About Rayssa Fernanda dos Santos

Sou Engenheira Agrônoma pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), mestre em Fitotecnia pela ESALQ/USP. Atualmente, sou doutoranda em Agronomia pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), com ênfase em produção vegetal e realizo MBA em Marketing (Pegece/ ESALQ/USP).

Plantação de trigo: Conheça as etapas fundamentais

A safra 2025/26 promete ser histórica para a triticultura brasileira, com estimativa de 10 milhões de toneladas de trigo.

Este é um marco que reflete o avanço tecnológico, o esforço de produtores em investir em planejamento e manejo adequado desde o início do cultivo.

Com o aumento da demanda e da área plantada, cultivar trigo no Brasil tem se tornado uma atividade cada vez mais estratégica.

Mas, para ter bons resultados, é indispensável seguir cada etapa do processo com atenção — da escolha da cultivar ao manejo das pragas no início da lavoura.

Você sabe qual é o melhor momento para semear o trigo na sua região? E como preparar o solo, ajustar o espaçamento e definir a quantidade de sementes? Esses detalhes fazem toda a diferença e você confere tudo neste conteúdo.

Como está o mercado de trigo hoje no Brasil?

A produção de trigo no Brasil deve alcançar 10 milhões de toneladas na safra 2025/26, o que representa um aumento de 29,9% em relação ao ciclo anterior. O avanço expressivo se deve, principalmente, à base comparativa baixa do ano anterior.

A área plantada também deve crescer, com estimativa de 3,1 milhões de hectares, um acréscimo de 6,2% em relação à safra 2024/25.

No Rio Grande do Sul, principal estado produtor, projeta-se um crescimento de 11,7% na área cultivada e de 11,9% na produção, chegando a 4,4 milhões de toneladas.

Já o Paraná, mesmo com leve redução de 0,7% na área, deve ter um salto de 57,6% na produção, totalizando 3,7 milhões de toneladas.

Em relação ao comércio internacional, a Argentina ainda possui um saldo exportável de 4,3 milhões de toneladas de trigo, o equivalente a 33% dos 13 milhões produzidos

No ciclo anterior, esse percentual era de apenas 18%. Esse cenário indica que, nos próximos meses, o Brasil deve encontrar espaço para importar o volume necessário sem grandes pressões no mercado.

e-book culturas de inverno Aegro

Qual a importância do cultivo do trigo?

O trigo é uma das culturas mais antigas cultivadas no mundo. Por ser fonte de carboidratos, proteínas, gordura, fibra, cálcio, ferro e ácido fólico, tem um grande papel na alimentação humana.

Podendo ser consumido de diversas formas, há plantações de trigo em diversas localidades, como China, União Europeia, Índia, Rússia, EUA, Canadá, Austrália, Paquistão, Ucrânia e Turquia.

A plantação de trigo no Brasil assume apenas a 15ª posição de produção. Porém, há espaço para crescimento tanto em área quanto em produtividade.

Para a cultura se desenvolver, é necessário planejamento adequado e utilizar técnicas para o plantio do trigo corretas.

Tabela

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.

Figura 1. Maiores produtores mundiais de trigo. (Fonte: Atlas Big, 2025).

Como plantar trigo: passo a passo 

Saber como é plantado o trigo é o primeiro passo que você deve seguir para ter altas produtividades.

Em cada uma das etapas, há uma série de especificidades que devem ser seguidas com o máximo de cuidado possível. Confira a seguir.

1. Escolha do cultivar

No Brasil, a produção de trigo está concentrada na região Sul, mas também há produção na Bahia, Minas Gerais, Distrito Federal e Goiás.

O que muda na plantação de trigo nas regiões brasileiras é o tipo de cultivar escolhido. Cada uma delas é desenvolvida para ser adaptada ao clima de cada região.

Para que você faça uma boa escolha, fique de olho em alguns pontos, como:

  • Indicação de produção;
  • Alto desempenho no campo e produtividade;
  • Resistência à doenças; 
  • Indicação da cultivar de acordo com o sistema de produção; 
  • Fertilidade do solo; 
  • Época de semeadura;
  • Entre outros fatores.

2. Época de plantio de trigo

Na região do Cerrado a época de plantio é de janeiro a fevereiro (sequeiro) e abril a maio (trigo irrigado). Já o plantio de trigo na região Sul, a janela de semeadura é entre março e junho.

A época de plantio do trigo depende de cada região de cultivo da cultura. Para te auxiliar nessa escolha, você pode seguir as recomendações do Zarc (Zoneamento Agrícola de Risco Climático).

O Zarc disponibiliza uma lista de cultivares recomendadas para cada região, além da relação de municípios com seus respectivos calendários de plantio.

Com isso, você tem acesso aos dados específicos do estado, incluindo a lista de municípios indicados, os períodos de plantio (início e fim) por cidade, além de informações sobre o tipo de solo e o grupo de cultivares recomendado.

3. Condições ideais de plantio

O trigo é uma cultura que pode ser produzida em regiões tropicais e subtropicais, mas para alcançar altas produtividades, a umidade do ar ideal para cultivar o trigo é de 70%.

Umidades muito elevadas podem causar danos fitossanitários, influenciando diretamente no rendimento dos grãos. A alta umidade também não é bem-vinda durante o plantio do trigo, então fique de olho. 

Para a emergência do trigo, temperaturas do solo entre 15 °C e 20 °C são favoráveis. Mas as temperaturas acima de 26 °C podem ser prejudiciais para o estabelecimento desta cultura de inverno.

Por isso, realize o planejamento de sua semeadura, acompanhando as previsões climáticas, para evitar semear em períodos com temperaturas baixas ou altas demais. 

Condições como umidade, temperatura e chuva durante todo o ciclo da cultura também refletem diretamente na qualidade do grão.

4. Preparo do solo para plantio de trigo

Após fazer o planejamento e ter definido todos os parâmetros citados acima, comprado suas sementes, está na hora de preparar o solo para o plantio de trigo.

Primeiro, determine qual o tipo de sistema de cultivo será ou é utilizado na área, sendo convencional ou plantio direto, e realizar as práticas de acordo com ele. Outros fatores importantes para o estabelecimento da lavoura de trigo são: 

  • Semear no limpo; 
  • Fazer um bom manejo de cobertura do solo até a semeadura;
  • Análise de solo (adubação equilibrada);
  • Semeadura de qualidade; 
  • Cuidados com velocidade de semeadura e profundidade (2 cm a 5 cm); 
  • Escolha da semente de qualidade;
  • População de planta adequada.

Para o preparo do solo, saiba qual a quantidade de fertilizantes e corretivos a serem aplicados no solo. Esse é um fator importante quando se pensa no custo com a cultura.

Isso porque os fertilizantes têm maior participação nos custos de produção do trigo, representando aproximadamente 25% do investimento na lavoura. Por isso, é importante realizar a análise de solo.  

Passo a passo representando como fazer a preparação do solo para a plantação de trigo.

5. Análise do solo

Para determinar se o solo precisa de correção ou de fertilizantes é necessário realizar a análise. As amostras devem ser representativas da área. 

Para plantio direto, é recomendada a amostragem de 0 cm – 10 cm e ocasionalmente de 0 cm – 20 cm de profundidade.

Para o plantio convencional, a amostragem recomendada é de 0 cm – 20 cm. A interpretação da análise de solo é realizada de acordo com o nível de cada elemento.

Já para determinar a necessidade de calagem e adubação para a área amostrada, devem ser utilizados manuais ou indicações técnicas para cada região do país. 

6. Correção com calcário

Determinar se a área precisa de calagem e qual quantidade utilizar é extremamente importante. Você deve ter a interpretação da análise de solo com as recomendações para cada região de cultivo do trigo.

7. Adubação

A adubação com fertilizantes NPK e micronutrientes para o trigo costuma ser feita no sulco de semeadura.

O nitrogênio é o nutriente mais exigido pela planta, e sua quantidade varia conforme alguns fatores, como: matéria orgânica do solo, cultura anterior, clima da região e expectativa de produção.

No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, por exemplo, a dose de nitrogênio depende principalmente da matéria orgânica, da cultura precedente e da expectativa de rendimento.

O nitrogênio costuma ser aplicado em cobertura, entre o perfilhamento e o alongamento do colmo, enquanto no Paraná, essa adubação é feita com base na cultura anterior.

Cada estado tem uma recomendação específica, por isso o indicado é consultar os estudos da Embrapa ou procurar um(a) engenheiro(a) agrônomo(a).

Adubação nitrogenada: um guia rápido de manejo para altas produtividades na lavoura

8. Semeadura, espaçamento e densidade

A maior parte do plantio de trigo no Brasil é realizado com semeadoras. As sementes serão plantadas seguindo estas indicações:

  • Espaçamento entre linhas de 17 cm a 20 cm;
  • Densidade média de 200 a 400 sementes viáveis por ;
  • Profundidade de semeadura de 2 cm a 5 cm.

Também há quem faça a semeadura a lanço, onde é possível distribuir as sementes de maneira manual ou mecanicamente. Entretanto, dessa forma, você terá um espaçamento irregular e desuniformidade em sua área.

