O que acontece com a safra que molhou após uma enchente?

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Descubra como as últimas inovações agronômicas estão sendo aplicadas para lidar com o desafio das safras alagadas no Rio Grande do Sul. Explore soluções práticas, desde técnicas de drenagem até estratégias de manejo do solo, para reduzir os impactos do excesso de água nas culturas e garantir a recuperação da produtividade agrícola.


Os temporais que têm assolado o estado do Rio Grande do Sul por mais de 10 dias deixaram um rastro de destruição em sua passagem. Segundo levantamentos, 425 das 497 cidades do estado foram afetadas pelos eventos climáticos extremos. Os danos à humanos e materiais são significativos, com o registro de 107 mortes confirmadas, enquanto 136 pessoas ainda estão desaparecidas. 

Além disso, cerca de 232,1 mil indivíduos foram forçados a deixar suas casas devido às inundações e deslizamentos de terra causados pelas fortes chuvas. A escala da devastação é ampla, afetando aproximadamente 1,476 milhão de pessoas, segundo estimativas da Defesa Civil. 

As enchentes que periodicamente atingem o estado do Rio Grande do Sul representam não apenas eventos climáticos extremos, mas também desafios recorrentes para a produção agrícola da região. 

A combinação de fatores climáticos adversos e questões relacionadas à gestão de recursos hídricos muitas vezes resulta em tragédias anunciadas, como evidenciado por uma linha do tempo dos eventos ligados à situação. 

No presente contexto, analisaremos não apenas os efeitos diretos das enchentes, como a destruição das lavouras e infraestrutura agrícola, mas também os efeitos indiretos, incluindo perdas econômicas, deslocamento de comunidades rurais e impactos a longo prazo na segurança alimentar e na economia rural

O acompanhamento dessa cronologia e a compreensão dos eventos associados fornecem insights cruciais para o desenvolvimento de estratégias de resiliência e adaptação para os agricultores e comunidades afetadas pelas enchentes no Rio Grande do Sul.

Boa leitura!

Enchentes no Rio Grande do Sul  

As recentes enchentes que assolaram o estado do Rio Grande do Sul, resultando no maior desastre natural dos últimos 40 anos na região, foram desencadeadas pela passagem de um ciclone extratropical. Esse sistema meteorológico trouxe consigo uma série de eventos climáticos extremos, incluindo fortes chuvas, rajadas de vento e até mesmo queda de granizo. 

O volume de chuvas foi excepcionalmente alto, com algumas cidades registrando toda a precipitação esperada para o mês de setembro em apenas uma semana. Esse acúmulo de água saturou o solo e fez com que os rios transbordassem, resultando em enchentes generalizadas e deslizamentos de terra em diversas áreas do estado. A situação foi agravada pela intensidade do ciclone, que se beneficiou de águas oceânicas mais quentes do que o normal, aumentando sua força e impacto. 

Figura 1. Rio Taquari no Rio Grande do Sul— Foto: Diego Vara/Reuters (2024)

Como resultado, muitas regiões, incluindo o Rio Taquari, enfrentaram a segunda maior enchente de sua história, com níveis de água atingindo quase 30 metros. Esse cenário de eventos extremos demonstra a importância de medidas de prevenção e adaptação para lidar com os impactos das mudanças climáticas, que estão contribuindo para a intensificação e frequência de sistemas meteorológicos como os ciclones extratropicais

A calamidade enfrentada no Rio Grande do Sul foi resultado da conjunção de diversos fatores, conforme apontado pelos especialistas:

  • A presença de um cavado, que é uma corrente intensa de vento, influenciou a instabilidade atmosférica na região, contribuindo para as condições climáticas adversas;
  • Um corredor de umidade vindo da Amazônia se somou a esse cenário, aumentando a intensidade e frequência das chuvas na área afetada;
  • O bloqueio atmosférico, associado a uma onda de calor, resultou na “secura” e calor no centro do país, desviando as chuvas para as áreas extremas, como o Rio Grande do Sul, exacerbando ainda mais os efeitos das enchentes.

Figura 2. Chuvas extremas no Rio Grande do Sul — Foto: Ighor Jesus/Arte g1 (2024)

Impacto na agricultura

As chuvas e enchentes recentes no Rio Grande do Sul tiveram um impacto devastador na agricultura do estado. Esses eventos climáticos extremos causaram inundações generalizadas, resultando na perda de lavouras, danos a infraestruturas agrícolas e perdas significativas de animais

Muitos agricultores enfrentam a difícil tarefa de recuperar suas terras cultiváveis, que foram inundadas por longos períodos. Além disso, as estradas rurais foram danificadas, dificultando o acesso às áreas afetadas e o escoamento da produção agrícola

Essas adversidades têm um impacto direto na economia agrícola do estado, com prejuízos financeiros consideráveis para os produtores rurais e para toda a cadeia produtiva relacionada ao setor agrícola. A incerteza em relação à recuperação das terras e à próxima safra agrava ainda mais a situação, levando muitos agricultores a considerar abandonar a atividade agrícola. 

Excesso de água na safra 2023/2024

Mas, o que ocorre com o excesso de água no solo e nas culturas?

Quando ocorre um excesso de água no solo ou inundação, como é o caso das enchentes, isso pode afetar significativamente o cultivo de arroz, feijão, soja e milho de várias maneiras, devido às suas diferentes características fisiológicas e exigências de crescimento.

Arroz

O arroz é uma cultura que pode tolerar condições de inundação temporária. Na verdade, o arroz alagado é uma prática comum em algumas regiões. No entanto, o excesso prolongado de água pode levar a problemas como a falta de oxigênio no solo, o que prejudica o crescimento das raízes e, consequentemente, afeta a absorção de nutrientes. Além disso, o acúmulo de água pode favorecer o desenvolvimento de doenças nessa cultura.

A produção de arroz enfrenta um desafio significativo devido às chuvas intensas, o que pode resultar em uma redução considerável na produtividade. As tempestades inundaram as lavouras, retardando ainda mais os trabalhos de campo. Essa situação pode afetar o abastecimento nacional, considerando que o estado é o principal produtor de arroz do país. 

Além disso, alguns relatórios indicam que estradas estão interditadas, dificultando o transporte do cereal. Os últimos dados reportados pelo Instituto Rio-Grandense do Arroz (IRGA) apontavam para um rendimento médio do estado esperado em 8.6 toneladas por hectare, porém, essa estimativa pode ser comprometida devido às condições adversas causadas pelas enchentes.

Feijão

 O feijão é mais sensível à inundação do que o arroz. O excesso de água pode resultar em falta de oxigênio nas raízes, levando à morte das plantas por asfixia radicular. Além disso, a saturação do solo pode causar o apodrecimento das sementes/grãos e o desenvolvimento de doenças fúngicas, como a podridão das raízes.

Soja

A soja é relativamente ‘tolerante’ à inundação temporária, mas o excesso de água pode reduzir a disponibilidade de oxigênio no solo, afetando o crescimento das raízes e a absorção de nutrientes. 

Isso pode resultar em crescimento retardado, amarelecimento das folhas e queda de flores e vagens. “Além disso, o excesso de umidade tende a elevar a acidez do óleo de soja, o que pode reduzir a oferta de boa qualidade deste subproduto, especialmente para a indústria alimentícia”, afirma o Cepea (2024).

Figura 3. Chuvas extremas em áreas de produção de soja — Fonte: Bing AI – EDGA 2024. 

