano de La Niña” ou que “estamos em ano de El Niño”, não é mesmo?

O La Niña é um evento climático de resfriamento e aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial.

Essas pequenas mudanças de temperatura têm efeitos mundiais! Saber mais sobre elas é fundamental para quem produz.

Você sabe quais são as expectativas climáticas para a safra 2021/2022? Sabe como se preparar para elas? Confira a seguir!

Entenda os efeitos do La Niña: o fenômeno Enos

O La Niña e o El Niño são partes do mesmo fenômeno atmosférico-oceânico. Ele ocorre no Oceano Pacífico Equatorial e é chamado Enos (El Niño Oscilação Sul).

O Enos é o aquecimento ou resfriamento anormal das águas do oceano em regiões específicas. 

A movimentação e relação entre atmosfera e oceano nessa região são conhecidas. Elas  apresentam níveis e variações consideradas normais, chamados anos neutros.

Essas regiões do mapa são as mais importantes. Elas permanecem sob monitoramento para identificação desses fenômenos.

Quando as águas dessas regiões estão mais quentes, temos o El Niño. Quando mais frias, a La Niña. Saiba mais sobre cada um deles neste vídeo:

El Niño, La Niña

La Niña

O La Niña é o resfriamento anormal das águas superficiais do Pacífico Equatorial.

O fenômeno começa com a intensificação dos ventos alísios. Eles sopram no sentido Oeste, na faixa equatorial do continente americano.

Isso faz com que grandes quantidades de água quente se acumulem no Oceano Pacífico Equatorial Oeste.

Relações oceano-atmosféricas de Walker normais (acima) e sob a influência do La Niña (abaixo).

Relações oceano-atmosféricas de Walker normais (acima) e sob a influência do La Niña (abaixo).

(Fonte: UFBA Conquista)

Esse acúmulo de águas quentes causa chuvas abundantes na região, graças à grande quantidade de evaporação.

Além disso, aumenta o fenômeno da ressurgência na costa da América do Sul.

Essa alteração causada pelas águas frias da ressurgência muda as chuvas e a temperatura média de diversas regiões.

Alterações climáticas e efeitos do La Niña na agricultura

Veja os principais riscos de efeitos do La Niña sobre as diferentes regiões brasileiras:

Efeitos do La Niña no brasil: ilustração mostra que há risco de estiagem e invernada na colheita.

(Fonte: Canal Rural)

Os efeitos do La Niña em dezembro, janeiro e fevereiro são:

  • chuvas acima da média nordeste brasileiro;
  • condições de frio acentuado no Sul do Brasil.
  • a Região Central do Brasil fica bastante instável e de difícil previsibilidade.

Nos meses de junho, julho e agosto:

  • toda costa Oeste da América do Sul sente temperaturas mais baixas, e o Sul do Brasil tem um inverno bastante seco.
Ilustração que mostra efeitos globais do la niña

Efeitos globais do La Niña

(Fonte: Enos – Cptec)

Efeitos do La Niña para a safra 2021/2022

O La Niña acontece quando em 5 trimestres consecutivos há alterações nas temperaturas das águas do Oceano Pacífico.

As alterações devem ser abaixo de -0,5.

Na safra passada, 2020/2021, houve uma La Niña moderada. Os valores, do ONI (Oceanic Niño Index), foram de -0,5 a 1,5.

Tabela que demonstra as variações do La Niña nos anos de 2020 e 2021

Variações do ONI (Oceanic Niño Index) nos anos de 2020 e 2021 (até setembro)

(Fonte: Noaa)

O resfriamento das águas influenciará a safra 2021/22. A temperatura da superfície do mar esteve, entre julho e setembro, em -0,5 °C.

Portanto, prepare-se para os efeitos do fenômeno na próxima safra e fique sempre por dentro da situação climática.

Como preparar a lavoura para os efeitos do La Niña

Saiba o que esperar do clima

O mais importante é conhecer a sua região e usar ferramentas como o Zarc (Zoneamento Agrícola de Risco Climático).

O Zarc é um programa nacional que facilita o acesso e uso dos dados e informações de risco climático no Brasil.

Ele indica datas e/ou períodos de semeadura por cultura e por município. Além disso, o programa considera características do clima, o tipo de solo e ciclo de cultivares.

Isso garante com que as adversidades climáticas sejam evitadas. Assim, elas coincidem com as fases mais críticas das culturas, minimizando as perdas agrícolas.

É uma ferramenta essencial para a gestão agrícola e para a tomada de decisão!

Planeje-se e proteja a sua lavoura

Após se informar sobre as condições climáticas na época do plantio, algumas mudanças no planejamento agrícola podem ser bem-vindas.

  • Não antecipe a compra de defensivos para doenças, porque o clima seco proporcionado pelo La Niña desfavorece algumas doenças;
  • Invista em sementes resistentes e tolerantes à seca;
  • Compre insumos quanto antes e verifique se o maquinário está pronto para a semeadura. O ideal é aproveitar um período de mais umidade para o plantio;
  • Tente tornar a janela de plantio maior. Assim, você terá mais tempo para encontrar a umidade ideal.
  • Estude o histórico da safra passada e arquive os dados da safra atual para te ajudar na próxima. Avalie quais insetos, plantas daninhas e doenças estiveram presentes e previna-se contra eles. Esteja com o manejo integrado de doenças e pragas em dia.
checklist planejamento agrícola Aegro

Conclusão

 La Niña pode afetar as diferentes regiões produtoras do Brasil.

Ainda não há definição de um evento climático de La Niña para a safra de 2021/2022. No entanto, as chances de sua ocorrência são grandes.

É importante agora ficar de olho nas notícias. Também é importante fazer o monitoramento das condições meteorológicas da sua região.

Afinal, elas irão definir quando realizar os principais manejos e tratos culturais nas lavouras.

>> Leia mais:

Fenômenos meteorológicos na agricultura: Planeje sua produção!

Influência da lua na agricultura: saiba o que é verdade e o que é mito

E você, alguma vez já sentiu os efeitos do La Niña na sua lavoura? Como fez para contorná-los? Deixe seu comentário!

O que é a La Ninã?

O La Niña é um evento climático de resfriamento e aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial.

Quais as consequências do La Ninã?

O fenômeno começa com a intensificação dos ventos alísios. Eles sopram no sentido Oeste, na faixa equatorial do continente americano. Isso faz com que grandes quantidades de água quente se acumulem no Oceano Pacífico Equatorial Oeste. Esse acúmulo de águas quentes causa chuvas abundantes na região, graças à grande quantidade de evaporação. Além disso, aumenta o fenômeno da ressurgência na costa da América do Sul.

