Quais as principais pragas polífagas e como controlá-las

Pragas polífagas: algumas pragas podem se adaptar a diferentes hospedeiros e se tornarem ainda mais agressivas. Entenda como isso acontece! 

Você já se deparou com uma praga que aparece sempre em sua área independente da cultura? Muito provavelmente essa praga é polífaga. 

Algumas espécies de insetos-praga atacam muitas culturas e podem causar danos econômicos em todas elas se não forem controladas.

Produtores de culturas como milho, soja e algodão geralmente se deparam com problemas com as mesmas pragas.

E como é possível controlar as pragas polífagas? Acompanhe a seguir!

Pragas polífagas

A palavra “polífaga” significa o hábito de se ingerir uma ampla variedade de fontes alimentares, no caso das pragas se refere usualmente às que se alimentam de diversas culturas.

O termo pode até ser novo para você, mas as pragas, certamente, não são. 

Elas estão entre as mais difíceis de serem controladas e causam danos ao longo de todo o ano em culturas distintas. Isso devido a características como alta variabilidade genética e alto potencial reprodutivo. 

Entretanto, nem sempre foi assim. 

O que acontece é que em consequência do sistema de plantio de forma ininterrupta ao longo do ano, os artrópodes-praga encontraram um ambiente ideal para se propagarem.

Além disso, com o plantio de lavouras sucessivas como de soja – milho e milho – algodão, criou-se as “pontes verdes” e muitos insetos herbívoros se adaptaram a diferentes plantas hospedeiras. 

Portanto, é muito importante que você tome as devidas precauções para que não ocorra um aumento ainda maior desse tipo de praga.

Um ponto relevante é que outras pragas, que ainda não são polífagas, podem se tornar ao longo do tempo devido a essa facilidade de encontrar diferentes hospedeiros e meios de adaptação ao ambiente.

Por isso, saber manejar corretamente sua lavoura não só vai te garantir melhores rendimentos e produtividade como também vai evitar o aumento desse tipo de praga.

Principais pragas polífagas

Existem muitas espécies de insetos herbívoros que completam seus ciclos em um grande número de plantas. Porém, existem aquelas que, além de se manterem nas plantas, causam maiores prejuízos em culturas com importância econômica. 

Dentre as principais pragas polífagas no Brasil, destacam-se as espécies Spodoptera frugiperda, Helicoverpa armigera, Euschistus heros e Bemisia tabaci

Saiba mais sobre elas a seguir:

Spodoptera frugiperda (lagarta-do-cartucho)

A ordem Lepidoptera de insetos comporta um grande número de pragas agrícolas, dentre elas a espécie Spodoptera frugiperda que pertence à família Noctuidae

Sendo praga-chave da cultura do milho, causa danos diretos desde o período vegetativo até o reprodutivo. Na fase inicial da cultura pode até ser confundida com a lagarta-rosca

Porém, devido à sua alta adaptabilidade e enorme número de hospedeiros, essa praga não tem preferência por plantas de folhas largas ou folhas estreitas. 

Por isso, a lagarta-do-cartucho ou lagarta-militar ataca mais de 100 hospedeiros, podendo ocorrer em culturas muito distintas e causando danos severos se não for controlada.

Helicoverpa armigera 

Assim como Spodoptera frugiperda, a Helicoverpa armigera é uma espécie da ordem Lepidoptera e família Noctuidae

É uma praga exótica, ou seja, que não tinha ocorrência no Brasil, mas desde 2013 tem sido um grande problema aos produtores em culturas como soja, milho e algodão. 

Na safra 2012/2013, por exemplo, causou um prejuízo de mais de R$ 1 bilhão na cotonicultura. 

Por isso, essa praga é considerada uma ameaça constante aos produtores, visto que já causou grandes prejuízos em safras passadas.

Euschistus heros (percevejo-marrom) 

percevejo marrom

Adulto de Euschistus heros
(Fonte: Promip)

O percevejo-marrom é um inseto sugador da ordem Hemiptera e pertence à família Pentatomidae

Sendo a soja seu principal hospedeiro, essa praga passou a causar maiores danos após o aumento do uso de cultivares transgênicas, em que o maior foco de controle era o complexo de lagartas. 

Além do mais, o percevejo-marrom passou a atacar com maior frequência outras culturas de importância econômica, devido ao manejo incorreto com uso de inseticidas

Um outro agravante é que consegue se manter até mesmo em ambientes desfavoráveis, quando a população entra em diapausa – redução do crescimento e do desenvolvimento.

