Você sabe onde está o gargalo do seu planejamento agrícola?

Gargalo do planejamento agrícola: Saiba onde você pode estar errando e saiba exatamente o que fazer para aumentar sua produtividade.

Dúvidas sobre rentabilidade agrícola,  custos da lavoura, produtividade por talhão, entradas e saídas do estoque, planejamento agrícola, etc…

Já viu essa situação antes? Ainda se vê assim?

Com a gestão agrícola você pode saber a resposta certa dessas questões. Para isso, é necessário entender os gargalos do planejamento agrícola da sua fazenda.

Claro que planejar não é uma tarefa simples, muitos gargalos podem fazer seu planejamento não alcançar o sucesso esperado.

Neste artigo abordarei  alguns pontos que vão melhorar seu planejamento estratégico da produção agrícola e, consequentemente, na sua produtividade.

1° Gargalo do planejamento agrícola: Faça o Mapeamento de sua propriedade

Tem muitos produtores que converso que ainda  não sabem ao certo o tamanho de sua propriedade.

Muito menos o tamanho de suas áreas de proteção permanente, a área exata de cada cultivo na última safra ou ainda o tamanho de cada talhão.

Saber o tamanho exato sua propriedade e suas reservas é um do princípios de uma boa administração rural.

Mapeamento de áreas Aegro

Mapeamento de área e talhões com Aegro
(Fonte: Aegro)

Sem saber o tamanho da área fica difícil saber quais são seus custos e sua produção real.

Além de saber qual a necessidade real de insumos em sua lavoura.

E esse conhecimento é fundamental para planejar sua atividade e resultar em rentabilidade.

Não basta saber o tamanho da área, temos que saber o que  há nela.

2° Gargalo do planejamento agrícola: Tenha o histórico da propriedade

Saber o que já foi feito em cada talhão nos últimos anos é fundamental.

Com destaque neste contexto para a rotação de culturas, um dos pilares do plantio direto e manejo integrado de pragas.

Tão importante quanto fazer a rotação é saber quais culturas foram usadas, em quais safras e o quanto foi produzido.

Isso fará você entender como está seu solo, pragas, etc,

Ou seja: entender sua propriedade.

rotação de culturas

(Fonte: Embrapa)

Faça o histórico não apenas das culturas, mas também da ocorrência de pragas, plantas daninhas e nematoides.

E claro, tenha o histórico das aplicações de defensivos agrícolas.

Assim você sabe exatamente quais produtos foram aplicados, e assim fica mais fácil fazer rotação de produtos, dificultando a seleção de espécies resistentes.

É assim também que você sabe qual produto falhou no controle, ou se há casos de resistência na sua propriedade.

Isso porque a aplicação do mesmo herbicida, inseticida ou fungicida ao longo dos anos pode resultar em seleção de pragas resistentes.

Infelizmente, os casos de resistência são muitos.

Um grande problema para produção de grãos é a resistência de plantas daninhas aos herbicidas, como buva e capim-amargoso.

buva

(Fonte: Fernando Adegas em Embrapa Soja)

Estudo da Embrapa diz que custos de produção da soja podem subir até 222% devido às ervas daninhas resistentes a glifosato.

Aqui neste artigo você pode encontrar tudo o que você precisa saber sobre resistências a defensivos agrícolas.

Ainda não tem o histórico da sua área?

Comece então agora com o monitoramento das lavouras!

3° Gargalo do planejamento agrícola: Monitore sua lavoura e ganhe tempo

Ao realizar seu planejamento agrícola, um ponto muito importante é monitorar sua lavoura, desde o pré-plantio até a colheita.

Além de verificar o andamento das atividades, registrando esse monitoramento isso se tornará o histórico da safra para os próximos anos.

Alguns pontos importantes a serem monitorados são:

4° Gargalo do planejamento agrícola:  Solo

Fundamental no diagnóstico da fertilidade, planejar a aplicação de fertilizantes e escolha de cultivos mais ou menos exigentes de acordo com os resultados da análise.

Falamos mais sobre as análises de solo e sua importância neste artigo aqui.

Ciclo-de-Agricultura-de-Precisão

Conhecer histórico da área e o solo da propriedade resultam em recomendação adequada de fertilizantes
(Fonte: SLC Agrícola)

5° Gargalo do planejamento agrícola: Acompanhamento do clima

Será que vai chover?  Você ainda acompanha a previsão do tempo pelo telejornal?

Existe uma série de aplicativos que trazem previsões detalhadas do tempo. E cada vez mais o nível de acerto vem aumentando.

O conhecimento prévio das condições climáticas é fundamental em toda condução da lavoura. Por exemplo, plantio e aplicação de defensivos agrícolas.

Eu recomendo o aplicativo Yr, ele está disponível para notebooks e smartphones (e é gratuito).

Mesmo sendo em inglês, é só digitar sua cidade no campo de busca e ver a previsão, que é bem fácil de entender:

Piracicaba_no YR no planejamento agrícola

(Fonte: Yr)

6° Gargalo do planejamento agrícola: Monitoramento e identificação das pragas

É muito importantes conhecer bem seus problemas, para assim melhor controlá-los.  Sejam insetos, doenças ou plantas daninhas.

Existem ótimos aplicativos de smartphones para identificação de pragas. Dois bons exemplos são os aplicativos FMC Agrícola e ADAMA Alvo.

Além dos aplicativos existem também livros disponíveis em pdf para baixar na internet te ajudando na identificação e manejo de plantas daninhas, insetos e doenças.

