About Jackellyne Bruna

Sou engenheira agrônoma e mestre pela Universidade Federal de Goiás. Atualmente, estou cursando MBA em Marketing e sou doutoranda pela ESALQ/USP na linha de pesquisa de produção vegetal.

Fertilizantes para plantas: tudo que você precisa saber para aumentar a eficiência

Fertilizantes para plantas: como tirar o máximo proveito para melhorar a produtividade da lavoura e economizar dinheiro.

Dentre os principais desafios diários nas lavouras estão o uso correto de fertilizantes.

Os fertilizantes representam uma grande porcentagem dos gastos com a condução da lavoura.

Por isso, usá-los corretamente e na quantidade adequada é essencial para obter alta produtividade, sem utilizar mais produto do que é necessário. 

Neste texto, separamos para você algumas dicas na hora da escolha do fertilizante para ajudá-lo nesta tomada de decisão.

O que é um fertilizante para plantas?

O fertilizante é simplesmente um material adicionado aos solos ou com aplicação direta nos tecidos vegetais que contém nutrientes essenciais para o crescimento e saúde da planta. 

Podemos dividir os nutrientes essenciais para as plantas em:

  • macronutrientes primários: fósforo (P), nitrogênio (N) e potássio (K);
  • macronutrientes secundários: cálcio (Ca), magnésio (Mg) e enxofre (S);
  • micronutrientes: boro (B), cobre (Cu), ferro (Fe), manganês (Mn), molibdênio (Mo), zinco (Zn), cloro (Cl), cobalto (Co) e níquel (Ni).

Esses elementos básicos geralmente estão na forma de compostos químicos que podem ser convertidos pela planta para acessar os elementos necessários. 

Por exemplo, as plantas requerem nitrogênio, mas usam esse nutriente na forma de compostos maiores, como amônia (NH4) ou nitrato (NO3-). 

Os solos contêm naturalmente esses compostos químicos necessários, mas muitas vezes há uma relação desequilibrada.

Além de que, com a colheita dos grãos, folhas e o que mais for de interesse econômico, retiramos de forma indireta os nutrientes do solo, já que eles foram utilizados para compor esses materiais.

Os fertilizantes são insumos que usamos para repor as quantidades e equilibrar as proporções destes compostos químicos essenciais.

Como começar a tirar o máximo proveito dos fertilizantes para plantas

O rendimento das culturas depende de muitos fatores como: propriedades do solo, irrigação, genética, clima, práticas culturais, controle de pragas e doenças e, claro, a aplicação de fertilizantes.

Pesquisas mostram que os fertilizantes respondem por 30% a 70% do rendimento. Essa contribuição significativa explica por que muitos agricultores acreditam que, se aplicarem mais fertilizantes, obteriam maiores rendimentos.

No entanto, este não é o caso! A relação entre as taxas de aplicação de fertilizantes e o rendimento potencial é esquematicamente descrita na seguinte curva:

Resposta das culturas à aplicação de fertilizantes

Resposta das culturas à aplicação de fertilizantes: a partir de uma determinada taxa de aplicação vemos sintomas do chamado “consumo de luxo”, quando é consumido o nutriente, mas não traduzido na produção (faixa C). Após isso, temos toxidez da planta por excesso do nutriente (faixa D), com redução da produção.
(Fonte: Smart Fertilizer)

Quando nenhum fertilizante é aplicado, o rendimento é mínimo. Inicialmente, o rendimento aumenta à medida em que a taxa de aplicação do fertilizante aumenta, até atingir o rendimento.

Deste ponto em diante, qualquer adição de fertilizante extra não aumenta o rendimento.

Quando as taxas de aplicação de fertilizantes são muito altas, ocorrem danos por salinidade e toxicidades específicas de nutrientes, ocorrendo declínio do rendimento.

Por isso, adubar mais não é sinônimo de maior produtividade.

A mesma cultura exigirá diferentes taxas de aplicação de fertilizantes em diferentes locais e tempos diferentes. O rendimento máximo potencial pode mudar de ano para ano devido às condições climáticas.

Portanto, para obter o melhor resultado, você deve ser capaz de planejar um programa de fertilizantes específico para sua área. 

planilha para adubação de milho

Como definir qual e quanto fertilizante usar na minha lavoura?

O primeiro passo é fazer a análise de solo para ajustar o uso de fertilizante de acordo com as condições específicas da sua fazenda.

O segundo passo é entendermos que a curva de resposta mostra como as taxas de aplicação de fertilizantes afetam o rendimento da safra.

Além disso, devemos lembrar que a taxa de aplicação específica de cada nutriente individualmente também interfere.

De acordo com a Lei do Mínimo de Liebig, o rendimento da colheita é determinado pelo fator mais limitante no campo. Isto implica que, se apenas um nutriente é deficiente, o rendimento será limitado, mesmo se todos os outros nutrientes estiverem disponíveis em quantidades adequadas.

Por isso, as análises de solo são tão importantes no seu programa de adubação.

Para ser lucrativo, é muito importante que você defina uma meta de rendimento que seja realista e viável. 

Outro fator de lucratividade é você usar as ferramentas e práticas corretas para atingir essa meta. Saiba também qual é o seu rendimento econômico ideal.

Você pode determinar o rendimento econômico ótimo calculando a diferença entre os custos dos fertilizantes e os retornos obtidos com o rendimento.

O aumento das taxas de aplicação de fertilizantes para obter mais produção pode até resultar em perda. As taxas de aplicação de fertilizantes para o rendimento econômico ótimo são as taxas que resultam no lucro máximo.

Desafios dos fertilizantes para plantas hoje e para os próximos anos

Albin Hubscher, presidente e CEO do International Fertilizer Development Center, concedeu uma entrevista muito interessante sobre esse tema, a qual vou trazer as principais ideias aqui.

Com a população global crescendo rapidamente, devemos dobrar ou triplicar nossa produção de alimentos nas próximas duas décadas para evitar uma crise mundial de alimentos. 

E devemos fazê-lo em face de eventos climáticos extremos, desmatamento contínuo, desertificação rápida e poluição generalizada. 

Enfrentar este desafio exigirá uma inovação tecnológica determinada e novas pesquisas sobre soluções antigas, “testadas e comprovadas”. 

Embora admitam que estão longe de serem “novos”, os fertilizantes são uma contribuição necessária para fechar a lacuna de rendimento dos agricultores e produzir mais alimentos em todo o mundo.

Mas não é suficiente aplicar os mesmos tipos de fertilizantes no mesmo solo usando as mesmas práticas. 

Devemos continuar a praticar o uso responsável e criterioso de fertilizantes, sendo específico ao local e à cultura, e sempre pensando na metodologia 4R.

E continuando a educação adequada e recomendações informadas sobre as melhores práticas para pequenos agricultores.

Por isso, precisamos melhorar a fertilidade do solo e a tecnologia de nutrição de plantas, desde testes de laboratório até testes de produção de plantas no campo.

Lembre-se que as culturas, como os seres humanos, precisam de uma gama completa de nutrientes para um crescimento saudável. 

Assim, plantar em solo saudável, cheio de nutrientes, é fundamental para produzir quantidades maiores de alimentos saudáveis.

Metodologia 4R: a metodologia global para melhor uso de fertilizantes

A metodologia 4R é usada em todo o mundo para a utilização melhor dos fertilizantes, inclusive como forma de preservação do solo e do ambiente como todo.

Os “Rs” são provenientes dos nomes em inglês: right source, right rate, right time, right place. Traduzindo: fonte certa, tempo certo, taxa certa e lugar certo. Por isso, em algumas literaturas brasileiras pode ser conhecido como os 4Cs.

fertilizantes para plantas

(Fonte: Crop Nutrition)

Embora as práticas científicas que regem os 4R sejam universais, a implementação prática é específica do local.

Portanto, não há um plano de gerenciamento comum ou um conjunto de práticas que funcionem para todos em todos os locais.

Abaixo vamos apresentar os 4R:

1. Fonte certa

Garantir um fornecimento equilibrado de nutrientes essenciais, considerando tanto as fontes disponíveis naturalmente quanto as características de produtos específicos em formas disponíveis para plantas. 

Especificamente, considere o suprimento de nutrientes nas formas disponíveis para as plantas. Assegure-se de que os nutrientes se ajustem às propriedades do solo e reconheça as sinergias entre os elementos.

2. Taxa certa

Avaliar e tomar decisões com base no suprimento de nutrientes do solo e na demanda de plantas. 

Assim, avalie adequadamente o suprimento de nutrientes do solo (inclusive de fontes orgânicas e os níveis de solo existentes); avalie a demanda de plantas e preveja a eficiência do uso de fertilizantes.

Marcha de absorção de macronutrientes para soja

Marcha de absorção de macronutrientes para soja. É importante saber a marcha de absorção de cada nutriente para cada cultura para entender a taxa e o tempo certo de aplicação
(Fonte: Embrapa)

3. Tempo certo

Avaliar e tomar decisões com base na dinâmica de absorção das culturas, fornecimento de solo, riscos de perda de nutrientes e logística de operação de campo. 

Conheça o tempo de absorção das culturas, avalie a dinâmica da oferta de nutrientes do solo, reconheça os fatores climáticos e considere a logística.

4. Lugar certo

Abordar a dinâmica raiz-solo e o movimento de nutrientes, gerenciar a variabilidade espacial dentro do campo para atender às necessidades de culturas específicas do local e limitar as perdas potenciais do campo. 

Dessa maneira, reconheça a dinâmica da raiz/solo, gerenciando problemas de variabilidade espacial e considerando o sistema de plantio direto para limitar o potencial de transporte desses nutrientes para fora da área (erosão, lixiviação, etc.).

Nesse sentido, entenda que o lugar certo é também preparar seu solo para receber os fertilizantes. E não estou aqui falando do preparo convencional de solo, mas sim de práticas como plantio direto e adubação verde.

Essas práticas fazem com que seu solo tenha melhor estrutura e possa fornecer mais nutrientes a sua cultura.

Para entender mais sobre este assunto, trouxemos para você os tipos de fertilizantes para que você possa escolher aquele que melhor atenda às necessidades da sua lavoura.

Tipos de fertilizantes para plantas disponíveis no mercado

De acordo com a legislação brasileira, os fertilizantes podem podem ser classificados em 3 tipos:

Fertilizantes minerais ou sintéticos 

Fertilizantes minerais ou sintéticos, também conhecidos como inorgânicos, são os mais utilizados na agricultura, pois são concentrados e de rápida assimilação pelas plantas.

Assim, são usados com o objetivo de disponibilizar prontamente os nutrientes para as plantas.

Os fertilizantes minerais podem ser fornecidos para as plantas como um único nutriente ou fornecidos de forma conjunta, como o adubo mineral NPK.

O adubo NPK 4-14-8, por exemplo, fornece 4% de nitrogênio (N), 14% de fósforo (P) e 8% de potássio (K).

Os fertilizantes são ainda classificados de acordo com a sua composição química em: 

  • nitrogenados: ricos em nitrogênio (exemplo: ureia e sulfato de amônio);
  • potássicos: ricos em potássio (ex.: cloreto de potássio e sulfato de potássio);
  • fosfatados: ricos em fósforo (ex.: superfosfato simples e superfosfato triplo);
  • mistos: contêm mais de um nutriente;
  • corretivos: calcários usados para a correção da acidez do solo.

Fertilizantes orgânicos

Os fertilizantes orgânicos são de origem animal ou vegetal (ou ambos), com concentrações menores de nutrientes necessários à planta

O objetivo desse tipo de adubo é promover o aumento da matéria orgânica, influenciando na fertilidade do solo a longo prazo.

Alguns exemplos são: esterco bovino, esterco de aves, esterco de suínos, esterco de equinos, esterco de ovinos, torta de filtro, vinhaça e adubos verdes.

Os fertilizantes orgânicos podem ser classificados em:

  • simples: obtidos a partir de matéria vegetal e/ou animal;
  • mistos: mistura de 2 ou mais fertilizantes orgânicos simples;
  • compostos: são feitos de material orgânico obtidos por meio de processos químicos, físicos ou bioquímicos;
  • organominerais: mistura de fertilizantes orgânicos e minerais.