Bemisia tabaci (Mosca-branca)

mosca-branca

Adultos de Bemisia tabaci
(Fonte: Perring et al., 2018)

Embora tenha nome comum de mosca-branca, essa praga é da ordem Hemiptera e família Aleyrodidae

Além dos danos diretos, os danos indiretos dessa praga são os mais preocupantes, visto que pode transmitir um enorme número de doenças de plantas. 

A mosca-branca tem causado perdas em culturas como soja, algodão, tomate e feijão.

Uma característica importante é a alta variabilidade genética, o que levou a uma diferenciação da espécie por biótipos.

Como controlar as pragas polífagas

A forma mais correta e eficaz de controle dessas pragas é por meio do uso de táticas do Manejo Integrado de Pragas (MIP).

pragas polífagas

Bases e pilares do MIP

Pragas polífagas: monitoramento

O primeiro passo, muitas vezes desconsiderado pelos produtores, é fazer o monitoramento.

É possível evitar surtos fazendo monitoramentos rotineiros, com estratégias pensadas de acordo com a região, a cultura e com o histórico da área.

Assim, o controle só deverá ser feito quando a praga atingir o nível de controle. Antes disso, é desnecessário e pode levar a gastos extras.

Uma outra questão importante é que o produtor se esquece que essas pragas conseguem se manter em hospedeiros alternativos.

Por isso, o monitoramento deve ser feito antes, durante e após a safra – visando o controle cultural como retirada de restos culturais e eliminação de plantas daninhas.

Pragas Polífagas: métodos de controle

No MIP não se desconsidera nenhum método de controle, mas visa-se o uso correto e eficiente. Vamos a alguns tópicos:

  • Como já citado, o controle cultural deve ser bem pensado de acordo com a cultura. Muitas vezes, ações simples podem evitar que as pragas se proliferem;
  • O uso de plantas geneticamente modificadas é uma boa tática, mas deve estar aliada a áreas de refúgio. Caso contrário, pode haver pressão de seleção e aumentar a população resistente da praga;
  • Controle biológico com uso de organismos benéficos potencializará as demais táticas. Aqui, é extremamente importante a conservação dos organismos que ocorrem naturalmente na área;
  • O controle químico só deve ser feito quando for detectado pelo monitoramento. Não faça aplicações calendarizadas, pois vai piorar a situação da lavoura e aumentar ainda mais os riscos;
  • Prefira inseticidas seletivos aos inimigos naturais e não utilize apenas um tipo de modo de ação: faça rotação de grupos químicos;
  • Tenha muita atenção à tecnologia de aplicação, com boas condições climáticas, pressão, bico e volumes adequados. 

Lembre-se que as pragas polífagas atacam um grande número de hospedeiros e todo cuidado é pouco para evitar surtos inesperados. 

Conclusão

As pragas polífagas atacam diversas culturas de importância econômica.

O surgimento delas se deu pela forma como todo o sistema agrícola vem sendo manejado.

Com isso, vimos que as principais pragas polífagas do Brasil são Spodoptera frugiperda, Helicoverpa armigera, Euschistus heros e Bemisia tabaci

Sendo que as melhores formas de controle dessas pragas é por meio do manejo integrado de pragas (MIP). 

>>Leia mais:

Pragas quarentenárias: entenda os tipos e o que fazer para impedir a sua presença

“Como fazer o manejo eficiente e livrar sua lavoura da cigarrinha-verde”

O que você achou do texto? Como lida com pragas polífagas? Deixe o seu comentário abaixo. 

Importância dos porta-enxertos na citricultura

Porta-enxertos na citricultura: as mudas cítricas, a importância dos porta-enxertos e como eles influenciam no manejo do pomar.

Segundos dados recentes do Fundo de Defesa da Citricultura, a estimativa da safra de laranjas (2020/21) para o cinturão citrícola de São Paulo, Sudeste e Triângulo Mineiro é de 287,76 milhões de caixas de 40,8 kg.

O sucesso da citricultura brasileira se deve ao excelente trabalho realizado na produção de mudas, manejo e condução dos pomares cítricos.

Dentre as características mais importantes para acertar na produção de citros, a escolha e uso correto dos porta-enxertos com certeza merecem destaque.

Quer entender um pouco mais sobre os porta-enxertos na citricultura? Confira comigo a seguir!

As mudas cítricas

A implantação dos pomares cítricos é uma das fases mais críticas da cultura, fazendo das mudas o insumo mais importante.

Por ser um cultivo perene, as plantas podem permanecer em campo por longos períodos de tempo, entre 15 e 20 anos.

Assim, as mudas cítricas são produzidas graças à técnica de enxertia, mais especificamente a borbulhia do tipo “T invertido” que permite a apresentação de duas partes: o enxerto e o porta-enxerto.

