About Thaís Fagundes Matioli

Sou Engenheira Agrônoma formada pela Universidade Federal de Lavras (UFLA), mestre em Ciências/Entomologia pela ESALQ/USP, e doutoranda no Departamento de Entomologia da ESALQ/USP.

Tudo o que você precisa saber sobre controle da broca-das-axilas

Broca-das-axilas: saiba mais sobre o ciclo de vida, época de ataque, sintomas e como fazer o manejo mais eficiente! 

Algumas pragas só são lembradas quando já estão causando danos no campo

A broca-das-axilas não gera surtos recorrentes, mas é importante que você conheça suas características principais, os males que causa e as formas de controle. 

Assim, você pode evitar o crescimento anormal das plantas e, consequentemente, a queda na produtividade da lavoura. Além disso, pode impedir a ocorrência de prejuízos econômicos.

Entenda melhor sobre essa lagarta e saiba como se livrar dela a seguir!

Características da broca-das-axilas

A espécie Crocidosema (Epinotia) aporema, popularmente conhecida como broca-das-axilas, é um tipo de mariposa. 

Pertence à família Tortricidae e à ordem Lepidoptera, e tem distribuição em todo o continente Americano, desde o sudeste dos Estados Unidos até a Argentina. 

Embora ela tenha sido encontrada em diversas regiões do Brasil, tem preocupado mais os produtores de soja das regiões de clima frio. Por isso, é considerada uma praga secundária. 

Ela ataca diversas espécies cultiváveis de leguminosas, mas principalmente a cultura da soja.

Os adultos da broca-das-axilas são microlepidópteros, medem cerca de 10 mm de comprimento, e apresentam  coloração amarronzada. Os machos são mais escuros que as fêmeas.

Adultos de Crocidosema aporema. A - fêmea; B - macho

Adultos de Crocidosema aporema. A – fêmea; B – macho
(Fonte: Vanusa Horas)

O ciclo biológico desta praga dura cerca de 30 a 40 dias, dependendo das condições climáticas. Ela passa pela fase de ovo, por cinco estádios larvais, pela pupa e pelo estádio adulto. 

Caso você queira identificar se existem ovos de broca-das-axilas no cultivo, observe os folíolos dos brotos terminais da soja. Embora muito pequenos, os ovos têm uma coloração amarelo-claro e são depositados de maneira isolada. 

Ao eclodirem, as lagartas têm coloração branca e cabeça preta. Ao longo do desenvolvimento, vão se tornando rosadas com cabeça marrom. 

No final da fase larval, as lagartas procuram o solo e ficam sob cerca de 1 cm a 2 cm de profundidade para pupar. 

O período mais favorável para o desenvolvimento dessa espécie é de setembro a abril, podendo chegar a ter até sete gerações sobrepostas.

Sintomas e danos

Como os ovos são colocados nos brotos mais novos, ao eclodirem, as lagartas passam a consumi-los e formam uma espécie de “teia”, unindo os folíolos ao produzir fios de seda. 

As lagartas permanecem dentro dessa estrutura e provocam um retardamento do desenvolvimento dos brotos, dificultando sua abertura. 

Ao longo do desenvolvimento das lagartas, os folíolos vão se deteriorando, podendo secar e morrer. Dessa forma, as lagartas vão para as axilas das folhas.

O nome comum dessa praga se dá pelo fato de penetrarem, por meio das axilas, os pecíolos e hastes, provocando uma obstrução no fluxo da seiva

Quando dentro dessas estruturas, as lagartas fazem galerias descendentes, o que causa um desenvolvimento anormal das plantas.

Quando os brotos atacados abrem, as folhas ficam com aspecto rugoso, com os contornos irregulares e encarquilhadas. O consumo dos folíolos pode provocar uma redução de 50% da área foliar nessa fase. 

três fotos, a) dano causado nos brotos; b) lagarta; c) adulto de broca-das-axilas

a) dano causado nos brotos; b) lagarta; c) adulto de broca-das-axilas
(Fonte: Embrapa)

Além disso, em estágios mais avançados da cultura, podem atacar os botões florais e também as vagens, principalmente em cultivares tardias.

Quando ocorre uma alta incidência no período vegetativo, ocorre uma redução na altura da planta, provocando a formação de ramos secundários. Em consequência, a inserção das primeiras vagens acaba ficando em uma altura em que dificulta a colheita.

Manejo da broca-das-axilas

Antes de falar sobre os controles que podem ser utilizados para reduzir as populações de broca-das-axilas, é importante salientar alguns pontos. 

Essa é uma praga considerada secundária por não causar problemas em todas as regiões produtoras de soja no país.

Porém, é fundamental lembrar que, se forem utilizadas táticas de maneira incorreta, ela pode se tornar uma praga primária. O método químico é um exemplo disso. 

Se o uso dos inseticidas for feito de maneira calendarizada, ou seja, com aplicações pré-determinadas, o risco de fazer com que se tornem primárias é maior. 

Hoje em dia, a tecnologia tem avançado e não há necessidade de utilizar os produtos químicos de maneira errada.

Depois da introdução do MIP (Manejo Integrado de Pragas) e seus conceitos, ficou ainda mais fácil usar diversos métodos sem a necessidade de fazer somente o controle com pesticidas.

Até mesmo se for utilizar inseticidas para controle desta praga, é importante que se use a dose recomendada pelo fabricante. 

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Controle varietal

Desde 2013, você pode utilizar a tecnologia da soja Intacta RR2 PRO para controle dessa e de outras pragas, como lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis), a lagarta-falsa-medideira (Chrysodeixis includens), e a lagarta-das-maçãs (Chloridea virescens).

Ela confere resistência por meio da toxina da proteína Bt, Bacillus thuringiensis (Cry1Ac). Essa proteína é bastante específica para lagartas, porque age em enzimas (caderinas) localizadas no mesêntero.   

Em 2021, foi aprovada a soja Intacta 2 Xtend. Além de conferir resistência às pragas já mencionadas, também poderá controlar Helicoverpa armigera e Spodoptera cosmioides.  

Como a proteção pode variar dependendo do nível de infestação, é essencial que sejam feitas amostragens para monitoramento constante.

apresentação em infográfico das vantagens da plataforma intacta 2 Xtend

(Fonte: Plataforma Intacta 2 Xtend)

Controle químico 

O controle químico, se utilizado de maneira incorreta para pragas secundárias, pode piorar o cenário. Por isso, antes de entrar com aplicações inseticidas, realize o monitoramento.

Quando 30% dos ponteiros forem atacados, entre com as pulverizações

Existem 54 produtos registrados no site do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), mas existem apenas dois grupos químicos – organofosforado e metilcarbamato de oxima

captura de tela dos 54 produtos registrados no site do Mapa para controle química da broca-das-axilas

(Fonte: Agrofit)

Conclusão  

Neste artigo, você viu que apesar de não ser uma praga com sinal de alerta em todas as regiões brasileiras, a broca-das-axilas pode causar sérios danos em sua plantação. 

Você também viu que os sintomas que ela causa nas plantas são bastante característicos. Por isso, é importante que você saiba identificar na lavoura a tempo de evitar perda de produtividade.

O controle, seja químico ou varietal, não pode ser negligenciado, porque as opções de manejo são reduzidas. 

>>Leia mais:

Manejo integrado de pragas: 8 fundamentos que você ainda não aprendeu

E você, já precisou realizar o manejo contra a broca-das-axilas? Assine nossa newsletter para receber mais conteúdos como esse!

Inseticidas ecdisteroides: como agem nos insetos e por que são uma boa opção de manejo

Inseticidas ecdisteroides: entenda como contribuem para redução das pragas sem gerar efeitos colaterais como outros químicos!

