Superfosfato triplo: o que é e como tirar o máximo proveito desse fertilizante fosfatado

Superfosfato triplo: saiba mais sobre a utilização, eficiência agronômica e aplicação deste e de outros fertilizantes fosfatados.

Os solos brasileiros são reconhecidos como pobres em fósforo (P), elemento que com mais frequência limita a produção agrícola. 

Atualmente, os superfosfatos simples e superfosfatos triplos correspondem a 90% ou mais de todo P2O5 utilizado na agricultura brasileira. 

O superfosfato triplo é um fertilizante fosfatado de origem mineral que pode solucionar esse problema. Conhecer detalhes desse insumo é essencial para não errar na adubação.

A seguir, veja como o superfosfato triplo funciona, como tirar o máximo de proveito dele na sua lavoura e muito mais!

Fósforo nas plantas 

O fósforo nas plantas é essencial. Isso principalmente na fase de estabelecimento das lavouras. Ele é fundamental em vários processos fisiológicos das plantas, como a respiração e a fotossíntese. 

Além disso, ele aumenta a resistência das plantas às doenças e melhora a utilização da água. Plantas deficientes em fósforo apresentam crescimento lento. O desenvolvimento da parte aérea e do sistema radicular é prejudicado. 

Os sintomas de deficiência de fósforo aparecem nas folhas mais velhas. Elas adquirem coloração arroxeada. Quando os sintomas visuais aparecem, a deficiência nas plantas já é crítica.
O fornecimento tardio de adubos fosfatados não terá efeito sob a lavoura. Disponibilizar o fósforo na dosagem e no momento certo é fundamental para garantir qualidade e alcançar altas produtividades.

Quais são as limitações do superfosfato triplo?

O superfosfato triplo é um dos adubos fonte de fósforo mais utilizados na agricultura. Apesar disso, esse insumo apresenta algumas limitações quanto a sua utilização.

Primeiramente, é preciso se atentar à compatibilidade entre os insumos utilizados na correção e fertilização do solo.

Conhecer a compatibilidade desses produtos é de extrema importância para garantir a eficiência do processo de adubação.

Abaixo você pode conferir a compatibilidade entre os corretivos da acidez do solo, os fertilizantes minerais e orgânicos.

Exemplificacão de solubilidade de adubos e nutrientes
Matriz de compatibilidade entre fertilizantes e corretivos
(Fonte: Boletim Técnico IAC)

No caso do superfosfato triplo, deve-se evitar a mistura desse fertilizante com o calcário, pois eles apresentam incompatibilidade. Isso quer dizer que a mistura compromete as propriedades físico-químicas desses insumos e, consequentemente, a sua eficiência.

O superfosfato triplo também apresenta limitada compatibilidade com a ureia, que é utilizada como fonte de nitrogênio para as plantas, e com o fosfato diamônico (DAP). 

Nesse caso, é preciso se atentar à proporção da mistura e ao momento em que ela deve ser realizada. A recomendação é que, em caso de mistura, essa seja feita pouco antes da aplicação.

Além disso, o superfosfato triplo não apresenta problemas de incompatibilidade com o cloreto de potássio, sulfato de potássio, sulfato de potássio e magnésio e com adubos orgânicos.

A acidez do solo também é um parâmetro que merece atenção na aplicação do superfosfato triplo.

Em solos ácidos, com baixo pH, é fundamental que seja feita a correção da acidez antes da aplicação de adubos fosfatados solúveis.

Essa estratégia é recomendada para diminuir os sítios de adsorção do fósforo no solo. Isso melhora a eficiência da adubação e aumenta a quantidade de fósforo disponível para as plantas. 

Adubos fosfatados que apresentam nitrogênio em sua composição, como é o caso do MAP e DAP, têm maior potencial para acidificação do solo. No entanto, essa característica não é observada no superfosfato triplo.

Outro fator limitante diz respeito ao elevado custo dos adubos fosfatados. Isso impacta diretamente no custo total de produção. 

Qual a viabilidade do superfosfato triplo?

A viabilidade da utilização do superfosfato triplo deve levar em consideração a análise de uma série de coeficientes. Para que uma prática de manejo seja viável é preciso que parâmetros técnicos, econômicos e ambientais caminhem lado a lado.

Para isso, todo o cenário deve ser estudado e cada caso deve ser avaliado individualmente.

Por isso é importante realizar a análise físico-química do solo, bem como conhecer as exigências nutricionais da cultura e a duração do seu ciclo. Apenas assim é possível determinar a dosagem correta do adubo e em qual momento deve ser disponibilizado para as plantas. 

No caso da adubação fosfatada, atenção especial deve ser dada à acidez do solo, que tem influência direta na disponibilização do fósforo para as plantas. Não se esqueça de avaliar a compatibilidade do superfosfato triplo com outros insumos. Isso pode ter um impacto direto na eficiência dos produtos.

Solubilidade do superfosfato triplo 

O superfosfato triplo (SPT) é altamente solúvel em água e CNA. Outros adubos solúveis em água e CNA são:

O superfosfato triplo é utilizado principalmente na forma de grânulos. Isso diminui a superfície de exposição do adubo com o solo, diminuindo também o processo de solubilização. 

Além disso, essa forma facilita o manejo e a aplicação.

Como tirar o máximo proveito do super triplo na lavoura

A eficiência da adubação fosfatada vai muito além do fornecimento do nutriente na dosagem correta. Vários fatores devem ser considerados e todo o cenário deve ser avaliado.

Independente do nutriente fornecido para as plantas, é preciso conhecer o histórico de cultivo da área.

O histórico deve conter informações sobre:

  • calagens realizadas na lavoura;
  • quais adubos e em qual quantidade foram utilizados;
  • quais culturas foram plantadas;
  • sistema de manejo adotado;
  • produtividades alcançadas. 

Todas essas informações contribuem com a orientação e eficiência da adubação.

Além disso, conhecer o solo é fundamental. Fatores como o pH e a umidade interferem na disponibilidade dos adubos fosfatados para as plantas, como o super triplo e simples.

A eficiência da adubação também está relacionada à fonte, a solubilidade, a granulometria e ao modo de aplicação dos produtos.

Diferença entre superfosfato triplo e simples

O superfosfato simples é um fertilizante mineral que tem em sua composição 18% de fósforo, 16% de cálcio e 10% de enxofre. 

A diferença entre ele e o superfosfato triplo está na concentração dos nutrientes, principalmente do fósforo. Eles também diferem na forma de obtenção. 

Os dois fertilizantes são produzidos a partir do beneficiamento de rochas fosfáticas

Elas são submetidas a processos químicos. Pela reação com o ácido fosfórico é produzido o superfosfato triplo.

Enquanto isso, a produção do superfosfato simples envolve a aplicação de ácido sulfúrico no processo de beneficiamento da matéria-prima. O superfosfato simples e o superfosfato triplo podem ser encontrados no mercado na forma de grânulos ou em pó

Ambos têm coloração acinzentada e apresentam elevada solubilidade. Isso significa que o fósforo se apresenta na forma mais solúvel.

Esquema que mostra os diferentes tipos de fertilizantes fosfatados
Rota de produção de alguns fertilizantes fosfatados comercializados no Brasil
(Fonte: Teixeira, P. P. de C.)

O que é adubação fosfatada?

A adubação fosfatada é o uso de fertilizantes que têm principalmente o fósforo em sua composição.

O principal objetivo dessa prática é a manutenção do potencial produtivo da área pela elevação dos níveis de fósforo  no solo. Os adubos fosfatados mais utilizados na agricultura são:

  • Fosfato monoamônico ou MAP;
  • Fosfato diamônico ou DAP;
  • Superfosfato simples;
  • Superfosfato triplo.

Solubilidade dos fertilizantes fosfatados

A legislação brasileira determina que a garantia dos adubos fosfatados seja fornecida com base na quantidade de fósforo solúvel em extratores como:

  • água;
  • ácido cítrico; e
  • citrato neutro de amônio + água (CNA + H2O).

A solubilidade de uma substância é a capacidade de se dissolver em outra. A compreensão dessa informação auxilia na tomada de decisão sobre qual a melhor fonte de fósforo e o melhor manejo de adubação a ser adotado. 

No entanto, solubilidade não é sinônimo de disponibilidade do fósforo no solo. Fatores como acidez, teor de argila, umidade do solo e outras condições ambientais interferem na disponibilidade e absorção desse elemento.

Como fazer a adubação fosfatada?

A aplicação dos adubos fosfatados é realizada, principalmente, durante o plantio e diretamente no sulco. Dependendo da cultura, a adubação fosfatada também é feita em cobertura.

O plantio é o melhor momento para que o fósforo seja disponibilizado em profundidade, próximo às raízes. Isso se deve ao fato desse elemento apresentar baixa mobilidade no solo.

Vale lembrar que toda recomendação de adubação deve ser orientada pela análise de solo e pela exigência nutricional da cultura.

Adubos fonte de fósforo

No mercado, é possível encontrar inúmeras fontes de fósforo além do superfosfato triplo. A escolha da melhor fonte de fósforo deve considerar fatores como:

  • as características físico-químicas do solo; 
  • a exigência nutricional da cultura; 
  • o sistema de plantio adotado (convencional, cultivo mínimo, plantio direto);
  • o modo de aplicação;
  • as características do fertilizante. 