Quais os efeitos do La Ninã no Brasil?

Os efeitos do La Niña em dezembro, janeiro e fevereiro são: chuvas acima da média nordeste brasileiro; condições de frio acentuado no Sul do Brasil; a Região Central do Brasil fica bastante instável e de difícil previsibilidade. Nos meses de junho, julho e agosto:
toda costa Oeste da América do Sul sente temperaturas mais baixas, e o Sul do Brasil tem um inverno bastante seco.

Quais os impactos da nanotecnologia na agricultura?

Nanotecnologia na agricultura: saiba o que é, como ela está presente no agro e quais as potenciais vantagens pode trazer à produção

Quando falamos em nanotecnologia, a primeira coisa que nos vem à mente são os filmes de ficção científica e cenários futurísticos, não é mesmo?

Isso pode até parecer coisa de filme de ficção. Entretanto, nos últimos anos, já é realidade em diversas áreas do conhecimento.

A nanotecnologia já está presente em diversos setores da produção agrícola, na agricultura de precisão e no meio ambiente.

Quer saber mais sobre como a nanotecnologia na agricultura vem sendo utilizada na prática, e como ela pode estar ao seu favor? Confira a seguir!

O que é a nanotecnologia?

Nanotecnologia é um conjunto de atividades ou mecanismos que ocorrem em uma escala extremamente pequena. No entanto, elas têm implicações significativas.

Esses mecanismos estão muito além da percepção dos olhos humanos. Afinal, a escala nanométrica equivale à bilionésima parte do metro.

A ideia de nanotecnologia pode ser um pouco abstrata para muitos. Em 1 metro, há 1 bilhão de nanômetros. Para você ter uma melhor ideia de quão pequeno é um nanômetro, observe a escala.

Imagem mostra escala de tamanhos nanométricos.

Escala nanométrica de diversas estruturas

(Fonte: Minas faz Ciência)

Os nanômetros são estruturas que têm o tamanho aproximado de um vírus. Elas são ainda menores que as bactérias!

Essas estruturas são totalmente invisíveis sem o auxílio de equipamentos, como microscópios.

Potencial da nanotecnologia na agricultura

No âmbito da produção agrícola, a nanotecnologia pode ser muito útil.

Na agricultura, ela ainda está dando seus primeiros passos. Mas é importante lembrar que já existem muitos grupos de pesquisa atuando na área.

Existem áreas, como a medicina, já mais avançadas no uso da nanotecnologia. Elas trabalham não apenas com nanopartículas, mas também com nanorobôs.

Para entender como a nanotecnologia pode se encaixar na agricultura, é possível traçar um paralelo entre ela e a eletricidade.

Antes, a eletricidade era pouco utilizada, mas em poucos anos tornou-se essencial.

A aplicação da nanotecnologia na agricultura será um ponto chave para o aumento da produção de alimentos no mundo.

O aumento produtivo trará inúmeras vantagens. Essas vantagens serão econômicas, relacionadas à qualidade de vida e ao meio ambiente.

O aumento não ocorrerá da forma convencional, com a expansão das áreas cultivadas. Acontecerá pela melhoria da qualidade de processos agroindustriais.

O Brasil, como um dos principais produtores agrícolas do mundo, não poderia estar fora dessa. E não está.

Com apoio e incentivo do Ministério da Ciência, Tecnologia e Informação e da Finep, foi criado o LNNA (Laboratório Nacional de Nanotecnologia para o Agronegócio).

Além disso, a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) vem estudando e pesquisando soluções para o agronegócio e a agroindústria. Ela formou a rede Agronano, composta por diversos pesquisadores brasileiros.

Aplicações da nanotecnologia na agricultura

A agricultura por si só é um ramo amplo. Ela engloba os processos de produção dos insumos, os sistemas de produção, a pós-colheita e o processamento dos mais diversos produtos.

Da mesma forma, o potencial de aplicação da nanotecnologia na agricultura é bem diversificado.

Atualmente, os principais pontos de maior atuação da nanotecnologia na produção agrícola são seis:

  • entrega de agroquímicos;
  • entrega de fertilizantes;
  • entrega genética;
  • remediação do solo;
  • degradação de agroquímicos;
  • nanosensores.

Todas essas áreas, apesar de diferentes, garantem para o produtor rural a produtividade. Além disso, preservam o meio ambiente e a economia de insumos.

E para isso, surgiram as principais demandas em que a nanotecnologia pode atuar.

Fertilizantes que apresentam maiores taxas de absorção e aproveitamento pelas plantas, ou ainda, que não segregam no processo de formulação.

Além disso, agroquímicos com maior eficiência, que não causam prejuízos ambientais, sejam eles herbicidas, inseticidas ou fungicidas.

Também existe um potencial de aplicação para o pós-colheita dos produtos agrícolas:

  • aumento da vida útil de frutas e verduras;
  • biofilmes e bioplásticos que reduzem a pegada de carbono.

Exemplos de nanotecnologia na agricultura

Óleo de citronela em nanocápsulas

Pesquisadores conseguiram desenvolver e encapsular nanopartículas de óleo de citronela.

Essas nanocápsulas com o óleo atuam como inseticidas. Elas se mostraram eficientes para evitar a aproximação do ácaro-rajado de plantas de feijoeiro.

Para melhorar, as nanocápsulas são feitas de zeína, uma proteína natural do milho. Ou seja, não deixam resíduos plásticos.

A imagem mostra um esquema, que representa como são feitos os nanorrepelentes de citronela.

Processo de produção de nanorrepelente de citronela

(Fonte: Revista Fapesp)

Diferente da pulverização convencional, o uso dessas nanocápsulas protege e faz com que a liberação da citronela ocorra de forma gradual. Isso aumenta o tempo de atuação do produto.

E há potencial de utilizar esse produto em outros cultivos que também são atacados pela mesma praga. Esse conceito pode ser aplicado para outros princípios ativos e outras culturas.

Inovação da fertilização: fertilizantes e bioestimulantes

A nanotecnologia permite a otimização de agroquímicos. O caso dos fertilizantes não é diferente.

A liberação controlada de fertilizantes ou de bioestimulantes pode desencadear reações nas plantas. 

Essas reações podem ser redução da resistência, de estresses e da abscisão foliar.

Outra realidade são os fertilizantes compostos de macronutrientes. Eles são envoltos por uma película de micronutrientes, evitando desuniformidade.

O produto Microactive vem sendo desenvolvido pela Embrapa, em parceria com empresas privadas.

A nanotecnologia e os herbicidas

Os herbicidas também se aliaram à nanotecnologia para garantir aumento de eficiência e melhor distribuição de produto.