 Os fertilizantes também são divididos de acordo com a sua constituição em:

  • simples (fornece um ou mais nutrientes);
  • mistura (mistura de dois ou mais fertilizantes simples).

O fertilizante misturado pode ser simples, onde cada nutriente principal está contido em grãos separados, ou pode ser complexo, no qual estão todos os nutrientes de sua fórmula no mesmo grão.

fertilizantes para plantas

(Fonte: Fertilizantes Heringer)

Como aplicar os fertilizantes na lavoura?

Os fertilizantes podem ser aplicados na lavoura via solo, irrigação (fertirrigação) ou pulverização (adubação foliar).

A aplicação via solo é realizada na semeadura e na adubação de cobertura. Durante a semeadura, o fertilizante é aplicado ao solo junto com o plantio. Em muitas culturas e, também de acordo com o solo e a quantidade de adubo necessária, é preciso realizar uma adubação de cobertura, que é geralmente feita a lanço.

Já a fertirrigação é feita com a aplicação de fertilizantes pela irrigação, aplicando os fertilizantes de forma líquida.

E a aplicação por pulverização, chamada também de adubação foliar, é feita a partir da diluição do fertilizante em água e a calda é aplicada com pulverizadores.

A escolha de qual modo de aplicação do fertilizante utilizar depende de fatores como: 

  • tipo de solo;
  • condições climáticas;
  • espécie cultivada;
  • estádio de desenvolvimento da cultura.

A aplicação na semeadura é ideal para fertilizantes químicos e granulados.

Já aplicação a lanço é ideal para fertilizantes químicos e granulados, orgânicos, produtos para a correção do solo, como calcário e gesso agrícola.

A aplicação por irrigação é feita para fertilizantes líquidos e é realizada junto à irrigação da lavoura.

E a aplicação por pulverização é recomendada para os fertilizantes foliares.

Conclusão

O crescimento das plantas depende de nutrientes que, como vimos, são divididos em macronutrientes primários, secundários e micronutrientes.

Os solos contêm os compostos que as plantas precisam, mas é preciso repô-los e equilibrar as proporções. Para isso, os fertilizantes devem ser aplicados.

Neste artigo, vimos como começar a tirar o máximo proveito dos fertilizantes na lavoura, considerando que mais produto não é sinônimo de mais produtividade.

Para obter o melhor resultado, é preciso planejar um programa de fertilizantes específico para sua área! Lembre-se: não existe produto milagroso!

Espero que com todas essas informações, você consiga garantir ganhos não só em produção, mas também com economia de dinheiro.

Gostou do texto? Tem mais dicas sobre fertilizantes para plantas? Adoraria ver o seu comentário abaixo!

>> Leia mais:

“Bioestimulante em soja: por que você deve considerar usá-lo na lavoura”

Entenda como os aminoácidos nas plantas podem melhorar sua produção agrícola

“Fertilização em excesso? Entenda os riscos da overfert e saiba como evitar que ela ocorra”

Ana Lígia Giraldeli

Atualizado em 20 de julho de 2020 por Ana Lígia Giraldeli
Engenheira agrônoma e mestra em agricultura e ambiente (UFSCar), doutora em fitotecnia (USP/Esalq) e especialista em agronegócios. Atualmente professora da UNIFEOB.

9 micronutrientes das plantas: como e quando utilizá-los

Micronutrientes: Como identificar e corrigir os sinais de deficiências de zinco, ferro, manganês, boro, cloro, cobre, molibdênio, cobalto e níquel em sua lavoura

Só porque a planta os usa em quantidades menores que os macronutrientes, isso não significa que os micronutrientes não sejam essenciais para sua produção agrícola.

Desde o molibdênio, componente da molécula de clorofila, até o zinco, importante para formação de proteínas, os micronutrientes desempenham papel fundamental!

E parece que todo mundo do campo percebeu essa importância nos últimos anos: os gastos com micronutrientes nas fazendas só crescem.

Mas é preciso cuidado para não comprar “gato por lebre” ou jogar um produto caro por aplicação errada. Por isso, confira a seguir as principais dicas sobre os micronutrientes na sua lavoura.

O que são micronutrientes?

Os micronutrientes são aqueles requeridos em pequenas quantidades pelas plantas.

Entre eles estão zinco, ferro, manganês, boro, cloro, cobre e molibdênio – e são normalmente relatados em análises de solo padrão. 

Cobalto, vanádio, sódio e silício também são micronutrientes, mas raramente são encontrados como deficientes e são necessários elementos nutrientes adicionais para o crescimento normal das plantas.

Os micronutrientes tendem a estar mais disponíveis quando o pH é de 7 a 7,5, o que é ligeiramente alcalino. Já os macronutrientes preferem um pH entre 6,2 e 7,0, o que é ligeiramente ácido. 

Dessa maneira, e especialmente no Brasil, com solos ácidos, é fácil ter condições que favoreçam a deficiência de nutrientes.

Compreender a função de cada elemento mineral de micronutriente no crescimento das plantas irá ajudá-lo a determinar as aplicações corretas de nutrientes e a diagnosticar quaisquer problemas potenciais de produção de culturas.

Zinco (Zn)

O zinco é considerado imóvel em ambas as plantas e no solo e é o micronutriente mais comumente aplicado na produção de milho e soja

É importante para a proteína, formação de enzimas e integridade da parede celular das plantas. Pode haver problemas com os tie-ups de zinco com altos níveis de cálcio no solo, tornando o zinco incapaz de ser absorvido pelas plantas. 

Além disso, altos níveis de fósforo podem fazer com que o zinco não seja absorvido como requer o crescimento das plantas, levando a sintomas de deficiência de zinco. 

Esses sintomas incluem faixas brancas ou faixas em folhas de milho e internódios encurtados em soja.

micronutrientes

(Fonte: ATP Nutrition)

Quanto às aplicações do micronutriente temos 3 formas:

  • Área total: normalmente de 5 a 10 kg/ha de Zn, com eficiência por 3 a 5 anos;
  • Em faixas: doses mais baixas que em área total, mas em aplicações antecipadas e anuais como parte da adubação de semeadura;
  • Aplicações foliares: foi comprovada cientificamente a eficácia de aplicações desse tipo com 0,5 kg/ha a 2,0 kg/ha (0,05 a 0,02% de Zn em solução) durante o ciclo da cultura.

Ferro (Fe)

O ferro é um nutriente imóvel. Ele desempenha um papel vital na fotossíntese e na respiração das plantas, sendo também necessário para a fixação de nitrogênio na soja. 

Os sintomas de deficiência de ferro incluem clorose internerval das folhas, chamada clorose de ferro. Tal condição é geralmente encontrada em solos de pH 7,5 a 8.3. Em casos graves de clorose de ferro, pode ocorrer a morte das plantas.

deficiência de ferro

(Fonte: UNL)

Para corrigir a escassez você pode aplicar fertilizante de ferro ao solo antes do plantio. 

Uma aplicação foliar de ferro nas plantas em crescimento pode ajudar a resolver a descoloração. No entanto, pode ser apenas uma correção temporária que requer aplicações repetidas.

Manganês (Mn)

O manganês é móvel no solo, mas imóvel no tecido da planta. A principal função do manganês é ser um ativador das enzimas de crescimento das plantas. Também ajuda na formação de clorofila. 

Os sintomas de deficiência de manganês podem frequentemente ser confundidos com a clorose do ferro, que é outra razão pela qual o teste do solo é tão crítico. 

deficiência de manganês

Sintoma de deficiência de manganês em folhas novas, já que o elemento é imóvel nas plantas

(Fonte: UNL)

O pH do solo mais alto favorece a deficiência e, portanto, os sintomas de folhas amareladas na sua lavoura. 

Isso ocorre por que em pH alto (solos corrigidos com muita calagem, por exemplo) o manganês torna-se insolúvel e, portanto, impossível de ser absorvido pelas plantas.

Por isso, é preferível que você faça aplicações em faixas ou via foliar, especialmente se o pH do seu solo for 7 ou mais.

A aplicação de Mn em faixas em mistura com fertilizantes com reação ácida (por exemplo, enxofre elementar ou nitrogênio amoniacal) pode ajudar a prolongar e a não ocorrer a insolubilização.

A dose em faixas, próximo a faixa de plantio, é de 3 a 5 kg/ha, sendo que na aplicação foliar fica em torno de 0,5 a 2,0 kg/ha.

Boro (B)

O boro ajuda na formação da parede celular e regula o metabolismo das plantas. É um elemento móvel e pode ser lixiviado do solo com chuva, tornando-o indisponível para as suas plantas. 

Mas o boro também é imóvel uma vez introduzido nas plantas – a disponibilidade da planta diminui em ambientes secos e quando o pH do solo é alto. 

As deficiências de boro podem ser identificadas por folhas jovens mal-formadas e descoloridas e plantas raquíticas.

deficiência de boro

Folhas deformadas são os principais sintomas de deficiência de boro

(Fonte: ATP Nutrition)

Aqui no blog nós explicamos mais sobre esse micronutriente no “Manual rápido do manejo de boro nas plantas”.

Cloro (Cl)

O cloro é um elemento muito móvel, com função de regular a osmose e a compensação de íons. Ou seja, ele regula o movimento de cátions, átomos e pequenas moléculas dentro e fora das células vegetais que fazem parte da atividade celular normal. 

Embora os requisitos de cloro sejam pequenos para manter o crescimento adequado das plantas, as concentrações dentro delas são altas, semelhantes às concentrações de macronutrientes. 

Assim, muitos especulam que a maior parte do cloro usado pelas plantas venha da chuva, do solo e da poluição do ar. 

No geral, você pode descobrir que tem mais problemas de toxicidade causados ​​pelo excesso de cloro do que por deficiência. Os sintomas incluem folhas bronzeadas, seguidas de murchamento e clorose.

Cobre (Cu)

O cobre é imóvel no solo e nas plantas. Ela ajuda as plantas na produção de proteínas e enzimas e raramente é escasso. 

Como o cloro, você deve ter cuidado para evitar a possibilidade de toxicidade ao adicionar cobre a um programa de fertilidade

Os sintomas de deficiência de cobre são folhas escuras, azul-esverdeadas e crescimento de plantas atrofiado, seguido de morte de plântulas jovens.

micronutrientes: deficiência de cobre

(Fonte: ATP Nutrition)

Para corrigir a deficiência deste micronutriente, a fonte mais utilizada é o sulfato de cobre, sendo possível também realizar a aplicação foliar.

No entanto, essas aplicações foliares são bem mais caras e não muito eficientes, já que o nutriente não é móvel na planta. Assim, elas devem ser feitas apenas em formas de emergência na lavoura.

As doses normalmente variam de 3 a 15 Kg/ha de sulfato de sobre ou 0,5 Kg/ha de quelato de cobre.

Quanto à época de aplicação, é exigido cuidado, já que esse nutriente fica fortemente aderido ao solo. Até por isso, sua disponibilidade pode ir aumentando com o passar dos anos, conforme as aplicações no solo forem ocorrendo.

Molibdênio (Mo)

O molibdênio é requerido pelas plantas na menor quantidade de qualquer micronutriente para ajudar a controlar o componente metálico da formação da enzima. Também permite que o nitrogênio seja usado pelas plantas de maneira eficiente. 

Os sintomas de deficiência de molibdênio tendem a imitar a falta de nitrogênio. 

micronutrientes: deficiência de molibdênio

(Fonte: ATP Nutrition)

Plantas raquíticas amareladas que não têm vigor são comuns em solos deficientes em molibdênio. O molibdênio é imóvel em plantas e um pouco móvel no solo.

Cobalto (Co) e Níquel (Ni) 

O cobalto e o Níquel são dois micronutrientes encontrados nos tecidos vegetais, mas é muito raro que eles precisem ser suplementados por meio de uma aplicação de fertilizante.

Como corrigir deficiências de micronutrientes

Para saber se sua lavoura está com deficiência, faça o testes de tecido vegetal. No entanto, também é preciso fazer o teste do solo para confirmar que existe de fato uma deficiência de micronutrientes, o que requer a adição de fertilizante.