Além dos aspectos técnicos, é importante avaliar a viabilidade econômica da adubação.

Confira os principais fertilizantes fosfatados utilizados nas lavouras do Brasil e sua composição:

  • Fosfato monoamônico (MAP): 48% de pentóxido de fósforo e 9% de nitrogênio;
  • Fosfato diamônico (DAP): 45% de pentóxido de fósforo e 17% de nitrogênio;
  • Superfosfato simples: 18% de pentóxido de fósforo, 16% de cálcio e 10% de enxofre;
  • Superfosfato triplo: 41% de pentóxido de fósforo e 10% de cálcio.

Diversas opções de fertilizantes fosfatados podem ser usadas para garantir o suprimento de fósforo às plantas. Porém, considere aspectos técnicos e econômicos destes insumos para definir qual usar.

Banner de chamada para o download da planilha de cálculos de insumos

Conclusão 

O fósforo é um nutriente essencial para o pleno desenvolvimento dos vegetais. 

Conhecer a composição química de fertilizantes como o superfosfato triplo e como eles reagem no solo é essencial. 

Não deixe de fornecer o fósforo na dosagem e no momento certo. Utilizando as fontes adequadas, você terá a chave do sucesso para grandes produtividades

>> Leia mais:

9 micronutrientes das plantas: Como e quando utilizá-los

Fertilizantes para plantas: Tudo o que você precisa saber para aumentar a eficiência

Fertilizantes NPK: Como obter alta eficiência das fórmulas comerciais

Você já usou o superfosfato triplo para suprir a demanda de fósforo da sua lavoura? Vem sendo eficiente? Conte sua experiência nos comentários abaixo!

Quando e como usar as forrageiras em seu sistema de produção

Forrageiras: como fazer a semeadura, impacto na produtividade, principais espécies e mais!

O uso de forrageiras vem avançando no país, com produtores mais atentos aos benefícios dessas plantas para o sistema de produção.

Além de protegerem o solo e fornecer palha para o plantio direto, as forrageiras também ajudam a elevar a produtividade da lavoura. E isso, claro, traz reflexos à rentabilidade da fazenda!

Neste artigo, vou falar melhor sobre a cobertura do solo com forrageiras, como e quando utilizá-las. Confira a seguir!

O que são e como fazer a cobertura do solo com forrageiras

As forrageiras são plantas que têm como propósito proteger o solo, fornecer palha para o plantio direto e alimento para o consumo animal, podendo ser gramíneas ou leguminosas. No caso da alimentação animal, podem ser plantadas para pastagem ou colhida para ser servida como alimento posteriormente, como feno e silagem, por exemplo. 

Mas, para entendermos o impacto dessas culturas de cobertura nos nossos sistemas de produção, antes precisamos entender alguns pontos… Vamos lá! 

A agricultura em nosso país acontece basicamente em dois climas: tropical e subtropical

O clima subtropical está presente na região Sul e em parte do estado de São Paulo. Esse clima apresenta verões quentes e invernos mais frios, com chuvas mais bem distribuídas e, consequentemente, estações secas menos severas.

Já o clima tropical ocorre na maior parte do Brasil, pegando todo o Centro-Oeste, Norte, Nordeste e boa parte do Sudeste.

Ele tem como principais características verões quentes e chuvosos e invernos secos, com poucas diferenças de temperatura.

O clima tropical apresenta dois problemas para o uso do solo como agricultura: 

  1. Falta de água durante parte do ano, inviabilizando lavouras de sequeiro nesse período;
  2. Chuvas torrenciais, concentradas numa época do ano.

O primeiro problema é bem lógico e já conseguimos contorná-lo (de certa forma) com a segunda safra. 

Quanto ao segundo ponto, o problema é que as chuvas torrenciais têm alto potencial erosivo. E a única proteção contra erosão é o solo estar coberto.

Mas aí temos um terceiro problema: cobrir o solo num clima tropical é extremamente difícil.

Acredito que todos que trabalham nas antigas ou novas fronteiras agrícolas sabem como a palha “derrete” rapidamente no solo.

Isso acontece porque quando começa a estação das águas, a combinação de umidade e altas temperaturas são um “prato cheio” para os microrganismos do solo. Eles, literalmente, “devoram” a palha.

E em pouco tempo o solo está descoberto e sendo cultivado para a nova safra, o que gera uma combinação bem problemática.

Cobertura e proteção do solo

Uma planta precisa de basicamente três coisas para se desenvolver: luz, água e nutrientes, sendo os dois últimos adquiridos do solo. Daí já conseguimos ver a importância do solo para nosso sistema de produção.

A água retida no solo é perdida por transpiração (água que passa pela planta) e por evaporação (água perdida diretamente do solo para a atmosfera). A palha das forrageiras diminui a água perdida por evaporação, ou seja, água que sai do sistema sem “produzir”.

Outro objetivo de se manter o solo coberto é diminuir o impacto das gotas de chuva que desagregam o solo e, quando escorrem, levam essas partículas embora (erosão).

As partículas superficiais do solo perdidas pela erosão são valiosas, pois nelas estão a maior parte dos nutrientes. Se compramos e aplicamos nutrientes ao solo, eles são perdidos: é, literalmente, jogar dinheiro fora!

Gráfico mostra detalhes da extração de nutrientes
Extração total de N, P, K, Ca, Mg e S, em kg ha-1, alteradas pela quantidade de palha na superfície
(Fonte: Sá et al, 2010)

Note na figura acima que, quanto mais palha sobre o solo, maior a quantidade de nutrientes que a planta consegue absorver.

Dessa forma, sabemos que o adubo aplicado será melhor aproveitado e não perdido pela enxurrada das chuvas de verão.

Outro ponto importante são as características físicas do solo. A cobertura da palha propicia um ambiente que melhora o desenvolvimento das raízes, prevenindo a compactação do solo.

Podemos ver na figura abaixo como a presença da palha sobre o solo aumentou o comprimento das raízes das plantas de aveia. Isso ajudou na captação de água pela planta e na extração de nutrientes.

Como e quando usar forrageiras

Para tornar o uso de forrageiras e culturas de cobertura economicamente viáveis, existem duas formas: 

  1. Semeando as forrageiras na segunda safra (clima tropical) ou na safra de inverno (nas regiões de clima subtropical).

Assim, garantimos a safra de maior renda no verão e também a presença de palha protegendo o solo no início das chuvas e do próximo ciclo de cultivo.

  1. Através do consórcio das forrageiras com culturas como milho, sorgo, arroz e até mesmo soja.

Bom, para quem lê isso pela primeira vez pode até parecer loucura, mas já abordei esse assunto neste post do Lavoura 10

A essência do consórcio é que duas culturas subsistam no mesmo local durante alguma etapa dos seus ciclos de vida.

No caso da soja, o consórcio normalmente é feito usando a sobressemeadura das forrageiras no final do ciclo do grão, mais precisamente entre as fases R5 e R6. 

Isso permite as forrageiras emergirem antes da colheita da soja e aproveitarem as últimas chuvas e as temperaturas mais propícias do final da safra.

Nas regiões que propiciam uma segunda safra de milho ou até mesmo sorgo, as forrageiras podem ser incluídas no sistema de forma consorciada com essas culturas.

Semeadura de forrageiras

Normalmente, a semeadura das forrageiras é feita em linha (mais profunda, na caixa de adubo) ou a lanço, no mesmo momento da semeadura da cultura de milho ou sorgo, ou na realização da adubação de cobertura.

Rendimento de grãos em cultivares de milho safrinha sob monocultivo e em consorciação com forrageiras
(Fonte: adaptado de Jakelaitis et al, 2010)

E, como podemos ver na figura acima, a diferença entre a produtividade de milho solteiro ou em consórcio é mínima e muitas vezes inexistente. Isso viabiliza economicamente o consórcio, já que há redução nos custos de implantação da forrageira.

Principais forrageiras

diversas espécies forrageiras e cada uma delas pode se encaixar melhor no sistema de produção da sua propriedade.

Braquiárias

As braquiárias são as principais plantas forrageiras atualmente no país, principalmente devido à sua adaptabilidade ao clima tropical e ao cerrado.

Entre as espécies do gênero Brachiaria, são destaque a B. ruziziensis, B. brizantha, B. humidicola e B. decumbens.

Aqui no Blog do Aegro temos um post específico sobre quando semear a forrageira, como fazer consórcio e quais espécies são mais recomendadas. Confira: “Principais espécies de brachiaria e como fazer seu manejo.” 

Aveia

Existem diversas cultivares, com diferentes ciclos de produção. A aveia forrageira possui tolerância ao frio e geadas, boa produção de massa verde e boa rusticidade. 

Além de produzir forragem, também pode ser utilizada para produção de palha para o SPD (Sistema de Plantio Direto).

Feijão guandu

O feijão guandu tem sido utilizado por cada vez mais produtores como forrageira para ser ofertada para os animais no inverno (picada, pastejada diretamente, ensilado com milho ou em fardos de feno).