Milho

O milho é mais sensível à inundação do que o arroz e a soja. O excesso de água pode causar danos significativos às raízes, levando à falta de oxigênio e à morte das plantas por asfixia radicular. Além disso, a saturação do solo pode resultar em perda de nutrientes, como nitrogênio, e aumentar o risco de doenças fúngicas

Para o milho, a condição permanece desafiadora. As inundações interromperam a colheita, mesmo estando em estágio avançado. De acordo com informações da Emater/RS, aproximadamente 83% das áreasdestinadas ao cultivo de milho já passaram pelo processo de colheita.

Figura 4. Situação dos silos com armazenamento de grãos no RS — Fonte: G1 2024 – Foto: Carlos Cogo.

Manejo futuro da lavoura

Após um episódio de excesso de água em uma área agrícola, algumas soluções agronômicas podem ser consideradas para mitigar os impactos e permitir a recuperação da produtividade:

  • Drenagem: implementar ou melhorar sistemas de drenagem para remover o excesso de água do solo, ajudando a restaurar condições ideais de umidade e oxigenação para as raízes das plantas;
  • Manejo do solo: realizar práticas de manejo do solo, como aração e gradagem, para melhorar a estrutura do solo e promover a drenagem adequada da água (desde que a área tenha mais excesso de água no solo para evitar compactação);
  • Fertilização balanceada: aplicar fertilizantes de forma equilibrada para fornecer os nutrientes necessários às plantas, especialmente após eventos de inundação que podem ter lixiviado os nutrientes do solo;
  • Monitoramento fitossanitário: fazer um acompanhamento rigoroso das condições das plantas para detectar e tratar rapidamente quaisquer problemas fitossanitários que possam surgir devido ao estresse causado pelo excesso de água;
  • Rotação de culturas: praticar a rotação de culturas para melhorar a saúde do solo e reduzir o risco de problemas relacionados ao alagamento em safras futuras;
  • Manejo de resíduos: remover resíduos vegetais ou detritos que possam obstruir a drenagem e contribuir para o acúmulo de água nas áreas agrícolas;
  • Monitoramento climático: estar atento às previsões meteorológicas e tomar medidas preventivas, como a construção de barreiras de contenção de água, para proteger as plantações de eventos climáticos extremos no futuro.

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Conclusão

Após uma enchente, as safras que foram molhadas enfrentam diversos desafios e consequências. 

Impacto direto nas lavouras e infraestrutura agrícola

  • As enchentes inundam os campos, sufocando as raízes das plantas e levando à morte das culturas. A destruição direta das lavouras afeta a produtividade e a renda dos agricultores;
  • Além disso, a infraestrutura agrícola, como galpões e equipamentos, também pode ser danificada pelas inundações, dificultando ainda mais a recuperação.

Impactos a longo prazo na segurança alimentar e economia rural

  • A disponibilidade local de alimentos é afetada, o que pode impactar a segurança alimentar da região;
  • A economia rural sofre, pois a agricultura é uma parte fundamental da economia do estado. Estratégias de resiliência e adaptação são essenciais para garantir a recuperação da produtividade agrícola no Rio Grande do Sul.

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Calcário calcítico: o que é e quando utilizar

Calcário calcítico: o que é, quais são os tipos de calcário, como escolher o melhor, quando utilizar, benefícios da calagem e muito mais.

Em geral, os solos brasileiros são naturalmente ácidos, apresentam baixa fertilidade e alumínio em níveis tóxicos para as plantas. Dessa forma, a calagem é uma prática fundamental na agricultura

Dentre os corretivos da acidez do solo, o calcário se destaca por ser o mais utilizado. Esse insumo é obtido pela moagem da rocha calcária e apresentado na forma de pó.

A seguir você pode conferir mais informações sobre os tipos de calcário e quando utilizá-los. Boa leitura!

O que é calcário calcítico

O calcário calcítico é um corretivo agrícola que tem em sua composição menos de 5% de óxido de magnésio. Em contrapartida, ele apresenta elevados valores de óxido de cálcio, de 45% a 55%. 

O calcário destinado à agricultura é dividido em três categorias de acordo com a concentração de óxido de magnésio (MgO): 

  • calcário calcítico;
  • calcário magnesiano;
  • calcário dolomítico.

 O calcário magnesiano tem em sua composição de 5% a 12% de óxido de magnésio e de 40% a 42% de óxido de cálcio. 

O calcário dolomítico tem mais de 12% de óxido de magnésio, porém apresenta baixo teor de óxido de cálcio, de 25% a 30%. 

Que tipo de calcário escolher e quando utilizar

A recomendação de calagem e a escolha do tipo de calcário dependem dos resultados da análise de solo e das necessidades da cultura a ser implantada.

O calcário dolomítico é o mais indicado para a maioria dos solos, por apresentar elevado teor de magnésio.

Os calcários do tipo magnesiano e dolomítico, além de neutralizar a acidez do solo, adicionam magnésio. Eles são a forma mais econômica de fornecer esse nutriente às plantas.

O mesmo não acontece quando se usa o calcário calcítico, que apresenta baixos valores de magnésio em sua composição. No entanto, é possível aplicar esse tipo de calcário e complementar a adubação com fertilizantes como sulfato de magnésio, carbonato de magnésio ou óxido de magnésio.

A relação entre cálcio e magnésio no solo deve ser de 3 a 4:1 mol (Ca:Mg). Nessa proporção, as plantas conseguem aproveitar os dois nutrientes sem que um interfira na absorção do outro.

Além dessas questões, é preciso se atentar aos custos. Em geral, o calcário rico em magnésio é mais caro que o calcítico.

No que diz respeito à correção da acidez do solo, o tipo de calcário não interfere na eficiência da calagem.

Como o calcário age no solo

Primeiramente, é importante deixar claro que o calcário precisa de tempo para reagir. Isso quer dizer que a calagem deve ser feita cerca de 2 a 3 meses antes do plantio da lavoura.

Além disso, o solo deve apresentar umidade superior a 80% da capacidade de campo para que as reações de solubilização do calcário ocorram. 

Após a aplicação do calcário no solo, ele reage com a água e libera Ca+2 (cálcio) e Mg+2 (magnésio), além de CO32¯ (carbonato) e HCO3¯ (bicarbonato). 

O carbonato e o bicarbonato possibilitam a formação de íons hidroxila (OH¯) que irão neutralizar os íons de hidrogênio livre (H+), responsáveis pela acidez do solo. 

Independente do tipo de calcário, a velocidade de reação depende da granulometria do produto, do grau de acidez do solo e se o corretivo foi ou não incorporado ao solo.

Benefícios da calagem

A calagem é uma prática indispensável na agricultura. Ela ajusta as propriedades químicas do solo às necessidades das culturas, o que viabiliza a produção em diferentes áreas. 

Confira a seguir os principais benefícios da calagem:

  • reduz a acidez do solo;
  • neutraliza a ação tóxica do alumínio (Al), ferro (Fe) e manganês (Mn);
  • fornece cálcio (Ca) e magnésio (Mg) para as plantas;
  • diminui a fixação do fósforo (P);
  • aumenta a disponibilidade de nutrientes, como nitrogênio (N), fósforo (P), potássio (K), enxofre (S) e molibdênio (Mo);
  • aumenta a Capacidade de Troca Catiônica (CTC) do solo;
  • melhora a atividade microbiana;
  • favorece a fixação biológica do nitrogênio
  • favorece o desenvolvimento radicular das plantas;
  • aumenta a produtividade das culturas.

Culturas como a soja e o milho são bastante responsivas à calagem e têm aumentos significativos de produtividade.

Como determinar a necessidade de calagem

A necessidade de calagem é determinada pela análise de solo. Somente a partir dos resultados dessa avaliação é estabelecida a quantidade de calcário a ser aplicada. 