O enxerto é a parte que formará a copa da planta, ou seja, a parte que nós vemos: as folhas e os ramos que formarão os frutos.

Já o porta-enxerto formará o sistema radicular da planta que nós não vemos e fica sob o solo.

Graças a essa técnica da enxertia, essas duas partes de plantas se unem e se desenvolvem como uma.

porta-enxertos na citricultura

Diferentes partes de uma muda cítrica
(Fonte: Imagem de Teófilo Citrus)

Com isso, as plantas cítricas conseguem atender as exigências do mercado consumidor, ao mesmo tempo em que o porta-enxerto proporciona melhoras nesse desempenho.

Como as mudas são a base da citricultura, é necessário que haja garantia genética e que estejam livres de pragas e doenças.

Por isso, estados como São Paulo e o Rio Grande do Sul estabeleceram normas e procedimentos para produção de mudas cítricas.

Aliado ao acompanhamento de um(a) engenheiro(a) agrônomo(a), isso garante a certificação das mudas quanto à origem e qualidade e o não cumprimento dessa legislação inviabiliza a comercialização deste material.

Importância e características dos porta-enxertos

Os porta-enxertos na citricultura são uma ferramenta essencial para o manejo dos pomares.

Existe uma quantidade considerável de diferentes variedades e cultivares de porta-enxertos que podem ser utilizados na citricultura.

Cada uma deles apresentam diferentes características, as quais podem influenciar e alterar positivamente as características da copa.

Mudanças no vigor, na produtividade, na precocidade de produção, na absorção de nutrientes, na água e nos aspectos pós-colheita, podem, principalmente, conferir tolerância ou resistência a fatores bióticos e abióticos.

Porta-enxertos na citricultura: fatores bióticos e abióticos

Quando pensamos em fatores abióticos estamos falando a respeito da tolerância à salinidade do solo, à resistência à seca ou até mesmo a geadas.

São fatores importantes para serem pensados principalmente em regiões mais frias ou de cultivos no seco (sem irrigação).

porta-enxertos na citricultura

Porta-enxertos usados na citricultura e suas características perante à geada, seca e encharcamento do solo
(Fonte: Embrapa, 2009)

Já os fatores bióticos estão relacionados à susceptibilidade dos porta-enxertos a doenças dos citros – que são muitas!

Características de resistência

Características de resistência dos porta-enxertos de citros quanto a algumas das principais doenças
(Fonte: Embrapa, 2009)

Vigor e precocidade de produção

Quando pensamos em vigor estamos pensando na velocidade de crescimento da copa e desenvolvimento vegetativo das plantas.

Porta-enxertos vigorosos são aqueles cuja planta se desenvolve e estabiliza mais rapidamente no campo.

E isso é importante, pois quando jovens, as mudas cítricas são mais sensíveis às intempéries do campo: como as pragas, as doenças e a seca.

Além disso, alguns porta-enxertos cítricos apresentam característica ananicante, isso significa que plantas enxertadas sobre eles terão um tamanho menor que o normal.

Um exemplo clássico de porta-enxerto ananicante na citricultura é o ‘Trifoliata Flying Dragon’.

Contar com plantas menores em nossos pomares favorece os manejos fitossanitários e a colheita, além de aumentar a produtividade.

Produtividade (t/ha) de lima ácida Tahiti em diferentes níveis de adensamento

Produtividade (t/ha) de lima ácida Tahiti em diferentes níveis de adensamento
(Fonte: Donadio & Stuchi, 2001)

O aumento da produtividade se dá graças à possibilidade do adensamento dos plantios, ou seja, de ter mais plantas por área.

Efeito dos porta-enxertos na qualidade dos frutos

O tamanho e peso dos frutos, cor e espessura da casca, conteúdo de suco, teor de sólidos solúveis, etc., são aspectos intimamente relacionados às variedades.

Entretanto, apesar de ainda não sabermos ao certo como isso ocorre nas plantas, sabemos que os porta-enxertos alteram as características dos frutos.

Por isso, é importante pensar também no destino de nossa produção na escolha dos porta-enxertos.

O Poncirus trifoliata, por exemplo, garante a produção de frutos mais doces e com acidez moderada, porém, sua produção total por planta é inferior.

Ao passo que os limoeiros ‘cravo’ e ‘rugoso’ são excelentes extratores de água do solo e formam frutos de casca grossa e com menor concentração de açúcares.

Essas características conferem aos frutos melhor aptidão para diferentes mercados: o processamento (indústria) ou a venda in natura (varejo).

Dessa forma, citricultores que produzem para indústria preferem limoeiros como porta-enxertos e os que produzem para o varejo preferem o Trifoliata.