Para saber de mais aplicativos que te ajudarão na lida do campo veja os 5 aplicativos para planejamento agrícola que você deveria conhecer.

software para planejamento agrícola

7° Gargalo do planejamento agrícola: Tecnologia

Em todos os pontos tocados sobre o planejamento agrícola a tecnologia foi apresentada como opção para uma melhor gestão de sua lavoura.

Coincidência? Acho que não.

Embora ela possa ser aplicada a praticamente todos os momentos decisivos da gestão agrícola, ainda tem muito produtor que não a utiliza.

Pode ser por desconfiança, ou falta de conhecimento. Mas por que não experimentar?

Fazenda-Inteligente

(Fonte: Agrosmart)

Comece aos poucos, com um aplicativo de identificação de pragas, ou além de anotar tudo no papel, porque não também ter uma planilha no Excel?

Tem dificuldade? Todos nós temos. Tudo o que é novo assusta no começo.

Peça ajuda aos seus filhos, ao marido, à esposa. Aos poucos você irá notar as diferenças e as melhorias que a tecnologia pode trazer a sua lavoura.

Então, não dá para realizar um ótimo planejamento, fazer análise de solo, mapear a propriedade, identificar as pragas, e continuar anotando tudo no papel, ou ainda em alguns casos apenas na cabeça.

Vejo que a não utilização da tecnologia é o maior gargalo no planejamento agrícola.

E isso por falta de conhecimento de quão facilitadora ela pode ser para a sua lavoura.

Computadores e celulares com acesso a internet, drones, aplicativos, planilhas inteligentes, enfim diversas ferramentas.

Todas estas tecnologias estão disponíveis e servem de apoio para seu planejamento e gestão agrícola.

Um software de gestão agrícola pode ser muito importante para você se planejar melhor, e aumentar a sua produtividade.

aegro-software-de-gestão-agrícola-da-fazenda

Conclusão

A tecnologia pode ajudar a evoluir seu negócio fazer seu planejamento agrícola ser muito mais simples e prático.

Mas não se esqueça do conhecimento técnico.

Assistência técnica de qualidade é fundamental, não basta ter um belo mapa de fertilidade e não fazer a adubação correta.

Então tenha o mapa da sua área, faça o monitoramento da safra (que no futuro se tornará o histórico da propriedade), tenha sempre acompanhamento técnico e , assim, faça bom uso da tecnologia!

Criamos um checklist de como fazer um bom planejamento agrícola para facilitar seu processo. É só baixar aqui. É gratuito.

checklist de planejamento agrícola Aegro

>> Leia mais:

6 passos para fazer o planejamento financeiro da sua fazenda com sucesso

Calendário agrícola: saiba organizar as atividades da fazenda de maneira estratégica

O que achou do texto? Você vê outro gargalo do planejamento agrícola que não citei? Adoraria ver seu comentário abaixo.

Tudo o que você precisa saber sobre resistências a defensivos agrícolas

Afinal, você sabe o que é resistência a defensivos agrícolas?

Neste artigo abordaremos tudo sobre resistência a defensivos agrícolas: insetos, plantas daninhas e doenças.

Você vai aprender porque a resistência é desenvolvida e como evitar que ocorra na sua lavoura.

O que é resistência a defensivos agrícolas?

Quando a planta daninha, o inseto ou fungo não está mais sendo controlado por um produto fitossanitário, podemos ter um caso de resistência.

Como acontece a resistência?

Nas lavouras sempre vai haver populações tolerantes e sensíveis aos produtos fitossanitários.

Uma parte dessa população (seja ela de insetos, fungos ou plantas daninhas), já é resistente a determinados ingredientes ativos, ou seja, isso é natural, já ocorre no ambiente.

Com o uso contínuo do mesmo produto na área ocorre um processo conhecido por seleção, no qual os organismos resistentes não vão morrer, é a chamada pressão de seleção!

Vamos conhecer mais sobre os casos de resistência a defensivos agrícolas  no Brasil!

Como acontece a resistência de insetos a inseticidas?

barata_resistente a inseticida

(Fonte: Fernando Gonsales em Science Blogs)

Brincadeiras à parte, agora vejamos a figura abaixo que  ilustra muito bem como realmente acontece o processo de resistência de insetos aos inseticidas.

resistencia

(Fonte: Bernardi et al.,2016)

Como podemos perceber, após o uso contínuo de inseticidas pertencentes ao mesmo mecanismo de ação, ocorre uma pressão de seleção e apenas sobrevivem os insetos resistentes.

No caso na cultura do milho, a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) e a lagarta-das-maçãs (Helicoverpa armigera) já foram relatadas como resistentes a alguns inseticidas.

Conhecer os mecanismos de ação é essencial para prevenirmos a resistência aos inseticidas

No caso desses produtos, os principais mecanismos podem atuar sobre: sistema nervoso e/ou musculatura, crescimento ou no desenvolvimento, no intestino médio e sobre o metabolismo respiratório.

Mas você pode conferir com calma os mecanismos de ação neste folder aqui.

lepidoptera defensivos agrícolas

(Fonte: Irac)

Com isso você pode saber exatamente como rotacionar os mecanismos de ação e ajudar na prevenção a resistência.

>> Leia mais: “Defensivos agrícolas genéricos ou de marca: a batalha definitiva do que usar na sua propriedade

E as culturas Bt?

A tecnologia Bt, no Brasil disponível para soja e cultura do milho e algodão, veio para ajudar nesses casos.

