Conheça os 9 indicadores de fertilidade do solo e saiba usá-los ao favor da sua lavoura

Indicadores de fertilidade do solo: quais são, para que servem, sua importância para o solo e como avaliá-los

Altas produtividades são alcançadas com a junção de vários fatores

Além dos manejos culturais, é importante cuidar do solo e garantir qualidades químicas, físicas e biológicas. 

Cada um destes três fatores apresenta indicadores que dão qualidade ao solo. Conhecê-los pode garantir a saúde da sua lavoura e maior precisão na adubação.

Neste texto, você saberá mais sobre os indicadores de fertilidade importantes para uma boa produção. Confira!

A importância da fertilidade do solo na agricultura 

A fertilidade do solo é um indicador químico, principalmente quando se trata de produtividade. Ela é relacionada aos nutrientes, pH, matéria orgânica e outros aspectos.

Uma planta bem nutrida consegue aproveitar melhor a energia. Assim, ela se desenvolve adequadamente e tolera mais o ataque de doenças e pragas.

Entretanto, nem todos os nutrientes estão presentes no solo no momento e quantidade ideais para as plantas. Por isso é necessário fazer a adubação correta.

Você deve saber como está a saúde do seu solo para manter o equilíbrio. Ficar sempre de olho nos indicadores de fertilidade é a principal medida a ser tomada.

Dessa forma, é possível fornecer para sua cultura a quantidade ideal de todos os elementos essenciais para sua produção. 

9 principais indicadores de fertilidade do solo

A análise do solo é como o exame de sangue que você eventualmente faz. Os indicadores correspondem aos principais aspectos em relação à fertilidade.

Para saber como seu solo está, é importante saber ao que cada indicador corresponde e como isso interfere no manejo. Veja a seguir os principais indicadores.

1. pH

Este indicativo de fertilidade mede a acidez do solo. O manejo do solo, adubação e cultivos alteram o valor do pH ao longo do tempo. 

A mudança de valor altera a disponibilidade dos macronutrientes, micronutrientes e do alumínio ali presentes.

Gráfico mostra a disponibilidade de nutrientes e alumínio em função do pH do solo. A disponibilidade de molibdênio e cloro é maior.

Disponibilidade de nutrientes e alumínio em função do pH do solo 

(Fonte: Incaper)

2. Macronutrientes e micronutrientes 

Tanto os macro quanto os micronutrientes são fundamentais para a produção. 

Os macronutrientes são exigidos em maiores quantidades, e são:

  • nitrogênio;
  • fósforo;
  • potássio;
  • cálcio;
  • enxofre;
  • magnésio.

Os micronutrientes são exigidos em menores quantidades, e são:

  • boro;
  • cobre;
  • ferro;
  • manganês;
  • zinco.

Além de conhecer os macro e micronutrientes, há dois pontos que você deve considerar.

Se o teor de sódio for elevado, ocorre salinização do solo. Como consequência, há problemas na produção agrícola.

Outro ponto de atenção é o método de extração utilizado para avaliar a quantidade dos nutrientes, principalmente o fósforo.

O sistema IAC (mede o teor fósforo pela resina trocadora de íons) e o sistema Embrapa, que utiliza o método de Mehlich-1, são os mais utilizados.

É importante observar qual extrator foi utilizado, pois os valores representados são diferentes. 

Para calcular corretamente a quantidade de fósforo do solo, você precisa usar a tabela de recomendação do sistema utilizado.

3. Soma de bases

É a soma de potássio, sódio, cálcio e magnésio presentes na análise de solo. 

Sua função é auxiliar no cálculo de outros indicadores, como capacidade de troca e saturação por bases.

Pode ser que a soma de bases não venha na análise de solo. Caso isso aconteça, fique de olho nas unidades para realizar o cálculo. Elas precisam estar em cmolc/dm3.

Geralmente, o cálcio e o magnésio já estão na unidade necessária. Para os demais nutrientes, veja um exemplo de conversão:

Cálculo com fórmulas para analisar o teor dos nutrientes no solo

4. Alumínio trocável

Ela é a quantidade de alumínio presente na solução do solo.

Quanto maior o valor, mais danos ocorrem nas raízes das plantas. O  seu valor é reduzido pelo aumento de pH.

Imagem mostra dois conjuntos de plantas de milho ainda pequenas e suas respectivas raízes. O primeiro conjunto apresenta raízes mais longas e as plantas estão maiores, e não houve contato com alumínio, de acordo com o indicador colado no conjunto. O segundo conjunto apresenta plantas e raizes pequenas, e o indicador colado no conjunto indica que houve contato com alumínio.

Influência negativa do alumínio no crescimento de plantas de milho 

(Fonte: Biocom)

5. Acidez potencial

O indicador de acidez potencial ou acidez total é representado na análise do solo por hidrogênio + alumínio.

É a soma da acidez trocável com a acidez não trocável, sendo a acidez neutralizada representada pelo hidrogênio.

6. CTC

CTC do solo é a capacidade de troca de cátions.

É utilizado para cálculo de calagem e gessagem do solo. Isso porque a CTC indica a quantidade de cargas negativas que determinado solo pode ter em pH 7,0.

O cálculo pode ser realizado pela seguinte fórmula:

imagem com a fórmula: CTC = SB + (H + Al)

Com a CTC elevada, nutrientes como potássio, cálcio e magnésio são retidos no solo e disponibilizados às plantas.

Valores baixos indicam que esses nutrientes ficam mais suscetíveis a perdas por lixiviação.

banner-calculo-de-calagem

7. Saturação por bases

A saturação por bases é representada pelo V% nas análises de solo. Ele é um indicador usado para a necessidade de calagem e gessagem.

As culturas apresentam um V% ideal, geralmente entre 60% a 70%. Sabendo quanto seu solo tem de V%, você saberá se é necessário realizar calagem para elevar esse valor.

Com a calagem, há um aumento da saturação por bases e redução da acidez potencial. 

Isso aumenta a porcentagem de cargas negativas do solo ocupadas por potássio, cálcio e magnésio.

fórmula:  V% = SB sobre CTC

8. Índice de saturação de sódio

Este indicador é importante em solos de locais áridos, semiáridos, próximo de litorais ou com elevado teor de sais.

Nesses locais, o teor de sódio no solo é elevado, influenciando o desenvolvimento das plantas. Por isso, é necessário calcular o índice de saturação de sódio.

Somente assim você saberá a proporção de sódio em relação ao potássio, cálcio e magnésio.

fórmula: ISNa = Na em cmolc/dm3 sobre CTC vezes 100

Valores acima de 15% do índice de saturação de sódio indicam problemas.

Portanto, em caso de valores até 10%, você precisa adotar medidas para reduzir o teor do nutriente no solo.

9. Matéria orgânica 

A matéria orgânica é formada por diversos elementos, com destaque para o carbono. Eles vêm principalmente da decomposição de plantas e microrganismos.

Solo com muita matéria orgânica tem mais capacidade de fornecer nutrientes, além de apresentar valores maiores de CTC.

Por isso, a matéria orgânica é um importante indicativo do potencial produtivo de um solo.

Os indicadores de fertilidade do solo são utilizados para determinar os nutrientes em falta. Assim, você poderá suprir todas as necessidades de maneira certeira.

Importância do equilíbrio nutricional do solo

Conhecendo os indicadores de fertilidade e as necessidades nutricionais da cultura, a adubação se torna mais assertiva.

O planejamento do ano safra é importante para que as quantidades de nutrientes fornecidas se mantenham adequadas.

Um bom balanceamento também interfere na qualidade física e biológica do solo.

Como avaliar os indicadores de fertilidade do solo? 

Os indicadores de fertilidade sofrem constantes mudanças com o uso dos solos. Isso acontece principalmente com a ausência de algum nutriente.

A falta de determinado nutriente é observada nas plantas em pouco tempo. Para que o solo seja equilibrado nutricionalmente, é necessário adotar práticas por um longo tempo.

Assim, é necessário realizar a manutenção dos nutrientes no solo, e sempre realizar a sua análise para verificar como estão os indicadores químicos. 

Afinal, tanto a falta como o excesso são prejudiciais às plantas.

É importante realizar uma amostragem de solo representativa da sua área produtiva. É dessa forma que os valores dos indicadores de fertilidade serão mais precisos.

Conclusão

Os indicadores de fertilidade do solo são avaliados na análise de solo.

Cada indicador mede alguma propriedade química do solo. Eles são utilizados para recomendações de adubação, calagem e gessagem.