Pesquisadores da Universidade Estadual de Londrina conseguiram reduzir em 10x o uso do herbicida atrazina em ensaios.

Apesar de ainda ser uma descoberta inicial, esse avanço é muito importante. Afinal, além de resultar em menor impacto ao meio ambiente, também significa economia para o produtor rural.

Da mesma forma que os fertilizantes, os herbicidas nanoencapsulados têm uma liberação mais lenta e gradual. Isso aumenta sua uniformidade de distribuição e eficácia.

Monitoramento e controle de pragas e doenças

Os princípios ativos podem ser combinados com a nanotecnologia para auxiliar no controle das pragas. Mas como eles poderiam auxiliar no monitoramento?

Muitos já estão acostumados com a presença de sensores na agricultura. Eles estão nas máquinas, nos implementos de agricultura de precisão ou nos sistemas de irrigação.

Graças à nanotecnologia, agora há também os nanosensores, que podem fazer o monitoramento inteligente da propriedade rural.

Esses nanosensores podem atuar na agricultura, pecuária, e até mesmo no monitoramento ambiental e na rastreabilidade de produtos.

Na agricultura, podem monitorar a produtividade, o amadurecimento e o desenvolvimento de doenças em plantas ou animais no campo.

A nanotecnologia e a água

A nanotecnologia também pode ajudar a agricultura na gestão hídrica. Isso é possível através do hidrogel.

A Embrapa Instrumentação, em parceria com a Fertigel, desenvolveu um gel nanomolecular que controla a liberação da água.

Ele é composto de um polímero modificado por nanopartículas. Essa modificação faz com que o polímero consiga absorver até 600x seu peso em água.

Após hidratado, o produto consegue liberar água e nutrientes de forma controlada.

Isso implica na redução de lixiviação de fertilizantes, redução da perda de água para o solo e no bom desenvolvimento das plantas, mesmo na seca/veranicos. 

Além disso, também ajuda na economia de água.

Embalagens e vida útil dos produtos vegetais

A produção de embalagens biodegradáveis, sem o uso de plástico, é algo revolucionário na produção sustentável, não é?

Imagine agora que essas embalagens façam também a regulação da taxa respiratória dos produtos vegetais. Imagine que realizem o bloqueio de patógenos.

Isso é possível devido à aplicação da nanotecnologia na criação das embalagens.

Diferentes processos podem criar coberturas, revestimentos ou embalagens que realizam diferentes funções.

Isso garante ao consumidor produtos de qualidade, além de reduzir o desperdício!

Imagem mostra mulher com luvas e touca no cabelo fazendo nanoemulsão em ceras de carnaúba em um mamão, duas laranjas e três maçãs.

Nanoemulsão em ceras de carnaúba da Embrapa

(Fonte: Embrapa)

Essas coberturas e revestimentos são comestíveis, e não trazem prejuízos aos consumidores.

banner que convida o leitor para baixar um informativo, de diagnóstico de gestão 360º da propriedade rural

Conclusão

A nanotecnologia terá cada vez mais aplicações na agricultura.

Os exemplos do texto foram apenas alguns em meio a um universo de possibilidades.

Os resultados que temos são muito promissores, mas ainda é necessária muita pesquisa para refinar os resultados.

Tudo o que é novidade pode causar certo receio e medo. Mas lembre-se do exemplo da eletricidade: quando menos esperamos, estará por todos os lados.

Por isso, fique de olho nas novidades que estão surgindo. Não fique para trás nessa nova revolução agrícola!

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Gostou de aprender um pouco mais sobre o uso da nanotecnologia na agricultura? Deixe seu comentário pra gente!

A influência da lua na agricultura: verdades e mitos

Influência da lua na agricultura: saiba se há relação entre as fases da lua e o plantio, e o que os conhecimentos popular e científico têm a dizer a respeito

Desde a antiguidade, os povos usavam as fases da lua para orientar a agricultura.

Até hoje, muitos agricultores seguem piamente o conhecimento desses povos, baseando o planejamento de safra nessas fases.

Mas afinal, qual é a verdadeira influência da lua na agricultura? O que vem da sabedoria popular e o que a ciência diz a respeito disso? Confira neste artigo!

A Terra, a lua e o sol

Existem importantes relações entre o sol, a lua e a Terra. O Sol está no centro do sistema solar e mantém os planetas e corpos celestes unidos.

Representação do sistema solar

Representação esquemática do sistema solar (sem escala)
(Fonte: Brasil Escola)

A Terra gira em torno de si mesma e ao redor do Sol. Esses movimentos chamam-se rotação e translação, respectivamente.

A lua também gira ao redor de si mesma e da Terra.

Apesar de ser bem menor que a Terra, a lua é o maior objeto visível no céu noturno devido à sua proximidade da Terra.

Diferente do sol, que é uma estrela e possui luz própria, a lua é o único satélite natural da Terra. É um corpo opaco que apenas reflete a luz solar

Juntos, os três ‘dançam’ pelo espaço.

Representação dos movimentos de rotação e translação da Terra e da lua

Representação esquemática (sem escala) dos movimentos de rotação e translação
(Fonte: Brasil Escola)

As estações do ano

Os movimentos de rotação e translação da Terra, aliados ao eixo de inclinação, fazem os dias e as estações do ano.

Há períodos no ano em que a posição da Terra em relação ao Sol varia nos diferentes hemisférios. Por isso as estações do ano são invertidas nos diferentes hemisférios.

Representação do movimento de translação da Terra e das estações do ano

Movimento de translação da Terra e as estações do ano 

(Fonte: Trogello et al 2015)

As fases da lua

A lua não possui luz própria, e a luz que vemos dela à noite é a reflexão dos raios solares. Com o passar dos dias, o formato dela muda no céu. Esses diferentes aspectos formam as fases.

Há 8 fases da lua, mas são 4 as principais:

  • nova;
  • crescente (ou quarto crescente);
  • cheia;
  • minguante (ou quarto minguante).

Vale ressaltar que, devido à curvatura da Terra, as fases da lua podem ter aspectos diferentes. Pessoas em diferentes regiões do planeta podem enxergá-la de formas diferentes.

Algumas das fases da lua no hemisfério Norte e Sul são invertidas, como no esquema a seguir:

Representação das fases da lua, vistas do hemisfério norte e sul

Visualização das diferentes fases da Lua vistas do hemisfério Norte e Sul

(Fonte: Adaptado de Go Science Girls)

A influência da lua na agricultura: sabedoria antiga x ciência

A crença da humanidade na ação dos astros sobre a Terra é antiga. No entanto, muito mudou desde então. O que a ciência tem a nos dizer sobre o tema? Confira!