Porém, a tecnologia Bt também possui relatos de casos de resistência pelo mundo, e até mesmo no Brasil com a lagarta Spodoptera frugiperda..

Por isso é muito importante, especialmente no caso de insetos, a adoção de métodos que auxiliam no manejo.

A figura abaixo mostra o que acontece no campo quando você tem refúgio de milho com proteína Bt.

refugio do milho

(Fonte: BioGene)

Os insetos das áreas  de milho Bt (resistentes à tecnologia já que sobreviveram no campo Bt) e não Bt (não resistentes) se reproduzem, e assim a resistência é combatida.

Portanto, mais importante para as tecnologias funcionarem é você adotar as áreas de refúgios.

Segundo Ministério da Agricultura, para milho e soja o recomendado é que a área de refúgio para plantas Bt seja de 20%, enquanto que para algodão, 10%.

Olhe a figura abaixo, você pode ter várias ideias de como implantar na sua área.

manejo da resistência a defensivos agrícolas

(Fonte: Abrasem em Pioneer)

Quer saber mais sobre como manejar resistência de insetos??

Entre nesse site do IRAC, você poderá agregar mais informações.

Um exemplo preocupante de resistência é a  Helicoverpa armigera.

A espécie ataca várias culturas, como soja e milho, e pode ter seleção de indivíduos resistentes, especialmente aos inseticidas piretroides, organofosforados e carbamatos.

Além de haver indícios de sua resistência as plantas Bt no Brasil (como nas reportagens de Universo Agro e  Revista Agrícola).

helicoverpa armigera

Helicoverpa armigera é uma praga polífaga, capaz de atacar muitas culturas
(Fonte: Embrapa)

Agora que você já sabe sobre resistência de insetos, vamos entender agora como ocorre a resistência para plantas daninhas.

Saiba sobre as plantas daninhas que tem resistência a defensivos agrícolas

Existem hoje no mundo 253 espécies de plantas daninhas resistentes a herbicidas!

No Brasil temos 48 casos de resistência, dentre as espécies mais problemáticas estão o Amaranthus palmeri, as espécies de buva, capim-pé-galinha, capim-colchão, azevém, capim-arroz e capim-branco.

A figura abaixo mostra o que acontece no campo quando se utiliza por muito tempo herbicidas com os mesmos mecanismos de ação.

mudança genética

(Fonte: Christoffoleti e López-Ovejero, 2008)

Como podemos ver ano após ano temos uma pressão de seleção imposta pelos herbicidas, que controla as plantas suscetíveis deixando no campo apenas as resistentes.

Com o tempo a população de plantas resistentes fica maior que a de suscetíveis, ficando muito difícil e caro o controle!

O Amaranthus palmeri é um dos casos mais comentados atualmente.

A planta não existia no Brasil e, logo que foi identificada, já se observou resistência aos herbicidas chlorimuron, cloransulam, glifosato e imazethapyr, ou seja, a dois mecanismos de ação (inibidores da ALS e EPSPs)!

palmeri

(Fonte: Embrapa)

Nas fotos abaixo você pode verificar mais casos de plantas daninhas resistentes a herbicidas.

Buva (Conyza sumatrensis): já foram relatados casos de resistência aos herbicidas chlorimuron, glifosato, paraquat, saflufenacil.

conyza sumatrensis

(Fonte: Weeds Brisbane)

No caso da planta daninha picão-preto nós temos duas espécies que apresentam resistência: Bidens pilosa e Bidens subalternans.

bipdi resistente a defensivos agrícolas

(Fonte: IDAO CIRAD)

A Euphorbia heterophylla é conhecida por leiteiro ou amendoim-bravo e é frequentemente encontrada na cultura da soja.

Já foram relatados casos de resistência aos herbicidas chlorimuron, cloransulam, imazamox, imazaquin, imazethapyr, acifluorfen, diclosulam, flumetsulam, flumiclorac, fomesafen, lactofen, metsulfuron, nicosulfuron e saflufenacil.

euphorbia heterophylla

(Fonte: Agro Link)

A planta daninha abaixo é conhecida como capim-pé-de-galinha e recentemente foi relatado um caso de resistência ao herbicida glifosato.

eleusine indica

(Fonte: FNA Nature Search)

O azevém é muito comum nas lavouras da região sul do Brasil e já tem registros de resistência aos herbicidas glifosato, iodosulfuron, pyroxsulam e clethodim.

lolium-multiflorum-in-ahaines-a

(Fonte: Go Botany)

Assim, você vai poder rotacionar os produtos fitossanitários na sua área e manejar de forma eficiente para prevenção a resistência.

E no caso dos fungos resistentes?

Temos muitas espécies de fungos já relatadas como resistentes: Alternaria dauci, Cercosporidium personatum, Colletotrichum fragariae, , Fusarium subglutinans f.sp. ananas, Guinardia citricarpa, Glomerella cingulata, Phytophthora infestans, Plasmopara viticola, Venturia inaequalis, etc.Mas o que sempre tira o sono dos produtores de soja é ferrugem asiática, ela é causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizie.

Esse fungo encontrou no Brasil condições ideais de clima para sua rápida disseminação.

O fungo causador da ferrugem asiática é menos sensível aos fungicidas do grupo químico dos “triazóis”.