Essas duas análises são complementares. Por exemplo, pode ser que haja o elemento no solo, mas que o sistema radicular não consiga absorver por problemas na planta ou compactação do solo.

Se for detectada a deficiência, cuidado ao escolher o produto para aplicação. Fertilizantes foliares e outros complexos de micronutrientes prometem muita coisa, mas às vezes não passam de “água de batata”.

Procure produtos registrados pelo Ministério da Agricultura e provenientes de fontes idôneas e reconhecidas no país.

>> Leia mais: “Adubação foliar é uma prática que funciona?

Conclusão

Os micronutrientes são tão importantes quanto os macronutrientes, mas é preciso cautela para não aplicar de modo inadequado e acabar perdendo dinheiro.

Preste atenção aos sinais de sua lavoura, observe as folhas e mantenha em dia as suas análises de solo.

Dessa maneira, e com as dicas que você viu aqui, tenho certeza que não terá problemas com os micronutrientes!

>> Leia mais:

Potássio nas plantas: Tudo que você precisa saber para fazer melhor uso dele

Entenda como os aminoácidos nas plantas podem melhorar sua produção agrícola

Você já fez aplicações de micronutrientes em sua lavoura? Restou alguma dúvida sobre o assunto? Deixe seu comentário!

Saiba sua produção de milho por hectare através de 3 métodos (+planilha grátis)

Atualizado em 25 de abril de 2022.

Produção de milho por hectare: saiba como estimar, calcular seus custos e a produtividade da sua lavoura de milho

Estima-se que mais de 115,6 milhões de toneladas de milho sejam colhidas em 2022 no Brasil. Mas essa projeção é ampla.

Dentro da porteira, quem produz se pergunta sobre a sua estimativa e sobre o retorno financeiro para pagar as contas.

Se essa é uma preocupação para você, saiba que existem vários métodos para estimar a produtividade da sua plantação de milho.

Neste artigo, veja em passos simples como estimar sua produção de milho por hectare mesmo antes da colheita. Boa leitura!

Como fazer as estimativas de produção de milho por hectare?

Saber como será a produtividade do campo antes da colheita é uma forma de você organizar e planejar melhor atividades futuras. Investimentos, transporte, armazenagem e possíveis ações de colheita e pós-colheita são exemplos.

Você provavelmente coleta amostras representativas da lavoura para a previsão da produtividade de milho. A seleção dos locais para a amostragem é muito decisiva.

Características individuais de um determinado híbrido de milho, condições ambientais diferentes ou fatores de manejo podem afetar a precisão das estimativas.

Lembre-se de escolher sempre plantas que sejam o mais parecidas possível com o restante da lavoura.

Depois disso, é hora de estimar a produção de milho por hectare. Existem 3 diferentes métodos para isso, uns mais simples e outros nem tanto.

Agora, veja quais são esses métodos na cultura do milho e escolha o que mais se encaixa na sua realidade. 

Método 1: Estimativa da produtividade de milho por hectare de forma simples

Para te ajudar nesse método, fizemos uma planilha para automatizar a estimativa de produtividade de milho. Você pode baixá-la gratuitamente preenchendo seus dados no formulário abaixo:

Agora, veja o passo a passo desse método.

Passo 1: Colete algumas espigas de sua lavoura

Recomendamos pelo menos 1 planta a cada 2-6 hectares, sempre lembrando de manchas de solo.

Se você possuir um mapa de produtividade, melhor ainda.

Aproveite as manchas desse mapa para direcionar sua coleta de plantas. Assim você pode estimar sua produtividade nessas diferentes partes de sua propriedade.

Para cada mancha de solo, de produtividade ou talhão, você vai utilizar a fórmula a seguir.

Por isso, é importante que você identifique as plantas coletadas em cada uma dessas diferentes partes da fazenda.

Achou trabalhoso? Você pode pedir para sua equipe coletar essas espigas ao realizar qualquer atividade de rotina. Por exemplo, no monitoramento de pragas do milho, aplicação de defensivos, etc.

Passo 2: Calcule o peso médio de grãos de cada uma delas

Retire os grãos de milho da espiga e saiba o peso por espiga.

Anote os resultados e faça a média do peso. Para isso, some os valores e divida pela quantidade de espigas utilizadas. Exemplo:

  • Espiga 1= 175 g; 
  • espiga 2= 169 g; 
  • espiga 3= 162 g; 
  • espiga 4= 172 g; 
  • espiga 5= 180 g; 
  • espiga 6= 174 g; 
  • espiga 7= 183 g.

O peso médio dos grãos é a soma de todos os pesos dividido pela quantidade de amostras = (177 + 179 + 176 + 173 + 181+ 174 + 185) / 7

Ou seja, o peso médio dos grãos nesse exemplo é 178 g.

Passo 3: Saiba a população de plantas da área

Se você não tem esse dado em seu planejamento agrícola, também é possível descobrir:

  • Conte quantas plantas existem em 10 metros de linha da lavoura em uma parte homogênea da área;
  • Divida esse número por 10 e você terá o número de plantas por metro linear;
  • Divida 10.000 (valor de m², correspondentes a 1 hectare) pelo espaçamento da sua lavoura (em metros);
  • O resultado dessa divisão deve ser multiplicado pelo número de plantas por metro linear. Assim você terá a população de plantas por hectare.

Veja um exemplo para ilustrar:

O número de plantas em 10 metros da minha lavoura foi de 50 plantas. Então, divido 50/10. O resultado é 5 plantas por metro linear.

O espaçamento da minha lavoura é de 90 centímetros (0,9 m). Então, basta calcular 10.000 dividido por 0,9. O resultado é 11 111,11.

Agora, basta multiplicar o número de plantas por metro linear (5) pelo resultado da divisão acima. Ou seja, 5 x 11 111,11 = 55 555,55.

Assim, a população da minha lavoura de milho é de 55 555,55 plantas por hectare.

Passo 4: Utilize a fórmula de estimativa da produtividade de milho por hectare

Após ter o peso médio de grãos de cada espiga, basta multiplicar pelo número total de plantas encontradas no talhão. 

Veja o exemplo:

  • Peso médio dos grãos: 185 g = 0,175 kg
  • População de plantas: 55.555,55 plantas/ha
  • Produção estimada = 0,178 x 55.555,55
  • Produção estimada = 9.888,9 kg/ha

Lembre-se de considerar a umidade do milho. Afinal, a comercialização é feita com grãos que estejam o mais próximo de 13% de umidade.

Se a umidade estiver muito maior que isso, será necessário descontar a umidade. Isso é possível através da conta:

  • Umidade dos grãos em campo (Uc) = 23 %
  • Umidade desejada (Ud) = 13 %
    • Peso com umidade corrigida x peso de campo × [(100 – Uc) ÷ (100 – Ud)]
    • Pcu = 9888,9 × [(100 – 23) ÷ (100 – 13)]
    • Pcu = 8.752,2 kg/ha

>> Leia mais: “Não erre mais: tudo o que você precisa saber para a compra de sementes de milho

Método 2: Baseado no cálculo “Corn Yield Calculator” da Universidade de Illinois

Passo 1: Conte o número de espigas em 4 m²

Dependendo do espaçamento da sua lavoura, você deve medir o comprimento para resultar em 4 m². Depois, deve contar as espigas das plantas presentes em duas linhas.

tabela que mostra como calcular a quantidade de milho por hectare

(Fonte: Tiago Hauagge em Pioneer Sementes)

Guarde esse dado de quantidade de espigas, pois usaremos mais tarde.

Passo 2: Conte as fileiras das espigas

Escolha três destas plantas e colete as espigas que considere representativas da área. Conte o número de fileiras de grãos e o número de grãos por fileira de cada espiga.

Mas, atenção! Desconsidere os grãos da extremidade que sejam menores que a metade do tamanho de um grão normal.

Passo 3: Utilize a fórmula de produtividade de milho

Com todos esses dados em mãos, utilize a fórmula para cada uma das 3 espigas:

Cálculo de quantidade de milho por hectare

(Fonte: Tiago Hauagge em Pioneer Sementes)

Feito isso, calcule a média de produção estimada das três espigas.

Assim, você terá a estimativa da produtividade para aquela região da propriedade que você coletou as espigas.

Passo 4: Repita as etapas em vários pontos do talhão

Para ter uma estimativa melhor da produção de milho por hectare, o ideal é repetir esses passos em vários pontos.

Novamente, mapas de solo e de produtividade podem te ajudar a direcionar esses pontos de coleta. Calcule a média dos resultados para estimar a produtividade final da área.

Método 3: Recomendado pela Emater

Passo 1: Conte o número de espigas em 10 metros

Escolha um ponto representativo da área. Faça a medição de 10 m de linha e conte as espigas. Guarde esse dado para utilizar depois. 

Passo 2: Tenha o peso de grãos de 3 espigas

Naqueles 10 m, escolha 3 espigas representativas da área. Pese seus grãos e faça a média como apresentado anteriormente.

Passo 3: Utilize a fórmula

A produtividade de milho por hectare estimada é obtida pela seguinte fórmula:

  • Produtividade (toneladas/ha) = [(NE x P) / EM] / 1000
    • NE = número médio de espigas em 10 m lineares
    • P = Peso médio de grãos por espiga
    • EM= espaçamento entre linhas (m)

Lembre-se de verificar a umidade dos grãos e corrigir o peso!

Para melhorar a estimativa, é interessante repetir esses passos em vários pontos da área. 

Agora que você já sabe como prever a sua produção de milho por hectare, é preciso saber seus custos por hectare.

É necessário ter um equilíbrio entre o que foi produzido e o que foi gasto. Isso resulta no lucro bruto da colheita do milho.

Custo de produção de milho por hectare

De acordo com a Conab, a produtividade média de milho no Brasil foi de 4.366 kg/ha na safra 2020/2021. O Brasil é o terceiro maior produtor de milho do mundo, com estimativa média de produtividade do nosso país de 5.443 kg/ha

Isso nas três épocas de produção, com aumento crescente da produção.

produção de milho no Brasil de 2015 até 2022

Produção de milho brasileira

(Fonte: Conab)

A expectativa é que, mesmo que o custo tenha subido, ocorra um aumento de 6,5% da área plantada. Isso acontece devido a alta de preço de comercialização desse cereal.

Vários fatores interferem no custo de produção do milho. Entretanto, há grandes aumentos dos preços dos insumos, o que reflete diretamente no custo de produção.

Nos últimos anos o custo foi aumentando. Hoje, quem produz milho deve planejar corretamente seus gastos e prever sua produção. Assim é possível saber qual valor mínimo de venda.

Sabendo o custo correto de produção, você consegue saber por qual preço compensa realmente vender sua produção. 

Na safra 2015/16, por exemplo, muitos produtores anteciparam a venda de até 70% da produção do milho para cobrir seus custos.

Mas as condições climáticas daquele ano não ajudaram. A produção acabou não sendo a estimada.

Por isso, o preço aumentou e muitos produtores não tinham milho para aproveitar esse momento.

É daí que vem a importância de saber seu custo de produção, a margem de lucro esperada. 

Além disso, ter atenção constante ao preço é essencial para ter maior poder de negociação. E não esqueça de ficar de olho no clima. Condições como a geada no milho podem ter muito impacto nos seus resultados.

Importância de conhecer a produtividade de milho por talhão

Conhecer todos os desníveis de sua propriedade, o histórico de mancha de solo, pragas e doenças é essencial. Saber qual talhão é mais produtivo também.

Existe variabilidade em toda a área. Isso causa níveis diferentes de produção em cada talhão. Conhecer todos esses detalhes é fundamental para o planejamento, e exigirá de você o uso da agricultura de precisão.

Devido a essas diferenças, a produtividade de uma cultura pode ser bem mais baixa ou mais alta do que esperado.

Para essa tarefa, você pode contar com um aplicativo de gestão rural, como o Aegro. Assim, é muito mais fácil conhecer a sua lavoura e manter um histórico completo de cada talhão.

Rentabilidade por talhão com o Aegro

Com Aegro, você sabe sua rentabilidade por talhão de modo simples e fácil

Ter essas informações centralizadas em um só aplicativo pode facilitar muito o seu manejo e sua estimativa de produtividade.