A agricultura brasileira é um dos setores mais importantes para a economia do país

Está enganado quem pensa ser possível produzir a quantidade de alimentos produzida hoje sem o uso de pesticidas. Existem 33 sítios de ação registrados e diversos grupos químicos de inseticidas no mercado para controle de insetos-praga. 

É importante buscar conhecimento sobre a ação desses pesticidas

Os reguladores de crescimento agem de maneira mais seletiva. Já os inseticidas ecdisteroides são exemplos dos que agem com um espectro menor. 

Eles contribuem com a redução das pragas sem gerar grandes efeitos colaterais, como acontece com outros grupos químicos. Entenda mais sobre esses compostos a seguir! 

O que são inseticidas ecdisteroides?

Para que você possa compreender melhor o que são esses inseticidas, vamos recapitular quais são suas classificações.

Segundo o Irac-Brasil (Comitê de Ação à Resistência a Inseticidas), os inseticidas se enquadram em cinco categorias de acordo com a atuação nos seguintes aspectos:

  • sistema nervoso central;
  • sistema digestivo;
  • respiração celular; 
  • crescimento e desenvolvimento;
  • compostos com modo de ação desconhecido ou incerto. 

Aqui, o nosso foco será no grupo de inseticidas que atuam no crescimento e desenvolvimento dos insetos. 

Esse grupo é dos IRCs (Inseticidas Reguladores de Crescimento),  introduzidos no mercado na década de 70 pela empresa Bayer Cropscience. 

O grupo possui classificações e especificações diferentes para atuar no crescimento e no desenvolvimento dos insetos. Por isso, os IRCs podem ser:

  • mímicos do hormônio juvenil;
  • inibidores da biossíntese de quitina;
  • agonistas receptores de ecdisteroides

Cada um deles tem um sítio de ação e resultam em algum efeito adverso no processo de desenvolvimento e crescimento da fase jovem dos insetos-praga.

São inseticidas bastante seletivos. Isso implica em uma efetiva ação sobre as pragas, mas que não prejudica organismos benéficos. 

Os inseticidas ecdisteroides são tipos de IRC e atuam na muda dos insetos, fazendo com que eles acelerem o processo de desenvolvimento e fiquem deformados. 

A forma mais comum de rota de exposição aos insetos-praga é por meio da ingestão. 

Esses inseticidas não possuem ação de choque, por isso é comum observar que os efeitos são mais lentos que os inseticidas de amplo espectro. Entretanto, esse não é um ponto desvantajoso quando comparado com outros grupos.

Modo de ação de inseticidas ecdisteroides 

Como já citado, os inseticidas ecdisteroides estão no grupo que atua no crescimento e desenvolvimento dos insetos.

O subgrupo que representa essa classe são as diacilhidrazinas, que são agonistas dos receptores de ecdisteroides (hormônio da ecdise). 

Mas para que você entenda como esses inseticidas agem nos insetos é necessário saber como o organismo do inseto funciona sem a ação desses compostos.

Durante a fase jovem, o exoesqueleto dos insetos vai se tornando insuficiente para os tecidos e órgãos que estão em desenvolvimento dentro deles. Por isso, é necessário que ocorra a muda e a cutícula seja trocada. 

O processo de muda começa quando as células epidérmicas cuticulares são estimuladas pela exposição do hormônio 20-hidroxiecdisona (o hormônio da muda do inseto). 

ilustração de células cuticulares epidérmicas de inseto jovem no início do processo de muda com a ação do hormônio 20-hidroxiecdisona

Células cuticulares epidérmicas de inseto jovem no início do processo de muda com a ação do hormônio 20-hidroxiecdisona
(Fonte: Larry Keeley)

Esse hormônio entra nas células epidérmicas, onde estimula genes relacionados à muda e à formação de uma nova cutícula. 

Depois disso, as células epidérmicas passam por mitose ou crescem pelo alargamento celular. Esse é o período em que o inseto jovem cresce e forma uma cutícula maior para começar o próximo instar. 

A cutícula velha (exúvia) se separa da epiderme no processo de apólise e dá lugar à nova cutícula. Dessa maneira, ocorre a muda ou ecdise, onde o inseto faz a troca de exoesqueleto. 

ilustração de momento em que ocorre a muda ou ecdise do inseto para troca de exoesqueleto

Momento em que ocorre a muda ou ecdise do inseto para troca de exoesqueleto 
(Fonte: Larry Keeley)

Ação do inseticida ecdisteroide

Quando os inseticidas ecdisteroides entram em ação, eles agem como se fossem o hormônio 20-hidroxiecdisona. 

E, como você viu, esse hormônio estimula as células epidérmicas cuticulares a começarem um novo processo de muda. 

Por isso, o inseto sofre uma mudança de forma prematura. Quando o composto começa a agir, a larva sofre inanição. 

A troca do exoesqueleto fora da hora faz com que a nova cutícula seja deformada. O inseto continua sem se alimentar e acaba morrendo. 

Como eu disse, a ação desses inseticidas é mais lenta que os de amplo espectro (que agem em vários organismos), mas o processo todo não demora mais que um dia. 

Por ter uma ação específica nas pragas e pela segurança aos inimigos naturais presentes na área de cultivo, são bastante recomendados em programas de MIP (Manejo Integrado de Pragas). 

Principais pragas que controlam

Esses inseticidas têm ação específica sobre lepidópteros-praga em diversas culturas como algodão, cana-de-açúcar, citros, eucalipto, milho e soja

Veja alguns exemplos de pragas que são controladas pelas diacilhidrazinas:

Algodão 

Cana-de-açúcar

Citros

  • Larva-minadora-das-folhas (Phyllocnistis citrella)
  • Bicho-furão (Ecdytolopha aurantiana)

Eucalipto

  • Lagarta-de-cor-parda (Thyrinteina arnobia)

Milho

Soja

Produtos ecdisteroides no mercado

As diacilhidrazinas possuem quatro ingredientes ativos segundo o Irac, que são:

  • cromafenozida;
  • halofenozida;
  • metoxifenozida;
  • tebufenozida.

Entretanto, os ingredientes ativos registrados no Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) são cromafenozida, metoxifenozida e tebufenozida

captura de tela da agrofit, Ingredientes ativos de diacilhidrazinas registrados pelo Mapa

Ingredientes ativos de diacilhidrazinas registrados pelo Mapa
(Fonte: Agrofit)

Cromafenozida

Existem dois produtos registrados com este ingrediente ativo, ambos da empresa Iharabras: Ciclone e Matric. 

captura de tela Agrofit com Produtos registrados com cromafenozida

Produtos registrados com cromafenozida
(Fonte: Agrofit)

Metoxifenozida

Existem 6 produtos registrados com este ingrediente ativo, de diferentes empresas.

Os produtos Fidele, Intrepid Edge, Intrepid 240 SC e Revolux da Dow Agrosciences; Masterole da Rainbow Defensivos; e Tecal 240 SC da Rotam do Brasil Agroquímica. 

captura de tela da Agrofit com Produtos registrados com metoxifenozida

Produtos registrados com metoxifenozida
(Fonte: Agrofit)

Tebufenozida

Existe apenas um produto registrado com este ingrediente ativo, da empresa Iharabras S.A., o Mimic 240 SC.

captura de tela Agrofit com Produto registrado com tebufenozida

Produto registrado com tebufenozida
(Fonte: Agrofit)

Cada ingrediente ativo possui as pragas-alvo principais. Por isso, é importante que você leia a bula e siga as instruções corretamente. 

Além disso, é essencial que você consulte um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a). 

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Conclusão

Neste artigo, você encontrou informações sobre os inseticidas reguladores de crescimento, que são os que agem no crescimento e desenvolvimento dos insetos. 

Existem três sítios de ação desses produtos e o foco aqui foi sobre os agonistas dos receptores de ecdisteroides, que provocam a muda prematura em lagartas

No mercado brasileiro, você encontra 9 produtos que pertencem ao grupo das diacilhidrazinas e que podem controlar diversas pragas de diferentes culturas. 