Avaliar os indicadores de fertilidade é algo que deve estar presente em toda a sua safra.

 Afinal, assim você estará sempre por dentro da saúde da sua lavoura, além de poder fazer adubações mais assertivas.

Você conhecia todos os  indicadores de fertilidade do solo? Faz a adubação com base nesses dados? Ficou alguma dúvida? Deixe seu comentário abaixo!

Como melhorar a plantabilidade e corrigir linhas falhas e duplas na lavoura

Plantabilidade: entenda o que é, como afeta a sua lavoura, como obter o melhor resultado em campo e muito mais!

Os grãos são o carro chefe do agronegócio brasileiro. Os dados da Conab evidenciam isso. Os manejos bem feitos reduzem perdas e otimizam processos.

Mas além deles, a plantabilidade é um dos fatores mais importantes relacionados à produtividade dos grãos, principalmente da soja.

Com certeza você já ouviu falar dela, mas você sabe como ela pode influenciar na produtividade da sua lavoura? Confira a seguir!

O que é plantabilidade

Plantabilidade é a deposição das sementes feita de forma correta pela semeadora.

Para o estabelecimento de um bom estande produtivo, é necessário ter boa qualidade das sementes.

Além disso, o posicionamento das sementes no solo (profundidade) deve ser correto. 

O fechamento do sulco, o contato das sementes com o solo e a plantabilidade também são pontos cruciais.

Nesse caso, o foco é nas linhas de plantio. Colocar a quantidade e distância correta de sementes nas linhas é fundamental.

Uma boa plantabilidade garante o espaçamento correto entre as plantas na linha e a correta formação do estande.

Foto de lavoura de milho com boa plantabilidade. As plantas estão posicionadas em uma distância padronizada, sinalizada por três setas vermelhas.

Boa plantabilidade na cultura do milho levando ao estande correto

(Fonte: Pioneer Sementes)

Estudos a respeito dos efeitos da plantabilidade na cultura do milho já existem há mais tempo. Para a cultura da soja, eles são mais recentes.

Como a plantabilidade influencia a produtividade?

A má distribuição longitudinal das sementes causa perdas diretas de produtividade. Afinal, a eficiência no aproveitamento dos recursos disponíveis (como água, luz e nutrientes) é reduzida.

Vale lembrar que os efeitos da má plantabilidade variam conforme as culturas. Mas independente da cultura, os prejuízos são causados pelas linhas duplas e falhas.

Linhas duplas e linhas falhas

Para ser considerada dupla, a distância entre as sementes tem que ser menor que a metade do espaçamento esperado entre plantas (na linha). Assim, elas ficam mais próximas umas das outras.

Representação de distância ideal de semeadura. A imagem é dividida em três quadros: no primeiro, há quatro sementes de milho separadas por distâncias iguais. No segundo, há duas sementes de milho muito juntas, ao lado de duas sementes de milho mais separadas. No terceiro, há duas sementes de milho muito separadas.

Classificações de espaçamento

(Fonte: Dias, 2013)

Imagine fazer o plantio com uma densidade de semeadura de 12 sementes por metro.

Nesse caso, quando você dividir 1 metro  pelas 12 sementes, o espaçamento adequado esperado entre plantas é de 8,3 cm

Distâncias entre plantas inferiores a 4,15 cm (menos de 50% da distância esperada) há uma linha dupla.

As falhas são o oposto, e ocorrem quando a distância entre as plantas no campo é superior a 50% da distância adequada esperada.

Estande de soja recém plantada com falhas. Na foto, há uma fileira de plântulas separadas por distâncias iguais, e outras fileiras com falhas nessas distâncias.

Exemplo de falhas de plantio de soja

(Fonte: SeedNews)

Quando a distância entre plantas é superior a 12,45 cm (8,3 + 4,15), há uma falha. Para esse número, considere ainda o exemplo anterior.

Principais prejuízos das linhas duplas e falhas

Nas linhas duplas

As plantas estão mais próximas umas das outras. Por isso, há maior competição entre elas, seja por água, luz ou nutrientes.

A competição, principalmente por radiação solar, faz com que as plantas cresçam mais  que o normal. Ao crescer mais, elas ramificam menos.

A produção acaba sendo menor dessa forma.

Na cultura da soja, ao lado da maior competição, o vigor da semente pode causar outro problema.

Uma semente mais vigorosa poderá germinar e emergir mais rápido. Dessa forma, a planta que se sobressai domina a planta vizinha. 

Quando há muitas plantas dominantes e dominadas no estande, a sua tendência pode ser  modificar a arquitetura do dossel.

Essa modificação pode causar problemas de interceptação da radiação solar. Além disso, pode gerar falhas de deposição dos produtos fitossanitários.

Nas linhas falhas

Nesse caso, faltam plantas, e por isso a produção e a produtividade serão menores.

Algo muito comentado para a cultura da soja é a questão da plasticidade e capacidade de compensação das plantas.

É verdade que as plantas da soja podem compensar algumas falhas. No entanto, essa compensação nunca é de 100%.

Para evitar grandes prejuízos na cultura da soja, é importante manter os níveis de plantabilidade acima de 70%.

A ocorrência de linhas duplas e falhas juntas não deve ultrapassar 30%.

Principais fatores que afetam a plantabilidade

A plantabilidade pode afetar a produção e a produtividade. Para evitá-la, você precisa conhecer os principais fatores que a evitam:

  • tratamento de sementes e o uso de grafite;
  • a uniformidade das sementes e escolha dos discos de plantio;
  • o equipamento dosador e a regulagem;
  • a velocidade da operação;
  • solo e sistema de plantio;
  • sementes de boa qualidade e procedência;
  • máquinas bem reguladas;
  • manutenção das máquinas em dia.

O tratamento de sementes é essencial, mas pode alterar as características superficiais da semente. Isso faz aumentar o atrito.

Usar grafite como um lubrificante seco favorece o escoamento das sementes e melhora a plantabilidade.

Gráfico que demonstra que o uso de grafite como lubrificante seco nas sementes melhora a plantabilidade. Os resultados são muito positivos.

Efeitos do uso de grafite sobre a porcentagem de falhas e duplas em soja

(Fonte: Pioneer Sementes)

Também há diferença entre semeadoras mecânicas e pneumáticas


As pneumáticas normalmente apresentam maior precisão. Entretanto, as mecânicas também são bastante adequadas para a realização dos plantios de boa plantabilidade.

A velocidade excessiva na hora do plantio pode ser um problema, fazendo com que as sementes sejam mal posicionadas no solo.

Imagem dividida em três. A primeira mostra os efeitos de plantadeira com a 18 km/h e 12 km/h, ambas deixando falhas na lavoura. A terceira imagem mostra os efeitos de plantadeira a 6km/h

Diferentes velocidades de plantio e efeitos na plantabilidade

(Fonte: Sistema Ocepar)

Todos os fatores estão intimamente relacionados e atrelados às condições do campo, como o tipo de solo e sistema de produção (com ou sem palhada).

Não existe uma única fonte de problemas, mas diversas que vão se acumulando caso não sejam bem manejadas.

Avalie a plantabilidade com um software de gestão

Felizmente, é possível identificar problemas de plantabilidade a tempo de replantar a área. 

Uma forma eficiente de fazer isso é com a visualização de mapas NDVI. Eles apontam, a partir de imagens de satélite, falhas na linha de semeadura, como no exemplo da imagem abaixo.

Imagem de mapa NDVI, com linhas vermelhas que indicam problemas de plantabilidade em dois cantos da lavoura

A linha em cor vermelha no mapa NDVI indica possível problema de plantabilidade

Com o Aegro, sistema de gestão rural, você tem acesso a esse recurso e ainda pode solicitar uma avaliação ao seu monitor ou planejar uma nova tarefa de plantio, tudo em poucos cliques.

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banner-gerenciando o maquinário agrícola

Conclusão

Os grãos, com destaque para a soja e o milho, têm potencial de crescimento conforme os manejos e tecnologias avançam.

Além de um bom manejo, você deve ficar sempre de olho na plantabilidade. Afinal, ela tem grande importância nos sistemas de plantio e pode garantir uma safra mais produtiva.

Conheça bem os principais pontos que interferem na plantabilidade. Os mantenha sob controle e bem alinhados, e na dúvida, consulte um engenheiro-agrônomo!

E você, já enfrentou algum problema de plantabilidade na sua lavoura? Deixe seu comentário e conte sua experiência!