Esse pode ser o seu diferencial para sair na frente da concorrência.

Da safra à safrinha de milho, alcance mais produtividade com Aegro. Ao lado do texto, duas mãos seguram grãos crus de milho.

Conclusão

A previsão da produção te possibilita saber quais as necessidades futuras de transporte e armazenamento do produto. O mesmo vale para prováveis ganhos na sua comercialização.

Existem diferentes métodos para estimar a produtividade de milho por hectare. Cabe a você escolher qual se adequa mais à sua realidade.

Para um controle real do lucro, é preciso saber também seu custo de produção por hectare. A tecnologia de aplicativos de gestão rural como o Aegro deixam essas informações mais acessíveis a você e à sua equipe.

Aproveite todas as dicas e os métodos do artigo para melhorar ainda mais o seu negócio! Boa colheita!

Gostou do texto? Usa algum outro método de estimativa de produção de milho por hectare que não citei aqui? Deixe seu comentário abaixo!

Foto da redatora Carina, no meio de uma plantação

Carina é engenheira-agrônoma formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), mestre em Sistemas de Produção (Unesp), e doutora em Fitotecnia pela Esalq-USP.

Plantação de milho irrigado: quando compensa?

Plantação de milho irrigado: saiba qual o melhor método de irrigação, quando compensa irrigar e como obter maior produtividade da lavoura.

O cultivo do milho em segunda safra tem sido cada vez mais atrativo aos produtores. Mas seu plantio em uma época com redução de chuvas, luminosidade e temperatura, são riscos para o desenvolvimento da cultura.

Métodos para irrigação, então, acabam sendo estratégicos para contornar a possível estiagem prolongada e garantir melhor rendimento.

Mas quando esse investimento realmente vale a pena?  Qual método de irrigação é mais viável para sua lavoura?

Neste artigo vamos responder a essas questões e abordar as vantagens da plantação de milho irrigado. Confira a seguir!

Plantação de milho irrigado: quando é uma boa alternativa?

A época de semeadura do milho (Zea mays L.) é geralmente definida pela distribuição das chuvas, que influencia diretamente na oferta de água no solo.

E o consumo de água no milho varia entre 500 mm e 800 mm em seu ciclo completo de desenvolvimento.

No caso do milho safrinha, por ser semeado entre janeiro e março, há limitações como redução de chuvas, radiação e queda de temperatura.

Com a possibilidade de “veranicos” dias após o plantio, aumentam-se os riscos de perdas na colheita, principalmente quando a falta d’água ocorre em períodos críticos de desenvolvimento da planta.

O milho é uma planta de fácil adaptação. Mas há diferentes respostas de produtividade dependendo da época e intensidade do déficit hídrico.

Uma estiagem prolongada antes da polinização pode significar queda de 50% na produção. Deficiências posteriores resultarão em danos de 25%-30%.

Dois dias de estresse hídrico no florescimento diminuem o rendimento em aproximadamente 20%. De quatro a oito dias, mais de 50%.

O grande risco de veranicos leva o agricultor a investir mais em tecnologia.

A irrigação, portanto, é uma alternativa que pode definitivamente impulsionar o rendimento do milho.

plantação de milho irrigado
Experimento de milho sob irrigação constante de pivô central
(Foto: Tese de doutorado – Jackellyne Bruna)

Em geral, a irrigação é uma prática que aumenta a produção de milho. Sou prova viva do uso da irrigação em meus experimentos de milho.

Como queria máxima produtividade e a região passava por constantes irregularidades de chuva, não deveria arriscar.

Instalei todos meus experimentos de milho em área sob irrigação constante em pivô central.

Mas, no meu caso, só houve pontos positivos porque toda estrutura já estava pronta para uso, então somente usufrui.

Em um caso real, é preciso avaliar vantagens e desvantagens (inclusive financeiras). Veja a seguir:

Plantação de milho irrigado: vantagens e desvantagens

A escolha de irrigar se relaciona com a própria gerência do produtor e de que forma todas as outras peças da fazenda se encaixariam na produção.

Caso opte por instalar sistema de irrigação na propriedade, o solo conterá pelo menos 60% de água disponível para as plantas durante o período de crescimento.

Isso permitirá que o milho tenha água suficiente para atingir seu potencial de rendimento.

Outras razões para optar pela plantação de milho irrigado são: aumento da produtividade, melhoria da qualidade do produto e produção na entressafra.

Além disso, também há uso mais intensivo da terra e redução do risco do investimento feito na atividade agrícola.

No entanto, tenha em mente que o capital inicial a ser investido. Além disso, é preciso de uma gestão agrícola bem feita para que não haja desperdícios nem falta de água para a cultura.

Ao decorrer dos anos haverá a depreciação dos equipamentos. Falando em tempo, não esqueça de colocar nessa conta os gastos com manutenção.

Por isso, antes de se decidir por plantar a safrinha do milho a com uso de sistema de irrigação, você precisa considerar diversos fatores, como verá a seguir.

Fatores para você considerar antes de instalar a irrigação

1 – Distribuição de chuvas e quantidade de água

A necessidade de irrigação diminui à medida em que se move de regiões mais áridas e semiáridas para regiões úmidas do país.

É comum, na região dos Cerrados, a ocorrência de veranicos (períodos secos em meio ao período chuvoso) que causam quebra na produtividade e qualidade dos grão de milho.

Caso seus planos sejam de produção de semente, é interessante investir no processo de irrigação (mesmo que essa estrutura fique aparentemente inutilizada durante parte do período chuvoso).

Se seu interesse for o cultivo de milho verde para indústria ou consumo in natura, é imprescindível irrigação frequente ao longo de todo o ciclo.

2 – Necessidade de água da cultura do milho

A quantidade de água que o milho utiliza durante o ciclo é chamada de período sazonal.

Isso pode variar com as condições climáticas da região onde é cultivado.

Há um período durante o ciclo do milho em que mais água é consumida diariamente.

No caso do milho, esse período coincide com o florescimento e enchimento de grãos.

A quantidade de água usada pela cultura, por unidade de tempo, nesse período, é chamada demanda de pico (ponto máximo de requerimento de água que as plantas apresentam).

O sistema de irrigação deve ser capaz de fornecer a quantidade sazonal de água à cultura, bem como suprir a demanda de pico.

A quantidade sazonal de água requerida pela cultura deve ser comparada com a quantidade de água disponível na fonte durante o ciclo.


Exigência média de água para o milho por mm/dia
(Fonte: Pioneer)

3 – Efeito da irrigação na produtividade do milho

Além do efeito direto da disponibilidade de água para as plantas, outros fatores contribuem para que a irrigação proporcione aumento da produtividade.

São eles o uso mais eficiente de fertilizantes, a possibilidade de emprego de uma maior densidade de plantio e do uso de híbridos que respondem melhor à irrigação.

4 – Fonte de água

Você deve analisar as fontes de água para verificar se são capazes de suprir as necessidades hídricas da cultura.

As principais fontes para irrigação são rios, lagos ou reservatórios, canais ou tubulações comunitários e poços profundos.

Vários fatores devem ser considerados na análise da adaptabilidade da fonte para irrigação, entre eles:

  • distância da fonte 
  • altura em que a água deve ser bombeada
  • volume de água disponível (no caso de lago ou reservatório)
  • vazão da fonte no período de demanda de pico da cultura
  • qualidade da água

O fator mais importante, que determina a necessidade de irrigação de uma cultura em uma região, é a quantidade e distribuição das chuvas.

Se você deseja adotar a plantação de milho irrigado, deve prestar atenção também a quais híbridos são melhores para as condições de lavoura.

É importante ter definido se a produção será para pastagem, silagem ou grãos, quais equipamentos são necessários e o que esperar desse sistema.

Em geral, o interesse pela irrigação costuma aumentar quando ocorre estiagem, com quebra ou perda da produção.

Por outro lado, está cada vez mais comum o produtor adquirir sistemas de irrigação sem verificar se a cultura necessita ou responde à irrigação. E o principal, se a fonte d’água de que dispõe é suficiente para atender à necessidade hídrica da cultura.

plantação de milho irrigado

Milho safrinha no estádio vegetativo com excelente desenvolvimento em área irrigada
(Foto: Experimento de Jackellyne Bruna)

Lembre-se que, como já comentamos, com a aquisição de equipamentos, adicionam-se aos custos de produção, os custos de investimento, manutençãooperação do processo.

Considere tudo isso, na ponta do lápis ou na tela do computador,  antes de decidir optar ou não pela plantação de milho irrigado!

Se a decisão for favorável à irrigação, deve ser realizada então a seleção do método e sistema de irrigação.

Métodos de irrigação para a cultura do milho

São basicamente 4 métodos de irrigação utilizados para a cultura do milho: superfície, aspersão, localizada e subirrigação.

Vou explicar melhor cada um deles:

1. Irrigação por superfície

Para a cultura do milho, a irrigação é feita nos sulcos localizados entre as fileiras de plantas.

Pode ser um sulco para cada fileira ou um sulco para duas fileiras.

2. Irrigação por aspersão

No método da aspersão, jatos d’água são lançados ao ar e caem sobre a cultura na forma de chuva. Pode ser utilizada no milho cultivado em pequenas áreas.

Alguns tipos de aspersão para plantação de milho irrigado:

  • aspersão Convencional
  • autopropelido
  • pivô central
  • deslocamento linear
  • LEPA (“low energy precision application”)

3. Irrigação localizada

A água é, em geral, aplicada em apenas uma fração do sistema radicular das plantas.

Empregam-se emissores pontuais (gotejadores), lineares (tubo poroso ou “tripa”) ou superficiais (microaspersores).

Alguns tipos são irrigação por gotejamento, subsuperficial e subirrigação.

plantação de milho irrigado

Irrigação localizada por gotejamento
(Foto: Érico Andrade/G1)

Plantação de milho irrigado: investimento necessário em diferentes sistemas

Confira abaixo  os principais tipos de irrigação e o investimento necessário (Fonte: SAgro em Agrolink)

Gotejamento

Muito utilizado em cafezais, citricultura e pequenas áreas, o tempo de instalação é de 20 hectares por dia.

Para sua instalá-lo, você deve evitar dias chuvosos e desembolsar entre R$ 8 mil a R$ 16 mil por hectare.

Com uma vida útil: 10 a 20 anos, nos sistemas de gotejamento a eficiência pode chegar a 95%.

Pivô central

Muito utilizado em grandes áreas, inclusive em milho, mas também possível em pequenas áreas. O tempo de instalação é de 14 a 45 dias.

Para sua instalação, o ideal é iniciar o projeto pelo menos 6 meses antes da data prevista para iniciar a irrigação.

O custo varia bastante, de R$ 6 mil a R$ 12 mil por hectare, com uma vida útil de 15 a 20 anos.

planilha custos de pivô Aegro

Aspersão convencional

A aspersão convencional é amplamente utilizada, com tempo de instalação de 0,6 hectare por dia e sem restrições para a instalação.

O custo gira em torno de R$ 6 mil (manual) a R$ 9 mil (automatizado), com vida útil de mais de 15 anos.

Esses sistemas apresentam uma eficiência média de 75%.

Conclusão

A produtividade do milho verde é diretamente afetada pela falta de água, resultando em queda na produção e espigas de tamanho pequeno.

E neste artigo vimos que o agricultor deve considerar o uso de irrigação para garantir a produção o ano todo, sem se preocupar com o período de escassez de água.

Também falamos sobre os sistemas de irrigação por aspersão, pivô central ou gotejamento e investimentos necessários.

A irrigação é uma tecnologia estratégica na produção de alimentos!

Mas também é preciso aliá-la outras boas práticas como análise de solo, controle de plantas daninhas, manejo integrado de pragas, entre outros. Assim, uma boa colheita é mais garantida!

Espero que essas informações te ajudem a melhorar sua produtividade e alcançar mais rentabilidade na sua lavoura!