Referência

NATION SR, James L. Insect physiology and biochemistry. CRC press, 2015. 

Restou alguma dúvida sobre os inseticidas ecdisteroides? Adoraria ler seu comentário!

O que você precisa saber sobre o mecanismo de ação dos inseticidas neonicotinoides, organofosforados e carbamatos

Mecanismo de ação dos inseticidas neonicotinoides e outros: como eles funcionam no combate às pragas da sua lavoura

Você sabe como exatamente funcionam inseticidas do tipo neonicotinoides, organofosforados e carbamatos?

O mecanismo de ação de um inseticida neurotóxico varia de acordo com o princípio ativo e grupo químico. 

Aqui você irá compreender melhor sobre os mecanismos de ação dos neonicotinoides, organofosforados e carbamatos. Eles agem no sistema nervoso dos insetos e é importante que você entenda o que os diferencia. Confira a seguir!

O que são os inseticidas neurotóxicos?

Existem diversos inseticidas no mercado agrícola com diferentes grupos químicos, que podem atuar sobre:

  • sistema nervoso e/ou a musculatura;
  • desenvolvimento e crescimento;
  • intestino médio;
  • respiração;
  • e alguns que têm ação desconhecida.

Os inseticidas neurotóxicos são aqueles que agem no sistema nervoso dos insetos. Mas não existe somente uma forma e sim várias delas.

O sistema nervoso é composto por células nervosas chamadas de neurônios, responsáveis pelas funções de sensação, coordenação e condução

Imagem ilustrativa de um neurônio

Imagem ilustrativa de um neurônio
(Fonte: Larry Keeley – YouTube)

Além dos neurônios, existem as células gliais que dão suporte, proteção e nutrição aos neurônios. 

O sistema nervoso central dos insetos fica localizado na parte ventral do corpo e consiste do cérebro ou gânglio, localizado na região central da cabeça, e uma série de gânglios da corda nervosa ventral ao longo do corpo. 

Imagem ilustrando o sistema nervoso central de um inseto ortóptero (em amarelo) - artigo sobre mecanismo de ação dos inseticidas neonicotinoides

Imagem ilustrando o sistema nervoso central de um inseto ortóptero (em amarelo)
(Fonte: Larry Keeley – YouTube)

Os inseticidas neurotóxicos vão atuar no corpo dos insetos, perturbando as funções elétricas do sistema nervoso, como nas sinapses, por exemplo, onde agem os neurotransmissores para transmitir os impulsos nervosos. 

Dentre os inseticidas, existem vários grupos químicos com diferentes modos ou mecanismos de ação em alguma parte desse sistema. 

Além disso, dentre os grupos químicos, são diversos os ingredientes ativos, ou seja, diferentes estruturas moleculares para atuar com aquele mesmo princípio ativo.

Vou te explicar melhor sobre eles.

Mecanismo de ação dos inseticidas neonicotinoides

Os neonicotinoides são inseticidas de ação sistêmica e de contato. Devido às suas características físico-químicas, podem penetrar nos tecidos das plantas após aplicação e translocar por todas as partes por meio dos vasos condutores de seiva. 

Independente da forma de aplicação, conseguem atingir toda a planta e agem nos organismos, principalmente, naqueles que se alimentam succionando os tecidos.

O mecanismo de ação dos neonicotinoides é a atuação como agonistas da acetilcolina. 

O que acontece é que, após ocorrer a sinapse (onde ocorre comunicação entre os neurônios), as moléculas inseticidas se ligam aos receptores nicotínicos da acetilcolina localizados no neurônio pós-sináptico. 

O resultado disso, é um estímulo constante da mensagem da acetilcolina no sistema, o que gera impulsos nervosos transmitidos continuamente, levando à hiperexcitação do sistema nervoso, com consequente paralisia e morte do organismo. 

Existem diferentes ingredientes ativos no grupo químico dos neonicotinoides que são: 

  • Acetamiprido;
  • Clotianidina;
  • Dinotefuran;
  • Imidaclopride;
  • Nitenpiram; 
  • Tiaclopride;
  • Tiametoxam. 
captura de tela da tabela de ingredientes ativos de neonicotinoides registrados no site do Mapa

Ingredientes ativos de neonicotinoides registrados no site do Mapa
(Fonte: Mapa)

Os mais utilizados e que têm maior número de produtos registrados no Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) são acetamiprido, imidaclopride e tiametoxam.  

São utilizados em culturas muito distintas pelo fato de controlarem insetos polífagos, como mosca-branca, pulgões, cigarrinhas e percevejos. 

Como agem os inseticidas organofosforados e carbamatos

São inseticidas que agem por contato e ingestão, e inibem a ação da enzima acetilcolinesterase (que é responsável pela eliminação da acetilcolina no momento no estímulo nervoso).

As moléculas destes inseticidas apresentam conformações estruturais que permitem um encaixe na molécula de acetilcolinesterase.

Organofosforados: por meio do grupamento fosfato.

Carbamatos: por meio do grupamento carbamila.

A hidrólise, ou quebra, da molécula de acetilcolina no corpo do inseto acontece de forma lenta devido ao grupamento fosfato (organofosforados) e ao grupamento carbamila (carbamatos).

Em consequência, há acúmulo de moléculas de acetilcolina na sinapse, que também leva o inseto a uma hiperexcitação, com consequente morte de maneira rápida. 

Esses inseticidas foram muito utilizados até a década de 1990. Entretanto, com a descoberta de diversas outras moléculas atuando no sistema nervoso central dos insetos, e com risco de toxicidade mais baixo, o uso desses grupos químicos foi sendo reduzido.

Hoje, no site do MAPA, é possível encontrar diversos ingredientes ativos registrados dos organofosforados, mas um número bem reduzido de carbamatos. 

Principais ingredientes ativos dos organofosforados disponíveis comercialmente no mercado:

  • Acefato;
  • Cadusafós;
  • Clorpirifós;
  • Dimetoato;
  • Etoprofós;
  • Fenamifós;
  • Fenitrotiona;
  • Fosmete;
  • Fostiazato;
  • Malation.

Para o grupo químico dos carbamatos, existe apenas um ingrediente ativo disponível que é cloridrato de propamocarbe

Todos esses inseticidas são utilizados para o controle de um vasto número de pragas por agir de maneira bastante generalizada.

Além disso, os organofosforados agem como inseticidas, acaricidas, nematicidas e formicidas. 

captura de tela com tabela de ingredientes ativos de organofosforados registrados no site do Mapa

(Fonte: Mapa)

Vantagens e desvantagens dos inseticidas neurotóxicos

Mesmo sendo muito úteis na agricultura, os neonicotinoides, os carbamatos e os organofosforados têm suas vantagens e desvantagens. 

É importante que você se atente a essas informações para não cometer equívocos ao utilizar esses produtos.

Vantagens

  • Costumam ser baratos e de fácil aquisição;
  • São rapidamente absorvidos pela camada de cera da cutícula para entrar no corpo do inseto;
  • Rápida ação em pragas-alvo;
  • A maioria dos produtos tem boa persistência no campo;
  • Têm amplo espectro de ação e podem atingir várias espécies de insetos-praga.

Desvantagens

  • Por terem amplo espectro de ação, podem atingir organismos não-alvo como predadores e parasitoides. Isso quer dizer que, em sua maioria, não são inseticidas seletivos aos inimigos naturais;
  • Podem afetar o Manejo Integrado de Pragas (MIP) se forem utilizados de maneira irracional;
  • Também podem causar distúrbios neurológicos em animais vertebrados, incluindo o homem;
  • A maioria persiste no ambiente e pode afetar os organismos não-alvo;
  • A exposição constante das pragas a esses inseticidas pode causar seleção de insetos resistentes;
  • Muitos neonicotinoides têm causado problemas em polinizadores, o que pode gerar um grande desequilíbrio. 
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Conclusão 

Aqui você viu um pouco sobre três grupos químicos que agem no sistema nervoso dos insetos. Aprendeu sobre o mecanismo de ação dos inseticidas neonicotinoides, organofosforados e carbamatos.