Porta-enxertos na citricultura: incompatibilidade

Apesar de ser uma excelente ferramenta, a técnica da enxertia apresenta algumas limitações.

O sucesso dessa técnica depende, sobretudo, da proximidade genética entre os materiais e outros fatores fisiológicos.

A principal delas está relacionada às diferentes combinações de porta-enxerto e copa, em outras palavras, algumas combinações não são viáveis.

Quando as características do porta-enxerto e do enxerto não permitem que se desenvolvam como um, dizemos que são incompatíveis.

porta-enxertos na citricultura

Principais incompatibilidades relatadas na citricultura
(Fonte: Embrapa, 2008)

Uma alternativa para contornar a incompatibilidade é a realização da técnica da interenxertia.

Essa técnica permite que cultivares incompatíveis sejam utilizadas juntas com auxílio de um intermediário (o interenxerto) que atua como um filtro.

Interenxertia

Interenxertia de laranja pêra, limoeiro cravo e citrumelo swingle
(Fonte: Denilson de Oliveira Guilherme, 2013)

Na imagem, temos o citrumelo ‘swingle’, sendo utilizado como porta-enxerto para a laranjeira ‘pêra’, mas para que isso aconteça, repare que o limão ‘cravo’ atua como uma espécie de filtro entre os dois.

Portanto, temos uma muda cujo enxerto é laranja pêra, o porta-enxerto é citrumelo swingle e o limoeiro cravo é o interenxerto.

Tenha em mente que é uma alternativa que aumenta o preço da muda e necessita de mão de obra especializada.

Tendo visto tudo isso, é importante lembrar que não existe um porta-enxerto perfeito, todos apresentam alguns pontos positivos e negativos.

Veja o limoeiro cravo (Citrus limonia Osbeck.), por exemplo: é um dos porta-enxertos mais utilizados na citricultura brasileira, isso graças à sua grande resistência a secas e pelo vigor de crescimento que promove na copa.

Porém, é suscetível ao exocorte e à morte súbita dos citros (MSC).

Portanto, cabe ao produtor com auxílio de um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) escolher aquele que melhor se enquadra às suas necessidades.

Conclusão

Os porta-enxertos na citricultura são pontos-chave na produção de mudas cítricas e fator determinante para o sucesso da lavoura.

Além disso, é uma das principais ferramentas que o citricultor tem para facilitar e otimizar o seu manejo.

Também traz benefícios para as plantas enxertadas sobre eles, como mudanças no vigor e resistência a fatores bióticos e abióticos.

Lembre-se: o melhor porta-enxerto é aquele que melhor satisfaz suas necessidades, por isso é importante um bom planejamento e estudo na hora de sua escolha.

>> Leia Mais: 

Tudo sobre o manejo da Laranja Hamlin

Florada do citros: 3 manejos essenciais para garantir uma boa produção

Adubação em citros: 3 dicas para ser ainda mais eficiente

E você, quais porta-enxertos usa em seus pomares e por que optou por eles? Conta pra gente nos comentários!

Tudo que você precisa saber sobre milho para silagem

Milho para silagem: veja qual espaçamento usar, melhor semente de milho para silagem e outras dicas essenciais para garantir a sua produtividade.

O milho é a planta mais utilizada para fazer silagem. Afinal, temos híbridos de milho adaptados a todas as regiões produtoras.

A planta produz muita massa verde. Sua silagem possui um bom conteúdo energético devido à presença de grãos, sendo bem consumida pelos animais

Neste artigo, veja algumas dicas que vão te ajudar a melhorar a produtividade ou começar a sua lavoura de milho silagem. Confira a seguir!

O que é silagem de milho?

A silagem é uma técnica de armazenamento que diminui as perdas de qualidade e nutrição da planta coletada. A manutenção dessas características se dá pelo processo de fermentação controlada da matéria fresca. 

Esse método permite ao produtor ter disponibilidade de material vegetal fresco, principalmente para alimentação animal. Isso sobretudo em épocas em que o clima não é favorável ao cultivo.

A silagem de milho atualmente é a mais utilizada no Brasil. Devido ao fornecimento de muita energia e proteína para o animal, além do cultivo mais fácil quando comparado a outras plantas.

Além do tipo de grão dentado e dos teores de fibras, outras características são importantes:

  • Resistência ao acamamento;
  • Estabilidade produtiva em diferentes épocas, condições de plantio e altitudes;
  • Resistência ou tolerância às principais doenças (ferrugens, enfezamentos do milho, Phaeosphaeria spp. e Cercospora spp.);
  • Alta produtividade de grãos, determinante para a maior parte da energia digestível;
  • Ciclo longo de enchimento de grãos e maior período de colheita do milho;
  • Porte médio a alto, pois assim você terá maior volume de massa seca por hectare. 