Saiba como o estilosante pode ser uma boa opção para a cobertura do solo

Estilosante: saiba como utilizar a leguminosa, suas vantagens, desvantagens e impactos na produção de grãos em sucessão

Se você precisa realizar cobertura do solo e adubação verde na sua lavoura, o estilosante pode ser uma ótima opção. A leguminosa pode ser utilizada de diversas formas. Ela fixa nitrogênio atmosférico e o incorpora ao solo. 

Por isso, é uma excelente alternativa para anteceder culturas como soja, milho, algodão e feijão.

Neste artigo, veja alguns motivos pelos quais você deve investir na utilização dos estilosantes e como e quando utilizá-los. Confira a seguir!

Quando e como o estilosante pode ser cultivado

O estilosante é uma leguminosa de clima tropical. Ela tem ciclo bienal e hábito de crescimento semi-prostrado. A planta pode chegar a cerca de 70 cm a 80 cm de altura.

Ela pode ser cultivada em solos arenosos e de baixa fertilidade, solteiro ou consorciado com gramíneas forrageiras. Seu sistema radicular é profundo, e pode atingir até 1,5 m de profundidade.

Seu cultivo é recomendado para regiões com pluviosidade mínima de 700 mm e máxima de 1800 mm. Não é recomendado para regiões com ocorrência de geadas.

A semeadura pode ser realizada a lanço ou em linhas. Você pode semear após  o preparo total do solo ou sobre a pastagem já formada.

A profundidade de semeadura não deve ultrapassar 2 centímetros.

Produz de 8 a 14 toneladas de matéria seca por hectare ao ano. Aos 40 dias após a emergência, devem estar estabelecidas em torno de 10 a 20 plantas/m2.

Quando consorciado com gramíneas, deve ser utilizado de 2 kg a 2,5 kg por hectare de sementes puras viáveis. A população da gramínea deve ser reduzida em 30%.

Os estilosantes demoram para se estabelecer. Assim que a gramínea começar a sombrear a leguminosa, a pressão de pastejo deve ser aumentada para favorecer o crescimento.

Consórcio de estilosantes com gramíneas

As gramíneas forrageiras mais recomendadas para o consórcio, são:

  • Brachiaria decumbens cv. Basilisk;
  • B. brizantha cvs. Marandu, Xaraés e Piatã;
  • B. humidicola cv. Humidicola e Andropogon, para solos arenosos de baixa fertilidade.

O estilosante é ótimo para anteceder o cultivo de grandes culturas como milho, soja, feijão e algodão.

A consorciação é importante por causa da decomposição mais lenta das gramíneas. O estilosante contribui para maior aporte de nitrogênio e rápida decomposição dos seus resíduos. Essa associação aumenta a proteção do solo, já que produz mais resíduos vegetais.

Utilização 

 É possível utilizar os estilosantes de diversas formas. Veja algumas delas:

  • Pastoreio;
  • Fenação;
  • Cobertura do solo;
  • Adubação verde;
  • Pode ser inserida na sucessão, consorciação e rotação de culturas.

Como o estilosante impacta a produção de grãos em sucessão

O estilosante é uma excelente planta de cobertura e beneficia as culturas em sucessão. Afinal, reduz a utilização de adubos nitrogenados.

Além disso, é uma ótima opção para o Sistema Plantio Direto e rotação de culturas. Seus nutrientes permanecem na palhada e favorecem a fertilidade da cultura seguinte.

Em consórcio com gramíneas forrageiras, reduz consideravelmente as perdas do solo.

Na tabela, informações sobre redução de perdas de solo com consórcio de Brachiaria brizantha com estilosantes.  Com brachiaria decumbens, as perdas são de 891 kh/ha/ano. Com brachiaria brizantha, as pernas são de 96 kg/ha/ano. Com brachiaria brizantha mais estilosantes, as perdas são de 10 kg/ha/ano.

 Redução de perdas de solo com a consorciação de Brachiaria brizantha com estilosantes

Fonte: (Adaptado de Dedecek et al. 2006)

Essa cobertura proporciona melhorias na fertilidade do solo e ajuda na supressão de plantas daninhas.

Com a rápida decomposição dos seus resíduos vegetais, deixam o solo descoberto e sujeito a erosão.

Por outro lado, essa rápida decomposição é benéfica para as culturas sucessoras, devido à rápida liberação dos nutrientes no solo.

Vantagens e desvantagens dos estilosantes

Veja alguns benefícios da leguminosa:

  • boa adaptação a solos arenosos e de baixa fertilidade;
  • alta tolerância ao alumínio;
  • tolerância a seca;
  • resistência à antracnose;
  • alta produção de sementes, favorecendo a ressemeadura natural em campo;
  • boa palatabilidade, digestibilidade e alto valor nutritivo para os animais;
  • excelente alternativa para recuperação de áreas degradadas;
  • redução de plantas daninhas na área;
  • adubação verde;
  • maior disponibilidade de nutrientes;
  • proteção do solo e diminuição dos riscos de erosão;
  • reduz os danos causados pelo uso intensivo do solo;
  • pode ser inserida na sucessão, consorciação e rotação de culturas;
  • baixo custo de implantação;
  • suas raízes auxiliam reduzem a compactação do solo.

Agora, veja algumas desvantagens da leguminosa:

  • baixa tolerância ao frio;
  • baixa tolerância a solos encharcados;
  • o consumo excessivo (mais de 40% da dieta animal) pode causar obstrução intestinal por fitobezoar em bovinos;
  •  estabelecimento lento.
diagnostico de gestao

Conclusão

O estilosante é uma leguminosa que pode ser utilizada  de diversas formas. Ela aumenta o aporte de nitrogênio pela fixação biológica e reciclagem de nutrientes.

Vale avaliar as vantagens e desvantagens da semeadura dos estilosantes, sempre considerando a cultura sucessora e as condições da lavoura.

Na dúvida, consulte um engenheiro-agrônomo e faça um bom planejamento!

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Restou alguma dúvida sobre o estilosante? Quais espécies você utiliza para a cobertura do solo? Adoraria ler seu comentário abaixo!

Espaçamento entre plantas e entre linhas: saiba qual é o ideal para a sua lavoura

Espaçamento entre plantas e entre linhas: entenda as variações e como ele pode ser otimizado em áreas com boas condições de produção 

Você sabe qual o espaçamento ideal entre plantas e entre linhas para a sua lavoura? 

O ideal é aquele que está mais condizente com a realidade da sua área de produção e com o que você produz.

Em qualquer cultura, o espaçamento pode ser utilizado para otimizar a produção e obter boas rentabilidades. Isso vale para lavouras temporárias ou permanentes.

Para saber o espaçamento ideal, você deve considerar as condições do solo, o regime hídrico, a variedade da cultura e a operacionalidade. Veja mais detalhes a seguir!

Importância do espaçamento entre plantas e entre linhas

Independente do tamanho da sua área de produção ou cultura, o espaçamento entre plantas e linhas é algo que deve ser sempre considerado.

As plantas precisam de um espaço mínimo para que não haja competição entre elas. Elas podem competir por luz, água e nutrientes do solo, o que gera baixa produção.

Com a evolução da agricultura, há diversas recomendações de espaçamento entre plantas e entre linhas. Elas são utilizadas após pesquisas comprovarem sua eficácia

Na busca por informações, você precisa saber exatamente a variedade a ser cultivada. Após isso, observe as recomendações de espaçamento mínimo.

O espaçamento determina o tráfego de maquinários na lavoura, na realização dos manejos durante o crescimento da planta e na colheita.

Um dos fatores importantes para determinar o espaçamento é a condição climática da sua área de produção. Você deve observar o regime pluviométrico, luminosidade e condições do solo e clima.

Estando de olho nesses fatores gerais, você já estará em um bom caminho. 

Linhas duplas (ou gêmeas) e plantio cruzado

O plantio em filas duplas (ou gêmeas) ou no plantio cruzado volta e meia despertam a atenção dos produtores de grãos. Afinal, a busca por maior produtividade é frequente.

Os estudos da Embrapa sobre plantios de soja em fileiras duplas demonstram que elas não geram maior produtividade. São semelhantes ao plantio convencional.

No plantio cruzado da soja, os resultados de produtividade também não têm sido relevantes.

Já no sorgo, as pesquisas mostram ganhos de produtividade no plantio em fileiras duplas, assim como no plantio de milho.

Espaçamento para a soja

A soja é cultivada no espaçamento de:

  • 40 cm a 50 cm entre linhas;
  • 5 cm a 16 cm entre plantas na linha. 