São inseticidas de rápida ação, mas que o seu uso tem vantagens e desvantagens.

Por isso, é muito importante que você analise bem a sua cultura, as reais necessidades de controle das pragas e quais as doses necessárias para aplicação no campo.

Lembre-se que utilizar inseticidas sem necessidade pode te causar alguns problemas. Se utilizados da maneira correta, podem te auxiliar na redução das pragas da área. 

>> Leia mais:

“Como fazer o melhor uso de inseticida na dessecação da lavoura”

Restou alguma dúvida sobre o mecanismo de ação dos inseticidas neonicotinoides? Deixe seu comentário e também assine a nossa newsletter!

Como livrar sua lavoura dos ataques do bicudo-da-soja

Bicudo-da-soja ou tamanduá-da-soja é uma das pragas que vêm ganhando importância na cultura. Conheça suas características, hábitos e formas de controle!

A expansão da cultura da soja tem contribuído para o aumento das pragas que antes eram consideradas secundárias.

Esse é o caso do bicudo-da-soja ou tamanduá-da-soja, que tem sido observado desde a década de 1980 na cultura.

Algumas mudanças no manejo fizeram com que essa praga se tornasse algo preocupante para os sojicultores de uns tempos para cá. 

Além disso, essa é uma praga de difícil controle, principalmente, por seu hábito nas plantas.

Por isso, separei algumas informações importantes para que você proteja sua lavoura do bicudo-da-soja. Confira a seguir!

Características do bicudo-da-soja

O bicudo-da-soja tem esse e outros nomes populares como tamanduá-da-soja. É um inseto da ordem Coleoptera e família Curculionidae, a qual tem como principal característica o rostro ou o “bico”, que deu origem ao nome popular da praga.

A espécie é Sternechus subsignatus e ataca a soja durante todo o ciclo da cultura.

Embora esteja causando grande alarme, é um inseto bem pequeno. Os adultos medem cerca de 8 mm de comprimento, são escuros e têm listras amarelas na cabeça e nos élitros, e as asas mais duras. 

Adulto do bicudo-da-soja
Adulto do bicudo-da-soja
(Fonte: Insetologia)

Normalmente, os adultos ficam em lugares mais estratégicos como na parte abaxial das folhas e em estruturas como hastes. Dependendo do horário do dia, podem procurar locais como folhagens ou restos de cultura no solo. 

As larvas medem cerca de 10 mm de comprimento, sendo brancas, sem pernas e com cabeça castanho-escura. Se desenvolvem dentro da haste principal da planta, na região do anelamento, em que são colocados os ovos pelas fêmeas. 

Ao final do período larval, nos últimos ínstares, os insetos vão para o solo e passam por um período de hibernação, ou seja, se mantêm inativos. Isso gera um problema no manejo, porque elas se localizam em profundidade de 5 cm a 10 cm. 

Larva de bicudo-da-soja na haste
Larva de bicudo-da-soja na haste
(Fonte: Embrapa)

Sintomas e danos

Atualmente, é possível encontrar o bicudo-da-soja causando danos em diversos estados do Brasil, principalmente em municípios de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. 

Tanto os adultos como as larvas causam danos na cultura da soja. O período mais crítico do ataque desses insetos é a fase inicial da cultura. 

Danos causados por adultos do bicudo-da-soja
(Fonte: Embrapa)

Os adultos fazem um tipo de “raspagem” da epiderme das hastes das plantas, o que faz com que o tecido vegetal fique com aspecto desfiado. E, devido à fragilidade das plantas, por ainda não terem uma estrutura bem lignificada, pode haver perda total da lavoura se houver presença de altas populações da praga.

A oviposição dos ovos é feita no anelamento das plantas. Quando as larvas eclodem, permanecem próximas ao local consumindo todo o conteúdo do tecido das plantas. Isso leva à formação de galhas caulinares, sintomas muito típicos de ataques do bicudo-da-soja. 

Essas galhas caulinares vão aumentando de tamanho conforme as larvas vão se desenvolvendo e, muitas vezes, ultrapassam o diâmetro das hastes ou dos ramos. 

Galha caulinar formada em haste da planta de soja devido ao ataque de larvas do bicudo-da-soja
Galha caulinar formada em haste da planta de soja devido ao ataque de larvas do bicudo-da-soja 
(Fonte: Embrapa)

Por serem canibais, é muito difícil encontrar mais de uma larva por galha. Por isso, as galhas ficam espalhadas pela planta dando proteção e condições para esses insetos se desenvolverem até o momento da hibernação. 

Além disso, os ataques normalmente acontecem em reboleiras e são mais intensos em áreas com plantio direto, justamente por dar condições ideais para os insetos se manterem na área. 

Como fazer o manejo do bicudo-da-soja

Como é possível perceber, o manejo do bicudo-da-soja não é tão simples devido aos hábitos dessa praga tanto na fase jovem quanto na fase adulta. 

A melhor recomendação é utilizar o Manejo Integrado de Pragas (MIP) para aplicar várias táticas que irão contribuir para a redução da população. 

É importante conhecer o histórico da região e entrar, desde antes do início do cultivo, com o monitoramento.

Monitoramento

O comportamento dessa praga é bastante característico, mas deve ser muito bem observado para que não ocorram surtos da população na fase mais crítica.

É muito recomendado que se faça amostragens na entressafra para observar se ainda existem insetos nas antigas fileiras de soja.

O ideal é que a cada 10 hectares sejam feitas 4 amostragens. O nível de controle para essa praga é de 0,4 adultos por metro de fileira de soja, quando as plantas de soja apresentarem entre duas (V2) e cinco (V5) folhas trifolioladas. 

Época de semeadura

Estudos realizados pela Embrapa Soja mostraram que, após o período pupal, os adultos costumam emergir no começo de novembro. Assim, ocorre um aumento populacional na segunda quinzena de dezembro.

Por isso, no momento da semeadura, é importante pensar no tratamento de sementes como aliado e a época em que se pode fazer o plantio. 

O tempo residual dos inseticidas utilizados para o controle do bicudo-da-soja deve ter eficiência para aguentar essa fase de maior população. 

Métodos de controle

Como existem algumas plantas não-hospedeiras do bicudo-da-soja, a rotação de culturas com plantas como milho, crotalária, sorgo, girassol e algodão é uma boa tática para evitar o aumento populacional na soja. 

Para melhorar a eficiência da rotação, as plantas não-hospedeiras podem ser rodeadas de plantas hospedeiras de preferência do bicudo. Essas plantas irão agir como cultura-armadilha

Essas culturas podem ser semeadas na bordadura da soja, cerca de 20 m e 30 m. 

Dessa maneira, ao atrair os insetos, pode-se utilizar dos inseticidas recomendados para o controle da praga. 

E o controle químico também poderá ser utilizado quando, após monitoramento, forem encontrados uma média de 0,4 adultos/m de fileira, como indicador para uso de inseticidas via aplicação foliar.

Existem 56 produtos registrados no Agrofit, site do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para o controle químico do bicudo-da-soja.

captura da tela da página da Agrofit mostrando os produtos registrados para controle químico do bicudo-da-soja

O controle químico com inseticidas de contato costuma ser difícil devido ao hábito da praga. Por isso, os ingredientes ativos mais utilizados são dos grupos químicos dos organofosforados, neonicotinoides e pirazóis.  

Manejo de pragas por aplicativo

Por fim, vale destacar que você pode recorrer à tecnologia para operacionalizar com maior praticidade as estratégias de controle que mostrei neste artigo.