A sabedoria popular

Existem inúmeros relatos, passados de geração em geração, a respeito da influência da lua na agricultura.

Segundo eles, a lua influencia principalmente no fluxo de seiva das plantas e no ciclo de vida dos animais.

Em seu livro “La Luna”, o autor Jairo Rivera relata grande parte desses conhecimentos. Segundo ele, o ciclo de seiva nas plantas muda de acordo com as fases da lua:

Lua nova

Nesta fase da lua, o fluxo de seiva é descendente, ou seja, vai para as raízes.

Haveria maior concentração de água no solo. Essa água pode fazer com que as sementes inchem, cresçam e rompam com facilidade. De acordo com as crenças, a fase da lua nova não é aconselhável para o plantio.

Lua crescente

Nessa fase, o fluxo de seiva começa a subir das raízes para os ramos. Acredita-se que essa é uma boa fase para o plantio de folhosas, e que causa bom crescimento foliar. O que cresce acima do solo seria beneficiado nesse período.

Lua cheia

Aqui, o fluxo de seiva concentra-se na parte aérea das plantas. Portanto, também não seria uma boa fase para semear, apenas para colher.

Lua minguante

Na lua minguante, a seiva começa a descer para as raízes. 

Nessa fase, a força da Terra provavelmente desce, favorecendo cultivos que crescem para baixo do solo.

As fases da lua  e sua influência na dinâmica da seiva das plantas

As fases da lua  e sua influência na dinâmica da seiva das plantas

(Fonte: Adaptado de Rivera, 2005)

Além do ciclo das plantas, o ciclo dos insetos e pragas também é influenciado.

A relação das fases da lua com o ciclo dos insetos

Relação das fases da lua com o ciclo dos insetos

(Fonte: Adaptado de Rivera, 2005)

Muitos outros pontos são influenciados pelas fases da lua. Conhecendo todos eles, é possível definir e adequar as atividades nas lavouras.

Com base nisso, há a chamada agricultura biodinâmica.

A sabedoria popular recomenda que aquilo que se colhe de cima da terra deve ser plantado na lua crescente e cheia. Aquilo que se colhe debaixo da terra deve ser plantado na lua minguante.

O que diz a ciência?

A ciência já confirmou que a lua exerce influência sobre as marés,devido à força de gravidade não só da lua, mas também do Sol.

Entretanto, muitos dos que afirmam a influência da lua sobre a Terra baseiam-se mais em recordações e memórias, e não em evidências.

O professor Salim Simão é um dentre vários pesquisadores ao redor do mundo que não observaram qualquer influência da lua sobre a agricultura.

Muitos ensaios científicos já foram realizados na tentativa de identificar e quantificar a influência da lua na agricultura, sem sucesso.

Muitas vezes, os resultados que atribuímos à lua podem estar relacionados a outros fatores. Isso nos leva a crenças errôneas de que a lua exerce alguma influência.

As fases da lua alternam todo mês, durante todas as estações do ano.

Não seriam então as estações do ano um fator de maior influência na agricultura, já que os regimes hídricos e térmicos são diferentes em cada uma delas?

Por isso é importante ter cuidado com o que acreditar e seguir. Porém, respeitar e nunca desdenhar das opiniões e crenças dos outros é necessário.

Não se esqueça de sempre pesquisar para melhor compreender o que acontece na sua lavoura.

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Conclusão

A influência da lua sempre intrigou a humanidade e, com certeza, continuará intrigando por muito tempo.

Entretanto, a falta de evidências científicas reforça a não influência da lua na agricultura. Há outros fatores que podem influenciar muito mais os cultivos.

É sempre interessante buscar informações de qualidade. Assim, você garante que um dado errado ou algo sem fundamento não prejudique a produtividade da sua lavoura.

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Fenômenos meteorológicos na agricultura: planeje sua produção!

Aumente sua rentabilidade com o planejamento estratégico da produção agrícola

E você, o que você sabe sobre a influência da lua na agricultura? Já observou facilidade ou dificuldade de plantio em alguma das fases? Deixe seu comentário abaixo!

Entenda os princípios e benefícios da pulverização eletrostática na agricultura

Pulverização eletrostática: confira o que é e como ela pode te ajudar a garantir melhores resultados na lavoura

Os agroquímicos são um dos insumos mais importantes para a agricultura, independente de sua categoria. Eles ajudam a preservar a sanidade das lavouras e combatem uma gama de agentes prejudiciais.

Porém, a eficiência de deposição desses agroquímicos sobre as plantas ainda é muito baixa. Essa baixa eficiência eleva a frequência de pulverizações. 

Consequentemente, há gastos exagerados, ocorrência de resíduos nos produtos e aumento dos impactos ambientais.

Buscando uma agricultura mais sustentável, a pulverização eletrostática surgiu como alternativa promissora para contornar esse cenário!

Quer saber mais? Confira neste artigo como a pulverização eletrostática pode te ajudar. Aproveite a leitura!

O que é pulverização eletrostática?

A pulverização eletrostática é diferente da convencional, graças ao processo de eletrificação das gotas.

As gotas pequenas são as que geram os melhores resultados de controle dos problemas fitossanitários nas plantas. Porém, essas gotículas são extremamente suscetíveis à deriva.

Para contornar esse problema, você precisa dar, literalmente, uma força para as gotículas. É aí que entra a pulverização eletrostática.

Nesse tipo de pulverização, uma força elétrica é acrescentada às gotículas, controlando seus movimentos.

Eletrificação de gotas

A eletrificação das gotas torna-as fortemente atraídas pelas plantas.

Através desse processo, as gotículas alcançam partes das plantas que dificilmente seriam atingidas na pulverização convencional. A parte inferior das folhas é um exemplo.

Para você entender mais a fundo a eletrificação das gotas, vale revisar algumas leis da eletrostática.

A primeira é que cargas de polaridades opostas se atraem e semelhantes se repelem:

  • cargas positivas e negativas se atraem;
  • carga positiva com positiva ou negativa com negativa se repelem.

A segunda lei diz que a carga de um corpo (ou partículas) induz a formação de uma carga igual, mas oposta nos corpos aterrados mais próximos.

gráfico de efeito de atração da gotícula eletrificada por sua imagem no objeto aterrado a uma distância ‘d’

Efeito de atração da gotícula eletrificada por sua imagem no objeto aterrado a uma distância ‘d’
(Fonte: adaptado de Chaim, 2006)

No caso da pulverização eletrostática, o corpo aterrado é a planta. Ou seja, a nuvem de gotículas eletrificadas será atraída em direção às plantas.

A eficiência da pulverização eletrostática dependerá diretamente do processo utilizado para eletrificar as gotas.