O cálculo de calagem pode ser feito pelos seguintes métodos:

  • método da saturação por bases (V%);
  • método do alumínio trocável;
  • método pH SMP.

É importante deixar claro que cada método é utilizado de acordo com a região do país. 

O método da elevação da saturação por bases é utilizado em São Paulo, no Paraná e em algumas regiões de Cerrado. O método de neutralização do alumínio é usado em Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Já o método pH SMP é aplicado nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Geralmente, a avaliação da exigência de calcário é realizada a cada 3-5 anos. 

Em solos mais arenosos, o intervalo de amostragem do solo deve ser menor. Isso porque os solos com maior teor de areia necessitam de calagem com maior frequência quando comparados aos solos argilosos.

Por fim, é preciso frisar que doses de calcário em excesso ou quando a operação de calagem é mal executada interferem na disponibilidade dos micronutrientes. Por isso é fundamental determinar a dose correta do calcário para que a cultura expresse seu potencial produtivo.

Para mais informações sobre a técnica da calagem e os tipos de calcário, confira nosso artigo “Calcário no solo: tipos, vantagens, como funciona e eficiência”.

Conclusão

O calcário é o principal corretivo agrícola utilizado na neutralização da acidez do solo. Ele é classificado com base na sua composição, podendo ser calcítico, magnesiano ou dolomítico.

A recomendação de calagem deve ser sempre orientada pelos resultados da análise de solo. Em geral, essa prática é realizada de 2 a 3 meses antes da semeadura

No sistema convencional, o calcário é distribuído a lanço e depois incorporado ao solo, geralmente a uma profundidade de 20 centímetros. No sistema de plantio direto, o corretivo é aplicado a lanço na superfície do solo e não é incorporado.

Os benefícios da aplicação do calcário são a correção da acidez, neutralização do alumínio e manganês, fornecimento de cálcio e magnésio para as plantas e maior desenvolvimento das raízes. Como consequência, há aumento da produtividade.

Restou alguma dúvida sobre o calcário calcítico? Você já utilizou em sua propriedade? Aproveite e assine nossa newsletter para receber mais conteúdos como este em seu e-mail!

O que é e como fazer adubação verde: Melhores práticas

Adubação verde: entenda o que é, como funciona, vantagens, características dos adubos verdes e muito mais

Os sistemas intensivos de produção agrícola têm acelerado o processo de degradação do solo e causado sérios impactos ambientais. Diante disso, é urgente a necessidade de se adotar práticas de manejo mais sustentáveis.

Essas técnicas possibilitam a manutenção da capacidade produtiva do solo a longo prazo. Se você produz, precisa ficar por dentro de como técnicas como adubação verde funcionam.

Confira a seguir informações sobre a adubação verde e entenda como essa prática pode ser vantajosa para sua lavoura. Boa leitura!

O que são adubos verdes?

A adubação verde é uma técnica agrícola para melhorar as condições do solo e aumentar sua capacidade produtiva. Consiste em cultivar determinadas espécies vegetais, que depois serão incorporadas ao solo ou roçadas e mantidas na superfície. 

Os adubos verdes podem ser usados como cobertura de solo na entressafra, protegendo o solo contra a radiação solar e a erosão. 

Fornecendo palha para o sistema de plantio direto, esses adubos favorecem a infiltração de água no solo.

Por terem raízes profundas, as plantas ajudam a descompactar camadas mais duras do solo e favorecem a circulação de água e nutrientes.

A técnica também pode ser utilizada para fixar nitrogênio atmosférico, contribuindo para a fertilização natural do solo e reduzindo a necessidade de adubação química.

Adubação verde: corte e deposição dos resíduos vegetais sobre o solo 
(Fonte: Universidade Estadual de Washington)

Como o adubo verde funciona?

A adubação verde pode ser realizada em rotação, sucessão ou consórcio com a cultura principal. No sistema de rotação, a área é dividida em talhões e cada talhão é plantado com o adubo verde de maneira rotacionada com a cultura de interesse comercial.

Em sucessão, o adubo verde é semeado na mesma área e antes da cultura principal. Nesse caso, as plantas utilizadas como adubo verde são manejadas antes do plantio da lavoura

Quando em consórcio, o adubo verde é plantado junto da cultura de interesse econômico, que pode ser cultivado na entrelinha em faixas intercaladas. Em alguns casos, o adubo verde é semeado no final do ciclo da cultura com o intuito de beneficiar a próxima safra.

O plantio das sementes é feito em linhas ou a lanço com posterior incorporação com grade niveladora. Na adubação verde, também pode ser feito um coquetel com sementes de diferentes espécies, como sorgo-forrageiro e crotalária

Outra alternativa de coquetel para adubação verde é a mistura de sementes de crotalária, feijão-guandu, mucuna-preta, sorgo-forrageiro e milheto.

Quais são as vantagens da adubação verde?

A adubação verde pode ajudar em vários pontos, desde a qualidade do solo até a redução de custos com insumos, promovendo uma agricultura mais eficiente e menos dependente de produtos químicos. 

Segundo a Embrapa, esse tipo de adubação promove a ciclagem de nutrientes, contribui para uma maior retenção de água no solo e melhora: 

  • Condições físico-químicas e biológicas do solo;
  • Incremento do teor de matéria orgânica;
  • Favorecimento de microrganismos que aumentam a absorção de água e nutrientes;
  • Fixação biológica do nitrogênio atmosférico;
  • Descompactação do solo, estruturação e aeração do solo;
  • Proteção do solo contra erosão (hídrica e eólica);
  • Proteção do solo contra radiação solar;
  • Manutenção da umidade das camadas superficiais do solo;
  • Controle de pragas, doenças e plantas daninhas;
  • Controle de fitonematóides;
  • Favorecimento da população de inimigos naturais;
  • Aumento da produtividade da cultura sucessora; 
  • Economia com fertilizantes;
  • Redução dos custos de produção.

As leguminosas, fixadoras de nitrogênio, são ideais para adubação verde, pois produzem biomassa rica nesse nutriente. 

Quando roçadas e incorporadas ao solo, melhoram as condições nutricionais e aumentam a matéria orgânica após a decomposição, liberando nitrogênio que é aproveitado pela cultura subsequente. 

Isso reduz a necessidade de fertilizantes nitrogenados, diminuindo custos e aumentando a produtividade. 

Além disso, as leguminosas favorecem a presença de fungos micorrízicos, que ajudam na absorção de nutrientes e água, e suas raízes criam canais no solo, melhorando sua estrutura e facilitando a infiltração e retenção de água.

Alelopatia: Qual a relação com adubação verde?

A alelopatia é o efeito efeito de substâncias químicas liberadas pelas plantas, vivas ou em decomposição, causam, inibindo o crescimento e/ou desenvolvimento de outras plantas.

Fenômeno muito importante na redução de populações de plantas daninhas e controle de nematoides, que pode ser causado por leguminosas usadas como adubo verde.

Assim, muitas espécies vêm sendo estudadas e descobertos inúmeros benefícios adicionais através da alelopatia.

A espécie leguminosa feijão-de-porco (Canavalia ensiformis), por exemplo, se mostra como inibidora da planta daninha tiririca.

feijão de porco usado na adubação verde

Feijão-de-porco (Canavalia ensiformis)

(Fonte: Useful Tropical Plants)

Como deve ser feita a adubação verde?

É importante destacar a importância de escolher espécies de adubos verdes adaptadas às condições de clima e solo de onde será cultivada. Além disso, a época de corte das plantas é outro ponto que merece atenção. 

A biomassa aérea deve ser cortada antes das plantas produzirem sementes. O corte tardio dos adubos verdes pode gerar um grande problema. Afinal, as sementes serão liberadas no solo e têm grande potencial de se tornarem plantas invasoras na próxima safra.