Nessa publicação da Embrapa você pode aprender mais sobre como identificar a ferrugem da soja e quais técnicas adotar para a prevenção da resistência:

ferrugem asiática

(Fonte: Embrapa)

Assim, algumas estratégias são adotadas para prevenir a resistência como:

  1. Respeitar o vazio sanitário (você deve verificar aqui as datas de acordo com a sua região);
  2. Fazer o manejo integrado;
  3. Usar os fungicidas de modo preventivo e não quando já houver uma alta proliferação da doença;
  4. Adotar o uso de misturas comerciais que contenham ingredientes ativos de diferentes mecanismos de ação;
  5. Rotacionar os mecanismos de ação.

Você ainda pode conferir no site consórcio antiferrugem qual a situação da ferrugem asiática durante a safra da soja.

Além de conferir notícias, confira qual a ocorrência da ferrugem por estádio da soja, por estado e acumulado por data.

ferugem por estado

(Fonte: Consórcio antiferrugem)

Como podemos ver, há maior ocorrência no estado do Paraná.

Manejo integrado de pragas

Manejo integrado de pragas (MIP)  é a chave para tudo o que vimos até aqui!

Seja para manejar insetos, fungos ou plantas daninhas, ele sempre deverá fazer parte do seu planejamento.

Olha quantos manejos você pode integrar ao seu sistema de produção:

manejo integrado de pragas

(Fonte: Amici)

Conclusão

Você percebeu que ter um bom planejamento agrícola ajuda no seu dia a dia e na tomada de decisão.

Lembre-se que é extremamente importante rotacionar os mecanismos de ação dos defensivos agrícolas.

Vou deixar aqui um cheklist para você fazer o seu planejamento agrícola.Vamos juntos prevenir a resistência nas lavouras!

>> Leia mais:

Como fazer o controle de estoque de defensivos agrícolas em 5 passos

Armazenagem de defensivos agrícolas: Como fazer e o que é preciso saber

O que achou do texto? Já teve caso de resistência na sua lavoura? Tem mais dicas de como prevenir a resistência? Adoraria ver seu comentário abaixo!

O que você precisa saber sobre regulagem e manutenção de implementos agrícolas

A regulagem de implementos agrícolas pode fazer com que as máquinas tenham diferentes performances no campo.

Você já percebeu como motosserras, furadeiras e cortadores de grama podem ser regulados e utilizados de diferentes formas? O mesmo acontece com os vários tipos de implementos agrícolas.

Além disso, 25% dos custos provenientes de reparo podem ser cortados se a manutenção do maquinário agrícola for realizada rotineiramente. A correta manutenção e regulagem fará a diferença entre redução de custos de produção e maiores ganhos dentro da porteira.

Confira o que você precisa saber sobre manutenção e regulagem de implementos agrícolas.

Tipos de máquinas e implementos agrícolas

Existem 10 grupos de máquinas e implementos agrícolas usados na lavoura dependendo da função no campo:

  1. Preparo do solo (correntão, lâminas desenraizadoras, arados de disco, sulcadores, etc);
  2. Semeadura, plantio e transplante (semeadoras, plantadoras, transportadoras);
  3. Aplicação, carregamento, e transporte de adubos e de corretivos (adubadoras, calcareadoras, carretas);
  4. Limpeza de terrenos (roçadoras);
  5. Aplicação de defensivos (pulverizadoras, fumigadores, atomizadores, etc);
  6. Cultivo, desbaste e poda (cultivadores de enxadas rotativas, ceifadoras, etc);
  7. Trator Agrícola para colheita (colheitadoras em geral);
  8. Processamento (beneficiadoras de café, arroz, algodão, cana, etc);
  9. Transporte, elevação e manuseio (carretas, carroças, caminhões, etc);
  10. Utilitárias (perfurador de solo, etc).

Manutenção preventiva ou corretiva?

regulagem de implementos agrícolas
Manutenção e regulagem de implementos agrícolas
Fonte: (Jim Patrico em DTN/The Progressive Farmer)

Afinal, qual manutenção é melhor para minhas máquinas e implementos agrícolas? Vamos entender um pouco mais sobre as diferenças entre elas.

A manutenção preventiva é realizada antes que os problemas ou quebras de peças ocorram. É utilizada como uma forma de prevenir que a máquina se quebre ou pare de atuar no meio da operação em que ela foi designada a realizar.

Garante seu bom funcionamento e maximiza a vida útil. É semelhante às revisões feitas em nossos carros. A substituição de peças como filtros de óleo, revisão das engrenagens, checagens de pontos de engraxe, troca de correias antes que estas se quebrem é um exemplo de manutenção preventiva.

Essa manutenção varia de acordo com cada máquina e fabricante. Mas em geral, você pode fazer uma boa manutenção preventiva verificando os itens abaixo conforme as horas trabalhadas:

itens a serem verificados e tipos de implementos agrícolas
(Fonte: Portal Máquinas Agrícolas)

A manutenção corretiva acontece com o objetivo de substituir uma peça quebrada ou algum sistema danificado.

Na maioria dos casos em que esta manutenção é necessária, a máquina ou o implemento cessa a operação que está realizando, gerando atrasos ou acarretando em tempo ocioso de máquina e operador.

Evidentemente que este tipo de manutenção é mais cara, tanto financeiramente quanto operacionalmente. Por isso, devemos sempre realizar a manutenção preventiva: custa menos e depende apenas de um bom planejamento agrícola.

Como regular implementos e máquinas agrícolas?

A adequada regulagem de implementos agrícolas varia de acordo com cada fabricante. O gestor da propriedade deve buscar um profissional qualificado frente aos equipamentos e implementos que possui.