Processos de eletrificação de gotas

É possível eletrificar as gotas de três formas diferentes: por “efeito corona”, por eletrificação indireta e por eletrificação direta.

Conheça melhor cada uma delas a seguir.

Eletrificação por efeito corona 

Nesse processo, um eletrodo pontiagudo sob tensões elevadíssimas ioniza o ar. 

As cargas livres vão se chocar com as gotas que saem do bico de pulverização, tornando-as carregadas.

Esse processo é adequado para diâmetros de gota inferiores a 20 micrômetros. 

Portanto, não é muito adequado para a agricultura, em que as pulverizações com gotas mais finas são superiores a 20 micrômetros.

Eletrificação indireta 

Na eletrificação indireta, a calda de pulverização permanece inicialmente neutra (ou aterrada).

O eletrodo de indução é posicionado na borda do jato, onde as gotas são formadas.

Assim, as gotas adquirem carga na presença do campo eletrostático presente, conforme o esquema.

Esquema de um sistema eletrificação indireta de pulverização eletrostática

Esquema de um sistema eletrificação indireta de pulverização eletrostática
(Fonte: adaptado de Chaim, 2006)

Esse sistema de eletrificação apresenta a enorme vantagem de ter a calda e as tubulações neutras. Entretanto, há uma desvantagem.

Como as gotas adquirem uma carga oposta à do eletrodo, são atraídas para ele. Elas o molham e causam corrimento, o que torna o sistema ineficiente.

Para solucionar isso é necessário o uso de bicos eletrostáticos pneumáticos. Neles, o ar que pulveriza o líquido também o carrega para longe da zona de atração do eletrodo de indução.

Eletrificação direta

No sistema de eletrificação direta, a calda de pulverização encontra-se sob alta tensão e sem o eletrodo de indução.

Sem ele, a voltagem de eletrificação deve ser alta o suficiente para criar um campo eletrostático bastante intenso. Deve ser algo próximo de 30 mil volts.

Esquema de um sistema eletrificação direta de pulverização eletrostática

Esquema de um sistema eletrificação direta de pulverização eletrostática
(Fonte: adaptado de Chaim, 2006)

A principal vantagem desse sistema de eletrificação direta é a ausência do eletrodo de indução próximo ao bico de pulverização.

Entretanto, como a calda deverá estar sob alta tensão, é necessário isolar o tanque e as tubulações envolvidas no processo.

Vantagens da pulverização eletrostática

Independente da forma de eletrificação da calda a ser aplicada, a pulverização eletrostática é uma tecnologia promissora e apresenta uma série de vantagens, como:

  • melhor combate às pragas, já que as gotículas carregadas conseguem superar a força da gravidade e resistência do ar, alcançando locais que a convencional não conseguiria;
  • ao contrário da convencional, as gotas são atraídas para os alvos e não lançadas ao ar, sujeitas à deriva;
  • melhor deposição de gotas na superfície das folhas;
  • as gotas, por estarem com a mesma carga, não se unem formando gotas maiores;
  • economia de calda de pulverização;
  • menor necessidade de reabastecimento do tanque;
  • economia de mão de obra;
  • redução dos custos operacionais;
  • menor perda por evaporação;
  • menor perda para o solo;
  • menor risco de contaminação de lavouras vizinhas;
  • menor impacto ambiental (devido ao menor uso de produto e diminuição de desperdícios).
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Desvantagens 

Para a agricultura, os resultados têm apresentado baixa consistência, devido à baixa carga aplicada.

Outro ponto importante diz respeito à avaliação do custo benefício deste equipamento. E isso está diretamente relacionado com o custo do equipamento.

Custos e equipamentos para a pulverização eletrostática

A pulverização eletrostática pode ser realizada em pulverizadores costais ou nos pulverizadores de barra, axiais ou até mesmo aéreos.

Pulverizadores com essa tecnologia apresentam preços superiores aos mesmos equipamentos convencionais.

Entretanto, a médio prazo, o valor do equipamento é coberto. Afinal, dentre as vantagens, há economia de calda e redução de custos de produção.

A Embrapa Meio Ambiente desenvolveu um kit de adaptação de baixo custo para pulverizadores do tipo costal.

Kit de adaptação de pulverização eletrostática desenvolvido pela Embrapa

Kit de adaptação desenvolvido pela Embrapa
(Fonte: Embrapa)

Esse kit, na época de seu desenvolvimento, custou cerca de R$ 100. Ele podia ser adaptado a qualquer pulverizador hidráulico do mercado.

Porém, por envolver corrente elétrica, a segurança deve vir sempre em primeiro lugar.

Para isso é interessante adquirir os pulverizadores já adaptados das diversas empresas existentes no mercado.

O tipo de pulverizador a ser adquirido é o que mais influencia no preço.

Um pulverizador costal é muito mais barato do que um pulverizador de barra ou axial, por exemplo.

Dentro da mesma categoria, existem muitas variações nos preços destes equipamentos, desde R$ 200 a R$ 2.000. Isso acontece porque essa é uma tecnologia ainda em desenvolvimento.

>> Leia mais:  “Limpeza de pulverizador agrícola com segurança: Confira passo a passo!

Conclusão

A pulverização eletrostática tem enorme potencial para redução das perdas na aplicação de agroquímicos.

Além de reduzir as perdas, essa técnica pode aumentar os níveis de controle de pragas e doenças.

Seu sucesso depende do desenvolvimento de novas tecnologias, capazes de formar gotas menores e com maiores intensidades de carga.

Considere as vantagens e as desvantagens desse tipo de pulverização de acordo com as necessidades do seu plantio, e faça um bom planejamento.

>> Leia mais:

Aplicação Localizada de Insumos para Otimizar os Custos da sua lavoura

Drone para pulverização: Como funciona e principais modelos do mercado

Você já conhecia a tecnologia de pulverização eletrostática? Já fez o uso em sua propriedade? Deixe seu comentário abaixo!

Tudo o que você precisa saber sobre a irrigação por aspersão

Irrigação por aspersão: conheça os principais sistemas de irrigação por aspersão, as culturas e fatores que influenciam na escolha do sistema

A irrigação por aspersão é o método mais utilizado em todo o mundo. Isso graças à sua versatilidade e adaptabilidade.

Mas é importante lembrar que a aspersão não é melhor que os demais tipos de irrigação

Para cada situação, existe um método e sistema que melhor se adequa. O método ideal  depende de uma série de fatores, e conhecê-los é essencial para acertar na escolha!

Ficou com vontade de aprender mais sobre irrigação por aspersão? Confira comigo a seguir!

Método ou sistema de irrigação?