Pode ser consorciado com milho e também com outras forrageiras tropicais, como a braquiária. Em 2010, inclusive, a Embrapa lançou um sistema que consorcia milho, guandu e braquiária: o Sistema Santa Brígida.

Separei alguns outros posts aqui do Blog em que falo mais sobre outras forrageiras e que podem te ajudar a escolher a melhor opção para sua propriedade:

“Culturas de inverno: Como aumentar o rendimento na propriedade”

Adubos verdes: Saiba como cultivar e as características de cada espécie

Divulgação do kit de 5 planilhas para controle da gestão da fazenda

Conclusão

As forrageiras têm se mostrado uma das principais aliadas na agricultura tropical e na implantação de um plantio direto correto, que consiga cumprir o papel de proteção do solo.

Neste artigo, tratamos sobre os benefícios dessas plantas, principais forrageiras e características de semeadura.

O importante é escolher a espécie que melhor se adapta ao seu sistema e começar a proteger o solo, que é literalmente a base do sucesso do Agro brasileiro!

>> Leia mais: O que você precisa saber sobre a cobertura do solo com nabo forrageiro

Quais forrageiras você já utilizou em seu sistema de produção? Restou alguma dúvida sobre o tema? Deixe seu comentário!

Inoculante para feijão caupi: por que e como utilizar

Inoculante para feijão caupi: Entenda a importância da prática e confira as recomendações de como fazê-la em sua lavoura

O Brasil é o maior produtor mundial de feijão. Segundo a Conab, a safra 2019/20 está estimada em 687,4 mil toneladas.

O feijão, por seu elevado teor de proteína na semente, exige uma alta quantidade de nitrogênio para se desenvolver. A prática de inoculação auxilia no processo de fixação biológica de nitrogênio.

Vamos entender um pouco mais sobre o uso de inoculante para feijão caupi (Vigna unguiculata), também conhecido como feijão de corda, macassa, fradinho ou miúdo. Confira a seguir!

O feijão caupi e a inoculação

A melhor opção para um bom estabelecimento da lavoura ainda é o tratamento bem feito da semente. Isso resulta em produtividade.

O inoculante é um produto que conta com microrganismos de ação benéfica ao crescimento das plantas.

Os microrganismos mais utilizados são os fixadores biológicos de nitrogênio, que realizam a fixação do nitrogênio atmosférico. Essa reação é catalisada pela enzima nitrogenase, através de estruturas formadas nas raízes do feijoeiro, os nódulos, onde o corre a fixação biológica de nitrogênio.

Os 78% dos gases da atmosfera são formados por N. É simples perceber que tem muita fonte livre de N por aí. O objetivo desses microrganismos é disponibilizar o nitrogênio à planta em troca do carbono gerado na fotossíntese das plantas.

O inoculante intensifica o processo natural da fixação biológica de nitrogênio, promovendo a associação de outras bactérias com a planta. Elas captam o nitrogênio do ar e o disponibilizam para o feijoeiro.

inoculante para feijão caupi

(Fonte: Embrapa)

Um dos principais microrganismos utilizados para a inoculação do feijão é o Rhizobium spp., especialmente o Rhizobium tropici.

Algumas outras bactérias também fixam nitrogênio sem a necessidade de formação de nódulos nas raízes. Essas são as bactérias diazotróficas. 

A mais conhecida delas é o Azospirillum brasilense, que também pode ser utilizado na cultura como inoculante.

A utilização conjunta de mais de um microrganismo no processo de inoculação tem se mostrado com ótimos resultados produtivos.

Quais os benefícios do inoculante para feijão caupi?

O uso de um inoculante para feijão caupi está relacionado ao aumento do rendimento de grãos do feijão.

Sua utilização também reduz o uso de adubo nitrogenado e diminui significativamente o custo da lavoura.

Segundo a Embrapa, com uso de inoculante, o ganho médio no rendimento do feijão pode chegar a 25%.

A necessidade de nitrogênio na lavoura de feijão para obter altas produtividades fica em torno de 80 kg a 150 kg de N/ha. 

Em lavouras de larga escala, pode-se chegar à redução de 50% ou total do adubo nitrogenado aplicado após a inserção da prática de inoculação, com os mesmo índices de produtividade.  

A prática da inoculação é uma alternativa para a substituição, total ou parcial, dos adubos nitrogenados.

Passo a passo de como utilizar inoculante para feijão caupi

Como em qualquer tratamento de semente, são necessários alguns cuidados para uso do inoculante para feijão caupi:

Para garantir a qualidade, é preciso verificar o registro do Mapa na embalagem do produto, bem como se ele é específico para a cultura do feijão.

Recomendações específicas para a inoculação do feijão são:

  • utilize produtos de qualidade e dentro da validade;
  • siga a dosagem recomendada do inoculante para o procedimento;
  • a distribuição do produto precisa ser completa, pegando toda a superfície da semente.
  • garanta que o produto seja conservado, até seu uso, em local fresco e arejado;
  • identifique uma ou duas das quatro estirpes de bactérias que são recomendadas para o Brasil;
  • realize a operação de inoculação sempre à sombra;
  • proteja as sementes inoculadas do sol e calor;
  • não faça a inoculação dentro das caixas da semeadora;
  • não utilize menos de 100 ml de inoculante líquido por saca de 50 kg de sementes;
  • ao usar inoculante turfoso, você pode utilizar uma solução açucarada a 10% para aumentar a aderência;
  • após o procedimento de inoculação, as sementes devem ser semeadas o mais breve possível. 

Para garantir que o máximo de inoculante viável chegue ao solo na semeadura, a uniformidade da distribuição dele na superfície da semente fará toda a diferença.

inoculação para feijão caupi

(Fonte: Embrapa)

O que é importante considerar no uso de inoculante para feijão caupi

O feijão caupi é plantado em grande parte da região nordeste do Brasil, que possui condições climáticas favoráveis como altas temperaturas, alta salinidade e baixa umidade.

A recomendação do tipo de inoculante para o feijão caupi é diferente da recomendação para o feijão comum (Phaseolus). Por isso, é importante verificar essa questão no momento da compra do produto.

A Embrapa Agrobiologia vem, há anos, desenvolvendo pesquisas utilizando estirpes locais que já são adaptadas às condições ambientais como inoculantes. 

É uma alternativa mais barata para os produtores familiares, que são responsáveis por cerca de 70% da produção de feijão caupi. 

Nesse material você encontra mais informações sobre a recomendação da Embrapa. 

Durante meu estágio da graduação tive a oportunidade de acompanhar o trabalho da Dra. Norma Gouvêa Rumijanek, da Embrapa Agrobiologia. O procedimento é simples e traz resultados bem significativos na fixação biológica de nitrogênio na cultura.

Embrapa Agrobiologia
Embrapa Agrobiologia

(Fonte: Arquivo pessoal)

Custo do inoculante para feijão caupi

O custo das doses disponíveis no mercado fica em torno de R$ 5. Comparado ao custo do fertilizante nitrogenado para suprir a necessidade de 80 a 150 kg/ha, a prática é bem acessível.

Faça a sua escolha pelo custo, qualidade e dose de microrganismos presente no produto. 

Os produtos disponíveis no mercado são do tipo turfoso ou líquido.

O inoculante turfoso necessita da preparação de uma solução açucarada a 10% para promover a aderência à semente. Já o inoculante líquido vem na quantidade correta para ser colocado no tratamento de semente.

Lembre-se que utilizar sementes de boa qualidade faz toda diferença!

A Embrapa Meio-Norte alerta que implantar lavouras com grãos salvos promove uma baixo rendimento por hectare, enfraquece a genética da cultura, trazendo sérios riscos de introduzir pragas.

Ao utilizar a prática de adubação nitrogenada em conjunto com a inoculação, é importante ter cuidado com a dosagem. Segundo Cardoso e Andreote (2016), a disponibilização do N-mineral em altas doses pode prejudicar a fixação biológica.

Conclusão

A inoculação é um investimento barato para a sua produção e mais sustentável para sua lavoura. 

O investimento nesse manejo vale para garantir o suprimento de nitrogênio à cultura do feijão caupi. Ele pode garantir a qualidade da produção e redução dos custos, além de ser uma prática simples e eficaz. 

Você deve planejar bem, escolher um bom produto e fazer a inoculação para o feijão de forma correta. Aproveite as dicas e boa inoculação!

>> Leia mais:

Melhore seu plantio de feijão (Phaseolus vulgaris L.)

Como fazer o preparo do solo para plantio de feijão

Restou alguma dúvida sobre o uso do inoculante para feijão caupi? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Variedades de café mais produtivas: como escolher a melhor para sua propriedade

Variedades de café mais produtivas: entenda como seu sistema produtivo influencia  e o que considerar para eleger a cultivar adequada

Quais variedades de café são mais produtivas? Qual eu devo plantar aqui na minha propriedade? Qual você recomenda?

Se você já fez ou ouviu essa pergunta, sabe que não é tão fácil respondê-la. E, na maioria das vezes, é um grande “depende”. Mas, e aí, será que existe a tal da variedade de café mais produtiva

Olha, são mais de 130 variedades de café arábica disponíveis! Algumas velhas conhecidas do produtor, como Mundo Novo e os Catuaís, mas temos também as mais recentes. Quais produzem mais?