>> Leia mais:

“Saiba a previsão do preço do milho em 2021

“Calcule seu custo de produção de milho por hectare”

Gostou do texto? A plantação de milho irrigado pode ser uma boa alternativa para sua propriedade? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Como fazer uma dessecação em pré-colheita de soja eficiente

Dessecação em pré-colheita de soja: Qual o melhor momento para fazê-la, os principais herbicidas e outras dicas para conseguir uma colheita ainda melhor.

Dessecar uma plantação de soja para colheita é uma unanimidade entre os sojicultores.

Mesmo assim, sempre divide opiniões entre pesquisadores e até mesmo os produtores brasileiros se o processo como um todo é viável.

Alguns dizem que a maturação “forçada” da soja pode comprometer no ganho de produtividade final.

Diante de tantas especulações, reuni neste texto o que deve ou não ser feito para que a dessecação apenas acrescente ao bolso do produtor. Confira!

Por que devo dessecar uma plantação de soja?

Levando ao pé da letra, dessecar é um processo que consiste na secagem rápida e extrema de uma planta. Com isso, tiramos toda sua umidade (água) de forma que ela fique completamente seca.

A propriedade rural hoje é vista como uma empresa produtora completa de proteína vegetal e animal.

Logo, se faz necessário que adotemos técnicas, como a dessecação, e meios que permitam agilizar todo o processo de produção de soja para que uma nova safra se inicie.

plantação de soja      Os dois maiores produtores de soja mundiais, Brasil e Estados Unidos, reduziram a estimativa de produção total em relação ao esperado no começo da safra devido a fatores climáticos. Realizar uma boa dessecação pode ajudar a na redução de perdas na colheita e, consequentemente, produtividade.
(Fonte: Foto de Tarso Veloso/ARC em Globo Rural)

Além disso, houve a entrada de cultivares de soja cada vez mais precoces e produtivas para que os produtores pudessem antecipar ao máximo o plantio do milho safrinha.

Toda essa pressa tem nome: janela de plantio.

A janela de plantio é o intervalo respeitado pelos produtores rurais que define qual o período adequado de semeadura conforme a região, devido especialmente a radiação solar, temperaturas e incidência de chuvas.

Fora desse intervalo a plantação de soja não encontrará as melhores condições, portanto, pode afetar diretamente na produtividade de soja.

Objetivos da dessecação da plantação de soja

A dessecação de soja para colheita é usada de forma frequente nos últimos anos. Essa prática possui três benefícios fundamentais para os produtores:

2-plantação-de-soja
(Fonte: Syngenta)

1. Antecipação da colheita

Realizar a semeadura nos primeiros dias da janela de plantio é uma das formas de reduzir os riscos climáticos que são típicos de cada região, sejam eles geadas ou veranicos.

Além disso, a dessecação permite antecipar a colheita da soja, sendo essencial em regiões com possibilidade de realizar a segunda safra, principalmente com a cultura do milho.

Ocorre aqui uma relação que é diretamente proporcional: Se eu respeito minha janela de plantio, eu desseco minha área, antecipo minha colheita e inicio o plantio da safrinha.

A antecipação da colheita pode variar de 3 a 7 dias, dependendo de:

a) Momento da dessecação (umidade do grão);
b) Produto utilizado;
c) Condições climáticas após a dessecação.

2. Uniformidade da plantação de soja

A uniformidade da maturação dos grãos é um fator muito importante, pois permite maior rendimento operacional da colhedora.

Isso reduz os problemas de plantas com haste verde e retenção foliar, o que faz com que a máquina embuche menos, diminuindo de forma expressiva a perda de grãos e menor índice de impurezas.

3. Controle de infestação de plantas daninhas

Com a dessecação é realizado o controle de invasoras que não foram manejadas corretamente no início do cultivo, facilitando assim a colheita.

Qual o momento certo de dessecar a soja?

O momento exato para a dessecação é considerado o ponto mais crítico dessa prática.

Quando a soja completa a sua maturação fisiológica se dá o maior acúmulo de matéria seca, e a partir daí a cultura só perde água.

Isto ocorre a partir do estádio R6.5, onde já não se tem perdas no rendimento.

O mais recomendável é que se faça a dessecação entre os estádios R6.5 e R7.

Utiliza-se normalmente o estádio R7, por ser de mais fácil visualização a campo (folhas mais amareladas).

3-plantação-de-soja
(Fonte: Baseado Pedersen (2007), criado por Erin W. Hodgson (2010) publicado em Hodgson (2012))

VE: Cotilédones emergidos
VC: Folhas unifolioladas expandidas (bordas são se tocam)
V1: 1° folha trifoliolada expandida
R1: 1ª Flor aberta em qualquer nó
R2: Flor aberta no primeiro ou segundo nó do ramo principal
R3: Vagens com 5 mm nos 4 primeiros nós
R4: Vagens com 2 cm nos 4 primeiros nós
R5: Grãos com 3 mm em um dos 4 primeiros nós
R6: Grão verde que preenche a capacidade da vagem em um dos 4 primeiros nós
R7: Uma vagem do ramo principal atingiu a cor de vagem madura
R8: 95% das vagens atingiram a cor de vagem madura

O método usado para conhecer o momento ideal para fazer a dessecação numa área de soja com certeza é uma das principais preocupações do produtor rural.

Por isso, listei algumas dicas que você deve levar em consideração para fazer uma dessecação segura e eficaz:

Dica 1

Os grãos de soja precisam estar com no máximo 58% de umidade. Recolha uma amostra dos grãos que retirou das vagens e faça um teste simples de umidade.

Dica 2

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Folhas e vagens devem estar mudando da coloração verde intenso para verde claro a amarelo.
(Fonte: DuPont Pioneer)

Dica 3

Grãos passando de aspecto esbranquiçado para aspecto brilhoso (Lado A).

Dica 4

Quando, ao abrir a vagem, os grãos estiverem desligados um do outro (não presos por fibras, “desmamados”) (Lado B).

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(Foto: Adaptado pela autora de Edson e Paulo em Informações agronômicas)

Dica 5

Pelo menos uma vagem sadia sobre a haste principal que tenha atingido a cor de vagem madura, normalmente amarronzada ou bronzeada.

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(Foto: Edson e Paulo em Informações agronômicas)

Na agricultura essa secagem é feita com a ajuda de produtos dessecantes, facilmente encontrados em estabelecimentos credenciados para esse tipo de venda.

Nesse momento é necessário muita atenção em que dessecante usar, veja só:

Principais herbicidas para uma dessecação eficiente na pré-colheita

A dessecação pré-colheita da soja é feita com uso de herbicida que quando aplicado na soja causa o mesmo efeito em plantas daninhas: ele seca rapidamente a planta.

Automaticamente as folhas caem e com pouca água em seu interior está feito o trabalho.

O ganho com a dessecação na antecipação da colheita pode variar de 3 a 7 dias, isto depende muito de vários fatores, entre eles:

  • A umidade que o grão apresenta no momento da dessecação;
  • A qualidade do produto utilizado;
  • Condições climáticas após a dessecação.

Para obter os resultados esperados, o agricultor deve sempre respeitar o período de carência dos dessecantes.

Aqui está um complicado nos herbicidas mais usuais na dessecação de soja hoje:

Gramoxone + Agral

  • Dose: 1,0 a 1,5 l/ha + 0,1% v.v.
  • Volume de calda: 150 a 200 l/ha
  • Utilização: dessecação para antecipação de colheita ou lavoura com infestação mista predominante de gramíneas
  • Carência: pelo menos 7 dias.

Reglone + Agral

  • Dose: 1,0 a 2,0 l/ha + 0,1% v.v.
  • Volume de calda: 150 a 200 l/ha
  • Utilização: dessecação para antecipação de colheita ou lavoura com infestação mista predominante de folhas largas
  • Carência: pelo menos 7 dias

Gramoxone + Reglone (+ Agral)

  • Dose: 0,75 a 1,0 l/ha de cada produto (+ 0,1% v.v.)
  • Volume de calda: 150 a 200 l/ha
  •  Utilização: dessecação para antecipação de colheita ou lavoura com infestação mista de gramíneas e folhas largas
  • Carência: pelo menos 7 dias

Ação desses produtos é aquela de contato, ou seja, não translocam (caminham) pela planta.

Por isso, a absorção deles são em 30 minutos, fazendo com que chuvas após a aplicação não interferem na sua ação, além de que não possuem efeito residual.

Se atente para o uso desses defensivos agrícolas que deve ser orientado por um engenheiro(a) agrônomo(a).

Outros benefícios da dessecação bem feita na plantação de soja

Nós já falamos aqui sobre os principais objetivos da dessecação, mas além da uniformidade, antecipação da colheita e eliminação de plantas daninhas temos outros benefícios com essa prática:

  • Venda antecipada, obtendo melhor preço;
  • Capital de giro para aquisição de adubos, sementes e outros insumos;
  • Plantio da cultura subseqüente no limpo;
  • Aproveitamento da maior umidade do solo para a safra seguinte;
  • Melhor resultado na safrinha;
  • Transporte de grãos de soja sem impurezas;
  • Redução de perdas na colheita, como impurezas, proporcionando grãos mais limpos;
  • Melhor qualidade dos grãos colhidos.

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(Fonte: Foto Anderson Viegas em G1 e Ponta Porã Informa)

Desafios com a dessecação

Pode-se perceber as diversas vantagens de utilizar a dessecação na cultura da soja, no entanto, o produtor precisa ficar atento ao momento correto de se realizar a aplicação do herbicida.

Caso a colheita, após a dessecação demore, o produtor pode ter surpresas desagradáveis como:

  • Perdas com abertura de vagens;
  • Maior incidência de grãos “ardidos”;
  • Germinação da soja na própria planta, dentro da vagem, caso ocorra excesso de umidade na lavoura por período prolongado;
  • Perda de qualidade das sementes de soja.

Além disso, se ocorrerem dias chuvosos após a dessecação, pode não haver grande antecipação da colheita.

Entretanto, após a chuva cessar, a perda de umidade é mais rápida na área dessecada.

A velocidade de secagem das plantas de soja vai depender do produto que você usar, da dosagem e, principalmente, das condições climáticas.

A sua colheita ainda pode ser feita sem a dessecação da plantação de soja


A colheita também pode ser feita sem dessecação, mas o produtor deve levar em conta os benefícios da prática, aliado às informações de previsão de tempo.

Assim é necessário que você avalie os riscos envolvidos antes da tomada de decisões.

Por isso, sempre é interessante ter um bom planejamento agrícola, prevendo todas essas condições antes mesmo do plantio da soja.

Respeite o momento certo de aplicação do dessecante, que é fundamental, pois evita perdas no rendimento da cultura, caso seja feito antes do tempo correto, que é a maturação fisiológica das plantas.

Se você fizer a dessecação antes desse ponto, a soja perde massa dos grãos.

A partir desse ponto recomendado, a planta já finalizou o transporte de nutrientes para os grãos e já atingiu o pico de matéria seca e está apenas perdendo água.

É importante também que os produtores de soja que adotam a dessecação da soja sigam as orientações agronômicas de um profissional.

Conclusão

Conhecida por antecipar a colheita, a dessecação em soja sem dúvidas é uma prática que se usada corretamente proporciona somente ganhos ao produtor.

Além disso, a colheita cedo se traduz em melhor plantio de safrinha, uniformiza sua lavoura e pode proporcionar uma colheita mais eficiente.

Aqui vimos as principais orientações para que essa dessecação seja a melhor possível, mas lembre-se que existe a opção sem dessecação para safras chuvosas no período de colheita e a depender de sua estratégia de venda.

Considere todos os benefícios e riscos, tome sua decisão consciente e boa colheita!

>> Leia mais:

“Como fazer o melhor uso de inseticida na dessecação da lavoura”

A dessecação da plantação de soja é comum na sua região? Como costuma fazer? Restou alguma dúvida? Deixe seu comentário abaixo!

Manual rápido da contabilidade agrícola

Contabilidade agrícola: Veja os primeiros passos para começar a contabilidade, como fazê-la de forma fácil e eficiente, além de entender sua importância.

No meio da correria da safra ter que tomar nota de tudo que entra e sai do seu bolso pode parecer perda de tempo.