Um aplicativo como o Aegro permite que o monitoramento da lavoura seja planejado e registrado pelo celular, mesmo sem conexão com a internet. Desta forma, o histórico de pragas dos seus talhões fica seguro e organizado.

Após o registro das amostragens, o Aegro gera um mapa de calor que mostra a gravidade da infestação em cada ponto analisado.

Assim, você tem uma visão mais clara sobre a incidência do bicudo e consegue os aplicar diferentes métodos de controle apenas onde é realmente necessário.

Em suma, o uso desta tecnologia se reflete em menores custos com defensivos agrícolas e um manejo de pragas mais eficaz na sua plantação. Conheça agora a solução Aegro para MIP!

planilha de monitoramento integrado de pragras mip Aegro, baixe grátis

Conclusão

Alguns insetos que antes eram pragas secundárias estão se tornando mais preocupantes para o sojicultor. 

Esse é o caso do bicudo-da-soja, que nos últimos anos se tornou uma praga recorrente em diversas lavouras brasileiras.

Os hábitos desse inseto facilitam sua entrada na lavoura e dificultam o manejo.

Mas existem algumas formas de controle seguindo as táticas do MIP que poderão te ajudar a proteger sua lavoura do bicudo, como o monitoramento acurado.

Espero que, com essas dicas, você possa ter eficiência no controle dessa praga em suas propriedades!

Você tem enfrentado problemas com o bicudo-da-soja nas últimas safras? Como tem feito o manejo? 

Fique de olho na cantoria da cigarra-do-cafeeiro e faça o controle certeiro

Cigarra-do-cafeeiro: características da praga e as formas de manejo mais efetivas para sua lavoura.

Se a cantoria das cigarras incomoda a maioria das pessoas, para os produtores de café é sinal de alerta.

A cigarra-do-cafeeiro é uma praga que causa sérios danos à cultura e seu manejo deve ser feito de forma eficiente. 

Quer entender melhor sobre essa praga e suas principais características? Confira a seguir!

Cigarra-do-cafeeiro

As espécies popularmente conhecidas como cigarras-do-cafeeiro são Quesada gigas, Fidicinoides sp. e Carineta sp. Elas pertencem à ordem Hemiptera e família Cicadidae.

Entretanto, a espécie Q. gigas é a que causa maior dano na cultura, pois suas ninfas são maiores e sugam a seiva das raízes ininterruptamente e por um longo tempo.

foto de adulto da espécie Quesada gigas

Adulto da espécie Quesada gigas 
(Fonte: UOV)

E essa espécie, por ser mais severa, deve ser muito bem manejada. Vamos à algumas características dela.

Características da cigarra-do-cafeeiro – (Quesada gigas

Uma característica marcante dessa espécie é seu ‘canto’, que, na verdade, é uma maneira do macho atrair a fêmea para cópula. E o som emitido vem de órgãos estridulatórios que ficam no abdome dos machos.

Segundo o pesquisador da Epamig, Júlio César de Souza, existe um período específico do ano em que os adultos se dispersam para o acasalamento – normalmente entre agosto e outubro

Diferente do que o senso comum diz, as cigarras não cantam até estourar. Aquelas ‘cascas’ que ficam nos troncos das árvores são as exúvias do último ínstar ninfal. Isso quer dizer que os adultos emergem e as exúvias ficam nos troncos. 

Os adultos têm o corpo robusto, coloração amarronzada, grandes olhos compostos com três ocelos entre eles e os machos são maiores que as fêmeas. 

Mas como as ninfas chegam no tronco?

Após o acasalamento, as fêmeas colocam os ovos sob ramos das árvores do cafeeiro de forma endofítica. Os ovos são de coloração esbranquiçada e tem forma alongada. 

Quando as ninfas eclodem, elas produzem um filamento para descer até o solo em busca das raízes da planta. 

Essas ninfas se alimentam da seiva elaborada (do floema) das plantas inserindo o aparelho bucal sugador nas raízes. E é aí que está o problema. Essa fase pode ficar de um a dois anos consumindo o conteúdo, o que causa severos danos. 

Ninfas móveis de Quesada gigas

Ninfas móveis de Quesada gigas
(Fonte: Embrapa)

As que se fixam nas raízes são ninfas móveis e após esse tempo se alimentando da seiva, saem do solo, deixando um orifício individual, e vão, novamente, para o tronco das árvores onde ficam imóveis até a emergência dos adultos e se inicia um novo ciclo da praga. 

Por isso, a fase que causa danos no cafeeiro é de ninfas móveis. 

Sintomas e danos

Os primeiros sintomas são fraqueza na parte aérea, que se acentua em épocas de déficit hídrico, por acarretar a morte das raízes. 

Em seguida, começam a aparecer sintomas na parte aérea como clorose, queda precoce de folhas, complicações na granação de frutos e diminuição da vida útil das lavouras.

Já houve relatos de, em uma única planta, haver de 200 a 400 ninfas móveis causando severos danos. É praticamente impossível ter uma boa produção com um ataque nesse nível. 

Pode-se observar indícios de que existe população de cigarras pela presença das exúvias ou ‘cascas’ nos troncos das plantas de café ou em plantas próximas ao cafezal.

Por ser um arbusto, o cafeeiro vai definhando conforme a população da praga vai aumentando. Se não houver controle efetivo, as lavouras passam a não responder aos tratos culturais que normalmente são feitos, deixando que as floradas fiquem bastantes escassas. 

foto de Exúvia de cigarra em um tronco

Exúvia de cigarra
(Fonte: Pixabay)

>>Leia mais: “Broca-do-café: veja as principais alternativas de controle

Manejo da cigarra-do-cafeeiro 

Quando os sinais da presença das cigarras forem aparecendo, é o momento de começar a fazer o monitoramento das ninfas móveis, que ficam se alimentando das raízes. 

Para o monitoramento, a primeira coisa a ser feita é dividir a lavoura em talhões.

Em cada talhão deverão ser feitas amostragens após observação dos orifícios de saída das ninfas móveis no solo próximas às copas do cafeeiro e das exúvias nos troncos. 

Ao encontrar esses indícios, devem ser feitas trincheiras em algumas covas para contagem de ninfas. O ideal é entrincheirar 10 covas por talhão.

A trincheira deve ser aberta de um dos lados da planta até atingir a raiz principal, que é o local de maior concentração dos insetos para succionar a seiva. 

Como a trincheira é feita apenas de um lado da planta, ao final da contagem, deve-se multiplicá-la por dois para se ter um valor aproximado do total de indivíduos naquela planta.

O nível de controle para a cigarra-do-cafeeiro Q. gigas é de 35 ninfas móveis por cova. Porém, hoje em dia já é recomendado que se faça o controle antes mesmo de atingir esse nível. 

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Atualmente, o único controle realmente eficiente é o químico, aplicado no solo, que deve ser feito no início do período chuvoso, momento em que se iniciam os enfolhamentos no cafeeiro. 

Os inseticidas utilizados devem ser sistêmicos para que atinjam o sistema vascular da planta, chegado na seiva elaborada, onde as ninfas móveis se alimentam. 

Dentre esses inseticidas, os mais indicados são os do grupo químico dos neonicotinoides, podendo ser em formulações de granulado dispersível (WG), granulado (GR), suspensão concentrada (SC) ou técnico concentrado (TK). 

Existem 10 produtos registrados no Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) para controle da cigarra-do-cafeeiro. 

Conclusão

Quando as cigarras começam a ‘cantar’, o produtor de café deve estar muito atento, pois esse é o período em que a praga vai se reproduzir.

Existem três espécies de cigarras que atacam o cafeeiro, mas a Quesada gigas é a que causa maiores danos se não for controlada. 

As ninfas se alojam sob o solo para sugar a seiva elaborada e causam danos ao cafezal, podendo deixá-lo improdutivo. 