Portanto, considere três pontos para a escolha da melhor semente de milho para silagem: a boa digestibilidade da parte fibrosa das plantas, grande quantidade de massa verde produzida e alta porcentagem de grãos na forragem. 

Também considere o custo do milho silagem. O qual, depende da região e da época do ano. Entretanto, os valores mais comuns vão de 450 a 600 reais por tonelada. 

Fases da produção de silagem de milho

Para uma silagem de qualidade é importante se atentar a três etapas:

  • Plantio e condução agronômica;
  • Colheita e ensilagem;

Densilagem e fornecimento.

Ensilagem é o nome dado ao processo de produção da silagem.

Qual o melhor milho para silagem?

As cultivares usadas em milho silagem nem sempre são as mesmas utilizadas nas lavouras de grãos. Apesar dos grãos serem parte importante para a quantidade de energia provida pela silagem, há que se atentar para a sua digestibilidade.

Nesse ponto, é crucial o uso de híbridos que produzem grãos dentados e não grãos duros. Os grãos dentados apresentam características que aumentam a qualidade da 

silagem:

  • Maior proporção de endosperma farináceo em comparação ao vítreo;
  • Maior facilidade de gradação em água;
  • Maior disponibilidade ao animal, resultando em maior teor energético;
  • Maior digestibilidade.

Vale ressaltar que no endosperma farináceo (mole), o amido é frouxamente empacotado. O que facilita na quebra e digestão do milho dentado.

Além da parte de grãos da silagem, entre 55% e 65% da massa seca é composta por parte vegetativa da planta. Assim, atente-se às quantidades de fibras da cultivar, expressas em:

  • Valores de FDA (Fibra Detergente Ácido);
  • FDN (Fibra Detergente Neutro)
  • Pectina;
  • celulose;
  • Lignina;
  • Hemicelulose.

Uma boa silagem tem teor de FDN entre 38% e 45%.  Além disso, quanto maior o teor de FDA, menor a qualidade e digestibilidade da silagem. Afinal, o FDA está relacionado à lignina, que tem baixa digestibilidade

Por isso, recomenda-se sempre realizar a análise bromatológica da silagem.

Como plantar milho para silagem

A época de plantio é a mesma recomendada para a produção de grãos. Estudos realizados pela Embrapa mostram perdas de 24 kg a 30 kg de grãos/ha/dia de atraso após a época ideal de plantio do milho.  Desta forma, o atraso no plantio causa alguns problemas como:

  • Menor porcentagem de grãos;
  • Plantas estioladas;
  • Menor porcentagem de espigas viáveis;
  • Falhas de polinização;
  • Maior presença de planta daninhas, pragas e doenças (por consequência de altas temperaturas e umidade no milho);
  • Elevada possibilidade de seca no florescimento ou enchimento dos grãos.

Assim, você pode utilizar uma cultivar de ciclo longo de enchimento ou maturação para ampliar a janela de colheita. Há também a possibilidade de uso de variedades superprecoces para o plantio de milho para silagem em segunda safra (safrinha).

Além disso, a produtividade média de massa seca de milho para silagem é de cerca de 30 a 40 toneladas por hectare. Porém, já existem registros de novos híbridos que produziram até 80 t/ha em condições ideais.

O processo de silagem (fermentação) leva algum tempo. O mínimo é em torno de 25 e 30 dias. Porém, pode-se estender o processo para até 60 dias, sendo que o período de armazenagem para uso pode ser de vários meses, dependendo das condições do silo.

Espaçamento 

No caso de milho para silagem, pode-se reduzir o espaçamento entrelinhas. Porém, não aumente mais do que 10% a população de plantas. Dessa forma, você pode comprometer a qualidade da silagem, causando aumento nas porcentagens de FDN e FDA

Também é bom lembrar que o aumento de FDN reduz o consumo da silagem. O aumento da FDA, por sua vez, reduz a digestibilidade da silagem.

Adubação e correção do solo para ensilagem

A grande pergunta sobre adubação para milho e correção do solo é se são as mesmas realizadas para a produção de grãos. E a resposta é não! 

Neste caso, não existe ‘depende’. Se fosse assim, estaria retirando nutrientes do campo que ficariam na palha como cálciomagnésio e potássio. As regras de preparo do solo são diferentes para produção de silagem de milho. Por isso, fique de olho nos valores abaixo:

  • Eleve a saturação de bases (V%) para 70%;
  • Eleve o potássio para 5% da CTC do solo;
  • Adubações de 30% 50% a mais do que a utilizada para grãos;
  • Análise do solo de 0 cm a 20 cm, e de 20 cm a 40 cm;
  • Realize rotação de cultura para melhorar o desenvolvimento da cultura.