Separei alguns pontos a se considerar quando o assunto é variedade de café e produtividade. Mas, já adianto… depende! Confira comigo a seguir!

Variedades de café mais produtivas 

Ao longo dos anos, inúmeras cultivares de café foram lançadas pelas instituições de pesquisa brasileira. Hoje, são mais de 130 variedades no RNC (Registro Nacional de Cultivares) do Mapa.

Essas variedades proporcionaram grande evolução da cafeicultura brasileira em produtividade e em outros aspectos como tolerância a estresses e resistência a doenças. 

Com tantas opções, quais as variedades de café mais produtivas? Não é uma resposta simples!

E o que complica ainda mais é o seguinte: 90% da cafeicultura brasileira é feita sobre as variedades do IAC, Mundo Novo e Catuaí, que já estão conosco desde os anos 50 e 70.

Mas, se a produtividade nacional ainda vêm crescendo nos últimos anos, como explicar esse fato se os materiais genéticos mais usados ainda são os mesmos?

Gráfico que mostra variedades produtivas de café
Série histórica da produtividade média da cafeicultura nacional; Catuaí e Novo Mundo têm sido as principais variedades há décadas

É o que vamos abordar ao longo desse texto para dar “uma luz” quanto à pergunta: “quais as variedades de café mais produtivas?”

Como veremos a seguir, a produtividade é relativa ao sistema de produção (ambiente), não somente à genética da planta; e outros fatores devem ser levados em conta na hora da escolha da variedade.

Potencial produtivo e sistema de produção

O desenvolvimento e a produtividade de uma lavoura de café é função da interação de dois fatores: o material genético (variedade) e o ambiente (clima/solo/sistema de produção).

Cada variedade tem um potencial produtivo – umas maiores que as outras. Mas, para esse potencial ser expresso, precisamos de um ambiente favorável, afinal, as variedade têm adaptabilidade diferentes às condições ambientais. 

Desse modo, o resultado final “produtividade” pode ser visto como a  expressão do potencial produtivo da variedade regulado/limitado pelo ambiente. 

Baseado nisso é possível fazer colocações importantes:

1 – A mesma variedade em ambientes distintos pode ter produtividades diferentes.

2 – Uma variedade pode ser mais produtiva em determinado ambiente e menos produtiva em outro.

Portanto, na prática, não existe “A” variedade de café mais produtiva, mas variedades que se adaptam melhor e produzem mais em determinado ambiente/sistema de produção.

Assim, ambiente e genética devem andar de mãos dadas para se obter os melhores resultados!

Critérios para escolha de variedades de café mais produtivas

A escolha de uma variedade é como um “cabo de guerra” entre as exigências dela para expressar seu potencial e o que o seu sistema produtivo pode oferecer.

Ou você escolhe a variedade que melhor se adapta às suas condições ou terá de mudar seu sistema de produção. 

Foto de grãos de café bourbon, com grãos vermelhos
Café Bourbon Vermelho
(Fonte: World Coffee Research.com)

Variedades de café: genética 

Além do potencial produtivo, alguns aspectos devem ser observados. São eles: 

  • porte (baixo, médio ou alto);
  • vigor;
  • diâmetro da copa;
  • ciclo de maturação;
  • resistência a pragas e doenças;
  • aspectos relativos à qualidade da bebida e tamanho do grão.

A tabela abaixo mostra informações relativas a algumas variedade de café em aspectos como capacidade produtiva. Como já dissemos, são muitas! 

Se você quiser informações mais detalhadas e específicas de cada cultivar, recomendo acessar o site do Consórcio Pesquisa Café.

Tabela com variedades produtivas de café
Características de algumas variedade de café arábica

Vigor, porte e diâmetro 

São importantes, considerando se o seu sistema de cultivo é adensado, se a colheita e os tratos culturais são mecanizados. 

Plantas de menor porte são preferíveis, pois muito grandes dificultam todas as operações e aumentam a necessidade de podas.

Pragas e doenças 

As variedades que dominam o parque cafeeiro nacional são suscetíveis à ferrugem e nematoides. 

A escolha de cultivares resistentes reduzem os gastos com essas enfermidades e são de vital importância em sistemas limitados, como os cultivos orgânicos.  

Novos materiais, como os Siriemas, têm múltipla resistência: são resistentes ao ataque do bicho mineiro, ferrugem, phoma e também tolerantes à seca; segundo os dados da Fundação Procafé.

>> Leia mais: “Como reduzir os impactos da seca no plantio de café”

Ciclo de maturação 

O ciclo de maturação é de extrema importância, pois define a época da colheita, bem como as operações que a precedem e sucedem. 

Por isso, a relação desse ciclo com altitude/temperatura é fundamental, pois regiões mais altas e amenas tendem a alongar o ciclo, deixando-o mais tardio.

E isso pode ser um grande problema!

Em propriedades onde predominam temperaturas frias ou em regiões mais altas, opte por variedades mais precoces.

variedades de café mais produtivas

Comparação entre a maturação de três variedades distintas de café. A maior presença de grãos verdes em relação ao Catuaí vermelho mostra o ciclo de maturação muito tardio dos Obatãs
(Fonte: Consórcio Pesquisa Café)

Qualidade de bebida

Em teoria, todas as cultivares têm potencial para gerar boas bebidas se colhidas no ponto certo. 

Algumas delas, como o Bourbon, ganharam fama de bons bebedores, mas produzem menos. Além disso, a qualidade do café depende também do pós-colheita.

O ambiente: sistemas de produção

Devemos nos perguntar: o que o meu sistema pode oferecer para que o cafeeiro se desenvolva bem?

A comparação que eu faço é a de um Fusca e uma Ferrari. Será que uma Ferrari vai andar bem naquela estrada de terra esburacada que o fuscão tira de letra? Não! Mas, ao mesmo tempo, se colocarmos os dois numa rodovia, a Ferrari sai “voando baixo”…

De nada adianta colocar um excelente material genético (a nossa Ferrari),  exigente e produtivo, se você não der as condições necessárias. Talvez seja melhor um material mais rústico, que tolere mais adversidades (o nosso Fusca).

Ambos são bons materiais, mas cada um dentro da sua realidade, em seu ambiente!

Esse entendimento do sistema possibilitou os aumentos ainda crescentes da produtividade nacional. Estamos cuidando melhor dos nosso cafeeiros e isso explica por que as antigas cultivares ainda são competitivas: o ambiente melhorou!

Fotos de folhas de café sadias
Folhas sadias do cafeeiro
(Fonte: World Coffee Research.com)

Como alteramos o nosso ambiente para melhor produção de café?

Ora, clima e tipo de solo não podemos mudar. Mas, a fertilidade do solo, o manejo e a irrigação (onde disponível) podem ser alteradas para melhor atender o cafeeiro. É nisso que devemos focar!

Uma variedade mais exigente em nutrição deve ter sempre nutrientes disponíveis, assim como as variedades suscetíveis à ferrugem devem ser sempre pulverizadas para controle. 

Da mesma forma, uma variedade que é considerada vigorosa irá necessitar de mais podas para se adequar à colheita mecanizada. E por aí vai…

Conhecendo nosso sistema e as características da variedade que pretendemos adotar, conseguiremos os melhores resultados. Ambiente e genética de mãos dadas!

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Conclusão

Existem inúmeras variedades de café à disposição do produtor, mas não existe uma “receita de bolo”, apenas recomendações gerais que devem ser adaptadas a cada situação. 

A variedade que irá desempenhar melhor na minha fazenda, pode ser diferente da sua. 

Como vimos, fatores como porte, diâmetro de copa, ciclo de maturação e resistência a pragas/doenças da variedade devem ser levados em conta para que ela se encaixe no seu sistema de produção. A não ser que você esteja disposto a mudar para atender às necessidades da variedade…

Por isso, as variedade de café mais produtivas são aquelas que atendem à demanda do seus sistema e expressam seu potencial produtivo nesse ambiente.

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Ficou com alguma dúvida sobre as variedades de café mais produtivas? Qual tipo você tem em sua propriedade hoje? Conte para gente nos comentários! Grande abraço e até a próxima!

Máquinas para culturas de inverno: diferentes tipos e particularidades

Máquinas para culturas de inverno: saiba mais a respeito das diferentes semeadoras disponíveis no mercado 

As culturas de inverno são uma fonte de mais rentabilidade para a fazenda. Mas seu cultivo possui características e máquinas agrícolas específicas para sua condução.

Hoje há muitas opções no mercado e alguns modelos que semeiam estas culturas até em sistemas de plantio direto.

Para te ajudar a escolher o maquinário mais adequado, preparei uma lista de máquinas para culturas de inverno que podem ser interessantes para sua fazenda. Confira a seguir!

Máquinas para culturas de inverno: semeadura

Talvez uma das culturas de inverno mais semeadas atualmente seja o trigo. Porém, muitas outras são amplamente utilizadas como:

  • aveia branca e preta;
  • canola;
  • centeio; 
  • cevada;
  • triticale, entre outras.

Com o avanço dos Sistemas de Plantio Direto (SPD), muitos agricultores optaram pela semeadura das culturas de inverno para não deixar o solo descoberto na entressafra de verão.