Para saber a quantidade de sementes que você irá utilizar por metro e por hectare, você utilizará a seguinte conta:

Fórmula:

L = (100 × S × E) / PG
D = (L / E × L × M) / 100
L = (100 × S × E) / PG
D = (L / E × L × M) / 100
S = número de sementes por m² (estande de plantas/m²)
E = espaçamento em metros
PG (%) = poder germinativo
L = número de sementes por metro
M = massa de 1.000 sementes em gramas

Quanto tempo o trigo demora para crescer?

O tempo que o trigo demora para crescer varia de acordo com o tipo de trigo (trigo de inverno ou trigo de primavera), clima e manejo, mas em geral:

  • Trigo de inverno: Leva de 6 a 8 meses do plantio à colheita, com semeadura no outono, passando pelo inverno em dormência. É colhido no final da primavera ou começo do verão;
  • Trigo de primavera: Cresce mais rápido, levando de 4 a 5 meses do plantio à colheita. É semeado na primavera e colhido no verão.

No Brasil, onde o cultivo é mais comum entre maio e setembro, o ciclo do trigo costuma durar em torno de 110 a 150 dias, dependendo da variedade e das condições climáticas.

Fases de crescimento do trigo
  • Germinação e emergência: 5 a 15 dias;
  • Perfilhamento: 20 a 40 dias;
  • Alongamento do colmo: 30 a 50 dias;
  • Emborrachamento e espigamento: 15 a 30 dias;
  • Floração e enchimento de grãos: 20 a 40 dias;
  • Maturação e colheita: 20 a 30 dias.

Manejo inicial da lavoura de trigo

Os cuidados com as plantas de trigo devem ser tomados antes e durante a instalação da lavoura. O  manejo de doenças, pragas e plantas daninhas da cultura é fundamental.

As plantas daninhas devem ser controladas para que você semeie o trigo no limpo. O trigo deve permanecer, por no mínimo 12 dias, sem a interferência de plantas invasoras.

A atenção deve ser principalmente para gramíneas como o azevém, capim-amargoso e aveia. 

Doenças e pragas devem ser controladas antes que causem danos econômicos na sua lavoura. Entre as principais doenças do trigo que podem aparecer no início do ciclo da cultura, há:

  • Oídio;
  • Ferrugem;
  • Mancha amarela da folha;
  • Mancha-marrom;
  • Nanismo-amarelo;
  • Mal-do-pé.

Estas são apenas algumas doenças que causam impacto desde a germinação e perfilamento. Independente do tipo, o MID (Manejo Integrado de Doenças) precisa ser realizado. Elas podem variar entre as regiões de cultivo e condições climáticas.

Os pulgões, assim como os corós, percevejo-barriga-verde e lagartas, são pragas do trigo que podem ocorrer durante todo o ciclo da cultura. Elas devem ser monitoradas desde a germinação.

Para controle, o MIP (Manejo Integrado de Pragas) é fundamental. Ele irá reduzir os danos e a incidência destas pragas nas plantações de trigo.

Existem várias outras ferramentas essenciais para se ter uma lavoura sadia. O conhecimento do histórico da área, o monitoramento climático, a rotação de culturas, o controle químico no momento correto são as principais.

Banner planilha- manejo integrado de pragas

Plantio de Milho: Saiba como ter uma lavoura mais produtiva

O milho é uma das culturas mais importantes do Brasil, e um bom planejamento do plantio do milho é essencial para ter uma colheita farta.

Mas, você já se perguntou qual a profundidade ideal para semear, ou qual a melhor época para plantar? Ou ainda, se o tamanho da semente realmente importa?

Neste guia completo, você entende tudo o que é necessário para realizar um plantio de milho de sucesso. Prepare-se para otimizar sua produção e colher os melhores resultados!

Qual o período de plantio do milho?

O Brasil é um dos maiores produtores e exportadores mundiais de milho, com cerca de 70% da produção destinada à alimentação de suínos, aves e bovinos.

Neste sentido, a produção de milho está distribuída em duas principais safras: a primeira safra (ou safra de verão) e a segunda safra (conhecida como safrinha).

Período de Plantio: Geralmente ocorre entre setembro e novembro, dependendo do início das chuvas em cada região.

Primeira Safra (Safra de Verão)

  • Período de Plantio: Entre setembro e novembro, dependendo do início das chuvas em cada região;
  • Período de Colheita: Entre fevereiro e junho;
  • Regiões Produtoras: Sul, Sudeste e Centro-Oeste;
  • Produção: Na safra 2022/2023, o Brasil produziu aproximadamente 131,9 milhões de toneladas de milho, com uma área plantada de 22,3 milhões de hectares.

Segunda Safra (Safrinha)

  • Período de Plantio: Realizado logo após a colheita da soja, geralmente entre janeiro e abril, com variações regionais;
  • Período de Colheita: Junho a agosto;
  • Regiões Produtoras: Centro-Oeste, Sudeste e partes do Sul;
  • Importância Econômica: A safrinha ganhou destaque nos últimos anos, representando uma parcela significativa da produção total de milho no país.

Profundidade e época de plantio: Qual a relação?

Em solos argilosos, com tendência a encharcar ou com muitos torrões, o ideal é semear entre 3 e 5 cm de profundidade.

Já em solos mais arenosos, que tendem a ser mais secos, a profundidade pode ser um pouco maior, entre 5 e 7 cm.

O objetivo é garantir que a semente tenha contato com a umidade necessária para germinar. Além disso, a época de plantio é crucial e varia conforme a região.

O ideal é que a floração coincida com os dias mais longos e o enchimento de grãos com as temperaturas mais elevadas. Plantar fora dessa janela pode resultar em um ciclo mais longo e afetar a produtividade.

O atraso no plantio também pode trazer consequências negativas. O milho é sensível à temperatura, e se a fase vegetativa coincidir com períodos mais frios, o ciclo se estenderá.

Em regiões com irrigação e sem risco de geadas, o plantio pode ser mais flexível, mas a produtividade e o ciclo sempre serão impactados. Por isso, é preciso conhecer as condições da sua região e planejar o plantio na época mais adequada.

Planilha de Planejamento da Safra de Milho

Como deve ser feito o plantio de milho?

O milho é uma cultura versátil e de grande importância econômica, mas para alcançar o máximo potencial de produção, é preciso planejamento e atenção a detalhes.

Um dos fatores mais importante, é o momento do plantio, que pode ser feito em diferentes escalas, desde que seja realizado na época ideal e com as técnicas corretas conforme a região, além exigir:

1. Preparo do solo

O solo deve ser bem drenado, fértil e rico em matéria orgânica, garantindo um ambiente adequado para o desenvolvimento do milho.

Para isso, você vai precisar fazer uma análise de solo, que vai ajudar corrigir o pH e definir a adubação necessária.

O preparo pode ser feito por aração e gradagem, que ajudam a soltar a terra e controlar as ervas daninhas, ou pelo plantio direto, uma alternativa eficiente para manter a estrutura do solo e conservar a umidade.

2. Escolha das sementes

A escolha das sementes impacta em uma lavoura produtiva e saudável. Dê preferência a sementes certificadas e de qualidade, que sejam adequadas às condições da sua região.

Além disso, é importante entender sobre o tipo de cereal que será plantado, como milho verde ou milho pipoca, por exemplo, já que cada um tem as suas exigências específicas.

Para ter os melhores resultados, selecione variedades ou híbridos adaptados ao seu sistema de cultivo, levando em conta fatores como resistência a pragas e doenças, estabilidade produtiva e potencial de rendimento.

3. Época de plantio

O milho pode ser cultivado tanto na safra principal, durante o verão, quanto na safrinha, no outono-inverno, desde que as condições climáticas sejam favoráveis.

O plantio pode ser realizado manualmente ou com o auxílio de máquinas, seguindo as recomendações do fabricante para profundidade e espaçamento das sementes.

Em cultivos manuais, o ideal é formar linhas no canteiro, mantendo cerca de 1 metro entre as fileiras e 25 cm entre cada planta.

Para o plantio, cave pequenas covas com aproximadamente dois dedos de profundidade e deposite três sementes em cada uma.

Caso todas germinem, escolha a planta mais vigorosa e faça o raleio, removendo as mais fracas para garantir um melhor aproveitamento dos nutrientes e espaço.

4. Colheita

A colheita do milho varia conforme o tipo de milho e o seu uso final, sendo essencial monitorar a maturação das espigas e a umidade dos grãos.

Para a colheita de grãos secos, o ideal é que a umidade esteja entre 18% e 24%, pois níveis mais elevados aumentam o risco de deterioração, enquanto níveis muito baixos podem resultar em perdas por quebra.

O uso de colheitadeiras bem reguladas é indispensável para minimizar danos mecânicos aos grãos e evitar perdas durante o processo.

Ajustes adequados nas máquinas garantem uma colheita eficiente, preservando a qualidade e facilitando o armazenamento do milho.

Já para outras finalidades, como milho verde, a colheita deve ser feita quando os grãos ainda estão macios e com maior teor de umidade, garantindo um melhor sabor e textura para o consumo.

5. Controle de pragas e doenças

O monitoramento da lavoura permite identificar precocemente qualquer infestação, possibilitando a aplicação do Manejo Integrado de Pragas (MIP), que combina diferentes estratégias para minimizar danos e reduzi o uso de defensivos químicos.

