Superfosfato triplo: saiba mais sobre a utilização, eficiência agronômica e aplicação deste e de outros fertilizantes fosfatados.
Os solos brasileiros são reconhecidos como pobres em fósforo (P), elemento que com mais frequência limita a produção agrícola.
Atualmente, os superfosfatos simples e superfosfatos triplos correspondem a 90% ou mais de todo P2O5 utilizado na agricultura brasileira.
O superfosfato triplo é um fertilizante fosfatado de origem mineral que pode solucionar esse problema. Conhecer detalhes desse insumo é essencial para não errar na adubação.
A seguir, veja como o superfosfato triplo funciona, como tirar o máximo de proveito dele na sua lavoura e muito mais!
Fósforo nas plantas
O fósforo nas plantas é essencial. Isso principalmente na fase de estabelecimento das lavouras. Ele é fundamental em vários processos fisiológicos das plantas, como a respiração e a fotossíntese.
Além disso, ele aumenta a resistência das plantas às doenças e melhora a utilização da água. Plantas deficientes em fósforo apresentam crescimento lento. O desenvolvimento da parte aérea e do sistema radicular é prejudicado.
Os sintomas de deficiência de fósforo aparecem nas folhas mais velhas. Elas adquirem coloração arroxeada. Quando os sintomas visuais aparecem, a deficiência nas plantas já é crítica.
O fornecimento tardio de adubos fosfatados não terá efeito sob a lavoura. Disponibilizar o fósforo na dosagem e no momento certo é fundamental para garantir qualidade e alcançar altas produtividades.
Quais são as limitações do superfosfato triplo?
O superfosfato triplo é um dos adubos fonte de fósforo mais utilizados na agricultura. Apesar disso, esse insumo apresenta algumas limitações quanto a sua utilização.
Primeiramente, é preciso se atentar à compatibilidade entre os insumos utilizados na correção e fertilização do solo.
Conhecer a compatibilidade desses produtos é de extrema importância para garantir a eficiência do processo de adubação.
Abaixo você pode conferir a compatibilidade entre os corretivos da acidez do solo, os fertilizantes minerais e orgânicos.

(Fonte: Boletim Técnico IAC)
No caso do superfosfato triplo, deve-se evitar a mistura desse fertilizante com o calcário, pois eles apresentam incompatibilidade. Isso quer dizer que a mistura compromete as propriedades físico-químicas desses insumos e, consequentemente, a sua eficiência.
O superfosfato triplo também apresenta limitada compatibilidade com a ureia, que é utilizada como fonte de nitrogênio para as plantas, e com o fosfato diamônico (DAP).
Nesse caso, é preciso se atentar à proporção da mistura e ao momento em que ela deve ser realizada. A recomendação é que, em caso de mistura, essa seja feita pouco antes da aplicação.
Além disso, o superfosfato triplo não apresenta problemas de incompatibilidade com o cloreto de potássio, sulfato de potássio, sulfato de potássio e magnésio e com adubos orgânicos.
A acidez do solo também é um parâmetro que merece atenção na aplicação do superfosfato triplo.
Em solos ácidos, com baixo pH, é fundamental que seja feita a correção da acidez antes da aplicação de adubos fosfatados solúveis.
Essa estratégia é recomendada para diminuir os sítios de adsorção do fósforo no solo. Isso melhora a eficiência da adubação e aumenta a quantidade de fósforo disponível para as plantas.
Adubos fosfatados que apresentam nitrogênio em sua composição, como é o caso do MAP e DAP, têm maior potencial para acidificação do solo. No entanto, essa característica não é observada no superfosfato triplo.
Outro fator limitante diz respeito ao elevado custo dos adubos fosfatados. Isso impacta diretamente no custo total de produção.
Qual a viabilidade do superfosfato triplo?
A viabilidade da utilização do superfosfato triplo deve levar em consideração a análise de uma série de coeficientes. Para que uma prática de manejo seja viável é preciso que parâmetros técnicos, econômicos e ambientais caminhem lado a lado.
Para isso, todo o cenário deve ser estudado e cada caso deve ser avaliado individualmente.
Por isso é importante realizar a análise físico-química do solo, bem como conhecer as exigências nutricionais da cultura e a duração do seu ciclo. Apenas assim é possível determinar a dosagem correta do adubo e em qual momento deve ser disponibilizado para as plantas.
No caso da adubação fosfatada, atenção especial deve ser dada à acidez do solo, que tem influência direta na disponibilização do fósforo para as plantas. Não se esqueça de avaliar a compatibilidade do superfosfato triplo com outros insumos. Isso pode ter um impacto direto na eficiência dos produtos.
Solubilidade do superfosfato triplo
O superfosfato triplo (SPT) é altamente solúvel em água e CNA. Outros adubos solúveis em água e CNA são:
- superfosfato simples (SPS);
- fosfato monoamônico (MAP);
- fosfato diamônico (DAP).
O superfosfato triplo é utilizado principalmente na forma de grânulos. Isso diminui a superfície de exposição do adubo com o solo, diminuindo também o processo de solubilização.
Além disso, essa forma facilita o manejo e a aplicação.