Algumas espécies, como a mucuna-preta, apresentam dormência e podem germinar em diferentes épocas do ano, o que dificulta o controle. Por fim, a melhor época para a semeadura dos adubos verdes é no início da temporada de chuvas

Nesse período, as plantas acumulam maior quantidade de biomassa e nutrientes. No entanto, é justamente esse o único período viável para a semeadura da cultura comercial. Os adubos verdes são, geralmente, cultivados na entressafra.

Uma alternativa é cultivar as espécies de adubos verdes no final da estação chuvosa, após a colheita da cultura de interesse. Também é possível realizar a semeadura no veranico. Nesse caso, é importante escolher espécies de adubos verdes resistentes à seca.

Quais são os principais adubos verdes?

Plantas de diferentes famílias são utilizadas na forma de adubo verde, mas leguminosas são as preferidas e ocupam lugar de destaque, por serem capazes de realizar a fixação biológica do nitrogênio.

As leguminosas têm menor tempo de decomposição (baixa relação carbono/nitrogênio). Esse aspecto favorece a rápida disponibilização dos nutrientes para as culturas seguintes. Dentre as usadas na forma de adubo verde, destacam-se:

  • Amendoim-forrageiro;
  • Crotalárias;
  • Estilosantes
  • Feijão-bravo-do-Ceará;
  • Feijão-guandu;
  • Feijão-de-porco;
  • Labe-labe;
  • Mucunas;
  • Tremoços. 

As gramíneas também têm sido cultivadas para adubação verde. Em geral, elas se decompõem mais lentamente (alta relação carbono/nitrogênio) e permanecem no solo por mais tempo. Confira a seguir algumas gramíneas cultivadas como adubo verde:

  • Aveia-preta;
  • Azevém;
  • Braquiárias;
  • Milheto;
  • Sorgo-forrageiro.

A semeadura simultânea de diferentes plantas, como leguminosas e gramíneas, possibilita a cobertura do solo por mais tempo. Isso quando comparado ao cultivo solteiro de espécies leguminosas

Além das leguminosas e gramíneas, outras plantas são empregadas na adubação verde, como o nabo-forrageiro e o girassol.

Características das plantas de adubação verde

As espécies vegetais utilizadas como adubo verde devem apresentar algumas características agronômicas. São elas:

  • Sistema radicular profundo e ramificado;
  • Eficiência nutricional;
  • Tolerância ao alumínio;
  • Tolerância ao estresse hídrico;
  • Elevada produção de fitomassa e de sementes;
  • Sementes de fácil obtenção;
  • Rápido desenvolvimento;
  • Ciclo compatível com o sistema de produção;
  • Baixa suscetibilidade ao ataque de pragas e doenças;
  • Eficiência no controle de nematoides e plantas daninhas;
  • Capacidade de realizar a fixação biológica do nitrogênio.
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Solo humífero: vantagens e desvantagens de utilizar para plantio

Solo humífero: saiba o que é, quais suas  principais características, como é formado e muito mais!

O solo é um dos principais fatores da produção agrícola. Suas características normalmente definem o tipo de atividade que pode ser executada na fazenda. 

Além disso, os tipos de solo e a declividade do terreno podem definir também o valor da propriedade.

Diferentes tipos de solo requerem diferentes tipos de manejo e por vezes não toleram alguns tipos de atividade agrícola. Os solos humíferos, por exemplo, têm características bastante diferenciadas dos demais solos.

Nesse artigo, entenda as características desse tipo de solo, saiba como é formado e veja se vale a pena produzir nele. Boa leitura!

O que é solo humífero?

O solo humífero é conhecido por diversos nomes: solo humoso, solo húmico e, pelas suas características, é popularmente chamado de terra preta.

A definição e nomenclatura como solo humífero é bastante controversa, uma vez que essa definição pode ter diversos sentidos. O mais comum é “solo que apresenta húmus”

A composição do solo humífero é baseada no húmus, um material formado a partir da decomposição da matéria orgânica por microrganismos e minhocas.

No ensino primário e até no ensino médio, é comum ver uma classificação de solos como: arenosos, argilosos, calcários e humíferos. Porém, essa classificação não tem qualquer embasamento, uma vez que são classificados de acordo com bases diferentes.

Por exemplo, solos arenosos e argilosos estão relacionados à textura; solos calcários são provenientes de rochas calcárias ou tem acumulação de calcário. Os solos humíferos, por sua vez, são baseados em alto teor de matéria orgânica

Características do solo humífero

Os solos humíferos possuem características bem particulares. Além de coloração escura ou preta, esse tipo de solo apresenta:

  • Alta quantidade de matéria orgânica;
  • Grande porcentagem de húmus;
  • Baixa densidade;
  • Alta aeração;
  • Boa permeabilidade, com capacidade de reter água sem encharcamento.

Na atual classificação da Embrapa, os solos que apresentam algumas características similares ao dos solos humíferos seriam os classificados como organosolos.

Foto de solo humífero na mão de pessoa
Exemplo de solo humífero
(Fonte: Mundo Ecologia)

Onde encontrar solo humoso?

Para a formação de um solo humífero, são necessárias características bastante específicas. Sendo assim, é possível encontrar solo humífero em áreas que possuem:

  • Alta umidade do ar e do solo: a umidade permite a manutenção de umidade no solo e a baixa perda de água para o ar;
  • Baixa temperatura: essa característica diminui a evapotranspiração e mantém os microrganismos do solo vivos;
  • Baixa declividade: propicia uma condição de repouso para o solo, permitindo tempo para que os microrganismos possam agir na decomposição da matéria orgânica;
  • Sombreamento: a presença de árvores, além de propiciar material vegetal que será decomposto, causa sombreamento. Isso contribui para manutenção de temperaturas mais baixas e baixa evaporação;
  • Cobertura vegetal: o uso de técnicas como o plantio direto pode facilitar a formação de uma camada de húmico na parte superior do solo, devido à baixa evaporação e baixas temperaturas.

No Brasil, há divergência sobre a presença ou não desse tipo de solo. De acordo com a Embrapa, há condições que propiciam a formação desses solos em áreas planas de altas altitudes ou em áreas de várzea em locais mais frios.

Como formar esse tipo de solo?

O processo de formação do solo é algo natural e que se desenvolve ao longo de milhares de anos. A formação de um perfil de solo com características de solo humífero só acontece de maneira natural e com tempo.

Para se ter uma ideia, estima-se que, em média, o processo natural leve 400 anos para formar 1 cm de solo. Porém, em ambientes naturais, pode-se fazer usos de técnicas que potencializam o acúmulo de matéria orgânica.

A matéria orgânica, como precursora de substâncias húmicas, pode formar uma camada humífera na parte superior do solo. Para isso, é necessário:

  • Sombreamento do solo por espécies arbóreas em sistemas de manejo integrado de espécies florestais e lavoura;
  • Uso de cobertura vegetal no solo como em sistemas de plantio direto;
  • Uso de irrigação na área para manutenção de umidade;
  • Evitar exposição do solo à radiação solar direta e altas temperaturas;
  • Evitar áreas muito declivosas;
  • Manter a fertilidade do solo em condições ótimas;
  • Evitar produtos que causam morte de microrganismos do solo;

Porém, é comum o uso de produtos usados para melhorar as condições físico/químicas do solo. Esses produtos são normalmente conhecidos como compostagem, esterco, terra vegetal, substrato orgânico, dentre outros.

Esse tipo de produto pode ser conseguido através do processo de compostagem ou em um minhocário. Ele pode ser utilizado como fonte de nutrientes, principalmente para produtores orgânicos. 