O que você deve fazer com certeza é testar o funcionamento dos implementos agrícolas antes de autorizar a realização da operação na área inteira.

É nesse momento que vão aparecer os problemas a serem solucionados: colhedora com corte muito alto ou muito baixo, bico de pulverização entupidos, semeadoras com discos dosadores errados etc. Desse modo você evita que a operação em toda área fique comprometida.

Algumas operações possuem softwares e programas gratuitos para avaliação do desempenho das máquinas agrícolas. Um exemplo é o Adulanço 3.1, desenvolvido pelo LAP (Laboratório de Agricultura de Precisão) da Esalq/USP.

Com o auxílio do Adulanço é possível verificar qual a largura de trabalho ideal em máquinas de distribuição transversal de fertilizantes e corretivos. No programa, ele gera a largura de aplicação de cada máquina avaliada, segundo os coeficientes de variação.

Para começar, você pode baixá-lo gratuitamente aqui.

adulanço 3.1 para regulagem de implementos agrícolas

Após ler o manual, você pode começar seu teste.

Em geral, o teste consiste em arranjar corretamente bandejas (coletores) em campo; regular sua máquina e implemento e passar pelas bandejas, depositando nelas os insumos.

Após inserir os dados de quantidade de insumo de cada coletor,  é possível ver o perfil de distribuição, segundo a largura simulada (neste caso é 8,5 m) de acordo com as passadas do implemento.

perfil de distribuição adulanço

Assim, você pode saber exatamente qual a largura de trabalho mais eficiente das suas máquinas ensaiadas.

banner-máquinas

Importância de regular sua semeadora

Durante a semeadura, a regulagem correta posicionará tanto a semente quanto o adubo nos locais corretos. A profundidade de semeadura é essencial para a boa emergência das plântulas.

A semente possui uma reserva de energia, e em profundidades inadequadas, tal reserva se esgota antes da planta emergir no solo, acarretando desuniformidade e falhas no dossel. A escolha dos dosadores de sementes é fundamental na hora do plantio.

Teste antes os discos com as sementes que possui para que a distribuição da semente seja adequada.

Sementes_mal_calibradas
Disco inadequado para as sementes (má calibração)
(Fonte: Semeato)

Sementes com discos mal dimensionados causam falhas no plantio e redução das produtividades. E lembre-se que é preciso a correta regulagem de implementos agrícolas, da semeadura até a colheita. Nesse sentido, veja também os artigos:

Regulagem de implementos agrícolas para colheita

A regulagem de equipamentos agrícolas é o procedimento mais importante a ser realizado na colheita. O objetivo é coletar o máximo dos produtos com a melhor qualidade possível.

Após todo o trabalho de correção do solo, adubação adequada, manejo de pragas e doenças ao longo da safra, temos o produto pronto para ser colhido e vendido, perdas não são toleráveis.

Máquinas desreguladas ocasionam perdas de colheita da ordem de 3 a 10%, cerca de 2 sacas de soja /ha ou mais, segundo a Conab. O aceitável nacional e internacionalmente para a cultura da soja é 1 saca/ha.

Segundo Nunes, do total de perdas na colheita, 80% se deva a má regulagem da colhedora e 20% ao manejo inadequado da cultura.

Implementos agrícolas na colheita

Além da boa regulagem de implementos agrícolas, o momento de realização da colheita é essencial para evitar perdas. O teor de umidade dos grãos deve ser respeitado. Para a colheita da cultura do milho, o ideal é que os grãos estejam entre 12 e 13% de umidade e a colhedora com velocidade entre 4 e 6 km/h.

Se houver necessidade de colheita antecipada com umidades entre 18 e 20%, o produtor precisará levar em conta a secagem do material antes do armazenamento, segundo José Nunes. Em grãos, a colhedora é considerada uma máquina combinada, pois realiza na mesma passada diversas operações.

Durante a colheita da soja ou do milho, a colhedora efetua as operações de corte do material, alimentação, trilha e limpeza.

É essencial que cada um desses sistemas esteja calibrado e com as devidas regulagens e manutenções em dia. Se um sistema estiver em desequilíbrio, vários outros podem ser prejudicados. Fique atento para alguns fatores de perdas na colheita:

  • Barra de corte, substituição de navalhas danificadas e ajuste da folga;
  • Troca de dedos quebrados e alinhamento dos dedos;
  • Velocidade de rotação do molinete, de acordo com umidade e massa de plantas;
  • Altura do molinete (geralmente 30cm a frente da barra de corte);
  • Caracol (altura em relação a parte posterior de alimentação);
  • Velocidade de colheita (entre 4 e 8 km/h).

Uma colheita mal feita deixa muitos grãos no solo, os quais germinarão e resultarão em tiguera na próxima cultura.

tiguera
(Fonte: Cotrisoja)

É evidente que o manejo das lavouras também deve ser realizado adequadamente, mesmo uma máquina bem regulada irá embuchar numa colheita de soja com a presença de muitas plantas daninhas. Falando em manejo bem feito, como está seu pulverizador?

Pulverizador também necessita de regulagem?

O pulverizador, seja autopropelido ou não, necessita de muita regulagem, que no caso é feita pela calibração. Vários são os fatores que interferem diretamente nas aplicações realizadas nas lavouras.

O pulverizador é um dos equipamentos mais versáteis presentes nas propriedades e sua correta regulagem irá influenciar na efetividade da operação.

Com este intuito, a Basf realizou um estudo testando a influência da má regulagem do equipamento quando aplicava defensivos agrícolas na cultura da soja.