Métodos e sistemas de irrigação são coisas diferentes.

Sistema de irrigação diz respeito ao conjunto de equipamentos e peças que atuam para realizar a irrigação.

Já os métodos de irrigação estão relacionados à forma de aplicação da água nas lavouras. Eles podem se relacionar a mais de um sistema de irrigação. 

Existem quatro tipos de métodos de irrigação:

  • superficial (ou por superfície);
  • aspersão;
  • localizada;
  • subsuperfície (ou subterrânea).

Nesse artigo, você irá conhecer mais sobre o método de irrigação por aspersão. 

Irrigação por aspersão

Irrigação por aspersão é um método de irrigação. Nesse método, os aspersores vão trabalhar para expelir a água. É uma forma de simular a chuva nas áreas de lavoura.

Sem dúvidas, é o mais clássico e popular da agricultura.

Ao simular a chuva, a água é aplicada sobre a folhagem da cultura e o solo.

duas fotos, uma ao lado da outra, de Pivô central e de aspersão convencional

Pivô central e aspersão convencional 
(Fonte: Safra Irrigação)

Para conseguir simular a chuva, os sistemas de irrigação por aspersão dependem de uma série de componentes para realizar o bombeamento, transporte e distribuição.

Bombeamento

O principal componente do bombeamento é o conjunto motobomba: uma bomba centrífuga e um motor acionador.

Esse conjunto é responsável pela captação e impulsionamento da água até os aspersores. 

As motobombas podem ser acionadas por energia elétrica ou por motores de combustão à diesel.

A escolha correta do sistema motobomba é fundamental para o funcionamento do sistema, sem que haja sobrecarga ou pressão insuficiente.

Transporte

Os componentes de transporte são responsáveis por transportar a água impulsionada pelas motobombas aos aspersores.

As tubulações são feitas dos mais diversos materiais. Podem ser materiais metálicos como aço zincado, aluminio e ferro fundido, ou plásticos como PVC ou polietileno.

A escolha do material dependerá da função da tubulação no sistema. A escolha também pode tornar o projeto economicamente viável.

Distribuição

Os aspersores são os componentes-chave da distribuição da água.

Eles podem ser classificados por uma série de critérios diferentes, como tipo de movimentação e alcance do jato, pressão de serviço, tamanho de gotas.

Confira na tabela:

tabela com critério, classificação e características dos aspersores

(Fonte: adaptado de Testezlaf, 2017)

De forma geral, o mais utilizado é o primeiro, a respeito do movimento rotacional dos aspersores.

Agora que você já sabe mais sobre a irrigação por aspersão, conheça a diferença entre os dois principais sistemas: o convencional e o mecanizado.

Sistema de aspersão convencional

Os sistemas convencionais utilizam os componentes tradicionais de aspersão: 

  • motobombas;
  • tubulações; e
  • aspersores.

Esses sistemas podem ser móveis ou fixos no campo. Quando móveis, os aspersores fazem a cobertura da área conforme são movimentados pela área.

Quando fixos, devem ser estrategicamente posicionados para cobrir a área total ou do setor desejado.

Sistema de irrigação por aspersão convencional

Sistema de irrigação por aspersão convencional
(Fonte: Boas Práticas Agronômicas)

Sistema de aspersão mecanizado

Nos sistemas de aspersão mecanizados, os aspersores encontram-se alocados em estruturas.  Essas estruturas, normalmente metálicas, se movem pela área para efetuar a irrigação.

O movimento da aspersão mecanizada pode ser feito pela ação de tratores, de sistemas automatizados ou pela pressão existente na tubulação.

No Brasil, os sistemas de irrigação por aspersão mais conhecidos são o pivô central (movimento circular) e o carretel enrolador (movimento linear).

Sistema de irrigação por aspersão mecanizada em pivô central
(Fonte: Hidrosistemas)

Vantagens da irrigação por aspersão

A principal vantagem da irrigação por aspersão é o fato de não ser necessária intervenção no relevo.

Os sistemas de aspersão adaptam-se muito bem a diferentes topografias. Trata-se de um sistema flexível e versátil

É muito adaptável, seja ao controle da lâmina d ‘água ou à sua disposição no campo.

Diferente do sistema de irrigação por sulcos na irrigação por aspersão, o controle do volume de água aplicada no campo é controlado.

Por ser controlado, o volume de água pode ser facilmente modificado de acordo com as necessidades das culturas irrigadas.

Desvantagens

A principal desvantagem da irrigação por aspersão é sua suscetibilidade a ventos fortes. Esses ventos afetam a distribuição da água.

Devido ao molhamento foliar, a irrigação por aspersão deixa as folhas em condições favoráveis para o desenvolvimento de doenças.

É muito importante ponderar os prós e contras dos métodos de irrigação, de acordo com as características de cada cultura.

A irrigação por aspersão depende de energia elétrica ou de motores de combustão para funcionar.

Todo o acionamento das bombas ou motobombas que fazem a pressurização do sistema de irrigação é feito graças à energia elétrica.

Pensando nos pivôs centrais, a energia é ainda mais necessária, pois todo seu comando central depende dela.

O controle central detém todos os controles elétricos e eletrônicos. Desde o controle da injeção de fertilizantes/agroquímicos para fertirrigação, às operações básicas da motobomba.

Resultados da irrigação por aspersão

Os sistemas de irrigação por aspersão têm apresentado resultados positivos para muitas culturas. O maior destaque é dos sistemas mecanizados em pivô central.

O algodão irrigado mostrou aumentos de até 70 arrobas/hectare quando comparado ao algodão em sequeiro, no Mato Grosso.

No Rio Grande do Sul, a irrigação em pivô central conseguiu driblar a falta de chuvas. Ele quase dobrou a produtividade da soja quando comparado ao sequeiro.

Área de algodão sob pivô central no Mato Grosso

Área de algodão sob pivô central no Mato Grosso
(Fonte: Grupo Cultivar)

Além de garantir aumentos na produtividade, a irrigação por aspersão pode garantir a otimização das áreas produtivas. 

Em alguns casos, é possível levar a produção de 3 safras por ano!

Em Ponta Porã, nas áreas de pivô foram colhidas: soja na safra, milho na safrinha e ainda foi possível a terceira safra de trigo e aveia.

>> Leia mais: 

Plantação de milho irrigado: Quando compensa realizar essa prática?

Como saber se a irrigação por aspersão é a melhor para sua lavoura?

O Brasil é um dos 10 países com as maiores áreas equipadas com irrigação. Ele chega a quase sete milhões de hectares irrigados.

As projeções futuras são de crescimento de até 3 milhões de hectares nos próximos 10 anos. 