Vantagens e desvantagens desse tipo de solo

Como qualquer outro tipo de solo, o solo humoso possui vantagens e desvantagens. Suas principais vantagens são:

  • Alta capacidade de permeabilidade e escoamento de água;
  • Baixa resistência física ao crescimento de raiz;
  • Alto teor de matéria orgânica e substâncias húmicas;
  • Níveis elevados de microbiota de solo.

As principais desvantagens, principalmente em condições de campo, são:

  • Alto potencial de compactação do solo;
  • Fácil perda por erosão em condições naturais;
  • Potencial de lixiviação de nutrientes pelo movimento de água no solo.

Além disso, também existem alguns mitos sobre os solos húmicos, como o fato de ter alta fertilidade natural. 

A decomposição e a presença de húmus não garantem que haja balanço correto e disponibilidade alta de todos os nutrientes necessários ao desenvolvimento de uma planta. Bons exemplos desses nutrientes são os macro e micronutrientes.

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Conclusão

Existe muita informação desencontrada sobre o solo humífero. Neste artigo, fizemos uma revisão sobre esse tipo de solo e desvendamos muitas das incertezas sobre ele.

É fato que a presença e decomposição de matéria orgânica em substâncias húmicas aumenta grandemente a aeração do solo. Isso diminui sua densidade, facilitando a entrada de água e liberando nutrientes para as plantas.

Assim como existem práticas que auxiliam na formação de camada humífera em condições naturais, existem técnicas para formação de substratos humíferos para uso em agricultura de menor escala.

Você tem solos humíferos na sua propriedade? Costuma produzir alguma cultura nesses espaços? Adoraria ler seu comentário!

Compensação ambiental: saiba o que é e como funciona

Compensação ambiental: conheça os tipos, os valores, como calcular, como é feita e muito mais!

A compensação ambiental é uma ferramenta que possibilita às empresas suavizar danos ao meio ambiente. Isso tudo é feito conforme previsto nos fundamentos do Princípio do Poluidor-pagador.

Para quem produz, ficar por dentro de como funciona a compensação é essencial. Com ela, é possível eliminar o caráter de ilicitude do dano causado ao meio ambiente, desde que seja paga uma indenização

Neste artigo, veja quais são os tipos de compensação, valores, como calcular e muito mais. Boa leitura!

O que é compensação ambiental?

A compensação ambiental é um instrumento financeiro que contrabalanceia possíveis impactos ambientais ocorridos, ou previstos no processo de licenciamento ou cadastro ambiental. Boa parte desses impactos são causados por atividades que usam recursos ambientais.

A compensação é uma forma de flexibilização da regulação ambiental, e foi regularizada depois da criação do Novo Código Florestal. Depois dela, a compensação da reserva legal passou a ser um processo mais seguro.

Essas atividades podem ser consideradas efetivas ou potencialmente poluidoras. Elas também podem ser capazes, sob qualquer forma, de causar degradação ambiental. Para cada ação de impacto ambiental, é possível uma recompensa em dinheiro.

Objetivos da legislação

O mecanismo financeiro da compensação é amparado pela Lei de Compensação Ambiental 9.9985, de 18 de julho de 2000. Ela institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza e dá outras providências.

Conforme a legislação sobre o tema, a compensação ambiental não tem por objetivo compensar impactos do empreendimento que a originou.

Ela serve para compensar a sociedade e o meio ambiente pelo uso autorizado de recursos naturais. Sobretudo por empreendimentos de significativo impacto ambiental.

A compensação ambiental é a obrigação de apoiar a implantação ou a manutenção de unidades de conservação pelo Grupo de Proteção Integral.

No caso de dano ambiental ou em virtude do interesse público, a compensação ambiental pode ser utilizada também em unidades de conservação do Grupo de Uso Sustentável. Neste último caso, a unidade de conservação beneficiária deve ser de posse ou domínio públicos.

Quais são os tipos de compensação ambiental?

A compensação ambiental pode ser preventiva ou corretiva. A compensação preventiva acontece antes do dano. Ela é verificada durante os procedimentos, com objetivo de obter licenciamento ambiental para o empreendimento.

Por meio desse procedimento, é possível obter o valor que o empreendimento vai pagar, bem como qual unidade de conservação receberá os recursos.

No caso da compensação corretiva, o dano ambiental já ocorreu. Pode ser, por exemplo, o vazamento de substância tóxica no leito de um rio, degradação do solo, rejeitos de minério ou de agrotóxicos.

Na compensação ambiental corretiva, a empresa é responsável por compensar o dano. Isso pode ser feito através do investimento em uma ação que gere impacto positivo no meio ambiente.

>> Leia mais: “Prad: entenda o que é o plano de recuperação de áreas degradadas

Qual o valor da compensação ambiental?

O valor da compensação corresponde entre 0% e 0,5% do custo total previsto para a implantação do empreendimento. Esses números são conforme o Decreto 6.848, de 14 de maio de 2009.

Assim, ela vai variar conforme o tamanho do empreendimento e o grau de impacto que ele vai causar ao meio ambiente. Os critérios para determinação das unidades elegíveis também influenciam no valor.

Por exemplo, o replantio em áreas degradadas pode custar cerca de R$ 40 mil por hectare. A compensação por servidão ambiental, por sua vez, pode custar cerca de R$ 20 mil reais por 15 anos, quase a metade do replantio.

Conforme a legislação, o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Biodiversidade) é responsável por executar os recursos destinados para as unidades de conservação.

Como calcular o valor

A compensação ambiental é calculada em reais (R$) com a fórmula: CA = VR x GI/100.

  • CA é o valor da compensação ambiental (em R$);
  • VR é o custo total da implantação do empreendimento (também em R$);
  • GI é o grau de impacto, adimensional.

O GI corresponde à somatória dos pontos atribuídos aos impactos ambientais que se relacionam com o porte (P), à localização (L) e os fatores ambientais (FA).

Assim, GI = P + L + FA.

Segundo a legislação, os componentes P, L e FA são determinados a partir de tabelas e cálculos adimensionais, sendo: 

Componente Porte (P):

  • Índice relacionado diretamente com as características físicas do empreendimento e com a potencialidade poluidora da atividade a ser desenvolvida.

Componente Localização (L):

  • Este é um critério geográfico, relacionado ao nível de sensibilidade ambiental do local onde será instalado o empreendimento. Ele é acentuado pelo potencial poluidor (PP) da atividade a ser desenvolvida. 
  • Para a análise desse componente, será considerada a área diretamente afetada (ADA) pelo empreendimento.

O valor de L é determinado pela fórmula L= Fl + PP. Considere Fl como fator de localização e PP como potencial poluidor da atividade.

Basicamente, os cálculos do impacto da compensação seguem essas fórmulas.  A inserção de outras variáveis e cálculos relativos à flora, fauna, recursos naturais e fatores atmosféricos e climáticos depende da situação específica.

Como fazer compensação ambiental?

A compensação ambiental é feita por meio do Princípio do Poluidor-pagador. Nesse processo, uma empresa utiliza recursos naturais e retorna recursos para o ambiente, como forma de prevenção ao dano ambiental.

A compensação pode ser feita em áreas preservadas por meio de arrendamento rural, sob regime de servidão ambiental, ou cadastramento de condomínio de outra área.

O mais comum, no entanto, é a compensação das perdas ser feita por meio da destinação de recursos financeiros para manutenção. A criação de Unidades de Conservação também é uma opção.