Se cada minuto investido na lavoura é precioso, mais importante ainda é entender (em números) o quê e como é investido. Os gastos com defensivos comprados de última hora valeram a pena? Quanto aquele fertilizante novo impactou no meu custo?

Só olhar o saldo positivo ou negativo no banco não respondem essas perguntas.

Por isso aqui vamos ver um manual rápido da contabilidade agrícola, conhecendo os principais passos para colocar em ordem as finanças da fazenda.

Contabilidade agrícola: o que é e sua importância para a fazenda

De cara, quando nos deparamos com o nome contabilidade (rural ou agrícola) a primeira coisa que nos vem a mente são todos aqueles números, com tabelas impossíveis de entender.

Balanço patrimonial, ativo circulante, fluxo contábil e inventário periódico são alguns termos complicados que sempre aparecem. Mas aqui vamos ver que não precisa ser assim. Podemos facilitar essas tabelas e números sem perder a qualidade do controle financeiro.

E, se está pensando que ela é usada somente para grandes produtores, você está enganado. Em pequena ou grande propriedade a agricultura sempre é complexa, envolvendo inúmeros custos.

contabilidade agrícola

(Fonte: Escola Aberta)

Além disso, sempre estamos buscando melhores tecnologias, sementes, técnicas de máquinas e outros a fim de alcançar uma melhor produtividade.

Mas nem sempre damos importância ao fato de que é preciso utilizar todos esses recursos verificando se a produtividade a mais compensou os gastos. Com isso, não conseguimos saber no que realmente vale a pena investir.

Muitos produtores rurais do país dizem que ganham dinheiro, mas não sabem quanto. A produção de grãos em muitos casos é levada como Deus quer”, Gustavo Pedroso.

Dessa forma, a contabilidade chegou no campo como uma ferramenta que te apresenta todas essas informações bem claras e objetivas.

A contabilidade agrícola e capaz de auxiliar você nas tomadas de decisões, já que possibilita a melhor visualização de como administrar as atividades e resultados.

Contabilidade agrícola e registros: O primeiro passo

Antes de mais nada, registre tudo o que você possui em sua propriedade e tudo o que você faz na safra, especialmente as datas e todos os custos.

Para facilitar, você pode separar esses registro em 3 categorias:

  1. Patrimônio;
  2. Estoque;
  3. Atividades.

Registro do seu patrimônio

Nos dias de hoje, a gestão empresarial é importante e necessária nas mais variadas áreas e segmentos do mercado, inclusive nas propriedades rurais. E, uma das ações de extrema importância é a realização de um inventário completo de uma propriedade rural.

Já que é por meio do mesmo que o indivíduo, dono da fazenda ou outra propriedade rural, tem controle sobre os bens da sua propriedade de uma forma integral.

Se atente a detalhes como: a fusão de instituições, valor do ativo, reserva legal, licenciamento ambiental, partilhas, valor de locação, incorporações e outro.

Podemos então destacar que é por meio de tal inventário completo de uma propriedade rural que o dono da mesma tem total controle sobre os processos que envolvem a sua fazenda, além de ter total controle da avaliação dos processos, dados e bens da mesma.

A avaliação de máquinas e demais equipamentos agrícolas, obras rurais, vegetação também precisam constar no seu registro de patrimônio.

Tenha o controle de seu estoque por meio dos registros

É um serviço trabalhoso, mas isso lhe dará segurança para tomadas de decisão e controle da sua propriedade. Além disso, somente a primeira vez desse levantamento realmente será trabalhosa.

Depois, conforme for comprando os insumos e outras necessidades, o hábito de registrar já vai virar rotina. Assim, comece anotando que achar melhor, tudo o que possui guardado em seu depósito, seja defensivo agrícola, adubo, semente, etc.

Mantenha uma sequência de organização, anotando cada objeto conforme sua data de validade e seu lote, por dessa forma você sabe o que deve usar com maior rapidez.

Isso te deixa atento a quantidade de produtos que estão com prazo de validade pequeno e principalmente, o que você deve comprar para completar seu estoque.

Percebeu que são muitas informações que facilmente você pode perder a organização? Tente os registros por meio de planilhas de excel ou softwares agrícolas. Aqui vamos disponibilizar uma planilha grátis de controle de estoque.

Mas para visualizar realmente seu estoque e automatizar a saída e entrada de produtos, é um software agrícola que você procura.

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Veja como o Aegro pode te ajudar no controle de estoque aqui.

Registre suas atividades e entenda melhor seus custos

Boa parte dos agricultores cometem o erro de não registrar todos os fatos contábeis, como as atividades agrícolas por talhão.

Estes dados muitas vezes são guardados apenas na memória do dono do negócio e, assim, pequenos descontroles vão se acumulando em uma verdadeira “bagunça”, prejudicando todo o planejamento.

Dificilmente em uma propriedade de terra você possuirá padrões uniformes de terra. Por isso, saber quais foram as atividades agrícolas, registrando o quanto elas custaram e qual foi a produtividade, é essencial para conhecer o seu negócio. Assim, anote:

  • Qual a data de realização;
  • Qual a atividade agrícola (plantio, adubação, pulverização, etc.)
  • Qual foi o talhão em que foi realizada a atividade (identificação do talhão e área);
  • Insumos utilizados e seu preço (incluindo o combustível);
  • Anote a produtividade por talhão na colheita.
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Assim você saberá exatamente o manejo em cada talhão e qual foi a resposta em produtividade. Isso resultará em maior detalhe e controle das suas movimentações financeiras e na sua rentabilidade. Ou seja, em uma contabilidade agrícola bem feita.

Além disso, sempre vai ter um talhão que tem mais foco de doença, maior incidência de um certo tipo de lagarta, histórico de nematoide em outro, e assim vai. Por isso, separar em talhões conformes essas características te proporciona conhecer 100% da sua área em tempo real, assim nada vai sair de forma generalizada.

– “… No talhão C, na próxima safra que já sei que tenho que comprar mais herbicida porque percebo uma reboleira resistente de uma daninha”.

Com os registros você saberá exatamente quanto foi investido em cada um desses talhões, e na próxima safra poderá se programar melhor considerando as diferenças entre áreas e o manejo passado.

Se atente para todos os gastos envolvidos na produção agrícola

Anote também gastos que sempre deixa passar batido, como o que você gasta em impostos, manutenção preventiva de máquinas, diesel, mensalidades de maquinários, etc.

Para isso, ter um fluxo de caixa em ordem é essencial, sendo que disponibilizamos aqui uma planilha grátis de fluxo de caixa para você começar o seu.

fluxo de caixa Aegro, baixe agora

Para ter ainda mais precisão, é indicado a comparação das despesas registradas com as movimentações feitas no banco, processo que fica ainda mais prático com a ajuda da função de conciliação de extrato bancário por arquivo OFX oferecida pelo Aegro.

Com esse controle mais detalhado, muitas vezes, gastos que não damos muita importância podem representar um alto impacto nos custos totais.

Elivelton, por exemplo, descobriu que o custo de manutenção de uma máquina era tão alto que compensava a compra de outra nova. Mas ele só conseguiu visualizar isso quando obteve o controle das finanças pelo Aegro. Veja a história completa neste caso de sucesso.

Separe gastos pessoais com os gastos da fazenda

Um dos erros mais comuns é a confusão patrimonial. Nós acabamos misturando as despesas pessoais com as da atividade profissional, já que por vezes se trata de uma empresa familiar rural.

Isso é péssimo porque envolve toda renda de uma atividade que participam outras pessoas que não são da família. Acontece muito, por exemplo, trocar de caminhonete e esquecer que isso é um patrimônio pessoal. Essa despesa jamais deve ser envolvida com a receita da fazenda.

Por isso, tenha contas separadas e faça o controle financeiro de sua família separado do financeiro da fazenda.

Se atente para a folha salarial na sua contabilidade

Nada mais justo do que chamar a propriedade rural de empresa, isso porque ela engloba todos os processos comuns de uma. A empresa rural mensalmente tem a responsabilidade de saber como contabilizar folha de salarial e tomar nota de tudo em sua contabilidade.

E por ser uma obrigatoriedade da lei, esse processo não exige só atenção, mas planejamento para que os documentos sejam montados da forma correta. É por meio dela também que é possível planejar gastos e ser um apoio de controle financeiro.

Para que o processo de como contabilizar folha salarial seja organizado da maneira correta é necessário se atentar as seguintes informações:

  • Definir a categoria dos trabalhadores;
  • Fazer uma análise das horas trabalhadas;
  • Calcular os encargos, imposto de renda pra produtor rural e outros;
  • Calcular os benefícios legais.

Se isso for feito de forma correta, minimiza as chances de erro na montagem da folha de pagamento. Além controle financeiro, a folha salarial é uma obrigatoriedade da lei e um direito do colaborador.

Banner para baixar o kit de planejamento tributário rural

Você não precisa fazer tudo sozinho: Escolha um serviço de contabilidade geral

É claro que você precisa estar ciente e no controle de suas finanças e contabilidade agrícola. Porém, alguns termos legais, documentos para declarações governamentais, documentos para pessoa jurídica e outros são necessários conhecimento técnico de contabilidade.

Esses profissionais vão pegar as informações da sua contabilidade agrícola, dividir entre ano agrícola x exercício social.

Ele vai verificar as atividades agropecuárias (criação de animais, como bovinos, apicultura avicultura, etc.) se houver (contabilidade agropecuária), quais são os produtos agrícolas da sua propriedade (culturas temporárias e permanentes), fazendo a operacionalização do plano de contas inventário.

Assim, escolha um profissional de confiança para assegurar os dados de sua atividade rural e tenha todos os documentos legais feitos adequadamente.

Facilite sua contabilidade agrícola com um software agrícola

Diante de tudo isso, eu garanto a você que todo o sucesso na sua contabilidade só é possível com organização e fácil visualização dos dados. E isso só conseguimos com o uso de software de gestão agrícola.

Como já comentei, quando falamos em contabilidade já temos em mente as tabelas impossíveis de entender. Mas não precisa ser assim. A contabilidade agrícola deve fazer parte da rotina, fácil de ser visualizada e monitorada. Nada pior para isso do que dados em papéis, planilhas e espalhados por aí.

Além disso, na correria do dia a dia podemos esquecer de anotar vários detalhes que podem fazer diferença no final do mês.
O Aegro é um software que engloba todas essas características: todas as informações em um  mesmo lugar, maior automatização dos dados e fácil visualização dos mesmos.

Isso resulta em uma gestão agrícola melhor, com menos tempo perdido dentro do escritório. Você pode começar pelo aplicativo grátis disponível em:

Aegro aplicativo de gestão rural

Simplifique a gestão do seu negócio com a importação financeira de contas a pagar e receber

A importação de histórico financeiro é o jeito mais simples e prático de começar a utilizar o Aegro. 

Importe os dados de contas a pagar e receber de suas planilhas ou de outras ferramentas e ganhe agilidade no uso do sistema. Assim, você mantém o controle do seu histórico e garante a eficiência do seu time, reduzindo o tempo gasto com a digitação dos dados para outras atividades.

Seus dados são importados de uma vez, permitindo que o Aegro utilize as informações para gerar as análises necessárias para o controle do negócio.

Tela que mostra importação de histórico financeiro com Aegro

Conclusões

A contabilidade agrícola quando aplicada em uma propriedade rural, de pequeno, médio ou grande porte, apresenta benefícios. Para isso, é muito importante o registro correto e constante dos insumos, atividades agrícolas e patrimônio da fazenda.

Manter essas informações organizadas e fáceis de serem visualizadas é tão relevante quanto fazê-las.

Aqui vimos mais detalhes sobre esses registros e como você pode mantê-los de forma fácil de serem visualizados. Aproveite as dicas e comece hoje mesmo sua contabilidade agrícola!

>>Leia mais:

Imposto de Renda Produtor Rural: Esclareça as principais dúvidas sobre a declaração

Enquanto o Leão não vem: Faça o planejamento tributário da fazenda em 5 passos

Nota fiscal eletrônica de produtor rural obrigatória? Veja o que fazer

Como você faz sua contabilidade agrícola hoje? Usa alguma planilha ou software agrícola? Tem mais dicas? Deixe seu comentário abaixo!