A manutenção da cobertura dos solos auxilia na maior retenção de água, rotação de culturas e prevenção de plantas daninhas. Além disso, traz retorno financeiro com a venda do produtos numa safra de meio de ano.

As culturas de inverno também propiciam algumas vantagens para a semeadura da próxima safra:

  • Com a cobertura morta presente nas áreas, há redução da patinagem das máquinas agrícolas, por isso é possível antecipar a semeadura nestes talhões;
  • Devido à manutenção de maior teor de umidade no solo, a janela de semeadura acaba ampliada.

Encontrar culturas de inverno que apresentem valor e liquidez de mercado pode ser a chave para alcançar maiores ganhos.

É importante lembrar que, para sucesso das semeaduras das culturas de inverno, é necessário que o estabelecimento seja rápido e uniforme quanto à população de plantas.

É preciso que as sementes no solo estejam na profundidade correta, possibilitando a absorção de água, nutrientes e temperatura, para que ocorra a emergência e germinação o mais rápido possível. Tais condições reduzem o risco de ataque de pragas de solo.

Também é preciso ter o maquinário adequado. Por isso, veja a seguir mais informações sobre as máquinas para culturas de inverno e faça a melhor escolha para sua fazenda!

Tipos de máquinas para culturas de inverno

As semeadoras têm papel vital para o bom desenvolvimento das culturas de inverno.

Máquinas utilizadas para a semeadura de culturas de grãos miúdos são conhecidas como semeadoras de fluxo contínuo.

Estes modelos possuem, geralmente, mecanismos de distribuição por meio de rotores acanalados helicoidais que distribuem as sementes por metro linear de forma contínua.

Já as semeadoras de precisão, utilizadas para plantio de soja e milho, por exemplo, distribuem as sementes de forma individual, com discos horizontais.

Existem dois tipos de semeadoras para sementes miúdas: as do tipo TD e as semeadoras múltiplas. Vou falar mais sobre elas a seguir:

Semeadoras tipo TD

Semeato TDNG 320 420 e 520

As semeadoras da linha TDNG foram criadas para realizar a semeadura direta, além do cultivo mínimo e plantio convencional de grãos finos como o trigo, arroz, aveia, entre outros.

As máquinas dessa série possuem linhas pivotadas com grande flutuação, proporcionando boa eficiência mesmo em terrenos irregulares.

Elas podem ter caixas de adubo ou apenas depósitos de sementes, sendo que nestas sem o adubo, a autonomia e o rendimento operacional do plantio ficam maiores.

A distribuição de sementes é realizada por meio de rotor acanalado helicoidal, fabricado em ferro fundido temperado e bicromado. Segundo o fabricante, isso mantém a uniformidade de distribuição da semente.

A versão TDNG 320 tem capacidade para semear 20 linhas no espaçamento de 17 cm e uma potência requerida de um trator de cerca de 95 cv.

A máquina combinada possui capacidade máxima de 720 kg de sementes e 1.350 kg de adubo, sendo que a versão SEED (somente reservatório de sementes) tem capacidade de 1.380 kg.

Já a versão TDNG 420 tem capacidade para semear 26 linhas no espaçamento de 17 cm e potência requerida aproximada de um trator de 120 cv.

A máquina combinada possui capacidade máxima de 915 kg de sementes e 1.700 kg de adubo. Na versão SEED, a capacidade é de 1.725 kg.

E a versão maior da linha, TDNG 520, tem capacidade para semear 32 linhas no espaçamento de 17 cm e uma potência requerida de um trator de 140 cv.

A máquina combinada possui capacidade máxima de 1.125 kg de sementes e 2.125 kg de adubo, sendo que a versão SEED tem capacidade de 2050 Kg.

Semeadoras de grãos fino Linha Guapa

Linha Guapa Supra e Guapa Supra Winter

As semeadoras da linha Guapa da Stara também merecem destaque em nossa lista.

Os modelos possuem capacidade de articulação, o que garante uma boa qualidade da semeadura mesmo em terrenos irregulares e acidentados.

A calibração é relativamente fácil de ser executada, pois as máquinas possuem molas pneumáticas de pressão que garantem homogeneidade na emergência da cultura.

Essa linha de semeadoras é equipada com um reservatório central de sementes e fertilizantes, com bons rendimentos operacionais e abastecimento mais rápido.

Na configuração “somente sementes”, essa linha possui capacidade para cerca de 3.000 kg.

O reservatório tem capacidade para 1.200 kg de semente e 3.000 kg de adubo. Além disso, pode ser reconfigurado em até quatro modos possíveis, conforme a necessidade de cada operação.

As máquinas desta série possuem capacidade de semear 44 e 60 linhas com espaçamento de 17 cm. Ambas podem ser equipadas com controlador para Agricultura de Precisão e pacote de telemetria da marca.

Foto de máquinas agrícolas para cultura de inverno

(Fonte: Stara)

Semeadoras Múltiplas ou Multissemeadoras

As semeadoras múltiplas são equipamentos que conseguem semear tanto sementes graúdas quanto miúdas.

Esse tipo de máquina pode ser uma excelente opção se você pretende praticar a rotação de culturas na propriedade e semear cultivos de inverno. 

As multissemeadoras possibilitam o preparo do equipamento de acordo com a cultura que será semeada.

A mudança no layout destas máquinas consiste basicamente na parte do sistema distribuidor de sementes e na retirada dos sulcadores de adubo. Cada máquina possui sua configuração específica. Vou trazer mais detalhes sobre algumas delas a seguir:

Semeato SSM Full 3513 e 4115

A semeadora SSM FULL da Semeato consegue realizar o plantio tanto de sementes miúdas quanto graúdas e ainda realizar a correção do solo.

As duas versões dessa linha de semeadoras múltiplas atendem médias e grandes propriedades: a SSM FULL 3513, de 35 linhas num espaçamento de 17 cm; e a SSM FULL 4115, de 41 linhas com espaçamento de 17 cm.

A SSM FULL 3513 é a versão menor da linha e possui capacidade de sementes miúdas de 4.000 kg (somente semente) ou 2.000 kg com caixas de adubo e 1.500 kg para sementes graúdas.

Requer potência de um trator de 215 hp, com capacidade de adubo de 3.000 kg para sementes miúdas e 6.000 kg para sementes graúdas.

A máquina pode ser configurada para a semeadura de 35 linhas de 17 cm usando sementes miúdas e 13 linhas de 45 cm ou 12 linhas de 50 cm para sementes graúdas.

Já a SSM FULL 4115 possui a mesma capacidade de 4.000 kg (somente semente) ou 2.000 kg com caixas de adubo para sementes miúdas e 1.500 kg para sementes graúdas. Possui caixa de adubos com capacidade aproximada de 3.000 kg para sementes miúdas e 6.000 kg para graúdas.

O que muda na versão maior da linha é a potência requerida do trator, neste caso, de 225 hp. Porém, as linhas de semeadura variam entre 15 linhas de 45 cm ou 14 linhas de 50 cm.

Foto de máquina agrícola com tanque

(Fonte: Semeato)

Manutenção das máquinas e gestão da frota

Manutenção é essencial para o correto funcionamento do maquinário agrícola.

Um simples filtro de ar entupido com poeira pode acarretar perda de potência do maquinário, diminuindo a eficiência operacional.

As semeadoras múltiplas necessitam de alteração no layout da máquina para a semeadura de culturas de inverno ou verão. É vital que as peças trocadas sejam limpas, reparadas e substituídas sempre que necessário.

Para organizar todas essas revisões ao longo da safra, sem se esquecer de nenhuma máquina, você pode contar com o auxílio de um sistema de gestão agrícola como o Aegro.

Essa ferramenta te permite programar alertas periódicos de manutenção na frota. Assim, você recebe um aviso por e-mail sempre que estiver na hora de realizar uma nova checagem.

Você também pode usar o Aegro para adquirir maior controle sobre o custo operacional das suas máquinas. Basta registrar gastos com manutenções e abastecimentos de forma prática, pelo seu celular.

Além disso, o aplicativo é perfeito para monitorar o uso do maquinário em atividades de manejo. Você contabiliza as horas trabalhadas com o equipamento e obtém indicadores sobre a sua capacidade efetiva.

Todas essas informações que o Aegro reúne te ajudam a tomar melhores decisões no dia a dia e garantir uma alta performance para o seu patrimônio.

Confira algumas opções para começar a gerenciar sua frota agrícola com o Aegro:

  • Aplicativo gratuito para celular Android (clique aqui);
  • Aplicativo gratuito para celular iOS (clique aqui);
  • Utilize seus Pontos Bayer para contratar a versão completa do Aegro (clique aqui).

Conclusão

A semeadura de culturas de inverno pode ser uma excelente opção para o aumento da rentabilidade da fazenda.

Se você deseja fazer esse investimento, a aquisição de uma semeadora múltipla costuma ser uma excelente escolha. Afinal de contas, ela poderá ser utilizada tanto para o plantio das culturas de inverno quanto de verão, otimizando atividades da fazenda e do maquinário.

No momento da compra, lembre-se de escolher modelos que sejam simples de alterar para culturas de semente miúda e graúda. Isso vai facilitar o trabalho no dia a dia da sua propriedade!

