Você faz plantio direto na sua área mas tem problemas com o manejo de plantas daninhas?
Ou fica na dúvida do que aplicar para um controle eficiente nesse sistema?
A cobertura do solo traz muitos benefícios, podendo aumentar sua produtividade em 30%.
Os benefícios incluem o manejo de plantas daninhas, mas requer cuidados.
Além, é claro, de algumas dicas que você precisa saber para um bom manejo.
Confira todas elas aqui e agora:
Benefícios do plantio direto no manejo de plantas daninhas
Se você ainda não sabe os principais benefício do plantio direto, aqui estão eles:
- Eliminação ou redução das operações de preparo de solo;
- Manutenção da cobertura morta (palha): maior umidade, menor erosão, efeitos nas plantas daninhas, etc;
- Rotação de culturas: quebra de ciclo de pragas, doenças e plantas daninhas.
Todos esses pontos têm grande influência no manejo de plantas daninhas, e todos eles podem ser utilizados a favor do controle das plantas daninhas.
Então a resposta é sim, o plantio direto como um todo podem ajudar no manejo de plantas daninhas.
A palha é o principal ponto do plantio direto que afeta o crescimento da população de plantas invasoras no sistema de plantio direto:
Os efeitos da palha no manejo de plantas daninhas em plantio direto
A palha tem 3 diferentes efeitos no manejo de plantas daninhas:
- Efeitos Alelopáticos: há muitas substâncias que são liberadas pela palha, neste caso, impedindo a germinação do banco de sementes de plantas daninhas;
- Efeitos Físicos: é preciso que a semente tenha reservas significativas para conseguir transpor a palha, fazendo com que somente sementes grandes germinem; com menos luz chegando ao solo, apenas as sementes fotoblásticas negativas ou neutras (que germinam no escuro ou são indiferentes) conseguem germinar;
- Efeitos Biológicos: degeneração das sementes por macro ou micro-organismos do solo.
Mas é preciso entender que as práticas de controle precisam ser adaptadas em relação ao sistema convencional de plantio.
Assim se forem adotadas as mesmas práticas de controle, o plantio direto pode vir a atrapalhar o manejo.
Dessa forma, vemos que o principal para o sucesso no seu manejo não é o sistema em si, mas sim, deve ser feita a adoção correta e planejada das mais diferentes ferramentas de controle.
Me acompanhe agora no manejo de plantas daninhas em grandes culturas:

(Fonte: Senar)
Manejo de plantas daninhas no plantio direto e em grandes culturas
Vamos agora abordar alternativas de herbicidas para o controle de plantas daninhas em importantes culturas, especialmente em soja, milho e cana-de-açúcar.
Leia também: >> Devo comprar Defensivos genéricos ou de marca?
Em todas as culturas é necessário realizar uma dessecação bem feita.
Para isso ocorrer saiba quais as plantas daninhas mais problemáticas da sua área para escolher produtos adequados.
Existem algumas plantas invasoras, como grama seda, capim armagoso, trapoeraba.
O importante é saber identificá-las corretamente.
Para isso o manual de identificação e controle de plantas daninhas do Brasil.
Recomendo muito o uso de herbicidas dessecantes (como glifosato, paraquat ou glufosinato) associados a herbicidas residuais.
Assim, em uma única operação, é feito a dessecação e a aplicação do herbicida residual (ou pré-emergente), que terá o papel de manter a cultura sem invasoras durante a parte inicial do seu ciclo.
Adicionalmente, o uso de herbicidas residuais diminuem a pressão de seleção de plantas daninhas resistentes ao glifosato, o que é um grande problema do plantio direto.
Por isso, é importante ter conhecimento do seu campo e fazer o planejamento agrícola bem feito.
Assim, essas estratégias como podem ser pensadas anteriormente, contribuindo para economia de recursos sem perda de produção.
Manejo de plantas daninhas em soja no plantio direto
É claro que a palha ajuda no controle de plantas daninhas, como já vimos o efeito dela no tópico acima.
Estudo de Guerra et al. (2015), por exemplo, mostra que 6 toneladas de diferentes culturas foram eficientes no controle de amendoim-bravo, planta daninha é importante em soja, também conhecida por leiteiro.
Mas temos que nos atentar as plantas daninhas que ocorrem mesmo em plantio direto.
Desse modo, é importante o uso dos herbicidas pré-emergentes (diclosulam, chlorimuron, metribuzim, etc) na dessecação ou na pré-emergência da soja.
O capim-amargoso é uma planta daninha muito problemática no cultivo de soja, ocasionando perdas de até 40% em produtividade na cultura.