A soja tem uma parte do rendimento atribuído a fatores genéticos e a outra parte ao manejo da lavoura. O espaçamento entre plantas e entre linhas faz parte desse manejo. 

O adensamento de plantas varia conforme o quadro abaixo:

Tabela que mostra o espaçamento correto entre plantas, de acordo com os hectares

Adensamento pode chegar a 450.000 por m²

(Fonte: Embrapa)

No cultivo de soja, um dos objetivos do espaçamento é reduzir a competição das plantas por água, luz e nutrientes. Além disso, evita a propagação de pragas e doenças.

Para produzir bem, a soja precisa de melhor aproveitamento da irradiação solar na área foliar. Isso garante a fotossíntese necessária para o crescimento das plantas.

Um estudo da Embrapa mostrou que o adensamento de plantas no espaçamento de 25 cm entre linhas resultou em 4,7 sacas de 60 kg/ha a mais de soja. Esse número foi comparado ao resultado no espaçamento de 50 cm.

No sistema mais adensado, ocorre o aumento mais rápido da área foliar. A consequência é que o crescimento da planta é acelerado, fazendo com que haja o acúmulo de massa para produção de grãos.

Espaçamento para o milho

A semeadura de milho tem espaçamento reduzido. Ele varia entre:

  • 45 cm e 50 cm entre linhas;
  • 6 a 7 sementes por metro.

As orientações sobre espaçamento para o milho são semelhantes às da soja. Isso quanto a consulta ao Zarc e às especificações das sementes/cultivares.

No caso do milho, fique de olho no espaçamento adequado para a finalidade do cultivo: milho silagem, pipoca, doce, grão, milho branco ou minimilho.

A diferença se dá mais com o milho silagem. Geralmente, ele é cultivado com 50 cm a 75 cm entre linhas. Assim, sobra mais espaço para o manejo de pragas e durante a colheita com máquinas.   

O maior adensamento do  proporciona uma cobertura mais rápida do solo, melhor aproveitamento da radiação solar e redução de ervas daninhas do milho.

No entanto, o adensamento pode favorecer as doenças, devido à menor aeração e do microclima favorável.

Densidade da plantação de milho: imagem mostra redução de espaços, que favorece a cobertura do solo

Densidade da plantação do milho: redução de espaços favorece a cobertura do solo

(Fonte: Embrapa)

O rendimento do milho, assim como da soja, depende de outros manejos e especificidades genéticas das sementes. Condições climáticas favoráveis também são importantes.

Espaçamento para o trigo

A semeadura do trigo é bem diferente da soja e do milho:

  • Nas linhas a distância é de 20 cm, mas pode chegar até 17 cm.  A profundidade varia entre 2 cm a 5 cm;
  • A densidade indicada é de 350 a 450 sementes por metro quadrado. Em área irrigada, entre 270 a 350 sementes por metro quadrado. 

O Zarc do trigo também é uma ferramenta importante para você. Com ela, você pode saber a época certa de realizar o plantio e reduzir os riscos da atividade.

Espaçamento para o café

O espaçamento das lavouras de café, assim com todas as permanentes, são bem variáveis:

  • o espaçamento entre linhas varia entre 3,5 m a 4 m;
  • o espaçamento entre plantas varia entre 50 cm a 1 m.

As principais influências no espaçamento são o manejo e os tratos culturais, que envolvem também a poda.

A introdução de máquinas, sobretudo durante a fase da colheita, é um dos principais fatores que devem ser observados na implantação da lavoura.

O cafeeiro leva de 3 a 5 anos para produzir. Após implantado, pode chegar até 25 anos de vida, em produção anual.

Assim, a decisão no espaçamento na produção de café é algo que não dá para mudar.

A maior distância de uma planta para outra é mais recomendável para áreas de sequeiro. Para áreas irrigadas, o adensamento é mais possível de ser feito.

Cuide do manejo de semeadura

Além de cuidar do espaçamento entre linhas e entre plantas, é necessário realizar um bom manejo de semeadura para garantir bons resultados. 

Atente-se para a época certa da semeadura. Uma cultivar pode ser ideal para determinada época e não render bem em outra. Na época correta, há condições favoráveis à expressão do potencial genético da semente.

A Embrapa orienta que você se atente à melhor época de plantio da sua região, que pode não ser a mesma de outros locais.

Para reduzir os riscos, consulte o Zarc (Zoneamento Agrícola de Risco Climático) da soja no Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).

Os estudos da Embrapa nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste apontam que as maiores produtividades da soja são das semeaduras realizadas entre outubro e novembro.

Nessa época, as condições climáticas (chuvas, luminosidade, temperatura do ar e solo e fotoperíodo) são ideais para o crescimento, florescimento e enchimento dos grãos.

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Conclusão

O espaçamento entre plantas e entre linhas faz parte do manejo de semeadura. É uma das fases mais importantes da produção, já que ele interfere na produtividade.

O sucesso da lavoura, contudo, também dependerá de outros fatores.

A diminuição dos riscos para a semeadura pode ser reduzida consultando o Zarc.

Buscar orientação/informação técnica sobre a semente que será utilizada no plantio é algo que você deve fazer sempre. Assim, terá certeza da época certa para a semeadura.

>> Leia mais: “Como melhorar a plantabilidade e corrigir falhas e duplas na lavoura”

Como você calcula o espaçamento entre plantas e entre linhas dos seus cultivos? Já procurou ajuda de um profissional da área para te ajudar? Deixe seu comentário!

Saiba como a drenagem do solo na agricultura melhora as condições da sua lavoura

Drenagem do solo na agricultura: entenda o que é, formas de realizar, efeitos do excesso de água nas plantas, benefícios da drenagem do solo e muito mais

A drenagem artificial do solo é uma técnica que remove o excesso de água da área. Essa remoção possibilita a exploração econômica a longo prazo de diversas culturas.

A drenagem é recomendada para áreas em que a capacidade de drenagem natural seja insuficiente para a tolerância hídrica das plantas.

Essa prática favorece as condições de aeração, umidade, atividade microbiana e estruturação do solo.

Confira a seguir um pouco mais sobre essa técnica de manejo tão importante para a agricultura.

Formas de drenar a água do solo

O processo de drenagem na agricultura pode ser realizado de duas formas: superficial e subterrânea. Somente um profissional habilitado consegue determinar qual a melhor forma de drenar a água da área.

A drenagem superficial retira o excesso de água acumulado na superfície do solo. Nesse caso, o excesso de água pode ser provocado por chuvas intensas, aliadas à baixa taxa de infiltração de água no solo. 

Essa técnica consiste na abertura de valas ou canais para escoamento do excesso de água.

Imagem de canais escavados para drenagem da água presente na superfície do solo.  O primeiro canal é reto, e o segundo é curvilíneo.

Canais escavados para drenagem da água presente na superfície do solo

(Fonte: Drenagem – Materiais e Instalação)

A drenagem subterrânea controla o nível do lençol freático a uma profundidade que não prejudica o desenvolvimento das plantas. 

Esquema que mostra tubos de drenagem subterrânea em solos mal drenados.

Tubos de drenagem subterrânea colocados em solos mal drenados

(Fonte: Traduzido de University of Minnesota Extension)

Como fazer a drenagem do solo na agricultura

A técnica de drenagem do solo é complexa. Ela deve ser feita por profissionais habilitados

Não existe receita para esse processo. Cada caso deve ser avaliado individualmente, considerando fatores como:

  • origem do excesso de água;
  • condições climáticas;
  • estudos hidrológicos;
  • topografia do terreno;
  • propriedades do solo;
  • fisiologia das plantas;
  • planejamento do uso da terra;
  • recursos financeiros disponíveis.

A partir dessas informações, é possível elaborar um projeto bem dimensionado e viável tecnicamente.

Na drenagem agrícola, é possível utilizar bombas para acelerar o processo. No entanto, o uso de motores para retirada da água pode encarecer a drenagem.

É importante lembrar que o projeto também precisa ser viável economicamente. Como os custos do processo de drenagem são altos, todo o cenário precisa ser avaliado com cuidado para o melhor direcionamento dos recursos. 

Além disso, o projeto precisa ser elaborado para minimizar os impactos ambientais.

Problemas da drenagem ineficiente e do excesso de água para as plantas

A água é indispensável para o desenvolvimento da agricultura. No entanto, o excesso dela pode prejudicar e inviabilizar a produção.