O resultado foi que: Ajustar corretamente o equipamento eleva a produtividade e reduz custos com agroquímicos em até 30%.

Então fique atento à calibração com escolha dos bicos, velocidade do vento adequada, altura de pulverização, parte da planta a ser atingida pelas gotas, tipo de gotas, etc. E sempre teste antes para saber se o volume de calda, bicos, altura da barra, entre outros estão adequados.

Futuro da manutenção e regulagem de implementos agrícolas

As máquinas e implementos agrícolas estão cada dia mais modernas. Muitas possuem sistemas auxiliares, que ajudam nas regulagens, mesmo durante a operação.

Da cabine das máquinas é possível alterar a forma de trabalho.

Atualmente as máquinas agrícolas possuem dezenas de sensores e sistemas de monitoramento nas controladoras que englobam a tecnologia de telemetria e gestão de frotas.

Todos os dias, milhares de dados são gerados. Muitas empresas estão usando algoritmos e inteligência artificial para tentar antever os problemas nas máquinas.

Em um  futuro próximo, as concessionárias terão informações das máquinas de seus clientes; e todo o processo de revisões e manutenções irá atingir um novo patamar.

Assim, cada vez mais revisões serão programas e problemas serão antecipados.

Dessa e de outras maneiras a tecnologia vem para ajudar a agricultura.

Conclusão

As máquinas e implementos agrícolas são nossas ferramentas de trabalho, e toda ferramenta precisa de regulagem. E ferramenta adequada rende muito mais!

Máquinas com manutenções em dia possuem maior valor na revenda, menos problemas no meio da operação e, assim, menos prejuízos.

Então aproveite essas dicas, faça a manutenção preventiva e sempre faça sua regulagem de implementos agrícolas antes de uma atividade rural.

É assim que você pode começar a ganhar eficiência e reduzir prejuízos na fazenda

Cultura do milho: 7 passos infalíveis do planejamento para acertar na semeadura

Cultura do milho: Quais os principais pontos para se atentar e conseguir uma semeadura que assegure a população de plantas e produção do milho.

Agricultor não tem mesmo sossego, acabando a colheita de uma safra já logo se preocupa: o que fazer na próxima safra da cultura do milho?

“Semear o que? Qual híbrido? E o espaçamento? Será melhor mudar a adubação de base?”

A preocupação é válida: cerca de 70% dos investimentos feitos em uma lavoura de milho são usados na fase de implantação.

Fazer o planejamento agrícola é a tomada de decisão mais sábia para uma produção de milho de sucesso!

É uma prática cada vez mais comum entre agricultores, sejam eles de pequeno, médio ou grande porte.

E o primeiro ponto do planejamento é o mesmo da própria atividade agrícola: a semeadura!

Para responder todas aquelas dúvidas que citei e outras tantas mais, acompanhe os 7 passos infalíveis do planejamento agrícola para acertar na semeadura do manejo da cultura do milho!

1. Planejamento agrícola: por onde começar?

O principal objetivo do planejamento rural é estabelecer um cronograma de atividades para que o produtor possa realizar o plantio de forma eficiente e segura, tudo isso com base na fenologia do milho.

Todo mundo tem em mente que a instalação de uma lavoura se inicia com o plantio de uma cultura. Porém, “muita água já rolou” até esse momento.

planejamento rural

(Fonte: CESAD)

A verdade é que o planejamento agrícola começa bem antes do plantio.

Para te ajudar, veja os 6 mandamentos do planejamento agrícola.

Lembre-se que é neste momento, antes do plantio, que é essencial planejar as ações para garantir boa produção e rentabilidade.

Deve-se fazer uma análise de todos os componentes de produção para saber corretamente o quanto investir, além de como e onde fazer a semeadura.

Segundo a Embrapa, devemos considerar determinados fatores:

  • manejo (solo, pragas, doenças, plantas daninhas, irrigação);
  • tipos de técnicas a serem adotadas;
  • insumos;
  • máquinas e implementos;
  • híbridos a serem escolhidos;
  • distribuição dos híbridos nos tipos de solos a serem explorados;
  • ambiente de produção;
  • épocas de plantio;
  • elaboração do cronograma físico-financeiro;
  • serviços em geral.

A minha principal dica aqui é: registre todos esses fatores da sua propriedade em algum lugar seguro. Esse registro servirá para várias coisas, sobretudo para a aplicação de defensivos.

Como você já sabe, a semeadura envolve muita coisa para confiar somente no que você tem em mente.

Além disso, visualizando todos os fatores que a área possui fica muito mais fácil realizar o planejamento!

Conheça o ciclo de produção na cultura do milho

Entenda as etapas do ciclo de produção:

etapas de produção com planejamento agrícola

(Fonte: SLC Agrícola)

O ciclo de produção se inicia no planejamento estratégico com base no cenário nacional e internacional de commodities agrícolas atuais e futuras.

As definições estratégicas norteiam a elaboração do planejamento agrícola de cada ano, no qual são definidos todos os insumos necessários para a safra, dentro das peculiaridades de cada cultura.

Você já escolheu a cultura do milho. E agora?

2. Lavoura de milho: Planejamento pode garantir maior produtividade

A cultura do milho no Brasil vem ganhando destaque na agricultura como opção de segunda safra e também como a cultura principal do ano (safra e/ou 1° safra).

A cultura do milho é a segunda cultura mais plantada no Brasil, e já é a 3° maior do mundo, com aumentos de produtividade nas últimas 10 safras de 6,8% ao ano.