O manejo deve ser feito com o monitoramento e, em seguida, com aplicação de inseticidas no solo, quando constatado o nível de controle. 

>> Leia mais:

Poda do cafezal: como fazer para aumentar sua produção

10 dicas para melhorar a gestão de sua lavoura de café

Você tem problemas com a cigarra-do-cafeeiro na sua lavoura? Como faz o manejo? Adoraria ler seu comentário!

Sensores no manejo integrado de pragas: por que você deve começar a usar!

Sensores no manejo integrado de pragas: entenda como essa tecnologia pode otimizar suas operações e reduzir seus custos com defensivos

A tecnologia se faz cada vez mais presente na agricultura brasileira. 

No monitoramento de pragas, que é uma das bases para o sucesso do controle efetivo, o uso de sensores tem mudado muito a forma como essa tática é implementada no campo. 

As ferramentas digitais prometem melhorar a amostragem no campo, tornar o manejo mais eficaz e fazer um controle mais eficiente!

Quer entender melhor tudo isso? Confira a seguir:

MIP e agricultura digital

Como sempre falamos aqui, o MIP (Manejo Integrado de Pragas) preconiza o uso de vários métodos de controle de pragas visando uma produção mais sustentável. 

Isso inclui uso dos controles químico, biológico, comportamental, genético, além de diversas outras maneiras de reduzir as pragas de forma integrada.  

Mas, antes mesmo de entrar com os controles, é muito importante que você faça o monitoramento das pragas. Essa é uma das principais bases para que o MIP realmente aconteça. 

bases do MIP Monitoramento Integrado de Pragas

“Casa do MIP”, com destaque para o monitoramento

Entretanto, muitas vezes, o monitoramento se torna bastante custoso ao produtor e acaba sendo deixado de lado por inúmeras dificuldades que são encontradas no caminho. 

Com isso, o risco de haver gastos desnecessários com defensivos químicos e tomadas de decisão equivocadas é grande. Então, como fazer? Qual a solução? 

A resposta não é tão simples e imediata, mas podemos dizer que a agricultura digital tem colaborado muito para que essa etapa seja um pouco mais facilitada no campo.

Com a evolução tecnológica, a coleta de dados automatizados tem sido uma realidade e pode ser aplicada no MIP para monitorar as pragas em uma velocidade que, antes, não seria possível. 

O uso de sensores promete melhorar a relação do produtor com a amostragem no campo, principalmente com o sensoriamento remoto.

O sensoriamento remoto faz aquisição das informações sem entrar em contato direto com o objeto a ser monitorado – nesse caso, as pragas.

E para que as informações cheguem nas mãos do produtor, a Internet das Coisas – IoT, em inglês Internet of Things – possibilita a conexão desses sensores à aparelhos com acesso à internet, como um tablet ou um smartphone.

Sensores no Manejo Integrado de Pragas

O sensores têm diversas aplicações que vão desde avaliação do estado nutricional da planta até a detecção de insetos-praga na lavoura. 

Os sensores mais comumente utilizados na agricultura são os térmicos, ópticos e elétricos

Para monitoramentos de pragas, os sensores podem ser acoplados a drones, fixados em implementos ou em locais específicos da lavoura para detecção das pragas.

As chamadas armadilhas inteligentes têm sensores que detectam os insetos capturados, possibilitando um acompanhamento muito preciso das pragas em tempo real. 

foto de armadilha inteligente na soja - sensores no manejo integrado de pragas

Armadilha inteligente na soja
(Fonte: Divulgação IAgro)

De forma geral, os sensores são essenciais para que a Agricultura de Precisão (AP) contribua com o MIP, principalmente em extensas áreas de produção. 

Com a AP, o manejo se torna mais eficaz por considerar pequenas áreas de forma simultânea e, na maior parte do tempo, não costumam ter um manejo homogêneo. 

Dessa forma, é possível fazer as correções necessárias em uma determinada propriedade de acordo com as necessidades de cada talhão, por exemplo. 

Assim, a tomada de decisão estará de acordo com cada área amostrada e não com a propriedade inteira – o que, em um monitoramento convencional, é algo realmente difícil de ser feito. 

Quando o controle for requisitado, será feito somente naqueles pontos específicos em que os sensores detectaram. Isso vai evitar desperdício de defensivos, desequilíbrio do agroecossistema e ainda promove economia do tempo para o manejo. 

Além de ter um controle mais efetivo e assertivo, o produtor ainda consegue realizar procedimentos agrícolas de forma otimizada, reduzir a mão de obra e se manter mais fiel aos preceitos do MIP.

Benefícios x gargalos no uso de sensores para o MIP

Existem muitos benefícios com o uso de sensores para o MIP. Podemos elencar:

  • redução de uso de defensivos;
  • controle somente onde há necessidade;
  • redução de mão de obra;
  • manejo mais sustentável;
  • preservação do agroecossistema
  • economia de tempo. 

Entretanto, existem alguns gargalos que impedem que a tecnologia esteja mais difundida, que seriam: 

  • qualidade de conexão na áreas rurais;
  • falta de capacitação dos usuários;
  • dificuldades com mão de obra;
  • maior investimento financeiro. 

Apesar de haver algumas falhas para que o uso de sensores seja mais difundido, o setor vem crescendo cada vez mais.

Diversas pesquisas em startups, universidades e grandes empresas estão voltadas para um manejo de pragas mais digitalizado com o intuito de facilitar ainda mais a vida do produtor. 

O que parecia muito distante, já está se tornando realidade e, muito brevemente, a tendência é a melhora do setor para a detecção de pragas com ainda mais precisão. 

Segundo a pesquisadora do Inpe, Ieda Sanches, as aplicações do sensoriamento remoto para o monitoramento de pragas com uso de satélites e drones é uma forte demanda tanto dos produtores quanto dos prestadores de serviço. E, futuramente, deve ser concretizado e já estará bastante acessível!

Aplicativo para o manejo integrado de pragas

Para tornar o seu manejo de pragas ainda mais eficiente, você também pode apostar em um software para o monitoramento da lavoura.

O Aegro, por exemplo, facilita as rotinas de monitoramento a partir de um aplicativo para celular que funciona mesmo sem internet. Com ele, você registra com precisão a incidência de pragas, doenças e plantas daninhas, diretamente do campo. 

Depois é só conferir, através de um mapa de calor, onde estão os focos de infestações. Assim, você consegue planejar atividades de controle somente quando for necessário.

Além disso, o Aegro oferece imagens de satélite com índice NDVI. Através desse índice, você acompanha a saúde da vegetação a distância e identifica com agilidade os talhões que estão sofrendo ataques de pragas.

Clique aqui para saber mais sobre o MIP no Aegro!

Conclusão 

O Manejo Integrado de Pragas (MIP) usa de várias táticas, principalmente o monitoramento de pragas.

O uso de sensores tem contribuído para melhorar as amostragens de pragas no campo e facilitar a tomada de decisão do produtor. 

Apesar de ser uma área nova, existem diversos sensores para essa finalidade. 

Além de obter dados com maior confiabilidade, o produtor ainda pode usar da Agricultura de Precisão para fazer o controle somente onde é realmente necessário.

Você já pensou em usar sensores no manejo integrado de pragas da sua lavoura? Restou alguma dúvida sobre o assunto? Deixe seu comentário! 

Como fazer o controle efetivo do ácaro-rajado

Ácaro-rajado: conheça as principais características dessa praga e os métodos de manejo mais adequados.

O ácaro-rajado é uma praga agrícola que vem causando danos expressivos em diversas culturas. 

E por que esse ácaro tem tanto potencial de destruição, sendo um organismo tão diminuto? 

Quais fatores têm contribuído para seu aumento populacional em culturas como soja, algodão e feijão? Qual a forma correta de manejo?

Confira essas e outras respostas sobre essa praga no artigo a seguir!