Como escolher as melhores cultivares de soja para sua lavoura

Cultivares de soja: veja como escolher a melhor considerando sua região e tipo de solo, além de conhecer as cultivares mais utilizadas e outras dicas imperdíveis.

A cultivar é responsável por 50% do rendimento final da sua lavoura.

Por isso temos um cuidado tão grande na escolha da cultivar adequada, já que isso ajuda a  definir o sucesso ou não da produção de grãos.

Essa escolha é ainda mais importante aqui no Brasil.

Isso porque temos a maior extensão (de terra) vertical do mundo, resultando em diversos padrões de chuva, umidade, radiação solar e temperatura.

E regiões tão distintas exigem cultivares distintos. Mas você sabe o porquê disso? E como fazer a escolha certeira?

Aqui vamos entender tudo isso para que você faça a melhor seleção de cultivares e consiga as melhores produtividades!

O que são cultivares de soja?

Cultivar é um nome dado a determinada forma de uma planta cultivada, no caso a soja, que corresponde a um tipo de genótipo (genes) e fenótipo (aspecto visível) que foi selecionado.

Essa cultivar recebeu um melhoramento genético para que ela se adapte a um tipo característica que é procurado.

Alguns exemplos de qualidade das cultivares:

  • Resistentes aos insetos-pragas;
  • Resistentes à doenças;
  • Resistentes aos nematóides;
  • Resistentes à outras tecnologias (intacta, soja RR, etc);
  • Tolerantes à seca;
  • Tolerantes a geadas, dentre outras.
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Numa mesma lavoura, dois tipos de cultivares de soja: existem diferenças no formato das folhas, arquitetura e grupo de maturação.
(Foto: Agrobranco)

A cultivar ideal pode te fazer toda a diferença, tanto em remuneração quanto em produtividades. Vamos entender mais a seguir:

Como as cultivares de soja influenciam na produtividade?

Todo produtor busca somente uma coisa: altas produtividades para resultar bons lucros.

O mercado de sementes é extremamente competitivo. Assim, há uma constante busca por novas tecnologias e métodos de manejo.

Isso aumentaria a produtividade com a diminuição de custos.

Para isso, é necessário que se conheça a fundo as características da cultura e de cada cultivar em específico, como:

  • suas características agronômicas,
  • sua capacidade produtiva, e
  • seu comportamento nos diversos ambientes levando em conta as condições do clima e o fotoperiodismo (tempo de luz em um dia).

Além disso, um grande número de fatores pode interferir na produtividade da cultura da soja.

No entanto, a reunião de todos estes fatores corresponde onde devemos atuar no manejo, sendo que o ponto central é a planta e seu potencial de usar estes fatores para expressar seu potencial produtivo.

Assim, se estamos em uma região com maior ocorrência de estiagem, temos que procurar por cultivares mais tolerantes à seca. Se estamos em área com grande infestação de lagartas, vamos comprar uma cultivar resistente à elas, e por aí vai.

Pra você ter ideia da importância das cultivares temos o caso da soja no Brasil.

O caso das cultivares de soja no Brasil

No final da década de 70 foi desenvolvido o Período Juvenil Longo pelos trabalhos de melhoramento de soja para regiões de baixa latitude

As cultivares de soja puderam ser plantadas em expansão para os trópicos, porque nesse momento a planta não floresce, mesmo sob dias curtos.

Até então, o fotoperíodo mais curto dessa região durante o verão causava florescimento precoce (redução do período vegetativo), que significa perda de porte e produtividade da soja.

Com a descoberta e desenvolvimento do período juvenil longo, foi possível cultivar a soja nas regiões mais próximas do Equador no Brasil, como o Cerrado e regiões mais ao norte.

Isso permitiu que a soja fosse cultivada por todo o país.

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Épocas de plantio e colheita da soja por todo o Brasil
(Fonte: Mapa em Monsoy)

Ao invés de ciclos, grupos de maturação

Estamos acostumados a escolher uma cultivar conforme seu ciclo: superprecoce, precoce, semiprecoce, médio e tardio

Porém, essa denominação foi ficando ultrapassada porque generalizam demais as características da soja e isso confundia a identificação do ciclo da cultura no campo.

Uma nova nomenclatura vem ganhando força entre os produtores por meio de palestras, dias de campo, vitrine de cultivares de empresas e outros: são os grupos de maturação.

Os grupos de maturação de soja possibilitam a você um refinamento na caracterização, uma vez que te oferece uma precisão maior na maturidade plena do material.

Isso te permite conhecer com mais certeza a quantidade de tempo que uma determinada cultivar vai levar para chegar ao ponto de colheita no campo.

Portanto, se identificadas conforme essa nomenclatura, as comparações entre as cultivares são mais fáceis.

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Distribuição dos grupos de maturação de cultivares de soja no Brasil, em função da latitude.
(Fonte: Fundação Meridional Adaptado de Allprandini)

E como são determinados os grupos de maturação para soja?

Os grupos de maturação (GM) variam de acordo com a latitude e são classificados por uma numeração de 0 (mais próximo dos pólos) a 10 (mais próximo do Equador, ou seja, mais ao norte do Brasil).

Numeração: As variedades são classificadas numericamente da seguinte forma:

  • Número abaixo de 6.0: super-precoces
  • Número entre: 6.0 a 6.5: precoces
  • Números próximos de 7.0: ciclo normal
  • Até a número próximo ou igual a 10: tardias

Essa numeração separa as cultivares de soja em grupos de acordo com sua região de melhor adaptação, levando em consideração o tempo de luz por dia (fotoperíodo) em cada região.

Devido à sensibilidade da soja ao fotoperíodo, a adaptabilidade de cada cultivar varia à medida em que se desloca o seu cultivo em direção ao sul ou ao norte, ou seja, quando varia a latitude.

Agora vamos como escolher essas cultivares de soja por grupo de maturação no Brasil:

Como escolher cultivares de soja por grupo de maturação

Primeiro, vamos ter em mente que uma cultivar do grupo de maturação 6 é a mais precoce que a cultivar do grupo 7, bem como a 9.2 é  mais tardia que a do grupo 8.

Nas regiões mais próximas à linha do Equador, os dias são mais curtos no verão e a soja tende a florescer mais cedo.

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Isso diminui o ciclo vegetativo  da soja e reduz a altura das plantas, principalmente nos cultivares com hábito de crescimento determinado.

Para amenizar essa resposta negativa ao fotoperíodo , podem ser usadas cultivares com período juvenil mais longo ou de hábito de crescimento indeterminado.

Geralmente, nessas regiões são plantadas cultivares do Grupo de Maturação 8.0 a 10.0.

Assim quanto mais ao norte do Brasil, utilizaremos grupos de maturação de maior valor.

Na região centro-sul do Brasil, compreendido pelos estados do RS até SP predominam cultivares dos grupos 5 a 7. Enquanto que na região dos cerrados predomina grupos de 7 a 8.5.

Uma mesma cultivar em diferentes regiões possui o mesmo ciclo?

Para compreender melhor, vamos para um exemplo.

Comparando-se cultivares precoces em diferentes locais do Paraná, a duração do ciclo pode ser de 117 a 123 dias no oeste, menor do que 115 dias no norte e maior do que 125 dias no centro-sul do Estado.

Assim, o ciclo da mesma cultivar pode ter uma variação de 10 a 12 dias de uma região para outra.

No verão, os dias são mais longos no Sul do Brasil (alta latitude) do que próximo ao Equador (menor latitude), havendo assim maior fotoperíodo.

Para a cultura da soja, quanto menos luz houver, mais rapidamente ela entrará em estágio reprodutivo (florescimento).

Assim, cultivares dos GMs com numeração mais alta e, consequentemente, melhor adaptadas às regiões próximas ao Equador têm ciclo mais curto.

Portanto, o ciclo de uma cultivar é menor em latitudes baixas (Norte do Brasil) e também em altitudes baixas (menor radiação).

Cada alteração de um décimo de unidade no grupo de maturação significa aproximadamente dois dias de variação no ciclo.

Agora que já entendemos sobre o grupo de maturação, vamos ver como escolher as cultivares de soja por região edafoclimática:

Zoneamento agrícola de Risco Climático (ZARC) e cultivares de soja

O ZARC é um estudo elaborado com o objetivo de minimizar os riscos das condições climáticas.

Esse estudo também permite identificar a melhor época de semeadura, nos diferentes tipos de solo , ciclos de cultivares e em cada município.

O ZARC é divulgado por portarias que estão neste site. Ao entrar no site selecione o estado em que sua propriedade está.

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Depois selecione a cultura em questão, no caso a soja, baixando um arquivo. Neste documento você encontrará as cultivares de soja mais adaptadas à sua região.

Além disso você poderá conferir os períodos mais indicados de semeadura em função da cultivar e tipo de solo, conferindo os riscos nessas diferentes condições.

Por exemplo, para o estado de Mato Grosso e município de Acorizal, e supondo que meu solo é do tipo 2 (textura média).

Lembrando que a Embrapa classifica os solos em tipo 1 (arenoso), tipo 2 (textura média) e tipo 3 (argiloso) e supondo que minha área é do tipo 2.

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Então, por aí eu sei que ao escolher as cultivares do Grupo I devo fazer a semeadura 11 de Outubro até 31 de Dezembro para correr menos riscos (20%).

Naquele arquivo que você baixou, também é possível verificar as cultivares indicados para sua região e para cada um dos grupos (I, II e III).

Por isso, recomendo muito que você visite esse site do MAPA e verifique essas informações tão importantes para a sua produção de soja.

Principais cultivares de soja mais plantadas no Brasil atualmente

Cultivares de soja da Embrapa

A Embrapa soja possui um portfólio completo de cultivares de soja que se enquadram em todo o Brasil.

Ela possui desde sementes com a tecnologia intacta e RR, como também a soja convencionalO portfólio completo você pode encontrar AQUI.

Cultivares de soja da Brasmax

A empresa é muito conhecida por seu melhoramento genético de suas sementes lavoura. A Brasmax possui um variado portfólio de cultivares de soja para as regiões Sul e Cerrado do país.

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O portfólio completo você pode encontrar AQUI.

Cultivares de soja RR

Cerca de 96% das cultivares comercializadas em território nacional possuem a tecnologia RR.

Isso significa que as cultivares de soja RR possuem a tecnologia Roundup Ready, resistente ao glifosato.

Com a modernização do banco de germoplasma das empresas, a nova geração de cultivares RR ganhou ciclos mais precoces.

Além disso, essas cultivares têm alta carga produtiva, além do porte de planta que favorece o manejo da cultura para o agricultor, tornando-se uma opção altamente competitiva

Saiba mais sobre cultivares transgênicos neste artigo: “Como a tecnologia está ajudando a evoluir o agronegócio brasileiro”.

Cultivares de soja convencional

Livre da taxa tecnológica dos OGM´s (Organismos Geneticamente Modificados), a soja convencional vem recuperando seu espaço.

Isso porque essas cultivares também apresentam produtividade competitiva e possibilidade de bonificação especial na sua venda.

Cultivares como a BRS 284 da Embrapa ganham sucessivos concursos nacionais de produtividade.

Nesses concursos as cultivares concorrem em condições de igualdade com as tecnologias hoje disponíveis. Isso mostra o potencial produtivo dessas plantas convencionais.

Banner de chamada para download da ferramenta: calculadora de custos por saca

Outros cuidados para realmente fazer a escolha correta de cultivares de soja

Diante de tantas opções, a escolha de cada cultivar deve atender às particularidades de sua área. Até porque, não existe uma cultivar que consiga atender a todas as situações.

Essa é uma decisão que cabe ao responsável técnico pela propriedade e à você.

Dessa forma, é preciso fazer uma avaliação completa das informações geradas pela pesquisa, assistência técnica, empresas produtoras de sementes, experiências regionais e pelo comportamento em safras passadas.

Vale a pena pesquisar sobre as cultivares de soja indicadas na sua região, orçando preços de toda a operação.

Isso inclui preço de sementes, custo do inoculante para soja, tratamento de sementes e operação com as máquinas agrícolas.