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Como escolher as variedades de milho mais produtivas para sua lavoura

Variedades de milho mais produtivas: como fazer a escolha certeira da semente para grãos, milho verde ou outros interesses da cultura.

No mercado existem diversas variedades e híbridos de milho, com infinitas características fenotípicas e adaptativas. Mas nem sempre o que vai bem em uma região dará certo na sua lavoura.

É preciso saber escolher uma semente com alta taxa produtiva, que possua características de interesse dentro do seu sistema produtivo!

Por isso, preparei um roteiro com perguntas que você deve se fazer para eleger o híbrido ou as variedades de milho mais produtivas para sua realidade. Confira!

Variedades de milho mais produtivas: o que saber antes de pesquisar sua semente

Antes de pesquisar possíveis sementes de milho para compra, é muito importante que você tenha em mente certas informações…

Primeiro, como essa cultura vai se enquadrar em seu sistema produtivo? O milho será cultivado no verão? Será cultivado na segunda safra? Estará em consórcio com alguma outra cultura?

Isso vai dizer muito sobre quais características buscar no híbrido ou variedade!

Depois de determinar qual período do ano seu milho estará no campo, pense em quais problemas podem ocorrer a partir daí.

Quais pragas têm maior ocorrência? Quais doenças têm maior incidência? E quais plantas daninhas estão presentes em sua área e deverão ser controladas neste período? 

Além disso, preste muita atenção ao histórico climático durante o período. 

Já ocorreram veranicos nessa época? Eles podem coincidir com qual estádio da cultura?

Para facilitar a organização destas perguntas e te ajudar a escolher as variedades de milho mais produtivas para sua lavoura, separamos os tópicos mais importantes a seguir.

variedades de milho mais produtivas

Lavoura de milho afetada por ventos fortes
(Fonte: Canal Rural)

Variedades de milho mais produtivas: aptidão da variedade ou híbrido utilizado

Atualmente, as principais aptidões que as variedades/híbridos de milho podem apresentar são:

  • grãos;
  • silagem;
  • milho doce;
  • pipoca;
  • milho verde.

Dentro destas aptidões, as características de interesse da cultura podem variar.

Híbridos ou variedades de milho para grãos priorizam boa polinização e desenvolvimento de espiga.

Já híbridos ou variedades de milho mais produtivas para silagem priorizam desenvolvimento vegetativo e palatabilidade.

Cultivares de milho voltadas para produção de milho doce, além de palatabilidade, geralmente priorizam rusticidade e baixo investimento.

Agora os híbridos ou variedades para milho verde geralmente priorizam rusticidade e baixo investimento.

Há ainda os híbridos ou variedades utilizados para milho pipoca, que priorizam capacidade de expansão dos grãos (o que fará a pipoca estourar mais facilmente).

Colheita de milho para silagem

Colheita de milho para silagem
(Fonte: Compre Rural)

Planejamento no sistema produtivo

Milho primeira safra ou milho verão

Neste sistema, o milho está posicionado no melhor período climático para sua produção, podendo-se utilizar híbridos com ciclos maiores e mais produtivos.  

Mas este também é o período com maior desenvolvimento de plantas daninhas e pragas. Por isso, a escolha de híbridos com resistência a herbicidas e a insetos pode ser de grande valia. 

É importante lembrar que este período é muito utilizado para produção de híbridos de milho para silagem, que necessitam de maior desenvolvimento vegetativo.

Milho segunda safra ou safrinha

Milho segunda safra ou safrinha é muito utilizado para rotacionar milho com outros cultivos de verão, principalmente a cultura da soja

Neste sistema produtivo, geralmente, o principal ofensor é o clima, pois pode coincidir com períodos de déficit hídrico, geadas e ventos fortes. 

Desta forma, híbridos com ciclo curto têm sido uma excelente opção para este sistema. 

O que pode influenciar muito na escolha do material genético é o período de colheita da cultura anterior. Fique atento!

Mesmo que um híbrido de ciclo curto seja uma excelente opção para evitar problemas de final de ciclo, neste sistema, a planta tem menos tempo para se recuperar de danos no meio do ciclo. 

Por isso, escolha um híbrido com boa resistência a doenças e pragas (predominantes neste período). Além disso, priorize semear no limpo, tendo feito um bom controle de ervas daninhas na entressafra e na cultura anterior. 

Devido ao maior risco neste sistema de produção, recomenda-se que haja um escalonamento de semeadura de milho em suas diferentes áreas. 

Utilize híbridos mais resistentes para minimizar o risco e ser muito produtivo na média dos anos!

Milho consorciado com outras culturas

Atualmente o sistema de consórcio mais utilizado em nosso país é o milho safrinha com braquiária

Nesse sistema, além da escolha do híbrido, o produtor deve escolher uma boa variedade de braquiária. 

Quanto ao milho, é importante que ele seja mais rústico e com crescimento inicial rápido. 

Desde que a semeadura aconteça no limpo, não será necessário priorizar híbridos com resistência a herbicidas além do glifosato devido ao fechamento da entrelinha pela braquiária. 

Quanto à escolha da braquiária, é importante que ela tenha um crescimento inicial lento ou o sistema de semeadura retrase sua emergência. Assim, evita-se competição inicial com o milho.

Além disso, é muito importante que a braquiária seja suscetível ao glifosato para ser dessecada antes de produzir sementes. 

Outro fator muito importante na escolha da braquiária é o uso de sementes certificadas com baixo índice de impurezas. 

Uso de sementes contaminadas com sementes de plantas daninhas, por exemplo, pode trazer problemas muito grandes!

variedades de milho mais produtivas

Consórcio de milho com braquiária
(Fonte: Compre Rural)

Variedades mais resistentes a pragas, doenças e herbicidas

Resistência a pragas

Temos disponíveis no mercado as seguinte tecnologias para o controle de lagartas:

As tecnologias mais antigas, como Bt, possuem um número reduzido de proteínas que atuam no controle das lagartas. Assim, associado ao tempo de usos, há inúmeros casos de resistência. 

Por isso, se sua região possui uma incidência grande dessas pragas, dê preferência a tecnologias mais novas. Priorize as que possuem maior número de proteínas, abrangendo um maior complexo de lagartas. 

Além dos insetos, os híbridos ou variedades de milho possuem suscetibilidade diferencial a nematoides. Desta forma, em área com incidência desta praga, priorize sementes de milho que a tolerem mais.

Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) atacando o milho

Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) atacando o milho
(Fonte: Pioneer Sementes)

Os milhos podem ter diferentes graus de suscetibilidade aos seguinte nematoides:

  • Pratylenchus brachyurus;
  • Meloidogyne incognita;
  • Meloidogyne javanica.

Além das tecnologias de resistência a pragas, é importante saber identificar, conhecer o ciclo e o controle das pragas! Aqui no Blog do Aegro já falamos sobre as principais pragas de milho e sorgo. Confira!

Nematoide do milho

Meloidogyne incognita: Nematoide do milho
(Fonte: Aaas Journal)

Tolerância a doenças

Os híbridos e variedades também apresentam diferentes padrões de suscetibilidade às principais doenças do milho como:

  • Ferrugem comum;
  • Ferrugem polissora;
  • Mancha branca;
  • Mancha turcicum; 
  • Cercosporiose;
  • Enferamento.

Além do melhoramento para tolerância a doenças, é importante saber identificar, conhecer o ciclo e o controle das doenças. Saiba mais sobre as doenças na cultura do milho aqui!

variedades de milho mais produtivas

Cercosporiose do milho
(Fonte: Embrapa)

Resistência a herbicidas

  • Roundup Ready® → Resistência ao herbicida glifosato;
  • LibertyLink® → Resistência ao herbicida glufosinato de amônio;
  • Enlist® → Resistência aos herbicidas 2,4 D (em doses mais altas que milho convencional), haloxifope, glufosinato de amônio e glifosato. 

Além disso, os híbridos podem ter suscetibilidade diferencial aos resíduos de herbicida da cultura anterior ou herbicidas que podem ser usados na pós-emergência.

Já ocorreram muitos casos de injúrias ocasionadas no milho pelo herbicida nicosulfuron. 

Para alguns híbridos, esse produto é muito seletivo e não ocasiona danos à cultura. Já para outros, causa sérios danos no crescimento e folhas, diminuindo a produtividade e provocando deformações nas espigas. 

Por isso, se pretende usar este herbicida, cuidado na escolha do híbrido. Saiba como escolher o herbicida para milho mais adequado aqui!

Veja a semente escolhida no campo

A melhor forma de se assegurar de que fez a escolha certa é visitar uma lavoura no meio do ciclo do híbrido ou variedade escolhida.

Deste modo, você pode observar as características que mais lhe importam e consultar o produtor da área sobre sua experiência. 

O mais indicado é que esta área seja próxima à sua propriedade, pois haverá muitas características em comum!

Caso isso não seja possível, faça um pequeno teste em sua propriedade semeando a semente de milho escolhida em uma pequena área para ver seu desempenho!

planilha de planejamento da safra de milho

Conclusão

O milho é uma cultura muito importante e utilizada para diferentes finalidades como produção de grãos, silagem, pipoca, milho doce e milho verde. 