A escolha de híbridos resistentes também é uma forma eficaz de prevenção, reduzindo a vulnerabilidade da cultura a doenças e pragas. Mas, caso seja necessário o uso de defensivos agrícolas, aplique seguindo as recomendações técnicas para evitar impactos ambientais.

Junto da proteção contra pragas, uma nutrição equilibrada também é necessária para o bom desenvolvimento do milho.

A adubação de base deve incluir fósforo e potássio para ajudar no crescimento inicial das plantas. Enquanto a adubação nitrogenada deve ser feita em cobertura e dividida em duas aplicações para um desenvolvimento vigoroso ao longo do ciclo da cultura.

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Densidade e Espaçamento: Por que é importante?

A densidade de plantio influencia diretamente na produtividade, variando de acordo com a cultivar, a disponibilidade de água e nutrientes, e o manejo da lavoura.

Aumentar a densidade além do ideal pode reduzir o tamanho das espigas, aumentar o número de plantas sem espigas, risco de quebramento e acamamento, além de favorecer o surgimento de doenças.

O espaçamento entre fileiras também está passando por mudanças, com uma tendência clara à redução.

Espaçamentos menores permitem um melhor aproveitamento da radiação solar, o que, combinado com altas densidades de plantas, resulta em uma área foliar mais adequada para captar luz e manter essa captação por mais tempo.

Para variedades e híbridos de baixa ou média tecnologia, o espaçamento reduzido pode não trazer tantos benefícios, mas para híbridos de alto desempenho, ele é indispensável. Lembre-se: sempre respeite os limites de população recomendados para cada híbrido.

Quanto tempo leva o plantio do milho até a colheita?

O ciclo do milho, do plantio até a colheita, varia conforme a cultivar, as condições climáticas e o manejo adotado. Em geral, esse período pode durar entre 90 e 150 dias. Entenda:

  • Tipo de cultivar: Milhos precoces levam cerca de 90 a 120 dias, enquanto cultivares de ciclo médio ou tardio podem levar até 150 dias;
  • Condições climáticas: Temperaturas amenas podem prolongar o ciclo, enquanto calor e boa disponibilidade hídrica aceleram o desenvolvimento;
  • Disponibilidade de água e nutrientes: Deficiências podem retardar o crescimento e comprometer a produtividade.;
  • Finalidade da colheita: Para milho verde, a colheita ocorre entre 60 e 80 dias após o plantio. Já para grãos secos, o tempo é maior, aguardando a umidade ideal entre 18% e 24%.

Independentemente do objetivo da produção, acompanhar cada fase do desenvolvimento da lavoura e adotar boas práticas de manejo, vão garantir uma colheita de qualidade e alto rendimento.

Plantio de milho: Quilos de sementes por ha

Informações sobre a quantidade de sementes por hectare são fundamentais para o planejamento pré-plantio. Mas, para podermos calcular quantas sementes serão distribuídas, é necessário se atentar a alguns detalhes.

Após a escolha do híbrido, é necessário conhecer o desempenho dessas sementes no campo, ou seja, quanto elas emergem.

As empresas fornecem os resultados do teste de germinação na embalagem do produto. Contudo, esse teste é realizado em condições ótimas para a germinação das sementes.

A dica aqui é: escolha um pequeno canteiro na sua propriedade e realize o teste de emergência a campo!

Assim, você vai conhecer o desempenho das suas sementes no campo e pode realizar seus cálculos com mais segurança. Primeiramente, vamos calcular o número de plantas por metro:

plantio de milho

Para realizar esse cálculo você vai precisar de algumas informações que constam na embalagem do seu híbrido. Veja:

plantio de milho
  • P: Peso de 100 sementes (Kg)
  • A: Área da lavoura (ha)
  • D: Número de plantas por metro
  • G: Germinação da semente (%)
  • Z: Pureza da semente (%)
  • E: Espaçamento entre linhas (cm)

Variedades, híbridos e escolha da cultivar para o plantio de milho

Na hora de escolher a semente, é preciso entender a diferença entre variedades e híbridos, já que cada uma vai entregar um resultado diferente.

As variedades são plantas que mantêm seu potencial produtivo de uma geração para outra, sendo mais acessíveis e utilizadas em regiões de baixa tecnologia, por agricultores familiares e em sistemas de produção orgânica ou agroecológicos.

Já os híbridos, que exploram o vigor híbrido (heterose), têm um alto potencial de produção e são preferidos quando se busca maximizar a produtividade.

Híbridos simples são os mais uniformes e produtivos, mas também os mais caros, enquanto híbridos duplos têm um custo menor, mas um potencial produtivo mais variável. Essa variedade é ideal para quem busca alta produtividade, mas exigem a compra de novas sementes a cada safra.

Cultivar de milho

Ao escolher a cultivar de milho, considere o potencial produtivo e a estabilidade de produção, que é a capacidade da cultivar de manter um bom desempenho em diferentes locais e anos.

O ciclo da cultivar também é importante, e pode ser hiperprecoce, superprecoce, precoce, semiprecoce ou normal.

O recomendado é escolher um ciclo que se adapte às condições da sua região, buscando, por exemplo, cultivares hiperprecoces para escapar de geadas ou para liberar a área para outras culturas.

Além disso, características como tolerância a pragas e doenças, textura do grão e, em algumas regiões, a adaptabilidade a consórcios também são importantes.

Para auxiliar na escolha da cultivar mais adequada e no planejamento do seu plantio, a Aegro oferece ferramentas de gestão que permitem analisar o desempenho de diferentes cultivares em sua região.

Assim, você pode tomar decisões mais informadas e assertivas, garantindo o melhor rendimento da sua lavoura. Clique no banner para fazer uma demonstração gratuita!

Ácaro na soja: tudo que você precisa saber

Ácaros na soja: entenda o que são, principais espécies, danos causados e como realizar o manejo eficiente para evitar a perda de produtividade da sua lavoura.

Os ácaros são pragas consideradas secundárias que, a depender das condições climáticas vigentes da safra, podem se tornar pragas primárias, requerendo seu controle adequado para evitar perdas de produtividade da soja.

Os danos causados pelos ácaros são variáveis e dependem do genótipo, região de cultivo e ano agrícola, podendo ser de mais de 400 kg/ha e representando até 33% de redução na produtividade da soja.

Isso exige atenção quanto ao seu monitoramento e ações de controle para evitar perdas maiores de produtividade na lavoura.

Mas você sabe como identificar as principais espécies de ácaros na soja? E como as amostragens de ácaros devem ser realizadas, bem como os danos causados por cada uma das principais espécies? Sabe fazer o manejo necessário para controlar as pragas na sua lavoura? 

Confira essa e outras informações a seguir!

O que são os ácaros na soja, afinal?

Os ácaros são aracnídeos, de tamanho pequeno e que podem se tornar um grande problema para as lavouras de soja.

As principais espécies de ácaros que ocorrem na soja pertencem à família Tetranychidae, incluindo:

  • Ácaro-rajado (Tetranychus urticae);
  • Ácaro-verde (Mononychellus planki);
  • Ácaro vermelho (Tetranychus desertorum, T. gigas e T. ludeni);
  • Ácaro-branco (Polyphagotarsonemus. latus).

Dessas espécies, o ácaro-rajado e o ácaro-verde são os ácaros mais encontrados nas lavouras. Mas as espécies podem variar de região para região e ano agrícola.

Os ácaros são consideradas pragas secundárias pois dependem das condições ambientais para que ocorram, no entanto, em condições favoráveis, atingem altas populações rapidamente, causando prejuízos significativos às lavouras de soja.

Quais as condições climáticas favoráveis a ocorrência de ácaros?

Essa resposta pode parecer óbvia, mas depende, pois em um cenário, em que espécies diferentes de ácaros tem causado problemas na soja, as condições ambientais de alta e baixa umidade relativa do ar podem favorecer uma ou outra espécie.

De modo geral, as principais espécies de ácaros, à exceção do ácaro-branco, são favorecidos por baixa umidade relativa do ar, associada a ocorrência de altas temperaturas, condições essas registradas em períodos de estiagem.

Essas condições aceleram não somente o ciclo dos ácaros-praga, mas também estimulam a sua alimentação, desfavorecendo por outro lado, importantes inimigos naturais, que manteriam a população de ácaros sob certo equilíbrio em condições favoráveis.

No Brasil, mais de 44 espécies de ácaros já foram relatados. Os primeiros relatos de danos ocorreram a partir da década de 1990, e desde então, danos são registrados safra após safra em diferentes regiões do país.

A maior ocorrência dos ácaros se dá por alguns motivos principais, incluindo:

  • aumento das áreas cultivadas;
  • uso de genótipos ou cultivares geneticamente modificados;
  • introdução de novos genótipos de soja;
  • ocorrência de veranicos ou secas prolongadas, associadas a altas temperaturas.

Mas quais são os danos causados pelos ácaros nas lavouras de soja? E como identificar esses pequenos aracnídeos que muitas vezes passam despercebidos aos nossos olhos?

Danos causados pelos ácaros na soja

Os ataques de ácaros em lavouras de soja podem ocorrer em diferentes momentos do desenvolvimento da cultura.