Nossa produção de milho mais que dobrou na última década! E porque a preferência pelo milho?

É um produto muito demandado pelo mercado, sendo que no Brasil 65% do milho é utilizado na alimentação animal, e 11% é consumido pela indústria, para diversos fins.

O clima seco, estiagem de chuvas prolongadas, atraso de chuvas, diminuição da janela climática, são alguns dos fatores que influenciam o produtor na escolha do milho por ser uma cultura um pouco mais resistente às condições ambientais.

Além disso, a rotação da soja (como principal cultura) seguida da safrinha do milho é muito rentável e, por isso, muito utilizado.

A área de milho cultivado em 2ª safra representa 62% da área e 65% da produção nacional.

E como foi possível isso? Só mesmo com muito planejamento e trabalho.

Assim, vale lembrar que plantar não significa apenas jogar a semente na terra.

E quais seriam os critérios o produtor deve levar em conta ao fazer a escolha da semente de milho?

planilha de planejamento da safra de milho

3. A escolha do híbrido (semente) na cultura de milho

A semente é o principal insumo de uma lavoura e sua escolha deve merecer toda a atenção do agricultor.

Por isso, escolha sementes com alto vigor  (capacidade de germinação e estabelecimento rápido no campo) e sempre certificadas pelo MAPA e credenciadas no RESASEM.

A escolha do híbrido depende de fatores como:

  • disponibilidade hídrica;
  • fertilidade do solo;
  • ciclo da cultivar;
  • época de semeadura;
  • espaçamento entre linhas.

Devemos estar sempre atento às características dos materiais mais adaptados à sua região, principalmente em relação a potencial produtivo, estabilidade, resistência a doenças, adequação ao sistema de produção em uso e às condições de clima e solo.

Basicamente, não há diferença entre o cultivar de milho para a safra normal e para a safrinha, ou seja, não há uma característica específica que diferencia as plantas do milho safrinha.

Entretanto, dependendo da época de plantio dentro do período recomendado para a safrinha, o ciclo é uma característica importante a ser considerada na escolha dos híbridos.

Depois de escolhida a semente para minha região, qual a população (sementes por metro linear) que uso considerando as condições da minha área?

4. A importância do estande (população) das plantas 

A densidade de plantas, ou estande, definida como o número de plantas por unidade de área, tem papel importante no rendimento de uma lavoura de milho.

No Brasil, a população ideal para maximizar o rendimento de grão de milho varia de 30.000 a 90.000 plantas por hectare.

A densidade apropriada de plantas para cada situação é influenciada por alguns fatores, como por exemplo: híbrido de milho, disponibilidade hídrica e nível de fertilidade do solo.

determinantes produção ideal de milho

(Fonte: Italo Ricardo Sant Ana Gregorin)

A densidade de plantas influencia diretamente no número de espigas por área.

Para compreendermos a importância do número de espigas por área de plantio vamos simular duas lavouras: uma com 55.000 espigas/ha e outra com 60.000 espigas/ha.

exemplo numero de espigas

(Fonte: José Carlos Cazarotto Madaloz)

Neste exemplo, podemos ver que o aumento de 5.000 espigas/ha resultou em uma diferença de mais de 16 sacas/ha.

O desenvolvimento de novos híbridos com maior potencial produtivo, arquitetura moderna e a adoção de práticas de manejo intensas associadas ao plantio em espaçamento reduzido têm contribuído muito para plantios com altas taxas de população de plantas.

A-Importancia-Do-Estande-De-Plantas-Baixa-E-Elevada-Populacao-De-Plantas

(Fonte: Pioneer)

Esta prática tem se mostrado viável e rentável, alcançando altos níveis de produtividade.

No entanto, nem sempre alta densidade de plantas significa alta produtividade.

Em densidades muito altas, a competição entre as próprias plantas de milho pode afetar a produção.

Pesquisas indicam que o milho é sensível no quesito densidade, sobretudo, porque as plantas competem entre si. E embora o adensamento eleve o rendimento da lavoura, é preciso destacar que esse incremento na produtividade tem limite.

Assim, alguns pontos afetam na densidade ideal das plantas de milho na sua lavoura. A arquitetura da planta é um desses pontos e é também uma característica fundamental para acertar na semeadura do milho.

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5. Arquitetura da planta de milho

A arquitetura das plantas de milho interfere na qualidade e quantidade da luz que penetra no dossel (a parte aérea do milho, ou seja, as folhas) e, conseqüentemente, na resposta à densidade de plantas.

Você pode ver aqui como a tecnologia está ajudando a evoluir o agronegócio brasileiro, e o desenvolvimento de novos híbridos é um exemplo disso.

arquitetura da planta de milho

Comparação entre o milho selvagem (teosinto) e o milho atual

(Fonte: Nicolle Rager Fuller, National Science Foundation em Science Daily)

O desenvolvimento de híbridos com menor número de folhas, folhas mais eretas e menor área foliar, minimiza a competição entre plantas.

Por isso, esse tipo de híbrido pode ser semeado com menor espaçamento, resultando em maior densidade de plantas.

As folhas mais abertas, com ângulos da bainha maiores caracterizam as plantas de arquitetura espaçadas, que produzem melhor em espaçamentos maiores. Assim, a arquitetura do híbrido pode ser ereto, semi-ereto, aberto ou semi-aberto.