Como tirar o máximo proveito do super triplo na lavoura
A eficiência da adubação fosfatada vai muito além do fornecimento do nutriente na dosagem correta. Vários fatores devem ser considerados e todo o cenário deve ser avaliado.
Independente do nutriente fornecido para as plantas, é preciso conhecer o histórico de cultivo da área.
O histórico deve conter informações sobre:
- calagens realizadas na lavoura;
- quais adubos e em qual quantidade foram utilizados;
- quais culturas foram plantadas;
- sistema de manejo adotado;
- produtividades alcançadas.
Todas essas informações contribuem com a orientação e eficiência da adubação.
Além disso, conhecer o solo é fundamental. Fatores como o pH e a umidade interferem na disponibilidade dos adubos fosfatados para as plantas, como o super triplo e simples.
A eficiência da adubação também está relacionada à fonte, a solubilidade, a granulometria e ao modo de aplicação dos produtos.
Diferença entre superfosfato triplo e simples
O superfosfato simples é um fertilizante mineral que tem em sua composição 18% de fósforo, 16% de cálcio e 10% de enxofre.
A diferença entre ele e o superfosfato triplo está na concentração dos nutrientes, principalmente do fósforo. Eles também diferem na forma de obtenção.
Os dois fertilizantes são produzidos a partir do beneficiamento de rochas fosfáticas.
Elas são submetidas a processos químicos. Pela reação com o ácido fosfórico é produzido o superfosfato triplo.
Enquanto isso, a produção do superfosfato simples envolve a aplicação de ácido sulfúrico no processo de beneficiamento da matéria-prima. O superfosfato simples e o superfosfato triplo podem ser encontrados no mercado na forma de grânulos ou em pó.
Ambos têm coloração acinzentada e apresentam elevada solubilidade. Isso significa que o fósforo se apresenta na forma mais solúvel.

(Fonte: Teixeira, P. P. de C.)
O que é adubação fosfatada?
A adubação fosfatada é o uso de fertilizantes que têm principalmente o fósforo em sua composição.
O principal objetivo dessa prática é a manutenção do potencial produtivo da área pela elevação dos níveis de fósforo no solo. Os adubos fosfatados mais utilizados na agricultura são:
- Fosfato monoamônico ou MAP;
- Fosfato diamônico ou DAP;
- Superfosfato simples;
- Superfosfato triplo.
Solubilidade dos fertilizantes fosfatados
A legislação brasileira determina que a garantia dos adubos fosfatados seja fornecida com base na quantidade de fósforo solúvel em extratores como:
- água;
- ácido cítrico; e
- citrato neutro de amônio + água (CNA + H2O).
A solubilidade de uma substância é a capacidade de se dissolver em outra. A compreensão dessa informação auxilia na tomada de decisão sobre qual a melhor fonte de fósforo e o melhor manejo de adubação a ser adotado.
No entanto, solubilidade não é sinônimo de disponibilidade do fósforo no solo. Fatores como acidez, teor de argila, umidade do solo e outras condições ambientais interferem na disponibilidade e absorção desse elemento.
Como fazer a adubação fosfatada?
A aplicação dos adubos fosfatados é realizada, principalmente, durante o plantio e diretamente no sulco. Dependendo da cultura, a adubação fosfatada também é feita em cobertura.
O plantio é o melhor momento para que o fósforo seja disponibilizado em profundidade, próximo às raízes. Isso se deve ao fato desse elemento apresentar baixa mobilidade no solo.
Vale lembrar que toda recomendação de adubação deve ser orientada pela análise de solo e pela exigência nutricional da cultura.
Adubos fonte de fósforo
No mercado, é possível encontrar inúmeras fontes de fósforo além do superfosfato triplo. A escolha da melhor fonte de fósforo deve considerar fatores como:
- as características físico-químicas do solo;
- a exigência nutricional da cultura;
- o sistema de plantio adotado (convencional, cultivo mínimo, plantio direto);
- o modo de aplicação;
- as características do fertilizante.
Além dos aspectos técnicos, é importante avaliar a viabilidade econômica da adubação.
Confira os principais fertilizantes fosfatados utilizados nas lavouras do Brasil e sua composição:
- Fosfato monoamônico (MAP): 48% de pentóxido de fósforo e 9% de nitrogênio;
- Fosfato diamônico (DAP): 45% de pentóxido de fósforo e 17% de nitrogênio;
- Superfosfato simples: 18% de pentóxido de fósforo, 16% de cálcio e 10% de enxofre;
- Superfosfato triplo: 41% de pentóxido de fósforo e 10% de cálcio.
Diversas opções de fertilizantes fosfatados podem ser usadas para garantir o suprimento de fósforo às plantas. Porém, considere aspectos técnicos e econômicos destes insumos para definir qual usar.
Conclusão
O fósforo é um nutriente essencial para o pleno desenvolvimento dos vegetais.
Conhecer a composição química de fertilizantes como o superfosfato triplo e como eles reagem no solo é essencial.
Não deixe de fornecer o fósforo na dosagem e no momento certo. Utilizando as fontes adequadas, você terá a chave do sucesso para grandes produtividades!
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Você já usou o superfosfato triplo para suprir a demanda de fósforo da sua lavoura? Vem sendo eficiente? Conte sua experiência nos comentários abaixo!