Inúmeros estudos indicam que boa parte das espécies é comumente encontrada na fase vegetativa e de enchimento de grãos, sendo favorecidos principalmente pelas condições climáticas.

Nas fases vegetativas, os ácaros prejudicam a atividade fotossintética da folha por causarem minúsculas pontuações que evoluem rapidamente para manchas contínuas. Isso influencia no crescimento e desenvolvimento das plantas.

Fios de seda característico do ácaro-rajado cobrindo o ponteiro da planta em soja em estádio reprodutivo
Fios de seda característico do ácaro-rajado cobrindo o ponteiro da planta em soja em estádio reprodutivo
(Fonte: Tamai et al., 2020)

A intensidade do ataque dos ácaros  varia de acordo com a espécie presente na lavoura.

Em áreas com a presença de ácaro-verde, por exemplo, as folhas de diferentes posições na planta podem apresentar intensidade de ataque semelhante entre si.

Já para áreas com ácaro-rajado, as folhas de uma mesma planta podem apresentar intensidades de ataques muito diferentes entre si. 

Esse pode ser um detalhe importante para auxiliar a diferenciar os ácaros no campo, apesar de ambas as espécies ocorrerem em reboleiras.

Apesar de não serem consideradas pragas primárias na maioria dos anos agrícolas, a presença de  ácaros na lavoura pode refletir em perdas acentuadas de produtividade.

Por isso, realizar o monitoramento constante da sua lavoura é fundamental para tomada de decisão a respeito do controle de ácaros.

O manejo preventivo é sempre a melhor saída, por isso utilize sementes de qualidade e realize o MIP (Manejo Integrado de Pragas).

Principais espécies de ácaros na soja 

Ácaro-verde

Os ácaros-verdes apresentam o corpo com coloração verde e pernas de cor amarelo-ouro.

Os ovos são depositados pela fêmea na superfície da folha, normalmente próximo às nervuras e possuem coloração variada de translúcida a branca.

O ataque dessa espécie ocorre em épocas de estiagem, na fase de enchimento de grãos. Normalmente, se concentra nas proximidades das nervuras e se distribui de acordo com a intensidade do ataque por toda a folha.

Ácaro-verde (Mononychellus planki) - ácaros na soja

Ácaro-verde (Mononychellus planki)
(Fonte: Agrolink)

Ácaro-rajado

O ácaro-rajado apresenta manchas dorsolaterais típicas em seu corpo, o que sugere o nome da espécie. 

Apresenta ainda setas dorsais mais longas e finas que as do ácaro-verde. 

Seus ovos são depositados pela fêmea na superfície da folha, normalmente próximo às nervuras, e tem coloração que varia de translúcida a branca. 

Essa espécie vive em colônias abrigadas sob sua teia em todas as fases de desenvolvimento.

O ataque dessa espécie também ocorre em épocas de estiagem e é bastante sensível à chuva.

Diferente do ácaro-verde, o ácaro-rajado se aloja nas plantas de forma concentrada, formando pequenas manchas.

Ácaro-rajado
Ácaro-rajado em diferentes colorações que podem ser encontradas na lavoura, padrão rajado (A) e padrão rajado (B)
(Fonte: Fasolin et al., 2015 )

Ácaro-vermelho 

Os ácaros-vermelhos apresentam o corpo com coloração vermelho-carmim que, com o passar da vida, pode se tornar vermelho-escuro.

Suas características morfológicas e hábitos se assemelham muito com o ácaro-rajado.

Ácaro-vermelho (Tetranychus ludeni)
(Fonte: Roggia, 2018 Yourlevyatwork)

Ácaro-branco

Diferentemente das demais espécies, o ácaro-branco é favorecido pela ocorrência de chuvas. Sua coloração é creme-brilhante em todas as fases de desenvolvimento.

São pequenos e difíceis de ser vistos a olho nu. Geralmente detectados apenas com lupa de aumento de pelo menos 20 vezes.

O principal diferencial entre esta espécie e as demais é a não produção de teias.

Normalmente, essa espécie ataca a face inferior de folhas novas em processo de expansão e, nas últimas safras, tem aparecido em diversas regiões de cultivo da soja.

Ácaro-branco (Polyphagotarsonemus latus) - ácaros na soja

Ácaro-branco (Polyphagotarsonemus latus)
(Fonte: Sosa-Gómez et al., 2014)

Como proteger a lavoura da soja dos ácaros?

Apesar de os ácaros serem considerados pragas secundárias na soja, eles vêm ganhando atenção em muitas regiões devido à instabilidade climática e ao uso intensivo de pesticidas, como inseticidas e acaricidas. 

Períodos prolongados de estiagem são muito favoráveis ao crescimento e desenvolvimento desta praga, e vêm sendo muito comum em algumas regiões do país nos últimos anos.

Além disso, a ausência de inimigos naturais, como ácaros benéficos (ácaros que predam ácaros-praga) e fungos (Neozygites floridana), é determinante para a ocorrência de surtos de ácaros nas lavouras. 

Por isso, a maneira mais efetiva de controlar os ácaros na soja é utilizar um manejo integrado de pragas e doenças, utilizando os defensivos de forma equilibrada, em doses adequadas, e de forma estratégica, prezando inclusive por aqueles de menor impacto aos inimigos naturais.

Manejos alternativos como controle biológico e cultural também são medidas importantes no controle da população de ácaros. 

Assim, você terá uma maior incidência de predadores naturais em sua lavoura, o que dificulta que os ácaros atinjam níveis de dano econômico.

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Controle químico

Existem alguns produtos disponíveis para o controle químico dos ácaros na cultura da soja, entre inseticidas com ação acaricida e acaricidas, que podem ser consultados no Sistema de Agrotóxicos Fitossanitários (Agrofit).

O controle de ácaros deve levar em consideração o manejo antirresistência e, para isso, é imprescindível a rotação de ingredientes ativos e a observação a campo do desempenho dos acaricidas utilizados no controle.

Para o ácaro-rajado, ainda, há a problemática da resistência. Mais informações sobre o manejo de resistência desta e demais pragas, com relatos ou atenção à sua resistência, podem ser consultados no Comitê de Ação à Resistência a Inseticidas (IRAC).

Acaricidas que contenham misturas, de abamectinas a outros grupos químicos, são frequentemente utilizados no manejo. 

Atualmente, existem mais de 44 produtos registrados para controle da cultura da soja, no caso do ácaro-rajado. Para o ácaro-branco, no entanto, a lista é mais restrita — são apenas oito.

Controle biológico

O controle biológico de ácaros com espécies como Phytoseiulus persimilis e Neoseiulus californicus é muito utilizado em outros países. 

No Agrofit é possível encontrar produtos registrados para o controle biológico – mais de 51 acaricidas classificados como microbiológicos, principalmente para o ácaro-rajado, a partir do fungo Beauveria bassiana.

Para encontrar os produtos disponíveis, é necessário clicar na aba produtos formulados (parte superior) e então em classe, e selecionar a opção Acaricidas Microbiológicos.

Controle cultural

Para evitar problemas com essas pragas, você precisa eliminar possíveis espécies hospedeiras. Nesse sentido, realize o controle dos ácaros ou sua eliminação após identificar a espécie que ocorre na sua lavoura. 

A rotação de culturas também pode ser uma alternativa para redução da população da praga. No entanto, é necessário conhecimento técnico sobre quais espécies não são hospedeiras da praga.

Conclusão

Os ácaros podem causar danos consideráveis à lavoura, podendo se tornar pragas primárias e resultando em menor produtividade da soja.

Neste artigo, você pôde conferir as características dos principais tipos de ácaros, assim como os problemas que eles podem causar.

O controle de ácaros deve seguir todas as recomendações do manejo antirresistência, para evitar a redução ou até mesmo a perda total da eficiência dos acaricidas disponíveis no mercado.

A rotação de ingredientes ativos e o uso de defensivos de forma estratégica (ou seja, quando necessário), baseado no monitoramento de pragas, priorizando o uso de acaricidas seletivos e de menor impacto aos inimigos naturais presentes na lavoura, são medidas necessárias e indispensáveis para um manejo preciso de ácaros.

>>Leia mais:

“Como identificar e realizar o controle de tripes em soja”

“Saiba tudo sobre o ácaro azul das pastagens, uma praga emergente no Brasil”

Conhece alguma fazenda com problemas com ácaros na soja? Compartilhe com os responsáveis pelo manejo de pragas da lavoura e assine nossa newsletter, para receber mais artigos como este!

Atualizado em 12 de junho de 2023 por Bruna Rhorig.

Bruna é agrônoma pela Universidade Federal da Fronteira Sul, mestra em fitossanidade pela Universidade Federal de Pelotas e doutoranda em fitotecnia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul na área de pós-colheita e sanidade vegetal.

Como garantir a manutenção da qualidade de grãos

Qualidade de grãos: veja os principais cuidados para a manutenção da qualidade, fatores envolvidos e mais!

A qualidade de grãos é decisiva na determinação do valor agregado em sua produção. Quanto melhor a qualidade, maior será sua lucratividade. 

Após a colheita, a qualidade está exposta a diversos fatores, sendo sua manutenção um desafio para o setor.

Para garantir a qualidade de seus grãos após o ponto de maturidade fisiológica, alguns cuidados são fundamentais.