Quando realizada de forma ineficiente, a drenagem pode não retirar todo o excesso de água. Dessa forma, o solo não irá apresentar condições favoráveis ao desenvolvimento das plantas.

A seguir, você pode conferir os efeitos que o excesso de água pode causar à sua lavoura: 

  • redução do crescimento do sistema radicular;
  • redução do tamanho das plantas;
  • redução das trocas gasosas do solo;
  • redução da fixação de nitrogênio;
  • amarelecimento das folhas, em função da deficiência de nitrogênio;
  • queda das folhas e de estruturas reprodutivas;
  • favorecimento do aparecimento de doenças;
  • morte das plantas;
  • queda de produtividade.

Salinidade do solo

A salinização é resultado do aumento da concentração de sais na solução do solo. Em níveis elevados, ela compromete o desenvolvimento das plantas e a produtividade.

No Brasil, esse processo tem maior ocorrência nas regiões áridas e semi-áridas do Nordeste

Alguns fatores que colaboram para o processo de salinização do solo nessas regiões são:

  • solos rasos ou com drenagem ineficiente;
  • lençol freático pouco profundo e salino;
  • baixo índice pluviométrico;
  • alto déficit hídrico.

A baixa qualidade da água e a baixa eficiência do sistema de irrigação também contribuem para acumular sais na região do solo onde está o sistema radicular das plantas.

A irrigação e a drenagem subterrânea atuam juntas no controle dos níveis de sais presentes no perfil do solo.

A água da irrigação deve ser aplicada em quantidade que possibilite a infiltração por toda a profundidade do sistema radicular. Assim, ela promove a lixiviação dos sais. 

Enquanto isso, a drenagem subterrânea controla a profundidade do lençol freático, a um nível abaixo da zona radicular das plantas.

É importante ressaltar que irrigação e drenagem são técnicas complementares, e de grande importância para a agricultura. 

Benefícios da drenagem agrícola

Confira a seguir os benefícios da drenagem do solo na agricultura:

  • viabiliza a produção agrícola em solos encharcados ou alagados;
  • melhora as condições do solo para o desenvolvimento das plantas;
  • saneamento de áreas inundadas;
  • aumento da produtividade;
  • controle da salinidade do solo;
  • recuperação de áreas com problemas de salinidade.
diagnostico de gestao

Conclusão

A drenagem do solo remove o excesso de água e melhora as condições para o desenvolvimento das plantas.

A técnica pode ser realizada de duas formas: superficial e subterrânea.

Existem muitos benefícios na drenagem do solo. Novas áreas para a agricultura podem ser incorporadas e a salinidade do solo pode ser controlada.

Além disso, as condições do solo para o desenvolvimento das plantas melhoram e há  aumento da produtividade

Procure um profissional habilitado para o planejamento desse processo. Assim, a água será retirada de forma eficiente, e os impactos ambientais serão reduzidos.

>> Leia mais:

Como a irrigação de precisão pode otimizar o uso da água e gerar economia na fazenda

DNA do Solo: Como analisar e fazer um manejo mais efetivo da lavoura

Você já conhecia a técnica de drenagem do solo na agricultura? Conte sua experiência nos comentários.

Como melhorar a qualidade do solo com o terraceamento

Terraceamento: conheça a prática conservacionista que visa ao controle da erosão e à conservação do solo e da água

Você já pensou em usar o terraceamento para evitar a erosão do solo e melhorar a infiltração de água na lavoura? Além de ajudar na compensação ambiental por preservar o solo, essa técnica ajuda nas altas produtividades da cultura.

Além desses benefícios, essa prática também ajuda a manter o solo fértil e produtivo.  Conhecer o tipo de solo é essencial para escolher qual técnica utilizar.

Neste artigo, você vai aprender a fazer o terraceamento e a definir o tipo ideal para a sua propriedade. Confira a seguir!

O que é o terraceamento agrícola?

O terraceamento é uma prática que evita a erosão do solo, retém a água no terreno e mantém a produtividade e a fertilidade do solo

A técnica consiste na construção de terraços para reduzir o escoamento da água da chuva. 

Ilustração que demonstra a função do terraço: reter a água da enxurrada.

A função do terraço é reter a água da enxurrada

(Fonte: Lombard Netto et al., 1994)

Ilustração que mostra as partes que compõem um terraço: o aterro, o corte e o nível original do terreno.

Partes componentes de um terraço

(Fonte: Bertolini & Cogo, 1996)

A área da lavoura é dividida em curvas de nível. Nelas, são construídos os terraços no sentido transversal ao escoamento da água. O objetivo é reduzir a velocidade da enxurrada. Os benefícios podem ser potencializados com a utilização de outras práticas conservacionistas do solo, como:

Como fazer o terraceamento?

Seguindo as recomendações da Embrapa, é possível realizar um terraceamento com trator e arado. Bastam apenas cinco etapas.

Alguns materiais e equipamentos são necessários. Você precisará de uma trena com 30 metros, de piquetes de madeira para cada 15 metros da sua lavoura e de uma mangueira de pedreiro com 35 metros.

Além disso, um trator agrícola 75 cavalos e arados de três discos são essenciais.

1ª etapa: definição da textura do solo

É preciso definir se a textura do solo da sua propriedade é arenosa ou argilosa. Afinal, ela é importante para definir a distância entre os terraços.

2ª etapa: definição da declividade do solo

  1. Pegue um piquete de madeira e coloque na parte mais alta do terreno. Você deve medir 30 metros no sentido morro abaixo. Então, coloque o segundo piquete.
  2. Encha a mangueira de pedreiro com água. 
  3. Coloque uma ponta da mangueira no piquete de cima e a outra ponta no piquete de baixo.
Esquema que demonstra como colocar a mangueira com água nos piquetes de madeira

Esquema de como colocar a mangueira com água nos piquetes de madeira

(Fonte: Embrapa, 2016)

  1. Meça a distância de onde se encontra a extremidade da água na mangueira até a superfície do solo nos dois piquetes.
  2. Para calcular a declividade, basta subtrair o valor encontrado no piquete de baixo pelo valor encontrado de cima.

Por exemplo: 

  • piquete de baixo = 2,0 m; 
  • piquete de cima: 0,5 m 
  • (2,0 – 0,5 = 1,5 m). 

Pegue o valor (1,5 m), multiplique por 100 e divida por 30. Essa é a distância entre os piquetes. Agora, encontre a declividade deste ponto do terreno, que é de 5%.

Se observar mudança na declividade do terreno, repita o procedimento.

3ª etapa: definição da distância entre os terraços

Com a textura e o valor da declividade do passo anterior (5%), é possível definir a distância entre os terraços. Use a tabela abaixo como referência:

Tabela que demonstra a declividade dos tipos de solo (arenoso e argiloso), e a melhor distância entre os terraços, de acordo com esses dados.

(Fonte: Embrapa, 2016)

Se o solo for arenoso, o espaçamento entre os terraços será de 19,20 metros. Se o solo for argiloso, será de 21,95 metros. Por fim, marque as distâncias entre os terraços com o uso da trena e dos piquetes.

4ª etapa: piqueteamento da curva de nível

  1. Pegue a mangueira de pedreiro com água e os piquetes.
  2. Coloque uma ponta da mangueira no primeiro piquete que já está posto no terreno. 
  3. Em seguida, procure o mesmo nível da mangueira para colocar o segundo piquete, a 30 metros ao lado. Faça isso até o fim do terreno.
  4. Com a primeira curva em nível já marcada, marque as demais curvas pelo mesmo procedimento no terreno abaixo. 
  5. Como foram colocados piquetes a cada 30 metros, é preciso suavizar a curva. Isso é possível ao colocar piquetes intermediários a cada 15 metros, sem que seja necessário o uso da mangueira.
Esquema que mostra a marcação das curvas em nível do terraço, através dos piquetes de madeira.

Marcação das curvas em nível com piquetes de madeira

(Fonte: Embrapa, 2016)

Assim, você terá as curvas em nível marcadas no terreno.

5ª etapa: construindo terraço com trator e arado

Finalizadas as etapas anteriores, comece a construção dos terraços. Você precisa regular o arado no trator da seguinte forma:

  • o terceiro disco deve cortar mais profundamente o solo, em torno de 30 centímetros;
  • o primeiro disco deve cortar mais superficialmente, em torno de 10 centímetros.

O arado deve ficar inclinado, com a parte de trás mais para baixo.

Ilustração que demonstra a inclinação adequada do arado de discos do trator, a fim de construir os terraços.