A rotação de cultura pode ser feita, por exemplo, com: sorgocrotalária, tremoço branco, guandu, girassol, canola, aveia, triticale, braquiária e milheto.

Potencial produtivo de grãos e da planta e teor de matéria seca da planta de milho silagem conforme estágio de maturação
(Fonte: Embrapa)

Ponto ideal do milho para silagem

Quando se colhe o milho silagem antes do ponto ideal, este estará com baixo teor de matéria seca (25% a 29%), além de pouco enchimento de grãos. Consequentemente, haverá perdas de qualidade nutricional e de fermentação.

O momento ideal para o processo de ensilagem deve ser baseado na matéria seca da planta ou no nível de enchimento dos grãos. No caso de você escolher a porcentagem de matéria seca como ponto de ensilagem, considere: 

  • A qualidade da fermentação;
  • A facilidade de compactação;
  • O nível nutricional, que deve estar entre 32% a 37% de matéria seca (tolerância entre 30% e 39%). 

Se você optar pelo enchimento dos grãos como ponto ideal de ensilagem, preste atenção na linha de leite.

Para a colheita com máquinas sem processador de grãos, o ideal é que a linha do leite esteja em 1/2. Já para a colheita com máquina com “cracker”, o ponto ideal é quando ela está a 1/3 do milho grão e indo até a fase de 3/4 do grão. 

Caso não veja a linha de leite, a planta já deverá estar com porcentagem de matéria seca superior a 40%
Em ambas as formas demonstradas de avaliação do ponto de ensilagem, a recomendação é realizar frequentemente esta avaliação na área. Faça isso em várias espigas e pontos da lavoura.

Linha do leite e características da forragem
(Fonte: Biomatrix)

Altura de corte ideal

Há uma grande dúvida sobre altura de corte da planta de milho para silagem.

De acordo com vários estudos que focaram na busca pelo melhor custo-benefício, os melhores resultados foram obtidos com a altura de corte em torno de 25 cm do solo. 

Os benefícios e vantagens para o corte em torno de 25 cm são:

  • Evita-se a quebra das facas e danos por pedras, paus, torrões ou materiais espalhados no solo;
  • Melhora a qualidade de fermentação;
  • Melhora o rendimento de massa/ha.

Tamanhos de partículas ideais

Outro ponto importante é o tamanho das partículas da silagem. O processamento de plantas após colheita deve buscar um tamanho de partículas entre 0,5 cm e 1,5 cm. Esse tamanho de partícula traz os seguintes benefícios:

  • Facilita a compactação da silagem e diminui os bolsões de ar;
  • Melhora a fermentação;
  • Aumenta a digestibilidade;
  • Facilita o processamento de grãos.

Densilagem e fornecimento

Alguns pontos devem ser levados em consideração, como:

  • Face de retirada do silo deve ser plana e perpendicular ao solo e laterais, diminuindo a superfície exposta;
  • Em locais com temperaturas mais elevadas, deve-se retirar de 30 a 35 cm por dia;
  • Evitar o acúmulo de silagem solta na base da face, por ser mais vulnerável a decomposição aeróbica;
  • Descarte da silagem deteriorada.

Conclusão

Neste texto, você viu alguns fatores que podem melhorar a produtividade da sua lavoura de milho silagem. Também viu o momento certo de colheita e a altura de corte da planta.

Fique sempre de olho na hora da escolha da cultivar, do híbrido, do espaçamento entrelinhas e da época de plantio para produção da ensilagem.

Em caso de dúvidas, sempre consulte um especialista ou profissional de Engenharia Agrônoma.

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Redator Alasse Oliveira

Atualizado em 14 de agosto de 2023 por Alasse Oliveira

Alasse é Engenheiro-Agrônomo (UFRA/Pará), Técnico em Agronegócio (Senar/Pará), especialista em Agronomia (Produção Vegetal) e mestrando em Fitotecnia pela (Esalq/USP).

Atualizado anteriormente, em 25 de novembro de 2022, por João Paulo Pennacchi

Veja como identificar as principais pragas do feijão

Pragas do feijão: saiba como identificar as principais pragas dessa cultura e em quais estádios causam maiores problemas. 

Além de realizar um bom planejamento, um bom gestor de fazenda deve estar preparado para solucionar questões sob pressão.

O manejo de pragas, por exemplo, é uma tarefa que tira o sono de muitos agricultores pois exige que sua recomendação seja rápida e precisa para minimizar ao máximo os danos à cultura. 