Pensando nisso, separei algumas dicas de como você pode monitorar esses fatores no dia a dia no campo para atingir uma boa rentabilidade. Confira!

3 dicas para a manutenção da qualidade de grãos

Quando pensamos em qualidade de grãos, é fundamental ter em mente que a qualidade é determinada no campo.

Qualquer manejo após a colheita será apenas para manutenção desta qualidade.

1ª dica: atenção à colheita

A colheita é uma etapa fundamental para garantir a rentabilidade de sua lavoura. Acompanhe de perto!

Verifique constantemente o teor de água na pré-colheita e no momento da colheita, além da velocidade do equipamento e sua regulagem.

Na soja, por exemplo, você pode utilizar o kit da Embrapa e acompanhar possíveis danos mecânicos.

Esses procedimentos são muito importantes para a manutenção da qualidade dos grãos.

Acompanhe melhor no vídeo que eu separei para você!

Kit para avaliação do dano mecânico em sementes de soja

2ª dica: secagem

A secagem é realizada para reduzir o teor de umidade dos grãos a um nível adequado para o armazenamento.

Se realizada de forma incorreta, a secagem pode ser prejudicial para a qualidade do grão. Por isso, é fundamental que você fique atento:

  • ao método escolhido;
  • tipo de secador;
  • tempo e velocidade de secagem.

E monitore, sempre que possível, o teor de água e a temperatura dos grãos durante esse processo.

3ª dica: armazenamento

Essa é a etapa que mais pode gerar perdas de qualidade. O armazenamento dos grãos deve ser planejado muito cedo, desde o momento da semeadura. 

A armazenagem correta é fundamental para a manutenção da qualidade de seus grãos.

Aqui no blog, já falamos sobre alguns cuidados essenciais para evitar perdas de grãos durante o armazenamento. Confira: “Armazenamento de grãos: cuidados e estratégias para comercialização”.

Além dos cuidados básicos para a manutenção da qualidade dos grãos, não esqueça de monitorar a temperatura e aeração de seu ambiente de armazenamento.

Quando for armazenar seus grãos, siga esta regrinha:

(UMIDADE RELATIVA DO AR (%) + TEMPERATURA (°C)) < 55,5
= ARMAZENAMENTO SEGURO

Fatores que determinam a qualidade de grãos

A qualidade de grãos pode ser determinada por alguns fatores, que podem ocorrer tanto no campo quanto na pós-colheita.

Você pode realizar algumas destas análises em sua fazenda ou em laboratórios parceiros após realizar a amostragem de seus grãos.

Veja os principais fatores utilizados no setor para determinação da qualidade de grãos e onde você pode realizar essas avaliações:

  • teor de água – pode ser realizado na fazenda utilizando medidores de umidade portáteis.
  • determinação de grãos com danos mecânicos – pode ser feito com o Kit da Embrapa ou testes rápidos.
  • determinação de impurezas: para resultados mais precisos, o indicado é que você realize em um laboratório parceiro.
  • presença de grãos avariados e com outros defeitos: você pode realizar em um laboratório parceiro.
  • determinação de óleo e proteína: pode ser feito em um laboratório parceiro.
  • presença de pragas e doenças: você pode realizar em sua fazenda com testes rápidos. Para testes mais específicos, como de patologia, faça em um laboratório parceiro. 
  • determinação das características nutricionais: pode ser realizado em um laboratório parceiro.

No momento da avaliação, lembre-se de considerar fatores como as especificidades da espécie, condições climáticas e manejos adotados durante a produção dos grãos.

Contudo, é importante ressaltar que as avaliações realizadas no campo são apenas para o monitoramento de seus grãos. 

Para determinação da qualidade dos grãos com laudo, você deve enviar suas amostras para um laboratório credenciado.

>> Leia mais: “Qual teor de umidade de armazenamento da soja”

Quais são as características desejáveis de um grão com valor comercial?

As características desejadas para grãos são variadas de acordo com as espécies.

Algumas culturas possuem classificação própria que determinam o valor comercial de cada lote.

De modo geral, são considerados grãos de qualidade aqueles que possuem resultados satisfatórios quanto as avaliações citadas acima, ou seja:

  • grãos com baixo teor de água;
  • baixa porcentagem de danos mecânicos (grãos quebrados/trincados);
  • porcentagem de impurezas aceitáveis, de acordo com a legislação (que varia para cada espécie).
  • bons teores de óleo e proteína;
  • ausência de pragas e doenças;
  • ausência de grãos avariados e com outros defeitos;
  • características nutricionais elevadas.
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Requisitos para a determinação da qualidade de grãos

A determinação da qualidade dos grãos deve ser realizada por um laboratório especializado.

Esse laboratório irá gerar um laudo de classificação preenchido com todas as informações sobre a amostra dos grãos.

Após as comparações com as tabelas do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), será liberado o resultado com o preenchimento do Laudo de Classificação de Grãos.

Para a soja, a normativa vigente é a Normativa n.º 11, de 16 de maio de 2007.

Já para milho, Normativa n.º 60, de 22 de dezembro de 2011.

Para trigo, a Normativa n.º 38, de 30 de novembro de 2010.

Para outras culturas, você pode consultar o site do Mapa.

foto de uma mão escrevendo em um Laudo de Classificação de grãos de soja

Laudo de Classificação de grãos de soja
(Fonte: CNA Brasil)

Conclusão

A manutenção da qualidade de grãos é fundamental para garantir boa rentabilidade.

Neste artigo vimos três dicas para a manutenção após a colheita.

Mostramos também quais fatores determinam a qualidade de grãos e as principais características de grãos de qualidade.

Espero que essas informações permitam que você faça o monitoramento constante de sua produção e garanta a qualidade de seus grãos.

>> Leia mais:

Colheitadeira: diferentes tipos, evolução e como escolher a melhor para a fazenda

“O que você precisa saber sobre os principais indicadores de desempenho para colheita de grãos”

“3 fatores que determinam a qualidade do trigo e o preço de venda dos seus grãos”

Você monitora a qualidade de grãos após a colheita? Ficou com alguma dúvida? Deixe seu comentário!

Como escolher as melhores cultivares de trigo para sua lavoura em 3 passos

Cultivares de trigo: entenda quais cuidados tomar e veja algumas características das variedades mais utilizadas no mercado!

No mercado brasileiro existem diversas variedades de trigo, com inúmeras características fenotípicas e adaptativas. 

Porém nem sempre uma variedade com alta produtividade irá se adaptar às suas condições, o que pode limitar o seu potencial produtivo. 

Por isso, é preciso tomar alguns cuidados para garantir que a cultivar escolhida tenha um ótimo desempenho em sua lavoura. 

Pensando nisso, separei as características de algumas cultivares e 3 passos fundamentais para acertar na escolha. Confira!

Cuidados que você precisa ter ao escolher as cultivares de trigo

O primeiro passo para obter sucesso com a lavoura é fazer um planejamento. Pesquisar e analisar qual é a melhor cultivar de trigo para sua propriedade é fundamental!

Planeje sua semeadura pensando nas culturas sucessoras, então, observe sempre o ciclo das cultivares.

É essencial que você verifique o zoneamento agrícola, ou seja, se a cultivar escolhida é recomendada para sua região.

Fique de olho também nas épocas indicadas para a semeadura.

Liste os principais problemas de sua região como principais doenças e pragas (insetos e nematoides). Se possível, opte por cultivares resistentes.

A escolha da cultivar correta é peça-chave para alcançar altas produtividades. Por isso, aposte em sementes certificadas, que têm qualidade garantida.

Contudo, para garantir o estabelecimento do estande adequado e que a cultivar escolhida expresse seu potencial, além de todas as práticas culturais, é muito importante ficar atento às condições climáticas! 

Não arrisque semeando no pó! Aguarde condições favoráveis para que sua semente possa emergir.

E não esqueça de realizar o manejo de plantas daninhas. Faça a semeadura no limpo, isso é bastante importante para evitar perdas na produtividade.

3 dicas de como escolher a melhor cultivar para sua lavoura

Atualmente, há no mercado um grande número de cultivares de trigo. Com isso, às vezes é difícil encontrar a mais adequada para a lavoura, não é verdade?

Por isso, separei algumas informações para ajudar nessa escolha!

1º passo: tipo de produção e objetivo

Primeiramente, é necessário definir o tipo de trigo que deseja produzir e qual o objetivo. Você pode optar por semear o trigo de “duplo propósito”, trigo irrigado e trigo de sequeiro. 

Caso opte por utilizar um trigo de “duplo propósito”, que é utilizado como forragem de animais e fabricação de farinhas, o ideal é optar por cultivares com ciclo mais longo.

Se você for realizar um plantio de trigo de sequeiro, opte por cultivares com alta sanidade e com melhor tolerância à seca.

2º passo: localização da propriedade

A escolha da cultivar deve ser realizada em função da localização de sua propriedade. Assim, você irá minimizar possíveis perdas e alcançar a produtividade esperada.

A escolha da cultivar dentro do zoneamento é muito importante para conseguir um seguro agrícola (plantio fora das regras de zoneamento não podem ser assegurados).

Confira o zoneamento indicado para o seu estado, de acordo com o Mapa (Ministério da agricultura e pecuária).