Mas como saber se a irrigação por aspersão é a mais adequada para a sua lavoura?

Lembre-se que irrigação por aspersão não é melhor que os demais métodos de irrigação.

Por apresentar maior versatilidade, se adapta bem às diversas regiões do Brasil. Por isso, pode ser utilizado em maior número de regiões.

Ao definir o método e sistema de irrigação que você utilizará, considere aspectos como:

  • a cultura
  • o solo e a topografia
  • o clima; 
  • a disponibilidade de água!
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Conclusão

A irrigação por aspersão, além de muito popular, é a que mais cresce no Brasil.

Ela vem trazendo vantagens produtivas para produtores espalhados por todo o país.

Ganhos de produtividade, mitigação de efeitos da seca e otimização de áreas são alguns exemplos.

Mas lembre-se de fazer uma boa avaliação das suas necessidades. Assim você conseguirá escolher o método e o sistema de irrigação certo para você!

>> Leia mais:

“Agricultura irrigada ideal e produtiva”

“Irrigação de feijão: quando vale a pena investir?”

“Como a irrigação de precisão pode otimizar o uso da água e gerar economia na fazenda”

“Irrigação por superfície: veja se a prática é boa para sua fazenda”

E você, trabalha com irrigação por aspersão na sua lavoura? Conta pra gente sua experiência nos comentários!

O que mudou com a nova regulamentação para controle da ferrugem asiática da soja?

Nova regulamentação para controle da ferrugem asiática da soja: saiba como identificar o patógeno e quais as principais mudanças de procedimentos de controle

A ferrugem asiática é uma das doenças mais severas que atingem a cultura da soja, em qualquer etapa do ciclo produtivo. 

Nas regiões onde a ferrugem é relatada como epidêmica, os níveis de dano podem variar de 10% a 90% da produção

Você está por dentro da revisão e atualização dos principais procedimentos de controle da ferrugem asiática da soja? Conhecer a nova regulamentação é fundamental para não cometer erros no manejo!

Quer saber mais sobre essa doença e quais foram as principais mudanças na regulamentação para seu controle? Confira!

A ferrugem asiática da soja

A ferrugem asiática, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, é extremamente danosa por poder atingir qualquer estádio de desenvolvimento da soja.

Apesar de só sobreviver e se reproduzir em plantas vivas, o fungo causador da ferrugem possui uma ampla gama de hospedeiras, plantas que podem ser infectadas por ele. Cerca de 150 espécies de leguminosas são hospedeiras do fungo.

No último mês, o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) publicou a Portaria n.º 306, que revisou e atualizou os principais procedimentos do PNCFS (Programa Nacional de Controle da Ferrugem Asiática da Soja).

O PNCFS é instituído a nível nacional através da Instrução Normativa n.º 2, desde 2007. A nova regulamentação para controle da ferrugem asiática entrou em vigor no dia 1º de junho de 2021.

Como identificar a ferrugem asiática na lavoura?

Os primeiros sintomas da ferrugem asiática da soja são pequenas lesões nas folhas, de coloração castanha a marrom-escura.

Tais lesões possuem pequenas protuberâncias na parte inferior correspondente. Essas protuberâncias são estruturas do patógeno, chamadas urédias.

Conforme a doença se desenvolve, as urédias adquirem coloração castanho-claro e abrem-se como um poro.
Esporos do patógenos são expelidos desse poro. Ao serem carregados pelo vento, podem infectar novas plantas ou folhas, disseminando a doença.

Fases de desenvolvimento da ferrugem asiática da soja

Fases de desenvolvimento da ferrugem asiática da soja: sintomas iniciais, urédias na face inferior e detalhes das urédias abertas

(Fonte: Embrapa – Rafael M. Soares)

Como era antes da nova regulamentação para controle da ferrugem asiática?

A nível nacional, a doença vem sendo manejada graças a combinação de diferentes estratégias, também conhecida como MID (manejo integrado de doenças).

Confira algumas das principais estratégias do MID:

Com as cultivares mais precoces semeadas logo no início da safra, você consegue reduzir a ocorrência da doença no campo, além do número de aplicações de fungicidas.

Já bem definidas em alguns estados brasileiros, as janelas de semeadura orientam os produtores a semear em épocas menos propícias para o desenvolvimento da doença, mas favoráveis à soja.

Diferentes períodos de semeadura da soja de acordo com estado

(Fonte: Embrapa)

O fungo causador da ferrugem precisa de hospedeiros para sobreviver. Dessa forma, o vazio sanitário os elimina do campo, reduzindo a sobrevivência do patógeno.

Períodos de vazio sanitário da cultura da soja

(Fonte: Canal Rural)

O controle químico, com fungicidas, é o mais tradicional para prevenção e controle do avanço da doença na cultura da soja. Mas é preciso ter cuidado.

O uso indiscriminado de fungicidas na cultura da soja, de mesmo grupo químico, pode causar redução na porcentagem de controle ou ainda o desenvolvimento de resistência no patógeno.

Redução gradual no controle da ferrugem asiática da soja em diferentes anos e com princípios ativos diferentes

(Fonte: Embrapa)

O que muda com a nova regulamentação para controle da ferrugem asiática?

Com a nova regulamentação para controle da ferrugem da soja, haverá a instituição de um novo modelo de governança do programa de controle de pragas.

Quem fará a definição e instituição das medidas fitossanitárias de períodos de vazio sanitário e calendário de semeadura será a Secretaria de Defesa Agropecuária de cada estado.

As Secretarias deverão estabelecer as medidas com base nas sugestões e trabalho conjunto com os Órgãos Estaduais de Defesa Sanitária Vegetal e as Superintendências Federais de Agricultura.

Além disso, os resultados das pesquisas de monitoramento da doença, de eficiência de fungicidas e o zoneamento agrícola deverão ser considerados para o estabelecimento das medidas.

Esse novo modelo de governança do PNCFS é resultado de longas discussões motivadas por sugestões e integração de ideias de diversas partes, desde os produtores rurais até órgãos oficiais de Sanidade Vegetal.

As mudanças serão maiores apenas para aqueles estados onde o vazio sanitário não é realizado e nem há calendários de semeadura da cultura da soja.

Para o ano de 2021, mantêm-se as datas já definidas anteriormente, não havendo mudança e garantindo tempo para que você se programe.

planilha de produtividade da soja

Conclusão

A ferrugem asiática da soja causa danos que podem trazer queda de até 90% da produção. Por isso, é essencial saber identificar esse patógeno para combatê-lo da forma mais eficiente possível.

As técnicas de vazio sanitário e uso de calendários de semeadura para as diferentes regiões produtoras já vem sendo amplamente utilizadas como medidas de controle da doença.