Inclinação adequada do arado de discos para construção dos terraços

(Fonte: Embrapa, 2016)

Corte o terreno, jogando o solo da parte de cima para a parte de baixo. Faça isso até o final da curva em nível. Em seguida, volte cortando o solo, jogando de baixo para cima.

Faça isto o quanto for necessário. A base do terraço deve ter:

  • entre 1,5m e 2,0m de largura;
  • 70 cm de altura no meio do terraço.
Ilustração de um terraço finalizado, com 1,5 a 2 metros de largura por mais de 70 centímetros de de altura.

Terraço finalizado com altura e largura adequadas

(Fonte: Embrapa, 2016)

Enfim, o seu terraço estará pronto.

Tipos de terraços

Os terraços podem ser classificados das seguintes maneiras:

  • quanto à função;
  • à largura da base ou faixa de terra movimentada;
  • ao processo de construção;
  • à forma do perfil do terreno.

Quanto à função

Terraço em nível ou infiltração

Este tipo de terraço é recomendado para solos com até 12% de declividade e com boa permeabilidade.

Ele deve ser construído com o canal em nível, e suas extremidades bloqueadas devem impedir a interceptação da água da chuva. Assim, haverá posterior infiltração no perfil do solo.

Sua principal função é facilitar a infiltração da água da chuva no perfil do solo.

Terraço em desnível ou de escoamento

Este tipo de terraço é recomendado para solos com até 20% de declividade e com permeabilidade lenta.

Ele deve ser construído com o canal em pequeno desnível. Uma de suas extremidades devem estar abertas para o escoamento da água para bacias de captação.

Sua principal função é escoar e conduzir a água da chuva para fora da área.

Quanto à largura da base ou faixa de terra movimentada

Terraço de base estreita

A faixa de movimentação de terra é de até 3 metros de largura. Uso restrito a pequenas propriedades com terrenos muito íngremes.

Ilustração da seção transversal do terraço, com base estreita

Seção transversal de terraço base estreita

(Fonte: Pedro Luiz Oliveira de Almeida Machado, 2014)

Terraço de base média

A faixa de movimentação de terra é de 3 a 6 metros de largura. Recomendado para pequenas ou médias propriedades, e para solos com declividades de 10% a 12%.

Ilustração da seção transversal do terraço de base média

Seção transversal de terraço base média

(Fonte: Pedro Luiz Oliveira de Almeida Machado, 2014)

Terraço de base larga

A faixa de movimentação de terra é de 6 m a 12 m de largura. Esse tipo de terraço é adequado para declividades entre 6% e 8%.

Ilustração da seção transversal do terraço de base larga

Seção transversal de terraço base larga

(Fonte: Pedro Luiz Oliveira de Almeida Machado, 2014)

Quanto ao processo de construção

Tipo Nichol’s ou Canal

É construído pela movimentação do solo de cima para baixo, formando um canal triangular. Pode ser construído em declividades de até 18%.

Ilustração do canal do tipo Nichol's ou canal

(Fonte: Pedro Luz, 2018)

Na faixa de construção do canal, não é possível o cultivo agrícola.

Tipo Mangum ou camalhão

É construído pela movimentação do solo de cima para baixo e de baixo para cima, formando um canal largo e raso. Indicado para solos de menor declividade.

Ilustração do terraço do tipo camalhão ou magnum

(Fonte: Pedro Luz, 2018)

Quanto à forma do perfil do terreno

Tipo comum

Constituído por um canal com camalhão construído em nível ou em desnível. É o tipo de terraço mais utilizado no Brasil, recomendado para solos com declividade inferior a 18%.

Ilustração de um terraço do tipo comum

Terraço tipo comum

(Fonte: Bertolini et al. 1989)

Tipo Patamar

Recomendado para solos com declividade maior que 18%. Também é recomendado para culturas de alto retorno econômico, devido ao alto custo de construção.

Ilustração de um terraço do tipo patamar

Terraço tipo patamar

(Fonte: Bertolini et al. 1989)

No patamar do terraço,é feita a semeadura da cultura. A parte do talude deve ser recoberta com uma planta de cobertura.

Tipo Comum Embutido

Pode ser construído com motoniveladora ou com trator de lâmina frontal, para formar um canal triangular. Forma um talude que separa o canal do camalhão na vertical.

Ilustração de um terraço do tipo comum embutido

(Fonte: Pedro Luz, 2018)

Apenas uma pequena área fica inutilizada para o cultivo. Muito utilizado em áreas com cana-de-açúcar.

Tipo Murundum ou Leirão

São caracterizados pela grande movimentação de solo. Precisam de trator de lâmina frontal, e por isso os custos são mais altos.

Esse tipo de terraço dificulta a movimentação de máquinas agrícolas. Devido a altura, a área do camalhão não pode ser cultivada.

Ilustração de um terraço do tipo murundum ou leirão

(Fonte: Pedro Luz, 2018)

Recomendado apenas para áreas que necessitam reter um grande volume de água.

Qual tipo de terraceamento escolher?

Diante dos inúmeros tipos de terraços, existem algumas características que auxiliam na escolha do tipo adequado para a sua propriedade. Veja:

  • topografia do terreno;
  • características do solo;
  • condições climáticas;
  • cultura a ser implantada;
  • sistema de cultivo;
  • disponibilidade de máquinas agrícolas na propriedade.

Vantagens do terraceamento

Veja algumas vantagens do terraceamento agrícola:

  • é uma prática que conserva o solo;
  • provoca maior infiltração de água no solo;
  • controla a erosão do solo;
  • evita o carregamento de adubo e matéria orgânica;
  • mantém o solo fértil e produtivo;
  • favorece o desenvolvimento das culturas.

Desvantagens

Apesar de todas as vantagens, existem desvantagens importantes:

  • custos com maquinários para construção dos terraços;
  • contratação de mão de obra especializada para construção dos terraços;
  • em alguns tipos de terraço a área útil de cultivo pode ser diminuída;
  • necessário a manutenção adequada dos terraços.

Software para o dimensionamento de terraços

Software para o dimensionamento de terraços

A nova metodologia é realizada por meio do software Terraço for Windows, desenvolvido pela UFV (Universidade Federal de Viçosa). Ele foi validado pela Embrapa de Passo Fundo e difundido pela Epagri.

O software utiliza como base a declividade do terreno, a infiltração de água no solo e o histórico de chuvas da região.

O objetivo da metodologia é construir terraços em nível para concentrar toda a água da chuva dentro da lavoura.

guia - a gestão da fazenda cabe nos papéis

Conclusão

O terraceamento agrícola é uma prática conservacionista que pode trazer inúmeros benefícios. Os terraços protegem a lavoura da erosão e armazena água nos períodos de estiagem.

Antes de utilizar a técnica, não se esqueça de avaliar todas as condições da sua propriedade. Afinal, existem muitas formas de realizá-la e escolher a ideal depende de um bom planejamento.

Agora que você tem essas informações e sabe de todas as vantagens e desvantagens do terraceamento agrícola, fica mais fácil tomar uma decisão. 

>> Leia mais:

Veja como funciona a compensação ambiental e seus benefícios

“Entenda o Diagnóstico Rápido da Estrutura do Solo (DRES) e como ele pode ser útil para sua lavoura”

“Como fazer amostragem de solo com estes 3 métodos diferentes”

Restou alguma dúvida sobre o tema? Você realiza ou pensa em realizar o terraceamento em sua fazenda? Adoraria ler seu comentário abaixo!

Como tornar o cultivo em terras baixas mais eficiente e lucrativo

Cultivo em terras baixas: entenda a importância da adoção dessa estratégia e como torná-la mais produtiva

Existem grandes áreas de várzeas disponíveis para o cultivo de culturas de sequeiro, em rotação com o arroz irrigado.

Conhecer e investir em técnicas de cultivo nessas áreas é essencial para o sucesso das lavouras. Esse é um dos grandes desafios dos produtores. Através da técnica de sulcos-camalhões, grandes produtividades em terras baixas têm sido alcançadas.

Entenda como funciona essa técnica em culturas de sequeiro e como melhorar a produtividade. Confira a seguir!

O que são terras baixas

As terras baixas são áreas de várzea, com relevo plano e altitude próxima ao nível do mar. 

Essas áreas apresentam algumas características limitantes para o cultivo de culturas de sequeiro. Isso porque apresentam drenagem deficiente do solo. A drenagem do solo é uma premissa básica para iniciar o cultivo de culturas de sequeiro nessas áreas.