No caso do feijão, as pragas podem variar dependendo do local em que a cultura está sendo produzida.

Para te ajudar nesta tarefa, separei informações importantes das principais pragas do feijão que atacam em diversas regiões de nosso país.

Estádio fenológico do feijão 

O primeiro passo para realizar um bom manejo de pragas é saber identificar em qual estádio fenológico a cultura do feijoeiro estará mais suscetível ao ataque de uma praga. Assim, você e seu engenheiro agrônomo podem posicionar o produto certo no momento certo. 

Para facilitar, dividi as pragas de acordo com os estádios de desenvolvimento da planta de feijoeiro.

Contudo, antes de iniciar, vamos relembrar as fases dos estádios fenológicos?!

  • Vo: Germinação;
  • V1: Emergência;
  • V2: Folhas primárias;
  • V3: Primeira folha composta aberta;
  • V4: Terceira folha trifoliolada aberta;
  • R5: Pré-floração;
  • R6: Floração;
  • R7: Formação de vagens;
  • R8: Enchimento das vagens;
  • R9: Maturação.

A seguir, conheça as pragas que afetam as fases iniciais, pragas desfolhadoras, pragas sugadoras e raspadoras, pragas das hastes e axilas e pragas das vagens.

Pragas do feijão de fases iniciais

Essas pragas, geralmente, afetam as sementes, raízes e plântulas do feijão, podendo ser encontradas na cultura de Vo a V3. Elas influenciam consideravelmente na germinação das sementes e no estabelecimento do estande adequado.

Ainda são responsáveis pelas falhas de emergência nas linhas de plantio, dando aquela dor de cabeça ao produtor após a semeadura. Separei algumas dessas pragas do feijão que podemos encontrar nas fases iniciais de desenvolvimento:

Lagarta-rosca (Agrotis ipsilon)

A espécie mais comum nas lavouras de feijão é a Agrotis ipsilon que ataca as sementes no sulco de plantio e plântulas recém-emergidas.

Por atacar a cultura em seu crescimento inicial, os danos causados pela lagarta-rosca muitas vezes são irreparáveis.

pragas do feijão

Lagarta-rosca
(Fonte: Agrolink)

Lagarta-elasmo (Elasmopalpus lignosellus)

Esse tipo de lagarta costuma atacar o caule das plântulas, normalmente próximo ao colo. Em alguns casos, essa espécie também costuma atacar sementes e raízes. Quando não manejada a tempo, pode ocasionar enfraquecimento das plântulas e levá-las à morte.

As lagartas do tipo elasmo costumam atacar em épocas de seca, por isso, fique de olho!

Larva-alfinete (Diabrotica speciosa)

A larva-alfinete ataca raízes e sementes e, além disso, é possível observar perfurações nas folhas cotiledonares. Na prática, as raízes não absorvem bem água e nutrientes, deixando a planta debilitada.

Para evitar a presença dessas e outras pragas do feijão semelhantes em sua lavoura, utilize sementes de qualidade, variedades resistentes e um bom tratamento. E não deixe de lado o Manejo Integrado de Pragas (MIP).

Pragas do feijão: desfolhadoras

Essas pragas podem ser encontradas na cultura logo após a sua fase inicial, quando a planta apresenta folhas primárias até o enchimento de grãos, ou seja, de V2 a R8. Desta forma, podem ocasionar perdas significativas na produtividade caso não controladas.

Vaquinha (Diabrotica speciosa, Cerotoma arcuata)

Essa é uma das pragas mais problemática para a cultura,  pois ocasiona grande desfolha, prejudica a área fotossintética e influencia no crescimento do feijoeiro. Na prática, podemos observar danos mais significativos quando a planta apresenta suas folhas primárias.

Após esse estádio, o dano é menor, pois a cultura consegue tolerar a perda de até 30% das folhas. Caso não controlada no momento certo, pode refletir em grande prejuízo ao produtor rural.

Lagarta-falsa-medideira (Chrysodeixis includens)

Essa praga do feijão também pode influenciar consideravelmente na produtividade da cultura.

Apesar de não consumir as nervuras das folhas, também apresenta desfolha e é possível diferenciá-la por seus aspectos rendilhados em toda folha.

pragas do feijão

Lagarta-falsa-medideira
(Fonte: Grupo Cultivar)

Para o controle das pragas desfolhadoras, o ideal é que se faça monitoramento. 

Sendo assim, as amostragens devem ser semanais e é importante avaliar não somente as plantas, mas também o solo ao redor. 