Assim, o empreendedor é obrigado a viabilizar a existência de uma unidade de conservação de proteção integral. Ele também pode ser obrigado a apoiar a implantação e manutenção de uma unidade de conservação semelhante à área que sofreu o impacto ambiental.

Compensação ambiental e compensação de Reserva Legal

O Novo Código Florestal prevê a utilização de áreas preservadas em processos de licenciamento ambiental para compensação de Reserva Legal, que, conforme o código, é uma área da fazenda onde deve ser mantida a vegetação nativa para preservar o meio ambiente.

A Reserva Legal é obrigatória em todo o Brasil e o seu tamanho varia conforme o tipo de bioma em que está inserida a propriedade rural, independente do tamanho.

Na região da Amazônia Legal, a Reserva Legal corresponde a 80% dos imóveis rurais, e em áreas de Cerrado a 35% da propriedade. Nos demais biomas do país, a porcentagem é de 20%.

Caso essa porcentagem não seja atingida, é possível fazer uma compensação ambiental por meio da compra ou arrendamento de terras, o que resulta na compensação de reserva legal.

Além disso, a Reserva Legal pode ser usada também  para compensação de supressão de vegetação nativa.

Mas a utilização desse procedimento fica a critério dos órgãos ambientais estaduais. Eles podem optar por outras ações, como a compensação por replantio de vegetação, em caso de supressão de áreas com mata nativa.

Geralmente, a compensação por servidão ambiental é mais vantajosa economicamente para o produtor rural, porque as árvores já estão desenvolvidas. O oposto acontece no caso do replantio, quando há o risco de não haver o crescimento das plantas.

Para que esses procedimentos sejam encaminhados, é preciso que seja assinado o Termo de Compromisso de Compensação Ambiental. No termo, são descritas as condicionantes de licença ambiental de instalação ou de funcionamento.

diagnostico de gestao

Conclusão

Os impactos ambientais causados por atividades do agronegócio podem ser compensados de forma satisfatória por meio da compensação.

Quanto menos impacto a atividade causar ao meio ambiente, melhor. Por isso, é necessário que todo empreendimento seja pautado na ideia de sustentabilidade econômica e ambiental.

Assim, será possível conciliar o desenvolvimento que a sociedade necessita para atender às demandas por alimentos ou serviços. Ficar por dentro dessas possibilidades é fundamental para quem produz.

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Você está pensando em utilizar a compensação ambiental? Ainda tem alguma dúvida sobre o assunto? Deixe seu comentário abaixo!

Prad: entenda o que é o plano de recuperação de áreas degradadas

Prad: conheça os objetivos, documentação necessária, quem pode fazer, como elaborar, quais os tipos de recuperação e mais!

O Prad (Plano de Recuperação de Áreas Degradadas) é um estudo que serve como instrumento para a regularização ambiental da sua propriedade. 

Ele possibilita a recuperação de áreas degradadas. Se a sua fazenda sofre com degradação do solo, conhecer esse plano é fundamental, pois ele pode ser um grande aliado.

Neste artigo, você verá tudo o que precisa saber antes de elaborar o plano. Confira!

O que é o Prad e quais os objetivos?

O Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (sigla Prad) é um estudo, baseado em um conjunto de técnicas e medidas que são executadas a fim de recuperar áreas que sofreram degradação ambiental. Isso seja por ação humana ou natural.

São consideradas áreas degradadas aquelas que sofreram alterações em suas propriedades químicas, físicas e biológicas. Isso compromete a capacidade de retornarem ao seu estado natural e a fertilidade do solo.

O Prad assegura condições adequadas de uso do solo e a conservação dos recursos naturais. Seu objetivo é reunir informações, diagnósticos, levantamentos e estudos que possibilitem avaliar a degradação ocorrida

Depois disso, o Prad define as medidas adequadas para a recuperação da área degradada.

Esse plano é solicitado pelos órgãos ambientais como parte do processo de licenciamento ambiental. Ele também pode ser solicitado após a propriedade ser punida administrativamente por causar degradação ambiental.

Esse estudo deve ser elaborado e acompanhado por um profissional habilitado. Ele deve ter registro de ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) do conselho de classe.

É bom ressaltar que existe o Prad e o Prad simplificado. A diferença entre os dois está relacionada ao impacto ambiental. O Prad simplificado é específico para pequenas propriedades rurais ou posse rural familiar.

Nesses locais, o impacto ambiental é de baixa complexidade, o que facilita a elaboração e execução do plano.

Prad: foto de solo rachado
(Fonte: AgroRural)

Fundamentos legais do Prad

A instrução normativa IN n° 04/2011 do Ibama estabelece exigências mínimas e norteia a elaboração de projetos de recuperação de áreas degradadas. Além disso, ajuda na confecção de algumas leis e decretos que devem ser considerados, como:

  • Lei Federal 7.347/1985: permitiu a criação de instrumentos para viabilizar a recuperação de áreas degradadas;
  • Constituição Federal de 1988: remete às áreas degradas como situações que devem ser reparadas independente do causador da degradação ter sofrido ações penais e aplicações de multas;
  • Decreto 97.632/1989: primeiro marco regulatório que cita plano de recuperação degradados, e para essa legislação específica obriga atividades de mineração a elaborar o Prad e submeter à aprovação do órgão ambiental competente;
  • Lei Federal 9.605/1998: lei dos crimes ambientais, que exige ao infrator recompor o ambiente degradado;
  • Lei Federal n° 12.651/2012: novo Código Florestal atuando fortemente na recuperação de áreas de reserva legal e áreas de preservação permanente, além da obrigatoriedade de Cadastro Ambiental Rural dos imóveis rurais.

Como fazer o Plano de Recuperação de Áreas Degradadas?

O primeiro passo para elaborar o Prad é fazer a caracterização da área degradada e seu entorno. O agente causador da degradação deve ser informado, através de vistoria de campo.

Após, a delimitação da área a ser recuperada precisa ser feita. Você deverá escolher métodos e técnicas de recuperação de acordo com a área a ser recuperada e com a classificação do solo

Especifique também as técnicas e ações que serão adotadas no processo de recuperação.

O próximo passo é elaborar uma proposta de monitoramento. Faça também uma avaliação da efetividade da recuperação após a execução do plantio. Elabore um levantamento dos insumos, custos e cronograma de execução necessários para a recuperação.

Por fim, detalhe o cronograma, a proposta de monitoramento e a avaliação da recuperação da área. Após a aprovação do plano do Ibama, você terá 90 dias para dar início às atividades de recuperação previstas no cronograma do Prad.

Em resumo, os itens que são obrigatórios e que devem estar no seu plano são:

  • Dados do imóvel rural;
  • Dados do proprietário rural;
  • Dados do responsável técnico pela elaboração do plano;
  • Dados do responsável pela execução do plano;
  • Causas da degradação;
  • Objetivo da realização do projeto;
  • Detalhamentos sobre a implantação do plano;
  • Detalhamentos da manutenção do plano;
  • Informações sobre monitoramento da recuperação da área;
  • Cronograma (de atividades e financeiros), extremamente detalhado.

Documentação necessária

O Prad deve ser protocolizado no Ibama em 2 vias, uma impressa e outra digital. Essas vias devem ser acompanhadas dos seguintes documentos:

  • documentação do proprietário;
  • documentação da propriedade;
  • cadastro no ADA (ato declaratório ambiental);
  • certificado de registro do responsável técnico no Cadastro Técnico Federal do Ibama;
  • ART (anotação de responsabilidade técnica);
  • informações georreferenciadas de toda área a ser recuperada;
  • mapa ou croqui que possibilite o acesso ao imóvel rural.

Só podem elaborar o Prad profissionais habilitados. Considere contratar uma empresa de consultoria ambiental confiável e regularize sua propriedade. Assim, as chances de receber multas e sanções são menores. 