Quando essas limitações em terras baixas são solucionadas, a rotação de culturas de sequeiro com arroz irrigado pode proporcionar benefícios como:

Diversas culturas de sequeiro podem ser utilizadas em rotação com o arroz irrigado:

A soja é a principal cultura de sequeiro utilizada em rotação com arroz em terras baixas.

Como tornar eficiente o cultivo em terras baixas

O cultivo em terras baixas é eficiente após a correção das suas limitações. Após a correção, as culturas de sequeiro são produtivas e rentáveis nas áreas de várzea. Veja quais são os principais fatores limitantes:

  • a deficiente drenagem natural do solo;
  • a ocorrência frequente de períodos de estiagem;
  • a alternância entre o excesso e o déficit de umidade no solo;
  • a compactação do solo.

O solo precisa ter um ambiente radicular favorável e sem limitações físicas para o crescimento das plantas. Essas características tornam o cultivo em terras baixas eficiente e lucrativo.  Nesse ambiente, a planta expressa o seu máximo potencial produtivo.

gráfico de relação tridimensional entre rendimento de grãos, parâmetros físicos do solo e nodulação na soja em terras baixas

Relação tridimensional entre rendimento de grãos, parâmetros físicos do solo e nodulação na soja em terras baixas
(Fonte: Adaptado de Sartori)

Como contornar as dificuldades do cultivo em terras baixas

É importante se atentar a essas limitações. Assim, você poderá realizar uma implantação e manejo da lavoura adequados.  Nessas áreas, são necessárias técnicas de manejo que proporcionem um ambiente melhor drenado

Uma alternativa eficiente para investir em áreas de várzea é o sistema de sulco-camalhão. Conheça melhor essa técnica!

Técnica de sulco-camalhão

O sistema de sulco-camalhão é uma técnica de irrigação e drenagem. Ela é indicada para áreas de relevo pouco declivoso e com solo de baixa permeabilidade.

A técnica é baseada na construção de um “canteiro”. Na parte alta, ou camalhão, são cultivadas as culturas de sequeiro. Entre os camalhões, são formados os sulcos laterais. Eles servem para o escoamento da água de drenagem e irrigação.

Entre eles, transitam os rodados das máquinas agrícolas.

Esquema de como a cultura de sequeiro é implantada no sistema sulco-camalhão

Esquema de como a cultura de sequeiro é implantada no sistema sulco-camalhão
(Fonte: Bredemeier, 2020)

A utilização da técnica melhora a drenagem superficial do solo e, ao mesmo tempo, permite irrigação suplementar pelos sulcos. Ou seja, o mesmo sulco que irriga também drena o solo.

O principal objetivo da técnica é atingir níveis altos e estáveis de produtividade, com rentabilidade. Ela já gerou bons resultados na produtividade da soja sequeiro.

Como aplicar a técnica de sulco-camalhão?

Para construir os sulcos-camalhões, você precisa realizar a:

Para a construção, você pode utilizar os equipamentos disponíveis na propriedade. Os sulcos-camalhões podem ser adotados por pequenos, médios e grandes produtores.

Em propriedades pequenas, é possível utilizar o arado de aiveca para construção dos camalhões, no sentido da declividade da área.

Já para médias e grandes propriedades, existem no mercado implementos específicos para a construção dos camalhões.

Na figura abaixo, você pode verificar como eles são construídos.

Esquema da confecção dos camalhões

Esquema da confecção dos camalhões
(Fonte: Beauchamp, 1952; Silva et al. 2006)

Após a construção dos camalhões, são semeadas duas linhas da cultura de sequeiro na parte mais alta. Faça isso com auxílio da semeadora disponível na propriedade, com o espaçamento recomendado para a cultura.

Resultados do cultivo de soja em terras baixas e outras vantagens

Em culturas de sequeiro em áreas de terras baixas, têm surgido resultados positivos do emprego da técnica de sulco-camalhão.

Veja algumas vantagens:

  • Evita problemas relacionados ao excesso ou deficiência hídrica;
  • Os sulcos fazem drenagem e irrigação;
  • Os camalhões podem ser construídos antes ou no momento da semeadura;
  • O uso do sistema é essencial para a obtenção de renda e estabilidade produtiva da soja em terras baixas.

A safra 2019/2020 foi extremamente seca, com perdas de produtividade nas áreas não irrigadas. 

Nas áreas irrigadas por meio dessa técnica, os ganhos de produtividade chegaram a 20 sacas/ha em comparação às não irrigadas.

gráfico da produtividade da soja na safra 2019/2020 em áreas irrigadas por sulco-camalhão em comparação às não irrigadas

Produtividade da soja na safra 2019/2020 em áreas irrigadas por sulco-camalhão em comparação às não irrigadas
(Fonte: Pipe Brasil, 2021)

A safra 2020/2021 apresentou chuvas adequadas. Apesar disso, as áreas irrigadas com sulco-camalhão produziram, em média, 26 sacas/ha a mais que as áreas não irrigadas.

gráfico da produtividade da soja na safra 2020/2021 em áreas irrigadas por sulco-camalhão e áreas referências não irrigadas

Produtividade da soja na safra 2020/2021 em áreas irrigadas por sulco-camalhão e áreas referências não irrigadas
(Fonte: Pipe Brasil, 2021)

Os custos adicionais para a implantação e execução do sistema sulco-camalhão na safra 2019/2020 foram de 3,5 sacas/ha.

Na safra 2020/2021, os custos foram um pouco maiores, atingindo 4,0 sacas/ha. A técnica proporciona ótimo retorno econômico.

gráfico dos custos de produção da soja na safra 2019/2020 e 2020/2021 em áreas irrigadas por sistema sulco-camalhão

Custos de produção da soja na safra 2019/2020 e 2020/2021 em áreas irrigadas por sistema sulco-camalhão
(Fonte: Pipe Brasil, 2021)

Na soja cultivada em áreas de várzea e em rotação com o arroz irrigado, a técnica soluciona problemas de drenagem nos períodos de encharcamento.

Esses períodos são comuns no ciclo vegetativo da soja.

gráfico de comparativo de produtividade de soja cultivada em área convencional, escarificada e de camalhões de base larga

A soja cultivada em camalhões de base larga apresentou maior produtividade de grãos (kg ha-1), comparada aos sistemas de cultivo convencional, com e sem escarificação
(Fonte: Silva et al. 2020)

Desvantagens do cultivo em terras baixas

Essa técnica também apresenta algumas desvantagens, como: 

  • baixo rendimento operacional;
  • maior consumo de combustível;
  • dificuldade de uso em áreas de relevo irregular;
  • necessário o preparo do solo para implantação da cultura seguinte (arroz irrigado).
diagnostico de gestao

Conclusão

A drenagem do solo é a premissa básica para o cultivo de culturas de sequeiro em terras baixas. A soja é a principal cultura de sequeiro utilizada em rotação com arroz irrigado nessas terras.

A técnica de sulco-camalhão é uma alternativa para solucionar o problema de drenagem nessas áreas. A técnica é capaz de, ao mesmo tempo, drenar e irrigar o solo.

Invista nesse sistema em terras baixas para garantir o máximo potencial produtivo da sua lavoura. 

Você tem investido ou pensa em investir em técnicas de cultivo em terras baixas? Adoraria ler seu comentário abaixo! 

Entenda a importância da construção do perfil do solo e como ela impacta sua produtividade

Construção do perfil do solo: saiba quais práticas favorecem a fertilidade e como contornar os principais desafios relacionados

Conhecer e construir o perfil do solo é essencial para o sucesso das lavouras. Esse é um dos grandes desafios para os produtores brasileiros.

Quando bem realizada, a construção pode ser uma grande aliada do aumento da produtividade das culturas.

Quem investe na construção do perfil do solo compartilha bons resultados

Quer entender melhor como funciona a construção do perfil de solo e como utilizá-la em sua fazenda? Confira a seguir!

O que é perfil do solo

O perfil do solo é formado por uma sequência de camadas horizontais, chamadas horizontes. Esses horizontes iniciam-se na camada superficial do solo até chegar à camada de rocha. E o conjunto desses horizontes constitui o perfil do solo.

Ou seja, o perfil pode ser formado de diversos horizontes, que são as camadas que o constitui. Veja abaixo as principais características dos horizontes do solo:

infográfico dos horizontes do solo

Os horizontes do solo
(Fonte: Geophild, 2020)

Algumas características diferenciam esses horizontes, como:

  • cor;
  • textura;
  • composição;
  • estrutura;
  • atividade biológica;
  • tipos de agregados.