3º Passo: observe as características das cultivares

Escolha cultivares com as características que lhe interessam, por exemplo:

  • capacidade produtiva;
  • qualidade dos grãos;
  • resistência a doenças;
  • tolerância a herbicidas;
  • resistência a pragas.

Lembre-se, é sempre importante observar as características agronômicas e exigência da cultivar quanto ao manejo, pois isso irá influenciar nos custos de produção.

Diferentes cultivares de trigo

Sempre que possível, utilize mais de uma cultivar em sua lavoura de trigo. Assim, você poderá evitar riscos. 

Lembre-se de instalar um teste de emergência em um canteiro antes de realizar a semeadura.

Para te ajudar, abaixo separei algumas cultivares de trigo disponíveis no mercado.

Tbio Toruk

É uma cultivar de trigo classificada como Trigo Pão/melhorador de ciclo médio. Tem excelente potencial produtivo e é moderadamente suscetível à brusone.

Contudo, possui maior disponibilidade de nitrogênio e é altamente responsivo à aplicação deste nutriente.

É uma das cultivares mais utilizadas na região Sul.

BRS Belajoia

É uma cultivar de trigo do tipo precoce a médio, que apresenta alta produtividade.

A qualidade tecnológica da BRS Belajoia depende da região de semeadura. Entrega um ótimo pacote fitossanitário, o que diminui custos com produtos.

Apresenta porte baixo, tolerância ao acamamento e excelente perfilhamento.

Trigo – BRS Tarumã

A BRS Tarumã é uma opção para utilização em duplo-propósito. 

Apresenta ciclo vegetativo mais longo e pode ser semeada mais cedo, garantindo a cobertura do solo durante todo o inverno.

É classificado como Classe Pão. Apresenta elevado rendimento e concentração de matéria seca, além de excelente afilhamento e grãos de alto PH.

Tbio Pioneiro 2010

É uma cultivar de trigo classificada como Trigo Pão de ciclo médio. Tem excelente potencial produtivo e é suscetível à brusone.

Pode ser posicionado desde baixo a alto investimento na lavoura, dependendo da realidade de sua propriedade.

Seu forte vigor proporciona bons resultados mesmo em áreas de menor fertilidade, assim como uma excelente produtividade.

Para mais opções, confira o portfólio das empresas!

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Conclusão

A escolha da cultivar é extremamente importante para garantir altas produtividades no plantio da cultura do trigo.

Neste artigo, você conferiu os principais cuidados na escolha da cultivar e um passo a passo de como escolher suas sementes.

Conferiu também as principais cultivares disponíveis no mercado e seus pontos fortes.

Espero que essas informações te ajudem a melhorar a escolha de suas sementes de trigo e, consequentemente, aumentem o potencial produtivo da lavoura!

>> Leia mais:

Veja as soluções para os principais problemas na colheita do trigo

“3 fatores que determinam a qualidade do trigo e o preço de venda dos seus grãos”

“Melhores práticas para fazer o tratamento de sementes de trigo na fazenda”

Como você realiza a escolha de cultivares de trigo para sua lavoura? Ficou com alguma dúvida? Deixe seu comentário!

Entenda as regras da Norma Regulamentadora 31 para trabalhadores do agro

Norma Regulamentadora 31: veja os principais pontos da norma e conheça as mudanças após atualização do governo

A Norma Regulamentadora 31 estabelece regras relacionadas à saúde e segurança das atividades e operações ligadas à agricultura, pecuária, silvicultura e exploração florestal. 

Por isso, conhecê-la é muito importante para garantir o bom funcionamento da sua propriedade, evitar acidentes e problemas judiciais.

Pensando nisso, separei algumas informações relevantes sobre a normativa e os principais pontos da atualização. Confira!

O que é a Norma Regulamentadora 31 – NR 31?

A NR 31 (Norma Regulamentadora 31) foi criada em 2005 pelo Ministério do Trabalho para estabelecer regras que devem ser observadas em qualquer atividade da agricultura, incluindo atividades industriais desenvolvidas no ambiente agrário.

Se você atua no meio rural, é essencial que tenha familiaridade com essa norma e a cumpra, pois nossa Constituição prevê que “ninguém pode justificar o não cumprimento da lei alegando que não a conhece”.

Para seguir os deveres de ambas as partes (empregadores e trabalhadores), a norma detalha inúmeras ações que devem ser realizadas. A seguir, listamos as principais delas:

Quais os deveres do empregador rural (ou semelhante) na NR 31?

  • Cumprir e fazer cumprir as disposições legais e regulamentares sobre segurança e saúde no trabalho rural, garantindo adequadas condições de trabalho, higiene e conforto.
  • Adotar medidas de prevenção e proteção para garantir que todas as atividades, locais de trabalho, máquinas, equipamentos e ferramentas sejam seguros.
  • Adotar os procedimentos necessários sobre a ocorrência de acidentes e doenças do trabalho, incluindo a análise de suas causas.
  • Assegurar que se forneça aos trabalhadores instruções compreensíveis em matéria de segurança, saúde, direitos, deveres e obrigações, bem como a orientação e supervisão necessárias ao trabalho seguro.
  • Informar aos trabalhadores os riscos decorrentes do trabalho e as medidas de prevenção implantadas, inclusive em relação a novas tecnologias adotadas pelo empregador.
  • Comunicar resultados dos exames médicos e complementares a que foram submetidos, quando realizados por serviço médico contratado pelo empregador.
  • Informar os resultados das avaliações ambientais realizadas nos locais de trabalho.
  • Permitir que representante dos trabalhadores, legalmente constituído, acompanhe a fiscalização das normas legais e regulamentares sobre segurança e saúde no trabalho.
  • Disponibilizar à Inspeção do Trabalho todas as informações relativas à segurança e à saúde no trabalho.

Quais os deveres do trabalhador previstos na NR 31?

  • Cumprir as determinações sobre as formas seguras de desenvolver suas atividades, especialmente quanto às ordens de serviço emitidas para esse fim.
  • Adotar as medidas de prevenção determinadas pelo empregador, em conformidade com a NR, sob pena de constituir ato faltoso a recusa injustificada.
  • Submeter-se aos exames médicos previstos na Norma Regulamentadora.
  • Colaborar com a empresa na aplicação da NR.
  • Não danificar as áreas de vivência, de modo a preservar as condições oferecidas;
  • Cumprir todas as orientações relativas aos procedimentos seguros de operação, alimentação, abastecimento, limpeza, manutenção, inspeção, transporte, desativação, desmonte e descarte das ferramentas, máquinas e equipamentos.
  • Não realizar qualquer tipo de alteração nas ferramentas e proteções mecânicas ou dispositivos de segurança de máquinas e equipamentos, de maneira que possa colocar em risco sua saúde e integridade física ou de terceiros.
  • Comunicar seu superior imediato se alguma ferramenta, máquina ou equipamento for danificado ou perder sua função.

Para ter acesso ao conteúdo completo dos deveres de empregadores e empregados, acesse a NR 31 na íntegra aqui.

O que mudou com a atualização da NR 31?

A NR 31, como diversas outras Normas Regulamentares, passou por diversas atualizações ao longo dos anos, sendo a mais recente em 2022.

Portaria SEPRT nº 22.677

Em outubro de 2020, a NR 31 foi atualizada, visando a simplificar e desburocratizar o texto, que passou a vigorar a partir de outubro de 2021. Essa atualização se deu pela Portaria SEPRT nº 22.677, de 22 de outubro de 2020, que aprovou a nova redação da NR 31.

Segundo o governo, a atualização da norma trouxe mais harmonia com outras normativas relacionadas (ex: normas urbanas), com a proposta de ter fácil entendimento mesmo por pessoas fora da área jurídica e eliminar algumas exigências que fogem da realidade prática.

A modificação da NR 31 teve o objetivo de descrever o que deve ser feito acima de como deve ser feito. Assim, o produtor pode adotar diferentes estratégias, desde que atinja os objetivos propostos. À época, o governo previu economia de R$ 4,3 bilhões anualmente para o setor rural.

Estrutura da norma 

Houve redução e reestruturação de capítulos na norma, reduzindo de 23 para 17 capítulos. Para o setor agrícola, somente será aplicável as determinações da NR 31 ou as citações de outras normas presentes nela. 

O PGRTR (Programa de Gerenciamento de Risco no Trabalho Rural) substituirá o PGSSMATR (Programa de Gestão de Segurança e Saúde no Meio Ambiente do Trabalho Rural). 

Além disso, o governo disponibilizou uma ferramenta para auxiliar no desenvolvimento do PGRTR do pequeno produtor (até 50 trabalhadores), visando à redução de custos e simplificação do processo.

Essa ferramenta gera um relatório descrevendo os riscos inerentes às atividades realizadas e quais as medidas de prevenção a serem seguidas de maneira específica para esse produtor. 

Agora a normatização possui especificação diferente para cada atividade realizada. 

É o caso das pausas de trabalho, por exemplo, que não são mais padronizadas. Elas têm recomendações de acordo com a atividade do trabalhador.

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Treinamento e capacitação

Quanto ao treinamento e capacitação, será possível haver um reaproveitamento de conteúdo. Assim, um trabalhador que já realizava a mesma função ou muito semelhante em outra empresa poderá aproveitar cursos realizados no prazo de 2 anos, desde que essa capacitação tenha sido realizada de acordo com a norma.