Devido a isso, fique atento ao híbrido escolhido e seu espaçamento ideal. A prática de semeadura deve ser bem feita com espaçamento uniforme, resultando em arquitetura homogênea.

arquitetura milho uniforme

(Fonte: Robson Fernando de Paula)

O ambiente também impõe forte influência na escolha do híbrido e sua arquitetura.

Por exemplo, em solos pobres, com problemas de drenagem ou mesmo em condições de falta de água não é recomendado altas densidades populacionais com híbridos de arquitetura ereta.

Você já sabe que a densidade, a arquitetura do híbrido e o espaçamento são intimamente ligados.

Desses, só falta você saber mais sobre o espaçamento. Vamos lá?

6. O espaçamento (entre linhas X entre plantas)

No Brasil é utilizado diferentes tipos de espaçamentos de milho.

espaçamento 40 e 80cm na cultura do milho

(Fonte: Itavor Nummer Filho & Carlos W. Hentschke)

Tradicionalmente tem-se implantado a cultura do milho com espaçamentos entrelinhas compreendidos entre 0,80 m e 1 m.

Porém, nos últimos anos, o interesse em cultivar o milho utilizando espaçamentos entre linhas reduzidos (0,45 a 0,60m) tem crescido devido ao já citado desenvolvimento de novos híbridos.

Hoje, muitos produtores usam espaçamento de 75 centímetros, sendo importante ressaltar que espaçamentos entre 0,45 cm e 0,50 cm são os mais utilizados por proporcionarem melhores condições para o desenvolvimento do milho, em algumas condições.

Entre as vantagens potenciais da utilização de espaçamentos mais estreitos, podem ser citados:

  • maior interceptação de luz solar – o principal fator;
  • melhor aproveitamento dos recursos disponíveis;
  • aumento da vantagem competitiva;
  • maior eficiência na utilização da água disponível;
  • aumento do rendimento de grãos, em função de uma distribuição mais equidistante de plantas na área;
espaçamento reduzido milho

(Fonte: Rural Pecuária)

  • aumento da eficiência de utilização de luz solar, água e nutrientes;
  • melhor controle de plantas daninhas, devido ao fechamento mais rápido dos espaços disponíveis;
  • diminuição da duração do período crítico das plantas daninhas;
  • redução da erosão, em consequência do efeito da cobertura antecipada da superfície do solo;
  • melhor qualidade de plantio, através da menor velocidade de rotação dos sistemas de distribuição de sementes; e
  • maximização da utilização de plantadoras, uma vez que diferentes culturas, como, por exemplo, milho e soja, poderão ser plantadas com o mesmo espaçamento, permitindo maior praticidade e ganho de tempo.
interceptação solar por plantas

(Fonte: Itavor Nummer Filho & Carlos W. Hentschke)

Cada híbrido de milho possui uma recomendação adequada.

Sabendo-se a condição da sua área, o produtor deve escolher qual híbrido e espaçamento mais adequado à sua situação.

Como já falei, a redução do espaçamento não implica necessariamente em aumento da produtividade.

Além da questão de competição entre plantas, o incremento da densidade de plantas por si só significa aumento da produtividade sob uma mesma tecnologia desde que este seja o maior gargalo técnico.

Se você quer saber quais podem ser os outros gargalos e como aumentar sua produtividade pode ver o artigo “Como produzir 211 sacas de milho por hectare com gestão agrícola”.

Agora vamos saber como estimar sua produtividade de milho:

7. Como estimar a produtividade da cultura do milho?

A combinação entre clima, solo e híbridos determina a produtividade do milho.

85% da produtividade é atribuída ao número de grãos, sendo que  é nesse quesito que o estande de plantas ideal, resultado de uma boa semeadura, pode contribuir para a produção.

A-Importancia-Do-Estande-De-Plantas-Componetes-De-Rendimento

(Fonte: José Carlos Cazarotto Madaloz)

A estimativa de produtividade é útil para que se tenha uma “ideia” de qual será o rendimento a nível de campo.

Sendo assim, o produtor pode se organizar com investimentos futuros, transporte, armazenagem e possíveis ações da lavoura que ainda será colhida.

Para se estimar produtividade de milho, utilizaremos o método mais simples e objetivo:

Passo 1: Colete algumas espigas da área desejada;

Passo 2: Calcule o peso médio de grãos de cada uma delas;

Passo 3: Saiba a população de plantas da área;

Passo 4: Multiplique o peso médio de grãos de cada espiga pelo número total de plantas encontradas no talhão. Exemplo:

estimativa de produção na cultura do milho

(Fonte: Tiago Hauagge)

Quanto maior for o número de espigas coletadas e avaliadas, menor será a margem de erro para a produtividade real no momento da colheita.

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Conclusão

O arranjo de plantas recomendado difere de lavoura por lavoura, uma vez que se trabalha em regiões e condições diferentes, com variação nos níveis tecnológicos.

Desta forma, o arranjo ideal de plantas deve ser mensurado conforme a condição de implantação da cultura do milho e as finalidades do produtor.

Por isso, saiba a situação real da sua propriedade, aproveite as dicas e boa produção na cultura do milho!

>> Leia mais:

“Tudo o que você precisa saber para o manejo da mancha-branca do milho”

Ferrugem no milho: saiba como identificar e controlar

“Como manter a profundidade uniforme no plantio da soja e do milho e os impactos na produtividade da lavoura”

Gostou das dicas para a cultura do milho? Tem mais algum passo infalível que você faz e eu não citei aqui? Adoraria ver seu comentário! Escreva aqui embaixo!