Objetivos da construção do perfil de solo

Os solos brasileiros são geralmente ácidos e de baixa fertilidade. Eles necessitam de manejo, correção e fornecimento adequado de nutrientes em seu perfil.

O equilíbrio adequado dos atributos químicos, físicos e biológicos do solo servem para que as plantas utilizem eficientemente os recursos disponíveis (água, luz e nutrientes). Dessa forma, elas expressam seu máximo potencial produtivo.

Neste sentido, é de grande importância o manejo correto do sistema como um todo. É necessário empregar práticas conservacionistas, como:

Qualquer uma dessas práticas serve para quem busca melhorar a fertilidade do solo em suas áreas de cultivo.

Perfil químico do solo

As correções químicas melhoram as condições que restringem o desenvolvimento das culturas.

A viabilização do uso do solo por meio da incorporação de calcário e adubos minerais é conhecida como a etapa da “construção da fertilidade”.

Essa etapa serve para manter o equilíbrio químico do solo, ou seja:

  • manter o pH do solo na faixa ideal para a cultura de interesse;
  • eliminar o alumínio tóxico do solo;
  • aumentar a disponibilidade de nutrientes;
  • fornecer nitrogênio, fósforo, cálcio, potássio, magnésio e outros nutrientes. 

Perfil físico do solo

Outro ponto importante para a construção do perfil do solo está na melhoria das suas propriedades físicas.

A adoção de práticas conservacionistas pode auxiliar nessa melhoria física. Elas proporcionam condições como: 

  • maior aeração e menor compactação do solo;
  • maior crescimento radicular das plantas;
  • maior retenção e infiltração de água no solo;
  • menor escorrimento superficial de água;
  • menor lixiviação de nutrientes.

Perfil biológico do solo

A construção do perfil do solo também envolve a conservação e melhoria das suas características biológicas.

Também através das práticas conservacionistas, é possível aumentar o aporte de matéria orgânica no solo.

A presença da matéria orgânica melhora a qualidade do solo. Isso porque proporciona benefícios como:

  • maior agregação do solo;
  • maior porosidade do solo;
  • favorecimento da penetração das raízes, ou seja, menor resistência do solo;
  • maior retenção e infiltração de água;       
  • maior absorção de nutrientes;      
  • liberação de exsudados;       
  • aumento da atividade e diversidade biológica do solo.

Como a construção do perfil de solo impacta a produção agrícola

Os solos de fertilidade construída diferenciam-se dos demais pelo seu manejo. Neles, são realizadas aplicações sucessivas de corretivos e fertilizantes.

Essas aplicações proporcionam efeitos residuais cumulativos. Esses efeitos aumentam os teores de macro e micronutrientes para níveis altos ou muitos altos. 

gráfico de aplicações sucessivas de corretivos e fertilizantes proporcionam efeitos residuais cumulativos que aumentam os teores de macro e micronutrientes para níveis altos ou muito altos

Aplicações sucessivas de corretivos e fertilizantes proporcionam efeitos residuais cumulativos que aumentam os teores de macro e micronutrientes para níveis altos ou muito altos
(Fonte: adaptada de Gianello e Wietholter, 2004)

Veja algumas características de solos de fertilidade construída:

  • altas produtividades das culturas;
  • altos teores de matéria orgânica do solo;
  • solo descompactado;
  • teores adequados de nutrientes;
  • maior retenção e infiltração de água.

O solo de fertilidade construída equivale a uma poupança que precisa ser administrada, com o recebimento e retirada de aplicações

Tudo isso deve ser feito na forma e momento mais adequado ao sistema produtivo.

infográfico, explica que os solos funcionam como “contas bancárias”, que guardam a capacidade de suprimento de nutrientes e água para as plantas

Os solos funcionam como “contas bancárias”, que guardam a capacidade de suprimento de nutrientes e água para as plantas
(Fonte: Resende, 2017)

Áreas com fertilidade construída, em solos de textura média a argilosa e sob sistema de plantio direto, podem manter sua estabilidade produtiva por um tempo. 

Isso é possível com aplicação de quantidades menores de fertilizantes, em comparação com a quantidade utilizada habitualmente. 

Desafios para a construção de perfil do solo

Ao utilizar as doses fixas de fertilizantes sem examinar a análise do solo e as estimativas de exportação, você pode aumentar o risco de promover desbalanço nutricional do solo.

Isso faz com que solos de fertilidade construída fiquem propensos a desequilíbrios nutricionais, devido às aplicações super ou subestimadas.

Realizar um manejo nutricional insatisfatório das lavouras pode ocasionar prejuízos futuros ao sistema de produção.

A análise química do solo é o primeiro passo para aprimorar a gestão de solos de fertilidade construída. Ela ajuda na determinação da quantidade de cada insumo a ser aplicado.

Esses solos não estão livres da ocorrência de desequilíbrios nutricionais. A manutenção dos nutrientes é um dos principais desafios de manejo, principalmente em sistemas intensivos de produção.

Cada cultura possui padrões peculiares de extração e exportação de nutrientes durante o ciclo.

A falta de equilíbrio entre adubação e exportação de nutrientes no sistema de produção pode ocasionar o esgotamento das reservas do solo

Como consequência, a condição de fertilidade construída é prejudicada.

tabela com estimativas de exportação de nitrogênio (N), fósforo (P2O5) e potássio (K2O), em lavouras de milho safrinha

 Estimativas de exportação de nitrogênio (N), fósforo (P2O5) e potássio (K2O), em lavouras de milho safrinha
(Fonte: Simão, 2016)

O acompanhamento das flutuações de nutrientes no solo é necessário. Há um confronto de entradas via adubação, saídas pela exportação e os teores disponíveis na análise do solo.

É importante identificar esses pontos para realizar a reposição, recolocando ou utilizando os créditos de nutrientes ao longo do tempo.

Dificuldades

Você pode encontrar algumas dificuldades na construção do perfil do solo, como:

  • alto investimento para a melhoria do perfil do solo;
  • o retorno econômico não é imediato;
  • o tempo para a construção de um perfil do solo de qualidade pode ser longo;
  • demanda maior conhecimento dos agrônomos e produtores;
  • necessidade de equipamentos modernos e de alta qualidade;
  • presença e auxílio de profissionais capacitados.

Práticas que favorecem a construção do perfil do solo

A análise química do solo é crucial para aprimorar a gestão de solos de fertilidade construída. Ela determina a quantidade de cada insumo a ser aplicado.

Normalmente, solos de fertilidade construída estão associados ao manejo adequado

Sistema plantio direto, rotação de culturas e uso de plantas de cobertura são apenas alguns exemplos.

Solos manejados sob sistema plantio direto podem manter ou aumentar os teores originais de matéria orgânica. Isso depende da região e do tempo de adoção do sistema.

Normalmente, os acréscimos de matéria orgânica são pequenos. Porém, são de grande importância para a capacidade produtiva do solo.

gráfico de teores de argila em áreas agrícolas da região Oeste da Bahia e respectivas perdas de matéria orgânica do solo e da capacidade de troca de cátions, após cinco anos de preparo do solo com aração/gradagem e monocultivo de soja

Teores de argila em áreas agrícolas da região Oeste da Bahia e respectivas perdas de matéria orgânica do solo e da capacidade de troca de cátions, após cinco anos de preparo do solo com aração/gradagem e monocultivo de soja
(Fonte: adaptado de Silva et al., 1994)

Como construir a fertilidade do solo?

A construção da fertilidade do solo envolve diversas práticas, como:

  • análises frequentes do solo;
  • rotação de culturas;
  • sistema plantio direto;
  • mínimo revolvimento do solo;
  • plantas de cobertura;
  • uso racional de defensivos e fertilizantes, entre outras.
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Conclusão

A construção da fertilidade do solo possui passos bem definidos.

Para a maior eficiência na construção da fertilidade é preciso investir na qualidade dos diagnósticos, a partir de análises mais frequentes do solo.

É importante que a adubação seja regulada em quantidade e qualidade. Assim, haverá um correto balanceamento dos nutrientes.

Invista na construção da fertilidade do solo de sua propriedade para garantir o máximo potencial produtivo da sua lavoura. 

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Você tem investido ou pensa em investir na construção do perfil do solo da sua fazenda? Realiza análises químicas, físicas e biológicas periodicamente? Adoraria ler seu comentário abaixo!