Características do ácaro-rajado  

Pode ser que você não saiba, mas os ácaros não são insetos. Estão no mesmo filo, Arthropoda, mas são de classe distinta. Os ácaros pertencem à classe Arachnida e subclasse Acari. E, dentre eles, está o ácaro-rajado, Tetranychus urticae, que é um ácaro tetraniquídeo (família Tetranychidae). 

Esse ácaro polífago é a principal espécie de ácaro-praga em uma gama de culturas, atacando mais de 150 espécies diferentes de plantas de importância econômica no mundo. 

Há características muito particulares que irão te ajudar a identificá-lo melhor. Uma delas é a capacidade de formar teias, que têm a função de proteger contra ataque de predadores e cria um microclima ideal para o desenvolvimento da população. 

As ninfas e os adultos produzem teias que podem encobrir a planta por completo. E, quando a infestação está muito alta, ocorre um aumento significativo, sinal de que a população está prestes a dispersar.

duas fotos representativas, uma ao lado da outra de adultos de ácaro-rajado e teia que produzem na planta.

 Adultos de ácaro-rajado e teia que produzem na planta
(Fonte: University of Florida)

Desenvolvimento e reprodução 

O ciclo de vida do ácaro-rajado varia de 7 a 20 dias e depende da condições do ambiente (temperatura e umidade). 

As fêmeas medem entre 0,5 mm e 1 mm de comprimento. Os machos são menores, medindo entre 0,3 mm e 0,5 mm de comprimento. 

Eles se reproduzem de forma sexuada e assexuada, em que ocorre partenogênese, e passam pelas fases de ovo, larva, protoninfa, deutoninfa e adulto. 

As ninfas são incolores, com olhos vermelhos. Com o desenvolvimento, vão se tornando verdes, amarelo-amarronzados e até verde-escuros. Na fase adulta, possuem duas manchas escuras no dorso.

Uma fêmea tem a capacidade de ovipositar cerca de 100 a 300 ovos ao longo da vida, em condições ideais.

Os ovos são esféricos (0,1 mm), de coloração amarela, e quase imperceptíveis a olho nu. São ovipositados na parte inferior das folhas. 

ilustração com Fases do ácaro-rajado Tetranychus urticae passando por ovo, larva, protoninfa, deutoninfa e fêmea adulta.

Fases do ácaro-rajado Tetranychus urticae
(Fonte: Koppert)

Dispersão 

A dispersão pode ocorrer por meio de órgão vegetais transportados pelo homem, levando os ácaros para longas distâncias. 

Outra maneira é pela migração de poucos metros por caminhamento dos ácaros. Quando há alta densidade populacional, abandonam as folhas muito danificadas e migram para outras menos atacadas da mesma planta ou de plantas diferentes. 

A dispersão mais frequente ocorre pelo vento: as fêmeas procuram a periferia da planta hospedeira e deixam-se levar pela corrente de ar. 

Como ocorre o ataque e danos do ácaro-rajado 

O ataque do ácaro-rajado em culturas como algodão, soja e feijão ocorre em condições de altas temperaturas e ausência de chuvas. Inicialmente, em reboleiras, mas, ao longo do tempo, conseguem tomar toda a lavoura. 

O tempo seco é um fator que deixa as células das plantas com maior concentração de nutrientes. O ácaro-rajado se alimenta das células do mesofilo no tecido vegetal, succionando o conteúdo celular. 

Têm preferência pela face inferior de folhas mais velhas, localizadas nas partes medianas das plantas. Mas, em altas densidades, também se alimentam de folhas novas. 

O dano direto consiste na perfuração das células superficiais e consequente redução da taxa fotossintética. Com isso, as folhas ficam com áreas prateadas ou verde-pálidas devido à remoção dos cloroplastos. 

Ocorre também a oxidação das áreas atacadas. Em alta intensidade, os ataques provocam manchas necróticas, chegando a rasgar ou até provocam queda das folhas. 

Esses danos podem colocar em risco a sobrevivência dessas culturas por serem anuais, causando, nos piores cenários, a perda completa da planta. 

Foto de planta com Danos de ácaro-rajado

Danos de ácaro-rajado
(Fonte: ScienceDirect

Manejo do ácaro-rajado 

É preciso destacar que o manejo convencional desta praga com aplicações constantes de acaricidas tem selecionado populações resistentes

Segundo o Comitê Brasileiro de Ação à Resistência a Inseticidas (IRAC BR), o ácaro-rajado tem rápido desenvolvimento de ação aos acaricidas. 

Estudos têm indicado que no Brasil, em culturas com intenso uso de produtos químicos, existem populações resistentes aos acaricidas:

  • abamectina;
  • clorfenapir;
  • dimetoato;
  • enxofre;
  • fenpiroximato;
  • milbemectina; e 
  • propargito.

Esse uso intenso ainda pode causar problemas de ressurgência da praga, devido à eliminação dos inimigos naturais da área. 

Além disso, esse ácaro tem alta capacidade reprodutiva, ciclo curto, se aloja na parte inferior das folhas e tecem as teias que o auxiliam ainda mais para se manter no ambiente. 

Por isso, é importante que o manejo deste ácaro seja realizado de forma integrada. Com o Manejo Integrado de Pragas (MIP) existe uma grande chance de evitar que esses problemas ocorram e controlar o ácaro-rajado de maneira eficiente. 

MIP 

Para que o MIP seja realizado, é importante fazer o monitoramento constante. Isso mostrará se a população do ácaro-rajado está ou não no nível de controle

Cada cultura requer pontos de amostragens diferentes, mas é necessário que esta ação seja feita.

A partir dos resultados, toma-se a decisão de controle que, atualmente, é o uso de produtos químicos e biológicos registrados pelo Mapa e o controle cultural. 

Para uso de acaricidas, é muito importante a rotação com diferentes modos de ação para o manejo da resistência e manutenção da eficiência do controle. 

Tabela indicando uso rotacionado de acaricidas

Tabela indicando uso rotacionado de acaricidas
(Fonte: Irac)

Outro ponto importante para realizar o controle químico é a preferência por produtos seletivos aos inimigos naturais. Como falado anteriormente, quanto mais seletivos, menor o risco de ocorrer pressão de seleção ao ácaro.

E o uso de controle biológico pode conter 80% das infestações

Pode ser realizado com o uso de ácaros predadores da família Phytoseiidae. As espécies Neoseiulus californicus e Phytoseiulus macropilis têm registro no Mapa e são comercializadas por biofábricas. 

Foto de Ácaro predador Neoseiulus californicus com a embalagem do produto

Ácaro predador Neoseiulus californicus 
(Fonte: Koppert)

foto do Ácaro predador Phytoseiulus macropilis com a embalagem do produto

Ácaro predador Phytoseiulus macropilis
(Fonte: Promip)

Esses ácaros predadores devem ser liberados na cultura quando existe uma baixa população da praga para que o controle seja eficiente. 

As liberações massais com essas espécies têm sido a melhor maneira de controle em diversas culturas. 

Um outro produto biológico seria o entomopatógeno Beauveria bassiana, que é também comercializado por biofábricas, aplicado em temperaturas mais amenas e clima mais úmido. 

Outros inimigos naturais ocorrem de forma natural no ambiente. Por isso, seria importante mantê-los na área (controle biológico conservativo) para contribuir com a redução da população da praga. 

Você também pode realizar o controle cultural, com destruição de restos culturais e manejo de plantas invasoras, que podem servir de hospedeiras. 

Ou realizar a destruição das teias com jatos de água sobre as plantas. 

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Conclusão 

O ácaro-rajado é uma praga polífaga que ataca diversas culturas, dentre elas soja, feijão e algodão. 

Não é um inseto, mas esse artrópode possui diversas fases e seu ciclo é bastante rápido, o que contribui para a disseminação. Produz teias e causa danos significativos nas plantas, podendo levá-las à morte.