Você deve colocar também neste orçamento os gastos com inseticidas e herbicidas, já que temos disponível diferentes cultivares que permitem diferentes manejos.

Coloque esse orçamento no seu planejamento agrícola e assim tenha a certeza do que vale mais apena.

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Com o Aegro você consegue ter todo seu orçamento de forma organizada, fácil de ser visualizada e muito mais automatizada. Fale com um de nossos consultores aqui.

Conclusões

Existe uma vasta gama de opções para a escolha da cultivar ideal para sua lavoura.

E para facilitar, os grupos de maturação e os documentos divulgados pelo MAPA têm sido uma forma de identificação precisa na escolha da cultivar que se adeque às condições que sua propriedade exige.

Mas lembre-se que essa escolha depende de um bom planejamento agrícola, orçando todos os custos envolvidos e considerando toda as condições da sua propriedade.

Converse com o seu agrônomo(a), aproveite as nossas dicas e boa semeadura!

>> Leia mais:

Cuidados que você deve ter para evitar deficiência de potássio em soja

Como fazer o armazenamento de sementes de soja e assegurar a germinação

Não erre mais: tudo o que você precisa saber para a compra de sementes de milho

Como você escolhe hoje as cultivares de soja para formar sua lavoura? Tem mais alguma dica? Ficaram dúvidas? Conte para nós deixando um comentário abaixo!

Análise química do solo: o porquê da sua realização

Análise química do solo é a forma de conhecer a dinâmica de nutrientes do mesmo. Assim, aqui vamos discutir sobre os tipos de análises e recomendações para o melhor manejo de seu solo.

A safrinha se encerrando e você já começa a se programar para a safra. De cara algumas dúvidas aparecerem em sua mente:

“- Bom, todo ano eu adubo certinho, minha terra está bem e dessa vez não vou jogar tanto adubo porque gasto muito dinheiro com isso!”.

É comum também ouvir que de um ano para outro não muda nada a composição do solo, e que as análises valem por pelo menos 3 safras.

Mas a verdade é que não é bem assim. Essas análises frequentes fazem toda a diferença na produção final.

Por isso, confira comigo porque a análise química do solo é uma das práticas mais importantes e demais recomendações:

Fazer a análise química do solo é importante para a agricultura?

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A diferença visível entre milho com adubação adequada e inadequada de fósforo.
(Foto: Embrapa)

A maior parte dos solos brasileiros não apresentam condições químicas naturais adequadas para sustentar um bom desenvolvimento das culturas.

Além disso, mesmo se o solo possuir grande fertilidade, com o tempo as sucessivas culturas vão exauri-lo, ou seja, diminuir muito as quantidades de nutrientes.

Dessa forma, os produtores precisam melhorar o grau de fertilidade dos solos a fim de se obter sucesso em suas lavouras.

Para isso, é preciso conhecer as quantidades de nutrientes para reposição, além de melhorar as condições de solo com calagem, gessagem e fosfatagem quando necessário.

E é somente com as análises química e física do solo que você vai saber disso.

Então, vamos discutir mais sobre isso:

Uma análise física e química do solo influencia na adubação?

A ferramenta mais utilizada para definir como isto será feito (principalmente quais os produtos a serem utilizados e quanto aplicar) é a análise química de solo.

Sem uma análise completa e um adequado programa de calagem e adubação, o sucesso estará distante do lucro do agricultor.

É muito importante você fazer a avaliação e o monitoramento das condições de fertilidade da área a ser cultivada.

Portanto, o responsável pela propriedade rural deve estar preparado para resolver questões relacionadas à interpretação dos resultados das análises.

Para começarmos a entender melhor sobre essas análises vamos entender sobre cada uma delas:

Os 3 tipos de análises de solo mais usadas na agricultura:

1. Análise química de solo

A análise química do solo avalia a fertilidade, determinando a acidez e disponibilidade de nutrientes às plantas.

Sendo um importante instrumento na orientação da tomada de decisões, cada etapa de execução de uma análise de solos deverá ser seguida rigorosamente:

a) Amostragem do solo: Uma amostra de solo consiste em uma pequena porção de solo capaz de representar a gleba. Falaremos com detalhe mais adiante.

b) Determinações químicas: Esta etapa é realizada no laboratório, o qual você deve escolher um de confiança e credenciado (veja mais sobre isso aqui).

c) Interpretação dos resultados da análise química do solo, além da física, e recomendações de corretivos e quantidade de adubos.

d) Implantação das recomendações: com as recomendações técnicas baseadas na análise química do solo e manejo, cabe a você implantar as mesmas.

2. Análise granulométrica (física) do solo

Consiste em se realizar a determinação dos teores de areia, silte e argila.

Isso auxilia, por exemplo, na adequada interpretação dos teores de nutrientes no solo.

Além disso, é a análise que determina a textura do solo, muito melhor e mais assertiva que estimar pela botina ou na mão.

No caso da textura do solo temos que ter em mente que esse é um dos parâmetros para a caracterização do solo, sendo realizada apenas uma vez na área.

3. Análise Química de Tecido Vegetal (Planta)

Esse tipo de análise é menos utilizada que as primeiras análises descritas acima.

Mas é com ela que você verifica a interação  solo-planta-clima, verificando se o seu manejo está sendo efetivo.

Com a análise química do tecido vegetal, identifica-se possíveis deficiências, toxicidades e ainda distingue sintomas provocados por doenças dos problemas nutricionais.

Entre todos os órgãos da planta, normalmente a folha é que reflete melhor o estado nutricional de carência.

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(Fonte: Embrapa)

As análises foliares são realizadas durante o ciclo da cultura para verificação do estado nutricional e ajudar a diagnosticar algum problema na lavoura.

Assim, esse tipo de análise é complementar às análises de solo.

Enquanto a análise foliar é durante a safra, as análises de solo devem fazer parte do planejamento da instalação das culturas agrícolas.

Falando em planejamento, veremos agora como realizar a amostragem de solo para que você possa fazer seu planejamento de análises com segurança:

Passo a passo de uma amostragem de solo

Por mais importante que a análise de solo seja, ela não corrige os erros cometidos no momento da coleta das amostras.

Por isso, para se obter amostras de solo que sejam representativas da área a ser cultivada, deve-se adotar os seguintes passos:

1⁰ Passo: Defina os locais de amostragem

Os solos não são homogêneos, possuindo grande variabilidade devido às manchas de solo, diferentes tipos de manejo, culturas, declives, etc.

Por essa razão você deve dividir a área de amostragem conforme as diferenças no terreno. Para cada gleba devem ser coletadas amostras em separado, como na figura:

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(Fonte: Phytus Club)

Nessa subdivisão, considere os seguintes aspectos:

  • Culturas diferentes;
  • Cor e tipo de solo;
  • Topografia e relevo;
  • Textura;
  • Vegetação;
  • Histórico do solo: emprego de corretivos e fertilizantes, culturas utilizadas anteriormente, etc.

Depois que vc separou em áreas uniformes, se necessário, faça uma subdivisão de cada uma, de forma que seu tamanho máximo não ultrapasse 10 a 20 hectares.

2⁰ Passo: Colete várias subamostras em diferentes pontos

A amostra representativa de uma gleba é aquela que melhor reflete as condições de fertilidade da área amostrada.

Para a coleta da amostra, o método zigue-zague é o mais utilizado para pequenos produtores e por produtores que não possuem recursos como aparelhos de GPS.

Porém, se você já é adepto da Agricultura de Precisão em sua propriedade, o método em grade é o mais recomendado.

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À esquerda, o sistema de coleta de amostra convencional. À direita, a amostragem em grade (grid)
(Foto: Nutrical)

O número de pontos de amostragem dependem muito do método que você vai utilizar. Logo, saiba como fazer análise de solo por esses diferentes métodos neste artigo.

A profundidade de amostragem deve ser definida de acordo com a cultura que está sendo ou será cultivada.

Assim, amostramos a camada de solo que será explorada pelo maior volume sistema radicular da cultura:

  • Culturas anuais e pastagens: amostragem na camada de 0-20 cm;
  • Pastagens já estabelecidas: amostragem em 0-10 cm;
  • Culturas perenes: a amostragem deve ser realizada em camadas, como em 0-20, de 20-40 e de 40-60 cm, constituindo amostras compostas por camada;
  • Áreas com suspeita de acidez em subsuperfície: amostre o perfil do solo até 60 cm de profundidade, seja para culturas anuais ou perenes.

Além disso, se atente ao local de amostragem conforme a cultura no campo:

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(Fonte: Phytus Club)

3⁰ Passo: Forme as amostras compostas

Para se conseguir uma amostra representativa, é necessário que você colete várias amostras em diversos pontos e misturá-las bem no balde.

Transfira cerca de 500 gramas dessa mistura para um saco plástico limpo e sem contaminantes.

Dessa forma, você obtém uma amostra composta, a qual vai representar aquela determinada gleba.

Além disso, não é recomendável você retirar amostras de locais próximos de:

  • Residências
  • Galpões
  • Estradas
  • Formigueiros e/ou cupinzeiros
  • Depósitos de adubos
  • Terreno encharcado (brejos)
  • Voçorocas (sulcos de erosão)
  • Árvores, etc.

4⁰ Passo: Envie para um laboratório credenciado

A escolha do laboratório de análises de solo deve ser levada em consideração na obtenção de resultados com qualidade.

Laboratórios idôneos e que investem em tecnologias são fundamentais para o sucesso do processo como um todo.

Desse modo, veja como escolher um laboratório de análise de solo da sua região aqui.

Época e frequência da análise química do solo

A análise  de solo deve ser repetida em intervalos de um a três anos, dependendo  da intensidade  da adubação, do número de culturas de ciclo curto consecutivas ou do estágio de desenvolvimento de culturas perenes.  

Assim, recomenda-se maior frequência em áreas com exploração com culturas anuais e solos arenosos e que recebem maiores aplicações de fertilizantes e corretivos.

Quanto à época de coleta das amostras de solo, elas podem ser realizadas em qualquer época do ano.

No entanto, para culturas anuais é interessante ter a análise química do solo antes do plantio e após a calagem.

Assim, os resultados permitem tomada de decisão mais assertivas para a futura lavoura.

Isso permite que a fertilidade do solo não seja um fator limitante à produtividade das culturas naquele e demais anos agrícolas.

análise química do solo

(Fonte: Zbynek Burival em Unsplash)

Aplicação das análises do solo no dia a dia da lavoura

É claro que a principal aplicação das análises envolve a quantidade de fertilizantes, corretivos e condicionadores do solo.

Mas vai além disso. Solos com texturas arenosas, por exemplo, não conseguem reter muitos nutrientes, sendo indicado maior parcelamento dos fertilizantes.

Ademais, o solo é um dos fatores mais importantes na escolha da dose do herbicida a ser usado.

A dose de herbicida a ser empregada por produtos residuais (aqueles absorvidos pelas raízes das plantas), depende, além da cultura e das plantas daninhas, da textura, da CTC efetiva e da matéria orgânica do solo.

Geralmente solos com textura leve e nível de matéria orgânica baixo requerem doses menores de herbicida do que solos pesados e com maior nível de matéria orgânica para proporcionar controle efetivo das plantas daninhas.

Assim,  os herbicidas pré-emergentes e alguns pós-emergentes que possuem ação residual, têm recomendação diferenciada para cada tipo de solo.

Normalmente, a menor dose é usada em solos arenosos, a dose intermediária em solos médios e a maior em solos argilosos.

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Bula do herbicida Sumisoya (flumioxazin) para pré-emergência da cultura e das plantas infestantes
(Fonte: Docplayer)

Conclusões

As análises de solo são ferramentas fundamentais que permitem a utilização de práticas confiáveis de manejo no processo de produção agrícola com sustentabilidade ambiental.


Especialmente com a análise química do solo, podemos fazer um planejamento agrícola adequado, sem perda de tempo nem desperdícios.

É dessa maneira que vamos oferecer as melhores condições de produção e de qualidade às culturas

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Como você faz a análise química do solo hoje? Tem um planejamento agrícola que envolve a amostragem de solo e demais análises? Possui mais dicas que não citei aqui? Deixe seu comentário abaixo!