Recuperação de áreas degradadas

Áreas degradadas são aquelas que tiveram suas características naturais alteradas, tanto por motivos naturais quanto por ação humana, além do limite em que possam se recuperar sozinhas. Por esse motivo, precisam de intervenção humana para se recuperarem.

Não existe apenas uma forma de recuperar uma área degradada. As principais maneiras de se fazer isso são através do plantio de mudas, do plantio de sementes, do plantio de culturas como amendoim, da recuperação natural e do uso de espécies pioneiras. Veja mais a seguir: 

Plantio de mudas

O plantio de mudas é uma das técnicas de recuperação de áreas degradadas mais efetivas. Porém, apresenta alto custo. Em geral, o plantio de mudas nativas apresenta alto crescimento e portanto. Em até dois anos, a área poderá estar recuperada.

Prad: solo com plantio de mudas em linhas
(Fonte: Embrapa)

Plantio de sementes

O plantio de sementes também pode recuperar solos degradados. Ele deve ser feito com espécies florestais adaptadas à região. Para o sucesso desse tipo de recuperação, é necessário que ela seja realizada sob condições climáticas adequadas.

Recuperação natural

A recuperação natural de áreas degradadas é quando uma área se regenera naturalmente. É indicada para casos de recuperação de áreas de preservação permanente. Porém, algumas barreiras podem prejudicar a regeneração:

  • ausência de sementes para a recuperação do local;
  • menor desenvolvimento de mudas jovens; 
  • falta de polinizadores.

Recuperação com espécies pioneiras

O plantio de espécies pioneiras pode ser aplicado em áreas próximas a fragmentos florestais. Nesses locais, a natureza se encarrega de promover o enriquecimento natural da área. Esse método também é indicado quando a área está muito degradada.

Como funciona a manutenção e monitoramento do Prad?

O monitoramento e avaliação do Prad é de 3 anos após sua implantação. Ele pode ser prorrogado por 3 anos. Ao longo da execução do Prad, você deve apresentar relatórios de monitoramento, elaborados pelo responsável técnico.

Esses relatórios poderão ser solicitados pela área técnica do Ibama, caso a situação requeira, em intervalos de 3 meses. Pequenos proprietários rurais ou agricultores familiares não precisam apresentar relatórios.

Serão realizadas análises e vistorias pelo Ibama nas áreas em processo de recuperação. Eventuais alterações das atividades técnicas previstas no Prad deverão ser encaminhadas ao Ibama com antecedência mínima de 90 dias.

Ao final da execução do Prad, você precisa apresentar um Relatório de Avaliação com indicativos que permitam aferir o grau e a efetividade da recuperação da área.

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O que acontece se descumprir o Plano?

Caso os objetivos propostos no Prad não sejam alcançados, a área degradada não será considerada recuperada. Isso pode tornar necessária a reavaliação do projeto e ações técnicas pertinentes.

Desta forma, o proprietário estará sujeito a multas e sanções penais, conforme mencionado na Lei 9.605/1998. 

Ele também pode sofrer medidas restritivas de direitos, como a perda ou suspensão de participação em linhas de financiamento e crédito rural.

Conclusão

O Prad é um conjunto de medidas para recuperação de áreas degradadas. Ele assegura condições adequadas de uso do solo e a conservação dos recursos naturais.

Esse estudo reúne informações, diagnósticos, levantamentos e estudos para avaliar a degradação ocorrida e definir medidas adequadas de recuperação da área.

Esse plano é solicitado por órgãos ambientais como parte do processo de licenciamento ambiental ou após a propriedade ser punida administrativamente por causar degradação ambiental.

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Veja como fazer a classificação do solo da sua lavoura

Classificação do solo: entenda o que é o Sibics, os tipos de solo mais comuns no Brasil e a importância de conhecer bem o da sua lavoura

A classificação do solo é muito importante para quem produz. Afinal, cada tipo de solo irá exigir cuidados específicos. 

Essa classificação é feita por meio do Sibics (Sistema Brasileiro de Classificação de Solos). Que tal entender como classificar o solo da sua fazenda? Neste artigo, veja como os solos são classificados e as principais classes de solo do Brasil. Confira a seguir!

O que é o Sibics (Sistema Brasileiro de Classificação de Solos)?

O Sibics é um sistema utilizado para classificar todos os solos existentes no Brasil.

Nele, os solos são classificados com base em propriedades que resultam dos processos de formação do solo. Ele é dividido em 6 níveis categóricos de classificação: Ordem, Subordem, Grande Grupo, Subgrupo, Família e Série.

Atualmente, a classificação é feita somente até o 4° nível categórico (Subgrupo). Os níveis 5 e 6 ainda estão em discussão.

O Sibics é a principal referência utilizada para a classificação dos solos brasileiros. A sua 5ª edição está disponível gratuitamente para acesso.  

Foto da capa do e-book de classificação do solo. Na capa marrom e laranja, há o desenho do mapa do Brasil em cores diferentes.

Sibics Sistema Brasileiro de Classificação de Solos

Fonte: (Santos e colaboradores, 2018)

O que considerar na classificação do solo da fazenda

Para classificar o solo da sua propriedade, o Sibics deve ser consultado. O primeiro passo para a classificação é a descrição morfológica do perfil do solo. Após, a coleta do material do campo é feita.

A classificação de um solo é obtida a partir da avaliação de aspectos da amostra. Esses aspectos são:

  • morfológicos (estrutura);
  • físicos (textura);
  • químicos (teor de alumínio);
  • mineralógicos (percentagem de quartzo na porção areia).

Aspectos ambientais do local do perfil também devem ser considerados, como:

  • clima;
  • vegetação;
  • relevo;
  • material de origem;
  • condições climáticas;
  • relações solo-paisagem.

Esses aspectos morfológicos e ambientais devem ser observados com bastante cuidado, paciência e critério. Só assim uma descrição correta do perfil do solo será feita. O Sibics ajuda na organização dessas informações e no entendimento das ordens de solo.

Passo a passo para classificar o solo da sua propriedade

Tenha em mãos alguns materiais necessários para a descrição morfológica do perfil do solo:

  • martelo;
  • trado;
  • pá reta e pá quadrada;
  • faca;
  • enxadão.

1° passo: observe os aspectos ambientais do local do perfil

Anote as características do clima, vegetação, relevo, material de origem em que o perfil do solo ocupa.

2° passo: abra uma trincheira e observe as suas feições morfológicas

Examine o perfil de cima para baixo. Observe e anote a espessura e arranjamento dos horizontes, cor, textura, estrutura, agregação, cerosidade e consistência do solo.

Depois, demarque a transição entre os horizontes com a ponta de uma faca.

3° passo: envie amostras de solo coletadas no perfil para análise laboratorial

Para confirmar a classificação do campo, a análise laboratorial do solo é necessária.

Nessas análises laboratoriais, é recomendado que se determine as características químicas e texturais do solo, como:

  • pH;
  • teor de alumínio tóxico;
  • porcentagem de areia, silte e argila;
  • saturação por bases;
  • capacidade de troca catiônica;
  • soma de bases, entre outras.

Seguindo esses passos, será possível:

  • conhecer os aspectos morfológicos do perfil do solo e associá-los aos resultados das análises laboratoriais;
  •  identificar as transições entre os horizontes do solo;
  •  identificar os principais atributos diagnósticos.

Com todas essas informações em mãos, você poderá associar as características observadas no perfil do solo e determinar a classificação do solo da sua fazenda.