Existem diversas formas de controle e o mais indicado é fazer o manejo integrado do ácaro-rajado, o MIP. 

Espero que com essas informações você consiga ter um manejo efetivo dessa praga em sua lavoura.

>> Leia mais:

“Saiba tudo sobre o ácaro azul das pastagens, uma praga emergente no Brasil”

Você já teve muito prejuízo com o ácaro-rajado em sua lavoura? Como tem feito o controle? Adoraria ler seu comentário!

Novidade no mercado de defensivos: inseticida Plethora

Inseticida Plethora: saiba o que é importante observar quando há um produto novo no mercado. 

A dinâmica de controle de algumas pragas agrícolas é bastante intensa e, por isso, há maior foco e desenvolvimento de novas estratégias.

Recentemente, a multinacional Adama lançou o inseticida Plethora, que tem sido muito bem aceito pelos produtores.

A novidade tecnológica deste produto é que ele possui combinação de ingredientes ativos inéditos no mercado. Seu registro é para diversas culturas e diferentes pragas. 

Entenda a seguir um pouco mais sobre esse inseticida, considerando tanto os benefícios como os riscos ao utilizá-lo. 

Como funciona o inseticida Plethora

O Plethora foi registrado recentemente pela empresa Adama Brasil S.A. no Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) na categoria agronômica “inseticida”, com número 8920. 

Este defensivo possui em sua formulação os ingredientes ativos indoxacarbe e novaluron, que nunca antes foram combinados. 

Indoxacarbe

Indoxacarbe foi desenvolvido pela empresa DuPont e é do grupo químico da oxadiazina.  Tem como sítio de ação os canais de sódio dependentes de voltagem. O papel da molécula é bloquear o canal. 

Os canais ficam fechados, bloqueando o fluxo de sódio para o interior da célula e os impulsos nervosos. Em consequência, ocorre paralisia e morte. 

Isso quer dizer que indoxacarbe age no sistema nervoso dos insetos. Por isso, é de amplo espectro de ação, ou seja, pode agir também no sistema nervoso de outros organismos que não as pragas. 

ilustração de uma lagarta mostrando em azul o seu sistema nervoso

Sistema nervoso de uma lagarta (em azul)
(Fonte: Canal Jerson Guedes)

Novaluron 

novaluron foi desenvolvido pela própria Adama e é do grupo químico das benzoilureias. Age no crescimento e desenvolvimento das pragas. 

São inibidores da biossíntese de quitina e isso causa uma deposição endocuticular anormal e muda abortiva. O que quero dizer é que causa problemas fisiológicos nas fases jovens dos insetos e a consequência é a morte antes mesmo de se tornarem adultos.  

Não é um ingrediente ativo de amplo espectro, principalmente por agir na fase larval. E é considerado mais seguro por não atingir diretamente organismos não-alvo. 

imagem de cutícula mal formada de lagartas no processo de muda

Cutícula mal formada de lagartas no processo de muda 
(Fonte: Folhetim Basf)

Indoxacarbe + Novaluron 

O inseticida Plethora, contendo esses dois ingredientes ativos, age no sistema nervoso do inseto, inibindo a entrada de íons de sódio nas células nervosas, e também como inibidor da síntese de quitina. 

Tem 24% de indoxacarbe e 8% de novaluron em sua composição. Por essa razão, o produto em si é de amplo espectro. 

Age tanto por ingestão como por contato com atividade translaminar nas folhas. Isso significa que, após pulverizado, o produto permanece em uma subcamada das folhas, o parênquima foliar. 

Além disso, Plethora tem ação sistêmica, pois fica ativo nos vasos condutores de seiva, onde é enviado por toda a estrutura da planta. 

Com essa combinação, tem ação rápida e permite um efeito residual longo. 

É uma ferramenta para o manejo da resistência, já que muitos produtos que estão no mercado para as praga-alvo deste inseticida têm se mostrado ineficientes. 

Pode ser aplicado de maneira terrestre ou aérea. 

ilustração da embalagem do Inseticida Plethora

Inseticida Plethora
(Fonte: Adama)

O que o inseticida Plethora controla?

O que faz com que este produto tenha sido um bom arremate é o seu controle sobre o complexo de lagartas de várias culturas, como soja e algodão,  mas também de pragas do cafeeiro. 

Além disso, seu registro é amplo, abrangendo também controle para pragas das culturas de canola, feijão, gergelim, girassol, linhaça, milheto, milho e sorgo.

As espécies para controle são:

Culturas: algodão, linhaça e soja.

Culturas: algodão, feijão e soja. 

  • Lagarta-da-maçã (Chloridea virescens)

Cultura: algodão.

  • Lagarta-das-vagens (Spodoptera eridania)

Culturas: algodão e soja.

  • Traça-das-crucíferas (Plutella xylostella)

Cultura: canola. 

  • Lagarta-enroladeira (Antigastra catalaunali)

Cultura: gergelim. 

  • Lagarta-do-girassol (Chlosyne lacinia saundersii)

Cultura: girassol. 

Culturas: milheto, milho e sorgo. 

  • Lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis)

Cultura: soja. 

  • Bicho-mineiro (Leucoptera coffeella)

Cultura: café. 

Cultura: café. 

As doses recomendadas são semelhantes para todas as culturas e pragas: de 200 a 300 mL/ha. Apenas na cultura do café que há diferenças, sendo de 500 a 700 mL/ha para a broca-do-café e de 300 a 400 mL/ha para o bicho mineiro. 

Mesmo com doses semelhantes, é muito importante que você respeite o nível de controle de cada praga e as recomendações que estão na bula. 

Riscos do Inseticida Plethora

Mesmo sendo uma boa ferramenta, o inseticida Plethora apresenta alguns riscos.  

A classificação toxicológica é 5, sendo improvável de causar dano agudo. Porém, sua classificação com relação ao meio ambiente é 2, com indicação de muito perigoso ao meio ambiente. 

Isso quer dizer que deve-se usar o Plethora com prudência, respeitando as especificações do fabricante, dose a ser aplicada, além do número, época e intervalo entre aplicações. 

Uma forma de uso correto é aplicando os preceitos do Manejo Integrado de Pragas (MIP). Com o MIP, é possível fazer as aplicações somente quando o monitoramento mostrar necessário.

Você pode, inclusive, usar um software de gestão agrícola para monitorar focos de infestação na lavoura e controlar a quantidade de inseticida que deve ser aplicada em cada talhão. Assim, você tem um manejo mais efetivo de pragas e evita pulverizações excessivas.

Um erro seria utilizá-lo em pulverizações calendarizadas e sem monitoramento prévio das pragas. Além de causar possíveis contaminações, isso pode reduzir a eficácia do produto e prejudicar a tecnologia em um curto período de tempo. 

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Se for utilizado de maneira correta, poderá contribuir para um bom manejo na sua cultura. 

Consulte um profissional agrônomo para que você tenha maior auxílio ao utilizar este produto. 

Conclusão 

Um novo produto fitossanitário teve registro recente e tem sido muito bem aceito por produtores em todo o Brasil. 

O Plethora é um inseticida de amplo espectro e longo período residual. Tem combinação inédita de dois ingredientes ativos, o indoxacarbe e o novaluron. São de grupos químicos diferentes, agindo tanto no sistema nervoso como no crescimento e desenvolvimento dos insetos. 

Até o momento, seu registro é para uso em 11 culturas e 11 pragas, sendo, em sua maioria, do complexo de lagartas. 

Existem alguns riscos ao utilizar o produto, mas que podem ser manejados de acordo com o MIP. 

Utilizado da maneira correta, esse inseticida poderá contribuir para um bom manejo na sua cultura!

Como você monitora as pragas da sua lavoura hoje? Restou alguma dúvida sobre o inseticida Plethora? Adoraria ler seu comentário!