Além disso, a NR 31 abre a possibilidade da capacitação semipresencial, em que a parte teórica da capacitação poderá ser realizada a distância. As partes práticas continuarão sendo presencias. 

Máquinas e implementos

Com a atualização da NR 31, foram excluídas as exigências exclusivas para fabricantes de máquinas e equipamentos. Agora o fabricante deverá ver o anexo da NR 12.

Haverá uma linha temporal nas exigências das máquinas em que máquinas anteriores ao ano de 2011, mesmo não seguindo exatamente as especificações, poderão ser utilizadas desde que se comprove a segurança em sua utilização.

Além disso, para o transporte de cargas nas vias internas agora será necessário seguir as especificações do fabricante e não o código de trânsito. 

Áreas de vivência e alojamento 

Também houve mudanças quanto às áreas de vivência, que agora são denominadas áreas móveis. 

Para atividades itinerantes, não será mais obrigatória as áreas móveis, desde que sejam descritas quais áreas fixas poderão ser utilizadas em substituição. 

Além disso, houve uma flexibilização quanto ao alojamento dos trabalhadores, sendo possível alocar  trabalhadores em casas e hotéis por exemplo. 

Armazenamento de defensivos agrícolas

Com a atualização da NR 31, será modificada a distância do local de armazenamento de defensivos de 30 m para 15 metros de distância de outras construções. 

Isso ajudará a evitar roubos praticados principalmente em pequenas propriedades. 

No caso de produtores que utilizam pequenas quantidades de produtos químicos (100 kg ou litros), haverá a possibilidade de armazenamento em armários (com normas próprias) dentro ou próximo de construções específicas. 

Dispositivos de Proteção Pessoal

Foram criados os Dispositivos de Proteção Pessoal, uma nova classe que engloba, por exemplo, chapéus de boiadeiro, perneiras e boné árabe, que deverão ser fornecidos pelo empregador e não necessitam de certificado de aprovação. 

Portarias 4.219 e 4.223, de 20 de dezembro de 2022

Em 20 de dezembro de 2022, o então Ministério do Trabalho e Previdência publicou no Diário Oficial da União duas novas portarias: a 4.219 e a 4.223.

A Portaria 4.219 altera a nomenclatura da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – Cipa nas Normas Regulamentadoras, trouxe importantes avanços quanto à prevenção e ao combate do assédio sexual e demais formas de violência no ambiente de trabalho. A Cipa passou a ser denominada Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio.

Em relação à NR 31, a Portaria ganhou, em seus artigos 16, 17 e 18, novas inclusões e modificações do texto original. O art. 16 trouxe nova redação para a alínea “b” do item 31.2.5 e para o capítulo 31.5, sobre o dever do empregador em adotar medidas de prevenção ao assédio. Além disso, a Cipa, no caso do trabalho rural, passa a se chamar Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio do Trabalho Rural – Cipart.

O art. 17 inseriu a alínea “n” no item 31.5.10 e a alínea “h” no item 31.5.24 da NR, em que a Cipart deve incluir temas de prevenção e combate ao assédio sexual e a outras formas de violência no trabalho em suas atividades, práticas e treinamentos.

Já o art. 18 inseriu um novo item (item 31.2.6) na NR 31, descrevendo as medidas que as organizações obrigadas a constituir Cipa devem adotar. Entre elas, estão regras de conduta a respeito do assédio sexual e outras formas de violência nas normas das empresas e a realização de capacitação a cada 12 meses.

Esta Portaria entrou em vigor no dia 20 de março de 2023.

Portaria nº 4.223

A Portaria nº 4.223 alterou a redação do item 31.7.4 e incluiu alguns subitens na NR 31. Esta norma trata da aplicação de agrotóxicos utilizando máquina com cabine fechada original do fabricante ou adaptada.

Esse tipo de aplicação precisa seguir uma série de normas técnicas oficiais, devendo ser interrompida imediatamente se a névoa gerada na aplicação atingir o operador.

Ainda, é obrigatório adequar a máquina com cabine fechada original ou adaptada dentro dos seguintes prazos:

  • 120 meses, para propriedades com área abrangida pela aplicação com atomizador mecanizado de até 25 hectares;
  • 96 meses, para propriedades com área abrangida pela aplicação com atomizador mecanizado de até 50 hectares;
  • 84 meses, para propriedades com área abrangida pela aplicação com atomizador mecanizado de 51 até 100 hectares;
  • 60 meses, para propriedades com área abrangida pela aplicação com atomizador mecanizado de mais de 100 hectares.

Esta Portaria entrou em vigor no dia 3 de janeiro de 2023.

Portaria MTP nº 4.371

A Portaria MTP nº 4.371, publicada em 28 de dezembro de 2022, alterou a Portaria nº 4.223, de 20 de dezembro de 2022, inserindo a definição de cabine fechada no Glossário da NR 31. Esta Portaria entrou em vigor no dia 3 de janeiro de 2023.

Conclusão 

Neste texto entendemos a importância da Norma Regulamentadora n° 31 para o setor agrícola. Também vimos quais o principais deveres dos empregadores e trabalhadores do meio rural. 

Além disso, falamos sobre a recente atualização da norma, destacando os objetivos e principais mudanças. 

Espero que com esse texto você tenha aprendido mais sobre essa legislação do setor agrícola e como se adequar às novidades. 

>> Leia mais:

O que é gestão de pessoas e como isso beneficia sua fazenda

Qual sua maior dificuldade no cumprimento da NR31? Assine nossa newsletter para ficar por dentro de mais conteúdos como este!

Como controlar a lagarta enroladeira das folhas na sua lavoura

Lagarta enroladeira das folhas: confira as características da praga, em quais estádios podem causar mais problemas e as recomendações de manejo.

A presença de pragas na lavoura é sempre um sinal de alerta. E é fundamental que você esteja sempre atento para evitar gastos e perdas de produtividade.

A lagarta enroladeira das folhas, apesar de não ser uma praga primária, vem ganhando destaque, principalmente em leguminosas.

Neste artigo, separei as informações mais importantes para que você faça um manejo eficiente da lagarta enroladeira das folhas na sua fazenda.

Características da lagarta enroladeira das folhas

Existe um complexo de lagartas da ordem Lepidoptera que causa danos nas lavouras. Dentre as várias espécies existentes, a lagarta enroladeira das folhas (Hedylepta indicata – sinonímias: Bleprosema indicata, Lamprosema indicata, Hedylepta vulgaris e Anania indicata), apesar de não ser uma praga primária, merece cuidados.

Ela ocorre em condições de climas tropicais e subtropicais, sendo que o pico populacional é observado no mês de abril. 

Pode se hospedar nas culturas da soja, feijão, milho, ervilha e amendoim.

A lagarta enroladeira das folhas possui cinco instares larvais que têm duração de aproximadamente 16 dias.

O adulto é de fácil identificação, pois possui coloração castanho-claro, com três estrias transversais escuras nas asas anteriores e envergadura de até 12 mm.

As fêmeas procuram realizar a oviposição nas folhas ou botões novos das plantas hospedeiras. Cada fêmea pode colocar em média 300 ovos.

Já nas lagartas, é possível observar que, logo nos primeiros ínstares, possuem coloração amarela, evoluindo para um verde-claro e, no final de sua fase larval, apresenta como coloração um verde mais acentuado. Seu tamanho pode variar de 12 mm a 15 mm.

O ciclo biológico dessa praga varia de 22 a 31 dias, dependendo das condições climáticas da região. 

Essa praga é facilmente reconhecida no campo por possuir o hábito de enrolar ou unir os folíolos da soja.

uma foto ao lado da outra, em uma tem a lagarta e na outra adulto da lagarta enroladeira das folhas

Lagarta (a) e adulto da lagarta enroladeira das folhas (b)
(Fonte: Embrapa)

Danos causados às lavouras

Os ataques da lagarta enroladeira das folhas ocorrem em diferentes momentos do desenvolvimento da cultura.

Nas fases iniciais, a lagarta raspa o parênquima foliar, rendilhando os folíolos, que acabam secando, sendo possível observar pequenas manchas brancas

Conforme ocorre o desenvolvimento das larvas, as lagartas necessitam de mais alimento, destruindo completamente a área foliar das plantas.

Nessa fase, a praga é considerada um grande problema no campo, pois, em casos de ataque intenso, ocasiona grande desfolha, prejudica a área fotossintética e influência no crescimento e desenvolvimento.

Caso não seja realizado o controle no momento exato, o ataque da lagarta enroladeira das folhas pode danificar até as hastes mais finas.

No campo, para observar a presença da praga nas plantas, fique atento às folhas. A lagarta entrelaça as folhas formando uma massa folhosa por meio de secreções que é utilizada também como alimento.

Caso note a presença dessa praga no final do ciclo da soja, a perda de área foliar não interfere na produtividade. Mesmo assim, é importante realizar o manejo da lavoura.

Para evitar riscos da presença dessas e outras pragas em sua lavoura, utilize sementes de qualidade e não deixe de lado o MIP (Manejo Integrado de Pragas).