Importância de saber a classificação do solo da propriedade

Conhecer a classificação do solo da sua propriedade é muito importante. Isso pode trazer vários benefícios, como:

  • conhecer as limitações e qualidades do solo da sua propriedade;
  • possibilitar a troca de informações técnicas com produtores com propriedades com a mesma classificação de solo;
  • predizer o comportamento dos solos;
  • identificar áreas com maior chances de erosão;
  • permitir o planejamento do tráfego de máquinas agrícolas, principalmente em solos muito argilosos;
  • permitir o mapeamento de áreas com manchas de solo raso, que inviabiliza o cultivo de algumas culturas agrícolas;
  • identificar o uso mais adequado dos solos, entre outros.

Principais classes de solo no Brasil

O Brasil possui uma grande diversidade de solos. As classes que possuem maior ocorrência são:

  • Latossolos e Argissolos;
  • Neossolos;
  • Plintossolos;
  • Cambissolos;
  • Gleissolos.

Algumas classes de solos possuem menor ocorrência, porém não significa que não sejam importantes. Esse é o caso dos:

  • Luvissolos;
  • Espodossolos;
  • Planossolos;
  • Nitossolos;
  • Chernossolos;
  • Vertissolos;
  • Organossolos.
Mapa do brasil colorido de acordo com a classificação do solo de cada região.

Mapa de solos do Brasil

Fonte: (Embrapa, 2014)

Os Luvissolos são muito comuns na região semiárida brasileira. Os Nitossolos são comuns nas áreas de solos formados de basaltos no Centro-Sul do Brasil.

Os Planossolos são abundantes no Pantanal, em áreas do semiárido e nas regiões produtoras de arroz irrigado do Rio Grande do Sul.

 Já os Organossolos são ricos em matéria orgânica e raros no Brasil. Isso acontece devido ao clima tropical, que não favorece a acumulação matéria orgânica. A seguir, você pode observar as diferentes classes de solo no Brasil e suas distribuições no território.

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Conclusão

O SiBCS é o sistema taxonômico oficial utilizado para classificação de solos no Brasil. Existem 13 classes de solos conhecidas no país.

As classes de solos predominantes são os Latossolos, Argissolos e Neossolos. Conhecer o tipo de solo da sua propriedade pode melhorar muito as suas práticas de manejo e a produtividade.

Não deixe de consultar um especialista em caso de dúvidas!

>> Leia mais: “Prad: entenda o que é o plano de recuperação de áreas degradadas”

Você já classificou ou pensa em fazer a classificação do solo da sua fazenda? Adoraria ler seu comentário abaixo! 

Saiba quais práticas de manejo favorecem a agregação do solo

Agregação do solo: entenda o que são os agregados, como é a estrutura ideal e as práticas que prejudicam ou beneficiam essa condição

Você sabe manejar corretamente o solo para garantir maior estabilidade dos agregados? Os agregados são responsáveis pela estruturação do solo. Com uma boa agregação, você melhora a retenção de água e nutrientes e diminui a compactação do solo.

Além disso, você pode beneficiar muito o desenvolvimento das suas culturas.

Neste artigo, você saberá tudo sobre como deixar seu solo bem agregado e com qualidade! Boa leitura.

O que são agregados do solo?

Os agregados do solo são formados da união de partículas orgânicas e minerais (areia, silte e argila). A organização dessas partículas no solo é responsável pela estruturação.

Importância de uma boa estrutura do solo

A agregação influencia diversos processos, como:

  • a retenção de água e nutrientes;
  • a respiração do solo;
  • a aeração;
  • a infiltração e disponibilidade de água;
  • o desenvolvimento das raízes;
  • a atividade biológica, entre outros.

O monitoramento é muito importante para a qualidade do solo

Afinal, uma boa agregação proporciona benefícios aos atributos químicos, biológicos e físicos do solo.

Por outro lado, a desagregação do solo prejudica a atividade agrícola.

Estrutura do solo agregado

A identificação da desagregação do solo é fundamental. No lado esquerdo da figura abaixo, você pode perceber que o solo está desagregado, devido ao intenso revolvimento.  Isso favorece a compactação e deixa o solo suscetível à ocorrência de processos erosivos.

No lado direito da figura, você pode observar que os agregados são grumosos devido à intensa atividade biológica. Eles têm sinais de conservação.

Imagem de referência de agregação do solo. Do lado esquerdo, há fotos de amostras de solo que parecem pó de café. Do direito, as amostras de solo estão grumosas, com pedaços maiores.

Agregados pulverizados no lado esquerdo e agregados grumosos <1 cm no lado direito, em solo argiloso (A) e arenoso (B). Escala em centímetros

Fonte: (Henrique Debiasi, 2017)

Os solos desagregados são mais vulneráveis à compactação do solo. Além disso, sofrem mais impacto das gotas de chuva e perdem mais matéria orgânica. Veja alguns indícios da adequada agregação do solo:

  • raízes crescendo sem restrição, explorando o interior dos agregados;
  • predomínio de agregados com tamanho entre 1 cm e 4 cm, com baixa coesão, arredondados, faces de ruptura rugosas;
  • presença de agregados grumosos e alta atividade biológica.

Agentes agregadores

Os agentes agregadores são responsáveis por unir as partículas minerais do solo. Os principais são:

  • matéria orgânica;
  • microrganismo;
  • formigas, minhocas e cupins;
  • exsudatos de raízes de plantas;
  • carbonatos, óxidos de ferro e alumínio, entre outros.

Eles atuam como uma cola, unindo pequenas estruturas responsáveis pela proteção do carbono do solo. Assim, há estrutura para receber as culturas agrícolas.

Fatores que prejudicam a agregação do solo

Os agregados são extremamente vulneráveis ao manejo e aplicação de práticas agrícolas. Abaixo, você pode verificar as principais práticas que prejudicam a agregação do solo:

  • preparo convencional do solo;
  • compactação do solo;
  • ausência de cobertura do solo;
  • queima dos resíduos vegetais após a colheita;
  • sucessão de culturas;
  • utilização de escarificadores e subsoladores para romper a compactação do solo.

Fatores que beneficiam a agregação do solo

A adoção de práticas conservacionistas pode preservar e melhorar a agregação do solo. Veja algumas estratégias de manejo que podem ajudar:

  • controle de tráfego e adequação dos rodados de máquinas na lavoura;
  • correção do solo;
  • intensificar o enraizamento e a atividade biológica do solo;
  • adoção do sistema plantio direto;
  • utilização de plantas de cobertura;
  • integração lavoura-pecuária;
  • utilizar as máquinas agrícolas no solo seco;
  • adoção de sistemas de rotação de culturas, utilizando espécies com diferentes sistemas radiculares.

Lembre-se também de realizar, periodicamente, a manutenção das suas máquinas

Afinal, máquinas em bom funcionamento irão percorrer a lavoura menos vezes, impactando menos o solo.

A melhoria da agregação do solo será possível com o aumento da atividade biológica. Ela é favorecida pelo emprego de culturas com sistemas radiculares abundantes e bem distribuídos.

diagnostico de gestao

Conclusão

Os agregados do solo são formados pela união de partículas orgânicas e minerais.

Uma boa agregação promove maior infiltração e retenção de água, diminui a ocorrência de processos erosivos e facilita o desenvolvimento das plantas.

O solo deve sustentar altas produtividades agrícolas e, ao mesmo tempo, desempenhar as suas funções ambientais.

Fique de olho e cuide bem da qualidade do solo da sua lavoura. Assim, você garantirá boas produtividades e uma cultura mais saudável.

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Você já teve problemas com a falta da agregação do solo? Quer contar sua experiência ou tirar suas dúvidas? Adoraria ler seu comentário!