Além disso, pode ser inserido em diversos sistemas produtivos como cultura principal, cultura secundária ou em consórcio com outros cultivos. 

Aqui discutimos como escolher as variedades de milho mais produtivas para cada situação, considerando finalidade, sistema produtivo e características da lavoura.  

Desta forma, espero que você faça uma escolha segura e alcance todo potencial produtivo em sua área.

Quais informações você considera importante para escolher um híbrido ou variedades de milho mais produtivas? Ficou alguma dúvida? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Tudo que você precisa saber sobre as plantas daninhas do trigo

Plantas daninhas do trigo: como planejar o manejo, quais as principais infestantes e como controlá-las

O trigo é uma cultura muito importante e que pode ser peça-chave para rotação de cultivos e melhor aproveitamento de áreas em algumas regiões do país. 

Além disso, essa cultura é uma aliada do manejo de plantas daninhas, pois tem ótimo fechamento de linha e ótima produção de palhada. 

Porém, para que este uso seja efetivo, é importante conhecer as principais plantas daninhas do trigo e saber como manejá-las. Por isso, confira!

Estratégias de manejo de plantas daninhas do trigo

Em nosso país, o trigo geralmente é cultivado em rotação com a cultura da soja no lugar do milho safrinha.

A principal diferença no manejo de plantas daninhas nesta cultura é que o período de entressafra ocorrerá entre a colheita da soja e o plantio do trigo. 

Desta forma, o produtor deve utilizar este período para controlar as plantas daninhas da área e priorizar a semeadura do trigo no limpo

Apesar do ótimo fechamento de linha do trigo, a ocorrência de plantas daninhas nos estádios iniciais pode ser muito prejudicial à produtividade da cultura. 

Para cultivares de porte baixo, estudos demonstram que o período anterior à interferência é de 12 dias após a emergência.  Já o período crítico de prevenção da interferência vai dos 12 aos 24 dias após a emergência. 

Ou seja, o manejo de plantas daninhas deve ser planejado para a cultura do trigo ficar no limpo por, no mínimo, 12 dias!

Além disso, a semeadura da soja ocorrerá logo após a colheita do trigo. Se a área estiver com plantas daninhas, o produtor terá de semear a cultura principal no sujo (soja) ou terá que prorrogar a semeadura (o que não costuma ser viável).

Uma questão importante no manejo de plantas daninhas no trigo é o padrão de seletividade na cultura.  Como o trigo se trata de uma gramínea, o número de herbicidas que controlam outras gramíneas no meio desta cultura é reduzido.  

Por isso, priorize controlá-las na entressafra (entre a colheita e a semeadura da soja). 

Principais plantas daninhas do trigo

Azevém (Lolium multiflorum)

Essa planta daninha possui grande importância para a cultura do trigo na região Sul do Brasil.

Já foi muito utilizada como cultura de cobertura ou forrageira e, devido a isso, se disseminou em várias áreas. 

O azevém é uma das poucas gramíneas que tem a capacidade de vegetar durante o período de inverno. 

Ele tem seu ciclo anual ou bianual (com ampla variação dependendo do biotipo) ereta, herbácea, amplamente perfilhada e sem ocorrência de pilosidades (glabra). Tem reprodução exclusivamente por sementes!

Estudos demonstram que uma população de 24 plantas de azevém por m2, convivendo com o trigo por 35 dias, pode reduzir em 62% o rendimento de grãos da cultura. 

Recomendação de manejo do azevém

Recomenda-se que o manejo desta planta daninha seja realizado prioritariamente antes da semeadura do trigo!

Caso as plantas estejam em estádio inicial de desenvolvimento, a aplicação de graminicidas será efetiva. Caso contrário, a aplicação sequencial de glifosato + graminicidas será necessária. 

Além disso, pode-se utilizar o herbicida pendimethalin no sistema plante-aplique para controlar as sementes presentes na área. 

Caso esta planta daninha do trigo esteja na área na pós-emergência da cultura, as opções disponíveis serão iodosulfuron, clodinafop e diclofop.

Além de sua capacidade competitiva, existem biótipos resistentes a herbicidas no Brasil.

Até o momento foram relatados quatro casos de resistência de azevém no Brasil. De maneira cronológica, os casos foram:

2010 –  azevém resistente ao herbicida iodosulfuron;

2010 – azevém resistente aos herbicidas clethodim e glifosato;

2016 – azevém resistente aos herbicidas clethodim e Iodosulfuron;

2017 – azevém resistente aos herbicidas Iodosulfuron, pyroxsulam, glifosato.

Caso existam biótipos resistentes desta espécie daninha em sua lavoura de trigo, uma opção para manejá-la é optar por variedades Clearfield®, que serão tolerantes ao herbicida imazamox.

Capim-amargoso (Digitaria Insularis)

O capim-amargoso é uma planta daninha de ciclo perene, herbácea, entouceirada, ereta  e que produz rizomas (estruturas de reserva). 

É uma das principais plantas daninhas do Brasil, ocorrendo em grande parte do território nacional. 

O ponto principal de seu controle é a aplicação nos estádios iniciais de desenvolvimento, pois após a produção de rizomas (aproximadamente 45 após a emergência) sua capacidade de rebrota depois de uma injúria de herbicidas é altíssima. 

Capim-amargoso é uma das principais plantas daninhas do trigo
(Foto: Germani Concenço/Embrapa)

Recomendação de manejo do capim-amargoso

Recomenda-se que o manejo do capim-amargoso seja realizado prioritariamente antes da semeadura do trigo!

Caso as plantas estejam em estádio inicial de desenvolvimento, a aplicação de graminicidas será efetiva. Caso contrário, a aplicação sequencial de glifosato + graminicidas será necessária. 

Além disso, pode-se utilizar o herbicida pendimethalin no sistema plante-aplique para controlar as sementes presentes na área.

Caso esta planta daninha esteja presente na área na pós-emergência da cultura, a opção disponível será clodinafop.

Além de sua capacidade competitiva, há ocorrência de biótipos resistentes a herbicidas no Brasil.

Até o momento foram relatados dois casos de resistência de capim-amargoso no Brasil. De maneira cronológica, os casos foram:

2008 –  capim-amargoso resistente ao herbicida glifosato;

2016 – capim-amargoso resistente ao herbicida haloxyfop.

Aveia (Avena strigosa e A. sativa)

Esta planta daninha possui grande importância para a cultura do trigo na região Sul do Brasil.

Já foi muito utilizada como cultura de cobertura ou forrageira e, devido a isso, se disseminou em várias áreas. 

Esta planta daninha também é uma das poucas gramíneas que tem a capacidade de vegetar durante o inverno. 

Estas espécies têm ciclo anual, são eretas, bastante perfilhadas e com reprodução exclusivamente por sementes. 

Podem ser facilmente diferenciadas pela coloração dos envoltórios das sementes. A Avena strigosa possui coloração escura sendo assim chamada de aveia preta. 

Lavoura de aveia preta
(Foto: Agrolink)

Recomendação de manejo da aveia:

Recomenda-se que o manejo desta planta daninha seja realizado prioritariamente antes da semeadura do trigo!

Caso as plantas estejam em estádio inicial de desenvolvimento, a aplicação de graminicidas será efetiva. Caso contrário, o controle químico envolve a aplicação sequencial de glifosato + graminicidas. 

Se a aveia estiver presente na área na pós-emergência da cultura, as opções disponíveis serão iodosulfuron, clodinafop e diclofop.

Nabo (Raphanus raphanistrum e R. sativus)

As espécies de nabo forrageiro têm ciclo anual, são eretas e com reprodução exclusivamente por sementes. 

Foto de lavoura de trigo infestada com nabo forrageiro
Lavoura de trigo infestada com nabo

Recomendação de manejo do nabo:

Antes do plantio do trigo podem ser utilizados os seguinte herbicidas: glifosato, 2,4 D, metribuzin e metsulfuron. 

Caso esta planta daninha esteja presente na área na pós-emergência da cultura, as opções disponíveis serão metsulfuron, 2,4D, iodosulfuron e bentazon.

Até o momento foram relatados dois casos de resistência de nabo no Brasil. De maneira cronológica, os casos foram:

2001 – nabo resistente aos herbicidas metsulfuron, imazetapir, clorimuron, nicosulfuron, cloransulam;

2013 – nabo resistente aos herbicidas metsulfuron, imazetapir, clorimuron, sulfometuron, cloransulam, iodosulfuron e imazapic.

Buva (Conyza spp.)

A buva é uma das principais plantas daninhas do Brasil, ocorrendo em grande parte do território nacional. 

Estas espécies têm ciclo anual, são eretas, com ramos e folhas pubescentes, propagando-se exclusivamente por sementes. Suas sementes são facilmente disseminadas pelo vento!

Lavoura de trigo infestada por buva
(Fonte: Mais Soja)

Recomendação de manejo da buva:

Como essa é uma espécie que suas sementes necessitam de luz para germinar, a cultura do trigo é muito utilizada para auxiliar em seu manejo! 

Se bem controlada, o bom fechamento de linha e a palhada depois da colheita vão segurar a emergência destas sementes no período mais propício (período frio). 

Antes do plantio do trigo podem ser utilizados os seguinte herbicidas: glifosato, 2,4 D, metribuzin e metsulfuron. 