O controle químico certamente é o que lhe veio à cabeça, certo? Mas que tal levar em consideração o controle biológico, físico e cultural? Eles podem ser uma ótima saída para evitar a resistência.

Pragas do feijão: sugadoras e raspadoras

Essas pragas também podem ser encontradas na cultura logo após a sua fase inicial.  Cada espécie pode aparecer em um momento, por exemplo, a cigarrinha-verde (Empoasca kraemeri) pode ser encontrada após o surgimento das folhas primárias até a pré-folhação, ou seja, de V2 a R5.

Já o ácaro-branco (Polyphagotarsonemus latus) pode ser observado logo após a primeira folha composta aberta até o enchimento de grãos, ou seja, de V3 a R8. Por isso, é importante sempre realizar a amostragem na cultura em cada estádio fenológico.

Diferente das pragas desfolhadoras, as pragas sugadoras e raspadoras se alimentam da sucção de seiva das plantas. Além das já citadas, separei alguns exemplos para você:

Mosca-branca (Bemisia tabaci)

A mosca-branca, encontrada entre os estádios V1 a R5, ataca a planta sugando a seiva, porém esse dano é considerado pouco expressivo.

Sendo que a maior problemática dessa praga do feijão é a transmissão do vírus do mosaico dourado do feijoeiro e do vírus do mosqueado suave do caupi, que podem ocasionar perdas consideráveis na produtividade.

Ácaro-rajado (Tetranhychus urticae)

Essa praga é de fácil identificação! É comum o aparecimento de pontos brancos na face superior das folhas e em seguida são observadas necrose.

O ácaro-rajado escarifica o tecido da planta e na sequência se alimenta dessa seiva.

Caso não controlado no momento correto pode ocasionar danos consideráveis de rentabilidade.

pragas do feijão

Ácaro-rajado
(Fonte: Agrolink)

Minha dica é utilização de armadilhas atraentes, elas podem auxiliar tanto no monitoramento quanto no controle das pragas.

Mas sempre consulte um(a) agrônomo(a)!

Pragas do feijão: hastes e axilas

Essas pragas podem ser encontradas na cultura quando a planta apresenta a terceira folha trifoliolada aberta até o enchimento de grãos. Como as demais, quando não manejada pode refletir em perdas na produtividade.

Broca-das-axilas (Crocidosema aporema)

Essa praga normalmente ataca pelo ponteiro das plantas do feijoeiro, na sequência as larvas penetram no caule. As plantas atacadas podem apresentar desenvolvimento anormal ou, em casos mais severos, levar à morte da cultura.

Tamanduá-da-soja ou bicudo-da-soja (Sternechus subsignatus)

Apesar do nome popular ligado à cultura da soja, essa praga também ataca o feijoeiro, principalmente os pecíolos e a haste principal.

Já suas larvas conseguem se desenvolver dentro das hastes, levando a quebra ou a morte das plantas do feijoeiro. Caso opte pelo controle químico das pragas das hastes e axilas, faça a rotação dos mecanismos de ação de seus inseticidas.

Pragas do feijão: vagens

Essas pragas podem ser encontradas na cultura logo após a pré-floração até a maturação dos grãos. As vagens ocasionam perdas consideráveis nos grãos de feijão, influenciando na qualidade do produto final.

Lagarta-das-vagens (Spodoptera eridania, S. cosmioides, Thecla jebus, Maruca testulalis e Etiella zinckenella)

Essa praga, como o próprio nome sugere, ataca as vagens e os grãos afetando sua formação e desenvolvimento. A lagarta perfura as vagens e deprecia seus grãos e pode ser facilmente reconhecida!

Lagarta-helicoverpa (Helicoverpa armigera)

Conhecida por inúmeros agricultores, a Helicoverpa já trouxe dor de cabeça para muitos produtores! Por se alimentar dos órgãos vegetativos e reprodutivos da planta, danifica flores, vagens e grãos.

Para o manejo adequado, realize o planejamento! Essa praga do feijão possui um tempo para cada geração que é de aproximadamente 30 dias, por isso, estabeleça janelas de aplicação com aproximadamente 30 dias de duração.

>> Leia mais: Conheça as melhores práticas de adubo para feijão

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Conclusão

Após todo o esforço com sua lavoura, você não pode perder tudo por conta da presença de pragas na cultura.

Neste artigo, você viu as principais pragas do feijão e em que estádio fenológico podem afetar sua lavoura. 

Assim, você pode realizar um planejamento pré-safra eficiente e evitar gastos desnecessários no futuro.

>> Leia Mais:

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Você tem problemas com pragas do feijão na sua lavoura? Quais medidas de prevenção realiza para evitar essas pragas?