(Fonte: Cotrijui)
Em pré-plantio e com o amargoso antes da perenização, é recomendado uma aplicação de inibidor da ACCase.
Se o capim-amargoso já estiver perenizado, faça aplicação sequencial, com a primeira com inibidor da ACCase e a segunda com um produto de contato, como o paraquat.
Após a implantação da soja, pode utilizar herbicidas pré-emergentes (como Spider ou Dual Gold) e pós-emergentes também inibidores da ACCase.
Manejo de plantas daninhas em milho no plantio direto
Para aplicação em pré-emergência na cultura do milho é recomendado a atrazina + s-metolachlor, sendo que essa associação asseguram o controle de gramíneas na área. O mecanismos de ação será mais eficiente.
>> 7 passos infalíveis do planejamento agrícola para acertar na semeadura do milho
A aplicação de amicarbazone em pré-emergente é muito eficaz, especialmente se na sua área o problema é com corda-de-viola ou outras plantas daninhas de folhas largas e sementes grandes.
Além disso, o isoxaflutole tem boa ação em gramíneas, e algumas espécies daninhas de folhas largas, mesmo sobre palha e com alguma estiagem.
O capim-amargoso também tem causado muitos problemas para os produtores de milho, sendo seu manejo em em pré-plantio igual ao da cultura da soja, como falamos no tópico anterior.
A única diferença fica por conta da necessidade de intervalo de 15 dias entre o graminicida e plantio de milho.
Após a implantação da cultura, uso de Soberan ou Callisto associados a atrazina podem ser utilizados, enquanto que o nicosulfuron não tem boa eficácia para capim-amargoso.
>> Tudo o que você precisa saber na pré-safra sobre as principais pragas de milho e sorgo
>> Não erre mais: tudo o que você precisa saber para a compra de sementes de milho
Manejo de plantas daninhas na cultura de cana-de-açúcar
Existem diferenças entre o cultivo com palha ou sem palha na cultura da cana-de-açúcar?
Se você é produtor de cana, já sabe que sim.
Com a presença de palha do cultivo de cana anterior, devido a proibição da queima para a colheita houve uma mudança radical na comunidade infestante devido a palha.
Anteriormente havia predomínio de plantas daninhas folhas estreitas, com a palha agora temos domínio de folhas largas, as quais possuem sementes que conseguem atravessar a palha.

Canavial infestado por corda-de-viola
(Fonte: Raffaela Rossetto em Embrapa)
Estudos indicam eficácia no controle de controle de corda-de-viola, acima de 90% para aplicação dos seguintes herbicidas:
- Amicarbazone (1225 g i.a. ha-1);
- Diuron + hexazinone + sulfumeturon (1386,9 + 391 + 33,35 g i.a. ha-1);
- Amicarbazone + isoxaflutole (840 + 75 g i.a. ha-1);
- Sulfentrazone (900 g i.a. ha-1);
- Imazapic (154 g i.a. ha-1);
- Tebuthiuron + isoxafluote (900 + 75 g i.a. ha-1).
Estes e outros herbicidas, como saflufenacil e mesotrione, podem ser utilizados no controle de plantas daninhas na palha em cana-de-açúcar.
Nem tudo são flores: atenção no manejo de plantas daninhas em plantio direto
Como sabemos, o preparo de solo no plantio direto é muito reduzido.
O problema é que o preparo do solo é uma alternativa para o manejo de muitas plantas daninhas.

Preparo do solo para controle de plantas daninhas
(Fonte: Agro Atlas)
Inclusive, em situações extremas, os produtores de grãos estão precisando entrar com o preparo de solo para controle de plantas daninhas agressivas.
É o caso de capim-amargoso, com resistência e/ou dificuldades no controle.
Assim, todo o trabalho de anos de sistema de plantio direto é interrompido.
Por isso, é preciso manejar muito bem sua lavoura e plantas daninhas mesmo com o plantio direto.
Nesse sentido, indico sempre o uso de pré-emergentes e culturas de cobertura/adubação verde na entressafra.
Essas duas práticas evitam que as plantas daninhas consigam germinar e se tornar uma planta adulta, que produz sementes e se torna difícil de controlar.
Além de evitar o desenvolvimento de plantas daninhas resistentes, especialmente ao glifosato, o que é um grande problema em áreas de plantio direto.
Não são boas práticas você sair aplicando qualquer tipo de herbicida. Eu recomendo você consultar um profissional agrícola para te ajudar neste processo.
Outra prática que nem todo mundo sabe que é fundamental no plantio direto e que traz muitos benefícios é a rotação de culturas:
Baixe grátis o Guia para Manejo de Plantas Daninhas
Rotação de culturas no manejo de plantas daninhas
Rotação de culturas além de um dos pilares do plantio direto, também tem grande influência no manejo de plantas daninhas.

(Fonte: Boas Práticas Agronômicas)
Principalmente por representar assim uma rotação nos herbicidas utilizados, o que é importante na prevenção da seleção de ervas daninhas resistentes a herbicidas.
Além do que as plantas daninhas têm elevada capacidade adaptativa, assim em determinado cultivo podem predominar determinadas plantas, enquanto que outro cultivo outras plantas podem ser predominantes.
Assim conhecer as principais plantas daninhas dos seus cultivos ao longo do ano agrícola é fundamental para melhor controle.
>> Leia mais:
“Como utilizar o herbicida 2,4-D e quais cuidados tomar ao usá-lo”