Como fazer o manejo da lagarta enroladeira das folhas

Para o manejo adequado da lagarta enroladeira das folhas, o primeiro passo é verificar o histórico de pragas da fazenda. Assim, você consegue realizar o planejamento de manejo

É fundamental também realizar o monitoramento da lavoura com frequência. Isso irá facilitar a tomada de decisão.

Antes de realizar o controle, quantifique a infestação (%) em sua lavoura. Para isso, observe o número de plantas com sintomas.

Separei aqui uma planilha gratuita que pode te ajudar muito neste controle! Clique na imagem abaixo para fazer o download!

Controle cultural

Para evitar problemas com essa praga, realize:

Controle químico

Existem inúmeros produtos disponíveis para o controle químico da lagarta enroladeira das folhas. 

Você pode consultar o registro dos inseticidas no site do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), o Agrofit

Veja os principais produtos recomendados nas culturas da soja e do feijão:

tabela com produtos recomendados para controle da lagarta enroladeira das folhas em soja, apresentando marca comercial e ingrediente ativo (grupo químico)

Produtos recomendados para controle da lagarta enroladeira das folhas em soja
(Fonte: Mapa)

tabela com produtos recomendados para controle da  lagarta enroladeira das folhas em feijão apresentando marca comercial e ingrediente ativo (grupo químico)

Produtos recomendados para controle em feijão
(Fonte: Mapa)

Contudo, é essencial que você consulte um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) para detalhamentos de acordo com a sua realidade.

Controle biológico

O uso de controle biológico pode ser uma alternativa para minimizar os custos com inseticidas e evitar a seleção de resistência dessa praga.

Uma opção é utilizar o parasitoide Trichogramma spp. como estratégia no manejo integrado.

Planilha MIP Aegro. Baixe grátis

Conclusão

A lagarta enroladeira das folhas, apesar de não ser uma praga primária, pode causar danos consideráveis na lavoura, provocando menor produtividade.

Neste artigo, você pôde conferir como identificar essa praga no campo e os principais prejuízos causados à lavoura.

Também falamos sobre as opções de controle químico, cultural e biológico que você pode aproveitar para fazer um manejo adequado dessa invasora. 

Com essas informações, espero que você proteja sua propriedade e não registre prejuízos com essa praga!

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Você tem problemas com lagarta enroladeira das folhas na sua lavoura? Quais medidas de prevenção realiza? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Vaquinha da soja: como fazer o controle eficiente dessa praga em sua lavoura

Vaquinha da soja: aprenda a identificá-la, saiba em quais estádios ela causa mais problemas e a melhor forma de controle.

A vaquinha da soja é uma praga agrícola que causa grandes danos à cultura tanto na fase de larva quanto adulta.

É considerada bastante problemáticas na lavoura, pois ocasiona grande desfolha, prejudica a área fotossintética e influencia no crescimento e desenvolvimento da soja e também do milho.

Isso, claro, se reflete em perda de produtividade e de lucratividade. 

Mas como fazer o manejo eficiente da vaquinha da soja? A seguir, trago as principais recomendações para que você tenha sucesso no controle dessa praga agrícola.

Características da vaquinha da soja

Existe um complexo de besouros Crisomelídeos que tem por nome comum “vaquinha”. Dentre as várias espécies existentes, a Diabrotica speciosa é a de maior ocorrência no Brasil, sendo popularmente conhecida também como vaquinha-verde ou patriota.

Essa praga provoca grandes problemas tanto na fase de larva quanto adulta, principalmente na cultura do milho, soja e feijoeiro.

Para reconhecê-la no campo, é preciso atenção a alguns detalhes. A vaquinha possui três instares larvais: ovo, larva e pré-pupa e pupa. Os ovos da espécie são de coloração amarela e medem cerca de 0,5 mm de diâmetro.

A oviposição é realizada pelo adulto normalmente em solos mais úmidos e escuros e ao redor das plantas.

A larva possui 10 mm de comprimento, com coloração branca e partes (como cabeça, pernas e tórax) na cor preta. 

Fique atento, pois cerca de 90% das larvas costumam ficar ao redor das plantas!

A pré-pupa e pupa apresentam coloração branca e tamanho de aproximadamente 5 mm. 

Já o adulto é de fácil identificação, pois possui cor verde com três manchas amarelas em cada élitro, tíbias e tarsos negros e cabeça marrom, lembrando as cores do Brasil. Possuem cerca de 6 cm de comprimento.

O ciclo biológico dessa praga varia de 24 a 40 dias, dependendo das condições climáticas da região. 

Os períodos de cada fase de desenvolvimento variam de acordo com a temperatura. Geralmente, o período de incubação é de cerca de 7 dias. Passado esse período, temos a larva, de 14 a 26 dias e, em seguida, a pupa, com 6 dias em média.

 Ciclo biológico de Diabrotica speciosa vaquinha da soja

 Ciclo biológico de Diabrotica speciosa
(Fonte: Embrapa)

Danos causados às lavouras

Os ataques da vaquinha ocorrem em diferentes fases da cultura da soja e do milho.

Na fase larval, essa praga ataca raízes e sementes. Além disso, é possível observar perfurações nas folhas cotiledonares.

Na prática, as raízes não absorvem bem água e nutrientes, o que deixa a planta debilitada.

Na cultura do milho, por exemplo, o ataque da larva danifica consideravelmente as raízes, ocasionando sintomas que são confundidos com deficiência nutricional.

Podem ainda ocasionar sintomas na planta conhecidos como “pescoço de ganso”, em que a planta desenvolve o colmo em forma curvada.

Estudos realizados pela Embrapa Milho e Sorgo verificaram que a incidência de larvas da vaquinha por planta de milho podem reduzir consideravelmente o peso de grãos.

tabela com danos larval da Diabrotica speciosa em raízes de milho - vaquinha da soja

Danos larval da Diabrotica speciosa em raízes de milho
(Fonte: Embrapa)

Em soja, apesar dessa praga ser considerada secundária, também vem gerando muitos problemas, em especial em áreas de soja precedida por milho safrinha.

Ela reduzir o estande na área e consequentemente o potencial produtivo. Por isso, o monitoramento é fundamental!

Na fase adulta, a vaquinha é considerada uma das mais problemáticas, pois ocasiona grande desfolha, prejudica a área fotossintética e influencia no crescimento e desenvolvimento de milho e soja.

Essa praga se alimenta de folhas, brotos, frutos e pólen de plantas, o que pode ocasionar inclusive falhas na formação de grãos.

Para evitar a presença dessas e outras pragas em sua lavoura, utilize sementes de qualidade! E não deixe de lado o Manejo Integrado de Pragas (MIP).

Como fazer o manejo da vaquinha no milho e na soja

O primeiro passo para o manejo de vaquinha é analisar o histórico de pragas em sua fazenda para, assim, iniciar o planejamento de manejo.

Realize o monitoramento de sua lavoura constantemente. Esse é o ponto decisivo para saber quando é necessário entrar com medidas de controle.

Para isso, você pode contar com um auxílio de um software agrícola como o Aegro.

Sabendo que há possibilidade de se deparar com a vaquinha, você pode se preparar com alguns métodos como:

Controle cultural

A presença da vaquinha na safra anterior, é motivo de alerta, principalmente se você utilizar o sistema soja-milho.

Para evitar problemas com essa praga, realize um bom preparo do solo e elimine possíveis plantas hospedeiras.

Controle químico

O controle químico é o principal método de controle da vaquinha. No momento da escolha do inseticida, opte por ingredientes ativos com alta persistência (6 a 10 semanas), para que a planta esteja protegida no estabelecimento do estande.

A pulverização no sulco de plantio e o uso de granulados são alternativas bastante eficientes para o controle da larva.

O registro dos inseticidas para controle da Diabrotica speciosa deve ser consultado no site do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o Agrofit

Para a cultura do milho, por exemplo, você pode utilizar: fipronil (pirazol) ou bifentrina (piretroide).

Já para soja, você pode utilizar: fipronil (pirazol) ou  lambda-cialotrina (piretroide) + tiametoxam (neonicotinoide).

Contudo, é essencial que você consulte um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) para melhores detalhamentos de acordo com a sua realidade.

Controle biológico

O uso de controle biológico pode ser uma alternativa para minimizar os custos com inseticidas e evitar seleção de resistência.

Na literatura, encontramos vários estudos indicando um  possível controle biológico com: 

Celatoria bosqi (Dip., Tachinidae), Centistes gasseni (Hym., Braconidae), os fungos Beauveria bassiana, Metarhizium anisopliae e Paecilomyces lilacinus.

Contudo, estudos ainda estão sendo realizados para melhor evidenciar a eficiência do controle biológico.

Conclusão

Após todo o esforço com sua lavoura, você não pode perder produtividade por conta da presença de pragas na cultura.

A vaquinha tem causado danos nos últimos anos, principalmente no milho, soja e feijão.

Neste artigo, você pôde conferir como identificar a vaquinha no campo, seu principais danos e como realizar o manejo dessa praga agrícola. 

Espero que com essas dicas você consiga proteger sua lavoura e alcançar uma excelente produção!

Você tem problemas com vaquinha da soja na sua lavoura? Quais medidas de prevenção realiza? Adoraria ver seu comentário abaixo!