Com a nova regulamentação, o uso dessas duas técnicas passa a ser oficial para os diferentes estados brasileiros. 

Mantenha-se sempre por dentro das regulamentações, para garantir uma escolha de manejo realmente eficaz.

E você, já sabia das mudanças da nova regulamentação para controle da ferrugem asiática? O que pensa sobre elas? Adoraria ler seu comentário!

Todas as dicas para fazer a manutenção de pneus agrícolas

Manutenção dos pneus agrícolas: como realizar, quais são os tipos de pneus e como saber se o momento da troca chegou!

Uma lavoura bem sucedida não depende só de insumos, sementes, fertilizantes e defensivos. Mão de obra qualificada, máquinas agrícolas, tratores, as colhedoras e os diversos implementos que as complementam também fazem parte desse sistema.

O maquinário deve estar sempre bem regulado e pronto para as atividades, e um dos pontos cruciais é a manutenção dos pneus agrícolas

Você realiza a manutenção de forma correta? Quer algumas dicas sobre como cuidar bem dos seus pneus? Confira!

Como fazer a manutenção dos pneus agrícolas

Nas fazendas e lavouras brasileiras, as despesas com os pneus podem chegar até o segundo lugar na lista de maiores despesas da frota agrícola.

Evitar desgastes desnecessários é essencial. Veja como a manutenção dos pneus agrícolas pode te ajudar.

Calibração e pressão interna 

Qual a calibração correta do pneu agrícola? A resposta é “depende”. Cada pneu tem uma calibração adequada e a pressão varia de acordo com a capacidade de carga. Para você ter certeza, o melhor é sempre consultar as recomendações dos fabricantes.

Se seu maquinário trabalhar abaixo da calibração ótima, as bandas se desgastam com rapidez e de forma irregular. Além disso, os pneus agrícolas perdem tração e pode ser que ocorra o “rim slip”, termo usado para descrever quando o pneu corre no aro.

O inverso também é indesejável. Uma calibração excessiva deixa o pneu com formato mais ovalado. Isso gera perda de tração e maior desgaste na linha central do pneu.

Além de garantir a durabilidade dos pneus agrícolas, trabalhar na correta calibração reduz a compactação do solo e garante economia de combustível!

Uma vez feita a calibragem, você deve realizar periodicamente a verificação da pressão interna dos pneus. É importante realizar as medições antes de realizar os serviços no campo, para evitar potenciais danos.

>> Leia mais: “Como produtora economizou em manutenção de máquinas a partir de ação estratégica”

Atenção ao índice de patinagem 

A patinagem é o deslizamento decorrente da transmissão da força das rodas traseiras para o solo. A patinagem zero ou maior que 20% são problemas comuns do campo, e você pode a determinar com alguns cálculos. Para começar, você precisa de um local plano para seguir as etapas:

  1. posicione o trator sem implemento e marque o local onde está a roda traseira e a parte do pneu que toca o solo naquele ponto;
  2. dirija o trator até que a roda traseira tenha completado 10 voltas;
  3. meça a distância percorrida (distância 1);
  4. engate o implemento e realize o mesmo procedimento, percorrendo a mesma distância (distância 1) obtida e verifique o número de voltas completas;
  5. faça a seguinte conta:
manutenção de pneus agrícolas, esquema com dez voltas a cem por cento, embaixo têm-se o número de voltas com implemento menos número de voltas sem implemento a Y por cento de patinagem

Suponha que você tenha verificado 11 voltas com o implemento. Esse valor de 10% de patinagem está adequado, mas você deve tomar cuidado para que não ultrapasse 20%.

Chegou a hora da troca? 

A troca pode ser um momento complicado pois, como você viu, os custos dos pneus agrícolas não são pequenos. Entretanto, caso a vida útil do pneu tenha esgotado, não hesite em trocá-los.

O comportamento das máquinas e implementos com pneus desgastados não é o mesmo, e pode colocar a vida dos operadores em risco.

Uma das principais formas de verificar a hora da troca é através da profundidade dos desenhos do pneu (sulcos, frisos e barras).

Quando o desgaste é superior a ¾ (ou 75%) do tamanho inicial, a troca é necessária.

ilustração indicando desgaste máximo de 25% da profundidade total dos sulcos dos pneus agrícolas

Desgaste máximo de 25% da profundidade total dos sulcos dos pneus agrícolas
(Fonte: Dia De Campo)

Essa atividade pode ficar mais fácil com apoio de um software de gestão agrícola como o Aegro. Com o aplicativo, você pode programar alertas de manutenção periódicos, facilitando a análise e possível troca dos pneus das suas máquinas.

Você também consegue acompanhar a data da última troca e o impacto dessas operações nos custos totais da safra.

Alerta para manutenção preventiva de máquinas agrícolas no Aegro

Tipos de pneus agrícolas

Os pneus agrícolas não são todos iguais. Basicamente, você encontra 5 tipos diferentes no mercado:

  • Diagonais: compostos por sobreposição de lonas. O topo e os flancos não são independentes.
ilustração que mostra como é o pneu diagonal

(Fonte: Michelin)

  • Radiais: compostos pela união de uma carcaça flexível e uma armadura metálica de estabilização.
ilustração que mostra como é o pneu radial

(Fonte: Michelin)

  • Alta flutuação: muito estudados para redução da compactação de solo.
  • Implementos: pneus de implementos agrícolas com raias longitudinais.
  • Florestais: específicos para máquinas florestais. São reforçados para suportar áreas com objetos cortantes.

Avalie com cuidado e escolha o mais apropriado para as suas condições.

Água nos pneus? 

É isso mesmo! É possível encher os pneus agrícolas com água para adequar a massa dos tratores.

Esse procedimento é chamado lastragem líquida e garante aumento da capacidade de tração e estabilidade.

ilustração de pneu sendo cheio com água e com opções e porcentagens de lastro

Opções e porcentagens de lastro
(Fonte: adaptado da aula do Prof. Dr. Carlos Furlani)

Porém isso tem um limite e deve ser feito de acordo com as orientações dos fabricantes.

Conclusão

Os pneus agrícolas são componentes essenciais dos tratores, máquinas e implementos agrícolas, pois fazem o contato e garantem a tração.

Escolher o pneu correto é primordial para maximizar as atividades e garantir maior lucratividade. Além da escolha correta, você precisa realizar manutenções preventivas (calibração, verificação de pressão, etc) constantemente.

Dessa forma você obterá melhor desempenho, além de garantir a durabilidade dos pneus.

Com que frequência você faz a manutenção dos pneus agrícolas da sua propriedade? Conta pra gente aqui nos comentários!