Caso esta planta daninha esteja presente na área na pós-emergência da cultura, as opções disponíveis serão metsulfuron, 2,4D, iodosulfuron e bentazon.

Até o momento foram relatados oito casos de resistência de buva no Brasil. De maneira cronológica os casos foram:

2005 – Conyza bonariensis resistente ao herbicidas glifosato;

2005 – Conyza canadensis  resistente ao herbicidas glifosato;

2010 – Conyza sumatrensis resistente ao herbicidas glifosato;

2011 – Conyza sumatrensis resistente ao herbicidas clorimuron;

2011 – Conyza sumatrensis resistente aos herbicidas glifosato e clorimuron;

2016 – Conyza sumatrensis resistente ao herbicidas paraquat;

2017 – Conyza sumatrensis resistente ao herbicidas saflufenacil;

2018 – Conyza sumatrensis resistente aos herbicidas diuron, paraquat, glifosato, 2,4 D e saflufenacil.

Para te ajudar no controle da buva e de outras espécies invasoras em sua lavoura, preparamos um Guia para Manejo de Plantas Daninhas de difícil controle. Baixe gratuitamente aqui!

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Conclusão

Neste texto vimos as particularidades do manejo de plantas daninhas do trigo.

Mostramos a importância de semear no limpo e o que devemos priorizar no manejo de plantas daninhas para as diferentes fases do cultivo. 

Vimos também os casos de ervas daninhas resistentes e as indicações de manejo para o controle adequado na cultura do trigo!

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O que você precisa saber para fazer a melhor aplicação de 2,4 D em trigo

Quais plantas daninhas mais afetam sua lavoura hoje? Qual tem sido seu maior problema no manejo de plantas daninhas no trigo? Adoraria ver seu comentário abaixo.

Inoculante para milho silagem: por que usar e como escolher o melhor

Inoculante para milho silagem: vantagens da utilização, como aplicar e o que observar na hora de comprar.

Uma boa produção de silagem envolve três aspectos importantes: teor de matéria seca, de proteína bruta e teor de carboidratos.

E, apesar do milho ser considerado uma planta forrageira padrão, o processo de ensilamento pode ocasionar perdas acima de 20% na qualidade nutricional.

Com isso, o uso de inoculante para milho silagem pode se tornar uma alternativa interessante para o produtor. 

Saiba quando vale a pena usar esse aditivo e as dicas do que observar na hora de comprar o produto. Confira a seguir!

Qual o papel de um inoculante para milho silagem?

O inoculante é um aditivo à base de bactérias que auxilia no processo de fermentação da silagem, tornando esse processo mais rápido e eficiente.

Além disso, promove uma maior estabilidade da silagem após abertura do silo, podendo também atuar como agente antifúngico. 

Os inoculantes são preparados contendo estirpes bacterianas muito eficientes na fermentação láctica. Como exemplo podemos citar os lactobacillus buchneri, lactobacillus plantarum e enterococcus faecium.

Eles são responsáveis por aumentar as fermentações lácticas e provocar uma rápida acidificação do meio. Isso reduz as perdas e melhora a digestibilidade do milho silagem na alimentação do gado de leite.

A melhora da digestibilidade está associada à atuação dessas bactérias sob a celulose e a hemicelulose, o que aumenta a digestão da fibra no rúmen, garantindo mais energia

inoculante para milho silagem

Perdas no processo de silagem do milho podem passar de 20%, o que pode cair com uso de inoculantes
(Foto: Suino.com)

Inoculante para milho silagem: fases da ensilagem 

Já sabemos que silagem é uma maneira de conservação das forrageiras com o intuito de manter ao máximo o valor nutritivo verificado no momento da colheita.

Mas como ocorrem as fases da ensilagem?

1ª fase 

Enchimento até o fechamento do silo: ocorre picagem da planta inteira e posterior compactação.

Nesse momento ocorrerá a respiração até o esgotamento do oxigênio e modificação de estruturas devido às enzimas da planta. 

2ª fase

Início da fermentação: início da atividade dos micro-organismos, incluindo as bactérias produtoras de ácido láctico, o que conserva a silagem (pH até 4,5).

Nesta fase queremos que o pH caia mais rapidamente para diminuir a atividade de micro-organismos indesejáveis (clostrídios, clostrídios sacarolíticos e proteolíticos e coliformes fecais).

Desta maneira, utilizar inoculantes com bactérias eficientes formadoras de ácido láctico garante essa rápida queda e, portanto, maior qualidade da silagem

3ª fase

Fermentação: dizemos que chegamos no pH de estabilidade (menor que 4,5), onde temos predominantemente a atividade das bactérias lácticas. 

4ª fase

Abertura do silo: momento em que o material ensilado tem umas das faces em contato com o ar, facilitando a proliferação de fungos, leveduras e mofos. 

Por isso, a retirado do material ensilado deve ser feita como se estivesse cortando uma fatia de bolo perfeita com pelo menos 20 cm. 

Outra estratégia é a utilização de inoculantes para manter a estabilidade aeróbica da silagem, os quais contêm bactérias propiônicas. Por converter ácido lático em ácido propiônico, o qual tem propriedade fungistática, isso prolonga a qualidade da silagem.

Fases da ensilagem

Fases da ensilagem 
(Fonte: Kera Nutrição Animal)

Quais as vantagens de usar inoculante para milho silagem?

O maior benefício com a utilização de inoculante para milho silagem é a redução da perda de nutrientes do material ensilado. 

Além disso, há outras vantagens como:

  1. Redução rápida do pH, acelerando o processo de fermentação;
  2. Menores perdas de proteína e energia;
  3. Menos proliferação de fungos e leveduras;
  4. Redução na formação de gases e ácidos indesejáveis (amoniacal);
  5. Melhora na digestibilidade da fibra, consequentemente melhor conversão;
  6. Melhora da estabilidade aeróbia pós-abertura do silo. 

Mas é preciso lembrar que o inoculante não melhora a qualidade da ensilagem: ele é complementar. O processo deve ter sido feito com qualidade e utilizando forrageiras com alto teor nutritivo!

3 dicas para escolher um inoculante para milho silagem

Como já expliquei, a principal vantagem do inoculante é manter a qualidade da silagem.

Hoje, existem diversos inoculantes para milho silagem no mercado, mas como escolher o mais adequado?

A escolha deve ser baseada na sua realidade e de acordo com esses aspectos: 

  1. Esteja atento à concentração de células bacterianas. 
  2. Se a silagem contiver um teor muito alto de matéria seca, comprometendo a compactação, utilize inoculantes com atividade fungistática, além de bactérias produtoras de ácido láctico. 
  3. Observe se as cepas bacterianas são indicadas como boas produtoras de ácido nas condições normais de uma silagem (temperatura, umidade, pH, dentre outras).

Como inocular adequadamente sua silagem

Os inoculantes normalmente são pulverizados ou aspergidos no material ensilado, buscando sempre uma aplicação homogênea. Tal cuidado garante a qualidade da silagem

Para a aplicação, pode-se usar a bomba costal ou o aplicador com bomba dosadora acoplada à máquina de ensilar.

A bomba dosadora permite a aplicação mais uniforme usando em média 2 litros de calda por tonelada de silagem. 

É recomendada aplicação de, no mínimo, 106 ufc (unidade formadora de colônia)/g de forragem fresca no início do processo fermentativo.

Essa é a quantidade considerada mínima para que seja assegurada posição dominante do inoculante adicionado sobre as bactérias epifíticas já existentes.

inoculante para milho silagem

Milho é considerado forrageira padrão para ensilagem por apresentar condição favorável tanto para fermentação quanto em aspecto nutricional
(Foto: Revista Agropecuária)

E se a silagem estiver quente?

Se a silagem apresenta temperatura acima de 38℃, não é um bom sinal. Isso significa que fungos e leveduras estão oxidando seus nutrientes e convertendo em calor, gás carbônico e água. 

Mas o que provoca isso? 

Esse aumento de temperatura pode esta associado a erros no processo de fermentação, como é o caso de má compactação, e pode estar associado à abertura do silo, quando ocorre excesso de oxigenação.

E como isso tem relação com os inoculantes?

Bem, com uso de inoculantes bacterianos, as perdas no processo de ensilagem podem ser reduzidas a 13%. Isso representa 10 pontos percentuais a menos do que em condições de não utilização de inoculantes de silagem. 

Além das bactérias lácticas, alguns inoculantes têm bactérias que fazem a produção de ácido acético e propiônico que controlam a proliferação de fungos.

planilha de produtividade de milho

Conclusão

O uso de inoculante para milho silagem é complementar dentro do processo de ensilagem. Ele não é capaz de aumentar teores nutricionais da forrageira, mas conserva a qualidade do material ensilado. 

Com isso, além de minimizar perdas de proteína e energia, seu uso também diminui proliferação de fungos e leveduras na silagem.

Também discutimos as características que você deve considerar na hora de escolher o inoculante e como fazer a aplicação adequada.

Espero que, com essas dicas, você consiga garantir silagens de milho com alta qualidade!

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Você planeja usar inoculante para milho silagem? Restou alguma dúvida sobre esse assunto? Deixe seu comentário abaixo!